Entre o homem e o mito: G-DRAGON leva a turnê e filosofia Übermensch às grandes telas

G-DRAGON caminhando em um show em meio a multidão. Fotografia retangular, ao fundo seus fãs no estádio, com o cantor ao centro. G-DRAGON é um homem asiático, de cabelos platinados com detalhes em azul. Ele veste uma regata branca, um sobretudo preto com botões brancos e detalhes de crochê na gola. Ele passa pela multidão enquanto canta e segura um microfone branco à sua frente.
G-Dragon caminha em meio a multidão durante a Übermensch Tour

Flávia Ferracini

Após oito anos longe dos palcos, G-DRAGON retorna com um projeto que é, ao mesmo tempo, espetáculo e manifesto existencial. Dirigido por Byun Jin Ho, G-DRAGON IN CINEMA: Übermensch acompanha a turnê mundial homônima de 2025, registrada em mais de dez países e lançada em mais de cinquenta – incluindo o Brasil, onde chega pelas mãos da Sato Company. O diretor, conhecido por outros trabalhos com G-DRAGON e BIGBANG, traz seu olhar que consegue equilibrar estética e introspecção, traduzindo a energia performática do artista em imagens que exploram o limite entre o humano e o sobre-humano – o que é ser ‘além do homem’ dentro de uma indústria que exige perfeição constante.

Continue lendo “Entre o homem e o mito: G-DRAGON leva a turnê e filosofia Übermensch às grandes telas”

Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade

A imagem é a capa do álbum Bossa Sempre Nova. Luísa Sonza aparece deitada de forma elegante em uma espreguiçadeira de design curvo com assento de palha, vestindo um longo vestido de cetim roxo escuro. Ela apoia a cabeça na mão direita e olha diretamente para a câmera. Ao fundo, vê-se uma paisagem litorânea paradisíaca com mar azul, ilhas ao longe e folhas de palmeira no canto direito. No topo, em tipografia retrô, lê-se o título do álbum e, no rodapé, os nomes: Roberto Menescal, Luísa Sonza e Toquinho.
Capa de Bossa Sempre Nova busca evocar a sofisticação e o imaginário cosmopolita do gênero (Foto: Pam Martins)

Arthur Caires

A Bossa Nova sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo de credibilidade artística. É a partir desse desejo que Bossa Sempre Nova se apresenta. Para além de um disco, o álbum se impõe como uma estratégia: a de uma cantora pop contemporânea que decide vestir essa herança, buscando nela um repertório e, principalmente, um reposicionamento. A pergunta que paira, então, não é apenas se Luísa Sonza canta bem bossa nova, porém o que significa, hoje, querer caber dentro dela.

Continue lendo “Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade”

XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto

Capa do álbum XTRANHO, do cantor Matuê. A imagem apresenta um rosto masculino em alto contraste, quase como um negativo fotográfico: olhos e sorriso emergem do preto absoluto, formando uma expressão ambígua entre ironia e ameaça. A estética crua e minimalista transforma o rosto em símbolo, mais ideia do que identidade.
XTRANHO revela os limites da ruptura prometida por um dos maiores nomes do trap nacional (Foto: 30PRAUM)

Gabriel Diaz

No começo de sua carreira, Matuê era a ‘cura‘, representada pelo seu primeiro álbum de estúdio, Máquina do Tempo (2020). Agora, segundo suas próprias palavras, ele se torna a ‘peste’. É possível ler XTRANHO como uma infestação estética: um disco que deseja incomodar, provocar rejeição e instaurar ruído em um cenário cada vez mais previsível do trap mainstream. O lançamento foi tratado como um evento, tendo uma audição pública no Vale do Anhangabaú, englobada à uma identidade visual agressiva com múltiplas capas e um website interativo (indisponível para acesso). Desde o primeiro contato, fica claro que o projeto não se limita ao som, mas extrapola além do campo musical. Ainda assim, sua principal fragilidade está na distância entre a ideia de ruptura anunciada e aquilo que efetivamente se materializa durante as faixas.

Continue lendo “XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto”

Turnstile abriu o leque de possibilidades sonoras e NEVER ENOUGH é a mistura perfeita entre o Hardocre e a psicodelia.

Capa do álbum Never Enough. A capa consiste em um céu azul claro, com dois arco-íris levemente apagados, que cruzam a imagem de forma diagonal.
A capa do álbum mantém a temática de céu e horizonte que esteve presente no álbum anterior, o Glow On de 2021 (Foto:Roadrunner Records)

Lucas Barbosa

Turnstile já tinha uma consolidação como uma das maiores bandas do Hardcore, o som pesado com riffs e baterias imponentes, sempre foi uma comprovação do valor da banda formada em Baltimore. Os dois últimos álbuns, Time and Space (2018) e Glow On (2021) serviram como uma ligação entre o punk e as paradas de sucesso, com uma mistura psicodélica de Metal, R&B e Funk mantendo sua originalidade. Então, lançam Never Enough, um disco natural, maduro e promovendo uma experiência nova e surpreendente aos ouvidos.

Continue lendo “Turnstile abriu o leque de possibilidades sonoras e NEVER ENOUGH é a mistura perfeita entre o Hardocre e a psicodelia.”

15 anos de K.I.D.S.: uma carta de amor à juventude de Mac Miller

Capa da mixtape K.I.D.S. (Kickin' Incredibly Dope Shit) do rapper Mac Miller, lançada em 2010. A imagem mostra quatro jovens sentados em arquibancadas de madeira ao ar livr. Mac Miller está ao centro, em primeiro plano, com expressão relaxada e olhar direto para a câmera. Ele veste camiseta branca, boné azul para trás, bermuda bege e tênis branco com meias altas. À esquerda, um dos rapazes, sem camisa e com uma bandana vermelha, segura um microfone e está ao lado de um grande boombox. À direita, outros dois jovens conversam, um deles com uma camiseta cinza e o outro usando uma regata com a frase "Loose Lips". No topo da imagem, há uma faixa de papel rasgado escrito “ROSTRUM RECORDS & MOST DOPE PRESENT:” em letras pequenas, seguido pelo título "K.I.D.S" em letras grandes e coloridas. Cada letra com uma textura ou imagem diferente, incluindo fotos e arte gráfica. Abaixo, em letras azuis, amarelas e verdes, lê-se "KICKIN INCREDIBLY DOPE SHIT". À direita da palavra “SHIT”, há uma ilustração do personagem Baby Mario (da Nintendo). No canto inferior esquerdo está escrito “MAC MILLER” em letras vermelhas com sombra amarela, em uma tipografia estilizada.
K.I.D.S. foi a responsável por lançar Mac Miller ao sucesso (Foto: Rostrum Records)

Ana Beatriz Zamai

O que você estava fazendo aos 18 anos? Independente da resposta, nada será tão interessante quanto o que Mac Miller fez. Quinze anos atrás, o rapper estava em Point Breeze, Pittsburgh, iniciando a vida adulta, quando lançou K.I.D.S., sua quarta mixtape. Foi o primeiro trabalho de Mac após assinar contrato com a Rostrum Records, gravadora americana com quem trabalhou até 2014, quando firmou parceria com a Warner Records

Continue lendo “15 anos de K.I.D.S.: uma carta de amor à juventude de Mac Miller”

Smoochies prova que a feminilidade pode ser sexy e divertida

Ashnikko posa contra um fundo rosa liso. Ela é uma mulher branca de cabelo azul, que está preso e bagunçado e comporta um chapéu de tecido pied de poule preto e branco. Ela veste um corpete vermelho de cetim e uma faixa branca no busto com a inscrição Smoochie Girl em letras maiúsculas. Nas pernas, uma meia fina preta com manchas brancas. Sua expressão é distante e melancólica, com maquiagem marcada nos olhos e batom nude escuro
Fazendo jus ao título, o segundo álbum de Ashnikko traz a naturalidade da sexualidade com uma abordagem lúdica do desejo e sentimentos femininos (Foto: Parlophone Records)

Giovanna Araújo

Desde 2017, Ashnikko (Ashton Nicole Casey) se destaca na indústria musical com um estilo alternativo, excêntrico e autêntico. Sua carreira ganhou força em 2019 com o single Stupid, que hoje ultrapassa meio bilhão de streams totais. Em 2021, a artista lançou a primeira mixtape, DEMIDEVIL, e, dois anos depois, seu álbum de estreia, WEEDKILLER. Em outubro de 2025, este trabalho já marcado pela experimentação e originalidade ganhou continuidade com Smoochies, que reúne 15 novas faixas, sendo cinco delas singles.

Continue lendo “Smoochies prova que a feminilidade pode ser sexy e divertida”

Há 5 anos, Chilombo transformava a vulnerabilidade de Jhené Aiko em um ritual sonoro transcendental

Na imagem, há uma mulher com expressão serena, usando um lenço amarelo vibrante na cabeça e tranças escuras. A luz do sol ilumina seu rosto, destacando a pele e os traços definidos. Ao fundo, há uma parede colorida em tons de amarelo e azul.
Chilombo reflete a ancestralidade e proximidade de Jhené Aiko com sua arte e seu berço afetivo (Foto: Def Jam Recordings)

Victor Hugo Aguila

Se permitir mergulhar na angústia é, antes de tudo, o primeiro passo para uma jornada de cura. Lançado em março de 2020, Chilombo reflete a profundidade emocional presente nas facetas do processo de luto e da autodescoberta. Sendo este seu terceiro álbum de estúdio, a narrativa madura e autêntica de Jhené Aiko transborda em sua musicalidade e reafirma seu local enquanto uma das vozes mais proeminentes do R&B contemporâneo.

Indicado em três categorias na 63ª edição do Grammy, incluindo Álbum do Ano, o disco é seu trabalho mais bem sucedido, tendo estreado em segundo lugar no Top 200 da Rolling Stone. Após o término com o rapper Big Sean, a artista adentra uma espiral emocional complexa, em que, ao longo de 20 faixas, transições entre raiva, solidão e tentação encontram um lugar fértil para se manifestar. Ao cantar sobre a dor da perda sob a ótica da espiritualidade, Jhené toma o enfrentamento como ferramenta para não ser paralisada pelas emoções tão bem acentuadas em sua obra. 

Na imagem, há uma mulher com tranças longas escuras vestindo um vestido vermelho-alaranjado translúcido de mangas compridas. Ela está apoiada sobre uma penteadeira de madeira ornamentada, com um espelho atrás que reflete parte de sua imagem. O ambiente tem decoração clássica com tons de verde e dourado.
A emancipação sexual e sensualidade são elementos fundamentais da obra da cantora (Foto: Gizelle Hernandez)

Gravado no Havaí, local onde a bisavó da cantora nasceu, o disco se destaca por sua ambientação tranquila e musicalidade suave. Com o uso de sons vibracionais e instrumentos relacionados à prática da meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade refinada e calma, sendo possível imergir em uma experiência sinestésica. Sem perder suas influências musicais, elementos do pop, R&B e hip-hop marcam presença no LP, que, combinados a novos ritmos, criam uma nova identidade para a arte da norte-americana. Junto à lírica explícita e sem filtros, é apresentado ao ouvinte uma viagem visceral e completamente avassaladora. 

Dentre as diversas faixas, o single Triggered (freestyle) se destaca melodiosamente em catarse. Ao abordar sobre a dificuldade em se reconhecer para além de seu papel dentro do relacionamento, é apresentado os ciclos viciosos no qual a vocalista se encontra, em que tenta incessantemente enfrentar a dor através do distanciamento. Na busca por evitar com que seus gatilhos sejam disparados, Jhené se encontra em uma estrada emotiva em que o único caminho apresentado é através da angústia. Com vocais sutis e precisos que emolduram a lírica potente, a canção atinge um patamar de poesia intimista, como se as palavras recitadas pertencessem a um diário escrito em um berço conflituoso e agoniante. 

Na imagem, há um retrato de uma mulher com tranças longas presas em um penteado alto. Ela usa um top metálico prateado e tem tatuagens visíveis no ombro e na clavícula. O fundo é azul e desfocado, dando destaque ao rosto e à iluminação suave.
Apostando em instrumentos musicais voltados à meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade única e atemporal (Foto: Gizelle Hernandez)

Ainda que uma parte da construção emocional do álbum seja pautada no padecimento, é importante destacar sua outra face igualmente marcante: a libertação sexual. Através do erotismo e da sensualidade, a musicista destaca a excitação presente em se sentir desejada, mesmo que casualmente. Com a voz delicada e aveludada, é criado um aspecto sedutor através da doçura, no qual Jhené, apesar de expressar explicitamente o que almeja entre quatro paredes, permanece em um nível de delicadeza intocável. A canção On The Way, em parceria com sua irmã Mila J e presente na versão deluxe do disco, é uma expoente deliciosa dessa narrativa em que, sob a influência quase alcoólica da fantasia, a cantora transmite a ânsia de querer se tocar apenas por pensar em quem se deseja. Com êxito, a liberdade presente no sexo a auxilia a retomar o controle da sua feminilidade e autonomia, ainda que em meio ao caos. 

A perspectiva de cura e sexualidade se fundem em faixas como P*$$Y Fairy (OTW). Pensada para além do entretenimento, ela possui mecanismos de restauração dentro da lógica espiritual. Em entrevista à Billboard, Jhené Aiko comentou que tal música possui a melodia e a lírica em tom Ré, estando este ligado ao chacra sacal, governante dos órgãos sexuais. Sendo assim, para além do prazer em escutar a produção, a intérprete transmite intencionalidade na ternura de um processo terapêutico, responsável por trazer equilíbrio nessa área tão fundamental para seu trabalho enquanto artista. Assim, o sexo passa a ser interpretado quase como algo divino, responsável não apenas por um deleite momentâneo, mas também como algo a ser nutrido e celebrado. 

Agora deite sua cabeça no travesseiro

Eu vou te foder bem devagar 

Quero que você diga meu nome – P*$$Y Fairy (OTW)

Na imagem, há uma mulher com longas tranças escuras usando um vestido longo vermelho-alaranjado com mangas longas. Ela está em um salão elegante com grandes janelas, cortinas luxuosas e um lustre de cristal ao fundo. A luz natural ilumina o ambiente, realçando a textura translúcida do vestido.
Os vocais doces e aveludados são traços marcantes da musicalidade da artista (Foto: Gizelle Hernandez)

Para além da destreza técnica e lírica empenhadas, o disco demonstra singularidade logo de imediato a partir de seu título. Jhené Aiko Efuru Chilombo decidiu utilizar seu último nome como identificação do trabalho para honrar suas raízes e sua família. Karamo Chilombo, seu pai, lhe concedeu o sobrenome aos 20 anos de idade e, combinada a uma série de significados presentes nas línguas africanas, é criada uma linhagem significativa e afetuosa: Chilombo representa a força da vida, novos começos e a perfeição. Assim, é materializado de imediato a intenção da produção, em que a cantora valoriza sua herança cultural, ao mesmo tempo que cria uma nova para si. 

A glória de Chilombo se fundamenta em seu resultado, transmitindo coerência ao criar um processo de autoafirmação. Apesar de longo, o álbum se torna um regozijo a cada faixa, trazendo a autenticidade atemporal que tanto desejamos ver na indústria fonográfica contemporânea. Para além do sucesso no mainstream, Jhené Aiko atesta seu papel enquanto artista de maneira majestosa ao provar sua maturidade artística e reformulando o papel da música, colocando esta como ferramenta de um processo de purificação, ainda que de maneira sutil. Expandindo sua musicalidade para a estética e a espiritualidade, a Jhené triunfa em criar uma teia duradoura que, mesmo após meia década, continua a transmitir sua narrativa de maneira intacta e consistente.  

Em Fancy Some More?, PinkPantheress convida uma constelação de nomes para brincar com suas faixas

 

 A imagem é a capa do álbum Fancy Some More, de PinkPantheress. Nela, a cantora aparece em frente a um fundo azul vibrante, vestindo meia-calça vermelha, sapatos pretos e um body preto com detalhes vermelhos. Ela segura um quadro pintado com traços expressivos em preto e vermelho, com um recorte central que revela seu rosto, criando a ilusão de que a pintura se prolonga em seu corpo. No chão, uma pequena mancha de tinta preta reflete parte da cena. A composição mistura arte e moda de maneira ousada, traduzindo o estilo visual experimental e criativo da artista.
A artista britânica transforma o conceito de álbum em celebração coletiva (Foto: Warner Records)

Nathalia Helen

Em um momento em que sua música deixa de ser apenas um fenômeno digital para ocupar um lugar mais sólido na indústria, PinkPantheress chega ao Grammy 2026 com indicações que ajudam a enquadrar sua fase atual. Fancy That concorre a Best Dance/Electronic Album, enquanto Illegal aparece entre as indicadas a Best Dance Pop Recording, colocando oficialmente o som etéreo e acelerado da artista britânica no centro das discussões do pop e da eletrônica contemporâneos. É a partir desse reconhecimento — que valida um projeto originalmente curto, fragmentado e quase experimental — que Fancy Some More? surge como uma resposta direta: maior, mais aberta e consciente de seu próprio impacto.

Continue lendo “Em Fancy Some More?, PinkPantheress convida uma constelação de nomes para brincar com suas faixas”

Com o Midnight Sun, chegou a hora de Zara Larsson

Capa do CD Midnight Sun, da cantora Zara Larsson. Na imagem, a artista está de joelhos em uma grama e apoia as duas mãos na superfície. Ela usa um vestido laranja, com rendas amarelas e rosas. Atrás dela, há flores azuis, árvores e um sol, que preenchem o ambiente. Ela está centralizada na foto e o seu cabelo loiro tampa uma parte de seu rosto, incluindo o olhar da cantora.
No conjunto de dez faixas, a sueca faz o melhor trabalho de sua carreira até o momento (Foto: Sommer House/Epic Records)

Guilherme Machado Leal

Os últimos anos da música pop mostraram que quem espera, sempre alcança. Se em 2024, Sabrina Carpenter se tornou um dos principais nomes atuais do gênero e Charli XCX finalmente conquistou as devidas flores com o Brat, o mesmo pode ocorrer com outras cantoras. Sem investimentos da gravadora, uma fanbase não tão expressiva e uma identidade sonora inconsistente são alguns dos fatores que servem como empecilhos àqueles com desejo pelo sucesso. Era o caso de Zara Larsson: a artista sueca viu muitos de seus hits serem cantados, mas também leu declarações como: “quem está cantando essa música?”. A partir do lançamento do Midnight Sun, quinto álbum de estúdio da loira, as coisas mudaram.

Continue lendo “Com o Midnight Sun, chegou a hora de Zara Larsson”

Despreocupadamente talentoso, Tyler, The Creator se diverte sem reservas em DON’T TAP THE GLASS

Texto Alternativo: Capa do álbum Don’t Tap The Glass. Na imagem, Tyler, The Creator, homem negro de 34 anos, se posiciona no centro, em pé, de punhos fechados, em frente a um fundo branco com partes de seu corpo distorcidas, como nariz, olhos, boca, braços e mãos aumentados. O rapper aparece de bigode. Não usa camisa, mas veste uma calça de couro vermelha, uma corrente de ouro gigante no pescoço, brincos, óculos de armação quadrangular e transparente e um boné vermelho com o escrito ‘glass’.
DON’T TAP THE GLASS está indicado a Melhor Álbum de Música Alternativa no Grammy 2026 (Foto: Columbia Records)

André Aguiar

“Bem-vindo / Número um: movimento corporal, não fique parado / Número dois: fale apenas em glória, deixe sua bagagem em casa / Número três: não toque no vidro”. Logo em suas primeiras linhas, Tyler, The Creator esclarece o passo a passo para um ouvinte que deseja ter a experiência completa de DON’T TAP THE GLASS, seu nono álbum de estúdio. Lançado apenas oito meses após o indicado ao Grammy de Álbum do Ano CHROMAKOPIA (2024), o disco de 2025 mostra o lado mais escrachado e extrovertido do rapper. Tyler Okonma, que já é referenciado como um nerd da música e que costuma operar de forma mais solitária, entrega um produto descolado de sua obsessão pela Arte e seu vasto repertório.

Continue lendo “Despreocupadamente talentoso, Tyler, The Creator se diverte sem reservas em DON’T TAP THE GLASS”