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	<title>Arquivos Alfaguara &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="(max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
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<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
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<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Os Melhores Livros de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 23:22:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no Persona. A parceria com a Companhia das Letras recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30219" aria-describedby="caption-attachment-30219" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30219 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30219" class="wp-caption-text">Entre o melhor da Literatura em 2022, tivemos a tradução da obra póstuma de David Foster Wallace, novas edições de Shirley Jackson e o romance de estreia de Jarid Arraes (Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. A parceria com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em eventos literários, como o Nobel de Literatura, e nosso Clube de Leitura e Estante do Persona se revitalizaram. Como um balanço do que foi o ano passado para o projeto – e para a Literatura no mundo –, chegamos com </span><b>Os Melhores Livros de 2022</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos dias 2 ao 10 de Julho, membros da nossa Editoria cobriram a 26ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andréa Del Fuego</span></a><span style="font-weight: 400;">, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de Paulina Chiziane e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento, na verdade, teve dupla celebração: além do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">centenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do único escritor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura, 2022 também marcou o bicentenário da Independência do Brasil. Dessa forma, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum, e contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Maio, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">publicou a tradução</span><i><span style="font-weight: 400;"> O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance póstumo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2012 e que estava em processo de tradução desde 2014. Pela mesma casa editorial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">, do húngaro László Krasznahorkai, finalmente chegou ao mercado editorial brasileiro. Eterno favorito ao Nobel de Literatura, esse é o primeiro livro do autor publicado no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, falando da premiação, 2022 foi o ano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escritora francesa foi a grande vencedora do Nobel de Literatura, e foi tema do nosso Clube do Livro meses antes de sua consagração. Em Novembro, ela veio ao Brasil para participar da Festa Literária de Paraty (Flip), onde dividiu uma mesa com Geovani Martins, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além das entrevistas com os escritores </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/"><span style="font-weight: 400;">Tobias Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> também foi representado no </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i> <a href="https://open.spotify.com/episode/1dOTIWtNNlDelSVX5VXmVd?si=5c66a84ee3a34f81"><i><span style="font-weight: 400;">Clube</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Rádio Companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, no papo sobre os 10 anos de lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Galera.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você confere a lista das obras que marcaram os membros da Editoria e nossos colaboradores no ano de 2022, com gêneros e estilos para todos os gostos. Seja qual for a sua escolha, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> segue defendendo a pluralidade, irreverência e emancipação propiciada pelos livros. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-30157"></span></p>
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<figure id="attachment_30182" aria-describedby="caption-attachment-30182" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30182 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30182" class="wp-caption-text">Chegando ao Brasil em 2022 pela editora Fósforo, O Acontecimento foi primeiramente publicado na França nos anos 2000 (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux – O Acontecimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que vale é a qualidade e não a quantidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa frase serve para definir a ponta do </span><i><span style="font-weight: 400;">iceberg</span></i><span style="font-weight: 400;"> da catarse que Annie Ernaux provoca com suas meras 80 páginas na obra </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambientado em 1963, o livro possui caráter autobiográfico, trazendo a passagem de quando, aos 23 anos, a autora engravidou, contra seu desejo, de seu namorado à época. Quarenta anos depois, Ernaux usa toda a força para destrinchar o capítulo de vida em que, sozinha, buscou meios para realizar o aborto de maneira clandestina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma mulher faz aborto sorrindo, e </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das principais vozes feministas da contemporaneidade, para esclarecer toda a profundeza de sentimentos envolvidos, se arma de seu bem maior: as palavras. Aqui não existe a intenção de criar um teatro ou trazer subjetividade em relação às escolhas feitas sob o próprio corpo; a autora é direta e honesta em contar publicamente sua história. Acima disso, a imersão criada pela análise de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva o leitor a refletir sobre como as leis imperam nos corpos femininos. Esse dom e coragem de Annie Ernaux na produção de textos tão crus e carregados de uma verdade ímpar, ao mesmo tempo comum a sociedade, a tornou vencedora do </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/10/06/escritora-francesa-annie-ernaux-ganha-nobel-de-literatura.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_30166" aria-describedby="caption-attachment-30166" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30166 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Manifesto. A capa mostra uma pintura da autora Bernardine Evaristo do peito para cima. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos pretos, vestindo uma camisa rosa clara e uma jaqueta vinho. Na parte superior central, vemos as palavras “da autora de garota, mulher, outras”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Na parte inferior central, vemos as palavras “manifesto” e, abaixo, “sobre nunca desistir”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Abaixo, alinhado à esquerda, vemos as palavras “bernardine evaristo”, em uma fonte sem serifa, em caixa alta e em um tom esverdeado claro. À direita, vemos o logo da Companhia das Letras em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30166" class="wp-caption-text">Pela tradução de Camila von Holdefer, um diário de Bernardine Evaristo ganha corpo em Manifesto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Manifesto: Sobre nunca desistir</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consolidada autora de ficção e não-ficção, professora de escrita criativa e presidente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Royal Society of Literature</span></i><span style="font-weight: 400;">, a principal organização literária da Grã-Bretanha, em 2019 Bernardine Evaristo se consagrou no mercado editorial com o troféu do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/10/15/margaret-atwood-e-bernardine-evaristo-recebem-booker-prize.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o maior prestígio da literatura inglesa, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota, Mulher, Outras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Muito antes da fama e dos louros, a escritora britânica era uma iniciante como qualquer autor, o que ela narra no livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto: Sobre nunca desistir</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Evaristo percorre os caminhos que a levaram a sua literatura atual: seu modo de escrita, suas convicções acerca do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/entenda-como-bernardine-evaristo-ganha-o-mundo-com-livros-sem-se-curvar-a-regras.shtml"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas inspirações mudaram desde que saiu da casa de sua grande família, e a influenciaram a compor sua prosa como é hoje. Atingindo seu ápice ao mergulhar mais profundamente do que o leitor testemunha na leitura, a inglesa perpassa o que, antes de pegar o papel e caneta, a formou como pessoa.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, literalmente, o manifesto de Bernardine Evaristo. De origem nigeriana, a autora repassa seus anos de criança e adolescência, vivendo em uma casa com muitos irmãos e pouca individualidade, e descobrindo sua própria identidade &#8211; aqui, tanto como mulher negra, filha de mãe branca, quanto sua orientação sexual, ideologia política e social. Sensível, sincero e direto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Manifesto: Sobre nunca desistir </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece uma janela aberta a vida de uma das mais importantes e </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-06-12/bernardine-evaristo-o-black-lives-matter-e-o-metoo-ja-mudaram-a-sociedade.html"><span style="font-weight: 400;">relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escritoras contemporâneas vivas. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30197" aria-describedby="caption-attachment-30197" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30197 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg" alt="Capa do livro A Vergonha. Na capa está uma foto em preto e branco dos pais de Annie. Ao redor há blocos retangulares coloridos em azul, roxo, vermelho, amarelo e verde. Cada um desses blocos abriga uma palavra: A está no azul; Vergonha está no roxo; Annie está no vermelho; Ernaux está no amarelo; e Fósforo, o nome da editora, está no verde" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30197" class="wp-caption-text">Em A Vergonha, a ganhadora do Nobel de Literatura de 2022 desvenda as próprias relações familiares (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; A Vergonha</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criadora da </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/o-reconhecimento-as-autossociobiografias-de-annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">autossociobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">, Annie Ernaux, já se mostrou uma mestre em contar histórias da própria vida de um jeito cru e subversivo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora não abandona esse viés e traduz milimetricamente os eventos que rodearam sua infância. Vivendo na Normandia com 12 anos, o livro começa com um evento traumático ocorrido em uma tarde de domingo na casa dela e, a partir disso, somos expostos a desenrolares absurdos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é contado com ritmo permanente e com uma clássica mistura de reflexão e literalidade, já conhecidas em outros textos de Annie, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem precisar de recursos dramáticos, a obra – traduzida por Marília Garcia – nos coloca no cerne das coisas que constróem a tal </span><i><span style="font-weight: 400;">vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">na forma de um constrangimento acerca do próprio existir. Assim, a leitura das 88 páginas nos dói, mesmo sem tal intenção. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um tiro, rápido e fatal. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30161" aria-describedby="caption-attachment-30161" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30161 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg" alt="" width="697" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-545x800.jpg 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-768x1128.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-1046x1536.jpg 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L.jpg 1731w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30161" class="wp-caption-text">O livro recebeu uma edição comemorativa de 10 anos, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (Edição Especial de 10 anos)</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211289/barba-ensopada-de-sangue-edicao-especial-de-10-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Barba Ensopada de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um professor de Educação Física sem nome, que viaja para Garopaba em busca de seu avô desaparecido, após o suicídio do pai. Essa história, porém, já possui mais de 10 anos. Em 2022, em comemoração a data, a obra recebeu uma edição especial comemorativa, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel. O interessante é perceber que, uma década depois, continua a ser um livro instigante e potente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temas como identidade, família, memória e morte são amplamente abordados na trama, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizando uma linguagem rica e poética para descrever as paisagens costeiras do sul do Brasil e a atmosfera opressiva e enigmática da história – seja com h minúsculo ou maiúsculo. Ao mesmo tempo, o romance também apresenta uma reflexão profunda sobre as relações humanas e as consequências do passado em vidas presentes. Leitura essencial para quem deseja se aprofundar na Literatura brasileira contemporânea. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30178" aria-describedby="caption-attachment-30178" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30178 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30178" class="wp-caption-text">O livro desmente muitos dos valores absolutos defendidos na sociedade capitalista (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Graeber &amp; David Wengrow &#8211; O despertar de tudo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse livro fascinante, escrito pelo antropólogo David Graeber e pelo arqueólogo David Wengrow, os autores propõem uma nova visão da história da humanidade. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211722/o-despertar-de-tudo"><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma crítica às teorias convencionais sobre a evolução humana, que supõem uma trajetória linear e progressiva rumo à civilização. Segundo os autores, a história da humanidade é muito mais complexa e multifacetada do que se imagina. Eles argumentam que a noção de &#8220;primitivismo&#8221; é equivocada e que as sociedades &#8220;primitivas&#8221; possuem formas de organização social e conhecimento que são tão complexas quanto as sociedades ocidentais modernas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/desigualdades/novas-historias-da-humanidade"><span style="font-weight: 400;">Graeber e Wengrow</span></a><span style="font-weight: 400;"> defendem que as sociedades humanas possuem uma capacidade inata de inovação e criatividade, e que a história da humanidade é marcada por momentos de despertar coletivo, nos quais novas ideias e práticas surgem e transformam a sociedade. Por meio de uma análise profunda da história da humanidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos convida a repensar nossas concepções sobre a natureza humana e a sociedade. Com uma visão mais plural e diversa da história, que valoriza as contribuições de todas as sociedades humanas, o livro nos inspira a buscar novas formas de convivência e desenvolvimento. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30177" aria-describedby="caption-attachment-30177" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo o Que Eu Sei Sobre o Amor. A capa é amarela e possui o título escrito em letras vermelhas. Alinhado à esquerda lê-se o título “tudo o que eu sei sobre festas, encontros, amigos, trabalho, a vida, o amor”, porém, as palavras “festas”, “encontros”, “amigos”, &quot;trabalho&quot;, “a vida” estão rabiscados por linhas azuis, de forma que “o amor” fica em evidência. Esse escrito ocupa quase toda a capa. Abaixo do título está escrito o nome da autora, Dolly Alderton em letras azuis. No canto inferior direito está o logotipo da editora intrínseca." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366.jpg 813w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30177" class="wp-caption-text">O livro Tudo o que eu sei sobre o Amor chegou no Brasil pela editora Intrínseca, traduzido por Ana Guadalupe (Foto: Anderson Junqueira/Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Dolly Alderton &#8211; Tudo o que eu sei sobre o Amor</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o que eu sei sobre o Amo</span></i><span style="font-weight: 400;">r é a autobiografia de </span><a href="https://dollyalderton.com/about/"><span style="font-weight: 400;">Dolly Alderton</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritora e jornalista britânica, que conta de forma divertida sua jornada de amadurecimento. O livro começa provocando a indagação “</span><i><span style="font-weight: 400;">que vidas malucas são essas?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas, ao longo dos capítulos, desperta a mais profunda identificação com aqueles que já foram, ou ainda são, jovens perdidos e </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/06/fenomeno-do-tiktok-tudo-o-que-eu-sei-sobre-o-amor-chega-as-livrarias-em-julho/"><span style="font-weight: 400;">apaixonados</span></a><span style="font-weight: 400;">. A leitura, que pode começar um pouco intrincada, adquire ritmo paulatinamente, até envolver o leitor numa história tão relacionável sobre as dores e as delícias de ser adulto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora registra todos os seus vacilos, egoísmos e aprendizados ao longo de seus vinte e poucos anos, de maneira sincera e irreverente, tal qual a personagem </span><a href="https://play.acast.com/s/sentimentalgarbage/introducing-sentimentalinthecity-withdollyalderton"><span style="font-weight: 400;">Carrie Bradshaw</span></a><span style="font-weight: 400;">, de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex and the City</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra também guarda semelhanças com o romance de Helen Fielding, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Bridget Jones </span></i><span style="font-weight: 400;">(1996), cuja diferença consiste no diário de Alderton não ter nada fictício. As crônicas da britânica, além de registrarem o que ela sabe sobre o amor, expõe os medos que acompanham a chegada da vida adulta. Em determinado ponto da narrativa, a autora assume o papel de amiga do leitor e o consola com o seu melhor ensinamento: “</span><i><span style="font-weight: 400;">pare de esperar as coisas acontecerem e preste atenção nas pessoas que já estão na sua vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O grande amor pelo qual você procura pode ser uma amizade, um parente, um trabalho e até mesmo o amor próprio. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_30190" aria-describedby="caption-attachment-30190" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30190 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro A Hipótese do Amor. Na capa há a ilustração de um casal se beijando. Ela é branca de cabelos castanhos claros, está vestindo um jaleco branco. Ele é branco, tem cabelos pretos e veste uma camisa social azul com gravata rosa. Ao fundo há materiais de laboratório. O título está centralizado em rosa na porção superior da capa. Na parte inferior há o nome da autora em letras azuis marinho." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30190" class="wp-caption-text">A Hipótese do Amor foi publicado em 2022 no Brasil, sob a tradução de Thaís Britto (Foto: Arqueiro)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Hazelwood &#8211; A Hipótese do Amor</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas coisas são calculáveis, tem suas respostas numericamente exatas prontas para serem registradas rotineiramente em um bloco de notas. Com os sentimentos não funciona assim, e as reações químicas do cérebro atuam como um segredo só dele. Com isso em mente, Ali Hazelwood retoma o clichê do </span><a href="https://capitulotreze.com.br/web-stories/romances-com-fake-dating/"><i><span style="font-weight: 400;">fake dating</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz isso da maneira mais doce possível em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma protagonista que não sabe afirmar o próprio potencial e um professor universitário em busca de aprovação, a conta dá resultados cientificamente surpreendentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olive Smith é estudante de doutorado em Biologia em </span><a href="https://personaunesp.com.br/legalmente-loira-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Stanford</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vê a Ciência como uma cadeia pronta e totalmente presa às probabilidades. Em uma tentativa inocente de juntar a melhor amiga, Anh, e Jeremy, é feito um combinado com o jovem professor Adam Carlsen. O romance é narrado em terceira pessoa e nos conta as perspectivas da personagem, enquanto todo o seu controle é perdido e ela acaba completamente apaixonada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar previsível, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g2wTXXjY1sg"><span style="font-weight: 400;">Ali</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue impor toda a sua originalidade em uma narrativa escrita de forma leve e muito fluida. Olive é demissexual e isso torna sua trajetória uma experiência intimista e completa. Outro destaque da obra é o jeito de construir os laços entre os personagens, pois a autora escolhe os caminhos que tornam as relações mais firmes.</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma leitura animadora para os dias nublados, um jeito de reconfortar o imaginário de quem navegava no </span><i><span style="font-weight: 400;">wattpad</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30165" aria-describedby="caption-attachment-30165" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30165 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última parada. A capa é uma ilustração de um vagão de metrô em tons de rosa, roxo e amarelo. Na parte superior, ao centro, vemos o logotipo da editora Seguinte. Abaixo, no centro, vemos as palavras “Última parada” escritas em branco, em uma fonte sem serifa estilizada. No centro da capa, vemos, à esquerda, a ilustração de uma jovem mulher asiática, de cabelos castanhos curtos e arrepiados, vestindo uma jaqueta de couro e camiseta branca. Do lado direito, vemos uma jovem mulher branca, de cabelos longos e castanhos claros, usando óculos escuros, jardineira preta e camiseta branca, e segurando um copo de café. As duas se encaram. Logo abaixo, na parte inferior central, vemos as palavras “da autora de Vermelho, branco e sangue azul” em uma letra sem serifa em caixa baixa, na cor amarelo. Abaixo, vemos as palavras “Casey McQuiston”, em um tom amarelado claro, em uma fonte sem serifa e em caixa alta." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30165" class="wp-caption-text">Pelas palavras do The New York Times, Última parada é “absolutamente brilhante” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jovem, cética e recém-chegada a Nova Iorque, August é confrontada com seus colegas de quarto calorosos e espirituosos. Quando se afeiçoa por Jane, com quem diariamente divide o mesmo vagão de metrô, a vida da garota vira &#8211; ainda mais &#8211; de cabeça para baixo. Isso porque a conhecida está presa no subterrâneo desde os anos 1970, sem escapatória e sem lembranças de suas aventuras passadas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">histórias de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> não são só românticas, tampouco passageiras quanto o ritmo do metrô.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Casey McQuiston, responsável pelo sucesso </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repete o feito da autora na obra anterior: ainda que por caminhos intensos, conduz os pensamentos de August de forma leve e divertida, identificável com quem, jovem adulto como ela, encara o mundo e as adversidades à frente. Os toques de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão um tom ainda mais renovador à trama: cheio de </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/07/12/a-diversidade-no-topo-da-lista"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sexualidade e os modos de vida </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial </span></i><span style="font-weight: 400;">dos personagens são subtextos animadores, que agregam à identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para uma experiência ainda mais envolvente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30191" aria-describedby="caption-attachment-30191" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30191 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Romance real. A capa é dividida em vários blocos retangulares coloridos, em cada um está ilustrado um elemento da narrativa. No primeiro está Diana fazendo sinal de guardar segredo, ela é branca com cabelos ruivos e veste um casaco caramelo sobre uma blusa verde água. Nos dois seguintes há uma coroa dourada e um avião. No próximo está Dayana, ela é negra de cabelos cacheados escuros, veste um casaco rosa e azul e usa fones de ouvido brancos. Abaixo há um bloco azul com o nome do livro escrito em branco. No primeiro espaço da porção inferior há um ônibus vermelho passando por Londres. O último é amarelo e tem o nome de Clara Alves grafado em azul." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30191" class="wp-caption-text">Já conhecida por Conectadas, Clara Alves voltou com mais um show de representatividade em Romance real (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Alves &#8211; Romance real</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realeza está batida e já saturou todas as partes do mercado cultural com suas narrativas, mas quando se fala no universo </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> todos os clichês têm passe livre para tomar lugar na mente de um público cujas possibilidades de amar sempre foram restringidas. Assim, Clara Alves chegou às livrarias com </span><i><span style="font-weight: 400;">Romance real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o chavão merecido pelos amores de contos de fadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dayana é fã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/take-me-home-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">One Direction</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e conhecer Londres é um dos seus sonhos, no entanto, as circunstâncias não são as melhores. A jovem acabou de perder a mãe e vai ter que fazer um reencontro com o pai que a abandonou 10 anos antes. Mas como a vida é uma caixa de surpresas, os caminhos ganham novos ares quando uma ruiva um tanto misteriosa chamada Diana cruza seu caminho e as duas passam a se desvendar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe da futilidade, abandono parental e luto são temáticas trabalhadas por toda a narrativa. </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clara</span></a><span style="font-weight: 400;"> também explora em Dayana a representatividade negra, gorda e bissexual, partindo por um rumo que salienta a importância de que personagens de todas as características merecem seu final feliz. Leve e encantador, o livro é um presente para o cenário nacional e mostra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">real</span></i><span style="font-weight: 400;">” tem mais de um significado.</span><b> – Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30162" aria-describedby="caption-attachment-30162" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30162 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30162" class="wp-caption-text">Traduzido por Caetano Galindo, O rei pálido foi finalista do prêmio Pulitzer de Ficção (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Foster Wallace &#8211; O rei pálido</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se ouve que </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/exibicionismo-a-contragosto"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a voz de uma geração, há um fundo de verdade quase cientificamente provável. A obra de um escritor é, geralmente, resultado da mistura entre o talento individual e a sociedade que o produz. Essa é a forma como a Literatura é feita – talvez seja até mesmo a maneira como toda a Arte é produzida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, romance póstumo do autor, guarda, naturalmente, semelhanças com </span><i><span style="font-weight: 400;">Oblivion </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004), última coletânea de contos lançada por ele ainda em vida, em que explora a natureza da realidade, sonhos, traumas e a dinâmica da consciência. Dessa maneira, o livro de 2011 (que chegou às prateleiras brasileiras em Maio de 2022) também examina a atividade da mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalista do </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2012/apr/17/pulitzer-prize-fiction-2012-withheld"><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2012, quatro anos depois do falecimento do autor, o robusto romance de 608 páginas narra a história de um grupo de pessoas que trabalham em um centro de processamento de declarações do imposto de renda em Illinois. Alguns dos personagens (Claude Sylvanshine, David Cusk, Lane Dean Jr. e Leonard Stecyk) se envolvem uns com os outros de várias maneiras, não obviamente consequentes. Dois deles se chamam David Wallace, e essa é toda a trama. Mas, embora seja previsível pensar que, tendo como ponto de partida uma investigação sobre o tédio, o romance possa oferecer um enredo tão tedioso, </span><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é, propriamente, “sobre” nada, pois Wallace não escreve sobre seus personagens, mas “através” deles. Levando a empatia explorada em suas obras anteriores a outros níveis, o romance é uma das melhores coisas já escritas na Ficção. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30174" aria-describedby="caption-attachment-30174" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30174 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg" alt="capa do livro Solitária, o título se encontra no meio, abaixo há uma xícara de chá e acima um livro de capa laranja" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30174" class="wp-caption-text">Eliana Alves Cruz traz reflexões sobre a relação do Brasil moderno e o escravagista (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Eliana Alves Cruz &#8211; Solitária</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas conquistam seu protagonismo em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212347/solitaria"><i><span style="font-weight: 400;">Solitária</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Eliana Alves Cruz. Eunice, que trabalha e mora em um condomínio de luxo, presenciou uma tragédia: a morte de uma criança. Com testemunho decisivo na solução do crime, ela conta com sua filha Mabel para colocar um ponto final no caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita com força e esmero, as vivências das domésticas são o grande foco da trama. Eliana usa seu texto bem construído para debater temas atuais e históricos, como as relações trabalhistas, diferenças de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/mulheres-negras-sao-65-das-trabalhadoras-domesticas-no-pais"><span style="font-weight: 400;">classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o papel de gênero. A autora não tem medo de ser direta, mas constrói uma narrativa doce quando necessário. </span><i><span style="font-weight: 400;">Solitária </span></i><span style="font-weight: 400;">traz não só uma boa história, como também amplia a reflexão. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30195" aria-describedby="caption-attachment-30195" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30195 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Corpo Desfeito. Na imagem há um fundo branco com bolinhas azuis e um chão roxo. Em pé aparece o corpo de uma mulher com meias vermelhas, vestido amarelo e casaco preto. Suas mãos mostram a pele negra descoberta. A ilustração parece estar se desfazendo.O título está na porção superior e o nome da autora na inferior, ambos estão grafados em branco" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30195" class="wp-caption-text">Em seu romance de estreia, Jarid Arraes, vencedora do Prêmio Biblioteca Nacional e finalista do Prêmio Jabuti, dilacera os efeitos da violência (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Jarid Arraes &#8211; Corpo Desfeito </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amanda vive em Juazeiro do Norte no interior do Ceará e faz parte da terceira geração de uma família cercada de abusos. Sua mãe Fabiana, a avó Marlene e o avô Jorge representam uma cadeia de processos violentos, capazes de afetar suas experiências por completo. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vJuQG5HTXr8"><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Desfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, esses personagens compõem uma história dolorosa e cheia de eventos absurdos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se antes da morte da mãe a convivência já era ruim, depois da partida de Fabiana e Jorge as coisas ficam insustentáveis. Presa a uma ideia </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">fanática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida, Marlene passa a cultuar a filha morta como se fosse uma santa e, assim, as abstenções se tornam a regra. A matriarca passa a propor comportamentos distantes das características mundanas e obriga Amanda a estar na mesma caixa, tornando a vida da jovem um grande fardo cheio de pressão e medo. </span></p>
<p><a href="https://jaridarraes.com/"><span style="font-weight: 400;">Jarid</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreve a narrativa com destreza e prende o leitor em cada um dos trechos. Apesar de abordar tópicos sensíveis, a curiosidade para entender até onde isso vai se mantém constante. Ainda é possível encontrar a leveza e equilíbrio no texto com a relação entre a protagonista e a amiga Jéssica, um laço transformado em sentimentos amorosos que ensolaram o enredo. Passeando sobre as consequências da violência na infância e adolescência, o fanatismo religioso e os limites das relações familiares,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Corpo Desfeito</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta uma história fictícia que poderia estar estampada em qualquer manchete de jornal. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30176" aria-describedby="caption-attachment-30176" style="width: 732px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30176 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg" alt="Capa do livro Estou Feliz que Minha Mãe Morreu, de Jennette McCurdy, publicado pela editora nVersos. Em um fundo de cor amarelo pastel, o título do livro se encontra no topo da capa na cor rosa pastel; logo em seguida, há uma linha incompleta na mesma cor. O nome da autora está em destaque e se encontra abaixo dessa linha na cor rosa bebê, com um sombreado na cor preta. Abaixo há um pequeno quadrado rosa centralizado na capa e, dentro dele, está uma imagem da autora. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo, deixando apenas a franja e alguns fios ao lado soltos. Ela veste um conjunto de camisa manga três-quartos e calça social na cor rosa bebê e segura uma urna para cinzas na mesma cor que o quadrado. Seu olhar está direcionado para o lado direito enquanto sorri com a boca fechada. No lado inferior da capa, está escrito o nome da editora na mesma cor que o título" width="732" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg 732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-572x800.jpg 572w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-768x1074.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL.jpg 971w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30176" class="wp-caption-text">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu não é um livro para ser julgado pelo seu título (Foto: nVersos Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Jennette McCurdy &#8211; Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</b></p>
<p><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2022/sep/10/jennette-mccurdy-interview-memoir"><span style="font-weight: 400;">Jennette McCurdy</span></a><span style="font-weight: 400;"> se inseriu no mundo da atuação aos seis anos de idade, na esperança de se tornar uma estrela e, assim, realizar o sonho de sua mãe. Tornando-se conhecida apenas anos mais tarde, por seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">iCarly</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007-2012), da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nickelodeon</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua vida atrás das telas era muito mais complicada do que qualquer pessoa que a visse brilhar como a personagem Sam Puckett pudesse imaginar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse contexto, </span><a href="https://www.nversoseditora.com/product-page/estou-feliz-que-minha-mae-morreu"><i><span style="font-weight: 400;">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro de memórias de uma vulnerabilidade surpreendente, destacando as lutas da autora com sua mãe abusiva, seus distúrbios alimentares, vícios e as dificuldades que acompanham o fato de ser uma estrela infantil. Ela revela sua criação perturbada em detalhes inabaláveis com um humor e tom encantador, fazendo com que a obra tenha uma leitura envolvente, embora difícil de ser digerida em muitos pontos. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30179" aria-describedby="caption-attachment-30179" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30179 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro Bright da escritora Jessica Jung. Na imagem, a arte de uma jovem cantora revela o contorno de um casal de mãos dadas ao longo de seu desenho. As cores predominantes na capa são: branco, roxo, rosa e azul. Na parte superior direito está escrito o nome do livro “Bright” em letra cursiva e prata. Um pouco abaixo está escrita a frase em inglês “Never give up your light” também em letra cursiva e prata. Na parte inferior e central está escrita a identificação da carreira de Jung em inglês “A novel from international K-pop star and New York Times bestselling author of Shine”, em letras prateadas. Logo abaixo, o nome da escritora, “Jessica Jung” está colocado em evidência com letras garrafais e prateadas." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30179" class="wp-caption-text">Bright deverá chegar às prateleiras brasileiras em 2023 pela Intrínseca (Foto: Simon &amp; Schuster)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Bright</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas 1 ano e meio depois do lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jessica Jung, a cantora, escritora e vendedora de jóias nas horas vagas voltou com o sucessor </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/jessica-jung-shine-sequel-bright-exclusive-first-chapter"><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2022, a publicação foi responsável por dar continuidade ao frenesi causado na indústria da Música sul-coreana pelo seu romance de estreia, recheado de revelações pouco discretas acerca dos bastidores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta vez, a protagonista Rachel finalmente encara as decepções envolvendo a sua participação no grupo nada amigável Girls Forever, e o seu relacionamento com Jason, o maior babaca do </span><a href="https://popasiaticojpg.com/2022/05/10/jessica-jung-revive-os-rumores-de-sua-saida-do-snsd-atraves-da-sua-nova-ficcao-bright/"><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Entregando um desenvolvimento digno das melhores </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jung novamente não exitou em escrever a sua verdade por meio do disfarce da ficção e reviveu no público a empatia pelos momentos cruciais que passou durante a sua estadia nessa indústria tão letal.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30189" aria-describedby="caption-attachment-30189" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30189 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Humanos Exemplares. Na imagem há uma porta branca e uma janela com vidro meio fosco ao lado. Da janela é possível ver um pássaro vermelho. Em frente a porta está um vaso de rosas cor de rosa com seus caules submersos. O nome do livro ocupa a porção inferior e o da autora a superior, ambos estão grafados na cor branca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30189" class="wp-caption-text">“A quantidade de ossos que uma velha possui é um espanto, um assombro, porque afinal alguns humanos como ela sumiram, muitos já sumiram” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Leite &#8211; Humanos Exemplares</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para onde vão nossos testemunhos quando o gosto sombrio da morte chega aos nossos lábios? Por mais que não nos pergunte diretamente, essa é a questão por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Humanos Exemplares</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrita por </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/381899/humanos-exemplares-novo-romance-de-juliana-leite-a.htm"><span style="font-weight: 400;">Juliana Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a obra nos apresenta Natália, uma mulher de 100 anos com muito a contar, mas sem plateia para ouvir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A senhora guarda em si grandes relatos sobre o período ditatorial, o medo que a afligiu e os sonhos que construiu, entretanto, quando ela morrer as coisas vão acompanhá-la aos planos intocáveis. Enquanto trata da fragilidade da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e gera reflexões sobre como isso afeta universos particulares e grandes eventos históricos, a autora também nos leva a um passeio sobre as angústias da terceira idade e o valor da velhice. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheia de personagens bem desenvolvidos e diversas declarações valiosas, a narrativa é um deleite apaixonante, mas devastador. Natália e Vicente, seu marido já falecido, são resultados diretos de um país tomado pelas chamas de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a forma como isso se reflete em seus comportamentos e desejos é explosiva. Entre as ruínas das lembranças, os arquivos perseguidos pelo tempo são os mais raros. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30167" aria-describedby="caption-attachment-30167" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30167 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30167" class="wp-caption-text">Originalmente publicado em 1985, o romance de estreia do húngaro László Krasznahorkai chegou ao Brasil em 2022, sob tradução de Paulo Schiller (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>László Krasznahorkai &#8211; Sátántangó</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora escrito nos anos 1980, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211159/satantango"><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não está especificamente ancorado em sistemas ou governos da época. Na verdade, o húngaro László Krasznahorkai dá tratamentos “míticos” à obra, na qual o universo sombrio de uma pequena comunidade dá as formas desse romance monstruoso, que já nasceu clássico. Muito do que se conhece da obra vem de sua adaptação cinematográfica, feita pelo diretor </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/6451-SATANTANGO"><span style="font-weight: 400;">Béla Tarr</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1996, com roteiro adaptado pelo próprio Krasznahorkai e mais de 7 horas de duração. Na história do livro – que está dividido em duas partes, primeiro de 1 a 6 e, depois, de 6 a 1, como no </span><i><span style="font-weight: 400;">tango</span></i><span style="font-weight: 400;"> –,  há a chegada de um homem misterioso à vila. Chamado Irimias, ele pode ser um profeta, um cético ou o próprio diabo, visto que retorna após ser dado como morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita de László – representada, aqui, na tradução de Paulo Schiller –, ao mesmo tempo em que alimenta o mistério, nos põe em um transe vertiginoso no qual somos embalados. Influenciado por Friedrich Nietzsche, Fiódor Dostoiévski e Franz Kafka, a quem pertence a epígrafe da obra, o escritor promove em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó </span></i><span style="font-weight: 400;">uma discussão extremamente interessante sobre os falsos profetas e os sentidos da alienação. Em retrospecto, também se percebe um rigoroso cuidado na escolha das palavras – o que pode explicar a demora que o livro teve no processo de tradução –, visto que, para o autor, as palavras são tudo. A parte surpreendente deste livro é a mistura interessante entre o estilo “modernista” e “pós-modernista”. Em determinados trechos, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/05/laszlo-krasznahorkai-da-hungria-recebe-o-man-booker-international.html"><span style="font-weight: 400;">László Krasznahorkai</span></a><span style="font-weight: 400;"> soa como um modernista clássico, mas o estilo fragmentado da obra, em que os capítulos começam com tramas subdesenvolvidas que vão se encorpando ao longo das páginas, dá ainda mais profundidade a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30160" aria-describedby="caption-attachment-30160" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30160 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg" alt="capa do livro A filha única, capa em cor vinho com manchas redondas cor de rosa. Na parte superior esquerda está escrito A filha única, e à direita está o nome da autora, Guadalupe Nettel." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30160" class="wp-caption-text">A filha única é o terceiro romance da escritora mexicana Guadalupe Nettel (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Guadalupe Nettel &#8211; A filha única</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Doce e discreto. Não há melhor forma de descrever o texto de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cultura/12-09-2022/a-filha-unica-de-guadalupe-nettel-e-lancado-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Guadalupe Nettel</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja calma em descrever situações emocionalmente fortes é um dos grandes destaques da sua escrita. A maternidade, sem qualquer clichê, é o grande pilar desse livro: a narradora, Laura, não quer ter filhos, e desde o início contextualiza sua opção em não gerar um novo ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alina e Doris compartilham com Laura o circuito central da trama, e exploram as múltiplas camadas em torno de “ser mãe”, apontando para a condição não como uma experiência, mas sim um mosaico de sensações que não podem ser descritas de modo raso. Para Nettel, não é um presente ou castigo, mas algo que transcende um ser e transborda para todos os lados. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-filha-unica"><i><span style="font-weight: 400;">A filha única</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imerge os leitores em uma experiência que nem todos são capazes de viver. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30163" aria-describedby="caption-attachment-30163" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30163 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins, publicado pela editora Companhia das Letras. O fundo da capa é composto por tons de cinza; a base é no tom de cinza mais claro, mas há algumas manchas em tons mais escuros, e algumas delas possuem rastros, como se a tinta tivesse escorrido. No topo, dentro de um retângulo, há o desenho de cinco pessoas negras, todas sem rosto, em posições diferentes. Algumas das cores do desenho também possuem rastros. Um pouco abaixo, do lado esquerdo, está escrito a palavra “romance” em letras maiúsculas na cor preta. Do lado direito, está escrito o título da obra, também em letras maiúsculas, na cor transparente com a margem na cor preta. O nome do autor está logo abaixo, em letras maiúsculas na cor preta. No canto inferior direito, há o símbolo da editora, que consiste em uma bicicleta seguida do nome da mesma." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30163" class="wp-caption-text">O primeiro romance de Geovani Martins joga luz sobre a dura realidade daqueles que são assombrados pela violência policial (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a forte repercussão nacional e internacional de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca"><i><span style="font-weight: 400;">O sol na cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), a coletânea de contos que marcou sua estreia na literatura brasileira, Geovani Martins lançou seu primeiro romance, intitulado </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia"><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra explora os impactos da instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na vida dos moradores da Rocinha, mais intimamente no cotidiano de cinco jovens negros, em três momentos diferentes: antes, durante e depois da ocupação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais tocante da ficção, sem dúvidas, é o quão real ela é. Martins cria um enredo que perpassa temas como violência, esperança, luto e amor análogo àquilo que é vivido fora das páginas. Com uma linguagem repleta de gírias e vícios de concordância, típicos da oralidade, o autor consegue construir a realidade da favela e desconstruir o imaginário da homogeneização de forma muito fluida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma leitura necessária em memória de todos que foram e são vítimas do sistema de segurança brasileiro, além de ser um livro que consagra </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/09/via-apia-segundo-livro-de-geovani-martins.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geovani Martins</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um dos principais nomes da Literatura marginal. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30164" aria-describedby="caption-attachment-30164" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30164 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, predominantemente vermelha. No topo da capa está o título do livro escrito em preto e branco, embaixo há Severino, o personagem principal, um homem negro que tem um artefato tecnológico vermelho no lugar do olho esquerdo, ele usa uma camisa vermelha desabotoada e tem o braço esquerdo metálico. Embaixo dele há o nome do autor, Ian Fraser escrito em amarelo, e mais abaixo há a silhueta de prédios. Ao redor da capa há vários retângulos abrigando itens do livro: foguetes, um pato, uma faca, uma palmeira, um robô, e outra personagem; Filomena." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30164" class="wp-caption-text">“A indiferença é mais cruel que a morte” (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Ian Fraser &#8211; A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ian Fraser é um romancista nascido e criado em Salvador, na Bahia, e é conhecido por algumas de suas principais obras &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Araruama, Noir Carnavalesco </span></i><span style="font-weight: 400;">e seu mais recente lançamento, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/severino-olho-de-dende/"><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê.</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Todos os seus livros, apesar de divergirem no enredo, se assemelham na retratação do cenário nordestino brasileiro; no entanto, Fraser se supera ao representar o sertão das maneiras mais inusitadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, </span></i><span style="font-weight: 400;">a narrativa acompanha Severino, um humano que trabalha como investigador em uma galáxia distante e que, no lugar do olho esquerdo, possui um artefato tecnológico que permite ver os últimos momentos de uma pessoa antes de morrer. Ao longo de sua jornada investigando um assassinato junto ao fiel companheiro Bonfim, Severino passa por elementos inspirados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/star-wars-sem-inspiracao-na-forca/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">unindo perfeitamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a vivência nordestina. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30201" aria-describedby="caption-attachment-30201" style="width: 709px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg" alt="" width="709" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30201" class="wp-caption-text">“Na vida, às vezes a gente tem que bater de frente, Lindo. A gente não tá errado em existir” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ilustralu &#8211; Arlindo</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro </span><a href="https://saibamais.jor.br/2022/07/ccxp-awards-ilustralu-artista-do-rn-ganha-premio-de-quadrinho-com-hq-arlindo/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do <em>CCXP Awards</em> de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz a história de um rapaz homossexual que mora no interior do Rio Grande do Norte e que, como a maioria das histórias desse gênero, reflete sobre a descoberta e a aceitação, principalmente em cidades pequenas e religiosas. A obra, escrita por Ilustralu inicialmente como uma </span><a href="https://twitter.com/ilustralu/status/1499360719921418254"><i><span style="font-weight: 400;">webcomic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mostra a vida do personagem homônimo, que é um menino ainda “no armário”, e que está passando pela experiência de primeiros amores. A pessoa mais próxima a ele, também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, era sua tia, que, depois de criticada por ser uma mulher lésbica, decide se afastar da família e da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias retratadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não focam apenas no personagem, mesmo que seja o protagonista, mas também comentam sobre outros adolescentes com outros problemas e que passam por dificuldades em casa ou com as tradições locais, muitas vezes inseridos em situações sufocantes. Mesmo que nem todos os personagens tenham ‘finais felizes’, a obra mostra que é necessário coragem e que </span><a href="https://valkirias.com.br/arlindo-ninguem-precisa-existir-sozinho/"><span style="font-weight: 400;">a solidão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">não dura para sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30193" aria-describedby="caption-attachment-30193" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30193 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30193" class="wp-caption-text">Nesse livro, Fisher olha para as implicações culturais subjetivas imediatas (Foto: Autonomia Literária)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Fisher &#8211; Fantasmas da minha vida</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado originalmente em 2014 mas que chegou ao território brasileiro em 2022, Mark Fisher explora a relação entre a cultura, a política e a saúde mental. Fisher argumenta que a cultura popular, em particular a Música Eletrônica, é um reflexo dos sentimentos de alienação e desesperança que muitos jovens experimentam em uma sociedade neoliberal cada vez mais individualista e fragmentada. Ele também sugere que as possibilidades de futuro estão sendo dinamitadas por um presente contínuo, sendo a cultura popular um meio de resistência contra essas forças opressivas, mas apenas quando pensada de maneira crítica e consciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do livro, Fisher utiliza sua própria experiência com a depressão para ilustrar seus argumentos sobre a saúde mental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é também um livro de crítica cultural na forma mais ampla do termo: o filósofo britânico utiliza elementos da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para discutir sobre as condições de vida na contemporaneidade. De Arctic Monkeys e Joy Division a Drake e Christopher Nolan, </span><a href="https://jacobin.com.br/2023/01/mark-fisher-nos-ajudou-a-pensar-para-alem-do-realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">Mark Fisher</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói um livro desafiador, sombrio e provocativo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30169" aria-describedby="caption-attachment-30169" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30169 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Não fossem as sílabas do sábado, de Mariana Salomão Carrara, publicado pela editora Todavia. Ele se baseia na fotografia de uma janela de um prédio na cor branca. A janela está aberta e, dela, por causa do vento, sai uma cortina branca, que fica do lado esquerdo e na parte de cima da mesma. É possível ver um varal com algumas roupas penduradas por uma fresta da janela. O título da obra se encontra no lado superior direito da capa; ele está escrito em letras maiúsculas e na cor preta, e cada palavra está em uma linha. O nome da autora está no canto inferior esquerdo da capa, também em letras maiúsculas e na cor preta, com cada palavra em uma linha. No canto inferior direito está o logo da editora, que consiste em quatro formas geométricas circulares, representando o movimento que a boca faz ao dizer cada sílaba da palavra “todavia”." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30169" class="wp-caption-text">Contando sobre a vida e a morte, a autora nos guia pelo caminho da dor, da descoberta e, principalmente, do tempo (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Salomão Carrara &#8211; Não fossem as sílabas do sábado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para morrer, basta estar vivo. É o que diz o senso comum, e se encaixa no caso de André, marido de Ana: bastou ele sair de casa no exato momento em que um homem (Miguel, marido de Madalena) caía da janela para que o seu fim chegasse. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/nao-fossem-as-silabas-do-sabado"><i><span style="font-weight: 400;">Não fossem as sílabas do sábado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">conta a história de duas mulheres que, para sempre, estarão unidas pelo trágico acidente que resultou na morte de seus maridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, trata-se de um livro sobre o luto – e, portanto, sobre a vida. </span><a href="https://marianacarrara.com/sobre-a-autora/"><span style="font-weight: 400;">Mariana Salomão Carrara</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesta obra delicada e dura, aborda a dor ocasionada por uma morte que não deveria ocorrer, e por uma vida que deve ser encarada a partir de então. A luta e o luto, aqui, andam praticamente de mãos dadas, na tentativa de superar o inexplicável e de tentar entender a ausência de quem não deveria estar ausente. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30171" aria-describedby="caption-attachment-30171" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30171 size-large" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30171" class="wp-caption-text">Estreia literária da vocalista de Japanese Breakfast, o livro é um mergulho nas formas singulares do luto (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Michelle Zauner &#8211; Aos prantos no mercado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas memórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;">, ter uma dupla origem é como viver uma fratura. Sendo a comida sua principal ligação com a Coréia do Sul, é também nela que Zauner encontra uma das bases na educação sentimental, superando traumas da infância que dão lugar a uma nova responsabilidade sobre as escolhas da vida adulta. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/aos-prantos-no-mercado/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora aborda o amor e a saudade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido a partir de seu ensaio publicado na revista </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro conta com uma linguagem poética e envolvente, que põe a vocalista de Japanese Breakfast em momentos marcantes de sua formação intelectual, como o relacionamento com seu pai e o processo de descoberta da Música, ao ganhar sua primeira guitarra da mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i><span style="font-weight: 400;"> também traz reflexões importantes sobre a cultura coreana e o impacto da imigração na formação da identidade, mas tudo envolto em capítulos concisos e sentimentalmente potentes. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30170" aria-describedby="caption-attachment-30170" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30170 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O último endereço de Eça de Queiroz do escritor Miguel Sanches Neto. Na imagem, a cor predominante é azul, presente em todo o fundo da arte. No centro, uma enorme porta fotografada em preto e branco sobrepõe uma fotografia de Eça de Queiroz, um homem branco, também em preto e branco. Na parte superior esquerda está escrito o nome do escritor “Miguel Sanches Neto” em letras pretas. Um pouco abaixo, ainda na esquerda, está o logo da editora “Companhia das Letras” em branco. Na parte inferior e central, está escrito o título do livro “O último endereço de Eça de Queiroz” em letras garrafais e na cor preta" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL.jpg 1708w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30170" class="wp-caption-text">O último endereço de Eça de Queiroz é o oitavo romance de Miguel Sanches Neto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Miguel Sanches Neto &#8211; O último endereço de Eça de Queiroz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crítico, poeta, cronista, romancista e contista, Miguel Sanches Neto tem longa passagem pelas diferentes formas da Literatura. Em 2022, </span><a href="https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-a-literatura-ao-avesso-3224238e.html"><i><span style="font-weight: 400;">O último endereço de Eça de Queiroz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe o melhor de sua escrita com o uso excepcional da ironia para abordar os conflitos internos de um autor frustrado com a constante busca pelo sucesso comercial. No livro, o narrador é protagonista e assume o pseudônimo de Rodrigo S. M., nome que aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">A hora da estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Clarice Lispector.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ilustrar a jornada peculiar de seu personagem, </span><a href="https://omaringa.com.br/coluna/estampado/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-e-o-novo-livro-do-paranaense-miguel-sanches-neto/"><span style="font-weight: 400;">Miguel Sanches Neto</span></a><span style="font-weight: 400;"> contou com a ajuda dos fantasmas de clássicos da Literatura portuguesa. Fernando Pessoa, José Saramago e, obviamente, Eça de Queiroz, são algumas das personalidades que fazem parte do delírio. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, assim como o escritor de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1887), a narrativa do livro buscou o real através da ficção. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30183" aria-describedby="caption-attachment-30183" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30183 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg" alt="Capa do livro Parque Industrial, de Pagu. A imagem é uma ilustração chapada de uma indústria e usa apenas a cor preta, sob um fundo azul celeste. No canto superior direito, está escrito o nome da autora em letra de forma. Na lateral esquerda do livro, se estendendo para a linha inferior, está escrito o título, na mesma estilização." width="676" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1014x1536.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1352x2048.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL.jpg 1466w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30183" class="wp-caption-text">Aos 100 anos do Modernismo no Brasil, a principal obra de um dos principais nomes do período retornou às livrarias em nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pagu – Parque Industrial</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção literária do ano que marca o centenário do </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> guarda um lugar especial para as palavras daquela que é uma das principais referências do tema. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de Pagu, que escreveu sobre a transformação cultural que montava e desmontava o Brasil desde 1922 quando tinha exatamente 22 anos. Em 2022, então, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">recuperou o clássico, que, desde o seu lançamento original em 1933, traça um caminho precursor na Literatura brasileira, sendo compreendido hoje como o marco inicial do gênero “Romance proletário”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na mecânica industrial de São Paulo na década de 1930 que Patrícia Galvão retrata as transformações que definiram o início do século XX no país, contraditoriamente iniciada na capital paulista, e irregularmente desenvolvida pelos demais centros do Brasil. Ao contrário das perspectivas abstraídas que originam boa parte das reflexões sobre o Modernismo no Brasil, porém, Pagu encarna seu olhar intrínseco à crítica sócio-cultural no ponto de vista singular de quem sempre está, simultaneamente, ao centro e às margens da sociedade: </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">a mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212613/parque-industrial"><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pintado pelo pseudônimo Mara Lobo é completamente entrelaçado e fragmentado pelas dinâmicas das relações vivenciadas por mulheres nos âmbitos de gênero e classe. Pagu viu de perto o momento em que o tempo se transformou em dinheiro. A reação daquela jovem, sempre tão perto e embora ainda longe de todos os méritos revolucionários que a história recente do país lhe atribuiria, foi criar uma obra urgente e perene, como uma denúncia do capitalismo em avanço que mudou a vida no Brasil para sempre. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30172" aria-describedby="caption-attachment-30172" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30172 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg" alt="a capa do livro mostra um hotel de cor branca cercado de montanhas e árvores cobertos por neve, e o título se encontra acima da imagem, de forma centralizada, em fonte de cor amarela." width="700" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-768x1124.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-1050x1536.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30172" class="wp-caption-text">Em seu livro de estreia, Sarah Pearce sabe como criar um grande suspense (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Sarah Pearse &#8211; O sanatório</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de</span> <a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/1128/"><i><span style="font-weight: 400;">O sanatório</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa em um hotel nos alpes suíços que, em um passado sombrio, foi um hospital psiquiátrico. O protagonista Elin Wagner vai ao encontro do irmão, Isaac, que está comemorando um noivado. Desde o início, ele sente a tensão ao se encontrar na hospedagem, e o desaparecimento da noiva de seu irmão serve como um catalisador de seu desespero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia de </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/581/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Pearce</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma escrita instigante que prende até o leitor mais distraído. Já comparado às obras de suas inspirações literárias &#8211; Agatha Christie e Stephen King -, o suspense de Pearce é intenso desde a primeira página, refletido na personalidade e nos comportamentos de seus sujeitos. É definitivamente uma experiência eletrizante. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30175" aria-describedby="caption-attachment-30175" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30175 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte superior direita, vemos as palavras “shirley jackson” escritas em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco. Na parte central, à esquerda, vemos o desenho de uma menina, aparentando cerca de 18 anos, branca de cabelos castanhos longos e lisos, vestindo um vestido preto, e descalça. Ao seu lado, vemos um pássaro voando. Na parte da direita, ao centro, vemos as palavras “sempre”, “vivemos” e “no castelo”, em caixa baixa, em uma fonte sem serifa em preto. Abaixo, vemos o desenho de um gato preto. Na parte inferior à direita, vemos o logo da Alfaguara, em amarelo." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30175" class="wp-caption-text">A vida de Shirley Jackson foi adaptada para o filme Shirley e uma das principais obras da autora, A Assombração da Casa da Colina, inspirou A Maldição da Residência Hill (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importante expoente do Horror, as obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jackson influenciaram grandes nomes da Literatura e do Audiovisual, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Neil Gaiman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mike Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas vastas produções, porém, </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/os-eua-profundos-de-shirley-jackson"><span style="font-weight: 400;">não são tão conhecidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto as de seus pares de gênero: apesar da falta de reconhecimento, o Terror de Jackson inspira o medo através do próprio  cotidiano, tornando o real, sobrenatural. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou uma nova edição pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, a dúvida se mistura ao macabro, com um toque de humor tenso e envolvente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, originalmente publicada em 1962, as irmãs Blackwood vivem isoladas em uma residência com o tio, após a morte de todos os familiares e os rumores de um assassinato dentro da própria família. Pelos olhos de Merricat, a caçula, os eventos do dia a dia ganham um tom místico, ao mesmo tempo que mágico e infantil, e as suspeitas quanto a veracidade da narração são constantes. Com a chegada de um primo da família e o mistério acerca do que realmente aconteceu na propriedade, o </span><a href="https://deliriumnerd.com/2022/02/02/sempre-vivemos-no-castelo-e-a-genialidade-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">Horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> desponta justamente a partir da dúvida e da falta de confiança na narradora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30218" aria-describedby="caption-attachment-30218" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30218 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg" alt="" width="1000" height="901" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-800x721.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-768x692.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30218" class="wp-caption-text">Como se fosse um episódio de Black Mirror ilustrado, a HQ está em adaptação pela Netflix (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Simon Stålenhag &#8211; Estado elétrico</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagen</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As artes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i><span style="font-weight: 400;"> são cheias de detalhes, e a temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da ficção científica, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico"><span style="font-weight: 400;">Stålenhag</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo, que se unem ao seu talento para narrar. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30196" aria-describedby="caption-attachment-30196" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30196 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Contos de Fadas. A imagem representa um poço visto de cima, ao lado há um menino com um lampião de chama laranja. Do outro lado está a cachora. É noite e o tom do espaço é azul escuro. O nome do autor está na porção superior e o do livro na inferior, ambos estão grafados em dourado." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30196" class="wp-caption-text">Em mais uma cartada do Rei do Terror, Conto de Fadas foge do habitual e explora um mundo fantasioso (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Conto de Fadas</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito na voz do adolescente Charlie Reade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é fiel ao título e, literalmente, performa uma narrativa encantada. Aos 75 anos, Stephen King não cansa de inovar e, com suas próprias referências, isso não é diferente. Disposto a se aventurar por novas possibilidades literárias, o autor dos clássicos do terror</span> <a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">It: a Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;"> agora escolhe se aprofundar na fantasia. O protagonista é um jovem normal com uma vida irritantemente comum: vive em uma pacata cidade fictícia, cuida de casa, tem uma boa relação em casa e vai para a faculdade. Mas, como o comodismo não é um dos favoritos do autor, tudo isso muda até chegar no inacreditável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de transição é o acidente doméstico do vizinho. Com o misterioso Howard Bowditch machucado, Charlie passa a cuidar dele e da cachorra Radar. Nessa interação, um carinho muito bonito se desenvolve entre os personagens, o sentimento é descrito de uma forma tão bem ritmada que até nos faz esquecer do vindouro lado </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2013/06/10/o-surrealismo-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">surrealista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essas ligações encaixadas também são algo que frequentemente vemos entre o garoto e o pai. Os paralelos começam a aparecer quando o senhor morre e o jovem encontra os motivos dos boatos sobre ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um poço que liga o mundo humano com um universo repleto de seres mitológicos de todas as categorias é encontrado atrás da casa e, a partir disso, o cotidianismo dá lugar ao surreal. Apesar de deixar o horror para segundo plano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">King</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantém seus característicos elementos nos seres que vivem nesse outro espaço. Entretanto, o que toma conta são os efeitos iluminados e as motivações puras da narrativa. Aos poucos Charlie ganha um tom de herói, e a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna mágica. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30203" aria-describedby="caption-attachment-30203" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30203 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg" alt="" width="748" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-585x800.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-768x1051.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1122x1536.jpg 1122w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1496x2048.jpg 1496w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL.jpg 1571w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30203" class="wp-caption-text">Força, Nakamura!! é uma representação próxima de estar apaixonado e não saber para onde correr ou o que fazer (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>Syundei &#8211; Força, Nakamura!!</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ganbare! Nakamura-kun!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como conhecido no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Força, Nakamura!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um mangá que possui representatividade LGBTQIA+, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">NewPOP</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua fama se consolidou, entre outros fatores, através das </span><a href="https://twitter.com/unterrrrrror/status/1370723874413801472"><span style="font-weight: 400;">paródias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sua capa colorida recebeu, fazendo com que o conhecimento da história logo se tornasse de fácil acesso. A obra retrata, de forma leve e divertida, as descobertas amorosas de Nakamura, um jovem de 16 anos que é tímido e não consegue se expressar muito bem. Essa característica é contrastada com Hirose, o rapaz animado pelo qual se apaixona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra traz consigo um ar gostoso de aceitação e entendimento dos primeiros romances, ampliando a vontade de viver um amor, por mais difícil que seja dar o primeiro passo ou, até mesmo, passar por uma primeira rejeição. Em tempos nos quais discursos de ódio a minorias foram proferidos, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/all-65-dead-lesbian-and-bisexual-characters-on-tv-and-how-they-died-312315/"><span style="font-weight: 400;">falta de histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com personagens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vivem finais felizes faz falta, e conteúdos como o apresentado por Syundei acabam refrescando e dando esperança para que mais obras com bons finais surjam no futuro, mesmo que retratem um relacionamento </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">platônico. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30184" aria-describedby="caption-attachment-30184" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30184 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Balada de Amor ao Vento, de Paulina Chiziane. A capa tem uma arte colorida de fundo, que apresenta traços horizontais de espessura irregular em tons de verde, rosa, amarelo, roxo e preto. Ao centro, em fonte grande e em caixa alta, o nome do livro e o nome da autora estão escritos em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30184" class="wp-caption-text">“Tenho uma filha crescida que ainda estuda, embora já tenha estudado muito. Um dia disse-me que a Terra é redonda. Por fora é toda verde e lá no fundo tem um centro vermelho. Que a Terra é a mãe da natureza e tudo suporta para parir a vida. Como a mulher” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Paulina Chiziane – Balada de Amor ao Vento </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prosa poética é a melhor amiga da língua portuguesa – e ao compreender tudo o que significa existir sob uma influência colonialista, Paulina Chiziane sabe contornar os limites da Literatura assim como todos os outros autores que se consagraram por desenvolver a língua para além da concepção europeia. Influenciada pela lírica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mia Couto</span></a><span style="font-weight: 400;">, iniciada à autocrítica inventiva de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">José Saramago</span></a><span style="font-weight: 400;"> e perturbada pela mesma entidade feminina de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escritora moçambicana alcançou </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">o prêmio mais importante</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura de língua portuguesa em 2021, com a mesma audácia espiritual que a fez a primeira mulher a publicar um livro no país em 1990 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor Ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211555/balada-de-amor-ao-vento"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo começa no dia mais bonito do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a história de Sarnau e Mwando se inicia com os suspiros mais apaixonados da protagonista narradora. O desenrolar, no entanto, acontece na sociedade que não só recusa às mulheres o seu direito à autonomia, como também ameaça sua mera sobrevivência. O amor, para Chiziane, é a coisa mais bela e a arma mais violenta. Assim, a autora se mistura às brisas de verão, festividades religiosas, tradições locais e laços de família e amizade para descascar as camadas de violência, desamparo, solidão e privilégios que sustentam os sistemas em que vivemos, cuja complexidade se dá na exata relação existente entre o tradicionalismo e a modernidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a semente de todo o pioneirismo e revolução que consagra o nome de Paulina Chiziane na língua portuguesa de origem não-europeia. Para além de sua estreia precursora no que diz respeito à história das mulheres na Literatura africana, o livro é também floresce todos os temas que a autora aborda com mais ferocidade em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211814/niketche-nova-edicao"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: uma história de poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Publicada originalmente em 2001, a obra de maior visibilidade de Chiziane foi difundida mundo afora depois de sua vitória no Prêmio Camões, propagando também as discussões mais contemporâneas sobre a condição da mulher no mundo globalizado. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30202" aria-describedby="caption-attachment-30202" style="width: 743px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg" alt="" width="743" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg 743w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-580x800.jpg 580w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-768x1059.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1114x1536.jpg 1114w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1485x2048.jpg 1485w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1200x1655.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL.jpg 1559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30202" class="wp-caption-text">Os papéis de gênero são amplamente discutidos dentro do volume único de Boy Meets Maria (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>PEYO &#8211; Boy meets Maria</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tons pastéis em sua capa, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Boy-meets-Maria-PEYO/dp/8583623341"><i><span style="font-weight: 400;">Boy meets Maria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retrata a juventude, a autodescoberta e a tentativa de superação de abusos passados. O mangá, que pertence ao gênero </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-03/series-sul-coreanas-boys-love-fenomeno.html"><i><span style="font-weight: 400;">Boys Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresenta a visão de Taiga, um rapaz que acaba de se mudar para uma escola nova para começar seus estudos de ensino médio, e que tem uma grande admiração por heróis. O ideal do menino, até certa forma, se enquadra nos padrões de gênero que são esperados de pessoas do sexo masculino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, temos Maria, pessoa que ele conhece e se apaixona à primeira vista, após vê-la dançando em um palco. Para a surpresa de Taiga, há a descoberta de que Maria, na verdade, é um homem, o que o deixa confuso sobre seus sentimentos e sobre o uso de nomes e pronomes que pessoas optam por usar. Toda a trama gira ao redor do “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser um homem</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou, de certa forma, do que é </span><a href="https://www.yaoibrasil.com/post/boy-meets-maria-genero-e-sexualidade"><span style="font-weight: 400;">não se identificar em um corpo que é seu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com seus traços delicados e cores claras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys meets Maria </span></i><span style="font-weight: 400;">traz assuntos como abuso sexual, infantil e negligência familiar de forma brutal. Trata-se de um mangá </span><a href="https://www.cinemaepipoca.com.br/o-que-e-genero-coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que tenta reforçar mensagens de apoio a vítimas de abusos passados, representadas na trama por Maria. Além de trazer uma forte representação não-binária, o mangá problematiza o sentir nos moldes binários que muitas vezes a sociedade nos coloca. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30192" aria-describedby="caption-attachment-30192" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30192 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A imagem é uma quadra de tênis laranja vista de cima. No meio dela há uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo, ela veste roupa branca e está segurando uma raquete. No chão há várias bolas de tênis amarelas espalhadas. O nome do livro está escrito em letras amarelas na porção inferior e o da autoras em letras azul bebe na porção superior direita." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30192" class="wp-caption-text">Conhecida pelo sucesso de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Dayse Jones and the Six, Taylor Jenkins retoma sua fórmula singular em Carrie Soto Está de Volta (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;"> já provou ser mestre quando o assunto é criar personagens tão reais que chegamos a ser tentados a buscar os nomes na internet e encontrar textos jornalísticos sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Carrie Soto Está de Volta </span></i><span style="font-weight: 400;">a escritora retorna com toda a excelência e nos leva a mais uma aventura pela complexidade humana, apresentando a atleta Carrie Soto e seu desejo de se mostrar inabalável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de 5 anos longe das quadras, a protagonista vê Nicki Chan bater seu recorde de vinte títulos Grand Slam no tênis e se sente prontamente ameaçada. Assim, ela passa a retomar a rotina esportiva com a ajuda do pai, o também ex-tenista Javier. Carrie já havia aparecido em outro escrito da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/03/02/daisy-jones-and-the-six-conheca-a-autora-do-best-seller-que-virou-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;">, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Malibu Renasce</span></i><span style="font-weight: 400;">, e se em um primeiro momento a ideia que tivemos dela era negativa, aqui a humanidade reforça sua dualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das páginas o texto, traduzido por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02842"><span style="font-weight: 400;">Alexandre Boide</span></a><span style="font-weight: 400;">, caminha pelas complexidades da personalidade e esmiúça seus desejos e vivências. A tenista é uma personagem apaixonante e extremamente forte, ler sua história é um grande prazer. Com diversas facetas plurais, o esforço é uma de suas características mais marcantes. Já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie Soto Está de Volta</span></i><span style="font-weight: 400;">, vale a pena conhecê-la. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30168" aria-describedby="caption-attachment-30168" style="width: 671px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30168 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A Mandíbula de Caim, a ambientação é uma biblioteca desorganizada, todas as prateleiras de livros são cinzas, e a que está a esquerda contém uma folha branca escrito “Livro Enigma”, embaixo dela há uma garrafa com um líquido derramado e ao lado outra folha branca escrito “Torquemada”, pseudônimo do autor Edward Powys Mathers. No centro há o nome do livro escrito em verde neon, embaixo há um círculo da mesma cor com os escritos “‘Se Agatha Christie e James Joyce tivessem um filho literário bastardo, seria esse livro’ - Daily Telegraph”. Embaixo do círculo há um corpo no chão, apenas as pernas estão visíveis, o resto do corpo está atrás de uma estante de livros." width="671" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-768x1172.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267.jpg 1185w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30168" class="wp-caption-text">Diferentemente das outras edições do livro, a brasileira conta com páginas destacáveis, o que ajuda na organização do mistério (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Torquemada &#8211; A Mandíbula de Caim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito originalmente em 1934 por Edward Powys Mathers, compilador de palavras cruzadas do jornal britânico </span><i><span style="font-weight: 400;">The Observer</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob o pseudônimo de Torquemada,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Mandíbula de Caim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o suspense policial mais </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/12/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-mandibula-de-caim/"><span style="font-weight: 400;">intrigante </span></a><span style="font-weight: 400;">que você já viu. Ao longo de 100 páginas, são descritos seis assassinatos, todos cometidos por assassinos diferentes, e o objetivo atribuído ao leitor é solucionar o crime. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, as possibilidades são quase infinitas, e é por isso que, até o momento de sua edição mais atual, de 2022, apenas </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/nov/23/cain-enabled-tiktok-helps-reissued-literary-puzzle-fly-off-the-shelves"><span style="font-weight: 400;">quatro pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> teriam conseguido resolver o enigma. Recentemente o livro viralizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">BookTok </span></i><span style="font-weight: 400;">e fez com que milhares de leitores assíduos se mobilizassem para resolver o mistério proposto pelo escritor britânico. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30159" aria-describedby="caption-attachment-30159" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30159 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça da escritora Warsan Shire. Na imagem, as cores predominantes são: branco, preto e azul. Grande parte da arte de capa é composta pelo contorno, desenhado em preto no fundo branco, de uma mulher com o rosto apoiado em uma das mãos. Na parte inferior direita está escrito o título do livro “Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça” em letras garrafais azuis. Logo abaixo está escrito o nome da autora “Warsan Shire” em letras garrafais brancas. Na extrema esquerda está posicionado o logo da “Companhia das Letras” em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30159" class="wp-caption-text">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça é o livro de estreia de Warsan Shire (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Warsan Shire &#8211; Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada ao sucesso por Beyoncé, </span><a href="https://notaterapia.com.br/2022/08/19/5-melhores-poemas-de-warsan-shire-a-poeta-lancada-por-beyonce/"><span style="font-weight: 400;">Warsan Shire</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicou o seu primeiro livro em 2022. Intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i><span style="font-weight: 400;">, o conjunto de poemas trouxe à tona a vivência de Shire como uma mulher negra. O resultado final fez jus a expectativa deixada por ela ao colaborar com escolhas brutais de palavras no aclamado álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/7dK54iZuOxXFarGhXwEXfF"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), e, através de uma sensibilidade única, colocou o leitor para refletir sobre tudo e todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A manicure empurra minhas cutículas, vira minha mão, estica a pele da palma e diz: eu vejo suas filhas e as filhas delas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Poeta mais jovem a integrar a Sociedade Real da Literatura, Warsan Shire nasceu no Quênia e foi criada em Londres. Autêntica e dona de um movimento próprio, ela fez de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/warsan-shire-alavancada-por-beyonce-supera-seus-traumas-em-poemas.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma obra completa, coesa e que não deixa nenhuma ponta solta para trás.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2023</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 23:35:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Às vezes, meu luto é igual a ter sido deixada sozinha em uma sala sem porta nenhuma. Toda vez que eu lembro que a minha mãe morreu, parece que estou batendo contra uma parede que se recusa a ceder. Não há escapatória, só uma superfície dura contra a qual eu me choco vez após outra, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30005" aria-describedby="caption-attachment-30005" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30005 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAPA_WP_ESTANTE-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30005" class="wp-caption-text">Para começar 2023, Aos Prantos no Mercado desbota os cinzas e pretos da dor do luto no Clube do Livro do Persona (Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;">“Às vezes, meu luto é igual a ter sido deixada sozinha em uma sala sem porta nenhuma. Toda vez que eu lembro que a minha mãe morreu, parece que estou batendo contra uma parede que se recusa a ceder. Não há escapatória, só uma superfície dura contra a qual eu me choco vez após outra, um lembrete da realidade imutável de que eu nunca mais vou voltar a vê-la.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Michelle Zauner</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona deu início ao ciclo de 2023 com direito a todas as emoções presentes nos processos do luto. Com a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Michelle Zauner, nossos leitores experimentaram a dor, as memórias e os afetos através das prateleiras do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart </span></i><span style="font-weight: 400;">em Nova York. Abrindo portas para a intimidade, a obra da vocalista da </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Japanese Breakfast</span></a><span style="font-weight: 400;"> caminha, entre temperos e lágrimas, pelas reflexões desencadeadas na artista após a morte da mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde as primeiras páginas do livro, há o gosto de uma experiência sensorial. Enquanto narra a passagem pelos corredores de um </span><a href="https://www.hmart.com/"><span style="font-weight: 400;">mercado de comidas coreanas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista evoca cheiros, texturas e cores para ilustrar as questões que marcaram suas lembranças. A cada embalagem vista, o resultado é um conjunto de reações lacrimosas misturadas aos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sensações e momentos em que a comida representava a ligação entre mãe e filha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro, publicado em outubro de 2022, é a continuação das páginas expostas na revista </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018. A versão final da obra trouxe o ensaio na forma do primeiro capítulo das 288 páginas que compõem o conjunto. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo </span></i><span style="font-weight: 400;">foi a responsável pela publicação, com tradução de Ana Ban e capa ilustrada pela quadrinista </span><a href="https://www.inglee.art/"><span style="font-weight: 400;">Ing Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de suas palavras, a cantora e escritora consegue expor não só como funcionava a relação com a própria mãe, como também gerar pensamentos sobre o amor e as formas singulares sob as quais esse sentimento se porta. Assim, as relações não ganham um tom de perfeição, mas mostram o apreço entre os gestos e atitudes. A austeridade e rigidez que envolvem a criação de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/09/prestes-a-estrear-nos-palcos-do-brasil-michelle-zauner-tera-livro-lancado-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Michelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda abrem espaço para as ponderações de sua visão acerca da mudança de perspectiva visível entre a adolescência e a vida adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto também traz a </span><a href="https://yuuggoto.medium.com/a-birracialidade-e-o-n%C3%A3o-pertencimento-ab9ea99b5261"><span style="font-weight: 400;">birracialidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pauta e explora os impactos dessa condição na própria concepção do ser e pertencer. Em diversos momentos, as pontas soltas da ideia de não se sentir inteira étnica e culturalmente passeiam ao redor das angústias proporcionadas pela perda. Zauner, que é filha de mãe coreana e pai estadunidense, percorre a trilha das fragilidades de suas tradições e relações com os Estados Unidos e a Coréia do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia literária, a </span><a href="https://tanojukeboxblog.wordpress.com/2021/07/04/a-versatilidade-unica-de-japanese-breakfast/"><span style="font-weight: 400;">cantora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 33 anos é pessoal e trabalha o processo de luto de um aspecto já apresentado em seus </span><a href="https://open.spotify.com/album/1uD1kdwTWH1DZQZqGKz6rY?si=L16boa_oRPqi5xO68ypgZw"><span style="font-weight: 400;">trabalhos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, somos convidados em um universo extremamente particular e humano. Seja na tristeza, na raiva ou na inveja, tudo soa em notas de singularidade escritas de forma extremamente descritiva, e o uso da linguagem remonta as imagens em vivacidade na cabeça de quem lê. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas como os aspectos de sentir são vorazes, o que não falta é experimentação, melancolia, possibilidades em mundos reais ou ficcionais. Por isso, como de costume, a nossa editoria deixa sua lista de selecionados nas mãos de quem busca mais lágrimas ou prefere se moldar às páginas bem humoradas com as indicações de Janeiro no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><b>Estante do Persona</b></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29988"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29998" aria-describedby="caption-attachment-29998" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29998 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/michelle-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29998" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, Aos Prantos no Mercado é uma investigação sobre o luto (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Michelle Zauner &#8211; Aos Prantos no Mercado (288 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Michelle Zauner, a comida é uma espécie de máquina no tempo. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/aos-prantos-no-mercado/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é através dos alimentos que a artista rememora os momentos com a mãe, que faleceu em 2014, vítima de câncer. Isso ocorre, mais especificamente, quando Zauner vai ao <em>H Mart</em>, supermercado estadunidense especializado em comida coreana, onde compartilha experiências sensoriais de luto e identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">memórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, ter uma dupla origem é como viver uma fratura. Sendo a comida sua principal ligação com a Coréia do Sul, é também na comida que Zauner encontra uma das bases na educação sentimental, superando traumas da infância que dão lugar a uma nova responsabilidade sobre as escolhas da vida adulta. A autora aborda temas como perda, amor, saudade e família com uma sensibilidade tocante e um tipo de humor sutil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma linguagem poética e envolvente, a vocalista de </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Japanese Breakfast</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz o leitor por outros momentos marcantes de sua vida, como o relacionamento com seu pai e o processo de descoberta da Música, ao ganhar sua primeira guitarra da mãe – que logo se arrepende. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">também traz reflexões importantes sobre a cultura coreana e o impacto da imigração na formação da identidade.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Aos prantos no mercado - Clube do Livro Janeiro de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/60OmGVaVvzQffjkuBBgZSN?si=71718a3a80f5407c&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29994" aria-describedby="caption-attachment-29994" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29994 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-674x1024.jpg" alt="Capa do livro Se deus me chamar não vou, de Mariana Salomão Carrara, publicado pela editora Nós. Na imagem, de fundo rosa pink, há um ziguezague horizontal na cor laranja pastel que se faz presente em toda sua totalidade. Na parte superior, vemos o título centralizado e escrito em letras minúsculas na cor azul escuro. Na parte inferior, também centralizado, vemos o nome da autora escrito em letras maiúsculas na cor branca. Um pouco abaixo, no lado inferior esquerdo, vemos uma espécie de etiqueta da mesma cor que o título com o nome da editora dentro, escrito em letras maiúsculas na cor branca." width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-674x1024.jpg 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-768x1167.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-1011x1536.jpg 1011w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1-1347x2048.jpg 1347w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/se-deus-me-chamar-nao-vou-1.jpg 1477w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29994" class="wp-caption-text">“Acho que vem daí a palavra solidão, pessoas tão sólidas que ninguém vem checar se estão ruindo” (Foto: Nós)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Salomão Carrara &#8211; Se deus me chamar não vou (160 páginas, Nós)</b></p>
<p><a href="https://editoranos.com.br/produto/se-deus-me-chamar-nao-vou/"><i><span style="font-weight: 400;">Se deus me chamar não vou</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz parte do pequeno grupo de obras que possuem a capacidade de nos transportar de volta para determinadas fases da vida. Não é exagero dizer que a grande qualidade do livro é a incrível habilidade que a autora tem de reviver a idade dos onze anos – aquela que, como Maria Carmem esclarece com precisão, é uma espécie de limbo e se mostra como o suficiente para perder o medo de morrer e ter vontade de saltar de guarda-chuva pela janela de vez em quando. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Onze anos é a pior idade do universo, dura pelo menos cinco anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance de </span><a href="https://marianacarrara.com/sobre-a-autora/"><span style="font-weight: 400;">Mariana Salomão Carrara</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha os escritos da própria protagonista e expõe a sensibilidade de uma criança que tem sua costumeira solidão potencializada por uma nova presença em seu cotidiano, o que atravessa sua vida, suas relações e seus pensamentos e acaba por trazer transformações conflitantes. Ao experienciar o que é ser invisível justamente por ser visível demais, é no eco criado pela ausência das pessoas que a cercam que suas palavras reverberam. Densa e leve ao mesmo tempo, essa é uma leitura que permanece conosco mesmo após seu fim; afinal, todos nós estamos familiarizados com o turbilhão de sentimentos que acompanha a pior idade do mundo. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29991" aria-describedby="caption-attachment-29991" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-656x1024.jpg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/81-mjbjbRRL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29991" class="wp-caption-text">O conto A loteria foi publicado na prestigiada revista The New Yorker em 1948 e é considerado referência na Literatura norte-americana (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; A loteria e outros contos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande referência na Literatura de Horror e tendo inspirado </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">autores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> contemporâneos, o trabalho de Shirley Jackson é &#8211; não misteriosamente &#8211; menos conhecido do que o dos homens do gênero. Resgatando a única coletânea publicada em vida pela escritora americana, </span><i><span style="font-weight: 400;">A loteria e outros contos </span></i><span style="font-weight: 400;">reúne contos curtos e horripilantes, que demonstram o poder de Jackson de criar uma atmosfera tensa com poucas palavras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No curtíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, a </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/os-eua-profundos-de-shirley-jackson"><span style="font-weight: 400;">Rainha do Mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> tensiona o leitor em um simples encontro no vagão: mãe e filho trombam com um desconhecido, que assusta a criança com a história de um assassinato. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Renegada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cadela de uma dona de casa passou a matar galinhas e os vizinhos não vêem alternativa a não ser ‘dar um jeito nela’. Com cenários breves e personagens bem contextualizados, a crescente tensão dos contos-capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A loteria e outros contos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostram o porquê de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jackson inspirar o Terror. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29995" aria-describedby="caption-attachment-29995" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29995 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O queijo e os vermes. Na parte superior da capa, de fundo verde esmaecido, está escrito o nome do autor Carlo Ginzburg centralizado, em branco e com um sublinhado em vermelho. Logo abaixo, está escrito o título do livro “O queijo e os vermes” centralizado e em amarelo. No centro da capa, há uma imagem de uma cesta com tipos variados de queijo. Na parte inferior, está escrito “O cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição” centralizado e em branco, seguido pela logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-queijo-e-os-vermes-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29995" class="wp-caption-text">O queijo e os vermes é um alerta de gatilho à consciência da Igreja (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlo Ginzburg &#8211; O queijo e os vermes (271 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carlo Ginzburg coloca uma lupa sobre uma trama que, tradicionalmente, passaria despercebida pelo olhar </span><a href="https://www.scielo.br/j/rbedu/a/k5MsKMHv6ZQvPsF5vqvdkpB/?format=pdf&amp;lang=pt"><span style="font-weight: 400;">macro-histórico</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, </span><i><span style="font-weight: 400;">O queijo e os vermes </span></i><span style="font-weight: 400;">é a degustação da individualidade a qual pouco aparecia no cardápio da Idade Média. Publicado pela primeira vez na Itália em 1976 e lançado no Brasil pela Companhia das Letras em 1987, o livro assume o compromisso de manter o tema da Inquisição relevante em um mundo que luta para esquecê-lo, ou melhor, abafá-lo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O queijo e os vermes </span></i><span style="font-weight: 400;">é um retrato do cotidiano monótono e, ao mesmo tempo, tenso da Idade Média sob a perspectiva de Menocchio, um moleiro que tinha, literalmente, a faca e o queijo na mão e não hesitou em usá-los contra a Igreja. Em outros termos, a obra percorre as crueldades difundidas pela Inquisição, assim como a </span><a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/gc5jqgYDkS7YVPJLdCs5yKG/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do protagonista em enfrentar o Tribunal do Santo Ofício com apenas uma ideia herege e um sonho. O assunto da liberdade religiosa ainda segue em pauta e a Igreja, apesar de alegar estar diferente, fez mudanças significativas apenas na moda, trocando túnicas por ternos. </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29993" aria-describedby="caption-attachment-29993" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29993 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Se não eu, quem vai fazer você feliz?: Minha história de amor com Chorão da escritora Graziela Gonçalves. Na arte de capa, uma imagem de Graziela e Chorão é sobreposta por um filtro azul e vermelho. Ela é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Ele é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. Ambos sorriem. Na parte superior centralizada, o título principal do livro “Se não eu, quem vai fazer você feliz?” está escrito em letras garrafais vermelhas. Logo abaixo, o subtítulo “Minha história de amor com Chorão” está escrito em letras garrafais brancas. Na parte inferior e centralizada está escrito o nome da autora “Graziela Gonçalves” em letras vermelhas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29993" class="wp-caption-text">O livro de memórias de Graziela Gonçalves foi lançado 5 anos após o falecimento de Chorão (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Graziela Gonçalves &#8211; Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão (262 páginas, Paralela)</b></p>
<p><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/10/01/interna_diversao_arte,709469/viuva-de-chorao-fala-sobre-livro-sobre-lider-do-charlie-brown.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro e único livro de Graziela Gonçalves, viúva de uma das vozes mais célebres da Música brasileira, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com uma escrita sincera, vulnerável e apaixonante, a musa de grande parte das composições do vocalista do Charlie Brown Jr. transborda as emoções deixadas por uma trajetória não somente marcada pelo romance, mas também pela decepção e pelo amadurecimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de memórias é repleto de fotografias inéditas e revelações. A leitura, que precisa ser cadenciada para a total compreensão de fatos atordoantes, faz com que a curiosidade não se torne o foco da obra, mas sim os sentimentos guardados no olhar de quem partiu deste plano e que, incrivelmente, permanece intenso. Com a sensibilidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_JO21XUnHwY"><span style="font-weight: 400;">Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Se não eu, quem vai fazer você feliz? </span></i><span style="font-weight: 400;">traz a realidade de uma das histórias de amor mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJRIZS4Z7Mw"><span style="font-weight: 400;">cantadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29992" aria-describedby="caption-attachment-29992" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29992 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-682x1024.jpg" alt="Capa do livro Jurassic Park de Michael Crichton, Editora Aleph o título do livro está centralizado no meio da capa, em vermelho, com uma faixa branca dentro das letras. Ao fundo há o desenho de um fóssil de Tiranossauro Rex na vertical" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL-1023x1536.jpg 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/91aWIRWYfnL.jpg 1651w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29992" class="wp-caption-text">O clássico filme dos anos 90 tem inspiração literária (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Michael Crichton &#8211; Jurassic Park (525 Páginas, Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspiração para o filme</span> <a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) de Steven Spielberg, o livro homônimo de Michael Crichton é uma aventura científica estonteante que nos leva a uma versão menos Family Friendly do já famoso parque dos dinossauros. Desta vez o suspense e o terror se misturam em um alerta importante sobre a manipulação genética e quão longe a ciência moderna pode ir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ian Malcolm, Alan Grant e Ellie Sattler também são os protagonistas </span><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/box-jurassic-park-capa-dura/"><span style="font-weight: 400;">no livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e são eles que irão desvendar os segredos sobre a clonagem e proteger os netos do bilionário John Hammond, dono do parque, quando as criaturas pré-históricas fugirem do controle. O romance nos traz uma versão mais completa e filosoficamente profunda em relação ao filme clássico dos anos 1990. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29990" aria-describedby="caption-attachment-29990" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29990 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-684x1024.jpg" alt="" width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/argonautas.jpg 1653w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29990" class="wp-caption-text">Vencedor do National Book Critics Circle Award, o relato de Maggie Nelson foi colocado como um dos melhores livros do ano de 2015 pela revista New York Times (Foto: Autêntica)</figcaption></figure>
<p><b>Maggie Nelson &#8211; Argonautas (160 páginas, Autêntica)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cartas de amor, sejam na forma de poemas enamorados ou de romances epistolares, são construções recorrentes à Literatura. O que pouco se analisa é que a escrita de cartas de amor pouco são realmente um exercício de alteridade: são mais gestos narcísicos de quem escreve, tanto na tentativa de entender essa estranheza gigantesca do sentimento quanto de, minimamente, se fazer reconhecido e transparecer-se, um pouco, a quem lê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na estrutura de </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/obra-prima-de-barthes-sobre-o-discurso-amoroso-mostra-se-renovada-e-pertinente-em-nova-traducao-205317/"><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos de um discurso amoroso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Roland Barthes, a escrita em torrente de </span><a href="https://grupoautentica.com.br/autentica/autor/maggie-nelson/1581"><span style="font-weight: 400;">Maggie Nelson</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece, em si mesma, esse traço monologuista que circunscreve, numa cronologia não linear, os limites de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argonautas. </span></i><span style="font-weight: 400;">No entanto, a leitura de seu texto, que mistura um relato autobiográfico com um artigo teórico que movimenta, como guias a sua escrita, a filosofia de Ludwig Wittgenstein, </span><a href="https://www.scielo.br/j/cpa/a/hWcQckryVj3MMbWsTF5pnqn/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">Eve Sedgwick</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Judith Butler, emula nada além de uma vital aproximação ao outro. A carta de amor de Maggie Nelson possui variados destinatários – do próprio ato de se escrever até os estudos de pediatria desenvolvidos por Winnicott –, mas seu remetente central se figura no corpo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio corpo, atravessado pela mudanças da gravidez de seu filho, descrito como um evento magicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o que existe é a relação íntima e diferentemente radical entre si e o outro. No corpo de seu companheiro, uma pessoa não binária que a desafia a entender como se constroem as paixões e dinâmicas de uma união entre duas pessoas quando uma delas declara-se, como sempre ressalta Paul B. Preciado, um indivíduo </span><a href="https://medium.com/grifapodcast/grifo-nosso-cr%C3%B4nicas-da-travessia-de-paul-b-preciado-d0d394a976b5#:~:text=Paradoxalmente%2C%20renunciei%20%C3%A0,todas%20as%20dire%C3%A7%C3%B5es.%E2%80%9D"><i><span style="font-weight: 400;">em travessia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, é no corpo do texto que se enraíza a mais bela de suas reflexões: seriam as palavras capazes e boas o bastante para capturara complexidade de seu sentimento? São inúmeras as respostas, mas, em </span><a href="https://grupoautentica.com.br/autentica/livros/argonautas/1506"><i><span style="font-weight: 400;">Argonautas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Maggie Nelson prefere encontrar o amor na inexpressibilidade que suscita toda a sua escrita e em todas as palavras que, em tentativas falhas, tentam apanhar aquilo que lhes escapa. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29997" aria-describedby="caption-attachment-29997" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29997 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/breves-entrevistas-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29997" class="wp-caption-text">Traduzido por José Rubens Siqueira, o livro foi adaptado para os cinemas em 2009, no filme homônimo dirigido por John Krasinski (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Foster Wallace &#8211; Breves entrevistas com homens hediondos (376 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535906226/breves-entrevistas-com-homens-hediondos"><i><span style="font-weight: 400;">Breves entrevistas com homens hediondos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999) é marcado por uma questão primordial: trata-se da primeira obra publicada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> após todo o barulho que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Jest</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996; </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Graça Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 2014) fez, quando, três anos antes, implodiu o mundo literário e abriu um horizonte de possibilidades linguísticas. Em 25 contos – alguns &#8220;minicontos&#8221;, como o primeiro de apenas oito linhas – caracterizados pela repetição e interrupção, o livro é marcado por novos experimentos de forma e linguagem, culminando nesse que possivelmente é o trabalho mais experimental do escritor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora Wallace force, em diversas ocasiões, o leitor a participar do exercício literário – exigindo reflexões agudas ou criando metanarrativas –, nada chega a ser “vazio” ou sem propósito. De fato, nada estaria tão longe de seu projeto literário, que primava pela sinceridade e honestidade. Esse processo, então, se sintetiza em contos como </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/09/3-reflexoes-de-david-foster-wallace-sobre-depressao.html"><i><span style="font-weight: 400;">A pessoa deprimida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– em que as notas de rodapé se expandem à medida que a protagonista se afunda ainda mais na depressão –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Para sempre em cima</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Octeto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seu brilho especial reside nos diversos fragmentos de “entrevistas” espalhados pelo livro (que dão título à coletânea), nas quais as perguntas e réplicas da entrevistadora são suprimidas e só lemos as respostas de homens hediondos, que apresentam variados tipos de disfunções sociais. Por essas e outras razões, Wallace sempre vale a leitura. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 21:17:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.” &#8211; José Saramago Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29544" aria-describedby="caption-attachment-29544" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de amarelo limão. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor amarelo limão. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “As intermitências da morte” ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘novembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29544" class="wp-caption-text">Do autor lusitano José Saramago, As Intermitências da Morte foi a provocação em cores fúnebres do Clube do Livro de Novembro (Foto: Companhia das Letras/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Jamily Rigonatto e Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <em>José Saramago</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do Livro do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> não poderia deixar de se encontrar nos aspectos da existência. Apreciando </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ensina.rtp.pt/artigo/jose-saramago-sobre-as-intermitencias-da-morte/">As Intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> de José Saramago, nossos leitores se colocaram a refletir sobre as linhas que rondam o fim da vida. A escolha do texto foi ainda mais especial porque o literato completaria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/ClCiF9Wr9jk/?igshid=MDJmNzVkMjY=">100 anos</a></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de novembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, somos guiados para um cenário em que a morte deixa de chegar, seja para os homens mais velhos ou para as vítimas de acidentes que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/31/ciencia/1490960180_147265.html">agonizam</a></span><span style="font-weight: 400;"> em camas de hospital. O autor desenrola reflexões sobre como morrer interfere nas noções humanas de livre arbítrio e continuidade. Aqui, a morte ganha ares personificados e, em certo ponto, da narrativa pode ser tocada como alguém de carne e osso – ou melhor, apenas de osso.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as significações, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/06/100618_saramago_polemicas_ir">Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> abre um mundo de possibilidades sem fechar nenhum ciclo, mas expõe o quanto as pessoas podem bambear quando a vida se torna um inconveniente. A proposta audaciosa da obra brinca com o papel da religião na sociedade e usa uma linguagem direta para abrir brechas e possibilidades no íntimo de quem o lê. A morte enquanto protagonista é tão real quanto qualquer ser humano: sente, reage e ama. No fim, resta o começo e como um circuito tudo se repete, já vivemos isso antes.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nossos leitores testemunharam os fins, novembro oferece seus cumprimentos aos começos com a entrega troféus aos destaques da Literatura brasileira: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Jabuti. Na primeira semana do mês, o Prêmio São Paulo, criado em 2008 e concedido pelo Governo do estado, revelou seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cultura.sp.gov.br/confira-os-ganhadores-do-premio-sao-paulo-de-literatura-2022/">vencedores</a></span><span style="font-weight: 400;">. Com dez finalistas nas duas categorias, o troféu de Melhor Romance do Ano de 2021 foi para Antonio Xerxenesky, pela obra </span><span style="font-weight: 400;"><i>Uma tristeza infinita</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">. Rita Carelli levou Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021 por </span><span style="font-weight: 400;"><i>Terrapreta</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Editora 34</i></span><span style="font-weight: 400;">. Em ambas categorias, as escritoras foram a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/09/19/premio-sao-paulo-de-literatura-anuncia-finalistas#:~:text=S%C3%A3o%2020%20obras%20selecionadas%2C%20dez,anunciados%20no%20final%20do%20ano.">maioria</a></span><span style="font-weight: 400;">: na primeira, dos 10 concorrentes, somente três são homens; na segunda, quatro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no Jabuti, as 20 categorias, divididas em quatro Eixos que abarcam a totalidade do processo de produção editorial, tiveram seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/08/premio-jabuti-2022-anuncia-finalistas">finalistas</a></span><span style="font-weight: 400;"> anunciados na segunda semana de Novembro. Aqui &#8211; e aparentemente em 2021 no geral -, o destaque foi para o protagonismo feminino: na categoria Romance Literário, no Eixo Literatura, as cinco concorrentes eram escritoras. Natalia Borges Polesso, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>A extinção das abelhas</i></span><span style="font-weight: 400;">, Andréa Del Fuego, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/">A pediatra</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, Micheliny Verunschk, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/">Aline Bei</a></span><span style="font-weight: 400;">, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequena coreografia do adeus</i></span><span style="font-weight: 400;">, e Tatiana Salem Levy, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vista chinesa</i></span><span style="font-weight: 400;">, disputaram a estatueta &#8211; as cinco também foram concorrentes em Melhor Romance do Ano de 2021 no Prêmio São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a disputa estabelecida, no dia 24 foi a vez da jornalista e apresentadora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/22/adriana-couto-sera-a-mestre-de-cerimonias-do-64-premio-jabuti">Adriana Couto</a></span><span style="font-weight: 400;"> chamar os vencedores ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para receber o troféu em formato de jabuti. O grande destaque da noite foi para Luiza Romão, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/11/25/tambem-guardamos-pedras-aqui-de-luiza-romao-e-eleito-livro-do-ano-no-premio-jabuti-veja-vencedores.ghtml">Também guardamos pedras aqui</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, consagrado como o Livro do Ano de 2021. A obra também conquistou a categoria de Poesia. Em Romance Literário, uma das modalidades de maior destaque na premiação, o nome chamado foi o de Micheliny Verunschk, pelo seu </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1598090208901500930?s=20&amp;t=FYl6BRswuLBOVnQsZhewmw">cerimônia</a></span><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma homenagem à Sueli Carneiro. Com o troféu de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mundonegro.inf.br/sueli-carneiro-recebe-o-trofeu-de-personalidade-literaria-do-ano-no-64o-premio-jabuti/">Personalidade Literária</a></span><span style="font-weight: 400;"> do Prêmio Jabuti 2022, a escritora, filósofa e ativista, uma das maiores representantes do feminismo negro no Brasil, é a primeira fora do eixo Literatura a receber a honraria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As celebrações resolveram se estender e, em clima festivo, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – trouxe diversas personalidades do nicho para conversas acaloradas e conexões ímpares. Em sua 20ª edição, o festival seguiu a linha do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=YmMyMTA2M2Y=">Jabuti</a></span><span style="font-weight: 400;"> e contou com presença feminina em peso. A argentina Camila Sosa Villada esteve presente no evento e participou de uma Mesa sobre questões de gênero. A autora de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">O parque das irmãs magníficas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> trouxe interpretações importantes sobre o cenário do ativismo e os estigmas vinculados às travestis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques entre os convidados foi a francesa Annie Ernaux, autora de</span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">O Acontecimento</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?t=r16Q1xvxNSGHoXwvzXZX9A&amp;s=19">Nobel de Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2022. A escritora, que chama atenção com a ascensão do gênero da autossociobiografia, trouxe reflexões importantes em um bate papo ocorrido depois da exibição do filme </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/">Os Anos do Super 8</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se o jeito transgressor de Annie teve voz no festival, os aspectos subversivos nunca se fazem faltantes no Persona. Agora, veja mais das linhas fora da curva indicadas pela nossa Editoria no Estante do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> e aproveite o fim do ano para se deliciar nos tons vibrantes daqueles que as pintam.</span></p>
<p><span id="more-29496"></span></p>
<hr />
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29527" aria-describedby="caption-attachment-29527" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro As intermitências da morte, de José Saramago. A imagem, de fundo amarelo, contém o texto As intermitências da morte, escrito à mão, em tinta preta. Acima, de forma centralizada, em fonte de cor preta, está escrito José Saramago. Abaixo, de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL.jpg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29527" class="wp-caption-text"><strong>Lançado originalmente em 2005, As intermitências da Morte pode ser lido como um ensaio alegórico sobre a finitude (Foto: Companhia das Letras)</strong></figcaption></figure>
<figure id="attachment_29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;"></figure>
<p><b>José Saramago &#8211; As intermitências da Morte (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"><i>No dia seguinte ninguém morreu</i></span><span style="font-weight: 400;">” – </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930344/as-intermitencias-da-morte-nova-edicao">As intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> se inicia assim: de repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. Nessa primeira parte, os paradoxos e discussões filosóficas acerca da ausência da morte são apresentados e a Morte com M maiúsculo, então, decide suspender suas atividades, como forma de punir as pessoas que a negam. Contudo, para falar da morte, é preciso estar vivo; por isso, aqui, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.euronews.com/2022/11/16/centenario-do-nascimento-de-jose-saramago">José Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> personifica a morte em um ser esquelético, de forma irônica e alegórica, revestindo-se da linguagem para cuidar dos diversos destinos que ela pretende cessar (como a epígrafe de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/investigacoes-filosoficas/">Ludwig Wittgenstein</a></span><span style="font-weight: 400;"> anuncia).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, aquilo que, a princípio, parecia uma bondade, na verdade se revela um pesadelo: o fim da morte não é o mesmo que o fim do sofrimento, e aqueles que se encontram “moribundos” – no limiar entre a vida e a morte, doentes e em um eterno estágio terminal – jamais poderão descansar. É, porém, no sétimo capítulo que a própria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.unicep.edu.br/noticia/as-intermitencias-da-morte-de-jose-saramago-foi-tema-do-clica">Morte encaminha uma carta</a></span><span style="font-weight: 400;"> a uma emissora de televisão, a qual deverá ser lida para comunicar seu retorno, agora que sentiram sua ausência. A partir desse momento, todos que estiverem à beira do falecimento receberão uma carta, comunicando o fim da vida. Porém, no capítulo dez de </span><span style="font-weight: 400;"><i>As intermitências da Morte</i></span><span style="font-weight: 400;">, um postal destinado a um violoncelista retorna ao remetente, e neste momento a morte é, de fato, humanizada. Assim, a história se mistura entre o falso e o verossímil, da forma que somente Saramago sabe fazer.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As intermitências da Morte - Clube do Livro Novembro de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7Ej1GxgTHS2iaohX2A7Uro?si=9fd7e974bf244110&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29535" aria-describedby="caption-attachment-29535" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A capa é uma fotografia em um quadra de tênis de saibro. No centro, vemos uma atleta, de blusa e saia brancas, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, sacando. É possível notar várias bolas de tênis no chão ao seu redor na cor amarela. Na parte inferior da imagem está o título “Carrie Soto” em fonte cursiva e, abaixo, “está de volta” em uma fonte sem serifa na cor amarela. No canto superior direito, há a frase “Da aclamada autora best-seller do New York Times" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29535" class="wp-caption-text">“Vivemos em um mundo onde mulheres excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres” (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta (352 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu último lançamento e nono romance, Taylor Jenkins nos leva a um cenário diferente em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">. Após nos contemplar com o mundo do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">surf</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/">rock</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/">Cinema</a></span><span style="font-weight: 400;">, vivenciamos agora a brilhante história de mais uma mulher que nunca existiu: Carrie Soto, a tenista aposentada de 37 anos que decide voltar às quadras para quebrar seu próprio recorde &#8211; ou melhor, não deixar que ninguém o roube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma jornada difícil e surpreendente, a atleta não facilita para ninguém. Com uma carreira marcada por muita teimosia e determinação, não é fácil gostar de Carrie dentro ou fora das quadras, mas é quase impossível não admirá-la. Atrás de seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://esportecerto.com/descubra-os-principais-torneios-de-tenis-ao-redor-do-mundo/">próximo título</a></span><span style="font-weight: 400;"> e agarrando-se como nunca em seu passado vitorioso, a personagem é obrigada a enfrentar sua maior adversária de todos os tempos: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E mais uma vez, Taylor entrega personagens cativantes e, principalmente, imperfeitos. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">, apesar da evidente necessidade de algumas sessões de terapia e boas férias, não há como largar a mão da maior atleta da história para acompanhá-la em uma trajetória que qualquer </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.usp.br/podcast/minuto-saude-mental-15-perfeccionismo-e-doenca/">perfeccionista</a></span><span style="font-weight: 400;"> irá se identificar. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29534" aria-describedby="caption-attachment-29534" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte esquerda, vemos uma forma retangular roxa, que se estende por toda a capa e se assemelha a uma porta aberta. Ao centro e na parte direita, vemos um retângulo amarelo. No canto superior direito, dentro do retângulo amarelo, vemos as palavras " width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29534" class="wp-caption-text">“Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo (176 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary Katherine, Constance e Julian moram sozinhos na mansão Blackwood. Isso porque, antes de serem só os três, a grande família morreu envenenada por arsênico, e o trio agora vive isolado da cidade, como párias. Sob o ponto de vista fértil de Merrycat (o apelido da caçula), a autora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://literaturapolicial.com/2019/08/08/9-curiosidades-sobre-shirley-jackson-icone-da-literatura-de-horror/">Shirley Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> torna o cotidiano aparentemente monótono de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> um conto de suspense sob as lentes do Horror.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Aos 18 anos de idade, tendo crescido sem convivência com outras pessoas além da família e vendo sua irmã mais velha, Constance, ser inocentada pelo assassinato dos parentes, Mary vê o mundo quase como uma criança. Seu fluxo de consciência imaginativo, mesclando o que presencia objetivamente a seus intrusos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/09/shirley-jackson-sempre-vivemos-no.html">pensamentos</a></span><span style="font-weight: 400;"> acerca do ambiente, das pessoas que cruzam seu caminho e das suas intenções, fica difícil distinguir o que é real. Para a menina, o enxerido primo Charles, que chega desavisado e bagunça a rotina da casa com sua presença expansiva, é um fantasma. Ou um demônio. Ou os dois. Por detrás dos olhos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NQg-nUoMCBo&amp;feature=emb_title">Merrycat</a></span><span style="font-weight: 400;">, a família Blackwood ganha curiosos contornos de dúvida.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> se aproveita justamente da incerteza. A obra, publicada originalmente em 1962 e com uma nova edição em 2022, pela editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Alfaguara</i></span><span style="font-weight: 400;">, nunca apresenta um fato concreto: desde a inocência de Constance quanto a quem está vivo ou não, o livro atiça para as possibilidades e, deixando o leitor inquieto, se desenvolve a partir da não resolução delas. Dona de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/">outros sucessos</a></span><span style="font-weight: 400;"> e uma das </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/gotico-de-shirley-jackson-e-relancado-e-ganha-adaptacao-para-cinema/">maiores influências do gênero</a></span><span style="font-weight: 400;">, Shirley Jackson é mestre em deixar o Terror vir da imaginação de quem se deixa mergulhar na narrativa. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29505" aria-describedby="caption-attachment-29505" style="width: 673px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg" alt="" width="673" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg 673w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-768x1169.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-1009x1536.jpg 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29505" class="wp-caption-text">Recebido pela parceria da Companhia das Letras com o Persona, o romance de estreia de Caio Fernando Abreu ganha um posfácio assinado por <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05998">Natalia Borges Polesso</a> em sua nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Limite branco (200 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.hildahilst.com.br/portfolio/alcoolicas">É crua a vida</a></span><span style="font-weight: 400;">, e a escrita de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00005">Caio Fernando Abreu</a></span><span style="font-weight: 400;"> irrompe em uma tentativa implacável de capturá-la. Sob a luz do próprio amadurecimento do autor, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212262/limite-branco">Limite branco</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">é atravessado por referências de um leitor assíduo e de um coração, pulsante por toda sua obra, ávido à existência e ao sentir. O romance de estreia do escritor é um registro que ressoa sua própria experiência, mascarada pelo personagem e alter-ego Maurício, com as dores e delicadezas do crescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos intercalados, dois momentos da vida do personagem são enquadrados em estilos distintos; nos pares, a infância é rememorada, na terceira pessoa, com o conforto e um sentimento de caseira interioridade, tecida por poetas como Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. Já nos ímpares, se situa um diário íntimo e visceral da adolescência enquanto um período de extrema sensibilidade, no qual os mais simples e oriundos eventos são estopins a deslumbramentos e assombrações, em que a espiritualidade, o afeto e iminência da descoberta são apanhados por pelas palavras que buscam reproduzir a vivacidade dessas emoções, tal qual uma das escritoras favoritas de Caio, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/2018/11/26/a-sombra-da-palavra/">Clarice Lispector</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De uma noite desesperadora de sono tomada por uma sudorese febril a um atestado da presença de Deus, ao observar a rua de sua janela, reluzente depois da chuva, são variados os aspectos do amadurecimento no livro de Caio Fernando Abreu. Escrito quando tinha apenas 19 anos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Limite branco – </i></span><span style="font-weight: 400;">título escolhido com a ajuda de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literaturaeoutrosblues.com.br/2021/07/umacartacaiofernandoabreuehildahilst.html">amiga</a></span><span style="font-weight: 400;"> Hilda Hilst –</span> <span style="font-weight: 400;">foge do comum de romances de formação, como os trânsitos existenciais de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/autores/j-d-salinger">J.D. Salinger</a></span><span style="font-weight: 400;">, para a construção de uma passagem a vida adulta demarcada</span><span style="font-weight: 400;"> pela delicadeza do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://liberoamericamag.com/2017/10/09/o-roteiro-do-silencio-de-hilda-hilst/">silêncio</a></span><span style="font-weight: 400;"> e pela maneira que são borrados os limites: do entre o eu e mundo – tão estranho! – que o cerca. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29533" aria-describedby="caption-attachment-29533" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg" alt="Arte retangular em tons de azul. No canto superior esquerdo, está escrito “New York Times Bestseller” em letra cursiva e na cor azul claro. No centro, está escrito o nome da autora “Clare Vanderpool” em letra cursiva e na cor bege, e também o título do livro “Em algum lugar nas estrelas” em letra cursiva e na cor branca. Ainda no centro, entre o trecho “Em algum” e o trecho “Lugar nas estrelas”, há uma bússola na cor bege. Centralizado, abaixo do título do livro, há um barco na cor branca. Dentro do barco, há um menino, em pé, de camisa branca, e um menino, sentado segurando um remo, de camisa preta. Por toda a arte, há detalhes na cor azul que representam constelações, tais como: Ursa Maior logo abaixo do título, Orion, Lepus, Columba e Taurus no canto superior direito, e Cetus, Phoenix e Toucan no canto superior esquerdo." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29533" class="wp-caption-text">Em algum lugar nas estrelas entra no seleto nicho literário infantojuvenil que faz crianças rirem e adultos chorarem (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Clare Vanderpool &#8211; Em algum lugar nas estrelas (288 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora estadunidense </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.darksidebooks.com.br/clare-vanderpool/p">Clare Vanderpool</a></span><span style="font-weight: 400;">, ao escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas, </i></span><span style="font-weight: 400;">conquista sua licença poética para reiterar uma valiosa lição na convivência humana: o que importa, no fim, são os amigos que se faz no caminho. A obra se consolida como um marco na literatura infantojuvenil, não só pelo fato de ter sido </span><span style="font-weight: 400;"><i>best-seller </i></span><span style="font-weight: 400;">no </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nytimes.com/books/best-sellers/">New York Times</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, mas por ter sido capaz de sensibilizar diversas camadas sociais, desde o Ensino Fundamental até os CLTs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jack se muda para um internato em Maine, além de lidar com as incertezas a respeito de um ambiente desconhecido, deve encarar as facetas melancólicas da morte da mãe e do distanciamento emocional do pai. Apesar do caos silencioso digno da denominação de solidão, ele encontra um candidato ao título de “amigo”: Early Auden, um menino tão discreto e tímido quanto a solitude de Jack. Os dois percorrem, juntos, um caminho de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literalmenteuai.com.br/resenha-em-algum-lugar-nas-estrelas-clare-vanderpool/#:~:text=Em%20algum%20lugar%20nas%20estrelas%20%C3%A9%20sobre%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de,cidade%2C%20no%20interior%20do%20Kansas.">autodescoberta</a></span><span style="font-weight: 400;"> no qual a fantasia e a criatividade infantis se consagram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Clare Vanderpool expõe com maestria as ramificações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://darkside.blog.br/em-algum-lugar-nas-estrelas-mostra-a-sensibilidade-e-o-talento-de-clare-vanderpool/">infância</a></span><span style="font-weight: 400;"> em uma jornada pautada em identidade, pertencimento e memória. Em outros termos, Jack Baker e Early Auden protagonizam a história cuja desenvoltura reside no contraste entre a simplicidade da escrita e a complexidade do tema. A obra é uma experiência que desperta na criança vontade de procurar aventuras extraordinárias e, no adulto, a vontade de buscar o que ficou para trás. De qualquer forma, ambos objetos de desejo podem ser encontrados </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas. </i></span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29500" aria-describedby="caption-attachment-29500" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg" alt="Capa do livro Sócios no Crime, escrito por Agatha Christie. É uma arte com fundo preto. O nome da autora aparece na parte superior, escrito em letra cursiva. No meio da imagem, dois dados aparecem; um está com o número seis em vermelho, o número três e o número cinco em preto; o outro, está com o número seis também está em vermelho, o número dois e o número quatro em preto. Na parte inferior, o título do livro aparece em letras de forma, em caixa alta." width="606" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-473x800.jpg 473w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-768x1298.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-909x1536.jpg 909w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1211x2048.jpg 1211w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1200x2029.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29500" class="wp-caption-text">Com saudade dos seus tempos de aventura e investigação, Tommy e Tuppence retornam em seu segundo livro para resolver um caso de espionagem (Foto: L&amp;PM)</figcaption></figure>
<p><b>Agatha Christie &#8211; Sócios no Crime (279 páginas, L&amp;PM)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de descobrirem o paradeiro de Jane Finn e a identidade de Mr. Brown – o misterioso </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Adversário Secreto</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">–, Tommy e Tuppence estão de volta em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sócios no Crime</i></span><span style="font-weight: 400;">. A coleção de contos escrita por Agatha Christie, lançada em 1929, continua a história da dupla de investigadores recém-casados, que, a pedido de Mr. Carter, da Inteligência Secreta, assume a direção da agência Os Detetives Brilhantes de Blunt.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as personas</span> <span style="font-weight: 400;">do detetive Theodore Blunt e da secretária srta. Robinson, Tommy e Tuppence começam a investigar pequenos casos, enquanto esperam a aparição do espião N°16, comparsa do real Theodore Blunt, que, por sua vez, foi preso por Mr. Carter e sua equipe. E, ao usar técnicas de outros detetives da literatura policial, como as de Sherlock Holmes e de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/">Hercule Poirot</a></span><span style="font-weight: 400;">, o par de aventureiros tenta responder à pergunta: quem seria o espião Número 16? &#8211; </span><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
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<figure id="attachment_29498" aria-describedby="caption-attachment-29498" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins. Na imagem, há o desenho de três corpos negros dançando, em um fundo de cores cinza, branco e preto. Abaixo, próximo ao centro, está escrito Romance, em fonte de cor preta. À direita, está escrito Via Ápia, em fonte de cor branca com contornos pretos, e Geovani Martins, em fonte de cor preta. Abaixo está o logo da editora Companhia das Letras, em cor preta." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29498" class="wp-caption-text">Recebido na parceria com a editora Companhia das Letras, o primeiro romance de Geovani Martins guarda todos os méritos que o consagraram nos contos em 2018 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia (344 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fenômeno imediato desde que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca">O Sol na Cabeça</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2018) foi publicado e um dos convidados da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.flip.org.br/autores/geovani-martins/">Flip</a></span><span style="font-weight: 400;"> deste ano (dividindo uma mesa com a vencedora do Nobel, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a></span><span style="font-weight: 400;">), Geovani Martins vem de Bangu – bairro suburbano do Rio de Janeiro –, mas também morou na Rocinha e Vidigal (onde vive até hoje), comunidades de favelas na zona sul da cidade. Sua experiência pessoal, indissociável de sua obra, se junta à trama de Washington e Wesley em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia">Via Ápia</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, no qual acompanhamos os personagens na Rocinha do antes, durante e depois da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), entre 2011-2013.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos curtos, ao estilo de Machado de Assis – uma das principais referências de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/11/geovani-martins-lanca-primeiro-romance-na-flip-e-participa-de-mesa-com-a-americana-ladee-hubbard.ghtml">Geovani Martins</a></span><span style="font-weight: 400;"> –, enxergamos perspectivas cruzadas, em que cinco jovens (contando Washington e Wesley) vivenciam primeiras experiências no amor, na amizade, no amadurecimento e na inibição de seus próprios sonhos frente a violência instaurada pelo Estado, numa “guerra às drogas” fracassada desde o início. Ao enviar sua tropa de choque à Rocinha, pelos olhos de Martins, o Estado parece apresentar uma única resposta aos problemas da desigualdade social no Brasil: a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, seguindo a narrativa habilidosa de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Via Ápia</i></span><span style="font-weight: 400;">, na qual os diálogos impulsionam a trama, os impactos da UPP na vida dos moradores resvalam em todos os sonhos. Dividido em três partes, acompanhamos a expectativa da comunidade em relação à invasão; a ruidosa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/rocinha-foi-ultima-ocupacao-de-2011-diz-beltrame.html">instalação da UPP</a></span><span style="font-weight: 400;">; e a silenciosa partida da polícia e a retomada dos bailes </span><span style="font-weight: 400;"><i>funk </i></span><span style="font-weight: 400;">que “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fazem o chão da favela tremer</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Criador de diálogos impecáveis e verossímeis, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/a-literatura-e-uma-arma-afirma-o-escritor-geovani-martins-na-flip.shtml">Martins aponta</a></span><span style="font-weight: 400;"> que a resposta dos moradores é e sempre foi outra: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>a vida, sempre ela, nunca a morte</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29506" aria-describedby="caption-attachment-29506" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Gótico Nordestino, do autor Christiano Aguiar. A capa é preta, tem em vermelho o nome do autor no topo e o nome do livro, em branco, abaixo. A ilustração do centro é um círculo que mostra um homem e seu reflexo maligno, montado em animais e segurando armas." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29506" class="wp-caption-text">Gótico Nordestino venceu o Prêmio Clarice Lispector de Contos da Biblioteca Nacional em 2022 (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Christiano Aguiar &#8211; Gótico Nordestino (133 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 9 os brilhantes contos que Christiano Aguiar precisa para situar suas histórias de medo, mistério e morte no interior brasileiro. Afinal, aliado a uma escrita visual e polvorosa, junto da curta duração das tramas, o livro </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/biblioteca-nacional-premia-livros-gotico-nordestino-e-siameses-veja-a-lista.shtml">vencedor do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Contos da Biblioteca Nacional é um prato a ser devorado fumegante, sem espaço para respiros ou breves pausas. De cara, uma pequena travessia entre duas residências é palco de muita tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Onças</i></span><span style="font-weight: 400;">, conto pós-apocalíptico que une a mitologia da epidemia com a fauna nacional, Aguiar coloca na mesa todo seu arsenal literário: emoção se transforma em lamento, que logo se transfigura na surpresa digna de arregalar os olhos e suspender o queixo. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Gótico Nordestino</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o atrativo maior no mar de criatividade do autor e da escassez de narrativas fantasmagóricas e sobrenaturais que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tab.uol.com.br/colunas/lidia-zuin/2022/01/29/horror-a-luz-do-dia-livro-gotico-nordestino-desafia-estereotipos-do-genero.htm">fogem de clichês</a></span><span style="font-weight: 400;"> ou mazelas narrativas.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29532" aria-describedby="caption-attachment-29532" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29532" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Modernismos 1922-2022. A imagem é composta por uma arte que tem um conjunto de números 22 sobrepostos. Os tons vão de rosa a lilás e vermelho a laranja. Ao centro, o nome do livro está grafado em preto. No canto superior esquerdo, está o nome da organizadora. No canto inferior direito, está o logo da editora." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29532" class="wp-caption-text">O centenário da Semana de Arte Moderna também foi lembrado aqui no Persona, através de uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna-no-persona/">série especial</a> que reflete sobre o legado de 1922 na Arte e na Cultura brasileira (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Gênese Andrade (Org.) &#8211; Modernismos 1922 &#8211; 2022 (896 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história do Brasil, poucos eventos são tão culturalmente divisores quanto a Semana de Arte Moderna. Tanto em sua relevância como marco artístico-cultural quanto nas controvérsias sobre o seu caráter disruptivo, o evento de 1922, bem como suas origens e desdobramentos, já são temas constantes no ambiente de discussões do país, mas ocupam </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/podcasts/repertorio-451-mhz/a-semana-de-22-posta-em-questao">um lugar especial</a></span><span style="font-weight: 400;"> em seu centenário, conforme bem identifica </span><span style="font-weight: 400;"><i>Modernismos 1922 &#8211; 2022</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A publicação especial da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;"> para os 100 anos da Semana de 22 é mestre em identificar </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212408/modernismos-1922-2022">as vértices</a></span><span style="font-weight: 400;"> do debate sobre o movimento no país, cujo início oficial é atribuído à série de apresentações, debates, exposições e movimentações que aconteceram na capital de São Paulo entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. São 29 ensaios inéditos, assinados por 29 autores diferentes, que analisam o desenrolar desses 100 anos com direção de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/um-ano-para-repensar-a-semana-de-22/">Gênese Andrade</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de se organizar a partir da experiência de uma das principais referências sobre o tema da atualidade, o livro traz as contribuições de nomes consagrados no ramo do estudo da História e Cultura brasileiras, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2022/11/nossa-historiografia-e-colonial-masculina-e-sudestina-diz-lilia-schwarcz-na-flip.ghtml">Lilia Schwarcz</a></span><span style="font-weight: 400;">, José Miguel Wisnik, Walnice Nogueira Galvão e Regina Teixeira de Barros. Os temas abarcam as representações raciais, locais e de gênero e os discursos políticos, sociais e estéticos das Artes Visuais, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Música</a></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/">Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> e da Arquitetura modernista, olhando para cem anos atrás a fim de compreender cem anos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">à frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_29503" aria-describedby="caption-attachment-29503" style="width: 711px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg" alt="Capa do livro Não há silêncio que não termine da autora Ingrid Betancourt. Na imagem, o fundo é composto por tons de verde que variam na forma de um enorme borrão distorcido. Ao centro, o nome da escritora aparece em letras grandes e vermelhas. Um pouco abaixo, está o título do livro na cor preta. Já na parte inferior, há o subtítulo “Meus anos de cativeiro na selva colombiana” marcado em preto. Por último, o logo da editora Companhia das Letras." width="711" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29503" class="wp-caption-text">Ingrid Betancourt tentou concorrer à presidência da Colômbia <a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2022/05/17/ingrid-betancourt-volta-a-concorrer-a-presidencia-na-colombia.htm">novamente</a> em 2022, mas acabou desistindo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ingrid Betancourt &#8211; Não há silêncio que não termine (556 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, a então candidata à presidência </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/world/2010/sep/18/ingrid-betancourt-i-still-have-nightmares">Ingrid Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;"> era sequestrada pelas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://americasquarterly.org/article/interview-ingrid-betancourt-on-colombia-farc-peace/">FARC</a></span><span style="font-weight: 400;">, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Presa em cativeiro durante seis anos, o seu início promissor na política se desfez, porém, os tormentos vividos na selva colombiana foram registrados na história através do livro </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535917383/nao-ha-silencio-que-nao-termine">Não há silêncio que não termine</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, publicação que selou a relevância internacional do acontecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escrita em primeira pessoa, a autora transporta o leitor para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.npr.org/2010/09/25/130108179/ingrid-betancourts-six-years-in-the-jungle">ambiente inóspito</a></span><span style="font-weight: 400;"> da lama atraente e das folhas sufocantes que a fizeram refém. </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/05/20/ingrid-betancourt-deixa-e-coalizao-de-centro-e-se-candidata-a-presidencia-da-colombia.ghtml">Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;">, habituada com a presença de referências culturais no seu convívio familiar, escolheu um trecho do poema </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para todos</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Pablo Neruda para compor o título e trouxe o dom das palavras de </span><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez para o seu estilo.</span> <b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29508" aria-describedby="caption-attachment-29508" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Céu noturno crivado de balas, do autor Ocean Vuong. Na imagem, o fundo é cinza e há um homem nu sentado de lado no chão, curvado para frente, abraçando suas pernas e apoiando sua cabeça nos joelhos. Há galhos de folhas saindo de suas costas e de seus pés." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-768x1182.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-998x1536.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-1200x1846.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1.jpg 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29508" class="wp-caption-text">Em Céu noturno crivado de balas, Vuong consegue fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras (Foto: <span style="font-weight: 400;"><i>Â</i></span>yiné)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong  &#8211; Céu noturno crivado de balas (227 páginas, Âyiné)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos. Esse foi o tempo em que o poeta vietnamita </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.oceanvuong.com/about">Ocean Vuong</a></span><span style="font-weight: 400;"> passou em seu país de origem antes de migrar para os Estados Unidos com sua mãe e avó – a única família que tinha. Nascido em um país do qual não se lembra, com um pai que nunca chegou a conhecer e fazendo perguntas que nunca poderiam ser respondidas, ele fez o que a maioria de nós faríamos: criou seu passado e parte dessa criação está materializada em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Céu noturno crivado de balas</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trinta e cinco poemas que compõem a obra se dividem em dois grandes temas: a guerra do Vietnã e o amor, e como a guerra e o amor se encontram em diversos pontos. Vuong possui uma capacidade incrível de criar imagens e fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras; escrevendo sobre a batalha, a família ou sobre o sexo, todas as suas composições contêm a aura da perda causada pela violência, pelos mal-entedidos ou pelo simples correr das folhas do calendário. Ao transitar por diversos campos simbólicos, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ayine.com.br/catalogo/ceu-noturno-crivado-de-balas/">Céu noturno crivado de balas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> oferece múltiplas possibilidades de leitura, tratando-se de um processo constante e infinito de elaboração que parte justamente de uma ressignificação da linguagem. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29502" aria-describedby="caption-attachment-29502" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Rota 66 A História da Polícia Que Matava. Na imagem há um policial da divisão ROTA com os braços cruzados e o símbolo da corporação em destaque no ombro direito. A imagem está em preto e branco e o título e subtítulo estão na parte superior direita." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1.jpg 1582w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29502" class="wp-caption-text">Caco Barcellos choca e emociona com a descrição da violência policial (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Caco Barcellos &#8211; Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata (352 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata</i></span><span style="font-weight: 400;"> liga inúmeros assassinatos cometidos pela Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), divisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2022/10/21/caso-que-da-nome-a-rota-66-livro-de-caco-barcellos-foi-escandalo-em-1975-com-execucao-de-jovens-de-classe-alta-de-sao-paulo.ghtml">escândalo de 1975</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela execução de três jovens de classe alta. O caso é investigado a fundo pelo jornalista Caco Barcellos, que descobre um grupo de matadores agindo com o aparente aval da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ganhou o prêmio da categoria Reportagem do Prêmio Jabuti de 1993 e foi adaptado para uma série pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Globoplay </i></span><span style="font-weight: 400;">em 2022. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.record.com.br/produto/rota-66/">Rota 66</a></i></span><span style="font-weight: 400;">  é envolvente a ponto de nos fazer criar uma sensação de cumplicidade com os participantes da trama e choca com a descrição das arbitrariedades cometidas pelos agentes de segurança e pela total falta de confiança entre esses servidores e a população. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29536" aria-describedby="caption-attachment-29536" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Vê se cresce, Eve Brown.Na imagem há a ilustração de uma garota negra de estatura média, ela tem tranças lilás até a cintura e veste uma calça jeans azul clara com uma camiseta verde e um tênis branco. Ao seu lado há a figura de um homem branco de cabelos curtos loiros, ele veste uma calça preta e uma camisa social branca. O fundo é azul e atrás dos personagens tem uma trilha de notas musicais. Na parte superior está escrito em roxo “Da mesma autora de Acorda pra vida, Chloe Brown”. Na porção central aparece o título da obra em roxo e branco. No espaço inferior central aparece o nome da autora em letras brancas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29536" class="wp-caption-text">Recebido do Persona na parceria com a Companhia das Letras, Vê se cresce, Eve Brown é o terceiro livro da trilogia Irmãs Brown (Foto: Companhia das Letras/Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Talia Hibbert &#8211; Vê se cresce, Eve Brown (296 páginas, Paralela/Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eve é a caçula das três </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788584392780/ve-se-cresce-eve-brown-sucesso-no-tiktok">irmãs Brown</a></span><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem a presença de um furacão: imprevisível e capaz de derrubar tudo. Pelo menos é isso que seus pais veêm quando, depois de inúmeras tentativas de definir um rumo para sua vida, a moça não consegue se encontrar em nada – talvez ela nem quisesse isso. Assim, a única opção da mulher de tranças lilás é ir atrás de estabilidade, como prova de que os julgamentos a seu respeito estão errados. É assim que Eve Brown entra de cabeça em uma aventura na qual o autoconhecimento é o destino e nós somos os acompanhantes, carregando sorrisos tímidos no canto da boca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro – traduzido no Brasil por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://comoeuescrevo.com/ligia-azevedo/">Lígia Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> – explora mais do que as nuances de um clichê adorável ao expor o protagonismo autista e se desviar de muitos estigmas. A leitura é fluida e aconchegante, fazendo com que conheçamos aspectos diferentes da representatividade, enquanto nos apaixonamos pelo enredo cativante. No destino de Eve, há muito mais que algumas pombas brancas voando para o lugar errado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto de Talia Hibbert ainda ganha espaço para trabalhar o clássico dos romances juvenis com um </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo-critica/">enemies to lovers</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> extremamente carismático. Ver a protagonista bagunçada e o metódico Jacob Wayne se encontrando nas diferenças abre portas para encarar divergências com outros olhos. Se </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vê se cresce, Eve Brown</i></span><span style="font-weight: 400;"> gostaria que sua personagem fosse um pouco mais madura, isso não só acontece com excelência como também nos engrandece junto dela.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Julho de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 19:38:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.” — Franz Kafka Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu no Expo Center Norte. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Julho de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28385" aria-describedby="caption-attachment-28385" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28385 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg" alt="Arte retangular de cor lilás escuro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris roxa. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Acontecimento” ao lado de 8 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘julho de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28385" class="wp-caption-text">Em Julho, o Clube do Livro do Persona se infiltrou na narrativa intimista de Annie Ernaux e seu O Acontecimento (Foto: Fósforo Editora/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>— Franz Kafka</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por Andréa Del Fuego, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2022/07/paulina-chiziane-que-veio-a-bienal-do-livro-reforca-laco-entre-brasil-e-africa.shtml"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, o evento teve dupla celebração: além do centenário do único escritor de língua portuguesa a receber o </span><a href="https://agenciaincomparaveis.com/saramago-e-universal-diz-presidente-de-portugal-durante-bienal-do-livro-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 também marca o bicentenário da Independência do Brasil. Assim, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum. O evento contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, Julho também foi um período de indigestas – porém necessárias – reflexões. Após a repercussão nacional dos absurdos que envolveram o direito ao </span><a href="https://theintercept.com/2022/07/06/aborto-menina-de-sc-promotora-manda-buscar-feto/"><span style="font-weight: 400;">aborto legal de uma menina de 11 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Santa Catarina, a questão ganhou ainda mais enfoque quando, ao final de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão judicial de 1973 que </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/06/24/aborto-nos-eua-entenda-o-que-era-a-decisao-que-garantia-direito-ao-procedimento-e-como-foi-derrubada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">garantia a legalidade do aborto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o território nacional. As discussões se nortearam no aspecto de direitos fundamentais que, a princípio, pareciam resguardados, mas que, a bem da verdade, precisam de constante vigilância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que o filme dirigido por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml"><span style="font-weight: 400;">Audrey Diwan</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a mesma temática, chegou aos cinemas brasileiros integrando o Festival Varilux de Cinema Francês, em uma adaptação cinematográfica do marcante relato da francesa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/o-acontecimento-revela-o-aborto-de-forma-nua-como-angustia-solitaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, não foi difícil escolher para o Clube do Livro do Persona a obra </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-acontecimento-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em um episódio biográfico, o livro conta a história de uma jovem de 23 anos que engravida e, sem poder contar com o apoio do namorado ou da própria família, precisa fazer um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml">aborto</a>. Ilegal na França da época, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que, quarenta anos depois, revive no livro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre os corpos femininos, Ernaux mostra uma faceta literária que mistura a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção com a não-ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar – ou ampliar – um importante momento de reflexões, deixamos as indicações de mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28370"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28371" aria-describedby="caption-attachment-28371" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28371 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1200x1751.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28371" class="wp-caption-text">O Acontecimento foi adaptado para o audiovisual em 2021, e a produção é dirigida pela roteirista francesa Audrey Diwan (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; O Acontecimento (80 páginas, Fósforo Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito com propósitos confessionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a narrativa nua e crua da história biográfica de </span><a href="http://saopauloreview.com.br/annie-ernaux-entre-a-memoria-dos-outros-e-a-escrita-de-si-mesma/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o aborto clandestino. Prorrogado pelos 40 anos subsequentes de uma gravidez indesejada aos 23 anos, o tom do texto é dado em estalos urgentes que redesenham aquilo que a autora classifica como a &#8220;experiência completa da vida&#8221;. O texto, publicado pela primeira vez na França nos anos 2000, chegou ao Brasil em maio deste ano pela <em>Fósforo,</em> e ganhou tradução nas escolhas lexicais de Isadora de Araújo Pontes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo em um momento em que o aborto era </span><a href="https://catolicas.org.br/notas/aborto-na-franca/"><span style="font-weight: 400;">ilegal</span></a><span style="font-weight: 400;"> na França, a jovem Annie encontra na gravidez o desespero de ser ameaçada pela ruína de tudo que é e do que espera para o futuro. Vinda de uma família de trabalhadores de camada social baixa, ela é a primeira a adentrar uma universidade e carrega consigo todas as expectativas do sucesso. Para além das hipóteses, são as certezas que a assombram, sua natureza livre e ciente da própria autonomia não mensura riscos para devolver ao próprio corpo a integridade que o pertence. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da longevidade entre o momento do acontecimento com o registro do mesmo nas páginas da publicação, a autora se mostra tão fiel a sua verdade que não são necessárias ressalvas. O fato se insere com uma legitimidade imponente, fazendo as marcas se gravarem nos leitores como se fossem capazes de transmitir partes das cicatrizes de Annie. Assim, </span><a href="https://variluxcinefrances.com/2022/filmes/o-acontecimento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> resiste em paradoxos: do tudo ao nada, do simples ao complexo, da superfície a profundidade… Na metonímia do corpo de uma mulher, fica difícil entender como tantas transgressões podem ganhar lar em apenas 80 páginas. <b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: O Acontecimento - Clube do Livro Julho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0oC4H6G2NI0zlBNF6UVjoy?si=6905bd4a4a394c01&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28372" aria-describedby="caption-attachment-28372" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28372 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última Parada. A capa é uma ilustração. O cenário é o vagão de um metrô, pintado em tons de roxo, rosa e laranja. Ao centro, no topo da capa, vemos o logo da editora Seguinte. Abaixo, ocupando a parte superior da capa, vemos as palavras &quot;última&quot; e abaixo, &quot;parada&quot;, escritas em uma fonte branca que imita giz-de-cera. Abaixo, à esquerda, vemos a ilustração de uma mulher amarela, de cabelos castanhos curtos espetados, aparentando cerca de 25 anos e vestindo uma camiseta branca e casaco preto de couro. Do lado direito, vemos a ilustração de uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, longos e ondulados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um macacão preto e uma camiseta branca e segurando um copo de café. Elas se olham. Na parte inferior central, vemos a frase &quot;da autora de Vermelho, branco e sangue azul&quot;, em uma fonte sem serifa em amarelo. Abaixo, vemos as palavras &quot;Casey McQuiston&quot; em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1424x2048.jpg 1424w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1200x1726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28372" class="wp-caption-text">Autora de Última Parada, a estreia de Casey McQuiston foi com o best-seller Vermelho, Branco e Sangue Azul (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada (400 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cética August se mudou para Nova Iorque, o que ela menos esperava era criar laços. Ainda mais com uma garota presa ao metrô há 40 anos. Em seu segundo livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://portalpopline.com.br/casey-mcquiston-set-vermelho-branco-sangue-azul/"><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Casey McQuiston segue os passos da jovem de vinte e poucos anos em sua nova vida como adulta independente na cidade grande. À princípio desapegada e desconfiada, a jovem </span><a href="https://portalpopline.com.br/ultima-parada-tudo-sobre-livro-novo-casey-mcquiston/"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> se permite se abrir e descobre que o companheirismo e amizade de seus companheiros de apartamento, Niko, Myla, Wes e o cão Noodles, são elos mais fortes do que imaginava. Também, percebe que Jane, a garota que sempre encontra no metrô e por quem tem uma quedinha, está, na verdade, impossibilitada de sair dali há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturando ficção científica e romance, o </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">cria uma narrativa no mínimo divertida e intrigante. August passa seus dias entre a faculdade e trabalhar para pagar o aluguel, mas, nas horas vagas, dedica seu tempo a negar seus sentimentos por Jane e achar formas de como libertá-la do metrô. Mesmo a premissa peculiar permite </span><a href="https://www.thecut.com/2021/06/casey-mcquiston-one-last-stop-interview.html"><span style="font-weight: 400;">McQuiston</span></a><span style="font-weight: 400;"> recriar situações comuns à </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-sucesso-da-bienal-do-livro-de-sao-paulo-e-culpa-do-tik-tok-100056008.html"><span style="font-weight: 400;">nova juventude</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma trama cheia de representatividade LGBTQIA+ e de um linguajar </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e atraente &#8211; afiadamente traduzidos por Guilherme Miranda -, que envolve o leitor principalmente pela abordagem dos laços de amizade modernos. Tendo seu ponto alto na forma como retrata as vivências e a cabeça da nossa geração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada </span></i><span style="font-weight: 400;">vai querer te fazer não parar. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28373" aria-describedby="caption-attachment-28373" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28373 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png" alt="Capa do livro O caderno rosa de Lori Lamby. O fundo é inteiramente colorido, com o que parecem ser manchas ou respingos de tinta. Prevalece, do lado esquerdo inferior, manchas rosas e pretas, enquanto do lado direito, roxas, rosas, amarelas, pretas. Na parte superior e central, há manchas roxas, amarelas, laranjas e verde água. No topo, encontram-se, em letras garrafais, as iniciais da autora Hilda Hilst – HH – com uma grafia transparente, ainda mostrando o fundo. Abaixo, em letras de forma branca, diagramadas à direita, se lê o nome da autora. Logo abaixo disso, o título do livro, em letras de forma branca. No canto inferior direito, o selo da Companhia das Letras" width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1.png 988w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28373" class="wp-caption-text">Um dos principais nomes da poesia e da prosa brasileira, Hilda Hilst foi a autora homenageada na 16ª edição da Festa Literária de Paraty (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Hilda Hilst &#8211; O caderno rosa de Lori Lamby (80 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.angelfire.com/ri/casadosol/drummond.html"><span style="font-weight: 400;">Hilda girando boates, Hilda fazendo chacrinha.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Seja pelo abalo que sua presença provocava na cena paulistana ou pelo choque em sua decisão de isolar-se em </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/galerias/literatura,casa-do-sol-a-mitica-morada-de-hilda-hilst,31452"><span style="font-weight: 400;">um sítio no interior</span></a><span style="font-weight: 400;">; olhar para a Hilda Hilst era entrar em um jogo. Um jogo de imprevisibilidades de uma escrita que apunhalava pelas costas todos os gêneros em que se aventurava. No entanto, mesmo com os elogios da crítica especializada, </span><a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/hilda-hilst-e-a-poesia-em-estado-de-urgencia/"><span style="font-weight: 400;">a obra da poeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha um grande alcance entre os leitores brasileiros. Lida em banheiros, lida em trens, lida para passar o tempo, o desejo de Hilst era </span><i><span style="font-weight: 400;">ser lida.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210558/o-caderno-rosa-de-lori-lamby"><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora dá seu xeque-mate. Ora </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/poesia/hilda-hilst-duela-com-deus"><span style="font-weight: 400;">complexa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1201200207.htm"><span style="font-weight: 400;">louca</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hilst compõe, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lori Lamby, </span></i><span style="font-weight: 400;">um texto fácil e </span><a href="https://soundcloud.com/companhiadasletras/150-o-caderno-rosa-de-lori-lamby-um-bate-papo-com-vera-iaconelli-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">tão polêmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não teria como </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">ser lido. No diário de uma garota de 8 anos que relata sua prostituição, com uma linguagem que chega a ser ridícula de tão infantil, ao mesmo tempo que enquadra as dificuldades de seu pai, um escritor falido, a conseguir atenção do mercado editorial, a escritora constrói o absurdo da prostituição infantil e de um pai neurótico como um recurso metafórico de sua própria situação, enquanto mulher no </span><a href="https://leiturascontemporaneas.org/2019/04/18/e-metafisica-ou-putaria-das-grossas-hilda-hilst-e-o-mercado-de-livros-anotacoes-iniciais/"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em entrevistas, estranhamente frequentes na época de lançamento do livro, ainda mais para quem escolheu estar longe dos tablóides, Hilst brinca com o </span><a href="https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2017/12/05/lado-pornografico-de-hilda-hilst-pode-colocar-fogo-nos-debates-sobre-a-arte/"><span style="font-weight: 400;">impacto</span></a><span style="font-weight: 400;"> moral do </span><a href="https://blogdoims.com.br/uma-senhora-pornografica-e-por-que-nao/"><span style="font-weight: 400;">pornô</span></a><span style="font-weight: 400;"> para desafiar e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5yeFhO4G2OQ"><span style="font-weight: 400;">dar uma banana</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mercado editorial, que a levava a sério demais para incentivar sua produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao parodiar grandes nomes da literatura erótica, como Henry Miller e Georges Bataille, a poeta constitui, com um humor muito característico  – quase que tirado de um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://newronio.espm.br/john-waters-subversao-contracultura-e-cinema-trash/"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um desafio para ser lida para além do que estava em suas páginas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma bandalheira de uma escritora no ápice de sua irreverência, </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/05/31/toda-a-ousadia-de-hilda-hilda"><span style="font-weight: 400;">tudo para pegar nos nervos dos caretas</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28374" aria-describedby="caption-attachment-28374" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28374 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg" alt="" width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1350x2048.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28374" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil sob tradução de Paloma Vidal, a obra foi finalista do International Booker Prize em 2021 (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Benjamín Labatut &#8211; Quando deixamos de entender o mundo (176 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não seria loucura pensar a ciência como uma outra faceta do pensamento mágico? A bem da verdade, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer defenderam a ideia em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571104143/dialetica-do-esclarecimento"><i><span style="font-weight: 400;">Dialética do Esclarecimento</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1947), apontando para a “razão” como uma espécie de misticismo, na qual impera nos entremeios sociais um culto aos números e formas precisas. O que se mantém oculto, porém, é a forma como as mais exatas das ciências estão ancoradas no extraordinário: na ideia absurda e abstrata de provar uma hipótese. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/quando-deixamos-de-entender-o-mundo"><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é composto por quatro narrativas, que são interligadas magistralmente por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-10/o-chileno-benjamin-labatut-novo-fenomeno-editorial-da-america-latina.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamín Labatut</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao apontarem para os sonhos e desejos místicos que nortearam grandes revoluções científicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro</span> <span style="font-weight: 400;">é vendido como um “romance de não-ficção” – uma contradição entre termos que soa absurda –, cuja principal característica é justamente a forma como aponta para a quantidade imaginativa e “mágica” que circunda o nosso mundo “real”. As descobertas científicas, muito bem estabelecidas e respeitadas por seus mecanismos técnicos, não se distanciam dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/?fbclid=IwAR2cSE-xjAKh8ZsytbCoK22s2ja_8MBabdnOlxf3vKRWzZM81uWv5jCZgaI"><span style="font-weight: 400;">aparatos fantásticos</span></a><span style="font-weight: 400;">: todas essas surgiram de uma hipótese, até mesmo de um sonho, e as verdadeiramente impactantes – como Schrödinger e sua mecânica quântica, o “Princípio da Incerteza” de Werner Heisenberg e os ideais matemáticos-anarquistas de </span><span style="font-weight: 400;">Alexander Grothendieck</span><span style="font-weight: 400;"> – foram contra tudo o que se havia estabelecido como “ciência exata” até aquele momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possível “loucura” da obra não soa tão estranha aos leitores de Thomas Pynchon, que desenvolveu em seus livros – em especial </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571647992/o-arco-iris-da-gravidade"><i><span style="font-weight: 400;">O Arco-Íris da Gravidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973) – uma mistura pitoresca entre fato científico e invenção artística. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova, assim como Adorno e Horkheimer fizeram, que as invenções científicas ancoradas na ideia de progresso estão sempre fadadas ao fracasso. Como escreveu </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/o-jovem-benjamin/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a técnica, por si só, é a junção da Arte e da Tecnologia. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_28375" aria-describedby="caption-attachment-28375" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28375 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg" alt="Capa do livro Shine: Uma chance de brilhar da escritora Jessica Jung. A arte da capa é um desenho estruturado em tons de rosa e roxo. O cenário é o quarto de uma jovem garota decorado com pôsteres e um enorme espelho. A jovem está de frente para o espelho e de costas para o leitor. Ela veste uma camiseta rosa e um shorts azul enquanto se imagina em cima de um palco. Na parte inferior, o nome do livro está escrito em roxo e branco, e o nome da autora está escrito em branco." width="606" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1-517x800.jpg 517w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28375" class="wp-caption-text">No Brasil, a <a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2020/10/saiba-tudo-sobre-o-lancamento-de-shine-livro-de-jessica-jung/">arte de capa</a> do livro foi escolhida por Jessica Jung em um concurso (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Shine: Uma chance de brilhar (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jessica Jung é uma artista sul-coreana conhecida por ter integrado o grupo feminino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ"><span style="font-weight: 400;">Girls Generation</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, ela estreou como escritora com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bv-eomSjDGw"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma narrativa que reflete a sua trajetória pessoal na indústria do </span><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A protagonista de Jung é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPpd9b5AiC4&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">Rachel Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem garota que sonha em ascender aos palcos e acaba descobrindo o quanto os bastidores do entretenimento são extremos e cruéis. São muitas as similaridades entre autora e obra: desde a xenofobia sofrida por Kim até a doçura de sua irmã mais nova, a história parece convergir para uma biografia não autorizada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre romances escondidos dos fãs, jornadas de trabalho exaustivas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wq7ftOZBy0E"><span style="font-weight: 400;">colegas de trabalho malvadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jessica Jung ilumina a misoginia da Música sul-coreana e continua o debate sobre as condições nada humanas que as empresas de </span><i><span style="font-weight: 400;">idols</span></i><span style="font-weight: 400;">, celebridades asiáticas, impõem sobre os seus produtos: crianças e adolescentes ainda em fase de formação. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficção criada por fãs, mas pode ser considerada uma </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/jessica-jung-revela-detalhes-sobre-seu-livro-shine-uma-chance-de-brilhar/"><i><span style="font-weight: 400;">idolfic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, enquanto Jung não se sente confortável em contar a sua vida a partir da primeira pessoa do singular, os leitores podem decifrar </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sequência lançada em 2022. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28377" aria-describedby="caption-attachment-28377" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28377 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-escafandro-e-a-borboleta-1-1.jpg" alt="Capa do livro O Escafandro e a Borboleta. A capa tem um fundo branco com o nome do livro centralizado na parte de cima e escrito em vermelho. Abaixo do título há uma linha vermelha pontilhada e logo após o nome do autor. Mais abaixo, há letras dispostas em 6 linhas e 6 colunas, em uma espécie de caça-palavras. Ao fundo deste caça-palavras, há quatro letras maiores e em formato minúsculo, são elas “m”, “g”, “c” e “e”" width="334" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-28377" class="wp-caption-text">A obra ganhou uma adaptação francesa em 2007 por Julian Schnabel (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>Jean-Dominique Bauby: O Escafandro e a Borboleta (144 páginas, WMF Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando as palavras, maior instrumento do seu trabalho, não podem mais ser vocalizadas? É assim que Jean-Dominique Bauby analisa sua história de vida. Após um derrame, Bauby, que era editor da revista francesa <em>Elle</em>, se encontra em uma condição chamada de </span><a href="https://www.lecturio.com/pt/concepts/sindrome-de-locked-in/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Locked-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Síndrome do Encarceramento), na qual perde o movimento de quase todo seu corpo, podendo apenas movimentar o olho esquerdo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><a href="https://www.google.com/amp/s/aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/personagem/jean-dominique-bauby-a-impressionante-saga-do-homem-que-escreveu-um-livro-com-a-palpebra.phtml"><span style="font-weight: 400;">apenas piscando o olho</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com a ajuda de uma fonoaudióloga, que Bauby cria <em>O Escafandro e a Borboleta</em>, uma sincera e tocante análise da vida pelos olhos de alguém que vê sua vida passar enquanto está preso dentro do próprio corpo. Mesmo nessa condição, o autor traz um humor sarcástico para a obra, sem deixar que a história caia no nicho da auto-ajuda. Porém, a história do Escafandro, armadura de mergulho pesada que dificulta seus movimentos (seu corpo) e a Borboleta, animal leve e que voa livre (sua mente) tem o poder de trazer uma nova perspectiva para como enxergamos nossa própria existência. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_28378" aria-describedby="caption-attachment-28378" style="width: 446px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28378 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-milesimo-andar-1.jpeg" alt="Capa do livro O Milésimo Andar. O fundo é completamente preto, com apenas alguns pequenos pontos luminosos, como estrelas. Ao centro, vê-se um grande prédio dourado, com o título da obra escrito na frente. Na parte superior há a frase “Quanto mais alto você está, pior é a queda”, e na inferior estão o nome da autora e a informação de que o livro é um best seller do The New York Times. Na lateral, perto do canto inferior direito, está o nome da editora" width="446" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-28378" class="wp-caption-text">O Milésimo Andar mostra que a vida nas alturas pode não ser tão maravilhosa assim (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Katharine McGee &#8211; O Milésimo Andar (420 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>“Em apenas três minutos, ela iria colidir com o cimento implacável da East Avenue, mas agora, neste exato momento, ela estava mais linda do que nunca”</em>. Assim se inicia</span> <a href="https://www.amazon.com.br/mil%C3%A9simo-andar-Katharine-McGee-ebook/dp/B079XCWG5N/ref=sr_1_2?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-2"><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra lançada em 2018 e escrita por Katharine McGee, que aborda a vida, os segredos e os fardos de cinco jovens ー Avery Fuller, Leda Cole, Rylin Myers, Watt Bakradi e Eris Dodd-Radson ー no futuro distópico e tecnológico de Manhattan em 2118, pós aquecimento global, onde toda a população da cidade é obrigada a morar em um prédio de mil andares para viver em condições normais após o colapso da natureza.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro possui uma leitura fluida e não muito complexa. Além disso, é muito interessante para quem gosta de histórias com diversos pontos de vista, já que cada capítulo é narrado por um dos personagens principais. O ponto alto da obra são os temas fortes que são abordados com muita maestria e cuidado, como incesto, pressão familiar, desigualdade social, depressão, vício em drogas e outros. Apesar da temática delicada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de ser leve e divertido de se ler, e é impossível não ficar envolvido com o mistério apresentado, sendo sua única opção ler até o final para receber uma reviravolta surpreendente. E para quem gostar deste título, ainda há as sequências </span><a href="https://www.amazon.com.br/altura-deslumbrante-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B07S2T15QD/ref=sr_1_4?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Altura Deslumbrante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/vista-infinita-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B08H5NQ4B3/ref=sr_1_3?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-3"><i><span style="font-weight: 400;">A Vista Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
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<figure id="attachment_28379" aria-describedby="caption-attachment-28379" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28379 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg" alt="Capa do livro O Rei de Havana. O fundo é verde, na parte superior está escrito o nome do autor Pedro Juan Gutiérrez em letras pretas. Ao lado de seu nome, está o nome da editora Alfaguara e seu logo, arabescos entrelaçados, tudo em preto. Na parte inferior há o desenho de um corvo em preto, e o nome do livro &quot;O Rei de Havana” está escrito em branco, sobrepondo o desenho" width="660" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg 660w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-768x1192.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-990x1536.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1320x2048.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1200x1862.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1.jpg 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28379" class="wp-caption-text">E diz Pedro Gutiérrez que “ao cubano só resta o rum, a salsa e o sexo” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Juan Gutiérrez &#8211; O Rei de Havana (184 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Juan Gutiérrez escreve para os fortes de estômago, aqueles estupidamente curiosos em conhecer uma parte da vida em Cuba nos anos 1990. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei de Havana </span></i><span style="font-weight: 400;">atravessa toda a triste clareza com que seu protagonista Reynaldo enxerga a vida marginalizada na capital cubana. De maneira brilhante e obscena, a obra não só </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/23/cultura/1419361987_114715.html"><span style="font-weight: 400;">enxerga o submundo do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas descreve as particularidades das pessoas que a ele pertencem com um objetivo: questionar até que ponto há dignidade na vida de um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É maluco, né? Imaginar como alguém se acostuma tanto à margem da sociedade, à pobreza, à sujeira, que se sente intrínseco àquilo. É assim que </span><a href="https://homoliteratus.com/a-literatura-suja-do-escritor-cubano-pedro-juan-gutierrez/"><span style="font-weight: 400;">o protagonista de Gutiérrez</span></a><span style="font-weight: 400;"> vê a si mesmo, sem compreender como alguém prefere água corrente na torneira e comida no prato todos os dias. Rey é só um adolescente despreocupado, com uma vida arruinada, um passado traumático, e a vontade de permanecer não pensando em nada, nunca. E só se sente um verdadeiro rei quando está transando bêbado, sujo, sem tomar banho, em um lugar qualquer que cheire a xixi. O rei de Havana. </span><b>&#8211; Nathália Mendes </b></p>
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		<title>Estante do Persona – Maio de 2022</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 19:52:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“a vida é crua, não, moço?” &#8211; Hilda Hilst Depois de um mês de Abril marcado pelas muitas reflexões que a vida, obra e morte de Lygia Fagundes Telles nos provocaram, o Clube do Livro do Persona sabia que o mês de Maio era de seguir adiante no processo de explorar os substantivos femininos expressos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Maio de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27805" aria-describedby="caption-attachment-27805" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27805" class="wp-caption-text">Em maio, o Clube do Livro do Persona ferveu no Rio de Janeiro de Lola e João, o centro narrativo de Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, a última obra de Elvira Vigna publicada em vida (Foto: Reprodução/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“a vida é crua, não, moço?”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Hilda Hilst</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de um mês de Abril marcado pelas muitas reflexões que a vida, obra e morte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos provocaram, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> sabia que o mês de Maio era de seguir adiante no processo de explorar os substantivos femininos expressos na Literatura brasileira. E como a única regra continua sendo não fugir da complexidade natural que acompanha esse universo, a escolha da vez foi a última obra que Elvira Vigna publicou em vida: </span><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27788"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de 2016 finalizou com louvor um aspecto da trajetória da também jornalista, ilustradora, crítica e artista plástica, que passou a existir em 1988 como escritora através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete anos e um dia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nas seis obras sequentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coisas que os homens não entendem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Deixei ele lá e vim</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006) destacam </span><a href="https://paiolliterario.com.br/elvira-vigna/"><span style="font-weight: 400;">a essência de Elvira Vigna</span></a><span style="font-weight: 400;">: com muita subjetividade, minimalismo, significação e teor político, ela cria uma Literatura experimental em contextos marginalizados para refletir sobre a experiência das mulheres na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção é justamente o que desenvolve </span><a href="https://livrada.com.br/2013/03/11/elvira-vigna-nada-a-dizer/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada a dizer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), sua obra mais aclamada e vencedora do Prêmio da Academia Brasileira de Letras de Ficção. Apresentando uma história de adultério narrada pela mulher traída, Elvira Vigna questiona as relações afetivas no mundo atual, numa determinação que dialoga com a própria Dama da Literatura Brasileira e, mais diretamente, com a poesia visceral de sua amiga de vida, </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/cartas-de-um-sedutor-hilda-hilst-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Hilda Hilst</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a vencedora do Prêmio Camões de 2021, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o terreno era preparado para o livro de 2016, que apesar de tudo não definiu o fim de Elvira Vigna. Da autora falecida em </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1899964-morre-a-escritora-elvira-vigna-em-sao-paulo-aos-69-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">julho de 2017</span></a><span style="font-weight: 400;">, em decorrência de um carcinoma que debilitou a sua saúde durante os 5 anos anteriores, foi lançada a obra póstuma </span><a href="https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciLangCult/article/view/57089"><i><span style="font-weight: 400;">Kafkianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), coletânea de contos muito bem apresentados pelo título. Mas antes de encerrar suas atividades em vida, ela intensificou sua voracidade em encarar a sociedade brasileira contemporânea pelas óticas de gênero.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva a Literatura de Vigna de volta aos seus níveis compulsivamente radicais, já experimentados pelos seus leitores nas citadas obras anteriores. Fervendo em assimilações, assim como os personagens do livro borbulham no Rio de Janeiro que uma polida cultura brasileira não é </span><a href="https://valkirias.com.br/a-vida-e-a-obra-de-elvira-vigna/"><span style="font-weight: 400;">capaz de enxergar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nosso Clube do Livro se inspirou para mais uma edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a conclusão é de que nada é como Elvira Vigna em ebulição com as suas próprias palavras.</span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_27789" aria-describedby="caption-attachment-27789" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27789 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, da autora Elvira Vigna. A capa é roxa e tem o nome da autora, Elvira Vigna, escrito em fonte preta no canto superior esquerdo. Ao centro da capa e alinhado à direita, lemos em branco o nome do livro, Como se estivéssemos em palimpsesto de putas. Na parte de baixo e centralizado em preto está o logo da editora Companhia das Letras." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-523x800.jpg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-768x1174.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1005x1536.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1340x2048.jpg 1340w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1200x1834.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1.jpg 1675w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27789" class="wp-caption-text">Elvira Vigna recebeu o Prêmio Jabuti duas vezes: um na categoria Livro Infantil, em 1980, e novamente em 2013, na categoria Ilustração (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Elvira Vigna &#8211; Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (216 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de Janeiro. É assim que Elvira Vigna dá partida ao último livro que escreveu e publicou enquanto ainda era viva. Na trama, a narradora se intriga pelas histórias de João, um sujeito diminuto que passou a existência completa entre lençóis, puteiros e quartos de hotel com prostitutas. Tudo isso enquanto sua esposa, Lola, aturava mentiras e explicações vazias. Ao longo das mais de duzentas páginas, que emocionalmente se quadruplicam, a escritora rasga as entranhas da condição humana, se deliciando com </span><a href="https://www.blogletras.com/2019/06/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de.html"><span style="font-weight: 400;">questões de moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, amor, sexo e controle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O palimpsesto, um papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro, recebe em seu tratamento a metamorfose da história em sua completude. João escreve e reescreve sua jornada com as mulheres a quem pagou por sexo, sempre em uma busca faminta pelo papel de alfa da alcateia. Através de períodos curtos, indagações pontiagudas e o uso mais do que eficiente de repetições, </span><a href="https://artebrasileiros.com.br/cultura/ira-de-vigna/"><span style="font-weight: 400;">Elvira Vigna nos coloca todos dentro do palimpsesto</span></a><span style="font-weight: 400;">, tornando impossível a ação de nos mantermos em silêncio quando confrontados com tais temas, tal entrega e tal formatação. Sinestésica, a escrita é quente, fumegante, borbulhante, e ai de quem temer se queimar. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Como se estivéssemos em palimpsesto de putas - Clube do Livro Maio 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3tcPs0uaXuoaU3VIjs7WfY?si=13a1c8aa8a9e4c7f&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27790" aria-describedby="caption-attachment-27790" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27790 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--714x1024.jpg" alt="Capa do livro It: A Coisa, do autor Stephen King. A capa tem fundo branco e mostra o desenho de um palhaço no topo, centralizado. O cabelo da figura é formado por duas manchas redondas que imitam sangue, enquanto seus olhos, sobrancelhas e nariz vermelhos são desenhados. Abaixo, lemos em preto “A Coisa”, e em vermelho “IT”. O nome do autor aparece em preto e letras grandes, STEPHEN KING. No canto inferior esquerdo, vemos em preto o logo da editora Suma. " width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--714x1024.jpg 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--768x1102.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it-.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27790" class="wp-caption-text">Mergulhando no mais profano do terror, It: A Coisa foi traduzido por Regiane Winarski e ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Andy Muschietti (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; It: A Coisa (1104 páginas, Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um palhaço sanguinário aterroriza uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos desde que o mundo é mundo. Através de uma influência maléfica, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-it-a-coisa-de-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Pennywise</span></a><span style="font-weight: 400;"> trucida crianças, adultos, idosos, sonhos e promessas. Isso é, até que um grupo de amigos, o Clube dos Perdedores, topa com a criatura. A partir da investida contra a fera nos anos 50, o grupo é marcado para sempre, compartilhando um trauma que psicólogo nenhum ajudará a curar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">27 anos depois de expurgarem o que achavam ser o vestígio final da Coisa, eles se reencontram. Um golpe derradeiro não é apenas necessário, mas vital e, através de </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-capitulo-dois-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais de mil e cem páginas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Mestre do Terror Stephen King nos detalha as minúcias de Derry, partindo dos tubos desgastados que filtram o esgoto até cada uma das personalidades que habitam o fatídico local. Extenso ao ponto de se tornar, estranhamente, uma leitura de conforto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas o maior livro do Rei, em adição ele também é o melhor. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27794" aria-describedby="caption-attachment-27794" style="width: 657px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27794 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-657x1024.png" alt="" width="657" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-657x1024.png 657w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-513x800.png 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-768x1198.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-985x1536.png 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-1313x2048.png 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-1200x1871.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1.png 1773w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27794" class="wp-caption-text">Com tradução de Cássio de Arantes Leite, o violento livro de David Cronenberg se inicia na tela de um computador e termina numa conversa no Skype (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>David Cronenberg &#8211; Consumidos (304 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/david-cronenberg-diz-querer-cometer-mais-crimes-em-proximos-filmes-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">David Cronenberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é exatamente pouco conhecido – muito pelo contrário. Na verdade, talvez possa causar certa estranheza ler o nome do renomado cineasta canadense na capa de um livro; mas, ao decorrer da leitura, </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-david-cronenberg-e-a-literatura/"><i><span style="font-weight: 400;">Consumidos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014) se prova o melhor do universo do autor. Sua estreia como escritor – e, até o momento, seu único romance – traz muito do universo retratado em seus filmes, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUuMgD9Ej_M&amp;ab_channel=CinemasNOS"><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996), adaptação do livro homônimo de J.G. Ballard, com quem Cronenberg divide muitas semelhanças estéticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No romance, Cronenberg narra a história de Naomi e Nathan, um casal de jornalistas que, buscando uma reportagem, acabam submersos em uma trama global envolvendo sexo e morte. Ela investiga o assassinato – seguido de um suposto ato de canibalismo – de uma filósofa; ele, vai à Budapeste fotografar um cirurgião que trabalha com um método pouco convencional de combate ao câncer. Trazendo ressonâncias à já citada obra de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535910803/crash"><span style="font-weight: 400;">Ballard</span></a><span style="font-weight: 400;">, os dois jornalistas mantêm uma fixação por tecnologia, pela competição e quaisquer experiências que os façam escapar do cotidiano. Aos poucos, se dão conta que os fios de suas histórias investigativas interligam-se, aguçando </span><i><span style="font-weight: 400;">Consumidos </span></i><span style="font-weight: 400;">em um maravilhoso cenário especulativo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27796" aria-describedby="caption-attachment-27796" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27796 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-681x1024.jpg" alt="Capa do livro A Relíquia, do autor Eça de Queirós. Na imagem, uma coroa de espinhos na cor preta estampa grande parte da arte de capa. Na parte superior, o nome da Editora Fora Do Ar em tinta preta, assim como o seu logo que leva o desenho em contorno de uma nave alienígena abduzindo um ser humano. Na parte inferior, o nome do autor Eça de Queirós e o título da obra A Relíquia, ambos em tinta preta." width="681" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-681x1024.jpg 681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-532x800.jpg 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-768x1155.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1021x1536.jpg 1021w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1362x2048.jpg 1362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1200x1805.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1.jpg 1518w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27796" class="wp-caption-text">A Relíquia é um romance realista fantástico publicado em 1887 (Foto: Fora do Ar)</figcaption></figure>
<p><b>Eça de Queirós &#8211; A Relíquia (344 páginas, Fora do Ar)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a epígrafe de </span><a href="https://domtotal.com/noticia/1485142/2020/11/no-aniversario-de-175-anos-de-eca-de-queiroz-relembre-os-maiores-classicos-do-autor/"><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro clássico do escritor português </span><a href="https://setemargens.com/eca-de-queiros-1845-1900/"><span style="font-weight: 400;">Eça de Queirós</span></a><span style="font-weight: 400;">, representa com perfeição o cruzamento entre o real e o imaginário que se estende durante a narrativa da obra. Dono de uma sensibilidade singular, Queirós consegue transitar com fluidez pelo concreto e pelo fantasioso. Assim, os devaneios complementam perfeitamente os momentos brutais da trama, sem deixar espaço para uma leitura confusa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Teodorico Raposo, mais conhecido como Raposão, é o protagonista e o narrador de seu livro de memórias, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Malicioso e dissimulado em seus escritos, ele conta para o leitor sobre a difícil empreitada de enganar a sua tia beata, Dona Maria do Patrocínio, e, desse modo, poder desfrutar de suas aventuras amorosas, além de se consagrar como herdeiro universal da fortuna de Titi. Dividido em duas personas distintas: um sobrinho religioso e um conquistador nato de mulheres; a obra de Eça de Queirós é tão interessante quanto sarcástica em relação ao </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/1871-o-ano-em-que-eca-de-queiros-se-tornou-um-caso-serio-14203680.html"><span style="font-weight: 400;">contexto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que foi publicada. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_27797" aria-describedby="caption-attachment-27797" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27797 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Um artista do mundo flutuante. Na imagem aparece um fundo azul com pequenos desenhos em preto, que representam uma paisagem com pequenos montes, um lago e uma ponte. Em laranja, na ponte há um homem que observa o horizonte e no céu nove lanternas japonesas flutuam e refletem sua luz na água. Grafados na cor branca, aparecem o nome do autor na porção superior, e o nome do livro na parte inferior. Por fim, o logo da editora está estampado em preto após o título da obra." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27797" class="wp-caption-text">Entre altivez e culpa, Um artista do mundo flutuante reconstrói um Japão pós-guerra com palavras cativantes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><strong>Kazuo Ishiguro &#8211; Um artista do mundo flutuante (232 páginas, Companhia das Letras)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pelo ganhador do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/kazuo-ishiguro-ganha-o-premio-nobel-de-literatura-2017.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2017, Kazuo Ishiguro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um artista do mundo flutuante </span></i><span style="font-weight: 400;">é um romance traduzido no Brasil por José Rubens Siqueira. No livro, somos apresentados a vida e incertezas do narrador e protagonista, Masuji Ono. Após a Segunda Guerra Mundial, Masuji está aposentado e é um artista de grande renome na região. Preso a uma mentalidade um tanto tradicionalista, o pintor se choca com os pensamentos das filhas e pessoas da nova geração depois da perturbada abertura do Oriente ao mundo ocidental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do texto, Ono viaja entre suas memórias e reflete sobre os caminhos que o levaram a ser artista, trazendo à tona a ideia do “mundo flutuante” em que os bares e a vida farrista aconteciam. Esse universo da noite e o professor que o ensinou sobre ele, fazem parte do início do protagonista como pintor, entretanto, adquirir um estilo próprio e ideais </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Japanese_propaganda_during_World_War_II"><span style="font-weight: 400;">políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a arte mudam sua maneira de agir e geram consequências refletidas no presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/07/cultura/1512672547_398506.html"><span style="font-weight: 400;">Kazuo</span></a><span style="font-weight: 400;">, as recordações são usadas como forma de resistir às mudanças, mas também são responsáveis por reconstruir o país antes das ruínas, assim como, ilustrar a influência estadunidense no comportamento dos japoneses. </span><i><span style="font-weight: 400;">Um artista do mundo flutuante </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma leitura fluida e rica em detalhes, sua narrativa comove e encanta com delicadeza. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27798" aria-describedby="caption-attachment-27798" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27798 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-683x1024.jpg" alt="capa do livro Garota, mulher, outras, de Bernadine Evaristo. A imagem da capa é uma ilustração realista de uma mulher negra, de cabelos curtos, vestindo uma blusa gola alta acinzentada e estampada, em um fundo esverdeado de folhagens. No canto superior esquerdo está o logo da editora Companhia das Letras. Deslocado mais para a direita, encontra-se o título do livro e, abaixo, ao centro, um comentário do jornal The Sunday Times." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27798" class="wp-caption-text">A partir de uma escrita que explora as fronteiras líricas entre diferentes gêneros literários, Garota, mulher, outras é um retrato polifônico da negritude diaspórica na Inglaterra (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Garota, mulher, outras</b><b> (</b><b>496 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído em uma estrutura que se assemelha, tanto na forma de quebra dos parágrafos e frases quanto no modo narrativo, a um </span><i><span style="font-weight: 400;">poemance, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou seja, uma mistura da forma poemática com o romance, o livro </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2019/oct/15/booker-winners-bernardine-evaristo-margaret-atwood-rule-breaking"><span style="font-weight: 400;">da vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Bernardine Evaristo não conseguiria usar tradicionais estruturas para contar as histórias de suas personagens que, pensando no modelo clássico e europeu de um livro, nunca estiveram impressas de modo tão íntimo e verdadeiro, sendo, na realidade, sempre projetadas a uma </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2016/04/07/categoria-do-outro-o-olhar-de-beauvoir-e-grada-kilomba-sobre-ser-mulher/"><span style="font-weight: 400;">categoria do “Outro”</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde os caminhos no processo diaspórico para a Inglaterra, vindas de países como Gana e Nigéria, até no pensar da juventude acerca de gênero e sexualidade, em um cenário socialmente barulhento – Londres em meio às negociações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Brexit</span></i><span style="font-weight: 400;"> – a narrativa de <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535933819/garota-mulher-outras"><em>Garota, mulher, outras</em></a> consegue enclausurar, em seu processo puramente polifônico, o passado, o presente e o futuro das subjetividades retratadas sem necessariamente delimitá-las a cada tempo, mas sim criando novas noções de identidade que transpassam tais noções, unidas nessa busca, constante no livro, pela ancestralidade. Trazendo a realidade de mulheres e pessoas divergentes de gênero e sexualidade para suas páginas, Evaristo inaugura novos imaginários e possibilidades na estrutura do romance. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27799" aria-describedby="caption-attachment-27799" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27799 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Daisy Jones &amp; The Six. No centro, está escrito o título do livro em letras garrafais brancas. Do lado esquerdo inferior, está escrito &quot;Uma história de amor e música&quot; em letra branca pequena. A imagem de fundo é o rosto de uma mulher, com tons rosa, azul, amarelo e vermelho. No centro inferior, está o nome de Taylor Jenkins Reid em letras brancas. No centro superior, está escrito &quot;Devorei o livro em um dia e me apaixonei por Daisy e pela banda&quot; em letras brancas e &quot;Reese Whiterspoon&quot; em letras rosa." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27799" class="wp-caption-text">A série sobre Daisy Jones &amp; The Six será protagonizada por Sam Claflin e Riley Keough, que é neta de Elvis e Priscilla Presley (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Daisy Jones &amp; The Six (360 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a euforia pelos anos 70 já não fosse suficiente no imaginário popular, a autora Taylor Jenkins Reid decidiu materializá-la nas páginas de seu próprio livro. </span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revive um dos períodos mais efervescentes para a música, especialmente na cidade de Los Angeles, a partir da história da banda que dá nome à obra. O único detalhe, que já é marca registrada da escritora, é que eles nunca existiram na realidade. Por meio de uma narrativa que facilmente se confundiria com o roteiro de um documentário, somos conduzidos às memórias dos integrantes do grupo musical, que relatam os primórdios de suas aventuras durante uma entrevista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma mente que nos trouxe a notável </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Evelyn Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Taylor Jenkins Reid agora volta os holofotes para Daisy Jones, cantora em ascensão da época, que teve seu caminho cruzado com a banda The Six, e, assim, iniciaram sua carreira de sucesso. Juntos, Daisy, Billy, Graham, Karen, Warren, Pete e Eddie mergulham nas psicodelias que viveram no auge dos anos 70, em meio a muito amor, drogas e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock ’n’ roll</span></i><span style="font-weight: 400;">. Hipnotizante até o último segundo, a única frustração que <em>Daisy Jones &amp; The Six</em> traz é o fato de podermos apenas imaginar como seriam as músicas da banda. Mas, não por muito tempo, já que o livro conquistou os olhares de Reese Whiterspoon, o que rendeu a produção de uma série em 12 episódios para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, com as </span><a href="https://cinepop.com.br/daisy-jones-and-the-six-terminam-as-gravacoes-da-nova-serie-estrelada-por-riley-keough-344007/"><span style="font-weight: 400;">gravações já encerradas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_27800" aria-describedby="caption-attachment-27800" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27800 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Terras do Sem-Fim. Ao centro, e ao fundo, vê-se um homem guiando um carro de bois. Um pouco abaixo vê-se o reflexo desse homem no rio. Ao lados há árvores e pastagem. Ao centro lê-se em branco “JORGE AMADO” acima do D, lê-se na vertical e em amarelo “TERRAS DO SEM-FIM”. No canto inferior esquerdo está a logo da Companhia das Letras. A capa é inteiramente na cor marrom esverdeado." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27800" class="wp-caption-text">A terra adubada com sangue (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Jorge Amado &#8211; Terras do Sem-Fim (280 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito por Jorge Amado durante seu exílio na Argentina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> vasculha as consequências que a exploração do cacau trouxe para a região de Ilhéus, no sul da Bahia. A trama sobre jagunços traz a história de disputa de terras por duas grandes famílias. Junto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Cacau</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">São Jorge dos Ilhéus</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela, cravo e canela</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tocaia Grande</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> compõe a fase de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02516"><span style="font-weight: 400;">livros amadianos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dedicados à rica e sangrenta história da região cacaueira da Bahia. Essa obra trabalha memórias da infância do próprio autor, ao mesmo tempo em que denuncia a violência e a exploração que marcaram o período. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um clássico na Literatura nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> mantém a fluidez das obras de Jorge Amado, fazendo com que a leitura de cada página seja um deleite e um exercício do estudo da História. A habilidade do escritor em apresentar cenários e personagens permite que o enredo tenha um desenvolvimento excepcional ao mesclar dois pontos de vista. A violência é marcante, mas necessária: </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/terras-do-sem-fim/"><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é feito para agradar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim para expor a guerra política que torna o local sujo e manchado a sangue pelas injustiças sociais e disputas de terra. Os personagens marcantes ditam o ritmo crescente da narrativa, marcando o livro na biografia de Amado. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27823" aria-describedby="caption-attachment-27823" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27823 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg" alt="Capa do livro Parque Industrial, de Pagu. A imagem é uma ilustração chapada de uma indústria e usa apenas a cor preta, sob um fundo azul celeste. No canto superior direito, está escrito o nome da autora em letra de forma. Na lateral esquerda do livro, se estendendo para a linha inferior, está escrito o título, na mesma estilização." width="676" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1014x1536.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1352x2048.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1200x1817.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL.jpg 1466w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27823" class="wp-caption-text">Aos 100 anos do Modernismo no Brasil, a principal obra de um dos principais nomes do período retornou às livrarias em nova edição publicada pela Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pagu &#8211; Parque Industrial (111 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem tomou a linguagem contemporânea de Elvira Vigna como um dos aspectos mais fortes de sua obra, é inevitável reconhecer seu diálogo com a sinceridade visceral de Pagu. Separadas por mais de 80 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> se convergem no objetivo de relatar as dinâmicas das relações vivenciadas por mulheres, em contextos marginalizados e marcados pela violência em suas mais diversas formas. Mas ao contrário do fervor naturalista do Rio de Janeiro dos anos 2010, o primeiro livro de Patrícia Galvão está na mecânica industrial da São Paulo da década de 30, se concretizando como o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">romance proletário</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro e manifestando a ânsia de revolução cultural da </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás do pseudônimo de Mara Lobo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto realiza nada menos do que os desejos de Pagu, o livro atinge bem mais do que suas ambições aos apenas 22 anos de idade. Como um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/parque-industrial-pagu/"><span style="font-weight: 400;">marco absoluto</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Literatura brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata a industrialização que definiu o século XX no país, iniciada na capital paulista repleta de promessas, e desenvolvida irregularmente pelo resto do território nacional com muitas consequências &#8211; principalmente para quem sempre ocupa o centro e margem da sociedade: as mulheres. Assim, a autora &#8211; e seus personagens &#8211; não tem tempo para meias palavras nem caprichos estéticos, atribuindo à sua obra um caráter urgente, que captura recortes das vidas fragmentadas pelas máquinas capitalistas, e que, 90 anos depois de sua primeira publicação, diz tanto sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">o Brasil de hoje</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto suas conterrâneas contemporâneas. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 20:53:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Quem é que quer flores depois de morto?” &#8211; J.D. Salinger Começando 2022 com o pé direito, a primeira leitura do nosso Clube do Livro se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em Pessoas normais. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26035" aria-describedby="caption-attachment-26035" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg" alt="Arte retangular de fundo lilás. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante'. na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “pessoas normais”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco 'janeiro de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26035" class="wp-caption-text">O Estante de Persona abre 2022 ao lado de Sally Rooney e sua dupla de Pessoas normais (Foto: Reprodução/Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Quem é que quer flores depois de morto?”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; J.D. Salinger</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando 2022 com o pé direito, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">primeira leitura do nosso Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em</span> <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14654"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos escritos, a obra ganhou uma adaptação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x1JQuWxt3cE"><span style="font-weight: 400;">formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alavancando a carreira de suas estrelas Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muito acontecendo no mundo literário nesse começo de ciclo, o Clube do Livro do Persona discutiu as similaridades e as normalidades do livro com o mundo real. Encontrando poesia na ordinariedade que Roony imprime em seus personagens, relacionáveis à maioria dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wywjnr8vQ8U"><span style="font-weight: 400;">jovens adultos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que saíram da escola bambeando e chegaram à universidade perdidos da cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela visão de Marianne e Connell, nossa leitura foi guiada, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1u8rIx65QgA"><span style="font-weight: 400;">corações pulsantes doloridos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma porção de opiniões contundentes sobre a conduta dos protagonistas. O resultado dessa experiência você encontra abaixo, com breves comentários sobre o Livro do Mês (que, assim como nossa citação de abertura, bebe da fonte criativa de J.D. Salinger), além das imperdíveis Dicas do Mês, remexendo os cantos da Literatura e chegando com tudo, para quem procura turbinar a meta de leitura para o ano que chegou. </span></p>
<p><span id="more-26009"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_26016" aria-describedby="caption-attachment-26016" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26016 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Pessoas normais, da autora Sally Rooney. A capa é verde, tem o desenho de duas pessoas deitadas abraçadas dentro de uma lata de sardinha aberta. No topo da capa, lemos em preto: &quot;O fenômeno literário da década&quot; - The Guardian. Abaixo disso, em fonte branca e grande, lemos PESSOAS NORMAIS, e abaixo da imagem da lata de sardinha, lemos SALLY ROONEY." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 por aqui, a tradução para o português ficou a cargo de Débora Landsberg (Foto: Companhias das Letras)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Pessoas normais (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que uma história de amor que ultrapassa espaço e tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se dobra a </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">qualquer limitação que o destino possa vir a causar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando conhecemos Connell e Marianne, eles são estudantes do Ensino Médio, deslocados, cada um à sua maneira. Lá, era o garoto quem tomava a dianteira, fazendo a jovem de gato e sapato. Quando crescem e se aventuram pela faculdade, é Marianne o sujeito mandante do relacionamento, mesmo que ela insista em negar essa posição de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, por vezes sutil, por vezes desbocada, Sally Rooney navega entre conversas mortas, sentimentos afogados e uma série de pequenos eventos que, em efeito dominó, não dão paz aos namorados imperfeitos da trama. Com </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey</span></i><span style="font-weight: 400;"> de J.D. Salinger, a autora irlandesa não se preocupa em preencher lacunas temporais, dando forma a suas pessoas ordinárias nesse exato </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/sally-rooney-do-fenomeno-normal-people-nao-quer-ser-so-mais-uma-millennial-chata.shtml"><span style="font-weight: 400;">lugar de mundanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Connell e Marianne são identificáveis pois são avulsos, previsíveis, nada centrados e terrivelmente normais, como qualquer leitor que se sinta na mesma posição deles. Às vezes, a </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/08/17/sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revela a morada mais agradável de todas. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Pessoas normais - Clube do Livro Janeiro de 2022" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=6531dedc09b8457a&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_26010" aria-describedby="caption-attachment-26010" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26010 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bartleby e companhia, do escritor Enrique Vila-Matas. Na imagem, há bem ao centro a fotografia de um enorme livro aberto, com as folhas do lado esquerdo dobradas de forma volumosa, pois são milhares de páginas. Ao fundo do local onde está esse livro aberto há um fundo branco. Fora do pequeno quadrado branco que está a fotografia do livro, está, na parte superior, escrito Bartleby e companhia em fonte de cor preta. Na parte direita, está escrito Companhia das Letras. Na parte inferior, abaixo da fotografia do livro, está escrito Enrique Vila-Matas em fonte de cor preta. Com exceção do quadrado central onde está a fotografia do livro aberto, todo o fundo é composto pela cor vermelha." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26010" class="wp-caption-text">Com tradução de Josely Vianna Baptista e Maria Carolina de Araújo, Bartleby e companhia é uma explosão de originalidade, guiada pelo espanhol Enrique Vila-Matas (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enrique Vila-Matas &#8211; Bartleby e companhia (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance? Coletânea de contos? Texto jornalístico? Ensaios? Crítica literária? </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14384"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não segue nenhum gênero ou caminho absoluto, mas mistura todos eles. Borrando a linha que separa ficção de não-ficção, o escritor espanhol </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Enrique Vila-Matas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma obra única, na qual a literatura torna-se personagem através de um mosaico de obras e autores, esboçados e analisados quase sempre de forma irônica. Lançado em 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby y compañía </span></i><span style="font-weight: 400;">(no título original) é dividido por 86 capítulos curtos – mais uma pequena introdução não numerada –, e parte da premissa de ser um livro do &#8216;não&#8217;. Vila-Matas escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós conhecemos os bartlebys, seres em que habita uma profunda negação do mundo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é uma referência direta a outro Bartleby – </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/bartleby-o-escrivao-herman-melville/"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby, o escrivão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Herman Melville –, cuja fama consiste justamente em sua negação da vida, sendo um exímio personagem do &#8216;não&#8217;. Desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porém, o narrador-protagonista de Vila-Matas nega a escrita (de forma paradoxal, opõe-se contra ela escrevendo), criando um catálogo de escritores que optaram pelo silêncio – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/literatura-se-faz-ao-andar"><span style="font-weight: 400;">Robert Walser</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-israelense/as-vidas-paralelas-de-kafka"><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros –, e tem como intuito escrever um diário, composto por diversas notas de rodapé, que serão a estrutura do livro, embora possamos classificá-las como capítulos. É interessante vislumbrar na narrativa de Vila-Matas esse mosaico perfeito, no qual a compreensão se dá mesmo que os inícios dessas notas (ou capítulos) sejam continuações de um texto inexistente, imaginário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia fina do autor mistura-se, também, com a graça de alguns contos do argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> – personalidade que não escapa dos pastiches literários do escritor espanhol –, e não perde em nada no quesito imaginação e desenvoltura no jogo literário. A bem da verdade, Enrique Vila-Matas é um dos melhores autores contemporâneos quando se trata de jogo com a literatura, captando como ninguém a crise pós-moderna em que se supõe que não existem mais ideias originais; por esta razão, o livro é repleto de referências. Trazida ao Brasil através da finada editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Cosac &amp; Naify</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de Enrique Vila-Matas está atualmente sendo reeditada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reeditado no começo de 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26011" aria-describedby="caption-attachment-26011" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26011 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg" alt="Capa do livro Um Teto Todo Seu. O fundo da capa é uma parede rosa e, na parte debaixo, o batente branco e o chão de uma sala. Na parte superior central da capa, vemos uma linha com as palavras “Virginia Woolf” em branco e “Um teto todo seu” em preto. Logo abaixo, no centro, vemos um espelho com moldura branca de flores e um abajur com a luminária decorada em estampas marrons, laranjas e brancas. Abaixo, do lado esquerdo, vemos uma mesa de cabeceira de madeira clara, com um relógio, um vaso com flores rosadas, um caderno preto e uma xícara branca e laranja apoiadas nele. As palavras “Posfácio”, em preto, e “Noemi Jaffe”, em branco, estão dispostas logo acima dele. Ao centro da capa, vemos uma poltrona de madeira escura, com o assento laranja claro e uma almofada listrada marrom, laranja e branca. Do lado direito, vemos o cabo do abajur, de madeira clara. No chão, vemos um tapete marrom escuro cobrindo todo o piso e duas almofadas estampadas jogadas no chão, ao pé da poltrona. No canto inferior direito, vemos a palavra “TORDESILHAS” em uma letra estilizada em branco, escrita na vertical." width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1062x1536.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1200x1736.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26011" class="wp-caption-text">“Eu me arriscaria a supor que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem assiná-los, foi muitas vezes uma mulher” (Foto: Tordesilhas)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Um teto todo seu (192 páginas, Tordesilhas)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos trabalhos mais reconhecidos de Virginia Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu </span></i><span style="font-weight: 400;">vira e mexe ganha novas edições. O livro foi publicado em 1929 e, quase um século depois, se mantém </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atemporal nas reflexões acerca das condições sociais da mulher e sua influência na Literatura, levantadas pela autora sob um alter-ego ficcional. A obra se baseia em palestras de Woolf em faculdades na Inglaterra. No formato de um ensaio, e como se discursasse para uma plateia, a personagem Mary se questiona sobre qual o lugar ocupado pela mulher, sua situação e qual o contexto para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a maestria de sempre, Virginia Woolf </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">não se prende</span></a><span style="font-weight: 400;"> a uma só linha de pensamento, e seu fluxo engaja o leitor nas mais diversas situações. Ela nos conduz à época de Shakespeare, para se questionar o porquê da hipotética irmã do dramaturgo, tão talentosa quanto ele, não ter feito o mesmo sucesso; para as universidades e núcleos em comum dos escritores, em que as autoras são a minoria e vistas como uma anomalia; e até dentro de casa, para lembrar do motivo pelo qual elas já começam em </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/disparidade-no-reconhecimento-das-mulheres-no-meio-editorial/"><span style="font-weight: 400;">desvantagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, em primeiro lugar. A resposta? Elas necessitam de um teto todo seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com foco na Literatura de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a condição social a qual as mulheres são renegadas, o de tarefas domésticas, submissão e falta de controle sobre a própria produção, que as impõe limitações &#8211; ou de escrever, ou de publicar, ou de serem reconhecidas por seus trabalhos. Fato é: não se trata das autoras produzirem menos porque não têm capacidade, mas sim porque estão incumbidas de outras obrigações, forçadas a elas. Como a famosa citação de </span><a href="https://www.rafaellarique.com.br/virginia-woolf-a-escritora-que-revolucionou-a-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> ecoa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><b>&#8211; </b><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26012" aria-describedby="caption-attachment-26012" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26012 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Conversas entre amigos. A capa é cor verde-água e mostra o desenho de duas mulheres brancas de costas, fumando. A primeira tem cabelos compridos escuros e soltos, está de costas, usa uma blusa bege e segura um cigarro aceso na mão esquerda. A outra está de costas, mas com a cabeça virada para a esquerda, tem cabelos presos em um rabo de cavalo e usa óculos escuros, também segurando um cigarro. Ao topo da imagem lemos uma frase em branco, com a assinatura do The Sunday Times em preto. Ao centro, lemos em branco Conversas entre amigos, e em preto Sally Rooney. No meio e na extremidade esquerda, está o selo da editora Alfaguara, em branco." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1200x1872.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26012" class="wp-caption-text">Publicado no Brasil em 2017 pela Alfaguara, o primeiro livro de Sally Rooney também foi traduzido por Débora Landsberg (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Conversas entre amigos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando decide escrever fazendo uso da primeira pessoa, a irlandesa dona do livro do mês de janeiro revela as vísceras de sua Literatura. Em </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, Rooney investiga as fervorosas relações de Frances e Bobby, duas adultas de 21 anos que namoraram no passado, mas hoje são boas e melhores amigas. Entre as rotinas de estudos e da vida social, a dupla vai de encontro a um casal mais velho, e faíscas surgem. A mão de Rooney, de forma sagaz, guia seu leitor, adentrando temas de traição e paixão, mas sem sentenciar seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Bobby cultiva uma relação de admiração e fascínio por Melissa, Frances se encanta por Nick, um ator de trinta anos que acaba dando bola para ela. A partir dessa premissa, Sally Rooney nos mostra que </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/12/01/conversas-entre-amigos-sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, não importa o que seja. No meio termo entre o sagaz e o virtuoso, o livro pode não alcançar o patamar de honestidade dos outros romances da autora, mas em meio aos amores, temores e desejos ele detém charme o suficiente. Em breve, chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/tv/series/conversas-entre-amigos-adaptacao-do-romance-de-sally-rooney-ganha-primeiro-trailer-cheio-de-cenas-quentes-assista/"><span style="font-weight: 400;">adaptação em formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, com Jemima Kirke e Joe Alwyn no elenco.  </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26013" aria-describedby="caption-attachment-26013" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26013 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo sobre o amor, de bell hooks. A imagem tem fundo laranja-avermelhado vibrante e o nome da autora aparece em letras garrafais grandes e roxas, preenchendo os primeiros dois terços da capa, de um extremo ao outro, levemente inclinado na diagonal. Na linha inferior, está o nome do livro, na mesma estilização anterior, mas com a fonte um pouco menor e colorido em amarelo claro. Embaixo do título do livro, na mesma estilização porém em tamanho ainda menor, está escrito “novas perspectivas”, em branco." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-768x1173.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-1006x1536.jpg 1006w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26013" class="wp-caption-text">“No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.” (Foto: Editora Elefante)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Tudo sobre o amor (272 páginas, Elefante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, se Connell e Marianne pudessem ter acesso aos estudos de bell hooks sobre o amor… A história de </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria bem diferente e o trabalho de Sally Rooney teria outro rumo. No lançamento brasileiro mais recente da autora, que há pouco descansou de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">vasta e revolucionária colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o entendimento do nosso mundo, o tema mais amplo da humanidade é analisado sobre cada um de seus aspectos principais, através do olhar crítico e sábio da pessoa mais qualificada para o fazê-lo. Longe de se restringir ao amor como manifestação meramente romântica, idealizada ou sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende a vastidão de seu tema de forma revolucionária &#8211; assim como tudo o que </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 13 capítulos, a estudiosa transcende qualquer leitura já realizada sobre o amor, palavra que remete a algo tão subjetivo e sempre está presente na experiência humana, respeitando a sua complexidade mas tratando-o de forma prática &#8211; que em momento algum deixa de ser profunda. É difícil explicar uma leitura dessa magnitude, cujo tema se desdobra ainda em mais dois livros, que juntos, formam a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/14/bell-hooks-amor-e-coletivo-politico-e-etica-de-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Formação obrigatória para todo e qualquer ser humano que se relaciona com outros seres humanos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-Bell-Hooks/dp/6587235247/ref=asc_df_6587235247/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=430976266970&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=11509159530272386220&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1031984&amp;hvtargid=pla-1182608021006&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores joias que bell hooks nos deixou. E assim como ela defende o entendimento do </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/para-abrir-o-coracao"><span style="font-weight: 400;">amor como ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro é mais uma de suas formas de transformar o mundo em que vivemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<p><figure id="attachment_26014" aria-describedby="caption-attachment-26014" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26014 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Maus. Ela possui um fundo cinza, com a presença de um círculo branco com o símbolo de uma suástica que tem, ao centro, o desenho de um gato, com traços que remetem aos de Adolf Hitler. Na parte inferior, um pouco à frente desse círculo, há o desenho de dois ratos: o da esquerda vestindo um casaco azul, e o da direita um casaco amarelo. Na parte superior, está escrito “História completa” em fonte na cor amarela e, abaixo, está escrito “Maus” em fonte grande na cor vermelha. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26014" class="wp-caption-text">Apesar do enorme sucesso, Art Spiegelman já recusou várias ofertas para <a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/maus-por-que-art-spiegelman-autor-da-hq-nao-quer-adaptacao-para-filme/">transformar a obra em filme</a>, afirmando que a narrativa é melhor servida como um livro (e ele não mentiu) [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><b>Art Spiegelman &#8211; Maus (296 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um dos grandes clássicos contemporâneos das histórias em quadrinhos, já tendo angariado o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura, em 1992, sendo a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cumprir esse feito. Dividido em duas partes, com a primeira lançada em 1986 e a segunda em 1991, a obra de Art Spiegelman retrata episódios do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivenciados por seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Para dar luz aos seus relatos, o desenhista aposta em representações, ilustrando os judeus como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. Mesmo com esse simbólico aspecto animalesco configurado aos componentes da trama, não é possível desassociar a frieza de seus atos cruelmente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa acompanha as declarações de Vladek sobre esse período, as constantes fugas dele e de sua esposa Anja, as tristes despedidas e, por fim, os difíceis dias no campo de concentração. Junto a isso, mostra também os atritos familiares entre pai e filho, que evidenciam as marcas deixadas por esse capítulo de sua vida. Apesar do enorme peso carregado pelos acontecimentos, Spiegelman não cede a qualquer apelo emocional para conduzir a obra, retratando a </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/maus-hq-de-art-spiegelman-e-proibida-em-escolas-dos-eua/"><span style="font-weight: 400;">dureza nua e crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquela realidade vivida por milhões de pessoas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro não apenas sobre as atrocidades ocorridas durante o Holocausto, mas, principalmente, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">dores e cicatrizes carregadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por todos aqueles que têm páginas da memória de sua família rasgadas por uma das maiores tragédias da história da humanidade. Cicatrizes essas complemente impassíveis de serem minimizadas, ou sequer discutidas em qualquer </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/quem-e-monark-apresentador-do-flow-podcast-que-coleciona-polemicas.htm"><span style="font-weight: 400;">conversa de bar</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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