Legião Urbana XXX anos: Ainda é cedo para dizer adeus

Criticidade, emoção e nostalgia marcaram a passagem da banda por Bauru

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Tão correto e tão bonito: Legião Urbana em ação na cidade de Bauru (Foto: Rogério Avelino/JCNET)

Heloísa Manduca

Um show clássico e atual, foi assim que a banda Legião Urbana marcou presença pela primeira vez na noite bauruense do último  17 de setembro, no Sagae Eventos. O espetáculo faz parte do projeto especial que a banda começou em 2015, com previsão de término para este ano, sendo uma comemoração dos 30 anos do lançamento do seu primeiro disco. Com capa branca e uma foto enegrecida dos integrantes, o álbum homônimo foi lançado em 1985 contendo 11 faixas, tais como: ‘Será’, ‘A Dança’, ‘Geração Coca-Cola’, ‘Soldados’ e ‘Por enquanto’.

No público do show, jovens, adultos e até os mais experientes aguardavam ansiosamente para ver, ouvir e curtir aquela legião de garotos que fizeram história e que ainda arrastam gerações. O relógio já marcava quase meia noite, as luzes coloridas acenderam e o show começou explosivo com ‘Será’. A onda de emoções era intensa: um misto de felicidade e nostalgia contaminava a todos fazendo com que as lembranças viessem à tona para serem revividas naquele momento único.

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Geração Coca-Cola: capa do primeiro álbum do grupo

No palco, os fundadores Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocaram acompanhados de Lucas Vasconcellos na segunda guitarra, Mauro Berman no baixo e Roberto Pollo nos teclados. João Pedro Bonfá, filho do Marcelo Bonfá, empunhou o baixo e André Frateschi foi quem assumiu o vocal. Um autêntico legionário que cumpriu o papel com muito respeito e à altura do ícone Renato Russo, André cresceu no camarim da banda e foi um dos que acompanhou de perto as apresentações da Legião desde que tinha 10 anos.

O repertório foi longo e abrangente, com as mais de duas horas de apresentação sendo divididas em duas partes com pequeno intervalo. Em um primeiro momento, todas as músicas do primeiro álbum da banda foram tocadas, fazendo com que fosse relembrado o clima daqueles quatro jovens garotos vindos de Brasília, com melodias punks e letras politizadas que mal podiam presumir o incrível sucesso que fariam.

Após o intervalo, reestabelecendo o clima intenso do show, Marcelo Bonfá quase que fez um dueto com a plateia ao som de ‘Tempo Perdido’. Agora, o fundo do palco, que antes era preenchido por fotos da tribo, teve as letras das músicas e a história da banda sendo projetadas. Sem perder o tom de crítica, Dado Villa-Lobos trouxe ‘Teatro dos Vampiros’ questionando a plateia sobre quem assiste à televisão. A música foi apresentada pela primeira vez em 1992, época em que a novela ‘Vamp’ estava no seu auge. A letra tem uma forte crítica ao contexto político, social e econômico que o país estava vivendo – sugere que os vampiros sejam os políticos, e o teatro, o papel que eles estavam interpretando.

Seguindo, o grupo levou o público ao delírio ao tocar ‘Pais e Filhos’. Em cada verso era possível sentir Renato Russo, perceber a retratação do passado e presente dos membros da banda que ontem faziam seus papéis de filhos, e hoje, estão fazendo o de pais. A áurea dos tempos de adolescência foi retratada. ‘Quase sem querer’ trouxe um clima de reflexão sobre o amor e os conflitos internos normalmente passados por nós na idade em que os nervos estão “à flor da pele”.

O tom crítico do show chegava no seu ápice. Após colocarem em cena a ironia disfarçada de “Índios”, Legião premiou o público em dose dupla encerrando sua apresentação. Escritas há cerca de 20 anos atrás, ‘Perfeição’ e ‘Que país é esse’ encerraram a noite sendo a cereja do bolo, com a certeza de que suas letras refletem tão bem o contexto de quando foram escritas quanto a nossa situação sociopolítica atual.

Por fim, tudo era uma grande celebração. No palco, os cantores se revezavam enquanto faziam brincadeiras com a plateia, corriam, pulavam de um lado para o outro e simulavam uma “disputa” com os seus instrumentos de corda. Uma festa quase completa: só faltou mesmo Renato Russo.

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