Estou Pensando em Acabar com Tudo, lançamento da Netflix, é a adaptação do livro homônimo escrito por Iain Reid (Foto: Reprodução)
Caio Machado
Charlie Kaufman é mais conhecido por roteirizar filmes que hoje assumiram o status de cult, como Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Quero Ser John Malkovich. Como diretor, é lembrado por Sinédoque, Nova York e Anomalisa, animação indicada ao Oscar em 2016. Suas obras possuem características marcantes, como a originalidade, o uso da metalinguagem e a discussão de temas existencialistas por meio de protagonistas sempre angustiados. A inquietude reina e é raro ver um de seus personagens em paz. Em Estou Pensando em Acabar com Tudo, seu novo filme no qual assume a direção e roteiro, é possível identificar todas essas particularidades. Entretanto, também é revelada a fragilidade de seu trabalho como diretor.Continue lendo “Estou Pensando Em Acabar com Tudo é um filme limitado”
Imagem de divulgação da terceira temporada de Glow (Foto: Netflix/Reprodução)
Ellen Sayuri
Sabe quando você está sem nada para fazer e decide assistir uma série, mas não sabe se continua alguma ou começa outra? Eu estava assim e depois de muito tempo vasculhando o catálogo da Netflix, escolhi uma original dela chamada Glow, e me surpreendi muito. Criação de Liz Flahive e Carly Mensch e inspirada em um programa chamado Gorgeous Ladies of Wrestling (Garotas Lindas da Luta Livre) – GLOW, criado por David McLane nos anos 80.
Carlos Drummond de Andrade uma vez questionou: “o que pode uma criatura senão,/ entre criaturas, amar?”. O que pode então o homem, como criatura que é, senão amar e transformar esse amor em arte? Assim como Drummond discorre, sobre esse sentimento que é entrega e adoração, em Heartbreak Weather (2020) Niall Horan nos presenteia com seus poemas e sua ode ao amor e ao romantismo dignos de Shakespeare. Seu segundo álbum solo, lançado em março, atravessa inúmeras histórias, perspectivas e reviravoltas tão intrínsecas e típicas do amor, quase como em uma releitura moderna do romantismo de Goethe e Byron.
Issa Rae, mente por trás de Insecure, é uma das protagonista do videoclipe Moonlight de Jay-Z, que parodia o seriado Friends (Foto: Reprodução)
Vitor Evangelista
A quarta temporada de Insecure representa o extremo oposto do título da série. Cada vez mais confiante da história que quer contar, e como contá-la, a faz-tudo Issa Rae transforma os dez episódios do ano em ouro. As vivências de sua personagem principal, também chamada Issa, resvalam em temas comuns do mundo adulto da TV, e não, não estou falando (apenas) das cenas à quatro paredes. Insecure recebe esse rótulo de ‘série adulta’ muito mais por saber trabalhar algumas constantes deste período da vida: é muito difícil estar certo, é complicado ser feliz e, o mais relevante, a perfeição não existe.
Desde sua criação, o Boogarins permanece inquieto, nunca estagnado. A banda goiana imprime, em cada movimento que faz, um recorte da essência que compõe os corpos de seus integrantes. Mesmo que comparada com nomes como Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra, eles sabem que vão muito além da neo-psicodelia. É uma espécie de música transcendental, algo desconexo e intenso, mas puramente honesto. Isso é visto em seus shows, onde faixas de três minutos viram grandes sessões de dez minutos e toda a energia que ali habita explode na catarse das improvisações, como em Desvio Onírico (2018), EP ao vivo do grupo. Os LP’s passam a ser carcaças completamente diferentes entre si, porém que carregam a mesma mística única das texturas e camadas sonoras da alma dos membros. O que prevalece é a beleza da primeira ideia, nua, crua e imperfeita por definição, como visto nos ruidosos sucessos Lucifernandis e Foimal.
Manchaca Vol. 1 (A Compilation Of Boogarins Memories Dreams Demos And Outtakes From Austin, Tx) nasce da tentativa de manter todo esse movimento em tempos de quarentena. Se nos shows eles expandem o som em níveis espirituais, nos discos eles se concentram e o manipulam em colagens e rasgos sônicos para dizer exatamente do que se trata o tal do Boogarins. Sendo assim, é óbvio que existam milhares de experimentos durante as gravações. E, como o próprio nome diz, o álbum é a compilação de tudo que se originou do período de maior efervescência criativa da banda, nas gravações doLá Vem A Morte (2017) e Sombrou Dúvida (2019), e serviu como demo ou ficou guardado no baú.
A primeira temporada de Canada’s Drag Race terminou mais amarga do que deveria. Apesar do início extremamente promissor e dos episódios que facilmente desbancam as edições mais recentes da versão americana, o cansaço causado pelos apresentadores de primeira viagem e a constante imitação dos trejeitos de RuPaul Charles mostram que o problema do sequilho só é parcialmente pela quantidade de goiabada. A falta de consistência do trio da bancada não foi um empecilho só para as competidoras. Dez episódios depois, a franquia nos relembra que Drag Race premia muito mais o barulhento e chamativo do que o melhor histórico.
El Camino chegou com o objetivo de mostrar tudo que aconteceu com Jesse Pinkman imediatamente após os eventos do perfeito episódio final de Breaking Bad. Exibido em 2013, em Felina, Jesse consegue, com a ajuda de Walter White e seus estratagemas, escapar com vida e fugir. Trata-se, portanto, de uma sequência e epílogo do seriado da AMC, que entrega o mesmo clima tenso e cheio de adrenalina com uma boa dose de drama e pitadas de humor.
The Crown retrata aspectos da vida e reinado da Rainha Elizabeth II, e compõe o catálogo de originais da Netflix (Foto: Reprodução)
Jamily Rigonatto
Regras e protocolos fazem parte da pose da Rainha Elizabeth II. Com seus 94 anos de idade, a grande personalidade britânica representa a nação inglesa e carrega a coroa há mais de 60 anos. Sempre aparentando neutralidade e rigidez, a monarca é conhecida no mundo todo, e é alvo de diversas teorias da conspiração e especulações. Misturando sua vida pessoal com história e política, a série biográfica The Crown foi lançada em novembro de 2016, e agora chega à sua terceira temporada.
Cinco anos após a estreia de sua última temporada, o legado de Glee continua vivo e mostrando que é muito mais do que as tragédias que o cercam.
A icônica frase “E foi isso que você perdeu em Glee” era entoada pelo narrador da série a cada novo episódio, para resumir os últimos acontecimentos do show (Foto: Divulgação/Fox)
Luize de Paula
A verdade é que nunca haverá nenhuma série como Glee. Desde Nashville, passando por Brilhante Victória e até mesmo novas produções como High School Musical: O Musical: A Série, Glee (criação de Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan)nunca será apenas um programa de televisão, mas um fenômeno cultural. Mesmo cinco anos após a estreia de seu último episódio, os Tik Toks, perfis no Twitter e podcasts (inclusive dos próprios atores) zoando cenas, tramas e momentos da série fizeram com que ela saísse de núcleos específicos das redes sociais e encontrasse o público geral.
“Todos nós vamos morrer. Eu não controlo isso. Mas eu posso controlar como serei lembrada, o que deixarei para trás” (Foto: Reprodução)
Anna Clara Leandro Candido
Madam C. J. Walker foi a primeira mulher negra a se tornar milionária por conta própria na história dos Estados Unidos. Filha de escravos, nascida poucos anos depois da abolição e mãe aos 18 anos, Sarah Breedlove– nome de nascença da empresária – fez sucesso ao vender produtos para cabelos negros numa época onde o racismo e o machismo ditavam o cotidiano de uma população.
Essa tão aclamada e importante figura de empoderamento negro e feminino só foi ganhar uma adaptação de sua história esse ano pela Netflix. Produzida por DeMane Davis, Eric Oberland e Lena Cordina, a minissérie Self Made, que ganhou o título nacional A Vida e a História de Madam C. J. Walker, chegou para levar a história de Sarah ao mundo televisivo. A produção foca em sua jornada empreendedora e utiliza de vários recursos do drama para trazer uma linda história de superação e luta, atando-se a alguns pontos verdadeiros da obra original, mas deixando muitos outros de lado.