Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada

Cena do filme Frankenstein Na imagem, o personagem Frankenstein está no canto direito, olhando para a mesma direção, com o rosto virado. Ele veste um casaco de pele escura e capuz. No rosto, ele usa uma faixa que cobre boca e nariz. Pequenos flocos de neve caem. Sua pele tem tom esverdeado e possui costuras. Na esquerda, uma luz laranja ilumina o personagem, que está em um cenário noturno.
O filme foi exibido no Festival de Veneza e recebeu 14 minutos de aplausos (Foto: Netflix)

Davi Marcelgo

O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do stop motion à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. Frankenstein, que faz parte da seção Apresentação Especial na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, prossegue a parceria de Guillermo del Toro com a Netflix em mais um filme que adapta um clássico da literatura sobre um ser trazido à vida com todos os símbolos que remetem ao Cinema do artista.  Continue lendo “Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada”

Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo

Cena do filme Pobres Criaturas. A personagem Bella Baxter (branca e com os cabelos pretos e compridos até o quadril e as sobrancelhas cheias) está vestindo ombreiras grandes em azul claro sobre a blusa branca, combinadas com um shorts alto amarelo claro. A personagem olha para cima com um olhar curioso. Atrás dela, a cidade é decorada com o comércio de pães e outros alimentos na rua
Pobres Criaturas prova que histórias livres para imaginar, ousar e ser um pouco estranhas ainda movimentam audiências (Foto: Searchlight Pictures)

Giovanna Freisinger

Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência”. Essas são as palavras de Bella Baxter em Pobres Criaturas após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano Pobres Criaturas de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por Tony McNamara, a nova obra de Yorgos Lanthimos é um banquete sensorial. 

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Rua do Medo: 1666 se lambuza nas entranhas do horror

Cena do filme Rua do Medo: 1666 - Parte 3. Na cena, vemos Deena e Sam se beijando. À direita, Deena é negra de pele clara, tem cabelos cacheados e usa uma regata amarela com detalhes listrado em azul, vermelho e amarelo. À esquerda, está Sam, branca e loira, usando jaqueta jeans. Elas estão em uma floresta com flores vermelhas ao redor.
Surfando na onda do horror queer, a retumbante trilogia Rua do Medo chega ao fim (Foto: Netflix)

Vitor Evangelista

A tarefa de finalizar uma franquia é um tanto quanto ingrata. A trilogia-relâmpago Rua do Medo, lançada em doses homeopáticas na Netflix, chega ao ápice revisitando o passado da maldita Sarah Fier, bruxa, áspera, pecadora. Para isso, a diretora Leigh Janiak retorna ao século dezessete, lar do paganismo, da culpa católica e do núcleo base do terror psicológico: o medo do diabo. Entre a prosa arcaica e o ato de revisitar grandes filmes do gênero, a máquina do tempo de Rua do Medo: 1666 funciona à perfeição. O ontem é vital, mas é no hoje que a porrada come. 

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