Madvillainy: o rap pode (e deve) ser divertido

Gabriel Leite Ferreira

Madvillainy, o primeiro e único álbum da dupla MF Doom e Madlib, completou 15 anos na última semana e poderia muito bem ter saído ontem. Especialmente em 2018, sua influência ressoou em alto e bom som no hip hop com o some rap songs de Earl Sweatshirt. A produção lo-fi, as canções sem refrão, as letras enigmáticas e o fluxo contínuo entre as faixas: um filho direto da obra-prima de 2004. Os vilões mais daora do pedaço nunca foram tão relevantes.

Continue lendo “Madvillainy: o rap pode (e deve) ser divertido”

O medo do outro em Us

(Foto: Reprodução)

Egberto Santana Nunes

Após o sucesso de Get Out, Jordan Peele e a audiência permaneceram em silêncio durante 2 anos na espera de um lampejo em sua mente criativa. Meses atrás, chegaram os pôsteres, trailers e a trilha sonora e junto deles, a expectativa aumentando. E então, a estréia mundial de Us finalmente  aconteceu, quebrando recordes de audiência e novamente reacendeu os debates sobre o gênero do horror no cinema.

Continue lendo “O medo do outro em Us”

Os 50 anos de um novo caminho para o Velvet Underground

O álbum, que completou 50 anos em 1 de março, serve como um divisor de águas no trabalho da banda, conduzida por Lou Reed. Rompendo com a rápida batida, o ritmo das músicas desacelera. É proposta uma nova perspectiva musical para o Velvet Underground.

(Foto: Reprodução)

Anna Araia

 O The Velvet Underground foi fundado em 1966, em Nova Iorque, com liderança de Lou Reed nos vocais e composição das músicas. Em pouco tempo o grupo foi descoberto pelo artista Andy Warhol, que realizou a capa do “disco da banana”. Na contramão da proposta inicial, The Velvet Underground, lançado em 1969, visava atrair o público mainstream alterando a abordagem de certos temas, a batida e a própria composição da banda. Por conta de diversos fatores, é considerado um LP morno, se comparado com os antecessores The Velvet Underground & Nico e White Light/White Heat.

Continue lendo “Os 50 anos de um novo caminho para o Velvet Underground”

Ladrão: o resgate das origens

Capa do disco Ladrão, do rapper Djonga. Liberado primeiramente no Youtube, o disco já se encontra disponível nas principais plataformas de streaming. (Foto: Reprodução)

Elder John

“Irmão, quem te roubou te chama de ladrão desde cedo. Ladrão. Então, peguemos de volta o que nos foi tirado. Mano, ou você faz isso ou seria em vão o que os nossos ancestrais teriam sangrado. De onde eu vim quase todos depende de mim. Todos temeram meu não, todos esperam meu sim. Do alto do morro, rezam pela minha vida. Do alto do prédio, pelo meu fim. Ladrão”

Pelo terceiro ano consecutivo, no dia 13 de março, Djonga lança mais um álbum. Heresia (2017), O menino que queria ser Deus (2018) e agora Ladrão (2019). Um processo muito rápido de aparição, amadurecimento e afirmação do artista. Hat-Trick perfeito.

A principal temática do disco é resgatar as origens. Não só saber onde quer chegar, mas principalmente, não esquecer de onde veio. Na letra de Bença, Djonga traz essa reflexão: “Então volte pras origem, é o colo de quem cê ama / Será que entende do que eu tô falando? Dessas coisa que deixa acesa a chama”.

Continue lendo “Ladrão: o resgate das origens”

Megarrromântico e a sátira dos clichês convencionais

(Fonte: Reprodução)

Rayanne Candido

Imagine que você acordou e em um piscar de olhos sua vida se tornou uma verdadeira comédia romântica. Insano, né? É exatamente sobre isso que Megarrrômantico, a nova produção original da Netflix, se trata.

Natalie (Rebel Wilson) é uma arquiteta completamente frustrada com sua vida profissional e amorosa. Realista, ela prefere manter os pés no chão e fugir de tudo aquilo que a tire de sua zona de conforto. Principalmente, se essas situações forem cheias de clichês dignos de comédias românticas – as quais ela detesta. No entanto, após uma pancada na cabeça, a protagonista percebe que está em uma realidade alternativa de seu mundo. Tudo tomou um ar mais romântico e, o que antes se mostrava insatisfatório, agora se eleva a uma perfeição quase cômica.

Continue lendo “Megarrromântico e a sátira dos clichês convencionais”

A atemporalidade crítica de Lily Allen: 10 anos de It’s Not Me, It’s You

(Foto/Reprodução)

Isabelle Tozzo e Leonardo Oliveira

Provavelmente 2009 foi um dos anos mais importantes para a música pop. Foi neste ano que ouvimos o álbum The Fame Monster da Gaga, em que Rihanna lançou o disco que viria a ser um dos mais significativos de sua carreira, Rated R; quando Black Eyed Peas nos apresentou a sonoridade eletrônica de The E.N.D. e que dançamos com a chiclete Tik Tok da Kesha. Grandes sucessos da época, depois de anos de saturação, hoje já nos traz um gostinho de nostalgia e até nos faz pensar “o pop era incrível e a gente não sabia”.

Neste mesmo ano, a crítica britânica só tinha olhares para uma pessoa: Lily Allen. E não à toa. Com It’s Not Me, It’s You, a inglesa nos mostrou como ser crítica, engraçada e única. Seu som conseguiu passar pelos anos sem tanto desgaste e isso o proporcionou a primazia de não ficar datado.

Continue lendo “A atemporalidade crítica de Lily Allen: 10 anos de It’s Not Me, It’s You”

Capitã Marvel é muita areia pro caminhãozinho dos fãs de filmes de herói

(Foto: Marvel Studios)

Lara Ignezli

No último longa lançado pela Marvel Studios antes da chegada do esperado Vingadores: Ultimato, somos apresentados à combate Vers, da raça alienígena  Kree. No enredo, acompanhamos sua transformação em Capitã Marvel, carregando o título do filme e o elo no Universo Cinematográfico do estúdio. A história começa quando a protagonista já adquiriu os super-poderes e durante o desenvolvimento do filme seu passado vai sendo revelado através de flashbacks sobre sua vida humana, como a pilota de avião Carol Danvers. Duas raças da Casa das Ideias estão em guerra, os Kree e os Skrull, e é em uma das missões para o povo Kree que Carol tem o primeiro contato com o planeta Terra e com agentes já conhecidos da S.H.I.E.L.D.

Continue lendo “Capitã Marvel é muita areia pro caminhãozinho dos fãs de filmes de herói”

O retorno dos Jonas Brothers: um recomeço sempre vale a pena

O videoclipe de “Sucker” conta com a participação das companheiras dos irmãos Jonas. Da esquerda para a direita: Danielle Jonas e Kevin Jonas, Sophie Turner (Jonas) e Joe Jonas, e Pryanka Chopra Jonas e Nick Jonas. (Reprodução)

Júlia Paes de Arruda

O mês de março já começou com uma notícia que aqueceu o coração de muita gente. Os Jonas Brothers voltaram oficialmente após 6 anos de separação e já lançaram seu primeiro single de reunião, Sucker, que já tem mais de 40 milhões de visualizações no YouTube. A notícia foi dada através do Carpool Karaoke, um programa que James Carden entrevista artistas e canta junto com eles. O trio voltou muito mais amadurecido, deixando qualquer resquício da sua “era Disney” para trás.

Continue lendo “O retorno dos Jonas Brothers: um recomeço sempre vale a pena”

The Umbrella Academy é tudo que os filmes dos X-Men falharam em ser

Um dos pontos altos de Umbrella Academy é o tiroteio ao som de Don’t Stop Me Now, do Queen (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Dentre as grandes equipes, a franquia dos mutantes da Marvel é a mais desgastada nos cinemas. Diversas adaptações, correções de rumo, escalação de novos atores. Os X-Men nunca tiveram sorte nas telonas e, junto disso, nenhuma de suas trilogias conseguiu enfatizar o cerne de sua origem: o sentimento de família. Isso anotado, a Netflix (de mal com a Marvel) inaugura sua trupe disfuncional – e super-heróica, em The Umbrella Academy, seriado que lida com traumas humanos num ambiente em que macacos falam e robôs são mães.

Continue lendo “The Umbrella Academy é tudo que os filmes dos X-Men falharam em ser”

Nasce Uma Estrela triunfa ao cantar a verdade do amor de seus personagens

Dando nova roupagem a uma quarta versão do mesmo conto de apaixonados, o longa estreia de direção de Bradley Cooper transmite todo o amor que precisa. Ao lado de Lady Gaga, o ator-barra-diretor é maestro de um espetáculo musical que emociona em seus momentos mais íntimos.

Essa é a quarta versão do clássico que já teve filmes lançados em 1937, 1954 e 1976 (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Jackson Maine (Cooper) é um rockstar a la country já em fim de carreira. Na saída de um de seus shows, ele acaba num bar de drags e encontra o (angelical) talento escondido de Ally (Gaga). A garçonete logo cai nas graças do barbudo e eles embarcam numa caminhada conjunta em direção ao estrelato. Como nem tudo são flores (poucas coisas são), a ascensão de Ally implica no definhamento de Maine.

Continue lendo “Nasce Uma Estrela triunfa ao cantar a verdade do amor de seus personagens”