Something Beautiful: quando a realização artística de Miley Cyrus pesa mais que a perfeição

Texto Alt: Miley Cyrus aparece de frente, com o rosto envolto por fios translúcidos e brilhantes, iluminados por uma luz forte ao fundo. O fundo é escuro, criando um efeito dramático e etéreo. Flávia Ferracini
A capa do nono álbum de estúdio de Miley Cyrus revela sua ambição estética em Something Beautiful (Foto: ⓒ GLEN LUCHFORD)

Flávia Ferracini

Depois do sucesso estrondoso de Flowers, faixa central de Endless Summer Vacation (2023), Miley Cyrus entrega Something Beautiful, um de seus projetos mais introspectivos até aqui. Trata-se de uma tentativa consciente de se afastar de uma performance puramente pop e se aproximar de uma experiência mais pessoal e autoral. É um trabalho que nasce menos da necessidade de reafirmação comercial e mais do desejo de realização artística – algo que a própria Miley já afirmou ser um objetivo antigo em sua carreira.

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Ego Death At A Bachelorette Party é o grito de independência definitivo de Hayley Williams

Texto Alternativo: Capa do álbum Ego Death At A Bachelorette Party. Na imagem em preto e branco, Hayley Williams, mulher branca vestindo um suéter, aparece com a mão no rosto e olhar sereno para frente. Há o contorno amarelo de um quadrado apenas ao redor da face de Williams. Uma sombra abrange o plano de fundo da esquerda à direita.
Hayley Williams está indicada na categoria ‘Melhor Álbum de Música Alternativa’ no Grammy 2026 com Ego Death At A Bachelorette Party (Foto: Post Atlantic Records)

André Aguiar

Em dezembro de 2024, Hayley Williams questionava suas motivações artísticas e as direções que sua carreira tomaria. Ao encerrar um contrato abusivo de 20 anos com a Atlantic Records e fundar o próprio selo independente, Post Atlantic, a artista encara uma estante repleta de possibilidades longe da banda em hiato Paramore, na qual atua como vocalista, compositora e instrumentista. Mesmo tendo o grupo de The Only Exception e Still Into You desde a adolescência como plataforma para vocalizar suas crises e triunfos enquanto mulher na indústria da música, Williams ainda carecia de liberar um brado ensurdecedor sem que ninguém a podasse.

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From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável

Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. A imagem mostra uma composição abstrata de líquidos em tons de rosa, preto e branco espalhados sobre uma superfície, formando ondas, bolhas e camadas irregulares. No centro da imagem, há um pequeno símbolo circular branco, contrastando com o fundo orgânico e fluido.
From Zero é o disco mais vendido do Linkin Park no Brasil, obtendo a marca de 120 mil cópias vendidas (Foto: Warner Records)

Gabriel Diaz

Havia sinais de exaustão emocional em torno de Chester Bennington, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de uma perda que abalaria não apenas o Linkin Park, mas uma geração inteira do rock. One More Light (2017), lançado pouco antes de sua morte, já soava como uma carta de despedida não intencional: era um álbum frágil, exposto, muitas vezes incompreendido, contudo emocionalmente direto. 

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15 anos de Shrek para Sempre: revolução, família e amor são tudo aquilo que Shrek oferece

Fotografia de Shrek, ogro verde careca, Fiona, uma ogra de cabelo vermelho trançado e seus três filhos, bebês também ogros, dois meninos nas pontas e uma menina no centro. Shrek e Fiona vestem roupas marrom e bege, respectivamente. Ambos sorriem um para o outro enquanto seus filhos interagem entre si, também sorridentes.
A saga é uma adaptação do livro infantil Shrek, publicado pelo autor norte-americano William Steig (Foto: DreamWorks Animation)

Alice Burégio 

Toda criança já assistiu Shrek para Sempre. Dirigido por Mike Mitchell e escrito por Josh Klausner e Darren Lemke, é perceptível o impacto cultural e social que esse filme tem, mesmo depois de 15 anos de seu lançamento. De certa forma, a obra traz algumas lições de moral ao longo de sua extensão, sobre como as aparências não descrevem aquilo que arde no interior da pessoa, por exemplo, ideia muito explorada na saga da DreamWorks. 

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Após eternizá-lo na história, Senna: O brasileiro, O herói, O campeão, completa 15 anos

A foto evidencia um piloto sentado dentro de um carro de corrida, com expressão séria e concentrada, enquanto um membro da equipe ajusta algo próximo ao cockpit e segura um capacete colorido. O veículo exibe patrocínios em destaque, e o ambiente ao redor sugere os preparativos intensos antes de uma prova.
Senna conquistou 80 pódios na F1, sendo mais da metade deles no primeiro lugar (Foto: Paramount Pictures)

Livia Queiroz

Em abril de 1994, o Brasil abriu uma ferida que nunca mais se fecharia, da qual apenas poderia ser amenizada pelo passar do tempo. Ayrton Senna da Silva, o herói do Brasil, morreu em um trágico acidente no Grande Prêmio de Ímola, na Itália. O piloto era um dos maiores – se não o maior – nomes do esporte brasileiro na época, e querido por todo o seu país. E para relembrar e aquecer a saudade que o povo carrega, há 15 anos, foi lançado o documentário Senna: O brasileiro, O herói, O campeão. A obra, dirigida por Asif Kapadia, venceu em 2010 o BAFTA por Melhor Documentário. 

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Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa

Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente.
Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)

Marcela Jardim

Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.

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Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa

Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida.
Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)

Guilherme Moraes

Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.

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Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator

Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada.
O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.

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No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto

Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras.
A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no Festival do Rio – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.

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Os Dardenne e o olhar de dignidade sobre a maternidade precoce em Jovens Mães

Uma cena em plano médio mostra uma área comum de um abrigo. Uma mulher vestindo um jaleco branco segura uma prancheta e conversa com uma jovem negra de jaqueta vermelha. Ao fundo, outras três jovens brancas estão presentes: uma sentada segurando um bebê no colo, uma em pé visivelmente grávida, e outra sentada à mesa olhando para a direita. O ambiente é doméstico e iluminado por luz natural.
O filme observa o cotidiano do abrigo em Liège, onde o cuidado profissional e as políticas públicas oferecem suporte à realidade complexa (Foto: Vitrine Filmes)

Arthur Caires

A câmera dos irmãos Dardenne se aproxima com discrição em Jovens Mães. O objetivo não é espetacularizar a maternidade precoce, mas acompanhá-la. O filme observa adolescentes que ainda estão aprendendo a existir enquanto já assumem a responsabilidade de cuidar de outra vida. O cotidiano do abrigo, os choros, os silêncios e os olhares cansados constroem uma história que prefere escutar do que impactar. Não há esforço em emocionar o espectador; há a escolha de permanecer próximo dessas jovens.

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