Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo

Vencedores do Grammy Latino apresentam show envolvente e cheio de groove no Sesc Bauru

Registro do show de Os Garotin. À esquerda da imagem, com perspectiva da lateral do palco, o trio está na plataforma sob uma iluminação azul. Cupertino toca guitarra. À direita, os fãs assistem à apresentação. Alguns levantando o smartphone para tirar fotos e gravar vídeos.
A turnê Força da Juventude marca um período crucial na carreira do trio de São Gonçalo, após vitória no Grammy e aclamação de grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso (Foto: Talita Mutti)

Talita Mutti e André Aguiar

Na última quinta-feira (15), o trio carioca Os Garotin se apresentou no Sesc Bauru com um show composto, principalmente, pelos destaques do disco mais recente do grupo, FORÇA DA JUVENTUDE (2026). Um pouco depois das 20h, o ginásio do Sesc estava cheio de fãs apaixonados, com as letras sensuais da banda na ponta da língua e prontos para dançar no que durou aproximadamente uma hora e 15 minutos de apresentação.

O show é uma versão adaptada do que os gonçalenses Anchietx, Cupertino e Léo Guima fazem na turnê Força Da Juventude – que passa por quatro capitais no mês de outubro: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Nas poucas datas em cidades do interior paulista e do nordeste, Os Garotin tocam com banda reduzida, mas sem perder o carisma e o charme das músicas, que já fazem metade do trabalho.

Sobre a recepção do público ao novo repertório, Os Garotin comentam em entrevista ao Persona que: “todo mundo sabe cantar tudo no show. Vem uma nostalgia do álbum que foi lançado no passado, da nossa carreira solo. Então, a galera tem cantado tudo”, afirma Leo Guima, minutos antes de isso se provar verdade e sucessos como calor do momento e curva escura ressoarem em coro nas arquibancadas do ginásio.

Registro do show de Os Garotin. A imagem mostra, da esquerda para a direita, Cupertino tocando guitarra, Leo Guima e Anchietx. A iluminação do palco mescla tons de verde e amarelo. Alguns fãs à frente levantam as mãos.
Durante o show, o trio faz algumas coreografias simples sincronizadas, imitando grupos de vocalistas do soul e black music estadunidenses das décadas de 1960 e 1970 (Foto: Talita Mutti)

O outro álbum mencionado por Leo é OS GAROTIN DE SÃO GONÇALO (2024), vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, categoria a qual disputavam contra grandes nomes da nova geração de artistas brasileiros, como Jão, Luísa Sonza, IZA e Melly. O projeto foi essencial para pavimentar a sonoridade que mistura R&B, soul, e MPB, lapidando o diferencial da banda.

De acordo com Cupertino, a pressão para criar algo maior e melhor depois de uma conquista como essa é real, no entanto, superável: “O primeiro álbum é um álbum que foi super bem-quisto, aí veio uma pressão. Mas eu acho que a gente lida bem com ela, e não deixa isso influenciar na hora de fazer música”, comenta. “Eu acho que a gente tem um jeito de compor, respeitando muito a música. A gente tem muito tempo para as inspirações, para as ideias, para falar sobre isso, e vamos fazendo com o nosso coração. Isso não pode mudar nunca, é uma fórmula sagrada”, acrescenta Leo. 

As músicas do disco de estreia ainda são as que mais puxam energia, tanto dos três vocalistas quanto dos fãs – queda livre, por exemplo, é um bis infalível. Ainda assim, as novas faixas de FORÇA DA JUVENTUDE são uma contribuição muito bem-vinda à setlist. Perguntados sobre qual composição é o ponto alto do show, Os Garotin respondem em consenso: “soul brasileiro, considerando o momento que a gente tá vivendo agora”. 

 Registro do show de Os Garotin. Sobre o palco estão o trio, o baterista Felipão e o baixista Júlio Raposo. O palco tem iluminação mais avermelhada, com uma imagem projetada no telão, que mostra um mural com elementos que fazem referência à estética do álbum Força da Juventude. É possível ver alguns celulares gravando o show.
Colaborações com BK, Marina Sena, Liniker, Lenine e Arthur Verocai mostram versatilidade musical do novo disco (Foto: Talita Mutti)

Para os menos familiarizados, “soul brasileiro” pode soar como o título de mais um groove sambado e envolvente dos cariocas, mas só quem estava no Sesc Bauru semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 pôde experimentar do subtexto mais profundo da faixa. Uma letra sobre a importância de se reconhecer brasileiro, se expandiu para uma reflexão coletiva a respeito da proteção à democracia e à Arte brasileira.

Enquanto o refrão final de soul brasileiro encontrava a pista, a audiência respondia em um mar de L’s feitos com as mãos, aplausos e gritos. Antes da música seguinte, Anchietx aproveitou o momento para discursar e incentivar os fãs a irem às urnas no próximo dia 25 e exercer seu direito ao voto. Ao repetir a frase “isso é a força da juventude” algumas vezes, estar ali deixou de ser apenas lazer, tornando-se um lembrete do que de fato está em jogo no cenário político do país nestes próximos dias.

Anchietx, Cupertino e Leo esbanjam talento. Durante o show, cada um tem sua hora de brilhar, seja através de seus respectivos solos ou em outras frentes que exibem para os fãs. Anchietx tem um número de dança de alguns minutos no meio da apresentação, por exemplo, e Cupertino assume a guitarra em músicas específicas também. Para quem busca arte consciente, qualidade musical e carisma à potência máxima, o saldo é mais que positivo.

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