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	<title>Arquivos Intrínseca &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Março de 2024</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 20:29:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável, agradável, afável. E esses são apenas os ‘As’. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.”  — A menina que roubava livros No universo dos livros, o feminino assume diversas formas e possibilidades. Seja através da histórica objetificação pelos autores homens, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Março de 2024"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33175" aria-describedby="caption-attachment-33175" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/estantemarco.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/estantemarco.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/estantemarco-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/estantemarco-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33175" class="wp-caption-text">As vozes femininas da Literatura marcaram o mês de Março (Texto de Abertura: Nathalia Tetzner/Artes: Aryadne Xavier e Gabriela Bita)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável, agradável, afável. E esses são apenas os ‘As’. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.”</p>
<p style="text-align: right;"> — A menina que roubava livros</p>
</blockquote>
<p>No universo dos livros, o feminino assume diversas formas e possibilidades. Seja através da <a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/">histórica</a> objetificação pelos autores homens, do ato de roubar a cena mesmo quando a narrativa é secundária ou da tão sonhada materialização como protagonista,  as personagens mulheres sempre trazem um dimensionismo inigualável para as tramas.</p>
<p>Em pleno mês de Março, período em que celebramos o Dia Internacional da Mulher – ainda marcado pelas lutas por direitos iguais em 2024 –, o<strong> Persona</strong> coloca em destaque as vozes femininas da <a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/#google_vignette">Literatura</a> atual.  Debatendo amor, autoconfiança, gênero, desejos e prazeres, os livros selecionados revelam o melhor das autoras mais influentes do século.</p>
<p data-pm-slice="1 1 []">Partindo de romances leves, passando por estreias até obras que trazem perspectivas históricas sobre o feminismo, a Editoria ressalta a batalha por um mundo mais justo no maior estilo <a href="https://personaunesp.com.br/?s=girl+power"><em>girl power</em></a>. Confira abaixo a nossa curadoria de obras escritas por mulheres que engrandecem o debate nesse mês especial.</p>
<p><span id="more-32951"></span></p>
<h3><strong>Dicas do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_32953" aria-describedby="caption-attachment-32953" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/livro1.jpg" alt="Capa do livro Melhor do que nos filmes, de Lynn Painter. Fundo amarelo, com título em letras grandes em azul e o nome da autora, centralizado em baixo, em vermelho claro. No canto inferior direito está o símbolo da editora em preto e vermelho. Há quatro casais desenhados na capa. O primeiro, no canto superior esquerdo, é um homem de moletom azul, calças pretas e tênis branco que segura uma mulher de vestido amarelo e sapatos pretos no colo, uma das pernas dela está levantada. O segundo casal, no canto superior direito, é um homem de calça e camiseta escuros e tênis branco, ele segura uma mulher de vestido com detalhes vermelhos e salto alto acima de sua cabeça, ela mantém os braços e pernas esticados. O casal no canto inferior esquerdo se beija, ele de moletom e calças escuros e tênis branco e ela de moletom, shorts e meias cinzas. No canto inferior direito há um homem de calça escura, camiseta e tênis branco e camisa cinza segurando um rádio acima de sua cabeça, na frente do homem está uma mulher de calça branca, blusa azul e tênis vermelho. A mulher tem cabelo alaranjado e o homem tem cabelo preto em todos os desenhos." width="670" height="1005" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/livro1.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/livro1-533x800.jpg 533w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32953" class="wp-caption-text">A busca pelo felizes para sempre é muito melhor do que nos filmes (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Lynn Painter &#8211; Melhor do que nos filmes (340 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes de romance, roupas </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;">, vizinho irritante, paixão de infância, </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Precisa de mais alguma coisa? </span><a href="https://lynnpainter.com/"><span style="font-weight: 400;">Lynn Painter</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos apresenta Elizabeth Buxbaum e seu vizinho e arqui-inimigo declarado, Wesley Bennett. Mas o que é uma briga pela única vaga de estacionamento na frente de suas casas perto de um plano mirabolante para conquistar uma antiga paixão de Painter?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma leitura leve e romântica, que nos mostra que nem tudo é o que parece e que a paixão pode estar onde menos se espera. </span><a href="https://exame.com/pop/fenomeno-do-booktok-melhor-que-nos-filmes-de-lynn-painter-ganha-edicao-em-portugues/"><span style="font-weight: 400;">Sucesso no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a história de Liz e Wes conquistou admiradores, muitos fãs de Taylor Swift e apreciadores de clássicos da comédia romântica. Uma aventura envolvente em busca do ‘felizes para sempre’. </span><b>&#8211; Agata Bueno</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32957" aria-describedby="caption-attachment-32957" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/aurora1.jpg" alt="Capa do livro Aurora: O Despertar da Mulher Exausta. O fundo da capa é todo na cor bege claro. Seguindo a capa de cima para baixo, temos o título ‘Aurora’ centralizado em letras grossas e, logo abaixo, ‘O Despertar da Mulher Exausta’ na mesma fonte em letras finas, com um círculo de destaque na palavra ‘despertar’. Em seguida, temos um quadrado rosa com flores em contraste dentro dele. Com a mesma fonte fina de antes, temos a frase ‘Da mesma criadora de OBVIOUS’ e o nome da autora ‘Marcela Ceribelli’. O logo da editora Harper Collins está logo abaixo." width="690" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/aurora1.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/aurora1-552x800.jpg 552w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32957" class="wp-caption-text">“As mulheres que são melhores nesse ato de desaparecimento recebem os maiores elogios: ela é tão altruísta. Você pode imaginar? O epítome da feminilidade é perder-se completamente.” (Foto: Harper Collins)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Ceribelli &#8211; Aurora: O Despertar da Mulher Exausta (</b><b>288 páginas</b><b>, Harper Collins) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Famosa pelos seus episódios semanais do </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Obvious </span></i><span style="font-weight: 400;">e todas suas postagens </span><i><span style="font-weight: 400;">aesthetic</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">sobre esportes, amor e até signos, </span><a href="https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/marcela-ceribelli-e-o-poder-do-conteudo-engajador-para-impactar-o-publico-feminino"><span style="font-weight: 400;">Marcela Ceribelli</span></a><span style="font-weight: 400;"> não era novidade em nossa página inicial do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, ao aventurar-se pelo mundo literário, nos surpreendemos com suas palavras: assim como ouvi-la sempre foi um prazer, ler as páginas de Ceribelli foi incrivelmente familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Denominado como auto-ajuda com uma pegada bem mais informal – quase uma conversa com uma melhor amiga ou irmã mais velha –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aurora: O Despertar da Mulher Exausta</span></i><span style="font-weight: 400;"> divide-se em blocos para abordar o amor, a auto aceitação, confiança, personalidade e felicidade para mulheres modernas. Aqui, não importa se você é da década de 90 ou nasceu com a era </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, todos os conselhos e capítulos fluem tão bem que você irá se sentir em um episódio de </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/podcast/podcast-da-semana/marcela-ceribelli-as-mulheres-nao-estao-infelizes-elas-estao-exaustas/"><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.  </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32956" aria-describedby="caption-attachment-32956" style="width: 332px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/a-mulher-desiludida-1.jpg" alt="Capa do livro A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir. Ela é composta por uma ilustração de uma mulher branca, com cabelos curtos na cor preta e que veste uma camiseta de manga longa preta. Ela está sentada e com o rosto apoiado em uma das mãos. Seu braço está em cima do que parece um piano marrom, e a cor da parede é cinza. No lado esquerdo vemos o nome da autora em letras brancas; logo abaixo, o nome do livro em letras amarelas e em caixa alta. Mais abaixo, está escrito “prefácio”, em caixa alta e um pouco menor, e “Andréa Pachá”, ambos em letras brancas. No canto inferior esquerdo está o símbolo da Coleção Clássicos de Ouro, que é um círculo preto com uma fina borda amarela; no centro, vemos a letra C maiúscula e uma pequena estrela no espaço que ele forma, ambos na cor amarela. Ao redor, está escrito “Coleção Clássicos de Ouro”, em caixa alta e na cor amarela." width="332" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32956" class="wp-caption-text">“Como viver sem acreditar em nada, nem em mim mesma?” (Foto: Nova Fronteira)</figcaption></figure>
<p><b>Simone de Beauvoir &#8211; A mulher desiludida (176 páginas, Nova Fronteira)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém nasce mulher: torna-se mulher</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa célebre frase caracteriza não só o nome de </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/pensamento-filosofico-feminista-de-beauvoir/"><span style="font-weight: 400;">Simone de Beauvoir</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas todo o trabalho dela. Considerada como uma das maiores teóricas do feminismo moderno, a escritora francesa abordou temas que, até então, eram menosprezados e vistos como não políticos, o que suscitou questionamentos e mostrou o caminho para a mudança. </span><i><span style="font-weight: 400;">A mulher desiludida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma de suas principais obras e um grande exemplo de como algumas situações nunca deixam de estar presentes na vida de uma mulher, seja na década de 1960 ou 2020.</span></p>
<p><a href="https://www.novafronteira.com.br/a-mulher-desiludida"><i><span style="font-weight: 400;">A mulher desiludida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> reúne três histórias independentes e todas elas giram em torno de uma protagonista que lida com algum tipo de perda, literal ou simbólica. Com isso, elas também passam a sofrer com a perda de suas próprias identidades, refletindo sobre a condição da mulher e seu papel numa sociedade ainda dominada por homens. Sensível e visceral, essa é uma leitura que exige um coração aberto e empático para compreender a solidão dessas personagens que ainda vivem entre (e dentro de) nós. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32955" aria-describedby="caption-attachment-32955" style="width: 1044px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/irmaoutsider1.jpg" alt="Capa do livro Irmã Outsider. Ao centro, alinhado à esquerda, está escrito o nome da autora, Audre Lorde, na cor verde. Logo abaixo, está o título do livro, Irmã Outsider, na cor branca. Em letras menores e posicionado abaixo do título, está escrito “Ensaios e Conferências” em verde. No canto inferior esquerdo, está o nome da editora, Autêntica, em branco. No canto inferior direito, está escrito “Tradução: Stephanie Borges” em branco. O fundo da imagem é composto por uma foto texturizada e na cor roxa de Audre Lorde, uma mulher adulta negra de cabelo curto preto." width="1044" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/irmaoutsider1.jpg 1044w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/irmaoutsider1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/irmaoutsider1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/irmaoutsider1-768x1103.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32955" class="wp-caption-text">Em Irmã Outsider, nada é mais poderoso do que contestar a uniformidade (Foto: Autêntica)</figcaption></figure>
<p><b>Audre Lorde &#8211; Irmã Outsider (240 páginas, Autêntica)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">E quando eles aparecerem para me derrubar, não irá demorar a que apareçam para derrubar você</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é o rasgo sutil de garganta expresso ao final de um dos </span><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7546135/mod_resource/content/2/nao%20existe%20hierarquia%20de%20opressao.pdf"><span style="font-weight: 400;">textos</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes no compilado </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmã Outsider</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora a linguagem escrita seja silenciosa aos ouvidos, é impossível não escutar um estrondo no córtex sinalizando o parto e o renascimento de memórias. Estas, aliás, compreendem vidas inevitavelmente revolucionárias de mulheres que rejeitaram ser uma coisa só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Autêntica</span></i><span style="font-weight: 400;">, a coletânea de obras de Audre Lorde – mulher, negra, lésbica, feminista, socialista, poeta e mãe de duas crianças – é uma ode às diferenças que, sim, ocupam um espaço significativo em qualquer parágrafo. E a isso dizemos: amém. Cada palavra escrita, falada, cantada ou beijada é uma fração de histórias que estão sendo, enfim, contadas, seja na troca sugestiva de olhares, na conversa íntima noturna ou nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmã Outsider</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em terra de </span><i><span style="font-weight: 400;">girl power</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem questiona a branquitude, o capitalismo e a heteronormatividade é </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/em+terra+de+cego+quem+tem+olho+%E9+rei/"><span style="font-weight: 400;">rainha</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32954" aria-describedby="caption-attachment-32954" style="width: 661px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/fim1.jpg" alt="Capa do livro Fim, de Fernanda Torres. A capa é uma vista aérea da praia, com vários guarda-sóis vermelhos, brancos, verdes e azuis e pessoas espalhadas pela cena. Em segundo plano à imagem, há o título do livro no centro. Logo abaixo, no canto esquerdo, vem o nome da escritora. No canto superior direito está a logo da Editora Companhia das Letras." width="661" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/fim1.jpg 661w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/fim1-529x800.jpg 529w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32954" class="wp-caption-text">Fim retrata as muitas histórias desse Brasil (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Fernanda Torres &#8211; Fim (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fernanda Torres, que é aclamadíssima como atriz, também mostra o seu talento em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/fim/3113"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançado em 2013. O livro narra as histórias de vida e amizades cruzadas de cinco homens: Álvaro, Neto, Ciro, Ribeiro e Sílvio. Ambientado em diversas épocas do Rio de Janeiro – entre drogas, bebidas, desejos, confissões, traições e manipulações –, a obra é um drama reflexivo, ainda mais pelo diferencial do  início dos capítulos serem o último dia de vida dos personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado como </span><a href="https://globoplay.globo.com/fim/t/m7GrpwBpnM/"><span style="font-weight: 400;">série</span></a><span style="font-weight: 400;"> original da Globoplay em 2023, o leitor se sente parte da obra porque tem toda essa ambientação próxima a ele pelos diferentes períodos retratados. Fernanda Torres escreve fluidamente e cria uma amarração na história em que, em algumas passagens, sentimos raiva pelos acontecimentos e logo depois compaixão. Com isso, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923599/fim"><i><span style="font-weight: 400;">Fim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma criação bem interessante que, entre os diversos personagens que se encontram e desencontram, vale a pena a sua leitura. </span><b>&#8211; Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32952" aria-describedby="caption-attachment-32952" style="width: 867px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32952" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Quando-Me-Descobri-Negra.jpg" alt="Capa do livro: Quando me Descobri Negra, de Bianca Santana. A capa possui um fundo preto na qual existe o traçado branco de uma mulher. É possível ver flores saindo de sua cabeça. Ao centro, o título está destacado em laranja, juntamente com o nome da autora." width="867" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Quando-Me-Descobri-Negra.jpg 867w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Quando-Me-Descobri-Negra-694x800.jpg 694w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Quando-Me-Descobri-Negra-768x886.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32952" class="wp-caption-text">Bianca Santana nos relembra de nosso potencial resiliente e inspirador. (Foto: SESI-SP)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Santana &#8211; Quando Me Descobri Negra (96 páginas, SESI-SP)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao retratar a sua história nestas noventa e seis páginas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UmdvaGQH5kU&amp;t=4s"><span style="font-weight: 400;">Bianca Santana</span></a><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de si mesma, mas também sobre as vivências de grande parte das mulheres brasileiras no quesito das questões raciais. Permeando desde a sua infância, indo até o reconhecimento da própria negritude já na vida adulta, a autora questiona de que maneira tenta-se diminuir e apagar a memória de um povo injustiçado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como as micro agressões cotidianas, diferença salarial e violência policial, o racismo é escancarado por todas as partes. Apesar da </span><a href="https://veja.abril.com.br/comportamento/bianca-santana-reflete-sobre-o-racismo-que-ainda-adoece-e-mata-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">dura realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> expressada em seus escritos, existe também uma beleza iminente em sua auto descoberta e aceitação, relembrando a enorme força e autenticidade de quem teve e ainda tem que se reinventar diariamente.  </span><b>&#8211; Rebecca Ramos</b></p>
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		<title>5 anos depois, O Homem de Giz ainda desenha homens palito na história do mistério literário</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 20:30:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabrielli Natividade Em 1986, cinco crianças encontram um corpo mutilado na floresta cercado por homens palito desenhados com giz, um crime que mudaria o rumo da cidade de Anderbury. Essa é a premissa de O Homem de Giz, livro de C. J. Tudor lançado há cinco anos, em 2018, que se tornou um título muito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-de-giz-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, O Homem de Giz ainda desenha homens palito na história do mistério literário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32128" aria-describedby="caption-attachment-32128" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32128" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-1-2.jpg" alt=" Ilustração de O Homem de Giz. No centro de um fundo preto que imita um quadro negro é possível ver um homem palito desenhado em giz branco enforcado. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-1-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-1-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32128" class="wp-caption-text">A obra aniversariante dá ao leitor um caso de assassinato difícil de desvendar (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Gabrielli Natividade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1986, cinco crianças encontram um corpo mutilado na floresta cercado por homens palito desenhados com giz, um crime que mudaria o rumo da cidade de Anderbury. Essa é a premissa de </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/o-homem-de-giz-cj-tudor/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro de C. J. Tudor lançado há cinco anos, em 2018, que se tornou um título muito popular entre os amantes de </span><a href="https://emporiodolivro.com.br/livros-de-misterio/"><span style="font-weight: 400;">mistério</span></a><span style="font-weight: 400;">. A narrativa cheia de reviravoltas faz com que o leitor mergulhe com interesse nas páginas para desvendar o caso de assassinato. Como um bom exemplo do gênero, ninguém está a salvo &#8211; todos os personagens têm seus motivos para se tornarem suspeitos desse crime hediondo. </span></p>
<p><span id="more-32126"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Chalk Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o primeiro livro publicado por </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;">. A britânica é, desde sempre, admiradora do sombrio e do mistério e, sendo fã de escritores como </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;"> e James Herbert, não foi realmente uma surpresa quando começou a lançar suas próprias histórias nesse estilo. O suspense que flerta com o sobrenatural de seus livros é uma referência direta de suas inspirações. Seus outros títulos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O que aconteceu com Annie</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019), </span><i><span style="font-weight: 400;">Garotas em chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) e </span><i><span style="font-weight: 400;">As outras pessoas </span></i><span style="font-weight: 400;">(2020) seguem essa mesma linha de crime, assassinato e desaparecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da obra ter estreado há cinco anos, é uma história atemporal que tem potencial para se tornar um clássico. O mistério é um gênero que nunca sai de moda e crianças que resolvem casos que parecem sem solução é um estilo com histórico de agradar o público. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conta Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1986), </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) são exemplos de que, independente do ano de lançamento, narrativas desse tipo ainda têm seu valor e influenciam novos projetos a todo tempo. Da mesma forma que Tudor se inspirou em outros artistas, seu trabalho pode se tornar exemplo para outras pessoas no futuro. </span></p>
<figure id="attachment_32127" aria-describedby="caption-attachment-32127" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-scaled.jpg" alt="C. J. Tudor. A mulher branca, de olhos castanhos, blusa preta de mangas compridas e cabelo bem curto platinado sorri para a foto no centro da imagem. Em suas mãos está um exemplar de O Homem de Giz, capa preta com o homem palito enforcado desenhado em giz branco e o título na mesma textura. Ela usa um colar, algumas pulseiras e anéis simples, está sentada em uma cadeira de madeira escura. Atrás de si há uma parede branca e um móvel também de madeira escura com vários livros em cima.  " width="2560" height="1645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-800x514.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-1024x658.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-768x494.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-1536x987.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-2048x1316.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMAGEM-2-2-1200x771.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32127" class="wp-caption-text">Vale a pena conferir os outros trabalhos da escritora de mão cheia que entregou essa obra envolvente (Foto: Filipe Amorim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um fator que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão interessante é a narração em primeira pessoa em que Eddie conta toda a história sobre os acontecimentos. O que torna esse recurso atrativo é que o leitor deve escolher confiar ou não nos fatos relatados, considerando que podem estar distorcidos pela visão limitada. A obra tem apenas um ponto de vista, portanto não se sabe se tudo que é dito é verdade ou apenas suposições. Um narrador em primeira pessoa sempre pode mentir para favorecer a si mesmo, sendo uma aventura ler o que ele tem a dizer. Outros grandes clássicos usam essa ferramenta, como </span><a href="https://www.raphaelmontes.com.br/jantar-secreto"><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://www.minhavidaliteraria.com.br/2020/05/29/resenha-verity-colleen-hoover/"><i><span style="font-weight: 400;">Verity</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra característica importante do livro é a história dividida em duas linhas temporais intercaladas, uma se passando em 1986 e outra em 2016. Torna-se difícil se desprender da narrativa quando os capítulos não apresentam respostas lineares, ou seja, é uma estratégia que realmente atiça o </span><a href="https://www.minhavidaliteraria.com.br/2020/05/29/resenha-verity-colleen-hoover/"><span style="font-weight: 400;">interesse do leitor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o faz querer mergulhar cada vez mais. A dupla linha temporal também mostra claramente como o assassinato e os homens de giz tiveram impacto na vida dos personagens, que foram de crianças com sonhos e uma amizade forte para adultos traumatizados e com problemas. As pessoas mudam com o passar do tempo e isso fica claro na obra. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CJ Tudor - Influence for The Chalk Man" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/P07dnm3t4e8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cinco anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> não perdeu o seu charme e, até hoje, continua a conquistar fãs para si e para o gênero de mistério. Suas 334 páginas são bem desenvolvidas e, mesmo que o final seja um divisor de águas entre os que amam e os que odeiam, a obra vale a pena pela narrativa </span><a href="https://livroecafe.com/2014/10/os-livros-mais-assustadores-de-todos-os-tempos/"><span style="font-weight: 400;">sombria</span></a><span style="font-weight: 400;"> e intrigante, além dos personagens que carregam suas complexidades cativantes. A história é capaz, ao longo de todos os capítulos, de fazer com que o leitor fique faminto por respostas e novas informações, e com medo de um inocente pedacinho de giz branco. </span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="auto, (max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
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<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
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<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Os Melhores Livros de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 23:22:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no Persona. A parceria com a Companhia das Letras recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30219" aria-describedby="caption-attachment-30219" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30219 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30219" class="wp-caption-text">Entre o melhor da Literatura em 2022, tivemos a tradução da obra póstuma de David Foster Wallace, novas edições de Shirley Jackson e o romance de estreia de Jarid Arraes (Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. A parceria com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em eventos literários, como o Nobel de Literatura, e nosso Clube de Leitura e Estante do Persona se revitalizaram. Como um balanço do que foi o ano passado para o projeto – e para a Literatura no mundo –, chegamos com </span><b>Os Melhores Livros de 2022</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos dias 2 ao 10 de Julho, membros da nossa Editoria cobriram a 26ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andréa Del Fuego</span></a><span style="font-weight: 400;">, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de Paulina Chiziane e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento, na verdade, teve dupla celebração: além do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">centenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do único escritor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura, 2022 também marcou o bicentenário da Independência do Brasil. Dessa forma, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum, e contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Maio, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">publicou a tradução</span><i><span style="font-weight: 400;"> O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance póstumo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2012 e que estava em processo de tradução desde 2014. Pela mesma casa editorial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">, do húngaro László Krasznahorkai, finalmente chegou ao mercado editorial brasileiro. Eterno favorito ao Nobel de Literatura, esse é o primeiro livro do autor publicado no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, falando da premiação, 2022 foi o ano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escritora francesa foi a grande vencedora do Nobel de Literatura, e foi tema do nosso Clube do Livro meses antes de sua consagração. Em Novembro, ela veio ao Brasil para participar da Festa Literária de Paraty (Flip), onde dividiu uma mesa com Geovani Martins, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além das entrevistas com os escritores </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/"><span style="font-weight: 400;">Tobias Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> também foi representado no </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i> <a href="https://open.spotify.com/episode/1dOTIWtNNlDelSVX5VXmVd?si=5c66a84ee3a34f81"><i><span style="font-weight: 400;">Clube</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Rádio Companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, no papo sobre os 10 anos de lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Galera.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você confere a lista das obras que marcaram os membros da Editoria e nossos colaboradores no ano de 2022, com gêneros e estilos para todos os gostos. Seja qual for a sua escolha, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> segue defendendo a pluralidade, irreverência e emancipação propiciada pelos livros. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-30157"></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30182" aria-describedby="caption-attachment-30182" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30182 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30182" class="wp-caption-text">Chegando ao Brasil em 2022 pela editora Fósforo, O Acontecimento foi primeiramente publicado na França nos anos 2000 (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux – O Acontecimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que vale é a qualidade e não a quantidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa frase serve para definir a ponta do </span><i><span style="font-weight: 400;">iceberg</span></i><span style="font-weight: 400;"> da catarse que Annie Ernaux provoca com suas meras 80 páginas na obra </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambientado em 1963, o livro possui caráter autobiográfico, trazendo a passagem de quando, aos 23 anos, a autora engravidou, contra seu desejo, de seu namorado à época. Quarenta anos depois, Ernaux usa toda a força para destrinchar o capítulo de vida em que, sozinha, buscou meios para realizar o aborto de maneira clandestina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma mulher faz aborto sorrindo, e </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das principais vozes feministas da contemporaneidade, para esclarecer toda a profundeza de sentimentos envolvidos, se arma de seu bem maior: as palavras. Aqui não existe a intenção de criar um teatro ou trazer subjetividade em relação às escolhas feitas sob o próprio corpo; a autora é direta e honesta em contar publicamente sua história. Acima disso, a imersão criada pela análise de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva o leitor a refletir sobre como as leis imperam nos corpos femininos. Esse dom e coragem de Annie Ernaux na produção de textos tão crus e carregados de uma verdade ímpar, ao mesmo tempo comum a sociedade, a tornou vencedora do </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/10/06/escritora-francesa-annie-ernaux-ganha-nobel-de-literatura.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30166" aria-describedby="caption-attachment-30166" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30166 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Manifesto. A capa mostra uma pintura da autora Bernardine Evaristo do peito para cima. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos pretos, vestindo uma camisa rosa clara e uma jaqueta vinho. Na parte superior central, vemos as palavras “da autora de garota, mulher, outras”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Na parte inferior central, vemos as palavras “manifesto” e, abaixo, “sobre nunca desistir”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Abaixo, alinhado à esquerda, vemos as palavras “bernardine evaristo”, em uma fonte sem serifa, em caixa alta e em um tom esverdeado claro. À direita, vemos o logo da Companhia das Letras em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30166" class="wp-caption-text">Pela tradução de Camila von Holdefer, um diário de Bernardine Evaristo ganha corpo em Manifesto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Manifesto: Sobre nunca desistir</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consolidada autora de ficção e não-ficção, professora de escrita criativa e presidente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Royal Society of Literature</span></i><span style="font-weight: 400;">, a principal organização literária da Grã-Bretanha, em 2019 Bernardine Evaristo se consagrou no mercado editorial com o troféu do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/10/15/margaret-atwood-e-bernardine-evaristo-recebem-booker-prize.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o maior prestígio da literatura inglesa, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota, Mulher, Outras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Muito antes da fama e dos louros, a escritora britânica era uma iniciante como qualquer autor, o que ela narra no livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto: Sobre nunca desistir</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Evaristo percorre os caminhos que a levaram a sua literatura atual: seu modo de escrita, suas convicções acerca do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/entenda-como-bernardine-evaristo-ganha-o-mundo-com-livros-sem-se-curvar-a-regras.shtml"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas inspirações mudaram desde que saiu da casa de sua grande família, e a influenciaram a compor sua prosa como é hoje. Atingindo seu ápice ao mergulhar mais profundamente do que o leitor testemunha na leitura, a inglesa perpassa o que, antes de pegar o papel e caneta, a formou como pessoa.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, literalmente, o manifesto de Bernardine Evaristo. De origem nigeriana, a autora repassa seus anos de criança e adolescência, vivendo em uma casa com muitos irmãos e pouca individualidade, e descobrindo sua própria identidade &#8211; aqui, tanto como mulher negra, filha de mãe branca, quanto sua orientação sexual, ideologia política e social. Sensível, sincero e direto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Manifesto: Sobre nunca desistir </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece uma janela aberta a vida de uma das mais importantes e </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-06-12/bernardine-evaristo-o-black-lives-matter-e-o-metoo-ja-mudaram-a-sociedade.html"><span style="font-weight: 400;">relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escritoras contemporâneas vivas. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30197" aria-describedby="caption-attachment-30197" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30197 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg" alt="Capa do livro A Vergonha. Na capa está uma foto em preto e branco dos pais de Annie. Ao redor há blocos retangulares coloridos em azul, roxo, vermelho, amarelo e verde. Cada um desses blocos abriga uma palavra: A está no azul; Vergonha está no roxo; Annie está no vermelho; Ernaux está no amarelo; e Fósforo, o nome da editora, está no verde" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30197" class="wp-caption-text">Em A Vergonha, a ganhadora do Nobel de Literatura de 2022 desvenda as próprias relações familiares (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; A Vergonha</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criadora da </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/o-reconhecimento-as-autossociobiografias-de-annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">autossociobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">, Annie Ernaux, já se mostrou uma mestre em contar histórias da própria vida de um jeito cru e subversivo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora não abandona esse viés e traduz milimetricamente os eventos que rodearam sua infância. Vivendo na Normandia com 12 anos, o livro começa com um evento traumático ocorrido em uma tarde de domingo na casa dela e, a partir disso, somos expostos a desenrolares absurdos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é contado com ritmo permanente e com uma clássica mistura de reflexão e literalidade, já conhecidas em outros textos de Annie, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem precisar de recursos dramáticos, a obra – traduzida por Marília Garcia – nos coloca no cerne das coisas que constróem a tal </span><i><span style="font-weight: 400;">vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">na forma de um constrangimento acerca do próprio existir. Assim, a leitura das 88 páginas nos dói, mesmo sem tal intenção. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um tiro, rápido e fatal. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30161" aria-describedby="caption-attachment-30161" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30161 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg" alt="" width="697" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-545x800.jpg 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-768x1128.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-1046x1536.jpg 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L.jpg 1731w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30161" class="wp-caption-text">O livro recebeu uma edição comemorativa de 10 anos, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (Edição Especial de 10 anos)</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211289/barba-ensopada-de-sangue-edicao-especial-de-10-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Barba Ensopada de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um professor de Educação Física sem nome, que viaja para Garopaba em busca de seu avô desaparecido, após o suicídio do pai. Essa história, porém, já possui mais de 10 anos. Em 2022, em comemoração a data, a obra recebeu uma edição especial comemorativa, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel. O interessante é perceber que, uma década depois, continua a ser um livro instigante e potente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temas como identidade, família, memória e morte são amplamente abordados na trama, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizando uma linguagem rica e poética para descrever as paisagens costeiras do sul do Brasil e a atmosfera opressiva e enigmática da história – seja com h minúsculo ou maiúsculo. Ao mesmo tempo, o romance também apresenta uma reflexão profunda sobre as relações humanas e as consequências do passado em vidas presentes. Leitura essencial para quem deseja se aprofundar na Literatura brasileira contemporânea. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30178" aria-describedby="caption-attachment-30178" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30178 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30178" class="wp-caption-text">O livro desmente muitos dos valores absolutos defendidos na sociedade capitalista (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Graeber &amp; David Wengrow &#8211; O despertar de tudo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse livro fascinante, escrito pelo antropólogo David Graeber e pelo arqueólogo David Wengrow, os autores propõem uma nova visão da história da humanidade. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211722/o-despertar-de-tudo"><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma crítica às teorias convencionais sobre a evolução humana, que supõem uma trajetória linear e progressiva rumo à civilização. Segundo os autores, a história da humanidade é muito mais complexa e multifacetada do que se imagina. Eles argumentam que a noção de &#8220;primitivismo&#8221; é equivocada e que as sociedades &#8220;primitivas&#8221; possuem formas de organização social e conhecimento que são tão complexas quanto as sociedades ocidentais modernas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/desigualdades/novas-historias-da-humanidade"><span style="font-weight: 400;">Graeber e Wengrow</span></a><span style="font-weight: 400;"> defendem que as sociedades humanas possuem uma capacidade inata de inovação e criatividade, e que a história da humanidade é marcada por momentos de despertar coletivo, nos quais novas ideias e práticas surgem e transformam a sociedade. Por meio de uma análise profunda da história da humanidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos convida a repensar nossas concepções sobre a natureza humana e a sociedade. Com uma visão mais plural e diversa da história, que valoriza as contribuições de todas as sociedades humanas, o livro nos inspira a buscar novas formas de convivência e desenvolvimento. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30177" aria-describedby="caption-attachment-30177" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo o Que Eu Sei Sobre o Amor. A capa é amarela e possui o título escrito em letras vermelhas. Alinhado à esquerda lê-se o título “tudo o que eu sei sobre festas, encontros, amigos, trabalho, a vida, o amor”, porém, as palavras “festas”, “encontros”, “amigos”, &quot;trabalho&quot;, “a vida” estão rabiscados por linhas azuis, de forma que “o amor” fica em evidência. Esse escrito ocupa quase toda a capa. Abaixo do título está escrito o nome da autora, Dolly Alderton em letras azuis. No canto inferior direito está o logotipo da editora intrínseca." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366.jpg 813w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30177" class="wp-caption-text">O livro Tudo o que eu sei sobre o Amor chegou no Brasil pela editora Intrínseca, traduzido por Ana Guadalupe (Foto: Anderson Junqueira/Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Dolly Alderton &#8211; Tudo o que eu sei sobre o Amor</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o que eu sei sobre o Amo</span></i><span style="font-weight: 400;">r é a autobiografia de </span><a href="https://dollyalderton.com/about/"><span style="font-weight: 400;">Dolly Alderton</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritora e jornalista britânica, que conta de forma divertida sua jornada de amadurecimento. O livro começa provocando a indagação “</span><i><span style="font-weight: 400;">que vidas malucas são essas?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas, ao longo dos capítulos, desperta a mais profunda identificação com aqueles que já foram, ou ainda são, jovens perdidos e </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/06/fenomeno-do-tiktok-tudo-o-que-eu-sei-sobre-o-amor-chega-as-livrarias-em-julho/"><span style="font-weight: 400;">apaixonados</span></a><span style="font-weight: 400;">. A leitura, que pode começar um pouco intrincada, adquire ritmo paulatinamente, até envolver o leitor numa história tão relacionável sobre as dores e as delícias de ser adulto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora registra todos os seus vacilos, egoísmos e aprendizados ao longo de seus vinte e poucos anos, de maneira sincera e irreverente, tal qual a personagem </span><a href="https://play.acast.com/s/sentimentalgarbage/introducing-sentimentalinthecity-withdollyalderton"><span style="font-weight: 400;">Carrie Bradshaw</span></a><span style="font-weight: 400;">, de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex and the City</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra também guarda semelhanças com o romance de Helen Fielding, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Bridget Jones </span></i><span style="font-weight: 400;">(1996), cuja diferença consiste no diário de Alderton não ter nada fictício. As crônicas da britânica, além de registrarem o que ela sabe sobre o amor, expõe os medos que acompanham a chegada da vida adulta. Em determinado ponto da narrativa, a autora assume o papel de amiga do leitor e o consola com o seu melhor ensinamento: “</span><i><span style="font-weight: 400;">pare de esperar as coisas acontecerem e preste atenção nas pessoas que já estão na sua vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O grande amor pelo qual você procura pode ser uma amizade, um parente, um trabalho e até mesmo o amor próprio. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_30190" aria-describedby="caption-attachment-30190" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30190 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro A Hipótese do Amor. Na capa há a ilustração de um casal se beijando. Ela é branca de cabelos castanhos claros, está vestindo um jaleco branco. Ele é branco, tem cabelos pretos e veste uma camisa social azul com gravata rosa. Ao fundo há materiais de laboratório. O título está centralizado em rosa na porção superior da capa. Na parte inferior há o nome da autora em letras azuis marinho." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30190" class="wp-caption-text">A Hipótese do Amor foi publicado em 2022 no Brasil, sob a tradução de Thaís Britto (Foto: Arqueiro)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Hazelwood &#8211; A Hipótese do Amor</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas coisas são calculáveis, tem suas respostas numericamente exatas prontas para serem registradas rotineiramente em um bloco de notas. Com os sentimentos não funciona assim, e as reações químicas do cérebro atuam como um segredo só dele. Com isso em mente, Ali Hazelwood retoma o clichê do </span><a href="https://capitulotreze.com.br/web-stories/romances-com-fake-dating/"><i><span style="font-weight: 400;">fake dating</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz isso da maneira mais doce possível em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma protagonista que não sabe afirmar o próprio potencial e um professor universitário em busca de aprovação, a conta dá resultados cientificamente surpreendentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olive Smith é estudante de doutorado em Biologia em </span><a href="https://personaunesp.com.br/legalmente-loira-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Stanford</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vê a Ciência como uma cadeia pronta e totalmente presa às probabilidades. Em uma tentativa inocente de juntar a melhor amiga, Anh, e Jeremy, é feito um combinado com o jovem professor Adam Carlsen. O romance é narrado em terceira pessoa e nos conta as perspectivas da personagem, enquanto todo o seu controle é perdido e ela acaba completamente apaixonada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar previsível, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g2wTXXjY1sg"><span style="font-weight: 400;">Ali</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue impor toda a sua originalidade em uma narrativa escrita de forma leve e muito fluida. Olive é demissexual e isso torna sua trajetória uma experiência intimista e completa. Outro destaque da obra é o jeito de construir os laços entre os personagens, pois a autora escolhe os caminhos que tornam as relações mais firmes.</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma leitura animadora para os dias nublados, um jeito de reconfortar o imaginário de quem navegava no </span><i><span style="font-weight: 400;">wattpad</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30165" aria-describedby="caption-attachment-30165" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30165 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última parada. A capa é uma ilustração de um vagão de metrô em tons de rosa, roxo e amarelo. Na parte superior, ao centro, vemos o logotipo da editora Seguinte. Abaixo, no centro, vemos as palavras “Última parada” escritas em branco, em uma fonte sem serifa estilizada. No centro da capa, vemos, à esquerda, a ilustração de uma jovem mulher asiática, de cabelos castanhos curtos e arrepiados, vestindo uma jaqueta de couro e camiseta branca. Do lado direito, vemos uma jovem mulher branca, de cabelos longos e castanhos claros, usando óculos escuros, jardineira preta e camiseta branca, e segurando um copo de café. As duas se encaram. Logo abaixo, na parte inferior central, vemos as palavras “da autora de Vermelho, branco e sangue azul” em uma letra sem serifa em caixa baixa, na cor amarelo. Abaixo, vemos as palavras “Casey McQuiston”, em um tom amarelado claro, em uma fonte sem serifa e em caixa alta." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30165" class="wp-caption-text">Pelas palavras do The New York Times, Última parada é “absolutamente brilhante” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jovem, cética e recém-chegada a Nova Iorque, August é confrontada com seus colegas de quarto calorosos e espirituosos. Quando se afeiçoa por Jane, com quem diariamente divide o mesmo vagão de metrô, a vida da garota vira &#8211; ainda mais &#8211; de cabeça para baixo. Isso porque a conhecida está presa no subterrâneo desde os anos 1970, sem escapatória e sem lembranças de suas aventuras passadas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">histórias de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> não são só românticas, tampouco passageiras quanto o ritmo do metrô.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Casey McQuiston, responsável pelo sucesso </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repete o feito da autora na obra anterior: ainda que por caminhos intensos, conduz os pensamentos de August de forma leve e divertida, identificável com quem, jovem adulto como ela, encara o mundo e as adversidades à frente. Os toques de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão um tom ainda mais renovador à trama: cheio de </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/07/12/a-diversidade-no-topo-da-lista"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sexualidade e os modos de vida </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial </span></i><span style="font-weight: 400;">dos personagens são subtextos animadores, que agregam à identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para uma experiência ainda mais envolvente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30191" aria-describedby="caption-attachment-30191" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30191 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Romance real. A capa é dividida em vários blocos retangulares coloridos, em cada um está ilustrado um elemento da narrativa. No primeiro está Diana fazendo sinal de guardar segredo, ela é branca com cabelos ruivos e veste um casaco caramelo sobre uma blusa verde água. Nos dois seguintes há uma coroa dourada e um avião. No próximo está Dayana, ela é negra de cabelos cacheados escuros, veste um casaco rosa e azul e usa fones de ouvido brancos. Abaixo há um bloco azul com o nome do livro escrito em branco. No primeiro espaço da porção inferior há um ônibus vermelho passando por Londres. O último é amarelo e tem o nome de Clara Alves grafado em azul." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30191" class="wp-caption-text">Já conhecida por Conectadas, Clara Alves voltou com mais um show de representatividade em Romance real (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Alves &#8211; Romance real</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realeza está batida e já saturou todas as partes do mercado cultural com suas narrativas, mas quando se fala no universo </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> todos os clichês têm passe livre para tomar lugar na mente de um público cujas possibilidades de amar sempre foram restringidas. Assim, Clara Alves chegou às livrarias com </span><i><span style="font-weight: 400;">Romance real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o chavão merecido pelos amores de contos de fadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dayana é fã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/take-me-home-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">One Direction</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e conhecer Londres é um dos seus sonhos, no entanto, as circunstâncias não são as melhores. A jovem acabou de perder a mãe e vai ter que fazer um reencontro com o pai que a abandonou 10 anos antes. Mas como a vida é uma caixa de surpresas, os caminhos ganham novos ares quando uma ruiva um tanto misteriosa chamada Diana cruza seu caminho e as duas passam a se desvendar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe da futilidade, abandono parental e luto são temáticas trabalhadas por toda a narrativa. </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clara</span></a><span style="font-weight: 400;"> também explora em Dayana a representatividade negra, gorda e bissexual, partindo por um rumo que salienta a importância de que personagens de todas as características merecem seu final feliz. Leve e encantador, o livro é um presente para o cenário nacional e mostra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">real</span></i><span style="font-weight: 400;">” tem mais de um significado.</span><b> – Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30162" aria-describedby="caption-attachment-30162" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30162 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30162" class="wp-caption-text">Traduzido por Caetano Galindo, O rei pálido foi finalista do prêmio Pulitzer de Ficção (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Foster Wallace &#8211; O rei pálido</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se ouve que </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/exibicionismo-a-contragosto"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a voz de uma geração, há um fundo de verdade quase cientificamente provável. A obra de um escritor é, geralmente, resultado da mistura entre o talento individual e a sociedade que o produz. Essa é a forma como a Literatura é feita – talvez seja até mesmo a maneira como toda a Arte é produzida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, romance póstumo do autor, guarda, naturalmente, semelhanças com </span><i><span style="font-weight: 400;">Oblivion </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004), última coletânea de contos lançada por ele ainda em vida, em que explora a natureza da realidade, sonhos, traumas e a dinâmica da consciência. Dessa maneira, o livro de 2011 (que chegou às prateleiras brasileiras em Maio de 2022) também examina a atividade da mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalista do </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2012/apr/17/pulitzer-prize-fiction-2012-withheld"><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2012, quatro anos depois do falecimento do autor, o robusto romance de 608 páginas narra a história de um grupo de pessoas que trabalham em um centro de processamento de declarações do imposto de renda em Illinois. Alguns dos personagens (Claude Sylvanshine, David Cusk, Lane Dean Jr. e Leonard Stecyk) se envolvem uns com os outros de várias maneiras, não obviamente consequentes. Dois deles se chamam David Wallace, e essa é toda a trama. Mas, embora seja previsível pensar que, tendo como ponto de partida uma investigação sobre o tédio, o romance possa oferecer um enredo tão tedioso, </span><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é, propriamente, “sobre” nada, pois Wallace não escreve sobre seus personagens, mas “através” deles. Levando a empatia explorada em suas obras anteriores a outros níveis, o romance é uma das melhores coisas já escritas na Ficção. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30174" aria-describedby="caption-attachment-30174" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30174 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg" alt="capa do livro Solitária, o título se encontra no meio, abaixo há uma xícara de chá e acima um livro de capa laranja" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30174" class="wp-caption-text">Eliana Alves Cruz traz reflexões sobre a relação do Brasil moderno e o escravagista (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Eliana Alves Cruz &#8211; Solitária</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas conquistam seu protagonismo em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212347/solitaria"><i><span style="font-weight: 400;">Solitária</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Eliana Alves Cruz. Eunice, que trabalha e mora em um condomínio de luxo, presenciou uma tragédia: a morte de uma criança. Com testemunho decisivo na solução do crime, ela conta com sua filha Mabel para colocar um ponto final no caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita com força e esmero, as vivências das domésticas são o grande foco da trama. Eliana usa seu texto bem construído para debater temas atuais e históricos, como as relações trabalhistas, diferenças de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/mulheres-negras-sao-65-das-trabalhadoras-domesticas-no-pais"><span style="font-weight: 400;">classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o papel de gênero. A autora não tem medo de ser direta, mas constrói uma narrativa doce quando necessário. </span><i><span style="font-weight: 400;">Solitária </span></i><span style="font-weight: 400;">traz não só uma boa história, como também amplia a reflexão. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30195" aria-describedby="caption-attachment-30195" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30195 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Corpo Desfeito. Na imagem há um fundo branco com bolinhas azuis e um chão roxo. Em pé aparece o corpo de uma mulher com meias vermelhas, vestido amarelo e casaco preto. Suas mãos mostram a pele negra descoberta. A ilustração parece estar se desfazendo.O título está na porção superior e o nome da autora na inferior, ambos estão grafados em branco" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30195" class="wp-caption-text">Em seu romance de estreia, Jarid Arraes, vencedora do Prêmio Biblioteca Nacional e finalista do Prêmio Jabuti, dilacera os efeitos da violência (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Jarid Arraes &#8211; Corpo Desfeito </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amanda vive em Juazeiro do Norte no interior do Ceará e faz parte da terceira geração de uma família cercada de abusos. Sua mãe Fabiana, a avó Marlene e o avô Jorge representam uma cadeia de processos violentos, capazes de afetar suas experiências por completo. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vJuQG5HTXr8"><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Desfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, esses personagens compõem uma história dolorosa e cheia de eventos absurdos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se antes da morte da mãe a convivência já era ruim, depois da partida de Fabiana e Jorge as coisas ficam insustentáveis. Presa a uma ideia </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">fanática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida, Marlene passa a cultuar a filha morta como se fosse uma santa e, assim, as abstenções se tornam a regra. A matriarca passa a propor comportamentos distantes das características mundanas e obriga Amanda a estar na mesma caixa, tornando a vida da jovem um grande fardo cheio de pressão e medo. </span></p>
<p><a href="https://jaridarraes.com/"><span style="font-weight: 400;">Jarid</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreve a narrativa com destreza e prende o leitor em cada um dos trechos. Apesar de abordar tópicos sensíveis, a curiosidade para entender até onde isso vai se mantém constante. Ainda é possível encontrar a leveza e equilíbrio no texto com a relação entre a protagonista e a amiga Jéssica, um laço transformado em sentimentos amorosos que ensolaram o enredo. Passeando sobre as consequências da violência na infância e adolescência, o fanatismo religioso e os limites das relações familiares,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Corpo Desfeito</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta uma história fictícia que poderia estar estampada em qualquer manchete de jornal. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30176" aria-describedby="caption-attachment-30176" style="width: 732px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30176 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg" alt="Capa do livro Estou Feliz que Minha Mãe Morreu, de Jennette McCurdy, publicado pela editora nVersos. Em um fundo de cor amarelo pastel, o título do livro se encontra no topo da capa na cor rosa pastel; logo em seguida, há uma linha incompleta na mesma cor. O nome da autora está em destaque e se encontra abaixo dessa linha na cor rosa bebê, com um sombreado na cor preta. Abaixo há um pequeno quadrado rosa centralizado na capa e, dentro dele, está uma imagem da autora. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo, deixando apenas a franja e alguns fios ao lado soltos. Ela veste um conjunto de camisa manga três-quartos e calça social na cor rosa bebê e segura uma urna para cinzas na mesma cor que o quadrado. Seu olhar está direcionado para o lado direito enquanto sorri com a boca fechada. No lado inferior da capa, está escrito o nome da editora na mesma cor que o título" width="732" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg 732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-572x800.jpg 572w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-768x1074.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL.jpg 971w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30176" class="wp-caption-text">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu não é um livro para ser julgado pelo seu título (Foto: nVersos Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Jennette McCurdy &#8211; Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</b></p>
<p><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2022/sep/10/jennette-mccurdy-interview-memoir"><span style="font-weight: 400;">Jennette McCurdy</span></a><span style="font-weight: 400;"> se inseriu no mundo da atuação aos seis anos de idade, na esperança de se tornar uma estrela e, assim, realizar o sonho de sua mãe. Tornando-se conhecida apenas anos mais tarde, por seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">iCarly</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007-2012), da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nickelodeon</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua vida atrás das telas era muito mais complicada do que qualquer pessoa que a visse brilhar como a personagem Sam Puckett pudesse imaginar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse contexto, </span><a href="https://www.nversoseditora.com/product-page/estou-feliz-que-minha-mae-morreu"><i><span style="font-weight: 400;">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro de memórias de uma vulnerabilidade surpreendente, destacando as lutas da autora com sua mãe abusiva, seus distúrbios alimentares, vícios e as dificuldades que acompanham o fato de ser uma estrela infantil. Ela revela sua criação perturbada em detalhes inabaláveis com um humor e tom encantador, fazendo com que a obra tenha uma leitura envolvente, embora difícil de ser digerida em muitos pontos. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30179" aria-describedby="caption-attachment-30179" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30179 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro Bright da escritora Jessica Jung. Na imagem, a arte de uma jovem cantora revela o contorno de um casal de mãos dadas ao longo de seu desenho. As cores predominantes na capa são: branco, roxo, rosa e azul. Na parte superior direito está escrito o nome do livro “Bright” em letra cursiva e prata. Um pouco abaixo está escrita a frase em inglês “Never give up your light” também em letra cursiva e prata. Na parte inferior e central está escrita a identificação da carreira de Jung em inglês “A novel from international K-pop star and New York Times bestselling author of Shine”, em letras prateadas. Logo abaixo, o nome da escritora, “Jessica Jung” está colocado em evidência com letras garrafais e prateadas." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30179" class="wp-caption-text">Bright deverá chegar às prateleiras brasileiras em 2023 pela Intrínseca (Foto: Simon &amp; Schuster)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Bright</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas 1 ano e meio depois do lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jessica Jung, a cantora, escritora e vendedora de jóias nas horas vagas voltou com o sucessor </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/jessica-jung-shine-sequel-bright-exclusive-first-chapter"><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2022, a publicação foi responsável por dar continuidade ao frenesi causado na indústria da Música sul-coreana pelo seu romance de estreia, recheado de revelações pouco discretas acerca dos bastidores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta vez, a protagonista Rachel finalmente encara as decepções envolvendo a sua participação no grupo nada amigável Girls Forever, e o seu relacionamento com Jason, o maior babaca do </span><a href="https://popasiaticojpg.com/2022/05/10/jessica-jung-revive-os-rumores-de-sua-saida-do-snsd-atraves-da-sua-nova-ficcao-bright/"><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Entregando um desenvolvimento digno das melhores </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jung novamente não exitou em escrever a sua verdade por meio do disfarce da ficção e reviveu no público a empatia pelos momentos cruciais que passou durante a sua estadia nessa indústria tão letal.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30189" aria-describedby="caption-attachment-30189" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30189 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Humanos Exemplares. Na imagem há uma porta branca e uma janela com vidro meio fosco ao lado. Da janela é possível ver um pássaro vermelho. Em frente a porta está um vaso de rosas cor de rosa com seus caules submersos. O nome do livro ocupa a porção inferior e o da autora a superior, ambos estão grafados na cor branca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30189" class="wp-caption-text">“A quantidade de ossos que uma velha possui é um espanto, um assombro, porque afinal alguns humanos como ela sumiram, muitos já sumiram” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Leite &#8211; Humanos Exemplares</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para onde vão nossos testemunhos quando o gosto sombrio da morte chega aos nossos lábios? Por mais que não nos pergunte diretamente, essa é a questão por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Humanos Exemplares</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrita por </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/381899/humanos-exemplares-novo-romance-de-juliana-leite-a.htm"><span style="font-weight: 400;">Juliana Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a obra nos apresenta Natália, uma mulher de 100 anos com muito a contar, mas sem plateia para ouvir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A senhora guarda em si grandes relatos sobre o período ditatorial, o medo que a afligiu e os sonhos que construiu, entretanto, quando ela morrer as coisas vão acompanhá-la aos planos intocáveis. Enquanto trata da fragilidade da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e gera reflexões sobre como isso afeta universos particulares e grandes eventos históricos, a autora também nos leva a um passeio sobre as angústias da terceira idade e o valor da velhice. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheia de personagens bem desenvolvidos e diversas declarações valiosas, a narrativa é um deleite apaixonante, mas devastador. Natália e Vicente, seu marido já falecido, são resultados diretos de um país tomado pelas chamas de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a forma como isso se reflete em seus comportamentos e desejos é explosiva. Entre as ruínas das lembranças, os arquivos perseguidos pelo tempo são os mais raros. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30167" aria-describedby="caption-attachment-30167" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30167 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30167" class="wp-caption-text">Originalmente publicado em 1985, o romance de estreia do húngaro László Krasznahorkai chegou ao Brasil em 2022, sob tradução de Paulo Schiller (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>László Krasznahorkai &#8211; Sátántangó</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora escrito nos anos 1980, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211159/satantango"><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não está especificamente ancorado em sistemas ou governos da época. Na verdade, o húngaro László Krasznahorkai dá tratamentos “míticos” à obra, na qual o universo sombrio de uma pequena comunidade dá as formas desse romance monstruoso, que já nasceu clássico. Muito do que se conhece da obra vem de sua adaptação cinematográfica, feita pelo diretor </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/6451-SATANTANGO"><span style="font-weight: 400;">Béla Tarr</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1996, com roteiro adaptado pelo próprio Krasznahorkai e mais de 7 horas de duração. Na história do livro – que está dividido em duas partes, primeiro de 1 a 6 e, depois, de 6 a 1, como no </span><i><span style="font-weight: 400;">tango</span></i><span style="font-weight: 400;"> –,  há a chegada de um homem misterioso à vila. Chamado Irimias, ele pode ser um profeta, um cético ou o próprio diabo, visto que retorna após ser dado como morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita de László – representada, aqui, na tradução de Paulo Schiller –, ao mesmo tempo em que alimenta o mistério, nos põe em um transe vertiginoso no qual somos embalados. Influenciado por Friedrich Nietzsche, Fiódor Dostoiévski e Franz Kafka, a quem pertence a epígrafe da obra, o escritor promove em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó </span></i><span style="font-weight: 400;">uma discussão extremamente interessante sobre os falsos profetas e os sentidos da alienação. Em retrospecto, também se percebe um rigoroso cuidado na escolha das palavras – o que pode explicar a demora que o livro teve no processo de tradução –, visto que, para o autor, as palavras são tudo. A parte surpreendente deste livro é a mistura interessante entre o estilo “modernista” e “pós-modernista”. Em determinados trechos, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/05/laszlo-krasznahorkai-da-hungria-recebe-o-man-booker-international.html"><span style="font-weight: 400;">László Krasznahorkai</span></a><span style="font-weight: 400;"> soa como um modernista clássico, mas o estilo fragmentado da obra, em que os capítulos começam com tramas subdesenvolvidas que vão se encorpando ao longo das páginas, dá ainda mais profundidade a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30160" aria-describedby="caption-attachment-30160" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30160 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg" alt="capa do livro A filha única, capa em cor vinho com manchas redondas cor de rosa. Na parte superior esquerda está escrito A filha única, e à direita está o nome da autora, Guadalupe Nettel." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30160" class="wp-caption-text">A filha única é o terceiro romance da escritora mexicana Guadalupe Nettel (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Guadalupe Nettel &#8211; A filha única</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Doce e discreto. Não há melhor forma de descrever o texto de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cultura/12-09-2022/a-filha-unica-de-guadalupe-nettel-e-lancado-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Guadalupe Nettel</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja calma em descrever situações emocionalmente fortes é um dos grandes destaques da sua escrita. A maternidade, sem qualquer clichê, é o grande pilar desse livro: a narradora, Laura, não quer ter filhos, e desde o início contextualiza sua opção em não gerar um novo ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alina e Doris compartilham com Laura o circuito central da trama, e exploram as múltiplas camadas em torno de “ser mãe”, apontando para a condição não como uma experiência, mas sim um mosaico de sensações que não podem ser descritas de modo raso. Para Nettel, não é um presente ou castigo, mas algo que transcende um ser e transborda para todos os lados. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-filha-unica"><i><span style="font-weight: 400;">A filha única</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imerge os leitores em uma experiência que nem todos são capazes de viver. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30163" aria-describedby="caption-attachment-30163" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30163 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins, publicado pela editora Companhia das Letras. O fundo da capa é composto por tons de cinza; a base é no tom de cinza mais claro, mas há algumas manchas em tons mais escuros, e algumas delas possuem rastros, como se a tinta tivesse escorrido. No topo, dentro de um retângulo, há o desenho de cinco pessoas negras, todas sem rosto, em posições diferentes. Algumas das cores do desenho também possuem rastros. Um pouco abaixo, do lado esquerdo, está escrito a palavra “romance” em letras maiúsculas na cor preta. Do lado direito, está escrito o título da obra, também em letras maiúsculas, na cor transparente com a margem na cor preta. O nome do autor está logo abaixo, em letras maiúsculas na cor preta. No canto inferior direito, há o símbolo da editora, que consiste em uma bicicleta seguida do nome da mesma." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30163" class="wp-caption-text">O primeiro romance de Geovani Martins joga luz sobre a dura realidade daqueles que são assombrados pela violência policial (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a forte repercussão nacional e internacional de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca"><i><span style="font-weight: 400;">O sol na cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), a coletânea de contos que marcou sua estreia na literatura brasileira, Geovani Martins lançou seu primeiro romance, intitulado </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia"><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra explora os impactos da instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na vida dos moradores da Rocinha, mais intimamente no cotidiano de cinco jovens negros, em três momentos diferentes: antes, durante e depois da ocupação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais tocante da ficção, sem dúvidas, é o quão real ela é. Martins cria um enredo que perpassa temas como violência, esperança, luto e amor análogo àquilo que é vivido fora das páginas. Com uma linguagem repleta de gírias e vícios de concordância, típicos da oralidade, o autor consegue construir a realidade da favela e desconstruir o imaginário da homogeneização de forma muito fluida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma leitura necessária em memória de todos que foram e são vítimas do sistema de segurança brasileiro, além de ser um livro que consagra </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/09/via-apia-segundo-livro-de-geovani-martins.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geovani Martins</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um dos principais nomes da Literatura marginal. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30164" aria-describedby="caption-attachment-30164" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30164 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, predominantemente vermelha. No topo da capa está o título do livro escrito em preto e branco, embaixo há Severino, o personagem principal, um homem negro que tem um artefato tecnológico vermelho no lugar do olho esquerdo, ele usa uma camisa vermelha desabotoada e tem o braço esquerdo metálico. Embaixo dele há o nome do autor, Ian Fraser escrito em amarelo, e mais abaixo há a silhueta de prédios. Ao redor da capa há vários retângulos abrigando itens do livro: foguetes, um pato, uma faca, uma palmeira, um robô, e outra personagem; Filomena." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30164" class="wp-caption-text">“A indiferença é mais cruel que a morte” (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Ian Fraser &#8211; A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ian Fraser é um romancista nascido e criado em Salvador, na Bahia, e é conhecido por algumas de suas principais obras &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Araruama, Noir Carnavalesco </span></i><span style="font-weight: 400;">e seu mais recente lançamento, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/severino-olho-de-dende/"><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê.</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Todos os seus livros, apesar de divergirem no enredo, se assemelham na retratação do cenário nordestino brasileiro; no entanto, Fraser se supera ao representar o sertão das maneiras mais inusitadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, </span></i><span style="font-weight: 400;">a narrativa acompanha Severino, um humano que trabalha como investigador em uma galáxia distante e que, no lugar do olho esquerdo, possui um artefato tecnológico que permite ver os últimos momentos de uma pessoa antes de morrer. Ao longo de sua jornada investigando um assassinato junto ao fiel companheiro Bonfim, Severino passa por elementos inspirados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/star-wars-sem-inspiracao-na-forca/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">unindo perfeitamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a vivência nordestina. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30201" aria-describedby="caption-attachment-30201" style="width: 709px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg" alt="" width="709" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30201" class="wp-caption-text">“Na vida, às vezes a gente tem que bater de frente, Lindo. A gente não tá errado em existir” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ilustralu &#8211; Arlindo</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro </span><a href="https://saibamais.jor.br/2022/07/ccxp-awards-ilustralu-artista-do-rn-ganha-premio-de-quadrinho-com-hq-arlindo/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do <em>CCXP Awards</em> de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz a história de um rapaz homossexual que mora no interior do Rio Grande do Norte e que, como a maioria das histórias desse gênero, reflete sobre a descoberta e a aceitação, principalmente em cidades pequenas e religiosas. A obra, escrita por Ilustralu inicialmente como uma </span><a href="https://twitter.com/ilustralu/status/1499360719921418254"><i><span style="font-weight: 400;">webcomic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mostra a vida do personagem homônimo, que é um menino ainda “no armário”, e que está passando pela experiência de primeiros amores. A pessoa mais próxima a ele, também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, era sua tia, que, depois de criticada por ser uma mulher lésbica, decide se afastar da família e da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias retratadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não focam apenas no personagem, mesmo que seja o protagonista, mas também comentam sobre outros adolescentes com outros problemas e que passam por dificuldades em casa ou com as tradições locais, muitas vezes inseridos em situações sufocantes. Mesmo que nem todos os personagens tenham ‘finais felizes’, a obra mostra que é necessário coragem e que </span><a href="https://valkirias.com.br/arlindo-ninguem-precisa-existir-sozinho/"><span style="font-weight: 400;">a solidão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">não dura para sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30193" aria-describedby="caption-attachment-30193" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30193 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30193" class="wp-caption-text">Nesse livro, Fisher olha para as implicações culturais subjetivas imediatas (Foto: Autonomia Literária)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Fisher &#8211; Fantasmas da minha vida</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado originalmente em 2014 mas que chegou ao território brasileiro em 2022, Mark Fisher explora a relação entre a cultura, a política e a saúde mental. Fisher argumenta que a cultura popular, em particular a Música Eletrônica, é um reflexo dos sentimentos de alienação e desesperança que muitos jovens experimentam em uma sociedade neoliberal cada vez mais individualista e fragmentada. Ele também sugere que as possibilidades de futuro estão sendo dinamitadas por um presente contínuo, sendo a cultura popular um meio de resistência contra essas forças opressivas, mas apenas quando pensada de maneira crítica e consciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do livro, Fisher utiliza sua própria experiência com a depressão para ilustrar seus argumentos sobre a saúde mental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é também um livro de crítica cultural na forma mais ampla do termo: o filósofo britânico utiliza elementos da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para discutir sobre as condições de vida na contemporaneidade. De Arctic Monkeys e Joy Division a Drake e Christopher Nolan, </span><a href="https://jacobin.com.br/2023/01/mark-fisher-nos-ajudou-a-pensar-para-alem-do-realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">Mark Fisher</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói um livro desafiador, sombrio e provocativo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30169" aria-describedby="caption-attachment-30169" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30169 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Não fossem as sílabas do sábado, de Mariana Salomão Carrara, publicado pela editora Todavia. Ele se baseia na fotografia de uma janela de um prédio na cor branca. A janela está aberta e, dela, por causa do vento, sai uma cortina branca, que fica do lado esquerdo e na parte de cima da mesma. É possível ver um varal com algumas roupas penduradas por uma fresta da janela. O título da obra se encontra no lado superior direito da capa; ele está escrito em letras maiúsculas e na cor preta, e cada palavra está em uma linha. O nome da autora está no canto inferior esquerdo da capa, também em letras maiúsculas e na cor preta, com cada palavra em uma linha. No canto inferior direito está o logo da editora, que consiste em quatro formas geométricas circulares, representando o movimento que a boca faz ao dizer cada sílaba da palavra “todavia”." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30169" class="wp-caption-text">Contando sobre a vida e a morte, a autora nos guia pelo caminho da dor, da descoberta e, principalmente, do tempo (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Salomão Carrara &#8211; Não fossem as sílabas do sábado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para morrer, basta estar vivo. É o que diz o senso comum, e se encaixa no caso de André, marido de Ana: bastou ele sair de casa no exato momento em que um homem (Miguel, marido de Madalena) caía da janela para que o seu fim chegasse. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/nao-fossem-as-silabas-do-sabado"><i><span style="font-weight: 400;">Não fossem as sílabas do sábado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">conta a história de duas mulheres que, para sempre, estarão unidas pelo trágico acidente que resultou na morte de seus maridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, trata-se de um livro sobre o luto – e, portanto, sobre a vida. </span><a href="https://marianacarrara.com/sobre-a-autora/"><span style="font-weight: 400;">Mariana Salomão Carrara</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesta obra delicada e dura, aborda a dor ocasionada por uma morte que não deveria ocorrer, e por uma vida que deve ser encarada a partir de então. A luta e o luto, aqui, andam praticamente de mãos dadas, na tentativa de superar o inexplicável e de tentar entender a ausência de quem não deveria estar ausente. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30171" aria-describedby="caption-attachment-30171" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30171 size-large" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30171" class="wp-caption-text">Estreia literária da vocalista de Japanese Breakfast, o livro é um mergulho nas formas singulares do luto (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Michelle Zauner &#8211; Aos prantos no mercado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas memórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;">, ter uma dupla origem é como viver uma fratura. Sendo a comida sua principal ligação com a Coréia do Sul, é também nela que Zauner encontra uma das bases na educação sentimental, superando traumas da infância que dão lugar a uma nova responsabilidade sobre as escolhas da vida adulta. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/aos-prantos-no-mercado/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora aborda o amor e a saudade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido a partir de seu ensaio publicado na revista </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro conta com uma linguagem poética e envolvente, que põe a vocalista de Japanese Breakfast em momentos marcantes de sua formação intelectual, como o relacionamento com seu pai e o processo de descoberta da Música, ao ganhar sua primeira guitarra da mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i><span style="font-weight: 400;"> também traz reflexões importantes sobre a cultura coreana e o impacto da imigração na formação da identidade, mas tudo envolto em capítulos concisos e sentimentalmente potentes. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30170" aria-describedby="caption-attachment-30170" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30170 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O último endereço de Eça de Queiroz do escritor Miguel Sanches Neto. Na imagem, a cor predominante é azul, presente em todo o fundo da arte. No centro, uma enorme porta fotografada em preto e branco sobrepõe uma fotografia de Eça de Queiroz, um homem branco, também em preto e branco. Na parte superior esquerda está escrito o nome do escritor “Miguel Sanches Neto” em letras pretas. Um pouco abaixo, ainda na esquerda, está o logo da editora “Companhia das Letras” em branco. Na parte inferior e central, está escrito o título do livro “O último endereço de Eça de Queiroz” em letras garrafais e na cor preta" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL.jpg 1708w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30170" class="wp-caption-text">O último endereço de Eça de Queiroz é o oitavo romance de Miguel Sanches Neto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Miguel Sanches Neto &#8211; O último endereço de Eça de Queiroz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crítico, poeta, cronista, romancista e contista, Miguel Sanches Neto tem longa passagem pelas diferentes formas da Literatura. Em 2022, </span><a href="https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-a-literatura-ao-avesso-3224238e.html"><i><span style="font-weight: 400;">O último endereço de Eça de Queiroz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe o melhor de sua escrita com o uso excepcional da ironia para abordar os conflitos internos de um autor frustrado com a constante busca pelo sucesso comercial. No livro, o narrador é protagonista e assume o pseudônimo de Rodrigo S. M., nome que aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">A hora da estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Clarice Lispector.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ilustrar a jornada peculiar de seu personagem, </span><a href="https://omaringa.com.br/coluna/estampado/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-e-o-novo-livro-do-paranaense-miguel-sanches-neto/"><span style="font-weight: 400;">Miguel Sanches Neto</span></a><span style="font-weight: 400;"> contou com a ajuda dos fantasmas de clássicos da Literatura portuguesa. Fernando Pessoa, José Saramago e, obviamente, Eça de Queiroz, são algumas das personalidades que fazem parte do delírio. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, assim como o escritor de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1887), a narrativa do livro buscou o real através da ficção. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30183" aria-describedby="caption-attachment-30183" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30183 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg" alt="Capa do livro Parque Industrial, de Pagu. A imagem é uma ilustração chapada de uma indústria e usa apenas a cor preta, sob um fundo azul celeste. No canto superior direito, está escrito o nome da autora em letra de forma. Na lateral esquerda do livro, se estendendo para a linha inferior, está escrito o título, na mesma estilização." width="676" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1014x1536.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1352x2048.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL.jpg 1466w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30183" class="wp-caption-text">Aos 100 anos do Modernismo no Brasil, a principal obra de um dos principais nomes do período retornou às livrarias em nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pagu – Parque Industrial</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção literária do ano que marca o centenário do </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> guarda um lugar especial para as palavras daquela que é uma das principais referências do tema. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de Pagu, que escreveu sobre a transformação cultural que montava e desmontava o Brasil desde 1922 quando tinha exatamente 22 anos. Em 2022, então, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">recuperou o clássico, que, desde o seu lançamento original em 1933, traça um caminho precursor na Literatura brasileira, sendo compreendido hoje como o marco inicial do gênero “Romance proletário”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na mecânica industrial de São Paulo na década de 1930 que Patrícia Galvão retrata as transformações que definiram o início do século XX no país, contraditoriamente iniciada na capital paulista, e irregularmente desenvolvida pelos demais centros do Brasil. Ao contrário das perspectivas abstraídas que originam boa parte das reflexões sobre o Modernismo no Brasil, porém, Pagu encarna seu olhar intrínseco à crítica sócio-cultural no ponto de vista singular de quem sempre está, simultaneamente, ao centro e às margens da sociedade: </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">a mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212613/parque-industrial"><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pintado pelo pseudônimo Mara Lobo é completamente entrelaçado e fragmentado pelas dinâmicas das relações vivenciadas por mulheres nos âmbitos de gênero e classe. Pagu viu de perto o momento em que o tempo se transformou em dinheiro. A reação daquela jovem, sempre tão perto e embora ainda longe de todos os méritos revolucionários que a história recente do país lhe atribuiria, foi criar uma obra urgente e perene, como uma denúncia do capitalismo em avanço que mudou a vida no Brasil para sempre. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30172" aria-describedby="caption-attachment-30172" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30172 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg" alt="a capa do livro mostra um hotel de cor branca cercado de montanhas e árvores cobertos por neve, e o título se encontra acima da imagem, de forma centralizada, em fonte de cor amarela." width="700" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-768x1124.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-1050x1536.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30172" class="wp-caption-text">Em seu livro de estreia, Sarah Pearce sabe como criar um grande suspense (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Sarah Pearse &#8211; O sanatório</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de</span> <a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/1128/"><i><span style="font-weight: 400;">O sanatório</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa em um hotel nos alpes suíços que, em um passado sombrio, foi um hospital psiquiátrico. O protagonista Elin Wagner vai ao encontro do irmão, Isaac, que está comemorando um noivado. Desde o início, ele sente a tensão ao se encontrar na hospedagem, e o desaparecimento da noiva de seu irmão serve como um catalisador de seu desespero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia de </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/581/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Pearce</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma escrita instigante que prende até o leitor mais distraído. Já comparado às obras de suas inspirações literárias &#8211; Agatha Christie e Stephen King -, o suspense de Pearce é intenso desde a primeira página, refletido na personalidade e nos comportamentos de seus sujeitos. É definitivamente uma experiência eletrizante. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30175" aria-describedby="caption-attachment-30175" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30175 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte superior direita, vemos as palavras “shirley jackson” escritas em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco. Na parte central, à esquerda, vemos o desenho de uma menina, aparentando cerca de 18 anos, branca de cabelos castanhos longos e lisos, vestindo um vestido preto, e descalça. Ao seu lado, vemos um pássaro voando. Na parte da direita, ao centro, vemos as palavras “sempre”, “vivemos” e “no castelo”, em caixa baixa, em uma fonte sem serifa em preto. Abaixo, vemos o desenho de um gato preto. Na parte inferior à direita, vemos o logo da Alfaguara, em amarelo." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30175" class="wp-caption-text">A vida de Shirley Jackson foi adaptada para o filme Shirley e uma das principais obras da autora, A Assombração da Casa da Colina, inspirou A Maldição da Residência Hill (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importante expoente do Horror, as obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jackson influenciaram grandes nomes da Literatura e do Audiovisual, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Neil Gaiman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mike Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas vastas produções, porém, </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/os-eua-profundos-de-shirley-jackson"><span style="font-weight: 400;">não são tão conhecidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto as de seus pares de gênero: apesar da falta de reconhecimento, o Terror de Jackson inspira o medo através do próprio  cotidiano, tornando o real, sobrenatural. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou uma nova edição pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, a dúvida se mistura ao macabro, com um toque de humor tenso e envolvente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, originalmente publicada em 1962, as irmãs Blackwood vivem isoladas em uma residência com o tio, após a morte de todos os familiares e os rumores de um assassinato dentro da própria família. Pelos olhos de Merricat, a caçula, os eventos do dia a dia ganham um tom místico, ao mesmo tempo que mágico e infantil, e as suspeitas quanto a veracidade da narração são constantes. Com a chegada de um primo da família e o mistério acerca do que realmente aconteceu na propriedade, o </span><a href="https://deliriumnerd.com/2022/02/02/sempre-vivemos-no-castelo-e-a-genialidade-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">Horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> desponta justamente a partir da dúvida e da falta de confiança na narradora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30218" aria-describedby="caption-attachment-30218" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30218 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg" alt="" width="1000" height="901" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-800x721.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-768x692.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30218" class="wp-caption-text">Como se fosse um episódio de Black Mirror ilustrado, a HQ está em adaptação pela Netflix (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Simon Stålenhag &#8211; Estado elétrico</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagen</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As artes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i><span style="font-weight: 400;"> são cheias de detalhes, e a temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da ficção científica, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico"><span style="font-weight: 400;">Stålenhag</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo, que se unem ao seu talento para narrar. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30196" aria-describedby="caption-attachment-30196" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30196 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Contos de Fadas. A imagem representa um poço visto de cima, ao lado há um menino com um lampião de chama laranja. Do outro lado está a cachora. É noite e o tom do espaço é azul escuro. O nome do autor está na porção superior e o do livro na inferior, ambos estão grafados em dourado." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30196" class="wp-caption-text">Em mais uma cartada do Rei do Terror, Conto de Fadas foge do habitual e explora um mundo fantasioso (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Conto de Fadas</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito na voz do adolescente Charlie Reade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é fiel ao título e, literalmente, performa uma narrativa encantada. Aos 75 anos, Stephen King não cansa de inovar e, com suas próprias referências, isso não é diferente. Disposto a se aventurar por novas possibilidades literárias, o autor dos clássicos do terror</span> <a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">It: a Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;"> agora escolhe se aprofundar na fantasia. O protagonista é um jovem normal com uma vida irritantemente comum: vive em uma pacata cidade fictícia, cuida de casa, tem uma boa relação em casa e vai para a faculdade. Mas, como o comodismo não é um dos favoritos do autor, tudo isso muda até chegar no inacreditável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de transição é o acidente doméstico do vizinho. Com o misterioso Howard Bowditch machucado, Charlie passa a cuidar dele e da cachorra Radar. Nessa interação, um carinho muito bonito se desenvolve entre os personagens, o sentimento é descrito de uma forma tão bem ritmada que até nos faz esquecer do vindouro lado </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2013/06/10/o-surrealismo-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">surrealista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essas ligações encaixadas também são algo que frequentemente vemos entre o garoto e o pai. Os paralelos começam a aparecer quando o senhor morre e o jovem encontra os motivos dos boatos sobre ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um poço que liga o mundo humano com um universo repleto de seres mitológicos de todas as categorias é encontrado atrás da casa e, a partir disso, o cotidianismo dá lugar ao surreal. Apesar de deixar o horror para segundo plano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">King</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantém seus característicos elementos nos seres que vivem nesse outro espaço. Entretanto, o que toma conta são os efeitos iluminados e as motivações puras da narrativa. Aos poucos Charlie ganha um tom de herói, e a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna mágica. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30203" aria-describedby="caption-attachment-30203" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30203 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg" alt="" width="748" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-585x800.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-768x1051.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1122x1536.jpg 1122w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1496x2048.jpg 1496w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL.jpg 1571w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30203" class="wp-caption-text">Força, Nakamura!! é uma representação próxima de estar apaixonado e não saber para onde correr ou o que fazer (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>Syundei &#8211; Força, Nakamura!!</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ganbare! Nakamura-kun!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como conhecido no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Força, Nakamura!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um mangá que possui representatividade LGBTQIA+, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">NewPOP</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua fama se consolidou, entre outros fatores, através das </span><a href="https://twitter.com/unterrrrrror/status/1370723874413801472"><span style="font-weight: 400;">paródias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sua capa colorida recebeu, fazendo com que o conhecimento da história logo se tornasse de fácil acesso. A obra retrata, de forma leve e divertida, as descobertas amorosas de Nakamura, um jovem de 16 anos que é tímido e não consegue se expressar muito bem. Essa característica é contrastada com Hirose, o rapaz animado pelo qual se apaixona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra traz consigo um ar gostoso de aceitação e entendimento dos primeiros romances, ampliando a vontade de viver um amor, por mais difícil que seja dar o primeiro passo ou, até mesmo, passar por uma primeira rejeição. Em tempos nos quais discursos de ódio a minorias foram proferidos, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/all-65-dead-lesbian-and-bisexual-characters-on-tv-and-how-they-died-312315/"><span style="font-weight: 400;">falta de histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com personagens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vivem finais felizes faz falta, e conteúdos como o apresentado por Syundei acabam refrescando e dando esperança para que mais obras com bons finais surjam no futuro, mesmo que retratem um relacionamento </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">platônico. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30184" aria-describedby="caption-attachment-30184" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30184 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Balada de Amor ao Vento, de Paulina Chiziane. A capa tem uma arte colorida de fundo, que apresenta traços horizontais de espessura irregular em tons de verde, rosa, amarelo, roxo e preto. Ao centro, em fonte grande e em caixa alta, o nome do livro e o nome da autora estão escritos em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30184" class="wp-caption-text">“Tenho uma filha crescida que ainda estuda, embora já tenha estudado muito. Um dia disse-me que a Terra é redonda. Por fora é toda verde e lá no fundo tem um centro vermelho. Que a Terra é a mãe da natureza e tudo suporta para parir a vida. Como a mulher” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Paulina Chiziane – Balada de Amor ao Vento </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prosa poética é a melhor amiga da língua portuguesa – e ao compreender tudo o que significa existir sob uma influência colonialista, Paulina Chiziane sabe contornar os limites da Literatura assim como todos os outros autores que se consagraram por desenvolver a língua para além da concepção europeia. Influenciada pela lírica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mia Couto</span></a><span style="font-weight: 400;">, iniciada à autocrítica inventiva de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">José Saramago</span></a><span style="font-weight: 400;"> e perturbada pela mesma entidade feminina de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escritora moçambicana alcançou </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">o prêmio mais importante</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura de língua portuguesa em 2021, com a mesma audácia espiritual que a fez a primeira mulher a publicar um livro no país em 1990 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor Ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211555/balada-de-amor-ao-vento"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo começa no dia mais bonito do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a história de Sarnau e Mwando se inicia com os suspiros mais apaixonados da protagonista narradora. O desenrolar, no entanto, acontece na sociedade que não só recusa às mulheres o seu direito à autonomia, como também ameaça sua mera sobrevivência. O amor, para Chiziane, é a coisa mais bela e a arma mais violenta. Assim, a autora se mistura às brisas de verão, festividades religiosas, tradições locais e laços de família e amizade para descascar as camadas de violência, desamparo, solidão e privilégios que sustentam os sistemas em que vivemos, cuja complexidade se dá na exata relação existente entre o tradicionalismo e a modernidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a semente de todo o pioneirismo e revolução que consagra o nome de Paulina Chiziane na língua portuguesa de origem não-europeia. Para além de sua estreia precursora no que diz respeito à história das mulheres na Literatura africana, o livro é também floresce todos os temas que a autora aborda com mais ferocidade em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211814/niketche-nova-edicao"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: uma história de poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Publicada originalmente em 2001, a obra de maior visibilidade de Chiziane foi difundida mundo afora depois de sua vitória no Prêmio Camões, propagando também as discussões mais contemporâneas sobre a condição da mulher no mundo globalizado. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30202" aria-describedby="caption-attachment-30202" style="width: 743px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg" alt="" width="743" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg 743w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-580x800.jpg 580w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-768x1059.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1114x1536.jpg 1114w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1485x2048.jpg 1485w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1200x1655.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL.jpg 1559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30202" class="wp-caption-text">Os papéis de gênero são amplamente discutidos dentro do volume único de Boy Meets Maria (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>PEYO &#8211; Boy meets Maria</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tons pastéis em sua capa, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Boy-meets-Maria-PEYO/dp/8583623341"><i><span style="font-weight: 400;">Boy meets Maria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retrata a juventude, a autodescoberta e a tentativa de superação de abusos passados. O mangá, que pertence ao gênero </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-03/series-sul-coreanas-boys-love-fenomeno.html"><i><span style="font-weight: 400;">Boys Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresenta a visão de Taiga, um rapaz que acaba de se mudar para uma escola nova para começar seus estudos de ensino médio, e que tem uma grande admiração por heróis. O ideal do menino, até certa forma, se enquadra nos padrões de gênero que são esperados de pessoas do sexo masculino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, temos Maria, pessoa que ele conhece e se apaixona à primeira vista, após vê-la dançando em um palco. Para a surpresa de Taiga, há a descoberta de que Maria, na verdade, é um homem, o que o deixa confuso sobre seus sentimentos e sobre o uso de nomes e pronomes que pessoas optam por usar. Toda a trama gira ao redor do “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser um homem</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou, de certa forma, do que é </span><a href="https://www.yaoibrasil.com/post/boy-meets-maria-genero-e-sexualidade"><span style="font-weight: 400;">não se identificar em um corpo que é seu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com seus traços delicados e cores claras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys meets Maria </span></i><span style="font-weight: 400;">traz assuntos como abuso sexual, infantil e negligência familiar de forma brutal. Trata-se de um mangá </span><a href="https://www.cinemaepipoca.com.br/o-que-e-genero-coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que tenta reforçar mensagens de apoio a vítimas de abusos passados, representadas na trama por Maria. Além de trazer uma forte representação não-binária, o mangá problematiza o sentir nos moldes binários que muitas vezes a sociedade nos coloca. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30192" aria-describedby="caption-attachment-30192" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30192 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A imagem é uma quadra de tênis laranja vista de cima. No meio dela há uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo, ela veste roupa branca e está segurando uma raquete. No chão há várias bolas de tênis amarelas espalhadas. O nome do livro está escrito em letras amarelas na porção inferior e o da autoras em letras azul bebe na porção superior direita." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30192" class="wp-caption-text">Conhecida pelo sucesso de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Dayse Jones and the Six, Taylor Jenkins retoma sua fórmula singular em Carrie Soto Está de Volta (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;"> já provou ser mestre quando o assunto é criar personagens tão reais que chegamos a ser tentados a buscar os nomes na internet e encontrar textos jornalísticos sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Carrie Soto Está de Volta </span></i><span style="font-weight: 400;">a escritora retorna com toda a excelência e nos leva a mais uma aventura pela complexidade humana, apresentando a atleta Carrie Soto e seu desejo de se mostrar inabalável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de 5 anos longe das quadras, a protagonista vê Nicki Chan bater seu recorde de vinte títulos Grand Slam no tênis e se sente prontamente ameaçada. Assim, ela passa a retomar a rotina esportiva com a ajuda do pai, o também ex-tenista Javier. Carrie já havia aparecido em outro escrito da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/03/02/daisy-jones-and-the-six-conheca-a-autora-do-best-seller-que-virou-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;">, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Malibu Renasce</span></i><span style="font-weight: 400;">, e se em um primeiro momento a ideia que tivemos dela era negativa, aqui a humanidade reforça sua dualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das páginas o texto, traduzido por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02842"><span style="font-weight: 400;">Alexandre Boide</span></a><span style="font-weight: 400;">, caminha pelas complexidades da personalidade e esmiúça seus desejos e vivências. A tenista é uma personagem apaixonante e extremamente forte, ler sua história é um grande prazer. Com diversas facetas plurais, o esforço é uma de suas características mais marcantes. Já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie Soto Está de Volta</span></i><span style="font-weight: 400;">, vale a pena conhecê-la. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30168" aria-describedby="caption-attachment-30168" style="width: 671px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30168 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A Mandíbula de Caim, a ambientação é uma biblioteca desorganizada, todas as prateleiras de livros são cinzas, e a que está a esquerda contém uma folha branca escrito “Livro Enigma”, embaixo dela há uma garrafa com um líquido derramado e ao lado outra folha branca escrito “Torquemada”, pseudônimo do autor Edward Powys Mathers. No centro há o nome do livro escrito em verde neon, embaixo há um círculo da mesma cor com os escritos “‘Se Agatha Christie e James Joyce tivessem um filho literário bastardo, seria esse livro’ - Daily Telegraph”. Embaixo do círculo há um corpo no chão, apenas as pernas estão visíveis, o resto do corpo está atrás de uma estante de livros." width="671" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-768x1172.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267.jpg 1185w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30168" class="wp-caption-text">Diferentemente das outras edições do livro, a brasileira conta com páginas destacáveis, o que ajuda na organização do mistério (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Torquemada &#8211; A Mandíbula de Caim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito originalmente em 1934 por Edward Powys Mathers, compilador de palavras cruzadas do jornal britânico </span><i><span style="font-weight: 400;">The Observer</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob o pseudônimo de Torquemada,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Mandíbula de Caim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o suspense policial mais </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/12/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-mandibula-de-caim/"><span style="font-weight: 400;">intrigante </span></a><span style="font-weight: 400;">que você já viu. Ao longo de 100 páginas, são descritos seis assassinatos, todos cometidos por assassinos diferentes, e o objetivo atribuído ao leitor é solucionar o crime. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, as possibilidades são quase infinitas, e é por isso que, até o momento de sua edição mais atual, de 2022, apenas </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/nov/23/cain-enabled-tiktok-helps-reissued-literary-puzzle-fly-off-the-shelves"><span style="font-weight: 400;">quatro pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> teriam conseguido resolver o enigma. Recentemente o livro viralizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">BookTok </span></i><span style="font-weight: 400;">e fez com que milhares de leitores assíduos se mobilizassem para resolver o mistério proposto pelo escritor britânico. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30159" aria-describedby="caption-attachment-30159" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30159 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça da escritora Warsan Shire. Na imagem, as cores predominantes são: branco, preto e azul. Grande parte da arte de capa é composta pelo contorno, desenhado em preto no fundo branco, de uma mulher com o rosto apoiado em uma das mãos. Na parte inferior direita está escrito o título do livro “Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça” em letras garrafais azuis. Logo abaixo está escrito o nome da autora “Warsan Shire” em letras garrafais brancas. Na extrema esquerda está posicionado o logo da “Companhia das Letras” em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30159" class="wp-caption-text">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça é o livro de estreia de Warsan Shire (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Warsan Shire &#8211; Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada ao sucesso por Beyoncé, </span><a href="https://notaterapia.com.br/2022/08/19/5-melhores-poemas-de-warsan-shire-a-poeta-lancada-por-beyonce/"><span style="font-weight: 400;">Warsan Shire</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicou o seu primeiro livro em 2022. Intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i><span style="font-weight: 400;">, o conjunto de poemas trouxe à tona a vivência de Shire como uma mulher negra. O resultado final fez jus a expectativa deixada por ela ao colaborar com escolhas brutais de palavras no aclamado álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/7dK54iZuOxXFarGhXwEXfF"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), e, através de uma sensibilidade única, colocou o leitor para refletir sobre tudo e todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A manicure empurra minhas cutículas, vira minha mão, estica a pele da palma e diz: eu vejo suas filhas e as filhas delas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Poeta mais jovem a integrar a Sociedade Real da Literatura, Warsan Shire nasceu no Quênia e foi criada em Londres. Autêntica e dona de um movimento próprio, ela fez de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/warsan-shire-alavancada-por-beyonce-supera-seus-traumas-em-poemas.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma obra completa, coesa e que não deixa nenhuma ponta solta para trás.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2022/">Os Melhores Livros de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Julho de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 19:38:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.” — Franz Kafka Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu no Expo Center Norte. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Julho de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28385" aria-describedby="caption-attachment-28385" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28385 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg" alt="Arte retangular de cor lilás escuro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris roxa. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Acontecimento” ao lado de 8 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘julho de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28385" class="wp-caption-text">Em Julho, o Clube do Livro do Persona se infiltrou na narrativa intimista de Annie Ernaux e seu O Acontecimento (Foto: Fósforo Editora/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>— Franz Kafka</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por Andréa Del Fuego, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2022/07/paulina-chiziane-que-veio-a-bienal-do-livro-reforca-laco-entre-brasil-e-africa.shtml"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, o evento teve dupla celebração: além do centenário do único escritor de língua portuguesa a receber o </span><a href="https://agenciaincomparaveis.com/saramago-e-universal-diz-presidente-de-portugal-durante-bienal-do-livro-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 também marca o bicentenário da Independência do Brasil. Assim, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum. O evento contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, Julho também foi um período de indigestas – porém necessárias – reflexões. Após a repercussão nacional dos absurdos que envolveram o direito ao </span><a href="https://theintercept.com/2022/07/06/aborto-menina-de-sc-promotora-manda-buscar-feto/"><span style="font-weight: 400;">aborto legal de uma menina de 11 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Santa Catarina, a questão ganhou ainda mais enfoque quando, ao final de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão judicial de 1973 que </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/06/24/aborto-nos-eua-entenda-o-que-era-a-decisao-que-garantia-direito-ao-procedimento-e-como-foi-derrubada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">garantia a legalidade do aborto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o território nacional. As discussões se nortearam no aspecto de direitos fundamentais que, a princípio, pareciam resguardados, mas que, a bem da verdade, precisam de constante vigilância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que o filme dirigido por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml"><span style="font-weight: 400;">Audrey Diwan</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a mesma temática, chegou aos cinemas brasileiros integrando o Festival Varilux de Cinema Francês, em uma adaptação cinematográfica do marcante relato da francesa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/o-acontecimento-revela-o-aborto-de-forma-nua-como-angustia-solitaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, não foi difícil escolher para o Clube do Livro do Persona a obra </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-acontecimento-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em um episódio biográfico, o livro conta a história de uma jovem de 23 anos que engravida e, sem poder contar com o apoio do namorado ou da própria família, precisa fazer um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml">aborto</a>. Ilegal na França da época, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que, quarenta anos depois, revive no livro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre os corpos femininos, Ernaux mostra uma faceta literária que mistura a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção com a não-ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar – ou ampliar – um importante momento de reflexões, deixamos as indicações de mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28370"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28371" aria-describedby="caption-attachment-28371" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28371 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1200x1751.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28371" class="wp-caption-text">O Acontecimento foi adaptado para o audiovisual em 2021, e a produção é dirigida pela roteirista francesa Audrey Diwan (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; O Acontecimento (80 páginas, Fósforo Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito com propósitos confessionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a narrativa nua e crua da história biográfica de </span><a href="http://saopauloreview.com.br/annie-ernaux-entre-a-memoria-dos-outros-e-a-escrita-de-si-mesma/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o aborto clandestino. Prorrogado pelos 40 anos subsequentes de uma gravidez indesejada aos 23 anos, o tom do texto é dado em estalos urgentes que redesenham aquilo que a autora classifica como a &#8220;experiência completa da vida&#8221;. O texto, publicado pela primeira vez na França nos anos 2000, chegou ao Brasil em maio deste ano pela <em>Fósforo,</em> e ganhou tradução nas escolhas lexicais de Isadora de Araújo Pontes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo em um momento em que o aborto era </span><a href="https://catolicas.org.br/notas/aborto-na-franca/"><span style="font-weight: 400;">ilegal</span></a><span style="font-weight: 400;"> na França, a jovem Annie encontra na gravidez o desespero de ser ameaçada pela ruína de tudo que é e do que espera para o futuro. Vinda de uma família de trabalhadores de camada social baixa, ela é a primeira a adentrar uma universidade e carrega consigo todas as expectativas do sucesso. Para além das hipóteses, são as certezas que a assombram, sua natureza livre e ciente da própria autonomia não mensura riscos para devolver ao próprio corpo a integridade que o pertence. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da longevidade entre o momento do acontecimento com o registro do mesmo nas páginas da publicação, a autora se mostra tão fiel a sua verdade que não são necessárias ressalvas. O fato se insere com uma legitimidade imponente, fazendo as marcas se gravarem nos leitores como se fossem capazes de transmitir partes das cicatrizes de Annie. Assim, </span><a href="https://variluxcinefrances.com/2022/filmes/o-acontecimento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> resiste em paradoxos: do tudo ao nada, do simples ao complexo, da superfície a profundidade… Na metonímia do corpo de uma mulher, fica difícil entender como tantas transgressões podem ganhar lar em apenas 80 páginas. <b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: O Acontecimento - Clube do Livro Julho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0oC4H6G2NI0zlBNF6UVjoy?si=6905bd4a4a394c01&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28372" aria-describedby="caption-attachment-28372" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28372 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última Parada. A capa é uma ilustração. O cenário é o vagão de um metrô, pintado em tons de roxo, rosa e laranja. Ao centro, no topo da capa, vemos o logo da editora Seguinte. Abaixo, ocupando a parte superior da capa, vemos as palavras &quot;última&quot; e abaixo, &quot;parada&quot;, escritas em uma fonte branca que imita giz-de-cera. Abaixo, à esquerda, vemos a ilustração de uma mulher amarela, de cabelos castanhos curtos espetados, aparentando cerca de 25 anos e vestindo uma camiseta branca e casaco preto de couro. Do lado direito, vemos a ilustração de uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, longos e ondulados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um macacão preto e uma camiseta branca e segurando um copo de café. Elas se olham. Na parte inferior central, vemos a frase &quot;da autora de Vermelho, branco e sangue azul&quot;, em uma fonte sem serifa em amarelo. Abaixo, vemos as palavras &quot;Casey McQuiston&quot; em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1424x2048.jpg 1424w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1200x1726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28372" class="wp-caption-text">Autora de Última Parada, a estreia de Casey McQuiston foi com o best-seller Vermelho, Branco e Sangue Azul (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada (400 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cética August se mudou para Nova Iorque, o que ela menos esperava era criar laços. Ainda mais com uma garota presa ao metrô há 40 anos. Em seu segundo livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://portalpopline.com.br/casey-mcquiston-set-vermelho-branco-sangue-azul/"><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Casey McQuiston segue os passos da jovem de vinte e poucos anos em sua nova vida como adulta independente na cidade grande. À princípio desapegada e desconfiada, a jovem </span><a href="https://portalpopline.com.br/ultima-parada-tudo-sobre-livro-novo-casey-mcquiston/"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> se permite se abrir e descobre que o companheirismo e amizade de seus companheiros de apartamento, Niko, Myla, Wes e o cão Noodles, são elos mais fortes do que imaginava. Também, percebe que Jane, a garota que sempre encontra no metrô e por quem tem uma quedinha, está, na verdade, impossibilitada de sair dali há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturando ficção científica e romance, o </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">cria uma narrativa no mínimo divertida e intrigante. August passa seus dias entre a faculdade e trabalhar para pagar o aluguel, mas, nas horas vagas, dedica seu tempo a negar seus sentimentos por Jane e achar formas de como libertá-la do metrô. Mesmo a premissa peculiar permite </span><a href="https://www.thecut.com/2021/06/casey-mcquiston-one-last-stop-interview.html"><span style="font-weight: 400;">McQuiston</span></a><span style="font-weight: 400;"> recriar situações comuns à </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-sucesso-da-bienal-do-livro-de-sao-paulo-e-culpa-do-tik-tok-100056008.html"><span style="font-weight: 400;">nova juventude</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma trama cheia de representatividade LGBTQIA+ e de um linguajar </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e atraente &#8211; afiadamente traduzidos por Guilherme Miranda -, que envolve o leitor principalmente pela abordagem dos laços de amizade modernos. Tendo seu ponto alto na forma como retrata as vivências e a cabeça da nossa geração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada </span></i><span style="font-weight: 400;">vai querer te fazer não parar. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_28373" aria-describedby="caption-attachment-28373" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28373 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png" alt="Capa do livro O caderno rosa de Lori Lamby. O fundo é inteiramente colorido, com o que parecem ser manchas ou respingos de tinta. Prevalece, do lado esquerdo inferior, manchas rosas e pretas, enquanto do lado direito, roxas, rosas, amarelas, pretas. Na parte superior e central, há manchas roxas, amarelas, laranjas e verde água. No topo, encontram-se, em letras garrafais, as iniciais da autora Hilda Hilst – HH – com uma grafia transparente, ainda mostrando o fundo. Abaixo, em letras de forma branca, diagramadas à direita, se lê o nome da autora. Logo abaixo disso, o título do livro, em letras de forma branca. No canto inferior direito, o selo da Companhia das Letras" width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1.png 988w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28373" class="wp-caption-text">Um dos principais nomes da poesia e da prosa brasileira, Hilda Hilst foi a autora homenageada na 16ª edição da Festa Literária de Paraty (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Hilda Hilst &#8211; O caderno rosa de Lori Lamby (80 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.angelfire.com/ri/casadosol/drummond.html"><span style="font-weight: 400;">Hilda girando boates, Hilda fazendo chacrinha.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Seja pelo abalo que sua presença provocava na cena paulistana ou pelo choque em sua decisão de isolar-se em </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/galerias/literatura,casa-do-sol-a-mitica-morada-de-hilda-hilst,31452"><span style="font-weight: 400;">um sítio no interior</span></a><span style="font-weight: 400;">; olhar para a Hilda Hilst era entrar em um jogo. Um jogo de imprevisibilidades de uma escrita que apunhalava pelas costas todos os gêneros em que se aventurava. No entanto, mesmo com os elogios da crítica especializada, </span><a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/hilda-hilst-e-a-poesia-em-estado-de-urgencia/"><span style="font-weight: 400;">a obra da poeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha um grande alcance entre os leitores brasileiros. Lida em banheiros, lida em trens, lida para passar o tempo, o desejo de Hilst era </span><i><span style="font-weight: 400;">ser lida.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210558/o-caderno-rosa-de-lori-lamby"><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora dá seu xeque-mate. Ora </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/poesia/hilda-hilst-duela-com-deus"><span style="font-weight: 400;">complexa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1201200207.htm"><span style="font-weight: 400;">louca</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hilst compõe, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lori Lamby, </span></i><span style="font-weight: 400;">um texto fácil e </span><a href="https://soundcloud.com/companhiadasletras/150-o-caderno-rosa-de-lori-lamby-um-bate-papo-com-vera-iaconelli-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">tão polêmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não teria como </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">ser lido. No diário de uma garota de 8 anos que relata sua prostituição, com uma linguagem que chega a ser ridícula de tão infantil, ao mesmo tempo que enquadra as dificuldades de seu pai, um escritor falido, a conseguir atenção do mercado editorial, a escritora constrói o absurdo da prostituição infantil e de um pai neurótico como um recurso metafórico de sua própria situação, enquanto mulher no </span><a href="https://leiturascontemporaneas.org/2019/04/18/e-metafisica-ou-putaria-das-grossas-hilda-hilst-e-o-mercado-de-livros-anotacoes-iniciais/"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em entrevistas, estranhamente frequentes na época de lançamento do livro, ainda mais para quem escolheu estar longe dos tablóides, Hilst brinca com o </span><a href="https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2017/12/05/lado-pornografico-de-hilda-hilst-pode-colocar-fogo-nos-debates-sobre-a-arte/"><span style="font-weight: 400;">impacto</span></a><span style="font-weight: 400;"> moral do </span><a href="https://blogdoims.com.br/uma-senhora-pornografica-e-por-que-nao/"><span style="font-weight: 400;">pornô</span></a><span style="font-weight: 400;"> para desafiar e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5yeFhO4G2OQ"><span style="font-weight: 400;">dar uma banana</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mercado editorial, que a levava a sério demais para incentivar sua produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao parodiar grandes nomes da literatura erótica, como Henry Miller e Georges Bataille, a poeta constitui, com um humor muito característico  – quase que tirado de um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://newronio.espm.br/john-waters-subversao-contracultura-e-cinema-trash/"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um desafio para ser lida para além do que estava em suas páginas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma bandalheira de uma escritora no ápice de sua irreverência, </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/05/31/toda-a-ousadia-de-hilda-hilda"><span style="font-weight: 400;">tudo para pegar nos nervos dos caretas</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28374" aria-describedby="caption-attachment-28374" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28374 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg" alt="" width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1350x2048.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28374" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil sob tradução de Paloma Vidal, a obra foi finalista do International Booker Prize em 2021 (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Benjamín Labatut &#8211; Quando deixamos de entender o mundo (176 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não seria loucura pensar a ciência como uma outra faceta do pensamento mágico? A bem da verdade, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer defenderam a ideia em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571104143/dialetica-do-esclarecimento"><i><span style="font-weight: 400;">Dialética do Esclarecimento</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1947), apontando para a “razão” como uma espécie de misticismo, na qual impera nos entremeios sociais um culto aos números e formas precisas. O que se mantém oculto, porém, é a forma como as mais exatas das ciências estão ancoradas no extraordinário: na ideia absurda e abstrata de provar uma hipótese. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/quando-deixamos-de-entender-o-mundo"><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é composto por quatro narrativas, que são interligadas magistralmente por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-10/o-chileno-benjamin-labatut-novo-fenomeno-editorial-da-america-latina.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamín Labatut</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao apontarem para os sonhos e desejos místicos que nortearam grandes revoluções científicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro</span> <span style="font-weight: 400;">é vendido como um “romance de não-ficção” – uma contradição entre termos que soa absurda –, cuja principal característica é justamente a forma como aponta para a quantidade imaginativa e “mágica” que circunda o nosso mundo “real”. As descobertas científicas, muito bem estabelecidas e respeitadas por seus mecanismos técnicos, não se distanciam dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/?fbclid=IwAR2cSE-xjAKh8ZsytbCoK22s2ja_8MBabdnOlxf3vKRWzZM81uWv5jCZgaI"><span style="font-weight: 400;">aparatos fantásticos</span></a><span style="font-weight: 400;">: todas essas surgiram de uma hipótese, até mesmo de um sonho, e as verdadeiramente impactantes – como Schrödinger e sua mecânica quântica, o “Princípio da Incerteza” de Werner Heisenberg e os ideais matemáticos-anarquistas de </span><span style="font-weight: 400;">Alexander Grothendieck</span><span style="font-weight: 400;"> – foram contra tudo o que se havia estabelecido como “ciência exata” até aquele momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possível “loucura” da obra não soa tão estranha aos leitores de Thomas Pynchon, que desenvolveu em seus livros – em especial </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571647992/o-arco-iris-da-gravidade"><i><span style="font-weight: 400;">O Arco-Íris da Gravidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973) – uma mistura pitoresca entre fato científico e invenção artística. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova, assim como Adorno e Horkheimer fizeram, que as invenções científicas ancoradas na ideia de progresso estão sempre fadadas ao fracasso. Como escreveu </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/o-jovem-benjamin/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a técnica, por si só, é a junção da Arte e da Tecnologia. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28375" aria-describedby="caption-attachment-28375" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28375 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg" alt="Capa do livro Shine: Uma chance de brilhar da escritora Jessica Jung. A arte da capa é um desenho estruturado em tons de rosa e roxo. O cenário é o quarto de uma jovem garota decorado com pôsteres e um enorme espelho. A jovem está de frente para o espelho e de costas para o leitor. Ela veste uma camiseta rosa e um shorts azul enquanto se imagina em cima de um palco. Na parte inferior, o nome do livro está escrito em roxo e branco, e o nome da autora está escrito em branco." width="606" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1-517x800.jpg 517w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28375" class="wp-caption-text">No Brasil, a <a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2020/10/saiba-tudo-sobre-o-lancamento-de-shine-livro-de-jessica-jung/">arte de capa</a> do livro foi escolhida por Jessica Jung em um concurso (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Shine: Uma chance de brilhar (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jessica Jung é uma artista sul-coreana conhecida por ter integrado o grupo feminino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ"><span style="font-weight: 400;">Girls Generation</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, ela estreou como escritora com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bv-eomSjDGw"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma narrativa que reflete a sua trajetória pessoal na indústria do </span><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A protagonista de Jung é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPpd9b5AiC4&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">Rachel Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem garota que sonha em ascender aos palcos e acaba descobrindo o quanto os bastidores do entretenimento são extremos e cruéis. São muitas as similaridades entre autora e obra: desde a xenofobia sofrida por Kim até a doçura de sua irmã mais nova, a história parece convergir para uma biografia não autorizada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre romances escondidos dos fãs, jornadas de trabalho exaustivas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wq7ftOZBy0E"><span style="font-weight: 400;">colegas de trabalho malvadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jessica Jung ilumina a misoginia da Música sul-coreana e continua o debate sobre as condições nada humanas que as empresas de </span><i><span style="font-weight: 400;">idols</span></i><span style="font-weight: 400;">, celebridades asiáticas, impõem sobre os seus produtos: crianças e adolescentes ainda em fase de formação. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficção criada por fãs, mas pode ser considerada uma </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/jessica-jung-revela-detalhes-sobre-seu-livro-shine-uma-chance-de-brilhar/"><i><span style="font-weight: 400;">idolfic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, enquanto Jung não se sente confortável em contar a sua vida a partir da primeira pessoa do singular, os leitores podem decifrar </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sequência lançada em 2022. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28377" aria-describedby="caption-attachment-28377" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28377 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-escafandro-e-a-borboleta-1-1.jpg" alt="Capa do livro O Escafandro e a Borboleta. A capa tem um fundo branco com o nome do livro centralizado na parte de cima e escrito em vermelho. Abaixo do título há uma linha vermelha pontilhada e logo após o nome do autor. Mais abaixo, há letras dispostas em 6 linhas e 6 colunas, em uma espécie de caça-palavras. Ao fundo deste caça-palavras, há quatro letras maiores e em formato minúsculo, são elas “m”, “g”, “c” e “e”" width="334" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-28377" class="wp-caption-text">A obra ganhou uma adaptação francesa em 2007 por Julian Schnabel (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>Jean-Dominique Bauby: O Escafandro e a Borboleta (144 páginas, WMF Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando as palavras, maior instrumento do seu trabalho, não podem mais ser vocalizadas? É assim que Jean-Dominique Bauby analisa sua história de vida. Após um derrame, Bauby, que era editor da revista francesa <em>Elle</em>, se encontra em uma condição chamada de </span><a href="https://www.lecturio.com/pt/concepts/sindrome-de-locked-in/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Locked-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Síndrome do Encarceramento), na qual perde o movimento de quase todo seu corpo, podendo apenas movimentar o olho esquerdo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><a href="https://www.google.com/amp/s/aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/personagem/jean-dominique-bauby-a-impressionante-saga-do-homem-que-escreveu-um-livro-com-a-palpebra.phtml"><span style="font-weight: 400;">apenas piscando o olho</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com a ajuda de uma fonoaudióloga, que Bauby cria <em>O Escafandro e a Borboleta</em>, uma sincera e tocante análise da vida pelos olhos de alguém que vê sua vida passar enquanto está preso dentro do próprio corpo. Mesmo nessa condição, o autor traz um humor sarcástico para a obra, sem deixar que a história caia no nicho da auto-ajuda. Porém, a história do Escafandro, armadura de mergulho pesada que dificulta seus movimentos (seu corpo) e a Borboleta, animal leve e que voa livre (sua mente) tem o poder de trazer uma nova perspectiva para como enxergamos nossa própria existência. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_28378" aria-describedby="caption-attachment-28378" style="width: 446px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28378 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-milesimo-andar-1.jpeg" alt="Capa do livro O Milésimo Andar. O fundo é completamente preto, com apenas alguns pequenos pontos luminosos, como estrelas. Ao centro, vê-se um grande prédio dourado, com o título da obra escrito na frente. Na parte superior há a frase “Quanto mais alto você está, pior é a queda”, e na inferior estão o nome da autora e a informação de que o livro é um best seller do The New York Times. Na lateral, perto do canto inferior direito, está o nome da editora" width="446" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-28378" class="wp-caption-text">O Milésimo Andar mostra que a vida nas alturas pode não ser tão maravilhosa assim (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Katharine McGee &#8211; O Milésimo Andar (420 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>“Em apenas três minutos, ela iria colidir com o cimento implacável da East Avenue, mas agora, neste exato momento, ela estava mais linda do que nunca”</em>. Assim se inicia</span> <a href="https://www.amazon.com.br/mil%C3%A9simo-andar-Katharine-McGee-ebook/dp/B079XCWG5N/ref=sr_1_2?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-2"><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra lançada em 2018 e escrita por Katharine McGee, que aborda a vida, os segredos e os fardos de cinco jovens ー Avery Fuller, Leda Cole, Rylin Myers, Watt Bakradi e Eris Dodd-Radson ー no futuro distópico e tecnológico de Manhattan em 2118, pós aquecimento global, onde toda a população da cidade é obrigada a morar em um prédio de mil andares para viver em condições normais após o colapso da natureza.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro possui uma leitura fluida e não muito complexa. Além disso, é muito interessante para quem gosta de histórias com diversos pontos de vista, já que cada capítulo é narrado por um dos personagens principais. O ponto alto da obra são os temas fortes que são abordados com muita maestria e cuidado, como incesto, pressão familiar, desigualdade social, depressão, vício em drogas e outros. Apesar da temática delicada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de ser leve e divertido de se ler, e é impossível não ficar envolvido com o mistério apresentado, sendo sua única opção ler até o final para receber uma reviravolta surpreendente. E para quem gostar deste título, ainda há as sequências </span><a href="https://www.amazon.com.br/altura-deslumbrante-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B07S2T15QD/ref=sr_1_4?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Altura Deslumbrante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/vista-infinita-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B08H5NQ4B3/ref=sr_1_3?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-3"><i><span style="font-weight: 400;">A Vista Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
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<figure id="attachment_28379" aria-describedby="caption-attachment-28379" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28379 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg" alt="Capa do livro O Rei de Havana. O fundo é verde, na parte superior está escrito o nome do autor Pedro Juan Gutiérrez em letras pretas. Ao lado de seu nome, está o nome da editora Alfaguara e seu logo, arabescos entrelaçados, tudo em preto. Na parte inferior há o desenho de um corvo em preto, e o nome do livro &quot;O Rei de Havana” está escrito em branco, sobrepondo o desenho" width="660" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg 660w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-768x1192.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-990x1536.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1320x2048.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1200x1862.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1.jpg 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28379" class="wp-caption-text">E diz Pedro Gutiérrez que “ao cubano só resta o rum, a salsa e o sexo” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Juan Gutiérrez &#8211; O Rei de Havana (184 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Juan Gutiérrez escreve para os fortes de estômago, aqueles estupidamente curiosos em conhecer uma parte da vida em Cuba nos anos 1990. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei de Havana </span></i><span style="font-weight: 400;">atravessa toda a triste clareza com que seu protagonista Reynaldo enxerga a vida marginalizada na capital cubana. De maneira brilhante e obscena, a obra não só </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/23/cultura/1419361987_114715.html"><span style="font-weight: 400;">enxerga o submundo do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas descreve as particularidades das pessoas que a ele pertencem com um objetivo: questionar até que ponto há dignidade na vida de um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É maluco, né? Imaginar como alguém se acostuma tanto à margem da sociedade, à pobreza, à sujeira, que se sente intrínseco àquilo. É assim que </span><a href="https://homoliteratus.com/a-literatura-suja-do-escritor-cubano-pedro-juan-gutierrez/"><span style="font-weight: 400;">o protagonista de Gutiérrez</span></a><span style="font-weight: 400;"> vê a si mesmo, sem compreender como alguém prefere água corrente na torneira e comida no prato todos os dias. Rey é só um adolescente despreocupado, com uma vida arruinada, um passado traumático, e a vontade de permanecer não pensando em nada, nunca. E só se sente um verdadeiro rei quando está transando bêbado, sujo, sem tomar banho, em um lugar qualquer que cheire a xixi. O rei de Havana. </span><b>&#8211; Nathália Mendes </b></p>
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		<title>Estante do Persona – Março de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 20:54:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de acompanhar os relatos cruéis de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela quase onipresente cerimônia do Oscar 2022, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami.  Drive My Car, história que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Março de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27214" aria-describedby="caption-attachment-27214" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27214 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg" alt="Arte retangular de cor azul. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris azul clara. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Homens sem mulheres”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘março de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27214" class="wp-caption-text">Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de acompanhar os relatos cruéis de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=11295"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela</span><span style="font-weight: 400;"> quase onipresente cerimônia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000054&amp;idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=CjwKCAjwxZqSBhAHEiwASr9n9EqgivsOaPJOZ_csJXaR_UjfKoyAflZW94_2a2GB0705MDBeId3RjxoC6P8QAvD_BwE"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor japonês </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=04582"><span style="font-weight: 400;">Haruki Murakami</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, história que abre </span><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretor</span> <a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após suas quatro indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcI7gdFCneI"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/drive-my-car-mubi/"><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">gênero feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus contos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/abdulrazak-gurnah-em-sobrevidas-destaca-o-humano-ante-o-colonial.shtml">Abdulrazak Gurnah</a>. Ao final do mês, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=15166"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira obra lançada no Brasil do </span><span style="font-weight: 400;">tanzaniano vencedor do Prêmio </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427?s=20&amp;t=KZE62G37TTracihogYd89w"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021. A publicação dá início a uma série de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/10/companhia-das-letras-publicara-obras-de-abdulrazak-gurnah-vencedor-do-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">quatro lançamentos do autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Paradise </span></i><span style="font-weight: 400;">(finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">By the Sea </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desertion</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85142"><i><span style="font-weight: 400;">Contos de Odessa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do ucraniano </span><a href="https://homoliteratus.com/isaac-babel-e-os-contos-sobre-guerra-de-um-escritor-que-morreu-fuzilado/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Bábel</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou a ser vendido no </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, as quais se pode ler no carro, deitado, no </span><i><span style="font-weight: 400;">smartphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como bem entender.</span></p>
<p><span id="more-27197"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27198" aria-describedby="caption-attachment-27198" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27198 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg" alt="Capa do livro Homens sem mulheres, de Haruki Murakami. A imagem mostra um fundo preto, no qual estão espalhadas no lado esquerdo e na parte superior círculos nas cores preto, branco e rosa. Há uma faixa de cor rosa pouco acima do centro e dentro dela está escrito Haruki Murakami em fonte de cor preta, e Homens sem mulheres, em fonte de cor branca. No lado esquerdo ao nome do autor está o símbolo da editora Alfaguara, em fonte de cor preta." width="710" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-657x1024.jpg 657w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27198" class="wp-caption-text">Composta por sete contos ligados pela ideia de relacionamentos entre homens e mulheres, a obra é marcada por seu lirismo, e foi adaptada para o Cinema no longa Drive My Car (Foto: Alfaguara/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Haruki Murakami &#8211; Homens sem mulheres (240 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2014, </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do japonês Haruki Murakami, tem seu título inspirado em um conto de Ernest Hemingway, e é composto por sete narrativas que mesclam elementos oníricos e melancólicos, sempre deixando em aberto a dimensão sentimental dos personagens. A coletânea se abre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, conto que inspirou o laureado filme homônimo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e conta a história de um ator e diretor de teatro que contrata uma mulher para dirigir seu carro. Esse mesmo personagem está adaptando </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85171"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Tchékhov, em uma peça, e as questões levantadas ao longo da história – por que ele não dirige? O que aconteceu com a sua esposa? – são respondidas de forma lenta, como uma uma viagem tranquila de carro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></i><span style="font-weight: 400;">, Murakami narra uma história com evidentes referências ao </span><a href="https://www.amazon.com.br/Livro-das-Mil-Uma-Noites/dp/8525065048/ref=asc_df_8525065048/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379725131710&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=15352725735199102908&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001726&amp;hvtargid=pla-395749133279&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Livro das</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mil e uma noites</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas a subverte e transpõe seu ar fantástico na banal vida cotidiana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mais longo conto da coletânea, tem semelhanças com outras de suas obras – principalmente </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/kafka-a-beiramar/2658"><i><span style="font-weight: 400;">Kafka à beira-mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) –, e retrata um episódio no qual o protagonista homônimo encontra sua esposa dormindo com o melhor amigo. Depois desse evento, abandona sua vida pregressa e decide abrir um bar; no entanto, os clientes estranhos que passam a frequentar o lugar forçam com que Kino desobedeça as regras estabelecidas por ele próprio, e sua jornada solitária de reclusão se transforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto que dá título ao livro fecha a coletânea, e tem seu início com um telefonema, no qual o homem que a recebe ouve de outro indivíduo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mulher dele</span></i><span style="font-weight: 400;">” se suicidou, e por esse motivo entrou em contato para informá-lo. A mulher em questão era sua amante, e o homem que ligou era o real marido da mulher. A partir desse momento, o protagonista começa a rememorar como a conheceu. O mais interessante é a forma como todos os contos do livro se interligam pelo <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/solidao-vida-murakami-marcia-namekata/">sentimento de solidão</a>, transposto inclusive na forma lenta de narrar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“U</span></i><i><span style="font-weight: 400;">m dia, de repente, você vai ser um dos homens sem mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Homens sem mulheres - Clube do Livro Março 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qlc7qve6o3isuH8Wjx7pE?si=9ea4e483b2c146bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_27199" aria-describedby="caption-attachment-27199" style="width: 791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27199 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg" alt="Capa do livro Me Chame Pelo Seu Nome. A capa mostra desenhos abstratos e coloridos, em laranja, verde, azul e marrom. No topo esquerdo da capa, vemos o nome do autor escrito em fonte branca. Na parte inferior direita, vemos o nome do livro, na mesma tipografia e cor." width="791" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-618x800.jpg 618w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-768x994.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1186x1536.jpg 1186w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1200x1554.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1.jpg 1275w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27199" class="wp-caption-text">O livro foi adaptado para as telas em 2017 e o texto de James Ivory venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado do ano seguinte (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>André Aciman &#8211; Me Chame Pelo Seu Nome (288 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Itália fumegante em clima e desejo, o jovem Elio é encantado por Oliver, um estudante que vem passar as férias na casa de sua família. O homem será instruído pelo pai do jovem, um acadêmico de renome que, sazonalmente, recebe novas mentes para auxiliá-lo com os livros e sua pesquisa. De supetão, o franzino e contemplativo adolescente acaba se entregando a uma </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/a-plenitude-do-amor-sem-termino-em-me-chame-pelo-seu-nome"><span style="font-weight: 400;">troca intensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o recém-chegado, que chega para chacoalhar sua visão de mundo e seus sentimentos em efervescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras do egípcio André Aciman, ficamos tão enamorados e em transe quanto os protagonistas dessa combustão de verão. A </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem em seu miolo o envolvimento de Luca Guadagnino, Timothée Chalamet e Armie Hammer, resgata o máximo que consegue da obra, mas quem se aventura pelas menos de trezentas páginas, embrenhadas em luxúria, encontra uma visão pouco esmiuçada do que significa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/02/me-chame-pelo-seu-nome-deixa-leitor-entregue-a-melancolia-difusa.shtml"><span style="font-weight: 400;">o ato de estar apaixonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, de se ver entregue de corpo, alma e pêssego. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27201" aria-describedby="caption-attachment-27201" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. A capa mostra o título do livro numa grafia estilizada, em fonte branca, em caixa alta, com arabescos, sob um fundo azul claro. Ao redor, existem ilustrações de teclas de piano, pincéis de pintura, notas musicais, folhas de livros, chapéus, luvas e flores, todas coloridas. Na linha inferior da imagem, existe uma faixa preta, onde está escrito, em fonte amarela e em caixa alta, “Louisa May Alcott”. Embaixo disso, está escrito o nome do livro, em branco e com apenas a inicial maiúscula. Em cima da faixa preta, existe uma faixa branca, onde está escrito, em preto, “Penguin Companhia”, e existe um desenho de pinguim colorido ao centro. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-996x1536.jpg 996w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1328x2048.jpg 1328w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1200x1851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27201" class="wp-caption-text">Se o tema é obra literária adaptada para o Cinema, Little Women não pode ficar de fora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa May Alcott &#8211; Mulherzinhas  (592 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1868, Louisa May Alcott lançou uma das obras </span><a href="https://observador.pt/2020/01/29/mulherzinhas-o-sucesso-literario-de-louisa-may-alcott-foi-o-que-a-autora-menos-gostou-de-escrever/"><span style="font-weight: 400;">mais influentes e queridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história da Literatura mundial, com uma roupagem que pressupunha exatamente o contrário para o contexto da época: um romance escrito por uma mulher, apresentando uma narrativa sobre mulheres, e intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em inglês). Para superar as expectativas e preconceitos, o livro mergulha no carisma de Meg, Jo, Beth e Amy, </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/31/adoraveis-mulheres-greta-gerwig-critica/"><span style="font-weight: 400;">as irmãs March</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas vivem, cada uma à sua própria maneira, entre os delicados anos de 1861 e 1865, marcados pela Guerra Civil Americana, que requisitou a presença de seu pai, precisando, assim, equilibrar as responsabilidades junto da mãe, Marmee, para manter a família e a casa em ordem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário caoticamente familiar é o lugar que Alcott encontra para provocar reflexões sobre os padrões sociais que interferem na vida e liberdade das mulheres. Assim, através da observação de Meg, a obstinação de Jo, a mansidão de Beth e confiança de Amy, a autora desenhou &#8211; com contornos autobiográficos &#8211; uma </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/21/mulherzinhas-resenha-louisa-may-alcott/"><span style="font-weight: 400;">analogia atemporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vastidão feminina em eterno conflito com o mundo que tenta domá-la. De tão rica, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> transcende a manifestação artística em que nasceu, destacando, entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152669/"><span style="font-weight: 400;">diversas adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mais variadas naturezas, o filme de Gillian Armstrong (</span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1994) e, mais recentemente e principalmente, o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> (mesmo título, de 2019), que foi indicado a seis</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2020, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27202" aria-describedby="caption-attachment-27202" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pequenas Epifanias. Arte digital retangular. Na parte superior, vemos um céu azul-claro com uma nuvem branca. Próximo da nuvem, lemos Pequenas Epifanias em letras brancas. Na parte inferior, vemos um fundo branco e a mão direita de uma pessoa branca. O dedo indicador está levantado e, sobre ele, há uma borboleta azul e preta. Na linha que divide as partes superior e inferior da capa, lemos Caio Fernando Abreu. Caio e Abreu estão em letras pretas, enquanto Fernando está em letras brancas. No canto inferior esquerdo da capa, vemos o símbolo da editora Nova Fronteira. Ele é formado por um triângulo, um retângulo e as palavras Editora Nova Fronteira. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-768x1184.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-997x1536.jpg 997w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1329x2048.jpg 1329w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1200x1849.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1.jpg 1661w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27202" class="wp-caption-text">Embora Pequenas Epifanias não seja o melhor exemplo, a Literatura de Caio Fernando Abreu estabelece vários paralelos com a Sétima Arte (Foto: Nova Fronteira)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Pequenas Epifanias (240 páginas, Nova Fronteira)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma seleção de crônicas publicadas pelo escritor Caio Fernando Abreu entre as décadas de 1980 e 1990, nos jornais </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero Hora</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afastando-se, no entanto, das coletâneas literárias mais convencionais, a primeira edição desse livro só foi desenvolvida em 1996, poucos meses após a morte do excepcional contista brasileiro. Mais do que uma publicação póstuma, a obra em questão é a escolha perfeita para quem quer ter um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9kpSkfcUL3Y"><span style="font-weight: 400;">primeiro contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os textos de Caio, já que ela compila elementos muito agradáveis aos mais diversos tipos de amantes dos livros, tais como a proximidade com o leitor, um constante tom de confissão, pessoalidade e subjetividade intensas, além de uma perceptível diversidade temática. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, a Literatura de Caio F. não é homogênea e, exatamente por causa disso, ela não assume um tom único, fugindo com maestria da mesmice. Em sintonia com essa constatação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue captar muito bem </span><a href="https://www.nonada.com.br/2015/02/pequenas-epifanias-caio-fernando-abreu/"><span style="font-weight: 400;">as nuances</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma escrita intensa, devota, artisticamente honesta, precisamente lapidada e, às vezes, até mesmo provocativa. Não é de se espantar, portanto, que algumas das crônicas presentes neste livro se aproximem demasiadamente daquilo que, por convenção, conhecemos como conto. Afinal, mesmo estampando páginas de jornais, Abreu pertencia de fato às artes literárias &#8211; e as minúcias do cotidiano nunca mais serão as mesmas para quem se apaixonar por essa figura artística tão encantadora. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_27206" aria-describedby="caption-attachment-27206" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27206 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro O Silêncio dos Inocentes. A lateral esquerda é amarela. Ao centro vemos a silhueta de uma cabeça de caveira com asas de mariposa na cor marrom. Atrás há formas irregulares e de simetria horizontal nas cores amarelo e marrom. Abaixo do meio há uma faixa amarela e nela lê-se em preto “O SILÊNCIO DOS INOCENTES”. Abaixo lê-se em branco “THOMAS HARRIS”. À direita vê-se em preto a logo da editora Record. O fundo é branco." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1034x1536.jpg 1034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1379x2048.jpg 1379w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1200x1782.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1.jpg 1724w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27206" class="wp-caption-text">Apesar de pertencer a uma trilogia, Silêncio dos Inocentes pode ser lido separadamente (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Thomas Harris &#8211; O Silêncio dos Inocentes (318 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos são os filmes que se consagraram </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/02/24/veja-os-recordes-e-curiosidades-do-oscar.htm#:~:text=1%20%2D%20Apenas%20tr%C3%AAs%20filmes%20at%C3%A9,Sil%C3%AAncio%20dos%20Inocentes%20(1991)."><i><span style="font-weight: 400;">Big Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na cerimônia de premiação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais incomum ainda é uma produção de Terror sair com a estatueta do maior prêmio da noite. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu o duplo feito se baseando na obra homônima de Thomas Harris. O livro de 1988 é o segundo na trilogia protagonizada por Lecter e responsável por introduzir a ávida Clarice Starling, uma das melhores alunas da turma do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Explorando o processo de investigação e suas burocracias, a leitura fluida é um auxílio para entender toda glorificação da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de seu antecessor, </span><a href="http://livrosemserie.com.br/2012/08/22/resenha-dragao-vermelho-de-thomas-harris/"><i><span style="font-weight: 400;">Dragão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foca menos na mentalidade doentia de seu assassino e mais na sádica perspicácia de Hannibal e em sua relação com Clarice. Ela, por sua vez, é peça chave para os momentos de maior deleite de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;">. A construção da personagem abarca o machismo e o sexismo da área pericial e toda força de Starling no desafio de se encontrar com Lecter, mesmo que para isso precise passar pelos imundos corredores da cadeia, causando as cenas de maior desconforto no leitor. A maior responsabilidade de Harris nessa publicação foi esclarecer que Buffalo Bill não é um personagem transsexual, livrando o produto de um beco de problemáticas, principalmente pela época na qual foi escrita. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27207" aria-describedby="caption-attachment-27207" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27207 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Coração tão branco, de Javier Marías. Na imagem, há na parte inferior esquerda o desenho de um sutiã de cor branca, em um fundo de cor roxa. No lado direito, há, em um fundo de cor laranja, os escritos Coração tão branco, em fonte de cor branca. Abaixo desse título está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor preta. Na parte superior está escrito Javier Marías, em fonte de cor roxa em um fundo de cor rosa. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1.jpg 1476w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27207" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Corazón tan blanco é uma das obras fundamentais na carreira do espanhol Javier Marías (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Javier Marías &#8211; Coração tão branco (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência de eventos que compõem nossas vidas e se sucedem ao longo dos dias parece ser uma causalidade esquisita. Essa é uma das obsessões de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/06/eps/1504730535_504329.html"><span style="font-weight: 400;">Javier Marías</span></a><span style="font-weight: 400;">, que de alguma forma suspeita não existirem causalidades, pois tudo depende de nossa forma arbitrária de recortar o presente e transformá-lo em alguma mensagem oculta. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80083"><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992), o escritor espanhol traça uma história através do fluxo da consciência de seu protagonista, Juan, um tradutor e intérprete que, desde o dia de seu casamento, começa a sentir </span><i><span style="font-weight: 400;">“pressentimentos de desastre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> – sem ter conhecimento que essa sensação é um tipo infortúnio de herança –, agravados durante a viagem de núpcias com Luisa, em Havana. Até então, ele ainda não sabia que sua tia, Teresa, havia se suicidado assim que regressou de sua própria lua de mel (o suicídio é, literalmente, a abertura do romance).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que chama atenção na obra é a maneira a qual Marías reproduz as incertezas dos segredos, os mesmos que, apesar de longínquos, guardam reações explosivas quando revelados. Cada personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;"> reage de forma diferente às confissões descobertas, e o mote das histórias fica evidente desde o início: o título é uma referência a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Shakespeare, e é proferido na obra clássica quando Lady Macbeth apunhala o já morto rei Duncan – para dividir o peso do assassinato –, mas se envergonha por agora possuir um “</span><i><span style="font-weight: 400;">coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A forma envolvente que Javier Marías desenvolve a história vale todo o esforço de leitura; ao terminar o livro, é muito difícil esquecer todas as revelações que nos foram confiadas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>A filha perdida de Elena Ferrante pode ser você</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2022 20:43:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra &#8220;As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender&#8220;, define muito bem Elena Ferrante no que vem a ser o prólogo de seu terceiro romance. Lançado no Brasil em 2016 pela editora Intrínseca, A filha perdida traz o pseudônimo italiano, aclamado por suas  personagens femininas e reverenciado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A filha perdida de Elena Ferrante pode ser você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26020" aria-describedby="caption-attachment-26020" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26020 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222.jpg" alt="Imagem retangular de fundo laranja. Ao centro, foi adicionada a capa do livro A Filha Perdida, um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa é repleta de casas de telhado marrom avermelhado, no estilo mediterrâneo. É possível ver o céu e o mar azuis e uma torre verde. Está escrito, em letras brancas, &quot;A FILHA PERDIDA&quot; e &quot;ELENA FERRANTE&quot;. Na parte inferior central, há o selo da Intrínseca." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26020" class="wp-caption-text">Recentemente adaptado para o cinema, A filha perdida foi a escolha para o mês de dezembro de 2021 no Clube do Livro do Persona (Foto: Intrínseca/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, define muito bem </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> no que vem a ser o prólogo de seu terceiro romance. Lançado no Brasil em 2016 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Intrínseca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz o pseudônimo italiano, aclamado por suas  personagens femininas e reverenciado por sua honestidade cortante, numa proposta de encarar com honestidade o que talvez seja um dos principais aspectos da experiência da mulher na sociedade &#8211; e também </span><a href="https://blogueirasfeministas.com/2011/05/08/feminismo-maternidade-e-a-briga-nossa-de-cada-dia/"><span style="font-weight: 400;">um dos assuntos mais intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o início dos tempos -: a maternidade.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-25952"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pretexto para uma análise do lugar mais comum da formação da sociedade também deveria ser simples e acessível, numa direção completamente inversa à que sua complexidade pode sugerir. Então, assim </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">La figlia oscura</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) o faz: o livro nos coloca para acompanhar a história de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/cronicas-de-mae/escolhas-maternidade/"><span style="font-weight: 400;">uma mãe e suas filhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recai também sobre a sua história com sua própria mãe e sua experiência enquanto filha. O recorte e o objeto escolhidos surgem de um período de férias de Leda, uma professora universitária de meia idade, divorciada e mãe de Bianca e Marta, de 22 e 24 anos, que procura descanso no litoral sul da Itália, próxima da cidade onde nasceu e cresceu, depois que as filhas vão morar com o pai em outro país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Elena Ferrante não permite que o mergulho da personagem fique apenas nas águas pacificamente salgadas e agradavelmente ondulosas. O que deveria ser um momento de repouso para Leda se transforma num processo intenso de autorreflexão, desencadeado a partir do momento em que a personagem repara uma família também de férias pela região. Ela estabelece uma </span><a href="https://artrianon.com/2022/01/14/a-filha-perdida-livro-e-filme-um-honesto-relato-entre-os-tabus-da-maternidade/"><span style="font-weight: 400;">identificação singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Nina, a jovem mãe de Elena, que sempre se mostra um tanto deslocada do resto daquele grupo de pessoas &#8211; exceto quando exercendo passionalmente a sua maternidade. </span></p>
<figure id="attachment_25955" aria-describedby="caption-attachment-25955" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1.jpg" alt="" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25955" class="wp-caption-text">Nos cinemas, a história foi contada por Maggie Gyllenhaal, numa estreia impressionante da diretora e roteirista, que saiu premiada do <a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/">Festival de Veneza 2021</a> (Foto: Yannis Drakoulidis/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao observar as cenas protagonizadas pela família napolitana e deixar-se afetar pela maresia enquanto sozinha e longe de casa, a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba em memórias que remexem sentimentos profundos sobre sua família, infância, casamento e, principalmente, o início de sua vida como mãe. Impulsionada pela imersiva escrita em primeira pessoa, Elena Ferrante é dolorosamente sincera sob o pretexto de verbalizar as emoções de Leda, dedicando-se quase compulsivamente a um livro repleto de ‘canetadas’ sobre seu complexo tema central, que é marcado por </span><a href="https://leiturinha.com.br/blog/maternidade-real/"><span style="font-weight: 400;">vivências profundas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem o experiencia, mas também alvo de uma </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,a-filha-perdida-perturba-ao-tocar-na-sacralizacao-da-maternidade,70003941704"><span style="font-weight: 400;">sacralização</span></a><span style="font-weight: 400;"> histórica vinda de quem o observa de fora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por consequência &#8211; muito bem calculada, vale ressaltar -, a única coisa que não pode ser encontrada na protagonista é o estereótipo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">amor de mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Leda está completamente à vontade conversando consigo mesma, e nada esconde de quem toma parte de suas emoções, mostrando-se uma personagem que, muito longe de ser agridoce, é acidamente amarga. Mas ao contrário do que todas as suas camadas podem sugerir, a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é profundamente relacionável, como o resultado de um estudo preciso da mulher que é marcada pela inevitabilidade de pelo menos uma das duas vias trabalhadas pelo romance: a experiência de uma mulher </span><a href="https://www.imagempalavramovimento.com/single-post/2016/05/06/ser-m%C3%A3e-e-ser-filha"><span style="font-weight: 400;">como filha e como mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo o caminho de forte oposição aos polidos padrões patriarcais, a linguagem de Elena Ferrante não procura atender nada que não seja a verdade de quem vive além de todas as </span><a href="https://agorasoumae.com.br/estereotipo-de-mae-como-a-sociedade-limita-a-mulher-ao-de-mae/"><span style="font-weight: 400;">expectativas impossíveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> de benevolência, controle e sabedoria. </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> não nos deixa enganar: a sinceridade de sua protagonista pode parecer autodepreciativa, mas Leda é austera demais até para o nível mais complexo de autopiedade e distanciamento da realidade. Vide os momentos mais críticos de sua história, onde é comum encontrar uma reação viciada da personagem, que como forma de se defender dos julgamentos, tentar compreender seu próprio comportamento e/ou até mesmo como forma de expressar a confusão mental que surge após relembrar memórias tão emocionalmente atribuladas, desabafa fria e sinceramente um &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Não sei o que aconteceu&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Bianca uma vez gritou para mim, aos prantos: você sempre se acha superior. E Marta: por que você quis nos ter se não faz outra coisa além de se queixar de nós? Pedaços de palavras, sílabas apenas. <strong>Sempre chega o momento em que os filhos dizem com raiva e tristeza: por que você me deu a vida?</strong></span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se a narrativa recusa completamente o principal aspecto dos padrões maternais, outro elemento fundamental da experiência é o que mais transborda das vivências de Leda &#8211; e incomoda o leitor de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela nutre uma consciência concreta de tudo, desde o que recebeu da mãe, seus traumas, até o que deixou para as filhas e os padecimentos das garotas. Para encerrar o panorama emocional do livro, Ferrante orienta tudo isso para desencadear o sentimento mais silencioso de suas páginas reflexivamente barulhentas. E quanto à </span><a href="https://vogue.globo.com/moda/moda-news/noticia/2019/08/importancia-de-outras-maes-para-uma-maternidade-com-menos-culpa.html"><span style="font-weight: 400;">emoção mais ingrata</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma mulher que exerce o papel de mãe, não há o que ser discutido além da própria expressão da personagem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Era o sentimento de culpa: eu achava que todo sofrimento que atingisse as minhas filhas era fruto do já comprovado fracasso do meu amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> compõe o retrato complexo do relacionamento mãe-e-filha, aprofundando uma análise sobre relações </span><a href="https://www.32rba.abant.org.br/arquivo/downloadpublic?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNToiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjQ6IjMyNDciO30iO3M6MToiaCI7czozMjoiZWQyMDQ3NDQ2MDQxZWIxZWE3OTJhODg0MmEwY2ZlYTciO30%3D"><span style="font-weight: 400;">intergeracionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma menina rigidamente criada em padrões de gênero se transforma em uma mulher que cria duas garotas em uma nova época, ciente dos comportamentos maternos que lhe foram traumáticos, mas que, ao mesmo tempo, ainda carrega marcas teimosas de estereótipos sexistas e misóginos. Não por acaso, a personagem carrega como certeza a ideia de que o que mais ama em suas filhas é o que é estranho à sua própria personalidade. Assim, Leda é indiscutivelmente uma filha machucada e uma mãe que machuca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre comparações, intromissões e julgamentos que orientam sua interação com Marta e Bianca, Leda constrói sua autopercepção através da visão que as filhas têm dela &#8211; ou mais precisamente, a que acredita que elas têm. Entre ser aterrorizada pela possibilidade de infelicidade das garotas e manifestar comportamentos destrutivos para aspectos importantes da vida das duas, </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/04/11/por-que-tantas-mulheres-repetem-na-relacao-atitudes-que-criticavam-nas-maes.htm"><span style="font-weight: 400;">a relação paradoxal entre as mães e as filhas</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra cada vez mais longe de ser um ideal. E enquanto isso, a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra cada vez mais próxima da realidade.</span></p>
<blockquote><p>“Nas conversas com as minhas filhas, ouço palavras ou expressões omitidas. Às vezes, elas ficam com raiva e dizem “mamãe, eu nunca falei isso, é você que está dizendo, você inventou isso”. Mas eu não invento nada, só escuto, <strong>o não dito fala mais que o não dito</strong>.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momento algum, porém, a escrita de Elena Ferrante coloca a sua protagonista em vestes vilanescas. É para aprofundar ainda mais </span><a href="https://glamour.globo.com/lifestyle/noticia/2022/01/a-filha-perdida-lembra-que-maes-sao-antes-de-tudo-mulheres.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a humanidade da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, aliás, que existe o gatilho da história, quando a imagem de Nina atrai o olhar de Leda. Ela já tem um histórico de encantamento por mulheres jovens manifestando felicidade e liberdade, como os devaneios do livro e algumas figurantes introduzem muito bem, mas encontrar alguém em seus </span><a href="https://www.revide.com.br/noticias/cidades/dia-das-maes-sobre-ser-mae-e-ser-jovem/"><span style="font-weight: 400;">vinte e poucos anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (aparentemente) contente com a própria maternidade é demais para aquele psicológico, que foi pego de surpresa por um ser crescendo dentro de si quando tinha 23 anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É que a autora de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i> <a href="https://valkirias.com.br/personagens-limitrofes-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">respeita demais suas personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem mesmo a jovem-segunda-protagonista está ali apenas como um alvo de projeção. Não há como fugir da perspectiva das mães da história, afinal. Então, Nina também tem espaço para revelar suas questões à medida em que se aproxima de Leda. Oscilando radicalmente entre ilustrar uma mãe ideal e exemplificar a </span><a href="https://www.analuizadefigueiredosouza.com.br/post/maternidade-compuls%C3%B3ria-defini%C3%A7%C3%A3o-e-problematiza%C3%A7%C3%B5es#:~:text=De%20modo%20mais%20simples%2C%20conforme,represente%20de%20fato%20uma%20escolha.&amp;text=A%20socializa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20%C3%A9%20fortemente%20marcada%20pelo%20maternalismo."><span style="font-weight: 400;">maternidade compulsória</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que apreende as meninas desde o momento em que elas passam a existir neste mundo -, a relação das duas segue complexa. Assim, Ferrante traz fôlego narrativo ao livro, mais como história e menos como análise social, ao mesmo tempo em que funde as duas perspectivas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/lorena-portela/a-filha-perdida-nao-funcionaria-com-um-pai-no-papel-principal-e-isso-e-um-problema-1.3180803"><i><span style="font-weight: 400;">E cadê o pai dessas crianças?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, alguém que lê um texto sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode se perguntar. Aqui está mais um estalo genial de Elena Ferrante: a completa desnecessidade de mencionarmos o homem que concebeu as garotas junto de Leda diz muito sobre o tipo de história encontrada em </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem precisar da representação de uma figura de paternidade totalmente ausente, o livro mostra que pouco importa sua ação dentro da narrativa. E num retrato fiel de quem absorve a ideia social de que é a principal responsável pelos filhos numa série de cuidados tidos como impossíveis de serem divididos, a amargura de Leda não o tem entre seus principais alvos.</span></p>
<blockquote><p>“Assim, aos vinte e poucos anos, qualquer outra brincadeira havia acabado para mim. O pai corria mundo afora, uma oportunidade atrás da outra. Não tinha nem tempo de reparar o que fora copiado do seu corpo, como havia resultado a reprodução. Mal olhava as duas meninas, mas dizia com ternura verdadeira: são iguaizinhas a você. Gianni é um homem gentil, nossas filhas gostam dele. <strong>Ele cuidou pouco ou nada delas, mas, quando foi necessário, fez tudo o que podia, agora também faz tudo o que pode.</strong>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma história totalmente fundamentada na densidade emocional de idas e vindas de sua protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> se organiza num ritmo regular. Trazendo ordem ao caos, os capítulos de Elena Ferrante parecem seguir um padrão muito bem disfarçado, sempre desenrolando um momento presente que logo desencadeará uma reflexão íntima na personagem que narra a história. Entretanto, </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,escrever-e-como-girar-a-faca-na-ferida-revela-elena-ferrante,70003417132"><span style="font-weight: 400;">a maestria da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> não permite conclusões precipitadas: em momento algum, essa construção se transforma num defeito do romance, já que a progressão de sua trama é tão imprevisível quanto o caminho da mente desenfreada de Leda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto às polêmicas sobre a identidade por trás de um dos nomes de maior sucesso da Literatura contemporânea, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreita as possibilidades. A facilidade com que a autora arquiteta as digressões de Leda só pode surgir de um </span><a href="https://valkirias.com.br/as-mulheres-de-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">lugar radical de identificação e análise</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é fato que a universalidade do tema faz com que a tradução do livro não seja um ponto de complicação para </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/elena-ferrante-marcello-lino/"><span style="font-weight: 400;">Marcello Lino</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é de se questionar porque a edição brasileira não apostou numa transcrição que tivesse mais proximidade com as experiências que Elena Ferrante decidiu retratar. A impressão é de que a pessoa por trás do pseudônimo tem completa ciência de que isso poderia acontecer com as suas traduções pelo mundo, porque a objetividade de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> ancora suas leituras mais profundas em representações concretas &#8211; a boneca, a pinha, o ventre, a agulha e quem sabe até a personagem que compartilha o mesmo nome da autora.</span></p>
<blockquote><p>“As línguas, para mim, têm um veneno secreto que de vez em quando aflora e para o qual não há antídoto.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso ressaltar, no entanto, que a obra não se sufoca numa narrativa monotemática, mas ainda provoca reflexões sobre o próprio processo de formação de uma família, a cultura italiana e até observações linguísticas. </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> em nada é o que parece. Muito mais do que ancorar um suspense ou melodrama, o romance, de forma quase metalinguística ao trabalho de sua autora, está em algo além: </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/28/estilo/1551353871_772692.html"><span style="font-weight: 400;">o maior trabalho que se pode ter na vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto em uma das posições mais difíceis que se pode estar dentro da sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para suceder o aclamado </span><a href="https://www.instagram.com/p/COv4EEtHyKu/?utm_medium=copy_link"><i><span style="font-weight: 400;">Dias de Abandono</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), visto por boa parte da crítica literária como o seu melhor romance, Elena Ferrante voltou o seu olhar para a complexidade deste processo, envolto em estereótipos de gênero, padrões históricos de comportamento, expectativas enormes de coisas que são muito maiores do que nós. Em seus caminhos para tal, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> conclui uma observação: </span><a href="https://lunetas.com.br/a-filha-perdida/"><span style="font-weight: 400;">todas nós</span></a><span style="font-weight: 400;"> somos a filha perdida em algum aspecto. Menos a criação de Elena Ferrante, que é plenamente consciente de tudo isso, sabe onde está, e certamente saberá onde te encontrar.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=b7bfd9811f1441f6">https://open.spotify.com/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=b7bfd9811f1441f6</a></p>
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		<title>Estante do Persona – Dezembro de 2021</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2022 20:48:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.” &#8211; Joan Didion Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua Estante e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Dezembro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25581" aria-describedby="caption-attachment-25581" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25581" class="wp-caption-text">A terceira edição do Estante do Persona foi orientada pela leitura coletiva de A filha perdida, drama sobre maternidade que leva a assinatura misteriosa de Elena Ferrante (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Joan Didion</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês de dezembro, teve a oportunidade de conhecer a Literatura de uma das autoras mais relevantes da atualidade, e de admirar o legado deixado por duas das mais importantes escritoras dos últimos tempos. É que em meio à leitura coletiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério aclamado que existe ao redor do nome </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Persona se juntou ao resto do mundo para a despedida de </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/joan-didion-a-trajetoria-da-autora-que-revolucionou-o-jornalismo-literario/"><span style="font-weight: 400;">Joan Didion</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 15, eternizamos bell hooks como a artista, professora, teórica, pesquisadora e escritora, que dedicou mais de 50 anos de sua vida a estudos e políticas interseccionais sobre </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Transgredir-Educa%C3%A7%C3%A3o-Pr%C3%A1tica-Liberdade/dp/8546901406/ref=sr_1_3?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-3"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;">, gênero, raça, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Comunidade-Bell-Hooks/dp/6587235417/ref=sr_1_8?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-8"><span style="font-weight: 400;">classe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e economia. Referência do </span><a href="https://www.amazon.com.br/n%C3%A3o-sou-uma-mulher-feminismo/dp/8501117404/ref=sr_1_6?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-6"><span style="font-weight: 400;">feminismo negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ativista </span><a href="https://www.amazon.com.br/Olhares-Negros-Ra%C3%A7a-Representa%C3%A7%C3%A3o-Hooks/dp/8593115217/ref=sr_1_5?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-5"><span style="font-weight: 400;">antirracista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estudiosa do </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-perspectivas-Trilogia-ebook/dp/B08WYK42FW/ref=sr_1_1?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pseudônimo de Gloria Jean Watkins nasceu no interior de um Estados Unidos segregacionista e morreu num planeta que ainda tem muito o que superar, mas que, através de sua existência, tem muito mais conhecimento sobre como fará suas </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-pensamento-cr%C3%ADtico-Sabedoria-pr%C3%A1tica-ebook/dp/B08BT1MJ5K/ref=sr_1_7?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-7"><span style="font-weight: 400;">revoluções</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no dia 23, o mesmo era lembrado sobre Joan Didion, quando reconhecemos a necessidade de compreender o mundo em que vivemos e os humanos que o habitam. Ao usar seu olhar e suas palavras para </span><a href="https://www.amazon.com.br/%C3%A1lbum-branco-Joan-Didion/dp/6555111224/ref=sr_1_1?keywords=o+album+branco&amp;qid=1642167617&amp;s=books&amp;sprefix=o+album+%2Cstripbooks%2C273&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">registrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Rastejando-at%C3%A9-Bel%C3%A9m-Joan-Didion/dp/655692086X/ref=sr_1_1?keywords=rastejando+ate+belem&amp;qid=1642167680&amp;s=books&amp;sprefix=rastejando+a%2Cstripbooks%2C228&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">interpretar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as transformações culturais e políticas da sociedade norte-americana na segunda metade do século XX, a californiana construiu uma carreira de mais de 60 anos, que entre muitos ensaios, alguns </span><a href="https://www.amazon.com.br/Play-as-Lays-Joan-Didion/dp/0374529949/ref=sr_1_1?keywords=joan+didion+play+it+as+it+lays+portugues&amp;qid=1642167812&amp;sprefix=joan+didion+play+it+a%2Caps%2C205&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.6d798eae-cadf-45de-946a-f477d47705b9"><span style="font-weight: 400;">romances</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/joan-didion-morte"><span style="font-weight: 400;">roteiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-ano-do-pensamento-magico-critica/"><span style="font-weight: 400;">transformou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o Jornalismo e a Literatura para todo o sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o contexto literário de dezembro se tornou grandioso, mas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu conta de o acompanhar. No embalo do lançamento da adaptação cinematográfica &#8211; já muito </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">celebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela direção da estreante </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2022/01/filha-perdida-adaptacao-do-romance-de-elena-ferrante-aborda-aflicoes-da-maternidade.html"><span style="font-weight: 400;">Maggie Gyllenhaal</span></a><span style="font-weight: 400;">, que chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no último dia do mês -, o Clube do Livro do Persona decidiu mergulhar nas praias do sul da Itália junto de Leda (vivida no Cinema por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AP4kQN5lWMw"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">) e nos dramas profundos de </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=6300"><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o último mês de 2021, reverenciamos o trabalho de mulheres que tanto fizeram pelo nosso passado, presente e futuro, e introduzimos a edição de dezembro do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Entre as indicações literárias da nossa Editoria e o comentário sobre a leitura do mês, vibra a honestidade visceral de uma história cuja autora tem coragem de dizer o que nós não temos &#8211; em perfeita harmonia com </span><a href="https://www.dailyadvent.com/news/b593b8784c9c50e96b95804011ef0e43-bell-hooks-and-Joan-Didion-Two-writers-of-integrity-and-courage"><span style="font-weight: 400;">o poder revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> das vozes que vieram antes dela.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“O coração da justiça é dizer a verdade, vermos a nós mesmos e ao mundo como somos, em vez de como gostaríamos que fôssemos.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; bell hooks</em></p>
</blockquote>
<p><span id="more-25580"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_25582" aria-describedby="caption-attachment-25582" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg" alt="Capa do livro A filha perdida, de Elena Ferrante. A imagem mostra uma ilustração em traços quadrados e chapados de uma cidade à beira da praia. Em dois terços verticais da imagem, existem desenhos de casas com telhados laranjas e paredes beges, e na linha superior da ilustração, existe a linha do mar, em um tom médio de azul, e a linha do céu, em tom de azul turquesa. Em cima/na frente do desenho, ao centro da capa, existe o nome da autora em fonte simples branca e caixa alta, e o nome do livro na mesma estilização. O selo da editora está na linha inferior, ao centro." width="667" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25582" class="wp-caption-text">As histórias de Elena Ferrante são muito bem adaptadas para o audiovisual: o maior destaque é a série baseada na Tetralogia Napolitana, o grande sucesso da autora, realizada pela HBO; agora, seu quarto romance está na tela da Netflix pela direção de Maggie Gyllenhaal (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Elena Ferrante – A filha perdida (174 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há um nome a ser perseguido na Literatura contemporânea, este é o de </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=l&amp;ai=DChcSEwjL1cj57LH1AhVjE9QBHZt2AA8YABAeGgJvYQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_0deAIgDT5c9mE5aANIUZBAP6FvZg&amp;q&amp;nis=1&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwje7bn57LH1AhUzq5UCHYopCicQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">. A assinatura da escritora italiana vendeu mais de 30 milhões de exemplares pelo mundo nos últimos 10 anos, sucesso atribuído, principalmente, à sua saga conhecida como </span><a href="https://personaunesp.com.br/serie-napolitana-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tetralogia Napolitana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério que cerca a identidade por trás de seu pseudônimo. Sua história mais vendida é a série de 4 livros iniciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Amiga Genial</span></i><span style="font-weight: 400;">, que narra uma longa amizade entre duas garotas nascidas em Nápoles na década de 40. O clamor da crítica, no entanto, é direcionado aos seus romances singulares, que sempre investigam camadas profundas de personagens femininas </span><a href="https://valkirias.com.br/as-mulheres-de-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">visceralmente verdadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É este caminho que nos leva até </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. O quarto romance de Ferrante, lançado na Itália em 2006, traduzido para o inglês em 2008 e publicado no Brasil em 2016, reflete sobre dilemas profundos da maternidade a partir de uma </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/25/escritora-italiana-que-vive-no-anonimato-sera-publicada-no-brasil-em-2015.htm"><span style="font-weight: 400;">protagonista agridoce</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela é Leda, uma professora universitária de meia idade que está de férias no litoral sul da Itália. Lá, distante da vida cotidiana e próxima de memórias de infância, ela conhece Nina, a jovem mãe de Elena e parte meio deslocada de uma barulhenta família napolitana. O encontro das desconhecidas logo engata um processo de reflexão íntima em Leda, gerando uma onda de pensamentos que vão desde sua relação com a sua mãe, até os laços que mantém com as suas filhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior traço da história é justamente a honestidade de Elena Ferrante ao tratar dos dramas de suas personagens. Sem se preocupar com qualquer juízo de valor ou corresponder ideais que aprisionam </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2022/01/03/As-m%C3%A3es-complexas-de-Elena-Ferrante-no-filme-%E2%80%98A-filha-perdida%E2%80%99"><span style="font-weight: 400;">mães e mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos polidos padrões patriarcais, as palavras da autora, traduzidas para o português brasileiro por Marcellino Lino, são </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/06/cultura/1573046745_374458.html"><span style="font-weight: 400;">completamente livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar o panorama psicológico de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, o impacto da narrativa é generalizado e muito bem arquitetado, como uma grande digressão investigativa e sentimental que não perde o fio nem em seus momentos mais subjetivos. Para isso, ela nos alerta desde o primeiro capítulo do livro: </span><i><span style="font-weight: 400;">“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”</span></i></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A filha perdida - Clube do Livro Dezembro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=40ed5325368f4961&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_25583" aria-describedby="caption-attachment-25583" style="width: 523px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25583 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg" alt="Capa do livro Todo dia a mesma noite. A capa é inteiramente cinza. Na parte superior lê-se em preto “daniela arbex”. Logo abaixo lê-se em branco “todo dia a mesma noite”. Abaixo lê-se em preto “a história não contada da boate kiss”" width="523" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-768x1174.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1005x1536.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1340x2048.jpg 1340w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1200x1834.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1.jpg 1578w" sizes="auto, (max-width: 523px) 85vw, 523px" /><figcaption id="caption-attachment-25583" class="wp-caption-text">A presidente Dilma Rousseff ficou ao lado das mães que aguardavam o duro momento de reconhecer os corpos de seus filhos (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Daniela Arbex &#8211; Todo dia a mesma noite (248 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ligar a TV naquele 27 de janeiro de 2013, ninguém imaginava que a dor daquele dia ficaria marcada para sempre na alma dos brasileiros. Isso porque, entre às 2h e 2h30, um incêndio na </span><a href="https://canalcienciascriminais.com.br/o-caso-da-boate-kiss-foi-um-terrivel-erro-judiciario/"><span style="font-weight: 400;">Boate Kiss</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Santa Catarina (RS), vitimou 242 pessoas e feriu outras 636. Em 2018, Daniela Arbex (a mesma autora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;">) concluiu a missão de verbalizar toda a angustia e sofrimento que as famílias ainda passam sobre a infindável tragédia. O resultado é o livro-reportagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia mesma noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrevistando familiares e profissionais que trabalharam no resgate das vítimas, Daniela se coloca ao lado das pessoas envolvidas e mostra seu respeito escrevendo o livro em terceira pessoa. Cada capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia é a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> é doloroso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Apesar do preparo emocional para esse tipo de trabalho, o incêndio na Kiss fugia a qualquer parâmetro</span></i><span style="font-weight: 400;">.” O cenário era de guerra e os detalhes precisamente escritos por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/daniela-arbex/"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixam o sentimento de luto passar ileso. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25584" aria-describedby="caption-attachment-25584" style="width: 513px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/o-mau-exemplo-de-cameron-post.jpg" alt="Capa do livro O Mau Exemplo de Cameron Post. A capa tem o fundo na cor salmão e, na parte superior central, vemos as palavras “EMILY M. DANFORTH” escritas em caixa alta, em branco e em uma fonte sem serifa. Partindo da parte superior esquerda e descendo até o centro da capa, vemos o contorno de um rio, pintado de azul claro, que desemboca em um lago em formato de coração. Ao longo da extensão do rio, vemos árvores e uma estrada, pintada de bege, e uma ponte. Vemos um arco-íris saindo da parte superior direita do lago. Ao centro do lago, vemos as palavras “o mau exemplo de Cameron Post” escritas em preto, em uma fonte cursiva. A palavra “mau” tem um risco vermelho por cima. Logo abaixo, vemos a frase “Descubra quem você é. Viva de acordo com suas próprias regras”, escrita em preto. Na parte inferior esquerda, ao lado do lago, vemos o desenho de uma casa marrom e uma estrada bege saindo dela. Na parte inferior central, vemos o logo da editora HarperCollins. Na parte inferior direita, vemos duas árvores e o contorno de uma estrada, em bege." width="513" height="744" /><figcaption id="caption-attachment-25584" class="wp-caption-text">“Ela encostou em mim de uma maneira que sequer reparou, e eu não consegui reparar em mais nada” (Foto: HarperCollins)</figcaption></figure>
<p><b>Emily M. Danforth &#8211; O Mau Exemplo De Cameron Post (448 páginas, HarperCollins Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Como a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">já adianta, o alívio não dura muito tempo. No primeiro livro de Emily M. Danforth, que ganhou uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6QeqCqkrmk"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrelada por Chloë Grace Moretz, Cameron Post é uma adolescente descobrindo e explorando sua sexualidade. Depois de ser flagrada aos beijos com uma menina pela tia religiosa e conservadora com quem mora desde a morte dos pais, Cameron é enviada para o acampamento Promessa de Deus para ser curada de suas “tendências homossexuais”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado pela Cameron Post em primeira pessoa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">embarca no presente e no passado de sua protagonista: a culpa e a angústia dela &#8211; e de outros adolescentes do acampamento, que passam pelo mesmo </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/cultura/1554474093_207527.html"><span style="font-weight: 400;">abominável processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de “cura” &#8211; se fazem sentir quando os experienciamos juntos da própria. Ela vai do desalento ao cinismo de fingir que se tornou “ex-gay” até a esperança de que talvez, se tentar o suficiente, ela realmente consiga mudar sua sexualidade e finalmente sair de lá. </span><span style="font-weight: 400;">Na pele de Cameron Post, o livro é doloroso ao abordar os abusos psicológicos, emocionais e, por vezes, físicos da terapia de conversão, que era comum nos Estados Unidos dos anos 80, quando a história se passa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bom </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KAUhY2gBTHQ"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">alivia as dores do agora lembrando do que já passou, e mescla a estadia no Promessa de Deus com a nostalgia das memórias da infância e da adolescência de Cameron, dela crescendo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">descobrindo mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma. E no lugar onde a esperança da protagonista morre, é também onde ela encontra, finalmente, seu lugar: junto de Adam e Jane, amigos que conheceu e de quem se aproximou no acampamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; e Cameron Post &#8211; se abrem para o futuro, com um final em aberto otimista e cheio de possibilidades. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25585" aria-describedby="caption-attachment-25585" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25585 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg" alt="Capa do livro Os Dois Morrem no Final. A foto é uma ilustração azul escura, e mostra duas silhuetas de pessoas andando por uma ponte, à noite. A sombra delas forma a imagem da morte, com o capuz e a foice. No topo da imagem, lemos em branco: Autor best-seller do New York Times, e abaixo disso: Adam Silvera. No meio da capa, também em branco, está o nome do livro e no canto inferior direito está o logo da editora Intrínseca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25585" class="wp-caption-text">Em comemoração ao vindouro aniversário do livro, o autor Adam Silvera confirmou uma nova obra ambientada no mesmo universo (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Adam Silvera &#8211; Os Dois Morrem no Final (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo uso de um delicioso artifício de </span><a href="https://escotilha.com.br/literatura/contracapa/afinal-o-que-e-e-o-que-nao-e-realismo-magico/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nova-iorquino Adam Silvera encanta em </span><a href="https://www.amazon.com.br/Dois-Morrem-Final-Acompanha-Exclusivo/dp/6555603046"><i><span style="font-weight: 400;">Os Dois Morrem no Final</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento LGBTQIA+ de 2017 que só chegou ao Brasil no ano passado, sob tradução de Vitor Martins. Na trama, o mundo divide espaço com a Central da Morte, uma espécie de </span><i><span style="font-weight: 400;">call center</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, assim que o relógio bate meia-noite, liga para as pessoas que vão morrer naquele dia e avisam do futuro ceifado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ambiente, conhecemos dois garotos, Rufus e Mateo, adolescentes com personalidades opostas, mas complementares, que se conhecem no último dia da vida de cada um. A história, que se espreguiça pela duração dessas derradeiras vinte e quatro horas, vai mostrando pequenas missões e desejos cumpridos dos agora amigos. Misturando aventura, romance e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0J94ZksFbm4"><span style="font-weight: 400;">um bocado de drama</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">They Both Die at the End</span></i><span style="font-weight: 400;">, infelizmente, não mente no título. É recomendado comprar uma caixinha de lenços de papel na hora de devorar esse sucesso literário. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25586" aria-describedby="caption-attachment-25586" style="width: 686px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25586 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella. Na imagem, há uma fotografia em preto e branco de presidiários jogando futebol no campo do presídio Carandiru. Ao fundo, está um muro de cor cinza com diversas janelas das celas, todas de cor preta. Na parte superior, alinhado à esquerda, está escrito Carandiru. As letras estão em fonte de cor branca, exceto a primeira letra A, que está em cor azul. Abaixo está escrito Drauzio Varella, em fonte de cor azul. Ao lado está escrito Estação Carandiru, em fonte de cor branca. Abaixo de Drauzio Varella, está o logo da editora Companhia das Letras, também em cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25586" class="wp-caption-text">Estação Carandiru foi o primeiro livro publicado por Drauzio Varella, e conta sua experiência como médico voluntário no presídio (Foto: André Brandão/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Drauzio Varella &#8211; Estação Carandiru (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1999, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11141"><i><span style="font-weight: 400;">Estação Carandiru</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é considerado um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros. Nessa espécie de livro-reportagem, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/05/a-trajetoria-de-drauzio-varella/"><span style="font-weight: 400;">Drauzio Varella</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta sua experiência como médico voluntário no Carandiru (então maior presídio da América Latina), de 1989 – quando chegou com um projeto de prevenção à AIDS – até seu respectivo fechamento, em 2002. A obra é composta pelas diversas histórias dos presidiários, contadas a Drauzio Varella, nas quais são relatadas as dificuldades e motivos que os levaram ao cárcere. Essas histórias também se misturam com a própria visão e trajetória do narrador, que tenta colocar uma perspectiva humana sobre os problemas sociais expostos dentro da cadeia, sem os típicos paradoxos e preconceitos envolvidos no tema, prevalecendo sua visão de médico, na qual há um diagnóstico sem o tom de denúncia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, enxergamos o presídio como um microcosmo da sociedade brasileira, deixando em evidência problemas de saúde pública, as desigualdades e a violência social. Percebe-se na leitura que, no Carandiru, todos seguem um código penal não escrito, inclusive os carcereiros, de forma a preencher o vácuo de poder que dificilmente permanece vazio. Há uma ordem mais ou menos cronológica das histórias, e seus capítulos finais relatam o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/como-foi-o-massacre-do-carandiru/"><span style="font-weight: 400;">Massacre do Carandiru</span></a><span style="font-weight: 400;">, ocorrido em 1992, onde 111 presos foram assassinados pela Polícia Militar no Pavilhão 9 da cadeia – local onde ficavam, majoritariamente, os presos de primeira viagem. Drauzio dá o início, chamado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Levante”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o desenrolar da confusão e o seu fim trágico, angariando depoimentos dos presos que conseguiram sobreviver. O livro recebeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2000, na categoria Livro do Ano, e foi adaptado para o cinema em 2003, no filme </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200307.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbara-paz-47-anos/"><span style="font-weight: 400;">Héctor Babenco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25587" aria-describedby="caption-attachment-25587" style="width: 671px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg" alt="Capa do Livro Os meninos da rua Paulo. Nela, há a ilustração de três meninos, à esquerda, ao lado da parede de uma casa, conversando com uma menina que está à direita, encostada em outro lado da casa. Um dos meninos está no canto esquerdo da ilustração, rindo; ele é branco, com cabelos castanhos escuros, e veste um casaco marrom claro, bermuda preta e botas marrons. Ao seu lado esquerdo, é possível ver as pernas de outro menino, mas que acaba tendo seu corpo escondido pelo terceiro, que está em sua frente. Este último, está com o braço esquerdo encostado na parede da casa, inclinado para conversar com a menina. Ele é branco, com cabelos escuros e lisos, e veste uma blusa verde-musgo de mangas compridas, bermuda marrom e botas marrons. A menina é branca, com cabelos lisos escuros, e ela veste um casaco comprido na cor vinho e sapatos marrons. No canto superior esquerdo, está escrito “Os meninos da rua Paulo” em fonte na cor verde. Abaixo da frase, está o nome do autor, “Ferenc Molnár”, também em fonte na cor verde. E, no canto inferior direito, ao lado dos pés da menina, está escrito “Tradução Paulo Rónai” em fonte preta." width="671" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-666x1024.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25587" class="wp-caption-text">No Brasil, Os meninos da rua Paulo foi adaptado para o Teatro, em 1992, com um elenco formado por atores como Selton Mello, Marcelo Serrado, Oberdan Júnior e Michel Bercovitch (Foto: Cosac Naify)</figcaption></figure>
<p><b>Ferenc Molnár &#8211; Os meninos da rua Paulo (264 páginas, Cosac Naify)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita pelo húngaro Ferenc Molnár, e publicada, pela primeira vez, em 1907, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das histórias mais adultas sobre a infância. Ambientado no ano de 1889, na cidade de Budapeste, a narrativa trata sobre a rivalidade entre dois grupos de meninos: os da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade do Betume</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra os</span><i><span style="font-weight: 400;"> camisas-vermelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos disputam pelo poder de um terreno baldio da rua que dá nome ao livro, considerado um espaço sagrado para suas brincadeiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Paulo Rónai, a obra já foi literatura obrigatória em diversas escolas do Brasil (inclusive na que eu estudei). O que poderia ser uma história facilmente abordada em tirinhas da Turma da Mônica, acaba por trazer uma perspectiva interessante sobre a </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/os-meninos-da-rua-paulo-os-desafios-da-passagem-para-vida-adulta.html"><span style="font-weight: 400;">transição da infância para a vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de falar sobre a falta de espaço para os jovens na sociedade e a violência psicológica que esses meninos eram submetidos no contexto histórico da Hungria da época. Não à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou</span> <span style="font-weight: 400;">um dos livros húngaros mais conhecidos ao redor do mundo, ganhou diversas adaptações para o Cinema e conversa com produções mais recentes, como o filme</span> <a href="https://www.imdb.com/title/tt0953382/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cidade das Crianças</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da dificuldade em lembrar dos complicados nomes dos personagens, até hoje não me esqueço da profunda história do pequeno Nemecsek. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.” &#8211;  Carlos Drummond de Andrade Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante.  O mês de outubro marcou o início do nosso Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24611" aria-describedby="caption-attachment-24611" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. Ao centro há uma estante de livros branca em formato retangular. Acima dela está escrito ESTANTE em fonte preta. Na primeira prateleira, na divisória esquerda, há o símbolo do Persona (desenho de um olho com a íris vermelha e um símbolo de play no lugar da pupila) ao lado da palavra DO em fonte preta. Na divisória da direita, está escrito PERSONA em fonte preta. Na segunda prateleira, há três divisórias, em que, na do meio, há a capa do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Na terceira e última prateleira, também há 3 divisórias, em que, na da ponta direita, há um troféu com o formato do símbolo do Persona. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24611" class="wp-caption-text">A primeira edição do Estante do Persona discute a obra A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e traz indicações dos membros do Clube do Livro (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan e Jho Brunhara/Texto de Abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211;  Carlos Drummond de Andrade</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de outubro marcou o início do nosso Clube do Livro, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de alguma obra sugerida. Ao final do mês, o Clube ainda se reúne para montar o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, com um comentário que sintetize as ideias sobre a leitura realizada e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas que se relacionem com a mesma, além de uma indicação de cada membro sobre algum livro marcante ou que mereça ser compartilhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como primeira leitura, o Clube do Livro teve a honra de poder prestigiar </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">uma das maiores autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura brasileira. </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paix%C3%A3o-Segundo-G-H-Clarice-Lispector/dp/853250809X"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Clarice Lispector, é narrado em primeira pessoa pela personagem que tem suas duas iniciais presentes no título da obra. Uma mulher, moradora do Rio de Janeiro, que, ao desempenhar a tarefa de limpar o “quartinho dos fundos” de seu apartamento, mergulha em um fluxo de pensamento contínuo simbolizado por um monólogo de reflexões existencialistas, uma das grandes marcas da escrita da autora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada mais simbólico do que estrear essa publicação especial num mês com acontecimentos tão marcantes para o meio literário. Além de no dia 29 de outubro ser celebrado o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Dia Nacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, as semanas anteriores também foram marcadas por grandes eventos. No dia 7, ocorreu a cerimônia de entrega do </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/04/premio-nobel.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Literatura 2021, que foi concedido ao autor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/de-refugiado-ao-nobel-da-literatura-quem-e-o-autor-abdulrazak-gurnah/"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, em 1948, o escritor é </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">especialista em Literatura pós-colonial e na temática de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, colecionando em sua carreira títulos como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paradise-Abdulrazak-Gurnah/dp/1565841638"><i><span style="font-weight: 400;">Paradise</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Afterlives-Abdulrazak-Gurnah/dp/1526615851"><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais ao final do mês, no dia 20, foi realizada a entrega do </span><a href="https://www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-camoes-literatura"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Camões</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a moçambicana </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/21/a-escrita-sagrada-da-romancista-mocambicana-paulina-chiziane"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tão simbólica quanto a vitória de Gurnah, Chiziane é a </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> a publicar um romance em Moçambique,</span> <a href="https://www.amazon.com.br/Balada-Amor-Vento-Paulina-Chiziane/dp/9722128159"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que o fez depois da independência. Com a figura da mulher moçambicana e africana no centro de sua escrita, a autora dedica-se a explorar os problemas enfrentados pela mesma no meio social, e tem como uma de suas obras de maior prestígio </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/niketche-uma-historia-de-poligamia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: Uma História de Poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher decide conhecer as outras esposas de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima desse mês repleto de grandes feitos na Literatura, você confere as indicações do Clube do Livro na primeira edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24591"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_24593" aria-describedby="caption-attachment-24593" style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24593 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg" alt=" A imagem é a foto da capa do livro A Paixão segundo G.H.. Com um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="538" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-24593" class="wp-caption-text">A Paixão segundo G.H. ganhou uma adaptação para o Cinema em 2020, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e com Maria Fernanda Cândido no papel principal (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; A Paixão segundo G.H. (175 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1964, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um passeio pelo mais profundo íntimo do ser humano. Em seu apartamento no Rio de Janeiro, a protagonista, reconhecida apenas pelas duas iniciais, decide limpar o quarto da empregada, logo após demitir a mesma. O que parece ser uma tarefa banal como tirar pó do armário, desencadeia uma série de reflexões existencialistas e contestações sobre decisões passadas, ao ponto que, ao esmagar uma barata em meio ao processo, G.H. engata em um relato sobre a perda da sua individualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por utilizar recursos como análise psicológica e monólogo interior, o presente livro é o mais puro suco que poderíamos ter da </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ainda se encontra com o teor de obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Franz Kafka. Os capítulos não possuem marcações definidas, mas funcionam como sequências sistemáticas, em que cada um se inicia com a frase que encerrou o anterior. Esse aspecto cíclico também é notório no início e final do livro, em que a protagonista termina a narrativa chegando ao mesmo ponto que a desencadeou inicialmente, em um retrato perfeito do que é o complexo processo do pensar humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de lançada no século passado, a obra de Clarice também dialoga com produções do presente, como, por exemplo, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma protagonista que enfrenta dilemas e conflitos internos na mesma proporção e, coincidentemente, também não tem seu nome revelado para o público. Por mais que, às vezes, seja um pouco repetitiva ou até mesmo de difícil compreensão em certas passagens, é impossível não se encontrar com pelo menos um trecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com grandes sacadas de gênia da autora, pensamentos até então nunca questionados são transpostos em simples palavras ou frases, que encontram-se poeticamente e se tornam tudo que precisávamos ler, mas ainda não sabíamos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Paixão segundo G.H. - Clube do Livro Outubro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1NT9TGmh6mbP2gnkf5cs3S?si=c6c81412a4914958&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2></h2>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_24594" aria-describedby="caption-attachment-24594" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg" alt="Capa do livro Desonra, de J.M. Coetzee. Na imagem, vemos diversas linhas em cor vermelha e verde, assemelhando-se a um labirinto. Ao centro, há uma faixa de cor verde. Dentro dessa faixa, na extremidade direita, está escrito J.M. Coetzee, em fonte de cor branca. Abaixo, também em fonte de cor branca, está escrito Desonra. Ainda dentro dessa faixa, na parte inferior esquerda, está escrito Prêmio Nobel Companhia das Letras, em fonte de cor branca. Há uma coroa de louros de cor branca desenhada entre as palavras Prêmio e Nobel." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra.jpg 1002w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-24594" class="wp-caption-text">Lançado em 1999, Desonra foi a obra citada para a vitória de J.M. Coetzee no Nobel de Literatura de 2003 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>J.M. Coetzee &#8211; Desonra (248 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/5-razoes-para-ler-Desonra-de-J-M-Coetzee-em-clubes-de-leitura9"><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 1999, e é considerado o grande clássico de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/jmcoetzee-comenta-autores-classicos-menos-conhecidos-em-ensaios-24841120"><span style="font-weight: 400;">J.M. Coetzee</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor sul-africano que recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2003. A obra foi tão impactante que fez o autor levar o prêmio </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/mia-couto-primeiro-autor-de-lingua-portuguesa-na-final-do-man-booker-international-prize-15683781"><i><span style="font-weight: 400;">Man Booker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela segunda vez — ele já havia recebido em 1983, pelo livro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2806200314.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vida e Época de Michael K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, sendo o único a ter recebido duas vezes a honraria. O título original é </span><i><span style="font-weight: 400;">Disgrace</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém o tradutor José Rubens Siqueira optou por um caminho mais amplo e, talvez, mais poético. Mas, afinal, do que se trata o livro? No mais puro sentido, trata-se de um homem que cai em desgraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos situados em uma África do Sul </span><a href="https://www.politize.com.br/nelson-mandela-e-a-luta-contra-o-apartheid/"><span style="font-weight: 400;">pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">apartheid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e enxergamos esse cenário sob a visão de David Lurie, professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. A percepção afiada de Coetzee nos faz vislumbrar como ninguém a sociedade fraturada que se desenvolveu no país, na qual qualquer relação afetiva verdadeira está fadada ao fracasso. Após uma sucessão de acontecimentos dramáticos, abalando profundamente a vida do professor Lurie, ele se vê obrigado a retornar à propriedade rural da filha, Lucy, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua formação humanista e as normas sociais pré-estabelecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente nesse cenário precário, muito distante da pacata vida acadêmica que estava habituado, ele entende o verdadeiro significado de brutalidade e sofrimento. Com uma narrativa envolvente, através de capítulos curtos — que mostram a habilidade do escritor na escolha das palavras —, o livro nos mantém presos e estimulados do começo ao fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi adaptado ao Cinema pelo diretor Steve Jacobs, no </span><a href="http://www.revistacinetica.com.br/disgrace.htm"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008, e traz </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Malkovich</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de David Lurie. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> publica a obra completa de J.M. Coetzee. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24595" aria-describedby="caption-attachment-24595" style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24595 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg" alt=" Capa do livro Amigo Imaginário. Em frente a um fundo preto, vemos, na parte superior central, as palavras “Amigo Imaginário” em caixa alta, em uma fonte branca e estilizada, e, no canto superior direito, o logo da Editora Record.. Na parte central, vemos uma árvore, com o tronco iluminado e com uma escada pendurada. À frente da árvore, vemos a silhueta preta de uma pessoa, aparentemente uma criança. Ao lado dela, vemos a frase “Autor do best-seller”, em uma fonte branca cursiva e, abaixo, a frase “As Vantagens de Ser Invisível”, na mesma fonte branca, em caixa alta e estilizada do título. Na parte inferior central, vemos as palavras “Stephen” e logo abaixo, “Chbosky”, ambas em caixa alta, na mesma fonte branca estilizada do título." width="525" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg 525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-672x1024.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-768x1171.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1343x2048.jpg 1343w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1200x1830.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario.jpg 1679w" sizes="auto, (max-width: 525px) 85vw, 525px" /><figcaption id="caption-attachment-24595" class="wp-caption-text">Com tradução de José Roberto O’Shea, Amigo Imaginário foi publicado em 2019 (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen Chbosky &#8211; Amigo Imaginário (767 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Christopher não construir uma casa da árvore no bosque da cidade antes do Natal, sua mãe e os moradores de Mill Grove morrerão. Pelo menos é o que diz a voz na cabeça do menino, que começou a acompanhá-lo desde que ele desapareceu na mata e retornou seis dias depois, intacto e sem memória do que havia acontecido. Nas quase 800 páginas de </span><a href="https://www.bibliotecadoterror.com.br/2019/12/amigo-imaginario-livro-de-horror-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as histórias de Christopher e sua mãe, Kate, se entrelaçam a dos moradores do local e do caso não resolvido que intriga a cidade há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, as semelhanças entre as </span><a href="https://themercury.com/ap/entertainment/why-dear-evan-hansen-is-a-sibling-to-stephen-chboskys-the-perks-of-being-a/article_c48071b1-1413-54b9-9775-3385dbfa3aa8.html"><span style="font-weight: 400;">obras de Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabam por aí. Diferente do sensível </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor cria uma narrativa assombrosa, cheia de suspense, terror psicológico e fantasia, com muitas metáforas e um forte simbolismo religioso. O excesso de reviravoltas prolonga o livro mais do que o necessário e faz com que o calhamaço se arraste nas páginas finais, mas a habilidade do </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/livros/autor-de-vantagens-de-ser-invisivel-stephen-chbosky-lanca-primeiro-livro-em-20-anos.phtml"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> em enganar o leitor, assim como faz com o protagonista, torna os caminhos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendentes e envolventes do início até (quase) o fim. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24596" aria-describedby="caption-attachment-24596" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg" alt="Capa do livro Cem Anos de Solidão. Na parte inferior vemos folhas verdes e azuis em um fundo rosa pink. Todo o fundo restante da capa é azul. Na parte central superior lê-se em branco PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA. Abaixo lê-se em pink GABRIEL. Abaixo lê-se em verde GARCÍA. Abaixo lê-se em verde MARQUEZ. Abaixo lê-se em branco cem anos de solidão." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1200x1855.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao.jpg 1605w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-24596" class="wp-caption-text">Para não se perder na história, recomenda-se que você tenha a árvore genealógica dos Buendía ao lado do livro (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Marquez &#8211; Cem Anos de Solidão (448 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colombiano Gabriel García Marquez é um dos escritores mais traduzidos no mundo, e, em outubro de 1982, ganhou o </span><a href="https://homoliteratus.com/solidao-da-america-latina-discurso-de-garcia-marquez-no-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo conjunto de sua obra. Entre seus manuscritos que refletem sobre os rumos políticos e sociais da América Latina, </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/conheca-a-historia-de-cem-anos-de-solidao-que-vai-virar-serie-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o livro mais monumental, sendo também considerado o mais importante de sua coleção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que uma simples narrativa, é uma experiência imersiva nas sete gerações da família Buendía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Macondo, acompanhamos a formação, ascensão e queda da cidade fundada por José Arcádio e Úrsula Iguarán, os pais da família </span><a href="https://medium.com/@torresclark853/la-familia-buend%C3%ADa-7a5e8c021b81"><span style="font-weight: 400;">Buendía</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apego pelo livro acontece exponencialmente, o passar do tempo nos faz reconhecer os fatos vividos pela estirpe condenada a cem anos de solidão. Denso de informações e acontecimentos, a obra mostra seus personagens relegados à solidão construindo um paralelo indireto com a América Latina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um início mais realista que se reflete na última metade mais fantástica, tudo construído com o empenho do autor em não perder a essência em que sua </span><a href="https://www.bonde.com.br/entretenimento/literatura/gabriel-garcia-marquez-conta-seus-segredos-38980.html"><span style="font-weight: 400;">avó materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> lhe contava histórias, tornando cada objeto ainda mais vivo. Seu final mostra que a solidão, em todos seus dobramentos, é cíclica e intrínseca ao ser humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cien Años de Soledad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, um dos melhores livros já escritos. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24597" aria-describedby="caption-attachment-24597" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/5-os-miseraveis.jpg" alt="Capa do livro Os miseráveis mostra o perfil de uma menina branca e loira de expressão triste. Ao fundo da cena há alguns lampiões e no topo da foto está escrito Os Miseráveis em dourado e Victor Hugo em baixo em branco." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-24597" class="wp-caption-text">Com tradução no Brasil de Regina Célia de Oliveira, Os Miseráveis apresenta, em suas 1511 páginas, injustiças sociais, revoluções e drama (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo &#8211; Os Miseráveis (1511 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos maiores clássicos da Literatura francesa. Publicada em 1862, a narrativa percorre a vida de várias pessoas pobres financeiramente ou de espírito, como forma de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/victor-hugo.htm"><span style="font-weight: 400;">Victor Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> denunciar a injustiça social tão presente na civilização humana. Como protagonista desta trama histórica temos Jean Valjean, um ex-presidiário condenado a 19 anos de reclusão por roubar um pão. Nesse mesmo plano temporal está Cosette, uma menina que vive em um estado deplorável na moradia dos </span><span style="font-weight: 400;">Thénardier, um casal grotesco que extorque as economias da mãe da criança que não pode criá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após presenciar a morte de Fantine, mãe de Cosette, Jean Valjean parte em busca da residência dos Thénardier para resgatar a menina. A partir daí, o ex-presidiário assume a paternidade da criança. Anos depois, a realidade dos personagens vira de cabeça para baixo. O casal avarento perde todas as suas economias, enquanto que Valjean e Cosette ascendem socialmente. No meio dessa trama de classes, eclodem diversas manifestações sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado por revoluções como </span><span style="font-weight: 400;">o evento de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-revolucao-1830.htm"><span style="font-weight: 400;">Junho de 1832</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-de-waterloo.htm"><span style="font-weight: 400;">Batalha de Waterloo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Victor Hugo relata em seu romance diversos eventos históricos marcantes e simbólicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta como ponta pé inicial personagens em situações de vida deploráveis, que se desdobram em diversas manifestações sociais. Essa teia de narrativas profundas permitiu com que fossem realizadas diversas adaptações da obra, como filmes, peças de teatro e paródias literárias. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24598" aria-describedby="caption-attachment-24598" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg" alt="Capa do livro Nomadland. A capa é azul e tem alguns escritos em branco. No topo da capa, lemos “Livro que baseou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”. Abaixo, lemos “Jessica Bruder” e “Nomadland”. Abaixo disso: “Sobrevivendo na América no século XXI”. No meio, vemos a foto de um trailer, estacionado em uma estrada de terra e mato, com o azul da capa se mesclando ao azul do céu. Na parte de baixo da capa, também em branco, está o nome da Editora Rocco. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24598" class="wp-caption-text">Anos depois de ser publicado, a belíssima história de Nomadland rendeu alguns Oscars, ressaltando a força da Literatura de Não-Ficção dentro da Arte (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Bruder &#8211; Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI (304 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras de Jessica Bruder, nasce a Terra Nômade. Resultado de um trabalho extenso e vivido na pele pela jornalista, o livro de não-ficção se centra nas pessoas que vivem à margem da sociedade, desamparadas pelo governo e invisíveis para o mundo. Sem apontar soluções ou culpados diretos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Nomadland-Sobrevivendo-Estados-Unidos-s%C3%A9culo/dp/6555321059"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ruma pelas estradas norte-americanas, na companhia de Linda May, uma senhora de idade que encontra subsídio em empregos braçais e temporários. Sem casa, mas não sem lar, a nômade moderna é um dos inúmeros objetos de estudo da autora, que chegou a viver em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, para ter a experiência completa de sua história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado originalmente em 2017, o livro-reportagem chegou ao Brasil alguns meses atrás, traduzido por Ryta Vinagre e com a célebre frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Livro que baseou </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">o vencedor do Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sensível e carregado visual e tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é leitura obrigatória para quem almeja encontrar o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56640345"><span style="font-weight: 400;">meio-termo entre a Literatura e o Jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, usufruindo de conhecimento dos dois campos e, na jornada, criando uma linguagem muito única e singular que não apenas denuncia a irresponsabilidade do Estado para com seus idosos, mas também celebra o senso de comunidade que as dificuldades podem fazer nascer nos indivíduos. Se Chloé Zhao conseguiu emocionar com a vida real ficcionalizada, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-filme-e-o-livro-sao-criaturas-bem-distintas-diz-autora-de-nomadland/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Bruder foi a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a encontrar esse tesouro. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24599" aria-describedby="caption-attachment-24599" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24599 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/7-Cafe-da-Manha.jpeg" alt="Capa do livro Café da Manhã dos Campeões exibe um drinque numa taça." width="500" height="751" /><figcaption id="caption-attachment-24599" class="wp-caption-text">Um dos maiores best-sellers de Vonnegut também é um de seus livros mais engraçados (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut &#8211; Café da Manhã dos Campeões (400 páginas, Intrínseca) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kilgore Trout é um escritor de ficção científica que descobre que Dwayne Hoover, um vendedor de carros aparentemente normal, está ficando maluco por causa de um de seus livros. Essa é a premissa inicial de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Caf%C3%A9-Manh%C3%A3-Campe%C3%B5es-Kurt-Vonnegut/dp/8551005804"><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproveita sua história nada convencional para fazer uma crítica bem-humorada e ácida dos comportamentos da sociedade norte-americana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a presença dos famosos desenhos do autor, é uma leitura extremamente divertida, fluida e repleta de metalinguagem. Kurt Vonnegut escreve com um senso de humor e uma sagacidade tão apaixonantes que é impossível parar de ler. </span><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões </span></i><span style="font-weight: 400;">insere a ampla criatividade da ficção científica em um contexto familiar, aproveitando para mostrar o quanto algumas ideias que tomamos como “inquestionáveis” na sociedade são, na verdade, bem absurdas. Não é engraçado? </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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<figure id="attachment_24600" aria-describedby="caption-attachment-24600" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24600 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg" alt="Capa do livro Alif, o invisível, da autora G. Willow Wilson. No centro da capa está o título do livro, em letras grandes e verde escuras, sob um fundo verde claro. Dentro da palavra “Alif”, escrita em letras curvadas, há pequenos circuitos eletrônicos verdes claros. Abaixo dela, “o invisível” está escrito em letras pretas e retas. Na parte inferior da capa, o nome da autora, em letras maiúsculas e verde escuras, e o logo da editora, Fantástica Rocco, com uma chave estilizada no lugar do “F”. As bordas da capa são estilizadas com padrões quadriculares verde escuros." width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1200x1734.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-24600" class="wp-caption-text">Alif é a primeira letra do alfabeto árabe, representada com um único traço vertical (Foto: Fantástica Rocco)</figcaption></figure>
<p><b> G. Willow Wilson &#8211; Alif, o invisível (349 páginas, Fantástica Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ficar conhecida como uma das co-criadoras da </span><a href="https://feededigno.com.br/curiosidades/conheca-kamala-khan-a-ms-marvel/"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína muçulmana</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, G. Willow Wilson já havia se provado uma das autoras de ficção mais indispensáveis da atualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu talento para criar mundos complexos e irresistíveis se faz presente na junção entre o moderno e o místico, na caracterização de uma distopia </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-cyberpunk/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tão palpável que desafia as distinções entre o real e o imaginário, visível e invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caçado pelo censor de um </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-mar-29/embargos-culturais-estado-excecao-anormalidade-constitucional"><span style="font-weight: 400;">estado de exceção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não-nomeado do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;"> Alif guarda consigo as chaves para a criação do aparato de repressão máximo, fruto da mágoa de seu coração partido. Após sua amada, Intisar, revelar que havia sido prometida a outro homem, Alif cria um programa para ocultar sua presença, na esperança de que ela nunca mais possa vê-lo ou contatá-lo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Intisar, então, envia um livro misterioso que abre seus olhos para o mundo oculto dos </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnio_(mitologia_%C3%A1rabe)"><i><span style="font-weight: 400;">djinn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expandindo o escopo da luta de Alif contra sua própria dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/917985-devemos-ver-o-mundo-com-nossos-olhos-diz-convertida-ao-isla.shtml"><span style="font-weight: 400;">perspectiva única</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilson, a ficção do livro se transforma junto com seu protagonista desafortunado, assumindo as muitas facetas de um mundo destinado a não se conhecer até que esteja preparado para entender suas muitas diferenças. Seu mundo é construído como um castelo de areia no meio de um deserto, na abundância de detalhes em meio ao desconhecido e na fragilidade da vida de suas personagens, capazes de serem apagadas com um sopro do destino. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ficção madura e envolvente, e o trabalho de uma escritora no pico de sua criatividade e habilidade. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24592" aria-describedby="caption-attachment-24592" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg" alt="Capa do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. Dois terços da imagem são compostos por uma ilustração, que mostra uma mulher sentada numa cama lendo um livro. Ela está inclinada para o lado esquerdo da imagem e apoia os cotovelos na cama para segurar o livro na frente dos seus olhos. A mulher ilustrada é branca, tem cabelos curtos pretos e lisos. Ela usa um vestido preto de bolinhas brancas e o livro em suas mãos é num tom de terracota, com uma flor estampando a capa. Atrás dela, existe uma parede com estampa floral de fundo azul escuro, e os travesseiros atrás das costas da mulher também são estampados, bem como a colcha da cama onde ela está. Na linha inferior da capa, existe uma faixa fina branca, onde está escrito “Penguin Companhia” em preto e caixa alta, e no meio das palavras, existe o desenho de um pinguim laranja. Abaixo, existe uma faixa maior preta, onde, primeiro, está escrito “Clássicos” em branco, e logo abaixo, está escrito o nome da autora numa fonte laranja e o nome do livro em branco. " width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-24592" class="wp-caption-text">A edição mais popular de Mrs. Dalloway no Brasil é traduzida por Claudio Alves Marcondes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Mrs. Dalloway (235 páginas, Penguin Companhia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Literatura de Clarice Lispector sabe como ninguém apreciar a companhia de Virginia Woolf. Então, farei as honras de aproximá-las na primeira Estante do Persona. A obra escolhida para figurar ao lado da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">voz marcante do Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precursora do movimento na Literatura, que ostenta as palavras da autora inglesa como uma das suas maiores e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">mais importantes obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro grande sucesso de Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Dalloway</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ficar de fora da seleção guiada pela genialidade de Lispector em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A referência de </span><a href="https://homoliteratus.com/woolf-e-lispector-o-ser-tudo-ou-ser-nada/"><span style="font-weight: 400;">Virginia em Clarice</span></a><span style="font-weight: 400;"> já deve sugerir o que esperar do romance, que, como toda boa obra moderna, não tem medo de seguir seu próprio caminho. Estamos falando de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">Literatura radical</span></a><span style="font-weight: 400;">, que extrai tudo o que pode das palavras através de técnicas narrativas como o fluxo de consciência, discurso indireto livre e narração onisciente, originando assim precisas </span><a href="https://livroecafe.com/2015/01/21/10-motivos-para-ler-mrs-dalloway/"><span style="font-weight: 400;">análises sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitos registros históricos e potentes ensaios filosóficos. Para realizar tudo isso, Virgina Woolf precisou de apenas um dia da vida de Clarissa Dalloway na cidade de Londres em 1925. O resto, é história. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24602" aria-describedby="caption-attachment-24602" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg" alt="Capa do livro Vermelho, Branco e Sangue Azul. A imagem é retangular vertical. O fundo é na cor rosa bebê. Na parte superior, lê-se em azul: “Um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham”. Abaixo, lê-se “Vermelho, Branco e Sangue Azul”. Na parte inferior, há duas ilustrações dos personagens Alex e Philip. Alex está na esquerda. Ele é um homem jovem, negro de pele clara, e veste uma roupa despojada: camisa polo branca, calça jeans, e sapato vermelho. Philip está na direita. Ele é um homem jovem branco, de cabelos ruivos, e veste uma roupa militar britânica. Entre os dois, há o nome da autora, Casey McQuiston. No canto inferior direito, há o logo da editora, “Seguinte”. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24602" class="wp-caption-text">Vermelho, Branco e Sangue Azul foi traduzido para o português por Guilherme Miranda (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; </b><b>Vermelho, Branco e Sangue Azul </b><b>(</b><b>392</b><b> páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida não deveria ser feita só de leituras sérias, e </span><a href="https://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55186"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">se encaixa perfeitamente nessa categoria. Em suas quase quatrocentas páginas, a narrativa que Casey McQuiston desenvolve é extremamente ágil e dinâmica. A história parte de encontros puramente diplomáticos entre Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos, e Philip, o príncipe britânico, que acabam se transformando em um gato e rato </span><a href="https://meowbookblog.com/2021/03/15/1-cliche-5-livros-enemies-to-lovers/"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">de inimigos para amantes</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alex e Philip é igualmente insuportável e viciante, e &#8211; entre o emaranhado de romance, sexo, drama e a burocracia desse relacionamento &#8211; acompanhamos a campanha de reeleição da mãe de Claremont-Diaz e toda a política envolvida em um movimento dessa magnitude. Ao mesmo tempo, Philip precisa se entender com uma família real extremamente tradicional e conservadora. Apesar de se encaixar como uma leitura </span><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que apenas uma história de amor entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham, é uma trama completa e instigante de sentimentos humanos tentando encontrar espaço no cenário diplomático mundial. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24603" aria-describedby="caption-attachment-24603" style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg" alt="A imagem é a foto da capa do livro Alucinadamente Feliz. Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis, da autora Jenny Lawson. Ao centro, sob um fundo amarelo que remete a feno, há o desenho de um guaxinim em pé, com os braços dianteiros levantados para cima e um sorriso no rosto. Em cima do seu peito, está escrito ALUCINADAMENTE FELIZ, em caixa alta e fonte branca. Logo embaixo, em Times New Roman e fonte branca, está escrito UM LIVRO ENGRAÇADO SOBRE COISAS HORRÍVEIS. Abaixo disso, está o nome da autora, JENNY LAWSON, novamente em caixa alta e fonte branca." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-24603" class="wp-caption-text">Amiga próxima do renomado Neil Gaiman, Jenny Lawson se tornou amplamente conhecida por seus relatos no blog The Bloggess (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jenny Lawson &#8211; Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis (352 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Alucinadamente-Feliz-Engra%C3%A7ado-Coisas-Horr%C3%ADveis/dp/8580579317"><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o que acontece quando uma pessoa completamente pirada (no melhor sentido da palavra) decide escrever um livro. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/307/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Lawson</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve uma das ideias mais geniais para lidar com seus diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/sociedad/1411730295_336861.html"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais e desgraças do dia a dia</span></a><span style="font-weight: 400;">: compartilhá-los com o resto do mundo. Pode se esperar que a vida de alguém depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos), seja um fardo impossível de carregar, mas Jenny consegue como ninguém fazer uso do bom e velho ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">rir para não chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2015, e traduzido para o português por Andrea Gottlieb de Castro Neves, o livro traz em cada capítulo uma história diferente sobre o cotidiano da autora. Abordando desde questões pessoais até o seu casamento, trabalho, família, afeição esquisita por animais empalhados ou qualquer outro puro e simples episódio banal da sua vida, todos carregam uma mesma característica: finais trágicos, ou no mínimo vergonhosos. Isso tudo narrado com um tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">irônico e autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> medido em doses exatas, que transformam qualquer acontecimento horrível em um bom entretenimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande prazer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lembrar a cada segundo que se tratam de relatos puramente reais. E, por mais específicos que sejam cada um deles, e por mais particular que seja a mente conturbada de Jenny, é quase natural se encontrar com as maluquices que ela descreve em um mundo em que a cada dia estamos mais malucos. Dessa forma, a moral final da história é apenas uma: você não está sozinho. </span><b>&#8211; Vitória Silva </b></p>
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		<title>Ninguém é cancelado no Território Lovecraft</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2020 16:35:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista O termo cultura do cancelamento é tão novo quanto as pessoas que o levam a sério. Atribuído à atitudes consideradas erradas, o ato de cancelar alguém busca anular sua voz, e apagar quaisquer de suas contribuições. O que fazer, entretanto, quando o indivíduo digno de ser cancelado está morto há 83 anos? Para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ninguém é cancelado no Território Lovecraft"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16052" aria-describedby="caption-attachment-16052" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16052" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Territorio-Lovecraft_Fright.jpg" alt="" width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Territorio-Lovecraft_Fright.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Territorio-Lovecraft_Fright-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Territorio-Lovecraft_Fright-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Territorio-Lovecraft_Fright-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16052" class="wp-caption-text">Por mais que a publicação de Território Lovecraft seja recente, Matt Ruff revelou que essa ideia germina em sua mente desde os tempos da faculdade (Foto: Fright Like a Girl)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-53537542"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tão novo quanto as pessoas que o levam a sério. Atribuído à atitudes consideradas erradas, o ato de cancelar alguém busca anular sua voz, e apagar quaisquer de suas contribuições. O que fazer, entretanto, quando o indivíduo digno de ser cancelado está morto há 83 anos? Para Matt Ruff, autor de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Território Lovecraft</span></i><span style="font-weight: 400;">, o certo é não fazer nada que se assemelhe ao cancelamento. Eis o impensável: ele raciocina e entende, adivinhem só, que nem tudo é simples como dois mais dois são quatro.</span></p>
<p><span id="more-16050"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Howard Phillips Lovecraft é considerado o pai do </span><a href="http://fantasticursos.com/o-que-e-horror-cosmico/"><span style="font-weight: 400;">horror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, ‘gênero’ que o próprio cunhou, escrevendo contos e novelas que misturavam o medo do desconhecido com figuras de fora deste planeta. Além disso, Lovecraft era um racista de primeira. Crescido no período de ascensão do fascismo e do nazismo, não é surpresa que ele se identificou com os </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/colunas/pagina-cinco/2020/08/20/michel-houellebecq-sobre-h-p-lovecraft-sempre-foi-racista.htm"><span style="font-weight: 400;">ideais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Adolf Hitler, fazendo isso refletir em suas obras. E é aí que entra outro escritor, desta vez, Matt Ruff, que teve a brilhante ideia de ressignificar tudo que o falecido racista criou, colocando pessoas negras no centro de narrativas essencialmente </span><a href="https://medium.com/@rntpincelli/a-improv%C3%A1vel-ressurrei%C3%A7%C3%A3o-de-h-p-lovecraft-fbcbe014101b"><i><span style="font-weight: 400;">lovecraftianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_16051" aria-describedby="caption-attachment-16051" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/matt.png" alt="" width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/matt.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/matt-300x157.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/matt-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/matt-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16051" class="wp-caption-text">O tal território Lovecraft fica em Massachusetts, abrigando locais reais e fictícios da criação do defunto; na foto vemos Matt Ruff, ao lado de seu livro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim nasce </span><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), </span><a href="https://popeek.com.br/criticas/critica-territorio-lovecraft-matt-ruff/"><span style="font-weight: 400;">publicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016 nos Estados Unidos e esse ano no Brasil, com tradução de Thais Paiva. Narrando a fantástica jornada de Atticus em busca do pai, que está mantido refém numa região da América segregada dos anos 50, o tal Território Lovecraft, onde se passam a maioria das histórias do autor. Ressaltando o fator metalinguístico da obra, logo de cara o tio de Atticus, ou Tic, pontua o </span><a href="https://geekness.com.br/racismo-em-hp-lovecraft/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do escritor, mesmo sendo dono de obras revolucionárias para o gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É necessário exercitar o bom senso, e o livro de Ruff pinga seus is logo de cara. Não podemos apagar o trabalho de alguém ou anular seus feitos. O que podemos (e devemos) fazer, é entender as problemáticas. A trama em momento algum relativiza ou passa a mão na cabeça sebosa do defunto, mas faz algo muito mais avassalador: coloca as ‘minorias’ que ele tanto desprezava como heróis de suas jornadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quer trama mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-06-07/por-que-os-negros-dos-eua-nao-respiram.html"><span style="font-weight: 400;">atual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que isso? Não à toa, a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">adaptou para a TV a história e, assim, surgiu a (até então) série dramática </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2020/06/o-que-esperar-da-adaptacao-de-territorio-lovecraft/"><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que exibiu o capítulo final no último domingo. Muito mais incisiva e bem sucedida que o material original, a produção comandada com a astúcia de Misha Green carrega o legado de </span><a href="http://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra arrebatadora série com </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50188869"><span style="font-weight: 400;">forte temática racial</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_16058" aria-describedby="caption-attachment-16058" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16058" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8.jpg" alt="" width="2048" height="1364" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-ep-8-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16058" class="wp-caption-text">A criação de Diana substituindo a figura de Horace foi um vigor para a trama: no lugar do terrível conto ‘Horace e o Boneco do Diabo’, a série nos apresentou ao ótimo e assustador Jig-A-Bobo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria contracapa do livro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Intrínseca</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega o fator incomum de sua construção:</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘estruturado ao mesmo tempo como uma coletânea de contos e um romance’</span></i><span style="font-weight: 400;">. As nove histórias seguem uma linha narrativa principal, dessa jornada de Atticus enfrentando Deus e o mundo, ainda que foque em distintas figuras desse rico ecossistema. Conhecemos a família de Tic, seus amigos e inimigos. A prosa de Matt Ruff se empodera de uma fluidez líquida, tornando a leitura corrida, mas em momento algum atropelada ou esbaforida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto de destaque é que Matt Ruff é um homem branco, que acaba escrevendo sobre o racismo nos anos 50. Todavia, a abordagem escolhida nas palavras e situações parece inserir um comentário sutil e direto, mas nunca tomando para si uma discussão que não lhe cabe. O que, inevitavelmente, alavanca o fator mais agressivo na abordagem televisiva da trama, encabeçada por profissionais negros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita de Ruff é uma mão cheia para a adaptação. Os contos são curtos e deixam muito em aberto. Não na trama em si, mas em quesito narrativo, descritivo e temático. Ele lança ideias ao ar, denota os pontos de pressão mas nunca ata os nós, o laceio fica na cabeça de quem lê, ou, o mais comum, de quem sintonizou na </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/lovecraft-country-expectativas-influencias-comic-con"><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nas últimas dez noites de domingo.</span></p>
<figure id="attachment_16055" aria-describedby="caption-attachment-16055" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4.jpg" alt="" width="1440" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2AL7J4LYEFC3BKB54PE3E54YL4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16055" class="wp-caption-text">Jordan Peele, diretor de Corra! e Nós, se interessou pela trama e logo conseguiu um acordo com a HBO, chamando a talentosa Misha Green para comandar a coisa toda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja recheados de histórias que ficam na cabeça mesmo após suas finalizações, o livro não se redime na hora de realmente vitaminar seus acontecimentos. Ainda mais pelo formato episódico da narrativa, existem lacunas temporais que, à primeira vista, incomodam o leitor apaixonado por detalhes minuciosos. Isso até Ruff revelar exatamente sobre o que está escrevendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atticus é o Sol desse sistema. O personagem, por vezes pedante e desinteressante, carrega nas costas todas as profecias e escolhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que é uma pena, considerando a riqueza de seus coadjuvantes. Esse efeito de potencial desperdiçado grita alto quando lemos excelentes contos de Letitia (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Assombrada dos Sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Ruby (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jekyll em Hyde Park</span></i><span style="font-weight: 400;">), para depois sermos sugados na atmosfera bunda mole de Tic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O comando de Misha Green na adaptação da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliado à produção de Jordan Peele, remendou esses furos de excitação narrativa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i><span style="font-weight: 400;"> soube uniformizar seus moldes e, por mais que Tic ainda seja central ao todo, Leti, Ruby, Hippolyta e Montrose ganham as camadas e momentos que deveriam ter recebido nas 352 páginas do livro. O drama de TV foi mais além, transformando Horace em Diana (ainda bem), e investindo na excelente figura de Ji-Ah (no melhor episódio da série). Chega a ser curioso encontrar um livro que não seja melhor sucedido que sua versão adaptada..</span></p>
<figure id="attachment_16056" aria-describedby="caption-attachment-16056" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/love.jpeg" alt="" width="1200" height="587" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/love.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/love-300x147.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/love-1024x501.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/love-768x376.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16056" class="wp-caption-text">É claro que não esperamos fins trágicos nessa narrativa de redenção, mas a conclusão de Território Lovecraft deixa a desejar pelas conveniências e até a simplicidade que evoca (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mera existência, e sucesso, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca uma pulga atrás de nossas orelhas para uma importante questão: será que isso vira tendência? O que não falta atualmente são figuras consolidadas que, num mundo de conto de fadas, seriam, enfim, canceladas. Matt Ruff pode ter aberto portas para, quem sabe, daqui algumas décadas, alguém publicar o </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-07-12/ascensao-e-queda-de-j-k-rowling.html"><i><span style="font-weight: 400;">Território Rowling</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com os bruxos enfrentando os males de Hogwarts e os medos da homofobia e da transfobia, que sua infeliz autora tanto suscita e sublinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por enquanto, nos resta a especulação e a problematização. Essa investida do livro, saindo da bolha do cancelar e esquecer, e usando a modernidade como arma de evolução e prosperidade, veio em hora certa. Enquanto dentro das páginas </span><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft</span></i><span style="font-weight: 400;"> se beneficia da riqueza dos contos episódicos que homenageiam o horror cósmico e o gênero </span><a href="https://medium.com/@patriciagnipper/as-pulp-fictions-e-a-fic%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-como-a-conhecemos-a1f2b6fe89ef"><i><span style="font-weight: 400;">pulp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fora delas nós nos beneficiamos de uma leitura interessante no âmbito de entretenimento e do conhecimento. Me parece uma troca justa.</span></p>
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