A falsa despretensão em AJ and the Queen

Nos é prometida uma comédia, mas as pessoas são mais complexas do que isso

Capa oficial da Netflix para “AJ and the Queen”, à esquerda, AJ, interpretada por Isabella “Izzy” Gaspersz, e, à direita, RuPaul Charles como Robert Lee (Foto: Divulgação)

Arthur Almeida

AJ and the Queen é uma das primeiras séries a estrear na Netflix neste ano de 2020. A produção estadunidense, projeto da plataforma, tem como eixo narrativo as entrecruzadas histórias de AJ (Isabella “Izzy” Gaspersz) e Robert Lee (RuPaul Andre Charles). 

Amber Jasmine (AJ) é uma menina de 10 anos que, para sobreviver na cidade sem o auxílio de um responsável adulto presente em sua vida, engana outras pessoas e realiza furtos. Robert Lee é um homem com cerca de 50 anos que ganha a vida em cima dos palcos como a Drag Queen Ruby Red. 

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Como Treinar o Seu Dragão 3 traz um final emocionante e catártico para a aclamada franquia

A aguardada conclusão da franquia que iniciou em 2010 (Foto: Reprodução)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Seria difícil imaginar, em 2010, o que a franquia aptamente denominada Como Treinar o Seu Dragão se tornaria. Baseado vagamente na série de livros homônima de Cressida Cowell, o primeiro filme conta a história da amizade improvável entre um viking e um dragão, capaz de dar fim a gerações de violência. Mas mais do que isso, o filme contou uma história de amadurecimento pautada em subversões de conceitos de masculinidade e de heroísmo prevalentes na grande maioria de histórias de fantasia, oferecendo uma nova perspectiva para a jornada do herói e dos passos que a acompanham.

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O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história

(Foto: Reprodução)

Ana Laura Ferreira

Desde a Ilíada, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os “vitoriosos” da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. O Escândalo (Bombshell) segue essa mesma linha narrativa ao pautar o assédio sexual sofrido pelas jornalistas da FOX News sob a visão, roteiro e direção de homens, que jamais entenderam a situação das vítimas por completo.

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A odisseia caótica de Joias Brutas

Em Joias Brutas, a cidade é tão importante quanto seu protagonista (Foto: Reprodução)

Caio Machado

Joias Brutas, novo filme dos irmãos Safdie (conhecidos anteriormente por seu trabalho em Bom Comportamento, que tem Robert Pattinson no papel principal), serve para ilustrar o que as pessoas querem dizer quando hoje em dia as coisas estão muito mais aceleradas e cada minuto do seu tempo é mais precioso do que nunca. A trama do filme acompanha Howard Ratner (Adam Sandler), um joalheiro viciado em jogos de azar que precisa correr contra o tempo para pagar suas dívidas com mafiosos enquanto lida com seu casamento que está se desfazendo aos poucos.

Frozen II amadurece as personagens e aprofunda seu universo

As irmãs precisam mais uma vez partir para salvar o futuro de Arendelle (Foto: Reprodução)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Desde o seu primeiro trailer, a sequência da aclamada animação de 2013 da Disney, Frozen: Uma Aventura Congelante já parecia interessante, de um ponto de vista narrativo. Com uma atmosfera misteriosa e sombria, o teaser de quase 2 minutos contava com vocais da cantora norueguesa Aurora ao fundo, e pouco antes do título aparecer sob um fundo negro, a sucessão de clipes terminava com as protagonistas encarando um novo horizonte, distante da conhecida Arendelle, prometendo uma nova aventura fantástica. Será que o estúdio que não é exatamente conhecido por sequências fortes seria capaz de entregar algo tão ambicioso?

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O hipnotizante Farol de Robert Eggers

Apesar do empenho e da transformação, Robert Pattinson foi mais uma vez ignorado pela Academia no Oscar deste ano (Foto: Reprodução)

Egberto Santana Nunes

Em uma remota ilha isolada no norte da Inglaterra do século XX, um jovem é contratado para ser zelador de um grandioso e obscuro Farol. Em meio à agitada e vazia água do mar, sua única companhia durante a estadia é o chefe, o dono e cuidador da casa de luz. A simplicidade da trama escrita e dirigida por Robert Eggers é palco para uma agoniante história de horror cujo mote central é a relação tensa e hipnotizante dos dois faroleiros obsessivos pelo alucinógeno Farol. Este é o segundo longa do diretor do aclamado A Bruxa, um dos pilares do “novo horror”.

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Selena Gomez ouve a si mesma em Rare

Conceito e atemporalidade: Selena através de uma Polaroid nas gravações do clipe de Rare (Foto: Reprodução)

Giovana Guarizo 

Seguir uma jornada interior, se conhecer, voltar o foco para si mesma e, em algum momento, estar pronta para compartilhar sua verdadeira essência com o mundo. Abrir as asas e voar. Esses são os processos para a transformação de uma borboleta, animal escolhido por Selena Gomez para representar Rare, seu novo álbum. Carregado de mensagens positivas, o disco traz relevância a respeito do empoderamento feminino, saúde mental, autenticidade e superação.

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Sex Education encanta pela gentileza

Sex Education segue a vida de Otis que começa a dar conselhos de terapia sexual para os colegas do Ensino Médio (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista 

‘Vivemos como sonhamos, sozinhos’. A frase de Joseph Conrad, que ilustra a redação de Maeve, cai como uma luva na micronarrativa da britânica Sex Education. Quando o pensador vincula a ideia do onírico ao mundo real, ele também acaba revelando uma faceta importante de nossa relações humanas: a incessante necessidade de ter alguém para dividir momentos. E, como boa série teen que é, o sucesso da Netflix caminha gentilmente em territórios poéticos ao nos apresentar as vivências e amores dos estudantes de Moordale, no Reino Unido. Tudo regado a um texto sincero, desbocado e que transborda honestidade. 

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Entre Facas e Segredos revitaliza e homenageia um gênero clássico

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O longa de Rian Johnson já arrecadou mais de 200 milhões de dólares internacionalmente (Foto: Reprodução)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Depois de escrever e dirigir Star Wars: Os Últimos Jedi em 2017, um dos grandes sucessos da década, Rian Johnson retorna com um trabalho autoral que o destaca como um dos melhores cineastas da atualidade. Além disso, o americano prova sua habilidade em preservar a tradição sem ignorar a inovação. Entre Facas e Segredos conta com um elenco de peso, um mistério familiar, e uma abordagem singular aos dilemas que assombram o gênero detetivesco.

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O Vilarejo e o que fazemos com histórias malignas

Ilustração da capa – O “pequeno amontoado de casas esquecidas pelo mundo” em tons de vermelho sangue (Foto: Suma)

 “O caráter do homem é o seu demônio”

-Heráclito

Caroline Campos

Algumas histórias são malditas. Elas carregam a perversidade e a podridão humana em suas palavras e nos deixam diante de um impasse: será que vale a pena eternizar tanta maldade? Logo no prefácio de O Vilarejo, Raphael Montes, autor da obra publicada em 2015 pela Editora Suma, toma a sua decisão. E ela não poderia ter sido mais certeira.

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