Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar

Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Arte de Abertura. Na imagem há o texto "Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar". Ao lado direito há uma foto da diretora, uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados curtos e olhos castanhos. Ela está de perfil com uma feição séria. O fundo da arte é preto com detalhes em verde. Há ainda o logo do Persona e da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo.
O filme Virtuosas nos faz enxergar uma realidade que cada vez mais se torna presente na sociedade – mesmo que não percebamos (Arte: Arthur Caires)

Stephanie Cardoso

Virtuosas (2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, o título conquistou o Prêmio Netflix, confirmando o reconhecimento de sua força narrativa. A obra mergulha no contexto dos grupos de ‘Mulheres Virtuosas’ no país. O longa acompanha Virginia (Bruna Linzmeyer), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família, usando a retórica da moralidade para exercer controle. Por trás da aparente devoção, a personagem manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. 

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Virtuosas nos mostra uma realidade escondida, porém em ascensão 

Cena do filme Virtuosas (2025). Na imagem, uma mulher está em um ambiente interno, iluminado por uma luz suave. Ela tem o cabelo curto, de um tom loiro meio escuro e veste uma blusa branca de gola alta. Seu olhar está atento e suas mãos estão erguidas
No filme nos é apresentado o movimento Virtuosas, que vem crescendo dentro do conservadorismo feminino (Foto: Novelo Filmes)

Stephanie Cardoso

Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, Virtuosas apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a produção acompanha Virginia (Bruna Linzmeyer), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família como forma de moralidade. Por trás da aparente devoção, a personagem busca controle absoluto: manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. Ao reunir três participantes em um retiro voltado para o aperfeiçoamento pessoal, surge um ambiente de tensão crescente, histeria e violência, onde regras de perfeição transformam-se em prisões psicológicas.

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Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal

Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol.
Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)

Nathalia Tetzner

A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma quantidade exorbitante de gado, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “cutucar a onça com vara curta”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. 

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Medusa, meretriz, monstro, mulher

Cena do filme Medusa. A atriz Mari Oliveira está no centro. Ela é uma mulher negra, de cabelos escuros e presos e usa uma blusa rosa. Seu rosto está com uma espécia de argila verde e ela espalha com as duas mãos. Ao fundo, vemos a cabeceira da cama e uma parede com fotos.
Medusa agraciou a seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas em sessões presenciais (Foto: Bananeira Filmes)

Caroline Campos

Por Poseidon, Medusa foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por Anita Rocha da Silveira para intitular seu segundo longa-metragem, que, presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, honra, com moldes trágicos e atuais, a trajetória da bela sacerdotisa amaldiçoada.

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