Os caminhos do Cinema em Nouvelle Vague

Cena do filme Nouvelle VagueNa imagem, que é em preto e branco, a personagem Jean Seberg está dentro de um carro, ajoelhada nos bancos de trás, olhando para a janela traseira, de costas para o painel do veículo. Ela está com as mãos apoiadas no rosto e olha com admiração à sua frente. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 30 anos, de cabelos loiros e curtos, penteados para o lado.
O filme foi exibido no Festival de Cannes (Foto: ARP Sélection)

Davi Marcelgo

Antes da sessão de Nouvelle Vague na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começar, um medo pairava no ar: Richard Linklater conseguiria respeitar ou se equivaler ao Acossado (1960) de Jean-Luc Godard? A resposta para essa pergunta tampouco importou durante os 105 minutos que rolaram no projetor, porque muito foi sentido na exibição. O diretor americano demonstra saudosismo pelo movimento francês, mas sem se ‘masturbar’ perante a genialidade de Godard, Truffaut ou Varda

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Por meio do voyeurismo, Animais Perigosos manifesta seu olhar sobre o Terror

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Animais PerigososNa imagem, do ponto de vista de cima para baixo, o personagem Moses está, de costas para a câmera, preso em um gancho, servindo de isca para tubarões. Ele está pendurado, acima do mar, balançando as pernas em desespero. Na água há sangue e um tubarão nadando. No canto superior direito da foto, há a popa de um barco.
50 anos após o clássico Tubarão de Spielberg, Sean Byrne cria sua própria caçada (Foto: Diamond)

Davi Marcelgo

Sentir medo não é a única forma de se conectar com um filme de Terror. Ora, podemos ser atingidos por outras facetas, do prazer à indiferença. Essa relação é guiada por particularidades de quem assiste, como crenças, familiaridade com o gênero e sensibilidade. O Terror Frontal, aquele que dispensa a construção psicológica para assustar, parte do que está no plano para apavorar ou causar nojo. Animais Perigosos parte do voyeurismo para criar catarse e prazer – características intrínsecas do slasher mainstream.   Continue lendo “Por meio do voyeurismo, Animais Perigosos manifesta seu olhar sobre o Terror”

Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

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Fora das telas, A Missão Pet não funciona e demonstra o esgotamento criativo de certas histórias animadas

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Missão Pet. Nela, há diversos animais dentro de um trem. Da esquerda para a direita, há um cachorro cinza, uma gata laranja, um cão policial, um cachorrinho laranja e um guaxinim. Eles estão interagindo dentro do veículo, que possui assentos da cor laranja e branca.
A produção francesa apresenta um diferencial ao utilizar poucos cenários, se comparada a outros filmes do gênero (Foto: Paris Filmes)

Guilherme Machado Leal

Histórias com animais que são agentes secretos ou vigaristas não são novas no formato. No entanto, em um cenário marcado pelo excesso de CGI em obras animadas ou grandiosidades técnicas sem, de fato, uma narrativa para contar, o arroz com feijão pode servir como um respiro. É o caso de Missão Pet, filme francês comandado por Benoît Daffis e Jean-Christian Tassy. Na obra, Falcão (Damien Ferrette) é um guaxinim que ajuda a vizinhança, embora não seja o ser vivo com a moral mais correta. 

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Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue

Uma cena do filme Coração de Lutador, vista de dentro de um ringue de luta, focada em quatro personagens em um momento de alta tensão. Da esquerda para a direita: Bas Rutten, como um treinador, é um homem mais velho, careca, vestindo uma camiseta verde-escura. Ele se inclina para a frente com uma expressão de intensa preocupação e seriedade, olhando para o lutador. Atrás do lutador, Ryan Bader o segura firmemente pelos ombros. Ele está vestido de preto e seu rosto também mostra foco e preocupação, como se estivesse tentando conter ou dar apoio. No centro da imagem, sentado em um banco vermelho no corner do ringue, está o lutador Mark Kerr, interpretado por Dwayne Johnson. Ele está sem camisa, exibindo um físico musculoso, e veste shorts de luta brancos com detalhes em vermelho e uma joelheira preta. Sua expressão é de angústia e exaustão; seus olhos estão arregalados e fixos, e sua boca está entreaberta. À direita, do lado de fora das cordas, está Dawn, interpretada por Emily Blunt. Com cabelos longos e escuros e vestindo uma regata branca, ela olha para a cena com uma expressão de profunda tristeza, angústia e preocupação.
Dwayne Johnson no centro da narrativa de Coração de Lutador, entre força física e fragilidade emocional (Foto: A24)

Arthur Caires

Da glória nos ringues da World Wrestling Entertainment (WWE) ao domínio em franquias blockbusters milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? Coração de Lutador faz dessa pergunta seu eixo narrativo, atravessando a persona inquebrantável de The Rock para revelar Mark Kerr, lutador real que habita a zona de instabilidade entre a vitória pública e a masculinidade frágil.

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Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Uma Batalha Após a OutraNa imagem, da esquerda para a direita, estão Perfidia, Willa e Bob, eles são uma família. Os três estão deitados em uma cama, sem roupas, Willa, um bebê, está no meio de Bob e Perfidia, chorando. Ela está deitada em uma coberta grossa. Os pais estão com a mão apoiada no corpo dela, em sinal de calma. Raios de sol atingem o peito e ombros de Perfidia, iluminando a cena. Perfidia é uma mulher negra na faixa dos 35 anos, usa cabelo curto. Bob é um homem branco, na faixa dos 50 anos, de cabelos lisos e claros.
O filme já está entre os cotados para disputar o Oscar 2026 (Foto: Ghoulardi Film Company)

Davi Marcelgo

A relevância e a qualidade de uma obra costumam ser medidas pelos temas abordados. Durante a temporada do Oscar 2025, a vitória de Anora sobre Ainda Estou Aqui e A Substância fez com que algumas esferas de cinéfilos e de fervorosos com a presença do Brasil na cerimônia, menosprezassem, em redes sociais, a conquista por considerarem os filmes de Salles e Fargeat dotados de tópicos mais importantes — um julgamento sem argumentos sólidos, centrado no olhar de quem falava. Entre o campo de guerra do que é mais ou menos significativo, se esqueceu de que Arte não é um produto feito para agradar o consumidor, tampouco deve ser considerado posicionamento político como a principal forma de se relacionar com ela. Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, surge como um trabalho artístico politizado, mas que preserva aspectos do fazer Cinema.  Continue lendo “Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra”

Juntos viola o body horror em metáfora covarde

Aviso: este texto contém spoilers

Cena do filme JuntosNa imagem, os personagens Tim e Millie estão de pé, abraçados. Ela, à esquerda, está com o braço direito apoiado atrás do pescoço dele, parte do punho está enfaixado. Ambos os rostos estão próximos. Enquanto ela fala, Tim a encara com ternura. Ambos vestem camiseta branca e possuem pele clara. Tim é um homem na faixa dos 40 anos, de cabelos claros e corte que parece um mullet. Sua roupa e rosto estão manchados de sangue. Já Millie é uma mulher na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros e longos. Ela usa franja na testa.
O filme enfrenta acusações de plágio, pois sua premissa é semelhante a de outros roteiros (Foto: Diamond)

Davi Marcelgo 

É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade”, Luís Vaz de Camões já tinha cantado a bola sobre o amor ainda no século XVI com seu mais célebre soneto. É um sentimento intenso, conflitante, de oposição, que o Cinema normalmente representa como uma experiência melancólica e que leva às nuvens. Contrariando outros gêneros, não é nenhuma novidade que o Terror vai se apoderar de pessoas e núcleos da realidade que não são assustadores, exceto se os deturpar — crianças, cachorros e, no caso de Juntos (2025), um casal.  Continue lendo “Juntos viola o body horror em metáfora covarde”

BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH

Capa de álbum da banda BABYMETAL. Na imagem, o logotipo metálico estilizado da banda, com asas prateadas e letras em destaque, aparece no centro sobre um fundo preto estrelado. Ao redor, há fragmentos brilhantes que lembram vidro quebrado, criando um efeito dinâmico.
Precursoras do gênero heavy metal com a estética kawaii, BABYMETAL lança seu quinto álbum de estúdio (Foto: Capitol Records)

Gabriel Diaz

Desde os seus primeiros passos no cenário musical, a BABYMETAL redefiniu os limites do metal ao fundir o peso de guitarras distorcidas com a energia impulsiva do j-pop, desafiando noções puristas do gênero. No quinto álbum de sua discografia, a banda prefere arriscar com estilos diferentes do comum na música japonesa, do que apenas apropriar fórmulas derivadas da indústria ocidental. METAL FORTH não apenas consolida essa identidade híbrida, mas a empurra para territórios inexplorados, incorporando colaborações ecléticas e experimentações sonoras que transcendem o rótulo de ‘kawaii metal’. Se antes o grupo questionava o que o metal poderia ser, agora ele pergunta: “para onde o metal pode ir?” Continue lendo “BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH”

A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza

Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro.
O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)

Guilherme Dias Siqueira

Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela Netflix este ano: O Eternauta, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.

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Mountainhead: um filme mais interessado em parecer inteligente do que em o ser, assim como os bilionários

Corte da capa do filme “Mountainhead”, dirigido pelo diretor Jesse Armstrong. Na foto, quatro homens estão em frente a uma grande janela panorâmica que revela uma montanha coberta de neve. Eles usam roupas modernas e são iluminados pelo fogo da lareira atrás deles. As expressões sérias passam uma atmosfera de suspense.
Após o final da aclamada série Succession, Jesse Armstrong se aprofunda na sátira verossímil do longa Mountainhead (Foto: HBO)

Gabriel Diaz

Tal qual uma festividade caseira entre amigos num final de semana comum, quatro bilionários se reúnem em uma mansão isolada nas montanhas para jogar pôquer, beber uísque caro e compartilhar trivialidades. Só que, neste caso, as trivialidades envolvem desestabilizar economias nacionais, incitar guerras civis com deepfakes e debater a aquisição de países inteiros como se fossem startups promissoras. 

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