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	<title>Arquivos Melhor Documentário &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 19:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há pelo menos uma década, o Oscar se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma mulher indicada em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trilha-sonora-para-um-golpe-de-estado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34757" aria-describedby="caption-attachment-34757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo canto esquerdo da imagem, em preto e branco, está Louis Armstrong tocando um instrumento de sopro. O ponto de vista é dos pratos de uma bateria, no lado esquerdo há uma mão segurando uma baqueta. No canto direito, de costas para Armstrong, há um homem branco, na faixa dos 50 anos, vestindo terno. Louis Armstrong é um homem adulto, negro e veste um terno." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34757" class="wp-caption-text">Louis Armstrong é uma das celebridades que aparece no longa (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pelo menos uma década, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/01/coralie-fargeat-de-a-substancia-pode-ser-a-4a-mulher-na-historia-a-receber-oscar-de-melhor-direcao/#:~:text=A%20Academia%20de%20Hollywood%20anunciou,entre%20os%20candidatos%20ao%20pr%C3%AAmio."><span style="font-weight: 400;">mulher indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book: O Guia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018). Em 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra na lista dos concorrentes a Melhor Documentário. Narrando a luta de </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/africa-diaspora/conheca-a-historia-de-patrice-lumumba-libertador-do-congo-que-faria-96-anos-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Patrice Lumumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> para tornar a República Democrática do Congo um país independente, o longa de Johan Grimonprez aposta em imagens de arquivo para costurar a história.</span></p>
<p><span id="more-34756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer consideração direta sobre o documentário, é admirável a presença dele no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2025, sobretudo, por se posicionar não apenas sobre um acontecimento histórico, mas também contra bilionários de extrema-direita, como Elon Musk e seu(s) interesse(s) em </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-04/niquel-litio-e-satelites-conheca-interesses-de-musk-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">minérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, coincidentemente (o filme é de 2024), marcaram presença na posse do presidente Donald Trump. A premiação é uma catapulta para a visibilidade de muitas obras, sem ela, provavelmente, a fita e as ideias de Grimonprez passariam despercebidas pelos cinemas brasileiros. Ironicamente, o imperialismo ainda decide quem é visto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado </span></i><span style="font-weight: 400;">necessita de muito fôlego para encarar 150 minutos de muita informação, enfoques, imagens e áudios que se devoram. A sensação provocada é de confusão, uma trama política complexa demais para querer mirar no </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, na Guerra Fria, no imperialismo e em outras tramoias, mesmo que elas estejam interligadas. O documentário pode ser encaixado no que seria um filme de solicitação, conceito apresentado pelo crítico </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/o-cinema-segundo-paulo-emilio-9ah48ueixtvqru0wnpr6wjv0z/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Emílio Sales Gomes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, há mais perguntas sendo feitas do que respostas ao espectador.</span></p>
<figure id="attachment_34758" aria-describedby="caption-attachment-34758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo centro da imagem, está Patrice Lumumba, ele está com as duas mãos erguidas mostrando o pulso enfaixado. Ele está com uma expressão séria, veste terno e gravata. Lumumba é um homem adulto de pele negra, seu cabelo é curto e ele tem bigode e cavanhaque. No lado direito, há um homem, também usando terno. " width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-768x497.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34758" class="wp-caption-text">Patrice Lumumba foi torturado e morto em 1961 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir de vivências, aproximações e outras estruturas que alguém gosta ou não de uma obra. Por exemplo, o grau de conhecimento sobre o gênero de Terror vai definir a apreciação de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-todo-mundo-em-panico/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) para além das piadas </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsenses</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse fator é fundamental nesse documentário, que, como em um anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> que nem sentimos chegar, interrompe sua narrativa para transmitir uma propaganda do carro </span><i><span style="font-weight: 400;">Tesla</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem os relacionar por meio de narrações com os fatos ali mostrados. É necessário, de quem vê, o conhecimento prévio sobre Elon Musk e fabricação de baterias, mas também de exploração de recursos e de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um gênero de improvisos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal fator está longe de ser um problema, é sua característica, inclusive para temas que não devem ser mastigados. A introdução das peças publicitárias de forma abrupta é um ótimo acerto para transmitir a ideia de que o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/10/07/o-que-e-imperialismo-pesquisadoras-explicam-o-que-esse-debate-tem-a-ver-com-sua-vida"><span style="font-weight: 400;">imperialismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda faz presença, de modo que tira e repõe você da história em uma fração de segundo. Mas e a trilha sonora que dá o título para o filme? Infelizmente, é o elemento que está mais desconectado, sendo usado de forma eficiente em raras ocasiões. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como início as opiniões de figuras políticas sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas delas negativas, a Música é compreendida como ruído. Um dos personagens diz que desliga o rádio quando o gênero começa a tocar. Já em determinado trecho do filme, um dos narradores diz que os trâmites para conquistar a liberdade na República Democrática do Congo são conduzidos por músicas diferentes: a ONU não ouve </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, não escuta a voz do povo. Outras tomadas conseguem extrair sentimento, como a cena em que Louis Armstrong canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LDPUfbXRLM"><i><span style="font-weight: 400;">Black And Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felizmente, </span><a href="https://olhardigital.com.br/2025/01/28/cinema-e-streaming/indicados-ao-oscar-2025-veja-onde-assistir-a-cada-filme-online-nos-streamings/"><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toma posição e revela lados e figuras da história que tendem a ser apagados da equação imperialista – o que é fundamental em um filme que interpreta fatos, ao invés de apenas os narrar. Entretanto, sua forma não linear e o excesso de enfoque tornam a experiência enfadonha: o quanto você absorveu do que viu é a pergunta que fica ao sair da sessão. </span></p>
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		<title>Do amor à política, a importância da memória é infinita para Maite Alberdi</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 21:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em Agente Duplo (2020), a diretora Maite Alberdi deixou clara a sua metodologia: partir de um objeto de estudo do cotidiano para refletir sobre temas mais profundos. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário naquele ano, em que perdeu para o inferior Professor Polvo, o longa acompanhava Sérgio, um senhor viúvo que era incumbido &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-memoria-infinita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do amor à política, a importância da memória é infinita para Maite Alberdi"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32544" aria-describedby="caption-attachment-32544" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32544" class="wp-caption-text">O longa venceu como Melhor Filme Ibero Americano no Goya Awards, considerado o principal prêmio do Cinema espanhol (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/agente-duplo-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Agente Duplo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), a diretora Maite Alberdi deixou clara a sua metodologia: partir de um objeto de estudo do cotidiano para refletir sobre temas mais profundos. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Documentário</span> <span style="font-weight: 400;">naquele ano, em que perdeu para o inferior </span><a href="https://personaunesp.com.br/professor-polvo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Professor Polvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa acompanhava Sérgio, um senhor viúvo que era incumbido da missão de se infiltrar em um lar de idosos para investigar uma denúncia de maus tratos. No desenrolar dos acontecimentos, observamos ele se afeiçoar progressivamente aos hóspedes do local, ao compartilhar com eles seus sentimentos de solidão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, Alberdi retorna ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Memória Infinita</span></i><span style="font-weight: 400;">, também indicado na categoria de Melhor Documentário. O método continua o mesmo, mas o objeto de estudo é bem menos pitoresco que o anterior. Trata-se do casal chileno Augusto Góngora e Paulina Urrutia. Ele foi jornalista, cineasta e apresentador da Televisão Nacional do Chile, a única rede televisiva estatal do país. Ela é uma atriz de renome, cuja influência a levou ao cargo de ministra da cultura da ex-presidente Michelle Bachelet, durante o seu primeiro mandato, entre 2006 e 2010. Ainda que tivessem enorme reconhecimento popular, ambos enfrentaram, em sua vida privada, um triste dilema: o mal de Alzheimer, com o qual Augusto foi diagnosticado em 2014. </span></p>
<p><span id="more-32543"></span></p>
<figure id="attachment_32546" aria-describedby="caption-attachment-32546" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32546" class="wp-caption-text">Além do Oscar de Melhor Documentário, o Chile marcou presença em Melhor Fotografia com O Conde de Pablo Larraín, que, curiosamente, também é produtor de A Memória Infinita (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5de3Uy9Vcg"><span style="font-weight: 400;">Alberdi</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escolha de filmar a rotina de um casal em uma situação tão delicada torna-se uma oportunidade para refletir sobre a importância da memória, em um contexto de amor e política. Por isso, a diretora não a desperdiça, mantendo-se longe da espetacularização e fixando seu olhar em uma posição observadora e passiva, mas não necessariamente distante. Através do</span><i><span style="font-weight: 400;"> close</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua câmera valoriza a intimidade entre os dois, como em pequenos gestos de cuidado. Um dos exemplos mais marcantes é ver Paulina dando banho no marido e acariciando seu rosto, uma imagem belíssima que estampa um dos principais </span><a href="http://www.impawards.com/intl/misc/2023/la_memoria_infinita.html"><span style="font-weight: 400;">pôsteres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de divulgação do documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma linha, temos as conversas particulares entre eles, que emocionam desde os minutos iniciais, quando vemos Augusto acordar levemente esquecido de sua identidade e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LxTgZRPZ5Rs&amp;pp=ygUPcGF1bGluYSB1cnJ1dGlh"><span style="font-weight: 400;">Paulina</span></a><span style="font-weight: 400;"> explicando-a para ele, com paciência e empatia. Curiosamente, é o marido quem recorda o passado para a esposa mais à frente na rodagem, quando relembra o dia em que se conheceram, de forma feliz, mas também melancólica. Nessa situação, fica evidente a necessidade de se verbalizar todos os sentimentos, dúvidas, questionamentos e, claro, memórias, enquanto ainda há tempo.  </span></p>
<figure id="attachment_32545" aria-describedby="caption-attachment-32545" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32545" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32545" class="wp-caption-text">“Nesse país, é como se os mortos não pudessem morrer”, afirmou Augusto em entrevista com o cineasta Raúl Ruiz, fazendo referência aos cadáveres sumidos dos desaparecidos políticos (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necessidade, por sua vez, reverbera nas imagens de arquivo que Alberdi aproveita em sua narrativa, construída em conjunto com a montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s6Ge7TBk41U&amp;pp=ygURY2Fyb2xpbmEgc2lyYXF5YW4%3D"><span style="font-weight: 400;">Carolina Siraqyan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dos registros caseiros em VHS das viagens e festas do casal aos trechos extraídos de entrevistas e reportagens de Augusto, o longa articula uma visão da memória como um elemento fundamental para todas as pessoas e, por consequência, também para o Chile, pois, nas palavras do jornalista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">sem memória, não há identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase pertence ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Chile: La Memoria Prohibida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1989), escrito pelo próprio, em colaboração com outros autores, e que é lido por Paulina para ele em um ponto-chave da rodagem. Tendo vivido os anos de repressão e ditadura militar de Augusto Pinochet e, nesse meio tempo, reunido relatos para a obra, é notável que Augusto guarda cicatrizes desse período, assim como seu país. Em uma das cenas mais tocantes do documentário, vemos ele chorar ao se lembrar dos assassinatos da época, em especial o do sociólogo </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/permalink/40026"><span style="font-weight: 400;">José Manuel Parada</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja cabeça degolada foi exposta publicamente para aterrorizar a população. </span></p>
<figure id="attachment_32547" aria-describedby="caption-attachment-32547" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32547" class="wp-caption-text">O longa chegou a aparecer na pré-lista para ser a indicação oficial do Chile ao Oscar de Melhor Filme Internacional, mas perdeu para Los Colonos (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em geral, a memória aqui acaba exercendo diferentes funções. Na política, impede um país de se esquecer dos horrores que viveu na mão do totalitarismo. No amor, mantêm acesa a chama de relacionamentos como o de Augusto e Paulina, com anos de cumplicidade e afeto. Em um campo da subjetividade, como o da autoafirmação, nos lembra das nossas identidades. E, no contexto específico do lançamento do documentário, serviu infelizmente como uma despedida, pois Augusto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4H0bHUKnFtc&amp;pp=ygUrYXVndXN0byBnb25nb3JhIHNpbiBtZW1vcmlhIG5vIGhhIGlkZW50aWRhZA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">faleceu</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano passado, aos 71 anos de idade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na forma de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Memória Infinita</span></i><span style="font-weight: 400;">, os últimos registros de sua vida tornaram-se, portanto, um ato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zL3URH5QMk8&amp;pp=ygUcYSBtZW3Ds3JpYSBpbmZpbml0YSBjcsOtdGljYQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> por si só. É provável que Maite Alberdi não via tamanha ironia do destino, desde que filmou um homem se afeiçoando a um lugar que se infiltrou para desmascarar, como em seu trabalho anterior. No entanto, é certo de que ela estava segura em capturar uma história de lembranças, seja dos esforços de uma esposa em fazer o marido lembrar-se de quem é, ou de um jornalista disposto a lembrar seu país de fazer o mesmo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Eternal Memory - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v-hxO7_oEZw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Fire of love: um legado de amor e Ciência</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 19:50:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Longe dos grandes números de bilheteria e do glamour do tapete vermelho, os documentários compartilham o modo divino do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fire-of-love-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fire of love: um legado de amor e Ciência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30213" aria-describedby="caption-attachment-30213" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30213" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png" alt="" width="1189" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557.png 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-07-163557-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30213" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Sundance, Fire of Love foi adquirido pela National Geographic e concorre ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe dos grandes números de bilheteria e do </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;"> do tapete vermelho, os documentários compartilham o </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/1335121/"><span style="font-weight: 400;">modo divino</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema de contar a vida. Aqui, o retrato é através da própria realidade. Neles, sem os artifícios da ficção, o desafio se torna envolver com a apresentação de uma verdade nua e crua &#8211; ou pelo menos, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><span style="font-weight: 400;">verdade de quem a conta</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que a imparcialidade de um interlocutor é apenas sua, e não absoluta. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, a História é tecida de acordo com as fotografias e filmagens da câmera e dos arquivos de Katia e Maurice Krafft, vulcanólogos franceses pioneiros no trabalho com vulcões.</span></p>
<p><span id="more-30208"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquadrando as vésperas da </span><a href="https://arstechnica.com/gaming/2023/01/love-among-the-volcanoes-fire-of-love-remembers-maurice-and-katia-krafft/"><span style="font-weight: 400;">morte dos dois</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fio condutor da narrativa, o destino está traçado e a diretora Sara Dosa usa dos 93 minutos seguintes para recontar seus caminhos até ali. De forma curiosa, as gravações tomam forma sob a narração ora convidativa, ora morna de Miranda July. A atriz encarrega-se da importante tarefa de, junto à edição, tornar o compilado de imagens um todo, e relata os abalos sísmicos e seus aspectos técnicos tão amorosamente quanto fala sobre a relação romântica entre os dois protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_30212" aria-describedby="caption-attachment-30212" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30212" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30212" class="wp-caption-text">Unida a química, a física e a geologia, a vulcanologia é a área do conhecimento que se dedica ao estudo de vulcões ativos e inativos (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio título original do documentário é exemplificativo em retratar seu teor: </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love </span></i><span style="font-weight: 400;">(em tradução livre para o português, “fogo do amor”) é mais sobre a relação de amor de Katia e Maurice um pelo outro e de ambos pelo objeto da profissão do que é sobre os abalos sísmicos documentados em si. Os dois, que se conheceram na década de 1960, na Universidade de Estrasburgo, na França, descobriram uma </span><a href="https://www.nationalgeographic.es/ciencia/2023/01/katia-krafft-de-profesion-exploradora-de-volcanes"><span style="font-weight: 400;">peculiar paixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> em comum pelos vulcões e, em uma época em que a área de conhecimento ainda era escassa de profissionais, se debruçaram juntos sobre os gigantes terrestres &#8211; quase literalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos como uma dupla no amor, na vida e na ciência, o casal passou a lua de mel e os primeiros momentos como casados na ilha de Stromboli, que abriga um dos três vulcões ativos da Itália. É mesclando as aventuras enquanto vulcanólogos aos depoimentos dos Krafft enquanto casal que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões </span></i><span style="font-weight: 400;">prende a atenção. Para eles, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a vulcanologia é uma ciência da observação</span></i><span style="font-weight: 400;">”; para nós, a animação dos dois diante dos seres quase mitológicos, imensos demais para serem incompreendidos, e a </span><a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/fire-of-love-interview-about-married-couple-that-died-on-a-volcano"><span style="font-weight: 400;">coragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de explorá-los juntos, é que valem a pena a observação.</span></p>
<figure id="attachment_30211" aria-describedby="caption-attachment-30211" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30211" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-2-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30211" class="wp-caption-text">Esnobado na mesma categoria do Oscar, Fire of Love venceu o prêmio de melhor montagem no Festival de Sundance (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colecionando centenas de horas de gravação, longas-metragens, fotografias e obras literárias, as produções de Katia e Maurice Krafft não só serviram de </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/11/toolkit-fire-of-love-director-sara-dosa-1234782375/"><span style="font-weight: 400;">inspiração para Dosa</span></a><span style="font-weight: 400;">: o cineasta Werner Herzog também foi um dos que bebeu da fonte do legado dos franceses. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6uMsFhxcMgw"><i><span style="font-weight: 400;">Visita ao Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor investiga a relação entre Homem e misticismo lidando com vulcões ativos, e usando de passagens documentais do casal. No mesmo ano, Herzog lança </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fire Within: A Requiem for Katia and Maurice Krafft</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a mesma proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, o alemão une filmagens dos Krafft para discorrer sobre a vida pessoal dos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre um vasto acervo de material, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">eletrizante montagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Erin Casper e Jocelyne Chaput impulsiona </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narração literária de July só é possível graças ao trabalho das editoras em compilar trechos sem contexto, depoimentos e artifícios animados, como mapas e infográficos de vulcões, de forma coesa e estável. Dando espaço para Maurice e Katia proferirem suas declarações de amor um ao outro, e para os abalos sísmicos acontecerem em tela no seu tempo real, a sensibilidade da dupla mescla a contação de histórias ao trabalho da vulcanologia e os momentos de reflexão que o próprio casal demanda em suas gravações, em que apresentam </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">imagens surpreendentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, quase lúdicas.</span></p>
<figure id="attachment_30209" aria-describedby="caption-attachment-30209" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30209" class="wp-caption-text">No Critics&#8217; Choice Documentary Awards, Fire of Love venceu Melhor Documentário de Arquivo, além de ter sido indicado em outras seis categorias (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinados momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fire of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, Maurice, convertido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirma saber que morreria em um vulcão. </span><a href="https://www.parquecientec.usp.br/publicacoes/katia-krafft"><span style="font-weight: 400;">Katia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em outra passagem, sabe que seu destino é do lado do marido, onde quer que fosse &#8211; mas os dois já sabiam onde seria. Como um contraponto &#8211; ela calculista e estudiosa, ele aventureiro e imprudente a ponto de entrar em um lago de ácido e sonhar em descer um rio de lava em um barco -, a dupla cativa com suas personalidades. Seja dançando com trajes metálicos em frente a um vulcão em erupção ou discutindo os aspectos técnicos de um abalo, os Krafft mantiveram seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/"><span style="font-weight: 400;">legado de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de ciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vida, os vulcanólogos se tornaram referência na área, a ponto de serem chamados toda vez que uma erupção se iniciava. Eles presenciaram os assassinatos causados pelo Mount Saint Helen, nos Estados Unidos; passaram pelo inconstante </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2021/06/um-dos-vulcoes-mais-perigosos-da-africa-o-monte-nyiragongo-entrou-em-erupcao"><span style="font-weight: 400;">Nyiragongo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Congo; o até então inocente e turístico Krafla, na Islândia; e o destruidor Nevado del Ruiz, na Colômbia. Foi no pós-tragédia do vulcão colombiano que Katia e Maurice, que optaram por não ter filhos para investigar as maravilhas naturais, decidiram seu projeto final. O casal sabia do potencial destruidor do seu objeto de trabalho, e, após a morte de cerca de 23 mil pessoas por negligência do Estado da Colômbia, que havia sido avisado de que o Nevado del Ruiz poderia entrar em atividade, escolheu dedicar seu tempo e estudo para alertar autoridades acerca dos </span><a href="https://agenciaeconordeste.com.br/a-erupcao-do-vulcao-anak-krakatoa-na-indonesia/"><span style="font-weight: 400;">perigos dos abalos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das medidas de proteção.</span></p>
<figure id="attachment_30210" aria-describedby="caption-attachment-30210" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30210" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg" alt="" width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3.jpeg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/vulcoes-3-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30210" class="wp-caption-text">No Oscar 2023, Fire of love compete com <a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/">Tudo o Que Respira</a>, All the Beauty and the Bloodshed, A House Made of Splinters e Navalny (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma das categorias mais diversas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/"><span style="font-weight: 400;">políticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o retrato de vida e trabalho do casal francês abocanhou uma indicação como Melhor Documentário em Longa-metragem, mesma nomeação conquistado no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico. Indicado em Documentário, que é Cinema, sim: como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou a ficção, se Katia e Maurice Krafft abraçaram o documental como meio para a Arte, por que a </span><a href="https://deadline.com/2023/03/fire-of-love-searchlight-pictures-theatrical-remake-oscar-nominated-national-geographic-documentary-love-story-french-volcanologists-1235277089/"><span style="font-weight: 400;">indústria cinematográfica reluta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em o fazer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, a homenagem à dupla só não supera o sucesso da trajetória profissional dos vulcanólogos. O projeto de alerta e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/internacional/1447365646_003055.html"><span style="font-weight: 400;">conscientização</span></a><span style="font-weight: 400;"> salvou vidas, mas não a dos Krafft. Na observação do Mount Uzen, em erupção no Japão, os dois não deixaram o território e filmaram os destroços causados pelo gigante terrestre. O casal foi encontrado morto, lado a lado e de mãos dadas. Em memória a eles e ao seu legado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft </span></i><span style="font-weight: 400;">relata sua morte, mas também o trabalho de uma vida. De </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj5yye4z369o"><span style="font-weight: 400;">duas vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, unidas pela paixão pelos vulcões, retratadas pela paixão pelo Cinema. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft | Trailer Oficial | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qaYwFU5QS90?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 16:34:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Tudo o Que Respira começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29907" aria-describedby="caption-attachment-29907" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Salik Rehman de frente com um milhafre-preto, uma ave de rapina preta com o peito branco, e os dois se encaram. Ambos estão dentro de um depósito, que serve como um espaço de trabalho. O animal está em cima de uma bancada com vários utensílios utilizados pelos homens que se dedicam ao cuidado dessa espécie. Salik tem cabelos e barba na cor preta e veste uma camisa social preta com listras brancas e óculos de grau." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29907" class="wp-caption-text">Com estreia no Festival Sundance de Cinema, Tudo o Que Respira é o segundo documentário do cineasta indiano Shaunak Sen (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><a href="https://www.allthatbreathes.com/trailer"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que eles fazem fica mais alto à medida que mais deles se alimentam. Ao que o ruído faminto cresce em volume, os faróis dos carros ficam mais brilhantes à distância – um sinal de humanidade que impacta diretamente a existência deles, e a cena termina ao passo que é dominada pela ultrapassagem de uma luz branca. Essa é apenas a primeira de muitas imagens de tirar o fôlego que estão presentes no mais recente documentário de Shaunak Sen.</span></p>
<p><span id="more-29905"></span></p>
<p><a href="https://thefilmstage.com/all-that-breathes-director-shaunak-sen-on-capturing-new-delhi-bird-rescuers-with-a-majestic-cinematic-vision/"><span style="font-weight: 400;">Sen</span></a><span style="font-weight: 400;"> foca no cotidiano de Nadeem Shehzad e Mohammad Saud, dois irmãos que têm dedicado duas décadas de suas vidas ao cuidado de aves feridas, especificamente daquelas conhecidas como milhafre-preto. Nova Deli é uma das cidades </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografia/2017/06/como-e-viver-na-cidade-mais-poluida-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">mais poluídas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta e a presença da indústria, juntamente com o processo de urbanização, são fatores que afetam profundamente a vida selvagem. Com a qualidade e a visibilidade do ar extremamente impróprias, os milhafres foram obrigados a se esforçar para fazer o que nunca exigiu esforço: voar. O diretor enquadra regularmente as aves contra uma nuvem de fumaça ou uma paisagem urbana coberta pela névoa, de forma a tornar essa situação tão visível como observar um animal que se afoga.</span></p>
<figure id="attachment_29908" aria-describedby="caption-attachment-29908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, fotografada de baixo para cima, vemos um homem vestido inteiramente de branco à distância, quase no topo da escadaria de um monumento. Ele está alimentando as aves, e muitas delas voam no céu. Há algumas outras construções ao redor. O céu está azul e é um dia ensolarado." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29908" class="wp-caption-text">A Wildlife Rescue, organização dos dois irmãos, cuidou de mais de vinte mil aves e animais desde seu surgimento em 2010 (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque do documentário gira totalmente em torno da direção e fotografia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma produção tradicional sobre a vida selvagem ou sobre a mudança climática e não conta com a presença de especialistas nem com fatos dispostos na tela. As informações obtidas sobre a situação dos milhafres vêm de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/02/07/science/kites-birds-conservation-india.html"><span style="font-weight: 400;">Nadeem e Saud</span></a><span style="font-weight: 400;">, que enfrentam seus próprios desafios ao mesmo tempo que tentam permanecer alertas em uma região do mundo cada vez mais tensa quando se trata de questões sociais, políticas e de classe. A obra entende profundamente que cuidar de tudo o que respira não é tão fácil quanto uma boa intenção faz parecer. Muitas vezes, o cuidado requer sacrifício e compromisso intensos; apesar de tudo, isso não é uma tarefa impossível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante todo o documentário, os diretores de fotografia Ben Bernhard e Riju Das fazem uso da técnica conhecida como </span><a href="https://www.backstage.com/magazine/article/what-is-cinema-verite-examples-75673/"><i><span style="font-weight: 400;">cinéma vérité</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou cinema verdade, que combina a improvisação com o uso da câmera para mostrar a verdade ou enfatizar assuntos que se escondem por trás da realidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">All That Breathes </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é formalmente projetado em uma horizontal, para que se possa ver panoramicamente o que acontece quando toda a natureza se reúne ao nível da rua. Essa junção faz com que aquilo que está sendo observado dê lugar a algo a mais, seja em primeiro ou segundo plano, enfatizando como, em nenhum momento, é insinuado uma hierarquia de importância entre o </span><a href="https://www.raptorrescue.org/"><span style="font-weight: 400;">trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nadeem e Saud e as crises enfrentadas pelo país, como a poluição crônica do ar e a crescente violência islamofóbica.</span></p>
<figure id="attachment_29906" aria-describedby="caption-attachment-29906" style="width: 1873px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Mohammad Saud dentro de uma das gaiolas voltadas para o cuidado dos milhafres-preto, feitas de pedaços de cano e tecido. Ele está agachado no chão e veste uma camiseta cinza, uma calça bege e óculos de grau. Ao seu redor, podemos ver seis aves de rapina. Apesar da foto estar um pouco escura, ainda é dia e é possível ver a silhueta de prédios através do tecido." width="1873" height="985" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png 1873w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-800x421.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1024x539.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1536x808.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29906" class="wp-caption-text">All That Breathes teve uma ótima recepção pela crítica e conquistou os principais prêmios da temporada (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o primeiro a ganhar o prêmio de Melhor </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em Sundance quanto em Cannes, não é de se surpreender que a direção de Shaunak Sen esteja na disputa pelo mesmo reconhecimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJ73sYkpisY"><i><span style="font-weight: 400;">A House Made of Splinters</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=kTKL5P_69e8"><i><span style="font-weight: 400;">All The Beauty and The Bloodshed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kz95Xjd3l00"><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são os longas que também buscam levar a estatueta dourada para casa. Apesar de não ser o favorito ao troféu, os poéticos 96 minutos de duração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira </span></i><span style="font-weight: 400;">são essenciais e de extrema importância na medida em que uma história micro é utilizada para fazer uma crítica relevante e valiosa sobre um contexto macro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muitas boas razões para que o documentário seja considerado como um dos </span><a href="https://variety.com/lists/best-documentaries-2022/"><span style="font-weight: 400;">melhores</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançados no ano de 2022. A obra leva seu próprio tempo para passar por todo o conteúdo apresentado, e a paciência de Sen é essencial para capturar momentos tão mundanos (e tão bonitos) que fazem da obra o que ela é. Apesar do esgoto que inunda o chão dos irmãos e a ameaça de uma guerra nuclear que ecoa das televisões, o longa se mostra como um retrato vivo de que a vida deve continuar. E continua, deixando uma faísca de esperança sobre o futuro, no que eles continuam a marchar e resgatar aves que caem do céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tudo O Que Respira | Trailer Legendado | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZdBd8xjXgKA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Entre herói e espião, Navalny acende uma luz vermelha</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2023 21:14:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Em Agosto de 2020, Alexei Navalny, líder da oposição russa contra Vladimir Putin, foi envenenado durante um voo para Moscou por Novichok, um composto produzido pelo governo nacional. Quase dois anos após o mal sucedido pelo ataque e uma estreia estarrecedora no Festival de Sundance 2022, o documentário joga luz no intricado e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/navalny-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre herói e espião, Navalny acende uma luz vermelha"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29806" aria-describedby="caption-attachment-29806" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, à esquerda, vemos, do peito para cima. Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, por detrás de um computador da Apple. Ao lado dele, à direita da cena, vemos sua assessora, uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, de cabelos castanhos presos, segurando um celular filmando em sua direção e com uma das mãos sob a boca. Por detrás dos dois, vemos mapas e fotos de pessoas interligadas por fios vermelhos." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-768x461.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29806" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Navalny estreou em Sundance e passou pelo festival brasileiro É Tudo Verdade (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Agosto de 2020, Alexei Navalny, líder da oposição russa contra Vladimir Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante um voo para Moscou por Novichok, um composto produzido pelo governo nacional. Quase dois anos após o mal sucedido pelo ataque e uma estreia estarrecedora no </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2022/jan/26/everyone-was-freaking-out-navalny-novichok-film-made-in-secret-premieres-at-sundance"><span style="font-weight: 400;">Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário joga luz no intricado e criminoso jogo político do leste europeu &#8211; ainda pré-Guerra da Ucrânia &#8211; a ponto de agraciar as morais estadunidenses: </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra que acompanha o opositor do Kremlin, recebeu aplausos ianques e uma indicação como Melhor Documentário no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29805"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da inevitável atmosfera de filme de espião, a mais de uma hora e meia de duração não é suficiente para desviar do fato que Alexey Navalny &#8211; pelo menos o retratado aqui &#8211; é um político. A produção acompanha seu protagonista desde o momento da tentativa de assassinato contra ele, através de filmagens de celulares e veículos locais &#8211; focando nos momentos de sua recuperação em Berlim e na retomada da atuação política e militante para fazer frente ao governo totalitário da Rússia -, até sua prisão em 2021, no retorno ao país. Por mais que os fatos digam por si só e a autoria do ataque seja praticamente inquestionável, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=81AAlzoKNPU"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se perde entre uma trama investigativa e o perfil de uma celebridade.</span></p>
<figure id="attachment_29807" aria-describedby="caption-attachment-29807" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos, ao fundo, Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, usando máscara, cachecol e um casaco verde com a mão direita em um aceno, em um avião. A frente dele, vemos pessoas de costas com celulares filmando em sua direção." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29807" class="wp-caption-text">Navalny estreou de surpresa em Sundance, e não teve divulgação prévia; sequer constava na programação do festival (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência de abertura, Navalny, sentado na bancada de um bar, pede ao diretor </span><span style="font-weight: 400;">Daniel Roher que o filme em produção seja de espionagem, e não um memorial para o caso de sua morte. O político sabe fazer política: desde o início, o russo se porta como um personagem, ciente dos riscos que corre, e transforma a mídia e os holofotes em seus principais guarda-costas. Em trechos à frente das câmeras, ele mesmo afirma que, quanto maior sua plataforma e as pessoas que o vêem, mais estará seguro &#8211; no decorrer do documentário e da História, porém, seu erro é comprovado. De cara, o voto de confiança cega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">é no mínimo questionável: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/russia-e-boicotada-na-cultura-de-hollywood-e-cannes-a-bienal-de-veneza.shtml"><span style="font-weight: 400;">produzido pelos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz vermelha permanece acesa por todo o documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclada aos depoimentos do protagonista e de sua família &#8211; a esposa Yulia e os dois filhos do casal &#8211; e às entrevistas cara a cara com as lentes de Roher, as cenas de investigação assumem um caráter jornalístico que favorecem a condução e o tom de veracidade do longa. Aqui, o caráter e a unanimidade de </span><a href="https://theconversation.com/a-year-after-navalnys-return-putin-remains-atop-a-changed-russia-174836"><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto figura política são questionáveis; os fatos em exposição, não. É nos momentos que coloca em cena o jornalista Christo Grozev, descobridor da teia de planos e dos capangas responsáveis diretamente pelo envenenamento, que o filme atinge seus picos positivos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/bellingcat-o-pesadelo-do-kremlin-que-documenta-a-guerra-na-ucrania/"><span style="font-weight: 400;">organização Bellingcat</span></a><span style="font-weight: 400;">, de jornalismo investigativo independente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> do portal explicita as etapas que o levaram a desvendar o esquema para o assassinato. Em uma das cenas mais decisivas para a investigação &#8211; e para o furor com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo -, o jornalista e o líder da oposição de Putin, ao lado de outros membros de sua equipe, se passam por um oficial russo e fazem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bme6iimkCOU&amp;pp=ygUdbmF2YWxueSBwaG9uZSBjYWxsIGNvbmZlc3Npb24%3D"><span style="font-weight: 400;">telefonema</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um dos envolvidos no envenenamento, questionando o porquê do ataque falhar. A resposta é uma confissão detalhada, que, algumas edições atrás, poderia ser exibida nos telões do palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. É nos momentos de Grozev em cena que </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">se eleva ao almejado </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_29809" aria-describedby="caption-attachment-29809" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos um quadro de cortiça preenchido com fotos de homens, um mapa e fios vermelhos interligando as pessoas ao quadro." width="1280" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-800x448.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-1024x573.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-768x430.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-1200x671.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29809" class="wp-caption-text">A organização Bellingcat ficou conhecida por investigar assassinatos de opositores do Kremlin e crimes de guerra na Ucrânia (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Que as ações de Vladimir Putin no comando da Rússia são &#8211; no mais maniqueísta possível &#8211; </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/27/internacional/1564227585_789023.html"><span style="font-weight: 400;">totalitárias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cobertura jornalística hegemônica e </span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/cinema/bellingcat-o-monopolio-da-informacao-esta-migrando-para-o-jornalismo-independente/"><span style="font-weight: 400;">não hegemônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> documentam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">encontra sua fadiga justamente na contextualização da situação geopolítica, econômica e social sob as palavras da própria figura que batiza o filme. O envenenamento do líder é emblemático ao escancarar como uma relevante oposição russa é reprimida em prol da manutenção de Putin no poder; a </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2022/mar/22/alexei-navalny-13-years-more-jail-fraud"><span style="font-weight: 400;">prisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da figura, em mostrar como a repercussão internacional é recebida pelo Kremlin. Porém, a apropriação do cenário sob a narrativa de Alexey Navalny &#8211; diga-se de passagem, inevitável em qualquer discurso político &#8211; coloca os holofotes em um </span><i><span style="font-weight: 400;">showman </span></i><span style="font-weight: 400;">mais do que em sua luta democrática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos excertos inspiradores &#8211; como quando o advogado incita a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2022/02/4988102-mais-de-900-pessoas-sao-detidas-em-protestos-anti-guerra-na-russia.html"><span style="font-weight: 400;">continuidade da resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo no caso de sua morte -, a investigação vira subtexto ao passo que as lentes captam os depoimentos de Navalny. Claro, o documentário foi inspirado e acompanha a trajetória do líder político a partir de seu envenenamento &#8211; não por menos, foi nomeado com seu sobrenome -, mas, ao balancear o tempo de tela dos momentos de jornalismo investigativo e das cenas de Alexey falando diretamente para câmera, quase de igual para igual, o ‘filme de espião’ se amorna em uma entrevista perfil de uma celebridade.</span></p>
<figure id="attachment_29808" aria-describedby="caption-attachment-29808" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29808" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58.jpeg" alt=" Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, por detrás de um vidro, fazendo um símbolo de coração com as duas mãos à frente do peito. Ao seu lado e a sua frente, vemos oficiais de segurança usando máscaras." width="992" height="558" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58.jpeg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29808" class="wp-caption-text">Alexey Navalny é adepto das redes sociais, como o YouTube e o TikTok, como forma de ampliar sua plataforma (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário, filmado secretamente, curtos e constantes trechos captam a vida do político em seus momentos de recuperação. Em seu exílio forçado em Berlim, cenas de Alexey e Yulia conversando e caminhando pela vizinhança, e dos filhos do casal testemunhando sobre o pai, declaram que a obra, realmente, não pretende tornar tudo sobre a investigação &#8211; o que melhor para os Estados Unidos do que um </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">opositor</span></a><span style="font-weight: 400;"> corajoso, nobre e à altura de Putin? Aqui, tomando distância do juízo de valor sobre o atual governante russo e as </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/12/05/putin-endurece-leis-anti-lgbtqia-da-russia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">atrocidades sociais</span></a> <span style="font-weight: 400;">e políticas cometidas no poder de uma das maiores potências bélicas mundiais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">tampouco questiona a si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tentativa existe, mas não progride: o diretor confronta Navalny sobre seu passado, quando o opositor tendia à </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">extrema-direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e marchou ao lado de ultranacionalistas e </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/anistia-internacional-deixa-de-considerar-navalny-um-prisioneiro-de-consciencia-24896404"><span style="font-weight: 400;">neonazistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; esquecendo de mencionar seu </span><a href="https://horadopovo.com.br/nazista-navalny-compara-em-proprio-video-imigrantes-a-insetos-a-serem-tratados-a-bala/"><span style="font-weight: 400;">caráter xenófobo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como pede o jornalismo, o político dá sua versão dos fatos: para ele, paradoxalmente, pouco importa quem anda ao seu lado, contanto que a caminhada seja rumo à democracia. Diante do panorama autoritário da Rússia, a resposta claramente engrandece seu mensageiro &#8211; sem cogitar que uma nova problemática surge em sua prática, ao colocar diferentes tipos de criminosos embaixo do mesmo guarda-chuva de </span><a href="https://www.abrilabril.pt/internacional/conheca-o-heroi-russo-da-uniao-europeia"><span style="font-weight: 400;">heroísmo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29810" aria-describedby="caption-attachment-29810" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29810" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos, do abdômen para cima, Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, vestindo uma camisa azul clara e uma jaqueta azul escura, sentado por detrás de uma mesa de madeira, do que aparenta ser um bar. Ao lado esquerdo dele, vemos um copo d’água. Ele encara a câmera." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29810" class="wp-caption-text">Concorrente de Navalny no Oscar, All the Beauty and the Bloodshed venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, sendo o segundo documentário a conquistar o feito em 79 anos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No páreo ao título de Melhor </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a produção</span> <span style="font-weight: 400;">investigativa concorre com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N2a00LVaz4k"><i><span style="font-weight: 400;">All That Breathes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kz95Xjd3l00"><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJ73sYkpisY"><i><span style="font-weight: 400;">A House Made of Splinters</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=kTKL5P_69e8"><i><span style="font-weight: 400;">All the Beauty and the Bloodshed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Este último despontando como favorito ao troféu, uma vitória tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">zebra na categoria &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><span style="font-weight: 400;">temáticas polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> anualmente são nomeadas, mas </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">raramente levam a estatueta dourada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o resultado da premiação em aberto, porém, a obra ainda pode torcer: não é de agora que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">ama retratos políticos &#8211; mas apenas os quais concorda com o posicionamento. Nisso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">preenche os requisitos.</span></p>
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		<title>A revolução será escrita com fogo</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 14:58:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Em Uttar Pradesh, estado do norte da Índia que é um dos mais populosos do mundo, níveis endêmicos de violência atravessam a vida das mulheres que ali habitam. No sistema de castas que define a organização social do país e reforça suas profundas desigualdades, elas estão com os Dalits, o extremo inferior da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A revolução será escrita com fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27007" aria-describedby="caption-attachment-27007" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher indiana filmando algo com o celular apontado para cima." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27007" class="wp-caption-text">Escrevendo com Fogo é o primeiro documentário indiano a ser indicado ao Oscar (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Uttar Pradesh, estado do norte da Índia que é um dos mais populosos do mundo, </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/10/13/machismo-na-india-dossie-ressalta-o-arduo-caminho-das-mulheres-que-lutam-por-igualdade"><span style="font-weight: 400;">níveis endêmicos de violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> atravessam a vida das mulheres que ali habitam. No </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55452675#:~:text=O%20sistema%20de%20castas%20divide,o%20deus%20hindu%20da%20cria%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">sistema de castas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que define a organização social do país e reforça suas profundas desigualdades, elas estão com os Dalits, o extremo inferior da hierarquia de classes da cultura indiana ainda vigente, estabelecido 1500 anos antes de Cristo. Da população que compõem a interseção das </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/03/07/classe-casta-e-genero-violencia-contra-a-mulher-nao-para-de-crescer-na-india"><span style="font-weight: 400;">maiores opressões do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, surgiu, em 2002, uma forma de expressão urgente através do jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma expectativa de fracasso. Mas ao invés disso, ele resiste, 20 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma revolução social, política e cultural através das mãos mais rejeitadas da sociedade indiana.</span></p>
<p><span id="more-27006"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A motivação de retratar a história das mulheres que foram contra todos os padrões, preconceitos, violências e segregações partiu de </span><a href="https://www.instagram.com/mentalsyrup/"><span style="font-weight: 400;">Sushmit Ghosh</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/rintuthomas/"><span style="font-weight: 400;">Rintu Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">. A partir de 2016, a diretora e o diretor, ambos conterrâneos das jornalistas revolucionárias, passaram acompanhar o dia a dia da redação independente de </span><a href="https://www.instagram.com/khabarlahariya/"><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (traduzido para o inglês como “</span><i><span style="font-weight: 400;">News Wave</span></i><span style="font-weight: 400;">”, no português livre, “Onda de Notícias”), que na época, vivia a inevitável adaptação para o digital ao mesmo tempo que também expandia seu alcance exponencialmente e fortalecia sua relevância e influência na região &#8211; mesmo assim, ainda brigando muito pelo mero respeito.</span></p>
<figure id="attachment_27008" aria-describedby="caption-attachment-27008" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27008 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra 4 mulheres adultas, de pele marrom e roupas com echarpes ao redor do pescoço. As 4 são indianas, estão na rua à luz do dia e sorriem para a câmera." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27008" class="wp-caption-text">O filme teve sua estreia no Festival de Sundance 2021, onde foi celebrado duas vezes nas categorias de documentário: com o Prêmio do Público e o Prêmio Especial do Júri (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Writing With Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original, em inglês) não só se dedica ao honroso trabalho de registrar a história do único jornal liderado </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/o-compromisso-das-jornalistas-feministas-indianas-chega-ao-oscar/"><span style="font-weight: 400;">unicamente por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Índia e um dos maiores do país, nem mesmo se restringe a grande tarefa de analisar a questão de gênero, econômica e social do país. Em meio a todas as camadas de grande importância da sua história, o filme constrói também um poderoso relato da prática do jornalismo alternativo e de gênero, assim como contempla as mudanças comunicacionais propostas pela era digital em uma das esferas mais importantes para </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/01/opinion/all-women-newspaper-india.html"><span style="font-weight: 400;">a vida em sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o jornalismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o documentário indiano conquistou os críticos do </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/25/movies/writing-with-fire-review.html"><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o título de “</span><i><span style="font-weight: 400;">filme sobre jornalismo mais inspirador de todos</span></i><span style="font-weight: 400;">” pelo </span><a href="https://www.washingtonpost.com/opinions/2021/02/01/india-writing-with-fire-khabar-lahariya-journalism/"><i><span style="font-weight: 400;">The Washington Post</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que inclusive já protagonizou uma das obras mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k-tiJlEm76A"><span style="font-weight: 400;">referenciais do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abarcando a complexidade do seu tema em instigantes 94 minutos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue renovar o ideal do Jornalismo e compreender a sua grandeza e importância como ele essencialmente é: uma forma de transformar o(s) mundo(s) em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27009" aria-describedby="caption-attachment-27009" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher debruçada sobre um caderno, olhando a tela de um celular e anotando algo no papel." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27009" class="wp-caption-text">“Eu acredito que jornalismo é a essência da democracia&#8221; (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior responsável por desenvolver essa visão no documentário é </span><a href="https://navayana.org/uncategorized/2021/10/07/meera-jatav/?v=19d3326f3137"><span style="font-weight: 400;">Meera Jatav</span></a><span style="font-weight: 400;">, co-fundadora e editora-chefe do jornal durante o período compreendido pelo filme. Apresentada como a liderança mais ativa no ambiente, ela logo abre a sua história de vida que, ao contrário do que sua posição transgressora pode sugerir, tem trechos que em nada se diferem das vivências das demais </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/05/noivas-criancas-esquecidas-da-india"><span style="font-weight: 400;">mulheres de seu contexto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Professora graduada em Ciências Políticas, ela se casou aos 14 anos e concluiu sua formação depois de vencer a resistência do marido e da sociedade local, até atingir sua posição de destaque e inspiração para as mulheres da comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao seu lado e sob a sua liderança, Suneeta Prajapati é a repórter que defende o jornalismo das mulheres indianas na </span><a href="https://www.washingtonpost.com/world/2022/03/25/india-khabar-lahariya-oscars/"><span style="font-weight: 400;">linha de frente</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na câmera trêmula que Sushmit Ghosh divide com Karan Thapliyal a fim de acompanhar a rotina agitada do jornal, ela aparece cobrindo questões políticas, criminais, ambientais e locais, denunciando casos de violência sexual, desamparo da polícia e até mesmo abuso de autoridade, assim demonstrando o alcance e importância do trabalho para o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da personagem que o documentário também mostra o maior desafio enfrentado pelas jornalistas: </span><a href="https://catarinas.info/o-jornalismo-e-a-superacao-das-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">o preconceito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que as coloca como alvo de muitas perguntas quando estão ali para fazê-las. Mas para as mulheres do </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">, abaixar a cabeça diante das opressões nunca é uma opção. Nos momentos capturados pelo documentário, é comum encontrar Suneeta enfrentando seus obstáculos, sejam eles concretos ou simbólicos, e observar Meera criticando assiduamente o modelo de jornalismo que </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/primeiras-edicoes/uma-crtica-ao-jornalismo-de-mercado/"><span style="font-weight: 400;">sufocou sua missão</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamentalmente coletiva num fim comercial individual. Aos olhos daquelas mulheres, não é só um veículo de reportagem, mas sim um meio de se fazer justiça.</span></p>
<figure id="attachment_27010" aria-describedby="caption-attachment-27010" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1.png" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra 4 mulheres indianas sentadas no chão, escrevendo num papel e sorrindo umas para as outras." width="1024" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-800x563.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-768x540.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27010" class="wp-caption-text">Os laços são tão profundos que vão além da relação profissional, e o documentário também sabe observar suas singelas manifestações de amizade e apoio (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E em momento algum, o idealismo das jornalistas significa ingenuidade. As lentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> capturam nos olhos de suas personagens o entendimento que elas têm sobre a dimensão prática de seus atos. Sem perder tempo com críticas culturais preconceituosas e rasas, a ótica próxima dos diretores compreende que o sucesso das mulheres Dalit redefinem </span><a href="https://www.cnn.com/2022/03/24/movies/rintu-thomas-writing-with-fire-khabar-lahariya-as-equals-intl-cmd/index.html"><span style="font-weight: 400;">o significado de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro daquela sociedade. Principalmente como profissionais e cidadãs na era da informação, elas sabem como ninguém que o jornalismo pode ser o melhor meio para recuperar o que lhes foi roubado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o documentário toma como principal marco temporal o sucesso. Alcançando um público, influência, recursos e acessos cada vez maiores, elas também reformulam a noção comum do profissional como um homem de casta superior, </span><a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-india-60804420"><span style="font-weight: 400;">triunfando</span></a><span style="font-weight: 400;"> com um jornalismo realizado por mulheres da mais baixa classe da sociedade. O filme se transforma, muito felizmente, numa espécie de jornal do jornal, fazendo questão de apreciar cada conquista da equipe </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;"> na tela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas como já é sabido, o acesso aos meios não é suficiente para se livrar completamente dos </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/onu-90-da-popula%C3%A7%C3%A3o-mundial-tem-preconceito-contra-mulher/a-52652634"><span style="font-weight: 400;">problemas sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Humanizando suas personagens e distanciando qualquer impressão de retrato romantizado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esquece dos motivos que fundaram o jornal e que, por consequência, levaram a sua equipe de filmagem até ali. Entre o dia a dia impressionante das jornalistas, ainda existem abusos maritais, violências domésticas, perseguições e a insuportável pressão para ceder aos padrões, razões pelas quais algumas até deixam seus maridos e mantém a si mesmas e seus filhos através do seu trabalho, ou, em outro extremo, se desligam de suas ocupações profissionais no </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27011" aria-describedby="caption-attachment-27011" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27011" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher filmando com o celular em um ambiente escuro e cheio de outras pessoas ao redor." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27011" class="wp-caption-text">&#8220;Meu coração me dá a coragem para seguir em frente&#8221; (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível nomear a importância de tudo o que é apresentado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> através da história das jornalistas indianas. Seu principal efeito, no entanto, é fácil de identificar: o documentário parece existir para mostrar que, a partir do reconhecimento de um contexto específico e revolucionário, aquelas mulheres não estão sozinhas. No dia 8 de outubro de 2021, a jornalista filipina </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/12/10/interna_internacional,1330055/maria-ressa-premio-nobel-da-paz-critica-gigantes-digitais-por-alimentarem.shtml"><span style="font-weight: 400;">Maria Ressa</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma das honradas com o Prêmio </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/10/08/nobel-da-paz-2021-vai-para-maria-ressa-e-dmitry-muratov.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">da Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apresentou sua decisão como forma de reconhecer a luta pela liberdade de expressão, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a mesma questão de valorização ao jornalismo e o reconhecimento de que um dos ofícios mais perigosos do mundo é especialmente difícil para as mulheres tem seu lugar ideal de visibilidade no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. A premiação da Academia já tem a tendência de reconhecer obras documentais de concepções femininas em sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">categoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> reservada ao gênero, e elas sabem como ninguém que existem </span><a href="https://personaunesp.com.br/ascensao-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> a serem ditas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">fogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser consumido por todos os lados. Quando as duas condições se convergem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">, nós temos a oportunidade de criar o momento ideal para voltar a nossa atenção às pessoas que, através da sua expressão contundente, estão transformando o mundo.</span></p>
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		<title>O sonho da Ascensão é uma farsa</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 16:39:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Trabalhe duro, e todos os seus sonhos se realizarão”. Esse é um tipo de fala muito familiar para nós, que vivemos imersos em um sociedade capitalista que preza por liberdade acima de tudo – inclusive, de nossa própria humanidade. E, afinal, se mesmo Bong Joon-Ho se surpreendeu em como pessoas do mundo inteiro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ascensao-documentario-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O sonho da Ascensão é uma farsa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26943" aria-describedby="caption-attachment-26943" style="width: 3840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1.webp" alt="Cena do documentário Ascension. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos uma garota asiática, sentada de frente para o seu celular, que fica preso sobre um tripé com uma iluminação de luz branca em formato de anel. Ela fala algo enquanto olha para o aparelho e levanta com a mão esquerda um tênis branco na altura de seu rosto." width="3840" height="2160" /><figcaption id="caption-attachment-26943" class="wp-caption-text">Indicado a Melhor Documentário no Oscar 2022, Ascension está entre três dos cinco filmes selecionados para a categoria este ano que são dirigidos por mulheres (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Trabalhe duro, e todos os seus sonhos se realizarão”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse é um tipo de fala muito familiar para nós, que vivemos imersos em um sociedade capitalista que preza por liberdade acima de tudo – inclusive, de nossa </span><a href="https://latinoamerica21.com/br/entre-o-sonho-americano-e-o-purgatorio/"><span style="font-weight: 400;">própria humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, afinal, se mesmo </span><a href="https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/596211-quanto-mais-extremo-o-capitalismo-mais-extrema-e-a-desigualdade-afirma-diretor-do-filme-parasita"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;"> se surpreendeu em como pessoas do mundo inteiro se identificaram com o seu (mais localizado possível) </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">retrato</span></a><span style="font-weight: 400;"> do capitalismo tardio sul-coreano, nossas vivências dentro desse sistema começam a se costurar, transcendendo territórios e aproximando-se de uma experiência universal. Entretanto, essa frase em específico é retirada de uma propaganda de rua do governo chinês. E a China não é capitalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atual conjuntura econômica chinesa é complexa e um fenômeno único na história. Vivendo hoje um “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o5sXPAUmeKg"><span style="font-weight: 400;">socialismo de mercado</span></a><span style="font-weight: 400;">”, essa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eJpqTO-PaY0"><span style="font-weight: 400;">alternativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao socialismo tradicional surge quando a China, para evitar sofrer boicotes, embargos e barrar seu desenvolvimento produtivo, se viu na necessidade de fundir-se à lógica mundial de comércio capitalista, em concomitante à outras formas coletivas de propriedade. Contudo, o que parecia uma </span><a href="https://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/5544"><span style="font-weight: 400;">relação mutualística</span></a><span style="font-weight: 400;"> logo revela-se um violento parasitismo, que passa a contaminar cada aspecto de sua sociedade. E, à vista disso, os efeitos desse fenômeno são percebidos com muita sensibilidade por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lHLGfZjm4vM"><span style="font-weight: 400;">Jessica Kingdon</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">Ascension</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua estreia como diretora de longa-metragens, que consta entre os indicados a Melhor Documentário do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-26942"></span></p>
<figure id="attachment_26944" aria-describedby="caption-attachment-26944" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10.jpg" alt="Cena do documentário Ascension. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos uma operária chinesa, vestindo uma jaqueta azul e vermelha, com o cotovelo e a mão apoiados sobre uma bacia cinza. Ela segura uma garrafa de plástico transparente em uma das mãos, e a posiciona de forma que dê a impressão de que ela está dirigindo o objeto até a sua boca. Na bacia, se encontram inúmeras garrafas iguais às que ela segura." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26944" class="wp-caption-text">Gravado por 52 locações chinesas ao todo, Ascension foi comercializado no Brasil pelo serviço de streaming Paramount+ (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme gira em torno da doutrina do “</span><a href="https://chinavistos.com.br/sonho-chines/"><span style="font-weight: 400;">sonho chinês</span></a><span style="font-weight: 400;">” – que pouco se conecta essencialmente com o que conhecemos como “sonho americano”. Esse conceito foi apresentado por Xi Jinping, presidente do país, em 2012 e, desde então, tem sido posto como projeto político nacional. Baseando-se em condutas da China Antiga, seu maior objetivo é finalmente </span><a href="https://pcdob.org.br/noticias/socialismo-na-nova-era-garantia-da-realizacao-do-sonho-chines/"><span style="font-weight: 400;">expurgar os traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país – com um longo passado de colonização e </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/educacao/historia/japao-contra-china-o-massacre-de-nanquim,8008affdfb1ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html"><span style="font-weight: 400;">dominação externa</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, superar suas crises, ultrapassar a hegemonia capitalista e estabelecer-se como a maior potência econômica e tecnológica da civilização moderna.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos fundamentos de liberdade e crescimento individual pregados no ocidente, o sonho chinês, além de basear-se em um forte sentimento nacionalista e em rígidas normas sociais, coloca-se como um processo coletivo em seu cerne. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O sonho chinês é, acima de tudo, o sonho do povo. Nós devemos realizá-lo dependendo proximamente das pessoas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://portuguese.people.com.cn/n3/2019/0930/c309806-9619647.html"><span style="font-weight: 400;">são as palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Xi Jinping. Porém, a obra de Kingdon demonstra como, conforme o país se entrelaçou com a economia mundial, a busca pelo “rejuvenescimento da nação chinesa” confirma-se corrompida. De </span><a href="https://www.consumidormoderno.com.br/2019/07/23/made-in-china-como-virou-a-industria-do-mundo/"><span style="font-weight: 400;">fábrica do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> a </span><a href="https://www.indexlaw.org/index.php/revistadtmat/article/view/1240"><span style="font-weight: 400;">sociedade de consumo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a estrutura socioeconômica inerentemente contraditória da China faz com que os cenários expostos pelo longa sejam assustadoramente reconhecíveis a nós.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da contextualização geral feita aqui, não é necessária nenhuma dessas informações para absorver a </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/10/ascension-review-chinas-bizarre-descent-into-capitalist-excess"><span style="font-weight: 400;">mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ascensão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – como foi traduzido para cá. Diferente do que pode ter parecido até agora, o documentário não tem cunho teórico, muito menos informativo. A partir de uma estética limpa e minimalista, Kingdon dispensa explicações metódicas e narrações expositivas, decidindo focar somente na observação silenciosa das pessoas e de como aquelas condições afetam tanto sua rotina quanto sua relação com os outros e com sua própria subjetividade.</span></p>
<figure id="attachment_26945" aria-describedby="caption-attachment-26945" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-13.jpg" alt="Fotografia retangular e colorida. Nela, vemos um grupo de três pessoas que se apoiam sobre uma parede. Sobre ela, está colado um outdoor com uma propaganda chinesa. A imagem que entra em foco na peça publicitária é a de uma boneca japonesa, que veste um kimono vermelho estampado com flores, e os dizeres são todos escritos em ideogramas chineses. Porém, o que chama a atenção são grandes rasgos que se apresentam sobre parte do pôster." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-13.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-13-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26945" class="wp-caption-text">As propagandas do governo, que disseminam a palavra do sonho chinês, costumam se apropriar a arte tradicional do país, evocando o nacionalismo da população; na imagem, três pessoas à frente de um pôster do sonho chinês adulterado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jessica Kingdon já havia explorado as circunstâncias humanitárias da China no premiado documentário de curta-metragem </span><a href="https://vimeo.com/265913637"><i><span style="font-weight: 400;">Commodity City</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que examina a vida de comerciantes do </span><a href="https://destinochina.com/atacado-no-mercado-de-yiwu-na-china/"><span style="font-weight: 400;">Mercado de Yuwi</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas decide expandir seus horizontes e investigar um panorama mais amplo. De descendência judaica e chinesa, a cineasta americana, sem nunca necessitar de verbalizações, não esconde o quão pessoais estes registros são para ela. Seu primeiro longa é nomeado a partir de um poema do seu próprio avô, Zheng Ze, escrito no ápice do </span><a href="https://iscap.pt/cei/e-rei/n9vol1/artigos/Lanfeng%20Zhou_O%20S%C3%A9culo%20de%20Humilha%C3%A7%C3%A3o%20e%20a%20sua%20influ%C3%AAncia%20na%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20identidade%20nacional%20na%20China.pdf"><span style="font-weight: 400;">Século da humilhação</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1912 – um período de grande crise na história da China, logo antes da Primeira Guerra Mundial. Kingdon, então, se apossa das inquietudes de seu avô e ressignifica aqueles versos para tentar compreender a realidade de hoje.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha espada em mãos, eu ascendo até a torre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu olho para longe, esperando aliviar minhas aflições.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A torre é alta demais para escalar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vez disso, meus problemas só aumentam.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Após esse enxerto, logo nos transportamos para dentro do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WeIsyqRLjXI"><span style="font-weight: 400;">sensível olhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kingdon. Acompanhamos uma comoção em um centro comercial chinês, onde os recrutadores das fábricas, com seus megafones, gritam a plenos pulmões ofertas de trabalho à multidão aflita. Os direitos mais básicos, como um ambiente ventilado ou cadeiras para se sentar, são anunciados como benefícios exclusivos e imperdíveis, enquanto a falta de rigor sanitário é considerada um atrativo para uma população que não consegue acesso sequer a exames médicos. Tudo isso por um salário pífio e irrisório, o que não impede que as ruas continuem abarrotadas.</span></p>
<p><figure id="attachment_26946" aria-describedby="caption-attachment-26946" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26946" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1.webp" alt="Cena do documentário Ascension. Imagem retangular e colorida. Vemos, de cima, em uma visão panorâmica, a imagem de uma extensa piscina que ocupa o terraço de um prédio luxuoso. Além disso, três funcionários vestindo ternos andam sobre a ponta do terraço, aparentemente concluindo uma manutenção na piscina, sem nenhum tipo de equipamento de segurança." width="1200" height="675" /><figcaption id="caption-attachment-26946" class="wp-caption-text">“Para mim, [fazer o filme] foi muito sobre entender o capitalismo em um contexto diferente, fora dos Estados Unidos, em um país que ainda nomeia-se comunista”, disse Jessica Kingdon, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hhSyuhHroW0">em entrevista</a> ao GoldDerby (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Nesse início, a câmera posiciona-se afastada, separada daquele corpo social e fluxo urbano. A perspectiva vêm de cima e exprime-se através de um olhar invasivo, que se embrenha sobre o cotidiano dessas pessoas sem que elas nem percebam. Mesmo com o distanciamento, a sensação é de abjeção, como se o simples ato de observar fosse rude ou até imoral. Com isso, Kingdon – que também assina a cinematografia – assume o mesmo lugar de nós, </span><a href="https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/2501"><span style="font-weight: 400;">espectadores ocidentais</span></a><span style="font-weight: 400;">: o de estrangeira. Ainda que seja parte de sua ancestralidade, a cineasta entende sua posição como leiga e se prontifica a mergulhar no âmago da humanidade daquele povo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, então, ao invés do que a introdução incita, somos levados a uma jornada interna e confidente a esse universo lúgubre. Cruzamos por diversos fragmentos da vida chinesa e, toda vez que pulamos de um cenário a outro, essa consciência de uma aproximação comedida volta a aparecer, dando ao filme um </span><a href="https://repositorio.bc.ufg.br/bitstream/ri/4205/5/TCCG%20-%20Jornalismo%20-%20Marielle%20Alves.pdf"><span style="font-weight: 400;">caráter lúdico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de curiosidade e constante descoberta, sempre acompanhado de um incômodo frio na espinha. A fotografia é hipnotizante, utilizando-se do contraste entre enquadramentos abertos e fechados para criar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8QwIXfNACK0"><span style="font-weight: 400;">corrente surreal de imagens</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ascension</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa dizer nada, não só porque toda a sua carga de significado se apresenta dentro da sua rica linguagem cinematográfica, mas também pois sua narrativa depende de uma bagagem de signos que somente a enunciação jamais abarcaria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim sendo, os trabalhadores das fábricas chinesas são os primeiros contingentes a serem abordados. Se a promessa de urbanização e modernização chinesa foi cumprida, isso não impediu que o mercado de exportação do país continuasse explorando a população local mais vulnerável, a partir de uma </span><a href="https://www.engeplus.com.br/noticia/economia/2017/por-que-os-produtos-da-china-sao-mais-baratos"><span style="font-weight: 400;">mão-de-obra barata</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sucateada, implementada em condições insalubres e indignas. Presenciamos as trabalhadoras debruçadas sobre diferentes linhas de montagem, ocupando funções automatizadas, </span><a href="https://jacobin.com.br/2022/01/para-marx-a-alienacao-era-central-para-a-compreensao-do-capitalismo/"><span style="font-weight: 400;">alheios do processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de formação daqueles produtos e, consequentemente, do valor legítimo de seu trabalho – ao mesmo tempo que nunca verão os frutos dessa labuta.</span></p>
<figure id="attachment_26947" aria-describedby="caption-attachment-26947" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26947" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6.jpg" alt="Cena do documentário Ascension. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos uma mulher de costas, segurando seu celular em uma das mãos, e a cabeça de uma boneca realista em tamanho real, posta sobre uma torre de apoio, na outra. Nas duas mãos ela veste luvas de proteção brancas. Sobre a mesma mesa onde se apoia a cabeça, vemos espalhadas diversas outras partes da boneca, como pernas, braços e torsos." width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26947" class="wp-caption-text">Essa abordagem observacional e sutil também possibilitou que o filme transmitisse sua mensagem de forma mais sofisticada e menos tendenciosa, dando abertura para interpretações alternativas do público, mas sem deixar de se posicionar da sua maneira (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É desse modo que os paradoxos inerentes ao socialismo chinês tomam forma na nossa frente. Aliando-se à </span><a href="https://www.uol/noticias/especiais/retrospectiva-nyt-china.htm#china-abraca-a-globalizacao"><span style="font-weight: 400;">globalização</span></a><span style="font-weight: 400;">, no esforço por alçar autonomia política e econômica, ironicamente a China se vê mais uma vez refém do imperialismo ocidental. Da produção de camisetas que estampam o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/inteligencia-de-trump-china-e-a-maior-ameaca-aos-eua-desde-a-segunda-guerra/"><span style="font-weight: 400;">governo de Trump</span></a><span style="font-weight: 400;"> à grotescamente meticulosa fabricação de bonecas sexuais: todos produtos que serão exportados e consumidos por homens de uma elite ocidental branca, e esculpidos por mulheres da classe operária chinesa em circunstâncias impróprias e perigosas. Fatalmente, espelha-se ali as </span><a href="https://www.comciencia.br/a-china-na-economia-mundo-capitalista-de-1840-aos-dias-atuais-da-incorporacao-forcada-a-integracao-total-voluntaria-e-irreversivel/"><span style="font-weight: 400;">convenções sistemáticas do capitalismo</span></a></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ascension</span></i><span style="font-weight: 400;"> também mostra como esse modelo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4a4XBSaNTBQ"><span style="font-weight: 400;">produção alienada</span></a><span style="font-weight: 400;"> é conduzida para outras </span><a href="http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2012_GPR310%20TC.pdf"><span style="font-weight: 400;">dimensões sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cursos de preparação profissional formam-se sobre um molde praticamente militarizado, baseado em </span><a href="http://www.justificando.com/2017/12/12/acesso-justica-o-drama-da-classe-trabalhadora-nao-comecou-com-reforma-trabalhista/"><span style="font-weight: 400;">hierarquias severas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sem espaço para debate e pensamento crítico. Em um treinamento de mordomos, por exemplo, eles são ensinados a manter sempre a postura de submissão: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nossos clientes são principalmente pessoas ricas, que tendem a fazer o que bem entenderem e a depositar seu mau-humor em vocês. E vocês, como membros da indústria de serviço, precisam agir profissionalmente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o que aponta a instrutora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São nesses momentos, quando Kingdon aprofunda-se na contraposição entre os trabalhadores e a aristocracia chinesa – cegamente obcecada pela cultura europeia –, que o documentário ganha um tom quase tragicômico. A partir de sua segunda metade, vemos as implicações da tal busca por desenvolvimento tecnológico e a </span><a href="http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2012_GPR310%20TC.pdf"><span style="font-weight: 400;">transição do país</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma nação industrial para mais uma </span><a href="https://aun.webhostusp.sti.usp.br/index.php/2021/09/02/economia-da-atencao-e-universo-das-telas-entenda-por-que-e-tao-dificil-se-desconectar/"><span style="font-weight: 400;">economia de atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> no auge do </span><a href="https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-do-trabalho/uberizacao-da-revolucao-no-mundo-capitalista-a-evolucao-das-novas-formas-de-trabalho-humano/"><span style="font-weight: 400;">capitalismo selvagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. A ideia de que, na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rrXFBSD0nRw"><span style="font-weight: 400;">era da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou você influencia ou é influenciado, é completamente abraçada por uma nova classe empreendedora que reduz tudo à mercadoria. Qualquer conhecimento que não possa ser monetizado torna-se obsoleto, enquanto a concepção do sonho chinês é deturpada e transformada em um discurso meritocrático vazio de ascensão e </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/10/25/e-preciso-combater-o-individualismo-e-o-consumismo-diz-stedile-em-evento-na-ufpa"><span style="font-weight: 400;">ganho individual</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26948" aria-describedby="caption-attachment-26948" style="width: 4096px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26948" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-6-1.webp" alt="Cena do documentário Ascension. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos de cima, um grupo enorme de pessoas, vestindo bóias rosas e amarelas, sendo levados pela correnteza de uma grande piscina de um parque aquático. O cenário é dia." width="4096" height="2160" /><figcaption id="caption-attachment-26948" class="wp-caption-text">Mesmo liderando as indicações no Critics Choice Documentary Awards ao lado de Summer of Soul, Ascension infelizmente saiu da premiação sem ser contemplado (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de Dan Deacon, ainda que excessivamente eclética – ora firmada em uma </span><a href="http://akgerber.com/moi.html"><span style="font-weight: 400;">sonoridade rumorosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora acústica, regrada por instrumentos de corda –, cumpre seu papel em denotar a discrepância absurda entre contextos tão fisicamente próximos. Quando os sintetizadores futuristas e sintéticos do compositor são sobrepostos aos ruídos caóticos e indistintos de uma festa de formatura de um grupo de estudantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VFaEaJakl_A"><span style="font-weight: 400;">classe-média</span></a><span style="font-weight: 400;">, procurando sobre aquele parque aquático algum tipo de validação e </span><a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/FZdfwbdkV66fsJGzJwyGVpP/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">recompensa imediata</span></a><span style="font-weight: 400;">, crentes de que com empenho eles conquistarão tudo que desejarem, prova-se ainda mais artificial a construção dessas relações – superficiais e alheias da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo além do seu formidável comentário político, Jessica Kingdon entrega uma brilhante experiência sensorial. Mostrando que fazer um bom documentário não depende apenas de um extenso acervo de informação, a diretora usa todos os elementos da linguagem cinematográfica ao seu favor, instigando nossos sentidos e nos transferindo para dentro desse cenário destrutivo da forma mais palpável que uma obra audiovisual chega. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que foi indicado para Melhor Documentário, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ascension</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha uma leva de documentários sobre a questão da China que deram as caras em anos anteriores, como o curta </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-not-split-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/03/01/artigo-filme-industria-americana-mostra-precarizacao-do-trabalho-crua-e-desigual"><i><span style="font-weight: 400;">Indústria Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou na mesma categoria em 2020. Porém, para esse ano, sua chance de vitória é pouca, dado que saiu de mãos vazias na maioria das grandes premiações em que foi indicado, enquanto compete aqui com gigantes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/flee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de um estudo íntimo e refinado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ascension</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela que ecos da ideologia americana contaminaram os quatro cantos da China. Talvez o “sonho chinês” já não pareça tão distante dos preceitos do “sonho americano”. No fim das contas, é a mesma falácia de que, com persistência e força de vontade, tudo é possível. Ideia essa calcada sobre o sangue de trabalhadores e de uma falsa esperança que legitima opressões, à medida que edificada minuciosamente para esterilizar qualquer fagulha de reação e isentar os verdadeiros responsáveis por tamanhas atrocidades. E é assim que, ao testemunhar paralelos entre a decadente realidade chinesa e a nossa, sob o olhar preciso de Jessica Kingdon, não existe outra conclusão possível: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ChgT6KcJfog"><span style="font-weight: 400;">reconciliações são impossíveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a farsa do capitalismo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ascension Trailer | MTV Entertainment Studios" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c7Z4DRhy9pI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_26765" aria-describedby="caption-attachment-26765" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26765 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na fotografia retangular colorida, vemos centenas de pessoas negras vestindo roupas populares nos anos 1960, que são camisetas listradas, blusas com golas grandes e óculos redondos. As três mulheres negras que estão à frente da fotografia possuem cabelos crespos e grandes, de cor preta, e vestem respectivamente uma camisa preta com uma blusa azul sobre os ombros; uma camiseta listrada; e uma blusa de couro marrom com detalhes em cor branca." width="1425" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-800x606.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1024x775.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-768x582.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1200x909.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26765" class="wp-caption-text">Vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, Summer of Soul (&#8230;Or, When the Revolution Could Not Be Televised) é o favorito na mesma categoria do Oscar 2022 [Foto: Hulu]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, de Malcolm X à posterior morte de Bobby Kennedy – e tantos outros). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não se trata do famigerado festival de Woodstock, pois esse, apesar de dominar a cultura popular, aconteceu em somente quatro dias (15 à 18 de agosto de 1969). A 160 km dali, no antigo bairro periférico do Harlem, estava acontecendo uma revolução não televisionada. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, </span><a href="https://aodisseia.com/summer-of-soul-critica-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (…ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona os registros do Festival Cultural do Harlem, um marco histórico na Música que se seguiu esquecido; até agora.</span></p>
<p><span id="more-26764"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens – inéditas por mais de 50 anos – foram recuperadas pelo músico e diretor estreante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Kxn1QCqRQU"><span style="font-weight: 400;">Ahmir “Questlove” Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revelam um importante momento cultural estadunidense, guiado por nomes como B.B. King, </span><span style="font-weight: 400;">Mahalia Jackson e </span><span style="font-weight: 400;">Nina Simone. As ebulições sociais e sócio-políticas que se infiltraram na sociedade à época são jogadas na tela em cada discurso incisivo que os artistas trazem – seja através dos registros do Harlem Cultural Festival, seja pelas falas “contemporâneas” que ex-participantes relatam. Havia algo importante na existência de um evento do tipo naquele momento da História, e todos ali pareciam ter consciência disso; talvez por essa razão </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">permaneça contundente e avassalador: é um registro esquecido de uma revolta segmentada através da arte.</span></p>
<figure id="attachment_26766" aria-describedby="caption-attachment-26766" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg" alt="Foto retangular colorida do diretor Ahmir Questlove. Na imagem, vemos Questlove sorrindo ao centro, olhando diretamente para a câmera, e ao fundo um poster do filme Summer of Soul. Questlove é um homem negro, possui cabelos pretos e crespos, barba de cor preta, utiliza um óculos de grau com hastes pretas e veste jaqueta em cor laranja com detalhes brancos. Ele está usando um colar de cor cinza e uma camiseta de cor verde." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26766" class="wp-caption-text">Summer of Soul é a estreia promissora de Questlove na direção de longa-metragens, que veio acompanhada de uma série de premiações relevantes (Foto: Todd Williamson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, em si, não inventa muita firula. Trata-se de uma sobreposição de imagens de época em contraponto a entrevistas recentes. Na abertura – uma sequência genial –, vemos Stevie Wonder em um </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">magistral de bateria. Esse trecho logo no começo não parece ter sido escolhido a mero acaso, pois Questlove é também baterista, e lidera a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojC0mg2hJCc"><span style="font-weight: 400;">The Roots</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra o programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tonight Show Starring Jimmy Fallon</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A montagem primorosa, a cargo de Joshua L. Pearson, também merece destaque, dado que cria lentamente em seus 118 minutos de duração as tensões sociais as quais o festival estava inserido. A junção de conteúdo e técnica impecável de edição rendeu ao filme duas indicações ao </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2022-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Montagem e Melhor Documentário – categoria em que venceu –, e uma série de vitórias nos principais festivais de Cinema, incluindo o de</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/594350/summer-of-soul-documentario-premiado-em-sundance-e-adquirido-pela-searchlight/"><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://pitchfork.com/news/questloves-summer-of-soul-wins-best-documentary-at-2022-independent-spirit-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Independent Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também concorre no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 na categoria Melhor Filme Musical.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha ainda mais fôlego ao se desenvolver entre os bastidores do Festival Cultural do Harlem. Diferente do que costuma ocorrer em filmes do gênero, o foco não está somente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">e na reação do público, mas também em seus entremeios e ligações externas, nos políticos envolvidos, na relação conturbada com a polícia (com medo de reações policiais violentas, os organizadores do evento contrataram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazerem a segurança do festival) e todo o contexto repressivo que foi permitido esquecer em meio aos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">catatônicos das guitarras amplificadas, dos pianos melódicos e dos tambores que rugiam raivosamente.</span></p>
<figure id="attachment_26767" aria-describedby="caption-attachment-26767" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na imagem retangular colorida vemos o palco do Festival Cultural do Harlem, com instrumentos e dezenove músicos espalhados ao longo dele. A imagem está distante e não conseguimos visualizar o rosto de cada um, mas todos eles são negros. Ao fundo, vemos o papel de parede do evento, escrito Festival em fonte de cor branca em meio a diversas formas geométricas coloridas." width="1400" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26767" class="wp-caption-text">O documentário se desdobra nos eventos históricos sempre através da Música; por essa razão, não cai em clichês (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, o “Homem Estadunidense” também foi à Lua, mas ele era branco, e não pretendia considerar a população negra em sua viagem interestelar. Uma das cenas mais marcantes do longa é durante a fala de Roger Parris, na qual ele diz que a comunidade do Harlem não estava interessada em ir à Lua, </span><i><span style="font-weight: 400;">“estava preocupada na realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o real era cruel o suficiente para se negar o direito a sair da Terra. Como se não bastasse as complicações de todos os tipos que vinham externamente – principalmente por forças políticas –, outro inimigo dominou o bairro: a heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final dos anos 1960, especificamente, foi um período duro, no qual a epidemia da droga ceifou a vida de vários jovens, cujos possíveis motivos do vício estavam ligados justamente à realidade abissal que a população negra havia sido jogada em decorrência do racismo, como sugere um entrevistado em uma das cenas. Foi também um momento chave na Guerra do Vietnã, onde o governo estadunidense enviou </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">front </span></i><span style="font-weight: 400;">em números muito maiores do que jovens brancos, e muitos daqueles que se negaram a ir foram caçados e mortos pela polícia. Por esses motivos, como o próprio documentário deixa no ar, Tony Lawrence idealizou o Harlem Cultural Festival para evitar que a cidade queimasse em meio às revoltas e protestos – totalmente legítimos.</span></p>
<figure id="attachment_26769" aria-describedby="caption-attachment-26769" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na foto retangular colorida, vemos a cantora e musicista Nina Simone, sentada em um piano de cor marrom. Ela é uma negra, veste um vestido de cor amarela com detalhes pretos, utiliza dois brincos grandes, cujo tamanho é similar ao de uma bola de tênis, e está com a cabeça inclinada para a direita, em direção ao público que assiste ao seu show." width="2400" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26769" class="wp-caption-text">“Essa é a parte triste do apagamento; antes do nosso filme, você quase não conheceu nada sobre isso. Houve apenas rumores de que talvez isso tenha acontecido”, disse Questlove em entrevista a Variety (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">remete a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwSRqaZGsPw"><i><span style="font-weight: 400;">Revolution Will Not Be Televised</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do músico e poeta Gil Scott-Heron – considerado uma das fontes de inspiração para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">–, sustentado como um dos hinos de ativistas negros no final dos anos 1960. Ao longo do documentário, </span><span style="font-weight: 400;">os entrevistados explicam como a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i><span style="font-weight: 400;">” mudou de um termo pejorativo para um lugar de autodeterminação e orgulho, valores que foram ainda mais impulsionados – e incentivados – no festival. </span><span style="font-weight: 400;">Algo que Questlove explorou muito bem foi o desenrolar de um novo mundo para a população negra que começava a ser consolidado, e os discursos dos artistas no evento giravam em torno de um mesmo tema: tenha orgulho de ser quem você é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim, Nina Simone surge cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“somos negros, somos lindos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a essência do festival e sua importância histórica. Pela primeira vez, após um período intenso de crimes hediondos contra a comunidade, havia um evento que celebrava, enfim, a existência dessa mesma comunidade. Aquele era um período de mudanças sociais profundas, e embora fossem julgadas como inatingíveis e utópicas por uma parcela da população, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc"><span style="font-weight: 400;">sonhar ainda era possível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7A_A9IqC3Co?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A vida não dá trégua nas travessias de Flee</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2022 16:37:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora”. Os versos de Compasso, composição de Angela Ro Ro com Ricardo Mac Cord, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa Flee (Flugt, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida não dá trégua nas travessias de Flee"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26223" aria-describedby="caption-attachment-26223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos várias pessoas em uma balada gay. Amin está centralizado. Ele coloca os braços sobre o balcão do estabelecimento, veste roupas de inverno e olha para o lado direito da imagem. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26223" class="wp-caption-text">Indicado três vezes ao Oscar 2022, Flee é um documentário que ilustra uma complexa jornada de autoconhecimento (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I8Y-DqFcBnM"><i><span style="font-weight: 400;">Compasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Angela Ro Ro com </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/angela-ro-ro-celebra-musica-em-um-lugar-ao-sol-volta-fazer-show-abre-coracao-ao-falar-de-vaidade-sexo-nova-namorada-25353398.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Mac Cord</span></a><span style="font-weight: 400;">, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Flugt</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem recortados do restante da música, esses fragmentos poéticos expressam muito bem uma das inúmeras sensações que permeiam o longa-metragem estrangeiro. Afinal, em todo o filme, estamos diante de uma concretude nua e crua, e ela nunca será vivenciada da mesma forma por indivíduos minimamente diferentes.</span></p>
<p><span id="more-26222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer coisa, não é de se espantar que uma possível tradução para </span><i><span style="font-weight: 400;">flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja fuga. Documentário elaborado em grande parte como animação, a obra de Rasmussen narra uma vida de </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-flee-animacao-indicada-ao-oscar-traz-belissima-historia-de-amizade-332128/"><span style="font-weight: 400;">deslocamentos constantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido no Afeganistão, o protagonista Amin precisa escapar, logo cedo, de um cenário de guerra que vai tomando conta de sua terra natal. Realocado com a mãe e irmãos na Rússia pós-comunismo, o jovem precisa tolerar com frequência a corrupção da polícia local para com os refugiados. Como a vida torna-se inviável, a família passa a enfrentar os dilemas do tráfico humano, meio pelo qual chegará a novas nações.</span></p>
<figure id="attachment_26224" aria-describedby="caption-attachment-26224" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos uma cozinha repleta de utensílios. O casal Kasper e Amin está no lado direito da imagem. Kasper está à esquerda, usa óculos e veste uma blusa azul. Amin está à direita, tem barba, veste uma blusa vinho e segura Kasper com o braço esquerdo. Os dois se beijam. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26224" class="wp-caption-text">Para construir um futuro ao lado de Kasper, Amin precisa aprender a lidar com as turbulências do passado (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muitas surpresas, o destino não planejado de Amin é a Dinamarca, local onde conhecerá Rasmussen. Acontece que essa história foi, por muito tempo, um segredo </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/flee-review-1234894626/"><span style="font-weight: 400;">até mesmo para Kasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, futuro marido do protagonista. Nesse contexto, narrar uma trajetória de vida pela primeira vez, por meio de um documentário, tendo ainda receio de expor situações tão delicadas, que colocam em xeque algumas noções de legalidade, não poderia ser algo inferior à necessidade. Justamente em proteção aos agentes desta narrativa, Rasmussen age com brilhantismo ao cobri-los com pseudônimos &#8211; como é o caso do próprio “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amin</span></i><span style="font-weight: 400;">” -, explorando também a liberdade criativa das animações para disfarçar os traços desses indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a animação, aqui, não é somente uma camuflagem. Trata-se, ao mesmo tempo, de um </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-flee-jonas-poher-rasmussen/"><span style="font-weight: 400;">recurso artístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio do qual é possível reviver o passado. Recurso esse que, com traços menos intensos, indica memórias mais vagas e confusas, enquanto os acontecimentos nítidos aparecem com detalhes precisos e diversidade de cores. É, enfim, um flerte com as ferramentas da ficção, embora isso não seja, de forma alguma, uma manipulação total ou uma atenuação dos episódios experienciados por Amin &#8211; que são dramatizados com equilíbrio ao longo do filme.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo dessa percepção, podemos entender que a fragilidade é um dos pontos centrais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Y9ZK1S7R7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas são difíceis de falar. Ainda é difícil, mas preciso superá-las. É o meu passado, não posso fugir dele, e não quero. Eu posso conseguir em meio ano, um ano.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, confessa Amin nos primeiros minutos do longa. Não restam dúvidas de que, na tentativa de ser o mais fiel possível à realidade, o protagonista de uma vivência repleta de prováveis traumas assume uma fragilidade necessária para não se machucar em demasia &#8211; uma fragilidade, aliás, essencialmente humana, nítida não só na fala destacada, mas também no filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_26225" aria-describedby="caption-attachment-26225" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos um quarto de hotel durante a noite. Rasmussen encontra-se no lado esquerdo da imagem, está de costas, sentado, tem barba e veste uma blusa preta. Amin está no lado direito da imagem, igualmente sentado, com uma leve inclinação para frente, os dedos das mãos entrelaçados, veste uma roupa cinza e também tem barba. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26225" class="wp-caption-text">Ao ir aos Estados Unidos por conta da carreira acadêmica, Amin revela a Rasmussen que está cansado de tantos deslocamentos (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É, entretanto, na contraposição ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ser’ que se aloja um dos maiores auges do documentário. Afastando-se das recorrentes dicotomias, Rasmussen expõe as tonalidades que afetam a identidade de Amin. Já nos minutos finais do longa, esse amigo-narrador faz uma confissão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">começo a ficar cansado de estar constantemente em movimento.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Ultrapassando os deslocamentos concretos mais recentes, o que está em jogo neste momento são os dilemas que sempre marcaram a vida do protagonista. As constantes mudanças de países, a vida enquanto refugiado, a orientação sexual reprimida, dentre inúmeros outros elementos, ou compõem &#8211; sem limitar -, ou colocam em crise uma existência humana inteira, o que faz jus à </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/02/13/interna_cultura,1344276/producao-dinamarquesa-flee-inova-ao-brigar-pela-triplice-coroa-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inerente a qualquer sujeito não fictício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas tão sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> curiosamente tensiona a todo momento a humanidade dos espectadores, colocando em evidência significativa, mas não exagerada, questões extremamente humanas ou desumanas. A negação da homossexualidade, por exemplo, em um </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/mundo/lgbt-e-o-grupo-que-assumiu-poder-no-afeganistao-taliba"><span style="font-weight: 400;">país</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde “</span><i><span style="font-weight: 400;">os homossexuais não existiam</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; isto é, eram reprimidos ao ponto de não receberem sequer uma designação &#8211; pode causar muita agonia em um primeiro momento. Por outro lado, quando alguns irmãos de Amin descobrem e aceitam essa faceta de sua realidade, incentivando uma espécie de ‘libertação’ via boate gay, certos sinais de esperança logo trazem um sorriso para os rostos outrora tensos do público.         </span></p>
<figure id="attachment_26226" aria-describedby="caption-attachment-26226" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. A imagem se passa em uma possível sala de solicitação de bens e serviços. Uma janela centralizada mostra um ambiente rural. À frente dela, vemos Amin e uma mulher sentados diante de uma mesa. Amin está no lado esquerdo, de perfil, olha para baixo, usa roupa branca e está com um copo sobre a mesa. A mulher está no lado direito, de perfil, usa óculos, roupa predominantemente azulada, segura uma caneta sobre alguns papéis e olha para Amin. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26226" class="wp-caption-text">Em um momento da vida, Amin pede remédios para não se sentir mais atraído por homens (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem sempre há alívio para as questões apresentadas. Quando os detalhes do tráfico humano dominam a narrativa, o nó na garganta do espectador mais sensível pode, com certeza, marcar sua presença, tendo em vista que, em décadas, pouca coisa mudou. A guerra e seus dilemas, então, dialogam intensamente com os </span><a href="https://aovivo.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/24/6105-putin-ataca-a-ucrania-acompanhe-ultimas-noticias-sobre-a-acao.shtml"><span style="font-weight: 400;">conflitos da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ver vários jovens fugindo de uma obrigação desumana, ou seja, de uma luta armada, é um diálogo direto entre o filme e os </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/25/lei-marcial-homens-ucranianos-e-naturalizados-com-idade-de-18-a-60-anos-estao-proibidos-de-sair-da-ucrania.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noticiários de hoje em dia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que gera uma aflição capaz de tangenciar ao mesmo tempo a impotência e a comoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provavelmente, o que mais assusta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgj7DUEtfg0"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é saber que o filme resgata uma história real &#8211; e que algumas décadas foram, com razão, incapazes de apagar o medo de quem um dia já viveu sem liberdades e dignidade. Ainda assim, é essencial ter esse dado em mente para que se obtenha uma experiência completa de humanização dos fatos históricos. Em aspectos técnicos, o filme abre espaços na animação predominante para inserir registros reais do passado mais distante ou dos anos mais recentes. Com sucesso, isso facilita o exercício da memória, lembrando constantemente que, antes de ser um conjunto de ilustrações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, a obra de Rasmussen tem a duração perfeita para os recortes de vida que pretende narrar, não pecando por falta de informação ou adornos sem sentido. Alcançando um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/flee-oscar-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">feito histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é memorável por ser o primeiro filme a concorrer simultaneamente a Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Portanto, mesmo que não receba uma estatueta em março, a produção dinamarquesa dá continuidade à sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/conheca-flee-primeiro-na-historia-indicado-melhor-animacao-documentario-filme-estrangeiro-no-oscar-25385301"><span style="font-weight: 400;">jornada de respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi vitoriosa em eventos como o Festival de Sundance, o Festival de Annecy e os Prêmios do Cinema Europeu. E quanto a Amin? Que receba, hoje e sempre, toda a dignidade do mundo.            </span></p>
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		<title>Cineclube Persona – Os Vencedores do Oscar 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2021 22:43:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Perante à situação de uma celebração do Oscar na pandemia, a equipe de produtores de 2021 prometeu que transformaria a experiência em um filme. Eles não mentiram. Começando pela triunfal entrada de Regina King, brilhante como os deuses e confiante como só ela pode ser, caminhando sem pressa pela Union Station, arejada, aberta, com raios &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cineclube Persona – Os Vencedores do Oscar 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20294" aria-describedby="caption-attachment-20294" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20294 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/CINECLUBEPOSOSCAR_WORDPRESS.jpg" alt="Arte retangular. Quatro imagens estão distribuídas pelo fundo azul claro: fotos de Chloé Zhao, Daniel Kaluuya, Yuh-Jung Youn e Frances McDormand. Todas estão com uma borda colorida ao redor, e possuem o fundo azul. No canto superior esquerdo, está escrito “cineclube persona” de branco. No centro, há o logo do persona. E no canto inferior direito, o logo o oscar com “os vencedores do oscar 2021” escrito em preto." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/CINECLUBEPOSOSCAR_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/CINECLUBEPOSOSCAR_WORDPRESS-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/CINECLUBEPOSOSCAR_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20294" class="wp-caption-text">Os destaques do Oscar 2021: a histórica vitória de Yuh-Jung Youn; o recorde de Chloé Zhao, que lidera a trupe de Nomadland junto de Frances McDormand; e a genialidade e brilhantismo de Daniel Kaluuya (Foto: The Academy/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Perante à situação de uma celebração do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na pandemia, a equipe de produtores de 2021 prometeu que </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-formato-diferente"><span style="font-weight: 400;">transformaria a experiência em um filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles não mentiram. Começando pela triunfal entrada de Regina King, brilhante como os deuses e confiante como só ela pode ser, caminhando sem pressa pela </span><a href="https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Mundo/noticia/2021/03/union-station-em-la-pode-receber-cerimonia-de-premiacao-do-oscar-2021.html"><i><span style="font-weight: 400;">Union Station</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arejada, aberta, com raios solares implorando invadir essa quebra de padrões em formato de cerimônia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas algo soava estranho. Não tinha orquestra, não tinha o filtro plastificado que abraçava as telas dos televisores sintonizados na </span><i><span style="font-weight: 400;">TNT</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/25/oscar-2021-e-neste-domingo-com-transmissao-ao-vivo-no-g1-veja-favoritos-e-saiba-como-assistir.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou onde quer que seja) e as bordas pretas, clássicas das telonas, esgueiravam a imagem de uma King lendo no </span><i><span style="font-weight: 400;">teleprompter </span></i><span style="font-weight: 400;">um verdadeiro roteiro na hora de premiar, bem, as categorias de Roteiro. Colocando as tradições no bolso do paletó, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 não nos agraciou com a presença de um de seus atuais Atores Coadjuvantes para premiar sua contraparte deste ano logo de cara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés disso, inaugurando essa leva mais moderninha da Academia, subiu ao palco uma bufante e estonteante </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/unica-mulher-na-categoria-emerald-fennell-vence-oscar-de-roteiro-original-24987265"><span style="font-weight: 400;">Emerald Fennell</span></a><span style="font-weight: 400;">, feliz que sua dita </span><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança </span></i><span style="font-weight: 400;">foi coroada com o prêmio de Roteiro Original. Ela não preparou um discurso, já adiantou a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZF4fWZ2piQw"><span style="font-weight: 400;">intérprete de Camilla Parker Bowles</span></a><span style="font-weight: 400;">, previamente se desculpando com Soderbergh (Steven, </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/conheca-steven-soderbergh-o-diretor-por-tras-da-cerimonia-do-oscar-2021-1.2476914"><span style="font-weight: 400;">diretor responsável pela produção de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, aquele que prometeu que essa seria uma experiência de Cinema, e não apenas simples TV).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Regina King continuou fazendo graça e esbanjando talento ao apresentar os nomeados em Roteiro Adaptado, prêmio esse que acabou nas mãos de Christopher Hampton e Florian Zeller, </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">escritores de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Vale a menção de que tanto Fennell quanto Zeller acabaram de estrear no Cinema, e já garantiram a honraria que fez Aaron Sorkin sair de casa apenas para </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2021-04-25/oscars-2021-aaron-sorkin-paulina-porizkova-dating"><span style="font-weight: 400;">anunciar um relacionamento novo</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único dos grandes indicados da noite a sair sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">nenhum (e olha que a 93ª edição </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Cultura/noticia/2021/04/oscar-2021-confira-os-vencedores-e-os-principais-discursos.html"><span style="font-weight: 400;">dividiu muito bem seus 23 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E foi sendo assim, dois carecas dourados eram entregues por vez, ocasionalmente misturando uma categoria ‘grande’ com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-curta-metragem-em-live-action/"><span style="font-weight: 400;">‘nem-tão-grande-assim’</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que, a princípio, é muito bem-vindo, considerando que independente da área de atuação, todo e qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">distribuído em 25 de abril de 2021 é importante e merece tal reconhecimento. Mas, quando </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/04/26/chloe-zhao-historia-oscar-direcao-premiacao/#:~:text=Chlo%C3%A9%20Zhao%20fez%20hist%C3%B3ria%20durante,noite%2C%20a%20de%20Melhor%20Filme."><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao subiu ao palco para receber a estatueta de Direção</span></a><span style="font-weight: 400;">, precedida pela categoria de Melhor Curta-Metragem em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;">, o efeito não foi o mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zhao se tornou a segunda diretora, a primeira não-branca e a primeira chinesa, a vencer a honraria, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e-DPBOTlSWk"><span style="font-weight: 400;">11 anos depois de Kathryn Bigelow</span></a><span style="font-weight: 400;"> quebrar o paradigma masculino, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra ao Terror</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mal posso esperar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2032, quando a terceira mulher diretora subir ao palco. Quem leu o envelope com o nome de Zhao foi um </span><a href="https://entretenimento.r7.com/cinema-e-series/diretores-de-outras-nacionalidade-vem-ganhando-destaque-no-oscar-26042021#:~:text=Guillermo%20de%20Toro%20do%20M%C3%A9xico,(25)%2C%20por%20Nomadland."><span style="font-weight: 400;">socialmente distante Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;">, campeão do ano passado, diretamente de Seul, falando em coreano num segmento que usou da intimidade dos próprios cineastas nomeados para o anúncio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os discursos de agradecimento se alongaram mais que o comum, grande acerto da produção de 2021, evitando a terrível orquestra de subir lentamente o tom dos instrumentos para que a pessoa pare de falar o mais rápido possível. Até mesmo o jogo de câmeras, alocadas em lugares não-convencionais, limpou a lente da premiação. Os discursos variaram entre o tocante (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bmub77aXlwk"><span style="font-weight: 400;">Thomas Vinterberg homenageando a jovem filha</span></a><span style="font-weight: 400;"> que morreu pouco antes de estrelar </span><i><span style="font-weight: 400;">Druk</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor de Filme Internacional) e o cômico (Daniel Kaluuya feliz da vida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tA7-KrDx3A4"><span style="font-weight: 400;">agradecendo aos pais por terem concebido-no</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto ganhava o prêmio de Ator Coadjuvante). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Yuh-Jung Youn conseguiu fazer os dois. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou mais sortuda que vocês”</span></i><span style="font-weight: 400;">, começou a vovó de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari </span></i><span style="font-weight: 400;">e a </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/04/yuh-jung-youn-vence-o-oscar-de-melhor-atriz-coadjuvante-e-faz-o-discurso-mais-divertido-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante do ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A atriz, primeira sul-coreana e segunda asiática a vencer por atuação, agradeceu a Brad Pitt (produtor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e ficou feliz de finalmente tê-lo conhecido pessoalmente. De longe, a temporada de 2021 vai lembrar com carinho das aparições de Youn, desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3Ny5knRm2EQ"><span style="font-weight: 400;">surpresa no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=waKbUhBuNDM"><i><span style="font-weight: 400;">shade </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e o riso solto no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">saiu com 7 prêmios entre suas 35 indicações, mas mantém a sombra de nunca ter ganhado Melhor Filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu categorias técnicas, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars </span></i><span style="font-weight: 400;">para cada. Os curtas </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-estranhos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i><span style="font-weight: 400;"> saíram com os louros. Nas categorias de Documentário, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7uBf1gD6JY&amp;t=1229s"><i><span style="font-weight: 400;">Colette </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendeu</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Professor Polvo</span></i><span style="font-weight: 400;"> triunfou, repetindo uma máxima do ano passado: mais uma vez, o pior dos 5 filmes saiu vencedor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembra da promessa dos produtores de fazer o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 ser um filme? Eles cumpriram-na, para o bem e para o mal. O sorrisão de Riz Ahmed não cabia em seu belo rosto quando leu o envelope de </span><a href="https://abc13.com/entertainment/sound-of-metal-nets-2-wins-6-oscar-nominations/10538489/#:~:text=The%20film%20won%20two%20Oscars%20for%20best%20sound%20and%20film%20editing%20Sunday.&amp;text=The%20Oscar%20for%20Best%20Sound,deaf%20actors%20in%20supporting%20roles."><span style="font-weight: 400;">Melhor Som</span></a><span style="font-weight: 400;">, premiando, adivinhem, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;">, protagonizado pelo próprio. Esse que também triunfou em Montagem, colocando a competição para comer poeira. </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2021-soul-melhor-animacao/#:~:text=%E2%80%9CSoul%E2%80%9D%20tamb%C3%A9m%20marca%20a%20terceira,forma%20criativa%20e%20muito%20coloridas."><i><span style="font-weight: 400;">Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">se enquadrou nas expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebendo Animação e Trilha Sonora Original. H.E.R., um mês depois de vencer o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-grammy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Canção do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;">, ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Canção Original. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem o apoio da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner</span></i><span style="font-weight: 400;">, levou a melhor em Efeitos Visuais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a cerimônia, 2 prêmios </span><a href="http://pt.dbpedia.org/resource/Pr%C3%AAmio_Humanit%C3%A1rio_Jean_Hersholt"><span style="font-weight: 400;">Humanitários Jean Hersholt</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram entregues. O primeiro homenageou a </span><i><span style="font-weight: 400;">Motion Picture &amp; Television Fund</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto o segundo, apresentado por Viola Davis em sua única aparição no palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi dado à </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2021/04/tyler-perry-recebe-oscar-humanitario-cknxzteh2006101gc659kom4y.html#:~:text=Tyler%20Perry%2C%20que%20%C3%A9%20mais,conhecido%20filantropo%20no%20meio%20cinematogr%C3%A1fico.&amp;text=Neste%20domingo%2C%2025%2C%20%C3%A9%20realizada,de%20entrega%20do%20Oscar%202021."><span style="font-weight: 400;">Tyler Perry</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante apontar as mudanças estruturais da premiação deste ano, que viu seus convidados sem máscara frente às câmeras, </span><a href="https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/cercada-de-protocolos-cerimonia-do-oscar-tera-palcos-espalhados-pelo-mundo.html"><span style="font-weight: 400;">dividiu a galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os Estados Unidos, Londres e Paris e esbanjou um ar mais descontraído que a habitual sisuda entrega de prêmios no </span><i><span style="font-weight: 400;">Dolby Theatre</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem os habituais pares de artistas entregando os <em>Oscars</em> e com as músicas indicadas sendo performadas <a href="https://variety.com/2021/film/news/how-to-watch-oscars-pre-show-best-song-performances-1234959903/">antes da cerimônia</a>, essa edição ficará marcada na história. Foi uma senhora mudança de ares, que ainda precisa de melhorias no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando foi anunciado que a categoria de Melhor Filme não seria a última da noite, um gosto estranho já nos subiu à boca. Rita Moreno apareceu majestosa, citou </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/04/4920257-novo-filme-de-steven-spielberg-amor-sublime-amor-ganha-trailer--confira.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e relembrou os velhos tempos, onde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZaOy0eb0Tbs"><span style="font-weight: 400;">ela própria venceu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pelo filme. Assim como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wg_Ql89fWy4&amp;t=245s"><span style="font-weight: 400;">divina aparição de Jane Fonda</span></a><span style="font-weight: 400;"> ano passado para premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, Moreno </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1386518116167991297"><span style="font-weight: 400;">leu o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">no envelope</span></a><span style="font-weight: 400;"> colorido. Chloé Zhao, recebendo o segundo prêmio da noite, agradeceu aos nômades da vida real, acompanhada de Frances McDormand, vencendo o terceiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da carreira e o primeiro por produção. A veterana </span><a href="https://twitter.com/DiasdeCinefilia/status/1386533653614899202"><span style="font-weight: 400;">uivou no palco</span></a><span style="font-weight: 400;">, homenageando </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/26/uivo-de-frances-mcdormand-no-oscar-foi-homenagem-a-membro-da-equipe-de-nomadland-que-morreu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Michael Wolf Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;">, editor de som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">falecido em março.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O comercial que sucedeu Melhor Filme pareceu mais anticlimático que o necessário. Começando pela aparição de Zhao em Melhor Direção no meio do nada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">saiu sem o triunfo que grandes vencedores do passado, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GCQn_FkFElI"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, puderam saborear. Melhor Atriz desempatou bolões, premiando Frances McDormand, em seu terceiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria, </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/com-tres-oscars-no-curriculo-frances-mcdormand-se-iguala-a-meryl-streep-sem-abrir-mao-de-suas-conviccoes-e-das-criticas-ao-padrao-hollywoodiano0/#:~:text=Frances%20j%C3%A1%20t%C3%AAm%20tr%C3%AAs%20Oscars,com%20mais%20estatuetas%20da%20academia."><span style="font-weight: 400;">quarto na carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, se aproximando mais do recorde de Katharine Hepburn. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, chegou a hora de Melhor Ator. Depois de um</span> <a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/falta-de-artistas-e-rapida-exibicao-do-momento-memorian-gera-criticas-ao-oscar.html"><i><span style="font-weight: 400;">‘In Memorian’ </span></i><span style="font-weight: 400;">de qualidade questionável</span></a><span style="font-weight: 400;">, batida agitada, ausências notáveis e aparição relâmpago dos homenageados, a categoria para honrar Chadwick Boseman acabou sendo entregue para outra pessoa. É claro que a </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Premiacao/noticia/2021/04/anthony-hopkins-revela-que-nao-esperava-vencer-o-oscar-em-video-de-agradecimento-atrasado.html"><span style="font-weight: 400;">vitória de Anthony Hopkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;">, é mais que merecida e merece ser aplaudida, benzida e santificada. A questão não é mérito, não é cota ou homenagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 se rearranjou por completo para que acabasse em nota de sensibilidade e felicidade, para que a esposa de Boseman, Taylor Simone Ledward, agradecesse da maneira que fez no Globo de Ouro, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;">. Era o momento do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de ter capitalizado em cima da morte do jovem talento, finalmente premiar atores negros nas categorias principais, era a </span><a href="https://tvi24.iol.pt/cinema/oscares/chadwick-boseman-perde-oscar-de-melhor-ator-e-gera-onda-de-indignacao-pior-final-desde-a-guerra-dos-tronos#:~:text=Esta%20Manh%C3%A3-,Chadwick%20Boseman%20perde%20%C3%93scar%20de%20Melhor%20Ator%20e%20gera%20onda,desde%20a%20Guerra%20dos%20Tronos%22"><span style="font-weight: 400;">hora de marcar na história aquele que já seria eterno de qualquer modo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas merecia a honraria do troféu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix leu o nome de Hopkins, a tela cortou para uma foto do ator, que não estava presente e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">acabou. No susto, sem comemoração, sem homenagem, sem ter valido o rearranjo de categorias. Foi dito que </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/apr/26/anthony-hopkins-is-oldest-ever-oscar-winner-after-taking-best-actor-for-the-father"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman subiria ao palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> em caso de vitória do companheiro de tela, mas nada aconteceu. O temido anticlímax do filme. 29 anos depois de sua vitória por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;">, Anthony Hopkins se tornou o ator mais velho a vencer o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Chadwick morreu sem nenhum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo a extensa cobertura do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021, o </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">prepara o texto final da edição. A </span><b>Editoria </b><span style="font-weight: 400;">se juntou aos </span><b>colaboradores </b><span style="font-weight: 400;">para discutir, de uma vez por todas, o que rolou na 93ª edição dos prêmios da Academia, os recordes, as loucuras, a </span><a href="https://entretenimento.r7.com/cinema-e-series/glenn-close-brinca-de-rebolar-durante-cerimonia-do-oscar-2021-26042021#:~:text=Glenn%20Close%20protagonizou%20um%20momento,vencedoras%20na%20hist%C3%B3ria%20da%20premi%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">Glenn Close rebolando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as esnobadas que ficarão para a história. Seja bem-vindo ao </span><b>Cineclube Especial dos Vencedores do Oscar 2021</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-20264"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_20265" aria-describedby="caption-attachment-20265" style="width: 1201px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-1024x682.jpg" alt="Foto de Chloé Zhao. A mulher asiática lê um papel à sua frente, enquanto discursa no microfone. Ela veste um vestido bege e usa seu cabelo preso em duas tranças. Atrás dela há outra mulher de sua equipe, branca e de cabelos grisalhos, usando um vestido preto. No canto inferior esquerdo é possível ver uma estatueta, e o fundo da imagem é azul." width="1201" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-essa-e-pra-vc-Vitor.jpg 1576w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20265" class="wp-caption-text">A trupe de Nomadland encabeçada por Chloé Zhao recebeu o maior prêmio do Oscar 2021, Melhor Filme (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Filme: Nomadland</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A comemoração pelo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/nomadland-e-o-grande-vencedor-do-oscar-2021-que-nao-premia-chadwick-boseman.shtml"><span style="font-weight: 400;">maior prêmio da noite</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas mãos de Zhao e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> só não foi melhor por conta da atrocidade organizacional que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">desse ano, idealizado por Steven Soderbergh, cometeu. Quem diabos não deixa por último a categoria mais esperada de uma premiação? Contando com uma vitória que não veio para Chadwick Boseman, Melhor Filme foi anunciado antes de Melhor Ator e Atriz, fazendo com que a revelação pela boca de Rita Moreno perdesse a força. O que antes finalizava a cerimônia com gritos de alegria e discursos emocionantes, acabou ficando perdido em um agradecimento rápido que nem de longe parecia </span><i><span style="font-weight: 400;">aquele Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das falhas e do anticlímax, não há como medir a alegria de assistir </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/quem-e-chloe-zhao-a-historica-vencedora-de-melhor-direcao-no-oscar/"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Frances McDormand subindo ao palco ao lado de </span><a href="https://variety.com/2021/awards/news/nomadland-linda-may-swankie-chloe-zhao-oscars-1234958341/"><span style="font-weight: 400;">Swankie e Linda May</span></a><span style="font-weight: 400;"> para receberem a honraria suprema da Academia. Batendo outros sete longas &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez história ao se tornar o filme menos lucrativo a ganhar Melhor Filme, arrecadando cerca de US$ 2,5 milhões nos EUA até hoje. A obra já estava consagrada como favorita e saiu para casa com 3 homenzinhos dourados, mas não há </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">sem o medo de injustiças (imagine só, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank </span></i><span style="font-weight: 400;">roubando essa estatueta).</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A todos os corações e mãos que se uniram para fazer esse filme (&#8230;) Obrigada por nos ensinar o poder da resiliência e esperança. E sobre o que é a gentileza”. </span></i><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/nomadland-oscar-2021-melhor-filme"><span style="font-weight: 400;">O discurso de Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi breve e cheio de agradecimentos a comunidade nômade e aos seus produtores Peter Spears, Mollye Asher, Dan Janvey e a própria McDormand, que logo assumiu o microfone para pedir que a audiência assistisse no cinema todos os filmes representados na noite. Com uma homenagem a Michael Wolf Snyder, editor de som do filme que faleceu neste ano, Frances terminou sua fala </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Premiacao/noticia/2021/04/atriz-uivou-na-entrega-de-oscar-de-melhor-filme-em-homenagem-membro-da-producao-encontrado-morto-mes-passado.html"><span style="font-weight: 400;">uivando no microfone</span></a><span style="font-weight: 400;"> e angariando uma série de aplausos dos convidados. A noite foi delas. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_20266" aria-describedby="caption-attachment-20266" style="width: 1490px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20266 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao-.jpg" alt="Foto de Chloé Zhao. A mulher asiática usa um vestido bege e seus cabelos pretos estão presos em duas tranças. Ela olha para a esquerda enquanto fala no microfone à sua frente. Do seu lado esquerdo, há uma estatueta. O fundo é azul, com uma tela vinho e laranja." width="1490" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao-.jpg 1490w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao--300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/direcao--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20266" class="wp-caption-text">Fazendo história, Chloé Zhao é a primeira mulher de origem asiática a subir ao palco para receber o Oscar por Melhor Direção (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Direção: Chloé Zhao (Nomadland)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém acima dela! </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/noticias/2021/04/26/chloe-zhao-uma-diretora-chinesa-reinventa-hollywood.htm"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">, a maior vencedora da noite do dia 25 de abril, também se consolidou como a primeira mulher não-branca e segunda mulher na história a receber em mãos o prêmio de Melhor Direção. Depois de ter vencido o Globo de Ouro, o </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA </span></i><span style="font-weight: 400;">e o Sindicato dos Diretores por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o envelope do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o nome da chinesa já estava pronto e embalado para ser anunciado por Bong Joon-Ho, vencedor do ano passado pelo imbatível </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeira produção em língua não-inglesa a levar Melhor Filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zhao estava acompanhada por Emerald Fennell, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria, que, pela primeira vez, possuía duas mulheres na corrida pela estatueta &#8211; um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42614064"><span style="font-weight: 400;">histórico infeliz</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma premiação que ignora minorias há quase um século. No fim das contas, não só Fennell, como também David Fincher, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Lee Isaac Chung, de </span><a href="http://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e Thomas Vinterberg, de </span><a href="http://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Druk &#8211; Mais uma Rodada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foram deixados para trás pela diretora, que fez sua parte em perpetuar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção nas mãos de cineastas não-estadunidenses pelos últimos anos.</span></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/25/chloe-zhao-vence-oscar-de-melhor-direcao-por-nomadland.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">“As pessoas, ao nascer, são boas”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu discurso de agradecimento, Chloé relembra que ela e o pai costumavam memorizar poemas clássicos chineses para recitarem juntos e utiliza a frase de </span><i><span style="font-weight: 400;">Three Character Classic</span></i><span style="font-weight: 400;">, texto clássico da China. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esse Oscar é para qualquer pessoa que tem a coragem de se manter boa e ver o que há de bom nos outros”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apesar do destaque da diretora, a imprensa de sua terra natal </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/vitoria-chloe-zhao-oscar-ocultada-china/"><span style="font-weight: 400;">se recusou a noticiar a conquista</span></a><span style="font-weight: 400;">, depois de Zhao ter sido alvo de nacionalistas chineses que encontraram antigas entrevistas em que ela critica o país. Vida longa a Chloé Zhao e sua carreira! Agora, só nos resta esperar mais onze anos para a próxima diretora subir ao palco. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20267" aria-describedby="caption-attachment-20267" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--1024x578.jpg" alt="Foto de Frances McDormand. A mulher branca, de cabelos grisalhos, olha com entusiasmo para frente, enquanto fala no microfone. Ela veste roupas pretas. Do seu lado esquerdo há a estatueta do Oscar, e o fundo é azul, com uma tela com desenhos coloridos." width="1417" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--1536x867.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--2048x1156.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-atriz--1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20267" class="wp-caption-text">Frances McDormand levou o Oscar de Melhor Atriz, por seu papel em Nomadland (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Atriz: Frances McDormand (Nomadland)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mistério da corrida para a estatueta de Melhor Atriz finalmente foi desvendado. Pela terceira vez, Frances McDormand venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria, sendo </span><a href="https://mulhernocinema.com/oscar/frances-mcdormand-ganha-3o-oscar-de-melhor-atriz-e-so-fica-atras-de-katharine-hepburn/"><span style="font-weight: 400;">a única atriz viva a atingir esse feito</span></a><span style="font-weight: 400;">. E ainda teve uma conquista dobrada, logo após </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ter sido anunciado como Melhor Filme, do qual ela é produtora. Com isso, a atriz já soma quatro carecas dourados em sua prateleira, fazendo jus ao seu talento e trajetória, de alguém que começou como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">outsider </span></i><span style="font-weight: 400;">no Cinema e hoje </span><a href="https://twitter.com/DiasdeCinefilia/status/1300846614354046977"><span style="font-weight: 400;">fornece apoio para projetos de várias mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto é que a mesma desencadeou o nascimento da obra dirigida por Zhao. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A disputa entre as atrizes costuma variar no quesito surpresa ao longo das edições. Ano passado, não se hesitava em dizer que </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/noticia/2020/02/10/renee-zellweger-ganha-o-oscar-de-melhor-atriz-por-judy-muito-alem-do-arco-iris.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Renée Zellweger ganharia a estatueta</span></a><span style="font-weight: 400;">, após ter levado a melhor sucessivamente durante toda a temporada de premiações. Diferente de 2019, em que Glenn Close estava destinada a ganhar o seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas foi pega de surpresa pelo </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2019/noticia/2019/02/25/olivia-colman-leva-oscar-de-melhor-atriz-e-surpreende-ao-ganhar-de-lady-gaga-e-glenn-close.ghtml"><span style="font-weight: 400;">furacão Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Neste ano, o embate foi um pouco diferente. A temporada foi variando suas vencedoras desde o início: </span><a href="https://personaunesp.com.br/estados-unidos-vs-billie-holiday-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andra Day</span></a><span style="font-weight: 400;"> venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carey Mulligan</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">Viola Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-sag-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e, por fim, Frances ficou com o </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, agora, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. A única que saiu de mãos abanando nessa caminhada foi </span><a href="https://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E essa alternância não se deu à toa, tendo em vista o peso e entrega do papel de cada uma das indicadas, a concorrência não poderia ser mais acirrada. Mas superando todo e qualquer bolão que apostou na vitória de Davis ou Mulligan, Frances McDormand foi a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y-NV9RYWR3g"><span style="font-weight: 400;">vencedora final</span></a><span style="font-weight: 400;">, lado a lado de sua companheira de estrada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TjI22ZhLONk"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">. A única lamentação que podemos tirar disso tudo é que, mais uma vez, a Academia perdeu a oportunidade de reconhecer o trabalho de uma mulher negra em sua categoria principal de atuação. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_20268" aria-describedby="caption-attachment-20268" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20268 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128.jpg" alt="Foto de Anthony Hopkins. O homem branco veste uma blusa preta, e olha pra frente com um pequeno sorriso, e a mão esquerda no rosto. O fundo é claro e liso, e a imagem está em preto e branco. No canto inferior da foto há um retângulo roxo, com “Actor in a Leading Role” e “Anthony Hopkins in The Father” escrito de amarelo. No canto esquerdo da imagem, há o logo do oscar em colorido. " width="1280" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/melhor-ator-e1619476076128-1200x671.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20268" class="wp-caption-text">Perdendo a última chance de premiar Chadwick Boseman, a Academia escolheu Anthony Hopkins como Melhor Ator (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Ator: Anthony Hopkins (Meu Pai)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Disputada entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><span style="font-weight: 400;">Riz Ahmed</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chadwick Boseman, Anthony Hopkins, Gary Oldman e Steven Yeun, a categoria de Melhor Ator &#8211; que pela primeira vez contava com a maioria dos indicados não-brancos &#8211; foi escolhida para encerrar a grande noite, e tinha o sabor agridoce de uma homenagem emocionante e mais do que merecida. Após um </span><i><span style="font-weight: 400;">in memorian</span></i><span style="font-weight: 400;"> que fez com que os os mortos se revirassem no túmulo com a música agitada, parecia certo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">o Rei de Wakanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> seria premiado encerrando o tapete vermelho com choro coletivo pela precoce partida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não foi dessa vez que a Academia elegeu seu terceiro ator póstumo. O prêmio ficou nas brilhantes mãos de Anthony Hopkins. É quase cômico se surpreender com a vitória de Anthony, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> ele entrega a maior atuação da carreira, interpretando com maestria um personagem homônimo. </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">A atuação de Hopkins é inegável e indiscutível</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> é esplendoroso e merecido, mas isso não basta para acalmar a revolta do resultado. Esse prêmio tinha dono e seu nome era Chadwick Boseman.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite mais aguardada da Sétima Arte foi encerrada sem brilho apesar do merecimento do genial vencedor. Joaquin Phoenix não expressou nenhum sentimento de interesse ao anunciar o ganhador, que por sua vez, não fez o discurso pois o ‘grupo de risco’ não compareceu ao tapete vermelho. A premiação terminou em silêncio e a Academia perdeu a chance de fazer um encerramento memorável, perdeu a chance de agraciar o público com um </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369071354369150982"><span style="font-weight: 400;">discurso de Taylor Simone</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o mais grave, perdeu sua última chance de premiar o eterno Chadwick. O que nos resta é aplaudir em pé ambos atores. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_20269" aria-describedby="caption-attachment-20269" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--1024x683.jpg" alt="Foto de Yuh-Jung Youn. A mulher Asiatica, de cabelos brancos e curtos, veste um vestido azul escuro, e pulseira prateada. Ela segura a estatueta em suas mãos, com uma expressão séria. O fundo da imagem é azul." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/atriz-coadjuvante--1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20269" class="wp-caption-text">Yuh-Jung Youn venceu o único e merecido Oscar de Minari (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Atriz Coadjuvante: Yuh-Jung Youn (Minari)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria que esbanjava recordes, não havia outra maneira de selar a disputa senão premiando a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/25/yuh-jung-youn-leva-o-oscar-de-melhor-atriz-coadjuvante-por-minari.htm"><span style="font-weight: 400;">inigualável joia rara Yuh-Jung Youn</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vencendo sua maior competição, uma Maria Bakalova abatida depois das derrotas no Sindicato e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, a vovó mais querida de 2021 subiu ao palco daquele jeitinho. Ela agradeceu (e alfinetou) Brad Pitt, ficou perdida por onde começar seu discurso e então desatou a falar. Agradeceu ao primeiro diretor com quem trabalhou, mandou um recado para os filhos, e </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/yuh-jung-youn-oscars-best-supporting-actress-acceptance-speech"><span style="font-weight: 400;">perdoou todos os americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> por errarem a pronúncia de seu nome.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Veterana na Coreia do Sul, Youn fez sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZPQWDrulvV8"><span style="font-weight: 400;">estreia estadunidense com </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e se tornou a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ftg8Aqjk744"><span style="font-weight: 400;">segunda atriz asiática</span></a><span style="font-weight: 400;">, e primeira sul-coreana, a vencer o troféu de atuação. Suas palavras demarcaram a alegria de ser celebrada e celebrar junto. E ela estava em ótima companhia, além da já citada Bakalova, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mkiqI1ousn8"><span style="font-weight: 400;">primeira búlgara nomeada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e destaque cômico do ano, ainda figuravam na lista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cqG_UxjTEZU"><span style="font-weight: 400;">Glenn Close</span></a><span style="font-weight: 400;"> (em sua oitava derrota), Olivia Colman (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YUytvAg_hE4&amp;t=63s"><span style="font-weight: 400;">que venceu em 2019</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Amanda Seyfried (indicada pela primeira vez).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Close foi homenageada pela própria Youn, que disse ser impossível </span><i><span style="font-weight: 400;">‘vencer Glenn Close’</span></i><span style="font-weight: 400;">. A veterana saiu mais uma vez com a mão no bolso, mas </span><a href="https://mundodosmusicais.com/2019/02/28/com-glenn-close-filme-de-sunset-boulevard-comeca-a-ser-filmado-em-outubro/"><span style="font-weight: 400;">continua na esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um dia ouvir seu nome chamado ao palco. Yuh-Jung Youn venceu o único </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas essa vitória não poderia ser mais sensacional.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu só ganhei pois sou um pouco mais sortuda que vocês”</span></i><span style="font-weight: 400;">, declarou sorrindo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maravilhoso, maravilhoso minari!</span></i> <b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20270" aria-describedby="caption-attachment-20270" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20270 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ator-coadjuvante-.jpg" alt="Foto de Daniel Kaluuya. O ator é negreo, de cabelos curtos. Ele veste uma jaqueta preta por cima de uma blusa preta, e um colar prateado. O homem segura a estatueta enquanto fala no microfone a sua frente. O fundo é azul com uma tela laranja." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ator-coadjuvante-.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ator-coadjuvante--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ator-coadjuvante--768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20270" class="wp-caption-text">Daniel Kaluuya venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Judas e o Messias Negro (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Ator Coadjuvante: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tinha para mais ninguém. </span><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro </span></i><span style="font-weight: 400;">passou por cima de todos indicados como um rolo compressor. A performance Daniel Kaluuya rendeu a ele os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante no </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381668141844008960"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1379174866511929344"><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e na noite do dia 25, no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O filme, que foi o primeiro na história indicado com </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-judas-e-o-messias-negro-e-o-primeiro-filme-produzido-inteiramente-por-negros-e-indicado-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">equipe de produção totalmente negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história do revolucionário </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56095921"><span style="font-weight: 400;">Fred Hampton</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por Kaluuya. Hampton era um dos líderes do movimento Panteras Negras nos EUA, e foi brutalmente assassinado em uma ação da polícia de Chicago em conjunto com o </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniel foi o primeiro ator britânico negro a vencer na categoria. </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também quebrou mais um recorde: pela primeira vez na história, dois atores negros de um mesmo filme foram indicados na categoria de Ator Coadjuvante. O outro nomeado foi Lakeith Stanfield, que também teve uma performance espetacular no longa, mas infelizmente não possuía chance suficiente de vitória. Quem também disputava a categoria era Sacha Baron Cohen, por seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Leslie Odom, Jr., por </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-noite-em-miami-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami…</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Paul Raci, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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<figure id="attachment_20271" aria-describedby="caption-attachment-20271" style="width: 1373px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20271" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--1024x597.jpg" alt="Foto de Emerald Fennell. Uma mulher branca, gorda e loira, ela veste um vestido verde com detalhes em rosa. A mulher está de pé atrás de um microfone, olhando para frente com um sorriso. O fundo é azul com uma tela laranja, e do seu lado esquerdo há uma estatueta." width="1373" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--1024x597.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--300x175.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--768x448.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--1536x895.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--2048x1194.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-original--1200x699.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20271" class="wp-caption-text">Não tem espaço para preconceito sexista na grandiosidade de Emerald Fennell: grávida, a cineasta levou seu primeiro filho para o set de Bela Vingança, e assim também levou o segundo para receber junto dela seu Oscar de Melhor Roteiro Original (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Roteiro Original: Emerald Fennell (Bela Vingança)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Vingança veio e foi realmente Bela. Na primeira premiação do histórico </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021, as mãos da única mulher indicada com destaque na categoria receberam a estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Repetindo o feito do </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA </span></i><span style="font-weight: 400;">e do valiosíssimo prêmio do Sindicato dos Roteiristas, Emerald Fennell foi imbatível com a perfeição de sua estreia no Cinema e se tornou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/24/quantas-mulheres-venceram-o-oscar-nas-principais-categorias.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a oitava roteirista</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser premiada na categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela deixou para trás até mesmo um dos roteiristas favoritos de Hollywood, que voltou a aparecer entre os indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto de Aaron Sorkin é a grande qualidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o único que poderia roubar o mérito de Emerald Fennell na premiação da Academia, mas diferente das avaliações instáveis do drama de tribunal da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, a aclamação do </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/fazer-mulher-ficar-bebada-era-coracao-das-comedias-critica-diretora-indicada-ao-oscar-24986439"><span style="font-weight: 400;">trabalho corajoso e pontiagudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da britânica estava concentrada em seu texto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria que premiou o texto de <em>Parasita</em> em 2020 através dos nomes de B</span>ong Joon-ho e Han Jin-won, <span style="font-weight: 400;">concorriam também a maravilha da escrita íntima que cultiva o </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Lee Isaac Chung, a poderosa e igualmente determinada de Shaka King e Will Berson em </span><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a estreia também primorosa de Darius Mader em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/quem-e-emerald-fennell-atriz-diretora-e-roteirista-que-esta-com-tudo-na-tv-e-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Emerald Fennell</span></a><span style="font-weight: 400;"> estava determinada em sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e é a dona do Melhor Roteiro Original de 2021. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_20272" aria-describedby="caption-attachment-20272" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20272" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-1024x683.jpg" alt="Foto de Florian Zeller. Homem branco, magro, de cabelos loiros compridos e barba. Ele veste um terno preto com uma camisa branca por baixo, e segura a estatueta do Oscar na mão esquerda. O fundo é escuro mas pode-se ver algumas luzes coloridas." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/roteiro-adaptado-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20272" class="wp-caption-text">Por Meu Pai, Florian Zeller venceu seu primeiro Oscar, ao lado de Christopher Hampton, esse que já havia vencido na mesma categoria por Ligações Perigosas (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Roteiro Adaptado: Florian Zeller e Christopher Hampton (Meu Pai)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato mais interessante na categoria de Roteiro Adaptado, à parte da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w6GOf9vnU9g"><span style="font-weight: 400;">merecida vitória de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a vasta gama de diferenciações criativas entre os 3 ‘favoritos’. Começando pelo vencedor, a adaptação da peça teatral do próprio Zeller usava das nuances dos palcos para iluminar as melhores qualidades da telona. Ele e seu co-roteirista Hampton se esbaldam naquele apartamento chiquérrimo em que Hopkins dá seus chiliques, transformando o cenário único no </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/queria-por-o-publico-no-labirinto-diz-a-veja-diretor-de-meu-pai/"><span style="font-weight: 400;">coração da narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. É louvável, é marcante e merecedor do prêmio que ano passado condecorou a sátira politizada </span><i><span style="font-weight: 400;">Jojo Rabbit</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Taika Waititi.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem disputava com o drama familiar era o </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">campeão </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez representado pela figura mítica, divina e benevolente da artista Chloé Zhao. A diretora adaptou o livro de Jessica Bruder, uma </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/19/nomadland-livro-que-inspirou-filme-mostra-que-nomades-estao-em-fuga-de-distopia-nao-a-passeio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">não-ficção jornalística</span></a><span style="font-weight: 400;"> que percorre a América nômade, focando em uma porção de comunidades às escuras, e dando voz para pessoas esquecidas pelo país. Zhao escalou os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/03/nomadland-vencedor-do-globo-de-ouro-tem-interpretacoes-vigorosas.shtml"><span style="font-weight: 400;">personagens reais do livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para seu filme, costurando uma narrativa poderosa e íntima, que demonstra a força de seu Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1374130911592259584"><span style="font-weight: 400;">vencedor do Sindicato dos Roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Borat: Fita de Cinema Seguinte</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">estavam inelegíveis. O filme protagonizado por Sacha Baron Cohen e escrito pelo mesmo e uma equipe de 8 roteiristas, se sustenta pelo improviso para a sedimentação de sua história doida. Sequência de um </span><a href="https://toronto.citynews.ca/2007/01/24/borats-oscar-nomination-sparks-questions-in-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Roteiro já indicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao prêmio da Academia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Borat 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cria esquetes soltas para introduzir uma porção de questões relevantes para os Estados Unidos que, até ano passado, digladiava com o governo Trump e a pandemia do coronavírus em dose máxima. Competiam ainda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami…</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre Branco</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sem qualquer chance de levar. Depois da vitória de Zeller e Hampton no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7siQvPv7wQU"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, esse trunfo no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">não espanta, ainda mais considerando a qualidade notável do trabalho da dupla.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20273" aria-describedby="caption-attachment-20273" style="width: 1203px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario--1024x681.jpg" alt="Foto de Pippa Ehrlich e James Reed. A mulher branca, de cabelos loiros, está à direita da foto, vestindo um vestido dourado com brilho e pulseiras da mesma cor. Ela fala no microfone enquanto o homem ao seu lado a observa. Ele veste um terno preto, com uma camiseta também preta por baixo. A estatueta do Oscar está no centro da imagem , cujo fundo é azul." width="1203" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario--1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario--768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario--1200x798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-.jpg 1398w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20273" class="wp-caption-text">Nos últimos 4 anos, a Netflix venceu o Oscar de Melhor Documentário 3 vezes (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Documentário: Professor Polvo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil engolir o que a Academia faz com a categoria que abriga muitas das melhores obras das seleções do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nos últimos anos, os votantes da premiação tem se comportado de forma duvidosa e até desrespeitosa com seus indicados a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">. Até as indicações, eles sempre apresentam obras interessantes com técnicas inovadoras e temas relevantes, mas quando é hora de escolher quem vai ficar marcado como o vencedor, todas as instâncias que determinam o valor de um documentário parecem ser deixadas de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa era a postura esperada para este ano, e infelizmente, não fomos surpreendidos. Sabemos que independentemente da qualidade técnica do filme, </span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">debater política do encarceramento em massa e abolicionismo penal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e celebrar </span><a href="https://personaunesp.com.br/agente-duplo-critica/"><span style="font-weight: 400;">a beleza do Cinema latino-americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> é demais para a Academia. Mas em 2021, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> sequer se dispôs a apreciar uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/"><span style="font-weight: 400;">história otimista de revolução e inclusão</span></a><span style="font-weight: 400;"> documentada junto do casal Obama, que imerecidamente vencedores na categoria no ano passado, encontrariam uma vitória justa com a produção deste ano. Muito menos reconheceu </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">a qualidade cinematográfica do Cinema europeu fora do núcleo de sempre</span></a><span style="font-weight: 400;"> duplamente indicada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, o documentário de menor valor dentre os cinco indicados de altíssimo nível vence o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem passar pelo circuito da crítica e dos festivais, o grande campeão confiou na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> e em suas imagens aquáticas belíssimas do </span><i><span style="font-weight: 400;">habitat</span></i><span style="font-weight: 400;"> natural do polvo-fêmea (sim, ainda fizeram o favor de traduzir uma informação errada no título em português), que não eram páreo para os outros indicados, mas a Academia acreditou que sim. Encorpando a hegemonia da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria, </span><a href="https://personaunesp.com.br/professor-polvo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Professor Polvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (não) é o Melhor Documentário de 2021. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_20274" aria-describedby="caption-attachment-20274" style="width: 1203px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--1024x681.jpg" alt="Foto de Thomas Vinterberg. O homem branco, de cabelo castanho, veste um terno e blusa preta, com um um laço preto. Ele olha para o lado esquerdo, sorrindo. Do seu lado esquerdo há uma estatueta do Oscar. O fundo é azul com uma tela laranja. " width="1203" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--2048x1362.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/filme-internacional--1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20274" class="wp-caption-text">O diretor dinamarquês Thomas Vinterberg subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Filme Internacional, o antigo <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/04/24/oscar-muda-nome-de-premiacao-de-filme-de-lingua-estrangeira.ghtml">Melhor Filme Estrangeiro</a>, por Druk &#8211; Mais uma Rodada (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Filme Internacional: Druk &#8211; Mais uma Rodada [Dinamarca]</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se historicamente os reconhecidos pela categoria mais interessante e heterogênea (e </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/academia-muda-regras-do-oscar-de-melhor-filme-internacional,70658dc29d0fcc7608f0c06a9c539d38qz38vhbh.html"><span style="font-weight: 400;">injustiçada</span></a><span style="font-weight: 400;">) do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">estão concentrados na Europa Ocidental &#8211; os </span><span style="font-weight: 400;">maiores vencedores</span><span style="font-weight: 400;"> são Itália e França, respectivamente -, a tendência de </span><span style="font-weight: 400;">fugir desse eixo repetitivo</span><span style="font-weight: 400;"> continua. Mesmo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/02/brasil-fica-de-fora-da-disputa-pelo-oscar-de-filme-internacional-veja-a-lista.shtml"><span style="font-weight: 400;">esnobando</span></a><span style="font-weight: 400;"> o íntimo </span><i><span style="font-weight: 400;">Babenco: Alguém Tem Que Ouvir O Coração e Dizer: Parou</span></i><span style="font-weight: 400;">, submissão do Brasil, e produções latinas como o guatemalteco </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-llorona-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">La Llorona</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reconhecido no </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mexicano </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m No Longer Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o chileno </span><a href="https://personaunesp.com.br/agente-duplo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Agente Duplo </span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que participou em </span><span style="font-weight: 400;">Documentário</span><span style="font-weight: 400;">, os nomeados de 2021 dão visibilidade às </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/23/concorrentes-a-oscar-de-filme-internacional-destacam-lado-sombrio-da-humanidade.ghtml"><span style="font-weight: 400;">mais diversas narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;">, do Leste Europeu, à Ásia e à África.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos indicados, a Romênia e a Tunísia aparecem pela primeira vez com </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Colectiv</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, documentário </span><span style="font-weight: 400;">duplamente nomeado</span><span style="font-weight: 400;"> que expõe as </span><span style="font-weight: 400;">falhas no sistema de saúde romeno</span><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, inspirado em uma </span><span style="font-weight: 400;">história impressionantemente real</span><span style="font-weight: 400;"> de um homem que vendeu suas costas para serem tatuadas. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-days-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Days</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><span style="font-weight: 400;">debate</span><span style="font-weight: 400;"> sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">e suas consequências, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/china-boicota-oscar-e-premiacao-nao-sera-exibida-no-pais/"><span style="font-weight: 400;">Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;"> garante sua segunda nomeação. A Dinamarca tem em </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Druk &#8211; Mais uma Rodada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sua </span><a href="https://scandinavianway.com.br/o-cinema-dinamarques-e-um-dos-mais-premiados-do-mundo-na-atualidade-qual-o-segredo/"><span style="font-weight: 400;">13ª indicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a Bósnia e Herzegovina, que já levou </span><span style="font-weight: 400;">o prêmio em 2002</span><span style="font-weight: 400;">, participa com o poderoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que todas as produções estejam à altura, acumulando </span><a href="https://ocinemae.com.br/noticias/o-homem-que-vendeu-sua-pele-esta-no-oscar/"><span style="font-weight: 400;">elogios</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicações e </span><span style="font-weight: 400;">vitórias</span><span style="font-weight: 400;"> em outras importantes premiações e categorias, o </span><a href="http://revistadecinema.com.br/2021/04/bafta-consagra-nomadland-druk-professor-polvo-e-soul/"><span style="font-weight: 400;">favorito</span></a><span style="font-weight: 400;"> já saia na frente bem antes da noite de entrega do troféu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E não teve surpresa: o </span><span style="font-weight: 400;">badalado</span> <i><span style="font-weight: 400;">Druk</span></i><span style="font-weight: 400;"> se sobressaiu e garantiu o quarto </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><span style="font-weight: 400;">Dinamarca</span><span style="font-weight: 400;">. O longa divertido e reflexivo de Thomas Vinterberg, que </span><a href="https://exame.com/casual/a-caca-disputa-oscar-de-melhor-filme-em-lingua-estrangeira/"><span style="font-weight: 400;">já havia sido indicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2014 por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Caça</span></i><span style="font-weight: 400;">, explora os benefícios, os malefícios e as consequências do </span><span style="font-weight: 400;">álcool</span><span style="font-weight: 400;"> sem moralismo, </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-voce-abandona-o-controle-pode-encontrar-a-inspiracao-diz-thomas-vinterberg,70003659057"><span style="font-weight: 400;">como ele mesmo destaca</span></a><span style="font-weight: 400;">. Reafirmando a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/30/indicado-ao-oscar-diretor-de-druk-superou-tragedia-antes-de-gravar-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">proximidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> à história, o diretor subiu ao palco para aceitar a estatueta e fez um dos </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-druk-discurso/"><span style="font-weight: 400;">discursos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais emocionantes da noite, em que </span><a href="https://twitter.com/GMA/status/1386477863973670915?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1386477863973670915%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fwww.omelete.com.br%2Foscar%2Foscar-2021-druk-discurso"><span style="font-weight: 400;">lembrou da filha falecida</span></a> que estrelaria no filme<span style="font-weight: 400;">:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Se alguém acredita que ela está aqui de alguma forma, vai poder vê-la celebrando e aplaudindo conosco. Acabamos fazendo este filme para ela, como seu monumento. Então, Ida, este é um milagre que aconteceu. E você é parte dele&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mais um motivo para a vitória do filme, ainda que previsível, ser celebrada. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_20275" aria-describedby="caption-attachment-20275" style="width: 1201px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--1024x682.jpg" alt="Foto de Sergio Lopez-Rivera, Mia Neal e Jamika Wilson. Na direita, Mia Neal fala no microfone a sua frente. A mulher negra está com os cabelos presos e veste um vestido azul, com brilhos nas bordas. Ao seu lado esquerdo, Sergio Lopez-Rivera, vestindo um terno preto e camisa branca, e Jamika Wilson, de vestido vinho com apenas uma manga, estão de mãos dadas. Na frente deles está a estatueta, e o fundo da foto é azul. " width="1201" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cabelo-e-maquiagem--1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20275" class="wp-caption-text">As duas primeiras mulheres negras indicadas na categoria venceram Melhor Cabelo e Maquiagem por A Voz Suprema da Blues (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Cabelo e Maquiagem: A Voz Suprema do Blues</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após muitas reclamações de que a Academia não honrava o trabalho dos maquiadores, foi criada em 1982, a categoria nomeia as melhores maquiagens e cabelos. Até 2019, apenas três filmes, no máximo, concorriam à estatueta, diferentemente da maioria das categorias que nomeiam cinco filmes. Em 2020 isso mudou, com o mesmo número de indicados das outros grupos, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">levou a melhor. O filme teve a maquiagem assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IhhEpJNf4pM"><span style="font-weight: 400;">Kazuhiro Tsuji</span></a><span style="font-weight: 400;"> a pedido da própria atriz Charlize Theron.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-matteo-garrone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não tiveram fôlego para indicações principais, foram lembrados aqui. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i><span style="font-weight: 400;"> aliás, com suas maquiagens em fantoches dirigidas por </span><a href="https://www.couliercreatures.com/"><span style="font-weight: 400;">Mark Coulier</span></a><span style="font-weight: 400;">, poderia ter sido a zebra do ano e levado essa pra casa. Além deles, </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e os super indicados </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compunham a seleção de Melhor Cabelo e Maquiagem. Ao total haviam quinze profissionais disputando o prêmio, sendo onze deles mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado não poderia ser diferente daquele que todos aguardavam. A equipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021. Jamika Wilson e Mia Neal subiram ao palco ao lado de Sergio Lopez-Rivera, maquiador pessoal de Viola Davis, para receberem a estatueta. Elas foram as primeiras artistas negras a concorrerem na disputa e Mia Neal utilizou do lugar de fala para reivindicar espaço para mulheres negras, trans e latinas na premiação. </span><a href="https://mulhernocinema.com/oscar/mia-neal-e-jamika-wilson-sao-primeiras-mulheres-negras-a-vencer-oscar-de-cabelo-e-maquiagem/"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sei que um dia não será incomum ou inovador, será apenas normal.”</span></i></a><b> &#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_20276" aria-describedby="caption-attachment-20276" style="width: 1014px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20276 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/design-de-producao-.jpg" alt="Foto de Jan Pascale. A mulher branca, e cabelos ruivos, veste uma camisa preta com estampas de animais em preto e branco, por cima de uma blusa preta e colar também preto e branco. Ela fala no microfone à sua frente, com as mãos juntas na frente do corpo. Do seu lado esquerdo há a estatueta, e o fundo é azul." width="1014" height="676" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/design-de-producao-.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/design-de-producao--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/design-de-producao--768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20276" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Jan Pascale e Donald Graham Burt dividiram o Oscar de Melhor Design de Produção por Mank</span></i> (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Design de Produção: Mank </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos prêmios previstos da noite, virtualmente ninguém se surpreendeu quando a voz de Halle Berry anunciou </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com sua recriação meticulosa da </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/features/making-of-mank-how-david-fincher-pulled-off-a-modern-movie-invoking-old-hollywood"><span style="font-weight: 400;">Velha Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, como vencedor da estatueta de Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção. O </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0123426/"><span style="font-weight: 400;">Donald Graham Burt</span></a><span style="font-weight: 400;"> (colaborador frequente de David Fincher) e a decoradora de </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><a href="https://www.imdb.com/name/nm0664308/"><span style="font-weight: 400;">Jan Pascale</span></a><span style="font-weight: 400;"> subiram ao palco para dividir o prêmio e agradecer suas equipes e seus familiares pela honra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse já é o segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da carreira de Burt, que venceu em 2009 pel’</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p8ucIL2tLLo"><i><span style="font-weight: 400;">O Curioso Caso de Benjamin Button</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e o primeiro da de Pascale. Essa vitória ecoa o favoritismo da Academia por filmes de época e especialmente por </span><a href="https://spectrumnews1.com/ca/la-west/entertainment/2021/04/22/how--mank--production-designer-recreated-old-hollywood"><span style="font-weight: 400;">aqueles que retratam a própria indústria cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OYGUQmJlgiE"><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que levou o mesmo prêmio na cerimônia de 2020 </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter sido o filme mais indicado da noite, esse era um dos únicos prêmios que </span><a href="https://variety.com/feature/2021-oscars-best-production-design-predictions-1234772634/"><span style="font-weight: 400;">todos esperavam que fosse ganhar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ter surgido como um possível concorrente após vencer as categorias de Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Penteado, havia pouco espaço para dúvida, principalmente levando em conta a vitória do longa de David Fincher </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/mank-production-design-oscars-netflix/"><span style="font-weight: 400;">nessas categorias ao longo da temporada de premiação</span></a><span style="font-weight: 400;">, conquistando anteriormente o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381668247846719494?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mank também se tornou o primeiro filme em preto e branco a ganhar a categoria desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GAf0nGq_FXQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1993. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_20290" aria-describedby="caption-attachment-20290" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20290 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino.jpg" alt="Foto de Ann Roth. A senhora branca, de cabelos brancos curtos, veste uma blusa também branca e óculos de armação prateada. O fundo possui alguns manequins e roupas, parecendo ser um ateliê. No canto inferior da foto, há um quadado azul, onde “Costume Desing”, “ANN ROTH” e “Ma Rainey’s Black Bottom” estão escritos de amarelo. No canto esquerdo do quadrado, há um logo colorido do oscar. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/figurino-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20290" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Com vestidos de veludo, Ann Roth se torna a mulher mais velha a ganhar um Oscar (Foto: The Academy)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Melhor Figurino: A Voz Suprema do Blues </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabelo e Maquiagem são grandes influenciadores nesta categoria de Melhor Figurino, por esse motivo os concorrentes quase não diferem. Aqui temos</span><i><span style="font-weight: 400;"> Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;"> golpeado pela soldada </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A regra para embolsar essa estatueta é recriar com fidelidade a época histórica retratada, o que foi uma passagem garantida para </span><a href="https://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e garantiu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no ano anterior. Antes disso, o imbatível figurino de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i><span style="font-weight: 400;"> saiu vencedor. Dentre os cinco indicados, quatro eram mulheres e a vencedora fez história na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Surpreendendo um total de zero pessoas, a estatueta foi para a conta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que já havia levado </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1382799461282426880"><span style="font-weight: 400;">os termômetros do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com suas roupas exuberantes, o figurino faz jus a divindade de Viola Davis. Todo o guarda-roupa de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ma Rainey’s Black Bottom</span></i><span style="font-weight: 400;"> é grandioso, assim como sua estilista </span><a href="https://cultura.uol.com.br/entretenimento/noticias/2021/04/26/871_oscar-2021-aos-89-anos-ann-roth-e-a-mulher-com-mais-idade-a-ganhar-a-estatueta.html"><span style="font-weight: 400;">Ann Roth</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cinco vezes indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se tornou a mulher mais velha a ganhar o prêmio, conquistando essa que foi sua segunda estatueta, aos 89 anos. O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Ann foi em 1997 por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Paciente Inglês</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_20277" aria-describedby="caption-attachment-20277" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--1024x683.jpg" alt="Foto de Pete Docter e Dana Murray. O homem branco, vestindo terno preto, sorri enquanto faz o seu discurso na frente do microfone. Ao seu lado direito, a mulher também branca, de cabelos loiros, usa um vestido xadrez de branco e rosa, sem mangas. A Estatueta está na frente deles, e o fundo é azul, com uma tela com desenhos em azul e bege. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/animacao--1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20277" class="wp-caption-text">Pete Docter subiu ao palco para receber o terceiro Oscar de sua carreira, depois de Up e Divertida Mente (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Animação: Soul</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não fomos surpreendidos e </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi o ganhador da noite como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-animacao/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Animação</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme que tem o poder de deixar qualquer um reflexivo parece que também mexeu na cabeça dos membros da Academia. Essas reflexões, nas quais a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar </span></i><span style="font-weight: 400;">transforma seus filmes infantis em verdadeiras questões para pessoas adultas, acompanhada de </span><a href="https://disneyplusbrasil.com.br/trilha-sonora-de-soul-tem-1-hora-de-puro-jazz-e-voce-ja-pode-ouvir/"><span style="font-weight: 400;">muito </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">levou a melhor da noite como prevista para muitas pessoas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xOsLIiBStEs"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">realmente exalava seu poder e conquistou muito público, transformando o filme em um sucesso absoluto. Porém, a Academia tem essa tradição de premiar os maiores triunfos. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/dois-irmaos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">outro filho da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar, </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma daquelas produções emocionantes que conta sobre as relações familiares. Muito mais tocante que </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul, </span></i><span style="font-weight: 400;">esse filme </span><a href="https://legadoplus.com.br/dois-irmaos-uma-jornada-fantastica-fracassa-nas-bilheteria-mundial/"><span style="font-weight: 400;">foi prejudicado nos cinemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o início da pandemia. Mesmo sem a sua grande divulgação, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5FD1x-biuWQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Irmãos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também pode ter cativado. Já a aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix, </span></i><span style="font-weight: 400;">a rainha das indicações, foi o fofo </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-caminho-da-lua-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Caminho da Lua.</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">A forma que o filme aborda o luto é realmente linda e o longa é uma obra espetacular para as crianças. As músicas e as cores são especiais na construção da obra que não superou as outras produções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lindíssimo </span><a href="http://personaunesp.com.br/wolfwalkers-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi certeiro em expressar suas intenções com sua incrível animação </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;">. A fantasia abordada na história não foi seu ponto central muitas vezes, assim mostrando que o longa era muito mais de expectativas. As realidades encontradas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GybXzjIkhEw&amp;t=21s"><span style="font-weight: 400;">nessa obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> mereciam um pouco mais de atenção.</span> <span style="font-weight: 400;">O último concorrente </span><a href="https://personaunesp.com.br/shaun-o-carneiro-o-filme-a-fazenda-contra-ataca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aumentou a conta de filmes em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion </span></i><span style="font-weight: 400;">esnobados pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar. </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa técnica só foi </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/oscar-2006-os-vencedores"><span style="font-weight: 400;">premiada em 2006</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a animação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RiqLXyfYj1A"><i><span style="font-weight: 400;">Wallace &amp; Gromit: A Batalha dos Vegetais</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas a sua história nostálgica não foi nem capaz de chegar ao supremo sucesso do premiado. </span><b>&#8211; Ana Beatriz Rodrigues</b></p>
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<figure id="attachment_20278" aria-describedby="caption-attachment-20278" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-1024x683.jpg" alt="Foto de Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross. Jon, homem negro de cabelos curtos, está no meio, vestindo um terno preto com uma rosa vermelha pendurada. Ao seu lado esquerdo e direito estão os homens brancos, também de terno preto, o olhando enquanto ele discursa. No centro da imagem há a estatueta do Oscar, e o fundo é azul." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/trilha-sonora.jpg 1578w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20278" class="wp-caption-text">Na categoria de Melhor Trilha Sonora Original, o resultado já era esperado: Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross levaram a estatueta por Soul (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Trilha Sonora Original: Soul</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que </span><a href="https://www.kerrang.com/features/how-trent-reznor-and-atticus-ross-became-hollywood-royalty/"><span style="font-weight: 400;">Trent Reznor e Atticus Ross</span></a><span style="font-weight: 400;"> subiriam ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 para receber o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original não havia a menor dúvida. Mesmo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">já estivesse predestinado à vitória depois de o filme ter varrido as principais premiações, com destaque para o </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2021-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/2021-critics-choice-awards-winners-list-1234922714/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os dois compositores ainda tinham uma certa concorrência que era ninguém menos do que eles próprios, pela trilha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=mank"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A dupla indicação da dupla desbancou a presença de alguns veteranos queridinhos da academia que estavam na </span><a href="https://deadline.com/2021/02/oscar-original-score-shortlist-ma-rainey-soul-alexandre-desplat-mank-1234690674/"><i><span style="font-weight: 400;">shortlist</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> como Thomas Newman por </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Pequenos Vestígios </span></i><span style="font-weight: 400;">e Alexandre Desplat por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-ceu-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Céu da Meia-Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Trent Reznor, que também é vocalista e cabeça da banda de </span><a href="https://judao.com.br/cultura-cyberpunk-e-o-surgimento-do-rock-industrial/"><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">industrial</span></a> <a href="https://www.nin.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Nine Inch Nails</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já trabalha com Atticus Ross em trilhas sonoras há mais de uma década, já tendo vencido o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KQSHQVAktP4"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da categoria pela música de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o que fez com que a dupla continuasse trabalhando com David Fincher em seus trabalhos seguintes, até </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank </span></i><span style="font-weight: 400;">no último ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas seria injusto falar da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KM9xWqqbG8Q&amp;list=PLDisKgcnAC4TG7C1TNtRwtbNJvsRo1X-u"><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> Original de </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">sem exaltar a fonte de sua verdadeira alma, que são as composições de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">do compositor, cantor, pianista e </span><i><span style="font-weight: 400;">bandleader</span></i> <a href="https://www.grammy.com/grammys/artists/jon-batiste/243138"><span style="font-weight: 400;">triplamente indicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://time.com/5953464/jon-batiste-soul-interview/"><span style="font-weight: 400;">Jon Batiste</span></a><span style="font-weight: 400;">. A música para a animação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar </span></i><span style="font-weight: 400;">foi o primeiro trabalho de trilha sonora para cinema do músico, que assumiu o microfone para a entrega do prêmio agradecendo a Deus pelas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZnkWREtPtSM"><span style="font-weight: 400;">12 notas musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">, sempre as mesmas 12, utilizadas tanto por Bach, quanto por Duke Ellington e Nina Simone. A colaboração entre Jon Batiste, que deu vida ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">no mundo real de </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul, </span></i><span style="font-weight: 400;">servindo inclusive de referência para a animação do protagonista Joe Gardner tocando piano, e Reznor e Ross, que ficaram responsáveis pela trilha eletrônica onírica do pós vida, cria o balanço perfeito entre as duas realidades, e é um trabalho mais do que merecedor de reconhecimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a um histórico com diversas mudanças em nomenclatura e subdivisões da categoria de Trilha Musical no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já foi dividida entre drama e comédia ou musical e já teve um prêmio próprio para trilhas adaptadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">é o nono filme de animação a ser reconhecido pela Academia. Todas os vencedores anteriores foram da Disney: </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinocchio </span></i><span style="font-weight: 400;">(1940),</span><i><span style="font-weight: 400;"> Dumbo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1941),</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZPtt6QnyOGY"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera </span></i><span style="font-weight: 400;">(1991)</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y5I9z3lKbcU"><i><span style="font-weight: 400;">Aladdin</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1992)</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=uB5k_flnqf0"><i><span style="font-weight: 400;">O Rei Leão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994)</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AjvN9BVujWM"><i><span style="font-weight: 400;">Pocahontas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1995)</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e por fim o primeiro e até há pouco único da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fBHIKNcmzCM"><i><span style="font-weight: 400;">Up &#8211; Altas Aventuras</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009)</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Neste ano, além da concorrência da trilha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank, </span></i><span style="font-weight: 400;">muito inspirada nos trabalhos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h_HbP4OJJGs&amp;list=PLDisKgcnAC4QRTjJDzj6yfCUsWrxfgJWs&amp;index=12"><span style="font-weight: 400;">Bernard Herrmann</span></a><span style="font-weight: 400;">, competiam a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2G8w1ExPsWU&amp;list=PLDisKgcnAC4QW-DDrGKYAftROAWukbnA5"><span style="font-weight: 400;">trilha orquestral</span></a><span style="font-weight: 400;"> com instrumentalização antiga de </span><a href="https://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> por James Newton Howard, a delicadíssima e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l1OGDvSU8lg&amp;list=PLRW80bBvVD3Uh6Pes0-iwdUNTl1U-7rpN"><span style="font-weight: 400;">espirituosa música</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por Emile Mosseri, e por fim as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h_HbP4OJJGs&amp;list=PLDisKgcnAC4QRTjJDzj6yfCUsWrxfgJWs&amp;index=12"><span style="font-weight: 400;">solenes composições</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ignorado </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por Terence Blanchard. Mesmo que seja um ano forte para as trilhas sonoras, nada mais justo do que o filme mais movido  pela música em sua narrativa levar o prêmio. </span><b>&#8211; João Batista Signorelli</b></p>
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<figure id="attachment_20279" aria-describedby="caption-attachment-20279" style="width: 1431px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-1024x572.jpg" alt="Foto de Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michellee Couttolenc, Carlos Cortés e Phillip Bla. No canto esquerdo estão dois homens barncos e baixos. vestindo terno preto e camisa branca. No centro, outro homem branco, também de terno preto e de gravata da mesma cor, fala na frente do microfone, perto da estatueta. No canto direito, a mulher do grupo veste um vestido florido, bege na parte de cima e azul na saia. O fundo é azul." width="1431" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-1536x859.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-2048x1145.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/som-1200x671.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20279" class="wp-caption-text">Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés e Phillip Bla subiram ao palco para receber o Oscar de Melhor Som por O Som do Silêncio (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Som: O Som do Silêncio </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa não tinha como fugir ou como errar no bolão, o vencedor estava no título. </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1386489415757877250"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021 na categoria de Melhor Som</span></a><span style="font-weight: 400;">, dã, é claro que venceu. Assim como em anos anteriores, onde filmes riquíssimos e com temas delimitados concorrem em categorias técnicas específicas (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s-48dGvRJok"><i><span style="font-weight: 400;">Trama Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um filme sobre vestidos, venceu Figurino; </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, sobre música, venceu Trilha Sonora), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> estava destinado a levar essa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A categoria, de fato, foi ‘criada’ esse ano, depois da junção de </span><a href="https://www.aicinema.com.br/edicao-e-mixagem-de-som-entenda-melhor-as-diferencas-entre-elas/"><span style="font-weight: 400;">Edição e Mixagem de Som</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma única disputa. Essa distinção entre os dois ramos é datada da era pré-tecnológica, quando era mais simples denotar qual trabalho se sobrepõe a outro. A Edição de Som era responsável pela criação deles, como o toque da bateria, enquanto a Mixagem modelava a Edição com a Trilha, casando diálogos, barulho e música. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu a categoria híbrida, premiando uma equipe muito competente e um filme astuto e merecedor de todo e qualquer louro. Sempre ótimo ressaltar a presença de </span><a href="https://mulhernocinema.com/oscar/mulheres-no-oscar-conheca-as-indicadas-na-categoria-de-som/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Couttolenc</span></a><span style="font-weight: 400;">, mexicana e única mulher latina concorrendo ao prêmio, numa categoria de predominância masculina. Para melhorar o momento, só mesmo o sorriso de orelha-a-orelha de Riz Ahmed lendo o envelope. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20280" aria-describedby="caption-attachment-20280" style="width: 1268px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--1024x646.jpg" alt="Foto de Mikkel E. G. Nielsen. O homem branco, com cabelos grisalhos e de jaqueta preta por cima de uma blusa branca, segura um papel enquanto fala no microfone. Do seu lado esquerdo está a sua estatueta, o fundo é azul e possui uma tela bege." width="1268" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--1024x646.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--300x189.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--768x485.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--1536x969.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem--1200x757.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/montagem-.jpg 1594w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20280" class="wp-caption-text">Além do Oscar de Melhor Som, O Som do Silêncio também venceu Melhor Montagem (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Montagem: O Som do Silêncio </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome Mikkel E. G. Nielsen pode soar familiar para você por causa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><span style="font-weight: 400;"><em>Dark</em> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas aqui estamos falando de outro Mikkel Nielsen. O montador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, xará do personagem da <em>Netflix</em>, foi responsável pela vitória do filme na categoria Melhor Montagem na noite do dia 25. O longa, que conta a história do processo de perda de audição de um baterista de </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">interpretado por Riz Ahmed, já havia vencido o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381668141844008960"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e sua vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">era esperada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria também estavam indicados: Chloé Zhao, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o grande vencedor da noite; Yorgos Lamprinos, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Frédéric Thoraval, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Alan Baumgarten, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Montagem costuma ser uma das categorias mais importantes para que um filme vença Melhor Filme, e dois terços dos vencedores na categoria de Filme também venceram Melhor Montagem. A relação não ocorreu esse ano, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">saiu vitorioso, mas </span><span style="font-weight: 400;">Zhao </span><span style="font-weight: 400;">perdeu por sua edição. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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<figure id="attachment_20281" aria-describedby="caption-attachment-20281" style="width: 731px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20281 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fotografia-.jpg" alt="Foto de Erik Messerschmidt. Homem branco, de óculos e cabelos loiros compridos e barba, ele veste um terno preto por cima de uma camisa branca. Erik discursa no microfone a sua frente, e a estatueta descansa ao seu lado esquerdo. O fundo é azul, com uma tela colorida." width="731" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fotografia-.jpg 731w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fotografia--300x212.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20281" class="wp-caption-text">Mank teve sua segunda e última vitória na categoria de Melhor Fotografia (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Fotografia: Mank </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O superestimado filme de David Fincher não chegou nem perto de levar as categorias principais, mas até que acabou surpreendendo nas técnicas. Logo na sequência em que Jen Pascale subiu ao palco para levar a estatueta de Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção, </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi anunciado por Melhor Fotografia, pelo trabalho de Erik Messerschmidt, rendendo uma das infelizes reviravoltas da noite. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano passado, a Academia se recusou a premiar os tons em preto-e-branco de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Farol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para somar mais uma conquista na conta de </span><i><span style="font-weight: 400;">1917</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, nesta edição, foi a tonalidade sem graça de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;"> que conseguiu derrubar a possível vitória das lindas paisagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que vinha levando todas ao longo da temporada. Além de superar os planos abertos e o trabalho com luzes naturais brilhantemente executados por Joshua James Richards, a fotografia marcante de </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também passou batida. E se </span><a href="https://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tinha como única esperança vencer nas técnicas, acabou ficando para trás, ao lado do derrotado </span><a href="http://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_20282" aria-describedby="caption-attachment-20282" style="width: 1201px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20282" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--1024x682.jpg" alt="Foto de Scott Fisher. O homem branco vestindo terno, calça e camisa preta, olha para baixo, em direção a estatueta, sorrindo, Na sua frente é possível ver o microfone, e atrás o painel do oscar de borda colorida, com o centro rosa com “Tenet” e outras coisas escritas. Atrás há também uma janela, e luzes." width="1201" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/efeitos-visuais--1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20282" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Scott Fisher representou a equipe que trabalhou em Tenet e levou o prêmio de Melhores Efeitos Visuais</span></i> (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhores Efeitos Visuais: Tenet</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ano em que a maioria das superproduções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">teve que ser adiada por conta da pandemia do covid-19, o caminho estava aberto para que o desafortunado </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Christopher Nolan levasse para casa pelo menos uma das estatuetas douradas. Com o resto da equipe de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fora do país, coube à Scott Fisher aceitar o prêmio de Melhores Efeitos Visuais em nome de seus colegas, em um discurso no qual ele agradeceu ao trabalho e o apoio de toda equipe ao longo do projeto e finalizou citando a importância do diretor no processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a preferência de Nolan por efeitos práticos ao invés de computação gráfica prova mais uma vez sua eficácia, produzindo cenas intensas que se tornam ainda mais impressionantes depois que seus bastidores são revelados (eles realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hmC2YfkPlgc"><span style="font-weight: 400;">explodiram um avião comercial em um armazém</span></a><span style="font-weight: 400;">). E essa preferência parece ter dado certo, pelo menos para os membros da Academia, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tenet </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/behind-screen/tenet-third-vfx-oscar-winner-from-christopher-nolan-oeuvre"><span style="font-weight: 400;">o terceiro longa do cineasta a ser premiado nessa categoria</span></a><span style="font-weight: 400;">, seguido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Interestelar </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Origem</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todos os filmes tiveram seus efeitos produzidos pelo estúdio britânico </span><i><span style="font-weight: 400;">DNEG</span></i><span style="font-weight: 400;">, que vem colaborando com o diretor desde a trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro das Trevas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os efeitos visuais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i><span style="font-weight: 400;">, ora espalhafatosos, ora sutis, formam talvez a parte mais coesa de sua trama desconjuntada, e talvez por isso sejam a parte mais impressionante do longa, que certamente cativou nesse aspecto mais do que as acrobacias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulan </span></i><span style="font-weight: 400;">e o cenário pós-apocalíptico de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Céu da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa vitória marca o fim de uma temporada de premiações decepcionante para a carreira de Nolan, mas que não deixa de ser merecido. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_20283" aria-describedby="caption-attachment-20283" style="width: 1193px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20283 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cancao-original-.jpg" alt="Foto de H.E.R. Dernst Emile II e Tiara Thomas. A cantora negra veste um vestido azul com brilho, óculos escuros roxos e o cabelo caído de lado. Ela fala no microfone à sua frente. Atras dela, Dernest, homem negro de terno preto, olha para baixo. Ao seu lado esquerdo está Tiara, mulher também negra, vestindo uma roupa branca e o cabelo preso em tranças, olhando para H.E.R. No centro da imagem há uma estatueta, e o fundo é azul." width="1193" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cancao-original-.jpg 1193w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cancao-original--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cancao-original--1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cancao-original--768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20283" class="wp-caption-text">H.E.R. mostra novamente que 2021 é seu ano ao ganhar o Prêmio de Melhor Canção Original por Fight For You (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Canção Original: Fight For You (Judas e o Messias Negro) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parte de sonora da premiação, a categoria de Melhor Canção Original premia os compositores de músicas escritas especialmente para algum filme. Diversos nomes que levaram esse prêmio para casa vieram a se tornar grandes clássicos, como</span> <a href="https://youtu.be/PSZxmZmBfnU"><i><span style="font-weight: 400;">Somewhere Over the Rainbow</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou em 1940, </span><a href="https://youtu.be/0pfvZo2gmm8"><i><span style="font-weight: 400;">Baby, It&#8217;s Cold Outside</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencedora uma década depois e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kHue-HaXXzg"><i><span style="font-weight: 400;">Let It Go</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2014. Esses hinos atemporais conquistaram a Academia e, em 2021, outras 5 canções tentaram conquistar também.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qjuphuG3ndw"><i><span style="font-weight: 400;">Husavik</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">My Hometown)</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Molly Sandén, é a única da categoria que não foi indicada também para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=globo+de+ouro"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A vencedora da premiação vizinha foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=imjSm7FNmwE"><i><span style="font-weight: 400;">Io sì</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Laura Pausini e Diane Warren, para </span><a href="https://personaunesp.com.br/rosa-e-momo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e Momo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além delas, </span><a href="https://www.beatgogo.pt/traducao-letra/leslie-odom/115274/speak-now"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-noite-em-miami-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami&#8230;</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrita por Leslie Odom, Jr. e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnY9_DXMBis"><i><span style="font-weight: 400;">Hear My Voice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de um dos filmes mais indicados da noite, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago, </span></i><span style="font-weight: 400;">disputaram a estatueta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a vencedora da noite foi H.E.R., que coleciona seu segundo prêmio do ano. Depois de levar uma das categorias principais do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-grammy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora recebeu o prêmio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melhor Canção Original</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=exJq2NrAwdc"><i><span style="font-weight: 400;">Fight For You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu trabalho feito para ambientar o drama </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A música discute questões sociais e raciais, tema que foi apontado algumas vezes durante a cerimônia. </span><b>&#8211; Mariana Chagas</b></p>
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<figure id="attachment_20286" aria-describedby="caption-attachment-20286" style="width: 1201px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--1024x682.jpg" alt="Foto de dos criadores de Se algo acontecer… te amo. À esquerda temos um homem branco, de cabelo curto e barba castanha. Ele usa um terno preto e na sua frente há a estatueta do Oscar. À direita há um homem branco , de cabelo preto e raspado na lateral. Ele usa um terno preto e em suas mãos há um papel branco. O fundo é azul escuro." width="1201" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-animacao--1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20286" class="wp-caption-text">Will McCormack e Michael Govier subiram ao palco para receber o Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação por Se Algo Acontecer… Te Amo (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Curta-Metragem de Animação: Se Algo Acontecer… Te Amo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O favorito de grande parte do público levou a estatueta dourada para casa. </span><a href="https://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi um sucesso após sua história viralizar no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o Curta-Metragem de Animação ganhar grande reconhecimento na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, que impulsionou mais ainda, com sua influência no Cinema atual, a vitória de seu representante. A trama, que percorre a dor e o luto, também foi muito sensível ao desenhar seus detalhados traços pretos e brancos, que parecem ainda mais abraçar o dolorido enredo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem conseguiu por sua vez desbancar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, sempre uma das favoritas quando a categoria é de Animação, mas que deixou a desejar em seus 6 minutos de tela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/toca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Toca (Burrow)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já que explorou, de forma rasa o tema do trabalho em equipe, já abordado em outras produções do estúdio. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I2e1fZnqgjE"><i><span style="font-weight: 400;">If Anything Happens… I Love You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu também sobre o favorito da crítica e das premiações internacionais, </span><a href="https://personaunesp.com.br/genius-loci-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; a produção francesa era um ápice de animação, com todas suas cores, traços e sua história pela viagem psicodélica da personagem principal Reine, que talvez tenha soado como muito alternativa para a tradicional Academia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu outro concorrente, </span><a href="https://personaunesp.com.br/opera-erick-oh-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Opera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também era um dos favoritos por parte do público, mas o enredo do dinamismo do funcionamento da máquina-sociedade não foi o suficiente para conquistar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que carregava a sensação de que faltava algo a mais para ficar marcada na premiação. O mesmo aconteceu com a islandês </span><a href="https://personaunesp.com.br/yes-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yes-People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que passava uma mensagem interessante sobre o ser humano, mas dentre o sucesso nos traços e detalhes de todas as animações concorrentes ficava para trás na lista de muitos. </span><b>&#8211; Larissa Vieira</b></p>
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<figure id="attachment_20284" aria-describedby="caption-attachment-20284" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20284 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-em-live-action.jpg" alt="Foto de Travon Free e Martin Desmond Roe. Travon, homem negro e alto, de cabelo descolorido, e Martin, branco e bixo, com cabelo castanho, vestem um terno preto com detalhes em amarelo, e olham para a frente. Do lado esquerdo da imagem descansa a estatueta, O fundo é azul, com uma tela que mostra um desenho colorido." width="620" height="413" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-em-live-action.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/curta-em-live-action-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20284" class="wp-caption-text">Martin Desmond Roe e Travon Free levaram para casa a estatueta de Melhor Curta-Metragem em Live Action, com o filme Dois Estranhos (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Curta-Metragem em Live Action: Dois Estranhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A categoria de Melhor Curta-Metragem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;"> já parecia decidida antes mesmo de começar. Sem maiores surpresas, as grandes chances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> sair vencedor na competição se concretizaram e, com isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcQN_ETLXM8&amp;t=58s"><span style="font-weight: 400;">Travon Free e Martin Desmond Roe</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretores do curta, subiram ao palco para receber a tão sonhada estatueta dourada e discursar com o intuito de conscientizar, agradecer e alertar. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Hoje um policial matará 3 pessoas, amanhã um policial matará 3 pessoas, depois de amanhã um policial matará 3 pessoas”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim se iniciou o </span><a href="https://revistaglamour.globo.com/Moda/noticia/2021/04/oscar-2021-travon-free-homenageia-em-look-amarelo-e-preto.html"><span style="font-weight: 400;">discurso de Free</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de forma sucinta o diretor apenas pediu para que não sejamos indiferentes a uma ferida aberta. A dupla não precisaria nem se preocupar com a finada música-que-interrompe-discursos, já que não foi necessário mais do que 2 minutos para Martin citar nome atrás de nome seguido de um “</span><i><span style="font-weight: 400;">thank you</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, a categoria compartilhou de temas que não se distanciaram muito &#8211; violência policial, preconceito étnico, problemas sociais -, utilizando de minorias até então sub representadas na história da cerimônia para encarar essas realidades da maneira mais singular possível. O resultado não podia ser diferente. Apesar de 5 ótimas produções indicadas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-estranhos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Two Distant Strangers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (título original em inglês) já saiu na disputa com alguns passos a frente dada a urgência da situação que retrata, aliada ao importante movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20287" aria-describedby="caption-attachment-20287" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1-1024x683.jpg" alt="Foto de Anthony Giacchino e Alice Doyard. A produtora do curta é uma mulher branca, de cabelos escuros, que usa um vestido vermelho enquanto olha para o seu parceiro. Anthony, homem branco de cabelos pretos curtos, veste uma calça preta de cintura alta junto a um terno da mesma cor, e camiseta branca. Ele fala no microfone, ao mesmo tempo que segura a estatueta ao seu lado. O fundo da imagem é azul." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/documentario-curta-1-1.jpg 1323w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20287" class="wp-caption-text">Surpreendendo a todos, Colette ganhou na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><b>Melhor Documentário em Curta-Metragem: Colette </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as viradas de jogo da noite, a categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem com certeza foi a mais inesperada. Se já estávamos cantando a bola para </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-cancao-para-latasha-critica/#more-19686"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Canção para Latasha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ganhar, que poderia ser no máximo surpreendida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-concerto-is-a-conversation-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Concerto Is a Conversation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que acabou passando por cima de todos, mesmo vindo com pouca força ao longo da temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, de fraca, a produção do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7uBf1gD6JY"><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não tem nada. O breve curta atinge pela emoção de sua história, ao apresentar Colette Marin-Catherine, integrante da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, em uma visita ao campo de concentração em que seu irmão foi morto. O impacto do resultado final da obra, é claro, não chega nem perto da lembrança da injusta morte da jovem Latasha, ou do retrato dos ardentes protestos em Hong Kong em </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-not-split-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, fica ao lado do apagado </span><a href="https://personaunesp.com.br/hunger-ward-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hunger Ward</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no quesito de ser um importante capítulo a se rememorar.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jZ_AYRDgXt0"><span style="font-weight: 400;">Ao receber o prêmio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o discurso do diretor Anthony Giacchino fez questão de celebrar a importância das narrativas de cada um dos indicados, ressaltando o poder de se produzir documentários. A produtora Alice Doyard ainda acrescentou uma dedicatória essencial: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esse prêmio e esse filme são uma homenagem às mulheres de todos os lugares do mundo, de todas as idades, que estão dando as mãos e lutando por justiça”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A verdadeira força e representatividade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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