Melhores discos – Maio/16

Matheus Fernandes e Nilo Vieira

A safra musical do mês de maio foi excelente, com ótimos discos nos mais variados estilos. De bandas veteranas à novas promessas, vários lançamentos foram dignos de destaque – selecionamos nove para discutir.


Anohni – Hopelessness

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Em seu primeiro álbum com o novo nome, anteriormente conhecida como Antony, a cantora se une aos grandes nomes eletrônicos Hudson Mohawke (do duo TNGHT) e Oneohtrix Point Never em um dos melhores álbuns do ano, trocando o baroque pop intimista por um synth pop expansivo e contestador. As letras aqui abordam os grandes temas de nosso tempo, ainda que ignorados pela indústria cultural, como a guerra dos drones, o aquecimento global, a violência de genero e as ilusões do governo Obama. (MF)


Ariana Grande – Dangerous Woman

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Ao passo em que o rock parece revisitar o passado por uma nostalgia elitista, o pop vem utilizando de referências clássicas para criar trabalhos mais ecléticos e sofisticados, sabendo adaptar os sons de outrora para o contexto presente. O terceiro disco de Ariana Grande é um belo exemplo: olhando para o r&b dos anos 80, o soul setentista ao mesmo tempo em que incorpora produções atuais, a moça entrega um desfile de hits, em um álbum que exala frescor e não cai para nenhum pedantismo pomposo. (NV)


Car Seat Headrest – Teens of Denial

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Depois de 10 álbuns gravados no próprio quarto e lançados no bandcamp, incluindo a sensação underground Twin Fantasy, o cantor Will Toledo chega à Matador Records, onde divide espaço com seus ídolos Pavement e Guided By Voices. Menos lo-fi que os anteriores, o disco evoca os anos 90, ao combinar guitarras indie, refrães pop e letras auto-depreciativas sobre drogas, festas e a transição para a vida adulta em canções que frequentemente chegam a 7 ou 8 minutos. (MF)


Chance The Rapper – Coloring Book

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Sucessor de “Acid Rap”, Coloring Book é a terceira mixtape de Chance, dono do melhor verso do ano até agora, em “Ultralight Beam”. Mais positivo e inspirador do que nunca, o rapper faz um louvor cheio de corais e sermões à Deus e à vida, com a ajuda de uma série impressionante de colaboradores, como Kanye West, em “All We Got”, reminiscente de seu Life of Pablo, Young Thug em “Mixtape”, e a dupla Lil Wayne e 2 Chainz na banger “No Problem”. O resultado final é tão bom que até o Grammy pensa em alterar suas regras para poder premiar a mixtape. (MF)


Kaytranada – 99.9%

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Em seu debut, após uma série de Remixes e EPs, o produtor haitiano-canadense une o hip-hop e o funk com os ritmos de seu país natal, em um dos álbuns mais animados e coloridos do ano. Uma longa lista de colaboradores importantes contribuem, do rapper revelação do ano Anderson .Paak, em “Glowed Up”,  aos canadenses do BADBADNOTGOOD, em “Weight Off”. O destaque fica com uma faixa solo, “Lite Spots”, onde Kaytranada incorpora o espírito de J Dilla e revisita “Pontos de Luz”, da brasileira Gal Costa. unindo a complexa linha de baixo e os vocais originais à uma percussão eletrônica. A letra, ainda que em português, define bem o espírito do álbum: “me sinto completamente contente”. (MF)


James Blake – The Colour in Anything

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Lançado duas semanas depois de sua aparição em Lemonade, da Beyoncé, o álbum retoma a mescla minimalista de r&b e música eletrônica do britânico, conhecido por músicas como Retrograde. Com 76 minutos e 17 faixas, o disco tem sua duração como defeito, problema recorrente em 2016, que também acometeu Views, do canadense Drake. Ainda assim, faixas como “Radio Silence” e “I Need a Forest Fire”, parceria com Justin Vernon, do Bon Iver se destacam e compensam as possíveis falhas. (MF)


Metá Metá – MM3

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Após quatro anos de espera, enfim o terceiro álbum do trio composto por Juçara Marçal (vocais), Kiko Dinucci (guitarra e violão) e Thiago França (saxofone) veio ao mundo – e não decepcionou. Com uma produção mais orgânica que os anteriores, a mistura de rock, afrobeat, jazz, candomblé, samba e (ufa!) ritmos herdados da vanguarda paulista soa mais potente que nunca. Acima de tudo, o disco é um documento importante de uma prolífica cena realmente independente que, infelizmente, a grande mídia ainda opta por ignorar. (NV)


Radiohead – A Moon Shaped Pool

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O aguardado novo álbum de um dos grupos mais inquietos dos últimos vinte anos mostra o quinteto revisitando diversas partes de sua trajetória, com uma carga emocional densa pairando sobre as faixas. Distante dos registros eletrônicos monocromáticos que os integrantes vinham lançando nos últimos tempos, aqui o Radiohead volta a explorar instrumentos “reais”, e cada integrante se mostra essencial para a obtenção do riquíssimo produto final. Cinematográfico, no mínimo. (NV)


Vektor – Terminal Redux

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Em seu terceiro LP, o quarteto oriundo do Arizona desafia os próprios limites e entrega seu trabalho mais ambicioso até o momento. Com 73 minutos divididos em 10 faixas, o disco é conceitual, contando uma história épica que abrirá um sorriso no rosto de qualquer fã de ficção científica. Combinando as mudanças rítmicas típicas do rock progressivo, vocais à la death metal e um trabalho excepcional de guitarras, não é exagero dizer que este é o álbum de thrash metal mais criativo lançado desde a década de 90 – com o Vektor sendo, soberanamente, uma das poucas bandas novas de real relevância no estilo. (NV)

 

 

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