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	<title>Arquivos Minissérie &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança: uma Rachel Weisz é boa, duas é melhor</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Apr 2024 15:17:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Rachel Weisz nunca pode ser demais e Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança sabe disso. Com a atriz britânica na pele das gêmeas Beverly e Elliot Mantle, a releitura do filme (quase) homônimo de David Cronenberg vira do avesso para explorar o outro lado da moeda: o longa original se torna uma minissérie e os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gemeas-morbida-semelhanca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança: uma Rachel Weisz é boa, duas é melhor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1.jpg" alt="Cena da série Gêmeas - Mórbida Semelhança." width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-1-768x320.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Além de dar vida às duas protagonistas da minissérie, Rachel Weisz também é produtora (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rachel Weisz nunca pode ser demais e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. Com a atriz britânica na pele das gêmeas Beverly e Elliot Mantle, a releitura do filme (quase) homônimo de David Cronenberg vira do avesso para explorar o outro lado da moeda: o longa original se torna uma minissérie e os irmãos, irmãs. No entanto, a obsessão e a </span><a href="https://www.emmys.com/news/press-releases/emmy-magazine-2023-03"><span style="font-weight: 400;">relação doentia</span></a><span style="font-weight: 400;"> um pelo outro se mantém e a produção leva os limites médicos ao extremo, ao mesmo tempo que lida com duas figuras opostas presas em uma só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QknATQ-niHM"><span style="font-weight: 400;">série</span></a><span style="font-weight: 400;">, Beverly e Elliot são médicas obstetras insatisfeitas com a maneira como o sistema de saúde lida com mulheres grávidas. Juntas, elas buscam investimento para abrir seu próprio centro de maternidade. A perfeita harmonia das duas beira a insanidade, mas a simbiose funciona no âmbito profissional e pessoal &#8211; até a chegada de Genevieve (Britne Oldford). Quando a atriz se envolve com uma das irmãs e elas se veem obrigadas a não mais viver uma para outra, o desequilíbrio leva desde a convivência doméstica até os bastidores da medicina ao extremo.</span></p>
<p><span id="more-33298"></span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33303" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-3-768x320.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">No filme de David Cronenberg, os gêmeos Beverly e Elliot são vividos por Jeremy Irons (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">vem da mesma premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JTcVnvXXUuo"><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeos &#8211; Mórbida Semelhança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Igualmente, no filme original os irmãos Beverly e Elliot vivem uma sintonia maníaca, que só é abalada com o envolvimento de um dos gêmeos com uma atriz. Enquanto o longa de Cronenberg é essencialmente movido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">body horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a medicina e a ginecologia servindo como pano de fundo para abrir caminhos aos </span><a href="https://personaunesp.com.br/titane-critica/"><span style="font-weight: 400;">horrores da carne</span></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie se volta ao psicológico das irmãs Mantle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ambas serem vividas por Weisz, a diferenciação é clara. Beverly é calma, contida e estratégica. Já Elliot fala o que vem na telha, não controla seus impulsos e nem sua boca, mas também não esconde sua devoção pela irmã mais nova. Com as duas estando lado a lado, sozinhas ou interagindo com outras pessoas, a atriz deixa claro como domina ambos lados da moeda e transita entre elas com tamanha facilidade que chega a confundir quem ainda não se familiarizou com os maneirismos de cada uma. Nos momentos em que Elliot finge ser Beverly ou vice e versa, Rachel Weisz prova sua maestria e faz qualquer indicação de Melhor Atriz em Minissérie parecer pouco para seu desempenho &#8211; ainda assim, ela concorreu à categoria no Globo de Ouro, perdendo para Ali Wong, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/treta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Treta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33304" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-2-768x320.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Rachel Weisz foi indicada como Melhor Atriz em Série Limitada, Antologia ou Telefilme no Globo de Ouro (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">brilha em diferentes frontes. Se a </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/rachel-weizs-sobre-dead-ringers-trabalho-mais-dificil-da-vida"><span style="font-weight: 400;">atuação de Weisz</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o grande chamariz da produção, o roteiro a dez mãos dá à atriz as condições para isso.  Ousada e mórbida, a condução da minissérie transita entre a tensão e o horror, com momentos de comicidade que arrancam uma risada nervosa de quem não sabe o que esperar do que vem a seguir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo das personagens &#8211; além de reforçar que Rachel Weisz é tão </span><a href="https://personaunesp.com.br/viuva-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">habilidosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tem química com ela mesma &#8211; confere ainda mais profundidade à série. Conforme Beverly e Elliot se entrelaçam uma na vida da outra, de maneiras até bizarras, as duas criam um embate entre seus objetivos. Enquanto a primeira é idealista e (a princípio) ética na busca por criar um ambiente que dê atendimento humanizado às gestantes, Elliot usa o espaço para abusar de experimentos ilegais em nome da medicina. Ambas defendem seus projetos com a vida e criam uma relação fascinante de co-dependência e estímulo intelectual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas mãos de Alice Birch, indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie ainda ganha tons de horror e drama. Articulando um design de produção que torna tudo mais sombrio, como o centro obstétrico cheio de segredos e aventais vermelho sangue (mérito de Erin Magill e Adam Scher), e uma fotografia acinzentada e com truques visuais para mostrar as gêmeas lado a lado (responsabilidade de Laura Merians Goncalves e Jody Lee Lipes), </span><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">aproveita a ingrata tarefa de adaptar a obra do mestre do </span><i><span style="font-weight: 400;">body horror </span></i><span style="font-weight: 400;">para criar um universo revitalizado.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4.jpg" alt="" width="967" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/gemeas-morbidas-4-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Ninguém está preparado para a conclusão de Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeas &#8211; Mórbida Semelhança </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ter feito pouco barulho no catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">ou na temporada de premiações, abocanhando apenas uma menção para Weisz no Globo de Ouro e uma para Lee Lipes como Melhor Cinematografia no </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a releitura de Cronenberg traz o horror para o universo feminino e mostra que as gêmeas podem ser tão tresloucadas e interessantes quanto os gêmeos.</span></p>
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		<title>Os grandes conflitos das Pequenas Coisas da Vida</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 14:41:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale A vida é feita de detalhes, de instantes. Eles podem ser repletos de felicidade ou de tristeza. Trazem consigo o luto e a dor, mas também são acompanhados do amor e da alegria. O nascimento de um bebê, a morte de um parente ou o fim de um casamento são tipos de momentos-chave &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-pequenas-coisas-da-vida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os grandes conflitos das Pequenas Coisas da Vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32139" aria-describedby="caption-attachment-32139" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. Na imagem, a atriz Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce. Ela é uma mulher branca, de olhos claros e possui cabelo castanho claro. Está escorada em um carro azul, ela usa uma blusa verde-oliva, uma saia caramelo, cinto marrom e uma camisa azul listrada. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32139" class="wp-caption-text">De mal a pior: aparentemente, tudo dá errado na vida de Clare (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida é feita de detalhes, de instantes. Eles podem ser repletos de felicidade ou de tristeza. Trazem consigo o luto e a dor, mas também são acompanhados do amor e da alegria. O nascimento de um bebê, a morte de um parente ou o fim de um casamento são tipos de momentos-chave na história de alguém. Os erros e acertos acompanham o ser humano durante seu tempo na Terra, desde o seu início até o seu fim. Em </span><a href="https://oglobo.globo.com/kogut/critica/2023/06/estrelada-por-kathryn-hahn-as-pequenas-coisas-da-vida-e-uma-perola-escondida-no-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), vemos como Clare Pierce (Kathryn Hahn) se comporta perante suas ações passadas e presentes, e como as pequenas coisas podem virar grandes conflitos, que mudam o rumo do futuro.</span></p>
<p><span id="more-32137"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada originalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, <em>Tiny Beautiful Things</em></span><span style="font-weight: 400;"> chegou ao Brasil pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Abril. A série foi produzida pela </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/reese-e-hello-sunshine-como-a-atriz-mudou-a-forma-de-produzir-longas"><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – fundada pela atriz Reese Whiterspoon –, e baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas delicadezas: Conselhos sobre o amor e a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Cheryl Strayed, em que a autora faz uma coletânea de conselhos escritos em sua coluna </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Sugar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na produção audiovisual, Clare assume a função de Sugar, misturando a ficção com os acontecimentos da vida de Strayed. Na linha tênue do que é real ou não, a série constrói seu teor dramático, mostrando de pouco a pouco o porquê da personagem principal ser do jeito que é. </span></p>
<figure id="attachment_32140" aria-describedby="caption-attachment-32140" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. Na imagem, vemos as atrizes Merritt Wever e Kathryn Hahn com um cavalo branco, em um campo com grama seca, cercado por árvores de folhagem verde. Merritt Wever faz a personagem Frankie Pierce, e é uma mulher branca, de cabelos loiros, usa um vestido floral rosa e um casco rosa. Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce, e é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, usa uma regata branca e calça jeans. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32140" class="wp-caption-text">Clare, por meio de sua conversa consigo mesma, anda na trilha da superação e do perdão (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a narrativa, conhecemos o passado e o presente de Clare. Ao tentar montar o quebra-cabeça da história da protagonista, somos recebidos por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mostram brevemente os acontecimentos de sua juventude e como eles são refletidos na atualidade. Em diversas cenas, enquanto assistimos o monólogo interior-que-vira-conselhos da personagem, vemos uma troca de atrizes: Kathryn Hahn é substituída por </span><a href="https://thenerdsofcolor.org/2023/04/07/sarah-pidgeon-discusses-the-impactful-messages-in-tiny-beautiful-things/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Pidgeon</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que deixa claro que as ações presentes seriam facilmente feitas em tempos anteriores. Nesse vaivém, descobrimos os traumas e dores em relação à família de Pierce, e também os conflitos internos e externos, nos núcleos familiar e profissional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> As brigas principais são, com certeza, entre Clare e Danny (</span><a href="https://www.awardsdaily.com/2023/06/20/quentin-plair-interview/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Plair</span></a><span style="font-weight: 400;">) – seu esposo –, e entre ela e Rae (</span><a href="https://youtu.be/ajDcPEg2Vl0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Tanzyn Crawford</span></a><span style="font-weight: 400;">) – sua filha. Logo no episódio piloto, entendemos que o casal está separado e que a razão da separação foi algo que a protagonista fez. De cena em cena, assistimos uma sessão de terapia de casal; uma suspeita de traição; discussões e gritos entre a família; as pazes e as razões. Cheio de momentos dolorosos e de partir o coração, a relação intrafamiliar é bem explorada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tiny Beautiful Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue apresentar – de forma nua e crua – as interações entre mãe, pai e filha. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9W8xlualftA"><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra, geniosamente, como é o impacto de traumas geracionais em uma família. Durante os oito episódios, Clare batalha com seus demônios internos, enquanto tenta alertar e proteger a filha dos perigos do mundo. Durante a construção da narrativa, descobrimos o que assombra cada personagem – como chances perdidas, uso de drogas e escolhas do caminho da vida. Entre informações passadas sem querer por mensagens de texto, ligações não atendidas e pacotes enviados pelo correio, cada detalhe ilumina o obscuro caminho da história e mostra como as decisões da protagonista a levaram para o instante presente.</span></p>
<figure id="attachment_32138" aria-describedby="caption-attachment-32138" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.png" alt="Cena da série As Pequenas Coisas da Vida. A imagem mostra o interiot de um carro, onde a atriz Kathryn Hahn está sentada no banco do passageiro e a atriz Tanzyn Crawford está em frente ao volante. Kathryn Hahn faz a protagonista Clare Pierce, uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, que veste uma camiseta cor caramelo. Tanzyn Crawford é uma adolescente negra, de cabelos pretos trançados. " width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32138" class="wp-caption-text">Mesmo com o possível grande erro de Rae, Clare a entende e a acalma (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos altos de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvida, as atuações – sendo que duas delas foram indicadas nos </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i>Emmys</i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023. </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/tiny-beautiful-things-merritt-wever-kathryn-hahn-1235576769/"><span style="font-weight: 400;">Merritt Wever</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz o papel da mãe da protagonista – Frankie Pierce –, concorre ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme. O trabalho de Wever durante a série é intrínseco: durante as cenas, podemos ver as mudanças de emoção somente pelo olhar da atriz, com os olhos que transbordam sentimentos e inundam o coração com mais do que mil palavras podem descrever. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hahn, por sua vez, foi merecidamente indicada à categoria de Melhor Atriz Principal em Minissérie ou Telefilme. Ao longo da produção, vemos e sentimos toda a dor e a confusão nas feições, falas e ações de Clare, que atinge seu auge episódio atrás de episódio. Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ver Hahn sair de papéis repletos de risadas e comédia, e ir para um tão dramático e doloroso chega a ser refrescante, além de mostrar como a atriz possui a capacidade de encarar diferentes gêneros. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="As Pequenas Coisas da Vida | Trailer Oficial Legendado | Star+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k2XOm0nPaGI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, Clare Pierce faz as pazes consigo mesma e percebe que, mesmo quando tudo está dando errado, é preciso admitir erros e tentar continuar. Mesmo ao se sentir como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">a pior pessoa do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a protagonista insiste em equívocos, mas tenta mudá-los. A escritora e sua carreira que não decolou leva outro rumo quando assume o cargo de Sugar: agora ela é reconhecida por leitores, mesmo que anonimamente. Cheia de fortes emoções, gritos e amor, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Pequenas Coisas da Vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de conflitos, brigas e reconciliações familiares. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial para a história – é por causa dela que a história de Pierce consegue se firmar, afinal, a produtora de Witherspoon é referência em contar narrativas lideradas por mulheres. </span></p>
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		<title>The Offer: uma oferta honesta e competente, mas não tão irrecusável como O Poderoso Chefão</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Aug 2022 20:28:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes  Poucos momentos na história do Cinema podem ser considerados verdadeiros milagres. Um deles foi a estreia de O Poderoso Chefão, em março de 1972. A produção do filme foi um verdadeiro caos, indo de um estúdio que não queria aceitar um jovem Al Pacino como protagonista e que estava, a todo momento, pronto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-offer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Offer: uma oferta honesta e competente, mas não tão irrecusável como O Poderoso Chefão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28328" aria-describedby="caption-attachment-28328" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28328" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-Nova.jpg" alt="Imagem de divulgação da série The Offer. Da esquerda para a direita, temos a atriz Juno Temple, uma mulher loira branca, utilizando cabelo preso com um arco formando um rabo de cavalo, uma camisa laranja estampada, saia bege e botas de cano alto pretas. Ao seu lado, o ator Miles Teller, um homem branco, alto, de cabelos pretos, terno marrom claro, camisa social branca, calça e sapatos pretos. Ao seu lado, o ator Dan Fogler é um homem branco de óculos, cabelos e barba pretos, camisa social branca listrada, colete marrom escuro, calça e sapatos pretos. Os três estão sentados em um sofá laranja. À direita, temos o ator Patrick Gallo, um homem branco e baixo de óculos, com uma camisa polo branca e terno marrom escuro. Ele está sentado em uma poltrona de couro também marrom escura. À sua frente, temos disposta uma mesa verde clara com vinho, taças e um prato com salames e comidas italianas típicas. A cena acontece em uma sala durante a tarde. " width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-Nova.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-Nova-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-Nova-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28328" class="wp-caption-text">A dinâmica do time que levou O Poderoso Chefão para os cinemas é um dos grandes destaques de The Offer (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos momentos na história do Cinema podem ser considerados verdadeiros milagres. Um deles foi a estreia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">em março de 1972. A produção do filme foi um verdadeiro caos, indo de um estúdio que não queria aceitar um jovem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4zw53Oiz5t4"><span style="font-weight: 400;">Al Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;"> como protagonista e que estava, a todo momento, pronto para demitir o diretor Francis Ford Coppola, até um boicote de figurões como Frank Sinatra e o envolvimento da máfia por debaixo dos panos na produção, entre diversos outros perrengues. Por sorte, sabemos como essa história terminou muito bem para todos os envolvidos e pavimentou o caminho de muitos artistas estreantes na indústria cinematográfica. Agora, 50 anos depois da obra-prima familiar de Coppola ter conquistado o público, a minissérie </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iowLzO9-aew"><i><span style="font-weight: 400;">The Offer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, contando os bastidores do longa pelo ponto de vista do produtor Al Ruddy (Miles Teller). </span></p>
<p><span id="more-28327"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recém-saído do seriado de sucesso </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra, Sombra e Água Fresca </span></i><span style="font-weight: 400;">nos anos 1960, ele começou sua carreira trabalhando para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount Pictures </span></i><span style="font-weight: 400;">no início da década de 1970, quando o estúdio precisava desesperadamente de um novo sucesso de bilheteria. É nesse cenário que Ruddy é encarregado da tarefa de levar o livro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TaJbl2UUrME"><span style="font-weight: 400;">Mario Puzo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Patrick Gallo) &#8211; até aquele momento o mais vendido da história &#8211; para os cinemas. </span></p>
<figure id="attachment_28329" aria-describedby="caption-attachment-28329" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3.jpg" alt="Imagem de divulgação da série “The Offer”. No canto direito, temos o ator Miles Teller, um homem branco de cabelos pretos, terno preto, suéter vermelho polo e calça preta. Ao fundo, o cenário de um estúdio de cinema com holofotes desligados durante a tarde, onde o sol predomina no lado esquerdo. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28329" class="wp-caption-text">Após seu bom desempenho no ótimo Top Gun: Maverick, Miles Teller retorna aos papéis principais em The Offer (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É plenamente justificável olhar para </span><i><span style="font-weight: 400;">The Offer </span></i><span style="font-weight: 400;">com cinismo e desprezo, devido a atual tendência da produção dos grandes estúdios estar atrelada muito mais ao conteúdo do que às ideias originais. Além disso, o fato da </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; a responsável por fazer das vidas dos envolvidos no projeto original um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iCtZPvxxsbo"><span style="font-weight: 400;">inferno</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; estar capitalizando em cima dessa experiência conturbada poderia soar como um mea-culpa cafajeste, ou até mesmo desrespeitoso. Por sorte, isso não acontece aqui, e a série, mesmo com seus problemas, consegue oferecer ao público uma perspectiva honesta sobre como funcionam as coisas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">e sobre como o Cinema é uma Arte colaborativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração, inclusive, é a palavra-chave para o sucesso em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Offer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Acompanhar um bando de pessoas diferentes se empenhando e dedicando o máximo de suas vidas para a realização de uma obra de arte única é o barato do roteiro. O acerto está em nos dar uma recompensa satisfatória ao final da maioria dos episódios &#8211; aquele gostinho clássico da vitória dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ts1u6-yCkec"><i><span style="font-weight: 400;">underdogs</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em cima dos </span><i><span style="font-weight: 400;">bullys. </span></i><span style="font-weight: 400;">No cenário da série, são os artistas sonhadores em cima dos engravatados sem alma que só pensam no lucro. </span></p>
<figure id="attachment_28330" aria-describedby="caption-attachment-28330" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-3.jpg" alt="Cena da série “The Offer”. No centro da imagem, temos o ator Justin Chambers, um homem branco de cabelos e bigode grisalhos, terno preto, camisa branca e gravata borboleta preta. Ele segura em suas mãos um gato cinza. Ao fundo, temos o cenário de uma sala escura com as janelas entreabertas. A cena acontece durante a noite. " width="1024" height="558" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-3-800x436.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-3-768x419.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28330" class="wp-caption-text">Justin Chambers interpreta Marlon Brando interpretando Don Vito Corleone em The Offer (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a narrativa é a mais maniqueísta possível, pois </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra tão importante para a História do Cinema que qualquer produção atrelada ao seu nome vem com o risco de não ser tão boa como o filme que começou tudo. Nesse sentido, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cdgKgIAIODM"><i><span style="font-weight: 400;">showrunners</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Michael Tolkin e Nikki Toscano decidiram apostar no seguro e construíram seus personagens e arcos dramáticos em cima de arquétipos tradicionais, que se provam uma faca de dois gumes: por um lado, garantem a eficiência do projeto, mas, por outro, apagam o brilho da novidade, ao passo que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Offer </span></i><span style="font-weight: 400;">dificilmente será lembrada da mesma forma que o clássico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém representa tão bem isso como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KSIqXIMVdpc"><span style="font-weight: 400;">Joe Colombo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Giovanni Ribisi), um mafioso que tentou impedir o longa de ser produzido. Sua composição como personagem é extremamente caricata, indo da maquiagem pesada até um sotaque italiano tão forçado quanto os de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Curiosamente, uma de suas grandes preocupações é que o filme trate os italianos de forma estereotipada, exatamente a maneira com a qual ele próprio é tratado pela série. </span></p>
<figure id="attachment_28331" aria-describedby="caption-attachment-28331" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3.jpg" alt="Imagem de divulgação da série “The Offer”. No centro da imagem, temos o ator Giovanni Ribisi, um homem branco, calvo e baixinho, de terno preto, gravata vermelha e camisa preta. Ele está saindo de um carro antigo preto. Ao fundo, temos o cenário de um armazém durante a tarde, iluminado pelo sol. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-3-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28331" class="wp-caption-text">Infelizmente, o ator Giovanni Ribisi é um dos pontos fracos de The Offer (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos pesares, o elenco consegue driblar as caracterizações batidas dos personagens entregando boas performances. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vBM0xIU_N-w"><span style="font-weight: 400;">Miles Teller</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, está bem como um Al Ruddy determinado e com bom jogo de cintura para lidar com os egos conflitantes na produção. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jWZBKFrlgks"><span style="font-weight: 400;">Dan Fogler</span></a><span style="font-weight: 400;"> diverte com seu Francis Ford Coppola doce, sensível e até um pouco ingênuo, com aquela passionalidade evidente através de sua Arte. Enquanto isso, Juno Temple impressiona como a esperta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v="><span style="font-weight: 400;">Bettye McCartt</span></a><span style="font-weight: 400;">, secretária e fiel escudeira de Ruddy. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, quem brilha mesmo em cena é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dBVUUG5jGeQ"><span style="font-weight: 400;">Matthew Goode</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao interpretar Bob Evans, lendário produtor da </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount, </span></i><span style="font-weight: 400;">responsável por outros clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mYhS8q66L38"><i><span style="font-weight: 400;">Love Story</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pwLKIcB0zDw"><i><span style="font-weight: 400;">O Bebê de Rosemary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T37QkBc4IGY"><i><span style="font-weight: 400;">Chinatown</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Conhecido pela sua personalidade impactante e carismática, Evans é retratado com nuances bem interessantes por parte de Goode, como uma petulância quase infantil, um charme de </span><i><span style="font-weight: 400;">bon vivant </span></i><span style="font-weight: 400;">(não à toa, ele deu seu aval para uma adaptação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ObO_2R_aDuI"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na mesma época) e um arco próprio de queda e redenção, baseado no polêmico fim de seu casamento com a atriz Ali MacGraw (Meredith Garretson).</span></p>
<figure id="attachment_28332" aria-describedby="caption-attachment-28332" style="width: 1013px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-5-1.jpg" alt="Imagem de divulgação da série “The Offer”. No canto direito da imagem, temos o ator Matthew Goode, um homem branco, de cabelos pretos, óculos, alto, de braços abertos, com um terno cinza, camisa azul clara e uma gravata preta com detalhes de rosas. Ao fundo, temos o cenário da entrada dos estúdios da Paramount Pictures, com um grande prédio bege, com detalhes e ornamentos em marrom escuro, incluindo o nome do estúdio. " width="1013" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-5-1.jpg 1013w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-5-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-5-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28332" class="wp-caption-text">Matthew Goode é simplesmente o melhor de The Offer, dando vida ao excêntrico e carismático Robert Evans (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tecnicamente, poucas coisas impressionam. A série é bem fotografada por Salvatore Totino (</span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/em-homecoming-o-homem-aranha-volta-empolgar/">Homem-Aranha: De Volta ao Lar</a>)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Elie Smolkin (</span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty John: O Golpe do Amor)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e encenada, mas nada chama muita atenção para além de algumas boas rimas de linguagem feitas com cenas antológicas, como um assassinato que se mescla às filmagens do atentado a Don Vito Corleone (Marlon Brando no filme de 1972, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UdaidRcdEw0"><span style="font-weight: 400;">Justin Chambers</span></a><span style="font-weight: 400;"> aqui). Na verdade, esse sentimento pouco instigante da série como técnica diz muito sobre a sua natureza particular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Offer </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona mais como uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=999T1SZRlSU"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que como um projeto sólido por si próprio, pois a sensação que permanece é a de que já vimos coisa parecida antes e, até mesmo, um pouquinho melhor; mas isso não é necessariamente ruim. Desde o seu lançamento, poucas obras chegaram aos pés de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto na produção cinematográfica como na televisiva. Então, não é de se espantar que a série de 2022 não tenha chegado também. Em outras palavras, é uma oferta que não é irrecusável, mas, no geral, competente e mediana. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Offer | Trailer Oficial | Paramount Plus Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lpgeHb6y3TM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Inventando Anna é tão inacreditável que parece completamente ficcional</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 16:17:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Como uma jovem golpista adentra os eventos e círculos sociais da mais alta elite nova-iorquina sem ter um sobrenome conhecido e nem mesmo um dólar no bolso? E como ela ainda consegue desembolsar empréstimos com quantias inimagináveis das instituições bancárias mais conservadoras dos Estados Unidos? São as respostas dessas indagações que a produção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/inventando-anna-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Inventando Anna é tão inacreditável que parece completamente ficcional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27907" aria-describedby="caption-attachment-27907" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna.jpg" alt="Cena da série Inventando Anna. Na cena, há 4 mulheres uma ao lado da outra em uma rua movimentada de Nova Iorque. A primeira, no canto direito, é uma mulher negra de cabelos castanhos que veste calça marrom, blusa preta sobreposta por um sobretudo preto e bolsa bege com alça preta e vermelha. Ao seu lado, há uma mulher branca com vestido preto e sobretudo cinza, olhando com expressão admirada para o alto. A terceira mulher é branca com cabelos castanhos claros, ela veste um sobretudo preto com estampas floridas em vermelho e segura uma bolsa preta. A quarta mulher, no canto esquerdo, é negra, possui cabelos pretos cacheados e olha para o alto com um sorriso, enquanto veste uma saia bege, uma blusa laranja com estampas pretas e um sobretudo preto." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-Inventando-Anna-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27907" class="wp-caption-text">Em múltiplas camadas, o quarteto liderado por Anna Delvey entregou diversos momentos catárticos durante a trama (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma jovem golpista adentra os eventos e círculos sociais da mais alta elite nova-iorquina sem ter um sobrenome conhecido e nem mesmo um dólar no bolso? E como ela ainda consegue desembolsar empréstimos com quantias inimagináveis das instituições bancárias mais conservadoras dos Estados Unidos? São as respostas dessas indagações que a produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Inventando Anna</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz. E embora pareçam casos irreais, essas situações estão longe de serem apenas um enredo ficcional. </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60456445"><span style="font-weight: 400;">Esses acontecimentos realmente ocorreram</span></a> <span style="font-weight: 400;">e serviram como base para a minissérie jornalística, que traz situações tão surpreendentes que, de fato, parecem inventadas.</span></p>
<p><span id="more-27906"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">em parceria com a produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Shondaland</span></i><span style="font-weight: 400;">, a narrativa foi criada por Shonda Rhimes. Conhecida pela famigerada e perpétua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/greys-anatomy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grey&#8217;s Anatomy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e pelos dramas advocatícios e políticos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scandal</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rhimes deixa sua marca, entregando episódios longos, instigantes e conectados entre si. Dessa vez, com uma trama oriunda de um artigo jornalístico que chocou Nova Iorque e o mundo ao expor a fraudulenta Anna Delvey, cujo próprio nome inventou. O artigo foi feito pela jornalista Jessica Presler, que já é conhecida por </span><a href="https://www.thecut.com/article/how-anna-delvey-tricked-new-york.html"><span style="font-weight: 400;">ter textos que se tornam filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> já que isso aconteceu anteriormente com </span><i><span style="font-weight: 400;">As Golpistas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Inclusive, Pressler foi alvo de inspiração para que Shonda criasse uma das protagonistas da minissérie: Vivian Kent (Anna Chlumsky).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O gancho central da história está em Anna (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/julia-garner/"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">), que aparece no primeiro episódio sendo presa, segundo ela, por uma calúnia, pois atesta que é uma jovem rica e que não merece estar atrás das grades por contas que, ainda, não foram pagas. </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/inventando-anna-o-que-esperar-da-intrigante-serie-da-netflix-208711/"><span style="font-weight: 400;">Não sabemos as reais intenções da garota</span></a>, <span style="font-weight: 400;">se realmente é uma herdeira alemã, como defende, ou se é uma golpista, como a mídia a intitula. Mas sabemos que a resposta desse mistério nos prenderá ao transcorrer de 9 longos episódios que esmiúçam a história de <em>Inventando Anna</em>.</span></p>
<figure id="attachment_27908" aria-describedby="caption-attachment-27908" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna.jpg" alt="Cena da série “Inventando Anna”, na qual a direita está Anna (Julia Garner), mulher branca com cabelos castanhos vestindo óculos e uniforme presidiário. O uniforme é bege com mangas cinza. A sua frente está Vivian (Anna Chlumsky), mulher branca com cabelos castanhos vestindo um casaco preto. As mulheres se encaram com as mãos postas em uma mesa. A cena diz respeito à visita de Vivian ao presídio no qual Anna está detida." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-Inventando-Anna-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27908" class="wp-caption-text">Dividindo o protagonismo da minissérie, Julia Garner e Anna Chlumsky viveram os dramas de uma relação improvável e profunda (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao decorrer de cada episódio, a abertura da série é construída como um mosaico. Trechos, recortes e partes incompletas são unidos até que o rosto da personagem principal obtenha nitidez, como uma espécie de metáfora, em que cada parte do quebra-cabeça dessa longa trama é necessária para a compreensão total da história. E com certeza é! O mesmo vale para as informações iniciais de cada capítulo, que carregam a explicação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esta é uma história totalmente verídica. Exceto pelas partes que foram inventadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Esse excerto é um divertimento elucidativo, porque deixa claro o que vamos assistir em <em>Inventando Anna</em>: uma narrativa baseada em </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/inventando-anna-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">acontecimentos reais misturada com criações ficcionais da autora</span></a>.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica da série, ainda que focada na história de Delvey, também tem uma vertente extremamente interessante quando nos apresenta a personagem Vivian Kent, que, em diversas vezes, compartilha o protagonismo com Anna. Vivian cria um laço complicado e emaranhado com a personagem de Garner, isso graças ao seu anseio em contar a história da golpista que enganou toda Nova Iorque através de um artigo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan Magazine </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; revista na qual trabalha. Esse anseio </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2022/03/criadora-de-inventando-anna-comenta-os-momentos-inventados-da-serie"><span style="font-weight: 400;">não é puramente genuíno</span></a>. <span style="font-weight: 400;">Muito pelo contrário. Ela quer contar essa história para sair do abismo em que caiu quando publicou um material com uma notícia falsa &#8211; o verdadeiro terror de Vivian e de qualquer outro jornalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a trajetória não é nada fácil. Enfrentando o machismo de seu chefe e de seu editor, a jornalista cria uma jornada dupla de trabalho e ao invés de apurar as pautas que são dadas, ela decide usar seu tempo para ir ao</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/inventando-anna-como-julia-garner-aprendeu-sotaque-de-anna-sorokin/"> <span style="font-weight: 400;">presídio de Anna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e averiguar como aquela garota foi capaz de manipular todos que a cercavam. Aqui, cabe ressaltar que a personagem não representa os ideais éticos jornalísticos. Ao visitar a personagem sem a tramitação legal necessária para profissionais da imprensa, Kent comete um grave erro, que está longe de ser o seu único. </span></p>
<figure id="attachment_27909" aria-describedby="caption-attachment-27909" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna.jpg" alt="Cena da série Inventando Anna, na qual temos, ao centro, Anna (Julia Garner), mulher branca com cabelos loiros que veste blusa preta, capa de lã nas cores branco, preto e vermelho e luvas pretas. Anna segura em seu braço direito uma bolsa rosa. Ao seu lado, na esquerda, há um homem branco com fios grisalhos que veste terno preto, camisa social azul bebê, gravata azul estampada, cinto e calça preta. O fundo da cena é desfocado e faz alusão ao salão que a protagonista da série quer alugar." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-Inventando-Anna-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27909" class="wp-caption-text">Julia Garner se entregou de corpo e alma ao papel biográfico de Anna Delvey (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nesse panorama, as visitas deixam de ser esporádicas e passam a ser frequentes. A relação e os limites entre</span> <a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/motivos-assistir-inventando-anna-netflix/"><span style="font-weight: 400;">a jornalista e a fonte</span> </a><span style="font-weight: 400;">se liquefazem. É complicado saber o que elas se tornam. O rótulo de amizade é  forte demais para a convivência construída, mas “colegas” também não as representam fielmente. O fato é: Vivian está completamente envolvida com a história de Anna. Por vezes, é possível ver a personagem sentir pena e empatia da golpista, mesmo sabendo tudo o que ela pode ter cometido. E é nesse momento que os espectadores de <em>Inventando Anna</em> também se veem indecisos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada encontro com Anna, Vivian descobre uma nova parte da história, mas de uma forma não tão cronológica quanto se espera. A linearidade da série é uma desordem. Passado e presente se misturam a todo momento, mas o que ajudou a diferenciar a história foi o visual da protagonista, que na maior parte de seu passado estava com cabelos loiros e no presente com fios castanhos. Contudo, essa desordem é proposital. Os fatos narrados apresentam diferenças e subjetividades de acordo com quem os conta e é isso</span> <a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-novo-golpe-de-anna-delvey-a-golpista-de-inventando-anna/"><span style="font-weight: 400;">o que Shonda quer nos mostrar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> As vítimas da golpista trazem uma perspectiva; as amigas, outra; e Delvey, é claro, também apresenta uma visão, romantizada e eufemizada, totalmente diferente das acusações que sofrera. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa teia de discordâncias, a história de <em>Inventando Anna</em> ganha sentido à medida que Vivian apura as informações apresentadas e descobre quais são verdadeiras. Com a ajuda de Todd (Arian Moayed), advogado da golpista, e tendo os relatos das pessoas que circundavam o círculo social de Anna, a jornalista compreende que ela é culpada por tudo que a acusam.  A lista é gigantesca, mas vai desde fraudes bancárias até o uso de jatinhos particulares e hospedagens em hotéis de luxo sem pagamento. As motivações de Anna para tantos golpes e mentiras eram uma: criar sua própria fundação artística em um dos prédios mais clássicos e luxuosos da cidade. Motivação essa que esteve muito perto de virar realidade se uma de suas melhores amigas, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/233976-inventando-anna-serie-netflix-criticada-vitimas.htm"><span style="font-weight: 400;">Rachel Williams (Katie Lowes)</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">não armasse um plano com as viaturas policiais para a prenderem.</span></p>
<figure id="attachment_27910" aria-describedby="caption-attachment-27910" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-Inventando-Anna.jpg" alt="Cena da série Inventando Anna, na qual está Vivian Kent (Anna Chlumsky), mulher branca com cabelos castanhos e olhos azuis, vestindo casaco preto, segurando uma caneta e um bloco de notas." width="1024" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-Inventando-Anna.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-Inventando-Anna-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-Inventando-Anna-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27910" class="wp-caption-text">Vivian juntou as peças do longo e confuso quebra-cabeça que era a história de Delvey e construiu seu artigo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mostrar a condenação de Anna Delvey, que, na verdade, se chamava Anna Sorokin, a minissérie encerra seus arcos mostrando a ascensão de Vivian com a publicação de seu artigo e a amizade que a jornalista criou com a golpista. Os desfechos são satisfatórios e mostram que a produção teve início, meio e fim bem construídos. E, embora tenha narrado os acontecimentos de uma forma confusa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Inventing Anna</span></i><span style="font-weight: 400;"> não falha em concluir todas as narrativas que foram trazidas nos capítulos iniciais. Mas isso não significa que as produções chegaram ao fim, </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Series/noticia/2022/02/inventing-anna-saiba-quem-e-personagem-que-ganhara-serie-na-hbo.html"><span style="font-weight: 400;">pelo</span> <span style="font-weight: 400;">menos no que depender da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i></a>.<span style="font-weight: 400;"> Isso porque, segundo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, o canal pretende criar uma série, dessa vez com os pontos de vista da verdadeira Rachel Williams que inspirou a personagem na produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é muito bem construído. Todos os personagens possuem camadas profundas que são apresentadas a cada novo arco criado e isso graças a equipe de roteiristas formada por Shonda Rhimes, Carolyn Ingber, Nicholas Nardini, Abby Ajayi, Jess Brownell, Matt Byrne e Juan Carlos Fernandez. Igualmente, a equipe de direção composta por David Frankel, Ellen Kuras, Nzingha Stewart, Tom Verica e Daisy von Scherler Mayer merece reconhecimento, tendo em vista que a mediação entre o elenco e os roteiristas foi essencial para que os episódios mantivessem sua essência misteriosa e cativante.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Inventando Anna</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consagra como um dos maiores acertos de Shonda Rhimes. Os estereótipos aplicados aos jornalistas não são nenhuma novidade no ramo cinematográfico, mas merecem atenção para que sejam alterados em futuras produções e, dessa forma, deixem de incentivar a visão infundada que grande parte da população tem sobre a ética dos jornalistas. Contudo, ainda assim, a produção consegue elevar a importância desses profissionais para a sociedade quando mostra Vivian desvendando todo o caso ao apurar, minuciosamente, todas as informações colhidas. Tratando sobre temas importantes, a minissérie biográfica cumpre o que promete a cada início de um novo episódio</span><span style="font-weight: 400;">: </span><span style="font-weight: 400;">a narração de uma história totalmente verídica &#8211; </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/inventando-anna-fato-vs-ficcao/#12"><span style="font-weight: 400;">com exceção das partes que foram inventadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Inventando Anna | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5Y_t1jJEMV0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Senti na pele aquele brilho tocar e pelo Cavaleiro da Lua fui me apaixonar</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2022 15:56:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Ainda que as expectativas fossem altas, Cavaleiro da Lua não parecia ser algo próspero no primeiro momento. Comparado a outras obras do catálogo, a mais recente série do Disney+ seria mais uma com pouco potencial atrativo ao olhar &#8211; especialmente por ser a primeira produção da Marvel depois do épico Homem-Aranha: &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cavaleiro-da-lua-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Senti na pele aquele brilho tocar e pelo Cavaleiro da Lua fui me apaixonar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27760" aria-describedby="caption-attachment-27760" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua-800x360.jpg" alt="Imagem retangular do personagem Cavaleiro da Lua. Ele veste um traje cinza com gorro e capa, que imita mumificação. O rosto está coberto e os olhos são brancos. No peito, está um círculo dourado com escrita hieroglífica. Nos pulsos, há duas pulseiras grandes e douradas. Ele segura dois discos de metal no formato de luas crescentes. " width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua-1024x460.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua-1200x540.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-1-Cavaleiro-da-Lua.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27760" class="wp-caption-text">Cavaleiro da Lua estreou com a <a href="https://portalpopline.com.br/cavaleiro-da-lua-supera-wandavision-series-marvel/">segunda maior audiência</a> do Disney+, perdendo apenas para Loki (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Paes de Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que as expectativas fossem </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/cavaleiro-da-lua-explodira-mente-do-publico-afirma-oscar-isaac/"><span style="font-weight: 400;">altas</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> não parecia ser algo próspero no primeiro momento. Comparado a </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras obras do catálogo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente série do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+ </span></i><span style="font-weight: 400;">seria </span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais uma</span></a><span style="font-weight: 400;"> com pouco potencial atrativo ao olhar &#8211; especialmente por ser a primeira produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">depois do épico </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, figurinos belíssimos, atuações incríveis e cenários mágicos propiciaram que o roteiro de Jeremy Slater se tornasse uma das obras mais fascinantes do estúdio.</span></p>
<p><span id="more-27759"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada no final de março, </span><i><span style="font-weight: 400;">Moon Knight </span></i><span style="font-weight: 400;">foge do padrão de outras produções de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XDzVE6GLeEc"><span style="font-weight: 400;">Kevin Feige</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em momento algum, o </span><a href="http://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">blip</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é mencionado, deixando de lado todo o enredo da cansativa linha temporal dos heróis mais poderosos do mundo. Aliás, estar longe deste universo possibilitou maior liberdade criativa à série, já que, depois da </span><a href="https://personaunesp.com.br/thor-marvel-critica/"><span style="font-weight: 400;">mitologia nórdica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><span style="font-weight: 400;">greco-romana</span></a><span style="font-weight: 400;">, chegou a vez do </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> explorar as divindades egípcias. A direção de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-162813/"><span style="font-weight: 400;">Mohamed Diab</span></a><span style="font-weight: 400;">, nascido em Ismaília, no Egito, foi fundamental para que o resultado não caísse nos </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,diretor-da-marvel-denuncia-xenofobia-no-cinema-isso-nos-desumaniza,70004021077"><span style="font-weight: 400;">estereótipos da sua cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">, caracterizando cenários e costumes autênticos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando os quadrinhos de mesmo nome, </span><i><span style="font-weight: 400;">Moon Knight</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos apresenta, a princípio, o protagonista Steven Grant. Diferentemente das </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/steven-grant-cavaleiro-da-lua-hqs.html"><span style="font-weight: 400;">HQs</span></a><span style="font-weight: 400;">, Steven é um funcionário do museu de Londres, trabalhando veementemente para se destacar na seção egípcia. Atrapalhado e inseguro, ele não possui a pose de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><span style="font-weight: 400;">herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> como conhecemos. Nos primeiros episódios, tudo se mostra confuso e tedioso, bem como o comportamento de seu ilustre personagem. Com o desenrolar da narrativa, seu amadurecimento é impressionante, tornando-se uma personalidade cada vez mais admirável e querida.</span></p>
<figure id="attachment_27761" aria-describedby="caption-attachment-27761" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27761" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-2-Cavaleiro-da-Lua-800x359.jpg" alt="Foto promocional da série Cavaleiro da Lua. Ao centro, está o Senhor da Lua. Com o rosto coberto por um pano branco e uma lua bordada na testa, ele veste um terno branco com gravata também branca. Ao lado esquerdo e mais atrás, está a silhueta esmaecida do Cavaleiro da Lua. Ao lado direito e mais atrás, está a silhueta do ator Oscar Isaac, vestindo um moletom branco. " width="800" height="359" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-2-Cavaleiro-da-Lua-800x359.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-2-Cavaleiro-da-Lua-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-2-Cavaleiro-da-Lua.jpg 826w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27761" class="wp-caption-text">Os trajes do Cavaleiro da Lua e do Senhor da Lua foram homenageados no jogo <a href="https://legadodamarvel.com.br/cavaleiro-da-lua-chega-ao-fortnite-saiba-como-desbloquear/">Fortnite</a> (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É óbvio que nada disso poderia acontecer sem a atuação exemplar de Oscar Isaac (</span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men: Apocalipse </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: O Despertar da Força</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">. O guatemalteco encarna com muito fôlego seu papel, o qual possui transtorno dissociativo de personalidade. Assim, somos muito bem servidos com um Steven Grant e um Marc Spector impecáveis. Marc é o oposto de Steven: sendo um ex-mercenário, ele é meticuloso, calculista e extremamente frio. Gestos, expressões e até mesmo os sotaques entre os avatares do </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/khonshu-cavaleiro-da-lua-tudo-sobre.html"><span style="font-weight: 400;">deus Khonshu</span></a><span style="font-weight: 400;"> transitam nas cenas com muita naturalidade, como se realmente estivéssemos cara a cara com dois atores de performances diferentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de Ethan Hawke também não é desmerecida. O ator, que debutou sua entrada no </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> interpretando Arthur Harrow, já foi indicado quatro vezes ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo duas vezes como roteirista na categoria de Melhor Roteiro Adaptado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Antes do Pôr-do-Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Antes da Meia-Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;">, Hawke constrói um personagem de muitas camadas, líder de um culto fervorosamente devoto à </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/cavaleiro-da-lua-ammit.html"><span style="font-weight: 400;">deusa Ammit</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por não haver um vilão específico nos quadrinhos, incorporou-se aspectos de outros antagonistas que também possuíam aspirações morais realistas, como foi o caso de </span><a href="http://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Killmonger</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o próprio </span><a href="http://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Thanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo assim, ele consegue cativar o público do início ao fim, passando cada nuance com maestria.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não dá para deixar de mencionar a magnífica evolução de Layla El-Faouly, interpretada por </span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a39756507/may-calamawy-moon-knight-interview/"><span style="font-weight: 400;">May Calamawy</span></a><span style="font-weight: 400;">. A atriz, de ascendência egípcia e palestina, concebe uma figura fascinante, largando seu </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> simplista de esposa do Marc para a </span><a href="https://poltronanerd.com.br/series/cavaleiro-lua-apresenta-heroina-134052"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína de origem árabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> do universo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fora de seu belíssimo traje, Layla é destemida e inteligente, não deixando de transparecer suas emoções e de medir esforços para lutar por seus objetivos &#8211; originando o pacote completo para um avatar de um deus.</span></p>
<figure id="attachment_27762" aria-describedby="caption-attachment-27762" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27762" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-3-Cavaleiro-da-Lua.gif" alt="Gif de uma cena de Cavaleiro da Lua. Ao centro, está a atriz May Calamawy, de cabelos castanhos cacheados e longos. Seu traje é branco com detalhes em dourado metálico. Ela está parada com as mãos ao lado do corpo e abre as asas do seu traje, de penas douradas metálicas. " width="800" height="369" /><figcaption id="caption-attachment-27762" class="wp-caption-text">Com todo respeito à Luísa Sonza, mas as definições de MULHER DO ANO XD foram atualizadas para Layla El-Faouly (GIF: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande pecado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ter sido ofuscada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1c_W_4cNLn0"><span style="font-weight: 400;">outras novidades da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é tentar incorporar uma história de longas horas, em poucos minutos. Quando o ápice acontece, no quinto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Manicômio,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o enredo se encerra com lutas rápidas e insatisfatórias, que poderiam facilmente ser melhor equilibradas com uma extensão de capítulos. Além disso, não foi uma boa ideia soltar o final do seriado no mesmo dia do tão esperado lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X23XCFgdh2M"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, encobrindo o desempenho da produção com o público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, o </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua </span></i><span style="font-weight: 400;">também é um grande elefante (ou hipopótamo) na sala. Enquanto temos uma elegante performance do cineasta egípcio Karim El Hakim como Khonshu (acompanhado da brilhante dublagem de </span><a href="https://www.imdb.com/video/vi1300939545/?ref_=ext_shr_lnk"><span style="font-weight: 400;">F. Murray Abraham</span></a><span style="font-weight: 400;">), a definição de Ammit acaba se tornando cômica. Ainda que a cena de seu despertar seja atraente, não faltou comparações com </span><a href="https://twitter.com/citeserieefilme/status/1521845468749344768?s=20&amp;t=WJGyoq7kYIlujZnOMGPKqA"><span style="font-weight: 400;">nossa Cuca</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes sociais. Esse assunto ficou ainda mais evidente depois do lançamento do</span><i><span style="font-weight: 400;"> trailer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yRnApYO_hBI"><i><span style="font-weight: 400;">She-Hulk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> sofreu diversas </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/she-hulk-por-que-cgi-da-serie-esta-ruim-site-responde/"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> a sua computação gráfica, comparando a super heroína com outra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T_v-0VPVUZ0"><span style="font-weight: 400;">personagem verde icônica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, não há como negar que a fotografia do seriado seja deslumbrante. No terceiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Tipo Amigável,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Khonshu &#8211; considerado o protetor dos viajantes noturnos -, surge com um mapa estelar incrível para guiar seu avatar. O diretor responsável, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BlxXk72rHEM"><span style="font-weight: 400;">Gregory Middleton</span></a><span style="font-weight: 400;">, cria uma paisagem magnífica, incorporando tons de roxo e azul, que possivelmente só seriam vistos em um cenário ideal de observação astronômica. Esse capítulo acaba sendo um dos melhores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas por essa cena que, pessoalmente, é uma das mais lindas que o estúdio já nos apresentou.</span></p>
<figure id="attachment_27763" aria-describedby="caption-attachment-27763" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Foto-4-Cavaleiro-da-Lua.gif" alt="Gif de uma cena noturna de Cavaleiro da Lua. O Senhor da Lua está ao lado direito, com as mãos levantadas para o céu. Seu traje é completamente branco, da cabeça aos pés. No lado esquerdo, está a materialização do deus Khonshu, também com as mãos levantadas para cima. Ele possui a cabeça óssea de um pássaro de bico longo, veste roupas cinzas em tiras e segura um cajado na mão esquerda. Os dois mexem lentamente a mão esquerda para que o céu estrelado gire no sentido anti-horário. " width="800" height="330" /><figcaption id="caption-attachment-27763" class="wp-caption-text">Sandy &amp; Junior já diziam: se a lua toca no mar, ela pode nos tocar (GIF: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com certas ressalvas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cavaleiro da Lua </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma das séries originais do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+ </span></i><span style="font-weight: 400;">mais bem estruturadas e instigantes. Com um enredo primoroso e muito bem alimentado, não há dúvidas que a obra trouxe um toque de elegância no extenso cardápio do universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que não haja indícios &#8211; </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/series/entenda-a-conexao-de-cavaleiro-da-lua-com-filmes-e-series-do-mcu"><span style="font-weight: 400;">até o momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de ligação de Marc Spector e Steven Grant (ou, quem sabe, </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/series/saiba-quem-e-jake-lockley-a-terceira-personalidade-do-cavaleiro-da-lua"><span style="font-weight: 400;">Jake Lockley</span></a><span style="font-weight: 400;">) com o </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">, os poucos episódios valem “</span><a href="https://youtu.be/SBHv4ofaSts"><i><span style="font-weight: 400;">a luz que banha a noite e faz o sol adormecer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.  </span></p>
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		<title>Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Recentemente, um curioso fenômeno tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico hollywoodiano e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente Mare of Easttown; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi Succession; e Nicole Kidman virou figura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dopesick-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26235" aria-describedby="caption-attachment-26235" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem de Keaton, acompanhado de 3 pessoas, está olhando para frente com a cabeça levemente inclinada para cima, provavelmente para um palco. Keaton é um homem de meia idade, branco, olhos azuis e calvo. Ele usa uma camisa listrada que aparece somente a gola, pois também está usando uma jaqueta bege. As outras pessoas, da esquerda para a direita são respectivamente: uma mulher branca, também de meia idade, de cabelos pretos médios e que está ao lado esquerdo de Keaton. Ela usa um vestido azul-marinho com estampa de flores. Um homem branco também de meia idade que está atrás de Keaton e desfocado, tem cabelos brancos e usa uma camisa e um terno preto. E por último, outro homem de meia idade que aparece na extremidade direita e está cortado, aparecendo somente parte esquerda de seu óculos quadrado e a ponta de seu nariz." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26235" class="wp-caption-text">Estrelada e produzida por Michael Keaton, a minissérie conseguiu 3 indicações ao Globo de Ouro, incluindo a vitória em Melhor Ator em Minissérie, 3 indicações ao Critics Choice Awards e a recente conquista de Michael Keaton no SAG Awards por Melhor Ator em Minissérie ou Filme Para TV (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recentemente, um </span><a href="https://gq.globo.com/Blogs/Joao-Daniel/noticia/2015/07/curiosa-migracao-de-atores-e-diretores-do-cinema-para-series-parte-1.html"><span style="font-weight: 400;">curioso fenômeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">; e Nicole Kidman virou </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/dama-das-series-nicole-kidman-esta-em-tres-producoes-no-streaming-50249"><span style="font-weight: 400;">figura recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas séries. Mas qual a razão desse chamariz? Qualidade, sem dúvida, é uma das respostas, o que pode fazer com que categorizemos essa época como uma nova Era de Ouro da TV e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outros fatores podem ser listados, como liberdade criativa, roteiros desafiadores, diversidade de histórias e apostas das plataformas no formato. Todos esses ingredientes estão presentes na bula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie, desenvolvida pelo ator e roteirista Danny Strong (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i><span style="font-weight: 400;">) e com direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscarizado </span></i><span style="font-weight: 400;">Barry Levinson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rain Man</span></i><span style="font-weight: 400;">), é baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick: Dealers, Doctors and the Drug Company That Addicted America</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos contam a história da fraude farmacêutica que resultou em uma </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/conheca-o-analgesico-a-base-de-opio-que-causou-dependencia-em-pacientes-070052706.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAH5Kcq3RDm3B1hY97HSO-3z82bodMboQSRBslSgXNMhvBOBoclZ3_BwMha7HeGQxWfoFB8f7akPs7V71NSJFs8iRG0d2QD-RrVuQ6x1AmvMw_YAEmd-nmHoOyPAz67V8abhSPm-xqecwW6B38W_oUxNACZZuWo6fyTsZ8GmXTDmT"><span style="font-weight: 400;">crise de opióide</span></a><span style="font-weight: 400;">, assolando os EUA do final dos anos 90 e resistindo </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/a-tragica-escalada-dos-opioides-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a adaptação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por explorar ainda mais os meandros das corporações voltadas à saúde e as consequências da corrupção na sociedade. Por conta disso, realidade e ficção se mesclam em uma história desoladora e envolvente.</span></p>
<figure id="attachment_26236" aria-describedby="caption-attachment-26236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26236 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem Richard Stackler, interpretado por Michael Stuhlbarg, aparece centralizado. Ele é um homem branco de meia idade, cabelo preto e olhos azuis. Richard Stackler aparece do peito para cima, veste uma camisa branca com listras cinzas verticais e um sobretudo marrom. Ele está em uma sala, aparentemente na sede de sua empresa. A iluminação da cena faz com que a parte esquerda de seu rosto fique completamente escura, causando contraste com a parte direita." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26236" class="wp-caption-text">Com o streaming do Hulu não operante em território brasileiro, a minissérie chegou aqui pelo catálogo do Star+ (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa não aborda o vício, como popularmente categorizado, mas os vícios. A </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/purdue-pharma-se-declara-culpada-por-crise-dos-opiaceos-nos-eua/"><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é obcecada por poder e dinheiro. Já grande parte de seus vendedores são mentirosos compulsivos, que, na maior parte do tempo, não têm pudor nenhum em mentir. Os agentes, com seus sensos de justiça extremamente aflorados, são aficionados pelo caso. Mas aquele vício no qual você pensou no começo desse parágrafo, o destrutivo, é mais consequência de uma exploração capitalista do que propriamente uma obsessão, e por conta disso, cai nas mãos das bases da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o roteiro passeia pelas vertentes da sociedade, de forma muito engenhosa e sutil. Para isso, ele atribui diferentes características para cada núcleo. A família Sackler, que comanda a </span><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem toques da família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os poucos momentos de tribunal nos lembram a primeira temporada de </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/the-people-v-o-j-simpson-e-o-jogo-de-interesses/"><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do mesmo modo que a investigação remete aos moldes de seriados policiais. Já no desenvolvimento do núcleo afetado pelo opióide, é notória a identificação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem seu drama </span><i><span style="font-weight: 400;">teen. Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, não se trata de um amontoado de cópias de formatos dramáticos. Pelo contrário, esse cenário é a constatação de que a escrita sabe o que funciona ultimamente e sabe como aplicar isso aos seus personagens de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo em foco na minissérie é justamente o mais mundano. Centrada em uma pequena cidade mineradora, a produção aborda a primeira onda de opióides na época, através do olhar do Dr. Samuel Finnix (Michael Keaton) e de sua paciente, a jovem mineradora Betsy Mallum (</span><a href="https://www.instagram.com/kaitlyndever/"><span style="font-weight: 400;">Kaitlyn Dever</span></a><span style="font-weight: 400;">), durante o período de testes da Oxicodona na cidade. Vendido como não viciante, o remédio foi distribuído como uma droga milagrosa no quesito analgésico, tendo aprovação até da </span><i><span style="font-weight: 400;">Food and Drug Administration </span></i><span style="font-weight: 400;">(FDA), autoridade sanitária americana. Logo, descobre-se que, entre os componentes do remédio, estão a desinformação e manipulação de dados. O roteiro, mais uma vez, tem seus méritos ao saber dosar tais assuntos e inseri-los como uma crítica atual e desenhada ao conceito de </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade"><span style="font-weight: 400;">pós-verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26237" aria-describedby="caption-attachment-26237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. A cena é composta de uma mesa de vidro vista de cima para baixo. No canto superior esquerdo dela estão 11 unidades de comprimidos de Oxicodona, nas cores: amarelo, rosa, verde e branco. Mais ao centro, tem uma caixa de remédio tipicamente americana aberta. A caixa é cilíndrica na cor laranja e há um papel indicando a medicação nela. No canto inferior esquerdo, tem um isqueiro na cor roxa. Um pouco centralizado e mais para cima, tem a tampa da caixa de remédio. Ela é branca, circular e está de cabeça para baixo. Abaixo dela, há mais 7 unidades de comprimido nas cores: rosa, amarelo e verde. E bem do lado do último comprimido verde, há uma tampa, provavelmente de algum líquido como água com alguns escritos em verde. Na parte direita, centralizado, há um pó branco espalhado, resultante da quebra de algum desses comprimidos" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26237" class="wp-caption-text">Os opióides são um verdadeiro problema de saúde pública americano e muitos dos casos de overdose são de remédios com a substância em sua composição, como no caso do cantor Prince (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> não choca só por ser real, mas por tal realidade tangenciar além da discussão ético-farmacêutica. As mentes por trás do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabem que o soco no estômago é necessário. Dessa forma, a escrita desenvolveu uma dinâmica que ora se sabe que será acertado, ora é nocauteado de surpresa. Na construção da série, também é muito fácil a identificação e o exercício de empatia (ou antipatia) com as personagens, mesmo o espectador não tendo nada em comum com eles. Isso se dá porque o roteiro reconhece que as pessoas descritas são seres humanos falhos e não têm medo de expô-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal identificação não seria possível somente com um bom trabalho de escrita. É aqui que entra o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">: seu elenco. Seguindo a onda do mercado, a minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma obra fechada, </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-11-15/hulu-series.html"><span style="font-weight: 400;">apostou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grandes nomes. Além de Keaton e Kaitlyn, Peter Sarsgaard (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">), </span></i><span style="font-weight: 400;">Rosario Dawson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Demolidor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Will Poulter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/regresso-bonito-ver-uma-vez/"><i><span style="font-weight: 400;">O Regresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encabeçam a lista estelar. Todos entregam atuações impecáveis e sabem construir suas personas, moldados por uma dor (tanto física quanto psicológica) intermitente pelo longo período de todo o processo. Período esse que a série soube imprimir muito bem, uma vez que é construída através de saltos temporais entre os núcleos, bem executados e nada confusos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quem merece maior destaque são os personagens que conduzem a história. Kaitlyn Dever (</span><a href="https://pipocanamadrugada.com.br/site/inacreditavel-um-pequeno-incomodo-nova-serie-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Inacreditável</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe construir os sofrimentos de Betsy, que tem que lidar com a descoberta da sexualidade em uma cidade conservadora, de forma magistral, fazendo com que o espectador se importe com a figura, principalmente com sua queda no vício. Se essa geração já tem suas atrizes, como Anya Taylor-Joy, Zendaya e </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/julia-garner-ozark-inventando-anna"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dever chama a atenção e pede passagem para uma próxima. Já Keaton, dispensa apresentações e imprime um Dr. Finnix assolado pela dor do luto e que ama a profissão. Assistir a derrocada do personagem pelas mãos do ator é uma experiência avassaladora e sensacional. Outro que merece seus méritos é o Richard Sackler de Michael Stuhlbarg </span><i><span style="font-weight: 400;">(Um Homem Sério</span></i><span style="font-weight: 400;">), que transmite ódio e ambição incrivelmente através do olhar.</span></p>
<figure id="attachment_26238" aria-describedby="caption-attachment-26238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26238" class="wp-caption-text">A atuação do elenco como um todo é o grande ápice da minissérie (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente consciente, traduzindo uma história tão densa, real e ainda inacabada para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. As escolhas criativas se provam muito acertadas para dar o tom de todo o caso. Um exemplo disso é o ato final, que, assim como um documentário, utiliza em sua montagem imagens reais do </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2021-09-01/justica-dos-eua-encerra-litigio-contra-purdue-pharma-pela-crise-de-opioides.html"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, para puxar o telespectador para realidade e dar ainda mais ênfase a toda a trajetória da série. De fato, alguns aspectos passaram despercebidos pelo crivo da escrita. Um ponto crucial que a obra não aborda é do processo só ter ido para frente quando a droga chegou nas elites. Mesmo assim, a</span> <span style="font-weight: 400;">produção</span> <span style="font-weight: 400;">é um ótimo estudo de caso de uma adaptação convincente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie soube moldar sua tensão e seu drama através de duas doenças crônicas da sociedade: o vício e a </span><a href="https://www.wort.lu/pt/sociedade/fake-news-desinformac-o-e-a-doenca-do-seculo-5ec38692da2cc1784e35e135"><span style="font-weight: 400;">desinformação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os paralelos feitos entre o final dos anos 90 e hoje elucidam a persistência desses problemas e catapultam a indignação causada na audiência ao mostrar que, assim como no caso, a sociedade pouco andou para a resolução dos obstáculos, tendo até dado passos para trás. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é necessária e cirúrgica em suas críticas, e as traz ao telespectador de forma muito bem executada, seja em doses homeopáticas ou cavalares.</span></p>
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		<title>Beba o sangue e obtenha vida eterna em Missa da Meia-Noite</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 14:39:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” &#8211; Gênesis 3:19. Muitas coisas são capazes de nos cegar. Amor. Raiva. Medo. Fé. Há tempos a busca por verdades absolutas, que acalentam as vidas humanas, desencadeiam na criação de mitos e religiões. Mas e quando eles ultrapassam seus objetivos fundamentais e obstruem nossas noções &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/missa-da-meia-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beba o sangue e obtenha vida eterna em Missa da Meia-Noite"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25550" aria-describedby="caption-attachment-25550" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25550" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1.jpg" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra o interior da igreja da série. Em primeiro plano, está o padre Paul, de costas para a câmera, discursando para o público, em segundo plano. Seus braços estão abertos e ele usa uma batina vermelha. Seus cabelos são escuros e ondulados. A igreja é pequena. Duas fileiras de longos bancos de madeira estão postadas, uma de cada lado de uma passagem, que leva até a porta. Todos os espaços nos bancos estão preenchidos e todos observam atentamente o padre. Alguns rostos estão sérios, outros, como o de Bev Keane, sorriem. Bev é interpretada por Samantha Sloyan. Samantha é uma mulher branca, na casa dos 40 anos. Ela tem cabelos ruivo-escuros, que estão presos em um coque atrás da cabeça. Seu rosto é redondo e seu nariz é fino." width="1920" height="1086" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1-1024x579.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1-1536x869.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-1-1200x679.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25550" class="wp-caption-text">“Missa da Meia-Noite é um mistério sobrenatural. É um drama pessoal. É uma experiência notória de horror” <a href="https://youtu.be/gknt09SYXm0">disse o criador Mike Flanagan</a>, em entrevista para a Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span><a href="https://www.bibliaon.com/versiculo/genesis_3_19/"><span style="font-weight: 400;">Gênesis 3:19</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muitas coisas são capazes de nos cegar. Amor. Raiva. Medo. Fé. Há tempos a busca por verdades absolutas, que acalentam as vidas humanas, desencadeiam na criação de mitos e religiões. Mas e quando eles ultrapassam seus objetivos fundamentais e obstruem nossas noções de bem e mal? E quando afetam nossos valores, princípios… Nossa humanidade? Esses são alguns dos questionamentos abordados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, série de horror original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançada em 24 de setembro de 2021.</span></p>
<p><span id="more-25549"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita e dirigida por </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/mike-flanagan-edgar-allan-poe"><span style="font-weight: 400;">Mike Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie de 7 episódios se consagra como o mais novo xodó dele – e de seus fãs. Conhecido por adaptar, de forma habilidosa e criativa, histórias já existentes do horror clássico como em </span><a href="http://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Residência Hill</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mansao-bly-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Mansão Bly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">dessa vez, Flanagan apresenta uma narrativa completamente original. Ele se inspira principalmente em </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/225631-missa-da-meia-noite-serie-netflix-baseada-caso-real-descubra.htm"><span style="font-weight: 400;">dúvidas e medos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tinha quando jovem. Muitos envolvendo a fé. Essa ideia, junto de seu olhar inventivo para o Terror psicológico, resulta na ousada </span><i><span style="font-weight: 400;">Midnight Mass</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_25551" aria-describedby="caption-attachment-25551" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25551" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2.png" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra os personagens Erin e Riley caminhando lado a lado pela rua. Eles aparecem do joelho para cima. Erin está à esquerda na imagem e Riley, à direita. Erin é interpretada por Kate Siegel. Kate é uma mulher branca, na casa dos 40 anos. Seus cabelos são castanhos, ondulados e vão até abaixo dos ombros. Ela tem um rosto quadrado e olhos azuis. Ela usa um vestido florido e um casaco cinza de botões, por cima. Está de braços cruzados e olha para frente. Riley é interpretado por Zach Gilford. Zach é um homem branco, magro e alto. Ele tem um rosto fino, cabeça raspada e barba rala. Usa uma calça jeans e uma jaqueta preta por cima de uma camisa azul xadrez. Ele está com as mãos nos bolsos e seu olhar está voltado para Erin. No fundo, estão algumas casas simples de madeira dos dois lados da rua, e é possível ver alguns moradores mais distantes, desfocados, caminhando. O dia está nublado e a imagem tem um tom acinzentado." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2-1536x1023.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25551" class="wp-caption-text">“O bom filho à casa torna”; Riley é o filho pródigo da família Flynn, uma das muitas <a href="https://www.dicionariopopular.com/o-bom-filho-a-casa-torna/">referências bíblicas</a> abordadas na série (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário de nossa história, quase em sua totalidade, é a </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/225821-missa-meia-noite-ilha-crockett-realmente-existe.htm"><span style="font-weight: 400;">Ilha Crockett</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isolada do resto do mundo, ela está coberta por uma nuvem de frustrações, traumas e medos. Em situações maquiadas, principalmente, com tradições religiosas, responsáveis por influenciarem fortemente os costumes e valores da ilha. Cinzenta, misteriosa e solitária, formada por seus 127 habitantes, ela é o </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/listas/galerias/pacatas-mas-nem-tanto-relembre-as-cidades-mais-aterrorizantes-dos-filmes"><span style="font-weight: 400;">cenário perfeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma história de horror. Daquelas na qual o mal ronda o ambiente e se alimenta de seus moradores, se materializando das mais diversas formas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre esses habitantes, estão os personagens que compõem os diferentes núcleos pelos quais o roteiro transita. Riley Flynn (</span><a href="https://www.gq.com/story/zach-gilford-netflix-midnight-mass-interview"><span style="font-weight: 400;">Zach Gilford</span></a><span style="font-weight: 400;">), e sua família protagonizam a história em um primeiro momento. A trama tem início com seu retorno à ilha onde cresceu, após cumprir sua pena na prisão por causar um acidente com drásticas – e traumáticas – consequências. Simultaneamente, outra figura misteriosa é convidada a visitar a área e ela leva consigo dádivas e condenações.</span></p>
<figure id="attachment_25552" aria-describedby="caption-attachment-25552" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25552 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3.png" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra o personagem Hassan sentado na mesa de seu escritório, na delegacia de polícia. Hassan é interpretado por Rahul Kohli. Rahul é inglês e tem descendência indiana. Ele tem cabelos curtos, lisos e escuros e usa barba. Usa uma camisa de botões azul, de policial. Ele está com os cotovelos apoiados na mesa a sua frente e gesticula com os braços, olhando para frente. A mesa está repleta de papéis, pastas e envelopes. Atrás dele, na parede do escritório, há alguns papéis pendurados e dois móveis de madeiras nos quais estão apoiados mais papelada." width="1600" height="901" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-3-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25552" class="wp-caption-text">O xerife <a href="https://pt.gameme.eu/o-personagem-missa-da-meia-noite-de-rahul-kohli-e-uma-homenagem-ao-ultimo-de-nos/">Hassan</a>, além de se encarregar de investigar os eventos curiosos em Crockett, ainda precisa lidar com a forte intolerância religiosa da região e suas implicações para sua família (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Riley, a história nos apresenta a </span><a href="https://www.google.com/search?client=opera-gx&amp;q=Kate+Siegel&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLVT9c3NMyqMDNIyzA3UuIGcY0MKkyzTJK0OEPCQvIdk0vyixaxcnsnlqQqBGempqfm7GBlBADUCOGFOgAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwj9-o3BuqD1AhXFEbkGHfgjDQcQxA16BAgeEAU"><span style="font-weight: 400;">Erin Greene</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/kate-siegel-hypnotic/"><span style="font-weight: 400;">Kate Siegel</span></a><span style="font-weight: 400;">), ao padre Paul (</span><a href="https://www.nerdsite.com.br/hamish-linklater-e-confirmado-no-elenco-de-dead-for-a-dollar-filme-dirigido-por-walter-hill/"><span style="font-weight: 400;">Hamish Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;">), Bev Keane (Samantha Sloyan) e outros personagens interpretados por um elenco sempre presente nas criações do diretor. Tratam-se de</span><span style="font-weight: 400;"> figuras </span><span style="font-weight: 400;">complexas e interessantes, responsáveis por conduzirem os demais arcos da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses arcos são construídos com os crescentes mistérios que rondam o local e seus moradores. Como o ataque brutal, e repentino, a animais e uma sucessão de milagres, que despertam a pequena população de sua habitual monotonia e desencadeiam uma investigação, liderada pelo Xerife Hassan Shabazz (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/rahul-kholi-missa-meia-noite-marvel.html"><span style="font-weight: 400;">Rahul Kohli</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Erin é responsável por abordar diversos questionamentos filosóficos e conduzir grande parte da </span><a href="https://deliriumnerd.com/2021/10/11/missa-da-meia-noite-erin-greene-mike-flanagan-serie/"><span style="font-weight: 400;">carga dramática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra, com uma impecável atuação da </span><a href="https://cinepop.com.br/a-queda-da-casa-de-usher-kate-siegel-se-junta-ao-elenco-da-nova-serie-de-terror-do-mike-flanagan-324388/"><span style="font-weight: 400;">musa – e esposa – de Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Paul Hill, o misterioso e carismático padre recém-chegado, apresenta-se como um dos </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/09/missa-da-meia-noite-ator-revela-as-reais-motivacoes-de-padre"><span style="font-weight: 400;">maiores enigmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história e é capaz de envolver e abismar o telespectador com sua intensa convicção e dualidade. Quanto ao papel de Samantha, cabe dizer que ela o entrega com tanta perfeição, que odiamos</span><a href="https://epipoca.com.br/missa-da-meia-noite-estrela-fala-sobre-bev-e-revela-suas-motivacoes/"><span style="font-weight: 400;"> Bev Keane</span></a><span style="font-weight: 400;"> com todas as forças, enquanto admiramos Sloyan por esse feitio. </span></p>
<figure id="attachment_25553" aria-describedby="caption-attachment-25553" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-4.png" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra o busto da personagem Bev, focalizado no centro da foto. Bev é interpretada por Samantha Sloyan. Samantha é uma mulher branca, na casa dos 40 anos. Ela tem cabelos ruivo-escuros, que estão presos em um coque atrás da cabeça. Seu rosto é redondo e seu nariz é fino. Ela olha para a esquerda com uma expressão de surpresa. Ela usa uma túnica branca e tem uma grande mancha escura de sangue no peito. A imagem é bastante escura, com pouca saturação das cores. O fundo atrás de Bev está desfocado, mas é possível ver uma porta entreaberta às suas costas." width="1140" height="553" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-4.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-4-800x388.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-4-1024x497.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-4-768x373.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25553" class="wp-caption-text">Bev representa o que há de pior no ser humano, quando paixão cede espaço ao fanatismo: intolerância, egoísmo, opressão e violência (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longos e marcantes diálogos – ou monólogos – perduram por toda a série, assim como os espetáculos de atuação. As razões da existência humana, vida após a morte, fé, fanatismo, preconceitos e dogmas religiosos são assuntos </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/sucesso-missa-da-meia-noite-usa-horror-para-refletir-sobre-fe-e-religiao/"><span style="font-weight: 400;">delicadamente abordados</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Flanagan. Ele trabalha diferentes perspectivas, de forma emocionante e reverente. Como durante uma intensa conversa entre Erin e Riley, na qual surgem duas diferentes respostas à pergunta</span><i><span style="font-weight: 400;"> “para onde vamos quando morremos?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ambas são capazes de emocionar e sensibilizar tanto a seus falantes, quanto a nós, meros observadores, que ali nos vemos representados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reflexões desse tipo, e o foco nos dramas pessoais vividos em Crockett, podem até passar uma sensação de vagarosidade para quem busca características comuns de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">Terror sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais instantâneo e óbvio. A série, de fato, leva um tempo para mergulhar nesses aspectos. Mas mesmo que diminua seu ritmo em alguns momentos, com a finalidade de transmitir suas </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/225604-missa-meia-noite-serie-traz-questoes-fe-fanatismo-diz-atriz.htm"><span style="font-weight: 400;">mensagens</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela sabe dosar o tempo que gasta com essa ação. E logo, retoma o andamento do suspense e mistério, jamais os abandonando.</span></p>
<figure id="attachment_25554" aria-describedby="caption-attachment-25554" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-5.gif" alt="Gif da série Missa da Meia-Noite. O gif retrata o busto do padre Paul Hill, parado na entrada na igreja, voltado para seu interior. Ele está bem no centro da imagem. Paul é interpretado por Hamish Linklater. Hamish é um homem branco, na casa dos 40 anos. Ele tem cabelos castanhos e ondulados, um rosto oval e sobrancelhas grossas. Ele usa uma camisa social preta com uma pala branca. Há uma mancha de sangue acima de sua sobrancelha esquerda e sua expressão é preocupada. Na imagem, há uma legenda para o que ele está dizendo. Ela exibe “God, am I proud of you” (Deus, como estou orgulhoso de você). As paredes da igreja visíveis estão manchadas de sangue, iluminadas por luz de velas. Atrás de Paul é possível ver o exterior. É noite e há muita neblina. " width="800" height="504" /><figcaption id="caption-attachment-25554" class="wp-caption-text">O Padre Paul impressiona e assombra com sua personalidade e motivações intrigantes, sendo um dos maiores destaques e acertos da série (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dúvidas, medos e problemáticas são trabalhados com uma sensibilidade e cuidado previamente evidenciados em outras produções do diretor. Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia-Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">difere das demais com sua originalidade, mesmo que Mike seja sempre influenciado pelas narrativas do </span><a href="https://epipoca.com.br/missa-da-meia-noite-descubra-todas-as-referencias-de-stephen-king-na-serie/"><i><span style="font-weight: 400;">Rei do Terror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Stephen King. É no autor e em sua obra </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/161226-salem-s-lot-livro-vampirico-de-stephen-king-sera-adaptado-por-james-wan.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Salem’s Lot</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que a série se inspira, principalmente com a escolha de sua temática sobrenatural – ou seria </span><i><span style="font-weight: 400;">celestial</span></i><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro progride satisfatoriamente em </span><a href="https://cultura.minha.com.br/2022/01/sete-otimos-filmes-de-terror-psicologico-para-ver-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelações, bizarrices e também no sobrenatural, conforme avançam os episódios. A narrativa é inteligente, curiosa e alimenta o espectador com pistas da criatura responsável pelos eventos que assombram a ilha. Ainda que atue inicialmente com a </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/artigos/2015/08/horror-sugestivo-o-medo-quase-invisivel/"><span style="font-weight: 400;">sugestividade</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando a trama finalmente revela seu </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/10/31/7-filmes-sobrenaturais-para-assistir-no-halloween/"><span style="font-weight: 400;">outro lado</span></a><span style="font-weight: 400;">, contrapondo-se a dramas dos personagens e críticas sociais, o resultado é </span><i><span style="font-weight: 400;">de matar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><figure id="attachment_25555" aria-describedby="caption-attachment-25555" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6.jpg" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra 5 personagens no meio da rua, no escuro. Os 5 olham para cima, surpresos. Está de noite e há pouca iluminação nos postes de luz. A câmera observa os personagens em um plano aberto, de forma que é possível vê-los dos joelhos para cima. Os personagens na imagem são, da esquerda para a direita: Sarah, Warren Flynn, Leeza, Erin e por fim, Hassen. Sarah é uma mulher branca, na casa dos 50 anos. Ela tem cabelos castanhos e curtos e usa uma jaqueta jeans. Warren é um garoto jovem, branco, de cabelos loiros e cacheados. Leeza é uma menina jovem, negra, de cabelos escuros longos, presos em um rabo de cavalo. Erin é uma mulher branca, na casa dos 40 anos. Seus cabelos são escuros e ondulados. Ela usa um vestido e, por cima dele, um casaco cinza de botões. Por fim, Hassan é um homem alto, na casa dos 40 anos e tem ascendência indiana. Ele tem cabelos curtos, lisos e escuros e usa barba. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25555" class="wp-caption-text">Annabeth Gish, <a href="https://cosmonerd.com.br/filmes/noticias/henry-thomas-entra-para-o-elenco-do-novo-filme-de-cemiterio-maldito/">Henry Thomas</a> e <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2019/11/doutor-sono-todos-os-personagens-de-o-iluminado-que-retornam-na-sequencia-veja">Alex Essoe</a> (assim como <a href="https://www.omelete.com.br/netflix/flanagan-mark-hamill">Carla Gugino</a>, com uma breve participação) completam o elenco já conhecido de outras obras do cineasta [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Com tais revelações, a série adquire outro nível de tensão. Agora, além de lidar com seus traumas e problemas, os moradores da ilha são obrigados a enfrentar o Mal em carne e osso (e sangue). Produzida em um ano bastante próximo da comemoração dos </span><a href="https://formigaeletrica.com.br/livros/o-vampiro-polidori/"><span style="font-weight: 400;">dois séculos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da primeira história de vampiros, ela </span><a href="http://www.conchegodasletras.com.br/2016/12/momento-cultura-vampiros-no-cinema.html"><span style="font-weight: 400;">reinventa o gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> com maestria, ainda que não seja, em sua essência, </span><i><span style="font-weight: 400;">sobre </span></i><span style="font-weight: 400;">vampiros.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vampiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, na verdade, é uma palavra que </span><a href="https://dragon-realms.com/why-midnight-mass-never-uses-the-word-vampire/"><span style="font-weight: 400;">sequer é mencionada durante a série</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo que os hábitos e características da criatura – e de suas vítimas – explicitem sua identidade. O </span><i><span style="font-weight: 400;">anjo </span></i><span style="font-weight: 400;">é cruel, está faminto, e tem esperteza o suficiente para infiltrar-se em uma população previamente corrompida, vulnerável a tornar-se sua presa. Ele, de fato, é uma manifestação do mal, mas os maiores monstros de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Midnight Mass </span></i><span style="font-weight: 400;">são, sem sombra de dúvidas, humanos.</span></p>
<figure id="attachment_25556" aria-describedby="caption-attachment-25556" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7.png" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra, em close, o Monsenhor Pruitt no escuro, frente a frente com um vampiro. Ambos estão de perfil. Monsenhor Pruitt está à direita da imagem e o vampiro à esquerda. O primeiro é um senhor idoso, branco com barba espessa e cabelos brancos. Ele segura um isqueiro bem no centro da imagem, que é a única fonte de luz no meio da escuridão. O vampiro é uma criatura com físico humano, uma pele repuxada e aparência velha. Ele é careca, tem um nariz enrugado e está gritando para o homem a sua frente. É possível ver um pedaço de suas asas de morcego atrás de si. " width="1600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-7-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25556" class="wp-caption-text">O anjo compartilha traços com o demônio vampírico Alukah, mencionado na Bíblia em Provérbios, mesmo nome do episódio em que ele se revela pela primeira vez (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, em sua essência, a história da morte de uma comunidade. E é tudo contado sobre um pano de fundo do que parece, na superfície, como uma história tradicional de vampiros. Mas, no fim, é sobre o que ocorre quando boas pessoas, afastadas do restante do mundo, precisam lidar com suas crenças sendo corrompidas. São as decisões humanas que definem o destino de Crockett”.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/GexsWAcrmSg"><i><span style="font-weight: 400;">(Mike Flanagan para a </span></i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i></a></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Como uma criança que estava mergulhando na literatura clássica de Terror, os paralelos entre beber o sangue de Cristo – na comunhão – e o que eu estava lendo em </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">Drácula</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, de Bram Stoker, foram inevitáveis&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/GexsWAcrmSg"><span style="font-weight: 400;">diz Mike Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Chamada por padre Paul de </span><i><span style="font-weight: 400;">anjo </span></i><span style="font-weight: 400;">(e nunca realmente vimos um anjo para contrariá-lo), a estética da criatura é monstruosa e demoníaca, mesmo que ela apresente alguns traços físicos humanos. Criado a partir de uma </span><a href="https://youtu.be/GexsWAcrmSg"><span style="font-weight: 400;">mistura de próteses corporais, maquiagem e efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o resultado é assustador e convincente.</span></p>
<figure id="attachment_25557" aria-describedby="caption-attachment-25557" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-8.gif" alt="Gif da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e mostra em um primeiro plano um público de uma igreja de costas. Só é possível observar suas cabeças. Atrás, em segundo plano estão o padre Paul no chão e, acima dele, no altar da igreja, um vampiro com suas asas e braços abertos. Paul é interpretado por Hamish Linklater. Hamish é um homem branco, na casa dos 40 anos. Ele tem cabelos castanhos e ondulados, um rosto oval e sobrancelhas grossas. Usa uma batina dourada. Ao longo do gif, padre Paul está conversando com o público e caminhando. O vampiro é uma criatura alta, com físico humano. Ele tem a pele repuxada, é careca e tem duas enormes asas de morcego, num tom bege acinzentado. Ele usa uma batina branca. Ao fundo, a igreja está iluminada por candelabros com velas. " width="800" height="519" /><figcaption id="caption-attachment-25557" class="wp-caption-text">Além das referências para a criação do anjo, e referências bíblicas, <a href="https://geeksinaction.com.br/index.php/2021/10/25/midnight-mass-todas-as-referencias-da-cultura-pop-na-serie/">muitas outras</a> foram meticulosamente aplicadas nos episódios (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando em recursos técnicos que, assim como os efeitos visuais, também fornecem um caráter belo e detalhista ao projeto, é impossível não destacar a excelente fotografia de </span><a href="https://deadline.com/2019/06/the-haunting-of-hill-house-dp-michael-fimognari-doctor-sleep-emmys-interview-1202630478/"><span style="font-weight: 400;">Michael Fimognari</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele se utiliza de câmeras que insistem demoradamente em quadros fechados, próximos aos rostos dos personagens em situações expressivas. Ou uma perspectiva inquieta de cima, em planos mais </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/niveis-da-linguagem-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">abertos e subjetivos</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicando o movimento e a observação do </span><i><span style="font-weight: 400;">anjo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rotineira parceria entre Flanagan e Michael é sempre enriquecedora, com técnicas de filmagem instigantes que auxiliam na construção do suspense. Técnicas essas, como a utilização de </span><a href="https://trilhadomedo.com/2019/02/bastidores-da-a-maldicao-da-residencia-hill-mostra-plano-sequencia-de-17-minutos/"><span style="font-weight: 400;">longos planos-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contribuem para a imersão e realismo. Os </span><a href="https://blogentrecinefilos.wordpress.com/2017/03/06/a-influencia-das-cores-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">tons apagados e frios</span></a><span style="font-weight: 400;"> na fotografia perduram na maior parte do tempo, quando são apresentados cenários da ilha. As exceções se dão, principalmente, quando o Terror físico ganha espaço e existe fogo nas cenas. </span></p>
<figure id="attachment_25558" aria-describedby="caption-attachment-25558" style="width: 1143px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-9.png" alt="Fotografia da série Missa da Meia-Noite. A imagem é retangular e tirada de dentro de uma igreja, focando nas suas portas de entrada abertas, que revelam o exterior. Está de noite, o céu é azulado e é possível enxergar vários troncos de árvores. As portas são altas e estão bem no meio da imagem. À esquerda e à direita da perspectiva da câmera estão duas fileiras de bancos de madeira da igreja. Alguns castiçais e lustres com velas iluminam o ambiente. Existem muitas manchas de sangue nas paredes." width="1143" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-9.png 1143w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-9-800x393.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-9-1024x503.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Imagem-9-768x378.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25558" class="wp-caption-text">A <a href="https://open.spotify.com/album/1puNvUGLRgSjRO4OClq66I?si=caWm_TUgTde5l9mW3CXz2Q">trilha sonora</a> certeira, que contribui para a <a href="https://www.queridoclassico.com/2021/10/lista-trilhas-sonoras-filmes-de-terror.html">construção de uma atmosfera assustadora</a>, é de autoria dos The Newton Brothers, responsáveis pela trilha de <a href="https://personaunesp.com.br/doutor-sono-critica/">Doutor Sono</a> e das demais séries de Flanagan (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concretizando uma ideia que </span><a href="https://trilhadomedo.com/2020/02/nova-serie-de-terror-ja-tem-easter-eggs-em-filmes-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">já estava em sua cabeça há anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, Flanagan teve o tempo necessário para entregar um trabalho meticuloso, caprichado e recheado de referências. Simbologias e detalhes que tornam sua invenção ainda mais especial. Como nas características vampíricas do anjo, ao não adentrar moradias, a menos que seja convidado por um membro da comunidade a fazê-lo, por exemplo. Ou com a atenção aos nomes bíblicos dos episódios e suas </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/9083/-referencias-cristas-na-serie-midnight-mass-nova-obra-de-mike-flanagan"><span style="font-weight: 400;">relações com seus conteúdos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Habilidoso em quebrar expectativas do público adicionando </span><a href="http://www.nossocinema.com.br/a-maldicao-da-mansao-bly-dramas-do-terror/"><span style="font-weight: 400;">drama ao espanto e temor</span></a><span style="font-weight: 400;">, do quinto episódio em diante, o pânico instaurado na história contribui para arquitetar seu perspicaz desfecho. A progressão do horror e da problemática criam uma expectativa engenhosamente atingida. Os distintos arcos da trama se unem e os mistérios que pedem por soluções recebem suas devidas respostas, até que toda a tensão carregada ao longo da série se manifeste em chamas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sangue, violência, desespero e puro caos irrompem na conclusão dessa história que é assertiva ao combinar o sobrenatural clássico com a tragédia a qual a Ilha Crockett e seus habitantes estão fadados. Fadados não apenas pelo dramático encontro com a morte encarnada em pele de </span><i><span style="font-weight: 400;">anjo do mal</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sim diante de falhas humanas e monstros reais. Flanagan triunfa em transmitir suas mensagens carregadas de críticas, e ainda assim, repletas de delicadeza. E faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma de suas </span><a href="https://epipoca.com.br/por-que-fas-acreditam-que-missa-da-meia-noite-e-a-melhor-serie-de-flanagan/"><span style="font-weight: 400;">obras-primas</span></a><span style="font-weight: 400;">, um culto a uma narrativa sensível, contada sob a perspectiva do </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2021/10/filmes-cultos-horror-classico-lista.html"><span style="font-weight: 400;">horror clássico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cspyDWJfly8?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>Os M’s de Maid: maternidade, machismo e meritocracia</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 15:22:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa Retratando um cenário particular que reflete as diferentes realidades da maternidade, Maid exibe com fidelidade o machismo e a falta de oportunidade vivenciada por mães que sofrem com algum tipo de violência. A minissérie original da Netflix estreou arrebatando emoções e nos obrigando a preparar os lencinhos. Jovem, Alex (Margaret &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os M’s de Maid: maternidade, machismo e meritocracia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24910" aria-describedby="caption-attachment-24910" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem Alex e Maddy passeiam por uma floresta. A mãe branca e de cabelo preto veste um colete de tom roxo escuro por cima de uma blusa de manga comprida no tom azul escuro. Ela também usa um gorro azul enquanto carrega a sua filha no ombro. A criança tem a pele branca e o cabelo loiro, ela veste uma jaqueta cinza com estampa infantil acompanhada de um suéter amarelo mostarda" width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24910" class="wp-caption-text">Em entrevista, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hDMPqh310dQ">Margaret Qualley</a> falou sobre como foi importante passar tempo com Riley além do momento das gravações, para que conseguissem capturar uma essência mais autêntica como mãe e filha (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratando um cenário particular que reflete as diferentes realidades da </span><a href="https://maesqueescrevem.com.br/maternidade-acesso-a-educacao-e-a-falacia-da-meritocracia-por-nayara-ferreira/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe com fidelidade o machismo e a falta de oportunidade vivenciada por mães que sofrem com algum tipo de violência. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M4nrGje_pyc"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou arrebatando emoções e nos obrigando a preparar os lencinhos. Jovem, Alex (Margaret Qualley) larga os estudos e o sonho de ser escritora para cuidar da filha Maddy (Rylea Nevaeh Whittet), mal sabendo que no futuro, o conjunto de registros realizados durante o seu trabalho como faxineira a salvariam. </span></p>
<p><span id="more-24909"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid: Hard Work, Low Pay and a Mother&#8217;s Will to Survive</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que conta a história da adolescência e maternidade de Stephanie Land</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o drama conta com a direção de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/shameless-boss-john-wells-sets-maid-dramedy-at-netflix-1256579/"><span style="font-weight: 400;">John Wells</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtor da aclamada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/shameless-11a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shameless</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A estreia foi bem recebida pelo público, ficando vários dias entre </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2021/11/14/maid-supera-o-gambito-da-rainha-mais-assistida/"><span style="font-weight: 400;">as mais assistidas no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. O seriado aborda as vivências de Stephanie de forma muito sensível e verdadeira, contendo cenas extremamente sentimentais e subjetivas, daquelas em que o público pode sentir o que o personagem sente, criando uma espécie de aproximação e intimidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao som da música predileta de Maddy, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vaN01VLYSQ"><i><span style="font-weight: 400;">Shoop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do grupo Salt-N-Pepa, Alex e sua filha dirigem sem rumo para longe do </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">conturbado no meio da floresta. Graças ao roteiro de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/10/criadora-de-maid-ajuda-grupos-de-apoio-a-mulheres-apos-serie"><span style="font-weight: 400;">Molly Smith Metzler</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de não conseguir tirar o refrão viciante da cabeça, a audiência também se solidariza com as personagens logo no início da trama. Fato que acaba sendo ótimo e terrível ao mesmo tempo: cada reviravolta do enredo é sentida como um soco no estômago por quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_24913" aria-describedby="caption-attachment-24913" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24913 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem Alex olha distraidamente para sua frente. Alex tem a pele branca, seus cabelos estão amarrados e são ondulados e de tons castanho escuro, veste blusa cinza e moleton azul escuro e brinco pequeno azul. Ao fundo, uma estante com vários produtos de limpeza e um aspirador de pó." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24913" class="wp-caption-text">A história de Alex é similar a de muitas mulheres brasileiras; no canal do YouTube da Netflix, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_R9Zs4-c_bw">Stephanie Land lê comentários do Twitter</a> de outras jovens que saíram de relacionamentos abusivos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte dos episódios é dedicada a exibir as dificuldades financeiras enfrentadas por Alex, que foge de um relacionamento aprisionador que a privou de seu dinheiro e trabalho. Assim, ela recorre aos auxílios do governo, mas eles vem com toneladas de burocracia, criando uma sensação de inferioridade que a faz em certos momentos viver situações irreais onde é humilhada. Como, por exemplo, quando imagina estar sendo chamada de desempregada fracassada e inútil. Fato que se torna um ponto a menos para a </span><a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html"><span style="font-weight: 400;">meritocracia</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que ela precisa e realmente merece ajuda para ter uma vida melhor, mas as condições para conseguir são tão adversas que tornam a ajuda governamental despreparada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esbanjando histórias reais, a criação conta com a atuação de Margaret Qualley e Andie MacDowell (Paula), como mãe e filha. </span><span style="font-weight: 400;">Além de dividirem a tela, elas </span><a href="https://osegredo.com.br/atrizes-da-serie-maid-tambem-sao-mae-e-filha-na-vida-real-esse-foi-seu-primeiro-trabalho-juntas/]"><span style="font-weight: 400;">compartilham dos mesmos genes talentosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, extraindo o melhor da intimidade familiar para as cenas em que contracenam</span><span style="font-weight: 400;">, por mais que vivam em pé de guerra devido a leviandade de Paula e as exigências de Alex para colocá-la na linha, mas esses podem ser considerados os menores problemas. Paula vive em constante negação sobre a violência psicológica e financeira que a consome, sempre se envolvendo em relacionamentos infundados com homens que sem real interesse nela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma decisão criativa assustadora, a tomada de consciência sobre o ciclo de abuso vivido por Alex ocorre com a narrativa de um ladrão que realmente existe, o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/10/maid-a-historia-real-e-o-que-aconteceu-com-o-ladrao-billy"><span style="font-weight: 400;">Billy Pé Descalço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para satisfazer o roteiro, o roubo de salgadinhos e a relação conturbada com a mãe definem o adolescente na minissérie. Obcecada em entender os cadeados e a coleção nazista do casarão que limpava, a nossa protagonista passa por um processo de identificação com Billy. Trancada no sótão do ladrão é que ela recupera a memória de se esconder nos armários da cozinha enquanto seu pai agredia a sua mãe.</span></p>
<figure id="attachment_24914" aria-describedby="caption-attachment-24914" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem estão Alex e Paula, Alex interpretada por Margaret Qualley e Paula, interpretada por Andie MacDowell. Alex tem a pele branca, seus cabelos estão amarrados e são ondulados e de tons castanho escuro, veste suéter verde bandeira. Paula tem a pele branca, seus cabelos são cacheados, longos e estão amarrados e de tons grisalhos, veste uma bata de hospital, a imagem não mostra calças. Alex está de costas para a câmera, já Paula alimenta um sorriso aberto mas tentando passar um olhar de tranquilidade. Ao fundo, ambas estão em um quarto de hospital." width="900" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24914" class="wp-caption-text">A cumplicidade nos olhos de Paula parece genuína quando colocada em imagens, mas ao ver a cena, percebesse uma mulher confusa e emocionalmente ferida, partindo corações na esperança que ela se encontre outra vez (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em projetos que abordam o ponto de vista feminino da sociedade, é de extrema importância saber se por trás das câmeras existe </span><a href="https://mulhernocinema.com/numeros/estudo-programas-produzidos-por-mulheres-empregam-mais-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem assina a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><i><span style="font-weight: 400;">LuckyChap Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;">, empresa comandada pela atriz </span><a href="https://margotrobbie.com.br/margot-robbie-conversa-com-o-wsj-sobre-a-nova-serie-da-netflix-maid/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que tem como foco obras desenvolvidas por mulheres. Não por acaso, a minissérie usufrui do mesmo recurso visual presente nos filmes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M2LMRXkAZSY"><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020)</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mesma equipe.</span> <span style="font-weight: 400;">Essa predileção utilizada funciona como um espelhamento de tela, mas dos pensamentos de Alex. Sempre que complicações financeiras surgem, os números de sua conta bancária ou os cálculos de seus custos aparecem na tela, aumentando ou diminuindo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Alex e Paula, a trama conta com outras vítimas de violência doméstica, como Danielle (Aimee Carrero), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=halfuvOMGoo"><span style="font-weight: 400;">moradora do apartamento 23</span></a><span style="font-weight: 400;"> da casa de acolhimento. Sendo sua terceira vez no abrigo, ela já conhece a burocracia e ajuda Alex a sair do fundo do poço, mostrando a jovem que precisa revidar os estigmas negativos que a sociedade e a justiça impõe às mulheres principalmente as que decidem se rebelar, taxadas como loucas, mentirosas e mães despreparadas. Denise, interpretada por BJ Harrison, é outra peça fundamental para deixar o coração do público ainda mais frágil. As conversas extremamente necessárias que ela tem com Alex servem tanto para a reflexão da protagonista quanto do espectador, acrescendo uma dose a mais de humanidade e carinho.</span></p>
<figure id="attachment_24915" aria-describedby="caption-attachment-24915" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4.gif" alt="Gif de Alex e Maddy em um quarto infantil de tons pastéis. A mãe branca e de cabelo preto veste um colete azul por cima de um moletom cinza. Ela carrega e gira a sua filha, uma criança branca e de cabelo loiro. Maddy veste uma blusa de manga comprida cinza enquanto sorri no colo de Alex." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-24915" class="wp-caption-text">Apesar de ser ambientada nos Estados Unidos, Maid foi gravada na <a href="https://technewsbrasil.com.br/onde-maid-da-netflix-foi-filmada/">Colúmbia Britânica</a>, uma província canadense (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega a ser difícil apontar defeitos na produção devido a extrema qualidade do produto, mas alguns pontos valem ser destacados: a atuação de Nick Robinson como Sean, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hDMPqh310dQ"><span style="font-weight: 400;">totalmente diferenciada de tudo que já vimos do ator</span></a><span style="font-weight: 400;">, acostumado a  trabalhar com papéis mais jovens, colegiais e com um quê de bom moço, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de Robinson, Andie MacDowell demonstrou relutância para aceitar o papel pois via Paula como uma personagem muito desafiadora. Ainda que inesperados, ambos surpreendem em suas performances, mostrando um novo leque de possibilidades artísticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na emocionante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_nzgQcH0Vyc"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem mãe finalmente caminha com a sua filha até o topo de uma montanha em Missoula, cidade em que ela voltará a estudar para se tornar uma escritora. No ponto mais alto, há um M gigantesco que Alex atribui o seu significado a Maddy e esse novo mundo que será todo dela. Para nós telespectadores, a décima terceira letra do alfabeto nomeia aspectos essenciais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid</span></i><span style="font-weight: 400;">: a maternidade, o </span><a href="https://www.folhape.com.br/colunistas/uma-serie-de-coisas/enredo-de-maid-destaca-ciclo-de-violencia-domestica-em-geracoes/27659/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a meritocracia.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: This Is Paper Jackets" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/41EFpdLgoVJoyDr0qSZcFR?si=9efaedf04a944a3b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 16:24:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Quando um premiado cineasta decide migrar para as telinhas, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23170" aria-describedby="caption-attachment-23170" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg" alt="Cena da minissérie The Underground Railroad. A cena mostra dois jovens negros agachados e encostados um no outro. Cora é uma mulher, de cabelo preso num coque e Caesar é um homem de olhos claros, barba e cabelos pretos e veste roupas marrons. " width="2560" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23170" class="wp-caption-text">Disputando em 2 importantes categorias na noite principal do Emmy 2021, The Underground Railroad merecia muito mais (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando um premiado cineasta decide </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-16/barry-jenkins-a-historia-dos-eua-foi-contada-de-um-unico-ponto-de-vista-durante-demasiado-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">migrar para as telinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação de personagens e ritmo até sua inevitável conclusão. Por isso, o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/reuters/2021/05/10/barry-jenkins-diz-que-temeu-filmar-drama-sobre-escravidao-the-underground-railroad.htm"><span style="font-weight: 400;">deleite de assistir Barry Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciar seu envolvimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas premeditou aquele que seria o trabalho mais coerente, sufocante e crucial de 2021.</span></p>
<p><span id="more-23169"></span></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Underground-Railroad-Caminhos-Para-Liberdade/dp/8595080291"><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos Para a Liberdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro escrito por Colson Whitehead, em 2016, e </span><a href="https://www.pulitzer.org/winners/colson-whitehead"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no ano seguinte. Essa é a base para o projeto imprescindível de Jenkins, que vem trabalhando para que grandes autores negros tenham suas obras adaptadas para o audiovisual. A estreia de Jenkins no Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight,</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m8RT62PUoZ0"><span style="font-weight: 400;">peça de teatro de Tarell Alvin McCraney</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ponto de partida para discursar sobre escolhas e sobre o amor, quando se é negro e não se tem muitas possibilidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu 3 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre eles, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kTEi8Cf04FY"><span style="font-weight: 400;">Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GCQn_FkFElI&amp;t=393s"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Se a Rua Beale Falasse</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a adaptação do </span><a href="https://www.amazon.com.br/rua-Beale-falasse-James-Baldwin/dp/8535931945/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;dchild=1&amp;keywords=Se+a+Rua+Beale+Falasse&amp;qid=1631806633&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">livro homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lendário James Baldwin, e mostra um Jenkins mais seguro no posto de diretor, guiando suas cenas não por simples diálogos ou ações, mas deixando que a emoção da trágica história de um romance interrompido dê as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CQXSforT_qQ"><span style="font-weight: 400;">batidas narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levaram o longa ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WXebOFhT9Og"><span style="font-weight: 400;">Regina King</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, o caminho não será o mesmo. A Série Limitada original do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi reconhecida da maneira que deveria no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, portanto, tornando impossível que sua coroação aconteça da mesma maneira que trabalhos anteriores do cineasta o fizeram.</span></p>
<figure id="attachment_23171" aria-describedby="caption-attachment-23171" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Mabel, uma mulher negra retinta adulta, vestido uma camisola branca, segurando um bebê negro no colo." width="2560" height="1706" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2048x1365.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23171" class="wp-caption-text">A passagem de Jenkins do Cinema para a TV casa sua direção cuidadosa com a pegada de realismo mágico do livro original, transformando as quase 10 horas de duração da série em um estudo da extensão da liberdade (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram apenas 7 menções para a produção, que já </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1437463854041243649"><span style="font-weight: 400;">perdeu cinco delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no fim de semana do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Técnico, e não tem muita chance de vencer na noite principal do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A falta de campanha por parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro fator que desemboca na miséria e na ausência do prestígio, mas o buraco é mais embaixo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comandado pela </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/thuso-mbedu-underground-railroad-isthunzi-interview"><span style="font-weight: 400;">novata Thuso Mbedu</span></a><span style="font-weight: 400;">, o elenco não escalou nomes grandes da indústria. Isso, em adição a um ano extremamente tumultuado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-serie-limitada-ou-antologia/"><span style="font-weight: 400;">corrida das Séries Limitadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, resultou em seu reconhecimento na categoria principal e também de Jenkins pelo conjunto da obra em Melhor Direção. Mas que falta faz uma menção para Mbedu como Atriz, ou para os exímios coadjuvantes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6UleXgmF3N4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">, William Jackson Harper, Joel Edgerton e a inacreditável Sheila Atim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de dez episódios, todos dirigidos por Jenkins, acompanhamos a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cte9XhQ0Do"><span style="font-weight: 400;">jornada de Cora</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Mbedu), uma escrava fugitiva, que parte em busca da ferrovia do título. Ao longo das tempestuosas aventuras, descobrimos ao lado dela que esses trilhos são tão reais quanto metafóricos. Ela se apaixona, se frustra, teme e não esconde sua personalidade. Por ser uma jovem de pouca idade e muito trauma, os silêncios se tornam rotina e a minissérie usa e abusa deles, tornando a </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem da ausência</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma das mais importantes ferramentas na hora de contar essa história.</span></p>
<figure id="attachment_23172" aria-describedby="caption-attachment-23172" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mosta Caesar e Cora sentados, posando para a foto. Eles são jovens e negros. Ele é um homem de pele negra clara, olhos azuis e veste terno cinza e chapéu oval escuro. Ela tem a pele mais escuro e usa chapéu e vestido amarelos." width="1440" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23172" class="wp-caption-text">A obra original usa de elementos reais, com a existência dessa rede subterrânea de trilhos, mas engrandece esse aspecto, dando vida e personalidade para a ferrovia, que é realisticamente mágica (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o primeiro trabalho de visibilidade maior de Thuso, que tem no currículo produções televisivas de nicho. Sob a tutela de Jenkins, a atriz sul-africana cria metamorfoses em tela, eclodindo de uma cápsula protetora para a seguinte e, no caminho, protege aqueles a seu redor, em especial as duas jovens escravas com quem encontra na trama. </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-06-22/thuso-mbedu-underground-railroad-barry-jenkins"><span style="font-weight: 400;">Mbedu engrandece a minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, dá-lhe vida, potência e magnetismo. Sua performance evoca dor e perdão, ao mesmo tempo em que lida com a culpa e com a saudade da mãe Mabel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g1XdIgRIZNo"><span style="font-weight: 400;">Sheila Atim</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sheila rouba a cena mesmo figurando em poucos vislumbres da produção. Seu holofote é aceso quase no fim do túnel, em </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515570/?ref_=ttep_ep10"><i><span style="font-weight: 400;">Chapter 10: Mabel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que rebobina as ações de Cora e nos transporta para o período em que ela não passava de uma criança e ainda vivia na fazenda escravocrata junto da família. Sem muito espaço para expandir essa narrativa conclusiva, Barry Jenkins decide pausar o avanço de Cora para que entendamos a raiz de suas questões de desconfiança e desamparo. Mabel é tão benevolente como a filha, e paga caro por cultivar esse senso materno de empatia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é mais um dos limites traçados pelo roteiro do time comandado por Jihan Crowther: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Pq5Usc_JDA"><span style="font-weight: 400;">linha tênue entre o cruel e o sensível</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre a morte e a vida, entre a poesia de partir e a amargura da incerteza. A cena que conclui cruelmente a jornada de Mabel traduz com clareza o âmago de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sequência carinhosas divididas entre Cora e Caesar (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FkY3exKqPV4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">) são pontuadas pela dor do contexto, quando Jenkins se importa o suficiente com os personagens para lhes amenizar com doses cavalares de afeto, mas se importa mais ainda com a veracidade desse excruciante conto, que se passa alguns anos antes da </span><a href="https://www.battlefields.org/learn/articles/10-facts-what-everyone-should-know-about-civil-war"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23173" aria-describedby="caption-attachment-23173" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Grace, uma criança negra, com vestido vermelho e cabelo black power, olhando para fora, parada em uma porta." width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23173" class="wp-caption-text">A jovem Fanny Briggs ganha o protagonismo no único episódio que foge da duração comum: em apenas 20 minutos, o sétimo capítulo ressignifica a morte e a crença no futuro (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de Caesar é catalisador de emoções na primeira trinca de episódios, mas sua ausência é logo suprida por outros dois homens. Primeiro, somos apresentados ao caçador de escravos Ridgeway, interpretado com a tenacidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K0ZTwIp9rDk"><span style="font-weight: 400;">Joel Edgerton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhado do escravo Homer (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNVO_eLm-fQ"><span style="font-weight: 400;">Chase W. Dillon</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma mera criança que tem suas noções deturpadas pelo racista a quem pertence, Ridgeway caça Cora ao longo de toda a temporada, não dando sossego para ninguém no caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história acontece por ele e através dele, e muito da personagem Cora é resultado desse jogo doentio. O quarto episódio, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515558/?ref_=ttep_ep4"><i><span style="font-weight: 400;">The Great Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a narrativa se transmuta de uma mera “antologia” para o golfo magnético de permissão e aflição, é focado no jovem Ridgeway, que testa os limites humanos para que sua sede de carne seja devidamente saciada. No fim, não importa quantos chicotes estalassem ou quantos grilhões selasse, ele nunca estaria satisfeito.</span></p>
<figure id="attachment_23174" aria-describedby="caption-attachment-23174" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Cora e Caesar dançando. Eles são jovens e negros, ele usa terno e ela usa um vestido claro e luvas brancas. Eles se olham nos olhos." width="1300" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1024x630.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-768x473.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1200x738.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23174" class="wp-caption-text">Os episódios, extremamente densos e atmosféricos, oscilam entre vinte e oitenta minutos, provando que The Underground Railroad se beneficiaria muito mais de uma exibição semanal (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda figura masculina, e que agracia a parcela final da série, é o personagem de William Jackson Harper (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Royal. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gHff3h6xndk"><span style="font-weight: 400;">Maduro e nada inconsequente</span></a><span style="font-weight: 400;">, é ele quem apresenta Cora ao “paraíso”, e ao conceito de liberdade dentro desse ambiente escravocrata e permeado pelos limites de felicidade e prazer. A indecisão de Cora fala mais alto, ao passo que os episódios destinados às estações de Indiana pavimentam o suspense que explode na pragmática cena do tiroteio da igreja. Os conceitos cristãos cruzam um sobre os outros, a casa de Deus é palco de uma carnificina e, honrando as escrituras sagradas, os sonhos morrem, o sangue escorre e o Céu cai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado da falência divina é a vingança tardia. Cora enfrenta seu captor, seu bicho-papão e seu demônio pessoal. Ridgeway é engrandecido pelo trabalho de Edgerton, que brilha como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aXnwpVLuEyU"><span style="font-weight: 400;">outros atores brancos</span></a><span style="font-weight: 400;"> já o fizeram no exercício de dar vida a monstros racistas. Não é coincidência que, quando as primeiras reações à série saíram, o comum acordo era reconhecer a brutalidade do ator em cena. Nessa leva, Barry Jenkins, acompanhado de uma equipe técnica formosa, não dá tanta atenção ao barulhento, preferindo iluminar as performances mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7G4nVlTaCZM"><span style="font-weight: 400;">singelas e internas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas mulheres.</span></p>
<figure id="attachment_23175" aria-describedby="caption-attachment-23175" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg" alt="Cena dos bastidores de The Underground Railroad. A foto mostra o diretor Barry Jenkins, um homem negro de óculos, de pé em meio a uma plantação. Ao seu redor, vemos atores e pessoas operando as câmeras." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23175" class="wp-caption-text">Barry Jenkins nos dá indícios que vai construir uma narrativa quase antológica, com Cora partindo de uma pequena trama para outra, mas o decorrer da série é engolido por uma atmosfera fúnebre e ilusória (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021, nenhuma delas foi reconhecida. Thuso ficou de fora da disputa de Atriz, assim como seus colegas coadjuvantes. As nomeações vieram coroando os trabalhos das equipes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">e Edição de Som, além da direção de elenco e a fotografia de James Laxton. Também citada, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/2dCTpR2osQnVMvbCeiKPkC"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora mística de Nicholas Britell</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de Jenkins desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o grande feitiço da produção, que honra e enobrece as composições visuais e artísticas filmadas em cada uma das impressionantes locações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na toada de transmitir a dor e a perda de maneira nada gratuita ou agressiva à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> não quer que sua trama seja um espetáculo dos horrores. 2021 já </span><a href="https://personaunesp.com.br/them-critica/"><span style="font-weight: 400;">nos amaldiçoou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Them</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção também do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, que vê graça no sofrimento de pessoas negras. Comandado pela mente digna de um homem destinado (e </span><a href="https://deadline.com/2020/09/the-lion-king-sequel-barry-jenkins-moonlight-director-disney-1234586787/"><span style="font-weight: 400;">já desfrutando</span></a><span style="font-weight: 400;">) da grandeza e das honras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos para a Liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> são imersivos, árduos, recompensadores e memoráveis. A receita perfeita para a construção de um clássico.</span></p>
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		<title>Não há espaço para heróis em Mare of Easttown</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2021 23:18:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não há isca melhor para prender o telespectador do que uma boa história de suspense. Crie uma morte inesperada e um núcleo de possíveis suspeitos, ainda por cima, ambiente-a em uma cidade interiorana pequena. Pronto, tem aí a fórmula perfeita para causar um burburinho necessário. Mas não o suficiente para, de fato, ter &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há espaço para heróis em Mare of Easttown"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23158" aria-describedby="caption-attachment-23158" style="width: 2846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1.png" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está sentada na cozinha colocando queijo cheddar em um biscoito. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque baixo, ela veste uma camisa xadrez. " width="2846" height="1670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1.png 2846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-800x469.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-1024x601.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-768x451.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-1536x901.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23158" class="wp-caption-text">Mare of Easttown foi indicada em 16 categorias no Emmy 2021, e é um dos principais nomes cotados para dar o xeque-mate em <a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/">O Gambito da Rainha</a> na disputa pela estatueta de Série Limitada (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há isca melhor para prender o telespectador do que uma boa história de suspense. Crie </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-undoing-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma morte inesperada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um núcleo de possíveis suspeitos, ainda por cima, ambiente-a em uma cidade interiorana pequena. Pronto, tem aí a fórmula perfeita para causar um burburinho necessário. Mas não o suficiente para, de fato, ter uma narrativa interessante, em meio a tantas outras que utilizam os mesmos ingredientes, e muitas que </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/how-to-get-away-with-murder-sexta-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">acabam se perdendo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia no gênero para criar sua trama. Ambientada na pequena cidade da Pensilvânia presente no título da série, a obra acompanha Mare Sheehan (Kate Winslet), uma policial durona de meia-idade, que se ocupa diariamente com a solução de diversos crimes que atingem a população local. Entre ter que resolver pequenos problemas de demais habitantes, como a implicância da senhora Carroll (Phyllis Somerville) com seu vizinho delinquente, a detetive também lida com a investigação do desaparecimento da jovem Katie Bailey (Caitlin Houlahan), caso até então não solucionado.</span></p>
<p><span id="more-23150"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o roteiro da produção não se limita apenas à </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-157530/"><span style="font-weight: 400;">realidade difícil na delegacia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e somos levados para dentro da casa da protagonista. Descobrimos que, além de policial, ela também é filha, mãe, divorciada e avó. Em um retrato claro de que, quando se é mulher, se carrega muito mais do que o peso de um distintivo. Além de conviver com uma mãe de forte personalidade, Helen, interpretada pela genial Jean Smart; compartilhar a vizinhança com seu ex-marido Frank (David Denman) &#8211; bem menos babaca que o Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office </span></i><span style="font-weight: 400;">-, suportar a adolescência da filha Siobhan (Angourie Rice), Mare também enfrenta nas entrelinhas o luto pela morte de seu filho Kevin (Cody Kostro).</span></p>
<figure id="attachment_23151" aria-describedby="caption-attachment-23151" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23151" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1.jpg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está ao lado esquerdo de Evan Peters, que interpreta Colin. Eles estão andando juntos em um bosque. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, ela veste um casaco preto com uma jaqueta marrom por cima, calças jeans, tênis marrom, e usa um cachecol preto no pescoço. Colin é um homem branco de cabelos loiros, ele veste uma camisa azul-marinho com um sobretudo azul escuro por cima, calça e sapato social pretos. Ele segura uma pasta no braço esquerdo." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23151" class="wp-caption-text">Na preparação para a personagem, Kate Winslet fez laboratório acompanhando uma detetive policial nos Estados Unidos, além de pegar firme nos exercícios físicos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista de Kate Winslet não é fácil de se gostar. Sheehan é durona, egoísta, carrancuda e pouquíssimo afetuosa. Ainda sim, vamos nos aproximando cada vez mais da realidade da personagem e de </span><a href="https://valkirias.com.br/jornada-da-heroina/"><span style="font-weight: 400;">sua jornada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mare se posiciona como uma salvadora da cidade de Easttown, capaz de mover montanhas para resolver desde questões mínimas dos habitantes até outras maiores e mais complexas, com o único objetivo de trazer para a comunidade a estabilidade que falta em sua vida. Afinal, ela é a Miss Lady Hawk. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas isso não a torna nenhuma espécie de Mulher Maravilha, e nem é isso que ela procura. Nem mesmo a adoração popular ou os calorosos braços de Richard &#8211; representados com todo o charme de Guy Pearce &#8211; seriam capazes de acalentar a maré de turbulências presente no cotidiano da detetive. Nada melhor para suportar a luta pela guarda do neto, questões mal resolvidas com a morte do pai e um vazio irreparável no coração de uma mãe do que tentar solucionar o que parece insolucionável, nem que para isso seja necessário quebrar todas as partes do corpo ou colocar sua credibilidade profissional em jogo, dando um espetáculo de </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/157906-entenda-as-diferencas-entre-heroi-anti-heroi-e-vilao-nos-filmes-e-series.htm"><span style="font-weight: 400;">anti-heroísmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><figure id="attachment_23153" aria-describedby="caption-attachment-23153" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23153" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está apoiada na cama em que Izzy King, que interpreta Drew, está sentado. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, ela veste uma blusa cinza de mangas compridas. Drew é um menino branco, de cabelos castanhos escuros, ele veste uma camiseta azul. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23153" class="wp-caption-text">Durante o Creative Arts Emmy, que antecede a premiação principal, Mare of Easttown saiu vitoriosa pela categoria Melhor Design de Produção em Programa de Narrativa Contemporânea (Uma Hora ou Mais) [Foto: HBO]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mare também não performa nenhum ar de feminilidade, com seu jeito desleixado, roupas amassadas e um rabo de cavalo mal feito. A vencedora do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ainda fez questão de se agarrar à </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2021-06-03/kate-winslet-e-a-polemica-da-sua-barriga-a-mais-nova-prova-de-uma-autoestima-inabalavel.html"><span style="font-weight: 400;">identidade da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> por completo, e até esquecemos que algum dia ela foi uma mocinha vivendo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/5-curiosidades-sobre-titanic-cena-improvisada-de-leonardo-dicaprio-escolha-de-my-heart-will-go-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">um dos maiores romances do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> à bordo de um navio. Além de incorporar o sotaque forte da Pensilvânia, a atriz não deixou que usassem maquiagem para apagar suas rugas e nem que elas fossem retocadas no pôster de divulgação da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais empoderador que possa ser ver uma mulher incorporar uma figura </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-maiores-detetives-da-ficcao/"><span style="font-weight: 400;">historicamente associada a personagens masculinos</span></a><span style="font-weight: 400;">, não há nenhuma forçação de barra nesse sentido, Mare é </span><i><span style="font-weight: 400;">fodona </span></i><span style="font-weight: 400;">sem precisar se empenhar muito para isso. Devido a essas e outras, Winslet conseguiu uma indicação ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Atriz em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto somos ambientados no ar da cidade e na rotina dos habitantes, também acompanhamos a vida de Erin McMenamin (Cailee Spaeny), uma jovem mãe solo, que tem uma rotina solitária e uma relação complicada com o pai alcoólatra e o ex-namorado abusivo. O pontapé inicial da trama, de fato, é o seu assassinato, nos minutos finais do primeiro episódio, que rende uma cena quase teatral. </span></p>
<figure id="attachment_23154" aria-describedby="caption-attachment-23154" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23154" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4.jpg" alt=" A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está abraçando Angourie Rice, que interpreta sua filha Siobhan e está com de costas com o rosto apoiado no ombro esquerdo da mãe. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros, ela veste uma camisa branca e apresenta uma expressão de choro. Siobhan é uma garota branca, de cabelos loiros e curtos, ela veste um casaco preto. Ao fundo é possível ver de forma desfocada um gramado, uma casa e algumas árvores sem folhas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23154" class="wp-caption-text">Vencedora de um Emmy por Mildred Pierce, Kate também concorre como produtora-executiva na categoria de Melhor Série Limitada ou Antologia (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim surge mais um crime para ser resolvido na conta de Sheehan. Em uma cidade pequena onde as vidas de todos os habitantes se cruzam, ninguém ali deixa de ser um suspeito. E ela sabe bem disso, e embarca nessa empreitada ao lado de Colin Zabel, interpretado por Evan Peters, que finalmente saiu do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/ryan-murphy/"><span style="font-weight: 400;">cativeiro do Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a um detetive extremamente bobão e carismático &#8211; e que também apresenta uma idade relacionável a do ator -, tendo como resultado nada mais nada menos do que sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da Televisão, como Melhor Ator Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com um roteiro para lá de instigante &#8211; e que devidamente recebeu sua nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">para o </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/05/criador-de-mare-of-easttown-comenta-final-da-serie-e-cita-possibilidade-de-uma-nova-temporada/"><span style="font-weight: 400;">criador Brad Ingelsby</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o arco da investigação do assassinato e da onda de sumiços de jovens garotas em Easttown fica facilmente em segundo plano. Por mais que o interesse pelo desfecho da trama seja grande, nos tornamos ainda mais obcecados e apegados à história de Mare, a forma que ela se agarra ao trabalho para não ter que enfrentar as batalhas da sua vida pessoal, sem perceber que se encontra numa situação que é uma via de mão dupla. </span></p>
<figure id="attachment_23156" aria-describedby="caption-attachment-23156" style="width: 1350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5.jpg" alt=" A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está sentada em um sofá ao lado de Jean Smart, que interpreta Helen. Mare é uma mulher branca de cabelos loiros, que estão presos e molhados, ela veste uma blusa cinza, um cardigã marrom e uma calça de moletom cinza. Ela está com o braço esquerdo engessado e uma pilha de cadernos no colo. Helen é uma senhora branca, de cabelos grisalhos acima dos ombros, ela veste uma blusa de mangas compridas florida, um colete cinza e uma calça marrom. " width="1350" height="845" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-800x501.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-1024x641.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-768x481.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-1200x751.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23156" class="wp-caption-text">Concorrendo pela primeira vez na premiação, Julianne Nicholson submeteu o episódio Sacrament para consideração, e a três vezes vencedora Jean Smart repetiu a escolha (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira alguma isso aumenta a densidade da narrativa ou a dosagem dramática, que é perfeitamente balanceada com a relação bem-humorada com sua mãe, que ainda rendeu uma indicação para Jean Smart como Melhor Atriz Coadjuvante, concorrendo na premiação também por </span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não só no âmbito familiar, mas também na amizade, Mare forma um laço perfeito com sua colega de longa data Lori, em uma performance estonteante de Julianne Nicholson, que se garantiu ao lado de Smart na disputa pela estatueta de ouro. O balanço entre a sensatez e a inconsequência da dupla é o guia perfeito para nortear a descabida </span><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se tem uma coisa que a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer é criar laços. Os diversos rostos que aparecem de forma despretensiosa na trama podem parecer apenas uma distração ou mais um na extensa lista de possíveis criminosos, mas todos se posicionam perfeitamente na rede completa que constrói o arco final da série, com camadas e camadas de desenvolvimento. Nada é por acaso, nem mesmo os cortes aparentemente grosseiros, ou os enquadramentos peculiares da direção, que nos enganam de forma minuciosa e nada exagerada, devidamente executada por Craig Zobel, que, adivinha, disputa o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">por Melhor Direção.</span></p>
<figure id="attachment_23157" aria-describedby="caption-attachment-23157" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Julianne Nicholson, que interpreta Lori, está sentada em um banco em um bosque ao lado de Kate Winslet, que interpreta Mare. Lori é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros na altura dos ombros e com franja, ela veste um casaco cinza, calças jeans e botas marrons. Mare, que está com a cabeça apoiada no ombro esquerdo de Lori, é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo baixo, ela veste uma blusa cinza, uma jaqueta preta, calça legging preta e tênis marrons." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23157" class="wp-caption-text">O Emmy 2021 pode ser decisivo para o futuro de Mare of Easttown, que já tem diversos rumores de uma possível renovação para uma segunda temporada (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a uma jornada tão profunda da nossa anti-heroína, a última coisa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisava era nos dar uma reviravolta surpreendente, e ainda sim o faz de forma magistral. O desfecho da investigação &#8211; arriscado, quase absurdo e todos os outros adjetivos que você possa imaginar &#8211; é a peça final do quebra-cabeça que vem sendo construído desde o primeiro episódio, e sobre o que a série de Ingelsby realmente se trata: um encontro perfeito entre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o luto. Ao final, a perda de Mare conecta-se com a de Lori, de Judy, de Dawn e de Erin. A conclusão é apenas uma, e é a mais bela que poderíamos ter. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a série do ano, da década, ou de qualquer outro recorte  temporal possível, e sua forte aposta no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 como Melhor Série Limitada ou Antologia é apenas um dos indícios disso. Não é todo dia que se reinventa um gênero que atravessa gerações, e ainda dá aula sobre como trabalhar uma narrativa com a profundidade e o significado que merece. Isso tudo em apenas sete episódios, que são </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/08/kate-winslet-volta-a-falar-sobre-possivel-2a-temporada-de-mare-of-easttown/"><span style="font-weight: 400;">muito mais que suficientes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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