E Mais Alguém nos mostra que o silêncio pode ser a ponte entre o confronto e o amor

Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos presos usando um suéter rosa. Ela está segurando um livro. Ao seu lado, um homem branco calvo, de barba grisalha e ele está vestindo um suéter azul listrado. À sua frente, há um notebook aberto. No lado direito da imagem, há um menino branco com cabelos castanhos utilizando uma camiseta azul. Todos estão sentados à mesa.
A fotografia do filme é um dos destaques mais marcantes do longa-metragem (Foto: Room for Film)

Victor Hugo Aguila

Escolher o silêncio como forma ideal de diálogo é, acima de tudo, disruptivo. Integrando a seção de Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, E Mais Alguém, de Vincent Tilanus, apresenta um olhar intimista – e quase psicanalítico – à respeito de dinâmicas familiares. No longa holandês, Tommy (Pier Bonnema), um adolescente queer de 17 anos, ao encontrar mensagens sexuais entre seu pai e outro homem, mergulha em uma espiral de tensão, fomentada pelo desejo de ser honesto, sem perder a lealdade que tanto valoriza. 

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Estante do Persona – Março de 2022

Arte retangular de cor azul. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris azul clara. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Homens sem mulheres”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘março de 2022'.
Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)

Depois de acompanhar os relatos cruéis de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela quase onipresente cerimônia do Oscar 2022, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami

Drive My Car, história que abre Homens sem mulheres, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretor Ryûsuke Hamaguchi, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, Sherazade e Kino. Após suas quatro indicações no Oscar, vencendo na categoria de Melhor Filme Internacional, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma MUBI

No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o gênero feminino em seus contos. 

Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de Abdulrazak Gurnah. Ao final do mês, a Companhia das Letras lançou Sobrevidas, a primeira obra lançada no Brasil do tanzaniano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2021. A publicação dá início a uma série de quatro lançamentos do autor que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de Sobrevidas, estão Paradise (finalista do Booker Prize de 1994), By the Sea e Desertion

A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro Contos de Odessa, do ucraniano Isaac Bábel, passou a ser vendido no site da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.

Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no Estante do Persona, as quais se pode ler no carro, deitado, no smartphone, ou como bem entender.

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