Criadas: o racismo sob uma lente intimista e familiar

Cena do filme Criadas. Duas crianças estão deitadas lado a lado, uma usando camiseta azul e a outra rosa- escuro (Sandra e Mariana, da esquerda para direita). A primeira é negra de pele retinta e a outra, também tem a pele negra, mas de um tom mais claro. A primeira tem o cabelo castanho trançado e a outra cabelo crespo ornamentado com fivelas coloridas. Uma mão adulta repousa sobre a cabeça de uma delas.
Criadas explora uma relação que carrega feridas e conflitos surgidos na infância e originários de uma herança histórica (Foto: Vitrine Filmes)

Mariana Bezerra 

E quando a empregada ‘da família’ é, de fato, uma parente? Criadas faz parte da programação da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Mostra Brasil. O filme mergulha em uma história familiar para explorar as feridas – ainda abertas – do Brasil em relação ao racismo e à escravidão. O longa foi eleito pelo público como Melhor Filme Brasileiro de Ficção na premiação do festival. Não é à toa, uma vez que a história das primas Sandra (Vitória Rodrigues, na versão infantil) e Mariana (Alice Feitosa, na versão infantil) e suas famílias atravessa temas tão caros ao país. Elas cresceram juntas, mas não em uma típica relação: a mãe de Sandra era empregada da casa da irmã e, após anos, essa menina, agora uma adulta, retorna para São Paulo para assumir um emprego e buscar informações sobre a mãe desaparecida. Continue lendo “Criadas: o racismo sob uma lente intimista e familiar”

Na verdade, Casa de Antiguidades é um abatedouro

Depois de ‘passar’ por Cannes, o filme estreou em território nacional na 44ª Mostra Internacional de SP (Foto: Divulgação Imprensa)

Caroline Campos e Vitor Evangelista

O burburinho que cercou Casa de Antiguidades não veio de graça. Considerando que temas como regionalismo e horror de mal estar estão em voga desde a explosão de Bacurau, em 2019, quaisquer obras que resvalem nesse espectro sem dúvidas chamariam atenção do público brasileiro. Parte da Seleção Oficial de Cannes 2020 e exibido com exclusividade na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o primeiro longa de João Paulo Miranda Maria se mune de um misticismo tupiniquim para desconstruir e metamorfosear a vida e a humanidade de Cristovam, um homem abandonado pelo tempo e rejeitado pela comunidade em que habita.

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