Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)
Vitória Borges
Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.
Dan Trachtenberg também dirigiu O Predador: A Caçada (2022) que saiu diretamente no Disney+ (Foto: Disney)
Guilherme Moraes
Um dos grandes desafios para as franquias decenais não é de se reinventar, mas de inserir uma ideia original dentro da mesma fórmula. A necessidade do estúdio de lucrar sempre irá se sobrepor ao do artista na indústria americana, dessa forma, a reinvenção vira apenas um discurso, pois apostar no conhecido se paga e ainda faz dinheiro – aliás, é exatamente por esses motivos que esses filmes são refilmados ou recebem uma continuação. O que resta para alguns cineastas é fazer um trabalho de artesanato e criar algo singular dentro desse sistema. Longe de dizer que Dan Trachtenberg é um artesão da Sétima Arte, porém, pelo menos em Predador: Terras Selvagens,o diretor consegue instaurar uma relação entre os personagens e o ambiente de maneira criativa.
Elenco e equipe de O Agente Secreto durante o tapete vermelho em São Paulo (Foto: Mariana Bezerra)
Mariana Bezerra e Stephanie Cardoso
Na noite de 28 de outubro, o Cultura Artística, em São Paulo, foi tomado por flashes, tapete vermelho e uma plateia ansiosa para a exibição de O Agente Secreto durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A sessão contou com a presença do elenco e uma recepção calorosa – um marco simbólico para um filme que já nasceu com vocação internacional. Depois de brilhar no Festival de Cannes e ser escolhido para representar o Brasil no Oscar, o novo longa de Kleber Mendonça Filho vem consolidando o diretor como uma das vozes mais originais e respeitadas do cinema contemporâneo.
O longa foi premiado com a Menção Especial do Júri na seção Orizzonti do 82º Festival de Veneza (Foto: Rediance)
Eduardo Dragoneti
Há filmes que parecem nascer do silêncio – não o que acalma, mas o que grita. Terra Perdida, de Akio Fujimoto, é um desses. Exibido na seção Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o longa do diretor japonês surge para contar uma história antiga, porém que o mundo insiste em não ouvir. A trama acompanha dois irmãos Rohingya, minoria muçulmana apátrida de Mianmar, Somira (Shomira Rias), de nove anos, e Shafi (Muhammad Shofik), de quatro, que partem ao lado da tia e do avô para uma jornada perigosa rumo à Malásia junto a outros refugiados, movidos pela esperança de reencontrar a família.Continue lendo “Em Terra Perdida, o olhar infantil revela o peso de ser refugiado”
Em estreia na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor de Nosferatu revela as características decoloniais de seu vampiro
Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet estrelam o filme (Arte: Arthur Caires/Fotografia: Zé Carlos Barretta/Folhapress)
Davi Marcelgo
Um navio chega ao litoral do Brasil. Os contêineres substituem as silhuetas imensas dos altos prédios no horizonte. Em seguida, o título Nosferatusurge no casco da embarcação em uma tipografia de pichação na cor vermelha. O transporte que se confunde com a cidade nas imagens em branco e preto de Cristiano Burlan transmite uma mensagem de integração. Seria o vampiro incorporado a uma metrópole brasileira ou o país condicionado ao colonialismo das produções hollywoodianas? Quem chega de navio a um país suga, como um parasita, a identidade daquele território ou ele é sufocado pelo que já habita ali? Continue lendo “Persona Entrevista: Cristiano Burlan”
Wagner Moura está entre os favoritos para ser indicado ao Oscar de Melhor Ator (Foto: Vitrine Filmes)
Mariana Bezerra
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, vem percorrendo o mundo com uma campanha de sucesso, que já conquistou premiações e indicações internacionais, as quais podem ser vistas como termômetros da temporada de premiações, como o Gotham Awards e o Festival de Cannes. A estreia do filme subverteu a lógica dominante do eixo Rio-São Paulo. Foram os recifenses, conterrâneos do cineasta e cuja cidade serviu de base para muitos de seus trabalhos, que assistiram ao longa pela primeira vez. Já a sessão de estreia no estado de São Paulo aconteceu na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Apresentação Especial.Continue lendo “O Agente Secreto: o Brasil dos anos 70 e o atual em um só retrato”
O filme arrecadou mais US$ 140 milhões com um orçamento de US$ 4 milhões em apenas 2 semanas (Foto: Crunchyroll)
Pedro Domênico
2025 marca uma virada de página no Cinema contemporâneo. A pandemia forçou estúdios e distribuidoras a pensarem como reverter o esvaziamento das salas de cinemas – e aquilo que parecia um problema, aparece como um aliado inesperado. O streaming, antes visto como um dos principais responsáveis, tornou-se o espaço ideal para garantir o retorno do público às telonas. Para as animações, histórias bem sucedidas nas plataformas chegam às salas com arrecadações recordes. O sucesso de Demon Slayer: Castelo infinito (2025) e, mais recentemente, de Chainsaw Man: Reze Arc indicam um caminho promissor de investimento tanto para os estúdios de animação quanto para o mercado exibidor.
O filme foi produzido por meio da Lei Paulo Gustavo (Foto: Leticia Bonatelli)
Davi Marcelgo
Elm Street, Woodsboroe Nova York são algumas cidades, fictícias ou não, que protagonizaram clássicos do slasher americano. A forma como a população se comporta e os lugares que os jovens frequentam são aspectos importantes na trama destes filmes, sobretudo porque a tranquilidade dos subúrbios americanos ou o julgamento de um município interiorano são elementos que o Terror deturpa e radicaliza para tensionar os personagens e o público. Em X-Slasher(2025), dirigido por Leticia Bonatelli, os sangues nas pontas de faca desembarcam em Bauru (São Paulo), sendo o ambiente crucial para a história que quer contar. Continue lendo “X-Slasher degusta Bauru até o último pedaço”
Atriz e protagonista de Morte e Vida Madalena fala sobre sentimentos e diversidade na produção cinematográfica
A dramaturga dedicou a obra a todas as profissionais trans do audiovisual e para as que “trabalham com atuação nesse país”. (Arte: Arthur Caires)
Davi Marcelgo
Antes da última sessão de Morte e Vida Madalena (2025) na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começar, Noá Bonoba, a atriz que interpreta a personagem título, advertiu a plateia: “É um filme muito divertido, muito engraçado”, mas… dava para confiar? Afinal, dificilmente uma profissional vai criticar seu trabalho, quanto mais dentro de um dos principais festivais do Brasil. Entre situações inusitadas e expressões hilárias, quem ignorou o aviso de Bonoba teve uma grata surpresa, o filme é o superlativo de divertido. Continue lendo “Persona Entrevista: Noá Bonoba”
Love Kills foi exibido no Festival do Rio 2025 (Foto: Filmland Internacional)
Davi Marcelgo
Existem filmes que transformam cidades em personagens ou fazem delas elementos importantes para a trama. Na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, por exemplo, o longa A Árvore do Conhecimento (2025) usa as transformações de Lisboa como ponto de partida de sua história. Já Baby(2024) faz das ruas da capital paulista um local de refúgio e identidade. Essa característica não está presente em Love Kills, apesar de a diretora Luiza Schelling transformar a terra da garoa em sua Transilvânia, ela pode ser substituída por qualquer outro cenário. A produção faz parte da seção Mostra Brasil do evento e reproduz a linguagem e a gramática de países externos. Continue lendo “Vampiros ladram, mas não mordem em Love Kills”