
Guilherme Moraes
Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.
Planos fechados e dinamismo. Esse é o estilo que Safdie adota para o longa. Somos sufocados pela imagem de Marty Mauser que está sempre em movimento, ora jogando, ora transando, ora tramando algum esquema para ganhar dinheiro. A combinação Timothée e Darius Khondji (diretor de fotografia) é fundamental para a obra. Mais do que fazer caretas, o papel de um grande ator é como ele se comporta dentro de um plano, nesse sentido, o protagonista está sempre se movimentando dentro dos quadros, há sempre algo a fazer, há sempre uma necessidade a suprir.
Entretanto, entre calotes, fugas e humilhações, o personagem principal não consegue se concentrar no que há de mais importante para ele: o jogo. Após perder o campeonato, tudo o que gostaria era uma revanche, contudo, para alguém que vive na margem da sociedade, essas chances precisam ser conquistadas na marra. O jogo, então, se torna secundário. Para acessar a elite do esporte novamente, o personagem precisa batalhar por dinheiro, além de lidar com suas questões pessoais.

Há duas personagens que vão dar sentido à obra: Rachel (Odessa A’Zion) e Kay Stone (Gwyneth Paltrow). A primeira é um motim para a trama, quando Marty descobre que ela está grávida de seu bebê, suas ações passam a ser mais desesperadoras. A segunda é a diferença entre a ralé e a elite. Kay era uma atriz que abandonou o ofício por razões particulares, no entanto, sua posição na sociedade permite que ela retorne quando quiser – ainda que seja necessário falar sobre o seu gênero como uma barreira, afinal, ela depende do marido para voltar aos palcos.
Enquanto isso, Mauser precisa suar sangue para ter uma oportunidade. Sua jornada inclui tiros, raquetadas, golpes e traições. Ele passa por todo o tipo de humilhação para poder jogar um amistoso (nem mesmo o campeonato ele conseguiu alcançar). Não há honra em sua história, o caminho para a elite do esporte é tortuoso, e, diferentemente do que a maioria dos outros filmes Hollywoodianos pregam, suja. Não há dúvidas entre o certo e o errado, o protagonista toma todas as decisões erradas e prejudiciais aos outros, porém, necessárias.
A trajetória honrosa, Safdie e Timothée deixam para outras propagandas meritocráticas estadunidenses, Marty Supreme permite que a sua estrela seja problemática e errática; que sua vitória profissional seja pouca, mas muito celebrada, e sua chance de redenção e legado venha de um lugar que ele jamais imaginou: a paternidade.
