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	<title>Arquivos Ática &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Abril de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2022 21:18:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” &#8211; Lygia Fagundes Telles O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de Lygia Fagundes Telles, uma das maiores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Abril de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27522" aria-describedby="caption-attachment-27522" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27522 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg" alt="Arte retangular de cor rosa pastel. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris magenta. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “A estrutura da bolha de sabão”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘abril de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27522" class="wp-caption-text">Em abril, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre os conscientes e inconscientes da antologia de contos A Estrutura da Bolha de Sabão, da eterna Dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” </span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Lygia Fagundes Telles</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das maiores escritoras do país. A autora é considerada uma referência na Literatura pós-</span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e usou as vozes de personagens femininas e suas múltiplas nuances como protagonistas em muitos de seus escritos. Lygia foi a terceira mulher a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras), recebeu o Prêmio Camões em 2005 e chegou a ser a primeira mulher brasileira indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, aos 96 anos de idade. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ciranda-de-pedra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ciranda de Pedra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão no Aquário</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Seminário dos Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos títulos mais conhecidos da escritora, e apesar de sua destreza como romancista, os contos foram o grande destaque de sua carreira. Diante da grandeza de Lygia Fagundes e seu recente falecimento, a atual leitura do Persona não poderia ser diferente. Por isso, o escolhido da vez foi o compilado de contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado pela primeira vez sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1978, o livro junta oito contos narrados por personagens variados, em que a grande brincadeira fica por conta das transições entre realidade e pensamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube discutiram as entrelinhas do texto e tentaram desvendar os encantos por trás do ar enigmático da </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2022/04/11/lygia-fagundes-telles-paixao-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizada pela autora. Entre os comentários, a sutileza ao emparelhar o intrínseco dos personagens e o mundo externo a suas individualidades, os leitores do Persona destacaram a objetividade com a qual Lygia especulava a complexidade humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade de organizar as palavras como charadas condutoras de uma narrativa particularmente imprevisível e aberta a tantas possibilidades também foi um dos destaques da discussão. Além disso, as reflexões sobre o fator que unia tantas histórias diferentes em um produto só deu espaço para os leitores criarem suas próprias teorias. E seja pela tensão que ronda as relações interpessoais e intimistas ou pela certeza dos desenlaces decepcionantes, a conclusão foi que, se Lygia descobriu os segredos da estrutura da bolha de sabão, ela não pretendia deixá-la às claras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política e discussões socioculturais abraçadas pela obra não foram esquecidas, e os retratos de conflitos, preconceitos e desigualdade reafirmaram a imagem de uma autora ousada e sabiamente desafiadora. Ainda, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">resgatou nas memórias as narrativas de Hilda Hilst e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando como mesmo seus pontos em comum se exprimem com uma singularidade incomparável.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura do mês expulsou a temida Lygia dos vestibulares e deu a sua obra um passe para a imortalidade. Nesse cenário tomado por despedidas e eternização, a Literatura não pretende deixar saudade, então fique agora com as indicações dos membros do Clube do Livro para o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> de Abril.</span></p>
<p><span id="more-27520"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27523" aria-describedby="caption-attachment-27523" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27523 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, vemos diversas formas geométricas coloridas, que se sobrepõem. As cores predominantes são verde, rosa, azul, branco e amarelo. Existem quatro flores desenhadas à direita. Abaixo, mais à esquerda, está um retângulo vertical de cor branca. Dentro dele, está escrito Lygia Fagundes Telles, em fonte de cor preta, abaixo está escrito A estrutura da bolha de sabão, em fonte de cor rosa, seguido pela palavra contos, em fonte de cor cinza. Mais abaixo, ainda dentro deste retângulo e de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1.jpg 1654w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27523" class="wp-caption-text">Na obra, Lygia Fagundes Telles retrata a vida como algo frágil, fugaz e misterioso, tal qual uma bolha de sabão (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; A Estrutura da Bolha de Sabão (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma coleção de contos da escritora símbolo do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lygia Fagundes Telles. Guiada por um clima de tensão, não há como relaxar durante a leitura que se faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><span style="font-weight: 400;">genialmente desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> a todo o momento. Publicada pela primeira vez em 1978 sob o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra ganhou o nome do seu conto homônimo para o relançamento em 1991. Àquela época, o texto que encerra a seleção já havia se tornado um destaque na carreira de Telles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358556/lygia-fagundes-telles-por-ela-mesma-eu-luto-com-a-palavra.shtml"><span style="font-weight: 400;">dama da literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma romancista realista, quando ela se apropria da persona contista, não falta espaço para o fantasioso. Afinal, nos oito contos, através da sua constante abordagem da consciência humana, a autora aproveitou para usufruir sem medo algum do intenso fluxo de pensamentos das personagens. Para além, a sua característica visão sobre as grandes cidades e os vícios que acarretam a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-escritora-obra-importancia.htm"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu singular e atraente para o leitor, sem esquecer da tradicional sinestesia da cor verde que marcou presença em alguns trechos do livro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não conte a ninguém, mas descobri, a bolha de sabão é o amor.” </span></i><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos deixou no mês de abril e, assim como ela demorou para compreender a existência de um físico que estudava a bolha de sabão, há ainda muito a desvendar sobre uma das autoras mais importantes que o Brasil já teve. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> significa algo, esse algo é a infinitude e a eternidade do poder de suas palavras que causam sentimentos tão fortes quanto o amor.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: A Estrutura da Bolha de Sabão - Clube do Livro Abril 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3JxIVFMTZ7woZ8YyHSgjVY?si=db615094896a4cf1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27524" aria-describedby="caption-attachment-27524" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27524 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Construção de Mim Mesma. A capa é branca e tem uma borboleta roxa no centro. No topo da imagem, lemos o nome da autora, Letícia Lanz, e abaixo da borboleta está o título do livro: A Construção de Mim Mesma. Abaixo, está o subtítulo, em fonte menor: Uma história de transição de gênero. Abaixo, vemos o logo da editora Objetiva." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27524" class="wp-caption-text">Autora de A Construção de Mim Mesma, Letícia Lanz é psicanalista, palestrante, ativista e foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2020 (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Lanz &#8211; A Construção de Mim Mesma (112 páginas, Objetiva)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes de maior relevância para a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/leticia-lanz-e-o-complexo-mundo-transgenero"><span style="font-weight: 400;">comunidade trans no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Letícia Lanz decide por contar sua própria história no sincero </span><i><span style="font-weight: 400;">A Construção de Mim Mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o subtítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de transição de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de não-ficção transita entre o espaço e o tempo para que Letícia, uma mulher já na terceira idade, se apresente ao mundo da maneira que sempre o fez no individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A honestidade se junta à brevidade da escrita da autora, sempre buscando situar quem lê na mente de alguém que nasceu em estado de discordância do gênero a que foi atribuída no nascimento. Do </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/10/31/transicionei-aos-50-anos-apos-sofrer-um-infarto.htm"><span style="font-weight: 400;">apoio que recebeu da esposa</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a parceria que firmou com diversas amigas da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lanz faz sua rede de apoio se estender para além das páginas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27525" aria-describedby="caption-attachment-27525" style="width: 729px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27525 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg" alt=" Imagem da capa do livro O Escaravelho do Diabo. A arte de capa consiste em um fundo amarelado na parte superior e em um fundo verde a partir do meio da altura do livro. No fundo amarelado na parte superior, está escrito o nome da escritora, Lúcia Machado de Almeida, seguido do título da obra, O Escaravelho do Diabo. Ambos os nomes estão em caixa alta na cor verde. No fundo verde a partir do meio da altura do livro, está um desenho de um besouro de cor vermelha. Na parte inferior do livro, também de fundo verde, estão localizados os logos da Editora Ática em tom amarelado." width="729" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg 729w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-768x1079.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1.jpg 926w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27525" class="wp-caption-text"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/foi-um-risco-diz-diretor-sobre-adaptar-o-escaravelho-do-diabo/">O Escaravelho do Diabo</a> foi adaptado para as telas do Cinema em 2016 (Foto: Editora Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Lúcia Machado de Almeida &#8211; O Escaravelho do Diabo (128 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos meados da década de 70, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Editora Ática</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou no Brasil a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BV_0jlXFWss"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção Vaga-Lume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma série de livros voltada para o público infantojuvenil. Facilmente reconhecidos pelas artes de capa emolduradas, grande parte dos títulos se tornaram clássicos que marcaram gerações. Entre eles, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do DiaboI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da autora mineira </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/biografia-repassa-a-vida-da-escritora-e-mecenas-lucia-machado-de-almeida-1.2465632"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Machado de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi e ainda é um dos principais responsáveis por despertar o interesse pelo suspense policial na literatura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma pequena cidade do interior, a narrativa sobre a sequência de assassinatos de pessoas ruivas e a sua relação com besouros é repleta de mistério. Por se tratar de uma obra de leitura simples e por marcar presença nas estantes de leitura jovem das bibliotecas, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/04/o-escaravelho-do-diabo-veja-10-curiosidades-da-serie-vaga-lume.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sempre entrou em contato com os leitores mais precoces. Por isso, não é exagero admitir que os escritos de Almeida formam e ensinam desde a sua primeira publicação. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27533" aria-describedby="caption-attachment-27533" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27533 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg" alt="Reprodução da capa do livro As coisas de Tobias Carvalho. A capa é de um vermelho escuro e, por apenas um traço fino e preto, se forma um desenho de um rosto. Acima do título, que encontra-se no centro da capa, em letras brancas, encontra-se o nome do autor, escrito também em branco. Abaixo, informa-se que é um livro de contos e sua vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2018. No canto inferior direito, o selo do Grupo Editorial Record." width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27533" class="wp-caption-text">As Coisas, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, tece, em inúmeros fios, as aventuras de homens gays na vivência do desejo e da identidade (Foto: Grupo Editorial Record)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho &#8211; As Coisas (144 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia do porto-alegrense Tobias Carvalho é uma abertura ao universo de encontros e desencontros de seus personagens, homens gays, moradores de Porto Alegre e engajados na negociação de suas afetividades na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em seus contos, Carvalho traz momentos da vida cotidiana enclausurados em texto, levando o leitor até mesmo a se perguntar o que ocorreu realmente ao autor ou o que foi simplesmente uma conversa de bar guardada com um preciosismo digno de um item de colecionador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o que pulsa é a vida desses homens em relação ao mundo exterior que os abraça e hostiliza simultaneamente. Desde uma discussão de relacionamento em mensagens de texto a sucessivas transas mediadas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Grindr </span></i><span style="font-weight: 400;">em um dia de tédio, as experiências gays são contempladas e esmiuçadas como pequenas joias de uma realidade muitas vezes escondida na Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que parece ainda negar as formas que pessoas homossexuais se </span><a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/#:~:text=Mas%20acho%20tamb%C3%A9m%20que%20d%C3%A1%20para%20virar%20a%20p%C3%A1gina%2C%20falar%20sobre%20o%20que%20vem%20a%20partir%20da%C3%AD%2C%20naturalizar%20que%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20homossexuais%20existem%2C%20mas%20estar%20atento%20%C3%A0s%20particularidades%20que%20elas%20trazem."><span style="font-weight: 400;">relacionam fora da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim construindo a mesma e velha estória amparada na descoberta sexual e do jogo sedutor do sigilo. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27527" aria-describedby="caption-attachment-27527" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27527 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg" alt="Capa do livro Cartas de Amor aos Mortos. A capa apresenta um degradê de cima para baixo com as cores preto, azul escuro, tons de azul mais claro, roxo, lilás e coral. Entre as cores aparecem nuvens esbranquiçadas e estrelas de tamanhos variados, representando o céu. O título está centralizado e as palavras “Cartas”, “Amor” e “Mortos” tem fontes maiores em relação às outras. “Mortos” está grafado na cor preta e há uma menina sentada na primeira letra O com os pés apoiados na letra T, ela veste uma camiseta com short jeans e está escrevendo em um caderno. Na porção inferior da capa aparece o nome da autora e a editora, já na porção superior há um pequeno texto com a opinião de Stephen Chbosky sobre o livro." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-768x1178.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1335x2048.jpg 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1200x1840.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27527" class="wp-caption-text">“Ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo” (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ava Dellaira &#8211; Cartas de Amor aos Mortos (344 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartas de Amor aos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o romance de estreia da norte- americana Ava Dellaira. Escrito em narrativa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">epistolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto nos guia pelas palavras de Laurel, uma adolescente desestabilizada lidando com o luto gerado pela misteriosa morte de sua irmã mais velha, May. Tentando se reinventar, a protagonista começa o Ensino Médio em uma escola nova, e em suas aulas de Inglês recebe a curiosa tarefa de escrever uma carta para um morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Motivada pela atividade, Laurel passa a escrever cartas para artistas como Kurt Cobain, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop e </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">. Escrever para os mortos se torna um portal, não um que desvenda os segredos da morte, mas que guarda os da vida. Entre questionamentos sobre a trajetória das celebridades e reflexões geradas pelo seu próprio dia a dia, cada carta revela uma parte do consternante amontoado de angústias residentes na personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto dedica seus monólogos letrados a uma celebridade ou outra, Laurel mostra a verdade, e seus medos, inseguranças, traumas, amores e individualidade ganham espaço nas grafias. Assim, dos dramas às conquistas, a autora entrega uma descrição moldada por palavras tão sinceras e palpáveis que permitem ao leitor a experimentação mais genuína e aflitiva da empatia. Em suma, </span><a href="https://www.meon.com.br/meonjovem/alunos/resenha-cartas-de-amor-aos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Carta de Amor aos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apaixonante ao destrinchar a controversa dor do amor. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27528" aria-describedby="caption-attachment-27528" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27528 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Barba ensopada de sangue. Na imagem, há um fundo vermelho com pequenas manchas em cor branca, simulando fios de barba. À direita, está escrito “Barba ensopada de sangue” em fonte de cor branca. Abaixo, está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor branca, e à esquerda está escrito “Daniel Galera”, também em fonte de cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27528" class="wp-caption-text">Barba ensopada de sangue é o 4º romance de Daniel Galera, e completa 10 anos em Maio de 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (424 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre, </span><a href="https://danielgalera.info/#livros"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um dos fundadores da editora </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37422"><i><span style="font-weight: 400;">Livros do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001-2004) – junto a </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13510"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pellizzari</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guilherme Pilla. Além de escritor de fôlego, é também ensaísta e tradutor literário, tendo vertido para o português obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, Zadie Smith e Chris Ware. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453"><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – seu quarto e premiado romance, que completa 10 anos de lançamento em 2022 –, acompanhamos um protagonista sem nome (por vezes chamado de “nadador”), um professor de Educação Física que, após o suicídio do pai, se muda para Garopaba, cidade litorânea de Santa Catarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse personagem possui uma condição: não é capaz de memorizar faces. Dessa forma, se esquece também de suas próprias feições, percebendo posteriormente que são similares à do seu avô, assassinado no passado, cujas circunstâncias do crime seguem obscurecidas. Ao estilo das obras de </span><a href="https://www.theguardian.com/culture/2022/mar/09/cormac-mccarthy-two-new-novels-coming-in-2022-16-years-after-the-road"><span style="font-weight: 400;">Cormac McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;">, vagamos através da história como espectros, guiados por narrações em terceira pessoa e diálogos reveladores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a observação excessiva sobre pequenos detalhes reafirma a condição do protagonista – única voz que nos apresenta a narrativa –, evidenciando aquilo que ele próprio vê: um emaranhado de acontecimentos cometidos por pessoas sem rosto, lembradas por seus gestos e particularidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é potente ao revelar as diversas situações e condições que se somam para constituir a identidade, além de apontar para uma certa hereditariedade de acontecimentos que sucedem nossas vidas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27529" aria-describedby="caption-attachment-27529" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27529 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg" alt="Capa do livro O Observador no Escritório, de Carlos Drummond de Andrade. A imagem tem fundo branco, que recebe uma fotografia em preto e branco do autor, ocupando a metade inferior da capa. Ele é um homem branco, usa óculos grossos arredondados e um terno escuro. Carlos está sentado à frente de uma mesa, com as mãos repousadas sobre uma máquina de escrever. Ele olha para o lado direito, fora da imagem. Na linha superior, está escrito o nome do livro, em fonte simples e caixa alta, num tom de verde médio. Embaixo do título, está o nome do autor, no mesmo estilo de fonte, porém em preto. No canto inferior direito da capa, existe o logo da editora, também em preto sob o fundo branco." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1336x2048.jpg 1336w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1200x1839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27529" class="wp-caption-text">Reza a lenda que por pouco os diários pessoais de Carlos Drummond de Andrade perderam-se para sempre antes de se transformarem no livro lançado em 1985, sendo um alvo desejado e material quase findado pela tesoura crítica do autor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Drummond de Andrade &#8211; O Observador no Escritório (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que os fantasticamente ordinários contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram manifestos na linguagem crua e radical de Lygia Fagundes Telles, o fundo bruto de realidade da Dama da Literatura brasileira parecia evocar uma aproximação com a capacidade analítica criativa do nosso </span><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fenômeno ainda está em fase de compreensão, mas para compor a mais recente Estante do Persona, não pude deixar de atender ao clamor de Carlos Drummond de Andrade e de sua obra diarista, que ao construir suas observações de mundo com a perspicácia de sempre e um humor refresco, se coloca, de uma forma intrigante e bem específica, mais uma vez ao lado de sua querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">parceira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Observador no Escritório</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a amizade entre </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/11/20/lygia-fagundes-telles-ele-me-estendeu-a-mao/"><span style="font-weight: 400;">Telles e Drummond</span></a><span style="font-weight: 400;"> já detém &#8211; literalmente &#8211; a licença poética necessária para esse tipo de referência. Mas algo especial acontecia quando Carlos encerrava seu hábito de tomar notas pessoais, mantido desde 1943, em setembro de 1977 &#8211; dez anos antes de sua morte e um ano antes do lançamento da referida obra de Lygia. Ela, emergindo suas palavras nas camadas profundas das relações humanas, recorria à ficção. Ele, atento e envolvido em um período de intensas mudanças no país, se encarregava de retratá-lo com sinceridade e riqueza de linguagem. E quando um dos auges da ficcionalização dela se relaciona com o centro da realidade dele, o resultado é um daqueles eventos celestes tão estrondosos quanto misteriosos, que só o universo da Literatura pode conceber. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Carolina Maria de Jesus e o Quarto de despejo persistem</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 18:53:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Das confissões mais íntimas de Carolina Maria de Jesus, surge Quarto de despejo. Mesmo com mais de 1 milhão de cópias vendidas &#8211; 10 mil só na primeira semana -, tendo ganhado traduções para 13 idiomas e sendo comercializado em mais de 40 países, o nome da autora não significava tanto, à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carolina Maria de Jesus e o Quarto de despejo persistem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26714" aria-describedby="caption-attachment-26714" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/QUARTODEDESPEJOWORDPRESS_VITORIA-800x420.jpg" alt="Montagem com a capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. Ao centro, em frente a um fundo amarelo, vemos a capa azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/QUARTODEDESPEJOWORDPRESS_VITORIA-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/QUARTODEDESPEJOWORDPRESS_VITORIA-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/QUARTODEDESPEJOWORDPRESS_VITORIA.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26714" class="wp-caption-text">Quarto de despejo foi o livro debatido em Fevereiro pelo Clube do Livro do Persona; hoje, 14 de março, sua autora completaria 108 anos (Foto: Editoria Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das confissões mais íntimas de Carolina Maria de Jesus, surge </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com mais de 1 milhão de cópias vendidas &#8211; 10 mil só na primeira semana -, tendo ganhado traduções para 13 idiomas e sendo comercializado em mais de 40 países, o nome da autora não significava tanto, à época, quanto agora &#8211; que ainda é pouquíssimo, se comparado aos devidos créditos merecidos. Mulher negra, mãe solo, moradora da favela, antes de ter seus diários publicados, a luta do dia a dia de Carolina era por comida. </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-08/carolina-maria-de-jesus-a-escritora-da-favela-que-virou-fenomeno-editorial.html"><span style="font-weight: 400;">Seus escritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foram importantes para ela, mas nunca mais do que os filhos e o árduo trabalho diário, o único meio de alimentá-los.</span></p>
<p><span id="more-26694"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, na favela do Canindé, a poeta &#8211; como ela mesmo se intitulava &#8211; foi encontrada. A descoberta aconteceu corriqueiramente, quando o jornalista Audálio Dantas caçava uma reportagem no local, no final da década de 50. Ele buscava retratar o cotidiano e as pessoas que ocupavam aquele espaço, mas os relatos de Carolina, escritos em mais de 35 diários encontrados onde ela vivia, contavam a história do lugar e de seus habitantes melhor do que qualquer matéria jornalística faria. E assim foi: compilando e editando os cadernos da autora, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g4iqwB1QUn8"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> primeiro publicou trechos nos jornais </span><i><span style="font-weight: 400;">Folha de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cruzeiro</span></i><span style="font-weight: 400;">; depois, a coletânea final foi lançada em 1960 como o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26695" aria-describedby="caption-attachment-26695" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/foto-audalio-dantas.jpg" alt="" width="680" height="470" /><figcaption id="caption-attachment-26695" class="wp-caption-text">Em 2022, o Instituto Moreira Salles organizou a exposição “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros”, dedicada à trajetória e produção literária da autora (Foto: Editora Malê)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Carolina Maria de Jesus retrata as vivências na favela, que, antes de ser </span><a href="https://treinamento24.com/library/lecture/read/373070-como-era-a-favela-do-caninde-em-1960"><span style="font-weight: 400;">desocupada</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficava às margens do Rio Tietê, em São Paulo. Documentando o dia a dia, ela discorre sobre a fome, sobre as condições de moradia, saneamento básico e saúde, sobre as relações e dinâmicas interpessoais, preconceitos e violências, e sobre o estado de invisibilidade social a qual os favelados eram submetidos. Inclusive, apesar da autora deixar claro sua aversão pela vida que era obrigada a levar, ela emprega “favelados” não como uma injúria, mas descrevia os moradores da comunidade se reconhecendo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como Audálio Dantas constatou, o livro é um documento digno de uma análise sociológica, mas mesmo um profissional da área não conseguiria entender a totalidade das palavras escritas por Carolina. “</span><i><span style="font-weight: 400;">É um documento que um sociólogo poderia fazer estudos profundos, interpretar, mas não teria condição de ir ao cerne do problema e ela teve, porque vivia a questão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-03/brasil-lembra-centenario-de-escritora-que-definiu-favela-como-quarto-de"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o jornalista na época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante as 200 páginas do trabalho, a autora conta situações, misturando-as com sentimentos e percepções. Em um trecho, por exemplo, ela descreve a fome em cores. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mesmo que as </span><span style="font-weight: 400;">condições de precariedade</span><span style="font-weight: 400;"> fossem conhecidas, Carolina, que </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/14/cultura/1521065374_369396.html"><span style="font-weight: 400;">as viveu</span></a><span style="font-weight: 400;">, as colocou no papel melhor do que qualquer escritor de ficção ou repórter conseguiria, simplesmente por entendê-las. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela escreve em outro momento.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visitas com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quanto estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo</span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais triste que seja, é a pessoalidade da poeta que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo </span></i><span style="font-weight: 400;">potente, impactante e triste como é. Características essas que se estendem à Literatura de Carolina. Antes de rumar a São Paulo, em 1937, e à favela do Canindé, em 1947, </span><a href="https://ponte.org/carolina-maria-de-jesus-a-escritora-que-ainda-precisa-ser-conhecida-e-reconhecida/"><span style="font-weight: 400;">Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu no interior de Minas Gerais, vinda de família simples, sofreu maus tratos na infância e frequentou a escola por menos de dois anos. O pouco tempo de estudo, porém, foi o suficiente para que ela desenvolvesse gosto pela leitura e pela escrita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que não haja provas concretas, é provável que a autora tenha sido autodidata. Semianalfabeta, os livros tiveram influência em sua vida, como ela mesmo destaca em trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">: em mais de um momento, ela declara o desejo de comprá-los e lamenta que gaste o pouco dinheiro que ganha somente com alimentos. O papel importante da Literatura também é percebido na forma como ela escreve: misturado à redação com erros gramaticais e expressões próprias, </span><a href="https://ims.com.br/exposicao/carolina-maria-de-jesus-ims-paulista/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> emprega um vocabulário rebuscado, provavelmente espelhado de obras que consumia.</span></p>
<figure id="attachment_26696" aria-describedby="caption-attachment-26696" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26696" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-800x518.jpeg" alt="Recorte de jornal antigo. O recorte de jornal, duas páginas abertas, mostra, do lado esquerdo, uma foto em preto e branco de Carolina Maria de Jesus escrevendo em um caderno. Ao lado dela, vemos o título “A fome fabrica uma escritora” e um bloco de texto. Na página da direita, vemos duas fotos em preto e branco, uma seguida da outra ao longo da página. A primeira mostra crianças brincando e um menino pulando de braços abertos. A segunda mostra crianças e mulheres adultas pegando alguma coisa do chão de grama, às margens de um rio." width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-800x518.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-1024x663.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-768x497.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-1200x777.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26696" class="wp-caption-text">“Será que Deus sabe que existe as favelas e que os favelados passam fome?” (Foto: O Cruzeiro)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo </span></i><span style="font-weight: 400;">narra o cotidiano completo da favela. Escritos ao mesmo tempo que a autora trabalhava como catadora de papel para sustentar a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/netas-de-escritora-carolina-maria-de-jesus-dizem-viver-quarto-de-despejo-2.shtml"><span style="font-weight: 400;">família</span></a><span style="font-weight: 400;">, os diários ganhavam mais páginas completas quando sobrava tempo. Em trechos, ela descreve a penosa rotina: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Saí indisposta, com vontade de deitar. Mas, o pobre não repousa. Não tem o privilegio de gosar descanço</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de conta que eu estou sonhando</span></i><span style="font-weight: 400;">” são alguns dos exemplos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se a obra é sobre a favela, sob o olhar e as palavras de uma favelada, o vocabulário próprio de Carolina é fundamental para o entendimento do livro e da jornada de sua autora. Erros gramaticais, de concordância e pontuação, além do uso de expressões próprias, foram mantidas em todas as edições publicadas e destacam ainda mais para o dom de Maria de Jesus. As peculiaridades do texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o tornam cru: dos diários, íntimos e pessoais, ouvimos a versão dela sobre sua própria vida, impactante por si só.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Passei no Frigorífico, peguei uns ossos. As mulheres vasculham o lixo procurando carne para comer. E elas dizem que é para os cachorros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até eu digo que é para os cachorros…</span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da intimidade dos diários, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qRjDmmWAFEo"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> não escondia que tinha o sonho de publicá-los. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem hora que eu odeio o repórter Audalio Dantas. Se ele não prendesse o meu livro eu enviava os manuscritos para os Estados Unidos e já estava socegadaI</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve. Inclusive, a poeta usava seu trabalho como sua arma, tanto para manter a esperança no presente, para o futuro, quanto para se portar frente aos outros moradores do Canindé. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela declara, depois de citar nomes e descrever situações ao pé da letra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/09/01/obra-musical-de-carolina-maria-de-jesus-vem-a-tona-em-exposicao-sobre-a-escritora.ghtml"><span style="font-weight: 400;">voz da escritora</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, já chegou a ser desacreditada. Como disserta Maria Lúcia de Barros Mott, no artigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Escritoras negras: resgatando a nossa história</span></i><span style="font-weight: 400;">, alguns críticos “</span><i><span style="font-weight: 400;">olhavam com reservas a obra de Carolina, negando inclusive a autoria de seus livros, atribuindo Quarto de despejo ao jornalista Audálio Dantas. E esta não é a primeira vez que o livro de uma escritora negra tem autoria atribuída ao apresentador da obra</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os descréditos foram constantes, mas a obra, de início, foi sucesso de vendas Brasil à fora e chamou atenção do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/08/4944037-casa-de-alvenaria-de-carolina-de-jesus-recupera-diario-da-escritora.html"><span style="font-weight: 400;">mercado literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> nacional.</span></p>
<figure id="attachment_26697" aria-describedby="caption-attachment-26697" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26697" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/carolina-2.jpg" alt="" width="800" height="662" /><figcaption id="caption-attachment-26697" class="wp-caption-text">Carolina Maria de Jesus faleceu em Fevereiro de 1977, aos 62 anos, vítima de uma crise de insuficiência respiratória (Foto: Acervo UH/Folhapress)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema veio poucos anos depois. O </span><i><span style="font-weight: 400;">boom </span></i><span style="font-weight: 400;">arrecadou elogios e reconhecimentos para Carolina, suficientes, inclusive, para que ela realizasse o sonho de sair da favela do Canindé. Ela, os filhos José Carlos e João José e a filha Vera Eunice </span><a href="https://elle.com.br/cultura/carolina-de-jesus"><span style="font-weight: 400;">foram residir em Santana</span></a><span style="font-weight: 400;">, bairro de classe média em São Paulo. Porém, logo, Jesus, seus escritos e os assuntos sobre os quais escrevia foram esquecidos, condenados à indiferença, mais uma vez. Prova disso é o livro</span> <span style="font-weight: 400;">ser estudado e disseminado em países estrangeiros mais do que nacionalmente: </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo </span></i><span style="font-weight: 400;">virou </span><a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/livro-de-carolina-maria-de-jesus-e-resgatado-em-vestibulares-da-ufrgs-e-unicamp-40-anos-apos-morte-de-escritora.ghtml"><span style="font-weight: 400;">leitura obrigatória em vestibulares</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela primeira vez, só em 2017, 40 anos depois da morte da escritora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desinteresse se estende à autora, mesmo depois de falecida. </span><a href="https://deliriumnerd.com/2019/09/04/diario-de-bitita-a-infancia-de-carolina-maria-de-jesus/"><i><span style="font-weight: 400;">Diário de Bitita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra póstuma, foi publicado primeiro na França, em 1982, e somente quatro anos depois chegou ao Brasil. Esse </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">apagamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, não foi &#8211; e não é &#8211; surpresa. Em meio ao governo de Juscelino Kubistchek, em que o avanço prometido não se estendia às populações marginalizadas, Carolina também denunciava os políticos e as instituições, assistencialistas e oportunistas, que pouco se mobilizavam para mudar as condições da favela e só visitam o local em época de eleições. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela defende.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Fico pensando: os norte-americanos são considerados os mais civilisados do mundo e ainda não me convenceram que preterir o preto é o mesmo que preterir o sol. O homem não pode lutar com os produtos da Natureza. Deus criou todas as raças na mesma epoca. Se criasse os negros depois os brancos, ai os brancos podia revoltar-se”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diários de Maria Carolina de Jesus, além de oferecerem o cruel panorama da realidade da favela, também destacam a personalidade de sua autora. Em meio à luta diária por </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/sp/sao-paulo/noticia/2021/10/08/pessoas-buscam-ossos-de-carne-na-cacamba-de-descarte-do-mercadao-centro-de-sp.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">, Carolina se mostrava extremamente perspicaz e contundente em suas percepções. As farpas aos políticos explicitavam isso, mas a poeta também criticava os próprios moradores locais, que, segundo ela, reforçavam a barbaridade, e os provocava para a necessidade de </span><a href="http://www.justificando.com/2018/02/21/livro-quarto-de-despejo-e-suas-questoes-juridicas/"><span style="font-weight: 400;">revolta</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao invés de aceitarem as precariedades. Muito consciente e crítica da sociedade, ela também comentava sobre sua independência como mulher, em não ser casada por opção e conseguir criar e sustentar os filhos sozinha, e dissertava sobre questões de raça e classe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma obra completa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t3dzlAr4euo"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra a realidade nua e crua, melhor do que qualquer reportagem faria. A narrativa forte, difícil e tocante é, também, surpreendente, principalmente pela naturalidade e verdade de sua autora. Merecidamente, Carolina Maria de Jesus foi reconhecida com o título de doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2021, uma homenagem póstuma. Antes disso, em vida, teve de se mudar de Santana para um sítio em Parelheiros, extrema zona sul de São Paulo, no que seus livros já não emplacavam mais. Hoje, 45 anos após a morte da escritora, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo </span></i><span style="font-weight: 400;">persiste: </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/cerca-de-8-da-populacao-brasileira-mora-em-favelas-diz-instituto-locomotiva/"><span style="font-weight: 400;">17,1 milhões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas vivem em favelas, em todo o Brasil.</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as autoras que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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