Dr. Estranho, mas nem tanto

Dr. Estranho

João Pedro Fávero

A nova empreitada da Marvel Studios não mostra nada de estranho em comparação aos outros filmes da produtora, apesar do título do filme. O enredo de Dr. Estranho mantém o padrão de uma história de origem de um super-herói, mas se encontra nos efeitos visuais e nas atuações de Tilda Swinton e Benedict Cumberbatch.

Cumberbatch vive o protagonista Stephen Strange, renomado neurocirurgião com um ego infladíssimo que sofre um acidente de carro e perde toda a destreza nas mãos necessária para sua profissão. Depois de vários processos cirúrgicos falhos, ele vai para o Nepal atrás do Ancião (Tilda Swinton), dito que este pode curá-lo e assim ele pode obter sua vida de volta. Lá, recebe o ensinamento que o leva a descobrir que existem vários universos, aprende a conjurar feitiços, se torna mais humilde e, finalmente, vira o protetor desse mundo. O grande problema da produtora com vilões persiste, já que aqui ele também é esquecível e serve apenas como uma ameaça fugaz, praticamente jogando fora o talento de Mads Mikkelsen. Rachel McAdams também entra nessa lista, com um papel totalmente nulo de interesse amoroso do personagem principal.

No mais, parece estranho que, durante toda a parte em que o personagem está no Nepal, ainda surjam vários rostos ocidentais (inclusive a de sua mestre) e o único personagem de expressão com traços físicos orientais (Benedict Wong) sirva de alívio cômico. É possível que o Dr. Estranho deixe de existir no cinema se Cumberbatch desistir do papel, porque assim como aconteceu com Robert Downey Jr. e seu Tony Stark, parece que ator e personagem se sobrepõem.

Os efeitos do filme evocam uma comparação com as obras de Maurits Escher e o superestimado A Origem (2010), com cidades dobrando e lugares fechados rotacionando e mudando seu ponto gravitacional. Na grande cena de impacto do filme, onde o Ancião discursa sobra a existência de infinitos universos enquanto Strange viaja por eles, é de se notar as referências à cena de luzes multicoloridas da viagem interdimensional em 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), e às mãos surgindo para aterrorizar o protagonista como em Repulsa ao Sexo (1965). Infelizmente o filme perde oportunidade de uma edição mais vigorosa nas cenas em que ocorrem transições de cenário, algo que poderia ter sido inspirado em Satoshi Kon.

Dentro do universo que a Marvel estabelece no cinema, o filme é mais um pilar na construção do que será a Guerra Infinita no cinema, apresentando mais uma joia do infinito. Além disso, as duas cenas pós-créditos ensaiam uma possível aparição do Dr. Estranho no próximo filme do Thor, além do possível vilão do segundo filme do Doutor.

Infelizmente o filme cai no mesmo roteiro de origem de super-herói, ainda que Guardiões da Galáxia (2014) tenha mostrado que há maneiras que não parecem batidas ao contar essa história. Porém, há uma construção melhor da missão do personagem quando comparado a Homem-Formiga (2015), último filme de origem da Marvel Studios, e os efeitos visuais saltam aos olhos, fazendo com que o espectador brevemente sinta algo novo diante da tela.

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