Há 40 anos, o Studio Ghibli plantava um legado que floresce até hoje

Esta é uma imagem com o logo do Studio Ghibli, um famoso estúdio de animação japonês. O fundo é de um azul vibrante e sólido. No centro, há um desenho de contorno preto do personagem Totoro, uma criatura grande e peluda com orelhas pontudas, visto de perfil. Em cima de sua cabeça, há um Totoro menor. Sobre a imagem, está escrito "STUDIO GHIBLI" em letras brancas, com caracteres em japonês logo acima.
Há rumores entre os fãs que o nome do estúdio remete ao modelo de avião italiano desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, Caproni Ca.309 Ghibli, uma referência a paixão de Miyazaki pela aviação (Foto: Studio Ghibli)

Henrique Marinhos e Maira Cavenaghi

Originalmente marcado do dia 18 de setembro ao dia 1 de outubro de 2025, a primeira parte do Ghibli Fest, festival de cinema realizado a fim de comemorar os 40 anos do célebre estúdio de animação japonesa Ghibli, fez tanto sucesso entre o público brasileiro que estenderam a programação em mais 15 dias. Durante quase um mês, 14 longas metragens foram relançados em cinemas de todo o país, incluindo tanto grandes clássicos, como A Viagem de Chihiro (2001) e Meu Amigo Totoro (1988), quanto obras menos conhecidas do estúdio, porém não menos surpreendentes, como Eu Posso Ouvir o Oceano (1993).

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A dor, a Arte, O Menino e a Garça

Cena da animação O Menino e a Garça. Nela vemos Mahito uma criança em estilo de anime de pele branca, olhos pretos, e cabelo preto. Na imagem também há a figura da garça, que tem um bico amarelo, onde há uma rolha, dentes humanos, penugem branca com alguns detalhes em azul. Mahito e a garça estão se encarando, enquanto estão escondidos em um muro de pedra na cor esverdeada.
Após período de incerteza, longa chegou às telas brasileiras pela Sato Company (Foto: Studio Ghibli)

Guilherme Veiga

O Cinema, nascido e criado envolto a subjetivismo, nunca foi unânime. Percebemos isso ao questionarmos quem foi o maior idealizador dessa Arte, por exemplo. Não existe resposta certa, não há consenso. Uns respondem baseados em apego, outros levam qualidade em conta, mas nunca surge um denominador comum – e ainda bem que é assim. Nem mesmo se delimitarmos o conjunto de opções: nos filmes de máfia, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola despontam; no Cinema blockbuster, Steven Spielberg e James Cameron são pilares; no terror, Wes Craven e John Carpenter e a lista continua não importa o quão nichada. Mas como para toda regra há uma exceção, ao falarmos de animação estamos falando de Hayao Miyazaki, ele e somente ele.

Continuando um movimento recente de se entender e se eternizar como parte da história da Sétima Arte (já que a própria indústria não reconhece isso), a exemplo do que Spielberg fez com Os Fabelmans ou Scorsese emulou de forma sútil em Assassinos da Lua Das Flores, o lendário fundador do Studio Ghibli também retorna da aposentadoria. Coppola já tem 84 anos; Clint Eastwood, 92; Ridley Scott, 86; Craven e Carpenter já se foram, e por mais que doa perceber que pessoas que indiretamente fizeram parte de nossas vidas estão nos deixando, eras se encerram. E é com O Menino e a Garça que Miyazaki, com seus 83 anos, prepara a si e ao espectador para o fim.

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