O Telefone Preto 2 é uma alucinação sobrenatural que entende o trauma, mas se perde em suas sombras

Aviso: este texto contém alguns spoilers

Um adolescente de cabelo castanho e jaqueta verde está dentro de uma cabine telefônica, segurando o telefone próximo ao ouvido e olhando atentamente para um homem do lado de fora. O homem usa uma máscara pálida e rachada com chifres, cabelos longos e roupas escuras, observando o garoto sob uma luz fria e tensa.
Dentre os rostos marcados pela neve e pela culpa, o horror de O Telefone Preto 2 é mais psicológico do que físico (Foto: Universal Pictures)

Gabriel Diaz

Após quatro anos do primeiro longa, o horror já não está apenas à espreita no porão claustrofóbico, mas se instala na mente, no sonho, no limiar entre o que se vê e o que se teme. Scott Derrickson retorna ao universo da obra original de Joe Hill, tentando expandir uma história que, no primeiro filme, parecia já ter alcançado seu fim natural. Conhecido por unir fé e medo em clássicos como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012),o diretor retoma aqui temas que o fascinam: o trauma, o sagrado e o invisível. O Telefone Preto 2 é, ao mesmo tempo, uma continuação e uma reflexão sobre o que resta do terror quando o monstro morre, porém o medo permanece. O resultado é uma produção ambiciosa e visualmente intrigante, embora irregular no equilíbrio entre simbologia e narrativa.

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Entre Montanhas é híbrido genérico com linguagem de videogame

Cena do filme Entre MontanhasNa imagem, a personagem Drasa segura uma arma com mira. Ela está no canto direito da foto, empunhando o objeto com as duas mãos. O cenário é noturno, há algumas luzes amarelas ao fundo e no canto direito. Drasa é uma mulher branca, de cabelos curtos e pretos, na faixa dos 30 anos.
Em entrevista ao Omelete, o diretor elogiou a química da dupla protagonista (Foto: Apple TV+)

Davi Marcelgo

Scott Derrickson possui uma filmografia interessante, seja dirigindo um blockbuster como Doutor Estranho (2016) ou um excelente Terror, O Telefone Preto (2021).  Apesar de ser um diretor regular, nada poderia preparar os assinantes do Apple TV+ para o desastroso Entre Montanhas (2025), a obra mais genérica do cineasta, que parece, inclusive, um embutido das sobras de um filme que nunca aconteceu. Estrelada por Anya Taylor-Joy (Drasa) e Miles Teller (Levi), a produção passeia por gêneros e não consegue acertar em nenhum.  Continue lendo “Entre Montanhas é híbrido genérico com linguagem de videogame”