Paul McCartney toca São Paulo

Noite de clássicos (foto: Marcelo Brandt/G1)

Camila Araújo

Paul mandou quase três horas de um set bem elaborado, escolhido a dedo para agradar os corações beatlemaníacos no Allianz Parque. Mesmo com uma voz rouca – provavelmente devido ao tempo inusitado de São Paulo que resolveu fazer frio e tempo de chuva de última hora – e com 75 anos nas costas, as músicas foram tocadas com perfeita maestria, de um veterano de guerra que há meio século convive com o mesmo repertório.

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Mesmo dentro de excessos, Blade Runner 2049 consegue ser real

Em meio a tantas réplicas no cinema, Denis Villeneuve emplaca um sci-fi com alma em um universo que parecia até então intacto

Adriano Arrigo

Se formos parar para pensar, o universo de Blade Runner nunca fora estranho para Denis Villeneuve. A passar por Incêndios (2010), e, mais recentemente, por O Homem Duplicado (2013) e A Chegada (2016), Villeneuve demonstrou extrema interesse em descobrir o propósito do Ser humano, tanto através da sua linguagem cinematográfica quanto nos roteiros em que trabalha. E Blade Runner 2049 não foge às regras que o diretor canadense rege seu universo particular. Continue lendo “Mesmo dentro de excessos, Blade Runner 2049 consegue ser real”

Radiohead, a era digital e o fator humano

Eu tenho muitas amizades virtuais, eu bato-papo pelo meu computador

N. V. #41

Um texto sobre OK Computer (1997) estava na agenda para o primeiro semestre deste ano. O terceiro álbum do Radiohead é um dos mais aclamados da década de 90, e não à toa: a música mescla diversas influências (DJ Shadow, Pink Floyd, R.E.M, Can) em um produto grandioso e distinto, enquanto as letras já adiantavam a ansiedade e isolamento proporcionados com a chegada da era digital – sem contar os belos clipes e o encarte críptico. Continue lendo “Radiohead, a era digital e o fator humano”

Mãe! é uma polêmica alegoria crítica ao egocentrismo divino

Luigi Rigoni

Polarizando opiniões tanto de crítica como público, o novo filme de Darren Aronofsky, é indiscutivelmente uma obra cinematográfica peculiar. A narrativa, carregada de metáforas e de simbolismos, insere o espectador em uma atmosfera sufocante, despertando um sentimento de impotência diante do cenário surrealista. A falta de nomes dos personagens, monótonas sequências do início do longa e, principalmente, as alusões bíblicas, o confirmam como uma obra pretensiosa, que não almeja, em momento algum, ser facilmente digerida pelo grande público. Continue lendo “Mãe! é uma polêmica alegoria crítica ao egocentrismo divino”

Godspeed You! Black Emperor e o anarquismo simbólico

O Canadá de 1997 resumido em uma foto

Nilo Vieira

Em 1997, o rótulo post-rock era recente e até fazia sentido em bandas diferenciadas como o Godspeed You! Black Emperor. Os pilares centrais do rock (guitarra, baixo e bateria) estavam ali, mas eram utilizados em composições mais próximas a Steve Reich e Ennio Morricone – riffs e solos eram substituídos por texturas e orquestrações, peças de longa duração eram regra. Continue lendo “Godspeed You! Black Emperor e o anarquismo simbólico”

20 anos de Homogenic: Björk retorna ao lar

(Foto: Phil Poynter)

Leonardo Teixeira

Em uma entrevista concedida à revista americana Raygun, Björk afirmou que “Possibly Maybe” (quinto single de seu segundo álbum solo, Post) é uma canção que lhe causava “vergonha”. A islandesa sentia-se constrangida por ter composto uma música que não desse esperança às pessoas. Com o estrelato trazido por seus dois primeiros trabalhos, ela se jogou nas maravilhas do mundo para divulgar sua arte. Continue lendo “20 anos de Homogenic: Björk retorna ao lar”

20 anos de Butterfly: a primeira emancipação de Mariah Carey

Leandro Gonçalves

A voz única e expressiva que embalou os americanos ao cantar sobre a sua visão do amor, compartilhando suas emoções, experimentou o até então auge de seu sucesso ao declarar estar sonhando acordada. Em 1995, com pouco mais de cinco anos de carreira, Mariah Carey desfrutava do próspero caminho que trilhara desde seu álbum de estreia autointitulado. Daydream (1995), seu quinto disco de estúdio, sustentava o sucesso conquistado pelo seu popular antecessor e estabelecia números expressivos, tanto para Carey quanto para a indústria fonográfica. Continue lendo “20 anos de Butterfly: a primeira emancipação de Mariah Carey”

Como Narcos superou Pablo Escobar

Os chefões, da esquerda para direita: Chepe, Pacho, Miguel e Gilberto Martínez Orejuela (Divulgação/Netflix)

Guilherme Sette

Um dos grandes sucessos do Netflix, Narcos foi renovado para sua terceira e quarta temporada para algum estranhamento do público – a grande estrela deste show, Pablo Escobar, morreu no final da segunda temporada. Como contam os produtores, o nome é Narcos e não Pablo Escobar, e o grande espaço no mercado da cocaína deixado pelo Patron foi preenchido pelo Cartel de Cali, “vilões” já introduzidos nas temporadas anteriores. Continue lendo “Como Narcos superou Pablo Escobar”

30 anos depois, Bad ainda é pesadíssimo

Capa

Leonardo Teixeira

Pioneiro em quase tudo o que diz respeito à música que pop que consumimos hoje, Michael Jackson aparentemente ainda tinha muito o que provar ao mundo em 1987: o sucesso violento que Thriller (até hoje o álbum mais vendido da história da música) havia feito com público e crítica era intimidador, e ninguém acreditava que o ex-Jackson 5 seria capaz de novamente alcançar o altíssimo parâmetro que ele mesmo estabelecera. No entanto, o que ficou óbvio com o lançamento de Bad (1987, Epic Records), sétimo álbum de estúdio do cantor, foi que nem a indústria da música e nem o mundo estavam preparados para o artista que Michael foi. Continue lendo “30 anos depois, Bad ainda é pesadíssimo”

Dunkirk: a mãe da esperança é a provação

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Guilherme Reis Mantovani

Christopher Nolan é um dos cineastas mais aclamados da atualidade. Não apenas por seu talento indiscutível e reincidente, mas por sua versatilidade em abordar temáticas diferentes em filmes que mantêm um nível de excelência considerável. Por uma década e meia, uma legião de fãs fervorosos chegou a duvidar de sua capacidade de falhar, sobretudo após obras-primas como Amnésia (2000), A Origem (2010) e Interestelar (2014). Continue lendo “Dunkirk: a mãe da esperança é a provação”