Os Melhores Discos de 2024

2024 foi o ano das mulheres, seja no pop, no rap ou no country (Texto de abertura e edição: Guilherme Veiga e Laura Hirata-Vale/Arte: Rafael Gomes)

Por mais impossível que pareça, até que dá para passar um ano inteiro sem ver filmes, ou até mesmo perder a temporada daquela única série que você assiste, mas experimenta ficar esse mesmo período sem Música? É praticamente impensável. E não há como fugir disso, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ela está lá, no carro da rua que passa tocando o hit do carnaval; no verão ensolarado é ela quem dá o clima; nos corações partidos, o primeiro ombro amigo vem de seus acordes e nas comemorações; é ela que intensifica a euforia.

Em 2024 não foi diferente, pra onde você olhava, havia Música, e melhor, ela fazia história. No ano marcado pela ‘treta’ de Drake e Kendrick, ponto para o rapper de Compton, que, além de fazer o mundo inteiro trucidar seu oponente, ainda teve as honrarias máximas reconhecidas pela indústria. Em outra briga, dessa vez, menos sanguinária, Taylor Swift e suas várias versões do antológico THE TORTURED POETS DEPARTMENT batia de frente com quem ameaçasse seu pódio nos charts.

Mas não há como negar que foi o ano delas. O mundo foi pintado de verde pela efervescência de Charli xcx. A própria Swift ampliou ainda mais seu império, mas foi outra ‘loirinha’ – mais irônica e com intenção de instigar – que mostrou seu lado curto e doce para os holofotes. Foi o ano das também das voltas; uma veio a galope para reivindicar a música country, enquanto outra saiu do crepúsculo de seu hiato para alvorecer com sua voz de fada e pop de gente grande; enquanto o terror dos primos nos almoços de família, Billie Eilish, chegou como quem não quer nada e nos afogou em suas questões e genialidade.

Como em todo ano e já de praxe nessa Arte, foi a diversidade que dominou. Enquanto POCAH reconta sua história através de todas as suas versões, Twenty One Pilots dava um fim (?) para a sua. Se o The Cure voltou depois de 16 anos para o reino da tristeza com um álbum de inéditas, Rachel Chinouriri estreou abordando a mesma tristeza quase que com uma autopiedade cômica. Tyler, The Creator voltou com o pé na porta, já Gracie Abrams chegou com tudo. Luan Santana cantou amor, enquanto Duda Beat cantou tesão. Linkin Park entoou novamente o gutural típico do nu metal, diferente de Adrianne Lenker, que murmurou sentimentos doloridos.

Mas uma coisa é certa, mais uma vez a já tradicional lista de Melhores Discos retorna do jeito que é. No ano em que perdemos Liam Payne, o Persona segue uma direção: usar da Música e das Artes no geral para lembrar quem somos e discutir quem podemos ser.

Capa do disco Alligator Bites Never Heal. Na imagem temos a presença da cantora Doechii, uma mulher negra, de olhos castanhos, usando tranças nagô com miçangas na cor preta. Ela está vestindo uma camisa branca de mangas compridas, uma saia verde longa com detalhes em xadrez, uma meia branca e um sapato marrom. Ela está sentada em uma cadeira de madeira enquanto segura um jacaré completamente branco. Ao fundo temos uma tela verde escuro e no chão um tapete com vários detalhes.
Doechii conquistou três indicações ao Grammy 2025 nas categorias de Melhor Artista Revelação, Melhor Álbum Rap e Melhor Performance de Rap (Foto: Top Dawg Entertainment)

Doechii – Alligator Bites Never Heal

Cuidado! Swamp Princess mandou avisar que em Tampa, Flórida existem muitos pântanos e nós sabemos que mordidas de jacaré nunca curam, ya dig? Em Alligator Bites Never Heal, mixtape produzida e interpretada por Doechii, encaramos de frente a sua versatilidade. Sintetizando suas raízes no hip-hop old school e no R&B, a rapper explora temas sensíveis sobre a sua vida, como relacionamentos, revoltas e ascensão à fama. Em seu novo álbum, a artista apresenta uma narrativa tão sincera e por vezes brincalhona a respeito de si mesma, que as rimas guardam uma comicidade e originalidade única, dando match com a sua personalidade sagaz . 

O disco surge através da série Swamp Sessions, onde a cantora se desafiava com um cronômetro de uma hora para escrever suas músicas, que posteriormente eram publicadas semanalmente às sextas-feiras em seu canal do YouTube. Desse projeto nasceu as letras BULLFROG, CATFISH, FLORIDA WATA, SUNDAY’S BEST e NISSAN ALTIMA, canção indicada ao Grammy na categoria de Melhor Performance de Rap. Com seu lançamento, Alligator Bites Never Heal escancara o talento de Doechii, mostrando sua criatividade e língua afiada nas 19 faixas presentes no disco, evidenciando pra quem ouve, que isso é só um fragmento de suas habilidades e que os próximos lançamentos da artistas promete ser de alta qualidade. – Ludmila Henrique 

Faixas Favoritas: CATFISH, BULLFROG, DENIAL IS A RIVER 


Capa do disco All Born Screaming de St. Vincent. Na arte, a cantora, uma mulher branca de cabelos escuros, está em chamas. A câmera captura a sua figura por completo. St. Vincent está em frente a um plano de fundo escuro que realça a situação retratada na arte de capa do disco.
All Born Screaming recebeu quatro indicações ao Grammy de 2025, vencendo três delas (Foto: Virgin Music Group)

St. Vincent – All Born Screaming

St. Vincent voltou com um disco inteiramente produzido por ela. All Born Screaming é um compilado das melhores características de uma das personalidades mais interessantes do rock contemporâneo. Em um misto de sonoridades que variam desde o rock progressivo até o dance pop, Annie Clark desafia a si mesma, criando um disco que, não surpreendentemente, acerta mais do que erra.

De fato, com exceção de Sweetest Fruit – faixa com intenção de homenagear SOPHIE, mas que acaba soando fora do tom em mais de um sentido –, All Born Screaming justifica a vitória do Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa por se tratar de um retrato flamejante de toda a artisticidade de St. Vincent. A produção ganhou até mesmo uma regravação em espanhol, intitulada Todos Nascen Gritando. – Nathalia Tetzner

Faixas favoritas: Hell Is Near; Big Time Nothing; Violent Times.


Capa do álbum Amaríssima de Melly. A imagem mostra a cantora, mulher jovem de pele preta, com piercings no lábio inferior, nariz e sobrancelha e cabelo encaracolado ruivo e com uma tatuagem com o nome do álbum, Amaríssima, abaixo do olho direito, num fundo avermelhado.
Amaríssima é sentir e viver um relacionamento do início ao fim em um álbum (Foto: Som Livre)

Melly – Amaríssima

Melly, cantora e compositora baiana, foi a artista revelação do Prêmio Multishow 2023, com seu  single Azul. No entanto, foi com o álbum Amaríssima que a intérprete  se destacou e abriu suas asas para voar ainda mais alto. Nas 13 faixas que compõem o projeto, a jovem mistura ritmos de R&B e Soul com letras que exploram temas profundos como o amadurecimento, além de trazer participações especiais como Liniker e Russo Passapusso

Em Amaríssima, Melly explora diferentes fases de um relacionamento com a combinação de canções de diferentes gêneros, como samba-reggae e afropop. Os estilos musicais marcam o álbum, porém a cereja do bolo é o curta metragem incrível, idealizado pela cantora. Se amadurecer é desconfortável, Melly faz disso poesia e consegue estabelecer uma conversa com seus fãs da maneira mais pura.  O álbum é um convite para o mundo dela, sem deixar de conversar com os universos particulares de cada um, e isso não poderia ser mais perfeito. Leonardo Quinalha

Faixas favoritas: Cacau, Paraíso e Bye Bye


Capa do álbum Batidão Tropical Vol. 2 de Pabllo Vittar. A imagem mostra a drag-queen, um homem negro, com uma peruca de cabelos escuros, utilizando apenas uma calcinha da cor preta. A drag-queen está com as mãos em cima dos peitos e, na mão direita, ela segura uma blusa da cor preta. O fundo da capa é da cor bege. Na parte de cima da foto, há o título do álbum, que está estilizado nas cores azul e verde. No lado esquerdo inferior, há três ícones, todos da cor laranja. Ao lado direito, há o nome da artista na vertical, com a cor vermelha.
Segundo volume do projeto baseado em regravações de clássicos do Norte e Nordeste reafirma a versatilidade da drag queen (Foto: Gabriel Renné/Sony Music)

Batidão Tropical Vol. 2 – Pabllo Vittar

Quando lançou, em 2021, o primeiro volume do Batidão Tropical, projeto baseado em regravações de sucessos que ouviu durante a infância, clássicos amados pelos fãs ficaram de fora da tracklist final. Após três anos, Pabllo Vittar voltou com seu sexto álbum de estúdio e a continuação daquele que é um de seus melhores trabalhos. Ampliando a nostalgia e dando uma nova roupagem às versões já conhecidas, a drag queen mostrou o que sabe fazer de melhor: entregar um tecnobrega que reverencia o passado e, ao mesmo tempo, traz algo diferente, contribuindo para a sua produção.

Com um dos hits da banda Calypso, na faixa Pra Te Esquecer, passando pela homenagem à Banda Batidão, em Ai Ai Ai Mega Príncipe, a produção do disco – encabeçada por nomes como Rodrigo Gorky, Maffalda, Pablo Bispo, Ruxell, Zebu e Lux & Tróia – consegue dar um toque fresh às composições que ficaram famosas nos anos 2000. Em Não Desligue o Telefone com Maderito, por exemplo, a artista utiliza o drum and bass, gênero da música eletrônica marcado por batidas rápidas. Somando os dois volumes, o trabalho da performer é um teletransporte à história daqueles que cresceram com o brega e as suas performances de tirar o fôlego. – Guilherme Leal

Faixas Favoritas: Rubi, Hoje à Noite (Alone) e Ai Ai Ai Mega Príncipe


Capa do disco BRAT. Ela consiste apenas em um quadrado verde com o nome do álbum em letra cursica minúscula com fonte aumentada e na cor preta
Carimba que é Brat (Foto: Atlantic Records)

Charli xcx – BRAT

Houve uma época, no auge dos anos 2000, em que o pop era categoricamente mais fútil, sem isso se tornar um demérito. Sem dúvidas, reflexo de tempos um pouco menos complicados. Roupas extravagantes, personalidades exageradamente excêntricas, it girls e músicas milimetricamente pensadas para ecoar apenas nos clubes de dança, como uma espécie de refúgio que beira o distópico da sociedade. Com o passar dos anos, nota-se certo pragmatismo na Música e ela, ao invés de ser esse reduto, se tornou cada vez mais identificável para com a sociedade, com intérpretes que são basicamente um reflexo de seu público.

E é exatamente no meandro desses dois mundos que BRAT, sexto disco de estúdio de Charli xcx, se consagra. É notável que o intuito da cantora foi voltar as atenções para si, assim como qualquer garota pirralha – tradução mais apurada do termo título, mas o registro consegue fazer isso de diferentes formas. Expansivo e megalomaníaco, ele conquista com seu hyperpop conduzido pela intérprete em parceria com o produtor de longa data A.G Cook, mas também cativa o público mais atual com letras duras e nada romantizadas sobre calvários atuais como rivalidade feminina e insegurança com a própria imagem. Cômico em sua premissa, chamou atenção e viralizou; capaz de se sustentar, ele virou conceito, mas acima de tudo ele fez o que um bom disco do gênero precisa, ser transgressor e de quebra se transformou num dos registros mais icônicos do ano. – Guilherme Veiga

Faixas favoritas: Von dutch, Apple, Everything is romantic


Capa do álbum de remixes de brat. Imagem quadrada com fundo verde vibrante contendo texto em preto, exibido de forma invertida (espelhada). A frase é: 'Brat and it's completely different but also still Brat', traduzindo-se para 'Brat e é completamente diferente, mas ainda assim Brat'.
Charli XCX estendeu o ‘verão BRAT’ com a ajuda de parcerias inusitadas (Foto: Atlantic Records)

Charli XCX – Brat and it’s completely different but also still brat

Quem aperta o play em brat and it’s completely different but also still brat custa a acreditar que esse é o primeiro álbum de remixes de Charli XCX. A cantora, que iniciou sua carreira atrás da mesa de DJ, elevou um clássico instantâneo com a ajuda de nomes inusitados, entre eles, Julian Casablancas e Bon Iver que, apesar de toda a melodramaticidade intrínseca de seus trabalhos, capturaram a essência BRAT com versos reflexivos por cima de muitas batidas por minuto – com direito a Casablancas cantando sobre um divórcio conturbado enquanto XCX evoca com orgulho o fato de ser uma ‘garota má’. 

No topo do mundo por grande parte de 2024, Charli XCX bebeu da cultura clubber para viver seu ‘momento Elvis’ em toda a glória que as casas noturnas podem oferecer. Em um ano em que a sonoridade feminina foi vendida de forma tão superficial pela indústria musical, coube à sósia de Lorde a tarefa de criar um dos melhores hinos de ‘inimizade’ de todos os tempos. Desde ‘dancinha’ viral no TikTok, passando por polêmicas e brigas entre fandoms até chegar em uma turnê conjunta com Troye Sivan, brat and it’s completely different but also still brat veio para consolidar o impacto cultural do disco que pintou o mundo de verde. – Nathalia Tetzner

Faixas favoritas: 360 featuring robyn & yung lean; Girl, so confusing featuring lorde; Mean girls featuring julian casablancas.


Capa do álbum Bright Future. A imagem é uma fotografia em close do rosto da autora do álbum, Adrianne Lenker. A cantora está com um semblante sério, olhando diretamente para a câmera. Ela está com um chapéu de cowboy branco e a cabeça apoiada na mão direita, com uma luva sem dedos preta.
Adrianne Lenker é integrante do grupo Big Thief e costuma performar algumas músicas de seu trabalho solo, inclusive do álbum Bright Future, em shows com o grupo (Foto: 4AD)

Adrianne Lenker – Bright Future

Talvez a marca mais forte da arte da Adrianne Lenker seja a sua capacidade de se despir emocionalmente por completo em suas composições. Bright Future é algo maior do que a cantora-compositora, é um pedaço de si que ela entrega ao mundo para assumir novas formas a cada ouvido que atravessa. O álbum dispensa rodeios, a voz da autora cede uma sinceridade tão crua e, por isso, familiar, que dói e conforta ao mesmo tempo. Lenker abre a obra com Real House, um relato de quase seis minutos no qual ela relembra memórias de sua infância. De cara, na primeira faixa, seu peito está aberto como um convite para que espiem e, inevitavelmente, virem o olhar para si mesmos.

A narrativa da obra brinca de alegorias com o trivial e ordinário, como pequenas crônicas que, ao falarem sobre o que parece nada, falam sobre tudo. As melodias imprevisíveis emulam fluxos de consciência que acompanham as letras. Os arranjos de folk, com um quê de country, sobre a base predominante de violão, piano e violino conferem ao álbum a sua atmosfera autêntica e intimista. Se Bright Future está nessa lista, deve-se destacar a faixa Sadness As A Gift, uma das maiores da carreira de Lenker e entre as melhores músicas de 2024. – Giovanna Freisinger

Faixas favoritas: Sadness As A Gift, Free Treasure e Fool


Capa do álbum Caju. Nela vemos Liniker, uma mulher negra de cabelo raspado baixo na cor caju. Ele está em um carro antigo com as portas na cor vermelho e o teto na cor creme. Ela coloca sua mão esquerda no vidro, onde mostra ter vários anéis. Ao fundo, o céu azul.
Segundo álbum da carreira solo de Liniker, Caju alcançou mais de 200 milhões de reproduções nas plataformas de áudio (Foto: BREU ENTERTAINMENT)

Liniker – CAJU

No gosto proeminente de um pseudofruto, Liniker se lambuza em frutose com CAJU. O álbum de 14 faixas é um verdadeiro passeio pela diversidade do sentir, contemplando desde a necessidade de um amor com intimidade ao respirar aliviado dos fins com tom de recomeço. Além das múltiplas facetas temáticas, o disco também encontra espaço para fazer um belo mix de ritmos musicais, trazendo o soul, o pop, a mpb e até o pagode para serem parte da construção da miscelânia.  

O tom angelical, dramático e ousado de CAJU ganha ainda mais cor com a presença de feats de peso, como o duo Anavitória, em Ao Teu Lado, BaianaSystem, em Negona dos Olhos Terríveis, e Melly, em Papo de Edredom. Entre muitos outros adjetivos possíveis, a produção é simplesmente encantadora e, de longe, um dos melhores trabalhos musicais do cenário nacional contemporâneo. – Jamily Rigonatto 

Faixas favoritas: Caju, Veludo Marrom e Ao Teu Lado.


Cada da trilha sonora original de Challengers. A arte se trata de uma pintura da face de Zendaya, atriz principal do filme, uma mulher negra de olhos escuros e cabelos claros. Ela veste um óculos de sol que reflete a visão dos coadjuvantes, dois homens brancos que, na trama, são jogadores de tênis. Na parte inferior da capa, estão escrito “Challengers” e “Music by Trent Reznor & Atticus Ross”.
16 faixas compõem a trilha sonora original de Challengers (Foto: Milan Records)

Trent Reznor and Atticus Ross – Challengers (Original Score)

Se, por um lado, partidas de tênis nunca foram tão interessantes quanto em Rivais (2024), por outro, a trilha sonora original certamente adicionou uma camada extra de tensão ao trio protagonista do filme de Luca Guadagnino. Com momentos que buscam inspiração nas raves da década de 1990 e no cenário da cultura techno de Berlim, Challengers (Original Score) apresentou 16 faixas impressionantes.

Apesar de ter sido esnobado pelas principais premiações do Cinema, o disco rendeu nas redes sociais, viralizando a sonoridade com memes e edits criados por admiradores. Fazendo jus ao convite de Guadagnino aos compositores e membros do Nine Inch Nails Trent Reznor e Atticus Ross – “Você quer participar do meu próximo filme? Vai ser super sexy” – Challengers (Original Score) brinca com os sintetizadores enquanto prepara o ambiente para a tensão (e o tesão) em cena. – Nathalia Tetzner

Faixas favoritas: Stopper; Brutalizer 2.


Capa do álbum Charm, de Clairo. Na imagem, vemos a cantora, uma mulher branca de cabelos castanhos. Ela está deitada em um sofá verde, e a fotografia foca apenas em seu rosto e seus braços. Clairo olha para seu lado esquerdo, sem esboçar emoções. Ambos os braços estão apoiados no sofá, mas seu braço direito está com o cotovelo apoiado e ela segura seus cabelos com a mão direita. No canto superior direito, estão escritos os nomes da cantora e do álbum em um tom de verde mais claro.
Charm foi indicado na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa no Grammy 2025, representando a primeira nomeação de Clairo na premiação (Foto: Clairo Records)

Clairo – Charm

Se fosse possível dar uma boa olhada dentro do cérebro de Clairo, seria seguro presumir que o fluxo de consciência dela é semelhante ao de qualquer pessoa com 20 e poucos anos. Segundo a cantora, as experiências íntimas que ela aborda em seu terceiro álbum de estúdio têm a ver com “momentos fugazes (…) em que fui encantada ou encantadora” e as fantasias que esses momentos podem produzir. Quem nunca esteve nessa posição? E quem nunca precisou recorrer à Música para saber que não é a única pessoa do mundo a sentir tudo o que isso envolve?

Enquanto Immunity explora a juventude e Sling mergulha na complexidade que envolve o ato de crescer e amadurecer, Charm está no meio-termo, ao passo que se debruça sobre o sentimento de se apaixonar por alguém. São 38 minutos de jazz sussurrante, elementos do soft rock, toques orquestrais groovy e um calor aconchegante, com o lirismo de Claire Cottrill cantarolando junto com cada melodia descontraída. O álbum escancara o que a cantora e sua Arte sempre foram: um charme. – Raquel Freire

Faixas favoritas: Second Nature, Juna e Add Up My Love


Capa do álbum CHROMAKOPIA, de Tyler, The Creator. Na imagem, vemos o próprio cantor, que é um homem negro. Ele veste terno, usa uma máscara e tem seu cabelo estilizado. Ele olha para o lado esquerdo, fora do frame da fotografia, e faz um gesto com sua mão direita. A imagem é preta e branca, e é possível notar que existe uma luz profissional voltada para ele.
“Sou o maior da cidade depois de Kenny, agora isso é um fato” (Foto: Columbia Records)

Tyler, The Creator – CHROMAKOPIA

Qualquer um que esteja em dia com o cenário do rap atual sabe que Tyler, The Creator é uma de suas jóias mais brilhantes, e CHROMAKOPIA evidencia esse fato. Em sua produção mais inventiva até o momento, o artista amplia um pouco mais seus limites criativos e aprimora sua habilidade como contador de histórias, demonstrando uma vasta maturidade artística ao longo de todo o processo.

O álbum é uma mistura de todos os temas que o artista já abordou em seus trabalhos anteriores sem parecer explicitamente com nenhum deles. A sensação é que as 14 faixas aqui presentes são as que mais se assemelham com o verdadeiro Tyler Okonma, ainda que não se pareçam com nada que ele já tenha feito. Essa é uma proposta empolgante para os fãs de longa data, uma vez que abre um mundo novo de possibilidades para um dos nomes mais relevantes da Música contemporânea. – Raquel Freire

Faixas favoritas: Rah Tah Tah, Sticky (feat. GloRilla, Sexyy Red & Lil Wayne) e Take Your Mask Off (feat. Daniel Caesar & LaToiya Williams)


Capa do álbum Clancy. Nela, temos um fundo predominante na cor vermelha, com alguns detalhes nas cores preta e amarela, que remetem a chamas. Na imagem também há Josh Dun e Tyler Josep´h. Josh usa uma jaqueta preta com as mangas branca se uma calça preta e Tyler usa uma jaqueta preta, calça preta uma balaclava na cara e uma faixa preta com os dizeres CLANCY estilizados por sua extensão. Na parte cetnral e superior, também estilizado, está escrito CLANCY na vertical.
Clancy prova que além de Música, o Twenty One Pilots é ótimo de narrativa (Foto: Fueled by Ramen)

Twenty One Pilots – Clancy

Depois de quase 10 anos, o Twenty One Pilots encerra uma lore que dura quatro álbuns e que traz consigo não só uma legião de fãs como também todo o amadurecimento do duo. Clancy é a prova de que o grupo atingiu sua forma máxima e como resultado, promove uma revisitação a toda sua carreira, sem mirar em um álbum específico.

Em questão de gêneros, talvez seja o álbum mais diverso do grupo: as estrofes rimas estão lá, mas dividem espaço com uma bateria mais carregada que remete ao pop punk e elementos que descambam de vez para o rock. Essa miscelânea de estilos converge com um Tyler que consegue abordar a batalha mental – que sempre foi mote dos últimos trabalhos do Twenty One Pilots – através de diferentes metáforas, que no final das contas, funcionam como uma recompensa para os fãs que batalharam junto ao longo da última década. – Guilherme Veiga

Faixas favoritas: Next Semester, Oldies Station, Paladin Strait


Capa do disco COWBOY CARTER. A arte se trata de uma fotografia de Beyoncé sentada em cima de um cavalo em movimento enquanto segura a bandeira dos Estados Unidos. A cantora é uma mulher negra de cabelos platinados longos que são fotografados balançando junto a bandeira do país. Ela está de frente para a câmera e veste um chapéu branco com uma vestimenta tradicional de cowboys nas cores branco, azul e vermelho. O cavalo é branco e é representado em movimento. Ao fundo, o cenário é um vazio preto com um chão desértico estilo faroeste.
COWBOY CARTER venceu três Grammys: Melhor Álbum Country, Melhor Perfomance Country em Dupla e Grupo e Álbum do Ano (Foto: Parkwood Entertainment)

Beyoncé – COWBOY CARTER

De volta para as suas raízes texanas, Beyoncé fez de COWBOY CARTER a sua principal aposta de redenção. Flutuando pelo pop e R&B durante a maior parte de sua carreira, a artista finalmente se aventurou em um universo que não aprecia forasteiros: o country estadunidense. De fato, para a surpresa de poucos, o disco foi esnobado pela principal premiação do gênero, o Country Music Awards. No entanto, pode-se afirmar que a força das 27 faixas se somatizaram em outra grande cerimônia da indústria, o Grammy Awards, que, até o momento, ainda devia uma estatueta de Álbum do Ano à artista mais nomeada e vencedora de sua história.

Quase como um enorme trabalho em grupo sobre o country e os limites entre diferentes sonoridades, a segunda obra da trilogia produzida durante a pandemia de covid-19 apresentou colaborações, no mínimo, singulares. Em meio a veteranos e novatos, as parcerias variaram desde a Dolly Parton e Stevie Wonder até Miley Cyrus e Post Malone. O destaque, contudo, ficou sempre para a voz inconfundível de Beyoncé que, aqui, ecoou de forma ainda mais potente. Agora, é esperado que o encerramento do trio de discos venha acompanhado de uma pegada rock à la Tina Turner, uma das grandes inspirações da popstar. – Nathalia Tetzner

Faixas favoritas: 16 CARRIAGES; BODYGUARD; DAUGHTER.


Capa do álbum Cria de Caxias. Nela, vemos POCAH, uma mulher negra de cabelos pretos e longos. Ele está grudada em uma placa de trânsito com fita silvertape. Seu top e mini-saia são da cor prata, fazendo uma alusão a fita e ela veste também uma bota alta com estampa de onça. Ao fundo, a placa é na cor verde com os dizeres em letra maipuscula "SAÍDA 171" e logo abaixo "DUQUE DE CAXIAS" e onde estaria "DUQUE" está pixado com letras estilizadas "CRIA". Além disso, há pixações também que dizem "POCAH", "VIVIANNE" e "MC POCAHONTAS" fazendo alusão aos nomes da artista, ao fundo, uma rodovia movimentada e no canto inferior esquerdo, o selo "PARENTAL ADVISORY EXPLICIT CONTEXT"
Mesmo com o polêmico uso de inteligência artificial, POCAH entrega um ótimo álbum (Foto: Warner Music Brasil)

POCAH – Cria de Caxias

Em Cria de Caxias, POCAH celebra e relembra sua própria história. O disco mostra três momentos da cantora e suas canções são intercaladas por interlúdios, grafados de formas diferentes: MC POCAHONTAS, pocah e Viviane. Além dessa distinção estilística, o álbum traz uma ecleticidade interessante – indo do funk carioca, passando pelo 150 bpm, até músicas reflexivas, cada um dos atos traz um ritmo diferente, e mostra a versatilidade de POCAH. 

A definição perfeita de Cria de Caxias é mudança e amadurecimento. Diversos momentos importantes da vida da cantora estão presentes no trabalho, como troca do nome artístico – de Mc Pocahontas para somente POCAH – e o nascimento de sua filha Vitória. O primeiro e o segundo ato começam com a mesma batida – assim como Charli xcx fez com as canções 360 e 365 –, enquanto o último é repleto de calma e cheio de amor: a música Vitória se comporta como uma declaração e encerra o disco de forma tranquila. – Laura Hirata-Vale 

Faixas favoritas: ASSANHADINHA, cria de caxias e Vitória


Em uma capa quadrada, se encontram duas figuras femininas, de costas. A mais à esquerda está apoiada sob o ombro da figura mais à direita, usa uma camiseta branca com detalhes nas costas e uma gola, além de ter um cabelo com luzes loiras preso em um rabo de cavalo e uma tatuagem na nuca. A figura mais à direita possui o mesmo cabelo e veste a mesma camiseta. O fundo é de cor marrom.
Em mais um trabalho brilhante, Ariana demonstra vocais, história e se faz atual e relevante como em todas as suas eras (Foto: Universal Republic Records)

Ariana Grande – Eternal Sunshine

Ficando na lista dos cinco álbuns mais ouvidos de 2024, Eternal Sunshine tem seu valor registrado na história. O sétimo disco de Ariana Grande vem como um recomeço grandioso na carreira da artista, possuindo um vínculo profundo com o momento que a Grande passava em sua vida pessoal, após o término de seu relacionamento com  Dalton Gomez. Transformando a dor e a vontade de se reencontrar, e com um impulso da chegada aos 30 anos, Ariana entrega ao ouvinte 13 novas músicas, pelas quais passeia por ritmos e sensações em uma delicadeza e poder únicos. 

O amadurecimento da cantora e de seu público se torna palpável no disco; para o espectador, chega na nova forma de escutar e entender cada referência, melodia e letra, e, para a cantora, na forma com a qual se apresenta. Sempre guardando uma surpresa para os fãs, Ariana expõe ao mundo seu novo trabalho de forma sentimental e inteira, demonstrando como lidar com as memórias é importante para criar novas conexões e novos caminhos, e deixando a todos uma bela memória musical logo no início do ano, como uma carta de que mesmo nos momentos ruins, tudo vai melhorar.  – Aryadne Xavier

Faixas Favoritas: we can’t be friends (wait for your love), eternal sunshine, bye


Capa do álbum Esquinas. Nela, vemos a esquerda, Ana, uma mulher branca de cabelo liso e castanho e Vitória, uma mulher branca de cabelo loiro platinado e cacheado. Ana olha para Vitória, que olha para a frente. O fundo da imagem está borrado.
Esquinas foi lançado acompanhado de uma visual experience delicada no Youtube (Foto: F/Simas)

Anavitória – Esquinas 

O que pode acontecer quando viramos uma esquina e não a outra? Em seu quinto álbum de estúdio, Anavitória não se dispõem a responder, mas a suscitar essa pergunta. Esquinas, lançado em Dezembro de 2024, encerra a era COR (2021), abusando do modo subjuntivo em um disco leve, grandioso e recheado de carga dramática.

Composto por 12 faixas, o trabalho representa as possibilidades em letras que tem como tema principal a vida; simples, contínua e incerta. O aspecto mais genial da obra é fazer com que quem escuta se sinta exatamente como as músicas interpretadas pelas artistas: longe de descobrir, mas como quem também “queria saber como seria”.  Seja no claro ou no escuro, a única certeza é que virar a rua em que se encontra Esquinas pelo caminho, é um doce presente. – Jamily Rigonatto 

Faixas favoritas: Navio ancorado no ar, Espetáculo estranho e Água-viva.


Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. Nela vemos ao fundo um auto-falante típico de caixas de som. Ele está coberto de um líquido rosa que parece estar em movimento pela vibração do alto-falante. No centro, em branco, temos o logo da banda.
Se o emo voltou de vez, agora é a vez do nu metal (Foto: Warner Records)

Linkin Park – From Zero

O rock, nascido com a premissa de quebrar paradigmas, em uma relação inversamente proporcional, se tornou um dos gêneros mais conservadores – talvez só perdendo para a música clássica. O próprio Linkin Park já teve que lidar com certa rejeição quando veio ao mundo e, depois de provar seu talento, fincou seu nome na safra do início do século. Agora, sete anos após seu último álbum de estúdio e sem a cara principal da banda, Chester Bennington, o grupo precisou se provar mais uma vez.

Quando Emily Armstrong foi anunciada como a frontwoman escolhida para substituir Chester, a tarefa parecia ainda mais difícil. Mas o resultado foi um registro que, ao mesmo tempo em que preserva a história do Linkin Park, também coloca a banda como precursora nas mudanças do gênero. Mike Shinoda, agora com total controle da produção, conduz magistralmente o grupo de volta para um rock mais sujo e pesado instrumentalmente, para que a força vocal de Emily ecoe em um trabalho que agrada de gregos a troianos. – Guilherme Veiga

Faixas favoritas: Heavy Is the Crown, The Emptiness Machine, Two Faced


Capa do álbum 'Funk Generation' da artista Anitta. A imagem mostra Anitta posando em frente a uma grade de arame, à noite, com a cidade iluminada ao fundo. Ela está usando um look chamativo, com um biquíni jeans e acessórios brilhantes, como correntes e joias que cobrem seu corpo e cabelo. A estética é sensual e remete ao universo do funk. No canto superior direito, há um selo amarelo com o título do álbum escrito.
“Sou bem puta e todos sabem, né? Todos sabem” (Foto: Republic Records)

Anitta – Funk Generation

Desde quando Anitta anunciou em 2017 que ia começar a apostar em sua carreira internacional e levar o funk para o mundo, diversas tentativas foram feitas: O projeto Checkmate e seus singles, o primeiro álbum trilíngue, Kisses (2019), várias colaborações com artistas globais e o polêmico Versions of Me (2022). Todos esses trabalhos tiveram seu valor, artístico e/ou estratégico, mas nenhum deles realmente transmitia nossa cultura. Porém, em 2024, a cria de Honório Gurgel finalmente fez o disco prometido, Funk Generation.

O álbum tem a coesão e a artisticidade que há muito tempo faltavam nas músicas da cantora. Produzido majoritariamente por artistas brasileiros, Funk Generation resgata elementos dos diversos subgêneros do funk como o carioca, o paulista, o melódico, o dos anos 2000, entre outros. A sensação é de estar em um bailão do início ao fim. Mesmo que cante na maior parte do tempo em inglês e espanhol, Anitta conseguiu entregar qualidade tanto para nós, quanto para os gringos que estão conhecendo cada vez mais o brazilian funk. – Arthur Caires

Faixas favoritas: Lose Ya Breath e Savage Funk


Capa do álbum Gambiarra Chic. Pt 1. Nela vemos, duas mulheres que estáo triplicadads na imagem. Uma mulher é negra de cabelo loiro com mechas rosa e outra é uma mulher negra de cabelos pretos. Eles vestem um biquini azul e uma saia. Várias versões multiplicadas de Isma e Vita em diversas poses, sentadas em pedras em um fundo que simula o pôr do sol.
Irmãs de Pau foram referência em experimentação no funk em 2024 (Foto: Irmãs de Pau)

Irmãs de Pau – Gambiarra Chic Pt. 1 

Gambiarra Chic caminha por experimentações frenéticas e dançantes que dominaram as pistas das baladas LGBTQIA+ do Brasil. Com a ajuda de DJs como: CyberKills, Clementaum, DJ Dayeh, Brunoso e MU540 que ajudaram na produção e levaram as músicas da dupla pelo país inteiro. Assim, elas conquistaram uma legião de fãs que adoram os seus beats e flows explosivos.

As experiências de mulheres trans são o ponto central das letras do projeto, ao abordar essa temática dentro do funk, Irmãs de Pau reivindicam o seu lugar nos bailes, baladas e pistas do Brasil todo.  – João Pedro do Nascimento Fontes

Faixas favoritas: Voo 1360 e Disk P@#$%&!


Em um fundo de tecidos amarelo dourado, cinco homens vestidos de roupas pretas se posicionam na tela. Eles foram a palavra GARY juntos, sendo os dois primeiros se dividindo para fazer a letra G (um curvando o braço e o outro agachado ao chão), ao lado um homem fazendo o A, seguido de um homem fazendo o R e outro fazendo o Y.
Provando que envelheceu como vinho, Gary soa como uma versão perfeita de Blossoms em seu novo trabalho. (Foto: ODD SK Recordings)

Blossoms – Gary

A história por trás do nome Gary trás um toque especial a todo o conceito: se inspirando em uma figura conhecida do Reino Unido nomeada Gary, um gorila de fibra de vidro com mais de dois metros de altura, a faixa-título narra a história do desaparecimento do mesmo. E não era possível esperar a mesmice de tantos álbuns da atualidade dentro do novo trabalho da banda só de conhecer o que foi o pontapé para o trabalho.  Em seu quinto registro e estreando sob selo próprio, Blossoms surpreende positivamente com uma musicalidade que mescla tudo de melhor que a banda já ofereceu até hoje, com ritmos contagiantes, melodias gostosas de ouvir e uma escrita divertida – por vezes até irônica. 

A junção de tantas referências em um único trabalho, por vez, cria algo original e único, o que transforma o disco em uma experiência agradável e uma boa companhia para o dia a dia. Entre as dez novas músicas, nenhuma cai no limbo de “se sentir descartável”. Mais de uma década após sua criação e em um momento marcante de reinício, Blossoms se mostra atual, sólido e com muita força para continuar reinventando, além de ser um convite e tanto para uma nova parcela de ouvintes no outro lado do globo.  – Aryadne Xavier

Faixas Favoritas: Perfect Me, Slow Down, I Like Your Look


Capa do álbum Girl With No FaceNa imagem, a cantora Allie X está centralizada, ela está com as mãos em uma máscara que cobre seu rosto. A máscara está abrindo ao meio, em um risco na vertical, revelando o nariz e boca da artista. A máscara é na cor branca e possui o rosto de Allie X. O cabelo, que parece ser uma peruca, é na altura dos ombros, de cor preta e franja curta. Os cotovelos estão apoiados em uma mesa de cor laranja, assim como o fundo da imagem também é desta cor. Allie X veste uma roupa com luvas, ambas na cor preta.
A cantora Allie X tem uma colaboração com Troye Sivan e Mitski (Foto: Twin Music)

Allie X – Girl With No Face

Ouvir Girl With No Face, lançado em fevereiro de 2024, é entrar nas discotecas dos anos 1980 e ferir os tímpanos com os sintetizadores típicos da música pop. Embora os ritmos façam o corpo querer dançar – com exceção da introspectiva e misteriosa faixa Saddest Smile – e os falsetes gritados da cantora contribuam para o estilo, as composições abordam temas sensíveis, como disforia, transtornos alimentares e padrões de beleza. Em Off With Her Tits, a repetição do refrão pedindo para retirar os seios, gruda na cabeça, assim como as imposições do sistema. A garota pode até não possuir rosto, mas esbanja personalidade.

Escrito majoritariamente pela própria Allie X, Girl With No Face foi uma das surpresas mais agradáveis de 2024. Os tons contraditórios entre conteúdo e música conseguem fisgar o público que, oriundo da internet, construiu uma personalidade ácida de fazer diversão com traumas e problemas. O disco é uma espécie de laboratório do que é ser uma mulher, e a canadense cria seu conceito – afinal, toda mulher pode vestir uma face. Infelizmente, Allie X ainda não explodiu nas paradas, nem virou trend no TikTok – o fato de não querer estar em festivais pode ter ajudado nisso –, mas com seu talento quem sabe no próximo ano. – Davi Marcelgo

Faixas Favoritas: Galina, Black Eye e Truly Dreams


Capa do álbum Hit me Hard and Soft, da cantora Billie Eilish. Nela, vemos Billie, uma mulher branca de capelos pretos. ele veste uma camisa preta e calças pretas; No parte central superior, há uma porta branca na horizontal que está aberta. Billie se movimenta como se estivesse caindo dessa porta e se afogando, já que o fundo da capa representa um fundo de um lago/mar
Em Hit me Hard and Soft, Billie Eilish se sente confortável na própria pele e divide com os fãs o entendimento de sua sexualidade (Foto: Darkroom/Interscope Records)

Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft

À altura do terceiro álbum, é inegável o sucesso de Billie Eilish. Desde que lançou o debut  WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, já foram dois prêmios do Oscar e nove vitórias ao Grammy, maior premiação da indústria fonográfica. Com Hit Me Hard and Soft, a cantora abriu – ainda mais – o coração e chegou a locais que até então não eram sua marca, a exemplo de sua extensão vocal em BIRDS OF A FEATHER. A canção, aliás, finalizou o ano de 2024 como a mais tocada no Spotify e entrou na boca do povo como uma das faixas mais aclamadas de sua carreira.

A virada de Happier Than Ever se tornou uma sonoridade conhecida – e bem executada – da artista. Agora, há momentos iguais a esse no projeto. Em L’AMOUR DE MA VIE, a performer de 22 anos brinca com efeitos sonoros e mostra que sabe utilizar o autotune a seu favor a partir da mudança da música. Com influências de dance pop, nas 10 faixas que compõem o trabalho, a irmã de Finneas – seu produtor e membro da família — se firma como uma grande contadora de histórias, sejam elas trágicas ou animadas, mas sempre muito, muito bem interpretadas. – Guilherme Leal

Faixas Favoritas: BIRDS OF A FEATHER, BLUE E L’AMOUR DE MA VIE


Capa do álbum Humanamente de Lvcas. A imagem mostra o cantor, homem branco com um bigode e cavanhaque e um brinco de argola na orelha esquerda, com seu torso aberto e dele saindo fogo, e nascendo plantas,flores e raízes, num fundo branco com o nome do álbum (Humanamente) escrito ao lado superior direito.
Lvcas grita seus sentimentos reprimidos no fundo do coração em Humanamente (Foto: Lvcas)

Lvcas – Humanamente

Com fluidez similar à que produz conteúdo nas redes sociais há anos, o youtuber Lucas Inutilismo, utilizando o nome artístico de Lvcas, lança seu primeiro álbum Humanamente, que junta elementos de metalcore, funk e eletrônica. Com 16 composições autorais, Lucas é responsável por gravar vocais e todos os instrumentos das músicas, e co-assina a produção ao lado de Marcelo Braga, seu parceiro nos clássicos vídeos de releituras musicais de retrospectiva do artista.

O álbum apresenta apenas uma colaboração especial com Luana Victoria, a irmã do artista, na faixa Te Espero Aqui, que serve como um momento de tranquilidade no disco, composto por graves usados tanto para bate-cabeça quanto para dança. O metalcore é a principal inspiração, mas há alusões ao trap, hip-hop, pop, hardcore e djent enquanto traz reflexões sobre dilemas próprios do ser humano nas letras, mas sem ser conceitual demais a ponto de contar história através da música. Em 2025, Lvcas inicia a sua turnê em São Paulo com show caótico e é promessa no cenário de metal alternativo do Brasil. – Leonardo Quinalha

Faixas favoritas: Flores, Meu jeitinho e Te espero aqui


Capa do álbum In Search Of The Antidote, de FLETCHER. Na imagem, vemos parte do rosto da cantora, já que seus cabelos, ao vento, impedem a visão completa dele. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos que usa um batom rosa. O fundo da capa é azul e, na canto superior direito, está a etiqueta de “parental advisory”. A palavra “antidote” se encontra em letras maiúsculas na cor salmão na parte inferior da imagem. Em cima das letras T e E, está escrito “in search of the” em letras minúsculas, na cor branca e em outro tipo de fonte.
In Search Of The Antidote é, em sua essência, sobre a busca pelo amor próprio (Foto: Capitol Records)

FLETCHER – In Search Of The Antidote

Desde que FLETCHER usou o nome da namorada de sua ex em uma música, ela tem sido considerada um ícone queer no setor por seu lirismo irônico que encapsula, com sucesso, a experiência do relacionamento amoroso entre mulheres. No entanto, ao invés de continuar na narrativa dos rompimentos angustiantes e inseguranças pessoais do primeiro álbum, In Search Of The Antidote oferece uma análise tumultuada de identidade e realização pessoal, englobando o lado sombrio do processo de cura.

Aqui, Cari Fletcher se mostra como uma mulher complexa, vulnerável, forte, sexy e sem pudor, deixando claro que este é um dos trabalhos mais honestos e consistentes de sua carreira. Envolvendo a bagunça das emoções pós-término em cortes pop que fogem às regras, a artista prova, mais uma vez, que ninguém faz hinos de corações partidos da mesma forma que ela. – Raquel Freire

Faixas favoritas: Lead Me On, Pretending e Antidote


Capa do álbum I'm Not Afraid of Music Anymore da banda COIN. A imagem apresenta uma escultura de pedra representando duas figuras humanas fundidas em um abraço, com um fundo verde vibrante, transmitindo uma estética minimalista e expressiva.
“Acho que existe algo que eu esteja fugindo, ou é apenas quem eu sou?” (Foto: TenThousand Projects)

COIN – I’m Not Afraid Of Music Anymore

O sexto álbum de estúdio da banda COIN, intitulado I’m Not Afraid Of Music Anymore, chega após um período de bloqueio criativo do grupo. As ideias dos membros não convergiam entre si, mas um sentimento único as conectava: o medo. Foi a partir dessa inquietação que surgiu o disco mais coeso e maduro da carreira deles. Diferentemente de produções anteriores, em que Chase Lawrence, Ryan Winnen e Joe Memmel soavam como se estivessem compondo colagens musicais, este trabalho se destaca por construir um quebra-cabeça cuidadosamente montado do começo ao fim.

A sonoridade do álbum presta uma homenagem aos primeiros trabalhos da banda, resgatando o característico rock de garagem. No entanto, com a produção de Gabe Simon – conhecido por colaborações com Lana Del Rey e Noah Kahan –, os instrumentais ganham uma polidez que os torna mais equilibrados e harmônicos. Nesse clima nostálgico, o grupo aproveita para reconhecer a importância de seus fãs. Na delicada Sing Along, Lawrence canta: “Quantas tentativas posso encaixar em uma música/Esperando que você ainda cante junto?”. Essa conexão com o público é a maior conquista de COIN, e I’m Not Afraid Of Music Anymore não apenas reforça, mas também celebra essa história.  – Arthur Caires

Faixas favoritas: Problem e Sing Along


Capa do álbum Kansas Anymore do artista ROLE MODEL. A imagem em preto e branco mostra o artista de perfil, usando um chapéu de cowboy e uma jaqueta de couro, em uma pose descontraída com o fundo liso e minimalista. O título do álbum e o nome do artista estão em letras pequenas e discretas na parte central da imagem.
“Para ser honesto, gosto da sensação de deixar tudo queimar” (Foto: Interscope Records)

Não há nada melhor do que um álbum country de término de relacionamento escrito por um corno. Esse é Kansas Anymore, o segundo disco de estúdio de Tucker Pillsbury, mais conhecido como ROLE MODEL. Após terminar com uma das influenciadoras da Geração Z mais conhecidas, Emma Chamberlain, o cantor entrega seu trabalho mais coeso até então. Entre melodias contagiantes, sua marca registrada, e a autoconsciência de sua personalidade sedutora, é possível aproveitar 40 minutos de músicas íntimas e divertidas. 

Ao mesmo tempo que supera o fim de seu relacionamento, Pillsbury também se vê imerso na superficialidade de Los Angeles. As referências a drogas e tratamentos estéticos evidenciam um descontentamento crescente com o estilo de vida da cidade. A nostalgia por suas origens e o desejo de fuga explodem em faixas como The Dinner, onde o artista expressa o desejo de abandonar a futilidade da vida urbana e retornar para casa. Após seu primeiro álbum, Rx, não ter alcançado grandes destaques, Kansas Anymore é um passo na direção certa na carreira de ROLE MODEL. – Arthur Caires

Faixas favoritas: Writing’s On The Wall e Slipfast


Capa do disco Luan Santana Ao Vivo na Lua - Crescente. A imagem mostra o cantor Luan Santana no centro da capa. O cantor está no ambiente de universo, com estrelas, um borrão azul e o planeta Vênus ao fundo. À frente, é mostrada a superfície da Terra. Ao centro da parte inferior da capa, há a palavra “CRESCENTE” em letras brancas e maiúsculas. Luan Santana está de olhos fechados e segurando um microfone. Sua cabeça está inclinada para cima e ele possui tatuagens no braço direito. Sua roupa é bege, com brilho e detalhes nos ombros que descem até o peito.
Luan Santana continua projeto na Lua e traz uma experiência mais imersiva aos fãs (Foto: Sony Music Brasil)

Luan Santana – LUAN AO VIVO NA LUA – CRESCENTE

O novo álbum de Luan Santana conta com mais uma fase da Lua: depois do  EP LUA – NOVA, veio a versão CRESCENTE, lançada em 21 de novembro de 2024. O disco mostra uma nova perspectiva sobre as turnês que Luan pretende construir. Além disso, o cantor permanece trazendo músicas que não perdem a originalidade do seu sucesso inicial. O álbum continua com o estilo das faixas românticas que o público costumava vibrar, como a famosa música Meteoro – o primeiro marco de sua carreira, lançada em 2009. 

A experiência é totalmente imersiva, de modo que a tecnologia de palco está sendo utilizada para trazer uma ideia de um show realizado no espaço: Luan esclarece isso na apresentação de CERTEZA. O cantor sempre procura oferecer novos ambientes para o seu público e LUA – CRESCENTE não foi diferente. De maneira geral, pode-se afirmar que o álbum marca uma divisão para os próximos projetos do cantor, que agora competem com os desafios do seu papel de paternidade. – Maria Fernanda Beneton

Faixas Favoritas: CERTEZA – Ao vivo, PARECE – Ao vivo, COISAS QUE EU NÃO VOU DEIXAR DE TER – Ao vivo


Capa do disco Novela. A imagem de capa é uma fotografia da cantora Céu, dos ombros para cima. Ela está com os cabelos cacheados soltos, preenchendo todo o quadro da imagem. Sua expressão é séria, com o olhar direcionado para o horizonte. Tem um ponto de luz branca forte à direita da artista.
Novela é o sexto álbum de estúdio de Céu (Foto: Urban Jungle Records/ONErpm)

Céu – Novela

Novela é carinhoso e prazeroso. A primeira faixa, Raiou, já te transporta para o oásis do álbum, longe do mundo real, mas próximo da natureza. As melodias desapressadas conduzem uma experiência de transe ao ouvinte que, se deixar o corpo solto, acompanha os movimentos musicais sem perceber. É um álbum para ouvir e se deixar derreter nele. A sonoridade especial mescla com elegância MPB, reggae e soul, guiada pela voz de veludo de Céu, que é um espetáculo à parte. A cantora sabe transitar pelos gêneros, conferindo a cada um que cruza a sua impressão autoral única.

O álbum foi gravado ao vivo, de maneira orgânica, o que acentua ainda mais a intimidade instantânea do ouvinte com a obra. Novela só falta respirar, é vivo. Céu não tem dificuldade em amarrar à mesma obra conceitos independentes, o que a permite brincar com faixas como a divertida Cremosa e com o rock nostálgico de Lustrando Estrela. Nessa grande salada mista, ainda tem espaço para colaborações de ótimo gosto, que só elevam a qualidade para além da estratosfera. A cantora divide os vocais com convidados em três faixas bilíngues (Raiou, Gerando na Alta e Into My Novela). – Giovanna Freisinger

Faixas Favoritas: Into My Novela, Corpo e Colo e Gerando na Alta


Capa do disco Ontem Eu Tinha Certeza (Hoje Eu Tenho Mais). Na imagem temos a presença dos integrantes da banda Jovem Dionísio. Eles estão com um efeito distorcido então é difícil descrever os detalhes. Mas todos os integrantes estão vestindo calça cargo na cor bege e uma jaqueta marrom. O cantor Ber Pasquali diferente dos outros está usando um moletom vermelho e o Rafael Mendes “Fufa” está segurando uma guitarra azul. Ao fundo temos uma tela preta e no canto superior direito temos o nome da banda e do disco em tons vermelhos.
A banda foi indicada ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa (Foto: JD Produções)

Jovem Dionisio – Ontem Eu Tinha Certeza (Hoje Eu Tenho Mais)

O nome do disco surge através da letra de Neste Contexto, canção apresentada ao público como o primeiro single dessa nova fase da banda. Agora, sem dúvida nenhuma, Ontem Eu Tinha Certeza (Hoje Eu Tenho Mais), simboliza a trajetória e a convicção de que esse é o caminho que a Jovem Dionisio pretende seguir nos próximos anos. Antes do lançamento oficial do álbum, os “meninos hidratados” entregaram um teaser filme, com um roteiro fantasioso digno do subgênero terrir sobre um chefe bagre, dono de uma cadeiraria e que vive assombrando seus funcionários. O curta-metragem também escapa alguns spoilers das canções presentes no disco, além da nova identidade visual da banda. 

O melhor de Acorda, Pedrinho volta com mais profundidade. Sendo o trabalho mais experimental produzido pela banda, o principal desafio na composição do disco foi, sem dúvidas, em como conduzir essa pluralidade de arranjos e histórias, de maneira coesa para a compreensão do ouvinte, sem que a narrativa se perdesse nela mesma. Algo que foi pensado em conjunto como um grupo e revisitado inúmeras vezes pelos integrantes, que chegou em seu resultado final: um dos melhores álbuns indie no cenário atual da música brasileira. Fora o sucesso de to bem, que dispensa apresentações, Ontem Eu Tinha Certeza (Hoje Eu Tenho Mais) também traz grandes parcerias, como o Grupo Menos É Mais, na canção sinto muito (demo) e de Arnaldo Antunes, em passeando do seu jeito, marcando o encontro de gêneros musicais presentes na segunda discografia da banda. – Ludmila Henrique 

Faixas Favoritas: Neste Contexto, sinto muito (demo), eu preciso te dizer que


Capa do álbum Orquídeas. Na imagem, a cantora Kali Uchis está prensada em uma superfície de vidro, com o lado esquerdo do rosto virado para cima. Ela está nua e em todo seu corpo há pétalas de orquídeas nas cores: roxo, rosa e azul, em vários tons. Há também um líquido rosa espalhado pelo espaço e pelo corpo da cantora. No canto inferior direito, há o aviso de conteúdo explícito no álbum. Kali Uchis é uma mulher na faixa dos 30 anos de ascendência colombiana e possui cabelos escuros.
O álbum possui feats com Karol G e Peso Pluma (Foto: Geffen Records)

Kali Uchis – Orquídeas

Amor, sedução, desejo e fertilidade costumam ser as associações que a flor orquídea recebe de muitas culturas. Orquídeas, de Kali Uchis, também pode ganhar esses significados – e sentimentos para quem ouve – através das canções sobre traições, pensamentos intrusivos que trazem lembranças de amantes e o amor incondicional de uma mãe para com o filho. A faixa Tu Corazón Es Mío… é dedicada ao nascimento do filho de Uchis com Don Toliver: a artista, grávida no clipe, preferiu resguardar a gestação dos holofotes.

Além disso, o álbum consegue transpassar o calor do amor por meio dos ritmos quentes do R&B e do reggaeton, assim como seu antecessor Red Moon in In Venus, porém mais enérgico e sem espaço para as músicas melódicas. Te Mata, canção sobre uma mulher que conseguiu se libertar de uma relação ruim, é uma experiência que se assemelha a assistir a um filme do Almodóvar. Embora a letra pareça um sertanejo universitário genérico, os arranjos e vocais de Uchis sobem a temperatura dos ouvidos de uma forma extremamente luxuosa. – Davi Marcelgo

Faixas Favoritas: Igual Que Un Ángel, Te Mata, Tu Corazón Es Mío…


Capa do álbum Plan A de Lil Tecca. A imagem mostra o rapper, homem jovem de pele preta, e cabelo crespo com dreads, vestindo uma jaqueta com estampa de onça e tampando metade do rosto com ela, ele usa vários aneis nos dedos e duas pulseiras todas de prata e também um óculos escuro na altura da testa, num fundo de tom marrom e dourado, No canto inferior direito vemos o aviso de conteúdo explícito.
Para Lil Tecca sempre existiu apenas um plano (Foto:Galactic Records/Lil Tecca)

Lil Tecca – Plan A 

Com apenas 16 anos, ainda no colegial, Tecca lançou Ransom, seu maior hit até hoje. Cinco anos depois, entre transições suaves e batidas de hip-hop melódicas, Tecca ainda consegue conquistar o coração dos fãs com seus novos projetos: não foi diferente com Plan A. Em seu quarto álbum de estúdio, o artista expressa que nunca teve outro plano para seu futuro, apenas o ‘plano A’. Taste, a faixa de abertura do álbum, recebe um destaque especial devido ao seu ritmo mais lento, trazendo uma coesão perfeita entre as rimas de Tecca por cima do instrumental cloud trap.

Com 18 faixas e apenas uma colaboração, sendo em I Can’t Let Go com Don Toliver, eram esperados mais participações especiais no álbum, porém a batida rage rap experimental não deixou a desejar na faixa. É relevante destacar que as fantásticas transições entre as músicas do projeto tornam a experiência de ouvir o álbum como um todo algo incrível e único. O disco demonstrou a grande maturidade adquirida pelo artista ao longo dos anos. Seja como pessoa e produtor, com apenas um plano em mente, Tecca está conseguindo concretizá-lo. – Leonardo Quinalha

Faixas favoritas: Taste, Bad Time e Number 2


Capa do álbum POST HUMAN: NeX GEn, da banda Bring Me The Horizon. A imagem mostra uma ilustração digital de uma personagem futurista, com pele, cabelos e camiseta em tons de rosa. Suas olheiras são alaranjadas, seus olhos são verdes e vermelhos e ela possui uma cicatriz na testa. Ela usa um brinco dourado de lua em uma das orelhas e possui piercings no rosto, no espaço entre os olhos. No canto inferior esquerdo, é possível ver um ursinho de pelúcia preto e branco, que parece estar em seu colo. Do lado direito, na altura do ombro da boneca, vemos um robô pequeno, composto por asas de borboleta e cabeça e pernas de boneca, voando. Ao lado dele, preso na boneca, há uma espécie de aparelho vermelho que mede as batidas de seu coração e que, provavelmente, ajuda ela a sobreviver. A boneca olha diretamente para frente, sem expressar emoções, e o fundo verde possui algumas texturas.
POST HUMAN: NeX GEn foi lançado de surpresa após quase quatro anos de espera (Foto: Sony Music Entertainment)

Bring Me The Horizon – POST HUMAN: NeX GEn

Nos últimos anos, a banda britânica Bring Me The Horizon tem passado uma mensagem muito clara para o público: ‘não temos medo de mudanças e usamos nossa criatividade como bem entendemos’. Esse forte posicionamento fez com que os integrantes não se prendessem a um único gênero, algo que não costuma acontecer no meio em que estão inseridos, e é o que faz a banda crescer a cada lançamento – mesmo estando na indústria há duas décadas. POST HUMAN: NeX GEn, a segunda parte de um projeto que retrata uma sociedade pós-apocalíptica, é um dos álbuns que mais sustentam esse argumento.

Ao adicionar electronica e hiperpop à mistura usual de metalcore, nu metal, pop rock e emo, a banda produz um disco diversificado, mas que ainda carrega a personalidade e o talento lírico que sempre teve. NeX GEn é um álbum que está em contato com o passado, ciente do presente e idealizando o futuro – algo que pouquíssimos artistas chegaram perto de realizar em 2024. – Raquel Freire

Faixas favoritas: YOUtopia, Top 10 staTues tHat CriEd bloOd e DArkSide


Capa do álbum Prelude To Ecstasy. Nela, vemos uma cômoda de pedra com várias flores e velas e um quadro, onde as cinco integrantes da banda aparecem. São todas mulheres brancas e, da esquerda para a direita, uma está de vestido vermelha, outra de vestido branco, outra de vestido preto e mais uma de vestido branco. E no meio a vocalista está de vestido dourado. Eles se vesteme como se estivessem na era vitoriana do séc XIX
Disco um dos indicados Mercury Prize, maior premiação fonográfica da Inglaterra (Foto: Universal Island Records)

The Last Dinner Party – Prelude To Ecstasy 

Com o passar dos anos, cada vez mais expoentes femininas estão conquistando seu lugar no rock, principalmente vindos da vertente britânica do gênero. Nesse ano, foi a vez do The Last Dinner Party alçar os holofotes de uma forma bastânte única e cheia de excêntricidade, colocando a banda como um dos maiores achados desta década.

O quinteto gótico, que seu conheceu nos pubs enquanto cursavam a faculdade, não reinventa a roda. Pelo contrário, ele usa de referências muito distantes uma da outra e as canaliza e um pop barroco repleto de glam rock. Como qualquer obra de origem feminina, Prelude to Ecstasy vem carregado de críticas a masculinidade e a percepção feminina da sociedade, que são intesificadas por cinco artistas que fazem questão de ir contra a forma com que a humanidade imagina e idealiza uma mulher. – Guilherme Veiga

Faixas favoritas: Nothing Matters, Ceasar on a TV Screen, Beautiful Boy


Capa do disco Room Under the Stairs. Na imagem temos a silhueta do rosto do Zayn ampliada em tons de azul. No interior da figura temos a imagem de uma escada em meio a um local rodeado por árvores e arbustos. No canto inferior esquerdo está escrito o nome do cantor em letras grandes, nas cores branca e azul.
Room Under the Stairs ganhou uma versão deluxe com quatro músicas inéditas: Ignorance Ain’t Bliss, Lied To, In The Bag e Gave (Foto: Mercury Records)

ZAYN – ROOM UNDER THE STAIRS

Escolher deixar uma parte sua para trás requer boas doses de sanidade e de falsos começos. Para ZAYN, essa mudança começa através de insights que ecoam em seu íntimo e que ganham pulsação através das 15 faixas presentes em seu novo disco, ROOM UNDER THE STAIRS. Sendo uma expressão de seus anseios e inquietações, o álbum representa um recomeço próprio para o cantor e para a sua música. 

Três anos separam o trabalho atual do seu último registro, Nobody Is Listening (2021), um disco também introspectivo, mas que demandava de uma grande produção para alcançar o rhythm & blues moderno pensado e desejado pelo artista. Diferente disso, o quarto álbum é mais cru e intimista em sua composição, se aproximando das sonoridades do country e do blues original. Com apenas voz e violão – e a little bit of soul –, Zayn aproxima suas letras de seus ouvintes, atingindo a maturidade que faltava em sua discografia. – Ludmila Henrique

Faixas Favoritas: False Stars, The Time, Alienated


Capa do disco Serenata da GG, Vol. 1 (Ao Vivo). A imagem mostra um coração rosa que ocupa todo o espaço central da capa e possui um relevo profundo, onde Gloria Groove está sentada. A cantora está usando um vestido vermelho, com luvas vermelhas e saltos vermelhos e seu cabelo também está da mesma cor. Ela utiliza jóias no pescoço, orelhas e mãos. Ao lado dela, está escrito “Serenata da GG” em letras rosas com sombra vermelha. Abaixo, em uma fonte menor, está escrito “Vol.1”. Ao fundo da imagem, a cor é preta.
Gloria Groove aposta em mistura de música clássica e pagode em seu álbum Serenata da GG, Vol.1 (Foto: SB Music)

Gloria Groove – Serenata da GG, Vol.1 (Ao Vivo) 

Lançado em maio de 2024, Serenata da GG, Vol.1 (Ao Vivo) fez Gloria Groove sair do funk e do pop brasileiro. A chegada da cantora no pagode, por meio de músicas inéditas e regravações de clássicos dos anos 2000, mostra que a voz de Groove recebeu um toque surpreendente. O disco conta com 13 faixas, com participação de Ferrugem, em Câmera Frontal – Ao Vivo, e o cantor Belo, em Eu Era Feliz – Ao Vivo

A drag queen inovou o estilo que está acostumada a cantar, de modo que o álbum traz mais romance para sua música, ao contrário de LADY LESTE, que possui faixas voltadas para o pop e o hip hop. Em Serenata da GG, Vol. 1, Gloria Groove preocupa-se em trazer um pouco mais do ritmo típico brasileiro, além de misturar sua música com ícones do Brasil, como Alcione, na faixa A Loba – Ao Vivo. Essa nova visão da cantora, com certeza, deixa qualquer um em dúvida sobre qual será sua próxima aposta. – Maria Fernanda Beneton

Faixas Favoritas: Nosso Primeiro Beijo – Ao Vivo , Eu Odeio Dia 12 – Ao Vivo, Radar – Ao Vivo


Produzido de maneira independente, Sexto Sentido é o segundo álbum da carreira de Luanna (Foto: MC Luanna)

MC Luanna – Sexto Sentido

Nome marcante da cena feminina do Rap, Mc Luanna cresce sem medo e, em 2024, provou novamente que não à toa. Com o lançamento de Sexto Sentido, a cantora mostrou que a menina de 44 (2022) amadurece a cada dia com rimas mais críticas e beats complexos, se tornando a mulher que sabe o quão contra a corrente nada.

Longe de achar graça nessa realidade de ser um nome entre poucos quando se trata de mulheres negras com visibilidade na Música, a artista trata de destacar a insatisfação com essa realidade: “sou uma mulher negra falam pra ser mais forte/pra correr duas vezes porque a gente é sem sorte/pra que expor sentimento se não vou ganhar flores?”.  Da vulnerabilidade e dor de não poder sequer aparentar fraqueza, Luanna mostra que sua força está em ser a inspiração de tantas mostrando exatamente o que o mundo a fez achar errado expor: humanidade.  – Jamily Rigonatto 

Faixas favoritas: Ainda Sinto Muito, Rotina 2 e Cartas a Uma Garota Negra.


Capa do disco Short n’ Sweet, da cantora Sabrina Carpenter. Sabrina Carpenter é uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos azuis. Ela aparece em frente de um fundo azul, olhando por cima do ombro. Em seu ombro, há uma marca de beijo, feita com batom vermelho escuro.
Short n’ Sweet é para todos os gostos (Foto: Island Records)

Sabrina Carpenter – Short n’ Sweet

Cafeinado, pequeno e doce, Short n’ Sweet mostra ainda mais o lado sedutor e apaixonado de Sabrina Carpenter. Por meio de trocadilhos e piadinhas levemente sexuais, a cantora consegue ainda mais se distanciar da imagem de atriz mirim da Disney e se aproximar do estrelato do mundo pop – e mostra que já atingiu a maioridade. Carpenter apresenta um disco enérgico e divertido, flerta com o synth pop e o country, além de afirmar que mulheres podem sim demonstrar a sexualidade e a sensualidade de formas positivas, sem sentirem vergonha.

Por meio de um pop chiclete, Sabrina Carpenter evolui ainda mais seu trabalho com a Island Records – que acompanha a pequena loirinha desde o emocional emails i can’t send –, e se estabelece na cena musical. Com singles viciantes – Espresso com sua cafeína, Please Please Please com suas repetições e Taste com suas fofocas – e músicas ainda mais gostosas de ouvir, Carpenter mostra que a sua Música possui tons alegres e cômicos, e que sempre pode retornar para temas reflexivos – como em Dumb & Poetic. – Laura Hirata-Vale 

Faixas favoritas: Good Graces, Taste, Don’t Smile


Capa do disco Songs Of A Lost WorldNa imagem, a cabeça de uma escultura em pedra está caída em um fundo preto. Não possui rosto, apenas traços de boca e olhos. No canto superior direito, está escrito o nome da banda, com “the” em minúsculo e “Cure” em caixa alta. Abaixo da cabeça, está o título do álbum “Songs Of A Lost World”.
Songs Of A Lost World é o primeiro álbum inédito da banda em 16 anos (Foto: Universal Music)

The Cure – Songs Of A Lost World

Canções De Um Mundo Perdido (em tradução livre) marca o retorno e a despedida da banda britânica comandada pelo vocalista, guitarrista e compositor Robert Smith. O novo álbum, embora melancólico, é sobretudo potente, e questiona o mundo atual através da forma e conteúdo. Com os celulares, rádios, streaming e músicas aceleradas, o disco de oito músicas e 49 minutos de duração vai na contramão das tendências e exige do ouvinte um momento de contemplação para as cargas dramáticas de The Cure. Introduzido por Alone com guitarra e bateria, a voz de Smith só entra depois de três minutos, assim como as outras canções – a faixa Endsong de dez minutos só apresenta letra aos seis.

Esse é o final de todas as canções que já cantamos, anuncia a banda. O disco reflete sobre a experiência de luto que Robert Smith passou ao longo dos anos, com a morte do irmão, da mãe e do pai. É um homem que se encontra desconcerto sobre o lugar que vive. Songs Of A Lost World é incrível e faz você sentir cada sentimento através das cordas e da voz de Smith – que nada envelheceu. O mais interessante é que, mesmo aos 65 anos, o mundo do líder da banda não está deteriorando pelas pautas raciais ou de sexualidade – como de costume com os ‘rebeldes’ do rock -, mas sim pela sua íntima experiência com o fim da vida, das relações e de sua banda. – Davi Marcelgo 

Faixas Favoritas: Alone, Fragile Thing e I Can Never Say Goodbye  


Capa do álbum Submarine da banda The Marías. A imagem apresenta uma mulher submersa em um ambiente aquático com tons predominantemente azuis. Ela está agachada, com o cabelo solto flutuando na água e vestindo um vestido escuro com detalhes claros. A iluminação suave cria um contraste dramático, destacando sua silhueta e expressão contemplativa.
“Eu me pergunto como é estar sozinho, se você não me ligar de volta, acho que saberei” (Foto: Atlantic Records)

The Marías – Submarine

Submarine, o segundo álbum da banda indie-pop The Marías, é um mergulho sonoro que confirma a identidade única do grupo de Los Angeles. Formada pela vocalista porto-riquenha María Zardoya, criada no estado de Geórgia, pelo baterista e produtor Josh Conway, pelo guitarrista Jesse Perlman e pelo tecladista Edward James, os membros continuam a navegar entre momentos de introspecção e explosões de energia em suas músicas.

O título ‘Submarino’ é uma descrição precisa da atmosfera do álbum, que nos transporta para um mundo aquático onde a música flui como uma correnteza suave. O dream pop característico do grupo envolve o ouvinte em camadas de melodias etéreas, como se a música oscilasse entre a superfície e as profundezas. O encanto de Submarine reside na combinação de vocais delicados, sintetizadores hipnotizantes e linhas de baixo marcantes. As letras, muitas vezes introspectivas, giram em torno das frustrações e desconexões em relacionamentos, um tema central que confere unidade ao álbum. – Arthur Caires

Faixas favoritas: Love You Anyway e Run Your Mouth


A imagem mostra Duda Beat em um deserto surrealista com caixas de som pegando fogo e caules secos de árvores, seu figurino é composto por faixas de aspecto metálico na parte superior e botas prateadas.
Na semana de estreia, Tara e Tal estreou na parada de álbuns do Spotify, sendo o segundo da artista a entrar na parada. (Foto: Som Livre)

DUDA BEAT – Tara e Tal

Em Tara e Tal, DUDA BEAT explora uma sonoridade mais frenética do que nunca e flerta com o pop, rock e EDM. Ao longo do ano de 2024, a artista embarcou em uma turnê que promoveu o disco e colocou multidões para dançar muito em faixas como: NiGHT MARé e SAUDADE DE VOCÊ. O trabalho foi reconhecido por suas referências não-convencionais e a habilidade de DUDA em transformar seu repertório em um disco coeso e competente. 

A habilidade de conseguir mais uma vez ter um trabalho admirado pelo seu público e crítica especializada, fez com que mesmo com a falta de grandes hits comerciais, Tara & Tal fosse lembrado como um lançamento essencial para a indústria musical nacional no ano de 2024. – João Pedro do Nascimento Fontes

Faixas favoritas: NiGHT MARé, SAUDADE DE VOCÊ, q prazer


A imagem mostra o rosto da artista em fundo escuro com uma tipografia contemporânea escrita “Taurus Vol. 2”.
Duquesa venceu Revelação do Ano no Prêmio Multishow 2024 (Foto: Boogie Naipe)

Duquesa – Taurus, Vol. 2

Taurus, Vol. 2 narra o desenvolvimento da carreira de Duquesa através do olhar da artista, explorando os sentimentos que a fama trouxe para a vida dela. Durante 2024, o álbum foi responsável por colocar a rapper em uma lugar de destaque na cena do rap brasileiro, junto de outras mulheres como: Ebony e a dupla Tasha & Tracie

O álbum foi bem recebido pelo público e crítica especializada, explorando gêneros como rap, R&B e house music, sendo consumido por diversos públicos, posicionando ele como um trabalho que transcende as barreiras do gênero no país. – João Pedro do Nascimento Fontes

Faixas favoritas: Voo 1360 e Disk P@#$%&!


Foto da capa do álbum The Secret of Us. Ela apresenta Gracie Abrams, uma mulher de pele clara com cabelo curto e castanho, exibindo uma expressão introspectiva e um olhar direcionado para o lado direito, com os lábios levemente entreabertos, transmitindo contemplação ou curiosidade. A modelo usa brincos de argola duplos dourados, e o fundo é branco, minimalista, destacando seu rosto. O título The Secret of Us está escrito no topo em uma fonte cursiva amarela estilizada.
O sucesso do álbum deu a Abrams a oportunidade de ser host de um episódio do aclamado programa de televisão americano SNL (Foto: Interscope Records)

Gracie Abrams – The Secret of Us

The Secret of Us, segundo álbum de Gracie Abrams, destaca-se como uma das melhores produções de 2024 por sua profundidade emocional e evolução artística. Lançado pela Interscope Records, o disco apresenta uma colaboração notável com Taylor Swift na faixa us. (feat. Taylor Swift), evidenciando o reconhecimento de Abrams na indústria musical.  A produção de Aaron Dessner e Jack Antonoff contribui para a sonoridade expansiva e narrativa envolvente, refletindo o crescimento da jovem artista como compositora e vocalista. 

Desde seu lançamento, The Secret of Us recebeu uma versão deluxe, incluindo quatro novas faixas.  O álbum também rendeu a Abrams uma indicação ao Grammy de Melhor Artista Revelação, além de uma nomeação conjunta com Taylor Swift na categoria de Melhor Performance Pop em Dupla ou Grupo pela colaboração em uma das faixas do disco. A artista lançou videoclipes para faixas como I Love You, I’m Sorry, demonstrando sua versatilidade e conexão com o público, além de versões acústicas das canções de maior sucesso do disco. – Marcela Jardim

Faixas Favoritas: I Love You, I’m Sorry, us. (feat. Taylor Swift), That’s So True


A imagem é a capa do álbum The Tortured Poets Department, de Taylor Swift. Ela apresenta um retrato em preto e branco da cantora deitada em uma cama, cercada por travesseiros. A artista, está vestindo uma blusa preta de alças finas, que escorrega levemente pelo ombro, e um short escuro. Sua posição é relaxada, com um dos braços cruzando o peito e a outra mão pousando suavemente sobre o abdômen. Seu olhar está direcionado para o lado, parcialmente encoberto pelo cabelo solto, transmitindo um ar de introspecção e melancolia. A luz na imagem é suave, criando sombras delicadas e um efeito etéreo. No topo da fotografia, o título "The Tortured Poets Department" aparece em uma fonte serifada simples e elegante. A imagem está centralizada dentro de uma moldura bege, criando um design minimalista e sofisticado, alinhado à estética melancólica e poética do título.
O álbum deu a Taylor Swift o recorde de disco mais vendido em 2024 nos EUA, com quase 7 milhões de cópias vendidas (Universal Republic Records)

Taylor Swift – The Tortured Poets Department

Com o álbum The Tortured Poets Department, Taylor Swift conquistou um lugar de destaque em 2024 por sua abordagem inovadora, que mistura poesia contemporânea com sonoridades experimentais. Trata-se de uma obra que transcende a simples classificação de gênero, apresentando letras carregadas de significados profundos, narrativas densas e um apelo emocional raro. A complexidade lírica da cantora e compositora  e a riqueza instrumental dialogam de forma brilhante, criando um equilíbrio entre o introspectivo e o compartilhado. O álbum lançado pela Universal Republic Records explora temas como dor, redenção e a tristeza de um término de relacionamento, oferecendo uma experiência que convida à reflexão e à imersão. Essa originalidade foi amplamente reconhecida pela crítica e pelo público, consolidando o projeto como um marco da música contemporânea.

Desde o lançamento, The Tortured Poets Department não apenas cumpriu, mas superou expectativas, quebrando recordes de streaming em plataformas digitais e sendo amplamente celebrado em premiações importantes da indústria musical, como os Grammys e o VMA. O videoclipe de Fortnight (feat. Post Malone), em conjunto com o rapper Post Malone, e a versão deluxe, The Tortured Poets DepartmentThe Anthology, que conta com 15 faixas adicionais refletem o sucesso iminente do disco da loirinha. Os dois trabalhos, , aliados ao impacto cultural que a obra gerou, reafirmam a relevância e a influência de Taylor Swift no cenário musical atual. – Marcela Jardim

Faixas Favoritas: My Boy Only Breaks His Favorite Toys, Guilty as Sin?, Who’s Afraid of Little Old Me?


Capa do disco What A Devastating Turn of Events. Na imagem temos a presença da cantora Rachel Chinouriri no centro, uma jovem negro, de olhos castanhos e cabelo liso preto. Ela está vestindo uma baby tee preta, com detalhes floridos rosa e de manga listrada nas cores bege, marrom e laranja. Também está vestindo uma saia longa com a mesma estampa da manga da baby tee e um tamanco preto. Ela está segurando um violão com vários desenhos. Ao seu redor tem outras quatro figuras da Rachel vestida com uma jaqueta branca, calça jeans e tênis branco, cada uma fazendo uma tarefa diferente. Uma está ao lado de uma bicicleta lilás, outra está colocando o lixo pra fora, uma está pendurando bandeiras da Inglaterra na janela e a outra está escrevendo em um caderno. Elas estão ao lado externo, em frente a uma casa de tijolos marrons e janelas brancas.
Rachel Chinouriri foi indicada aos prêmios de Melhor Artista Revelação e Melhor Artista do Ano no BRIT Awards 2025 (Foto: Parlophone Records)

Rachel Chinouriri – What a Devastating Turn of Events 

O sinônimo de casa pode ter significados diferentes para quem o procura. A busca por pertencimento nos faz questionar sobre a nossa trajetória como indivíduo e quando se é uma mulher na indústria musical, esse sentimento é quase sucessivo. Em What a Devastating Turn of Events, produzido e interpretado por Rachel Chinouriri, ouvimos sobre a série de eventos devastadores que uma artista negra, nascida na Inglaterra, precisou passar até lidar com as adversidades e encontrar a sua própria maneira de fazer arte.

Assinado pela gravadora Parlophone Records, o álbum de debut conta com 14 faixas que combinam pop e indie rock, com uma lírica sensível e representativa. Mergulhando em narrativas difíceis sobre solidão, decepções e autocrítica, o disco representa, com muita sinceridade, o processo de aceitação vivenciado por Chinouriri, sobre ela mesma e o seu trabalho. – Ludmila Henrique 

Faixas Favoritas: Never Need Me, All I Ever Asked, So My Darling

Deixe uma resposta