
Jhenifer Oliveira
Wicked: Parte II, um dos lançamentos mais esperados do ano, chega às telonas trazendo o desfecho da história que marcou a Broadway e encantou diversas pessoas em sua adaptação para o cinema. O diretor Jon M. Chu, que transformou Wicked – Ato I em uma das experiências cinematográficas mais arrebatadoras de 2024, agora amplia esse triunfo em 2025 ao explorar o espetáculo com mais profundidade emocional e maturidade estética.
A sequência chega um ano após o primeiro, que conquistou o público com seu impacto visual e emocional, e garantiu duas estatuetas no Oscar. Esse legado brilhante cria um cenário de expectativas que se torna o ponto de partida do novo filme, exigindo que a continuação não apenas corresponda, mas também expanda o que já havia sido feito.
É justamente nessas esperanças que o trabalho de Jon M. Chu se sustenta. No segundo longa, o diretor tem o grande desafio de se manter fiel ao espírito da peça original e ter a audácia visual para reinventar cenas icônicas. A iluminação nos efeitos (Alice Brooks), a encenação dos números musicais e a paleta cromática dos personagens são monumentos essenciais para dar sensação de profundidade e carga emocional que a narrativa carrega. Nesse sentido, a equipe de direção de arte (Jordana Finkel e Sarah Ginn) se destaca ao unir a magia do espetáculo ao vivo com a ambição estética das produções atuais.

Enquanto a direção concentra esforços no espetáculo visual, são as atuações de Ariana Grande e Cynthia Erivo que realmente sustentam a dimensão emocional que o filme tenta alcançar. A construção de suas personagens é retratada com tanta precisão que se torna difícil dissociá-las das artistas por trás dos papéis. Ao longo da obra, a conexão e intensidade que as duas expressam é genuína, fazendo com que o público se sinta tocado a cada cena compartilhada. Ambas possuem energias e posturas diferentes, mas que se completam para dar realidade ao papel de Glinda e Elphaba. Não por acaso, elas foram indicadas no primeiro filme ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante.
A trilha sonora (Stephen Schwartz) funciona bem ao resgatar faixas icônicas como No Good Deed e For Good, porém o excesso de números musicais torna o desenvolvimento cansativo, já que algumas sequências poderiam ser melhores como encenações contínuas. Em partes, isso é por conta da adição das músicas No Place Like Home e The Girl in the Bubble, compostas especialmente para o longa, que surgem para suprir momentos dramáticos. Já Thank Goodness, presente no musical original, foi transformada em Every Day More Wicked no segundo ato, o que ajuda a dar mais coerência e fluidez à narrativa.
“Então deixe-me dizer antes de nos separarmos: muita coisa em mim / É feita do que eu aprendi com você.” – Wicked: For Good, 2025
Apesar de haver algumas inconsistências que mostram a fragilidade da obra, a narrativa se dispersa ao acompanhar múltiplos personagens em cenários (Nathan Crowley) distintos, resultando em acontecimentos que passam rápido demais, sem aprofundamento real e esvaziadas do impacto intenso que deveriam carregar. A história de Boq e Nessa (interpretados por Ethan Slater e Melissa Bode, respectivamente) é um grande exemplo de como o desenrolar de alguns acontecimentos são ligeiros e pouco explorados. Na peça, o enredo funciona de forma natural devido aos elementos da arte cênica e da troca imediata com o público, porém no filme se dilui em cenas que nunca se encaixam verdadeiramente no todo.
Além disso, o desenvolvimento paralelo da história de Dorothy acrescenta camadas interessantes ao diálogo com O Maravilhoso Mágico de Oz (1904), de Baum, todavia sua inclusão dentro do universo de Wicked acaba soando um pouco desconexa. O longa que amplia esse mundo compartilhado deixa certos elementos excessivamente subjetivos, o que se revela confuso para quem não conhece profundamente a obra original. Essas escolhas reforçam a sensação de que o filme, apesar de sua ambição, nem sempre consegue unificar todas as suas propostas em um conjunto plenamente coeso.
No fim, Wicked: For Good (na língua original) se mostra menos épico e emocionante que o primeiro, mas ainda preserva sua grandiosidade visual. Embora desta vez seja mais profundo e escuro — com traços de humor e doçura menos presentes —, ele cumpre o que se propõe: concluir a história com sensibilidade suficiente para que o público compreenda a transformadora relação entre Glinda e Elphaba.
