Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

Em seu enredo, o longa acompanha a história do personagem Ares (Jared Leto), uma Inteligência Artificial que ganha ‘vida’ fora das redes e fica encarregada de proteger os códigos e softwares da empresa bilionária comandada por Julian Dillinger, papel de Evan Peters. Nesse meio tempo, Ares se revolta contra seu criador e daí para frente a obra segue o clássico clichê homem versus máquina.

Tentando resgatar a estética das obras anteriores, o ator Jeff Bridges está de volta novamente como Kevin Flynn, o famoso criador de jogos de videogame e do tão procurado ‘Código de Permanência’. Além disso, Tron: Ares marca também o retorno de Greta Lee (Vidas Passadas) para o universo da Disney Studios, que anteriormente deu voz à inteligência artificial Lyla no filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023).

Se em 2010 com Tron: O Legado o longa foi criticado pelo uso abusivo de CGI, com o novo filme a crítica será um pouco diferente, já que o apelo visual é uma das coisas mais impressionantes de Tron: Ares, sem contar os efeitos especiais e cenários digitais (Darren Gilford e David Seager). Com direito à citação de canção do Depeche Mode, a trilha sonora pulsante – produzida pela banda Nine inch Nails – também não pode ser deixada de lado, pois ela consegue completar perfeitamente a atmosfera da obra. 

Em meio a insana batalha de encontrar o Código de Permanência, a produção se perde no meio do caminho tentando equilibrar a nostalgia dos anteriores com a chegada dos novos personagens e acaba falhando gravemente. Sem contar na falta de profundidade emocional entre Ares e Eve Kim, que não consegue criar laços dentro da narrativa da produção e deixa diversas cenas muito vazias e sem impacto para os espectadores.

Cena do filme “Tron: Ares”. Na foto vemos os personagens Ares, Eve Kim e Seth encarando algo em sua frente. Ares, homem branco de olhos azuis e longos cabelos castanhos, veste um macacão preto com traços vermelhos. Eve Kim, mulher de descendência sul-coreana e cabelos pretos presos em um coque, usa camiseta e calças pretas e por cima veste uma jaqueta de couro branca e azul. Seth, homem pardo de cabelos castanhos claros, veste um moletom amarelo com uma jaqueta xadrez por cima. Os três estão lado à lado. Ao fundo é possível ver uma espécie de fliperama.
Greta Lee retorna às telas do cinema desde a indicação ao Oscar de Melhor Filme por Vidas Passadas (Foto: Disney)

Apesar de seguir caminhos distintos dos outros filmes da franquia, a produção de Rønning nos trouxe uma grande reflexão à respeito das big techs e da humanização das IAs. Tron: Ares chega em um momento em que a ficção científica do mainstream está cada vez mais pressionada a oferecer discussões de maneira mais aberta às produções, e acaba tirando isso de letra ao investir em um debate contemporâneo com a IA, por mais que de forma superficial.

Infelizmente, mesmo com boas ideias a obra acaba tropeçando no meio fio e se limita a diálogos básicos e sem o devido aprofundamento. Por fim, o que torna Tron: Ares o mais fraco da franquia não é somente seu enredo mediano, mas sim a falta de densidade narrativa e inovação por parte das reviravoltas bem questionáveis e desnecessárias.

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