<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Victor Pinheiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/victor-pinheiro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/victor-pinheiro/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 16 Oct 2019 01:37:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Victor Pinheiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/victor-pinheiro/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Os melhores álbuns de 2017</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Dec 2017 22:33:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Alcântara]]></category>
		<category><![CDATA[Egberto Santana Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Leite Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Faria]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores de 2017]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=9086</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando decidimos que nossas listas de melhores do ano seriam compostas por escolhas pessoais, em vez de votações e colocações, o objetivo era atingir uma maior multiplicidade de gostos. O que não esperávamos era que alguns dos maiores figurões das listas de toda a imprensa ficassem de fora da nossa. Desculpa, Lorde e Kendrick Lamar. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os melhores álbuns de 2017"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/">Os melhores álbuns de 2017</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9186" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/melhores-persona-musica.gif" alt="" width="890" height="512" /></p>
<p>Quando decidimos que nossas listas de melhores do ano seriam compostas por escolhas pessoais, em vez de votações e colocações, o objetivo era atingir uma maior multiplicidade de gostos. O que não esperávamos era que alguns dos maiores figurões das listas de toda a imprensa ficassem de fora da nossa. Desculpa, <a href="http://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/" target="_blank" rel="noopener">Lorde</a> e<a href="http://personaunesp.com.br/damn-kendrick-lamar/" target="_blank" rel="noopener"> Kendrick Lamar</a>.</p>
<p>Mas também, qual a necessidade de bater na tecla dos consensos quando temos outras tantas <a href="http://personaunesp.com.br/kelela-janet-jackson-consciencia-negra/" target="_blank" rel="noopener">obras interessantes</a> para ouvir? <a href="http://personaunesp.com.br/tag/melhores-discos/" target="_blank" rel="noopener">Do rock ao hip hop, passando pelo eletrônico</a>, esses são nossos destaques de 2017:</p>
<p><span id="more-9086"></span></p>
<hr />
<h3><strong>Alvvays &#8211; Antisocialites</strong></h3>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-9098 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Há três anos o Alvvays trazia frescor com seu primeiro e autointitulado disco, recheado de <em>indie pop</em> com pitadas de <em>dream pop</em>. Em 2017, o grupo canadense volta à cena seguindo a linha de versos intimistas, poéticos e melancólicos, mas que soam bem mais leves e adocicados.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-setembro2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Antisocialites</em></a> mistura vários gêneros, entre <em>dream pop</em>, <em>lo-fi</em>, <em>indie pop</em> e <em>new wave</em> dos anos 80. A obra carrega uma atmosfera etérea do início ao fim de seus concisos 32 minutos &#8211; um disco sólido. As canções, um pouco mais maduras, não dispersam do disco primogênito, basicamente desilusões amorosas. Com isso, os canadenses se reinventam sem mudar drasticamente sua proposta de aliar o <em>pop</em> ao <em>indie</em> num misto de leveza no meio do caos da melancolia poética. &#8211; <strong>Mariana Faria</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Arca &#8211; Arca</strong></h3>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-9099 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>“<em>O vídeo que eu sangro pelo rabo porque um touro me empalou, e então chove pétalas de rosas brancas sobre meu corpo coxo, acaba de atingir 1 milhão de visualizações</em>”, escreveu Arca em seu <a href="https://www.instagram.com/arca1000000">Instagram</a>, em relação ao clipe de “Reverie”, música do seu último disco homônimo. Postado no início do ano, esse vídeo foi só o começo de um ano legitimamente seu.<a href="https://i-d.vice.com/en_uk/article/8x5aqk/arcas-blood-soaked-la-performance-was-an-important-cultural-moment"> Suas apresentações em 2017 </a>foram plantadas em um terreno que beira vários limiares, em especial a arte performática, que deram liberdade a sua obra  sempre foi voltada à um alto teor fetichista.</p>
<p>A primeira música de seu disco, “Whip”, não deixa dúvidas sobre. Mas, é claro, isso é minimizar a exploração do que o venezuelano é não somente como artista, produtor e performer, mas como um ser humano &#8211; Alejandro Ghersi consegue renascer mais uma vez. A incorporação de sua voz, suas letras em espanhol e o tema escancaradamente homoerótico lhe elevaram a um  patamar. Arca desenha sonoramente sobre si, contemplando desejos reprimidos e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PwXOgzmTbVU">paixões depravadas socialmente</a>, sem deixar de lado seu toque intimista e, ao mesmo tempo, opressivo.</p>
<p>Mesmo que isso não fosse suficiente, o álbum também é mais uma prova que o venezuelano continua sendo um exímio produtor de batidas extremamente precisas, criativas e dramáticas.  Em <em><a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-abril2017/" target="_blank" rel="noopener">Arca</a>,</em>  Ghersi desafia um futuro sem hipocrisias e de renascimento para quem estiver apto, sem abandonar sua técnica primorosa que o colocou entre os artistas mais instigantes deste ano. &#8211; <strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<hr />
<h3><strong>In Venus &#8211; Ruína</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9100 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p><span class="_5yl5">Escutar<em> Ruína</em>, primeiro álbum da banda paulistana In Venus, é ser nocauteado por uma porrada de referências: das guitarras sujas e vocal forte do <em>dream pop</em> e <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank" rel="noopener"><em>shoegaze</em></a> noventistas, a uma vibe mais pesada e instrospectiva (porém dançante) do <em><a href="http://personaunesp.com.br/the-cure-pornography/" target="_blank" rel="noopener">pós-punk</a></em> e <em>synthpop</em> britânicos.<br />
</span></p>
<p><span class="_5yl5">A influência do <a href="http://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/" target="_blank" rel="noopener">riot grrrl</a> norte-americano fica explícita nas letras, hinos feministas e anticapitalistas (“<em>We are fighting for our rights/ Against the sexism/ We&#8217;ll break the patriarchy/ And will have to resist</em>”), e as várias camadas sonoras (muito bem elaboradas) seguem o mesmo fluxo, acrescentando referências meio bruxescas às faixas (em especial em “Mother Nature”) &#8211; dá vontade de acender velas e incensos enquanto o disco rola. É um incômodo confortável. </span>&#8211; <strong>Bárbara Alcântara</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Jlin &#8211; Black Origami</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9101 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Das raízes do <em>footwork</em> de Chicago, o ritmo eletrônico acelerado nascido como forma de dança não tão diferente assim do funk brasileiro (ou do kuduro e do gqom africanos), sai <em>Black</em> <em>Origami,</em> o segundo álbum da produtora americana Jlin. A percussão é o grande foco aqui, ocupando a maioria do espaço sonoro,  com polirritmos globais que unem bandas marciais, instrumentos hindus e djembês às drum machines do hip-hop. Os samples, aspecto dominante do gênero e que aqui constituem os poucos momentos melódicos do disco são esparsos e vem de lugares inusitados, como em &#8220;Holy Child&#8221;, parceria com o compositor <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-janeiro2017/" target="_blank" rel="noopener">William Basinski</a>, ou &#8220;Calcination&#8221;, faixa quase ambiente e único momento de descanso em 40 minutos de agressão.</p>
<p>Em uma era de grandes DJs pop de som genérico, Jlin retoma o eletrônico para suas origens no <em>underground</em>, com uma obra desafiadora que eleva o footwork ao nível da IDM. Não à toa, quase todo DJ set de <a href="http://personaunesp.com.br/baladinha-top-persona/" target="_blank" rel="noopener">Aphex Twin</a> no ano contou com múltiplas faixas da produtora, que divide gravadora com nomes como Venetian Snares e μ-Ziq. Como o melhor da música eletrônica, <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-maio2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Black Origami</em></a> está na vanguarda, mas ainda é feito para dançar. &#8211; <strong>Matheus &#8216;Copa&#8217; Fernandes</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Mac DeMarco &#8211; This Old Dog</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9102 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Amadurecimento define o terceiro álbum de estúdio de Mac DeMarco. <a href="http://personaunesp.com.br/this-old-dog-o-porao-sentimental-de-mac-demarco/" target="_blank" rel="noopener"><em>This Old Dog</em></a> trata, em grande parte, dos sentimentos do cantor canadense diante do adoecimento de seu pai. Para além da melancolia, as composições revelam as contradições íntimas do artista ao se dedicar a quem o abandonou quando ainda tinha quatro anos.</p>
<p>O tom sério e pessoal contrasta com seus trabalhos anteriores. <em>Salad Days</em> (2014) e <em>Another</em> <em>One</em> (2015) são caracterizados por produções com letras pouco intimistas e melodias acústicas, apropriadas para um momento de lazer em uma tarde de sábado com amigos. Embora o novo álbum conserve o protagonismo da voz de DeMarco, seguindo o violão acústico em batidas calmas, o repertório instrumental propõe maior coesão e versatilidade nas faixas. &#8211; <strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<hr />
<h3>Mateus Aleluia &#8211; Fogueira Doce</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9277 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé.jpg" alt="" width="500" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé-300x270.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Em tempos de <a href="https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/video-registra-traficante-obrigando-mae-de-santo-a-quebrar-imagens-em-um-terreiro-da-baixada-fluminense.ghtml" target="_blank" rel="noopener">depredação violenta de terreiros</a>, a exaltação da tradição e herança africana nos versos de Mateus Aleluia em seu segundo disco solo poderia, por si só, ser vendida como ato revolucionário. Mas essa descrição seria muito limítrofe para a carga poética que o único membro vivo do lendário trio Os Tincoãs, com mais de setenta anos nas costas, exprime no álbum nacional mais subestimado de 2017.</p>
<p>No ano em que o grupo baiano de batucada enfim tem <a href="http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/livro-cds-e-show-especial-marcam-homenagem-ao-grupo-os-tincoas/" target="_blank" rel="noopener">seu legado revisitado de forma sólida, </a>Aleluia opta por perpetuar a sonoridade barroca que esculpiu décadas atrás em novos caminhos. A percussão agora é elemento de fundo e, junto com inserções precisas de metais, incrementa a dinâmica entre voz e violão. A gravação moderna acentua o tom lisérgico de <em>Fogueira Doce, </em>que transita entre a narrativa onírica e as marcas históricas em tom espirituoso: &#8220;Bahia, eu sou África do lado de cá&#8221;, afirma.</p>
<p>Parcerias com seu filho e Carlinhos Brown consolidam o diálogo com novas escolas de matriz africana &#8211; em um pacto de respeito aos antepassados e, ao mesmo tempo, renovação. Com um dos repertórios mais consistentes da música brasileira contemporânea, Mateus Aleluia soa mais atual, revigorado e necessário que nunca no Brasil de 2017. &#8211; <strong>Jefferson Garcia </strong></p>
<hr />
<h3><strong>Mc Igu &#8211; Flow Deus</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9103 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Sempre é difícil prever o futuro, mas não é fora da realidade pensar que, décadas a frente, 2017 seja considerado o ano do trap, pelo menos no <em>mainstream</em> global. O subgênero do hip hop criado no sul dos EUA nos anos 1990 e caracterizado por um sonoridade agressiva, mas muito sedutora esteve no topo das paradas não só na mão de seus criadores de <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-julho2017/" target="_blank" rel="noopener">Atlanta</a>, mas também por meio de diversas adaptações de outros gêneros e países. O Brasil também viu uma febre do trap com o sucesso de artistas como BK’ e Raffa Moreira. Entretanto, nesta lista destaco a criatividade de Mc Igu.</p>
<p>Dentre os <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5LJOzBcSPw" target="_blank" rel="noopener">tantos trabalhos</a> lançados por Igu em 2017, (e olha que ele é conhecido como uma máquina de fazer música) o projeto <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-setembro2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Flow Deus</em></a> é o exemplo mais conciso de suas melhores qualidades. Cada música é um “flow”, um tema, &#8211; que vai desde a animada <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OV3CrE9Mb0U" target="_blank" rel="noopener">“Kesha”</a> ao depressivo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCuNwqebCRU" target="_blank" rel="noopener">“Corey Taylor”</a> &#8211; palco para algumas das melhores batidas do rap nacional e letras descontraídas. O humor, inclusive, é um grande componente do som de Igu. A cultura da internet está na essência de sua estética e é escancarada em faixas como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CVB-qzAe0BA" target="_blank" rel="noopener">“Flow Guitarra Humana”</a>. &#8211; <strong>Lucas Marques dos Santos</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Mount Eerie &#8211; A Crow Looked At Me</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9104 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/mount-eerie-morte-real/" target="_blank" rel="noopener">A homenagem de Phil Elverum à Genevieve</a>, sua esposa falecida no ano passado, é um dos LPs mais complexos de 2017. Não por musicalidade vanguardista, letras indecifráveis ou coisas do tipo. O poder de <em>A Crow Looked At Me</em> está justamente em lidar com a morte de uma pessoa querida sem farpas na língua ou rodeios instrumentais.</p>
<p>Na maior parte do tempo, Elverum entrega versos viscerais (&#8220;<em>Quando a morte real entra na casa, toda poesia é estúpida</em>&#8220;, diz em &#8220;Real Death&#8221;) harmonizando sua voz com o violão da mãe de sua filha pequena. Texturas existem, mas podem passar despercebidas de prima &#8211; tamanha a sutileza. Sua perda é sentida em cada momento: Phil se abre enquanto marido, pai, artista e, acima de tudo, ser humano. A exposição lírica beira o invasivo, e é essa capacidade de entregar tanto sentimento em um produto tão compacto que eleva o álbum ao patamar de destaque obrigatório em 2017.</p>
<p>Por essa verve tão crua, não se trata de um trabalho didático. Não há orquestrações ou momentos musicais que sinalizem &#8220;é aqui que você se emociona e lembra que está tudo bem&#8221;. Por outro lado, é bastante didático ao relembrar o ouvinte de que um grande disco vai muito além de progressões de notas certeiras. Não é para todas as horas, mas cada audição é certeza de emoções fortes. Obra-prima, sem menos. &#8211; <strong>Nilo Vieira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>SZA &#8211; Ctrl</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9105 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Depois de um 2016 com bons frutos, Solána encontrou terreno favorável para o lançamento de seu aguardado disco de estreia. Ainda assim,<em> Ctrl </em>fica longe da zona de conforto. Sabendo da crescente concorrência na cena R&amp;B, a americana usou de uma honestidade quase cirúrgica para se distinguir na multidão. O resultado são 49 minutos do que soa como um cartão de visitas para a cantora e suas mais desconcertantes confissões.</p>
<p>Desenvolvendo a poética torta e crua que vem maturando desde o início da carreira, SZA reuniu monstros do gênero, à exemplo de Pharrell Williams e <a href="http://personaunesp.com.br/tag/kendrick-lamar/" target="_blank" rel="noopener">Kendrick Lamar</a>, para dar forma a seu trabalho mais sofisticado até agora. Esse crescimento se reflete no rico leque de referências, que abarca nomes como Marvin Gaye, Erykah Badu e Macy Gray. Pinceladas de hip-hop completam o combo, que cativa pela universalidade dos temas que toca, sem nunca soar genérico.</p>
<p>Livre de maniqueísmos ou papas na língua, o registro é uma viagem pela cabeça bagunçada da cantora. Aqui, SZA assume sem medo sua personalidade fortíssima, rendendo uma experiência triste e sexual até o último acorde. &#8211; <strong>Leonardo Teixeira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Tyler, The Creator &#8211; Flower Boy</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9106 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>O jovem ex-líder do coletivo Odd Future lançou o álbum mais bem sucedido de sua carreira sem muito alarde. Antes mesmo do anúncio, tivemos especulações que foram desmentidas pelo próprio<em> rapper</em> para depois levar os fãs ao hype com o clipe de &#8220;Who Dat Boy&#8221;, a faixa mais agressiva do novo trabalho.</p>
<p>Em seu primeiro disco usando seu nome real, Tyler Okonma larga de vez o personagem construído durante seus primeiros projetos para entregar um projeto mais intimista, pessoal e crítico. Se pela sombra de Sam (em <em>Wolf, </em>de 2013), o músico recebia acusações de machismo e homofobia, dessa vez a sua possível homossexualidade é discutida nas letras e comentada pela comunidade.</p>
<p>Acompanhado por samples regados a muito jazz e soul, Tyler coloca bastante sentimentalismo nos versos. Tem espaço para discutir a fama e antigas amizades, depressão, suicídio e até explosões de raiva. Mesmo com essas crises todas, o disco também possui momentos otimistas: não à toa, encerra com a ordem &#8220;<em>aproveite o hoje e o agora</em>&#8220;. <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-julho2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>(Scum Fuck) Flower Boy</em></a> é trampo com uma qualidade artística que mostra que seu jovem criador, conhecido por brincadeiras no trabalho e nas redes sociais, finalmente floresceu e conseguiu colocar seu nome entre os maiores rappers da atualidade. &#8211; <strong>Egberto Santana Nunes</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Vince Staples &#8211; Big Fish Theory</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9107 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Vince Staples é um nome em ascensão. A persona discreta do rapper californiano pode não inspirar muita confiança, assim como seu terceiro LP: 12 faixas em 36 minutos, característica peculiar em um tempo de discos batendo quase uma hora de duração. Mas o conciso <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-junho2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Big Fish Theory </em></a>é, de longe, um dos álbuns mais cativantes do ano.</p>
<p>Os <em>feats</em> certeiros, os versos ágeis e a produção revigorante formam um registro sutil em sua complexidade. O diálogo entre as rimas de Vince e as bases que devem tanto ao <em>g funk</em> de Dr. Dre quanto à música eletrônica dá o tom da narrativa: o conflito entre introspecção e hedonismo. O clipe de &#8220;Big Fish&#8221;, a maior<em> banger</em> do registro, retrata o rapper sozinho em um barco rodeado por tubarões. É a batalha com demônios interiores, como a depressão e o medo da fama, e exteriores, como o racismo, condensada em uma obra fluida e grudenta. Garantia de replays sem fim. &#8211; <strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/">Os melhores álbuns de 2017</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9086</post-id>	</item>
		<item>
		<title>As melhores séries de 2017</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Dec 2017 20:31:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Rodrigues de Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Soldeira Regis]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Hansen]]></category>
		<category><![CDATA[Heloísa Manduca]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores de 2017]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=9090</guid>

					<description><![CDATA[<p>Até mesmo depois de ampliarmos as listas de final de ano para 10 itens e deixar a cargo de cada participante escrever sobre o seu destaque pessoal, a lista de séries surpreendeu pela variedade: apenas uma obra permaneceu da lista de 2016. Muita coisa boa ficou de fora, inclusive a animação que ilustra o post &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As melhores séries de 2017"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">As melhores séries de 2017</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9181" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/persona-melhore-series.gif" alt="" width="890" height="501" /></p>
<p>Até mesmo depois de ampliarmos as listas de final de ano para 10 itens e deixar a cargo de cada participante escrever sobre o seu destaque pessoal, a lista de séries surpreendeu pela variedade: apenas uma obra permaneceu da<a href="http://personaunesp.com.br/melhores-series-2016/" target="_blank" rel="noopener"> lista de 2016</a>.</p>
<p>Muita coisa boa<a href="http://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/" target="_blank" rel="noopener"> ficou de fora</a>, inclusive a animação que ilustra o post (<a href="https://www.reddit.com/r/Copicola/comments/7101x1/voc%C3%AA_precisa_ter_um_qi_muito_alto_para_entender/" target="_blank" rel="noopener">e que proporcionou um dos melhores memes do ano</a>). Mas nossas escolhas refletem um ano cheio de produções promissoras, ótimas temporadas de séries antigas e fortes traços autorais.</p>
<p><span id="more-9090"></span></p>
<hr />
<h3><strong>American Gods</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/american-gods-melhores.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Imagine os Estados Unidos da América sendo preenchid0 em sua construção identitária por imigrantes. Foram milhões que, a muito trabalho e sangue, fizeram o país ser o que é: uma terra de retalhos étnicos, culturais e religiosos. Imagine todas essas fatias trazendo consigo seus próprios mitos passados por gerações e gerações, alimentados pela fé de seus sucessores. Agora, finalmente, imagine isso encerrado no século XXI, destruído invisivelmente pelo Tinder, iPhone e a ascensão da Internet.</p>
<p>Se você não consegue estabelecer as relações, a primeira temporada de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><i>American Gods</i></a> foi feita para ligar esses pontos. Baseado no livro de Neil Gaiman, o absurdo da série está em sua capacidade de colocar em camadas o colapso da construção  da identidade americana. Criativa e visualmente atrativa, sua primeira temporada não é só um estudo da queda da fé nos deuses que fizeram os Estados Unidos grande, mas também um retrato do que é feit0 o país que, atualmente, boia na mão dos mimados <em>millennials</em> e daqueles que ignoram seu passado e querem fazê-lo <i>great again</i>. &#8211; <strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Big Little Lies</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1024x512.jpg" alt="" width="840" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores-1200x600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/big-little-lies-melhores.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Um assassinato. Cinco mulheres. Uma cidade no interior da Califórnia. <em>Big Little Lies</em>, minissérie da HBO, contraria o recente histórico da emissora em produções megalomaníacas com histórias de época e repleta de efeitos visuais e nos entrega dramas familiares, passados nebulosos e traumas vividos na pequena cidade de Monterey. Para o projeto, a HBO montou um elenco de peso com nomes como Nicole Kidman, Alexander Skarsgård, Laura Dern, além de Shailene Woodley e Reese Witherspoon.</p>
<p>Inspirada em um livro de Liane Moriarty, a minissérie de David Kelley, que termina em 2018, toca em temas provocantes vividos pelas famílias de Monterey. Ao longo de 7 episódios, o espectador encontra-se submerso em um enredo cheio de tensão que torna claro o grande trunfo da produção nesse ano. A obra é eficaz em criar uma atmosfera de suspense que prende a audiência à tela pela natureza de seus assuntos &#8211; que vão de intrigas entre famílias à violência doméstica e estupro &#8211; e pela sensibilidade que adota ao tratá-los.</p>
<p><em>Big Little Lies</em> dá voz às vítimas para expor seus traumas, mas também dá força para combaterem a situação em que se encontram. A receita não poderia ter dado mais certo e é um respiro no ambiente tóxico de Hollywood: a série foi a grande agraciada do Emmy 2017, levando 8 estatuetas para casa. Entre elas, a de melhor minissérie do ano. &#8211; <strong>Matheus Rodrigo</strong></p>
<hr />
<h3><strong>The Deuce </strong>(1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores.jpeg" alt="" width="780" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores.jpeg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/the-deuce-melhores-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" />Só quem assistiu a <em>The Wire</em> (HBO, 2002-2008), série criada e roteirizada por David Simon, entende a comoção que se deu pelo anúncio de sua nova empreitada na TV, <em>The Deuce</em>. A esperança era de que o minucioso estudo em forma de ficção que foi <em>The Wire</em> para a temática do tráfico de drogas fosse também aplicado à premissa da nova produção: o início da indústria pornográfica em Nova York na década de 1970.</p>
<p>Felizmente, David Simon não abandonou o viés sociológico e na primeira temporada de <em>The Deuce</em> apresentou um sistema rico de personagens e setores da sociedade. A série demora para adentrar na temática da pornografia, só para mostrar como prostitutas, cafetões, policiais, a máfia, intelectuais e outros atores sociais se relacionavam e criaram condições para a comercialização do sexo. Mas ao contrário do começo vagaroso de <em>The Wire</em>, a nova série de Simon tem uma atração pelo espetáculo, visto que é estrelado e produzido por Maggie Gyllenhaal e James Franco. &#8211; <strong>Lucas Marques</strong></p>
<hr />
<h3><strong>The Handmaid&#8217;s Tale</strong> (1ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-9134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1024x512.jpeg" alt="" width="840" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/handmaids-tale1-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Com a posse de Donald Trump e o caos político generalizado, as distopias artísticas ganharam força novamente. Clássicos tiveram <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/26/cultura/1485423697_413624.html" target="_blank" rel="noopener">números expressivos de venda</a>, obras novas logo entraram nos<em> trending topics</em>. <em>The Handmaid&#8217;s Tale</em> pode ser considerado o melhor de dois mundos neste cenário: a série, transmitida pela Hulu em 2017, é baseada no livro homônimo lançado por Margaret Atwood em 1985.</p>
<p>Os dez episódios da primeira temporada introduzem um futuro misógino, onde a violência simbólica se concretiza de modo assustador. O fanatismo religioso comanda os Estados Unidos, e as mulheres férteis só cumprem a função de perpetuar a raça humana &#8211; <em>bela, recatada e do lar</em>. Nesse cenário, debates sobre prostituição, estupro, mutilação genital, tráfico de crianças, escravidão e espionagem são dispostos em narrativa feminista pungente. O espectador não é poupado da brutalidade, seja explicitamente gráfica ou sutil (os planos fechados são constantes, e tão sufocantes quanto no clássico <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QK25W23Hjj8" target="_blank" rel="noopener">A Paixão de Joana D&#8217;Arc</a></em>).</p>
<p>Com atuações fortíssimas, <em>mise-en-scène</em> e fotografia matadoras, <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/18/cultura/1505694271_781358.html" target="_blank" rel="noopener">as premiações no Emmy </a>são mais que justificadas. Que a segunda temporada seja ainda melhor, <a href="https://scontent.cdninstagram.com/t/s640x640/16228564_1293822860663896_5881122950618284032_n.jpg" target="_blank" rel="noopener">mas permaneça ficção</a>. Pesada e necessária, <em>The Handmaid&#8217;s Tale</em> é pauta obrigatória nas conversas sobre grandes séries no ano. &#8211;<strong> Nilo Vieira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>House of Cards</strong> (5ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-1024x538.jpg" alt="" width="840" height="441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/house-of-card-melhores.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Uma corrida contra o tempo pela presidência dos Estados Unidos. Esse é o ponto principal da quinta temporada de <em>House of Cards</em>. O casal Underwood (Kevin Spacey e Robin Wright) está disposto a ir ainda mais longe em busca dos seus objetivos, doa a quem doer. Contra eles, está o governador e típico pai de família, Will Conway (Joel Kinnaman) que sentirá na pele o efeito dos Underwoods.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/" target="_blank" rel="noopener">A nova temporada</a> marcou o ano por trazer manobras políticas tão semelhantes com as que os Estados Unidos viveu com as eleições de Donald Trump e o Brasil com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Talvez a realidade tenha sido uma inspiração para os roteiristas da série. Ou, então, apenas uma mera coincidência.</p>
<p>Ainda neste final de ano, as denúncias de assédio sexual por Kevin Spacey abalaram não só os fãs de <em>House of Cards</em>, mas o roteiro de sua última temporada. Sem Spacey na série, 2018 é o ano das expectativas para o desfecho desse castelo de cartas.- <strong>Heloísa Manduca</strong></p>
<hr />
<h3><strong>How to Get Away with Murder</strong> (4ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1024x684.jpg" alt="" width="840" height="561" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-300x201.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/how-to-get-away-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A quarta temporada de <em>How to Get Away with Murder</em>, como já é de praxe, começa com o gancho encerrado na terceira temporada (no caso, revelando quem foi o(a) mandante do incêndio que matou Wes). No entanto, a série toma novos rumos quando Annalise Keating resolve desfazer seu vínculo empregatício com seus outros quatro alunos. E nisso está a graça da nova temporada.</p>
<p>Ao mostrar a tentativa de independência de Connor, Laurel, Michaela e Asher da mentora, a série acerta em tramas que discutem, entre outras coisas, machismo e dependência química. Porém, ao tentarem ser livres de Annalise, seus ex-alunos descobrem que não conseguem se desligar de sua mestra. O mistério da temporada, que será tradicionalmente revelado no episódio 9, como sempre é instigante e conta com sequências fortes, já que Annalise tenta salvar o bebê (provavelmente) morto de Laurel. Para quem não assistiu a temporada até então, dá tempo de fazer uma maratona. Quem já viu, só resta esperar o próximo dia 18, data de exibição do próximo episódio. &#8211; <strong>Guilherme Hansen</strong></p>
<hr />
<h3><strong>The Leftovers</strong> (3ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores.png" alt="" width="825" height="464" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores.png 825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/leftovers-melhores-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O terceiro e último ano de <em>The Leftovers</em> trazia muita apreensão sobre que fim teriam os mistérios da série roteirizada por Damon Lindelof, responsável por <em>Lost</em>. Os fãs foram recompensados com uma temporada que não só responde os questionamentos deixados nas anteriores, mas transcende o <em>plot</em> inicial da “partida repentina” com outros mistérios ao longo de sua extensão reduzida, contando com apenas 8 episódios (diferente dos 10 habituais).</p>
<p>A série, que é uma das melhores e menos conhecidas da HBO, traz ao longo de suas três temporadas uma pesada carga dramática e, ao mesmo tempo, a leveza dos momentos de esperança em meio ao caos da realidade vivenciada pelas personagens. O que nos leva a admirar o elenco talentoso, que consegue passar a complexidade de suas emoções e o peso de suas decisões, se tornando sem dúvida um dos pontos mais fortes da produção. Você sofre, fica confuso e respira aliviado com cada um dos personagens. <em>The Leftovers</em> recebeu um final tão bom quanto foram suas duas outras temporadas e merece ser considerada uma das melhores séries do ano. &#8211; <strong>Gabriel Regis Soldeira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Nathan for You </strong>(4ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding.jpg" alt="" width="768" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/nathan-for-you-finding-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Na quarta temporada do<em> reality</em> de comédia, as ideias de Nathan Fielder para ajudar negócios em crise foram ainda mais absurdas e complexas, indo de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1_iZBmkQ0fg" target="_blank" rel="noopener">traje térmico especial</a> feito para vender comida dentro de estádios à uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n6BNE62xGqE" target="_blank" rel="noopener">banda criada especificamente</a> para popularizar o detector de fumaça como instrumento musical, de forma a baixar os impostos, em uma paródia das próprias lógicas do capitalismo.</p>
<p>O toque inesperado de genialidade veio no último episodio, &#8220;Finding Frances&#8221;, lançado como um especial de duas horas. No <em>gran finale</em>, seguimos um sósia de Bill Gates (ou seria um sósia de um sósia?) na sua busca para reencontrar um amor perdido de seis décadas atrás. São nos momentos mais humanos e sinceros que a série atinge seu auge, e &#8220;Finding Frances&#8221; é permeado pelo sentimento de solidão de todos os personagens e o constrangimento que o acompanha, que chega a níveis brutais com o relacionamento de Nathan com uma acompanhante paga e as descobertas sobre o passado de Bill, muito diferente do relatado pelo próprio.</p>
<p>Com um questionamento de realidade, &#8220;realidade&#8221; e ficção que não fica atrás de obras-primas como <em>Close-Up</em>, e o apoio de mestres do ofício como Errol Morris (<em>Thin Blue Lines</em>, <em>Fog of War</em>), <a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/the-nathan-for-you-finale-my-new-favorite-love-story" target="_blank" rel="noopener">que escreveu para a New Yorker relatando o porquê do episódio ser sua nova história de amor favorita</a>, &#8220;Finding Frances&#8221; não é só o melhor da TV, mas também do documentário e talvez até do cinema nesse ano que passou. &#8211; <strong>Matheus &#8220;Copa&#8221; Fernandes</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Stranger Things 2</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-9232 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-2-e1514493281100.jpg" alt="" width="800" height="450" /></p>
<p>Após o sucesso da <a href="http://personaunesp.com.br/stranger-things-anos-80-geracao-netflix/" target="_blank" rel="noopener">primeira temporada</a>, os novos episódios de <em>Stranger Things</em> corresponderam às expectativas dos fãs. A segunda parte da série de suspense dirigida pelos irmãos Matt e Ross Duffner manteve as características da produção anterior e se aproveitou de fragmentos da primeira temporada para voltar às aventuras no mundo invertido. Mas o grande feito de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-stranger-things-2/" target="_blank" rel="noopener"><em>Stranger Things 2</em></a> reside no desenvolvimento de personagens.</p>
<p>A jovem superpoderosa Eleven e o policial Jim Hopper são esmiuçados ao espectador, enquanto o núcleo adolescente composto por Nancy Wheeler e Steve Harrington evolui de forma adequada. Os quatro amigos, Mike , Lucas, Dustin e Will, também mostram profundidade revelando caráteres contraditórios. Destaque para Will, que agora se integra ao protagonismo da série com uma atuação impressionante de Noah Schnapp. &#8211; <strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Twin Peaks</strong> (3ª temporada)</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/twin-peaks-melhores.jpg 1136w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Depois de 25 anos de perguntas sem respostas, a dupla dinâmica Frost-Lynch volta com autonomia total para o universo de <a href="http://personaunesp.com.br/raf-simons-aw-16-nightmares-dreams/" target="_blank" rel="noopener"><em>Twin Peaks</em></a>. Apesar do afeto pelo inexplicável, poucos fãs previram a mistura de sensações que os 18 episódios trouxeram. A cidade de Twin Peaks, por exemplo, não é mais o antro de perfeição que se desfaz com a revelação dos segredos das temporadas anteriores. A completa atmosfera da cidadezinha está desregulada: crimes em todo lugar, personagens importantes deixados de lado, franquias invadindo os restaurantes locais etc.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank" rel="noopener">A primeira</a> e segunda temporadas – assim como <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/" target="_blank" rel="noopener">o filme</a> -, focavam em um caso específico: a investigação da morte de Laura Palmer, que levou a descoberta de um outro mundo com espíritos do “bem” e do “mal”, com <em>doppelgangers</em> e creme de milho; assim como a perda de um dos personagens mais invencíveis no processo.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/" target="_blank" rel="noopener">Na terceira</a>, a prisão desse personagem é usada como premissa, enquanto o universo criado pela dupla se torna muito maior. Ao final do episódio 18, a mitologia se expande para além do controle dos artistas e o seu desfecho repentino acontece como a única solução possível. Faz todo o sentido perceber vários elementos dos <a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank" rel="noopener">filmes surrealistas</a> de <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank" rel="noopener">David Lynch</a>, já que grande parte dos episódios parece ser o mais puro vislumbre da criatividade do diretor. Diferente de qualquer série ou filme, a última temporada de Twin Peaks inverte o <em>fan service</em> e dá curtos alívios somente para destruir o conceito de zona de conforto. Nostalgia não existe na nova Twin Peaks e a arte flui livre. &#8211; <strong>Gabriel Rodrigues de Mello</strong></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">As melhores séries de 2017</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">9090</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jun 2017 00:18:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Rock]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=8122</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro No dia 20 de maio, Roger Waters surpreendeu os fãs brasileiros ao postar em seu perfil oficial no Facebook uma foto do presidente Michel Temer acompanhada da escrita: “essa é a vida que realmente queremos?”. A publicação atingiu 32 mil reações na rede social e causou discussões de cunho político nos comentários. Embora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/">Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8123" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Roger_Waters_-_Is_This_the_Life_We_Really_Want_-_2017_capa.jpg" alt="Roger_Waters_-_Is_This_the_Life_We_Really_Want_-_2017_capa" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Roger_Waters_-_Is_This_the_Life_We_Really_Want_-_2017_capa.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Roger_Waters_-_Is_This_the_Life_We_Really_Want_-_2017_capa-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Roger_Waters_-_Is_This_the_Life_We_Really_Want_-_2017_capa-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p>No dia 20 de maio, Roger Waters surpreendeu os fãs brasileiros ao postar em seu perfil oficial no Facebook uma foto do presidente Michel Temer acompanhada da escrita: “essa é a vida que realmente queremos?”. A publicação atingiu 32 mil reações na rede social e causou discussões de cunho político nos comentários. Embora tenha sido uma estratégia de marketing, o episódio reflete características do músico e de seu novo álbum solo, <em>Is This The Life We Really Want?</em>.<span id="more-8122"></span></p>
<p>O lançamento do artista britânico resgata características de obras ícones do Pink Floyd nos anos 70. A começar pela composição. Enquanto esteve na banda, Roger Waters foi o principal compositor do grupo, apesar de dividir boa parte das autorias com o ex-colega guitarrista David Gilmour. Algumas letras elaboradas por Waters em álbuns como <em>The Dark Side of The Moon</em> (1973), <em>Wish You Were Here</em> (1975), <em>Animals</em> (1977) e <em>The Wall</em> (1979) são repletas de referências a concepções políticas e reflexões existenciais do cantor.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8124" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/roger-waters-fora-temer-facebook.jpg" alt="roger waters fora temer facebook" width="653" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/roger-waters-fora-temer-facebook.jpg 653w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/roger-waters-fora-temer-facebook-218x300.jpg 218w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Nesse sentido, <em>Is This The Life We Really Want?</em> representa uma dura crítica ao atual cenário político internacional. &#8220;Deja Vú&#8221;, &#8220;The Last Refugee&#8221;, &#8220;Picture That&#8221; e &#8220;Broken Bones&#8221; contestam claramente a atual guerra da Síria e a situação dos refugiados. Vale lembrar, que marcas de conflitos militares são temas recorrentes nas composições de Waters, vide grandes sucessos como &#8220;Us and Them&#8221; e &#8220;Another Brick In The Wall&#8221;.</p>
<p>Considerando o teor crítico e reflexivo, Waters não deixaria de mencionar o presidente estadunidense Donald Trump no álbum. A música que denomina a obra traz gravações da CNN de discursos do republicano junto a uma composição crítica a sociedade americana, mencionando inclusive, a corrupção de títulos subprimes referentes ao colapso do mercado imobiliário resultante na crise econômica mundial em 2006. O uso de gravações, aliás, representa mais uma herança herdada de álbuns do Pink Floyd. Desde a inserção de diálogos entre astronautas e bases espaciais em <em>Piper At the Gates of Dawn</em> (1967), as gravações colaboram para a construção da narrativa das coletâneas.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Roger Waters - Déjà Vu (Audio)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gf7kMaurLZk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>No que diz respeito à melodias, <em>Is This The Life We Really Want?</em> desafia a voz de Roger Waters. Na época de Pink Floyd, apesar de participar no vocal de faixas impactantes como &#8220;Comfortably Numb&#8221;, o baixista sempre esteve atrás da potência de David Gilmour nos microfones. Embora Waters tenha se saído bem mesmo em notas mais intensas, ele ainda é bem melhor nas composições do que no microfone. Talvez esse seja um dos motivos, longe de ser o único, da presença de um número considerável de músicas calcadas no violão e na voz do cantor ao maior estilo &#8220;Mother&#8221;.</p>
<p>O novo álbum também resgata o teclado intenso e elegante protagonizado pelo falecido Richard Wright, no Pink Floyd. É possível perceber até mesmo a influência de David Gilmour, que apesar de ser colega de banda nunca foi afeto de Waters, na guitarra.</p>
<p>Embora contenha tantas referências ao tempo de Pink Floyd, não é justo reduzir o álbum a uma cópia das obras da antiga banda de Waters. Até porque, sendo ele o principal compositor do grupo, é natural que tenha resgatado elementos anteriormente explorados. Além disso,<em> Is This The Life You Really Want?</em> conserva sua identidade ao se referir a cenários políticos atuais, de forma até mais incisiva e um pouco menos lúdicas se comparado às obras floydianas.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2XhQwji1ixgjca0XzkiTek" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/">Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-roger-waters/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">8122</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A nova do João Brasil</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/joao-brasil/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/joao-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Mar 2017 22:50:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Eletrônica]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=7437</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro É difícil imaginar a mistura entre sucessos do pop internacional e o funk carioca ou um mix entre Nirvana e Olodum. Porém, há quem esteja disposto a criar essas combinações através da música eletrônica e ainda com uma pitada de humor. Um deles é João Brasil, considerado o rei do remix nacional. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/joao-brasil/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nova do João Brasil"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/joao-brasil/">A nova do João Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_7438" aria-describedby="caption-attachment-7438" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7438" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/nuncamaiseuvoudormir.jpg" alt="Capa do EP #nuncamaiseuvoudormir" width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/nuncamaiseuvoudormir.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/nuncamaiseuvoudormir-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/nuncamaiseuvoudormir-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/03/nuncamaiseuvoudormir-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7438" class="wp-caption-text">Capa do EP #nuncamaiseuvoudormir</figcaption></figure>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p>É difícil imaginar a mistura entre sucessos do pop internacional e o funk carioca ou um mix entre Nirvana e Olodum. Porém, há quem esteja disposto a criar essas combinações através da música eletrônica e ainda com uma pitada de humor. Um deles é João Brasil, considerado o rei do remix nacional. O DJ tem uma extensa lista de mashups incluindo Mc Bin Laden versus Coldplay em “Tá Tranquilo, Tá Clocks” e Calvin Harris e Os Avassaladores em “Summer é Foda”.</p>
<p><span id="more-7437"></span></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/9yZRq1o3LqA?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Em 2015, o músico foi banido definitivamente do SoundCloud após sua terceira conta na plataforma ser apagada devido a quebra de direitos autorais. O episódio rendeu declarações na <a href="https://thump.vice.com/pt_br/article/soundcloud-conta-joao-brasil" target="_blank">versão brasileira da revista digital canadense VICE</a>, nas quais João Brasil afirmou estudar novas opções para a carreira.</p>
<p>A trajetória do DJ na música é longa e curiosa. O músico se formou no conservatório de Berklee, um dos mais respeitados do mundo, na mesma turma da cantora de jazz, Esperanza Spalding. Na maior parte da carreira, João Brasil dedicou-se à composição de mashups e músicas eletrônicas sob forte influência do funk carioca. Ele também passou pela música brega. Tanto que entre seus principais hits autorais estão &#8220;Baranga&#8221; e &#8220;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=OSEqnzYwolk" target="_blank">Moleque Transante</a>&#8220;, o último a frente do grupo Rio Shock.</p>
<p>A fama do carioca no gênero eletrônico rendeu o convite para tocar na abertura das Paralimpíadas Rio 2016. O recente ‘boom’ na carreira do músico aconteceu, em boa parte, pela contribuição de outro DJ. Hardwell encerrou seu espectáculo no Ultra Music Festival do ano passado com o hit &#8220;Michael Douglas&#8221;, do EP <em>#nuncamaiseuvoudormir</em> (2016), de João Brasil. A faixa repercutiu em grandes eventos universitários como o Tusca e o Interunesp.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/N_hVkWfDXl4?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O hit atualmente possui mais de 3,3 milhões de plays no Spotify e João Brasil foi uma das atrações no Festival Planeta Atlântida, o maior evento musical da região sul do Brasil, que já contou com grandes nomes da música eletrônica como Tiësto e Infected Mushroom.</p>
<p>Apesar de <em>#nuncamaiseuvoudormir</em> marcar uma nova fase na carreira de João Brasil, o álbum ainda conserva elementos das obras anteriores do DJ, sobretudo, na composição das letras. &#8220;Hey Pugliesi, Deixa Eu Comer Maionese&#8221; e &#8220;Peteca é Peteca, Mandioca é Mandioca&#8221; retratam a ironia e até uma verdadeira gozação nas letras elaboradas pelo DJ. Além disso, a composição inclui poucos versos e os refrões são repetidos intensamente.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/OfrnGt7C8tg?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>A presença do funk carioca em quase todo o EP é outro elemento marcante. A batida característica do gênero se mistura com recursos da EDM. Assim, João Brasil encontrou o caminho para conquistar o público universitário, sem desagradar seus antigos fãs.</p>
<p>Apesar da formação erudita, João Brasil encara a música e a carreira de modo extrovertido, inclusive com muitas interações com o público nas redes sociais. Mas sem esconder sua capacidade de combinar suas preferências e a sátira em produtos musicais de qualidade.</p>
<p>O DJ, no entanto, enfrenta um grande desafio: superar o desgaste do seu hit e emplacar uma produção regular, um problema comum na carreira de nomes do funk carioca e da música eletrônica. Por outro lado, João Brasil tem a oportunidade de crescer junto à cena eletrônica no Brasil, hoje recheada de trabalhos empolgantes como Vintage Culture e Victor Ruiz.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/mn_zRYL6QME?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/joao-brasil/">A nova do João Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/joao-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">7437</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Nascido do improvável, Rocky luta há 40 anos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2016 22:44:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Boxe]]></category>
		<category><![CDATA[Rocky]]></category>
		<category><![CDATA[Stallone]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=3769</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro De ilustração do mundo do boxe a filme motivacional projetado em corporações, Rocky &#8211; Um lutador (1976) representa um marco no cinema, sobretudo na produção de um dos personagens mais icônicos da história de Hollywood. Embora o roteiro do filme tenha sido escrito por Sylvester Stallone em apenas três dias e rodado em menos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nascido do improvável, Rocky luta há 40 anos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/">Nascido do improvável, Rocky luta há 40 anos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3775" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem-11.jpg" alt="imagem 11" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-11.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-11-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-11-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De ilustração do mundo do boxe a filme motivacional projetado em corporações, Rocky &#8211; Um lutador (1976) representa um marco no cinema, sobretudo na produção de um dos personagens mais icônicos da história de Hollywood. Embora o roteiro do filme tenha sido escrito por Sylvester Stallone em apenas três dias e rodado em menos de um mês, a obra dirigida por </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/John_G._Avildsen"><span style="font-weight: 400;">John G. Avildsen</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também produziu Karate Kid (1984), foi premiada com os Oscars de melhor filme, melhor direção e melhor edição e ainda arrecadou mais de 200 milhões de dólares.</span><span id="more-3769"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo se deve ao pugilista azarão </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuck_Wepner"><span style="font-weight: 400;">Chuck Wepner</span></a><span style="font-weight: 400;">, que em 1975 se superou ao “sobreviver” a 15 rounds contra o mega favorito </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Ali"><span style="font-weight: 400;">Muhammad Ali</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda levar o lendário boxeador, falecido há quase dois meses, a </span><em><span style="font-weight: 400;">knockdown</span></em><span style="font-weight: 400;">. Apesar do esforço, Wepner perdeu a luta, porém inspirou Stallone a criar o personagem Rocky Balboa, um pugilista amador, solitário e desacreditado em si mesmo, que trabalha como cobrador de dívidas para o agiota Tony Gazzo (Joe Spinell) e mora num pequeno apartamento na Filadélfia.</span></p>
<figure id="attachment_3779" aria-describedby="caption-attachment-3779" style="width: 530px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3779 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem-1.jpg" alt="imagem 1" width="530" height="317" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-1.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-1-300x179.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 530px) 85vw, 530px" /><figcaption id="caption-attachment-3779" class="wp-caption-text">A luta contra Ali rendeu a Wepner um filme sobre sua carreira The Real Rocky (2011), em que o boxeador atua ao lado de Stallone</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista parece condenado a sua vida de poucas perspectivas, até que recebe uma improvável &#8211; e um pouco sem sentido &#8211; proposta para desafiar o campeão mundial dos pesos-pesados Apollo Creed (Carl Wheaters), em apenas cinco semanas. O desafio logo se torna a principal trama do enredo, dialogando com a idealização do Estados Unidos como a terra das oportunidades e transformando Rocky em um homem com as mesmas dificuldades do povo estadunidense, que, no entanto, soube aproveitar uma chance única para construir uma história de sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa retratação do protagonista semelhante a um cidadão comum estadunidense talvez tenha sido a grande sacada de Stallone para emplacar Rocky como um dos principais ícones de Hollywood. O ator e roteirista aproveita-se de uma sociedade norte-americana impactada pela guerra do Vietnã e o ápice do combate ideológico da Guerra Fria, para construir uma história em que fosse possível ao público se projetar sobre o personagem e direcionar suas vidas celebrando os ideais meritocráticos estadunidenses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a situação de Balboa antes do desafio remete ao fato do boxe ser representado, em grande parte, por atletas de origem humilde e no caso de amadores, a exemplo do próprio protagonista, competem para complementar a renda mesmo sofrendo diversos abusos morais, como ilustrado na cena de Rocky e seu adversário no vestiário depois da luta que inicia o filme.</span></p>
<figure id="attachment_3791" aria-describedby="caption-attachment-3791" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3791 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imaqgem-carne.jpg" alt="imaqgem carne" width="1200" height="890" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imaqgem-carne.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imaqgem-carne-300x223.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imaqgem-carne-768x570.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imaqgem-carne-1024x759.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3791" class="wp-caption-text">Rocky, sem dispor de grandes estruturas de treino, chega a treinar socando pedaços de carne</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como lutador, Balboa é retratado com muitas deficiências técnicas, ignorando elementos típicos do boxe como a defesa em guarda, a esquiva e o jogo de pernas, dos quais ele parece se lembrar durante verdadeiros lampejos de consciência. Em contrapartida, o Garanhão Italiano apresenta o seu famoso gênio persistente e o queixo de aço, ambos bem representados pelos vários golpes que o lutador absorve enquanto sua cabeça parece descolar de seu pescoço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas de confronto podem ser criticadas por não serem lá muito fiéis à dinâmica do esporte, inclusive quando os lutadores parecem atacar em turnos, assemelhando-se a um jogo de RPG. Por outro lado, não se pode negar que essas representações ajudam a construir o teor de superação da trama. Afinal, Rocky não seria tão simbólico sem os olhos cerrados pelos quinhentos golpes que sofreu sem se defender e mesmo assim se levantar numa dramática trajetória até as cordas. Vale ressaltar que essas características perduram por toda saga, mas são alterada no </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> Creed (2015),</span><a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/02/22/creed-uma-outra-luta-um-outro-boxe/"><span style="font-weight: 400;"> como discutido na resenha </span><span style="font-weight: 400;">do filme.</span></a></p>
<figure id="attachment_3827" aria-describedby="caption-attachment-3827" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3827 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/resize.jpg" alt="resize" width="640" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/resize.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/resize-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3827" class="wp-caption-text">A rivalidade entre os dois boxeadores dura até o filme seguinte. Depois ambos viram amigos.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a história por trás de Balboa seja motivadora, a solidão e o desanimo compõem parte importante do papel do personagem. Ele aparece na maior parte sozinho, se limitando apenas a cumprimentos ligeiros com moradores do bairro e a rápidas conversas com seu amigo mais próximo, Paulie Pennino (Burt Young). Com o desenrolar da trama, percebe-se que Rocky foi um jovem pugilista de muito potencial, porém sem a companhia de pessoas que o incentivasse e acaba frustrado. O desânimo consequente de sua vida solitária faz o lutador apresentar certa indiferença quanto ao desafio contra Apollo por boa parte do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme Rocky conhece e se relaciona com outros personagens, o lutador passa a expressar mais auto-confiança e força de vontade. Adrian Pennino (Talia Shire), irmã de Paulie, é com certeza o exemplo que melhor ilustra esse processo. Ela acredita em uma vitória de Balboa e logo vira um dos principais combustíveis da motivação do lutador. Mas o relacionamento entre os dois não muda apenas o garanhão italiano. Adrian passa a ser mais comunicativa e auto confiante depois que se envolve com Balboa e inclusive confronta o irmão alcoólatra que vive a custo de seus serviços domésticos.</span></p>
<figure id="attachment_3797" aria-describedby="caption-attachment-3797" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3797 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem-2.jpg" alt="imagem 2" width="840" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-2.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-2-300x164.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-2-768x421.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3797" class="wp-caption-text">Os chamados Rocky pela namorada nos finais das lutas viraram ícone da série</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, vale lembrar que o roteiro chega a forçar a relação entre os dois de uma forma abusiva quando romantiza a cena agoniante após o primeiro encontro do casal em que Rocky insiste incansavelmente para Adrian entrar na sua casa e depois não a deixa sair até que ela lhe dê um beijo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da namorada, apenas Mickey Goldmill (Burgess Meridith), ex-pugilista dono da academia Mighty Mick e treinador de Rocky, confia que ele pode dar trabalho ao campeão mundial. Em um primeiro momento, a relação entre os dois é conturbada, no entanto, após resolverem suas desavenças o acompanhamento de Mick é fundamental para a encenação dos treinamentos do pugilista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas de preparação de Rocky representam parte importantíssima do filme. Elas são essenciais para expor o trabalho duro, a dedicação e força de vontade que configuram o plano de fundo da trama. A faixa Gonna Fly Now, composta por Bill Conti,  cai como uma luva nas encenações e faz parecer que a motivação de Balboa está fervendo no seu limite. Se não bastasse, as corridas de Rocky pelas ruas da Filadélfia ainda fazem menção ao treinamento de um dos maiores pugilistas de todos os tempos e eterno rival de Ali, </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Joe_Frazier"><span style="font-weight: 400;">Joe Frazier</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_3805" aria-describedby="caption-attachment-3805" style="width: 1008px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3805 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/muhammad-ali-joe-frazier.jpg" alt="Muhammad-Ali-Joe-Frazier.jpg" width="1008" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/muhammad-ali-joe-frazier.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/muhammad-ali-joe-frazier-300x237.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/muhammad-ali-joe-frazier-768x606.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3805" class="wp-caption-text">Frazier protagonizou o primeiro revés da carreira profissional de Muhammad Ali</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Garanhão Italiano exala dedicação, Apollo é retratado no filme desleixado e orgulhoso. O campeão mundial dos pesos-pesados está imerso no mundo burocrático do boxe, escolhendo seus adversários e procurando soluções de marketing para sua luta e não se preocupa com seu rival acreditando ter a vitória garantida. Na nítida inspiração em Chuck Wepner x Muhammad Ali, Rocky logo tira o sorriso do rosto de Apollo ao levá-lo a knockdown ainda no primeiro round. Assim, a obra tece críticas ao universo comercial do boxe e questiona as virtudes do orgulho em grandes atletas do esporte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rocky foi a criação que deu a grande chance para carreira de Stallone, que, por sua vez, soube agarrá-la muito bem. O filme escrito pelo ator americano, mesmo que falhe em aspectos técnicos, têm suas qualidades ao trazer o boxe pro centro das atenções junto a uma ideologia compátivel com o imaginário hollywoodiano da época. Além disso, seu maior legado é justamente o protagonista que nomeia a saga e toda a inspiração acerca dela.</span></p>
<figure id="attachment_3811" aria-describedby="caption-attachment-3811" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3811 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem-3.jpg" alt="imagem 3" width="612" height="380" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-3.jpg 612w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-3-300x186.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3811" class="wp-caption-text">No filme, Apollo é representado com pretensões de começar uma carreira política</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, depois do sucesso e o futuro em aberto do protagonista no final do filme, dificilmente a revanche contra Creed seria recusada em Hollywood. Ainda que não seja tão bem aclamado pela crítica, Rocky II (1979) se espelha nos moldes do primeiro filme e volta a desenvolver o espírito competitivo do lutador, ao mesmo tempo em que já aponta algumas mudanças de personalidade do personagem. Em Rocky lll (1982), Balboa já se assemelha com o Apollo do primeiro filme. Agora campeão mundial dos pesos-pesados, o Garanhão Italiano é mais convencido e Mick passa a escolher a dedos seus adversários, precisando que Clubber Lang (Mr. T) faça ele se lembrar de suas origens e de todo trabalho pesado que o colocou no topo do esporte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Rocky IV (1985) serve de ferramenta ideológica na Guerra Fria. A morte de Apollo traz a dramaticidade à série e direciona toda a trama. Balboa deve vingar seu antigo amigo e rival dentro dos ringues contra um malvado comunista soviético, que parece ter matado Creed de propósito e sem piedade. O enredo deu tão certo que o filme arrecadou mais do que o próprio Rocky, de 1976. </span></p>
<figure id="attachment_3819" aria-describedby="caption-attachment-3819" style="width: 1920px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3819 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem-5.jpg" alt="imagem 5" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-5-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3819" class="wp-caption-text">Em Rocky IV, Balboa passa de um esportista a herói nacional</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos dois filmes seguintes, Rocky V (1990) e Rocky Balboa (2006), Stallone abusa de seu personagem de ouro e sua motivação escrevendo roteiros péssimos, forçando lutas completamente sem sentido como se tivesse pena de enfim aposentar o Garanhão Italiano. A morte de Adrian no último filme poderia oferecer uma oportunidade para Syl emplacar Rocky como um bom e complexo lutador aposentado, mas o ator-diretor preferiu por o cinquentão para apanhar mais um pouco, forçando um discurso motivacional. Em contrapartida, Ryan Coogler mostra em Creed (2015) o potencial de Balboa fora dos ringues que Stallone se recusou a aproveitar. Dessa forma, mesmo como coadjuvante, não é absurdo pensar que Rocky Balboa ainda tenha muito para lutar, mas fora dos ringues, é claro.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/">Nascido do improvável, Rocky luta há 40 anos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/rocky-40-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3769</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Rota 66: A história que ainda mata</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2016 22:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Caco Barcellos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Rota 66]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=3029</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro No começo de Junho, Ítalo, de 10 anos, foi morto a tiros por policiais militares enquanto fugia junto a um colega um ano mais velho com um carro roubado em um bairro nobre da Zona Sul de São Paulo. O conflito entre declarações do ocorrido repercutiu na mídia e nas redes sociais, esquentando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rota 66: A história que ainda mata"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/">Rota 66: A história que ainda mata</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3036" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/rota-66.jpg" alt="Rota 66" width="999" height="1776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/rota-66.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/rota-66-169x300.jpg 169w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/rota-66-768x1365.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/rota-66-576x1024.jpg 576w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p>No começo de Junho, Ítalo, de 10 anos, foi morto a tiros por policiais militares enquanto fugia junto a um colega um ano mais velho com um carro roubado em um bairro nobre da Zona Sul de São Paulo. O conflito entre declarações do ocorrido repercutiu na mídia e nas redes sociais, esquentando o debate sobre a redução da maioridade penal e a violência policial.<span id="more-3029"></span></p>
<p>De um lado, a versão oficial afirma que o garoto teria efetuado disparos de arma de fogo contra as viaturas que o perseguiam. De outro, um dos depoimentos do companheiro de Ítalo no episódio questionam os policiais. Além disso, a perícia não pôde comprovar se houve tiros de dentro do carro. Embora o caso, ainda em investigação, tenha ganhado impacto devido a idade da vítima, mortes de menores por tiros durante perseguições e outras operações policiais não representam nenhuma novidade.</p>
<p>São investigações de casos conflituosos como a morte de Ítalo que levaram o jornalista Caco Barcellos a escrever, em 1992, o livro-reportagem <em>Rota 66</em>. A partir de um estudo de oito anos envolvendo milhares de documentos entre reportagens do jornal Notícias Populares e laudos do Instituto Médico Legal, o romance de não ficção denuncia casos de violência policial durante o período de abril de 1970 a junho de 1992  praticados por oficiais das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar, a conhecida ROTA, criada no período de regime militar.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3039" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/veraneio.jpg" alt="veraneio" width="480" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/veraneio.jpg 480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/veraneio-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 480px) 85vw, 480px" /></p>
<p>A obra começa narrando o episódio da morte de três jovens: Francisco Noronha, José Augusto Junqueira (Gugu) e Carlos Ignácio Medeiros (Pancho), que roubavam um toca-fitas quando foram avistados por uma viatura e fugiram dentro de um fusca azul. Na perseguição as vítimas despistam o primeiro veículo, mas são encurralados e metralhados por policiais da Veraneio com o número 66. Daí o título do caso e do livro.</p>
<p>As contradições começam quando os militares não encontram queixas contra o roubo do veículo que os três jovens dirigiam. Além disso, fusca foi revirado junto aos corpos das vítimas e alguns objetos encontrados dentro do carro são questionados pelas famílias dos mortos. O episódio aconteceu em abril de 1975 e foi julgado seis anos pelo Tribunal de Justiça Militar. Ficou decidido que os cinco policiais envolvidos eram inocentes. Porém, o processo ainda se arrastou até 1992, sem mudança de veredicto.</p>
<p>Na pesquisa, Caco Barcellos e seu assistente concluem que o Rota 66 foi um caso fora da rotina das perseguições da Rondas Ostensivas, o que justifica os 20 anos de processo. Noronha, Augusto e Pancho eram brancos de classe média, ao contrário da maioria das vítimas representadas por jovens negros e pobres. Além disso, constata o crescimento desproporcional da violência policial &#8211; chegando a 300% &#8211; nos 22 anos de estudos em relação ao crescimento da violência civil.</p>
<p>Contudo, as críticas assíduas à atuação da Rota não se resumem às histórias e depoimentos levantadas na obra. Na segunda parte do livro o autor esforça-se para demonstrar o quanto a instituição valoriza a violência listando e escancarando os nomes dos maiores matadores e como esses orgulham-se pelo renome. Barcellos também trata as dificuldades nas ações judicias de famílias de vítimas contra agentes da Polícia Militar e a arrogância de personalidades públicas em defender esse tipo de violência no país. O jornalista cita incentivadores como o ex-deputado e prefeito de São Paulo, Paulo Maluf; justamente o criador da frases “no meu tempo tinha RRRota da RRRua”. Assim como o ex-deputado Conte Lopes, apontado como um dos principais matadores e inimigo declarado de Caco Barcellos.</p>
<figure id="attachment_3042" aria-describedby="caption-attachment-3042" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3042" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/07/size_810_16_9_paulo-maluf.jpg" alt="size_810_16_9_paulo-maluf" width="810" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/size_810_16_9_paulo-maluf.jpg 810w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/size_810_16_9_paulo-maluf-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/07/size_810_16_9_paulo-maluf-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3042" class="wp-caption-text">Crédito: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados</figcaption></figure>
<p>Vale destacar, que <em>Rota 66</em> acerta em não apenas contar a história, mas levá-la ao patamar de uma das atividades mais importantes do jornalista: o estudo e apuração dos fatos. O autor esclarece as metodologias utilizadas, os obstáculos enfrentados e o resultado de seu trabalho e ainda busca historicamente fatos que sustentem sua argumentação. Dessa forma, Rota 66 se torna uma denuncia, não apenas à violência policial, mas aos mecanismos falhos de documentação de órgãos públicos e a conivência do poder judiciário, incapaz de fiscalizar adequadamente a força repressora dos Estado. Fora isso, é essencial para qualquer aspirante ou profissional de jornalismo entender como a reportagem &#8211; mesmo que no formato literário &#8211; é importante para trazer a tona  o que parece ter morrido na versão oficial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/">Rota 66: A história que ainda mata</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/rota-66-historia-que-ainda-mata/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">3029</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Novo álbum dos Peppers é um conflito entre fantasmas do passado, presente e futuro</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 23:04:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Red Hot Chili Peppers]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=2648</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro Desde a saída de John Frusciante em 2009, os Red Hot Chilli Peppers enfrentam a desconfiança de seus fãs. Sobretudo depois da crítica apontar a falta de familiarização do substituto Josh Klinghoffer como um dos fatores responsáveis pela falta de tempero do último álbum, I’m With You (2011). No entanto, qualquer curioso que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Novo álbum dos Peppers é um conflito entre fantasmas do passado, presente e futuro"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/">Novo álbum dos Peppers é um conflito entre fantasmas do passado, presente e futuro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2646" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/red-hot-chili-peppers_co0vul9.png" alt="red-hot-chili-peppers_cO0vUl9" width="806" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/red-hot-chili-peppers_co0vul9.png 806w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/red-hot-chili-peppers_co0vul9-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/red-hot-chili-peppers_co0vul9-300x300.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/red-hot-chili-peppers_co0vul9-768x770.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p>Desde a saída de John Frusciante em 2009, os Red Hot Chilli Peppers enfrentam a desconfiança de seus fãs. Sobretudo depois da crítica apontar a falta de familiarização do substituto Josh Klinghoffer como um dos fatores responsáveis pela falta de tempero do último álbum,<em> I’m With You</em> (2011). No entanto, qualquer curioso que pesquisar o passado da banda deve perceber que a trajetória dos Peppers está recheada de mudanças, inclusive na formação e nas propostas musicais.</p>
<p><span id="more-2648"></span></p>
<p>O 11° álbum, <em>The Getaway</em>, lançado semana passada, não é uma obra revolucionária ou que espante os fãs. Porém marca um importante período de mudanças e adaptações e mostra o esforço da banda quanto a isso. Rick Rubin, produtor de todos os álbuns do grupo desde <em>Blood Sugar Sex Magic</em> (1991) foi substituído por Danger Mouse, ex-parceiro de Cee Lo Green na extinta Gnarls Barkley e produtor de álbuns como <em>Demon Days</em>, do Gorillaz. Além disso, impossível não notar que Josh parece estar cada vez mais à vontade dentro da banda, como Chad Smith afirmava desde 2013.</p>
<figure id="attachment_2647" aria-describedby="caption-attachment-2647" style="width: 807px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2647" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/screen-shot-2016-02-01-at-11-47-40-am.png" alt="screen-shot-2016-02-01-at-11-47-40-am" width="807" height="443" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/screen-shot-2016-02-01-at-11-47-40-am.png 807w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/screen-shot-2016-02-01-at-11-47-40-am-300x165.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/screen-shot-2016-02-01-at-11-47-40-am-768x422.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-2647" class="wp-caption-text">A banda atualmente, da esquerda para a direita: Chad Smith, Flea, Josh Klinghoffer e Anthony Kiedis</figcaption></figure>
<p>Se por um lado a obra utiliza-se de características de álbuns anteriores como as linhas de baixo agressivas de Flea e os ‘raps’ de Kiedis, a presença de acordes de pianos nas músicas representa uma das novidades do <em>The Getaway</em>. &#8220;Dark Necessities&#8221; ilustra bem tal afirmação ao explorar as linhas de baixo combinadas a um poderoso piano. O refrão animado e bem construído ainda deve garantir a música como um dos singles da coletânea.</p>
<p>Por sua vez, a faixa homônima de abertura, traz um <em>funk rock</em> guiado por uma linha de baixo marcante e o som incessante de cordas abafadas somado aos vocais de Kiedis que atribui à música a típica característica Peppers de ser. Enquanto isso, &#8220;We Turn Red&#8221; vai mais além e resgata o clássico <em>funk rock</em> da banda, representando a melhor adaptação de Josh. Assim como em &#8220;Goodbye Angels&#8221;, na qual os arranjos de guitarras remetem às atuações de John Frusciante.</p>
<p>&#8220;The Longest Wave&#8221; traz um melodia calma e simpática, porém não empolga. Em &#8220;Sick Love&#8221; e &#8220;Go Robot&#8221; é notável a intenção da banda em introduzir cada vez mais efeitos sintéticos. Já &#8220;Feasting on The Flowers&#8221; soa estranha e ao mesmo tempo familiar aos fãs: se o riff inicial causa dúvidas em um primeiro momento, a entrada da voz de Kiedis e a base de guitarra de Josh resgatam os elementos conhecidos. Em seguida, o refrão recheado com outros poderosos acordes de piano volta com as novas propostas musicais da banda, que, no entanto, dão certa sustância ao trabalho, tornando-o bem interessante.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Red Hot Chili Peppers - Dark Necessities [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Q0oIoR9mLwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&#8220;Detroit&#8221; surpreende com fortes acordes de guitarra que fazem lembrar o final dos anos 80 e o começo dos anos 90 da banda. &#8220;This Ticonderoga&#8221; flerta com o <em>punk rock</em> e explora a agilidade dos dedos de Flea, no baixo e grooves de Chad Smith, na bateria. &#8220;Encore&#8221; volta a quebrar o ritmo do álbum. Contudo, ao contrário de &#8220;The Longest Wave&#8221;, a faixa aproveita muito bem a adaptação de Josh ao grupo e constrói uma composição forte aliada novamente ao piano, tão presente no álbum.</p>
<p>Nas últimas duas músicas, os Peppers colocam à prova suas intenções. &#8220;The Hunter&#8221; tem uma melodia dramática reforçada por uma base elegante de piano e uma guitarra delicada. Tudo isso somado a letra que menciona “The Hunter is haunted”, em contrapartida as escritas rotineiras meio “non-sense” ou relacionadas ao sexo feminino de Anthony Kiedis. Para finalizar, &#8220;Dreams of Samurai&#8221; também esbanja de distorções de guitarra e da sonoridade do piano (de novo?) &#8211; no entanto, Chad Smith volta a ditar um ritmo mais Peppers para a música.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Red Hot Chili Peppers - The Getaway [OFFICIAL AUDIO]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5w4d_mmJOGM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O fato é que <em>The Getaway</em> propõe as mudanças musicais, que parecem ser, ou deveriam ser, o desejo da banda. Talvez influenciados por projetos paralelos ou mesmo pela produção de Danger Mouse, que procura explorar bastante o potencial de cada instrumento. No entanto, fica também evidente que a banda sentiu o baque de <em>I’m With You</em> e percebeu a necessidade de manter elementos típicos de sucessos anteriores, mas sem abrir mão de novas experiências.</p>
<p>Aos fãs resta entender que esse já configura o 11° álbum de uma banda com mais de três décadas de carreira, a qual ainda esforça-se para produzir música de qualidade. Assim como Josh não deve se render a nostalgia do público e tornar-se uma imitação de Frusciante. Talvez o Red Hot Chilli Peppers esteja longe de produzir outro álbum histórico como <em>Blood Sugar Sex Magic</em> e <em>Californication</em>. Porém, é irracional esperar que os cinquentões voltem a tocar <em>funk rock</em> vestindo apenas meias no palco ou que eles devam fazer paródias deles mesmos. O novo álbum supera seu antecessor, ao mesmo tempo que exige paciência e, é necessário ao público, estar aberto às novas investidas da banda e reconhecer seus méritos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/">Novo álbum dos Peppers é um conflito entre fantasmas do passado, presente e futuro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">2648</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Better Call Saul, não Walter White</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Mar 2016 23:15:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Breaking Bad]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=1152</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro Se você assistiu Breaking Bad, Better Call Saul pode ser uma ótima série para você. Se não assistiu, também. O mais novo seriado de Vince Gilligan e Peter Gould, produzido pelo Netflix, conta a história do advogado corrupto Saul Goodman (Bob Odenkirk), ainda conhecido por James McGill, seis anos antes de conhecer Walter &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Better Call Saul, não Walter White"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/">Better Call Saul, não Walter White</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1169" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/saul.jpg" alt="saul" width="665" height="374" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/saul.jpg 665w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/saul-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você assistiu Breaking Bad, Better Call Saul pode ser uma ótima série para você. Se não assistiu, também. O mais novo seriado de Vince Gilligan e Peter Gould, produzido pelo Netflix, conta a história do advogado corrupto Saul Goodman (Bob Odenkirk), ainda conhecido por James McGill, seis anos antes de conhecer Walter White (Bryan Criston) em Breaking Bad. No entanto, apesar de BCS, de certo modo, aproveitar-se do saudosismo e empolgação dos fãs de BrBa, a série possui sua própria identidade.</span></p>
<p><span id="more-1152"></span></p>
<p>O protagonista James McGill, como era de se esperar, é esmiuçado e tem suas virtudes e conceitos éticos problematizados. Apesar das expectativas dos fãs de Walter White direcionarem para o futuro, Gilligan e Gould, não deixaram de explorar o passado de McGill antes mesmo de BCS. Conhecido por Slippin’ Jimmy, o protagonista aplicava pequenos golpes para ganhar dinheiro fácil ou tirar vantagem de alguma situação. Com o intuito de sair dessa rotina, Jimmy se muda para Albuquerque para morar com seu irmão e profissional da lei muito respeitado, Chuck McGill (Michael McKean). Inspirado, cursa ensino superior em Direito à distância e passa no exame da ordem dos advogados.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1160" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5.jpg" alt="better-call-saul-wallpaper-5" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-wallpaper-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Como advogado, James goza da incrível retórica que o fez ser admirado em Breaking Bad, mas acaba virando ‘porta de cadeia’ e  vive constantemente em conflito com o seu passado. A série acerta em cheio ao explorar a fundo o universo do direito e seus problemas éticos e humanos. Jimmy representa a linha tênue da conduta ética e não ética de um profissional da lei, mas também desmistifica a imagem intocável do direito ao ressaltar todas as dificuldades e preconceitos sofridos por um advogado sem expressão nos Estados Unidos.</p>
<p>O protagonista é exposto direta e indiretamente a situações corruptas e esnobado pelo escritório de seu próprio irmão, associado a Howard Hamlin (Patrick Fabian). Consolidando a figura de Jimmy como pilantra e ao mesmo tempo injustiçado. Se tratando de uma série sobre o mundo da lei, Vince Gilligan e Peter Gould não deixariam de lado a principal questão do poder legislativo, a justiça. Como em Breaking Bad, o criador da série usa muito bem as personagens coadjuvantes.</p>
<p>Chuck apesar de possuir uma conduta profissional impecável  fica devendo nas relações humanas e ressalta seu lado arrogante. Já Hamlin figura um personagem orgulhoso e metido, a não ser em relação a Chuck, por quem nutre imenso respeito. Assim como nas relações entre escritórios, nas quais percebe-se grande puxa saquismo e falsidade entre os profissionais.</p>
<p>Essas contradições dos personagens passam a impressão que o comprometimento com a justiça e com os valores morais estão da porta para dentro dos escritórios, que mesmo assim ainda se desvirtuam em prol dos negócios e da fama profissional. Em contrapartida, temos Kim Wexler (Rhea Seehorn),  amiga próxima de Jimmy que parece ser a única pessoa a apoiar e acreditar no potencial do personagem de Odenkirk. Apesar de ser uma das principais advogadas da HHM, Kim sofre com a conduta autoritária de Howard.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1161" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/better-call-saul-characters-video-560.jpg" alt="better-call-saul-characters-video-560" width="560" height="330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-characters-video-560.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-characters-video-560-300x177.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora do universo da advocacia a série explora ainda mais a paixão dos fãs de BrBa. Além de retratar as negociações no mundo do crime de maneira parecida, Better Call Saul explorar outro personagem muito querido, Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks). Sim, o mesmo guarda costas do </span><i><span style="font-weight: 400;">drug lord</span></i><span style="font-weight: 400;"> Gustavo Frings. Mike continua a ser o velho durão e metódico que faz trabalhos isolados, geralmente de guarda-costas, no mundo do crime. Mas dessa vez, seu passado é decomposto e sua figura mais humanizada, no entanto, sem violar as características resolutas da personagem. Além de cruzar com Jimmy em boa parte da série, a interpretação de Banks também se encontra com outras figuras conhecidas de BrBa, o traficante Nacho Varga (Michael Mando) e seu chefe icônico Tuco Salamanca (Raymond Cruz).</span></p>
<p>Sem dúvidas, as personagens são um dos grandes méritos de Better Call Saul. Mas a direção da série não deixa a desejar. Os ângulos de filmagem são variados e experimentam as sensações do espectador. Algumas vezes dentro de objetos, outras valorizando a influência do cenário sobre o personagem enquadrado, a dinâmica tornam a fotografia da série criativa e prazerosa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1159" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/better-call-saul-s01e07-03.jpg" alt="Better-Call-Saul-S01E07-03" width="3600" height="2396" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-s01e07-03.jpg 3600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-s01e07-03-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-s01e07-03-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-s01e07-03-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/better-call-saul-s01e07-03-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Além disso, a exemplo de Breaking Bad, a obra traz o uso constante de rimas visuais e jogos com os sons e ruídos dos personagens e objetos da série.  Estabelecendo mais uma vez diversas formas de diálogo que dão um tom característico para Better Call Saul. Vale ressaltar que essas dinâmicas e variações são, provavelmente, consequência da alternância de diretores. Apesar de Vince Gilligan e Peter Gould  serem vistos como criadores e diretores da série, somados conduziram apenas três episódios até o momento. Compartilhando a cadeira com outros nove profissionais.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gilligan e Gould souberam aproveitar muito bem a personagem de Saul Goodman em Breaking Bad e as ótimas atuações de Bob Odenkirk representando o cômico advogado pilantra. Se não bastasse, mergulharam a fundo nas características de Jimmy e sacaram como aproveitar as expectativas do fãs de BrBa sem transformar Better Call Saul em uma mera cópia ou </span><i><span style="font-weight: 400;">side history.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Pelo contrário, atribuíram identidade e consistência ao enredo da série, tornando a Better Call Saul agradável mesmo para os leigos em Heisenberg.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada já está no ar com  novos episódios todas as terças no Netflix.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/">Better Call Saul, não Walter White</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/better-call-saul-nao-walter-white/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">1152</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Creed: Uma outra luta, um outro boxe</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2016 22:42:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=539</guid>

					<description><![CDATA[<p>Victor Pinheiro Apesar de Creed se passar no universo da franquia Rocky e ressuscitar a nostálgica figura do lutador interpretado por Sylvester Stallone, o filme dirigido por Ryan Coogler não pode ser visto como uma mera continuação da saga e sim como um produto à parte, uma nova luta, um outro confronto. Creed satisfaz os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Creed: Uma outra luta, um outro boxe"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/">Creed: Uma outra luta, um outro boxe</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-562 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/02/creed.jpg" alt="creed" width="509" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/creed.jpg 509w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/creed-202x300.jpg 202w" sizes="auto, (max-width: 509px) 85vw, 509px" /></p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de Creed se passar no universo da franquia Rocky e ressuscitar a nostálgica figura do lutador interpretado por Sylvester Stallone, o filme dirigido por Ryan Coogler não pode ser visto como uma mera continuação da saga e sim como um produto à parte, uma nova luta, um outro confronto.</span></p>
<p><span id="more-539"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Creed satisfaz os fãs que se identificam com a imagem e a história de Balboa e acerta ao não inventar lutas absurdas como a que se vê em Rocky Balboa (2006), sexto filme da saga, na qual Rocky, já na casa dos cinquenta, enfrenta um campeão no auge da carreira. Além disso, Creed oferece um novo e interessantíssimo protagonista, Adonis Johnson (Michel B. Jordan).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Donnie é um personagem contraditório e sofre com a sombra de seu pai que nem conheceu, o lendário boxeador Apollo Creed. Johnson tem uma infância difícil. Sem notícias de seus pais, vive em casas de apoio até que Mary Anne (Phylicia Rashad), esposa de Apollo, encontra Adonis e passa a criá-lo em sua casa em Los Angeles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apaixonado pelo esporte e pela carreira do pai, Donnie larga um emprego estável no setor financeiro para seguir o sonho de lutar boxe. O jovem planeja sua carreira como lutador fora das sombras de Apollo, no entanto, ao mesmo tempo aproveita-se da amizade do falecido pai com Balboa para fazer de Rocky seu treinador. Ryan Coogler acerta em cheio ao combinar a incidência da imagem de Apollo sobre a identidade de Donnie às contradições na personalidade do protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra grande sacada é o deslocamento do personagem de Stallone para o papel de coadjuvante. Mesmo em Rocky 5 (1990) quando Balboa treina um jovem pugilista, o enredo da história ainda prioriza a figura de Rocky. Dessa vez não, o protagonismo é todo sobre Johnson, que tem seus sentimentos e personalidade esmiuçados. Se não bastasse, Balboa ainda compete com a imagem do pai de Donnie. Apesar de não estar presente em carne e osso no longa, o personagem de Apollo Creed representa um dos mais importantes pilares da trama e age com certo protagonismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que fora do ringue, a figura de Balboa ainda é motivadora e nostálgica. A simplicidade e a evidência das limitações impostas pela idade de forma casada entre ator e personagem permitem uma ótima atuação de Stallone. Além disso, a qualidade de mentor, não só na carreira mas na vida de Adonis, atribuída a Rocky mantém a identificação dos fãs com as mensagens de perseverança do filme, um dos pontos chave de toda a franquia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-557 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/02/o-creed-rocky-facebook-765x374.jpg" alt="o-CREED-ROCKY-facebook-765x374" width="765" height="374" /> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe ainda uma mudança sobre outro personagem que representa a essência tanto de Creed como dos seis filmes de Rocky, o boxe. De uma perspectiva técnica, Creed se distancia dos filmes protagonizados por Stallone ao trazer aspectos mais realistas pra dentro do ringue. Os golpes e sequências são mais condizentes e os lutadores não tomam dezenas de socos no rosto sem responder ou ao menos erguer a guarda. Não há exagero dramático no levantar dos atletas depois de um nocaute e mesmo após sofrer vários golpes, Donnie não parece um bêbado lutando de guarda baixa, a exemplo de Balboa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simulação de  transmissão de TV nas grandes lutas, a câmera lenta para enfatizar os nocautes, os gritos clichês dos conhecidos de “se levanta” ou “você consegue” e as corridas ‘heróicas’ são alguns dos elementos que resistiram. No entanto, isso não significa que são ruins, muito pelo contrário, ganham por saudosismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora dos ringues, o filme mostra a influência de empresários e o boxe enquanto negócio, o que não foge a regra da saga de Balboa, mas é um aspecto importante de ressaltar. Uma novidade é a ligação do esporte com a imprensa. A mídia ganha um forte papel no enredo do filme principalmente em relação a Donnie e a identidade do pai. Mas, talvez o debate mais importante esteja ligado a fatores socioeconômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme faz menção ao boxe como uma oportunidade de cidadãos pobres garantirem uma melhor condição de vida. Essa questão implica inclusive na contradição de Donnie, que apesar de uma infância dura, passa a ser rico ao ser adotado por Mary Anne Johnson  e acaba constantemente questionado a respeito dos motivos dele ser boxeador, principalmente por seu pai ter falecido em consequência do esporte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse problema acende outro discurso explícito na obra, a brutalidade do boxe. No longa, o próprio Balboa aconselha Johnson a não trilhar o caminho de pugilista. Vale lembrar que Rocky entrou para o boxe não apenas pela paixão pelo esporte, mas também por necessidades financeiras. Para piorar, a figura de Apollo sobre Adonis passa a impressão que o jovem lutador quer usar a imagem do pai para se promover enquanto atleta. Cria-se então uma pergunta ao fundo do filme: Donnie luta por paixão ou por vaidade?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o boxe está relacionado a condições socioeconômicas também está à questão racial. Um ator negro assumir o protagonismo do filme mais famoso sobre o esporte é algo a ser notado e discutido, isso porque o pugilismo possui uma forte ligação com a identidade negra.</span></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-565" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/02/maxresdefault-3.jpg" alt="maxresdefault (3)" width="2048" height="1537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/maxresdefault-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/maxresdefault-3-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/maxresdefault-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/maxresdefault-3-1024x769.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/maxresdefault-3-1200x901.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><em>O pugilista Jack Johnson</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1908, Jack Johnson entrou para a história ao vencer o australiano Tommy Burns e tornar-se o primeiro pugilista negro campeão peso-pesado na história. Dois anos depois venceu a ‘luta do século” contra o branco James Jeffries, o que representou um marco para identidade negra ao consolidar Johnson como um dos melhores da história batendo um oponente branco em meio a uma sociedade extremamente racista. Porém, Johnson ainda sofreu problemas com a justiça na época por andar com mulheres brancas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1937, foi a vez do afro-americano Joe Louis se consagrar campeão mundial. Louis tornou-se um ícone da identidade negra na época sendo exaltado por figuras como Malcolm X, icônico ativista racial. O campeão chegou a ser convidado a Casa Branca, ato simbólico devido a forte segregação racial na época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase 30 anos depois surgiria a imagem de Muhammad Ali, considerado o maior pugilista de todos os tempos. Ali também é conhecido por denunciar e problematizar o racismo, principalmente na sociedade norte-americana, se tornando não só motivo de orgulho por sua lendária carreira no boxe, mas também como importante ícone do movimento negro. Hoje o boxe ainda é representado por atletas negros, a exemplo do ex-campeão Floyd Maywheater.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que poucos sabem é que o próprio personagem de Rocky Balboa foi inspirado em um boxeador negro, ícone do esporte. Joe Frazier, que nasceu em Beaufort mas surgiu para o boxe na Filadélfia, foi espelho para a composição do pugilista interpretado por Sylvester Stallone. As corridas nas escadarias do centro da cidade faziam parte da rotina do atleta no começo da carreira. Em 71, Frazier se tornaria um dos poucos a derrotar Muhammad Ali. Ambos se enfrentaram mais duas vezes com duplo triunfo de Ali.</span></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-566 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/02/joe-frazier-007.jpg" alt="Joe-Frazier-007" width="620" height="372" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/joe-frazier-007.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/02/joe-frazier-007-300x180.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><em>Joe Frazier, inspiração real de Rocky Balboa</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A figura de Rocky, branco e com características europeias, como o herói do boxe norte-americano fica de lado em Creed. O filme endeusa a imagem de Apollo e o considera o melhor de todos os tempos dentro do universo da saga. Em meio ao racismo presente em Hollywood admitir um protagonista negro vencendo homens brancos dentro do ringue é realmente um motivo de destaque para o longa. Entender um personagem negro maior do que o herói da saga é um feito gigantesco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se Creed mostra evolução tanto no âmbito cinematográfico quanto nas questões sociais, a Academia anda na direção contrária ao indicar Sylvester Stallone, que tem seus méritos, ao Oscar de melhor ator coadjuvante e ignorar a atuação de Michel B. Jordan como Adonis Johnson. O diretor, Ryan Coogler, também negro, é outro ignorado pela premiação. Anteriormente, Coogler já havia abordado o tema do racismo em obras como &#8220;Fruitvale Station&#8221;, sobre a violência policial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Creed representa um rompimento do protagonismo de Rocky e de seu heroísmo intocável e por isso não podemos considerá-lo uma extensão da saga. Chegou a vez de Apollo e Adonis Creed brilharem e desafiarem a academia, os críticos e o público em geral para mais doze rounds e quem sabe os efeitos de uma vitória por nocaute.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/">Creed: Uma outra luta, um outro boxe</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">539</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Trupe Chá de Boldo em São Paulo: Temperatura Inconstante</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2016 23:04:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[SESC]]></category>
		<category><![CDATA[Show]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://criticapersona.wordpress.com/?p=79</guid>

					<description><![CDATA[<p>Banda empolgou o público com seu maior hit, mas decepcionou no desfecho do espetáculo A Trupe já conta com 10 anos de estrada (Foto: Divulgação) Victor Pinheiro O grupo musical Trupe Chá de Boldo trouxe seu repertório experimental para duas apresentações no Sesc Santana, em São Paulo, no sábado (16) e domingo (17). O setlist &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trupe Chá de Boldo em São Paulo: Temperatura Inconstante"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/">Trupe Chá de Boldo em São Paulo: Temperatura Inconstante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Banda empolgou o público com seu maior hit, mas decepcionou no desfecho do espetáculo</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-97" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/01/trupe_cha_de_boldo.jpg" alt="trupe_cha_de_boldo" width="754" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/01/trupe_cha_de_boldo.jpg 754w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/01/trupe_cha_de_boldo-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>A Trupe já conta com 10 anos de estrada (Foto: Divulgação)</p>
<p><strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<p>O grupo musical Trupe Chá de Boldo trouxe seu repertório experimental para duas apresentações no Sesc Santana, em São Paulo, no sábado (16) e domingo (17). O setlist foi repleto de faixas do novo álbum da banda, Presente (2015), mas  também contou com sucessos da obra anterior, Nave Manhã (2012).</p>
<p><em> </em>Usando toda sua potência instrumental, a Trupe mostrou seus arranjos característicos para começar o espetáculo com força total e  arrancar aplausos, gritos e dança. O marcante trio feminino formado por Ciça Goés, Julia Valiengo e Leila Pereira, nos vocais, o rodízio de instrumentos entre os integrantes e as simpáticas performances no palco foram essenciais para levantar a apresentação.</p>
<p><span id="more-79"></span></p>
<p><em> </em>A banda iniciou o show com a faixa “O Fim é Só o Começo (Coração)” e já mostrou alguns traços peculiares como a forte presença da bateria e percussão, guitarras com distorções e saxofones que conferem um caráter elegante, porém leve às músicas. Em seguida foi a vez do grupo destacar que não compõe para ideais conservadores. Com uma letra sobre empoderamento feminino, “Meu tesão é outro” aproveitou bem o potencial das cantoras da Trupe, porém não animou.</p>
<p><em> </em>Mas foi  “Jovem Tirano Príncipe Besta” que realmente trouxe uma atmosfera morna ao auditório. Apesar de boa música, não conseguiu empolgar o público, mesmo que tenha rendido bons aplausos. O single “Diacho” era, com certeza, uma aposta para inflamar o ambiente. No entanto, falhou em aguçar os ânimos e, como se não bastasse, a sequência com “Lampejo” consolidou o clima estável do auditório.</p>
<p><em> </em>A partir de “Amores Vão”, faixa em tributo ao sambista Adoniran Barbosa, e “Moremaximo” que o show subiu de patamar. O ótimo instrumental da primeira música, junto com a elegância no arranjo e na composição da segunda preparava o espetáculo que aos poucos iria atingindo seu ápice. A Trupe então tocou “Cine Espacial”, que apesar do arranjo calmo e apreciativo não decepcionou (muito pelo contrário) e conseguiu manter os ânimos crescentes.</p>
<p><em> </em>Com arranjos dançantes e refrões muito bem elaborados e fáceis de cantar as execuções de “Smex Smov” e “Fogo Fogo” foram um sucesso. Finalmente o espetáculo estava pronto para atingir o seu clímax: era chegada a hora do maior sucesso da banda, “Na Garrafa”, do álbum Nave Manhã. Para melhorar, os integrantes ainda fizeram uma grande performance e provocaram o público a se encostar no palco. Dezenas de pessoas desceram para curtir a apresentação mais de perto e algumas se puseram a dançar. O Sesc estava fervendo.</p>
<figure id="attachment_99" aria-describedby="caption-attachment-99" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-99" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/01/trupe.jpg" alt="Trupe" width="600" /><figcaption id="caption-attachment-99" class="wp-caption-text">Performances no palco ajudaram a animar o auditório no domingo (Foto: Luiza Coimbra)</figcaption></figure>
<p><em> </em>A Trupe Chá de Boldo então se perfilou e cumprimentou o público dando a entender que o show se encerraria ali. Mas a banda voltou e tocou duas faixas de encerramento. Primeiro, outro grande sucesso de Nave Manhã, “Mar Morro”. A música destaca a voz do cantor Gustavo Galo, além de uma guitarra em ritmo de reggae e um baixo marcante. Em seguida, Galo agradeceu a Moisés, integrante do grupo Porcas Borboletas e convidado especial, que estava auxiliando a banda no concerto.</p>
<p><em> </em>O grupo apresentou uma breve introdução de uma obra do convidado e logo encaminhou o show para seu desfecho com “Uma Banda”. A música que se assemelha a uma ‘marchinha’ representa toda amizade entre os integrantes da Trupe. Contudo, foi uma péssima escolha para fechar o show e, logo na última execução, o ânimo esfriou.</p>
<p><em> </em>Em linhas gerais, Trupe Chá de Boldo foi uma boa atração para o domingo paulistano. Em um primeiro momento, a banda causa estranhamento com seu estilo experimental a quem não conhece, porém, seus arranjos bem elaborados são contagiantes &#8211; embora nem todos tenham funcionado no show de domingo. Para saber mais sobre a Trupe Chá de Boldo e fazer download gratuito dos discos, basta acessar o site da banda <a href="http://www.trupechadeboldo.com/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/">Trupe Chá de Boldo em São Paulo: Temperatura Inconstante</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/trupe-cha-boldo-sao-paulo-temperatura-inconstante/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">79</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
