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	<title>Arquivos Satã &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Satã &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Earth 2 ainda reverbera com força</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2018 21:52:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>n.vvvvv Como em seus conterrâneos do grunge, a herança do Black Sabbath era escancarada: além dos timbres pesados, o nome Earth foi utilizado pela trupe de Birmingham ainda na década de 60. Já no EP Extra-Capsular Extraction (1991), a banda formada por Dylan Carlson (o melhor amigo de Kurt Cobain) soava como um dos tributos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/earth-2-resenha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Earth 2 ainda reverbera com força"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_9454" aria-describedby="caption-attachment-9454" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-9454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/dylan-carlson-dave-harwell-earth-2-subpop.jpg" alt="" width="600" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/dylan-carlson-dave-harwell-earth-2-subpop.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/dylan-carlson-dave-harwell-earth-2-subpop-300x296.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9454" class="wp-caption-text">Foto promocional do Earth para a gravadora Sub Pop nos primórdios: simpáticos, não? (Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>n.vvvvv</strong></p>
<p>Como em seus conterrâneos do <em><a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-25-anos-depois-espirito-adolescente-prevalece-mais-forte-nunca/" target="_blank" rel="noopener">grunge</a></em>, a herança do <a href="http://personaunesp.com.br/black-sabbath-em-sao-paulo-o-funeral-eletrico/" target="_blank" rel="noopener">Black Sabbath</a> era escancarada: além dos timbres pesados, o nome Earth foi utilizado pela trupe de Birmingham ainda na década de 60. Já no EP <a href="https://open.spotify.com/album/0aIHbdCkzN5GadumNGIcvK" target="_blank" rel="noopener"><em>Extra-Capsular Extraction</em></a> (1991), a banda formada por Dylan Carlson (o melhor amigo de <a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/" target="_blank" rel="noopener">Kurt Cobain</a>) soava como um dos tributos mais radicais aos pioneiros do <em>heavy metal</em>: a cadência dos <em>riffs</em> era ainda mais lenta, com foco pleno em atmosferas nebulosas. Isso foi levado a níveis extremos em <em>Earth 2: Special Low Frequency Version</em> (1993), que acaba de completar 25 anos.<span id="more-9453"></span></p>
<p>O registro mais conhecido do Earth é composto por apenas três faixas, que somam 73 minutos de duração. Excetuando sutis toques percussivos na finalíssima &#8220;Like Gold and Faceted&#8221;, <em>Earth 2 </em>pode ser definido como um experimento sonoro com distorções de guitarra e baixo. Mas o principal instrumento no álbum é, sem dúvidas, o amplificador: são as configurações de volume e sustentação que tornam este LP tão peculiar.</p>
<figure id="attachment_9456" aria-describedby="caption-attachment-9456" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-9456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-1993-dylan-carlson.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-1993-dylan-carlson.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-1993-dylan-carlson-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-1993-dylan-carlson-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-1993-dylan-carlson-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9456" class="wp-caption-text">Bateu uma onda forte (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Nos discos seminais do Black Sabbath, Tony Iommi elaborou um contraste entre luz e sombra ao preencher e desestabilizar o silêncio com barulhos densos (vide o <em>bend</em> que inicia &#8220;Iron Man&#8221; e o vibrato icônico de &#8220;Black Sabbath&#8221;). Carlson e o baixista Dave Harwell, de certa forma, subvertem essa lógica. Os <em>riffs</em> monolíticos ecoam de forma tão bruta que, em questão de minutos, as notas tocadas se dispersam e pouco importam. A experiência é observar as oscilações quase drásticas da massa sonora &#8211; é como se a estabilidade desses <em>drones</em> fosse tão bem sintonizada que a mente então passa a reconhecê-los como um novo tipo de silêncio.</p>
<p>O que leva à outra ligação essencial presente no álbum: a música ambiente. Tanto o subtítulo como as fontes na capa foram surrupiados de um disco da série <em>Environments</em>, pioneira em gravações de campo. No caso, trata-se da versão especial do segundo volume, onde o <a href="https://open.spotify.com/album/3Y29hi7kSrpejpFKESUjn6" target="_blank" rel="noopener">lado A do LP original</a> é desacelerado e se transforma em uma odisseia de frequências baixas que dura exatamente uma hora &#8211; <a href="https://www.youtube.com/watch?v=j_pUMNGXwPk" target="_blank" rel="noopener">ouça aqui</a>. A banda também se vale dessa guinada, visto que &#8220;Ouroboros is Broken&#8221;, última faixa do EP de 91, é tocada mais devagar e se estende para virar &#8220;Seven Angels&#8221;, abertura de <em>Earth 2</em>.</p>
<figure id="attachment_9457" aria-describedby="caption-attachment-9457" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-9457" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/environments-2-special-low-frequency-version-earth-2.jpg" alt="" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/environments-2-special-low-frequency-version-earth-2.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/environments-2-special-low-frequency-version-earth-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/environments-2-special-low-frequency-version-earth-2-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9457" class="wp-caption-text">&#8220;A música do futuro não é música&#8221;: conceitual é pouco (Reprodução/Discogs)</figcaption></figure>
<p>Na contracapa, Carlson copia o conceito da <a href="https://www.discogs.com/No-Artist-Environments-New-Concepts-In-Stereo-Sound-Disc-2/master/339825" target="_blank" rel="noopener">primeira prensagem</a> do vinil e coloca mensagens sobre supostos resultados da audição de sua obra. &#8220;MINHAS DORES DE CABEÇA SUMIRAM!&#8221;, &#8220;Esqueça drogas e álcool&#8230; agora eu sou muito, muito suave!&#8221; e afins não só mostram seu senso de humor, como sugerem a ambiguidade da estreia do Earth: uma aura tão opressiva quanto meditativa. Este último aspecto é reforçado pelo tom místico dos nomes das canções: &#8220;Seven Angels&#8221; (sete anjos), &#8220;Teeth of Lions Rule the Divine&#8221; (dentes de leões governam o divino) e &#8220;Like Gold and Faceted&#8221; (como ouro e lapidado).</p>
<figure id="attachment_9458" aria-describedby="caption-attachment-9458" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-back-cover.jpg" alt="" width="600" height="467" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-back-cover.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/02/earth-2-special-low-frequency-version-back-cover-300x234.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9458" class="wp-caption-text">Contracapa de Earth 2: a cura para insônia, ressaca e muito mais! (Reprodução/Discogs)</figcaption></figure>
<p>O trabalho caiu como uma bomba no cenário <em>underground</em>. Praticamente fundou o chamado <em>drone metal</em>, com bandas como Boris e Sunn O))) perpetuando o legado dos graves em moldes mutagênicos, e é sentido com força peculiar no <em>post rock</em> de Swans e <a href="http://personaunesp.com.br/godspeed-you-black-emperor-luciferian-critica-resenha/" target="_blank" rel="noopener">Godspeed You! Black Emperor, </a>onde as texturas foram essenciais para que o prefixo &#8220;pós&#8221; se tornasse legítimo. Infelizmente, também é influência direta para hordas de artistas cujo trabalho é mais (conceitualmente) interessante do que consistente.</p>
<p>Após um hiato de quatro anos, Dylan Carlson retomou o Earth em 2001 com nova formação e expandiu a gama de influências &#8211; evitou se estagnar em uma caricatura de si mesmo e, indiretamente, conservou o brilho peculiar da estreia do grupo. Surgiram discos de <em>drone</em> com volume mais alto e duração mais longa, mas nenhum se equipara à parede sonora intimidadora e visceral que é <em>Earth 2. </em>Basta colocar os melhores fones de ouvido e comprovar&#8230;</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6C3T9IKxCt15bKldHKTXR7" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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		<title>Neurosis no Brasil: tempos de (des)graça</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Dec 2017 20:20:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Foi estranho descobrir que os membros do Neurosis têm empregos fora da música. Como é possível? Uma das bandas mais influentes do metal! O disco mais famoso do Sepultura foi influenciado por eles. Mastodon e Converge, dois nomes metálicos celebradíssimos da década passada, têm relações estreitas com o quinteto. Até na música do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/neurosis-brasil-show/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Neurosis no Brasil: tempos de (des)graça"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_9043" aria-describedby="caption-attachment-9043" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9043" class="wp-caption-text">Gente como a gente: Neurosis no Carioca Club (Foto: Fernando Yakota)</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Foi estranho descobrir que <a href="https://www.vice.com/pt_br/article/43njjn/neurosis-brasil-2017-entrevista-steve-von-till" target="_blank" rel="noopener">os membros do Neurosis têm empregos fora da música</a>. Como é possível? Uma das bandas mais influentes do metal! <a href="http://personaunesp.com.br/sepultura-angra-metal-brasil-duas-decadas/" target="_blank" rel="noopener">O disco mais famoso do Sepultura</a> foi influenciado por eles. Mastodon e <a href="http://personaunesp.com.br/converge-dusk-in-us/" target="_blank" rel="noopener">Converge</a>, dois nomes metálicos celebradíssimos da década passada, têm relações estreitas com o quinteto. Até na música do <a href="http://personaunesp.com.br/slipknot-iowa-resenha-critica/" target="_blank" rel="noopener">Slipknot</a> é possível sentir traços do grupo californiano.<span id="more-9041"></span></p>
<p>Por outro lado, isso explica porque só agora &#8211; com mais de 30 anos de carreira nas costas &#8211; Scott Kelly, Steve Von Till, Noah Landis, Jason Roeder e Dave Edwardson enfim vieram fazer shows na América do Sul. A data única no Brasil foi em São Paulo, no último dia 8, no Carioca Club. O céu cinza e a leve chuva que antecederam o evento até pareciam sinais.</p>
<figure id="attachment_9044" aria-describedby="caption-attachment-9044" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/saturndust-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="720" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/saturndust-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/saturndust-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9044" class="wp-caption-text">Chora, cavaco: Felipe Dalam em ação com o Saturn Dust no Carioca Club (Foto: Fernando Yakota)</figcaption></figure>
<p>Mesmo com a casa pouco cheia, o trio <a href="https://saturndust.bandcamp.com/album/rlc" target="_blank" rel="noopener">Saturndust</a> iniciou as atividades por volta de 18h20. O som dos brasileiros (integrantes do cast do selo Abraxas, também produtora do show) segue a tradição monolítica do <em>doom metal</em>, com linhas de sintetizador flertando com o tom lisérgico do <em>stoner</em>. O entusiasmo era palpável no palco. &#8220;Infelizmente essa é nossa última música&#8221;, anunciou o <em>frontman</em> Felipe Dalam. Após a reação da plateia, completou: &#8220;Ah, mas ela é mó longa, vocês sabem&#8221;. Com a equalização calibrada, só faltou mesmo maior produção visual (maior jogo de luzes bastaria) para combinar com a veia espacial da banda.</p>
<p>Em seguida, foi a vez do Deaf Kids entrar em ação. Também em trio, os rapazes de Volta Redonda (RJ) tocaram quase sem pausas por uma hora. A mistura sonora apresentada é difícil de definir: tem a sujeira urgente do crust, doses de <em>reverb</em> e <em>delay</em> transformando as vociferações do guitarrista Douglas Leal em outro instrumento, linhas de bateria herdadas da escola post-hardcore e paredes sonoras que botam qualquer cópia barata do <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank" rel="noopener">My Bloody Valentine </a>abaixo. Tudo isso em uma abordagem extremamente esquizofrênica (no bom sentido!), soando muito mais visceral e livre do que nos discos de estúdio.</p>
<figure id="attachment_9045" aria-describedby="caption-attachment-9045" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/deaf-kids-neurot-recordings-configuração-do-lamento-quietus-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/deaf-kids-neurot-recordings-configuração-do-lamento-quietus-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/deaf-kids-neurot-recordings-configuração-do-lamento-quietus-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/deaf-kids-neurot-recordings-configuração-do-lamento-quietus-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9045" class="wp-caption-text">A cabeleira mais barulhenta do recinto: Douglas Leal com o Deaf Kids (Foto: Fernando Yakota)</figcaption></figure>
<p>Nem todos os presentes pareceram digerir a proposta, mas uma pessoa em particular parecia mais que satisfeita: Steve Von Till, que inclusive filmou parte do show em seu celular. A gravadora do Neurosis, Neurot Recordings, lançou o último álbum do Deaf Kids nos Estados Unidos e Europa este ano. Pelo sorriso de Till na cabine acima do palco, a aposta em <a href="https://deafkidspunx.bandcamp.com/album/configura-o-do-lamento" target="_blank" rel="noopener"><em>Configuração do Lamento</em></a> (2016) foi um acerto.</p>
<p>Mais difícil ainda é rotular o Neurosis. As influências são várias: a fúria do Black Flag, o peso do<a href="http://personaunesp.com.br/black-sabbath-em-sao-paulo-o-funeral-eletrico/" target="_blank" rel="noopener"> Black Sabbath</a>, o experimentalismo do <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-junho-2016/" target="_blank" rel="noopener">Swans</a>. Os barulhos industriais do Godflesh, a melancolia do Joy Division, a serenidade de <a href="http://personaunesp.com.br/depressao-na-arte-nua-e-crua-parte-i/" target="_blank" rel="noopener">Nick Drake</a>, as estruturas longas do <a href="http://personaunesp.com.br/pink-floyd-piper-at-the-gates-of-dawn/" target="_blank" rel="noopener">rock progressivo</a>. Mas além desse <em>namedroping</em>, existe uma aura profundamente espiritual que faz com que o termo <em>sludge metal </em>(lodo, em tradução livre) soe muito limitador. Elementos da natureza são componentes centrais nas letras do grupo, e a música até foi trilha para uma <a href="https://www.facebook.com/events/706505176204832/" target="_blank" rel="noopener">recente sessão de meditação em São Paulo</a>.</p>
<figure id="attachment_9047" aria-describedby="caption-attachment-9047" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9047" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/scott-kelly-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/scott-kelly-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/scott-kelly-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/scott-kelly-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9047" class="wp-caption-text">Scott Kelly: o papai noel do metal avançado (Foto: Fernando Yokota)</figcaption></figure>
<p>Quando as cortinas abriram para a atração principal da noite, o mais curioso foi perceber que as canções são tão cerebrais quanto musculares. Era possível se deixar levar pela dinâmica de luz e sombra, não fosse a urgência que o alto volume das caixas impunha. Interessante notar que, para quem sempre prezou pelo aspecto visual (com um sexto membro encarregado na função até 2012), o Neurosis prendeu o público brasileiro &#8220;apenas&#8221; com seu som. Por mais imagético que o repertório possa ser nos discos, ao vivo o negócio é pura massa sonora. O estrondo é tanto que a sinestesia parece se quebrada pela própria vibração natural das ondas: ao fechar os olhos, qualquer paisagem imaginária ruía. Só restava apreciar o corpo tremendo.</p>
<figure id="attachment_9048" aria-describedby="caption-attachment-9048" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9048" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/noah-landis-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/noah-landis-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/noah-landis-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/noah-landis-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9048" class="wp-caption-text">Noah Landis e sua aparelhagem (Foto: Fernando Yokota)</figcaption></figure>
<p>Quem esteve na grade ou perto pôde constatar que a lendária falta de interação da banda com a plateia não é completa. O fundador Scott Kelly permanece contido com sua guitarra, mas seus companheiros não só se movimentam bastante como olham diretamente nos olhos do público. Com insistência, era possível se comunicar via caretas com o tecladista Noah Landis e o baixista Dave Edwardson. Bater cabeça no ritmo de Steve Von Till, por mais trivial que soe em palavras, era quase uma conexão espiritual. Na parte de trás, o baterista Jason Roeder sustentou as canções e provou, mais uma vez, que peso vem de execução e não de kits astronômicos.</p>
<figure id="attachment_9046" aria-describedby="caption-attachment-9046" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/steve-von-till-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/steve-von-till-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/steve-von-till-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/steve-von-till-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9046" class="wp-caption-text">Steve Von Till: os mamutes não foram extintos (Foto: Fernando Yakota)</figcaption></figure>
<p>Von Till havia declarado antes que a preocupação do Neurosis em seus <em>setlists</em> era mais <a href="https://www.vice.com/pt_br/article/43njjn/neurosis-brasil-2017-entrevista-steve-von-till" target="_blank" rel="noopener">baseada na resposta emocional do que na inserção de clássicos<em> per se</em></a>. Mas novidades rolaram: &#8220;Stones from the Sky&#8221; voltou ao set, &#8220;Takeahnase&#8221; (do clássico <em>Souls at Zero</em> (1992)) e &#8220;At the End of the Road&#8221; surpreenderam os presentes. A euforia se destacou nos clássicos &#8220;Locust Star&#8221; e o encerramento com &#8220;The Doorway&#8221;, únicos representantes dos álbuns mais aclamados da banda. Com uma discografia tão consistente, nem mesmo um show de 3 horas cobriria tudo; mas a execução destruidora garantiu que nenhum momento foi menos digno de aplausos que o antecessor.</p>
<p>Após pouco mais de uma hora e meia, os integrantes saíram um por um, enquanto a rajada de microfonias se espalhava pelo ambiente. Roeder marcou o fim da<em> jam</em> com uma pisada firme no bumbo, saudou a plateia e saiu. Zero palavras ditas ao público &#8211; não era necessário.</p>
<figure id="attachment_9049" aria-describedby="caption-attachment-9049" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jason-roeder-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jason-roeder-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jason-roeder-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jason-roeder-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9049" class="wp-caption-text">Até o fotógrafo sentiu o impacto: Jason Roeder destruindo (Foto: Fernando Yokota)</figcaption></figure>
<p>Quem esperou do lado de fora do Carioca Club conseguiu trombar Scott Kelly, assim como quem chegou cedo esbarrou em Landis e Edwardson no bar vizinho. Independente das <em>selfies</em> pra coleção, é unânime que o saldo do show foi muito acima da média. No fim, o Neurosis pode ser composto por apenas cinco indivíduos que, por paixão, ainda fazem música. Assim como o <a href="http://personaunesp.com.br/godspeed-you-black-emperor-luciferian-critica-resenha/" target="_blank" rel="noopener">Godspeed You! Black Emperor</a>, são nomes seminais que acabam não sendo os mais populares em seu estilo até por escolha; quiçá o reconhecimento no <em>underground</em> baste. Para nós do público, foi muito mais que o suficiente. Transcendência pura e legítima, de humanos comuns para/com humanos comuns.</p>
<figure id="attachment_9050" aria-describedby="caption-attachment-9050" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/dave-edwardson-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/dave-edwardson-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/dave-edwardson-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/dave-edwardson-neurosis-brasil-são-paulo-carioca-club-fernando-yakota-abraxas-xaninho-sludge-metal.jpg-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9050" class="wp-caption-text">Dave Edwardson: baixista, urrador e tiozão maneiro nas horas vagas (Fotos: Fernando Yokota)</figcaption></figure>
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		<title>Slipknot: o horror cotidiano, de Iowa a Botucatu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Nov 2017 22:07:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira O segundo disco do Slipknot é uma audição dolorosa (já comecei o texto dando piada de graça pra detratores). Urros quase ininterruptos, linhas percussivas marretadas, guitarras de afinação baixa com timbres que beiram o nojento, intervenções eletrônicas barulhentas. Pra coroar, a masterização, vítima da loudness war, joga todos os níveis no vermelho. 14 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/slipknot-iowa-resenha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Slipknot: o horror cotidiano, de Iowa a Botucatu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8829" aria-describedby="caption-attachment-8829" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8829 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-1024x1024.jpg" alt="" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-GOAT-2001-COVER-ARTWORK.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8829" class="wp-caption-text">Adote animais e louve o Cramunhão</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>O segundo disco do Slipknot é uma audição dolorosa (já comecei o texto dando piada de graça pra detratores). Urros quase ininterruptos, linhas percussivas marretadas, guitarras de afinação baixa com timbres que beiram o nojento, intervenções eletrônicas barulhentas. Pra coroar, a masterização, vítima da <em>loudness war,</em> joga todos os níveis no vermelho. 14 faixas, 66 minutos de duração.<span id="more-8828"></span></p>
<p>A sonoridade punitiva traduz o <em>background</em> tenso. Após o sucesso inesperado da estreia homônima em 1999, a pressão da indústria cresceu. Mesmo com a banda dividida &#8211; <a href="https://www.altpress.com/features/entry/slipknot_contemplated_breaking_up_after_first_album_called_it_a_fck_you_to" target="_blank" rel="noopener">a ponto de uma separação ter sido cogitada como protesto</a> -, os trabalhos começaram pouco tempo após o término das turnês anteriores. <a href="http://loudwire.com/slipknot-iowa-anniversary/" target="_blank" rel="noopener">O abuso de drogas era pesado</a>.</p>
<p>Além do caos da vida pessoal dos nove integrantes, o produtor Ross Robinson sofreu um acidente de moto durante o processo. Ele, <a href="https://tapeop.com/interviews/79/ross-robinson/" target="_blank" rel="noopener">que já era conhecido por usar de táticas psicológicas</a>, engrossou o caldo. Para a faixa-título, disse para Corey Taylor que gostaria que ele entrasse na parte mais insólita de sua mente; o vocalista gravou a canção nu e se cortando com vidro. Outro caso conhecido é o da intro &#8220;(515)&#8221;, cujos gritos são resultado do DJ Sid Wilson extravasando a morte de seu avô.</p>
<figure id="attachment_8833" aria-describedby="caption-attachment-8833" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY-1024x576.jpeg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/SLIPKNOT-IOWA-MAX-CAVALERA-SOULFLY.jpeg 1278w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8833" class="wp-caption-text">Halloween levado a sério: estileira muito mais foda ainda</figcaption></figure>
<p><strong><em>I&#8217;M ALWAYS READY TO DIE BUT YOU&#8217;RE KILLING ME<br />
</em></strong></p>
<p>Análises intelectualizadas de <em>Iowa</em> (2001), ainda que válidas, acabam por romantizar uma obra cujo potencial reside em sua visceralidade. O negócio começa com a afirmação de que pessoas são uma merda, afinal. Acompanhando as letras no encarte, não demora para perceber que os versos tem teor contraditório. &#8220;Everything Ends&#8221; inicia acusando terceiros em tom de voz cínico, mas é óbvio que a raiva do eu lírico é absurdamente interna.</p>
<blockquote><p>Shallow skin, I can paint with pain<br />
I mark the trails on my arms with your disdain<br />
Everyday it&#8217;s the same &#8211; I love, you hate<br />
But I guess I don&#8217;t care any more&#8230;<br />
Fix my problems with the blade<br />
While my eyes turn from blue to gray<br />
God, the worst thing happened to me today<br />
But I guess I don&#8217;t care anymore&#8230;</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>My flaws are the only thing left that&#8217;s pure<br />
Can&#8217;t really live, can&#8217;t really endure<br />
Everything I see reminds me of her<br />
God I wish I didn&#8217;t care anymore<br />
The more I touch, the less I feel<br />
I&#8217;m lying to myself that it&#8217;s not real<br />
Why is everybody making such a big fucking deal?<br />
I&#8217;m never gonna care anymore</p></blockquote>
<p>Com exceção da didática &#8220;Gently&#8221;, assinada por Michael &#8220;Clown&#8221; Crahan, essa narrativa explosiva e inconsequente permeia o disco inteiro. A constante crítica da fúria expressada aqui como juvenil e gritaria sem sentido ignora o básico: a proposta aqui não é pensar a raiva, é liberá-la do modo mais direto possível. A raiva pode não ter razões coerentes e ainda incomodar em níveis absurdos.</p>
<p>O alívio de blasfemar contra o vento pode ser mais eficaz e imediato do que sobrepensar e remoer sentimentos ruins &#8211; <a href="https://www.youtube.com/watch?v=av-scRPkdKM" target="_blank" rel="noopener">cá um surto recente que não me deixa mentir. </a>&#8220;The Heretic Anthem&#8221; é um exemplo peculiar em <em>Iowa</em>: o dedo do meio mais direto pra mídia possui o refrão mais marcante e pegajoso do álbum. Além do Iron Maiden, qual outra banda conseguiu emplacar um clássico de estádios envolvendo o número da besta? É a prova de que, apesar da pose, o Slipknot sabe se divertir. E convida o público na empreitada &#8211; &#8220;<em>se você é 555, eu sou 666</em>&#8221; virou um mantra nos shows do grupo.</p>
<p><strong><em>MY LIFE WAS ALWAYS SHIT, AND I DON&#8217;T THINK I NEED THIS ANYMORE</em></strong></p>
<p>É curioso. O especial de Halloween deste ano começou com <a href="http://personaunesp.com.br/critica-principe-das-sombras/" target="_blank" rel="noopener">um <em>crássico trash</em> do mestre John Carpenter</a>, no texto com nostalgia aflorada do camarada Adriano Arrigo. Antes de vir escrever no Persona, falei muito sobre <em>Iowa</em> (spammei, praticamente) na internet. Não foram poucas as pessoas que sugeriram que meu apreço pelo LP se dava por pura nostalgia. Divertido ver que o ambiente crítico conserva suas picuinhas, em plena era de reavaliação cultural de gêneros antes renegados.</p>
<p>E pior que percebi não ser o caso. O começo do então vício coincidiu com os primeiros sinais de depressão, ainda em 2009. Minha <em>crush </em>detestava Slipknot, e no meu mundo mental fantasioso entendia isso como um sinal fatalista. Caçoava um colega por achar o noneto &#8220;pesado demais&#8221;, e no ano seguinte tiraria sarro por ele considerá-los o suprassumo do peso. Adquiri o cd físico em 2010, na transição penosa pro ensino médio. Nada que mereça saudades.</p>
<p>Em entrevista ao<a href="https://www.altpress.com/features/entry/slipknot_contemplated_breaking_up_after_first_album_called_it_a_fck_you_to" target="_blank" rel="noopener"> Alternative Press</a>, Corey Taylor sugere: &#8220;<em>(&#8230;) já disse antes, mas aquele álbum soa tão espesso que você pode vesti-lo. Ele tem uma certa qualidade que eu só consigo comparar, de certa forma, com o que você ouve nos discos do Big Black (&#8230;)</em>&#8220;. Pode não ser uma comparação precisa em termos sonoros, mas há uma semelhança notável entre<em> Iowa</em> e <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=03cDvRl3edo" target="_blank" rel="noopener">Atomizer</a> </em>(1986): a fúria jovem resultante do tédio de municípios pacatos. Embora aprecie minha cidade natal, reconheço que Botucatu se encaixaria no retrato oferecido pelo clipe de &#8220;Left Behind&#8221;.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Slipknot - Left Behind [OFFICIAL VIDEO] [HD]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/D1jQKpse7Yw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Minhas revisões de <em>Iowa</em> forneceram várias descobertas proveitosas. Percebi que nunca havia ouvido com fones, e qual não foi a surpresa ao constatar os timbres muito mais definidos e bem equalizados? O baixo do finado Paul Gray, que julgava inexistente, agora tomava conta do <em>headset</em>. As contribuições de Sid Wilson e Craig Jones apareceram mais nítidas e situadas.</p>
<p>A influência de <a href="http://personaunesp.com.br/neurosis-brasil-show/" target="_blank" rel="noopener">Neurosis</a> na longa faixa-título rendeu replays constantes madrugada afora. Reparei que vários trechos palhetados não fariam feio em algo do <a href="http://personaunesp.com.br/slayer-epidemico-sangrento/" target="_blank" rel="noopener">Slayer</a> ou até bandas mais extremas, e confirmei que as músicas pinçadas da demo <em>Mate. Feed. Kill. Repeat.</em> (1996) ganharam mais peso e detalhes. &#8220;Gently&#8221; e &#8220;Skin Ticket&#8221;, que costumava pular, davam dinâmica ao <em>tracklist</em> agora. Se <em>Slipknot</em> (1999) soava como a lenda urbana de uma criatura escrota nascendo em um porão, em <em>Iowa</em> esse bicho toma corpo e sai pra rua.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7yQmrL4bms0JIWamjA2ok1" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p><em><strong>I SEE THE FUTURE, THE FUTURE IS BLEEDING</strong></em></p>
<p>Bauru, 2017. Madrugada. Lendo e ansioso quanto ao trabalho de conclusão de curso. Música com vocais não é escolha comum pra ocasião, mas de <em>Iowa </em>consegue me manter focado e empolga a tarefa. Não vivo mais em uma cidade quieta. Julgo ter evoluído o mínimo não ser mais o pirralho de anos atrás. As agonias não são iguais. Sequer odeio as pessoas ao meu redor.</p>
<p>Mas de alguma forma, esse disco faz sentido pra mim. Talvez seja pela noção de que, se você se considerar odiado, fica mais alerta no mundo ainda me sirva. Bauru me faz sentir assim ou ainda tenho paranoias a resolver? Quiçá gostar do álbum com outros ouvidos dê certa sensação de paz com o passado, orgulhoso dele ou não. Tem o fato de que gostar de Slipknot irrita as pessoas próximas, agora por outros motivos &#8211; como assim, você que é super conceitual! Crítico! Vai ver eu só não levo tudo tão a sério e literalmente como antes.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Slipknot - My Plague [OFFICIAL VIDEO]" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/lRNYp1IiUuE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ou os riffs e o trampo do Joey Jordison na bateria são maneiros, e a abordagem vocal é repleta de nuances. Como eles cantam é quase mais relevante do que as letras em si &#8211; a melodia do refrão de &#8220;My Plague&#8221;, ou a impressão de que o &#8220;<em>no one is safe</em>&#8221; de &#8220;Disasterpiece&#8221; parece ter sido gravado com o Chris Fehn trajando sua máscara. Ah sim, tem as máscaras. São legais, especialmente a de cabeça com espetos e expressão vaga. O encarte é bem feito também.</p>
<p>É aquele trecho situado entre a vontade de querer trocar ideias com o universo e só aceitar que é uma sensação pessoal, impossível de se traduzir. Sentir alguma coisa nova, por mais boçal que seja. Sair do terror claustrofóbico que é a rotina por alguns minutos &#8211; ou aprender a conviver com ele com uma trilha condizente.</p>
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		<title>Foi preciso mais do que látex para o Príncipe das Sombras se tornar um clássico dos anos 80</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2017 20:05:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Carpenter]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[John Carpenter]]></category>
		<category><![CDATA[Satã]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adriano Arrigo Se há uma memória que me remeta a seção de Terror das extintas locadoras, elas certamente está relacionada a algum filme de John Carpenter. Não que eu tenha assistido, mas a capa de A Cidade dos Amaldiçoados (1995) realmente me apavorava (ok, eu era uma criança medrosa), além do medo me cutucar no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-principe-das-sombras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Foi preciso mais do que látex para o Príncipe das Sombras se tornar um clássico dos anos 80"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8746 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/capa.jpg" alt="capa original o princípe das sombras" width="484" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/capa.jpg 484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/capa-192x300.jpg 192w" sizes="auto, (max-width: 484px) 85vw, 484px" /></p>
<p><strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<p>Se há uma memória que me remeta a seção de Terror das extintas locadoras, elas certamente está relacionada a algum filme de John Carpenter. Não que eu tenha assistido, mas a capa de <em>A Cidade dos Amaldiçoados</em> (1995) realmente me apavorava (ok, eu era uma criança medrosa), além do medo me cutucar no pôster da <a href="http://personaunesp.com.br/o-enigma-de-outro-mundo-terror-oitentista-excelencia/"><em>Enigma de Outro Mundo</em></a> (1987). Como criança, o medo parecia morar nas capas escuras com algum monstro (ou parte dele) em evidência e, no verso dos VHS/DVD’s, o terror era acionado apenas com as melhores direções de arte e maquiagem.<span id="more-8744"></span></p>
<p>As transfigurações dos atores e as máscaras de látex estavam no seu auge, e Carpenter, obviamente, era responsável por isso. O próprio Michael Myers, o assassino da franquia <em>Halloween,</em> é tão bem conhecido por máscara de borracha, além de ser um forte símbolo dos <em>slasher</em>, gênero que Carpenter também ajudou a <a href="http://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/">colocar no mapa</a>.</p>
<p>Seu quinto filme que esse ano faz 30 anos, <em>Príncipe das Sombras </em>(Prince of Darkness, no original), não é uma exceção. Mas aqui, seus elementos marcantes são usados suavemente e, não por coincidência, é um grande longa pouco reconhecido de sua carreira.</p>
<figure id="attachment_8745" aria-describedby="caption-attachment-8745" style="width: 594px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8745" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs-1024x791.jpg" alt="capa brasileira o princípe das sombras" width="594" height="458" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs-1024x791.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs-300x232.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs-768x593.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs-1200x927.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/vhs.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 594px) 85vw, 594px" /><figcaption id="caption-attachment-8745" class="wp-caption-text">capa da versão em VHS no Brasil com incríveis modificações na arte original (Créditos: Casa do VHS)</figcaption></figure>
<p><em>Príncipe das Sombras</em> trata de seitas secretas, possessões demoníacas, outras dimensões, mensagens do futuro e, claro, muitas mortes que Carpenter trata-as com fina coesão. No filme, é descoberto um segredo mantido pela Igreja Católica por séculos. Trata-se de um vasilhame que contém um líquido verde espesso com movimentação própria que, posteriormente, descobre-se ser o filho de satanás.</p>
<p>Ok, isso parece engraçado. Não devemos esquecer que a carreira do diretor está pautada num gênero que muitas vezes é confundido com o <em>trash</em> (ou não queremos dizer que isso é um gênero só). Mas a artimanha de Carpenter é fazer essa história se tornar verossímil. E, acredite, ele consegue.</p>
<figure id="attachment_8751" aria-describedby="caption-attachment-8751" style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/possessa.jpg" alt="demônio o princípe das sombras" width="598" height="240" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/possessa.jpg 895w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/possessa-300x121.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/possessa-768x309.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 598px) 85vw, 598px" /><figcaption id="caption-attachment-8751" class="wp-caption-text">Mulher cientificamente comprovada que está possuída</figcaption></figure>
<p>Quer dizer, sem muitas exigências, o vaso verde é colocado a prova – como nós mesmos fazemos ao assistir ao filme – do rigor científico. Carpenter opta por não colocar meia dúzia de adolescentes sarados com um bastão de beisebol para tentar cacetar a cabeça do tinhoso. Para desvendar o problema, é selecionado a mais <em>high society</em> universitária para entender as origens e os efeitos do vaso com ectoplasma verde.</p>
<figure id="attachment_8748" aria-describedby="caption-attachment-8748" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8748 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas-1024x576.jpg" alt="cientistas o princípe das sombras" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/cientistas.jpg 1777w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8748" class="wp-caption-text">Time de cientistas na igreja chegando a conclusão que Jesus era um extraterrestre</figcaption></figure>
<p>“Eu estava fazendo muitas leituras sobre física teórica e teoria atômica, e achei isto incrível. Não só incrível, mas também como isso estava transformando a verdade de tudo”, conta o próprio Carpenter em sua biografia sobre a escolha de seus personagens. Mesmo que não são sejam discutidas a fundo, seus levantamentos relacionados a ciência estão impregnados por todo o filme entrelaçando-os, inclusive, com a ficção científica.</p>
<p>Este ponto traz aspectos muito interessantes pois fazem um contraponto entre a derrota do satã pelos métodos ortodoxos (cruz e bíblia) ou através da racionalidade da ciência. As conversas entre o padre e o professor de física teórica parecem ser, pelo menos para Carpenter, vindas de um mesmo método ou universo. Para ambos, a mudança em nível subatômico no mundo é ilógica sob interferências externas. Isso explica a divindade, a partícula divina em cada uma das coisas.</p>
<p>No filme, isso é simplificado como nas cenas com os mendigos da rua ficam absortos pela experiência que há de passar a humanidade e fixam seus olhos sob a igreja esperando que algo aconteça ou não, da mesma forma que o experimento mental do <a href="http://www.feiradeciencias.com.br/sala23/23_ma14.asp">Gato de Schrödinger</a> afrouxa a mecânica quântica clássica.</p>
<figure id="attachment_8749" aria-describedby="caption-attachment-8749" style="width: 588px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/medigos.jpg" alt="alice cooper o princípe das sombras" width="588" height="250" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/medigos.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/medigos-300x128.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 588px) 85vw, 588px" /><figcaption id="caption-attachment-8749" class="wp-caption-text">Alice Cooper e seus fãs simulam o experimento do Gato de Schrödinger no filme</figcaption></figure>
<p>Então, por mais incrível que pareça, <em>Príncipe das Sombras</em> tenta fazer as pazes entre ciência e religião através de suas teorias científicas ou mesmo através de especulação (a melhor delas é que Cristo era um extraterrestre). <em>“Nossa tecnologia não desenvolveu um transmissor suficientemente forte para alcançar seu estado consciente acordado, mas isso não é um sonho.”</em> A emissão de um vídeo vindo do futuro através de sonho é tanto esteticamente inovadora quanto coerente, e nos faz lembrar outros grandes antecessores como <em>Videodrome</em> (1983) de David Cronemberg e <em>Viagens Alucinantes</em> (1980) de Ken Russel, sem contar a predisposição por insetos de <em>Phenonema</em> (1985) do outro estranho Dario Argento.</p>
<p>Mas Carpenter também é original e estingante. Assim como os versos das capas de filme de terror, a pata do demônio aparecendo só de leve mostra que o longa não quer ser explícito, e que muito menos o medo reside em uma auto concretização. Há um sentimento de tensão que ronda o filme todo, mesmo que ele seja estragado por diálogos ruins e péssimas interpretações.</p>
<figure id="attachment_8750" aria-describedby="caption-attachment-8750" style="width: 784px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8750 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pata.jpg" alt="pata demônio princípe das sombras" width="784" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pata.jpg 784w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pata-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/10/pata-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8750" class="wp-caption-text">De difícil identificação, a pata do demônio está ao lado esquerdo da imagem</figcaption></figure>
<p>Da mesma forma que o filme abstrai o sentido do medo, também temos que abstrair o filme como um todo para não nos decepcionarmos com esses vieses. Mas nada que atrapalhe o produto final que é embalado por uma trilha sonora recompensatória e sem falhas composta pelo próprio Carpenter e seu parceiro de longa data, Allan Howart.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/NeVrqRehRBI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>E embora não esteja entre os favoritos de Carpenter, <em>Príncipe das Sombras</em> é o auge da carreira do diretor e dá chão para um dos filmes mais estingantes do diretor, <em>Eles Vivem,</em> que seria lançado no ano seguinte. A preferência de temas relacionados a teorias da conspiração também são os temas comuns aos anos 80, mas que hoje são escassos nas prateleiras do gênero.</p>
<p>O longa perdeu força no cinema atual que hoje vê suas produções que fazem essa fusão de elementos somente no intitulado <a href="http://us15.campaign-archive1.com/?u=e11e2a49cacf32b1bb20f508b&amp;id=823d68bf02">pós-terror</a>. Sentimos saudades não só de títulos obscuros nas prateleiras de locadora (e das prateleiras também), mas de um mestre do terror que faz falta tanto pelas máscaras de borrachas quanto por sua ousadia.<br />
<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/PKI2kI6Flw0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>The End of Evangelion e a transcendência violenta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2017 23:54:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Os 26 episódios de Neon Genesis Evangelion já bastariam como justificativa para o culto quase fervoroso acerca do anime: seu teor filosófico ainda ecoa fortemente na geração Y, cada vez mais acometida pela depressão, e dialoga também com a parte de pancadaria da série. O único possível porém seria para o final que, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-evangelion/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The End of Evangelion e a transcendência violenta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8304" aria-describedby="caption-attachment-8304" style="width: 724px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8304" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54-724x1024.png" alt="O pôster original traduzido em inglês: bastante convidativo para um programa de fim de semana" width="724" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54-724x1024.png 724w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54-212x300.png 212w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54-768x1086.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54-1200x1696.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/ExIJS54.png 1415w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8304" class="wp-caption-text">O pôster original traduzido em inglês: bastante convidativo para um programa de fim de semana</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Os 26 episódios de <i>Neon Genesis Evangelion</i> já bastariam como justificativa para o culto quase fervoroso acerca do anime: seu teor filosófico ainda ecoa fortemente na geração Y,<a href="http://g1.globo.com/bemestar/noticia/depressao-cresce-no-mundo-segundo-oms-brasil-tem-maior-prevalencia-da-america-latina.ghtml"> cada vez mais acometida pela depressão</a>, e dialoga também com a parte de pancadaria da série. O único possível porém seria para o final que, apesar de compreensível em seu tom mais leve (não à toa, virou meme), talvez não fosse o ideal e nem o mais realista &#8211; nós adoramos desfechos felizes para distúrbios existenciais, mas não nos contentamos sem ver toda a trajetória sofrida do protagonista que, no fim, tomamos como projeções de nós mesmos.<span id="more-8302"></span></p>
<p>Isso mudou no ano de 1997, com a estreia do filme <i>The End of Evangelion</i>. O longa foi concebido por Hideaki Anno como um encerramento alternativo para a saga &#8211; as duas partes da película funcionam como substitutas para os capítulos 25 e 26 da TV &#8211; e funciona muito bem como tal. Mas essa definição é muito limitada, ainda mais para uma das obras mais viscerais projetadas em tela; se a própria ideia de fornecer duas opções como finais já carrega grande complexidade semântica, a execução de Anno eleva as coisas a um patamar ainda maior. A existência <i>per se</i> de uma dualidade não basta para o diretor, e este faz questão de não utilizar didatismos em nenhuma ocasião.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="PARABAINS 10 HORAS" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/1Mcdh2Vf2Xk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><em>O final do anime: quando um meme é um dos maiores spoilers divulgados na rede</em></p>
<p>Se a amistosidade dos aplausos recebidos pelo protagonista Shinji Ikari na televisão impõe certa dificuldade para o espectador, acostumado com a verve caótica do enredo, a versão em cinema mexe com a sensação de desconforto em níveis ainda mais doentios. Um breve resumo sobre o enredo confunde mais os leigos da série do que esclarece, e acaba por não englobar todos os prismas pincelados ao longo de uma hora e meia. Tratemos de um modo menos específico, então.</p>
<p>Como filme de guerra, <i>The End of Evangelion</i> é quase tão apocalíptico como a obra-prima russa <i>Vá e Veja</i> (1985), tanto por seu realismo impiedoso quanto pela natureza gráfica: os protagonistas são adolescentes imaturos e confusos, e logo se veem no centro de um conflito armado que não só não poupa mulheres e jovens, como mostram estas mortes de maneira explícita. Hideaki também já trabalhava com a ideia de que o ambiente virtual seria parte intrínseca do cenário bélico e, mesmo vinte anos depois, a tensão política do enredo parece não ter envelhecido um segundo; militantes inflamados de qualquer espectro político podem encontrar paralelos no filme com a atualidade. Acima de tudo, porém, o filme acerta ao cravar que “o ser humano é a única espécie capaz de odiar seus semelhantes”.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IQrXRBh94IA?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><em>O quadro O Grito, de Edvard Munch, claramente foi inspirado no momento acima</em></p>
<p>Na esfera psicológica, essa contemporaneidade é ainda mais interessante. Shinji, piloto da unidade 01 dos Evangelion (os robôs gigantes que não são robôs, e sim tentativas de recriação da imagem de deus), tem o destino da humanidade em suas mãos, mas ainda é uma criança deprimida e confusa com os limites da pŕopria libido. Valeria a pena salvar o planeta do Terceiro Impacto (aniquilação em massa) se temos medo das pessoas? É no ato de abraçar estas contradições que mora o diferencial da obra. Ao contrário do que prega o simbolismo-fatalista-pós-moderno-onde tudo é literal, o ser humano não necessariamente é apenas uma coisa o tempo todo.</p>
<p>Nenhum personagem do núcleo é unilateral. O desenvolvimento das mulheres em Evangelion merece menção especial, nestes tempos: ainda que rodeadas por certo misticismo, todas são figuras imponentes. <i>The End of Evangelion</i> nos lembra que essa multipolaridade de personalidades causa estranhamento por ser algo muito individual, mas que estas particularidades são comuns a todos os seres humanos. Cabe a cada um compreender os limites do outro, antes de impor julgamentos como verdades absolutas.</p>
<figure id="attachment_8305" aria-describedby="caption-attachment-8305" style="width: 704px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/im-so-fucked-up-end-of-evangelion.jpg" alt="Clássica fração da cena inicial: dos momentos em que você percebe que VAI DOER" width="704" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/im-so-fucked-up-end-of-evangelion.jpg 704w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/im-so-fucked-up-end-of-evangelion-300x205.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8305" class="wp-caption-text">Clássica fração da cena inicial: dos momentos em que você percebe que VAI DOER</figcaption></figure>
<p>O diretor utiliza das próprias estruturas técnicas para brincar com essa dualidade. A trilha sonora para os momentos violentos é composta por música erudita ou pop, e tal contraste extrai beleza do horror, ao passo em que a experimentação com quadros fora da animação e narrativa fragmentadas mostram a real importância da quebra da quarta barreira. Não se trata da obra falar com o público por questões de vanguardismo. O caso aqui é emergir o subconsciente de cada espectador e mostrar que a barreira entre ficção e realidade na arte é ele, e não o artista, quem deve estabelecer ou romper.</p>
<p>As nomenclaturas religiosas transpostas para a área militar em Evangelion, por exemplo, não são simbólicas. São práticas. Todo um sentido foi apropriado e reconstruído. A função da arte não deve ser a de fornecer respostas em uma existência representativa, e sim a de incitar perguntas em um processo ativo. Na obra-prima de Hideaki Anno, esta tarefa é cumprida com louvor, e cada revisão impressiona mais. Não porque os elementos centrais se sustentam sozinhos: a cada nova observação, detalhes novos surgem no horizonte. Os eternos debates sobre a famigerada cena final são o melhor exemplo; uma interpretação plausível não precisa ser a única. O conforto da sensação de familiaridade se une à consciência de que sempre existirá algo além da superfície para explorar. Transcendência é a palavra.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-8306" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-1024x1024.jpg" alt="DisINALIEN" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/DisINALIEN.jpg 1425w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Ainda mais gratificante que analisar trabalhos com tamanha potência é reparar como outros artistas utilizam deles, como base para suas criações (ou interpretações, talvez) igualmente poderosas. É o caso do último disco do trio de grindcore Discordance Axis, <i>The Inalienable Dreamless</i> (2000). A influência de Evangelion é escancarada já nos títulos das canções (“Angel Present”, “The Third Children”, “The End of Rebirth”), e o conteúdo sonoro também se relaciona com a estética perturbadora do filme. Os vocais de Jon Chang pegam a expressividade dos gritos de Shinji em <i>The End of Evangelion </i>e a transforma de algo pontual para uma experiência maior e mais desafiadora. A alternância entre gritos e urros graves profundos aumenta o peso do álbum, e nos lembra da questão de várias possibilidades em uma personalidade.</p>
<p>Já suas letras (sim, elas existem no meio da gritaria!) mostram um teor poético incomum para o gênero, e isto vai além da citação de T.S. Eliot em “Pattern Blue”. Seus versos conciliam metáforas oníricas a descrições angustiantes, e sua abordagem intensa não se prende a métricas padrões &#8211; vide a cataclísmica “A Leaden Stride to Nowhere” e seu tempo esquisito. “The Necropolitan” é um bom exemplo do lirismo de Chang, quase <i>plathiano</i> em sua rejeição à natureza e na agressividade em que trata a intimidade humana:</p>
<blockquote><p>The last few years here seemed a lifetime</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Sincerly) alone again I masturbate</p>
<p>But it feels more like rape</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lean back and bask bask in the sunshine</p>
<p>Even it doesn&#8217;t make me seem seem more alive</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Poisonous cares without words are expressed</p>
<p>How could I resist such a polite feign of death</p>
<p>Touch me oh please I want to know that it&#8217;s real</p>
<p>And if it&#8217;s not it&#8217;s better just to pretend</p></blockquote>
<p>O instrumental não fica atrás. Curioso notar como a banda soa tão plena em seu peso sem grandes recursos: os bumbos suprem a ausência de baixo, os timbres monstruosos de guitarra são obtidos com afinação apenas em um tom abaixo e os acordes dissonantes executados por Rob Marton nas cordas são relativamente fáceis de aprender &#8211; como mostram os arquivos compartilhados por Andrew Childers, <a href="https://www.amazon.com/Compiling-Autumn-Discordance-Inalienable-Dreamless/dp/1468110322">autor de um livro sobre o álbum</a>, <a href="http://grindandpunishment.blogspot.com.br/2012/02/grind-part-slayer-part-garbage-to-end.html">em seu blog</a>. Impressiona também o quão cinematográfica a banda soa, variando de riffs esquizofrênicos à transições mais tradicionais em músicas que, não raro, não chegam a dois minutos de duração. O disco inteiro soma 23 minutos, espalhados em 17 faixas, tempo equivalente a um episódio regular de Evangelion.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Discordance Axis - 5.13.01 - Last Show" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/USJetl0jpbQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><em>A intensidade da banda transposta para o palco em sua apresentação final: o guitarrista que gravou o disco abandonou o grupo antes da turnê por ter adquirido convulsões por ficar muito pertos dos amplificadores (pelo vídeo, parece legítimo)</em></p>
<p>Ainda que existam debates sobre o <em>grindcore</em> ser ou não subgênero do metal, é uma imbecilidade não aceitar <i>The Inalienable Dreamless </i>como parte do estilo. Toda a estética do LP dialoga com obras do mesmo período, tidas como seminais no metal moderno (<a href="https://www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=3&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=0ahUKEwjChNn4uZbVAhXKE5AKHbwDBtEQFggyMAI&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.edicoesideal.com%2Fnos-somos-a-tempestade-vol-2-conversas-sobre-o-metal-alternativo-pelo-mundo%2F&amp;usg=AFQjCNG5711_mGRUm19XZwa0JKLVKTQlGA">ou metal alternativo, como trata o jornalista Luiz Mazetto nos livros Nós Somos a Tempestade</a>), e essa aproximação do Discordance Axis com temas tabus (baseados em anime, mídia tabu no gênero), abordados de modo filosófico em um produto tão compacto é de uma vanguarda notável. Não à toa, é um dos poucos títulos do grindcore <a href="http://fuckedbynoise.blogspot.com.br/2013/05/the-inalienable-dreamless-discordance.html">onde críticas fazem questão de mencionar beleza</a>, por mais contraditório que possa soar. A bela capa pode sugerir contemplação, mas o conteúdo emana uma aura quase invasiva: não é possível sentir essa música e permanecer indiferente, assim como não dá pra ficar ileso às provocações do filme.</p>
<p>Cabe citar a fala mais marcante do filme: <i>o destino da destruição é também a alegria do renascimento</i>. Afinal, a transcendência real é um processo violento, que demanda conexões com faces grotescas da existência para só assim enxergarmos de outra maneira e experinciarmos sensações legitimamente novas. <i>The End of Evangelion</i> e <i>The Inalienable Dreamless </i>podem ser pontos finais nas trajetórias dos artistas, mas ainda representam grandes aberturas iniciais para quem estiver disposto a encará-los de maneira profunda. Só entre no maldito robô, Shinji.</p>
<iframe loading="lazy" width="100%" height="120" style="position: relative; display: block; width: 100%; height: 120px;" src="//bandcamp.com/EmbeddedPlayer/v=2/album=919144520/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/" allowtransparency="true" frameborder="0"></iframe>
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		<title>Yu-Gi-Oh!: só o demônio explica</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2017 18:54:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Games]]></category>
		<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Satã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira No último dia 18, Yu-Gi-Oh! Duel Links foi lançado oficialmente em território nacional. O game está disponível gratuitamente na App Store de dispositivos móveis, e suas únicas exigências são conexão com a Internet e permissão para compras no aplicativo &#8211; sem espionagem aqui, crianças, fiquem tranquilas! As boas notícias não param aí. Os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yu-gi-oh-duel-links-forbidden-memories/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Yu-Gi-Oh!: só o demônio explica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_7194" aria-describedby="caption-attachment-7194" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7194" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/yu-gi-oh-duel-links-android-ios-preview.jpg" alt="Seto Kaiba e Yami Yugi: o coração das cartas" width="900" height="467" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/yu-gi-oh-duel-links-android-ios-preview.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/yu-gi-oh-duel-links-android-ios-preview-300x156.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/yu-gi-oh-duel-links-android-ios-preview-768x399.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7194" class="wp-caption-text">Seto Kaiba e Yami Yugi: o coração das cartas</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>No último dia 18, <i>Yu-Gi-Oh! Duel Links</i> foi lançado oficialmente em território nacional. O game está disponível gratuitamente na App Store de dispositivos móveis, e suas únicas exigências são conexão com a Internet e permissão para compras no aplicativo &#8211; sem espionagem aqui, crianças, fiquem tranquilas!<span id="more-7146"></span></p>
<p>As boas notícias não param aí. Os fãs do jogo de cartas físico enfim poderão aproveitar um título da série sem tantos prejuízos: graças à sacada esperta de colocar as regras originais acima de gráficos elaborados, <i>Duel Links </i>possibilita duelos mais dinâmicos, próximos ao que o baralho oferecia. Mas a parte visual não deixa a desejar, e tanto as animações 3D especiais como as representações dos monstros fora dos requadros das cartas são bem feitos.</p>
<p><iframe loading="lazy" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/FhuHLtmcuW8?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Completam o pacote um catálogo vasto de cartas colecionáveis e vários personagens adicionais, que vão sendo desbloqueados conforme o jogador cumpre os requisitos. A nostalgia certamente despertará na geração que acompanhava o <i>anime</i> na saudosa TV Globinho (ou no canal pago Nickelodeon) e comprava os <i>decks</i>, tanto os originais caríssimos quanto as miniaturas piratas, compráveis com moedinhas. Apesar de não oferecer muita variação, a curva de desafio do <i>game</i> força constantes repensagens de estratégia, e assim se torna viciante &#8211; também ajuda a presença de um chat global embutido, que facilita na busca de novos duelos online.</p>
<p>Não que o aplicativo esteja isento de falhas: apesar do display centralizado fornecer uma visão panorâmica para o usuário, pouca explicação é fornecida em relação a cada comando. Pra piorar, conforme o jogador sobe de nível, vai recebendo mais e mais itens e logo se confunde (alguns deles só terão alguma serventia em fases mais avançadas). Mais comum do que pessoas te chamando para um duelo no chat, só gente perguntando: “pra que servem as moedas?”, “como uso as chaves?” e afins. A interface contraditória já se mostra como principal afungentador de menos aficionados, ao lado da trilha sonora pomposa.</p>
<p><iframe loading="lazy" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/YoqNCvhq-Po?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Todavia, não é a primeira vez em que um título da série atrai público por seu funcionamento bizarro &#8211; há quinze anos atrás, saía na América do Norte o clássico cult-podrão de PlayStation, <i>Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories</i>. A dificuldade vai do nível iniciante ao impossível em questão de minutos, e é simplesmente impossível alguém zerar o modo campanha em uma tacada só. As cartas mais fortes dos decks iniciais não costumam passar dos 1500 pontos de ataque, e conseguir monstros melhores é uma tarefa hercúlea: ganhar de um oponente difícil em dois turnos ou de um oponente médio em dez pode te render a mesma recompensa.</p>
<p>Além disso, as regras de <i>Forbidden Memories</i> quase nunca coincidem com as originais elaboradas por Kazuki Takahashi, e aqueles que não se rendem a detonados são forçados a experimentar novecentas possibilidades de fusões. O êxtase de gerar um “Twin-Headed Thunder Dragon” (ATK/2800 DEF/2100) muitas vezes é interrompido graças a uma carta intrusa na combinação, e com magias o negócio pode ser mais bizarro ainda (uma delas, por exemplo, só pode ser equipada a monstros chifrudos e bonzinhos).</p>
<figure id="attachment_7197" aria-describedby="caption-attachment-7197" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault-1024x576.jpg" alt="Antes do sexo, este foi o auge de muitas adolescências" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/maxresdefault.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7197" class="wp-caption-text">Antes do sexo, este foi o auge de muitas adolescências</figcaption></figure>
<p>Assim, quem se dispõe a usar seu tempo para finalizar o jogo não o faz para colecionar as cartas ou descobrir o final do enredo: a saga se torna um objetivo de elevação, tanto contra a máquina como em nível pessoal. O computador passa a ser um inimigo real para o jogador frustrado, que então se propõe a superar os vilões competitivos e os absurdos do sistema, simultaneamente. O pior é que ainda existe a hipótese de alguém zerar <i>Forbidden Memories </i>na sorte, com um baralho mediano, e depois ainda insistir em adquirir cartas poderosas &#8211; e lá vamos nós novamente…</p>
<p>Felizmente, em <em>Duel Links</em> essa insanidade é impedida &#8211; a dificuldade está lá, mas as opções para melhorar também. No entanto, a exigência por estratégias cada vez mais abrangentes também se revela complexa, e tende a afastar os impacientes após algumas rodadas. Novamente, uma análise mais próxima revela que o aplicativo funciona mais como exercício cerebral pesado do que como mera atividade lúdica infantil.</p>
<p>No fim, a polêmica afirmação feita pelo apresentador <a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoqNCvhq-Po" target="_blank">Gilberto Barros</a> em 2003 não é isenta de verdade. Para uma franquia que nunca foi um real estouro no Brasil ainda atrair fãs, mesmo sem emplacar inovações e com defeitos escancarados, só com muita energia do Tinhoso<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> ao redor. Mas há de se admitir que, embora cheio de entraves, os dois jogos são passatempos divertidíssimos &#8211; e ainda levam a vantagem de permanecerem firmes diante do teste do tempo, ainda que para um público restrito. Então comece a montar seu baralho e se prepare: é hora do duelo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/13722273_1215230861841322_1890272381_n.jpg" alt="13722273_1215230861841322_1890272381_n" width="600" height="405" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/13722273_1215230861841322_1890272381_n.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/13722273_1215230861841322_1890272381_n-300x203.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
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		<title>Os melhores discos de Outubro/2016</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2016 21:50:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores Discos]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Satã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matheus Fernandes e Nilo Vieira Dentre halloween, eleições, shows e fins de semestre, outubro foi realmente um mês macabro. A aura desses últimos trinta e um dias foi tão bizarra que afetou até nossa curadoria mensal, bem divida: um lado selecionou as melhores trevosidades, enquanto o outro trouxe lançamentos mais ensolarados para balancear. Tem para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-outubro-2016/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os melhores discos de Outubro/2016"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-6111" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/11/25jul2016-o-ex-senador-eduardo-suplicy-pt-foi-detido-por-tentar-impedir-a-reintegracao-de-posse-que-acontece-no-bairro-jardim-raposo-tavares-em-sao-paulo-depois-de-sentar-no-meio-da-rua-ele-foi-1469.jpg" alt="25jul2016-o-ex-senador-eduardo-suplicy-pt-foi-detido-por-tentar-impedir-a-reintegracao-de-posse-que-acontece-no-bairro-jardim-raposo-tavares-em-sao-paulo-depois-de-sentar-no-meio-da-rua-ele-foi-1469" width="956" height="500" /></p>
<p><strong>Matheus Fernandes e Nilo Vieira</strong></p>
<p>Dentre <em>halloween</em>, eleições, <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/10/mayhem-em-sao-paulo-uma-celebracao-macabra/" target="_blank">shows</a> e fins de semestre, outubro foi realmente um mês macabro. A aura desses últimos trinta e um dias foi tão bizarra que afetou até nossa curadoria mensal, bem divida: um lado selecionou as melhores trevosidades, enquanto o outro trouxe lançamentos mais ensolarados para balancear. Tem para todos os gostos, como você pode conferir abaixo.</p>
<p><span id="more-5990"></span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-5992 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/40318_1.jpg" alt="40318_1" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/40318_1.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/40318_1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/40318_1-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Deathspell Omega &#8211; The Synarchy of Molten Bones</strong></h3>
<p><em>black metal torto</em></p>
<p>O anúncio deste material, no começo do mês, veio tão repentino quanto o seu lançamento digital adiantado (ontem &#8211; a data para os formatos físicos continua em novembro). Melhor surpresa que essa foi só constatar que, apesar dos quatro anos em silêncio, a música do obscuro grupo francês não só permanece poderosa como também mostra variações muito bem vindas: cadências com mais <em>groove</em> contrastam com a absurda quantidade de dissonâncias e quebra de métricas em &#8220;apenas&#8221; meia hora de som, além de elementos climáticos sempre bem colocados &#8211; Gorguts, Mayhem e Eric Dolphy certamente sorririam ao escutar esse amálgama complexo.</p>
<p>Se isto é um álbum completo ou ep, pouco importa; trata-se de mais uma bela adição à já estupenda discografia de uma das melhores bandas do metal moderno. Ouça gratuitamente no <a href="https://deathspellomega.bandcamp.com/album/the-synarchy-of-molten-bones" target="_blank">bandcamp</a>. <strong>(NV)</strong></p>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-6056 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/11/229949.jpg" alt="229949" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/229949.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/229949-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/229949-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Jeff Rosenstock &#8211; Worry</strong></h3>
<p><em>pop punk</em></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Em um mês que viu o Green Day lançar mais um álbum decepcionante, o ex-vocalista da banda de ska Bomb The Music Industry! mostra como o pop-punk moderno deveria ser.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Worry traz 17 músicas curtas que misturam problemas pessoais com críticas à gentrificação e os problemas econômicos da juventude norte-americana, tudo acompanhado por refrões grudentos e diversos momentos para cantar junto. Worry reúne toda a influência do melhor Power Pop e Pop-Punk, em um dos discos mais energéticos do ano. <strong>(MF)</strong></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/z7MPzv78cWs?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-5996 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/artworks-000178223549-8y57tq-t500x500.jpg" alt="artworks-000178223549-8y57tq-t500x500" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/artworks-000178223549-8y57tq-t500x500.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/artworks-000178223549-8y57tq-t500x500-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/artworks-000178223549-8y57tq-t500x500-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Kero Kero Bonito &#8211; Bonito Generation</strong></h3>
<p><em>electropop, pc music</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ligado ao movimento PC Music, o grupo Kero Kero Bonito é um dos projetos mais interessantes da música pop atual, com uma mistura bilíngue de J-Pop, música eletrônica e efeitos sonoros saídos de um N64, norteado por uma estética aceleracionista e hiperrealista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu novo disco o trio liderado por Sarah Bonito mantém essas características, mas expande o som em novas direções, como o Dream Pop, o Synth Pop e o House. Ouça antes que fique ainda mais famoso. <strong>(MF)</strong></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4aQBkCrpWOg?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-5997 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/krypts-remnants-of-expansion-e1473463451682.jpg" alt="krypts-remnants-of-expansion-e1473463451682" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/krypts-remnants-of-expansion-e1473463451682.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/krypts-remnants-of-expansion-e1473463451682-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/krypts-remnants-of-expansion-e1473463451682-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Krypts &#8211; Remnants of Expansion</strong></h3>
<p><em>death metal atmosférico</em></p>
<p>Na contramão das centenas de lançamentos ultra técnicos, melódicos e por vezes masturbatórios do estilo, esta banda finlandesa centrou seus esforços em uma curta odisseia climática. Ao invés de desfilar metralhadoras de riffs, as guitarras ressoam sombrias o tempo necessário e ditam o ritmo, enquanto a performance vocal é discreta e efetiva.</p>
<p>Expansivo e ao mesmo tempo minimalista, o segundo disco do Krypts leva o ouvinte para uma jornada no vácuo do espaço sideral (ou talvez no vácuo que seja a existência humana). Viciante, o álbum desce redondo e é destaque certo no <em>underground</em> metálico. <strong>(NV)</strong></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/RU9WnNl0zvc?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-6000 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/69e15a12aa20c4393b401b9e4b893f45.jpg" alt="69e15a12aa20c4393b401b9e4b893f45" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/69e15a12aa20c4393b401b9e4b893f45.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/69e15a12aa20c4393b401b9e4b893f45-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/69e15a12aa20c4393b401b9e4b893f45-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Leonard Cohen &#8211; You Want It Darker</strong></h3>
<p><em>folk</em></p>
<p>Octogenário, o poeta e cantor natural de Montreal &#8211; rotulado erroneamente por alguns como &#8220;o Bob Dylan canadense&#8221; &#8211; recentemente chamou a atenção da mídia em dois relatos envolvendo a morte: no primeiro, <a href="http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/04/cultura/1470302558_140886.html" target="_blank">se despedia de uma de suas musas </a>e no outro, declarou sem pudores que <a href="https://www.theguardian.com/music/2016/oct/12/leonard-cohen-i-am-ready-to-die" target="_blank">estava pronto para morrer</a>. Desse modo, não é de se espantar que seu décimo quarto já dê o tom logo no título e, obviamente, a música siga na mesma linha.</p>
<p>Entre os dedilhados típicos no violão que o consagraram, pequenas valsas ao piano e arranjos de cordas, a atmosfera melancólica é constante nos trinta e seis minutos dispostos em nove faixa. Nas letras, a voz rouca de Cohen entoa reflexões sobre o tempo, deus e amores passados; pronto pra morrer? Que nada, sua arte soa mais vivaz e autêntica como nunca. <strong>(NV)</strong></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v0nmHymgM7Y?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-6095 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/11/artworks-000183422588-ts13kr-t500x500.jpg" alt="artworks-000183422588-ts13kr-t500x500" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/artworks-000183422588-ts13kr-t500x500.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/artworks-000183422588-ts13kr-t500x500-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/artworks-000183422588-ts13kr-t500x500-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>NxWorries &#8211; Yes Lawd!</strong></h3>
<p><em>hip-hop</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A revelação Anderson .Paak, responsável por alguns dos melhores sons do ano, aparece de novo em nossa lista, dessa vez com o debut de seu grupo NxWorries, parceria com o produtor Knxwledge.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Yes Lawd! foi lançado pela Stones Throw, casa dos lendários DOOM, Madlib e J Dilla, e reflete o passado da casa, com sua influência soul, produção heterodoxa e a busca por samples alternativos. Sobra até para o brasileiro Cassiano, que tem “Onda” reinterpretada em “Link Up”. O disco é longo, são 19 faixas, mas leve e interessante. Um dos destaques de Setembro. <strong>(MF)</strong></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zNTNbNtft9g?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-6004 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/sabotage.jpg" alt="sabotage" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/sabotage.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/sabotage-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/sabotage-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Sabotage &#8211; Sabotage</strong></h3>
<p><em>hip hop</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">13 anos depois de ser assassinado, o rapper Sabotage ganha um álbum póstumo. Feito à partir de versos gravados em seus últimos dias, “Sabotage” é produzido por antigos parceiros do rapper, como Daniel Ganjaman, Rica Amabis e Tejo Damasceno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com letras que permanecem atuais após todo esse tempo, assim como os problemas sociais do país, “Sabotage” vai além da homenagem, e é um disco sólido que mostra todo o potencial do autor de “Rap é Compromisso”, interrompido pela violência brutal e sem sentido. <strong>(MF)</strong></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/r7Njbkuzuv4?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-6006 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/ulcerate-shrines_of_paralysis.jpg" alt="ulcerate-shrines_of_paralysis" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/ulcerate-shrines_of_paralysis.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/ulcerate-shrines_of_paralysis-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/ulcerate-shrines_of_paralysis-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<h3><strong>Ulcerate- Shrines of Paralysis</strong></h3>
<p><em>death metal técnico</em></p>
<p>Um dos principais nomes do<em> death metal</em> da década passada, o som desse trio oriundo da Nova Zelândia é dos bons exemplos onde a técnica é parte das composições e não o inverso. O resultado é um som multifacetado e claustrofóbico, com as linhas de bateria se sobressaindo como o grande destaque.</p>
<p>Se antes o som do grupo podia ser definido como uma espécie de fusão entre a cacofonia do Gorguts e o <em>sludge</em> reflexivo do Neurosis, aqui a figura muda um pouco: é como se o Deathspell Omega se pusesse a tocar pós-metal. Referências à parte, o disco é intrincado e demanda diversas audições atentas antes de um veredito preciso. No entanto, os mais aventurosos verão que o esforço não terá sido em vão. Boa via-, digo, boa sorte. <strong>(NV)</strong></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ev4PS7Fk6j8?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify:user:12143155157:playlist:2WB9jlVzNqWQkHQR4b5Ht6" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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		<title>Slayer: 30 anos da epidemia sangrenta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2016 23:40:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Satã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira “O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência!” &#8211; Zé do Caixão Lançado em outubro de 1986, Reign in Blood é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/slayer-epidemico-sangrento/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Slayer: 30 anos da epidemia sangrenta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5925" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/slayer-reign-in-blood-album-cover.jpg" alt="slayer-reign-in-blood-album-cover" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayer-reign-in-blood-album-cover.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayer-reign-in-blood-album-cover-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayer-reign-in-blood-album-cover-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></i><i><br />
</i><strong>Nilo Vieira</strong><i><br />
</i></p>
<p><i>“O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o <strong>sangue</strong>? É a razão da existência!” </i>&#8211; Zé do Caixão<i><br />
</i></p>
<p><em><b>L</b></em>ançado em outubro de 1986, <i>Reign in Blood</i> é o terceiro disco do Slayer, quarteto californiano de <i>thrash metal</i>. No entanto, apesar de possuir antecessores, é considerado pelo guitarrista Kerry King como o primeiro álbum “legitimamente Slayer”, onde o grupo enfim encontrou sua própria identidade e as influências da New Wave of British Heavy Metal (presentes na estreia <i>Show No Mercy</i>) ou do Mercyful Fate (crucial para as composições de <i>Hell Awaits</i> serem mais longas) não mais transpareciam.</p>
<p><span id="more-5912"></span></p>
<p><em><b>Ú</b></em>nico não somente na discografia da banda, o disco caiu como uma bomba no cenário metálico oitentista. Com menos de trinta minutos de duração dispostos em dez faixas, <i>Reign in Blood</i> elevou o conceito de peso sonoro a outro patamar: as letras eram brutais, a entrega vocal de Tom Araya assustava por sua intensidade, o timbre das guitarras soava cortante e, talvez o maior destaque, as linhas de bateria eram simplesmente de outro mundo &#8211; não à toa, Dave Lombardo receberia o apelido de “padrinho do bumbo duplo”, além do andamento mais comum do disco ter ficado conhecido informalmente como “a batida Slayer”. Embora trabalhos como a estreia homônima do <i>Bathory</i> (1984) e <i>Seven Churches</i> (1985), do Possessed, tenham sido lançados antes, não é errôneo afirmar que foi o terceiro disco do Slayer o grande responsável por estabelecer as bases do que é conhecido como <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/09/07/brasil-um-pais-de-extremos/">metal extremo</a> até os dias de hoje, da pintura sinistra que ilustra a capa até ao <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/10/mayhem-em-sao-paulo-uma-celebracao-macabra/" target="_blank">radicalismo do “metal way of life”</a>.</p>
<figure id="attachment_5943" aria-describedby="caption-attachment-5943" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5943" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/slayer-bleeding.jpg" alt="slayer-bleeding" width="650" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayer-bleeding.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayer-bleeding-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-5943" class="wp-caption-text">A formação original da banda, após literalmente tomar uma chuva de sangue em 2004: Jeff Hanneman, Kerry King, Dave Lombardo e Tom Araya</figcaption></figure>
<p><em><b>C</b></em>omeçando já polêmico, “Angel of Death” abre as atividades com um retrato detalhado dos experimentos horripilantes realizados por Joseph Mengele, médico do regime nazista, e serve como um cartão de visitas macabro e bastante representativo do disco: o longo grito agudo de Araya (usado pela última vez em estúdio) abre espaço para uma sequência de riffs poderosos, nesta que é a canção mais longa do álbum. Obviamente a música rendeu acusações de simpatia ao nazismo para a banda, as quais são refutadas até hoje. No entanto, vale ressaltar duas curiosidades: o finado guitarrista Jeff Hanneman, compositor da música, colecionava artigos da Segunda Guerra Mundial ao mesmo tempo em que era um fanático por <em>hardcore punk</em> e, mesmo com tanta controvérsia, o grupo de rap Public Enemy sampleou a seção instrumental do meio da música para “She Watch Channel Zero?!”.</p>
<p><em><b>I</b></em>nclusive, é curioso notar como o rap e a estética de guerra foram cruciais para a expansão da fama do Slayer em 1986. <i>Reign in Blood </i>foi o primeiro lançamento da banda pela gravadora Def Jam, cuja especialidade passava longe de ser o <i>heavy metal</i>. Todavia, para a estreia de um dos novos nomes do selo, o produtor Rick Rubin opinou que solos de guitarra cairiam perfeitamente: eram os Beastie Boys, cujos emblemáticos singles “(You Gotta) Fight for Your Right (To Party)” e “No Sleep ‘Til Brooklyn” ganharam traços de Kerry King &#8211; a segunda música contou até com a participação do próprio em seu videoclipe, tudo para divulgar a banda. Em contraponto a essa descontração, porém, o quarteto também começou a reverter a controvérsia como forma de marketing: o exemplo mais conhecido ficou em uma <a href="https://www.androidcentral.com/sites/androidcentral.com/files/styles/w550h500/public/wallpapers/slayer-eagle-logo-741.jpg?itok=chcKzG3N" target="_blank">releitura de seu logotipo, que incorporava o brasão de águia</a> do segundo reich, e outros casos famosos envolvem a proibição do lançamento de discos por suas capas repulsivas. Todavia, até os dias atuais o merchandising e a arte do grupo permanecem repletos de imagética violentíssima (<a href="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/dcbf9-1465587808203.jpg" target="_blank">muitas vezes incorporando elementos militares</a>) e, ao contrário do que o politicamente correto moderno assumiria, a quantidade de fãs da banda só cresce, e é uma das mais radicalmente leais no <em>heavy metal</em>. Em tempos de &#8220;debates&#8221; políticos acalorados, cabe pontuar que King recentemente <a href="http://www.blabbermouth.net/news/slayer-kerry-king-donald-trump-is-the-biggest-liar-ive-ever-seen-in-politics/" target="_blank">criticou Donald Trump</a> e que Araya, além de cristão, é chileno de nascimento e <a href="http://bravewords.com/news/slayers-tom-araya-receives-key-to-birth-city-city-in-vina-del-mar-chile-video-available" target="_blank">até já recebeu as chaves de sua cidade natal &#8211; </a>ou seja, não há apologia nazista por parte da banda.</p>
<figure id="attachment_5932" aria-describedby="caption-attachment-5932" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5932" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/slayerselfharm.jpg" alt="slayerselfharm" width="800" height="289" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayerselfharm.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayerselfharm-300x108.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/slayerselfharm-768x277.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-5932" class="wp-caption-text">Tatuagem é coisa de poser!</figcaption></figure>
<p><em><b>F</b></em>oi essa atitude de ir contra as tendências que tornou o álbum tão celebrado. Enquanto Metallica e Iron Maiden lançavam, no mesmo ano, discos com composições longas e boas doses de melodia, o Slayer passava a mensagem com canções que sequer tinham refrão ou chegavam a dois minutos de duração. Acompanhando com o encarte do álbum, é insano para qualquer um acreditar que “Necrophobic” ou “Jesus Saves” consigam ter todas as letras impressas cantadas no tempo indicado, e esse ritmo acelerado e sufocante acaba por dar uma dose extra de horror ao disco. Os solos de guitarra também imprimem um tom peculiar, por priorizar o caos em detrimento a técnica (há quem diga que soam como gatos endiabrados); o melhor exemplo é a clássica “Raining Blood”, cuja parede sonora ao final nada deve a algo assinado pelo Sonic Youth.</p>
<p><em><b>E</b></em>steticamente, <i>Reign in Blood</i> pode ser comparado com o filme <i>À Meia-Noite Levarei Sua Alma</i> (1964), cujo monólogo inicial também abre este texto. Embora ambos possam aparentar uma suposta pobreza artística nos conceitos dos mais críticos, é justamente no aspecto rudimentar que encontramos o vanguardismo destas obras. A opção de utilizar as condições precárias da produção como componentes intrínsecos do projeto dá legitimidade tanto ao personagem Zé do Caixão quanto a persona do Slayer, mostrando plena segurança em relação à essência crua de seus trabalhos. Desse modo, as pomposidades se mostram não só desnecessárias, mas contraditórias: o terror retratado pode ser tosco ou espalhafatoso, mas ele é real &#8211; como se essas imperfeições fossem o contraste de humanidade para o lado sanguinário e sádico expostos em ambas as influentes obras.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/1vO-fYYicKA?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p><em><b>R</b></em>einando supremo mesmo trinta anos após seu lançamento, o terceiro álbum do Slayer não apenas é o ponto máximo do<i> thrash metal</i>, como também é a peça mais representativa da estética do <i>heavy metal</i> em geral. O peso sonoro, as ligações com ocultismo, o caos imagético: tudo está ali, sem os traços de blues do Black Sabbath ou o rock ‘n’ roll do Judas Priest nos primórdios. Atualmente, o thrash passa por uma estagnação criativa assustadora, muito por conta de bandas novas que surgem com o intuito de apenas emular o som diferenciado de <i>Reign in Blood</i>. No entanto, o original segue superior em todos os sentidos: caso ainda não tenha se convencido, é possível encontrar a versão nacional em cd (com duas músicas bônus) facilmente nas melhores lojas do ramo, por preços que costumam não passar de 25 reais. Vender a alma ao demônio nunca teve um custo-benefício tão bom.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify:album:4EKODboelaOmS0gt7hbTHN" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Mayhem em São Paulo: uma celebração macabra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2016 21:50:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Mayhem]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Satã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Poucos artistas conseguem ter uma relação tão estreita com um gênero musical a ponto de serem capazes sozinhos de representá-lo, não somente no som, em sua integridade. As transformações de Madonna ao longo de sua carreira condensam boa parte da história da indústria pop, os Stones são a mais certeira representação do estereótipo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mayhem-sao-paulo-celebracao-macabra/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mayhem em São Paulo: uma celebração macabra"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Poucos artistas conseguem ter uma relação tão estreita com um gênero musical a ponto de serem capazes sozinhos de representá-lo, não somente no som, em sua integridade. As transformações de Madonna ao longo de sua carreira condensam boa parte da história da indústria pop, os Stones são a mais certeira representação do estereótipo “sexo, drogas &amp; rock ‘n’ roll”. Todavia, é em um nicho bem mais obscuro que podemos observar o quão influente culturalmente uma banda pode ser: trata-se do black metal, cuja força mais representativa são os noruegueses do Mayhem.</p>
<p><span id="more-5390"></span></p>
<figure id="attachment_5400" aria-describedby="caption-attachment-5400" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5400" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/mayhem-band-1.jpg" alt="mayhem-band-1" width="1920" height="1282" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-band-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-band-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-band-1-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-band-1-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-band-1-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5400" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Euronymous, Dead e Necrobutcher</figcaption></figure>
<p>De modo geral, pode-se explicar a abrangência do Mayhem através de uma trindade maldita de ex-integrantes. O primeiro deles é o sueco Per Yngve Ohlin, um sujeito tão fúnebre que faria Kurt Cobain e Lana Del Rey parecerem um serelepe casal de propaganda de margarina. Ao assumir o posto de vocalista, adotou o pseudônimo Dead (morto em inglês) e uma maquiagem macabra (o famigerado <i>corpse paint</i>), além de utilizar de métodos que iam de enterrar suas roupas antes de shows até inalar um pássaro morto numa jarra &#8211; tudo isso para incorporar sua nova persona. Ao vivo, enquanto entoava suas letras versando sobre a efemeridade da carne e o fascínio pelo oculto (seja no pós-vida ou em acontecimentos cotidianos), se cortava e, às vezes, saía dos shows levado em um caixão. Notadamente perturbado, Ohlin deu um tiro na própria cabeça e faleceu em 1991, com apenas 22 anos; sua morte seria, literalmente, eternizada através de fotografias tiradas por seu parceiro de banda, Øystein &#8220;Euronymous&#8221; Aarseth.</p>
<p>Este último, aliás, não apenas colaborou na reputação sinistra do estilo  &#8211; reza a lenda que Aarseth teria comido pedaços da carne de Dead, e depois enviado pedaços de seu crânio para comparsas que julgava valorosos &#8211; como também foi o responsável por moldar a sonoridade típica do gênero. Ainda que bandas como Bathory e Celtic Frost tenham surgido antes do Mayhem, é consenso que as progressões cíclicas com acordes menores como conhecemos hoje surgiram pelas mãos de Euronymous. Figura central da cena norueguesa, era proprietário de um selo e uma loja de discos, a Helvete, onde músicos parceiros costumavam frequentar (tal circuito ficaria conhecido como “Inner Circle”). Dentre eles, estava a figura mais conhecida e polêmica do black metal: Varg Vikernes, que escolheu o nome de Count Grishnackh enquanto baixista do Mayhem.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Befpd-laOFM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p>Vikernes também foi crucial na (anti?) estética sonora proposta por seus conterrâneos ao heavy metal: em protesto às canções comerciais, requisitava os piores equipamentos possíveis para gravar sua música (os vocais para os álbuns de seu projeto Burzum foram registrados em um <i>headset</i>, o amplificador para as guitarras era minúsculo, os timbres das seis cordas eram obtidos apenas com um pedal de <i>fuzz</i>, que praticamente escondia as notas em um mar de chiado) e buscava compor peças épicas, cuja duração passava os cinco minutos sem esforços. Essa postura radical não se resumia aos estúdios, e Varg acabou sendo o grande difusor do black metal como uma ideologia anti cristã, que defendia a retomada da cultura viking na Noruega. Para tal, provoca incêndios em igrejas e incita comparsas de Inner Circle à tomarem postura semelhante &#8211; sua principal desavença era Euronymous, tido como líder do bando mas considerado um mero falastrão por Vikernes. Após assumir os incêndios na imprensa e não obter a repercussão desejada, o músico entra em vários conflitos; o mais conhecido deles resulta no esfaqueamento de seu rival em 1993.</p>
<figure id="attachment_5404" aria-describedby="caption-attachment-5404" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5404" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary.jpg" alt="mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/mayhem-de-mysteriis-dom-sathanas-20th-anniversary-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5404" class="wp-caption-text">É isso o que as pessoas querem dizer com o termo &#8220;mal assombrado&#8221;</figcaption></figure>
<p>Depois de tanta controvérsia, o primeiro álbum de estúdio do Mayhem seria lançado no ano seguinte. Intitulado <i>De Mysteriis Dom Sathanas</i>, o disco conta com 46 minutos dispostos em oito faixas e é tido até hoje como um pilar do black metal tradicional, sobrevivendo às “novas hordas” do estilo &#8211; em contrapartida ao radicalismo sectário proposto por uns, o gênero foi um dos que mais ganharam ramificações ao longo das décadas &#8211; e ao fatídico teste do tempo, como comprova o show realizado ontem (09) na Clash Club, em São Paulo. Sem banda de abertura e com o setlist contendo a lendária estreia na íntegra, o grupo surgiu no palco às 20h06, vestindo robes pretos no melhor estilo Sunn O))).</p>
<p>Dois membros foram as figuras centrais da noite: o baixista Necrobutcher (o único integrante da formação original na banda atualmente) e o vocalista Attila Csihar. O primeiro era notadamente o mais empolgado no palco, se mexia sem parar e se comunicava com o público fiel através de caras e bocas. Já Csihar impressionou por sua alta performance teatral (além do robe, seu figurino incluiu diferentes máscaras, uma cruz invertida no pescoço e um lampião), tanto por gesticulação como em sua versatilidade vocal &#8211; não é exagero afirmar que, dadas as devidas proporções, Csihar se comportava como se fosse protagonista de uma ópera para o capeta. Sua atuação prendeu tanto a atenção que, mesmo durante trechos rápidos das músicas (e não são poucos), o público optou por simplesmente observá-lo fervorosamente, ao invés de começar rodas de <i>mosh</i>. A interpretação diferenciada que Attila havia mostrado em estúdio há mais de duas décadas atrás ganhou outro nível de intensidade.</p>
<figure id="attachment_5422" aria-describedby="caption-attachment-5422" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5422" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/14670651_1407463512615591_8631325861865372745_n.jpg" alt="14670651_1407463512615591_8631325861865372745_n" width="960" height="646" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14670651_1407463512615591_8631325861865372745_n.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14670651_1407463512615591_8631325861865372745_n-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14670651_1407463512615591_8631325861865372745_n-768x517.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5422" class="wp-caption-text">Regendo a orquestra de Satã: Attila Csihar em um de seus figurinos (Foto: Fernando Pires/The Ultimate Music)</figcaption></figure>
<p>Os outros instrumentistas não ficaram atrás. O baterista Hellhammer (presente na gravação de 1994) entregou uma execução destruidora, com seu instrumento até se sobrepondo ao restante do grupo no começo do show. Já a dupla de guitarristas formada pelo jovem Charles Hedger e o experiente Teloch permaneceu concentrada durante todo o concerto, com pouca movimentação em palco em favor a um desempenho certeiro nos riffs e solos.</p>
<p>Com palco bem montado e iluminação minimalista, o show foi excepcional. Entre as músicas de <i>De Mysteriis Dom Sathanas</i>, trechos narrados foram inseridos a fim de criar um verdadeiro clima de missa negra no local. Antes da clássica “Freezing Moon”, a lendária introdução feita por Dead no álbum <i>Live in Leipzig</i> soou nos amplificadores, para o delírio do público. A plateia, aliás, reforçou a aura de devoção que o black metal criou ao gritar “Mayhem, Mayhem!” em quase toda oportunidade, além de cantar boa parte das letras em coro.</p>
<figure id="attachment_5412" aria-describedby="caption-attachment-5412" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5412" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/14591697_1407460369282572_5793527207782840326_n.jpg" alt="14591697_1407460369282572_5793527207782840326_n" width="960" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14591697_1407460369282572_5793527207782840326_n.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14591697_1407460369282572_5793527207782840326_n-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14591697_1407460369282572_5793527207782840326_n-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5412" class="wp-caption-text">Amaldiçoados pela eternidade: Mayhem em ação na Clash Club (Foto: Fernando Pires/The Ultimate Music)</figcaption></figure>
<p>Após as oito músicas do clássico maior do Mayhem, alguns já davam pelo fim do espetáculo. Felizmente, não foi o caso, e a banda retornou para um bis com três canções da fase pré-Mysteriis: as pedradas “Deathcrush”, “Chainsaw Gutsfuck” e “Pure Fucking Armaggedon”, que renderam o maior mosh durante os quase noventa minutos de show. A banda então se despediu da Clash Club e do Brasil &#8211; embora Necrobutcher ainda tenha brincado com o público e demorado mais para sair.</p>
<figure id="attachment_5426" aria-describedby="caption-attachment-5426" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5426" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/14671115_1407463642615578_9098293315314698932_n.jpg" alt="14671115_1407463642615578_9098293315314698932_n" width="960" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14671115_1407463642615578_9098293315314698932_n.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14671115_1407463642615578_9098293315314698932_n-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/14671115_1407463642615578_9098293315314698932_n-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5426" class="wp-caption-text">Hay que ser tr00, pero sin perder la ternura jamas: Necrobutcher indo pra horda (Foto: Fernando Pires/The Ultimate Music)</figcaption></figure>
<p>Para não dizer que tudo foi flores (no sentido necrokvlt da coisa, por favor), duas decepções. O merchandising oficial da banda, dado como confirmado pela produtora Dark Dimensions, não marcou presença e, embora as camisetas vendidas do lado de fora da casa de shows fossem bacanas, ficou o gosto amargo para os mais aficcionados. Mas o pior &#8211; e mais inusitado &#8211; só seria descoberto horas após o encerramento do show: um sujeito roubou parte do palco e ganhou um <a href="https://www.facebook.com/mayhemofficial/posts/1096982137024100" target="_blank">post no Facebook oficial da banda, com direito até a xingamento em bom português</a>.</p>
<p>De todo modo, o dinheiro investido no ingresso valeu muito a pena. Mesmo que às vezes o teor ideológico se sobressaia, é na intensidade da música onde se encontra o real valor do black metal, que sobrevive forte no <i>underground</i> mundial. Se hoje o gênero é considerado maldito, não parece que isso seja problema para o Mayhem &#8211; que, dentre trocas de formação e novas guinadas musicais, segue fazendo um trabalho honesto e se divertindo com isso. Não há dúvida: dentre todas as lendas que permeiam o black metal, a banda segue firme como a maior delas.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4O9K2VUsGve0wJl49AG0Mu" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p><em>ouça o disco acima ou o tinhoso puxará seu pé à noite</em></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mayhem-sao-paulo-celebracao-macabra/">Mayhem em São Paulo: uma celebração macabra</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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