Os melhores discos de Outubro/2016

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Matheus Fernandes e Nilo Vieira

Dentre halloween, eleições, shows e fins de semestre, outubro foi realmente um mês macabro. A aura desses últimos trinta e um dias foi tão bizarra que afetou até nossa curadoria mensal, bem divida: um lado selecionou as melhores trevosidades, enquanto o outro trouxe lançamentos mais ensolarados para balancear. Tem para todos os gostos, como você pode conferir abaixo.

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Deathspell Omega – The Synarchy of Molten Bones

black metal torto

O anúncio deste material, no começo do mês, veio tão repentino quanto o seu lançamento digital adiantado (ontem – a data para os formatos físicos continua em novembro). Melhor surpresa que essa foi só constatar que, apesar dos quatro anos em silêncio, a música do obscuro grupo francês não só permanece poderosa como também mostra variações muito bem vindas: cadências com mais groove contrastam com a absurda quantidade de dissonâncias e quebra de métricas em “apenas” meia hora de som, além de elementos climáticos sempre bem colocados – Gorguts, Mayhem e Eric Dolphy certamente sorririam ao escutar esse amálgama complexo.

Se isto é um álbum completo ou ep, pouco importa; trata-se de mais uma bela adição à já estupenda discografia de uma das melhores bandas do metal moderno. Ouça gratuitamente no bandcamp. (NV)


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Jeff Rosenstock – Worry

pop punk

Em um mês que viu o Green Day lançar mais um álbum decepcionante, o ex-vocalista da banda de ska Bomb The Music Industry! mostra como o pop-punk moderno deveria ser.


Worry traz 17 músicas curtas que misturam problemas pessoais com críticas à gentrificação e os problemas econômicos da juventude norte-americana, tudo acompanhado por refrões grudentos e diversos momentos para cantar junto. Worry reúne toda a influência do melhor Power Pop e Pop-Punk, em um dos discos mais energéticos do ano. (MF)


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Kero Kero Bonito – Bonito Generation

electropop, pc music

Ligado ao movimento PC Music, o grupo Kero Kero Bonito é um dos projetos mais interessantes da música pop atual, com uma mistura bilíngue de J-Pop, música eletrônica e efeitos sonoros saídos de um N64, norteado por uma estética aceleracionista e hiperrealista.

Em seu novo disco o trio liderado por Sarah Bonito mantém essas características, mas expande o som em novas direções, como o Dream Pop, o Synth Pop e o House. Ouça antes que fique ainda mais famoso. (MF)


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Krypts – Remnants of Expansion

death metal atmosférico

Na contramão das centenas de lançamentos ultra técnicos, melódicos e por vezes masturbatórios do estilo, esta banda finlandesa centrou seus esforços em uma curta odisseia climática. Ao invés de desfilar metralhadoras de riffs, as guitarras ressoam sombrias o tempo necessário e ditam o ritmo, enquanto a performance vocal é discreta e efetiva.

Expansivo e ao mesmo tempo minimalista, o segundo disco do Krypts leva o ouvinte para uma jornada no vácuo do espaço sideral (ou talvez no vácuo que seja a existência humana). Viciante, o álbum desce redondo e é destaque certo no underground metálico. (NV)


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Leonard Cohen – You Want It Darker

folk

Octogenário, o poeta e cantor natural de Montreal – rotulado erroneamente por alguns como “o Bob Dylan canadense” – recentemente chamou a atenção da mídia em dois relatos envolvendo a morte: no primeiro, se despedia de uma de suas musas e no outro, declarou sem pudores que estava pronto para morrer. Desse modo, não é de se espantar que seu décimo quarto já dê o tom logo no título e, obviamente, a música siga na mesma linha.

Entre os dedilhados típicos no violão que o consagraram, pequenas valsas ao piano e arranjos de cordas, a atmosfera melancólica é constante nos trinta e seis minutos dispostos em nove faixa. Nas letras, a voz rouca de Cohen entoa reflexões sobre o tempo, deus e amores passados; pronto pra morrer? Que nada, sua arte soa mais vivaz e autêntica como nunca. (NV)


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NxWorries – Yes Lawd!

hip-hop

A revelação Anderson .Paak, responsável por alguns dos melhores sons do ano, aparece de novo em nossa lista, dessa vez com o debut de seu grupo NxWorries, parceria com o produtor Knxwledge.

Yes Lawd! foi lançado pela Stones Throw, casa dos lendários DOOM, Madlib e J Dilla, e reflete o passado da casa, com sua influência soul, produção heterodoxa e a busca por samples alternativos. Sobra até para o brasileiro Cassiano, que tem “Onda” reinterpretada em “Link Up”. O disco é longo, são 19 faixas, mas leve e interessante. Um dos destaques de Setembro. (MF)


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Sabotage – Sabotage

hip hop

13 anos depois de ser assassinado, o rapper Sabotage ganha um álbum póstumo. Feito à partir de versos gravados em seus últimos dias, “Sabotage” é produzido por antigos parceiros do rapper, como Daniel Ganjaman, Rica Amabis e Tejo Damasceno.


Com letras que permanecem atuais após todo esse tempo, assim como os problemas sociais do país, “Sabotage” vai além da homenagem, e é um disco sólido que mostra todo o potencial do autor de “Rap é Compromisso”, interrompido pela violência brutal e sem sentido. (MF)


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Ulcerate- Shrines of Paralysis

death metal técnico

Um dos principais nomes do death metal da década passada, o som desse trio oriundo da Nova Zelândia é dos bons exemplos onde a técnica é parte das composições e não o inverso. O resultado é um som multifacetado e claustrofóbico, com as linhas de bateria se sobressaindo como o grande destaque.

Se antes o som do grupo podia ser definido como uma espécie de fusão entre a cacofonia do Gorguts e o sludge reflexivo do Neurosis, aqui a figura muda um pouco: é como se o Deathspell Omega se pusesse a tocar pós-metal. Referências à parte, o disco é intrincado e demanda diversas audições atentas antes de um veredito preciso. No entanto, os mais aventurosos verão que o esforço não terá sido em vão. Boa via-, digo, boa sorte. (NV)

 

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