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	<title>Arquivos Espanha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Espanha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Sirât é a estrada até lugar nenhum</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 13:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta: este texto contém alguns spoilers Guilherme Moraes Sirât é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-sirat/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sirât é a estrada até lugar nenhum"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Alerta: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">este texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36972" aria-describedby="caption-attachment-36972" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x450.png" alt="Cena de Sirât. Quatro pessoas e um cachorro estão em uma vasta planície branca e árida, sob uma luz solar intensa. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos escuros e vestido estampado vermelho observa o horizonte. Ao lado dela, dois homens estão sentados no chão junto a mochilas e um cachorro branco de pequeno porte. À direita, um homem grisalho de camisa azul está de pé, com a mão na cintura, observando os outros. O clima é de exaustão e desolação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1.png 1008w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36972" class="wp-caption-text">O diretor Oliver Laxe entrou em polêmica após citar suposto ufanismo de brasileiros na Academia do Oscar (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><a href="https://www.ingresso.com/noticias/significado-titulo-filme-sirat-oscar-2026"><span style="font-weight: 400;">Sirât</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam Henderson) estão indo em direção a outra festa no deserto, porém, a travessia até ela será complicada. Dessa forma, os sete se juntam para atravessá-la. Oliver Laxe busca materializar o Sirât nessa jornada, no entanto, o filme esquece do destino, foca na trajetória e acaba em lugar nenhum.</span></p>
<p><span id="more-36970"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa tem algumas semelhanças com algumas obras de Kelly Reichardt, principalmente pela maneira como tenta evocar o discurso político. Pelo cenário desértico e pelo grupo pequeno que se torna uma pequena sociedade e vai se reestruturando conforme os problemas e decisões aparecem – temática que vem desde </span><i><span style="font-weight: 400;">No Tempo das Diligências </span></i><span style="font-weight: 400;">(1939) de John Ford – lembra </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/o-atalho-2011/"><i><span style="font-weight: 400;">O Atalho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010); a maneira como o panorama político social aparece e os personagens aparentam estar alheios a ele, remete à </span><a href="https://letterboxd.com/tuoto/film/the-mastermind-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mastermind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado ano passado. Apesar de um pouco similar, o que torna a fita de Oliver Laxe muito inferior para as duas de Reichardt é a diferença gigantesca entre ambos os diretores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mastermind</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista vive em uma época turbulenta na história dos Estados Unidos, os anos 1970, a propaganda militar, os panteras negras, movimentos anti-guerras, etc. Josh O’Connor, no papel principal, está alienado de tudo o que está à sua volta, pensando estar protegido por sua condição financeira, vivendo o </span><a href="https://maisretorno.com/portal/termos/a/american-way-of-life"><i><span style="font-weight: 400;">American Way of Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a realidade o alcança de qualquer maneira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sirât </span></i><span style="font-weight: 400;">tem uma pegada parecida. Os militares rondando, os jornais, o que é dito no rádio, os pequenos comentários dos personagens, etc. Contudo, o filme não faz nada quanto a isso, Louis e Esteban estão em uma jornada familiar e os outros estão a caminho de um evento social. Nada ali indica um discurso político, seus motivos são precários narrativamente, a construção de contexto é pobre, tudo leva a lugar nenhum.</span></p>
<figure id="attachment_36971" aria-describedby="caption-attachment-36971" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1.png" alt="Cena de Sirât. Um homem de meia-idade e um menino pré-adolescente estão parados lado a lado em um terreno de terra batida e avermelhada. O homem, de cabelos grisalhos e camiseta cinza com mochila nas costas, olha para o lado com expressão cansada. O menino, vestindo uma camiseta amarela com estampa, olha na mesma direção. Ao fundo, uma multidão de pessoas se movimentam em meio a uma névoa de poeira sob um céu nublado, sugerindo um ambiente de festival ou acampamento ao ar livre." width="768" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-36971" class="wp-caption-text">Sirât foi o filme de abertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor também parece ter a falsa ideia de que a técnica cinematográfica vale por si só; que os sentimentos artificiais se bastam. Laxe e as engenheiros de som (Amanda Villavieja e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-maes-paralelas/"><span style="font-weight: 400;">Laia Casanovas</span></a><span style="font-weight: 400;">) se aproveitam da experiência cinematográfica para criar uma ambientação diferente para o público, com as batidas das músicas vindo de diferentes lugares, como se estivéssemos dentro do universo. A ideia pode ser boa, mas não tem objetivo. O momento em que os personagens dançam no campo minado, enquanto estão numa situação terrível é uma das piores sequências do longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para efeito de comparação, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Começa o Inferno </span></i><span style="font-weight: 400;">(1959), antes da batalha final, os quatro que estão defendendo a cadeia tocam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TcYdyK_ehY"><i><span style="font-weight: 400;">My Rifle, My Pony and Me</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de maneira que amenize a tensão e os una, tornando o confronto e a possível morte mais aceitável. É a tentativa de ser feliz uma última vez. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sirât</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música, a engenharia de som e o movimento dos atores – que parecem estar em transe – só reforçam a alienação, até do próprio público. Essa tomada só não é pior que a das explosões no final. As dinâmicas entre os personagens são tão fracas, que no momento derradeiro do </span><a href="https://cinemacao.com/2026/01/05/critica-sirat/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não há qualquer preocupação com eles. Sem conexão, a construção de suspense e tensão vira apelativa e artificial; não tem sensação de ameaça, é apenas incômodo. A obra parece acreditar que essas emoções valem por si só, mas não valem.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sirât </span></i><span style="font-weight: 400;">compete nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2026. Pensando da campanha que vem fazendo desde Cannes, não é nenhuma surpresa a nomeação para a categoria internacional, assim como também não causa nenhum espanto a indicação para a categoria técnica, entretanto, é triste ver como o Oscar olha para esse prêmio apenas pela sua engenharia e complexidade de produção, não por sua intenção e utilidade narrativa. No final, Oliver Laxe também mostrou que é tão alienado quanto seu longa, ao fazer um </span><a href="https://www.instagram.com/p/DUqYYfMDqbt/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">comentário infeliz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ignorante sobre a presença dos brasileiros na Academia. Quem tem telhado de vidro não atire pedras na do vizinho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Sirât | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Qcagr7Sw6Do?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Jun 2024 19:20:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de gatilho: o texto a seguir trata sobre temas sensíveis como abuso sexual e homofobia. Guilherme Moraes Em Má Educação, o diretor Pedro Almodóvar evidencia os maus-tratos que alguns garotos sofrem na Igreja e, nesse quesito, fala com propriedade. A fita deixa clara a hipocrisia dentro de um lugar que se vende como mantenedor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ma-educacao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Má Educação, Almodóvar alude a Hitchcock em um conto sobre sexualidade e denúncia"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Aviso de gatilho: o texto a seguir trata sobre temas sensíveis como abuso sexual e homofobia. </span></em></p>
<figure id="attachment_33646" aria-describedby="caption-attachment-33646" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.jpg" alt="À esquerda o Padre Manolo com uma batina branca de padre. Ele encara o personagem de Ignacio, olhando de cima para baixo em uma posição de poder. À direita o personagem Ignacio, com uma batina vermelha. Ele encara o padre de volta, olhando de baixo para cima. Ambos são iluminados por uma luz amarelada. A luz vem da direita para a esquerda, e a origem dela está fora do plano" width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33646" class="wp-caption-text">“Acho que acabei de perder a fé neste momento. Sem fé, não acredito em Deus nem no inferno. Se não acredito no inferno, não sinto mais medo. E, sem medo, sou capaz de qualquer coisa” (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pedro Almodóvar evidencia os maus-tratos que alguns garotos sofrem na Igreja e, nesse quesito, fala com </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/05/08/almodovar-diz-que-foi-vitima-de-tentativa-abuso-em-colegio-de-padres.ghtml"><span style="font-weight: 400;">propriedade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fita deixa clara a hipocrisia dentro de um lugar que se vende como mantenedor dos ‘bons costumes’, mas que, às escondidas, casos de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1w24v7dqe1o"><span style="font-weight: 400;">pedofilia</span></a> já foram registrados<span style="font-weight: 400;">. No entanto, apesar do filme prometer ser uma denúncia, ele se torna muito mais do que isso ao longo da trama, adentrando em um conto investigativo &#8216;</span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-o-legado-de-hitchcock/#:~:text=Considerado%20por%20muitos%20como%20o,com%20firmeza%20no%20cinema%20contempor%C3%A2neo"><span style="font-weight: 400;">hitchcockiano</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216;</span><span style="font-weight: 400;"> que explora o efeito dos abusos e da marginalização em certos grupos sociais.</span></p>
<p><span id="more-33645"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o cineasta Enrique (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-20622/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Fele Martínez</span></a><span style="font-weight: 400;">) recebe a visita de Ignacio (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-34249/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Gael García Bernal</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu antigo amigo e primeiro amor que, para ele, aparenta estar muito diferente. O personagem de Bernal aparece com um conto sobre a infância dos dois, interessante na visão do diretor, que decide transformá-lo em longa-metragem. A partir do momento em que o sujeito interpretado por Martínez lê o <em>script</em>, a realidade se mistura com a ficção dentro do próprio filme e a vida de Ignacio começa a ser contada.</span></p>
<figure id="attachment_33648" aria-describedby="caption-attachment-33648" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33648" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-5.jpg" alt="Na imagem estão as versões criança de Enrique e Ignacio. À esquerda está Enrique com um pijama verde, olhando no sentido da câmera para algo fora do plano. À direita está Ignacio com um pijama azul, olhando no sentido da câmera para algo que está fora do plano, igual Enrique." width="500" height="330" /><figcaption id="caption-attachment-33648" class="wp-caption-text">Almodóvar sofreu algumas tentativas de abuso em colégio de padres (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Almodóvar ainda utiliza a metalinguagem para explorar mais algumas questões ligadas à </span><a href="https://aterraeredonda.com.br/breves-consideracoes-sobre-o-estilo-de-alfred-hitchcock/#:~:text=O%20estilo%20hitchcockiano%20inclui%20o,a%20ansiedade%20e%20o%20medo"><span style="font-weight: 400;">narrativa &#8216;hitchcockiana&#8217;</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma das características de </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-o-legado-de-hitchcock/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira como ele </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ykyccq69ns"><span style="font-weight: 400;">dirige o olhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que será mostrado e, assim. conduz o espectador à onde quiser. Nesse sentido, o espanhol alterna o olhar entre Enrique e Ignacio, presente e passado, confundindo o público entre o que é a realidade e o que não é, e, mesmo dentro da película, não é possível saber o que é fato e o que é ficcional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No momento em que Enrique volta a ser detentor do olhar, ele busca saber mais sobre o que aconteceu com seu amigo durante esse tempo em que estiveram afastados. É nesse momento que acontece a grande reviravolta, pois, nos é revelado que Ignacio estava morto e que seu irmão Juan havia roubado sua identidade. Essa passagem poderia ser considerada de maneira negativa como típica de uma ‘novela mexicana’ por muitas pessoas, mas, na verdade, revela uma de suas facetas mais &#8216;hitchcockianas&#8217;, se assimilando muito a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UHhsEYDg8GI"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1858)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_33649" aria-describedby="caption-attachment-33649" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-7.png" alt="No centro da imagem está Madeleine, interpretada por Kim Novak. Ela possui cabelo loiro, está usando uma blusa de pelo preta, segurando um buquê de rosas. Ela está olhando diretamente para a câmera." width="480" height="671" /><figcaption id="caption-attachment-33649" class="wp-caption-text">Madeleine é uma personagem clássica da filmografia de Hitchcock, do filme Vertigo; na obra, ela fingiu ser alguém que não era e depois simulou a própria morte dessa sua persona (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia entre Ignácio  – que passa a ser interpretado por Francisco Boira  – ,e Enrique escancara a diferença entre quem foi traumatizado pelos abusos e marginalizado por ser quem é, e quem não foi. O primeiro sofreu assédio constante do Padre Manolo (Daniel Giménez), se assumiu uma pessoa trans após sair da Igreja e teve como destino a vida de viciado, dançarino de boate nos lugares mais podres da Espanha e morre sozinho como indigente. Por outro lado, Enrique seguiu sua vida, se tornando um cineasta com uma casa luxuosa e muito dinheiro guardado. Apesar de ser declaradamente homossexual, ele não sofre o mesmo que seu velho amigo, pois o preconceito é maior com quem é trans e pobre, afinal, na época em que o filme se passa, já existia o chamado </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/marina-mathey/2021/07/07/pink-money-e-a-cooptacao-da-luta-lgbtqia-no-mes-de-junho.htm"><span style="font-weight: 400;">dinheiro rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que o coloca em uma situação muito mais favorável socialmente do que Ignácio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando sobre a maneira como Pedro Almodóvar trabalha o sexo, é muito interessante que ele não tem pudor algum de mostrar o desejo e a nudez. Há duas cenas que evidenciam o </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/almodovar-sexo-bhrveyupukvo8ctma2zfnjxhq/#:~:text=Ao%20contr%C3%A1rio%20de%20outros%20diretores,durante%20uma%20aula%20de%20tric%C3%B4"><span style="font-weight: 400;">estilo &#8216;almodovariano&#8217;</span></a><span style="font-weight: 400;">: na primeira, Juan, irmão de Ignácio, interpretando Zahara  – persona que assume como dançarino de boate  –, dá em cima de Enrique, agora, interpretado por Alberto Ferreiro, de maneira despudorada; na segunda, o cineasta e o ator encaram os corpos um do outro enquanto estão na piscina, e o diretor faz planos muito explícitos desse desejo, fazendo com que a câmera se alterne entre rosto e corpo. Mas além disso, o espanhol faz do sexo e do tesão uma relação de poder. Nesse aspecto, é possível enxergar o padre que explora sua posição e proteção para abusar de Ignacio, no entanto, também é possível ver como o personagem cineasta aproveita a ânsia de Juan de protagonizar o filme, para transar com ele.</span></p>
<figure id="attachment_33647" aria-describedby="caption-attachment-33647" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-9.png" alt="No centro está Juan, usando uma peruca loira, com um cachecol bege e uma blusa branca, segurando uma rosa. Ele está olhando no sentido da câmera, para algo fora do plano." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-33647" class="wp-caption-text">O cabelo loiro, a flor vermelha e a postura, mostram a semelhança entre Madeleine e Zahara, persona assumida por Ignacio ao dançar nas boates (Foto: Warner Sogefilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito rico da filmografia de Almodóvar é que ele não torna seus personagens ‘reféns’ de sua sexualidade, ou seja, a sua história, função narrativa e desenvolvimento não se baseiam apenas no fato deles fazerem parte do grupo </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/almodovar-perfil-estilo"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAPN+</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o que não quer dizer que esse fato é ignorado. Ele entende como as questões histórico-sociais relacionadas à sexualidade dos seus personagens o moldam e influenciam suas escolhas e atitudes. Se olharmos para o Cinema contemporâneo, principalmente o norte-americano, é perceptível como são raros casos de filmes que exploram tão bem a forma como as questões de gênero modelam seus personagens. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega aquilo que sempre esperamos de Pedro Almodóvar: uma obra irreverente, cheia de </span><a href="https://medium.com/calebelopes/a-c%C3%A2mera-que-pulsa-73bf8c6b5f77"><span style="font-weight: 400;">desejo, sexualidade, sensualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capaz de incomodar. Em certos aspectos, o diretor chega até mesmo a parecer com a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/madonna-chega-aos-60-anos-musica-vital-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem toda a genialidade da cantora. É irônico que, pouco tempo após o lançamento do longa, a Arte tornara-se cada vez mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAGX23DSRFM"><span style="font-weight: 400;">puritana e higienizada</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente se olharmos para os </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> atuais. No entanto, é sempre bom poder voltar a esses artistas e ver que, apesar do amadurecimento de suas obras, sua veia rebelde continua a mesma.</span></p>
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		<title>A Sociedade da Neve mostra a complexidade desesperadora da sobrevivência humana</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 21:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amabile Zioli Adaptar a história de uma tragédia real para o audiovisual sempre envolve muita responsabilidade. Depois de reduzir os acontecimentos catastróficos da Tailândia de 2004 a um clichê dramático hollywoodiano em O Impossível,  J. A. Bayona se redimiu com A Sociedade da Neve, trazendo para as telas, mais uma vez, mas sob outra perspectiva, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sociedade-da-neve-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sociedade da Neve mostra a complexidade desesperadora da sobrevivência humana"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32583" aria-describedby="caption-attachment-32583" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1.jpg" alt="A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 14 dos 16 sobreviventes sentados na frente da fuselagem do avião. Estão sentados na neve, alguns em cima da lataria ou de malas. O horizonte atrás do avião mostra as cordilheiras dos Andes" width="1999" height="1326" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32583" class="wp-caption-text">A tragédia já teve outras quatro adaptações para o audiovisual (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Amabile Zioli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptar a história de uma tragédia real para o audiovisual sempre envolve muita responsabilidade. Depois de reduzir os acontecimentos catastróficos da Tailândia de 2004 a um clichê dramático hollywoodiano em </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-146630/criticas-adorocinema/"><i><span style="font-weight: 400;">O Impossível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  J. A. Bayona se redimiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade da Neve</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo para as telas, mais uma vez, mas sob outra perspectiva, a tragédia ocorrida nos Andes em 1972. A produção espanhola foi aclamada internacionalmente, o que rendeu uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional e Melhor Maquiagem e Penteados.</span></p>
<p><span id="more-32582"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 13 de Outubro daquele ano, o voo que levava a equipe amadora de rugby e seus familiares de Montevidéu, no Equador, para Santiago, no Chile, colidiu com uma geleira e caiu na Cordilheira dos Andes. No momento da queda, alguns passageiros morreram imediatamente, e, os que </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/blog-do-acervo/post/2024/01/sociedade-da-neve-a-tragedia-que-obrigou-sobreviventes-a-devorar-amigos-mortos.ghtml#:~:text=Al%C3%A9m%20dos%2011%20mortos%20na,%C3%A0%20gravidade%20de%20seus%20ferimentos."><span style="font-weight: 400;">sobreviveram</span></a><span style="font-weight: 400;">, teriam que lutar pelas suas vidas pelos próximos 72 dias à espera do resgate. No total, 29 pessoas faleceram e 16 foram resgatadas com vida.</span></p>
<figure id="attachment_32584" aria-describedby="caption-attachment-32584" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1.jpg" alt=" A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 20 pessoas ao redor da carcaça do avião, a maioria sentada em casacos ou apoiados no próprio avião. Ao redor, há apenas neve e pedras]" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32584" class="wp-caption-text">A adaptação da Netflix é baseada no livro homônimo do uruguaio Pablo Vierci (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que diferencia a obra mais recente das outras adaptações do fato pode ter sido a escolha do protagonista: ao invés de contar a história pelo ponto de vista de um sobrevivente, Bayona prefere seguir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/01/14/a-sociedade-da-neve-vitima-de-acidente-chegou-a-pesar-25-quilos.htm"><span style="font-weight: 400;">Numa Turcatti</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Enzo Vogrincic), falecido no dia 11 de Dezembro, 11 dias antes do resgate. O uruguaio era retratado como uma figura corajosa e pacífica, e, para quem não está familiarizado com o caso, sua morte é um baque e completamente inesperada, afinal, na fórmula de Hollywood, o narrador nunca morre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O símbolo do protagonista é o ponto de equilíbrio entre a sociedade de sobreviventes formada nos Andes. No dia a dia hostil e inóspito do ambiente em que se encontravam, havia aqueles que nunca perdiam as esperanças &#8211; e Numa era um deles. Se alojando na fuselagem do avião e sobrevivendo à base de restos de comida que trouxeram nas malas, um sistema de coleta de água e aflição, </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/a-sociedade-da-neve-vai-alem-do-canibalismo-ao-retratar-tragedia-nos-andes"><span style="font-weight: 400;">agonia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e medo, o desafio enfrentado pelo grupo é desesperador de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_32586" aria-describedby="caption-attachment-32586" style="width: 1182px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.png" alt="A foto foi tirada por um dos sobreviventes no real acidente. Mostra oito pessoas, seis deitadas na neve, sobre alguns tecidos, uma em pé, apoiada na fuselagem, e outra sentada no avião. Na carcaça do avião, há o escrito “Fuerza Aerea Uruguaya”, com as últimas quatro letras obstruídas" width="1182" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.png 1182w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32586" class="wp-caption-text">Após o ocorrido, o local do acidente recebeu o nome de “Vale das Lágrimas” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem forçar um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/a-sociedade-da-neve-quase-teve-cenas-ainda-mais-chocantes/"><span style="font-weight: 400;">apelo gráfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade da Neve</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem justificativa para as cenas agonizantes. Um dos momentos mais torturantes do longa é a colisão do avião: ossos quebrando sendo o único vestígio de trilha sonora, partes da lataria e passageiros se desprendendo e voando violentamente para o mar branco e cegante, feições aflitas, desesperadas e angustiadas tomam conta da tela e fazem o espectador ter vontade de cobrir os olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bayona não cai na tentação do sensacionalismo propagado pela imprensa e foge da explicitação ao representar um dos pontos mais comentados sobre o caso: o </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/a-sociedade-da-neve-vai-alem-do-canibalismo-ao-retratar-tragedia-nos-andes"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> praticado pelo grupo em busca de conservação. São os elementos ao fundo das cenas que trazem sentido à narrativa, apenas ver o embolado de meias onde a carne está armazenada é suficiente para o estômago se embrulhar. A relutância dos membros da sociedade, inclusive de Numa, para aderirem à ideia, se justificando, além dos próprios ideais, no catolicismo, reforça a agonia que sentiram quando perceberam que era sua última chance de sobreviver. </span></p>
<figure id="attachment_32585" aria-describedby="caption-attachment-32585" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1.jpg" alt="A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 10 sobreviventes no momento em que visualizam os helicópteros de resgate. Os homens estão olhando e acenando para o céu. Atrás, há a fuselagem do avião e alguns itens jogados pela neve, como poltronas, malas, entre outros. No último plano da foto, há as Cordilheiras dos Andes" width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32585" class="wp-caption-text">O filme também foi indicado a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Globo de Ouro, mas não ganhou (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acompanhar a jornada incompreensível dos 16 sobreviventes, é reconfortante assistir o momento em que descobrem que foram localizados. A forma com que, mesmo após a perda de peso quase fatal, a falta de higiene pessoal e cuidados básicos, o pensamento de que encontrarão suas famílias novamente dá forças para que eles escovem os dentes, penteiem os cabelos e arrumem suas roupas. A humanidade volta aos seus corpos. O </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/sociedade-da-neve-veja-5-coisas-que-aconteceram-com-os-sobreviventes-apos-o-resgate.phtml"><span style="font-weight: 400;">resgate</span></a><span style="font-weight: 400;"> é catártico e libertador; é um milagre.</span></p>
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		<title>El mal querer: em novas roupagens, Rosalía apresentou o flamenco para novas gerações há 5 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Nov 2023 21:02:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos A cantora, compositora e produtora Rosalía nasceu em Sant Esteve Sesrovires, na Catalunha, em 1992 e se tornou um fenômeno da música pop com o lançamento de seu segundo álbum, El mal querer, há 5 anos. A obra conceitual mistura elementos do flamenco, pop e urban com vocais e visuais esplendorosos e surpreendentes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/el-mal-querer-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "El mal querer: em novas roupagens, Rosalía apresentou o flamenco para novas gerações há 5 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31756" aria-describedby="caption-attachment-31756" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-7.png" alt="Capa do álbum El Mal Querer da cantora Rosalía. Nele, a cantora está acima de uma nuvem aos céus, envolta por um círculo de correntes de ouro brilhantes. Seus braços estão pendurando aréolas que seguram longos panos brancos que vão até seus pés. Ela está despida e ao centro está uma luz branca. Logo acima de sua cabeça estão estrelas em formato de um círculo e uma pomba branca voando. No centro inferior da imagem está escrito Rosalía em negrito e ao lado El Mal Querer." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-7.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-7-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31756" class="wp-caption-text">El mal querer é baseado em um livro do século XIII de um autor desconhecido (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora, compositora e produtora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rosalia/"><span style="font-weight: 400;">Rosalía</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu em Sant Esteve Sesrovires, na Catalunha, em 1992 e se tornou um fenômeno da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o lançamento de seu segundo álbum, </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">El mal querer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há 5 anos. A obra conceitual mistura elementos do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/flamenco/"><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pop/"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">urban</span></i><span style="font-weight: 400;"> com vocais e visuais esplendorosos e surpreendentes para um projeto de conclusão de curso na Escola Superior de Música da Catalunha. </span></p>
<p><span id="more-31755"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonoridade das músicas foi criada a partir das influências de outros gêneros literários, como a poesia, que é evidente nas letras e fazem parte de </span><span style="font-weight: 400;">concepção artística que vai além da história em si, questionando se realmente aprendemos algo ao longo do tempo e explorando o mal querer. Em 11 capítulos inspirados na literatura de um autor desconhecido, a cantora expõe a narrativa de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/pienso-en-tu-mira-critica/"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> humilhada em seu relacionamento, através de temas como violência doméstica e machismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso do álbum permitiu que Rosalía alcançasse reconhecimento internacional, levando de cara quatro estatuetas de Álbum do Ano, Melhor Álbum Pop Vocal Contemporâneo, Melhor Arte Visual e Melhor Engenharia de Gravação no </span><a href="https://youtu.be/IZdnizgp42s"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e, no ano seguinte,</span><i><span style="font-weight: 400;"> El mal querer </span></i><span style="font-weight: 400;">também ganhou o</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Awards</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como Melhor Álbum Alternativo. O lançamento atraiu não apenas os fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também fãs do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em geral. No entanto, gerou polêmica e certa rejeição da comunidade gitana espanhola, devido a queixas de apropriação cultural do gênero e sobre seu pertencimento ou não na música latina enquanto cantora espanhola, tema discutido há eras.</span></p>
<figure id="attachment_31758" aria-describedby="caption-attachment-31758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-6.png" alt="Foto da cantora Rosalía no Grammy Latino. Rosalía é uma mulher branca de cabelos ondulados escuros e um vestido preto. Ela está com muitos anéis e unhas postiças grandes e brilhantes. Na foto, está à frente de um painel do Grammy e segura várias estatuetas com uma expressão de aflita ao segurá-los para que não caiam. Ela olha para baixo e fecha seus lábios esticando-os horizontalmente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-6-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31758" class="wp-caption-text">Rosalía tinha 13 anos quando ouviu flamenco pela primeira vez: tratava-se da música Como El Agua, de Camarón de la Isla (Foto: Gabe Ginsberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas de Rosalía misturam elementos tradicionais e modernos, mas às vezes tendem mais para a tradicionalidade. Consequentemente, parte das faixas não tem tanto reconhecimento quanto às principais e as mais conhecidas seguem o padrão da indústria popular, como </span><i><span style="font-weight: 400;">MALAMENTE (Cap.1: Augurio)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a lançou ao estrelato. Com uma batida forte e envolvente, misturando elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o urbano, a canção entrou para a </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/rosalia-malamente-songs-that-defined-the-decade-8544232/"><span style="font-weight: 400;">lista da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de músicas que definiram a década.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EEskedtVklw&amp;pp=ygUHcmVuaWVnbw%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">RENIEGO (Cap.5: Lamento)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q2WOIGyGzUQ&amp;pp=ygUNYmFnZGEgcm9zYWxpYQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">BAGDA (Cap.7: Liturgia)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são baseadas em uma melodia clássica do gênero espanhol e apresentam uma produção mais minimalista do que outras. Sua composição tem elementos mais suaves e menos percussivos, que não foram tão aceitas pelo público geral por serem vistas como simples ou monótonas, mas sem dúvidas são composições muito bem-vindas na obra como um todo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ROSALÍA - MALAMENTE  (Cap.1: Augurio)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Rht7rBHuXW8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns membros da comunidade espanhola gitana </span><a href="https://www.elespanol.com/cultura/musica/20180531/gitanos-atacan-rosalia-usa-simbolos-pestanas-postizas/311468865_0.html"><span style="font-weight: 400;">acusaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> a artista de se apropriar do </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma expressão artística típica de populações marginalizadas na Espanha, e de não respeitar a tradição e a cultura de seu povo por dar uma nova roupagem ao gênero, incorporando-o a outros. Além disso, eles também viram sua obra como uma tentativa de comercializar o estilo para um público mais amplo, o que dilui a autenticidade e a essência do gênero musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, outra visão é de que a cantora traz o </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;"> para um público mais jovem e diverso, ajudando a expandir a audiência do gênero musical e mantê-lo vivo para as gerações futuras, com “</span><i><span style="font-weight: 400;">máximo respeito</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como a ela se pronunciou em </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Musica/noticia/2022/04/rosalia-inspiracao-flamenco-maximo-respeito.html"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">GQ</span></i><span style="font-weight: 400;">. As polêmicas se difundiram novamente no lançamento de seu último álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Motomami</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2022</span></p>
<figure id="attachment_31757" aria-describedby="caption-attachment-31757" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.png" alt="Capa do livro Flamenca. Arte retangular de fundo branco. Acima, está escrito em espanhol: A novela que inspirou El Mal Querer de Rosalía. Logo abaixo, em letras vermelhas e estilizadas, está escrito a palavra Flamenca. Ao meio está o desenho do rosto de uma mulher de cabelos vermelhos flutuando entre flores que contornam seu rosto e tomam a forma de seus cachos. No desenho a mulher está com os olhos entreabertos, sua pele é clara e seus lábios vermelhos com bochechas coradas. Logo abaixo está um selo de Best Seller e o nome da editora “Roca Bolsillo | Ficção” em espanhol." width="650" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.png 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-520x800.png 520w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31757" class="wp-caption-text">Rosalía fez uma participação no filme Dolor y Gloria, de Pedro Almodóvar, que estreou em março de 2019 e foi um sucesso de críticas (Foto: Editora Roca Bolsillo)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">El mal querer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://www.educaciontrespuntocero.com/experiencias/analizar-rosalia-clase-literatura/"><span style="font-weight: 400;">inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Flamenca</span></i><span style="font-weight: 400;">, um romance medieval de um autor desconhecido que narra a vida de uma jovem casada com um homem que enlouquece de ciúmes e a acaba encarcerando em uma cela. Nas músicas, por exemplo, seus títulos seguem as denominações do livro: </span><i><span style="font-weight: 400;">CAP. 1. AUGURIO &#8211; Malamente</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">CAP. 3. CELOS &#8211; Pienso en tu mirá</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">CAP. 4. DISPUTA &#8211; De aquí no sales</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">CAP. 7. LITURGIA &#8211; Bagdad</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das citações mais marcantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">El mal querer </span></i><span style="font-weight: 400;">que ajudam a basear sua formação e influências em poucas palavras incluem &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Aquele pedacinho de vidro quebrado, eu senti como rangia antes de cair no chão, já sabia que ia se quebrar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Não permito que nenhum homem dite minha sentença</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. O trabalho de Rosalía inspirou muitos outros no sentido acadêmico, com muitas citações e </span><a href="https://www.seer.ufal.br/index.php/rea/article/view/10263"><span style="font-weight: 400;">análises</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua obra sendo disponibilizados em </span><i><span style="font-weight: 400;">sites</span></i><span style="font-weight: 400;"> de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_31759" aria-describedby="caption-attachment-31759" style="width: 1069px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.png" alt="Foto da Cantora Rosalía. Uma mulher branca de cabelos pretos lisos, maças do rosto coradas e lábios vermelhos grossos. A artista está envolta em uma camada de algo semelhante a plástico em seu peito que reflete luzes brancas. Em suas orelhas estão brincos grandes de argola dourados que vão até sua nuca. Suas mãos estão estendidas à frente e entre seus dedos estão linhas douradas amarradas que contém bolas douradas e pratas semelhantes a planetas na imagem. A frente de seu rosto estão três arcos dourados que circulam seu nariz, seu lábio e olhos e seu rosto completo, um dentro do outro. Atrás a iluminação é feita por arcos luminosos com o centro em sua cabeça." width="1069" height="657" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.png 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3-800x492.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3-1024x629.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3-768x472.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31759" class="wp-caption-text">Madonna tentou contratar Rosalía para a festa do seu 60º aniversário, que aconteceu no Marrocos em Agosto de 2018, mas as negociações não deram certo (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma relação íntima e perigosa com o </span><a href="https://tracklist.com.br/el-mal-querer-rosalia/128598"><span style="font-weight: 400;">lírico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e gêneros não tão conhecidos ou aceitos popularmente, Rosalía se arriscou no que poderia ter sido apenas uma conclusão de sua graduação. Ela também gerou polêmica quanto sua suposta reinvenção do </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco,</span></i><span style="font-weight: 400;"> desafiando o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> cinco anos atrás e catapultando sua carreira ao reconhecimento mundial do atual cenário da indústria </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">El mal querer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rosalía conseguiu não apenas conquistar prêmios e reconhecimento internacional, mas também provocar reflexões sobre temas como o amor, a violência, a liberdade e a identidade feminina, se fazendo um exemplo de como a arte pode ser transformadora e inspiradora para as novas gerações. Além disso, também reivindica seu espaço como uma das vozes mais interessantes da música contemporânea, </span><a href="https://www.oliberal.com/cultura/moda-e-beleza/estilo-motoqueiro-quebra-barreiras-com-artista-espanhola-1.579103"><span style="font-weight: 400;">não se limitando</span></a><span style="font-weight: 400;"> a seguir padrões estabelecidos, inovando e experimentando novas formas de expressão e da própria Arte, feitos incomuns para um TCC.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: El Mal Querer" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/355bjCHzRJztCzaG5Za4gq?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alcarràs de Carla Simón | Tráiler español | Avalon" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XacARMle0ZY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Você Tem Que Vir e Ver: a conversa da vida com a arte</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 14:32:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Um piano emite sons leves que caracterizam todo o plano de fundo da cena com a suavidade misteriosa dos clássicos. A câmera se estabiliza nos rostos dos quatro personagens da história, e é com o foco nas feições brandas que Você Tem Que Vir e Ver revela ter algo para nos contar. Entorpecidos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/voce-tem-que-vir-e-ver-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Você Tem Que Vir e Ver: a conversa da vida com a arte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29095" aria-describedby="caption-attachment-29095" style="width: 1890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales.jpg" alt="Cena do filme Você Tem Que Vir e Ver. Na imagem, os personagens Susana, Daniel, Elena e Guillermo estão juntos em uma varanda de concreto. Suzana, interpretada por Irene Escobar, é uma mulher branca de cabelos loiros escuros com pontas claras na altura dos ombros, ela veste uma camiseta rosa estampada de pequenas flores por baixo de um macacão bege. Daniel, interpretado por Vito Sanz, é um homem branco de cabelos ondulados castanho escuros, ele veste uma calça jeans com uma camisa cinza escura por baixo de um blazer azul marinho. Elena, interpretada por Itsaso Arana, é uma mulher branca com cabelos loiros claros amarrados com uma franja na testa, ela usa óculos arredondados e veste uma calça branca com uma camisa azul escura por baixo de um casaco amarelo. Guillermo, interpretado por Francesco Carril, é um homem branco de cabelos castanhos curtos, ele veste uma bermuda de tons esbranquiçados com uma camisa rosa de mangas longas. Os personagens aparecem na ordem em que foram apresentados da esquerda para a direita. O casal Elena e Daniel olha para trás, enquanto os outros dois estão com as cabeças voltadas para frente." width="1890" height="1380" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales.jpg 1890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales-1024x748.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales-1536x1122.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/You-have-to-come-and-see-it_01_Bendita-Film-Sales-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29095" class="wp-caption-text">Participando da seção Perspectiva Internacional, Você Tem Que Vir e Ver é um dos dois filmes de Jonás Trueba na 46ª Mostra Internacional de Cinema, junto de Quem os impede (Foto: Bendita Film Sales)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um piano emite sons leves que caracterizam todo o plano de fundo da cena com a suavidade misteriosa dos clássicos. A câmera se estabiliza nos rostos dos quatro personagens da história, e é com o foco nas feições brandas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Você Tem Que Vir e Ver </span></i><span style="font-weight: 400;">revela ter algo para nos contar. Entorpecidos pelas notas musicais, Elena (Itsaso Arana), Daniel (Vito Sanz), Guillermo (Francesco Carril) e Susana (Irene Escobar) parecem virar o lar de todos os questionamentos do existir. O filme, dirigido por Jonás Trueba, faz parte da categoria Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e desenhado em tons primaveris, se desmancha em um retrato cotidiano e intimista. </span></p>
<p><span id="more-29094"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma tensão quase palpável na interação entre os dois casais, revelada assim que a sinfonia acaba. Os quatro são amigos de velha data e estão se reencontrando depois de um distanciamento, e por mais que os sorrisos neguem, há um ar de desapontamento em suas vozes. O diálogo se desenrola com uma naturalidade ímpar, como se nunca tivesse sido ensaiado antes. Os atores não precisam emitir nada para revelar o misto de emoções que mora em todos os seres humanos: amor, saudade, decepção, inveja, insegurança e outros múltiplos efeitos causados por uma simples conversa. A maneira como a fotografia se alinha contribui para que </span><i><span style="font-weight: 400;"> Tenéis Que Venir a Verla </span></i><span style="font-weight: 400;">– nome original da produção – diga muito sem dizer. As imagens conduzidas por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dv5qhONJhew"><span style="font-weight: 400;">Santiago Racaj</span></a><span style="font-weight: 400;"> são calorosas e dão destaque a detalhes, gestos e outros elementos construtores dos efeitos da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Suzana e </span><a href="http://www.cinespagne.com/interviews/2513-francesco-carril-los-ilusos"><span style="font-weight: 400;">Guillermo</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mudaram para o interior recentemente e, movidos por uma coincidência bem humorada durante o encontro, contam que esperam um bebê. As reações de Elena e Daniel são afáveis, mas guardam uma ponta de constrangimento – acarretada talvez pela insegurança de não estarem no mesmo estágio de vida dos amigos. Tudo termina com Susana fazendo um convite para recebê-los em sua nova casa, eles tem que ir e ver.</span></p>
<figure id="attachment_29096" aria-describedby="caption-attachment-29096" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Você Tem Que Vir e Ver. Na imagem aparecem os personagens Elena e Daniel sentados um ao lado do outro. Elena, interpretada por Itsaso Arana, é uma mulher branca de cabelos loiros claros amarrados com uma franja solta na testa. A personagem usa óculos arredondados e uma camisa azul escura com um casaco amarelo. Daniel, interpretado por Vito Sanz, é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados. O personagem veste uma calça jeans, camisa cinza escuro e um blazer azul marinho. Os dois estão em frente a uma grade verde que protege uma passarela." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29096" class="wp-caption-text">Você Tem Que Vir e Ver foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary em 2022, saindo como vencedor do Prêmio Especial do Júri (Foto: Bendita Film Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já de volta em seu quarto, Elena e Daniel realmente materializam os pontos de suas inconsistências e falam sobre se sentirem pressionados a seguir os passos dos amigos. Depois de elencarem as possibilidades da viagem de </span><a href="https://www.spain.info/pt_BR/top/filmes-series-rodados-espanha/"><span style="font-weight: 400;">Madri</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao interior, a resposta parece uma negativa ao convite. No entanto, seis meses depois um trem os leva até a cidade de interior para uma visita a casa dos anfitriões. Todo o trajeto é marcado por poucas palavras, mas muitos significados. O foco no livro que leem, na inquietação dos gestos e nos pequenos comentários sobre o quanto a chegada vai demorar, são alguns indicadores da complexidade carregada pelos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de destaque na construção do encontro é a expectativa quebrada da gravidez de Suzana. Quando esperamos ve-lâ com a gestação avançada, prestes a receber a nova vida, o retrato entregue é outro. Ao conversar com Elena, o tom é empático e, da forma mais sutil possível, traz a reflexão dos impactos da maternidade, da contrução do aborto na vida das mulheres e da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62144903"><span style="font-weight: 400;">pressão social</span></a><span style="font-weight: 400;"> condutora do papel feminino na sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a visita, as amarras dos casais parecem dar lugar a memória e afeto. Após um </span><i><span style="font-weight: 400;">tour</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela casa e uma conversa acalorada sobre o livro que Daniel e Elena estavam lendo, o quarteto joga pingue-pongue como se tivesse toda a suavidade do mundo pendurada nas raquetes. A direção de </span><a href="https://cineuropa.org/en/interview/426800/"><span style="font-weight: 400;">Trueba</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz os elementos com tanta naturalidade que a situação não salta os olhos com nenhum impacto ou reviravolta: os significados escolhem se guardar nas entrelinhas e nas interpretações únicas de cada telespectador. </span></p>
<figure id="attachment_29097" aria-describedby="caption-attachment-29097" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Você Tem Que Vir e Ver. Na imagem, Elena aparece em pé lendo um livro e Guillermo e Suzana estão sentados olhando para ela. Elena, interpretada por Itsaso Arana, é uma mulher branca de cabelos loiros claros amarrados com uma franja solta na testa, a personagem usa óculos arredondados e uma camisa azul escura. Suzana, interpretada por Irene Escobar, é uma mulher branca de cabelos loiros escuros com pontas claras na altura dos ombros, ela veste uma camiseta rosa estampada de pequenas flores por baixo de um macacão bege. Guillermo, interpretado por Francesco Carril, é um homem branco de cabelos castanhos escuros, ele tem um cavanhaque no rosto e veste uma camiseta verde. Ao fundo há uma estrutura de concreto e alguns ramos de árvores. " width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-29097" class="wp-caption-text">Jonás Trueba teve sua primeira participação na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na 38º edição, com o filme Os Iludidos (Foto: Bendita Film Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A citação ao livro de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/03/internacional/1556893746_612400.html"><span style="font-weight: 400;">Peter Sloterdijk</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> You Must Change Your Life</span></i><span style="font-weight: 400;">, amarra os contextos da produção do início ao fim. Nas descrições do homem moderno, o filósofo reflete sobre o papel da arte nas sociedades e como sua força foi se perdendo com o passar das eras, fazendo com que as pessoas escolham formas soltas de se distrair. A afirmação culmina em um pequeno debate entre os amigos, Suzana diz discordar e a cena se dilui em argumentação e trivialidade. A citação inevitavelmente nos rememora da abertura do filme e do toque noturno do piano em um café espanhol, naquele momento a arte parecia estar exercendo toda a fascinação metafísica que há no mistério do ser.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, enquanto caminham por uma área arbórea da região e continuam com as conversas cotidianas, Elena diz que precisa fazer xixi e a câmera revela a equipe de produção nas lentes. O movimento dos equipamentos, cenários e do diretor se misturam aos protagonistas e o real se funde ao ficcional. O movimento é </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/a-metalinguagem-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">metalinguístico</span></a><span style="font-weight: 400;">, a conversa da arte com a vida em proporções filmográficas. O impacto do universo artístico respira em ressonância e restam apenas os créditos. </span></p>
<figure id="attachment_29098" aria-describedby="caption-attachment-29098" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-4-1.jpg" alt="Cena do filme Você Tem Que Vir e Ver. Na imagem aparecem os personagens Suzana, Daniel, Guillermo e Elena caminhando em uma trilha. Suzana, interpretada por Irene Escobar, é uma mulher branca de cabelos loiros escuros com pontas claras na altura dos ombros, ela veste uma camiseta rosa estampada de pequenas flores por baixo de um macacão bege e um chapéu bege. Daniel, interpretado por Vito Sanz, é um homem branco de cabelos ondulados castanho escuros, ele veste uma calça jeans com uma camisa cinza escura. Elena, interpretada por Itsaso Arana, é uma mulher branca com cabelos loiros claros amarrados com uma franja na testa, ela usa óculos arredondados e veste uma calça branca com uma camisa azul escura. Guillermo, interpretado por Francesco Carril, é um homem branco de cabelos castanhos curtos, ele veste uma bermuda de tons esbranquiçados com uma camiseta verde. Ao fundo há uma vasta vegetação esverdeada e uma placa branca com o nome do local" width="620" height="435" /><figcaption id="caption-attachment-29098" class="wp-caption-text">Você Tem Que Vir e Ver é uma produção original da Espanha e ganhou vida na produtora Los Ilusos Films, parceria de Trueba e Javier Lafuente (Foto: Bendita Film Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que, em pouco mais de uma hora, Jonás Trueba encaixa muito em pouco. O roteiro, também assinado pelo diretor, é semelhante aos encontros em bares nos fins de tarde e faz o ato de existir na atualidade se minimizar aos limites de um desfecho cinematográfico. Suzana, Guillermo, Elena e Daniel são nossos espelhos, mas também são nossos amigos e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">quebra da quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos</span><i><span style="font-weight: 400;"> frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> só confirma que sempre fizemos parte do interior da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso exista uma única palavra capaz de definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Você Tem Que Vir e Ver</span></i><span style="font-weight: 400;">, serenidade seria uma boa escolha. Entre diálogos limitados e cenários rotineiros, o filme se imprime em quem assiste sem precisar invadir, como se as portas do âmago estivessem sempre abertas a receber provocações tênues. Mas meus vislumbres podem ser subjetivos demais, </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/voce-tem-que-vir-e-ver"><span style="font-weight: 400;">você tem que ir e ver</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="You Have to Come and See It | Trailer | Film Fest Gent 2022" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pfq5aeurOm0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Bella Ciao!: La Casa de Papel dá adeus com uma última guerra e muitas emoções</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2022 16:15:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabrielli Natividade da Silva  O primeiro episódio de La Casa de Papel veio ao ar em 2017, e agora, 5 anos depois, uma das séries mais conhecidas e adoradas da Netflix chega ao fim. A quinta temporada foi dividida em dois volumes (o primeiro lançado no dia 3 de setembro, e o segundo exatos três &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/la-casa-de-papel-final-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bella Ciao!: La Casa de Papel dá adeus com uma última guerra e muitas emoções"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26299" aria-describedby="caption-attachment-26299" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1.png" alt="cena de La Casa de Papel. No centro da imagem está o Professor, um homem alto, com barba e cabelos longos e lisos (ambos castanhos), usa óculos de grau de armação preta e tem algumas marcas de expressão em seu rosto. Ele veste roupas sociais: uma camisa cinza suja e rasgada, dobrada até os cotovelos, uma gravata preta também desgastada, e uma calça com cinto, também pretos. Formando um corredor ao seu lado estão alguns militares, todos com o uniforme padrão completo e com armas de grande porte em suas mãos. Todas as pessoas na imagem estão sérias. Ao fundo, vê-se prédios e o céu azul. " width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1.png 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-1-1200x750.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26299" class="wp-caption-text">Entrando oficialmente no assalto de cabeça erguida, o Professor tenta uma última jogada para salvar seus companheiros (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro episódio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-casa-de-papel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Pape</span></i><span style="font-weight: 400;">l</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio ao ar em 2017, e agora, 5 anos depois, uma das séries mais conhecidas e adoradas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega ao fim. A quinta temporada foi dividida em </span><a href="https://www.itapemafm.com.br/ultima-temporada-de-la-casa-de-papel-sera-dividida-em-duas-partes"><span style="font-weight: 400;">dois volumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> (o primeiro lançado no dia 3 de setembro, e o segundo exatos três meses depois), e seguiu a narrativa deixada pela anterior: a gangue ainda estava no Banco da Espanha, depois do assassinato de Nairóbi e da chegada conturbada de Lisboa ao assalto, enquanto o Professor lutava com a fúria da inspetora Sierra e do coronel Tamayo. Só a menção desses pequenos fatos leva à conclusão de que coisas grandes estariam prestes a acontecer para finalizar a produção com chave de ouro e, de fato, aconteceram.</span></p>
<p><span id="more-26298"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntamente com a última temporada, foi lançado o documentário </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/la-casa-de-papel-de-toquio-a-berlim-4-coisas-que-aprendemos-sobre-bastidores-da-serie-lista/"><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">De Tóquio a Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também dividido em dois volumes), que mostra um pouco da rotina por trás das câmeras e a visão das pessoas envolvidas na série. Nele, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/4-series-incriveis-de-alex-pina-criador-de-la-casa-de-papel-lista/"><span style="font-weight: 400;">Álex Pina</span></a> <span style="font-weight: 400;">(produtor executivo) contou um pouco sobre os desafios de criar todo o ambiente de guerra da nova fase, que surpreendeu e agradou o público: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Precisávamos fazer algo maior, mas não sabíamos como abordar o gênero de guerra, nem como filmar, pois é extremamente complicado</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O diretor, </span><a href="https://www.instagram.com/jesus_colmenar/"><span style="font-weight: 400;">Jesús Colmenar</span></a><span style="font-weight: 400;">, completou falando sobre a pressão de finalizar a trama do jeito certo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei nisso com uma imensa sensação de responsabilidade [&#8230;] temos que tornar esta temporada maior, temos que torná-la mais épica</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Felizmente, o resultado não deixou a desejar e entregou um final realmente inesquecível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, não dá para falar sobre a última temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel </span></i><span style="font-weight: 400;">sem mencionar o </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/12/21/la-casa-de-papel-espanha-quebrar-roubo-43-bi-euros.htm"><span style="font-weight: 400;">roubo do ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Observando o plano de Berlim e Palermo, a única palavra que vem à mente é “impossível”, mas, na verdade, o roubo realizado no Banco da Espanha seria parcialmente possível, e isso foi explicado no documentário</span><i><span style="font-weight: 400;"> De Tóquio a Berlim</span></i><span style="font-weight: 400;">. A produção da série contratou um engenheiro naval que fizesse todos os cálculos essenciais para que o plano de extração do ouro desse certo, desde o tempo mínimo necessário, até a pressão, o atrito e todos os outros conceitos de física complexos demais para meros mortais. Então, com a equipe e o material certo, roubar o Banco da Espanha poderia funcionar, exceto talvez pela parte de convencer o governo a substituir a reserva nacional por latão.  </span></p>
<figure id="attachment_26300" aria-describedby="caption-attachment-26300" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-1-1.jpg" alt="cena da série La Casa de Papel. Estão, em cantos opostos de um corredor, os personagens Lisboa, Julia, Palermo e Denver; os homens estão ajoelhados no chão, enquanto as mulheres estão em pé. Julia é jovem, com cabelos curtos, castanhos e ondulados; Lisboa é um pouco mais velha que Julia, com cabelos longos, lisos e com luzes; Denver é jovem, com cabelos castanhos e ondulados; Palermo é um pouco mais velho que Denver, com cabelos castanhos e lisos. Lisboa e Denver vestem apenas a parte de baixo do macacão vermelho, com camisetas pretas, enquanto Julia e Palermo o vestem inteiro (Palermo ainda com um colete à prova de balas). Os homens apontam metralhadoras, enquanto as mulheres apontam pistolas comuns, todos têm expressão de raiva. O corredor tem muitos buracos de bala e há muita poeira e pedras no chão. Ao fundo, é possível ver uma pequena janela retangular com alguns feixes de luz azulada atravessando-a. " width="1008" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-1-1.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-1-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26300" class="wp-caption-text">Logo no começo da última temporada, a gangue precisa enfrentar mais problemas trazidos por Arturo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo uma retrospectiva da série como um todo, não é difícil perceber como ela adquiriu cada vez mais ação em seu enredo, ganhando nesse último momento um tom quase sombrio. As primeiras duas temporadas retrataram o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2020/06/la-casa-de-papel-revelado-o-valor-total-do-roubo-na-casa-da-moeda"><span style="font-weight: 400;">assalto à Casa da Moeda</span></a><span style="font-weight: 400;">, o qual, apesar de toda a ação e até mesmo as mortes envolvidas, foi muito mais simples quando comparado ao </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/07/18/la-casa-de-papel-3a-temporada-comeca-com-novo-assalto-veja-perguntas-e-respostas-sobre-serie.ghtml"><span style="font-weight: 400;">assalto ao Banco da Espanha</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrado nos últimos três anos. É importante ressaltar, no entanto, que o segundo caso já teve início como uma guerra, quando a gangue começou o crime apenas para resgatar Rio das mãos da polícia, e a equipe policial, que já estava furiosa por não ter tido sucesso em interromper a retirada do dinheiro na primeira vez, não queria errar de novo. Tudo apenas se intensificou no decorrer da série para algo imenso e totalmente inesperado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma possível razão para essa mudança de tom em </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a modificação sutil na equipe de criação da série. A </span><a href="https://filmow.com/la-casa-de-papel-parte-1-t247154/ficha-tecnica/"><span style="font-weight: 400;">primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> contava com cinco diretores, sete roteiristas e cinco produtores, enquanto </span><a href="https://filmow.com/la-casa-de-papel-parte-5-t295249/ficha-tecnica/"><span style="font-weight: 400;">a última</span></a><span style="font-weight: 400;"> contou com apenas dois diretores, quatro roteiristas e o acréscimo de um produtor. A alteração certamente trouxe alterações perceptíveis no curso da trama (como já foi comentado anteriormente), mas a permanência de quase todos os membros da equipe &#8211; em especial o produtor Álex Pina e o diretor Jesús Colemar &#8211; não permitiu que a essência tão especial da série se perdesse ou que pontas soltas fossem criadas. </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel </span></i><span style="font-weight: 400;">se comprometeu e entregou tudo até o fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da emoção da última fase de </span><a href="https://www.printi.com.br/blog/5-curiosidades-sobre-a-ultima-temporada-de-la-casa-de-papel"><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também se deve ao fato de que, diferente da primeira parte da série, o grupo de assaltantes não tem mais a necessidade de evitar criar qualquer tipo de laço afetivo entre si, já que todos se tornaram uma grande família. Nessa temporada final, em vários momentos, era evidente o quanto cada membro da gangue lutou com unhas e dentes para proteger os outros. Mesmo em uma grande guerra contra o governo e o exército espanhol, toda a equipe ainda conseguiu demonstrar amor, apoio e lealdade, passaram por cada vitória e derrota juntos. É também interessante notar como a </span><a href="https://www.hojeemdia.com.br/entretenimento/la-casa-de-papel-vulnerabilidade-de-professor-da-o-tom-da-quarta-temporada-1.782018"><span style="font-weight: 400;">vulnerabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do time foi explorada ao máximo até nos pequenos detalhes, e um grande exemplo disso é a falta da proteção trazida pelas máscaras de Dalí e pelos reféns, experienciada pela primeira vez na história de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_26301" aria-describedby="caption-attachment-26301" style="width: 2228px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1.jpg" alt="cena da série La Casa de Papel. Focado no centro da imagem está Palermo, um homem branco, com cabelos castanhos e lisos, ele tem alguns machucados no rosto, uma expressão séria, e está apontando uma arma de pequeno porte, veste o macacão vermelho. Atrás dele, em desfoque, é possível ver as grades do segundo andar do banco e a personagem Arteche, uma mulher branca, musculosa e com cabelos loiros presos, ela veste um top cinza e uma calça militar. " width="2228" height="1253" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1.jpg 2228w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26301" class="wp-caption-text">Segundos antes de literalmente tudo dar errado e a verdadeira guerra começar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando sobre o desenvolvimento das relações interpessoais no novo assalto, é inevitável mencionar como o romance se manteve presente. Na quinta temporada, Estocolmo (Esther Acebo) e Denver (Jaime Lorente) permaneceram como um dos casais principais, mesmo com o desenvolvimento rápido e superficial de um triângulo amoroso envolvendo Julia (</span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/04/manila-a-trans-de-la-casa-de-papel-e-uma-atriz-cis-e-ja-fez-vis-a-vis.htm"><span style="font-weight: 400;">Belén Cuesta</span></a><span style="font-weight: 400;">). Mas o título de casal que tirou o ar dos espectadores uma última vez ficou para Rio (Miguel Herrán) e Tóquio (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/ursula-corbero-do-sucesso-em-la-casa-de-papel-a-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Úrsula Corberó</span></a><span style="font-weight: 400;">). Logo de cara, na primeira temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;"> ofereceu aos espectadores uma </span><a href="https://youtu.be/v49OIzSf7iA"><span style="font-weight: 400;">paixão ardente</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os dois personagens que faziam tudo um pelo outro. A bolha de amor foi estourada a partir da terceira &#8211; após o sequestro de Rio -, mas, nesse último momento, o arco romântico foi encerrado de forma heroica e com muito amor envolvido, como deveria ser.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/la-casa-de-papel-por-que-amamos-a-toquio"><span style="font-weight: 400;">Tóquio</span></a><span style="font-weight: 400;"> também foi explorada ao máximo e de todos os ângulos possíveis na última temporada, trazendo uma construção perfeita para o grande momento de redenção da personagem que ficará marcado na história de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quem se recorda da narradora apenas como a responsável por muitos dos </span><a href="https://www.omelete.com.br/la-casa-de-papel-serie/la-casa-de-papel-toquio-mancadas#6"><span style="font-weight: 400;">problemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série, desde a primeira temporada, não imaginaria que ela seria capaz de um sacrifício tão grande para salvar sua família. Os últimos episódios do primeiro volume da quinta temporada trouxeram com muita clareza os motivos de Tóquio ter a personalidade explosiva que todos amam (ou odeiam). Sua vida antes de entrar para a gangue foi finalmente contada, e sua importância para outros personagens (principalmente Rio, Denver e o próprio Professor) ficou explícita. Tóquio disse adeus da melhor forma que podia, e todos pararam para ouvir. </span></p>
<figure id="attachment_26302" aria-describedby="caption-attachment-26302" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1.jpg" alt="cena da série La Casa de Papel. Focada no canto direito da imagem está Tóquio, uma mulher com cabelos bem curtos, castanhos e lisos, ela veste luvas de meio dedo e uma camiseta preta, na transversal de seu corpo estão algumas granadas e uma arma de grande porte, ela tem uma das mãos próxima à sua orelha. Atrás de si, um pouco desfocados estão Manila e Denver; Manila é uma mulher com cabelos curtos, castanhos e ondulados, veste o macacão vermelho e um colete à prova de balas, carrega com as duas mãos uma arma de grande porte; Denver é um homem com cabelos castanhos e ondulados, veste uma camiseta preta e um colete à prova de balas, carrega uma mochila verde nas costas e uma arma de grande porte na transversal de seu corpo. Ao fundo, é possível ver um foco de luz azulada. " width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-1-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26302" class="wp-caption-text">Denver e Manila fizeram um bom trabalho acompanhando a impulsividade e as fortes emoções de Tóquio nos últimos momentos da personagem na série (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto alto da temporada foi o desenvolvimento da relação entre o Professor e a </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/netflix/encantada-pelo-professor-alicia-sierra-salva-la-casa-de-papel"><span style="font-weight: 400;">inspetora Sierra</span></a><span style="font-weight: 400;">, através de uma narrativa imprevisível e muito interessante (é claro que a química entre </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/la-casa-de-papel-4-manias-do-professor-que-aprendemos-na-serie-documental-de-toquio-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Álvaro Morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/conheca-atriz-que-faz-inspetora-sierra-personagem-mais-odiada-de-la-casa-de-papel-28354"><span style="font-weight: 400;">Najwa Nimri</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi o ponto chave para o ótimo resultado). Sierra, desde a sua chegada, se mostrou uma mulher forte e impenetrável que faz de tudo para conseguir o que quer, e não foi diferente quando foi passada para trás por Tamayo na quarta temporada, o que a deixou empenhada em fazer o impossível para encontrar o Professor e entregá-lo para conseguir sua reputação de volta. No entanto, a personagem foi levada ao limite e foi possível notar toda a vulnerabilidade que ela carrega; o Professor, por sua vez, teve um papel essencial na jornada de reconstrução e redescoberta de Sierra. Analisar a forma como a dupla saiu de inimigos para parceiros de sobrevivência, chegando enfim a uma relação de respeito mútuo, foi muito reconfortante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todos os arcos que aconteceram ao mesmo tempo na quinta temporada, aquele que deixou os fãs da série mais confusos no primeiro volume foi de longe o de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/la-casa-de-papel-ganha-spin-sobre-berlim-e-pedro-alonso-comemora-profundamente-grato/"><span style="font-weight: 400;">Berlim</span></a> <span style="font-weight: 400;">(Pedro Alonso) e seu filho, </span><a href="https://www.vix.com/pt/series/604116/principal-teoria-de-la-casa-de-papel-estava-errada-o-que-acontece-no-final-da-serie?utm_source=next_article"><span style="font-weight: 400;">Rafael</span></a> <span style="font-weight: 400;">(Patrick Criado). Não é mistério para ninguém que o personagem de Pedro Alonso é um dos mais queridos pelo público desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto que suas aparições foram indispensáveis mesmo depois de sua morte na segunda temporada. Porém, nos capítulos lançados em setembro, sua participação foi uma incógnita, com narrativa de introdução ao seu filho (nunca mencionado antes), sem nenhuma relação aparente com a trama principal. Houve muita </span><a href="https://portalpopline.com.br/la-casa-de-papel-fas-acertam-teoria-sobre-final-serie/#:~:text=La%20Casa%20de%20Papel%3A%20quem,o%20trocou%20por%20seu%20filho.&amp;text=A%20teoria%20da%20trai%C3%A7%C3%A3o%20j%C3%A1,Rafael%20foi%20introduzido%20na%20s%C3%A9rie."><span style="font-weight: 400;">especulação</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a participação de Rafael na parte final da série, e o motivo da introdução de um roubo paralelo, mas mais uma vez a série espanhola não deixou de impressionar na perspicácia de um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">, já que tudo só fez realmente sentido no último episódio. </span></p>
<figure id="attachment_26303" aria-describedby="caption-attachment-26303" style="width: 876px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26303" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-1-1.jpg" alt=" cena da série La Casa de Papel. Sentado, de frente para a câmera, está o personagem Rio, um homem jovem, musculoso e com cabelos cacheados, veste a parte de baixo do macacão vermelho e uma camiseta preta, usa também uma corrente militar no pescoço. Um pouco a frente de Rio, estão em pé as personagens Julia (Manila) e Lisboa, uma de frente para a outra; Julia é uma mulher alta, jovem, com cabelos curtos, castanhos e ondulados, se veste da mesma forma que Rio (sem a corrente); Lisboa é uma mulher um pouco mais velha e mais baixa que Julia, com cabelos um pouco longos e com luzes, veste o macacão inteiro. Ainda a frente da dupla estão os personagens Palermo e Matías (Pamplona), também um de frente para o outro; Matías é um homem jovem, baixo, com cabelos castanhos em forma de topete e raspado nas laterais, não é possível ver seu rosto; Palermo é um homem um pouco mais velho e mais alto que Matías, com cabelos castanhos e lisos; ambos se vestem como Lisboa. Todos os personagens têm suas bocas abertas, como se estivessem cantando e, com exceção de Julia, todos carregam objetos improvisados como se fossem instrumentos de samba. " width="876" height="484" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-1-1.jpg 876w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-1-1-800x442.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-1-1-768x424.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26303" class="wp-caption-text">Apesar de todo o drama, La Casa de Papel não poderia se despedir sem tocar Bella Ciao uma última vez (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel</span></i><span style="font-weight: 400;"> se despede com uma temporada épica, cheia de emoção e nostalgia, relembrando a todos os espectadores o motivo para </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43820924"><span style="font-weight: 400;">terem </span><span style="font-weight: 400;">se apaixonado</span><span style="font-weight: 400;"> por ela</span></a><span style="font-weight: 400;"> em primeiro lugar. O </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/230150-la-casa-de-papel-5-questoes-final-serie-respondeu.htm"><span style="font-weight: 400;">final</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter sido irreal e utópico, mas era o necessário para fechar esse ciclo de forma perfeita e deixar todos com o coração quentinho e com lágrimas nos olhos. Todos os personagens caminharam e celebraram o final juntos, e todos os fãs também. Uma última vez: </span><i><span style="font-weight: 400;">Oh Bella Ciao, Ciao, Ciao</span></i><span style="font-weight: 400;"> e obrigada pelos anos intensos e recheados de momentos incríveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para todos que já estão chorando de saudade, vale mencionar que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirmou no dia 30 de novembro um </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1312632/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-spin-off-de-berlim-de-la-casa-de-papel"><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> focado totalmente no queridinho Berlim, a nova trama leva o nome do personagem e deve chegar em 2023; não parando por aí, a plataforma ainda anunciou o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/netflix-revela-primeiro-teaser-de-versao-coreana-de-la-casa-de-papel/#:~:text=A%20nova%20vers%C3%A3o%20%C3%A9%20escrita,2022%2C%20mas%20ainda%20sem%20data.&amp;text=O%20an%C3%BAncio%20consolida%20duas%20tend%C3%AAncias,a%20aposta%20em%20produ%C3%A7%C3%B5es%20coreanas."><span style="font-weight: 400;"><em>remake</em> sul-coreano</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">La Casa de Papel: Coreia &#8211; Área de Economia Conjunta</span></i><span style="font-weight: 400;">, com um </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser </span></i><span style="font-weight: 400;">lançado no dia 18 de janeiro, é esperado que o projeto chegue ao serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda em 2022.</span></p>
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		<title>O leite derramado de Mães Paralelas</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 15:38:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Duas mães, duas Espanhas, dois paralelos. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O leite derramado de Mães Paralelas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26911" aria-describedby="caption-attachment-26911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26911" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis de costas, em ordem. Ana é uma jovem branca de cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma jaqueta esportiva azul marinho com detalhes em vermelho nas laterais. Ela segura uma taça de vidro âmbar em direção à Janis, que está à esquerda. Janis é uma mulher branca de meia idade com cabelo castanho médio iluminado e ondulado. Sua roupa é coberta pelo cabelo. O fundo é uma parede verde musgo com retratos de ancestrais emoldurados por molduras vermelhas." width="1920" height="1029" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1536x823.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1200x643.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26911" class="wp-caption-text">Após abrir o Festival de Veneza em 2021, Mães Paralelas foi indicado à duas categorias do Oscar 2022: a de Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora Original (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas mães, duas Espanhas, </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/23/movies/parallel-mothers-review.html"><span style="font-weight: 400;">dois paralelos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos opostos, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original, </span><i><span style="font-weight: 400;">Madres Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">) </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> posiciona passado e presente, ambos em confronto entre si. O longa dá sequência ao universo melodr</span><span style="font-weight: 400;">amático deslumbrante – mas cru – do cineasta espanhol, desta vez, como manifesto político. O leite já foi derramado e o resquício azedo de sua sujeira continua incrustado nos rejuntes do país. Resta, aceitá-lo.</span></p>
<p><span id="more-26910"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como enredo central da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha o encontro de duas mães </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que engravidaram por acidente: Janis (Penélope Cruz), uma fotógrafa de meia-idade bem sucedida, e Ana (Milena Smit), uma jovem traumatizada. No mesmo quarto hospitalar, momentos antes do parto, elas compartilham suor, gritos e poucas confidências, dando à luz quase simultaneamente as respectivas recém-nascidas. Assim, a breve troca de experiências foi o suficiente para ligar o destino de Janis ao de Ana, numa sucessão de tramas movidas pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-cinema-de-pedro-almodovar-"><span style="font-weight: 400;">ritmo autoral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor. Através de reviravoltas absurdas, o relacionamento da dupla se progride por diferentes estágios, sejam juntas, como parceiras, ou sós, como mães.</span></p>
<figure id="attachment_26912" aria-describedby="caption-attachment-26912" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26912" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Cecilia e Janis deitadas lado a lado. Cecilia é uma recém nascida branca. Ela usa brincos arrendados na cor dourada e uma roupa rosa pastel de mangas compridas. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Janis encara a bebê. Ambas estão deitadas numa cama com lençol verde limão detalhado por bordados floridos na mesma cor." width="1920" height="1030" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1536x824.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1200x644.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26912" class="wp-caption-text">Disponível nas plataformas da Netflix e em salas de cinema selecionadas no Brasil, Mães Paralelas é um projeto em desenvolvimento desde 1999, com primeira aparição no universo Almodóvariano em 2009, através de um cartaz exposto em uma cena de Abraços Partidos (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com carinho, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é encarada honestamente pelas diferentes figuras demonstradas no filme. Janis e Ana são genitoras devotadamente calorosas, mas diferentemente delas, Teresa (Aitana Sánchez-Gijón), mãe da segunda personagem, apresenta-se como uma mulher narcisista sem vocação para a coisa. E refletidas por íntimas complexidades, as mães são verdadeiramente humanas. Longe da perfeição, elas são protagonistas da própria sorte e, como tal, elas cometem erros imperdoáveis em nome do amor – “</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma mãe e uma filha </span></i><span style="font-weight: 400;">–</span> <a href="https://youtu.be/eOizTkQocaY"><i><span style="font-weight: 400;">que combinação terrível de sentimentos e confusão e destruição</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses laços se progridem em revelações surpreendentes por um palco ainda envolvido pelo carmesim intenso, pelo calor da comida e pela faca amolada. O mundo de Almodóvar é belíssimo, à parte da monotonia cinza comum da realidade. É uma versão </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/most-iconic-design-moments-pedro-almodovar"><span style="font-weight: 400;">exageradamente brilhante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma Madri ornada pelas tradições estéticas </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">flamencas</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo surrealismo brilhante e pela propulsão da </span><a href="https://open.spotify.com/album/28r1UyARKoyScuEEgggLo2?si=CDQOtepXSd6Bz0BKp0UAeQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">hitchcockiana</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na cozinha, por exemplo, acontece tudo. Espaço de conexão, a cozinha catalisa o drama narrativo das personagens: nela se cozinha, nela se discute, nela se desperta o </span><i><span style="font-weight: 400;">eros </span></i><span style="font-weight: 400;">sexual, nela se assassina. Um cômodo universal desempenha papel importantíssimo no melodrama </span><a href="https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/Critica_Cultural/article/view/722/pdf_1"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Almodóvar, como uma espécie de portal entre o novo e a tradição. Os revestimentos se renovam, mas as receitas são heranças ancestrais.</span></p>
<figure id="attachment_26913" aria-describedby="caption-attachment-26913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela aparece um par de mãos cortando uma cenoura laranja com uma faca de inox prateada. As mãos estão ampliadas. O fundo é uma tábua de madeira com marcas de usos." width="1920" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1200x645.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26913" class="wp-caption-text">O elenco conta com a presença ilustre de Julieta Serrano, Rossy de Palma e Penélope Cruz, três figuras recorrentes na filmografia de Almodóvar (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é em relação à </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/maes-paralelas-expoe-traumas-espanhois-historicos-sem-trair-temas-habituais-de-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se corporifica. A inconclusão da Guerra Civil Espanhola e os quase 40 anos de ditadura que se sucederam foi o pontapé inusitado das duas horas de duração do filme, quando Janis lidera um ensaio de fotos com </span><span style="font-weight: 400;">Arturo (Israel Elejalde), um celebrado antropólogo forense cuja especialidade é examinar os restos mortais das vítimas do general Franco, muitas das quais foram sepultadas em valas inapropriadas sem identificação, incluindo o bisavô da fotógrafa. Ela busca por respostas, desenterrando feridas que silenciosamente permaneceram abertas com o passar dos tempos. Aqui, Almodóvar combina a angústia doméstica sentimental com a história nacional política de seu país, de maneira que só o veterano espanhol seria capaz de fazê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De 1977 a 2007, as cicatrizes políticas da Guerra Civil Espanhola foram reprimidas legalmente pelo </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/documentario-a-ferida-aberta-do-franquismo-numa-espanha-democratica-10836285.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pacto del Olvido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Pacto do Esquecimento), que garantiu anistia a todos os crimes da ditadura, além de excluir o estudo do período ruinoso no currículo do </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-15/espanha-aprova-lei-que-obriga-ensino-sobre-ditadura-franquista-nas-escolas.html"><span style="font-weight: 400;">ensino escolar</span></a><span style="font-weight: 400;">. E sem a memória do passado, a Espanha seguiu em frente, transicionando para a democracia sem pedras nos sapatos </span><span style="font-weight: 400;">– só que as coisas não são tão simples assim</span><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bom, está na hora de você saber em que país mora</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Janis irritada com o descaso de Ana em relação aos executados pelo regime Franquista, logo se disparando numa aula improvisada de história na cozinha </span><a href="https://youtu.be/5qD9Sxt54ak"><span style="font-weight: 400;">colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26914" aria-describedby="caption-attachment-26914" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis, em ordem, se encarando frente a frente. Elas estão sobre a mesa de jantar. Ana é uma jovem branca de olhos verdes e cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma blusa de gola alta com tons mesclados entre variações de vinho. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Ela veste uma camiseta branca com estampa gráfica escrita “We Should All Be Feminists”. A mesa é de madeira, as cadeiras também, com detalhes em palha. Sobre a mesa está um monitor laranja, uma jarra de vidro cheia de água, copos de vidro, pratos com comidas e uma travessa redonda de vidro com folhas e duas espátulas de madeira. O fundo é uma sala de jantar com paredes verde musgo, uma lareira de mármore acinzentado no centro, acima, um retrato nu em preto e branco de uma mulher negra, duas luminárias com duas esferas em cada e, abaixo delas, dois gabinetes laranjas com objetos variados." width="1920" height="1034" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26914" class="wp-caption-text">Um dos cartazes oficiais do filme causou <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-08-11/o-criador-do-cartaz-viral-do-filme-de-almodovar-se-o-mamilo-fosse-de-um-homem-nao-o-teriam-censurado.html">polêmica</a> ao exibir um mamilo em lactação, chegando a ser temporariamente removido do Instagram (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais (in)significantes detalhes, elas se contrastam. Janis, batizada em homenagem à </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, é filha de mãe solteira </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;">, criada pela avó, também solteira. Ela exala pujança e veste camisetas gráficas datadas com um grande “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas Deveríamos Ser Feministas</span></i><span style="font-weight: 400;">” estampado. Já Ana, é filha de uma atriz egocêntrica e de um pai invisível. Essa, apesar dos acasos trágicos, emana privilégio e ingenuidade confortável sobre o mundo que a envolve </span><span style="font-weight: 400;">– símbolo da “nova” Espanha, de uma geração que não tem nada para se lembrar, mas que, mesmo assim, se lembra. E em tempos de efervescência dos mais diversos negacionismos, Almodóvar bate o pé em reação, desenterrando os escombros empoeirados dos cadáveres espalhados pelo solo espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reunindo excepcionalmente o cineasta com Penélope Cruz, o longa não foi a </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema-premiacoes/madres-paralelas-de-pedro-almodovar-perde-disputa-interna-e-nao-representara-espanha-no-oscar-2022.phtml"><span style="font-weight: 400;">submissão oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Espanha para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a presença calorosa de Cruz, que conduz com sutilidade as nuances de uma das </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/maes-paralelas-por-que-penelope-cruz-nao-conseguiu-parar-de-chorar-durante-filmagens/"><span style="font-weight: 400;">maiores interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, foi o bastante para indicá-la à categoria de Melhor Atriz pela Academia, bem como Alberto Iglesias, que também concorre à Melhor Trilha Sonora Original. E apesar de não ter recebido nenhuma outra indicação na temporada de premiações em 2021, além de sua merecida vitória no </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/mulheres-ganham-leao-de-ouro-e-premios-de-direcao-e-roteiro-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Cruz – que chegou a vencer a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Vicky Cristina Barcelona</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelo infame </span><a href="https://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/"><span style="font-weight: 400;">Woody Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, se encontra em meio a uma disputa acirrada que pode lhe garantir uma segunda estatueta, dessa vez, ao lado de Almodóvar no oitavo projeto juntos – fruto de uma colaboração veterana poderosa.</span></p>
<figure id="attachment_26915" aria-describedby="caption-attachment-26915" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão nove pessoas agachadas dentro de uma vala aberta, examinando restos de ossos enterrados. Todos vestem camisetas encardidas de terra e luvas de proteção. A vista da imagem é superior, de cima para baixo. O chão da vala é coberto por terra e quatro pedras laterais que formam uma espécie de cruz no centro. No chão, ao lado dos legistas forenses e dos cadáveres, estão pranchetas, sinalização em papel amarelo, baldes, pás e espanadores. A imagem é toda em tons terrosos." width="1920" height="1035" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1200x647.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26915" class="wp-caption-text">No Oscar 2022, Penélope Cruz e Javier Bardem são o 6º casal indicado por atuação no mesmo ano (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a herança dolorida de vítimas de uma Espanha, ainda sem desfecho digno. Nos minutos finais do filme, a riqueza visual autoral do estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Almodóvariano </span></i><span style="font-weight: 400;">já não cabe mais, tornando-se incômoda, tamanha a densidade da sombra, espessa e depravada, que paira sobre sua narrativa brutalmente direta. Aqui, a ficção serve de lente devastadora para o </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,maes-paralelas-e-o-primeiro-longa-de-almodovar-a-usar-como-pano-de-fundo-guerra-civil-de-1930,70003968219"><span style="font-weight: 400;">documental</span></a><span style="font-weight: 400;">, para o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De paralelos à hipérboles se constrói personagens ambíguas, ultrajantes e, apesar disso, amorosas. A </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">figura feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais uma vez se destaca como força motriz na filmografia do espanhol como diretor. Janis e Ana, verdadeiras </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">, são o âmago do longa. À beira de perder tudo, ambas reivindicam o que lhes é direito, transgredindo os limites dos papéis de gênero. Os segredos são melhores desencavados, na esperança de seguir em frente do passado, sem, no entanto, esquecê-lo, por mais cortante que seja.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Não há história muda. Por mais que a queimem, por mais que a quebrem, por mais que mintam, a história humana se recusa a ficar calada.</span><span style="font-weight: 400;">” <em>(Eduardo Galeano)</em></span></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mães Paralelas | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/50cJUKw9RU8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Um Forte Clarão não passa de uma fagulha</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 20:49:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado  Morar em cidade pequena pode ser pacífico, sem o estresse e o ritmo frenético das capitais, mas também pode ser um verdadeiro tédio por causa da rotina limitante e da falta de coisas diferentes para fazer. No caso de Um Forte Clarão, filme exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-forte-clarao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um Forte Clarão não passa de uma fagulha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24012" aria-describedby="caption-attachment-24012" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24012" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1.png" alt=" Cena do filme Um Forte Clarão exibe uma pessoa, à distância, parada em uma rua vazia durante a noite. Ela está de costas, levando uma mala em uma das mãos. As poucas luzes dos postes estão acesas, iluminando somente parte da rua. À esquerda, vemos casas enfileiradas e, à direita, um muro branco. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24012" class="wp-caption-text">Ruas escuras são uma constante no longa que integra a Competição Novos Diretores da Mostra de SP (Foto: Tentación Cabiria)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Morar em cidade pequena pode ser pacífico, sem o estresse e o ritmo frenético das capitais, mas também pode ser um verdadeiro tédio por causa da rotina limitante e da falta de coisas diferentes para fazer. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Forte Clarão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o marasmo serve como um pretexto para que os personagens contem histórias e tenham experiências inexplicáveis. </span></p>
<p><span id="more-24010"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha diversas personagens: Isa (Isabel María Mendoza) utiliza um gravador para registrar mensagens para si própria para quando sumir ou perder a memória, Cita (Carmen Valverde) que se sente presa a seu casamento, María (María Sosa) retorna ao povoado onde nasceu para lidar com o falecimento do marido e um trio de mulheres têm que lidar com o fato de que sua cidade é um lugar que parou no tempo. </span></p>
<figure id="attachment_24011" aria-describedby="caption-attachment-24011" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24011" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao.png" alt="Cena do filme Um Forte Clarão exibe uma mulher parada no mar. A água alcança seu umbigo e ela está de costas para a câmera. Veste uma camiseta branca e tem cabelo preto, na altura dos ombros. Ao longe, vemos duas ilhas. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24011" class="wp-caption-text">A direção de Ainhoa Rodriguez sempre assume uma distância segura dos personagens (Foto: Tentación Cabiria)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que abordar em um ambiente que aparenta ter um cotidiano tão apático? A solução adotada pela produção espanhola, vencedora do Prêmio Especial do Júri no Festival de Málaga, é deixar seus personagens viverem normalmente, enquanto contam histórias uns para os outros na tentativa de fazerem o tempo passar mais rápido. O “forte clarão” do título nem tem tanta importância assim se comparado à força das narrativas orais dentro daquele universo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da cidade abandonada e da vegetação que intensifica a </span><a href="https://personaunesp.com.br/suor-critica/"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;">, essas histórias, contadas em longas conversas, ganham força por conta de sua peculiaridade. Relatos sobre um escândalo amoroso, um pequeno milagre ou mesmo uma visão que parece ter saído de um filme surrealista prendem nossa atenção pela forma persuasiva como os personagens os narram. Para eles, saber desses acontecimentos não é só entretenimento, mas um escapismo necessário para conseguirem aguentar a vida. </span></p>
<figure id="attachment_24013" aria-describedby="caption-attachment-24013" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24013" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2.png" alt="Cena do filme Um Forte Clarão exibe várias mulheres brancas idosas ao redor de uma mesa. Elas parecem estar sob efeito de alguma droga. Algumas mulheres tocam no rosto das outras e, em cima da mesa, uma mulher está deitada com a mão no rosto. Parece extasiada. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Forte-Clarao-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24013" class="wp-caption-text">Em seus momentos mais catárticos, Um Forte Clarão foge do comum (Foto: Tentación Cabiria)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte das narrativas são ilustradas por cenas mais abstratas, como quando um animal vai em direção a uma luz vermelha </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">alienígena</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vem de dentro de uma casa, à noite. São pequenos momentos que soam libertadores pois quebram o ritmo ordinário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mighty Flash</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha estabelecido até então. Não se aprofundam tanto na bizarrice quanto poderiam, mas beneficiam a obra que, caso contrário, não teria nada de interessante a oferecer além de uma rotina simples e sufocante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como as mulheres que conversam ao redor da mesa em algumas cenas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Forte Clarão </span></i><span style="font-weight: 400;">sofre por estar preso ao cotidiano, sem conseguir elaborar um drama ou atmosfera interessantes o suficiente. O que acaba se destacando são as histórias contadas pelos personagens e os momentos abstratos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Destello Bravío</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde se permite expandir um pouco os horizontes e fugir da prisão da realidade. Em uma obra desinteressada nas pessoas que exibe em frente à câmera, a sensação é a de que esses acenos para o desconhecido dão um vislumbre do excelente filme que poderia ter sido, mas, em vez disso, fez igual ao pássaro da cena final: voou um pouco para logo voltar para o chão. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Destello bravío (ESTRENO EN CINES 18/06) - Tráiler | Filmin" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MRaxasX6tyo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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