
Nathalia Tetzner
Não há algo tão agridoce quanto relembrar os tempos da adolescência e, definitivamente, nada é intenso e suave quanto Red Velvet – não estamos falando de sabores de bolo, mas sim de cinco meninas que definiram a terceira geração do K-pop. Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri dividem uma trajetória marcada por hits e visuais impecáveis, porém, também muita incerteza; fator comum de uma indústria musical que busca renovação a todo momento, conhecida por levar seus idols à exaustão.
Completando dez anos desde o debut com Happiness, as garotas, agora mulheres independentes que se consagraram em suas próprias carreiras solo, abrem as portas para as memórias de um passado recente, que já deixam muita saudade. Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv utiliza gravações da turnê mais recente do grupo para montar um documentário que prova: “Se você precisa de paz em seu coração e quer sentir alegria, volte quando quiser. Estamos sempre aqui”.

A estrela do longa acaba sendo Kim Ye-rim. É extremamente emocionante, tanto para as membros mais experientes, quanto para qualquer ‘ReVeluv’ – nome do fandom de Red Velvet – assistir como a maknae amadureceu. Na turnê 2024 Red Velvet FANCON TOUR <HAPPINESS : My Dear, ReVe1uv>, é recriado o momento em que ela se junta às meninas antes do lançamento do mini-álbum icônico Ice Cream Cake. Nesse instante, é quase impossível segurar as lágrimas.
De fato, o diretor Oh Yoon-dong, acostumado a gravar eventos de K-pop, consegue trazer um diferencial para a película: aqui, há bastante espaço para a expressão dos sentimentos conflitantes de Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri; o que acaba, por vezes, sufocando o espetáculo. Contudo, o que é Red Velvet senão “uma mistura de conto de fadas e elementos assustadores?”. Ainda que algumas declarações sejam como um cupcake amargo decorado com glitter, as cinco continuam iluminando por onde passam.

Muito desse lado difícil de engolir surge das próprias ações da SM Entertainment. A empresa que detém os direitos de Red Velvet sempre esteve envolvida em incontáveis polêmicas e processos a respeito da forma maquiavélica que cria e desenvolve grupos de K-pop. Isso fica nítido em uma declaração de Yeri: “Me disseram que eu era como a cor vermelho vibrante, porque eu pensei que tudo iria melhorar depois da estreia. Depois que eu estreei, eu fiquei mais opaca. Talvez, até deixado de lado meu autoconhecimento”.
Embora se trate de um filme que deixa uma certa nostalgia no ar, Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv alcança o objetivo de celebrar dez anos de uma explosão de cores inesquecível: o debut de um dos grupos sul-coreanos mais distinguíveis de todos. Assim como Irene, quando menciona a canção Candy (사탕) no documentário, ficamos com a sensação de que “Se eu não te conhecesse, como eu teria rido desse sentimento sombrio?”.