
Qual imagem te lembra o Cinema em 2024? A Zendaya com os seus twinks do tênis ou da ficção científica? O discurso poderoso da Demi Moore no body horror de Coralie Fargeat? Ou você se lembra da marcante cena de Eunice Paiva e seus cinco filhos na sorveteria? O fato é que as mulheres dominaram as telonas e foram reconhecidas pelo público e crítica com histórias memoráveis. Ao todo, 33 obras foram mencionadas na lista de Melhores Filmes do Ano do Persona. De profissionais do sexo a vampiros sugadores de casadas, os longas-metragens citados possuem uma caractéristica que os une: o êxito em provocar sentimentos que ultrapassam a pupila e acessam outras partes do corpo para te fazer sentir.
Nessa lista, seis obras se destacam pela sua relação com sexo ou corpo. Nas narrativas, há uma linha tênue entre querer ser e ter aqueles personagens, se reconhecer ou não fazer parte daquela realidade, mas compreender as ações das pessoas, que nem sempre estarão de acordo com as nossas convicções. Diferente de uma parcela do público, essas produções não julgam seus protagonistas, não possuem um desenvolvimento simplista e se afastam das condenações morais dos espectadores. Desse modo, cineastas escolheram analisar vivências consideradas lascivas e virar do avesso o pensamento preconceituoso sobre a diversidade de viver.
“Só porque os meus sonhos são diferentes dos seus, não significa que eles não são importantes” – Adoráveis Mulheres (2019)
No ranking da nossa Editoria, Ainda Estou Aqui aparece dez vezes; sete das menções colocam a obra de Walter Salles na primeira colocação. Além da história sobre a família Paiva, outras três produções nacionais tiveram destaque: Baby, Oeste Outra Vez e Motel Destino. Fora do país, Duna: Parte 2 e Rivais empataram no coração dos redatores: com sete menções, os enredos dirigidos por Denis Villeneuve e Luca Guadagnino se alinharam à Substância, que foi relembrado seis vezes por sua crítica à indústria hollywoodiana e ao etarismo com as mulheres.
Simplificar a Arte e procurar respostas para tudo não é o caminho: o Cinema precisa da subjetividade e do senso crítico na medida em que as transformações socioculturais ocorrem. Mais do que uma representação, a Sétima Arte também se comporta como um acervo da memória de um gênero narrativo, grupo minoritário ou história de um país. Pode abarcar dores diversas, sem definir qual é mais ou menos importante; quais devem ser premiadas ou dignas de serem contadas. Nos filmes, tudo deve ter espaço, inclusive as tramas que causam desconforto, ira e nos tiram do lugar comum – afinal, existe maneira melhor de alcançar respeito e pensar em mudanças que não seja adentrar em facetas distantes de nós? No texto a seguir, o Persona convida você a recordar os Melhores Filmes de 2024.

Conclave (Conclave)
Quando Edward Berger aterrissou no Oscar de 2023, muitas dúvidas pairavam sobre seu nome. Nas tentativas de desqualificar seu filme Nada de Novo no Front (2022), que estava longe de ser um queridinho, um dos argumentos era que a Primeira Guerra é um tema relativamente fácil de se dramatizar e de enorme apelo para público e crítica. Sua próxima incursão, então, Conclave, para sacramentar de vez seu talento, vai no caminho contrário para um dos temas mais difíceis de se extrair conteúdo cinematográfico com esse teor: a Igreja Católica.
No longa, o Papa está morto e se acompanha justamente esse vácuo de poder que se instaura no alto clero até a escolha de um novo representante. Diferente de outras obras que abordam essa temática, como Game of Thrones ou Succession, aqui todo o perigo do jogo de poder é quase silencioso. A direção de Berger é bastante consciente ao isolar cada cardeal e mostrar seus embates individuais com a fé católica, enquanto o roteiro é sagaz ao constatar que, no momento em que todos estão no mesmo patamar de poder, sobra apenas o humano por baixo da túnica. Instigante, cheio de ritmo e primoroso, Conclave é, sem dúvidas, um dos filmes mais completos da temporada, seja em forma ou em conteúdo. – Guilherme Veiga

Nosferatu (Nosferatu)
A releitura do clássico de F. W. Murnau estreou nas telonas dos Estados Unidos às vésperas de 2025, mas a tempo de conquistar sua posição entre os expoentes da Sétima Arte lançados em 2024. Na nova versão de Nosferatu, Robert Eggers convida o público a uma viagem no tempo com destino à Europa efervescente do século XIX e a extrema atenção do diretor aos detalhes convence o espectador de que, realmente, está naquele mundo. Para além do detalhismo evidente, a atuação de Lily Rose-Depp contribui para o destaque da obra: a agonia e sofrimento constantes de Ellen estariam claros, ainda que na ausência de palavras.
Fazendo jus às suas quatro indicações ao Oscar 2025, o longa não conquista seu espectador por meio de personagens carismáticos, trama comovente ou roteiro inovador. A riqueza do filme reside na fidelidade do cineasta ao seu compromisso em eternizar o Conde Orlok através das gerações. O espectador que desconhece as versões de 1922 e 1979 compreende plenamente o universo que circunda os protagonistas da trama. Aqui, o diretor se vê exitoso com sua proposta e responsável por um dos melhores lançamentos do Cinema no ano. – Esther Chahin

Oeste Outra Vez
A obra de Erico Rassi se notabilizou ao conquistar o prêmio de Melhor Filme do Festival de Gramado em 2024. Ainda no ano passado o longa passou por outros festivais, incluindo a 48º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no entanto é só em 2025 que ele vai chegar ao público geral. No enredo, Totó (Ângelo Antônio) é abandonado por sua mulher, que decide ficar com Durval (Babu). Em retaliação, ele manda matar o personagem. Ao sobreviver, Durval contrata assassinos para irem atrás de Totó, perpetuando a violência cotidiana.
A trama consegue debater questões como o machismo e a objetificação sem ser apelativo e expositivo, se utilizando muito do subtexto. Oeste Outra Vez se trata, afinal, de homens que não conseguem lidar com suas fragilidades. A escolha por uma pegada faroeste não é à toa, pois, o gênero vem explorando a masculinidade a partir de sua própria história. Erico Rassi se destaca ao colocar a falta de comunicabilidade como uma maneira de gerar outras formas de expressão, nesse caso, a barbárie. – Guilherme Moraes

Wicked (Wicked)
A adaptação do musical da Broadway mais aguardada desde que foi anunciada, Wicked, chegou aos cinemas em Novembro de 2024, levando fãs de diva pop, desavisados e admiradores de musical às salas, tendo o sucesso de surpreender positivamente todos eles. A prequela (história anterior) do famoso O Mágico de Oz já foi adaptada muitas vezes no palco de maior sucesso de musicais do mundo e movimenta milhões todos os anos. Com um duo grandioso, a primeira parte da adaptação tem o trunfo de trazer a primeira Elphaba negra e queer, interpretada por Cynthia Erivo, e Ariana Grande, cantora que retoma as suas origens na atuação e realiza o seu sonho de interpretar Glinda.
Com tamanha entrega, a atuação de ambas tira o fôlego e merece todas as indicações e aplausos que vem recebendo. Somando duas estatuetas no Oscar 2025 e reiterando a caminhada de sucesso do musical que já coleciona 64 indicações ao longo de sua existência, em quase 3h, o filme nos leva a viajar para outro universo, com canções agradáveis e contagiantes, nos levando a reflexões, emoções e uma paixão sem fim, que anseia pela parte dois. – Aryadne Xavier.

Mufasa: O Rei Leão (Mufasa: The Lion King)
Mufasa, possui uma personalidade muito admirável no primeiro filme da franquia, iniciada em 1994 com O Rei Leão. Acompanhar a história do seu crescimento, em Mufasa: O Rei Leão, traz à tona muitas nostalgias dos longas anteriores. A tecnologia das cenas produzidas em computador continua a surpreender, ainda que existam opiniões contrárias à realidade do filme 3D, a mesma da produção live-action O Rei Leão, de 2019.
A trilha sonora da obra não se compara à da trilogia original, entretanto, não deixa de ser cativante. O longa continua com o tradicional musical das produções da Disney, o que retoma a magia de filmes voltados ao público infantil. A obra possui uma espetacular ênfase no desenvolvimento de Mufasa (Aaron Pierre), o qual desperta curiosidade no público, principalmente, devido à passagem de um relacionamento de honestidade e humildade com Scar (Kelvin Harrison Jr.) para um relacionamento de inimizade. – Maria Fernanda Beneton

Meu Malvado Favorito 4 (Despicable Me 4)
Em mais uma aventura como agente da Liga Antivilões, Meu Malvado Favorito 4 é um dos melhores filmes de 2024. A animação continua com Gru (Steve Carell) e sua família, Lucy (Kristen Wiig), Margo (Miranda Cosgrove), Edith (Dana Gaier) e Agnes (Madison Polan), que agora contam com um novo membro: Gru Jr. O enredo traz mais uma missão a ser concluída, derrotar o inimigo Maxime Le Mal (Will Farrell) e sua namorada Valentina (Sofía Vergara), mas, diferente dos outros filmes em que o personagem principal morava em sua casa onde vivia com suas filhas adotadas, o protagonista precisa lidar com a paternidade de ter um bebê e uma vizinha adolescente intrometida e irritante. Com muita maestria, o longa foi o maior da Universal Pictures no Brasil, com uma bilheteria de mais de 140 milhões de reais.
O filme recebeu indicações no Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films (Melhor Filme Animado), Hollywood Music In Media Awards (Melhor Música Original) e Chinese American Film Festival, no qual venceu a categoria como o Filme Norte-Americano Mais Popular na China. Para quem está procurando uma produção mais leve, com muitas risadas e um herói divertido, Gru e sua equipe fiel de incontáveis Minions, devem ser a escolha para aproveitar uma sessão de cinema em casa com a família e um balde de pipoca. – Luísa Tabchoury

Eu Vi o Brilho da TV (I Saw the TV Glow)
Eu Vi o Brilho da TV não furou a bolha o suficiente para ser lembrado pelas grandes premiações do ano como merecia, mas com certeza deixou uma marca duradoura em quem assistiu. Dirigido e escrito por Jane Schoenbrun, o filme mistura terror, drama e fantasia. A verdadeira ameaça da trama é uma tragédia muito real para muitos: passar pela vida sem viver a sua verdade. A alegoria mais óbvia proposta pelo roteiro, e reforçada por símbolos imagéticos, relaciona-se com a experiência trans e de não conformidade de gênero, mas a abordagem dessas lutas é tão sensível que ecoa para as experiências de toda a comunidade queer e até qualquer outra pessoa que se identifique com uma jornada de autoconhecimento isoladora.
O filme tem um visual único e particular. As imagens e os sons surreais evocam sentimentos no espectador que chegam antes da compreensão dos porquês. Eu Vi o Brilho da TV cria uma atmosfera sufocante sobre uma sensação de nostalgia amarga. A obra utiliza as memórias dos personagens para borrar os limites entre o real e a imaginação. A posição da plateia é desconfortável e agonizante do começo ao fim dos 100 minutos de duração do longa, mas ao rolarem os créditos e a digestão do que se acabou de ver assentar, fica a mensagem de esperança em dias melhores: “Ainda há tempo”. – Giovanna Freisinger

A Semente do Fruto Sagrado (The Seed of the Sacred Fig)
Dirigido por Mohammad Rasoulof, A Semente do Fruto Sagrado é, inicialmente, um drama sobre a política em Teerã, capital do Irã. Com a promoção de Iman (Missagh Zareh) dentro dos cargos da ditadura que comanda o país, Rezvan (Mahsa Rostami) e Sana (Setareh Maleki), filhas do homem, se veem em um conflito dentro de casa: seguir as próprias convicções ou aceitar viver sob o regime autoritário, dentro e fora de casa. Mais do que uma discussão sobre a vida em sociedade, o filme examina a lente do lado que opera os atos de perseguição e silenciamento de um povo marcado pelo medo e o desejo pela sua liberdade.
Os 167 minutos do longa-metragem são acompanhados por um tom agonizante e reflexivo em relação aos limites da perversidade que um ser humano pode cometer. Na virada do primeiro para o segundo ato, a produção segue por um caminho mais introspectivo: ao invés de analisar as consequências externas, a obra se concentra em abordar o imaginário de personas antagônicas: aqueles que lutam pela sua independência – cultural, religiosa e social – e os que tentam acabar com ela. Reconhecida pela crítica especializada, a trama da Alemanha apareceu na categoria de Melhor Filme Internacional em premiações, como o Oscar, Critics Choice Awards e Globo de Ouro. – Guilherme Leal

A Noite Que Mudou o Pop (The Greatest Night In Pop)
“We are the world, We are the children”. Dispensando apresentações, a música que marcou uma geração de pessoas e colocou como foco o combate à fome no continente africano, ganhou pela Netflix, um documentário detalhado sobre o processo de criação do single, além de registros inéditos dos 45 artistas que participaram do projeto USA for Africa. A Noite que Mudou o Pop, dirigido pelo cineasta Bao Nguyen, tem uma narrativa que conquista aos poucos. A grande verdade é que o público tem conhecimento sobre a canção, sua motivação e os cantores que participaram deste marco musical, no entanto, não se sabe exatamente o que aconteceu naquela noite de janeiro de 1985.
Com essa premissa, ao explorar os bastidores da composição de Lionel Richie e Michael Jackson, produzida pelo compositor Quincy Jones, também responsável pelo direcionamento do grupo vocal, o filme documental se desenvolve pela curiosidade do telespectador. O relato atual dos músicos que participaram daquela noite, como Cyndi Lauper e Bruce Springsteen, e claro, de Richie, que conduziu grande parte da história do documentário, também deixou tudo mais íntegro, pois transfere a visão e a experiência dos próprios artistas em tela. A Noite que Mudou o Pop é um registro sublime para os apaixonados por We Are The World, além de ser uma prova viva de que a música é capaz de salvar vidas. – Ludmila Henrique

Robô Selvagem (The Wild Robot)
Robô Selvagem surpreendeu ao se consolidar como uma das animações mais intrigantes de 2024, unindo uma trama emocionalmente profunda com temas filosóficos e sociais. Baseado no livro de Peter Brown, o longa aborda a jornada de uma robô que busca entender seu lugar em um mundo selvagem, explorando a coexistência entre tecnologia e natureza. A narrativa, carregada de momentos introspectivos e dilemas éticos, ressoou de maneira poderosa em um público amplo, incluindo adultos e crianças. Com animação detalhada e direção sensível, a produção foi reconhecida por críticos como uma obra que transcende seu gênero de “filme sobre robôs”, sendo indicado a prêmios como o Annie Awards e o Globo de Ouro, reafirmando o potencial de histórias que equilibram reflexão e entretenimento.
O longa de Chris Sanders tem a habilidade de dialogar com questões contemporâneas, como o impacto da automação na sociedade e a necessidade de harmonia entre progresso e preservação ambiental. Desde sua estreia, o filme acumulou elogios por sua abordagem original e ganhou prêmios em festivais de cinema animado pela profundidade de seu roteiro e pelo design visual inovador. Mais do que uma aventura animada, o longa tornou-se um estudo sobre humanidade, identidade e conexão, posicionando-se como uma produção que define o papel da animação como um veículo poderoso de transformação social. – Marcela Jardim

Duna: Parte 2 (Dune: Part Two)
Denis Villeneuve, fã de carteirinha do gênero Sci-Fi desde criança, prova novamente que é a pessoa ideal para adaptar a grandiosa obra de Frank Herbert. Em Duna: Parte 2, indicado a seis categorias no Oscar 2025, incluindo Melhor Filme, o diretor leva o público a uma imersão total no deserto de Arrakis, onde a narrativa épica ganha um novo fôlego. Se a primeira parte foi alvo de críticas pelo ritmo mais pausado, esta sequência se destaca por um senso de precipitação do início ao fim. O cineasta equilibra perfeitamente as nuances de poder, sacrifício e destino em um roteiro que ressoa tanto na grandiosidade das batalhas quanto na profundidade das relações humanas.
Os destaques técnicos são os personagens principais de Duna: Parte 2. A fotografia e o som, especialmente se apreciados nas telas IMAX para as quais o longa foi concebido, transportam o espectador diretamente para as imensidões de areia. Paisagens deslumbrantes, gravadas em desertos reais, e uma trilha sonora hipnotizante se unem para criar uma experiência cinematográfica pouco vista ultimamente. Nesta obra, Villeneuve reafirma sua maestria, entregando não apenas uma sequência à altura de seu antecessor, mas um capítulo definitivo no universo de Duna. – Arthur Caires

Rivais (Challengers)
Se tem algo que Luca Guadagnino sabe fazer com maestria é explorar o desejo por meio da sutileza – e, sendo dirigido por ele, Challengers (no original) não poderia seguir um caminho diferente. Cada cena do filme é carregada de um erotismo que não precisa de cenas explícitas para se fazer presente, ao mesmo tempo em que oferece uma análise profunda sobre questões como o ego e a ambição.
O triângulo amoroso composto por Zendaya, Josh O’Connor e Mike Faist emite uma energia imparável constante, ao passo que eles se comportam como verdadeiras estrelas de Cinema do começo ao fim. A mistura do caos hipnótico causado por eles e a superfície plácida do luxuoso mundo do tênis resulta em uma experiência fascinante, cujo único objetivo é fazer com que o público se deleite com a diversão pura e decadente desses Rivais. Afinal, amor e ódio são os lados de uma mesma moeda, certo? – Raquel Freire

Alien: Romulus (Alien: Romulus)
Alien: Romulus foi anunciado em um momento delicado para a franquia Alien, já que Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017), últimos filmes relacionados à série, dirigidos pelo primeiro idealizador das criaturas, Ridley Scott, não tiveram os resultados esperados em crítica e bilheteria. Mas esse filme inverteu qualquer expectativa negativa, não por sorte, mas por talento e jogo de cintura do diretor Fede Álvarez que soube resgatar o terror visceral que fez do primeiro filme da série um dos mais impactantes na cultura pop.
Ambientado novamente em lugares fechados e claustrofóbicos, acompanhando a história de jovens que tentam escapar da colônia espacial insalubre em que vivem e trabalham, o longa dialoga com seu precursor de 1979 de diversas formas. Como, por exemplo, a temática do poder cada vez mais ilimitado das grandes corporações, o avanço brutal e impossível de se conter da inteligência artificial e da tecnologia em geral, bem como a tentativa vã da humanidade de controlar os elementos naturais do universo, seja por ganância ou mesmo por sobrevivência. Alien: Romulus teve o seu lugar de destaque e injetou uma dose generosa de ficção científica da melhor qualidade nos cinemas em 2024. – Guilherme Dias Siqueira

Ainda Estou Aqui
Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva. Como começar a explicar Eunice Paiva? Advogada. Defensora dos direitos humanos. Especialista em direito indígena. Mãe. Viúva. Vítima da Ditadura Militar Brasileira. Essas palavras são poucas para definir quem é Eunice. Marcelo Rubens Paiva recorda suas próprias memórias no livro Ainda Estou Aqui – que foi adaptado para o Cinema pelas mãos de Walter Salles. Fernanda Torres encarna Eunice; Selton Mello interpreta o ex-deputado Rubens Paiva. As atuações são emocionantes e únicas não só pelo talento dos atores, mas também pela caracterização e ambientação da produção.
Fernanda Torres fez um trabalho excepcional ao viver Eunice Paiva. A dor, a indignação com a situação e o sofrimento pela perda de Rubens se demonstram em um olhar, um pequeno gesto, um abraço, um sorriso. Ainda Estou Aqui é importantíssimo para lembrar dos horrores vividos no Brasil após o Golpe de 1964. A tortura, os sumiços, os assassinatos nunca podem ser esquecidos. A violência vivenciada no país teve vários formatos: indo da física à psicológica; até a crueldade dos desaparecimentos e de não se ter respostas – a cena em que Torres esbraveja “cadê meu marido?!” é um dos momentos mais marcantes do longa. O sucesso de Ainda Estou Aqui não é à toa – as três indicações e uma vitória no Oscar 2025 não mentem –, e, com os acontecimentos recentes do mundo, não custa lembrar: ditadura nunca mais. – Laura Hirata-Vale

Longlegs – Vínculo Mortal (Longlegs)
O emblemático longa de Oz Perkins, Longlegs – Vínculo Mortal, destaca-se em meio às recentes estreias do Horror. Diferentemente do que ocorre nos gritos desesperados de Cecília em Imaculada (Immaculate, originalmente) ou nas cenas violentas de O Mal Que Nos Habita (When Evil Lurks), mecanismos pouco óbvios são o que constroem a atmosfera macabra nessa trama. A característica hipnotiza os fãs pouco sedentos por sangue, mas muito saudosos da adrenalina própria do gênero.
Em Longlegs, o arrepio na espinha e o frio na barriga tomam o público nos momentos menos prováveis: o preto e vermelho gritantes ao som de T. Rex, as aproximações repentinas e silenciosas em pontos do enquadramento e – claro – a ousada primeira aparição de Dale Kobble (Nicolas Cage); o diretor escolhe exibir na tela apenas parte do rosto do personagem. Incrivelmente assustadora, a obra e a figura que a nomeia conquistaram seu posto no imaginário do público – e, por consequência, nos melhores lançamentos do Cinema em 2024. – Esther Chahin

Um Homem Diferente (A Different Man)
Sim, não podemos negar que 2024 foi o ano de A Substância, mas ao se olhar um pouco mais para fora dos holofotes, Um Homem Diferente emula os mesmos méritos do longa de Coralie Fargeat, mas de forma mais sútil e sem escancarar tanto que se trata de uma obra crítica. Para isso, o diretor e roteirista Aaron Scheinberg conta com um humor desconfortavelmente ácido para traduzir outra história de obsessão e padrões da sociedade.
No longa, acompanhamos Edward (Sebastian Stan), um homem que sofre com neurofibromatose, uma doença que acaba desfigurando seu rosto. Ele passa então por uma cirurgia inédita que o coloca nos padrões da sociedade, mas, mesmo com a confiança restaurada, vê a vida que sonhava ruir a partir do momento em que, secretamente, aceita participar de uma peça sobre ele mesmo. Um Homem Diferente mostra sua força e originalidade através de um roteiro intencionado em conduzir a percepção do espectador para diferentes caminhos, que chega nesse resultado através da atuação de seu trio principal – destaque para Adam Pearson, que realmente sofre da doença – mas, principalmente para Sebastian Stan, se provando uma força da atuação que teve nesse ano seus melhores trabalhos. – Guilherme Veiga

Todo Tempo Que Temos (We Live In Time)
A história de amor entre Almut (Florence Pugh) e Tobias (Andrew Garfield, se constrói em ínfimos espaços de tempo. Um encontro sem data e nem hora, de supetão mesmo. Mas que alcança a maturidade após uma notícia abrupta atingir o casal. Em Todo Tempo Que Temos, acompanhamos, por meio de linhas temporais, o romance de uma década, embarcada através de movimentos de sua trajetória, desafiando toda a existência presente em uma ou mais vidas.
Pelo olhar poético de John Crowley, o longa-metragem toma forma através do simples. É a simplicidade de uma vida, assim como ela deveria ser, obviamente com alguns altos e baixos, mas que deixa a história do casal tão real. O enredo do filme explora perfeitamente esse ‘acaso’ presente na rotina deles, endossando em certos momentos para criar um clímax em algumas cenas, mas que de nenhum modo relata algo impossível de acontecer. We Live In Time (no original) carrega alguns clichês presentes no gênero, no entanto, continua sendo uma linda história de superação de medos e um lembrete para aproveitar cada detalhe que a nossa jornada oferecer. – Ludmila Henrique

Jurado Nº2 (Juror #2)
Em meio a temporada de premiações, como o Globo de Ouro, o BAFTA e o Oscar, Jurado Nº2 ficou deixado de lado pela Warner Bros, que preferiu focar a sua campanha para Duna 2. A fita não chegou nem a ser lançada nos cinemas na maioria dos países, com exceção aos Estados Unidos, no resto do mundo o longa foi direto para o streaming da Max. No entanto, Clint Eastwood mostra que quem perde é a empresa e as premiações, pois ele acaba de lançar a sua mais nova obra-prima.
Na trama, Justin (Nicholas Hoult) e Allison (Zoey Deutch) são casados e esperam seu primeiro filho, em uma gravidez de risco. Em meio a isso, o protagonista é convocado para ser um dos jurados em um julgamento. Contudo, o que não esperava é que ele estava envolvido com o caso, podendo levá-lo direto para a cadeia. O cineasta desconstrói os conceitos de justiça e a narrativa vendida sobre imparcialidade do sistema americano. A obra não é um drama de tribunal que busca descobrir o que aconteceu. O seu maior apelo está no questionamento: o que é verdade e o que é justiça? – Guilherme Moraes

Look Back (Look Back)
Fujino (Yuumi Kawaii), uma estudante do ensino médio que adora desenhar e é amada por todos da classe, descobre, um dia, que outra colega, Kyomoto (Mizuki Yoshida), desenha melhor que ela, causando-lhe inveja. Após dividirem as publicações de tirinhas no jornal da escola, as duas se encontram ao final do ensino médio e iniciam uma jornada que envolve carinho, autoconhecimento, descobrimento do mundo e uma pitada de dor.
Baseado no mangá one-shot (2021) de mesmo nome, escrita pelo mangaká Tatsuki Fujimoto, criador de Chainsaw man, o longa de apenas 58 minutos dirigido por Kiyotaka Oshiyama e que ganhou prêmio de melhor animação no Japan Academy Awards, é encantador para qualquer um que ame animações. A beleza nos movimentos envoltos com a trilha sonora tornam a obra uma jornada emocionante, ao mesmo tempo, doce e amarga para todos que já lutaram por um sonho, trazendo assim uma linda mensagem sobre crescimento. – Leonardo Quinalha

Feios (Uglies)
Feios possui extrema relevância social, uma vez que retrata uma sociedade futurística com muito apego aos padrões de beleza em detrimento das características humanas. A produção possui efeitos especiais muito bons e que expressam uma ambientação científica.
O longa traz uma trama parecida com a franquia Divergente. No início da obra, é possível prever as ideias da história e como ela vai terminar. No entanto, dá para se surpreender, pois o desenvolvimento e o desfecho da história não possuem o mesmo roteiro visto em filmes de distopia jovem. Pode-se afirmar que o final é um daqueles em que se perde a cabeça. A produção é um divisor de águas: você ama ou odeia. – Maria Fernanda Beneton

Guerra Civil (Civil War)
Os bons filmes de guerra são feitos para deixarem os espectadores desconfortáveis diante do que estão assistindo. É o que faz sentido: o confronto é desumano e qualquer representação dele deve ser tingida com a dura realidade. No entanto, Civil War (no original) possui um propósito diferente. A distopia de Alex Garland é um apelo à reflexão sobre como nos recusamos a deixar que esse tipo de imagem nos afete. O diretor não quer nos fazer sentir, mas quer que nos questionemos por que não sentimos nada, e essa foi uma escolha extraordinária.
A ideia do longa é retratar que só consegue passar por esses horrores quem se ‘desliga’ deles, e essa interpretação está longe de servir apenas para o universo fictício onde Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen Henderson são fotojornalistas. Apesar de ter sido lançado em um ano carregado por medo e tensão, Guerra Civil evita qualquer correlação direta com o cenário político atual, e tal fato só deixa suas entrelinhas ainda mais claras. – Raquel Freire

Megalópolis (Megalopolis)
Indicado ao Framboesa de Ouro 2025, fracasso de bilheteria e esculhambado por crítica e público, afinal, por que Megalópolis faz parte desta lista? O filme, financiado por Francis Ford Coppola, é mais um caso do panteão de obras não compreendidas pelo seu tempo, tal como Homem-Aranha 3 (2007) e Garota Infernal (2009) – e deve ser alvo do revisionismo daqui a alguns anos. Assim como o protagonista Cesar Catilina (Adam Driver), um arquiteto visionário que deseja construir uma cidade utópica, o longa é uma quimera.
A castração dos olhos do público acostumado com o cinza da Marvel Studios ou pela ausência de contato com a filmografia do cineasta, que já havia concebido imagens artificiais e oníricas em O Fundo do Coração (1982) e Drácula de Bram Stoker (1992), pode justificar a má recepção de Megalópolis. A obra caminha em oposição ao realismo e o cinismo de Hollywood, compondo cenas abstratas e com o texto bastante inocente e um final meloso, crédulo em um futuro melhor. O sonho do diretor merece um lugar nesta lista, porque em 2024 ele ousou desafiar o status quo. – Davi Marcelgo

A Substância (The Substance)
Sintetizadores eletrizantes ajudam a ambientar A Substância, um dos filmes mais comentados nas redes sociais em 2024. Dirigido pela francesa Coralie Fargeat, o longa se trata de um body horror, surpreendentemente fácil de digerir. Mesmo com referências a grandes clássicos do gênero, como O Iluminado (1980) e Carrie, A Estranha (1976), o público abocanhou todo pedaço de gore que Fargeat atirou em nossas faces a cada cena.
Com as atuações esplêndidas de Demi Moore e Margaret Qualley, o universo de Elizabeth Sparkle e sua versão mais nova, Sue, é trágico, ao mesmo tempo que intoxicante. Além das entregas extraordinárias das atrizes, os detalhes da concepção visual de A Substância explicam as cinco nomeações e uma vitória no Oscar, incluindo as categorias de Melhor Filme, Atriz, Roteiro Original, Direção e Maquiagem (vencedor). – Nathalia Tetzner

Divertida Mente 2 (Inside Out 2)
Lançado em 2015, Divertida Mente foi um sucesso estrondoso. Narrado por suas emoções Alegria (Amy Poehler), Tristeza (Phyllis Smith), Medo (Tony Hale), Nojinho (Liza Lapira) e Raiva (Lewis Black), a vida da pré-adolescente Riley (Kensington Tallman) cativou crianças e adultos e encantou o mundo com a magia da Pixar. Quase dez anos depois, a sequência surpreende positivamente ao trazer novas emoções e acompanhar uma fase igualmente complicada no amadurecimento de Riley: a entrada na adolescência e a chegada da puberdade. Mais madura e com conflitos maiores, o espectador é levado a acompanhar a descoberta da Ansiedade (Maya Hawke), da Inveja (Ayo Edebiri), do Tédio (Adèle Exarchopoulos) e da Vergonha (Paul Walter Hauser).
Não tão original como o primeiro filme por se ater à mesma fórmula e jornada, mas igualmente valioso, Divertida Mente 2 emociona e diverte do mesmo jeito, ajudando a entender e visualizar de forma lúdica as emoções. Para se agradar, talvez seja necessário se desvencilhar um pouco do brilhantismo original da obra e entender a mudança do contexto atual, não se prendendo à nostalgia e se permitindo celebrar a visualização da psique de maneira fofa e bem humorada. – Aryadne Xavier

Uma Ideia de Você (The Idea of You)
Uma Ideia de Você é a mistura interessante de diversos itens da cultura pop – comédia romântica, boybands, um elenco bonito –, com questões atuais – como o etarismo dentro de relacionamentos e a perseguição da mídia. Anne Hathaway (de O Diabo Veste Prada) é Solène Marchand, uma mulher divorciada e mãe de uma adolescente não-tão-ex-fã da banda fictícia August Moon. Nicholas Galitzine (de Vermelho, Branco e Sangue Azul) é Hayes Campbell, um dos membros do grupo. O par, por consequência do destino (ou o dar para trás do ex-marido de Marchand), acaba se conhecendo no backstage da área VIP do Coachella – um dos maiores festivais de música do mundo.
O filme, baseado no livro homônimo escrito por Robinne Lee, mostra as dificuldades de um relacionamento entre um jovem famoso e uma mulher adulta anônima. A diferença de idade dos dois deixa Solène insegura, e – mesmo que mantido em segredo para conservar sua privacidade – o romance acaba flagrado por paparazzi. A partir desse momento, a vida da curadora de arte tem uma reviravolta – ela e sua filha começam a ser importunadas pela imprensa e pelos fãs. Como se tivesse saído de uma fanfic, Uma Ideia de Você mostra que mulheres mais velhas podem, sim, ter uma nova chance no amor. – Laura Hirata-Vale

Beekeeper: Rede de Vingança (The Beekeeper)
Ao entregar uma história inusitada e um elenco de peso, Beekeeper: Rede de Vingança é um dos melhores filmes de 2024. O longa conta a história de James Clay, um apicultor e ex-agente de um programa secreto que, ao ver sua vizinha querida cair em um golpe financeiro na internet, se revolta com o roubo e passa a caçar (literalmente) todos os envolvidos nessa organização criminosa. A inovação e diferença desta obra para outras que possuem protagonistas justiceiros é a verossimilidade do enredo com os tempos atuais. Quem nunca caiu em uma farsa virtual ou conhece um amigo que já passou por isso? Essas trapaças trazem uma revolta em todos os enganados e, por isso, a produção traz uma sensação de que “a justiça foi feita”.
O longa é protagonizado por Jason Statham que, além de ator, foi uma perfeita escolha para o papel ao ser um lutador de artes marciais. Além dele, Josh Hutcherson, da distopia de Jogos Vorazes, Minnie Driver, do drama Gênio Indomável, e Emmy Raver-Lampman, da série The Umbrella Academy, fazem parte do filme. A obra recebeu indicações no Golden Trailer Awards, Indiana Film Journalists Association, US e Philadelphia Film Critics Circle Awards, mas não ganhou nenhum dos prêmios. Para os amantes de ação que torcem para que o lado mau da história perca todo seu império corrupto, The Beekeeper (no original) é a escolha perfeita para assistir com os amigos ou com sua família. – Luísa Tabchoury

Moana 2 (Moana 2)
A aguardada sequência de Moana: Um Mar de Aventuras trouxe à tona um enredo que equilibra nostalgia e inovação, consolidando o universo criado pela Disney como um dos mais ricos de sua era. Moana 2 mergulha ainda mais fundo na relação entre humanos e natureza, além de resolver o dilema se existem ou não outros povos espalhados pelo oceano. A trilha sonora conta com canções vibrantes e letras que ressoam os temas de superação e da conexão com as raízes. Lançado em um momento de reflexão ambiental global, o filme foi aclamado por críticos e público, além de solidificar seu lugar no imaginário popular com visuais deslumbrantes.
Desde os materiais promocionais até o lançamento, Moana 2 provou ser mais que uma sequência previsível, na verdade é um marco em representatividade e inovação de narrativa. A produção não se limita à beleza estética, mas também reflete seu papel em fomentar diálogos sobre responsabilidade ambiental e cultural. Comparado ao impacto de seu antecessor, a segunda parte trouxe um tom mais maduro e corajoso, reafirmando a importância de histórias que transcendem gerações. O impacto social gerado por debates sobre a preservação dos oceanos elevam o longa como um marco necessário no Cinema de animação atual. – Marcela Jardim

O Senhor dos Mortos (The Shrouds)
Após a 48º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, pouco se falou sobre O Senhor dos Mortos, um dos filmes mais divisivos do evento. O mais novo longa de David Cronenberg foi lançado em diversos festivais em 2024, mas ainda não chegou ao público geral de vários países, incluindo o Brasil. Na trama, Karsh (Vincent Cassel) é um homem que perdeu sua esposa, Becca (Diane Kruger) e a enterrou em seu cemitério de alta tecnologia em que é possível ver o cadáver dentro do caixão. Certo dia, ele é avisado que os túmulos foram depredados e vai em busca do culpado e do motivo, ao mesmo tempo em que tenta superar a sua falecida mulher.
Apesar de polêmico, a obra se ganha pela auto análise que o canadense se propõe a fazer. Ele explora sua filmografia, por meio do personagem principal, olhando de um jeito até cômico para a naturalidade com que ele explora o mórbido. Ademais, é por meio da Arte que artistas como ele conseguem se expressar. Nesse sentido, o diretor escreveu o longa-metragem como forma de revelar a dor que sentiu pela perda da sua esposa que faleceu em 2017, além de uma maneira de homenageá-la. – Guilherme Moraes

Donzela (Damsel)
Donzela possui efeitos visuais muito bem trabalhados, que retratam o contexto de ação do filme. Os cenários são bem ambientados e apresentam uma sociedade campista e medieval, com figurinos muito bem escolhidos. É perceptível a tentativa de criação de um conto de fadas em uma terra mais distante que a visão do público, o que funciona muito bem para a produção.
Um aspecto bem interessante é a mensagem de um heroísmo para a figura feminina, de modo que Elodie (Millie Bobby Brown) precisa tomar coragem e decisões para sobreviver de um dragão que a persegue na caverna. Entretanto, apesar da evolução da protagonista de Stranger Things, é perceptível que as ações de sua personagem ao final da obra tornam-se muito previsíveis, deixando o espectador já ciente do desfecho antes mesmo de seu fim. – Maria Fernanda Beneton

A Verdadeira Dor (A Real Pain)
Jesse Eisenberg se colocou à frente e atrás da câmera para contar a história de A Verdadeira Dor. Além de assumir o papel do protagonista, Eisenberg escreveu, dirigiu e produziu a comédia dramática que acompanha dois primos que não poderiam ser mais diferentes um do outro em uma viagem de grande valor emocional, após a morte da sua avó. O enredo explora com muito tato e um humor sensível os temas de perda, luto e traumas, mas o que realmente o destaca como algo especial é o capricho voltado para o desenvolvimento dos personagens. A obra cede um olhar atento para as contradições e conflitos internos da individualidade de cada um, distanciando-se dos estereótipos rasos que estavam a fácil alcance.
Kieran Culkin conquistou seu lugar entre os queridinhos da indústria por sua performance na aclamada série Succession. Com A Verdadeira Dor, o ator provou que seu talento se adapta e, mesmo com o fim da série, ele continua no jogo. A interpretação de Culkin fez dele o queridinho das premiações, lhe rendendo os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar, Globo de Ouro, Critics Choice e BAFTA. O trabalho de Eisenberg também foi bem reconhecido e ele venceu o BAFTA por Melhor Roteiro Original e foi indicado na mesma categoria ao Oscar. O filme ganhou o Critics Choice como Melhor Filme de Comédia. – Giovanna Freisinger