Despreocupadamente talentoso, Tyler, The Creator se diverte sem reservas em DON’T TAP THE GLASS

Texto Alternativo: Capa do álbum Don’t Tap The Glass. Na imagem, Tyler, The Creator, homem negro de 34 anos, se posiciona no centro, em pé, de punhos fechados, em frente a um fundo branco com partes de seu corpo distorcidas, como nariz, olhos, boca, braços e mãos aumentados. O rapper aparece de bigode. Não usa camisa, mas veste uma calça de couro vermelha, uma corrente de ouro gigante no pescoço, brincos, óculos de armação quadrangular e transparente e um boné vermelho com o escrito ‘glass’.
DON’T TAP THE GLASS está indicado a Melhor Álbum de Música Alternativa no Grammy 2026 (Foto: Columbia Records)

André Aguiar

“Bem-vindo / Número um: movimento corporal, não fique parado / Número dois: fale apenas em glória, deixe sua bagagem em casa / Número três: não toque no vidro”. Logo em suas primeiras linhas, Tyler, The Creator esclarece o passo a passo para um ouvinte que deseja ter a experiência completa de DON’T TAP THE GLASS, seu nono álbum de estúdio. Lançado apenas oito meses após o indicado ao Grammy de Álbum do Ano CHROMAKOPIA (2024), o disco de 2025 mostra o lado mais escrachado e extrovertido do rapper. Tyler Okonma, que já é referenciado como um nerd da música e que costuma operar de forma mais solitária, entrega um produto descolado de sua obsessão pela Arte e seu vasto repertório.

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Something Beautiful: quando a realização artística de Miley Cyrus pesa mais que a perfeição

Texto Alt: Miley Cyrus aparece de frente, com o rosto envolto por fios translúcidos e brilhantes, iluminados por uma luz forte ao fundo. O fundo é escuro, criando um efeito dramático e etéreo. Flávia Ferracini
A capa do nono álbum de estúdio de Miley Cyrus revela sua ambição estética em Something Beautiful (Foto: ⓒ GLEN LUCHFORD)

Flávia Ferracini

Depois do sucesso estrondoso de Flowers, faixa central de Endless Summer Vacation (2023), Miley Cyrus entrega Something Beautiful, um de seus projetos mais introspectivos até aqui. Trata-se de uma tentativa consciente de se afastar de uma performance puramente pop e se aproximar de uma experiência mais pessoal e autoral. É um trabalho que nasce menos da necessidade de reafirmação comercial e mais do desejo de realização artística – algo que a própria Miley já afirmou ser um objetivo antigo em sua carreira.

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Ego Death At A Bachelorette Party é o grito de independência definitivo de Hayley Williams

Texto Alternativo: Capa do álbum Ego Death At A Bachelorette Party. Na imagem em preto e branco, Hayley Williams, mulher branca vestindo um suéter, aparece com a mão no rosto e olhar sereno para frente. Há o contorno amarelo de um quadrado apenas ao redor da face de Williams. Uma sombra abrange o plano de fundo da esquerda à direita.
Hayley Williams está indicada na categoria ‘Melhor Álbum de Música Alternativa’ no Grammy 2026 com Ego Death At A Bachelorette Party (Foto: Post Atlantic Records)

André Aguiar

Em dezembro de 2024, Hayley Williams questionava suas motivações artísticas e as direções que sua carreira tomaria. Ao encerrar um contrato abusivo de 20 anos com a Atlantic Records e fundar o próprio selo independente, Post Atlantic, a artista encara uma estante repleta de possibilidades longe da banda em hiato Paramore, na qual atua como vocalista, compositora e instrumentista. Mesmo tendo o grupo de The Only Exception e Still Into You desde a adolescência como plataforma para vocalizar suas crises e triunfos enquanto mulher na indústria da música, Williams ainda carecia de liberar um brado ensurdecedor sem que ninguém a podasse.

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From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável

Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. A imagem mostra uma composição abstrata de líquidos em tons de rosa, preto e branco espalhados sobre uma superfície, formando ondas, bolhas e camadas irregulares. No centro da imagem, há um pequeno símbolo circular branco, contrastando com o fundo orgânico e fluido.
From Zero é o disco mais vendido do Linkin Park no Brasil, obtendo a marca de 120 mil cópias vendidas (Foto: Warner Records)

Gabriel Diaz

Havia sinais de exaustão emocional em torno de Chester Bennington, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de uma perda que abalaria não apenas o Linkin Park, mas uma geração inteira do rock. One More Light (2017), lançado pouco antes de sua morte, já soava como uma carta de despedida não intencional: era um álbum frágil, exposto, muitas vezes incompreendido, contudo emocionalmente direto. 

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5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!

Quatro homens posam em um estúdio com fundo branco. Seus corpos estão propositalmente reduzidos, enquanto as cabeças estão ampliadas caricaturalmente. Eles usam roupas conceituais ao estilo alternativo como casacos longos, jaquetas de couro, junção de tecidos e cores, estampas chamativas e acessórios. Usam maquiagem características e penteados diferenciados.
“Eu me sinto invencível / E quando o sol nasce, eu me sinto desprezível / E quando meu coração desacelerar, você me buscará?” (Foto: Republic Records)

Vitória Mendes

Em uma era em que a performance se impõe como valor central e praticamente obrigatório, muitos artistas se aventuram em terrenos novos que não florescem da maneira que o público espera. A inovação, por mais desejada e desafiadora que seja, não garante profundidade e, muitas vezes, escorrega em contextos vazios. Indo na contramão dessa lógica de tendências momentâneas, em EVERYONE’S A STAR!, 5 Seconds of Summer retorna às próprias origens e reformula a nostalgia do pop rock dos anos 2010, evocando a energia de Sounds Good Feels Good (2015), sua segunda gravação, produzida no auge da era das boybands. Continue lendo “5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!”

Há 15 anos, o vermelho de Loud transformou uma geração com Rihanna

Close-up da capa do álbum “Loud” de Rihanna: rosto da cantora em tons quentes de vermelho e rosa, com cabelos ruivos volumosos caindo sobre os ombros, olhos fechados maquiados com sombra preta esfumada, batom vermelho intenso e brilhante nos lábios entreabertos, e uma tatuagem com a palavra “rebelle” visível no pescoço. A imagem transmite sensualidade e atitude marcante.
Mais de 200 músicas foram submetidas por compositores e produtores para LOUD, refletindo o interesse da indústria em participar de um projeto com forte promessa comercial (Foto: Ramon Silva)

Sinara Martins

Em 2010, entre filtros saturados, câmeras digitais compactas e a explosão dos primeiros blogs pessoais, os videoclipes de Loud chegavam para moldar estéticas inteiras. Foi nesse cenário que, em novembro daquele ano, Rihanna virou a própria personificação da internet da época e lançou um álbum capaz de marcar gerações. A partir dali, saltos altos enormes e batom matte deixaram de ser pequenos símbolos pop e se transformaram em tendências globais. O novo projeto capturou o espírito daquele início de década e, mais do que isso, ajudou a defini-lo.

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Em Everybody Scream, o sucesso é a bênção e a maldição de Florence + The Machine

Capa do álbum Everybody Scream da banda Florence + The Machine. Na imagem, com efeito “olho de peixe”, Florence Welch, mulher branca, cabelos ruivos, roupa escura, botas pretas, está encostada em uma cama, de pernas abertas, e envolta por diversos tipos de tecido. Ao seu lado direito, um candelabro sustenta duas velas apagadas. A parede ao fundo tem um aspecto rústico de madeira.
Everybody Scream teve a maior estreia de um álbum na semana de seu lançamento no Spotify (Foto: Republic Records)

André Aguiar

Qual o real custo da fama? Que nem tudo é brilho e glamour, todos sabem, mas que o mesmo sucesso que te leva ao topo, pode te levar ao túmulo, é uma verdade que poucos conhecem tão intimamente quanto Florence + The Machine em Everybody Scream, seu sexto álbum de estúdio. Depois de passar por severas complicações médicas durante a turnê do aclamado antecessor Dance Fever, Florence Welch, líder do projeto que leva seu primeiro nome, renasce do que foi um dos episódios mais vulneráveis de toda a sua carreira, totalmente coberta por resquícios de um aborto espontâneo arriscado, raiva feminina, um cinismo amargo direcionado à indústria musical e consumida por um desejo instintivo e incontrolável pela performance. Continue lendo “Em Everybody Scream, o sucesso é a bênção e a maldição de Florence + The Machine”

Há 5 anos, Zolita pintou o amor sáfico em tons sombrios em Evil Angel

Uma mulher branca e loira com um vestido branco, véu de noiva e uma coroa, está sentada em frente a um grande vitral colorido comum em igrejas da Idade Média. O vitral é arredondado e usa cores vibrantes como azul, verde e amarelo. A mulher está no centro da imagem com a cabeça levemente inclinada para o lado direito. Suas mãos estão unidas em posição de oração e sua expressão facial é séria.
A obra abraça o caos emocional e revela o lado obscuro do amor (Foto: Zolita)

Vitória Mendes

Misticismo, relacionamentos sáficos, sexualidade e a superação de términos são alguns dos temas explorados por Zolita em Evil Angel, seu álbum de estreia. Lançado de forma independente em 2020, o trabalho apresentou e consolidou a identidade musical da norte-americana como cantora, compositora e produtora de pop alternativo. Ao assumir todas essas funções, a artista foi capaz de transbordar sua essência e vulnerabilidade em cada etapa do processo, com um obra crua, sentimental, realista e identificável, especialmente para o público LGBTQIAPN+ jovem.

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Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades

No centro da imagem, um pequeno barco navega em direção ao horizonte. Está cercado por águas escuras que contrastam com o céu em tons rosados. A luz do céu reflete ao redor do barco em um leve tom amarelado. O barco está vazio.
“Você ficará comigo? / Enquanto eu viro pó? / Quando você contar a história deles / Diga que eu fui amado” (Foto: Island Records)

Vitória Mendes

Se tudo o que você ama estivesse fadado a desaparecer, ainda assim você escolheria amar? Esse é o questionamento que segue Vincent Lima em To Love a Thing That Fades. Lançado em setembro de 2025 pela Island Records, a estreia do artista leva o ouvinte a uma jornada onde romance e perda são separados por uma linha tênue, que tende a desaparecer com cada passo em direção ao futuro ou ao passado. Com 15 faixas, o álbum se destaca dentro do cenário atual da música folk, principalmente por explorar as nuances emocionais da vida. Acima de tudo, apresenta uma história repleta de vulnerabilidade, sensibilidade, amor e a luta silenciosa contra a inevitabilidade do destino. Continue lendo “Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades”

Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece

No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda.
O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)

Victor Hugo Aguila

Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da performer, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do R&B estadunidense.

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