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	<title>Arquivos Sundance &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre herói e espião, Navalny acende uma luz vermelha</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2023 21:14:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Em Agosto de 2020, Alexei Navalny, líder da oposição russa contra Vladimir Putin, foi envenenado durante um voo para Moscou por Novichok, um composto produzido pelo governo nacional. Quase dois anos após o mal sucedido pelo ataque e uma estreia estarrecedora no Festival de Sundance 2022, o documentário joga luz no intricado e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/navalny-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre herói e espião, Navalny acende uma luz vermelha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29806" aria-describedby="caption-attachment-29806" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, à esquerda, vemos, do peito para cima. Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, por detrás de um computador da Apple. Ao lado dele, à direita da cena, vemos sua assessora, uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, de cabelos castanhos presos, segurando um celular filmando em sua direção e com uma das mãos sob a boca. Por detrás dos dois, vemos mapas e fotos de pessoas interligadas por fios vermelhos." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-2-768x461.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29806" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Navalny estreou em Sundance e passou pelo festival brasileiro É Tudo Verdade (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Agosto de 2020, Alexei Navalny, líder da oposição russa contra Vladimir Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante um voo para Moscou por Novichok, um composto produzido pelo governo nacional. Quase dois anos após o mal sucedido pelo ataque e uma estreia estarrecedora no </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2022/jan/26/everyone-was-freaking-out-navalny-novichok-film-made-in-secret-premieres-at-sundance"><span style="font-weight: 400;">Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário joga luz no intricado e criminoso jogo político do leste europeu &#8211; ainda pré-Guerra da Ucrânia &#8211; a ponto de agraciar as morais estadunidenses: </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra que acompanha o opositor do Kremlin, recebeu aplausos ianques e uma indicação como Melhor Documentário no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29805"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da inevitável atmosfera de filme de espião, a mais de uma hora e meia de duração não é suficiente para desviar do fato que Alexey Navalny &#8211; pelo menos o retratado aqui &#8211; é um político. A produção acompanha seu protagonista desde o momento da tentativa de assassinato contra ele, através de filmagens de celulares e veículos locais &#8211; focando nos momentos de sua recuperação em Berlim e na retomada da atuação política e militante para fazer frente ao governo totalitário da Rússia -, até sua prisão em 2021, no retorno ao país. Por mais que os fatos digam por si só e a autoria do ataque seja praticamente inquestionável, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=81AAlzoKNPU"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se perde entre uma trama investigativa e o perfil de uma celebridade.</span></p>
<figure id="attachment_29807" aria-describedby="caption-attachment-29807" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos, ao fundo, Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, usando máscara, cachecol e um casaco verde com a mão direita em um aceno, em um avião. A frente dele, vemos pessoas de costas com celulares filmando em sua direção." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29807" class="wp-caption-text">Navalny estreou de surpresa em Sundance, e não teve divulgação prévia; sequer constava na programação do festival (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência de abertura, Navalny, sentado na bancada de um bar, pede ao diretor </span><span style="font-weight: 400;">Daniel Roher que o filme em produção seja de espionagem, e não um memorial para o caso de sua morte. O político sabe fazer política: desde o início, o russo se porta como um personagem, ciente dos riscos que corre, e transforma a mídia e os holofotes em seus principais guarda-costas. Em trechos à frente das câmeras, ele mesmo afirma que, quanto maior sua plataforma e as pessoas que o vêem, mais estará seguro &#8211; no decorrer do documentário e da História, porém, seu erro é comprovado. De cara, o voto de confiança cega em </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">é no mínimo questionável: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/russia-e-boicotada-na-cultura-de-hollywood-e-cannes-a-bienal-de-veneza.shtml"><span style="font-weight: 400;">produzido pelos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz vermelha permanece acesa por todo o documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclada aos depoimentos do protagonista e de sua família &#8211; a esposa Yulia e os dois filhos do casal &#8211; e às entrevistas cara a cara com as lentes de Roher, as cenas de investigação assumem um caráter jornalístico que favorecem a condução e o tom de veracidade do longa. Aqui, o caráter e a unanimidade de </span><a href="https://theconversation.com/a-year-after-navalnys-return-putin-remains-atop-a-changed-russia-174836"><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto figura política são questionáveis; os fatos em exposição, não. É nos momentos que coloca em cena o jornalista Christo Grozev, descobridor da teia de planos e dos capangas responsáveis diretamente pelo envenenamento, que o filme atinge seus picos positivos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/bellingcat-o-pesadelo-do-kremlin-que-documenta-a-guerra-na-ucrania/"><span style="font-weight: 400;">organização Bellingcat</span></a><span style="font-weight: 400;">, de jornalismo investigativo independente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> do portal explicita as etapas que o levaram a desvendar o esquema para o assassinato. Em uma das cenas mais decisivas para a investigação &#8211; e para o furor com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo -, o jornalista e o líder da oposição de Putin, ao lado de outros membros de sua equipe, se passam por um oficial russo e fazem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bme6iimkCOU&amp;pp=ygUdbmF2YWxueSBwaG9uZSBjYWxsIGNvbmZlc3Npb24%3D"><span style="font-weight: 400;">telefonema</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um dos envolvidos no envenenamento, questionando o porquê do ataque falhar. A resposta é uma confissão detalhada, que, algumas edições atrás, poderia ser exibida nos telões do palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. É nos momentos de Grozev em cena que </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">se eleva ao almejado </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_29809" aria-describedby="caption-attachment-29809" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos um quadro de cortiça preenchido com fotos de homens, um mapa e fios vermelhos interligando as pessoas ao quadro." width="1280" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-800x448.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-1024x573.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-768x430.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1-1200x671.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29809" class="wp-caption-text">A organização Bellingcat ficou conhecida por investigar assassinatos de opositores do Kremlin e crimes de guerra na Ucrânia (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Que as ações de Vladimir Putin no comando da Rússia são &#8211; no mais maniqueísta possível &#8211; </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/27/internacional/1564227585_789023.html"><span style="font-weight: 400;">totalitárias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cobertura jornalística hegemônica e </span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/cinema/bellingcat-o-monopolio-da-informacao-esta-migrando-para-o-jornalismo-independente/"><span style="font-weight: 400;">não hegemônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> documentam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">encontra sua fadiga justamente na contextualização da situação geopolítica, econômica e social sob as palavras da própria figura que batiza o filme. O envenenamento do líder é emblemático ao escancarar como uma relevante oposição russa é reprimida em prol da manutenção de Putin no poder; a </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2022/mar/22/alexei-navalny-13-years-more-jail-fraud"><span style="font-weight: 400;">prisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da figura, em mostrar como a repercussão internacional é recebida pelo Kremlin. Porém, a apropriação do cenário sob a narrativa de Alexey Navalny &#8211; diga-se de passagem, inevitável em qualquer discurso político &#8211; coloca os holofotes em um </span><i><span style="font-weight: 400;">showman </span></i><span style="font-weight: 400;">mais do que em sua luta democrática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos excertos inspiradores &#8211; como quando o advogado incita a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2022/02/4988102-mais-de-900-pessoas-sao-detidas-em-protestos-anti-guerra-na-russia.html"><span style="font-weight: 400;">continuidade da resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo no caso de sua morte -, a investigação vira subtexto ao passo que as lentes captam os depoimentos de Navalny. Claro, o documentário foi inspirado e acompanha a trajetória do líder político a partir de seu envenenamento &#8211; não por menos, foi nomeado com seu sobrenome -, mas, ao balancear o tempo de tela dos momentos de jornalismo investigativo e das cenas de Alexey falando diretamente para câmera, quase de igual para igual, o ‘filme de espião’ se amorna em uma entrevista perfil de uma celebridade.</span></p>
<figure id="attachment_29808" aria-describedby="caption-attachment-29808" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29808" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58.jpeg" alt=" Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, por detrás de um vidro, fazendo um símbolo de coração com as duas mãos à frente do peito. Ao seu lado e a sua frente, vemos oficiais de segurança usando máscaras." width="992" height="558" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58.jpeg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.58-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29808" class="wp-caption-text">Alexey Navalny é adepto das redes sociais, como o YouTube e o TikTok, como forma de ampliar sua plataforma (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário, filmado secretamente, curtos e constantes trechos captam a vida do político em seus momentos de recuperação. Em seu exílio forçado em Berlim, cenas de Alexey e Yulia conversando e caminhando pela vizinhança, e dos filhos do casal testemunhando sobre o pai, declaram que a obra, realmente, não pretende tornar tudo sobre a investigação &#8211; o que melhor para os Estados Unidos do que um </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">opositor</span></a><span style="font-weight: 400;"> corajoso, nobre e à altura de Putin? Aqui, tomando distância do juízo de valor sobre o atual governante russo e as </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/12/05/putin-endurece-leis-anti-lgbtqia-da-russia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">atrocidades sociais</span></a> <span style="font-weight: 400;">e políticas cometidas no poder de uma das maiores potências bélicas mundiais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">tampouco questiona a si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tentativa existe, mas não progride: o diretor confronta Navalny sobre seu passado, quando o opositor tendia à </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">extrema-direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e marchou ao lado de ultranacionalistas e </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/anistia-internacional-deixa-de-considerar-navalny-um-prisioneiro-de-consciencia-24896404"><span style="font-weight: 400;">neonazistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; esquecendo de mencionar seu </span><a href="https://horadopovo.com.br/nazista-navalny-compara-em-proprio-video-imigrantes-a-insetos-a-serem-tratados-a-bala/"><span style="font-weight: 400;">caráter xenófobo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como pede o jornalismo, o político dá sua versão dos fatos: para ele, paradoxalmente, pouco importa quem anda ao seu lado, contanto que a caminhada seja rumo à democracia. Diante do panorama autoritário da Rússia, a resposta claramente engrandece seu mensageiro &#8211; sem cogitar que uma nova problemática surge em sua prática, ao colocar diferentes tipos de criminosos embaixo do mesmo guarda-chuva de </span><a href="https://www.abrilabril.pt/internacional/conheca-o-heroi-russo-da-uniao-europeia"><span style="font-weight: 400;">heroísmo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29810" aria-describedby="caption-attachment-29810" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29810" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57.jpeg" alt="Cena do documentário Navalny. Na cena, vemos, do abdômen para cima, Alexey Navalny, um homem branco, aparentando ter cerca de 40 anos, de cabelos castanhos curtos, vestindo uma camisa azul clara e uma jaqueta azul escura, sentado por detrás de uma mesa de madeira, do que aparenta ser um bar. Ao lado esquerdo dele, vemos um copo d’água. Ele encara a câmera." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-15-at-15.19.57-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29810" class="wp-caption-text">Concorrente de Navalny no Oscar, All the Beauty and the Bloodshed venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, sendo o segundo documentário a conquistar o feito em 79 anos (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No páreo ao título de Melhor </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a produção</span> <span style="font-weight: 400;">investigativa concorre com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N2a00LVaz4k"><i><span style="font-weight: 400;">All That Breathes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kz95Xjd3l00"><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJ73sYkpisY"><i><span style="font-weight: 400;">A House Made of Splinters</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=kTKL5P_69e8"><i><span style="font-weight: 400;">All the Beauty and the Bloodshed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Este último despontando como favorito ao troféu, uma vitória tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">zebra na categoria &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><span style="font-weight: 400;">temáticas polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> anualmente são nomeadas, mas </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">raramente levam a estatueta dourada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o resultado da premiação em aberto, porém, a obra ainda pode torcer: não é de agora que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">ama retratos políticos &#8211; mas apenas os quais concorda com o posicionamento. Nisso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny </span></i><span style="font-weight: 400;">preenche os requisitos.</span></p>
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		<title>Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_26765" aria-describedby="caption-attachment-26765" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26765 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na fotografia retangular colorida, vemos centenas de pessoas negras vestindo roupas populares nos anos 1960, que são camisetas listradas, blusas com golas grandes e óculos redondos. As três mulheres negras que estão à frente da fotografia possuem cabelos crespos e grandes, de cor preta, e vestem respectivamente uma camisa preta com uma blusa azul sobre os ombros; uma camiseta listrada; e uma blusa de couro marrom com detalhes em cor branca." width="1425" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-800x606.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1024x775.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-768x582.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1200x909.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26765" class="wp-caption-text">Vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, Summer of Soul (&#8230;Or, When the Revolution Could Not Be Televised) é o favorito na mesma categoria do Oscar 2022 [Foto: Hulu]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, de Malcolm X à posterior morte de Bobby Kennedy – e tantos outros). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não se trata do famigerado festival de Woodstock, pois esse, apesar de dominar a cultura popular, aconteceu em somente quatro dias (15 à 18 de agosto de 1969). A 160 km dali, no antigo bairro periférico do Harlem, estava acontecendo uma revolução não televisionada. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, </span><a href="https://aodisseia.com/summer-of-soul-critica-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (…ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona os registros do Festival Cultural do Harlem, um marco histórico na Música que se seguiu esquecido; até agora.</span></p>
<p><span id="more-26764"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens – inéditas por mais de 50 anos – foram recuperadas pelo músico e diretor estreante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Kxn1QCqRQU"><span style="font-weight: 400;">Ahmir “Questlove” Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revelam um importante momento cultural estadunidense, guiado por nomes como B.B. King, </span><span style="font-weight: 400;">Mahalia Jackson e </span><span style="font-weight: 400;">Nina Simone. As ebulições sociais e sócio-políticas que se infiltraram na sociedade à época são jogadas na tela em cada discurso incisivo que os artistas trazem – seja através dos registros do Harlem Cultural Festival, seja pelas falas “contemporâneas” que ex-participantes relatam. Havia algo importante na existência de um evento do tipo naquele momento da História, e todos ali pareciam ter consciência disso; talvez por essa razão </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">permaneça contundente e avassalador: é um registro esquecido de uma revolta segmentada através da arte.</span></p>
<figure id="attachment_26766" aria-describedby="caption-attachment-26766" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg" alt="Foto retangular colorida do diretor Ahmir Questlove. Na imagem, vemos Questlove sorrindo ao centro, olhando diretamente para a câmera, e ao fundo um poster do filme Summer of Soul. Questlove é um homem negro, possui cabelos pretos e crespos, barba de cor preta, utiliza um óculos de grau com hastes pretas e veste jaqueta em cor laranja com detalhes brancos. Ele está usando um colar de cor cinza e uma camiseta de cor verde." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26766" class="wp-caption-text">Summer of Soul é a estreia promissora de Questlove na direção de longa-metragens, que veio acompanhada de uma série de premiações relevantes (Foto: Todd Williamson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, em si, não inventa muita firula. Trata-se de uma sobreposição de imagens de época em contraponto a entrevistas recentes. Na abertura – uma sequência genial –, vemos Stevie Wonder em um </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">magistral de bateria. Esse trecho logo no começo não parece ter sido escolhido a mero acaso, pois Questlove é também baterista, e lidera a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojC0mg2hJCc"><span style="font-weight: 400;">The Roots</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra o programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tonight Show Starring Jimmy Fallon</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A montagem primorosa, a cargo de Joshua L. Pearson, também merece destaque, dado que cria lentamente em seus 118 minutos de duração as tensões sociais as quais o festival estava inserido. A junção de conteúdo e técnica impecável de edição rendeu ao filme duas indicações ao </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2022-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Montagem e Melhor Documentário – categoria em que venceu –, e uma série de vitórias nos principais festivais de Cinema, incluindo o de</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/594350/summer-of-soul-documentario-premiado-em-sundance-e-adquirido-pela-searchlight/"><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://pitchfork.com/news/questloves-summer-of-soul-wins-best-documentary-at-2022-independent-spirit-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Independent Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também concorre no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 na categoria Melhor Filme Musical.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha ainda mais fôlego ao se desenvolver entre os bastidores do Festival Cultural do Harlem. Diferente do que costuma ocorrer em filmes do gênero, o foco não está somente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">e na reação do público, mas também em seus entremeios e ligações externas, nos políticos envolvidos, na relação conturbada com a polícia (com medo de reações policiais violentas, os organizadores do evento contrataram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazerem a segurança do festival) e todo o contexto repressivo que foi permitido esquecer em meio aos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">catatônicos das guitarras amplificadas, dos pianos melódicos e dos tambores que rugiam raivosamente.</span></p>
<figure id="attachment_26767" aria-describedby="caption-attachment-26767" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na imagem retangular colorida vemos o palco do Festival Cultural do Harlem, com instrumentos e dezenove músicos espalhados ao longo dele. A imagem está distante e não conseguimos visualizar o rosto de cada um, mas todos eles são negros. Ao fundo, vemos o papel de parede do evento, escrito Festival em fonte de cor branca em meio a diversas formas geométricas coloridas." width="1400" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26767" class="wp-caption-text">O documentário se desdobra nos eventos históricos sempre através da Música; por essa razão, não cai em clichês (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, o “Homem Estadunidense” também foi à Lua, mas ele era branco, e não pretendia considerar a população negra em sua viagem interestelar. Uma das cenas mais marcantes do longa é durante a fala de Roger Parris, na qual ele diz que a comunidade do Harlem não estava interessada em ir à Lua, </span><i><span style="font-weight: 400;">“estava preocupada na realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o real era cruel o suficiente para se negar o direito a sair da Terra. Como se não bastasse as complicações de todos os tipos que vinham externamente – principalmente por forças políticas –, outro inimigo dominou o bairro: a heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final dos anos 1960, especificamente, foi um período duro, no qual a epidemia da droga ceifou a vida de vários jovens, cujos possíveis motivos do vício estavam ligados justamente à realidade abissal que a população negra havia sido jogada em decorrência do racismo, como sugere um entrevistado em uma das cenas. Foi também um momento chave na Guerra do Vietnã, onde o governo estadunidense enviou </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">front </span></i><span style="font-weight: 400;">em números muito maiores do que jovens brancos, e muitos daqueles que se negaram a ir foram caçados e mortos pela polícia. Por esses motivos, como o próprio documentário deixa no ar, Tony Lawrence idealizou o Harlem Cultural Festival para evitar que a cidade queimasse em meio às revoltas e protestos – totalmente legítimos.</span></p>
<figure id="attachment_26769" aria-describedby="caption-attachment-26769" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na foto retangular colorida, vemos a cantora e musicista Nina Simone, sentada em um piano de cor marrom. Ela é uma negra, veste um vestido de cor amarela com detalhes pretos, utiliza dois brincos grandes, cujo tamanho é similar ao de uma bola de tênis, e está com a cabeça inclinada para a direita, em direção ao público que assiste ao seu show." width="2400" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26769" class="wp-caption-text">“Essa é a parte triste do apagamento; antes do nosso filme, você quase não conheceu nada sobre isso. Houve apenas rumores de que talvez isso tenha acontecido”, disse Questlove em entrevista a Variety (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">remete a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwSRqaZGsPw"><i><span style="font-weight: 400;">Revolution Will Not Be Televised</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do músico e poeta Gil Scott-Heron – considerado uma das fontes de inspiração para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">–, sustentado como um dos hinos de ativistas negros no final dos anos 1960. Ao longo do documentário, </span><span style="font-weight: 400;">os entrevistados explicam como a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i><span style="font-weight: 400;">” mudou de um termo pejorativo para um lugar de autodeterminação e orgulho, valores que foram ainda mais impulsionados – e incentivados – no festival. </span><span style="font-weight: 400;">Algo que Questlove explorou muito bem foi o desenrolar de um novo mundo para a população negra que começava a ser consolidado, e os discursos dos artistas no evento giravam em torno de um mesmo tema: tenha orgulho de ser quem você é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim, Nina Simone surge cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“somos negros, somos lindos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a essência do festival e sua importância histórica. Pela primeira vez, após um período intenso de crimes hediondos contra a comunidade, havia um evento que celebrava, enfim, a existência dessa mesma comunidade. Aquele era um período de mudanças sociais profundas, e embora fossem julgadas como inatingíveis e utópicas por uma parcela da população, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc"><span style="font-weight: 400;">sonhar ainda era possível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7A_A9IqC3Co?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Identidade: quanto vale o pertencimento?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 16:29:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por Passing – traduzido no Brasil como Identidade – com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/identidade-passing-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Identidade: quanto vale o pertencimento?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26407" aria-describedby="caption-attachment-26407" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26407 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparecem os rostos das personagens Irene Redfield, interpretada por Tessa Thompson, e ao seu lado Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga. A fotografia é em preto e branco e as duas estão de perfil, Irene usa um chapéu com tons escuros e Clare usa um com cores claras, ao fundo a comunidade do Harlem aparece embaçada. " width="770" height="578" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26407" class="wp-caption-text">Identidade foi lançado pela Netflix em 2021 e marca a estreia de Rebecca Hall como diretora (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">– traduzido no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade </span></i><span style="font-weight: 400;">– com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro de 2021 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado do quanto a sua própria pele pode ser sufocante em uma sociedade estruturada pelo racismo. O filme é a adaptação audiovisual do </span><a href="http://ovelhamag.com/ultrapassando-os-limites-da-cor/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/negra-que-se-passa-por-branca-move-as-tensoes-do-romance-identidade.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nella Larsen</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é também o trabalho de estreia da atriz </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/30/1059824073/passing-rebecca-hall-film#:~:text=Music%20Of%202021-,'Passing'%20filmmaker%20Rebecca%20Hall%20shares%20the%20personal%20story%20behind%20her,mother%20also%20passed%20as%20white."><span style="font-weight: 400;">Rebecca Hall</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora.</span></p>
<p><span id="more-26406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada na Nova York de 1929, a produção nos coloca entre a dualidade de Irene Redfield (</span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/tessa-thompson-passing-subtext-viva-maude-1235099237/"><span style="font-weight: 400;">Tessa Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Clare Bellew (</span><a href="https://stylecaster.com/ruth-negga-passing/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Negga</span></a><span style="font-weight: 400;">), duas amigas de infância que se reencontram de maneira inesperada em uma parte da cidade dominada pela elite branca. O que Irene não esperava é que esse momento nostálgico vem acompanhado de uma mentira: a amiga tem apagado sua própria identidade e </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/18/internas_opiniao,873201/ancestralidade-africana-e-apropriacao-cultural.shtml"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto finge ser uma mulher branca. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Passing | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/trwq3CNCMkU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais aparente que seja a felicidade de Clare por desviar da discriminação e </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/exclusao-social-do-negro-nao-pode-ser-ignorada-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">exclusão social</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso tira dela o que realmente a faz feliz, sua </span><a href="https://racismoambiental.net.br/2020/04/23/a-cultura-negra-para-alem-da-escravidao/"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto frequenta os melhores hotéis, bebe os champagnes mais caros e faz viagens pelo país, ela vive de modo artificial, e encontrar Irene revela um íntimo misto de esperança e tentação. Deslumbrada com a possibilidade de recuperar o tempo perdido longe das </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-destruicao-do-harlem/"><span style="font-weight: 400;">comunidades negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a se inserir na vida de Irene de forma transgressora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade marcante de Clare é perfeitamente moldada por Ruth Negga, que carrega em cada gesto a singularidade da personagem, sua postura e risada sempre extrovertidas revelam o quanto passar tantos anos vivendo como uma pessoa branca deram a ela uma confiança inabalável. Amparada por uma falsa segurança, ela afirma o que há de audacioso em si na circunstância de ser vista como parte de um privilégio em que a opressão nunca sequer foi uma possibilidade. Irene contraria esse comportamento – ainda que, coragem e confiança fossem características fortes dentro dos </span><a href="https://www.politize.com.br/movimento-negro/"><span style="font-weight: 400;">movimentos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">– quando está em espaços intolerantes, anda com a cabeça baixa e faz gestos suaves e comedidos. Mesmo com a capacidade de se passar como branca, ela transborda um </span><a href="https://revistaperiferias.org/materia/que-se-afaste-o-medo/"><span style="font-weight: 400;">medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tessa Thompson sabe traduzir de maneira impecável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a escolha de uma fotografia (responsabilidade de Eduard Grau) em formato quadrado e em </span><a href="https://screenrant.com/passing-movie-black-white-cinematography-story-why/"><span style="font-weight: 400;">preto e branco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de arte nos leva a uma verdadeira viagem no tempo e, em paralelo, concretiza as sensações de tensão e angústia que permeiam a narrativa. Os tons de cinza, preto e branco conferem aos personagens contrastes únicos e bastante simbólicos, as protagonistas aparecem em tons claros, o que reforça a questão da </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2021/06/a-passabilidade-e-a-politica-de-embranquecimento/"><span style="font-weight: 400;">passabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capacidade de camuflagem dentro da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_26408" aria-describedby="caption-attachment-26408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na fotografia aparecem os personagens Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga, e ao lado direito da imagem o marido, John Bellew, interpretado por Alexander Skarsgård. A cena é em preto e branco, ela aparece com os cabelos soltos e expressa um sorriso, ele está com os cabelos penteados para trás e usa uma barba curta. " width="800" height="519" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2.-768x498.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26408" class="wp-caption-text">O filme foi lançado durante o Festival de Sundance de 2021, e logo na sequência adquirido para distribuição pela Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica da casa da família Redfield no </span><a href="https://amsterdamnews.com/news/2021/11/11/passing-brings-harlem-in-the-20s-to-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Harlem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muda após a chegada de Clare e traz à tona sensações de desconforto em Irene, que aos poucos começa a se incomodar com os sentimentos dos filhos e do marido Brian Redfield (</span><a href="https://www.instyle.com/celebrity/andre-holland-interview-passing-2021"><span style="font-weight: 400;">Andre Holland</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação a amiga. Como a própria Clare diz em um certo ponto do longa, ela faria de tudo para recuperar o que perdeu e isso dá a entender que roubar a vida de Irene para si é uma possibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o enredo deixe a </span><a href="https://www.pondoascartasnamesa.com/post/rivalidade-feminina-quem-ganha-com-isso"><span style="font-weight: 400;">rivalidade feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre elas em foco na história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba desencadeando em suas entrelinhas a interpretação de que a relação delas poderia ser mais que apenas amizade. Os olhares e a inquietação presente nas cenas em que as duas interagem, deixam no ar a possibilidade de uma </span><a href="https://divamag.co.uk/2021/11/12/review-passing-netflix/"><span style="font-weight: 400;">atração romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A hipótese parece ainda mais viável quando em um diálogo com o amigo Hugh (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bill Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">), Irene fala sobre o efeito de curiosidade que Clare causava nas pessoas.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que a palavra passabilidade é sobre a capacidade de se encaixar em uma identidade diferente da originária, tanto o título original quanto o traduzido adquirem um significado ideal para a trama e todas as suas possibilidades. Da vida falsa que Clare leva a todas as camadas que Irene esconde, elas se passam, e misturadas ao preto e branco da tela se encontram em seus tons de cinza em comum. A leitura de terceiros e o que enxergam nas personagens não as faz menos pertencentes à racialidade negra, ainda assim, as coloca em uma posição em que partilham de vivências carregadas de incertezas sobre si mesmas. </span></p>
<figure id="attachment_26409" aria-describedby="caption-attachment-26409" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Identidade. Na imagem aparecem as atrizes Ruth Negga e Tessa Thompson e a diretora Rebecca Hall. As três estão no cenário do café, Ruth é uma mulher negra e veste um vestido rosa e um sobretudo preto, Tessa é uma mulher negra e usa um vestido cinza e um chapéu bege, Rebecca é uma mulher de pele branca e veste um moletom vinho e uma saia preta. É possível ver o microfone e plantas ao fundo da foto. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26409" class="wp-caption-text"><i>Rebecca Hall </i><a href="https://www.rogerebert.com/chazs-blog/passing-director-rebecca-hall-learns-the-truth-of-her-family-history-on-finding-your-roots"><i>contou</i></a><i> que escolheu produzir, escrever e dirigir Identidade por causa de suas raízes afro-americanas (Foto: Netflix)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao racismo, este poucas vezes precisa ser dito em palavras para fazer parte do contexto, com comportamentos de personagens secundários e diálogos rápidos a história revela o quanto a </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/01/internacional/1478010009_616978.html"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos construiu uma vivencia temerária para a população negra. Os espaços ainda inacessíveis para os afrodescendentes e os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160110_eua_segregacao_fn"><span style="font-weight: 400;">bairros</span></a><span style="font-weight: 400;"> habitados exclusivamente por um grupo racial mostram o preconceito como uma parte natural da vida norte-americana. Além disso, brancos dizerem abertamente que odiavam pessoas negras era normalizado, e é algo que o próprio marido de Clare declara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da discriminação, Irene se mostra totalmente alheia ao estado político e social alarmante em que vive, talvez por estar em um estado de apatia em que imagina que o máximo que pode acontecer é ser chamada pela </span><a href="https://www.efigenias.com.br/2010/10/n-word-o-que-e-afinal.html"><i><span style="font-weight: 400;">n-word</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Brian contraria esse comportamento e se mostra muito preocupado com a segurança da família, mas toda vez que tenta contar aos filhos sobre as mortes e torturas, é cortado por Irene e seu ideal de que proteger as crianças é omitir o que acontece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto presente na trama que chama atenção, é a relação da senhora Redfield com a empregada de sua casa. Quase todas as interações entre elas são ordens em cenas que sempre vêm acompanhadas de um serviço doméstico. O foco da filmagem nesses momentos, inconscientemente nos leva a questionar sobre a desigualdade existente dentro das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Zu (Ashley Ware Jenkins) é uma mulher retinta que está em um lugar de menos oportunidades em relação à pessoas negras de pele clara, essa perspectiva evidencia a disparidade inserida nos grupos minoritários e a habitualidade que coloca pessoas mais distantes das camadas dominantes proporcionalmente distantes da ascensão e aceitação social.</span></p>
<figure id="attachment_26410" aria-describedby="caption-attachment-26410" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparece Irene parada em frente a um ônibus, a  fotografia é em preto e branco. A personagem usa um chapéu e uma blusa de manga três quartos em tons claros, usa uma bolsa de mão e um colar de contas e segura sacolas de compras. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26410" class="wp-caption-text">“É fácil para um negro se passar por branco, não tenho certeza se seria simples um branco se passar por negro” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que era esperado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi esnobado pelo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60303561"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: a expectativa era a de que Tessa e Ruth recebessem indicações de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Entretanto, a presença do filme não foi esquecida por outras premiações. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021, recebeu cinco nomeações, assim como apareceu na lista de vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano. No </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Sindicato dos Atores), Negga foi lembrada, assim como no Globo de Ouro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">também apareceu nas listas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, premiação independente mais importante dos EUA, e Negga venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante</span><span style="font-weight: 400;">. Rebecca Hall ainda apareceu na prestigiosa lista do Sindicato dos Diretores, na categoria de Estreante.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandona a ideia de uma narrativa impetuosa e direta e escolhe retratar a temática racial com suavidade, constituindo uma atmosfera que carrega muito de si dentro das entrelinhas e permite uma pluralidade de percepções admirável. Ao ser desenvolvida um momento temporal que ao mesmo tempo nos parece tão distante e – infelizmente – tão próximo, a produção abraça uma reflexão sobre </span><a href="https://cienciahoje.org.br/artigo/a-relacao-entre-branquitude-e-privilegio/"><span style="font-weight: 400;">privilégios</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.politize.com.br/colorismo/"><span style="font-weight: 400;">colorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/a-descoberta-da-negritude/"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a obra cumpre seu propósito de uma maneira muito bem aplicada enquanto passa longe de reconfortante, aliás, é aflita. A ausência de uma abordagem enérgica faz com que, como na vida, não consigamos julgar as atitudes dos personagens de forma extrema ou bem definida, afinal, cada um tem suas razões e não há como simplesmente escancarar o que é certo ou não. Ao fim, entre sobreviver pela metade ou viver inteiro e acompanhado pelo medo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, nenhuma das opções parece contemplar o mínimo de justiça.</span></p>
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		<title>A vida não dá trégua nas travessias de Flee</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2022 16:37:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora”. Os versos de Compasso, composição de Angela Ro Ro com Ricardo Mac Cord, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa Flee (Flugt, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida não dá trégua nas travessias de Flee"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26223" aria-describedby="caption-attachment-26223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos várias pessoas em uma balada gay. Amin está centralizado. Ele coloca os braços sobre o balcão do estabelecimento, veste roupas de inverno e olha para o lado direito da imagem. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26223" class="wp-caption-text">Indicado três vezes ao Oscar 2022, Flee é um documentário que ilustra uma complexa jornada de autoconhecimento (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I8Y-DqFcBnM"><i><span style="font-weight: 400;">Compasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Angela Ro Ro com </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/angela-ro-ro-celebra-musica-em-um-lugar-ao-sol-volta-fazer-show-abre-coracao-ao-falar-de-vaidade-sexo-nova-namorada-25353398.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Mac Cord</span></a><span style="font-weight: 400;">, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Flugt</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem recortados do restante da música, esses fragmentos poéticos expressam muito bem uma das inúmeras sensações que permeiam o longa-metragem estrangeiro. Afinal, em todo o filme, estamos diante de uma concretude nua e crua, e ela nunca será vivenciada da mesma forma por indivíduos minimamente diferentes.</span></p>
<p><span id="more-26222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer coisa, não é de se espantar que uma possível tradução para </span><i><span style="font-weight: 400;">flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja fuga. Documentário elaborado em grande parte como animação, a obra de Rasmussen narra uma vida de </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-flee-animacao-indicada-ao-oscar-traz-belissima-historia-de-amizade-332128/"><span style="font-weight: 400;">deslocamentos constantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido no Afeganistão, o protagonista Amin precisa escapar, logo cedo, de um cenário de guerra que vai tomando conta de sua terra natal. Realocado com a mãe e irmãos na Rússia pós-comunismo, o jovem precisa tolerar com frequência a corrupção da polícia local para com os refugiados. Como a vida torna-se inviável, a família passa a enfrentar os dilemas do tráfico humano, meio pelo qual chegará a novas nações.</span></p>
<figure id="attachment_26224" aria-describedby="caption-attachment-26224" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos uma cozinha repleta de utensílios. O casal Kasper e Amin está no lado direito da imagem. Kasper está à esquerda, usa óculos e veste uma blusa azul. Amin está à direita, tem barba, veste uma blusa vinho e segura Kasper com o braço esquerdo. Os dois se beijam. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26224" class="wp-caption-text">Para construir um futuro ao lado de Kasper, Amin precisa aprender a lidar com as turbulências do passado (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muitas surpresas, o destino não planejado de Amin é a Dinamarca, local onde conhecerá Rasmussen. Acontece que essa história foi, por muito tempo, um segredo </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/flee-review-1234894626/"><span style="font-weight: 400;">até mesmo para Kasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, futuro marido do protagonista. Nesse contexto, narrar uma trajetória de vida pela primeira vez, por meio de um documentário, tendo ainda receio de expor situações tão delicadas, que colocam em xeque algumas noções de legalidade, não poderia ser algo inferior à necessidade. Justamente em proteção aos agentes desta narrativa, Rasmussen age com brilhantismo ao cobri-los com pseudônimos &#8211; como é o caso do próprio “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amin</span></i><span style="font-weight: 400;">” -, explorando também a liberdade criativa das animações para disfarçar os traços desses indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a animação, aqui, não é somente uma camuflagem. Trata-se, ao mesmo tempo, de um </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-flee-jonas-poher-rasmussen/"><span style="font-weight: 400;">recurso artístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio do qual é possível reviver o passado. Recurso esse que, com traços menos intensos, indica memórias mais vagas e confusas, enquanto os acontecimentos nítidos aparecem com detalhes precisos e diversidade de cores. É, enfim, um flerte com as ferramentas da ficção, embora isso não seja, de forma alguma, uma manipulação total ou uma atenuação dos episódios experienciados por Amin &#8211; que são dramatizados com equilíbrio ao longo do filme.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo dessa percepção, podemos entender que a fragilidade é um dos pontos centrais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Y9ZK1S7R7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas são difíceis de falar. Ainda é difícil, mas preciso superá-las. É o meu passado, não posso fugir dele, e não quero. Eu posso conseguir em meio ano, um ano.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, confessa Amin nos primeiros minutos do longa. Não restam dúvidas de que, na tentativa de ser o mais fiel possível à realidade, o protagonista de uma vivência repleta de prováveis traumas assume uma fragilidade necessária para não se machucar em demasia &#8211; uma fragilidade, aliás, essencialmente humana, nítida não só na fala destacada, mas também no filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_26225" aria-describedby="caption-attachment-26225" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos um quarto de hotel durante a noite. Rasmussen encontra-se no lado esquerdo da imagem, está de costas, sentado, tem barba e veste uma blusa preta. Amin está no lado direito da imagem, igualmente sentado, com uma leve inclinação para frente, os dedos das mãos entrelaçados, veste uma roupa cinza e também tem barba. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26225" class="wp-caption-text">Ao ir aos Estados Unidos por conta da carreira acadêmica, Amin revela a Rasmussen que está cansado de tantos deslocamentos (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É, entretanto, na contraposição ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ser’ que se aloja um dos maiores auges do documentário. Afastando-se das recorrentes dicotomias, Rasmussen expõe as tonalidades que afetam a identidade de Amin. Já nos minutos finais do longa, esse amigo-narrador faz uma confissão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">começo a ficar cansado de estar constantemente em movimento.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Ultrapassando os deslocamentos concretos mais recentes, o que está em jogo neste momento são os dilemas que sempre marcaram a vida do protagonista. As constantes mudanças de países, a vida enquanto refugiado, a orientação sexual reprimida, dentre inúmeros outros elementos, ou compõem &#8211; sem limitar -, ou colocam em crise uma existência humana inteira, o que faz jus à </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/02/13/interna_cultura,1344276/producao-dinamarquesa-flee-inova-ao-brigar-pela-triplice-coroa-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inerente a qualquer sujeito não fictício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas tão sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> curiosamente tensiona a todo momento a humanidade dos espectadores, colocando em evidência significativa, mas não exagerada, questões extremamente humanas ou desumanas. A negação da homossexualidade, por exemplo, em um </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/mundo/lgbt-e-o-grupo-que-assumiu-poder-no-afeganistao-taliba"><span style="font-weight: 400;">país</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde “</span><i><span style="font-weight: 400;">os homossexuais não existiam</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; isto é, eram reprimidos ao ponto de não receberem sequer uma designação &#8211; pode causar muita agonia em um primeiro momento. Por outro lado, quando alguns irmãos de Amin descobrem e aceitam essa faceta de sua realidade, incentivando uma espécie de ‘libertação’ via boate gay, certos sinais de esperança logo trazem um sorriso para os rostos outrora tensos do público.         </span></p>
<figure id="attachment_26226" aria-describedby="caption-attachment-26226" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. A imagem se passa em uma possível sala de solicitação de bens e serviços. Uma janela centralizada mostra um ambiente rural. À frente dela, vemos Amin e uma mulher sentados diante de uma mesa. Amin está no lado esquerdo, de perfil, olha para baixo, usa roupa branca e está com um copo sobre a mesa. A mulher está no lado direito, de perfil, usa óculos, roupa predominantemente azulada, segura uma caneta sobre alguns papéis e olha para Amin. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26226" class="wp-caption-text">Em um momento da vida, Amin pede remédios para não se sentir mais atraído por homens (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem sempre há alívio para as questões apresentadas. Quando os detalhes do tráfico humano dominam a narrativa, o nó na garganta do espectador mais sensível pode, com certeza, marcar sua presença, tendo em vista que, em décadas, pouca coisa mudou. A guerra e seus dilemas, então, dialogam intensamente com os </span><a href="https://aovivo.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/24/6105-putin-ataca-a-ucrania-acompanhe-ultimas-noticias-sobre-a-acao.shtml"><span style="font-weight: 400;">conflitos da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ver vários jovens fugindo de uma obrigação desumana, ou seja, de uma luta armada, é um diálogo direto entre o filme e os </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/25/lei-marcial-homens-ucranianos-e-naturalizados-com-idade-de-18-a-60-anos-estao-proibidos-de-sair-da-ucrania.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noticiários de hoje em dia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que gera uma aflição capaz de tangenciar ao mesmo tempo a impotência e a comoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provavelmente, o que mais assusta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgj7DUEtfg0"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é saber que o filme resgata uma história real &#8211; e que algumas décadas foram, com razão, incapazes de apagar o medo de quem um dia já viveu sem liberdades e dignidade. Ainda assim, é essencial ter esse dado em mente para que se obtenha uma experiência completa de humanização dos fatos históricos. Em aspectos técnicos, o filme abre espaços na animação predominante para inserir registros reais do passado mais distante ou dos anos mais recentes. Com sucesso, isso facilita o exercício da memória, lembrando constantemente que, antes de ser um conjunto de ilustrações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, a obra de Rasmussen tem a duração perfeita para os recortes de vida que pretende narrar, não pecando por falta de informação ou adornos sem sentido. Alcançando um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/flee-oscar-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">feito histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é memorável por ser o primeiro filme a concorrer simultaneamente a Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Portanto, mesmo que não receba uma estatueta em março, a produção dinamarquesa dá continuidade à sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/conheca-flee-primeiro-na-historia-indicado-melhor-animacao-documentario-filme-estrangeiro-no-oscar-25385301"><span style="font-weight: 400;">jornada de respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi vitoriosa em eventos como o Festival de Sundance, o Festival de Annecy e os Prêmios do Cinema Europeu. E quanto a Amin? Que receba, hoje e sempre, toda a dignidade do mundo.            </span></p>
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		<title>Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 11:59:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de CODA, que ganhou no Brasil o título No Ritmo do Coração. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (Locke &#38; Key), ela é a CODA (Child of Deaf Adults,  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25700" aria-describedby="caption-attachment-25700" style="width: 1005px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os quatro personagens estão sentados em um sofá abraçados. No lado esquerdo está Leo Rossi, interpretado pelo ator Daniel Durant. Ele é um homem branco de cabelo castanho curto. Veste uma camiseta cinza com uma camisa xadrez cinza e marrom por cima e calça jeans azul médio. Ao lado dele está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Utiliza uma blusa azul petróleo e calça jeans azul. Ao lado dela está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Ele veste uma blusa cinza escuro e calça jeans cinza claro. Na direita ao lado dele está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma blusa de moletom verde e calça jeans azul médio." width="1005" height="670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25700" class="wp-caption-text">O filme venceu duas categorias no Gotham Awards, e Troy Kotsur garantiu indicações ao Globo de Ouro, ao Critics Choice e ao SAG Awards (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou no Brasil o título </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0NGHQZ30LKKJU738BAQHVHHU4Y/ref=atv_hm_hom_c_y3hZAQ_awns_9_1?language=pt_br"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U6mCkzv7WPM"><i><span style="font-weight: 400;">Locke &amp; Key</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), ela é a </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2020/11/09/ser-coda-voce-sabe-o-que-isso-significa/"><span style="font-weight: 400;">Child of Deaf Adults</span></a><span style="font-weight: 400;">,  filha de adultos surdos) da família. Trabalhando durante a manhã na pescaria, ela interpreta e traduz tudo o que seu pai, mãe e irmão querem dizer para as pessoas não-surdas. Tudo muda quando ela decide entrar para o coral da escola.</span></p>
<p><span id="more-25699"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de 2021 é inspirado no longa alemão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VCixeH6e_g"><i><span style="font-weight: 400;">A Música e o Silêncio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) da diretora Caroline Link, que por sua vez ganhou uma versão francesa em 2014 com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y0pnVZLD4eU"><i><span style="font-weight: 400;">A Família Bélier.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Nesta interpretação estadunidense, a diretora Sian Heder (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xCke0hXoCf8"><i><span style="font-weight: 400;">Little America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) traz um ponto de vista inovador para uma narrativa convencional de filmes de </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/dramedia-o-que-e-isso/"><span style="font-weight: 400;">dramédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos fazendo observar como vive uma família de surdos na sociedade, acendendo uma luz sobre o problema de inclusão e a falta de acessibilidade de pessoas com deficiência em todos os lugares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos a história através da perspectiva da ouvinte, e a partir dela vemos as inúmeras dificuldades enfrentadas pela família Rossi para se expressarem. No fim, todos acabam dependendo de Ruby, que sempre está na corda bamba segurando as pontas da família, através da maneira hábil de se comunicar e traduzir a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dzYVSlgHAew"><span style="font-weight: 400;">linguagem de sinais</span></a><span style="font-weight: 400;">, que está presente em pelo menos 50% dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_25701" aria-describedby="caption-attachment-25701" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25701" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-2.gif" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem em movimento. Os dois personagens estão em um auditório no palco. No centro da imagem está Ruby Rossi, interpretada por Emilia Jones. Ela está em pé cantando uma música, enquanto faz a linguagem de sinais com as mãos. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um suéter de tricô na cor vermelha e calça verde militar. No fundo da imagem está Bernardo Villalobos, personagem de Eugenio Derbez. Ele está sentado à frente de um piano preto. É um homem latino, de cabelos grisalhos. Utiliza uma camisa preta." width="800" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-25701" class="wp-caption-text">Emilia Jones estudou durante nove meses linguagem de sinais, canto e como operar um uma traineira de pesca (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por diversos festivais antes de seu lançamento, incluindo o de </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/coda-sundance-2021"><span style="font-weight: 400;">Sundance, onde levou 4 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentre eles Melhor Filme do Júri. A produção de Heder é espontânea, sensível, afetuosa e muito engraçada. A aclamação de público e crítica, fez o longa chegar até o </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao Globo de Ouro, sendo indicado em duas categorias, Melhor Filme de Drama e em Melhor Ator Coadjuvante com Troy Kotsur (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TUTlOC4mVQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Número 23</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), pai de Ruby na trama.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> destaca a qualidade de Sian Heder como diretora e roteirista, onde segue ganhando prêmios pela sua genialidade nas duas áreas. A  boa fotografia  – pelas lentes da brilhante Paula Huidobro  –, ótimas sacadas no roteiro e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aH-f6-QaYGU&amp;list=PLVfChAjsg5xPt-GCxyXU9K8ZklSihAkto"><span style="font-weight: 400;">bela trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> – assinada por Marius De Vries  –, transformam o longa em algo imperdível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história que gira em torno de Ruby mostra a adolescência dela, o preconceito de seus colegas perante a família surda e o primeiro amor. Emilia Jones brilha em cena, permitindo que sua família fictícia brilhe junto dela. O longa foi </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/apple-studios-wins-coda-in-record-breaking-25-million-sale-1234896460/"><span style="font-weight: 400;">comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;"> por 25 milhões de dólares, tornando esse o maior valor já pago por um filme no festival. Além disso, a canção original </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG_XmVxb1Yo"><i><span style="font-weight: 400;">Beyond The Shore,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que descreve a vida dupla que Ruby leva entre a família e a Música, está na lista de pré-indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, e pode surpreender na categoria.</span></p>
<figure id="attachment_25702" aria-describedby="caption-attachment-25702" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25702" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os três personagens estão em um consultório médico. Da esquerda para a direita está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um moletom cinza e calça jeans. No centro da imagem está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Utiliza uma camiseta cinza e uma camisa xadrez marrom por cima e bermuda cinza. No lado direito está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Veste uma blusa laranja, jaqueta jeans azul e calça cinza escuro." width="1024" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-768x381.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25702" class="wp-caption-text">A produção do filme teve cuidado com a representatividade nas telas e escalou atores surdos, diferente do que aconteceu em <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/a-surdez-atuada-por-quem-ouve-nova-aposta-do-cinema-frances-causa-polemica-antes-da-estreia-14871128">A Família Bélier</a> (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após se juntar ao coral da escola, Ruby é incentivada por Bernardo Villasboas (Eugenio Derbez) – seu professor de canto – a fazer uma audição para a faculdade de Música de Berklee, o que gira a vida dela e de sua família de cabeça para baixo. Conforme a trama se forma, podemos ver o quão afetuosos e unidos são os Rossi, apesar de todas as adversidades da vida, o amor e a felicidade prevalece entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paralelo mais importante do filme se dá quando Ruby informa aos pais que quer sair de casa e ir para uma faculdade de Música. Frank vê a decisão de Ruby como algo trivial. Já Jackie – a matriarca da família – vivida pela </span><a href="https://twitter.com/midianinja/status/1386495107130593284"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Marlee Matlin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D9GAeB0i3lQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Magicians</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) não aceita de maneira alguma essa decisão da filha. O filho mais velho, Leo (Daniel Durant), vê a escolha da irmã como uma oportunidade de poder tomar conta da família e não ter que depender da caçula para se comunicar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o terceiro e último ato do filme, vemos Ruby se apresentar com o coral da escola onde sua família vai assisti-la, mesmo não ouvindo nada do que ela canta. Nesta sequência, experimentamos como seria a cena da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etSTNBS-Ol8"><span style="font-weight: 400;">perspectiva dos surdos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que causa um estranhamento pois para nós, os não-surdos, isso é algo incomum. Mas para eles é a forma como eles veem a vida, o que traz uma grande reflexão. O olhar genial de Sian Heder nos permite observar como a família olha para as outras pessoas da plateia, buscando um modo de entender a música e de se encaixar na sociedade, mas sem sucesso.</span></p>
<figure id="attachment_25703" aria-describedby="caption-attachment-25703" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25703" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. As quatro pessoas presentes na imagem. Da esquerda para a direita está Miles, interpretado por Ferdia Walsh-Peelo. Ele está de costas. É um homem branco de cabelo castanho curto. Utiliza um moletom cinza claro. Ao lado dele está a diretora do filme, Sian Heder. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Ela veste uma camisa azul claro e calça jeans azul médio. Também tem um fone de ouvido preto envolto ao pescoço. Ao lado dela, Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma camisa xadrez azul e mochila verde militar. Atrás de Ruby, está Bernardo Villalobos, interpretado por Eugenio Derbez. Ele é um homem latino, de cabelos grisalhos. Veste uma camisa xadrez azul médio. Também está com um relógio preto." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25703" class="wp-caption-text">Sian Heder também escreveu e dirigiu o filme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8WSz2s-Gemc">Tallulah</a>, de 2016 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fórmula “batida” da narrativa é bem conduzida pela diretora, que explora mais a representação familiar, apresentando um divisor de águas entre o mundo de surdos e não-surdos, onde Ruby se destaca, enquanto se desdobra nesse conflito. É difícil não se apaixonar por </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o qual também conta com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OZe25IEmNno&amp;t=18s"><span style="font-weight: 400;">elenco primoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos levando do riso às lágrimas sem esforço, em um piscar de olhos, engrandecendo ainda mais a história.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa se esforçar para ser bom, ele é autêntico e naturalmente envolvente, aquele tipo de filme que vale a pena ser visto. É encantador, divertido e emocionante de uma forma singular. Facilmente se tornou um </span><a href="https://www.therip.com/opinion/2021/04/08/the-meaning-of-comfort-films/#:~:text=Comfort%20films%20is%20a%20popular,show%20others%20their%20favorite%20films.&amp;text=To%20me%2C%20comfort%20films%20are,global%20pandemic%20currently%20going%20on."><i><span style="font-weight: 400;">comfort movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já que foi uma experiência incrível acompanhar a jornada da família Rossi e o início da independência de Ruby. Original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa está disponível no Brasil pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="No Ritmo do Coração | Trailer Oficial | Amazon Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vVU2ixNLOt8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 20:23:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 1971. Luchino Visconti. Morte em Veneza. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. O Garoto Mais Bonito do Mundo, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, tem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-garoto-mais-bonito-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24148" aria-describedby="caption-attachment-24148" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Em preto e branco, mostra um garoto branco e loiro escondido atrás de uma cadeira de set de gravações. Nas costas da cadeira, está escrito L. Visconti, o nome do diretor. " width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24148" class="wp-caption-text">Analisando o impacto da fama na vida de uma jovem estrela, o documentário faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>1971. Luchino Visconti. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2412199916.htm"><i>Morte em Veneza</i></a>. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/02/beleza-de-ator-de-morte-em-veneza-virou-sentenca-para-jovem-mostra-documentario.shtml"><i>O Garoto Mais Bonito do Mundo</i></a>, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, tem em seu cerne a ferida aberta que a fama e o estrelato podem causar nesse alguém ainda em processo de formação.</p>
<p><span id="more-24147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início dos anos 70, o cultuado diretor Luchino Visconti colocou em prática a ideia de dar vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte em Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;">, adaptação da obra de </span><span style="font-weight: 400;">Thomas Mann</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://palavrasdecinema.com/2018/10/30/morte-em-veneza-de-luchino-visconti/"><span style="font-weight: 400;">entraria para a história do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, com abertura e aclamação massiva em Cannes do mesmo ano e vendido em cima da figura angelical de Björn Andrésen, à época com menos de dezesseis anos. 50 anos depois, o mesmo Björn relembra os bastidores da ascensão meteórica de seu rosto e corpo, e como os vestígios de abuso moldaram seu eu de hoje, um homem de sessenta e seis anos, quebrado em todos os sentidos da palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução histórica, com amplo </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-96298/"><span style="font-weight: 400;">uso de imagens de arquivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, situa com maestria o documentário comandando pela dupla Kristina Lindström e Kristian Petri, mas o que o filme tem de base complementar, ele carece de foco estrutural. O que, por ora, joga a favor da obra. Ao salpicar filmagens antigas do menino, intercalando com imagens cruas do velho de hoje, os diretores ganham pela simpatia.</span></p>
<figure id="attachment_24149" aria-describedby="caption-attachment-24149" style="width: 1617px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24149" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra um homem idoso, de cabelos brancos e barba branca, compridos, parado próximo ao mar. Ao fundo, vemos a água azul." width="1617" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg 1617w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-800x456.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1024x583.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-768x437.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1536x875.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1200x683.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24149" class="wp-caption-text">O ator é mostrado no set de Midsommar, onde interpretou o papel do idoso que se joga do penhasco em um dos rituais mais brutais do filme de Ari Aster (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não simpatizar com o tal Garoto. Seu olhar ávido e estupefato dos anos setenta entra em conflito com as íris escurecidas e tristes da década de vinte. E muitos são os fatores que fizeram-no cruzar essa ponte da depressão e da falta de cuidado próprio. Como sua namorada exclama nos minutos iniciais, ele mal sai de casa, muito menos recebe ninguém há anos no maltrapilho apartamento e </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/the-most-beautiful-boy-in-the-world-sundance-review/5156424.article"><span style="font-weight: 400;">prefere o silêncio à conversa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmando Andrésen calmo, sozinho e vestido com casacos elegantes e escuros, em contraste com o penteado de Papai Noel nórdico, a cinematografia de Erik Vallsten deita e rola no jogo de imagem e som </span><a href="https://deadline.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-sundance-documentary-1234682836/"><span style="font-weight: 400;">do ontem e do hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. O idoso narra, fora da câmera, como foi a experiência de virar um símbolo sexual, de luxúria e desejo antes mesmo de atingir a maioridade, narrando absurdos, agora enfrentados como dragões medievais, sob o timbre grosso e a presença diminuta do homem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que ponto a </span><a href="http://thefilmexperience.net/blog/2021/1/29/sundance-the-most-beautiful-boy-in-the-world-review.html"><span style="font-weight: 400;">influência de um diretor famoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode massacrar a vida de um jovem ator? Até que ponto a família pode intervir? Björn, órfão desde cedo, não encontrou na avó a proteção que necessitava, seguindo todas as ordens de Luchino Visconti, o diretor que imortalizou o ator. Hoje, aos 66 anos, o Garoto tem a mesma idade que Visconti tinha quando o escalou no século passado. Na pele de Tadzio, o filme nos mostra sua primeira audição, onde teve de tirar a roupa a fim de Visconti poder julgar se aquele era o intérprete ideal.</span></p>
<figure id="attachment_24150" aria-describedby="caption-attachment-24150" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24150" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra o close no rosto do garoto, branco e louro, que olha para a câmera e sorri. " width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24150" class="wp-caption-text">Sensível e extremamente respeitoso com a figura do Garoto, o filme abre debates importantes para o Cinema do século XXI: até quando vamos sexualizar figuras infantis? Qual o limite do inaceitável? (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os moldes eurocêntricos de beleza, cabelos loiros áureos, olhos cinzentos e a pele branca como leite, com bochechas rosadas e um maxilar pontiagudo, venderam o Garoto como o símbolo inalcançável de perfeição. Tão longe do resto dos mundanos, que ele próprio voou perto demais do Sol. A comunidade gay da época, em especial a equipe de produção comandada pelo diretor assumidamente homossexual, era descrita como desejando Björn, comendo-o com os olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visconti assegura que ninguém, de fato, tocou o menino, mas a pressão de ficar seminu num </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravações daquele já foi mais que o bastante para que Björn crescesse </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-bjorn-andresen-1234611909/"><span style="font-weight: 400;">rodeado de complexos e medos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto é que muitos dos problemas nascidos no processo de virar adulto só são adereçados na terceira idade, e capturados pelo olhar da segura dupla que dirige </span><i><span style="font-weight: 400;">The Most Beautiful Boy in the World</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua predileção pela fuga dos confrontos nas brigas com a namorada preenchem o miolo do filme, que se estende por menos de cem minutos. Sobra espaço para Björn mergulhar no mistério do assassinato da mãe, na sequência mais desoladora da rodagem, onde choramos junto dele. É tarde demais para que os erros sejam desfeitos, mas a existência de longas como esse são fator importante para que a história não se repita. Na era em que os </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-09-11/primeiro-tadzio-depois-dicaprio-agora-chalamet-a-obsessao-de-hollywood-pela-figura-do-lolito.html"><span style="font-weight: 400;">Lolitos são atacados sem pudor</span></a><span style="font-weight: 400;">, respeito ou responsabilidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Garoto Mais Bonito do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> rasga as dores de um arquétipo passado, mas que, independente de quantos penhascos pule em direção à libertação, nunca cicatrizará suas marcas. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Most Beautiful Boy in the World - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RhwlYz3qtwA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 18:13:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em Capitão Fantástico, e Tony Lipp no terrível Green Book. Em Ainda Há Tempo, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ainda-ha-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21928" aria-describedby="caption-attachment-21928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21928 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Podemos ver o pai Willis, idoso, e seu filho, John, adulto, sentados na sala brigando. Willis está com a mão próxima da cara de John e gritando. Ambos são homens brancos de cabelos claros. A sala possui arquitetura rural dos Estados Unidos dos anos 80." width="1600" height="1052" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-800x526.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1024x673.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-768x505.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1536x1010.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1200x789.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21928" class="wp-caption-text">Ainda Há Tempo é o filme em cartaz no décimo segundo dia do Festival do Rio 2021 (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Jho Brunhara</strong><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-fantastico-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Tony Lipp no terrível </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado por uma trilha sonora composta pelo mesmo. O longa chega de forma muito tardia ao Brasil por motivos pandêmicos (sua primeira exibição foi em janeiro de 2020), através do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a qualidade da produção, infelizmente, não é suficiente para compensar a demora.  </span></p>
<p><span id="more-21927"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">se parece de espírito com </span><a href="https://www.geledes.org.br/green-book-o-guia-o-filme-negro-de-brancos-para-brancos/"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em primeiro momento, a construção emocionalmente apelativa e o ótimo trabalho dos atores fisga a atenção e te faz acreditar que este é um bom filme. Mas, quanto mais se pensa, mais o vislumbre desaparece. À começar pela premissa que é um pouco enganadora: a campanha de divulgação do longa dá a entender que a história será sobre um pai homofóbico que sofre de demência e o convívio que estabelece quando passa a morar com seu filho, gay e casado com outro homem. Porém, logo percebemos que o foco é menos sobre a questão da homofobia e muito mais sobre um homem idoso detestável, que não resguarda sua ruindade apenas para questões de sexualidade, apodrecendo tudo e todos em sua volta. </span></p>
<p><figure id="attachment_21929" aria-describedby="caption-attachment-21929" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. O pai, Willis, está em sua fase jovem adulto. Ele está de pé encostado no batente da porta da sala e observa o ambiente, segurando um cigarro na mão." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21929" class="wp-caption-text">A tradução para português do título original (Falling) não faz sentido nenhum e não reflete o teor do longa [Foto: Perceval Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Não há problema nenhum que um filme pareça algo e, durante seu </span><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento, se transforme em outra coisa. Porém, quando se usa da temática da homossexualidade para vender uma história, é no mínimo estranho que o produto final desvie tanto da mística construída na divulgação. Essa estranheza se acentua quando sabemos que Viggo Mortensen, até então, é um homem hétero, que interpreta um personagem homossexual em uma história desenvolvida e dirigida por ele mesmo. Quando perguntado em entrevistas, Mortensen disse </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/viggo-mortensen-nao-ve-problema-em-atores-heteros-interpretarem-personagens-homossexuais/"><span style="font-weight: 400;">não acreditar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a sexualidade de um ator deveria ter importância para considerar a designação de um papel. É um debate complexo, mas, pelo menos aqui, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cuidadoso o suficiente para não abusar de estereótipos ou se apresentar de forma ofensiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de forrar a barriga com a trama da homossexualidade, o longa é muito mais sobre um pai e marido horrível para todos do seu convívio, e os dilemas de como lidar com uma pessoa com demência. O segundo tema já rendeu até </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para Anthony Hopkins esse ano, por sua incrível atuação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que teve seu lançamento muito próximo da criação de Mortensen, ambos estreantes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas quem levou a melhor foi Florian Zeller. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra problemas justamente por sua concepção autoral: é a primeira vez de Viggo idealizando um filme e, consequentemente, estamos vendo sua arte de forma bruta. A direção encontra problema em construir a relação com o produto que ele quer criar, e a narrativa é disforme, sem a intenção de ser. As personagens, pelo menos, são interessantes, e ficam ainda mais com as grandes atuações. Lance Henriksen é fenomenal ao entregar o pai Willis. Escrito de forma caricata, Henriksen é tão bom que faz funcionar, e esquecemos que aquele ser repugnante não é documental. O resto do elenco interpreta rostos quase sempre muito contidos, como panelas de pressão que não podem explodir, mesmo com a fervura constante de Willis. </span></p>
<figure id="attachment_21931" aria-describedby="caption-attachment-21931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg" alt="Fotografia das gravações do filme Ainda Há Tempo. Nela, podemos ver a atriz que interpreta a personagem Sarah e o ator que interpreta Willis sentados numa mesa de almoço se cumprimentando. Viggo Mortensen, diretor e o ator de John, está de pé com fones de ouvido, olhando para Lance." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21931" class="wp-caption-text">Mortensen dedica o filme aos pais que faleceram com demência, mas a homenagem soa estranha em um longa sobre um homem odiável (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As quase duas horas são cansativas, mas as atuações realmente sustentam a experiência. Viggo Mortensen como ator é o oposto de sua direção, e nos coloca imersos na personalidade contida de John. </span><a href="https://personaunesp.com.br/ozark-critica/"><span style="font-weight: 400;">Laura Linney</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta sua irmã mais nova, também conquista nas poucas cenas que aparece. O almoço com a família toda reunida é agoniante, mas a vergonha alheia e o desespero impressos na tela, estranhamente, não permitem desviar o olhar. Seja pela falta de filtro de Willis, seus delírios sexuais, o desconforto generalizado, ou a personalidade </span><i><span style="font-weight: 400;">no ponto</span></i><span style="font-weight: 400;"> da neta gótica Paula (Ella Jonas Farlinger), a única que permanece na mesa, representando uma geração que sempre tem o que dizer: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu não tenho medo de você</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mortensen acerta, também, em não mostrar o momento em que John se assume gay para Willis. Ninguém aguenta mais assistir isso no cinema, já foi feito de todas as formas possíveis, e a maioria idêntica, revirando o mesmo processo horrível e doloroso, para servir apenas de ponte para a narrativa. A trama do pai se constrói por situações absurdas – como a do proctologista, cômica demais para o tom –, um milhão de </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Willis sendo misógino, racista, homofóbico e asqueroso no geral, e uma família tendo que lidar com o sentimento de impotência, afinal, quem é que vai tentar mudar a cabeça de um homem demente? </span></p>
<figure id="attachment_21934" aria-describedby="caption-attachment-21934" style="width: 1492px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21934 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Eric, um homem de pele amarela, está com a mão no ombro de John, seu marido, por trás. Eles estão na cozinha." width="1492" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg 1492w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-768x457.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21934" class="wp-caption-text">A ideia de que o personagem de Viggo fosse gay veio depois, originalmente esse traço de personalidade <a href="https://www.guiagaysaopaulo.com.br/noticias/cultura/viggo-mortensen-responde-com-deboche-sobre-papel-gay">não estava nos planos</a> (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final é a cereja podre do bolo. A colagem desnecessária é confusa e dissonante, como o beijo entre John e Eric (Terry Chen) totalmente anticlimático, e o delírio de Willis, no que parece ser a representação de sua morte. O fim da vida de forma miserável e feliz, transando com uma mulher de torso nu. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Falling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se importa muito em redimir as ações de Willis, mas dá leve indicações de que ele é um ‘homem machucado’, e por isso terminou a vida com essa personalidade que apodrece tudo que se aproxima dele. Somos influenciados pela fala que seu pai era uma pessoa ruim, dando a entender que essa é a origem de sua amargura, pela cena do cervo, e no abraço doloroso com o filho após a briga explosiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que, nesse caso, é impossível abandonar uma pessoa com demência, por mais horrorosa que ela seja. Mas, tudo que assistimos nos mostra que Willis sempre foi exatamente assim, desde a primeira cena que o vemos com seu filho recém nascido. Enquanto todos em sua volta tentam suportar sua personalidade, ajudá-lo e entendê-lo, ele se fecha mais e mais e se torna ainda mais cruel. Somos ensinados que família é algo que devemos aturar independente das circunstâncias, e que devemos sempre perdoar os que compartilham o nosso sangue, mas é uma </span><a href="https://medium.com/@camilanishimoto/voce-nao-e-ruim-por-se-afastar-da-familia-a89ae7071a9b"><span style="font-weight: 400;">retórica perigosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que favorece indivíduos nojentos. </span></p>
<figure id="attachment_21935" aria-describedby="caption-attachment-21935" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. John e seu pai Willis estão mais jovens, andando de cavalo. Willis está tentando derrubar John de seu cavalo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21935" class="wp-caption-text">O filme conta sua história através de cenas no presente e flashbacks (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma herança da </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/03/o-que-e-patriarcado-e-como-ele-mantem-as-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a figura do homem detém o poder, e suas ações inconsequentes não precisam ser responsabilizadas: eles sentem que podem fazer o que bem entenderem, se julgarem que é o correto para o mundo, e assim se sentem acima de todos, independente das dores que causaram. Se distanciar não é abandonar, mas precisamos deixar para trás a culpabilização dos que desistiram de tentar consertar o vil.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nunca chega a romantizar ou forçar o perdão de seus personagens com o pai, mas sempre deixa no ar o peso que eles têm de carregar, que é suportar a personalidade cruel e podre daquela figura paterna, e todas as dores que ela causou. É uma obrigação de perdoar imposta, silenciosa e fragmentada, que contamina as vítimas dessas violências. Não devemos nos sentir obrigados a perdoar pais monstruosos apenas pela relação de sangue. Homens adultos que não querem deixar de lado o orgulho e a maldade devem ser responsabilizados como homens adultos.</span></p>
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		<title>A raiz de Minari e suas três germinações</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2021 17:09:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A raiz que busca um solo para se firmar, o sonho que busca um meio de se realizar e o Cinema que busca um espaço para se expressar. Assim é Minari: tão belo, suave e poderoso quanto o fenômeno mais fundamental da natureza, tão feliz quanto o processo mais gratificante da experiência humana, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A raiz de Minari e suas três germinações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20032" aria-describedby="caption-attachment-20032" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20032 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme Minari. A imagem é retangular e mostra o personagem David, interpretado por Alan Kim, uma criança asiática de sete anos, de cabelos lisos escuros, ao centro. David veste uma camisa polo de listras em tons de marrom, branco, cinza e laranja, e uma bermuda cinza escura. O menino, fotografado do quadril para cima, olha para a câmera com uma expressão serena e segura um graveto com a mão direita, oferecendo-o para a câmera. Atrás dele, existe uma casinha com uma pintura da bandeira dos Estados Unidos na parede, e ele caminha sob um gramado verde. A imagem é colorida vibrante." width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20032" class="wp-caption-text">Minari é <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2020/">um dos melhores filmes de 2020</a> e um dos grandes indicados ao <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/">Oscar 2021</a> (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A raiz que busca um solo para se firmar, o sonho que busca um meio de se realizar e o Cinema que busca um espaço para se expressar. Assim é <em>Minari</em>: tão belo, suave e poderoso quanto o fenômeno mais fundamental da natureza,</span><span style="font-weight: 400;"> tão feliz quanto o processo mais gratificante da experiência humana</span><span style="font-weight: 400;">, e tão transformador quanto o ato de criar seu próprio caminho</span><span style="font-weight: 400;">. O drama familiar dirigido e roteirizado por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1818032/bio?ref_=nm_ov_bio_sm"><span style="font-weight: 400;">Lee Isaac Chung</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca</span> dentre muitos filmes ambiciosos, fechados e maquiados com sua narrativa delicada, representativa e verdadeira. Encantando em absolutamente todos os lugares que passou desde sua <a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/586161/minari-filme-da-a24-premiado-no-festival-de-sundance-ganha-primeiro-trailer/">estreia no Festival de <em>Sundance</em> em janeiro de 2020</a>, o filme chega em 2021 representando uma série de narrativas e existências que não precisam e nem querem gritar em obras de estruturas grandiosas para serem ouvidas. Apenas desejam encontrar seu espaço para existir.</p>
<p><span id="more-20014"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se aplica tanto ao seu conteúdo narrativo quanto à sua forma de realização. </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura germinar uma história singela sobre sonhos e raízes. Seu cenário é a zona rural de Arkansas, nos Estados Unidos da década de 80. Seus personagens são uma família de imigrantes e seu pontapé inicial é uma mudança que Jacob (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-4-filmes-e-series-para-conhecer-carreira-de-steven-yeun-estrela-de-minari-lista/"><span style="font-weight: 400;">Steven Yeun</span></a><span style="font-weight: 400;">), Monica (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm3680658/"><span style="font-weight: 400;">Ye-ri Han</span></a><span style="font-weight: 400;">), Anne (</span><a href="https://www.imdb.com/title/tt10633456/characters/nm10942337"><span style="font-weight: 400;">Noel Cho</span></a><span style="font-weight: 400;">) e David (</span><a href="https://glamurama.uol.com.br/quem-e-alan-kim-o-ator-prodigio-de-8-anos-que-emocionou-o-publico-ao-vencer-o-critics-choice-award-pela-atuacao-em-minari/"><span style="font-weight: 400;">Alan Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">) fazem de uma ponta à outra do país em busca de seus sonhos, autonomia e felicidade. Sua inspiração? </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-por-que-prestar-atencao-em-lee-isaac-chung-indicado-melhor-diretor-por-minari/"><span style="font-weight: 400;">A vida do seu criador</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também em meados de 1980, tentava se adaptar a uma nova realidade repleta de promessas, e que em 2020 tentou pela última vez &#8211; e foi muito bem-sucedido, se ainda for preciso dizer &#8211; a realização de seu Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_20016" aria-describedby="caption-attachment-20016" style="width: 1419px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20016 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra a personagem Monica, interpretada por Ye-ri Han, uma mulher asiática de cabelos castanhos lisos presos num rabo baixo, no lado esquerdo. Ela veste uma camiseta amarela clara e aparece da cintura para cima, olhando para Jacob, que está a sua frente, mais à direita da imagem. O personagem é interpretado por Steven Yeun, um homem amarelo, de cabelos lisos escuros, e veste uma camisa de mangas curtas xadrez alaranjada. Ele olha para fora da imagem, no lado esquerdo. Os casal está num campo, o céu é azul e ao funde pode-se observar muitas árvores." width="1419" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2.jpg 1419w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20016" class="wp-caption-text">Quando tinha cinco anos, o diretor e roteirista também se mudou com a família para uma fazenda no sul dos EUA, e seus pais tinham a mesma ocupação, sonhos e dores de Jacob e Monica (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é preciso ir longe para entender porque </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tão especial. Representatividade, afeto, família, sonhos, desafios, beleza… Tudo isso pode ser encontrado nos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn"><span style="font-weight: 400;">99% da humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também dentro e fora, na superfície e na profundidade, e antes, durante e depois do filme. Partindo de um pretexto simples de um lugar profundamente pessoal, ele ressoa de todas as formas que o Cinema permite, atingindo uma esfera surpreendentemente universal.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fenômeno acontece no exato núcleo da obra, composto objetivamente pelo mesmo contexto em </span><span style="font-weight: 400;">que Lee Isaac Chung viveu parte de sua infância: </span><span style="font-weight: 400;">uma família coreano-americana que deixa tudo o que tem para trás em busca de realização e melhores condições de vida. Subjetivamente, está todo o resto: na realidade já difícil agravada pelo racismo e pelas dinâmicas sociais e econômicas, eles tentam encontrar seu lugar, tanto no mundo externo, quanto dentro do próprio lar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os debates decorrentes de construir uma história totalmente firmada na vivência de um grupo marginalizado não são deixados de lado, e nem gritados, concordando com </span><a href="https://deadline.com/video/lee-isaac-chung-oscar-interview-minari-behind-the-lens/"><span style="font-weight: 400;">a intenção maior do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com todo o resto do roteiro, que é sempre sutil e caminha a passos leves. Algo que pode incomodar alguns, mas a escrita íntima de Chung sabe o que faz com algo vivido na própria pele. E a última coisa que o criador quer é o iluminar de mais ou o aguar de menos, atrapalhando assim o crescimento de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_20019" aria-describedby="caption-attachment-20019" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20019 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3.jpg" alt="Cena do filme Minari. Na imagem, pode-se observar o personagem de Jacob, interpretado pelo ator Steven Yeun, um homem amarelo de cabelos escuros, e de David, interpretado por Alan Kim, uma criança também amarela. Eles se olham com ternura e a imagem os captura de lado, dos ombros para cima. Jacob usa uma camisa azul clara e David uma polo com listras azuis e brancas. Eles estão sentados numa escadaria, mas ela é visível apenas ao fundo." width="1920" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20019" class="wp-caption-text">Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Lee Isaac Chung, a produtora Christina Oh e o ator Steven Yeun enfatizam que os temas de Minari são mais amplos do que a experiência asiático-americana: &#8220;Estávamos apenas tentando dizer algo honesto&#8221; (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Metáfora essa que se transforma no estalo mais genial e delicioso do filme através da alma da narrativa, mais conhecida como a 5ª pessoa da família, mais conhecida como Soonja, mais conhecida como </span><i><span style="font-weight: 400;">a vovó de Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">. A personagem de </span><a href="https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,minari-atriz-coreia-do-sul-filme-oscar,70003679917"><span style="font-weight: 400;">Yuh-Jung Youn</span></a><span style="font-weight: 400;"> vem da Coreia para elevar a história e</span><span style="font-weight: 400;"> ajudar a cuidar dos netos, visto que Jacob e Monica trabalham numa granja da cidade e depois cumprem uma terceira jornada: ele na fazenda dos seus sonhos e ela administrando a casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela traz consigo alguns presentes coreanos para a família, que há anos não pisa na terra natal. Dentre eles, está um broto de </span><a href="https://zh-cn.facebook.com/Pelaspanelasdomundo/posts/minarioenanthe-javanica-uma-verdura-coreanaalmocei-hoje-em-um-restaurante-corean/2723567527906388/#:~:text=Minari(Oenanthe%20javanica)%2C%20uma%20verdura%20coreana.&amp;text=Esta%20%C3%A9%20%C3%BAnica%20esp%C3%A9cie%20de,as%20outras%20s%C3%A3o%20altamente%20t%C3%B3xicas."><i><span style="font-weight: 400;">minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um tempero típico do país que Soonja importa para o solo americano, e a analogia que floresce a riqueza das entrelinhas do filme. A raiz, a distância de casa, o adaptar-se a um novo contexto, o compreender um ao outro, a expectativa de vingar, a esperança de vida… Em tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> se vê um </span><i><span style="font-weight: 400;">minari</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes que nosso raciocínio imagine a possibilidade de concluir o filme como algo não-verbal demais, suave demais ou até seminal demais, Lee Isaac Chung confirma que <a href="https://trevo.us/as-construcoes-narrativas-em-minari/">estamos sim no audiovisual e que estamos sim numa narrativa estruturada</a> e semeia suas reflexões na carne do filme. Agora, outra instância fundamental e encantadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a germinar, fertilizada pela sintonia do roteiro, direção e elenco que cultiva a relação entre a avó e os netos.</span></p>
<figure id="attachment_20020" aria-describedby="caption-attachment-20020" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20020 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra David, personagem de Alan Kim, uma criança amarela, e Soonja, personagem de Yuh-Jung Youn, uma senhora asiática. Eles estão no banco de trás de um carro, e se olham desconfiados. David veste uma camisa verde clara e uma gravatinha azul escura, e Soonja veste uma camisa amarela clara de bolinhas." width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20020" class="wp-caption-text">Yuh-Jung Youn venceu o BAFTA e o SAG de Melhor Atriz Coadjuvante em 2021 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Demonstrando pleno domínio dos rumos de sua história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari </span></i><span style="font-weight: 400;">aproveita o momento de sustentar sua narrativa para surpreender mais uma vez, agora brincando com seus efeitos e expectativas. Presentes, cuidados e comidinhas enganam a nós e a David: <a href="https://diamondfilms.com/br/noticia/1222-a-vov%EF%BF%BD-de-minari">a avó escrita por Chung e brilhantemente vivida por Yuh-Jung Youn </a></span><span style="font-weight: 400;">está longe de ser uma matriarca ‘normal’ aos ideias que o pequeno, nascido, crescido e educado na cultura dos Estado Unidos, e que nós, os espectadores americanos, conhecemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Soonja não sabe fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">cookies</span></i><span style="font-weight: 400;">, é meio desajeitada e completamente desbocada, o que causa estranhamento no personagem do prodígio Alan Kim, comprometendo a relação dos dois. Pelas beiradas, a esperteza de ambos (Soonja, David e Chung) sobressai a teimosia (agora só dos personagens) e vislumbra o equilíbrio. David adora explorar o ambiente e a avó tem algo a semear, afinal. Assim, eles plantam a raiz de </span><i><span style="font-weight: 400;">minari </span></i><span style="font-weight: 400;">juntos ao mesmo tempo em que tentam se adaptar um ao outro e encontrar sua própria maneira de se relacionar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desdobramento disso equilibra a relação entre o filme e o espectador com algo que é exatamente o que gostaríamos de ver. Soonja e David roubam todas as atenções de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja numa relação de amizade marcada pelas artes que aprontam juntos e das pérolas que soltam na companhia um do outro, seja no <a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-como-relacoes-familiares-preservam-nossas-raizes-em-minari-review/">vínculo familiar</a> de avó e neto, que vence as diferenças culturais frutificando momentos emocionantes de carinho, cuidado e incentivo.</span></p>
<figure id="attachment_20053" aria-describedby="caption-attachment-20053" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20053 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20053" class="wp-caption-text">A ponta de comicidade do personagem de Will Patton, o ajudante de Jacob na fazenda que é extremamente atrapalhado e religioso, complementa a obra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que David e Soonja são o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas o filme não seria tudo o que é sem a excelência completa de seus personagens, especialmente a de quem &#8211; teoricamente &#8211; é o protagonista. <a href="https://veja.abril.com.br/cultura/steven-yeun-o-ator-de-the-walking-dead-que-fez-historia-no-oscar-2021/">O Jacob de Steven Yeun</a> e de Lee Isaac Chung é dono de um dos combos de personalidade mais interessantes da ficção. Sonhador (e por isso, avoado e apaixonado), determinado (e por isso, ousado e orgulhoso) e consciente (e por isso, ainda responsável e preocupado), o pai está decidido a fazer valer todos os esforços que empregou junto da família, criando inúmeros conflitos e se perdendo com o peso do rótulo de chefe da casa.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Monica, por sua vez, é a razão, que exausta, se transforma em algo à flor da pele de <a href="https://www.vogue.com/article/yeri-han-star-of-the-new-film-minari">Ye-ri Han</a>. Cansada de viver na incerteza e sobrecarregada com tantas preocupações e responsabilidades para gerenciar enquanto Jacob sacrifica a família e corre atrás do sonho, a personagem é visivelmente fragilizada pelas condições e pela falta de perspectiva de melhora. É nela também que está um dos aspectos mais doídos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fala sobre a sensação de deslocamento cultural, figurado enquanto Monica se emociona tateando, cheirando e observando os artigos que sua mãe traz da Coreia, e quando a mesma insiste em visitar a igreja na esperança de encontrar seus similares, se frustrando ao topar com uma maioria branca e episódios sutis de racismo e xenofobia no templo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se alguém ainda questionar a importância da personagem escrita com o mesmo esmero que Chung empregou em todos os outros, existe ainda mais uma razão para <a href="https://www.thecut.com/2021/02/how-yeri-han-captured-our-mothers-in-minari.html">apreciar a presença de Monica e exaltar a entrega de Ye-ri-Han</a>. A atriz trabalha a complexidade emocional da mãe de <em>Minari</em> num processo de quase lapidação, construindo uma comunicação corporal na personagem que é emocionante e magistral. É só prestar atenção em seus olhares e interações com o marido, em suas mãos e interações com os filhos, e em sua postura e interações com o ambiente, e assim, sentir e compreender seus motivos.</span></p>
<figure id="attachment_20022" aria-describedby="caption-attachment-20022" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20022 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem apresenta Monica, personagem da atriz asiática Ye-ri Han, e Anne, personagem da atriz mirim Noel Cho. Monica está sentada numa cama e Anne está no colo dela, lendo uma carta, enquanto a mãe acaricia seus cabelos. Monica veste uma camisa xadrez vermelha e Anne uma camisa bege. A imagem é iluminada por uma abajur do lado esquerdo da cena, onde também se vê a maçaneta de uma porta." width="2000" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20022" class="wp-caption-text">No Festival de Cinema de Sundance de 2020, Minari venceu o Grande Prêmio do Júri e o Grande Prêmio do Público (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando o quinteto, a irmã mais velha contrasta fielmente com o mais novo. Ambos são crianças independentes, que aprenderam a lidar com responsabilidades desde muito cedo. <a href="http://thewellesleynews.com/2021/03/14/the-model-minarity-eldest-daughter-complex/">Anne, no entanto, é a primogênita perfeita</a>. Madura com um fundo de resignação, Noel Cho ensaia em sua personagem os mesmos sentimentos e reações que a mãe, criando com Monica uma relação emocional muito especial em tela, que inclusive, tece também a ligação com a Coreia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro artifício do filme de Lee Isaac Chung é a ausência de marcação objetiva do tempo. A plantação nos diz em que pé estamos, e ela é instável, repleta de altos e baixos. A vida de nossos personagens também. A nossa também. Torcemos pela realização de Jacob, mas entendemos as consequências daquilo para a família e sentimos a dor e agonia de Monica. E no clímax, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela o quão penetrante é, ao nos mostrar tão envolvidos com a história que nos percebemos exatamente como eles, sem saber o que fazer. </span></p>
<figure id="attachment_20024" aria-describedby="caption-attachment-20024" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra as personagens de Jacob, Monica e Soonja de pé em um banco de uma igreja. Da direita para esquerda, estão Jacob, vestindo um terno preto e gravata azul de bolinhas, Monica, usando um vestido azul marinho estampado, e Soonja, vestindo uma camisa amarela clara de bolinhas. Jacob e Monica olham para a frente sorrindo levemente. Soonja encara com desconfiança o homem no banco à sua frente, que assim como todos os outros membros da igreja, observam a família sentados em seus bancos." width="1118" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-300x193.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-1024x659.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-768x495.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20024" class="wp-caption-text">O filme tem mais de 90% dos diálogos em coreano e produção totalmente americana, o que causou uma controvérsia no <a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/">Globo de Ouro</a>, quando foi indicado nas categorias Língua Estrangeira da premiação, diferente com o que foi feito com outras obras passadas que possuem o mesmo índice de língua não-inglesa, mas de origem branca (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com toda a complexidade narrativa, riqueza de significados e densidade subjetiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se transforma em nenhum momento num filme carregado e difícil de digerir. A proximidade das câmeras dirigidas por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1681893/"><span style="font-weight: 400;">Lachlan Milne</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca expõe seus personagens, mas apreende ligeiramente seus olhares, carregados da bagagem emocional, mas também preenchidos de carinho e verdade. Quando não está observando a família, a fotografia passeia pelos cenários bucólicos, procurando curiosa por beleza e liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo </span><span style="font-weight: 400;">se abraça nas cores quentes, divertidas e vivas da edição de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1316292/"><span style="font-weight: 400;">Harry Yoon</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo uma sensação reconfortante e familiar e conversando com a sinceridade que o filme inspira. A isso, soma-se também a trilha sonora de </span><a href="https://www.emilemosseri.com/about"><span style="font-weight: 400;">Emile Mosseri</span></a><span style="font-weight: 400;">, que confirma em notas musicais o valor do filme de Lee Isaac Chung: <em>Minari</em> é uma obra de amor e com amor, de alma e com alma, de vida e com vida.</span></p>
<figure id="attachment_20025" aria-describedby="caption-attachment-20025" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20025 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853.jpg" alt="Imagem de divulgação do elenco e do diretor de Minari. Na imagem, Noel Cho, Alan Kim e Yuh-Jung Youn estão sentados à frente de Lee Isaac Chung, Ye-ri Han e Steven Yeun, que estão de pé na frente de um fundo cinza escuro amarronzado. Todos sorriem e posam para a foto." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20025" class="wp-caption-text">A personagem de David ainda vive a infância na companhia de problemas cardíacos, assim como o diretor, trazendo um teor ainda mais autobiográfico ao filme e ao papel de Alan Kim, que venceu o Critics Choice de Melhor Jovem Ator (Foto: Taylor Jewell)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não é só quem assiste que se derrete de amores pela maravilha do trabalho final do filme</span><span style="font-weight: 400;">. A famigerada e irredutível Academia também caiu em seus encantos e guardou para ele </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">seis indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a produção é uma das mais indicadas da vez. Para Lee Isaac Chung, são duas nomeações, nas disputadas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-direcao/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na categoria principal, o drama também está presente concorrendo pelo título de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no nome de Christina Oh (produtora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Okja</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ad Astra</span></i><span style="font-weight: 400;">), e que trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> junto com Dede Gardner e Jeremy Kleiner (ambos responsáveis pelos </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">12 Anos de Escravidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premiação mais importante do Cinema Ocidental também foi lugar para </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazer história através da atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Yuh-Jung Youn. A querida vovó é a primeira sul-coreana indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, encontrando seu merecidíssimo reconhecimento na categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-atriz-coadjuvante/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">. Provando a importância e excelência do elenco, o maravilhoso Steven Yeun (querido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também chegou na seleção final dos nomeados a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-ator/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o primeiro coreano-americano indicado na categoria. E testificando a beleza da produção, Emile Mosseri também figura dentre os considerados para a estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-trilha-sonora-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Trilha Sonora Original</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20027" aria-describedby="caption-attachment-20027" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20027 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven.jpg" alt="Fotografia de Lee Isaac Chung, diretor e roteirista de Minari, e Steven Yeun, protagonista do filme. Chung e Steven estão sentados na frente de um fundo cinza claro. Steven, um homem amarelo de cabelos curtos, veste uma blusa de lã branca e preta e uma calça escura, sorri para a foto e abraça Chung. O diretor, também amarelo, está sentado, vestindo uma blusa verde militar e calças pretas, e olha para cima, fora da imagem. " width="1024" height="819" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven-300x240.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven-768x614.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20027" class="wp-caption-text">Chung conta que sua filha tinha mais ou menos a mesma idade que ele quando vivia na fazenda de seus pais, e então, quando revivia suas memórias da infância para escrever o filme, ele se viu pelos olhos dela (Foto: Taylor Jewell)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que Lee Isac Chung viveu muita coisa antes de assistir a aclamação de sua Arte. Depois de se formar em Ecologia na Universidade de Yale, ele emendou Medicina mas acabou como Mestre em Cinema pela Universidade de Utah em 2004. Com seu longa de estreia</span> <a href="https://www.imdb.com/title/tt1031947/"><i><span style="font-weight: 400;">Munyurangabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele até viu o que poderia ser um início, com a aprovação do filme na Seleção Oficial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2007 e em Berlim e Toronto nos anos seguintes, mas os dois que o seguiram (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uInLE1T-QT4"><i><span style="font-weight: 400;">Lucky Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2010 e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_jJfumiMcZo"><i><span style="font-weight: 400;">Abigail Harm</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2012)</span><span style="font-weight: 400;"> não encontraram a mesma recepção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As tentativas frustradas bateram forte na perspectiva de vida de Chung, que se aproximando dos 40 anos, sentia a necessidade de uma segurança impossível de se encontrar enquanto tentante da Sétima Arte, especialmente numa terra dominada por grandes produtoras e nomes já consolidados. Ademais, era importante para o diretor, filho de imigrantes coreanos nascido em Colorado, nos EUA, que sua filha tivesse contato com o país natal de sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o diretor entendeu que o fazer Cinema talvez não fosse seu lugar e passou para outra instância do assunto, agarrando uma oportunidade de ser professor em sua área de formação na Coreia do Sul. Mas antes de recomeçar sua vida no outro lado do mundo, ele lançou uma última semente em solo americano, que floresceu nas mãos de sua agente </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm7449981/"><span style="font-weight: 400;">Christina Chou</span></a><span style="font-weight: 400;">, cresceu junto das produtoras </span><a href="https://bradpittbrasil.com.br/projetos/planb/"><i><span style="font-weight: 400;">Plan B</span></i></a> e <a href="https://elle.com.br/a24-o-sucesso-da-produtora-de-minari-e-outros-filmes-premiados"><em>A24</em></a><span style="font-weight: 400;">, e se transformou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos hoje</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_20026" aria-describedby="caption-attachment-20026" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20026 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung.jpg" alt="Imagem dos bastidores do filme Minari. A imagem foi registrada no cenário da sala da casa do filme, e lá podemos observar o diretor Lee Isaac Chung e o ator mirim Alan Kim. Chung está de frente para a foto, agachado perto da porta da sala, e conversa com Alan, que está à sua frente, de costas para a imagem. Existe também uma pessoa de costas no canto esquerdo da imagem, que está borrada." width="1024" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20026" class="wp-caption-text">Lee Isaac Chung dirigindo Alan Kim no set de Minari (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O plano de fundo da produção transforma a obra, que já é extraordinária, em algo ainda mais especial e significativo, reforçando exatamente os pontos que são trabalhados dentro do filme.</span><span style="font-weight: 400;"> Raízes, sonho e família tomam cada </span>uma de suas construções, cada um de seus detalhes e cada uma de suas etapas. Assim, dizer que <i>Minari</i> transpira vida em tudo o que faz e é se transforma em algo literal, nada figurativo.</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o público se perder entre todas as suas camadas para mostrar que as tramas da nossa existência são todas muito complexas, e faz isso não para nos desesperar, mas para nos acalmar e incentivar. O sonho pode estar muito perto mas ao mesmo tempo muito longe. </span><span style="font-weight: 400;">A única coisa que se sabe é que a vida</span><span style="font-weight: 400;"> não para e o sonho também não. As sementes em germinação? Também não.</span></p>
<figure id="attachment_20038" aria-describedby="caption-attachment-20038" style="width: 1433px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20038 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari.png" alt="Cena do filme Minari. A imagem apresenta Jacob sentado dentro da banheira enquanto toma banho, com os cabelos molhados. Ao lado dele, no lado direito da imagem, sentada na lateral da banheira, está Monica, que ajuda o esposo com o banho. Eles se olham com ternura e Jacob acaricia o braço de Monica, apoiado na banheira. A imagem é sutilmente iluminada em tons quentes." width="1433" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari.png 1433w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-300x163.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-1024x555.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-1200x651.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20038" class="wp-caption-text">“Maravilhoso, maravilhoso minari!” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, se percebe que, sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, não tem muito o que entender. Na verdade, ele constrange os que depositam todo o seu valor numa experiência intelectual. Ele também <a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">não quer palestrar sobre seus assuntos</a> nem impressionar com referências, porque ele tem mais a dizer do que o que as palavras podem compreender. Aqui, a coisa é sobre sentir, e por isso é que a experiência e a aclamação são universais, num gesto muito belo de igualdade, já que todos nós, independentemente de cultura, formação e condição, podemos sentir. <a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/">Ele só quer encontrar seu lugar e viver da sua maneira</a>. E ele consegue. </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a raiz que se firma, o sonho que se realiza e a Arte que se expressa. </span></p>
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		<title>Cineclube Persona – Março de 2021</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 20:10:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais um mês se foi e, com ele, o pior março de nossas vidas. A pandemia ainda assombra o cotidiano brasileiro e, mais do que nunca, é necessário ficar em casa. Assim, para sobreviver à solidão das paredes dos nossos lares, contamos com o abraço reconfortante da cultura. E, neste mês, as doses foram intensas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cineclube-persona-marco-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cineclube Persona – Março de 2021"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19755" aria-describedby="caption-attachment-19755" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19755 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cineclube-wordpress-final.jpg" alt="Arte retangular em cor rosa bebê. No canto superior esquerdo foi adicionado o texto cineclube persona em fonte branca. Ao centro está o logo do persona. No canto inferior direito está escrito março de 2021 em cor preta. Espalhadas pela arte, foram adicionadas quatro fotografias em molduras de cor azul: uma foto do filme Cabras da Peste, uma foto da série WandaVision, uma foto do filme Godzilla vs Kong e uma foto de Oprah Winfrey." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cineclube-wordpress-final.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cineclube-wordpress-final-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/cineclube-wordpress-final-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19755" class="wp-caption-text">Destaques de Março de 2021: WandaVision, Cabras da Peste, Godzilla vs Kong e a entrevista de Oprah com Meghan Markle e príncipe Harry (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara/Texto de Abertura: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais um mês se foi e, com ele, o pior março de nossas vidas. A pandemia ainda assombra o cotidiano brasileiro e, mais do que nunca, é necessário ficar em casa. Assim, para sobreviver à solidão das paredes dos nossos lares, contamos com o abraço reconfortante da cultura. E, neste mês, as doses foram intensas. Primeiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">elas </span></i><span style="font-weight: 400;">finalmente chegaram: as </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-indicados"><span style="font-weight: 400;">indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. A grande maioria dos nomes já eram esperados e conhecidos, mas março trouxe consigo o filme que faltava para riscarmos de nossas </span><i><span style="font-weight: 400;">checklists</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://istoe.com.br/o-silencio-do-inocente/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizado por Anthony Hopkins e Olivia Colman, garantiu a vaga em 6 categorias da estatueta dourada e conta com uma das melhores interpretações da carreira de Hopkins.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><span style="font-weight: 400;">26ª edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também deu suas caras. </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">foi o grande vencedor da noite, conquistando Melhor Filme e Melhor Direção para a talentosa Chloé Zhao. </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chadwick Boseman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carey Mulligan</span></a><span style="font-weight: 400;"> levaram para casa as consagrações em atuação principal, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Kaluuya</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/borat-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bakalova</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de coadjuvantes. No mundo televisivo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seguiu premiadíssima, ao lado de </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-ted-lasso-apple-tv-plus-178605/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gambito da Rainha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Será que a escolha dos críticos vai seguir a vontade dos votantes da Academia? Só abril nos dirá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos prêmios, o mundo do Cinema veio recheado. Depois das súplicas ensurdecedoras dos fãs, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Snyder Cut</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está entre nós. A versão esquecida de Zack Snyder de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio, por bem ou por mal, para preencher nossos corações. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> também arriscou no modelo de aluguel e lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/raya-e-o-ultimo-dragao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Raya e o Último Dragão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela facada de R$ 69,90 na mensalidade do serviço. Do outro lado dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, a concorrente </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">não poupou seus lançamentos: tivemos produção nacional em </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-cabras-da-peste-netflix-181148/"><i><span style="font-weight: 400;">Cabras da Peste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, documentário do ícone </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-o-que-sabemos-sobre-notorious-big-lenda-do-hip-hop-novo-documentario-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Notorious B.I.G</span></a><span style="font-weight: 400;">., </span><a href="https://personaunesp.com.br/silenciadas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Silenciadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e suas bruxas modernas e até um jovem grito feminista com as meninas de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/4-motivos-para-assistir-moxie-quando-garotas-vao-luta-novo-filme-adolescente-da-netflix-lista/"><i><span style="font-weight: 400;">Moxie</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eddie Murphy resolveu, depois de 33 anos, retornar ao papel da realeza de Zamunda e </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2021/03/12/com-um-principe-em-nova-york-2-eddie-murphy-volta-a-ser-obsoleto.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Um Príncipe em Nova York 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deu mais um </span><i><span style="font-weight: 400;">original</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamar de seu. Sobrou até para os monstros: Adam Wingard </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/godzilla-vs-kong-quem-ganha.html"><span style="font-weight: 400;">botou King Kong e Godzilla para brigar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, infelizmente, ainda não podemos assistir o confronto da tela do cinema. Não que a TV esteja nos decepcionando &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se despediu, mas já estamos nos habituando com as cenas de ações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Oprah pautou mais uma polêmica do mundo dos famosos e sua </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-03-13/debate-sobre-racismo-atinge-o-palacio-de-buckingham.html"><span style="font-weight: 400;">entrevista com o príncipe Harry e Meghan Markle</span></a><span style="font-weight: 400;"> rendeu mais intrigas para a família real britânica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ficou curioso? O </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/cineclube/"><b>Cineclube Persona</b></a><span style="font-weight: 400;"> de Março juntou tudo isso e muito mais entre os principais lançamentos audiovisuais que chegaram até nós. Opiniões, críticas, palmas e muita gritaria nas palavras minuciosamente escolhidas pela </span><b>Editoria </b><span style="font-weight: 400;">e pelos </span><b>colaboradores do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no maior </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;"> do mês. Confere aí!</span></p>
<p><span id="more-18989"></span></p>
<h3>Cinema</h3>
<figure id="attachment_19231" aria-describedby="caption-attachment-19231" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder.jpg" alt="Superman (Henry Cavill) encara furiosamente a câmera, com seus olhos brilhando avermelhados, momentos antes de sua visão de calor atingir o alvo. Ele usa uma versão inteiramente preta de seu uniforme clássico, salvo pelo “S” prateado, brilhando no peito e adornado por pequenos entalhes." width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-de-zack-snyder-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19231" class="wp-caption-text">A nova versão de Liga da Justiça apresenta uma roupagem mais sombria que a original (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Liga da Justiça de Zack Snyder (Zack Snyder’s Justice League, Zack Snyder)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nós vivemos em uma sociedade que o <em>Snyder Cut</em> é real, seja para bem ou para mal. O </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2021/02/the-true-story-of-justice-league-snyder-cut"><span style="font-weight: 400;">mítico corte de Zack Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor original de </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-carece-de-tracos-autorais-e-cai-no-ordinario/"><i><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, finalmente foi lançado em suas titânicas 4 horas de duração e a quadrada proporção 4:3 diretamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, o serviço de <em>streaming</em> da <em>Warner</em>. Após acusações sobre o comportamento de seu substituto, Joss Whedon, </span><a href="https://screenrant.com/joss-whedon-abuse-misconduct-allegations-accusations-explained/"><span style="font-weight: 400;">que explodiram nos últimos meses</span></a><span style="font-weight: 400;">, a campanha dos fãs pela “restauração” da obra ganhou tração suficiente para que 70 milhões de dólares fossem investidos em sua conclusão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado disso? Bem, exatamente o que você espera, provavelmente. </span><i><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça de Zack Snyder</span></i><span style="font-weight: 400;"> honra seu nome e exibe com orgulho todas as melhores e piores tendências do diretor, tentando apagar ao máximo o tom de desenhos de sábado de manhã que permeia a versão de 2017 e infundindo a tela com a sobriedade distinta e a visão sisuda dos trabalhos anteriores de Snyder. Uma nova trilha sonora também ajuda a separar as versões, trocando a </span><a href="https://open.spotify.com/album/3aQNN5zuOmA20K0CNlI1O7?si=N3vvML1_RkOS2LpNXILRyQ"><span style="font-weight: 400;">orquestra de Danny Elfman</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas </span><a href="https://open.spotify.com/album/61EYnZsY4PSE2uubb81wtB?si=0jpkyMojTS2w0HGbV9Gaaw"><span style="font-weight: 400;">batidas eletrônicas de Junkie XL</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ajudam a distinguir o longa de outros filmes do gênero. A trama da obra segue os mesmos passos da antiga versão, apenas restaurando as partes previamente cortadas e adicionando cenas inteiras que, apesar de contextualizarem melhor seus personagens, não parecem mover a história para frente. O roteiro, ainda de Chris Terrio (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ascensao-skywalker-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: A Ascensão Skywalker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), não parece interessado em tratar seus personagens como peças móveis e dinâmicas do enredo, mas sim como </span><i><span style="font-weight: 400;">action figures</span></i><span style="font-weight: 400;">, mudando os cenários mas mantendo-os em suas posições icônicas, com a exceção sendo o arco de Victor Stone, o Ciborgue (Ray Fisher), que ganha um peso narrativo visivelmente ausente da versão anterior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça de Zack Snyder</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é necessariamente melhor que a de Joss Whedon. Ela é mais coesa e se encaixa melhor com os outros trabalhos do diretor com os personagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a ação melhor aproveitada e efeitos visuais mais bem realizados, mas é também um trabalho de vaidade criativa, por vezes indulgente ao ponto da autoparódia. Há um prazer juvenil de ver Snyder poder brincar livremente com essas figuras que claramente significam tanto para ele, mas é frustrante continuar vendo ele se recusando a desafiá-las de maneira provocativa. Se você não se conectou com a visão do diretor sobre o Superman em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OJrIdqtYyzo"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Aço</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ou </span><a href="http://personaunesp.com.br/batman-vs-superman-uma-batalha-perdida/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman vs Superman: A Origem da Justiça</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo traje escuro não deve mudar muita coisa. <strong>&#8211;</strong> <b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_19312" aria-describedby="caption-attachment-19312" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a.jpg" alt="O cenário é uma floresta, com construções antigas cobertas por vegetação. No centro da imagem está uma Raya, uma mulher de pele clara, com um chapéu de palha em formato de disco, uma capa vermelha balançando ao vento, uma calça verde, e empunhando uma espada. Ela está montada em uma espécie de tatu bola gigante, com uma cela. No céu, forma-se a imagem de um dragão nas nuvens." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/53699bcc3a-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19312" class="wp-caption-text">Na versão em espanhol, a dublagem de Raya ficou nas mãos de Danna Paola (Lucrécia de Elite), tornando-a dubladora oficial de duas princesas da Disney, Rapunzel e Raya. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon, Carlos López Estrada e Don Hall)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após cinco anos do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moana </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), a </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Animation Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">lança </span><a href="https://personaunesp.com.br/raya-e-o-ultimo-dragao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Raya e o Último Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a nova princesa do universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa dirigido por Carlos López Estrada e Don Hall traz logo de cara um contraponto com as demais produções do estúdio, sendo a segunda princesa que não está em um musical. Tirando Raya, apenas Merida — protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Valente </span></i><span style="font-weight: 400;">(2012), filme feito pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-pixar-como-revolucionou-mundo-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — não canta em seu filme. Mas isso não é um demérito, pelo contrário, a animação se sustenta no carisma dos personagens, e na história envolvente e emocionante, fora as maravilhosas cenas de ação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa cresce muito por conta de seus personagens. A própria Raya é um grande exemplo disso, que está em constante evolução junto aos demais. Mas não apenas a protagonista rouba a cena, os coadjuvantes do filme são incríveis, conseguindo variar entre o cômico e o trágico de forma natural. Destaque para a Sisu e para o bebê charlatão, que entregam uma fofura e a comicidade que o filme precisa. A produção ainda conta com um ótimo </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;">, que traz uma diferença nítida nas distintas regiões de Kumandra — </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/03/nova-princesa-de-raya-e-o-ultimo-dragao-lidera-luta-da-disney-pelo-mercado-asiatico.shtml"><span style="font-weight: 400;">baseada nos povos do sudeste asiático</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, nas construções de cada civilização, mas peca ao representar os dragões, que possuem um visual estranho e que chega a incomodar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme foi lançado diretamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://exame.com/casual/disney-quer-que-voce-pague-r-6990-a-mais-para-assistir-animacao/"><span style="font-weight: 400;">por um valor acrescido na mensalidade de R$69,90</span></a><span style="font-weight: 400;">, decisão que foi muito questionada nas redes sociais. Caso queira assistir, mas não quer pagar o preço do aluguel, a animação será lançada dia 23 de abril no serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem valor adicional. </span><i><span style="font-weight: 400;">Raya</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre esperança e confiança, algo que todos precisam nesse momento. No fim, é uma das grandes histórias que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">trouxe, e que foi executada de forma brilhante, sendo emocionante, e apresentando uma princesa forte e poderosa. <strong>&#8211; </strong></span><b>Pedro Gabriel</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_19313" aria-describedby="caption-attachment-19313" style="width: 1156px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-3.png" alt="" width="1156" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-3.png 1156w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-3-300x148.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-3-1024x505.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/image1-3-768x379.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19313" class="wp-caption-text">Cherry é a primeira direção dos irmãos Russo após o sucesso de Vingadores: Ultimato (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Cherry &#8211; Inocência Perdida (Cherry, Joe e Anthony Russo)</b></p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/o-diabo-de-cada-dia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.b9.com.br/129233/depois-de-vingadores-ultimato-irmaos-russo-vao-dirigir-o-filme-mais-caro-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Russo</span></a><span style="font-weight: 400;"> são os nomes que chamam muito mais a atenção do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry</span></i><span style="font-weight: 400;">, o título do filme disponível na </span><a href="https://tv.apple.com/br/movie/cherry---inocencia-perdida/umc.cmc.40gvwq6hnbilmnxuutvmejx4r?ctx_brand=tvs.sbd.4000"><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Confesso que foi pelo ator de </span><a href="http://personaunesp.com.br/longe-de-casa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que eu dei </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">, e quanto a isso, zero arrependimentos. Tom entrega um </span><a href="https://ovicio.com.br/tom-holland-diz-que-estrelar-cherry-foi-libertador/"><span style="font-weight: 400;">trabalho sensível</span></a><span style="font-weight: 400;"> e extraordinário dando vida ao protagonista sem nome que, seguindo a proposta da narrativa, vai perdendo a inocência em cada capítulo no qual o longa-metragem é dividido. Quanto aos irmãos Russo, bom, eles sabem o que estão fazendo. Com bons enquadramentos e uso de câmera, o filme entrega cenas de tirar o fôlego e ângulos de cenários bem pensados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, mesmo com um elenco talentoso e imagens bem alocadas, o sentimento de que falta algo depois de suas 2 horas e 20 minutos de duração permanece. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cherry </span></i><span style="font-weight: 400;">causa estranhamento no tom que escolhe e forma pequenas lacunas no desenvolvimento do protagonista. A quebra da quarta parede não agrega em nada ao filme, pelo contrário, a sensação é que o recurso, poucas vezes utilizado, atrapalha a construção de uma narrativa mais sóbria. O que não seria um problema se a história não se vendesse em cima de um jovem que foi à guerra, voltou com transtorno de estresse pós-traumático e devido a isso afundou a si e a esposa num vício em heroína. Alguns diálogos maiores e melhor elaborados convenceriam mais das consequências da guerra, do que cenas que nos mostram o sofrimento do personagem de maneira rápida e com cortes dinâmicos, que diminuem a conexão do espectador com o momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo esse estilo um tanto irresponsável, o uso de entorpecentes carrega algo que beira a romantização estética, e adicionando as cenas carinhosas ao pacote, consigo imaginar os inúmeros vídeos </span><a href="https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2019/05/21/o-que-e-shippar-entenda-uma-das-expressoes-mais-buscadas-pelo-brasileiro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">shippando</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o relacionamento problemático dos personagens de Tom Holland e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K0dqOgiSR9w"><span style="font-weight: 400;">Ciara Bravo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que devem estar rolando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, o filme dos irmãos Russo não é de todo ruim. Você torce para os personagens, se irrita com suas suas decisões e se torna interessante perceber como o amor por Emily é o estopim para grandes mudanças que movem a trajetória do protagonista. Mas ainda assim, é importante estar ciente dos problemas na adaptação da </span><a href="https://www.herdeironerd.com/2021/03/resenha-cherry-inocencia-perdida.html"><span style="font-weight: 400;">história de Nico Walker</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, diferente de mim, dar </span><i><span style="font-weight: 400;">play </span></i><span style="font-weight: 400;">sabendo que se trata de uma história intensa contada com muita dinâmica e superficialidade. <strong>&#8211;</strong> </span><b>Lorrana Marino</b></p>
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<figure id="attachment_19322" aria-describedby="caption-attachment-19322" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Cabras-da-Peste-Cineclube.jpg" alt="Foto retangular de uma cena do filme Cabras da Peste. Ao fundo, no canto esquerdo, está uma parte de uma casa pintada metade de branco (parte superior) e metade de marrom (parte inferior) com o telhado laranja. Atrás da casa, é possível ver a copa de uma árvore, cheia de folhas verdes. No centro da foto, próximo da câmera, está o ator Edmilson Filho ao lado de uma cabra. Ele possui cabelos pretos cortados curtos, quase raspados e está sorrindo. Ele veste uma camisa preta por baixo de uma jaqueta, aberta, azul marinho (nos braços e pulsos) e amarela (na parte da frente e de trás). No pulso, na gola e na barra da jaqueta, há duas listras amarelas no fundo azul marinho. No lado esquerdo da frente da jaqueta, há duas listras azuis marinho no fundo amarelo. Edmilson está curvado para frente, com a mão direita próxima ao corpo segurando uma corda rosa com detalhes em preto. No dedo anelar da sua mão esquerda, ele usa um anel grande e dourado. Sua mão esquerda está apoiada no pescoço da cabra, como se estivesse segurando o animal para não escapar. A cabra é branca com dois chifres beges e possui uma coleira marrom no pescoço. Do lado direito do fundo da imagem, tem uma árvore alta com muitas folhas verdes dentro de um cercado feito de tiras finas verticais, como bambus. " width="1200" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Cabras-da-Peste-Cineclube.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Cabras-da-Peste-Cineclube-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Cabras-da-Peste-Cineclube-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Cabras-da-Peste-Cineclube-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19322" class="wp-caption-text">Lançado dia 18 de março, Cabras da Peste liderou o top 10 da Netflix (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Cabras da Peste (Vitor Brandt)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mais recente produção nacional da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um novo estilo </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-158098/"><i><span style="font-weight: 400;">buddy cop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, totalmente engraçado e com as nuances que só o Brasil tem. Dessa vez, os novos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1B7E8PEvuzs"><span style="font-weight: 400;">Will Smith e Martin Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabras da Peste </span></i><span style="font-weight: 400;">são o cearense Bruceuilis Nonato (</span><a href="https://gshow.globo.com/series/cine-holliudy/noticia/edmilson-filho-protagonista-de-cine-holliudy-mora-nos-estados-unidos-ha-20-anos-e-e-tricampeao-brasileiro-de-taekwondo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Edmilson Filho</span></a><span style="font-weight: 400;">), o “tira arretado” comprometido com seu trabalho, e o paulista Renato Trindade (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/os-5-melhores-filmes-de-matheus-nachtergaele/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">), o “policial de escritório” medroso. A vida dos dois policiais se chocam quando Bruce vai a São Paulo em busca de Celestina, a cabra patrimônio histórico da sua cidade natal Guaramorim. Por lá, eles se deparam com uma situação que coloca à prova suas profissões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade do microcosmo interiorano do Ceará se colide com a da capital paulista de uma forma profundamente divertida. É quase impossível deixar de rir com as cenas de Bruce, as quais tiram o brilho da genialidade da atuação de Nachtergaele. Como todo filme brasileiro, sempre existem farpas para o cenário do país, seja através do </span><a href="https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-volta-a-mencionar-historico-de-atleta-em-publicacao-sobre-covid/"><span style="font-weight: 400;">histórico de atleta</span></a><span style="font-weight: 400;"> do “policial de verdade” Caique (“sou forte demais, tá ok?”) até do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53192166"><span style="font-weight: 400;">foro privilegiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zé Cabrito (Falcão), o </span><a href="https://www.camara.leg.br/deputados/160976/biografia"><span style="font-weight: 400;">palhaço que virou deputado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cabras da Peste</span></i><span style="font-weight: 400;"> também entra em sintonia com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y8tmnBVrHC0"><i><span style="font-weight: 400;">Um Tira da Pesada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao apresentar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DjFVFwRdXp4"><span style="font-weight: 400;">versão forró</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uZD8HKVKneI"><i><span style="font-weight: 400;">The Heat Is On</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte da trilha sonora do filme oitentista. Por se falar em trilhas sonoras, o filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa a desejar com suas canções, cruzando entre Lulu Santos, Sidney Magal e até Claudinho e Buchecha. Somando isso ao humor tipicamente brasileiro, a nova obra de Vitor Brandt merece um lugar na sua lista no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_19368" aria-describedby="caption-attachment-19368" style="width: 1548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g.jpg" alt="A foto possui um formato retangular, com um filtro em preto e branco. Da esquerda para direita vemos quatro pessoas. Centralizado e à frente vemos Christopher, um homem negro, alto e gordo. Ele usa uma jaqueta de couro, uma boina e diversos anéis em seus dedos. Enquanto seus olhos estão parcialmente fechados ele bola um cigarro de maconha. Atrás e à sua direita vemos apenas a cabeça de um menino negro de pele mais clara, com cabelos raspados. Ainda mais atrás e a direita vemos outro homem negro usando um boné, que olha para Christopher de longe. Por fim vemos outro homem negro, utilizando um gorrro e uma jaqueta de frio. Ele está com as mãos nos bolsos da calça enquanto olha para fora da câmera. Ao lado esquerdo há um carro preto estacionado, com os vidros abertos. Ao fundo existem vários prédios, árvores sem folhas, uma rua centralizada e o céu branco de fundo." width="1548" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g.jpg 1548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-300x198.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-1536x1016.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-todas-as-lendas-tem-as-suas-origens-netflix-estreia-documentario-sobre-the-notorious-b-i-g-1200x794.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19368" class="wp-caption-text">O tímido Christopher Wallace desaparecia nos palcos quando o notório Biggie Smalls começava a rimar (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Notorious B.I.G. &#8211; A Lenda Do Hip Hop (Biggie: I Got a Story to Tell, Emmett Malloy)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não existe um único local para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, para muitos, Nova Iorque é considerada o berço do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ascensão do chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsta rap </span></i><span style="font-weight: 400;">redirecionou o protagonismo das rimas e batidas para a outra costa americana, e agora, uma joia rara tinha a missão de colocar as vozes do Brooklyn de volta no mapa. No dia primeiro de março, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Notorious B.I.G &#8211; A Lenda do Hip Hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, que nos conta a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZSiiqjP1PKU"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Christopher Wallace, ou, como era mais conhecido, </span><span style="font-weight: 400;">Biggie Smalls</span><span style="font-weight: 400;">, em rumo ao estrelato, reconhecimento e, infelizmente, ao seu trágico fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na triste ausência de Christopher, o longa se escora em depoimentos de entes familiares, amigos próximos &#8211; como era o caso da clássica </span><i><span style="font-weight: 400;">Junior M.A.F.I.A</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e também famosos que alavancaram sua carreira, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i> <a href="https://rapcru.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/a-importancia-de-diddy-para-notorious-b-i-g/"><span style="font-weight: 400;">Puff Diddy</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além das entrevistas, também contamos com diversos trechos de gravações que a equipe de Biggie tinha à disposição. As fitas de vídeo ajudam o fã de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> a matar um pouco a saudade de ver o </span><i><span style="font-weight: 400;">Rei de Nova Iorque </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua personalidade icônica, enquanto nos mostra a difícil realidade que jovens do Brooklyn passavam naquela época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, o documentário também possui seus pontos negativos. O irresoluto caso de sua morte ganha pouco mais de 20 minutos de tela, enquanto sua </span><a href="https://jornalismojunior.com.br/de-amigos-a-inimigos-a-historia-de-the-notorious-b-i-g-e-tupac-shakur/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o também </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Tupac Shakur mal é mencionada. Fora isso, o enfoque na sua vida prévia a carreira musical (os períodos que Christopher menciona em seu álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Ready to Die</span></i><span style="font-weight: 400;">) parece importar mais que os tempos dentro dos estúdios. Mesmo assim, o filme serve como um reconforto para o telespectador que passa a conhecer B.I.G. ainda mais de perto, enquanto presenteados com seus discos e músicas eternas. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_19418" aria-describedby="caption-attachment-19418" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19418" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa.jpg" alt="Cena do filme Meu Pai. Nela, vemos Anthony Hopkins e Olivia Colman discutindo num corredor claro, paredes cor de creme, um abajur preto desfocado e uma porta aberta ao fundo. Anthony é um homem branco, idoso, cabelos grisalhos, veste blusa verde e calça bege, e tem as mãos abertas, gesticulando. Olivia é uma mulher adulta, branca, cabelos pretos curtos, veste roupa azul e tem os braços cruzados. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/the-fa-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19418" class="wp-caption-text">Indicado a 6 Oscars, Meu Pai deixa as questões clichês do Alzheimer de lado para imprimir em sua história uma singularidade honesta e tocante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Meu Pai (The Father, Florian Zeller)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yJW4szoZX1U"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a tradução pontiaguda do título original, elucida questões essenciais da existência humana, o medo do esquecimento e o amor como amálgama acima de qualquer outro sentimento. Adaptando sua peça de teatro, Florian Zeller dirige com a compostura de um verdadeiro maestro, movendo e remexendo as memórias de Anthony (</span><a href="https://globoplay.globo.com/v/9369232/"><span style="font-weight: 400;">Anthony Hopkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel da carreira e na melhor interpretação masculina do ano). Curtíssimo, o longa se centra na difícil relação do pai e da filha Anne, a camaleoa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YUytvAg_hE4&amp;t=28s"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre o vai-e-vem confuso do idoso provavelmente sofrendo do </span><a href="https://www.institutosenescer.com.br/noticias/10-filmes-sobre-alzheimer/#:~:text=No%20cinema%2C%20o%20Alzheimer%20foi,na%20forma%C3%A7%C3%A3o%20da%20identidade%20pessoal."><span style="font-weight: 400;">Mal de <em>Alzheimer</em></span></a> (o filme nunca diagnostica Anthony)<span style="font-weight: 400;">, o roteiro do diretor junto de Christopher Hampton coloca quem assiste na posição de copiloto, mas considerando que quem comanda o volante não sabe nem dirigir. O eterno quebra-cabeças da memória de Anthony é transmitido pela construção cenográfica, pela trilha sonora, pelo jogo de câmeras e pelo trabalho quase celestial de Hopkins, que aos 83 anos se tornou o </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-anthony-hopkins-mais-velho-melhor-ator#:~:text=Anthony%20Hopkins%20se%20tornou%20o,2000%20por%20Uma%20Hist%C3%B3ria%20Real."><span style="font-weight: 400;">homem mais velho</span></a><span style="font-weight: 400;"> indicado a Melhor Ator no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A montagem de Yorgos Lamprinos, também agraciada com o reconhecimento da Academia, prega peças e confunde propositalmente. Mesmo quando </span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;"> cai nos moldes teatrais de seu núcleo, Florian Zeller usa esses elementos a seu favor. Iluminação, figurinos, o cenário único, tudo orna, </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2021/03/indicado-ao-oscar-em-seis-categorias-meu-pai-estreia-em-abril-ckmq9pkke000q016u5c1t32z0.html#:~:text=No%20Oscar%202021%2C%20a%20obra,de%20arte)%20e%20roteiro%20adaptado."><span style="font-weight: 400;">tudo engrandece a obra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Imperdível para quem gosta de Olivia Colman, de Anthony Hopkins e para quem aprecia quando uma </span><a href="https://cinevisao.pt/depois-de-o-pai-vem-ai-a-historia-do-filho-florian-zeller-esta-a-trabalhar-em-the-son/"><span style="font-weight: 400;">adaptação teatral</span></a><span style="font-weight: 400;"> é feita com astúcia, cautela e muita noção. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_19465" aria-describedby="caption-attachment-19465" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19465" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1.jpg" alt="Centralizado na imagem está o personagem Daniel LaRusso. A imagem mostra apenas de seus ombros para cima, e ele está em posição de luta com o braço esquerdo levantado e a mão próximo à cabeça. O personagem é branco com o cabelo liso e castanho e olhos castanhos também. Ele mantém o olhar concentrado e firme para a frente; o personagem está usando um kimono branco e uma testeira branca." width="1400" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1-300x133.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1-1024x453.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1-768x340.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/karate-kid-1-1200x531.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19465" class="wp-caption-text">Em 2018, Daniel LaRusso foi incluído no Hall da Fama dos atletas ficcionais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Trilogia Karatê Kid (John G. Avildsen)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o melhor momento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cobra Kai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu lançamento em 2018, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">ressuscitou, em seu catálogo, um dos clássicos da Sétima Arte que marcou gerações de fãs do cinema e das artes marciais: </span><i><span style="font-weight: 400;">Karatê Kid</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trilogia da saga de Daniel LaRusso (Ralph Macchio). Os três primeiros filmes, lançados entre 1984 e 1989, foram adicionados no começo mês na plataforma e já se embalaram na onda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cobra Kai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a série que se passa 34 anos após o torneio </span><i><span style="font-weight: 400;">All Valley</span></i><span style="font-weight: 400;"> e traz a redenção de Johnny Lawrence (William Zabka) &#8211; o inimigo de Daniel LaRusso derrotado no primeiro filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">acertou na nostalgia com o público mais velho ao trazer esse clássico da década de 80 para os dias atuais. A história do menino franzino que encontra um mestre de karatê para derrotar seu </span><i><span style="font-weight: 400;">bully </span></i><span style="font-weight: 400;">e vencer um torneio pela sua honra (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">), depois passa para a narrativa do mestre de karatê e seu pupilo enfrentando um antigo inimigo em Okinawa (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Verdade Continua</span></i><span style="font-weight: 400;">) se torna, por fim, o enredo do pupilo abandonando seu mestre e entrando para o lado sombrio da força por orgulho (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Desafio Fina</span></i><span style="font-weight: 400;">l). Dos três filmes, o terceiro é certamente o mais fraco, com vilões muito caricatos e sem camadas, além de ser o único da trilogia que não recebeu nenhuma indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Karatê Kid,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o filme de 2010 protagonizado por Jaden Smith e Jackie Chan já estava há tempos no catálogo, mas quem ficou de fora foi o esquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">Karatê Kid 4 &#8211; A Nova Aventura</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994), que não foi adicionado junto com os outros da saga original e provavelmente nunca será, já que esse longa conseguiu ser trágico ao ponto de descaracterizar até o personagem mais resiliente: Senhor Miyagi (Pat Morita). Vale lembrar também que esse foi o único filme dos originais que não foi dirigido por John G. Avildsen, o diretor que deixou uma marca muito pessoal na trilogia. Para aqueles que querem retomar com fôlego esse universo de artes marciais cinematográficas, este, certamente, é o momento. </span><b>&#8211; Nathalia Franqlin</b></p>
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<figure id="attachment_19506" aria-describedby="caption-attachment-19506" style="width: 1242px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914.jpg" alt="Cena do filme Silenciadas. A imagem é da protagonista Ana (Amaia Aberasturi), uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados. Ela veste uma blusa branca com babados na gola e um vestido com corpete amarelo. Um cordão com uma flauta está pendurado em seu pescoço. Há uma fogueira atrás de Ana e cinzas brilhantes pelo ar." width="1242" height="819" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914.jpg 1242w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914-300x198.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914-1024x675.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914-768x506.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IMG_4914-1200x791.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19506" class="wp-caption-text">A performance de bruxaria em Silenciadas entrega cenas muito bem pensadas e sem efeitos especiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Silenciadas (Akelarre, Pablo Agüero)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bruxas horrendas, caldeirões, risadas maléficas e vassouras. Esses são os elementos mixurucas que os filmes de ação </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos </span></i><span style="font-weight: 400;">reduziram a caça às bruxas. Longe disso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RMl4bKHKu3M"><i><span style="font-weight: 400;">Silenciadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos permite sentir prazer em zombar das maluquices criadas pela Igreja Católica, e ainda assim lamentar o destino de tantas mulheres queimadas vivas. O longa de Pablo Agüero foi lançado em setembro de 2020 no </span><a href="https://www.sansebastianfestival.com/secciones_y_peliculas/7/680006/es"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema</span><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">San Sebastian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e chegou ao catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em março de 2021.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando a história das mulheres do País Basco e sua repressão durante o período da Inquisição, o filme acompanha o grupo de Ana, María, Maider, Olaia, Oneka e Katalín ao serem interrogadas e condenadas por bruxaria. Entre as cenas sombrias de tortura, há a genialidade em encenar a demonização que os inquisidores ansiavam assistir para tentar escapar da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana (Amaia Aberasturi) protagoniza a história com talento &#8211; merecendo sua indicação ao </span><a href="https://www.premiosgoya.com/35-edicion/nominaciones/por-categoria/actriz-protagonista/"><span style="font-weight: 400;">35º Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Goya </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Amaia consegue sustentar uma personagem que está entre o desespero e a perspicácia até o fim. Apesar do desfecho triste e previsível, a trajetória das meninas é um deleite. É prazeroso assistir o papel ridículo que a Igreja Católica fez na história, sabendo que as mulheres livres e independentes, nomeadas bruxas, resistiram. </span><b>&#8211; </b><b>Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_19419" aria-describedby="caption-attachment-19419" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19419" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur.jpg" alt="Cena do filme The Mauritanian. Vemos Tahar Rahim e Jodie Foster sentados frente a frente, separados por uma mesa de ferro, o cenário é uma sala de presídio. Tahar veste uma camiseta bege e tem as mãos na mesa. Ele tem pele marrom clara e cabelos pretos rente à cabeça. Jodie veste blusa azul escuro e tem o cabelo grisalho e na altura dos ombros. Eles se olham nos olhos. Jodie tem uma pasta e um celular prostrados na mesa à sua frente. " width="2048" height="846" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur-300x124.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur-1536x635.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/maur-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19419" class="wp-caption-text">O filme deu à Jodie Foster uma vitória surpresa no Globo de Ouro, mas a atriz não conseguiu chegar ao Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>The Mauritanian (Idem, Kevin Macdonald)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dramas de </span><a href="https://www.arabnews.com/node/1823071/lifestyle"><i><span style="font-weight: 400;">The Mauritanian</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não são novos em Hollywood, mas seu ator principal é. O francês </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5m-jIriirF0"><span style="font-weight: 400;">Tahar Rahim</span></a><span style="font-weight: 400;"> protagoniza com propriedade, intensificando os temores de seu personagem: um homem preso ilegalmente por muitos anos, até que uma advogada boazuda, a estonteante Jodie Foster, aparece para salvar sua pele. Do outro lado da equação e representando os interesses do governo, Benedict Cumberbatch está avoado demais para se mostrar interessado no filme de Kevin Macdonald.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é bem-vindo, visto que o foco narrativo acaba se voltando para Foster e a maneira com a qual ela lida e enxerga o mundo. Baseado na </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/eua-enviam-preso-autor-de-o-diario-de-guantanamo-mauritania.html"><span style="font-weight: 400;">história real de Mohamedou Ould Slahi</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa chama atenção pelo </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/festival-berlim-the-mauritanian-jodie-foster"><span style="font-weight: 400;">arrojo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, filmando tomadas extensas e visualmente marcantes das sessões de tortura sofridas pelo preso político. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mauritanian</span></i><span style="font-weight: 400;"> é assim: você chega pela presença (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">e vitória no Globo</span></a><span style="font-weight: 400;">) de Jodie Foster, mas fica pelo talento borbulhante de Tahar Rahim. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_19560" aria-describedby="caption-attachment-19560" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19560" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487.jpg" alt="Cena do filme Moxie: Quando as Garotas Vão a Luta. Nela, Cláudia, vivida por Lauren Tsai e Vivian, Hadley Robinson , estão sentadas numa mureta no horário de almoço do colégio. Ambas encaram algo a frente, Claudia é uma mulher asiática, de cabelos pretos até o ombro, ela veste uma blusa amarela e saia preta estampada. Vivian é uma mulher branca de cabelos loiros compridos, ela veste um casaco estilo blusão azul claro, jeans azul e tênis branco, enquanto segura um sanduíche." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/16148618664487-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19560" class="wp-caption-text">Lauren Tsai e Hadley Robinson vivem as amigas Claudia e Vivian (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta (MOXiE!, Amy Poehler)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando no dia a dia </span><a href="http://personaunesp.com.br/a-garota-de-rosa-shocking-35-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">high school</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e quase acertando a superficialidade, </span><a href="https://estacaonerd.com/critica-moxie-quando-as-garotas-vao-a-luta/"><i><span style="font-weight: 400;">Moxie: Quando as Garotas Vão a Luta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o tipo de filme a qual críticas aprofundadas quanto a militância inacessível devem passar bem longe. Sem o intuito de explorar todas as facetas do feminismo, e olha que são muitas, o lançamento da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é aquela obra onde não dá para pesar nos julgamentos. Entender que as protagonistas estão apenas no início da jornada na luta contra o patriarcado, e que um clichê básico é necessário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cidade fictícia de </span><span style="font-weight: 400;">Rockport</span><span style="font-weight: 400;">, Vivian (Hadley Robinson), ao adentrar o Ensino Médio, começa a se questionar sobre como se posicionar quanto a igualdade de gênero, mas, principalmente, sobre a falta dela. </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/amy-poehler/"><span style="font-weight: 400;">Amy Poehler</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de diretora da produção também encara a mãe feminista fã do hino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mZxxhxjgnC0"><i><span style="font-weight: 400;">Rebel Girl</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">canção chiclete que promete te assombrar no meio da noite. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto inicia anonimamente a revista feminista chamada </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/moxie-quando-as-garotas-vao-a-luta-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Moxie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no colégio, Vivan encara os assuntos que o público não cansa de ver, como o primeiro namoro e os dramas de amizade, temas que se entrelaçam muito bem com as discussões sérias que a obra se propõe a iniciar. Sem muita neura ou abordagens difíceis, o filme </span><a href="https://atarde.uol.com.br/cultura/televisao/noticias/2012083-confira-10-filmes-cliches-adolescentes-que-fazem-sucesso"><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pode até soar bobo de primeira, mas é a pegada mais leve e simples que ajuda a compreender que as grandes lutas começam com os pequenos atos. </span><b>&#8211; Isabella Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_19625" aria-describedby="caption-attachment-19625" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19625 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video.jpg" alt="Cena do filme Um Príncipe em Nova York 2. À esquerda, Arsenio Hall, um homem negro de 65 anos, usa uma capa e chapéu pretos, assim como sua blusa por baixo. Ele está com o cabelo preto bem rente a cabeça e uma corrente dourada no peito. À direita, Eddie Murphy, um homem negro de 60 anos, está com roupas semelhantes a de Hall, incluindo chapéu e blusa, mas cinzas. Ele possui um bigode fino no rosto e correntes douradas no peito. Ambos olham para a esquerda, além da câmera. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/whats-coming-amazon-prime-video-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19625" class="wp-caption-text">Um Príncipe em Nova York foi a primeira comédia com um elenco totalmente negro a se transformar num blockbuster mundial (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Um Príncipe em Nova York 2 (Coming 2 America, Craig Brewer)</b></p>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/pioneiro-um-principe-em-ny-fez-historia-ao-retratar-uma-africa-prospera/#:~:text=Em%20uma%20cena%20do%20filme,Zamunda%20rumo%20%C3%A0%20metr%C3%B3pole%20americana."><span style="font-weight: 400;">Em 1988</span></a><span style="font-weight: 400;">, o príncipe Akeem, do reino de </span><a href="https://mundonegro.inf.br/um-principe-em-nova-york-2-a-zamunda-contemporanea-do-rei-akeem/"><span style="font-weight: 400;">Zamunda</span></a><span style="font-weight: 400;">, partiu para os Estados Unidos em busca de sua noiva. Encontrou, no Queens, Lisa McDowell e a transformou em sua princesa. Os zamundanos ganharam uma linda história de amor para espalhar pelas gerações e o casal, com três filhas, prosperou no país africano. 33 anos depois, Eddie Murphy retorna ao seu papel icônico em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/03/05/um-principe-em-nova-york-2-eddie-murphy-e-arsenio-hall-estao-de-volta-aos-personagens-iconicos-de-1988.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Um Príncipe em Nova York 2</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para descobrir que, na verdade, seu sêmen real gerou um herdeiro masculino e novaiorquino ao trono de sua linhagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu digo 33 anos, mas poderia ser facilmente 33 semanas. </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/eddie-murphy-quer-fazer-um-principe-em-nova-york-3-quando-tiver-75-anos/"><span style="font-weight: 400;">Eddie Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/um-principe-em-nova-york-2-arsenio-hall-empoderamento-feminino"><span style="font-weight: 400;">Arsenio Hall</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao reencontrarem Akeem e Semmi, não envelheceram um minuto. O carisma da dupla principal se manteve intacto na sequência que, mesmo não sendo tão atraente como sua antecessora, ainda arranca umas boas risadas do espectador. Com exceção da rainha Aoleon &#8211; Madge Sinclair faleceu em 1995 -, Patrice e Darryl, </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-158028/"><span style="font-weight: 400;">todos os personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> do primeiro longa participam da continuação. Só por esse fato, as quase duas horas não pesam em absolutamente nada, já que rever Murphy e Hall em seus papéis variados (Morris, Reverendo Brown, Randy Watson, Akeem, Semmi, Saul e Clarence) encanta qualquer resistente a </span><i><span style="font-weight: 400;">revivals</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filmes clássicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, quem assina a direção é Craig Brewer, que fez seu melhor em tentar recriar a atmosfera juvenil e debochada que John Landis idealizou lá em 88. Apesar do </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> não chamar a maior das atenções, as adições de Leslie Jones, Jermaine Fowler e Tracy Morgan eram tudo que a gente precisava para completar o charme que o elenco original já carregava. O desenrolar da personalidade de Akeem, agora um rei que tenta fazer jus ao legado do pai, e sua relação embaralhada com as (muitas) mulheres de sua vida, o fazem fechar os olhos ao fato de que Zamunda possui uma futura rainha e não há tradição que não possa ser questionada. Mesmo que </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/colunas/trilha-sonora-colunas/trilha-sonora-12-musicas-do-filme-um-principe-em-nova-york-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Príncipe em Nova York 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deixe a desejar em alguns aspectos, a sensação de nostalgia e referências é tudo que a gente pode pedir de Murphy e Hall. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_19634" aria-describedby="caption-attachment-19634" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19634 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592.png" alt="Cena do filme Godzilla vs. Kong. A imagem mostra os dois titãs, de perfil e na diagonal, encarando um ao outro. Eles estão de boca aberta mostrando os dentes. Godzilla está no canto superior esquerdo, e Kong está no canto inferior direito. Ao fundo, vemos edifícios da cidade de Hong Kong, à noite." width="1366" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592-300x124.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592-1024x424.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592-768x318.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/mamaco-e1617607567592-1200x497.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19634" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Enemies to lovers? <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3f3-fe0f-200d-1f308.png" alt="🏳️‍🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (Foto: Reprodução)</span></figcaption></figure>
<p><b>Godzilla vs. Kong  (Idem, Adam Wingard)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A briga do século finalmente está entre nós, infelizmente nas TVs e monitores, e não nas telonas do cinema. Desde que foi anunciado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tMHwdVOFkUw&amp;ab_channel=MelhoresTrailersdeFilmes"><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla vs. Kong</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vem sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">hypado</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao máximo, de forma justa. Quem não quer ver um lagarto de 120 metros lutando contra um macaco de 102, tudo isso em paisagens belíssimas? Pois é. E o filme é isso mesmo. Aqui, talvez o roteiro não importe muito, afinal, ninguém foi assistir ao longa esperando um texto complexo ou um drama entre os dois bichanos. Porém, essa natureza de pura ação e nada mais do filme, que invalida críticas mais ‘profundas’, também é, de certa forma, um problema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de mim dizer que o filme não é inteligente o suficiente ou que a trama deveria focar em mais coisas além dos titãs, a questão não é essa. A produção tenta sim investir em uma narrativa minimamente interessante para os humanos, com Millie Bobby Brown reprisando as peripécias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-anos-80-geracao-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Eleven</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa vez ao lado de um conspiracionista da Terra Oca. Também temos a fofíssima Kaylee Hottle dando representatividade surda ao filme com a interessante e pouco explorada Jia. E mais um monte de gente com mil papéis que não tem tempo suficiente de tela para serem devidamente desenvolvidos. Mas, quem liga? Esse é o filme de Godzilla e Kong. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que eu gostaria mesmo era ainda mais dos titãs, com dois longas de 1h30. Antes da batalha, poderíamos ter tido mais uma produção <em>solo</em> de Kong e sua jornada para conquistar a Terra Oca. A escolha do estúdio de espremer duas histórias juntas em uma só pode ter ajudado nos custos milionários de </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> (e, talvez, mais um filme solo de Kong não seria tão rentável), mas prejudicou o foco, nos entregando uma bagunça narrativa que realmente só funciona pelos monstrengos quebrando pau. Mas… O que está feito, está feito, e é extremamente divertido de assistir. Qual a próxima fronteira da franquia? Rezo todos os dias para Godzilla e Kong trombarem com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t4T0krdJK_A"><span style="font-weight: 400;">Clover</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; <strong>Jho Brunhara</strong></span></p>
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<figure id="attachment_19704" aria-describedby="caption-attachment-19704" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come.jpg" alt="Cena de The World to Come. À esquerda, de perfil, Abby, uma mulher branca de cabelos castanhos longos e presos em uma trança, vestindo uma camisa preta, uma saia azul escura e usando uma aliança no dedo, encara Tallie. À direita, de perfil, Tallie, uma mulher branca de cabelos ruivos longos e ondulados, vestindo uma camisa branca, uma saia marrom e usando uma aliança no dedo, encara Abby de volta. As duas estão na cozinha de uma casa de madeira e há uma janela do lado direito." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-world-to-come-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19704" class="wp-caption-text">The World to Come estreou no Festival de Veneza e levou o Queer Lion Award, que premia o melhor filme de “temática e cultura gay” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>The World to Come (Idem, Mona Fastvold)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, a paisagem bucólica acompanhada da narração poética de Abby, que tem em seu diário seu único confidente, revelam a melancolia da época e ditam o tom em </span><i><span style="font-weight: 400;">The World to Come</span></i><span style="font-weight: 400;">. No filme, que se passa em algum lugar dos Estados Unidos em 1850, Abigail (</span><a href="https://www.vogue.com/slideshow/katherine-waterston-venice-film-festival-diary"><span style="font-weight: 400;">Katherine Waterston</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive uma vida pacata e dura com o marido, Dyer (Casey Affleck), de quem se distancia cada vez mais após a morte da filha. Praticamente isolados, o silêncio entre os dois é quebrado com a chegada de Tallie (Vanessa Kirby) e seu marido, que alugam um terreno próximo e fazem amizade com o casal. Com uma nova companheira com quem dividir a solidão, Abby se aproxima da cativante e intensa recém-chegada e as duas encontram uma na outra um refúgio da frieza e do vazio de suas vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado oficialmente em fevereiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">The World to Come</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pela norueguesa </span><a href="http://moveablefest.com/mona-fastvold-world-to-come-interview/"><span style="font-weight: 400;">Mona Fastvold</span></a><span style="font-weight: 400;">, fez sua estreia em setembro no</span><a href="https://www.queerlion.it/en/winner2020/"><span style="font-weight: 400;"> Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/venice-competition-crown-star-vanessa-kirby-pull-double-duty-1304605"><span style="font-weight: 400;">Kirby também competia </span></a><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Pieces of a Woman</span></i><span style="font-weight: 400;">. A indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é charmosa e instigante com Tallie, mas não ameaça o protagonismo de Katherine Waterston, que, </span><a href="https://lwlies.com/interviews/katherine-waterston-the-world-to-come/"><span style="font-weight: 400;">em sua melhor atuação</span></a><span style="font-weight: 400;">, exala todas as sutilezas das mudanças na vida de Abby, da melancolia à inquietação da paixão à melancolia novamente. Os homens também sucedem em seus papéis de maridos inconvenientes a ponto de serem insuportáveis e os resmungos de </span><a href="https://collider.com/casey-affleck-mona-fastvold-interview-the-world-to-come/"><span style="font-weight: 400;">Casey Affleck</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz a linha introspectivo compreensivo mas não gera empatia nenhuma, não fariam falta se os personagens fossem renegados a apenas um subtexto das protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das atuações estupendas das atrizes, da direção que alterna entre sensível e distante de acordo com os relacionamentos retratados e da fotografia que destaca o bucolismo da paisagem, o ritmo lento torna as quase duas horas mais longas do que parecem. A atração de Abby e Tallie se dá aos poucos, como deve ser em um </span><a href="https://outinjersey.net/katherine-waterston-says-all-these-lesbian-period-dramas-indicate-a-problem-not-a-pattern/"><span style="font-weight: 400;">romance de época</span></a><span style="font-weight: 400;">, e quando engata não falha em encantar, mas ainda é arrastada e não queima o suficiente para fazer jus ao sofrimento do desfecho. Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">The World to Come</span></i><span style="font-weight: 400;"> é como a narração do diário de Abby: poético e delicado, ainda que discreto e vagaroso. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_19705" aria-describedby="caption-attachment-19705" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19705 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-scaled.jpg" alt="Cena do filme Dia do Sim. Os quatro personagens estão fantasiados em um carro com água sendo espirrada dentro. No volante, à direita, está Jennifer Garner, uma mulher branca adulta de cabelos castanhos escuros que usa uma roupa rosa e flores no cabelo. No banco do passageiro, Édgar Ramirez, uma homem branco de cabelos castanhos usa uma camisa laranja com o número 7 e óculos azul. No banco traseiro, à direita, está uma menina branca de cabelos castanhos com as mãos no rosto. Ao seu lado, sua irmã mais velha, uma jovem adolescente branca de cabelos castanhos, está com a cabeça abaixada;" width="2560" height="1184" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-300x139.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-1024x473.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-768x355.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-1536x710.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-2048x947.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/YES_DAY_00_28_56_07_R2-e1612973958307-1200x555.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19705" class="wp-caption-text">Se não fosse produto Netflix, Dia do Sim passaria repetitivamente na Sessão da Tarde (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Dia do Sim (Yes Day, Miguel Arteta)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine viver um dia no qual seus pais são obrigados a dizer sim pra tudo, desde o que será o café da manhã, até sua maior e pior arte. Essa é a premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RyCal7x6ras"><i><span style="font-weight: 400;">Dia do Sim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com os incríveis </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ator-de-dia-do-sim-edgar-ramirez-diz-ter-crescido-ouvindo-nao-24927389"><span style="font-weight: 400;">Edgar Ramírez</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JZxoPFsycKc"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Garner</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu elenco, abrilhantando essa comédia família que tem o irresistível sabor de <em>Sessão da Tarde</em>. Recomendada a todos, é uma ótima escolha para se divertir e fugir um pouco da monotonia destrutiva dos tempos atuais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se inicia com um casal </span><i><span style="font-weight: 400;">topa-tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que viveu à flor da pele seus anos de namoro e, de repente, se depara com a palavra </span><i><span style="font-weight: 400;">sim </span></i><span style="font-weight: 400;">sair do vocabulário após a chegada das crianças. Num lar transbordado de proteção &#8211; e de nãos -, os três filhos começam a se revoltarem com toda autoridade dos pais, entrando em consenso que um dia do sim seria a solução perfeita. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yes Day</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos faz rir de forma leve e acerta no segmento de roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da parceria entre Jennifer Garner e Edgar Ramírez funcionar com cumplicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3W4XlDo1xVU"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;"> também chama a atenção em suas cenas interpretando a filha mais velha do casal. Já com o pé na adolescência, é a que mais sente falta de sua liberdade. A primogênita também é fã da cantora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/h-e-r/"><span style="font-weight: 400;">H.E.R.</span></a><span style="font-weight: 400;"> que faz uma participação especial no filme, deixando a produção ainda mais encantadora e sendo também um dos grandes motivos para você parar tudo que está fazendo e ir assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia do Sim</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_19728" aria-describedby="caption-attachment-19728" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19728 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright.jpg" alt="Imagem do Filme Land. Ao centro da foto está a personagem Edee, interpretada por Robin Wright, uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos azuis. Ela veste uma camiseta de manga longa cinza e olha para Miguel, personagem de Demián Bichir, um homem branco de cabelos escuros, que veste uma camisa xadrez azul e um chapéu de caubói que está de costas para a imagem. Eles estão sentados em um campo e ao fundo pode-se observar uma floresta e uma montanha, em desfoque." width="1792" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright-300x181.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright-1536x926.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/land_robin_wright-1200x723.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19728" class="wp-caption-text">Robin Wright junto de Demián Bichir em Land, filme que marca seu primeiro trabalho como diretora de Cinema (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Land (Idem, Robin Wright)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dona de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">House Of Cards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mentora da </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulher-maravilha-1984-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulher Maravilha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e amor da vida do </span><a href="https://www.bustle.com/entertainment/robin-wright-land-forrest-gump-princess-bride-children-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> finalmente fez sua esperada estreia na direção cinematográfica. A obra que marca esse feito testifica também a versatilidade de Robin Wright. De seriados aclamadíssimos aos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de herói e clássicos do Cinema, o trabalho da vez da atriz e diretora tem um fundo </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">e chega diretamente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sundance/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cY_g-DyUBZM"><i><span style="font-weight: 400;">Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Num drama contido, o filme acompanha o processo de cura e redescoberta da vida de Edee (interpretada pela própria Robin), que se retira para uma cabana isolada nas montanhas de Wyoming</span><span style="font-weight: 400;"> depois de vivenciar uma tragédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim,<em> Land</em> pode soar como uma mistura de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (sem incitar comparações, visto também que o intervalo de um ano que separa as produções é quase nulo na prática do Cinema) com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0758758/"><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (dirigido pelo ex-marido de Wright). Mas Robin é senhora de seus caminhos e rege seu próprio balé em uma obra reflexiva, contemplativa e por vezes inconsistente &#8211; débito que pode ir pra conta conta do roteiro de Jesse Chatham e Erin Dignam -, refletindo a jornada interna de sua personagem, longe de melodramas e adorações ao sofrimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais marcante, dentre as paisagens belíssimas da fotografia de Bobby Bukowski, a trilha que passa por The Staves e Bruce Springsteen sob a supervisão de Ben Sollee e Time for Three e da sempre excepcional destreza da atuação de Wright que encontra ainda mais encanto junto de Demián Bichir, é a segurança de sua diretora. </span><i><span style="font-weight: 400;">Land</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem seus defeitos, mas nenhum deles é a soberba ou a necessidade de se engrandecer, se mostrar ou se provar em meio às tantas produções iniciantes forçadas para serem surpreendentes. Confiante de sua arte, Robin inicia sua filmografia assinando um filme singelo sobre </span><span style="font-weight: 400;">solidão, </span><span style="font-weight: 400;">bondade e restauração</span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>TV</h3>
<figure id="attachment_19561" aria-describedby="caption-attachment-19561" style="width: 1050px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19561" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/expresso-do-amanha-snowpiercer-2-temporada.jpg" alt="Cena da série Expresso do Amanhã. Nela estão dois personagens centrais, Layton, vivido por Daveed Diggs, e Melanie Cavill, interpretada por Jennifer Connelly. A esquerda está Layton, ele é um homem negro, alto, com cabelo escuros em dread, seus olhos são castanhos e ele também possui uma barba e bigode castanhos. O personagem veste uma blusa verde militar, e por cima um casaco preto de botões. Ao lado, na direita, Melanie é uma mulher branca, mais baixa que Layton, ela possui cabelos castanhos que estão presos, olhos castanhos e veste um macacão cinza, carregando também uma bolsa preta no ombro esquerdo. Atrás deles estão alguns personagens de apoio, um homem branco atrás de Melanie, uma mulher negra ao seu lado, e atrás de Layton está um homem branco." width="1050" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/expresso-do-amanha-snowpiercer-2-temporada.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/expresso-do-amanha-snowpiercer-2-temporada-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/expresso-do-amanha-snowpiercer-2-temporada-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/expresso-do-amanha-snowpiercer-2-temporada-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19561" class="wp-caption-text">A segunda temporada de Expresso do Amanhã foi lançada semanalmente pela Netflix (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2ª temporada, TNT/Netflix)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo ciclo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Expresso do Amanhã</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue sem rumo, muito semelhante ao próprio trem chamado </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/snowpiercer-converte-em-serie-filme-cultuado-do-diretor-de-parasita/"><i><span style="font-weight: 400;">Snowpiercer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Que muitas produções acabam perdendo o ritmo a gente já sabe, e infelizmente, esse foi o caso da série da </span><i><span style="font-weight: 400;">TNT</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar da tentativa ousada de se distanciar da </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-perfuraneve-ganhara-preludio-nas-hqs"><span style="font-weight: 400;">HQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://mixdeseries.com.br/expresso-do-amanha-as-diferencas-do-filme-de-2013-e-a-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirigido por </span><a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;"> com um novo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nova temporada é bem mais ou menos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuando exatamente de onde a </span><a href="http://personaunesp.com.br/expresso-do-amanha-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">temporada passada</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabou, a nova história retoma a conquista da democracia por Layton (Daveed Diggs) e o fatídico encontro com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Big Alice</span></i><span style="font-weight: 400;">, trem de recursos comandado pelo misterioso Sr. Wilford (Sean Bean). Em um ponto comum, os dois trens concordam em uma trégua, e, de repente, o mundo está descongelando &#8211; um caminho previsível, mas justificável. Felizmente para eles, a esperança no planeta Terra ressurge, infelizmente para o público, isso acarreta na perda da única protagonista cativante da série, Melanie Cavill (Jennifer Connelly).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a perda de Melanie, o duelo agora se dá entre Layton e Wilford, que entre tapas e beijos seguem a temporada sem a maestria e inteligência da maquinista principal. Entre tramas paralelas sem sal, o sumiço da personagem e algumas sacadas óbvias de obras de ficção científica, a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Expresso do Amanhã</span></i><span style="font-weight: 400;"> perde o fôlego e fica travada no meio do caminho. Já os sentimentos de revolta e os ânimos exaltados que abalavam o trem do futuro ficaram lá na última revolução. </span><b>&#8211; Isabella Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_19626" aria-describedby="caption-attachment-19626" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19626 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BB1dDamV.jpeg" alt="Cena da série WandaVision. A esquerda, Wanda, uma mulher branca de cabelos castanhos claros e compridos, está com ambos os antebraços levantados. Ela usa vestido, capa, luvas e tiara vermelhas. Ao seu lado está Visão, com o rosto pintado em vermelho bem forte. Ele usa capa, luva e bermuda amarela. Por baixo, usa uma blusa de mangas compridas e capuz na cabeça verde. No centro de seu peito, há um losango amarelo. Eles estão na frente de uma escada." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BB1dDamV.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BB1dDamV-300x158.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BB1dDamV-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/BB1dDamV-768x403.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19626" class="wp-caption-text">Nada melhor do que as referências aos uniformes clássicos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>WandaVision (1ª temporada, Disney+)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em março, </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/wandavision-mcu-futuro-perguntas"><span style="font-weight: 400;">chegou ao fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> a primeira experiência da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a televisão. </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi idealizada com base nas décadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms</span></i><span style="font-weight: 400;"> que a TV estadunidense possui e, para quem estava acostumado com narrativas lineares e previsíveis dos filmes do Universo Cinematográfico, foi uma baita surpresa. Enquanto tentamos entender por que diabos Wanda está em preto e branco e como Visão, que teve a cabeça dilacerada por Thanos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Guerra Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, anda e sorri em cena, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai brincando com a nossa observação e com pequenas referências aqui e ali ao longo da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como casal, Wanda e Visão são encantadores. Assisti-los se amando e se apoiando pelos nove episódios só ficaria melhor se tivéssemos, de fato, os visto assim nos filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. A dupla, mal aproveitada no cinema, tem a vida perfeita com a rotina perfeita e os filhos perfeitos. Infelizmente, a trajetória esburacada de Wanda Maximoff não demora muito para se sobressair. Perdida no próprio mundo que construiu para tentar lidar com o luto gigantesco que carrega em si, a personagem magistral de Elizabeth Olsen suga toda a empatia que o espectador tem a oferecer. Sentimos a dor e o desespero de Wanda em cada expressão que remete ao seu passado &#8211; especialmente em meio a </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,wandavision-episodio-8-revela-quem-wanda-realmente-e,70003629058"><span style="font-weight: 400;">tantos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i></a><span style="font-weight: 400;">daquele (sim, você sabe qual) episódio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, amada e odiada, dona de tudo que toca, entretanto, foi ela: </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/wandavision-agnes-agatha-harkness-kathryn-hahn"><span style="font-weight: 400;">Agatha Harkness</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não há nada que Kathryn Hahn não possa fazer, e ela deixou isso bem claro com a sua milenar bruxa embebida de poder que se entretém com o sofrimento de Wanda. Claro, nem Harkness esperava o nível da força da Feiticeira Escarlate, mas os confrontos das personagens são no mínimo interessantes. Se o arco </span><i><span style="font-weight: 400;">do lado de fora</span></i><span style="font-weight: 400;"> não chama muito a atenção, as aparições de </span><a href="https://cafecomnerd.com.br/wandavision-produtor-da-serie-explica-o-papel-de-pietro-e-por-que-escalaram-evan-peters/"><span style="font-weight: 400;">Pietro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a convivência de Billy e Tommy e a tentativa de Visão em entender </span><a href="https://cinepop.com.br/wandavision-criadora-da-serie-fala-sobre-a-falta-de-justica-aos-moradores-de-westview-286874/"><span style="font-weight: 400;">Westview</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que fazem a primeira e única temporada focada em Wanda ser tão especial. Agora, é vez de Bucky e Sam. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_19635" aria-describedby="caption-attachment-19635" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19635" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini.jpg" alt="Foto de Bimini Bon Boulash, competidora de Drag Race UK. Ela é uma pessoa não-binária branca, e usa uma peruca loiro claro. Ela veste um blazer na cor da sua pele, com várias pedrinhas na cor vermelha, imitando espinhas. Sua maquiagem também possui as mesmas pedrinhas, com a mesma intenção de parecerem espinhas. Ao fundo, há um elemento do palco do show." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bimini-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19635" class="wp-caption-text"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MGJNYBZcvHs&amp;ab_channel=KittyGonzales"><span style="font-weight: 400;">Meryl Streep</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Foto: Reprodução)</span></figcaption></figure>
<p><b>RuPaul’s Drag Race UK (2ª temporada, BBC Three) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><em><a href="http://personaunesp.com.br/drag-race-uk-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Drag Race UK</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, infelizmente, chegou ao fim em março. Apesar dos episódios gigantescos, dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mini challenges </span></i><span style="font-weight: 400;">enormes e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">maxi challenges</span></i><span style="font-weight: 400;"> maiores ainda, nós vamos sentir falta desse elenco. Onde falta espontaneidade e descontração no programa ‘original’, aqui sobra. Se tem algo que as </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-holland-critica/"><span style="font-weight: 400;">versões estrangeiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da competição de RuPaul nos ensinam, é que há algo de errado com o perfeccionismo da produção estadunidense. Enquanto isso, no </span><i><span style="font-weight: 400;">werkroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico, a equipe por trás das câmeras, um pouco mais despreocupada com a edição perfeita, permite que a naturalidade das <em>queens</em> transpareça, e tudo flui como um dia já fluiu na terra da Tia Sam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas saudosismo é coisa de gente inerte, vamos falar do presente. Lawrence Chaney é a primeira vencedora gorda da franquia. Demorou, mas finalmente aconteceu, e com um nome merecidíssimo. Como sempre, teve chororô dos fãs do programa, </span><a href="https://draglicious.com.br/2021/03/09/lawrence-chaney-deleta-twitter-apos-ataques-de-odio/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberbullying </span></i><span style="font-weight: 400;">problemático</span></a><span style="font-weight: 400;"> e discussões polêmicas, mas agora pouco importa. A talentosa </span><i><span style="font-weight: 400;">queen </span></i><span style="font-weight: 400;">escocesa se juntou ao panteão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nesse elenco não faltou personalidades memoráveis: Ginny Lemon espremeu um limão no olho de RuPaul e abandonou o palco antes mesmo de dublar, sendo a única a nunca ouvir um </span><i><span style="font-weight: 400;">sashay </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">shantay; </span></i><span style="font-weight: 400;">Tia Kofi</span> <span style="font-weight: 400;">transbordou carisma e se imortalizou com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NkBYszdyqdI&amp;ab_channel=Tayceflrts"><span style="font-weight: 400;">falas icônicas</span></a><span style="font-weight: 400;">; e A’Whora e Tayce nos deixaram babando de tanta beleza e </span><i><span style="font-weight: 400;">nerve</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://twitter.com/veronicaqween/status/1353351128398913536"><span style="font-weight: 400;">Veronica Green</span></a><span style="font-weight: 400;"> infelizmente nos deixou antes da hora. Quando as gravações da temporada voltaram após meses, por conta da pandemia, a londrina testou positivo para o maldito vírus e precisou ficar em casa. A boa notícia é que ela competirá na próxima edição, e, se o universo permitir, mais polida que nunca. Bimini Bon-Boulash perdeu a Coroa mas ganhou o mundo. Posso afirmar, sem receios, que a britânica não-binária e vegana é uma das mais fortes competidoras que já passaram pelo programa, e já é muito maior que as bordas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race</span></i><span style="font-weight: 400;">. Excelente nos desafios de comédia, excelente nos de atuação, nos musicais, nas acrobacias, com impecável senso estético, inteligente e absurdamente carismática. Pensando bem, a Coroa realmente ficaria apertada nela. <strong>&#8211; Jho Brunhara</strong></span></p>
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<figure id="attachment_19695" aria-describedby="caption-attachment-19695" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-scaled.jpg" alt="Cena da série documental Allen v. Farrow. Nela, vemos uma fotografia antiga de Woody Allen, branco, idoso, de cabelos pretos e óculos redondos com armação escura, com sua filha Dylan no colo. Ao seu lado, está sua esposa Mia Farrow, branca, loira, segurando o filho recém-nascido no colo. " width="2560" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/111-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19695" class="wp-caption-text">A minissérie documental finalmente ouve a história de Dylan Farrow, abusada sexualmente por seu pai Woody Allen, esse que continuou sua carreira de fama e estrelato sem nenhum empecilho nas últimas décadas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Allen contra Farrow (Allen v. Farrow, Minissérie, HBO)</b></p>
<p><a href="https://brasil.elpais.com/televisao/2021-02-24/woody-allen-responde-a-serie-documental-da-hbo-esta-repleta-de-falsidades.html#:~:text=Um%20porta%2Dvoz%20de%20Woody,contra%20sua%20filha%20adotiva%20Dylan."><span style="font-weight: 400;">Woody Allen é um crápula</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não há discussão quando o assunto é sua índole, seu caráter ou a maneira com que lidou com a crise midiática dos anos 90, quando sua filha Dylan o acusou de abuso sexual. Kirby Dick e Amy Ziering, responsáveis pelo documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SXwYYJVbAmY"><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Ground</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aproveitam o longo formato de minissérie proposto pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dissecar os eventos no passado e as consequências do presente em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cKTOj7HnLbo"><i><span style="font-weight: 400;">Allen v. Farrow</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Despreocupada em ouvir </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-06-18/woody-allen-a-ideia-de-que-abusei-da-minha-filha-de-7-anos-era-tao-absurda-que-nunca-falei-sobre-isso.html"><span style="font-weight: 400;">‘o outro lado’</span></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie documental em 4 extensos capítulos, se baseia, ouve e ampara </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/filha-de-woody-allen-desabafa-sobre-video-em-que-o-acusa-por-abuso-sexual-52316#:~:text=Dylan%20Farrow%2C%20filha%20adotiva%20de%20Woody%20Allen%2C%20usou%20o%20Twitter,apenas%20sete%20anos%20de%20idade."><span style="font-weight: 400;">Dylan Farrow</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua mãe, Mia. A produção recapitula tudo com imagens de arquivo pessoal de Mia, enquanto contragolpeia os testemunhos de Allen com excertos de um </span><a href="https://deadline.com/2021/02/allen-v-farrow-woody-allen-apropos-of-nothing-hbo-copyright-infringement-audiobook-1234698353/"><span style="font-weight: 400;">áudio livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançado em 2020. O momento do abuso no sótão, a guerra de tabloides e o casamento do diretor com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq251212.htm#:~:text=O%20cineasta%20norte%2Damericano%20Woody,prefeito%20da%20cidade%2C%20Maximo%20Cacciari."><span style="font-weight: 400;">Soon-Yi</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha de Mia, são documentados com o olhar e a complacência dos cineastas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dylan Farrow abre o coração e descasca os traumas, ao passo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen v. Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> cria uma </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/assedio-em-hollywood/dylan-farrow-declaracoes-de-woody-allen-sobre-metoo-sao-estrategia-de-relacoes-publicas-22754230"><span style="font-weight: 400;">rede de apoio</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a mulher. Ouvimos seus irmãos, sua mãe, advogados, médicos, todos corroborando a história dela, com provas e documentos. O final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Part 4</span></i><span style="font-weight: 400;">, se estende por quase 80 minutos, investigando o papel da cultura nisso tudo. Atores famosos </span><a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jan/14/golden-globes-woody-allen-lifetime-achievement-mia-ronan-farrow"><span style="font-weight: 400;">defendendo Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2014, mas que voltaram atrás e apoiaram Dylan em 2018. Na eterna discussão de </span><a href="https://multversogeek.com.br/ate-que-ponto-e-possivel-separar-a-arte-do-artista/"><span style="font-weight: 400;">separar a arte do artista</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen v. Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se compromete em soar imparcial. Passadas mais de quatro horas, a ideia é a mesma: Woody Allen é um crápula.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_19732" aria-describedby="caption-attachment-19732" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19732 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/capa.jpg" alt="Três mulheres lado a lado em uma foto, em frente à uma fundo cinza. À esquerda da imagem, a primeira mulher é branca, morena, de cabelos curtos, está vestindo um terninho feminino em tom de rosa pastel e está sentada em um banco alto, que não aparece na imagem. Ao meio, a segunda mulher é branca, de cabelos loiros e curtos, está vestindo um terninho feminino branco e está sentada em uma cadeira mais baixa. De pé, ao seu lado direito, está a terceira mulher, branca, com cabelos loiros e curtos, com uma calça preta, uma regata de alças finas vermelha com bolinhas mais claras. As três estão sorrindo. " width="924" height="687" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/capa.jpg 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/capa-300x223.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/capa-768x571.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19732" class="wp-caption-text">As protagonistas de Filhas de Eva: Lívia (Giovanna Antonelli), Stella (Renata Sorrah) e Cléo (Vanessa Giácomo) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Filhas de Eva (1ª temporada, Globoplay)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine personagens reais, falhos e complexos. Adicione uma trama envolvente, trilha sonora de arrebatar, um elenco que mistura grandes nomes e novas revelações. Coloque também uma boa pitada de excelente direção de arte e textos que emocionam e você terá a receita certeira de um produto audiovisual de qualidade, que prende o espectador do primeiro ao último segundo. Foi trilhando esse caminho para o sucesso que o <em>Globoplay</em> estreou em 8 de março &#8211; <a href="https://personaunesp.com.br/falas-femininas-critica/">Dia Internacional da Mulher</a> &#8211; a deliciosa e envolvente série de doze capítulos,<em> Filhas de Eva</em>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonizada pela gigante Renata Sorrah, que rouba os holofotes da série em cenas que vão do drama ao puro humor, com doses excelentes de romantismo, e acompanhada pelas também veteranas Giovanna Antonelli e Vanessa Giácomo, a história nos serve como uma dramédia das boas. Stella, interpretada por Sorrah, é casada há 50 anos com Ademar (Cacá Amaral), por quem se anulou e girou toda sua vida em volta, e durante a comemoração do aniversário de casamento, toma a drástica decisão de pedir o divórcio, em público, almejando apenas se reencontrar. Lívia (Antonelli), sua filha, é uma mulher casada e mãe de uma adolescente, profissionalmente satisfeita porém com um casamento que já viu dias melhores com Kleber (Dan Stulbach), um terapeuta raso e egocêntrico, que inicia um caso com Cléo, personagem de Giácomo, que por sua vez, torna-se amiga de Lívia sem ao menos saber quem ela é, entrelaçando assim os enredos da trama.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É com o pedido de divórcio que Stella vira sua vida de cabeça para baixo numa jornada de autoconhecimento, revolução e busca pela liberdade, reencontrando antigos amigos e abrindo espaço para novas pessoas em sua vida. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=snclAG8mGJQ"><em>Filhas de Eva</em> é uma série sobre a jornada</a>, não apenas da protagonista, mas como de todos os outros personagens. É dessas séries que te colocam para sorrir ou se emocionar com facilidade, em cenas que podem entrar para o <em>hall</em> de <em>takes</em> memoráveis da TV brasileira, e tudo isso, com uma belíssima pertinência temporal e críticas políticas que se embrenham no enredo bem construído. É ótima pedida para uma maratona, sem deixar  a desejar à grandes séries em que se baseia, como <a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><em>Big Little Lies</em></a> e <a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-4a-temporada-critica/"><em>This is Us</em></a>. <strong>&#8211; Marina Ferreira</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_19729" aria-describedby="caption-attachment-19729" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19729 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1231537162.0.jpg" alt="Imagem da entrevista de Oprah com o Príncipe Harry e sua esposa Meghan Markle. Na imagem, a apresentadora Oprah, uma mulher negra, de cabelos cacheados escuros e curtos, está sentada numa cadeira à direita. Oprah veste um conjunto de moletom rosa e uma bota marrom. À frente da apresentadora, está Meghan Markle, uma mulher negra de cabelos lisos castanhos presos num coque. Meghan usa um vestido longo preto, um sapato de bico fino também preto e maquiagem leve. Meghan olha para o lado esquerdo da imagem, onde está o príncipe Harry, um homem branco, de cabelos e barba ruivos. Harry usa u terno cinza claro e um sapato social marrom e olha para Oprah, à sua frente. O casal também está sentado e no meio do local existe uma mesa de centro cinza com um arranjo de flores coloridas. Todos são vistos de lado e estão em cima de um tapete bege e sob um pergolado, ao ar livre, cercados por árvores e plantas. Ao fundo, pode-se observar um gramado É de dia e está ensolarado." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1231537162.0.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1231537162.0-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1231537162.0-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1231537162.0-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19729" class="wp-caption-text">Tem muito material novo para os roteiristas de <a href="https://personaunesp.com.br/tag/the-crown/">The Crown</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Oprah entrevista Meghan Markle e Príncipe Harry</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só Oprah Winfrey para dar conta de uma entrevista com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=d8ysRQ_MGAA">ex-membros da família real britânica</a>. A maior apresentadora dos Estados Unidos recebeu Harry e Meghan Markle para uma conversa franca no horário nobre da televisão norte-americana transmitida no canal da </span><i><span style="font-weight: 400;">CBS</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia 7 de março. No quintal de sua nova casa, o casal falou sobre os motivos que os levaram a deixar sua posição dentro do reinado de Elizabeth II, bem como </span><a href="https://deadline.com/2021/04/prince-harry-meghan-archewell-productions-first-netflix-order-invictus-1234728343/"><span style="font-weight: 400;">a vida que constroem</span></a><span style="font-weight: 400;"> agora na Califórnia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiada pelas perguntas e reações hospitaleiras e sempre atentas de Winfrey, a entrevista apresentou uma Meghan serena, machucada e determinada a dividir a sua verdade ao lado de um Harry um pouco mais incisivo, magoado mas ainda firme e seguro de suas próprias ações. <a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/meghan-markle-suicidio-entrevista-oprah/">Desamparo, danos psicológicos</a>, <a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-03-13/debate-sobre-racismo-atinge-o-palacio-de-buckingham.html">racismo</a> e “<em><a href="https://vogue.globo.com/celebridade/noticia/2021/02/meu-maior-medo-era-historia-se-repetir-diz-o-principe-harry-em-trecho-de-entrevista-com-oprah.html">medo da historia se repetir</a>” </em>resumem o desabafo do casal, que ainda usaram o termo ‘</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/com-entrevista-a-oprah-harry-e-meghan-mostram-que-nao-conseguem-se-afastar-do-circo-midiatico.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">firma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’ alguma das vezes em que se referiram à família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quebrar a tensão da conversa, Oprah ainda conheceu alguns espaços do novo lar de Harry e Meghan e deu o furo sobre o sexo do novo bebê do casal, mas é fato que o que ficou marcado foram as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56327733"><span style="font-weight: 400;">revelações</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre as atitudes da família real, que embora nada levianas, estão longe de ser uma completa surpresa. Muito mais do que fofocas reais, o que se vê nos 90 minutos de desabafo do casal à Oprah &#8211; que mesmo verdadeiro ainda constrói uma estratégia midiática cheia de intenções -, também rende um retrato das problemáticas oriundas do imaginário colonial, muito bem figurado na monarquia do Reino Unido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Time: tudo pode mudar em vinte anos e nada pode mudar em duzentos deles</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2021 20:01:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados”, diz a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que ‘aboliu’ a escravidão no país em 1865. Um dos maiores marcos da Terra da Liberdade, no entanto, guardou uma ressalva em seu texto, definindo logo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Time: tudo pode mudar em vinte anos e nada pode mudar em duzentos deles"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19356" aria-describedby="caption-attachment-19356" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1024x576.jpg" alt="Imagem do filme Time. A imagem apresenta um porta-retrato de uma familía repousado em uma mesa inclinado levemente para a diagonal. No porta retrato, na vertical, está a foto de parte da família. Ao centro da fotografia, está a mãe, Fox Rich, uma mulher negra de cabelos cacheados que usa um lenço no pescoço. Ao redor dela, atrás e em cima e na frente e embaixo, estão quatro filhos, todos entre 10 e 6 anos negros. Os que estão atrás dela são os mais velhos, e os que estão na frente são os mais novos. Todos sorriem e posam para a câmera. A moldura do porta-retrato é simples, sem decorações trabalhadas, e branca. A imagem está toda em preto e branco." width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Time.jpg 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19356" class="wp-caption-text">Time, filme realizado em parceria com o jornal The New York Times, debate os impactos do encarceramento em massa e pauta o abolicionismo penal na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">diz a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que ‘aboliu’ a escravidão no país em 1865. Um dos maiores marcos da </span><a href="https://outraspalavras.net/outrasmidias/estados-unidos-terra-da-liberdade/"><span style="font-weight: 400;">Terra da Liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, guardou uma ressalva em seu texto, definindo logo em seguida que</span><i><span style="font-weight: 400;"> “os devidamente condenados por um crime</span></i><span style="font-weight: 400;">” eram a sua exceção, criando em si mesma uma condição que permitia a prática do que acabava de extinguir. A conclusão da premissa da Emenda é literal e simples: quando você é condenado, você se torna um escravo do Estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o termo que se usa para definir a quem luta pelo fim do sistema carcarário vigente é o mesmo que se usava para se referir a quem lutava pelo fim da escravidão. </span><span style="font-weight: 400;">A longo prazo, o que o governo de Abraham Lincoln fez com o que deveria ser um avanço na garantia do direito à liberdade, à vida e à igualdade foi permitir o desencadear de um fenômeno social denominado por estudiosos como o </span><a href="https://quilomboinvisivel.com/2020/08/29/industria-carceraria-a-escravidao-no-capitalismo-moderno-parte-1-eua/"><span style="font-weight: 400;">sistema escravista moderno</span></a><span style="font-weight: 400;">. No país que abriga 5% da população mundial, está </span><a href="https://www.conjur.com.br/2011-jul-27/sistema-penitenciario-americano-pressionado-desrespeitar-direitos"><span style="font-weight: 400;">25% da população carcerária do planeta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, a cada quatro presidiários ao redor do mundo, um está encarcerado nos Estados Unidos. Como diz sua própria lei, essas são <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wkjtAAUmjPY">as pessoas submetidas à escravidão no século 21</a>, e essa é a provocação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kq6Hh07oLvs"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-19355"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema já é conhecido nos debates provocados pelo Cinema. A estrutura de servidão que se fundamenta no sistema prisional dos Estados Unidos foi desenhada por </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80091741"><i><span style="font-weight: 400;">A 13ª Terceira Emenda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">13th</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original, de 2016) e alastrada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o seu reconhecimento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2017. Cinco anos depois e numa estrutura narrativa oposta e complementar à obra precursora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> volta a clamar por atenção e resolução para uma das situações mais urgentes da América através da Sétima Arte, mais uma vez com um reconhecimento considerável da elite cultural norte-americana.</span></p>
<figure id="attachment_19357" aria-describedby="caption-attachment-19357" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19357 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-scaled.jpg" alt="Imagem do filme Time. A fotografia é horizontal e em preto e branco, e registra a família Rich, foco da narrativa do documentário, se dirigindo à um evento. Eles estão caminhando pela rua. Ao fundo existe um prédio de tijolinhos e árvores secas. A família está caminhando junta em direção ao lado esquerdo da imagem, de perfil. Fox Rich, a mãe, está ao centro, vestindo um vestido branco e cabelos presos num rabo de cavalo. Os filhos vestem roupas formais, ternos e camisas sociais. " width="2560" height="1349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1536x809.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-2048x1079.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/timee-1200x632.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19357" class="wp-caption-text">Dados do Departamento de Justiça dos EUA trazidos em A 13ª Emenda apontam que homens negros (6,5% da população do país) são 40% da população prisional, integrando um índice que atualmente tem mais pessoas negras sobre supervisão criminal do que escravos no meio do século 18 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo com o documentário de <a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/mulheres-no-cinema-ava-duvernay">Ava DuVernay </a></span><span style="font-weight: 400;">é direto e integra</span><span style="font-weight: 400;"> o raciocínio proposto pela cineasta em 2016. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A 13ª Emenda</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma a história dos Estados Unidos para construir um debate completo, profissional, profundo e teórico &#8211; ótimo, inclusive, para quem quiser compreender a fundo a história dos direitos civis norte-americanos, tema comum em algumas das principais produções dessa temporada (como </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Judas e o Messias Negro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=USi-ppCfxEA">Estados Unidos vs. Billie Holiday</a>, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23qQ1GzV2fo"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite em Miami…</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> se volta para o micro, no retrato que a diretora <a href="https://www.imdb.com/name/nm3797834/">Garrett Bradley</a> captura de vidas atravessadas pela política do encarceramento em massa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, estamos dentro da <a href="http://www.foxandrob.com/">família Richardson</a>, iniciada através daquele casal do Ensino Médio completamente apaixonado e sonhador que prioriza seu amor acima de tudo. Tão logo como eles juntam os sobrenomes e frutificam a árvore genealógica, surgem os desafios da vida que começam a tirar as coisas do eixo, mostrando que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é pra todo mundo e transformando medidas desesperadas que normalmente seriam inimagináveis como uma &#8211; e talvez a única &#8211; opção. Então, numa tentativa de assalto a um banco, a matriarca Sibil Fox Rich e seu amado Robert Rich são pegos. Ela, pilotando o carro de fuga, é condenada a 3 anos e meio de detenção enquanto grávida de gêmeos. Ele, liderando a ação que não teve desdobramentos violentos, deve 60 anos severos à justiça, inicialmente sem direito à condicional ou redução de pena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que essa situação não é contextualizada ao pé da letra nos primeiros minutos. O que se vê na abertura do documentário (<a href="https://www.amazon.com/Time-Fox-Rich/dp/B08J7DDGJY">disponível</a> no <em>Amazon Prime Video</em>) são gravações curtas, caseiras e íntimas de uma mulher apaixonada e desolada que registra os momentos de sua família para um dia mostrá-los à quem a formou junto dela, que não está presente. Até que ela acaricia e divide com a câmera o ventre que abriga dois bebês, solenemente apresentados como </span><a href="https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-justica/"><span style="font-weight: 400;">Justus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://pt.duolingo.com/dictionary/English/freedom/cff21c2fe1e74e766d2e004682553e36"><span style="font-weight: 400;">Freedom</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revela a condição de sua família. Ali, no detalhe, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a que veio, colocando-nos diante de uma história sobre um amor radical, uma urgência de justiça e uma promessa de liberdade.</span></p>
<figure id="attachment_19358" aria-describedby="caption-attachment-19358" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19358 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1.jpg" alt="Imagem do Filme Time. A imagem apresenta apenas o rosto de Fox Rich através de um espelho. Ela está se observando, com uma expressão alerta e séria. Ela é uma mulher negra, usa maquiagem no contorno dos olhos e seus cabelos estão alisados. No lado esquerdo da imagem, a moldura do espelho corta o reflexo de seu rosto. A imagem está em preto e branco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19358" class="wp-caption-text">“Nós pensamos na magnitude das pessoas que estão encarceradas mas não temos nenhum exemplo visual de como é isso. Estamos lidando com uma comunidade invisível. De certa forma, a única maneira de testemunharmos sua experiência é por meio das pessoas que estão de fora”, disse a diretora do filme em <a href="https://deadline.com/2021/01/time-documentary-garrett-bradley-interview-fox-rich-amazon-contenders-1234670492/">entrevista</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O centro de tudo é <a href="https://www.instagram.com/foxandrob/">Fox Rich</a>, que conduz a narrativa, gerencia e mantém a família, luta pela liberdade de seu marido e é a principal colaboradora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de início, seria apenas um curta sobre a história de sua família. A ideia se transformou quando Rich apresentou à Bradley um</span><span style="font-weight: 400;"> material de 100 horas de vídeos caseiros que ela havia gravado nos últimos 18 anos como forma de dividir seus momentos com os filhos com o seu marido encarcerado.</span><span style="font-weight: 400;"> Reconhecendo a riqueza sentimental e subjetiva da história registrada dos Richardson, a jovem diretora mergulhou no passado e presente da família para debater os impactos do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-TU5iLbUcBw">encarceramento em massa</a> e pautar uma discussão sobre o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMM0mETFyJ0">abolicionismo penal</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O poder de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliás, está exatamente na mistura borrada do tempo, livre de qualquer progressão linear. Primeiro, vê-se as crianças brincando em parque de diversões, depois, elas estão se formando na faculdade, depois, estão de volta à infância indo para o primeiro dia na escola, e depois, são adultos acompanhando o dia a dia agitado da mãe no negócio da família. Em qualquer um dos momentos, o pai não está. O </span><i><span style="font-weight: 400;">tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é distorcido, incerto, sugado pelo buraco negro da ausência, intensificado pela dor da injustiça perversa e pela energia drenada para a resistência na luta pela liberdade, sempre acompanhado pela tremulação do arrependimento e pelos silêncios oferecidos à quem espera anos por respostas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando o nosso entendimento ameaça cair em algo romantizado, estagnado numa admiração ao poder e à força do amor e adorador de um arco de redenção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> calibra sua mensagem na voz firme e desperta de sua principal figura através dos termos &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas pobres</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas de cor</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e “</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoas brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Logo, Fox (e às vezes sua mãe implacável) dá nome aos bois com a expressão </span><i><span style="font-weight: 400;">“sistema moderno de escravidão</span></i><span style="font-weight: 400;">” no meio de suas narrações em <em>off</em> ou nas palestras que ela ministra enquanto ativista abolicionista, assistidas majoritariamente por outras mulheres negras e pelas lentes observativas de </span>Zac Manuel, Justin Zweifach e Nisa East. Com p<span style="font-weight: 400;">lena consciência de seus atos e das consequências deles para todos ao seu redor, ela também entende muito bem o seu contexto, dominado por estruturas de poder que fizeram dela e sua família uma demonstração do <a href="https://www.geledes.org.br/e-essa-cara-de-pobre-minha-filha-e-pra-te-olhar-melhor/">classismo</a> e <a href="https://www.geledes.org.br/racismo-institucional-o-ato-silencioso-que-distingue-as-racas/">racismo institucional</a>.</span></p>
<figure id="attachment_19359" aria-describedby="caption-attachment-19359" style="width: 1353px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19359 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021.png" alt="Imagem do filme Time. A fotografia mostra Sibil Fox Rich e Robert Rich jovens dentro de um carro. Sibil é uma mulher negra, seus cabelos estão presos com uma presilha, ela usa uma camiseta branca e brincos de argola e se vira de lado para beijar Robert, seu esposo. Ele, um homem negro de cabelos raspados, usa uma camiseta escura, e retribui o beijo de Sibil, olhando para a câmera, que está posicionada na altura do para-brisa do carro. A foto é em preto e branco." width="1353" height="773" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021.png 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-300x171.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-1024x585.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-768x439.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/time-documentary-documentario-oscar2021-1200x686.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19359" class="wp-caption-text">O simbolismo da história é tremendo: Robert Rich ficou detido numa prisão de segurança máxima no estado de Louisiana, a maior dos EUA, conhecida popularmente como “Angola”, em referência ao país de origem de muitos dos escravos que trabalharam na região (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma temática densa nas mãos, a direção de Garrett Bradley &#8211; premiada no Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde também concorreu ao Grande Prêmio do Júri antes de passar pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Documentary Awards, Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> até chegar na <a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-documentaacuterio.html">seleção diversificada</a> dos Melhores Documentários do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a> <span style="font-weight: 400;">&#8211; vai pelo caminho oposto ao da criminalização para alcançar uma linguagem poderosa de humanização. </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra de escuta &#8211; tanto pelo verbal quanto pelo não-verbal, tanto para quem o fez quanto para quem o acompanha. Tocar nesse assunto é incitar polêmicas e opiniões inflamadas e</span><span style="font-weight: 400;"> todo filme demonstra saber disso. Então, ele conta com a abertura de quem o assiste, que esteja disposto a ir até ele </span><span style="font-weight: 400;">sem preconceitos, permitindo-se desmontar e bagunçar suas noções morais para <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/cinco-fatos-sobre-o-sistema-prisional-brasileiro/">enxergar e compreender uma realidade</a> que <a href="https://www.justificando.com/2019/05/30/entendendo-o-basico-para-opinar-sobre-a-crise-no-sistema-penitenciario-brasileiro/">não é distante de nós</a> como pode parecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme faz isso através de uma montagem e roteirização atenta, calma e compassiva, e de uma fotografia que procura pelos olhos de seus personagens, olha devagar e observa todos os detalhes. Nessa direção, cria-se também </span><span style="font-weight: 400;">um contraste estético inteligentíssimo: os registros antigos de Rich são repletos de texturas, mas as imagens do presente são chapadas, um tanto esmaecidas e etéreas, casadas na ausência de cor preenchida pelos tons de preto e branco. Ao contrário do que se esperaria de uma obra que retrata o passar do tempo, <i>Time</i> não deixa suas marcas visíveis objetivamente, forçando-nos a ouvir e observar com atenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é a forma que </span><em><span style="font-weight: 400;">Time </span></em><span style="font-weight: 400;">encontra para dizer que</span><span style="font-weight: 400;"> não busca explicações, justificativas ou dicotomias morais. O filme não sangra a ferida do arrependimento, não espetaculariza, não alarma nem discute a legitimidade do crime ou da punição. O apontamento desses aspectos fica de fora da tela, exaustivamente julgados pela sociedade que, em contrapartida, não parecem ser importantes nem mesmo para a própria justiça, que aparelhada e viciada, tem uma outra finalidade no lugar de ser de fato justa. O que ocorre é um gesto de devolver o olhar humano para pessoas que só são vistas atrás das grades, quando não como apenas números, destacando sua existência para além de estereótipos e retratos rasos.</span></p>
<figure id="attachment_19363" aria-describedby="caption-attachment-19363" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1024x676.png" alt="Imagem do filme Time. A fotografia mostra um homem, negro e de cabelos curtos usando uma camisa, de costas e segurando um bebê. A imagem está em preto e branco." width="1200" height="792" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1024x676.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-300x198.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-768x507.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube-1200x792.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cineclube.png 1513w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19363" class="wp-caption-text">“Uma justiça tardia é uma justiça negada” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A delicadeza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, não o faz ser algo menos firme, preciso ou seguro, vide a forma como ele escolhe suas palavras e nomeia seus objetos: a vivência da família fala sobre um sistema organizado, não só de uma ação dentre muitas outras <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-36429539">sintomáticas de uma sociedade desigual</a>. A intenção da diretora (que também assina a produção junto de </span>Kellen Quinn e Lauren Domino) segue sua identidade de<span style="font-weight: 400;"> investigar em suas obras as tramas que compõem o tecido social norte-americano: entender as dinâmicas por trás do sistema prisional, que comprometem muito além da vida de quem é preso, e alertar para os seus efeitos de marginalização de populações específicas e propagação de estruturas de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, surge o óbvio: muito se reflete sobre o tempo em <em>Time</em>. Uma família que tem uma relação tão complexa com ele apresenta visões otimistas e pessimistas, esperançosas e revoltadas, age diante dele de muitas formas diferentes. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O tempo é o que você faz dele</span></i><span style="font-weight: 400;">”, conclui um dos filhos em um dado momento, antes da luta de duas décadas encontrar sua resolução. Para eles, tempo é vida, tempo é resistir, tempo é esperança e também decepção. E a vida não acaba, a luta não acaba, o amor não acaba, o tempo não acaba. Dentre todos os devaneios filosóficos que podem surgir da sutileza do filme, a </span><span style="font-weight: 400;">reflexão sobre o tempo entre os 20 anos mais severos da história da família Richardson se transforma em algo dialógico à toda a história dos últimos 200 anos na América: iniciados com uma promessa de liberdade e inseridos num tempo que muda vidas em anos, dias e até minutos, mas que também é parte de um sistema que não mudou em dois séculos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TIME – Official Trailer | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kq6Hh07oLvs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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