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	<title>Arquivos Mulheres &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Agosto de 2023</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Aug 2023 21:33:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Voltando a rotina depois de uma pausa merecida, os integrantes do Clube do Livro do Persona repousaram os olhares para o vencedor do Prêmio Jabuti de Romance Literário em 2022, O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk. Adentrado em uma narrativa que devolve o protagonismo às verdadeiras vítimas da colonização, o texto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Agosto de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_31381" aria-describedby="caption-attachment-31381" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31381" class="wp-caption-text">Apoiado em sentimentalismo, O som do rugido da onça foi a leitura escolhida para o Clube do Livro de Agosto (Foto: Companhia das Letras/ Arte: Raíra Tieng0/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando a rotina depois de uma pausa merecida, os integrantes do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro</a> do Persona repousaram os olhares para o vencedor do Prêmio Jabuti de Romance Literário em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Micheliny Verunschk. Adentrado em uma narrativa que devolve o protagonismo às verdadeiras vítimas da colonização, o texto caminha através da histórias das crianças indígenas Iñe-e e Juri. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escritora e historiadora já é figurinha marcada no <a href="https://j.pucsp.br/noticia/mestre-e-doutora-pela-puc-sp-e-uma-das-vencedoras-do-premio-jabuti-2022">universo literário nacional</a>, e conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura em 2015, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Micheliny também foi duas vezes finalista do Prêmio Rio de Literatura e no último ano, com </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça,</span></i><span style="font-weight: 400;"> representou o Brasil no Prêmio Oceanos – uma das premiações literárias mais importantes dos países de língua portuguesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escolhida da vez, somos levados de forma poética, mas avassaladora, a trágica história das crianças raptadas pelos exploradores Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius. Em um misto de medo, separação, saudade e vidas interrompidas, o foco se entrega completamente às faces da dor, enquanto as entrelinhas se envolvem com os mistérios da <a href="https://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/">espiritualidade</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura das 168 páginas se desfaz em uma densidade quase versada e resta nos que a acompanham as milhares de incertezas sobre a construção de um país que se revela tão bem na ficção quanto o faria nos pedaços ocultados pela versão dos opressores. E para não perder o costume, o</span><b><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"> Estante do Persona</a> de Agosto de 2022</b><span style="font-weight: 400;"> deixa suas indicações dedicadas a todos os que optam por ver o mundo entre os múltiplos pontos de vista. </span></p>
<p><span id="more-31368"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_31377" aria-describedby="caption-attachment-31377" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="(max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31377" class="wp-caption-text">O primeiro título da autora a ser publicado pela Companhia das Letras foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><strong>Micheliny  Verunschk &#8211; O som do rugido da onça (168 páginas) </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de situar </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entre os cânones literários do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/o-som-do-rugido-da-onca-fica-entre-a-fabula-e-o-realismo-fantastico.shtml"><span style="font-weight: 400;">realismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da fábula talvez seja equivocada para dimensionar a grandiosidade de um novo parâmetro nas narrativas sobre colonialidade na Literatura brasileira. Entre tempos e entre lugares, o basilar romance de Micheliny Verunschk apresenta uma tecnologia de resistência contra a historicidade violenta de discursos indigenistas produzidos pela Ciência e pelo saber que, essencialmente, foi responsável pela retirada de pessoas de seus lugares nativos e de suas subjetividades. A alternância da narrativa de Josefa, suscitada a uma investigação de sua própria ancestralidade, e das crianças indígenas Iñe-e e Juri, raptadas por uma missão científica de naturalistas alemães, compõe um retrato sensível das violências coloniais a partir de uma prosa poética.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O compromisso de Verunschk em se ater a uma transcriação da perspectiva indígena a partir de citações de diversas origens e procedências, como um documentário sobre a construção de Belo Monte, excertos de diários e de artigos de periódicos alemães e franceses do século XIX. Para a autora, o acesso e a capacidade de constituir uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/alea/a/bLNjPK47XLGx47nX7NBXWgj/"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica da História</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma perspectiva única e intrincada que relaciona a visão do colonizador e as variadas cosmogonias dessas crianças como tentativa de acessar o mundo interno de suas personagens. </span></p>
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31369" aria-describedby="caption-attachment-31369" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1-540x800.jpg" alt="Capa do livro Mulheres, Raça e Classe. A capa mostra, ao fundo, a silhueta do rosto de Angela Davis em vermelho e preto. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 30 anos. À frente, lê-se “ANGELA” na parte superior central, ocupando boa parte da extensão da capa, em uma letra branca estilizada como se fosse escrita com giz, em caixa alta. Abaixo, ao centro da imagem, ocupando boa parte da extensão da capa, lê-se “DAVIS” na mesma fonte. Na parte inferior, lê-se “MULHERES, RAÇA E CLASSE” na mesma fonte, em caixa alta. Na parte inferior à direita, há o logotipo da editora Boitempo." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1-540x800.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1.jpg 675w" sizes="(max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-31369" class="wp-caption-text">O prefácio de Djamila Ribeiro introduz a figura de Angela Davis, nos lembrando da trajetória e da importância da pensadora (Foto: Editora Boitempo)</figcaption></figure>
<p><b>Angela Davis &#8211; Mulheres, Raça e Classe (248 páginas, Boitempo Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores militantes vivas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r0qCNFmIn2Q"><span style="font-weight: 400;">Angela Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> virou sinônimo de ativismo. Não por menos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres, Raça e Classe</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma de suas obras mais famosas, é considerada não só uma chave de entrada para a literatura da autora, mas também um livro de formação social e política. Misturando referenciais teóricos e aplicação prática, Davis parte do período da escravidão estadunidense para, ao longo de 12 capítulos, propor </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/05/djamila-ribeiro-sobre-racismo-no-brasil-todo-mundo-sabe-que-existe-mas-ninguem-acha-que-e-racista.htm"><span style="font-weight: 400;">reflexões raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, de gênero e de classe e suas influências nas dinâmicas na estruturação social ao longo da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1981, a obra chegou ao Brasil 35 anos depois. Apesar dos esforços brasileiros de nacionalizar a literatura de uma das grandes pensadoras da contemporaneidade mais cedo, a edição da Editora Boitempo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres, Raça e Classe </span></i><span style="font-weight: 400;">não chegou em 2016 datada. Mesmo tratando de um recorte histórico que vai de quase dois séculos atrás, passando pela industrialização e ascensão do capitalismo até chegar às dinâmicas sociais da década de 1980, as reflexões de Angela Davis são fundamentais para entender a essência da sociedade a partir de sua formação e aplicá-la em </span><a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/raca-e-genero-na-sociedade-brasileira-por-djamila-ribeiro-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">diferentes contextos e nações</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31370" aria-describedby="caption-attachment-31370" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-557x800.jpg" alt="" width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-1200x1724.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1.jpg 1250w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-31370" class="wp-caption-text">Com tradução de Yu Pin Feng, a edição brasileira é bilíngue, apresentando também o texto original em chinês (Foto: Editora da Unicamp)</figcaption></figure>
<p><b>Lu Xun &#8211; Flores Matinais Colhidas ao Entardecer (240 páginas, Editora da Unicamp) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro escritor do <a href="https://www.ibrachina.com.br/livro-do-pai-do-modernismo-chines-e-lancado-no-brasil-em-edicao-bilingue/">modernismo chinês</a>, Lu Xun – considerado pai do gênero oriental – é a figura perfeita para inaugurar a parceria Brasil-China idealizada pelo Instituto Confúcio da Unicamp. </span><i><span style="font-weight: 400;">Flores Matinais Colhidas ao Entardecer </span></i><span style="font-weight: 400;">é um conjunto de 10 contos em formato de prosa que narram a infância e adolescência do autor em meio a um período de mudanças no culturalmente rico território chinês.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O autor, que viveu de 1881 a 1936, passou pelo processo de transição do último império chinês, a <a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2019/10/conheca-historia-da-dinastia-qing-ultima-da-china-imperial.html">dinastia Qing</a>, e o início da República somados com uma tímida aproximação ao ocidente. Dessa forma, através do resgate de suas memórias, ele faz um balanço muito sincero e pessoal do embate entre tradição e modernidade. Lu Xun conscientemente faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Flores Matinais Colhidas ao Entardecer</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua própria metonímia, em que de forma muito singela e melancólica, explica o todo de uma nação em um período singular de sua história, através de parte de sua vivência </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31371" aria-describedby="caption-attachment-31371" style="width: 433px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ponto-omega.jpg" alt="Capa do livro Ponto Ômega. A capa do livro é composta por uma fotografia retangular que mostra uma paisagem sendo vista através de uma janela de ferro, a paisagem é composta por um campo gramado com montanhas ao fundo e o céu azul." width="433" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31371" class="wp-caption-text">Don Delillo possui uma obra extensa, em atividade desde a década de 1970, e sempre refletiu as ansiedades de seu tempo; aqui, o faz através dos diálogos, os personagens refletem sobre os traumas e as marcas deixados pela guerra. (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Don DeLillo &#8211; Ponto Ômega (104 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ponto Ômega</span></i><span style="font-weight: 400;"> de <a href="https://personaunesp.com.br/ruido-branco-critica/">Don DeLillo</a> propõe em seu prólogo e epílogo uma narrativa sensorial, na qual os personagens se encontram em uma exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Alfred Hitchcock, que estende a duração do filme em 24 horas completas. Ou seja, cada plano é prolongado por muito mais tempo do que normalmente dura, o que permite, a partir das imagens, uma gama de reflexões sobre o valor das expressões artísticas e sobre a consciência humana. Esse prólogo serve não como uma introdução narrativa, mas como uma introdução temática e estética ao livro, e nos mostra o que e como será abordado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos quatro capítulos, acompanhamos Jin Finley, um jovem cineasta que busca um intelectual de uma idade mais avançada para ser seu personagem em um <a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/">documentário</a> sobre a guerra no Iraque. O filme que ele deseja produzir é desprovido de qualquer aparato estético, a fim de focar nas experiências do homem que as vivenciou. A trama se constrói nas conversas entre os duas figuras e a filha do veterano de guerra, que, situados nesse ambiente desértico e isolado, enxergam um pouco de si nos outros à sua volta e encontram o ponto ômega. </span><b>&#8211; Francisco Tigre</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31372" aria-describedby="caption-attachment-31372" style="width: 347px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capitaes-da-areia-1.jpg" alt="Capa do livro Capitães da Areia. Em todo o fundo há pinceladas horizontais intercaladas de azul e amarelo. Em azul e em letras maiúsculas está o nome do autor. Abaixo o título da obra na mesma cor. Também em azul há três ilustrações de jogadores de capoeira e logo abaixo o logo da editora, na mesma cor" width="347" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-31372" class="wp-caption-text">Esquecidos pelo sistema, os capitães da areia são obrigados a fazer de tudo para sobreviver (Foto: Companhia de Bolso)</figcaption></figure>
<p><b>Jorge Amado &#8211; Capitães da Areia (246 páginas, Companhia de Bolso)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado pela primeira vez em 1937, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Capit%C3%A3es-areia-Jorge-Amado/dp/8535911693"><i><span style="font-weight: 400;">Capitães da Areia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a história de um grupo de crianças em situação de vulnerabilidade social na cidade de Salvador. A comunidade é liderada por Pedro Bala, o menino mais velho é a única figura próxima de paterna que os menores têm e ele se vê na obrigação de fazer de tudo para protegê-los e ajudá-los a sobreviver. Infelizmente, a única alternativa que encontrou para fazer isso foi guiá-los em pequenos e grandes furtos ao redor da cidade baiana. O livro mostra perfeitamente os altos e baixos de pessoas perdidas que no fundo só querem ser crianças comuns.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra faz o leitor lidar de maneira dura com a história fictícia que é a verdade de muitas crianças do país. A sociedade e o governo não se importam em dar ao grupo uma chance, fazendo com que sejam submetidos a situações traumáticas e comportamentos problemáticos sem ninguém para ampará-los. A leitura desse clássico é extremamente importante por debater questões de estupro, pedofilia e uso de drogas, assim evitando que ocorram no futuro. Apesar de ter sido lançado há décadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Areia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda abre portas para discussões atemporais sobre a necessidade de proteger os <a href="https://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/">menores à deriva</a>.  </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31373" aria-describedby="caption-attachment-31373" style="width: 524px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-524x800.png" alt="Capa do livro O Mar Sem Estrelas. O fundo é inteiramente pintado em um preto fosco. A parte superior da capa possui a gravura de três chaves douradas, com alguns detalhes e símbolos singulares, uma detém o desenho de um livro estampado, outra de uma abelha e a última dispõe um formato de coração. Algumas fitas em tons de cinza claro e escuro e linhas brancas pontilhadas, contornam as três chaves. Ao meio do livro está o título da obra em branco, ao lado do nome, estão ilustradas mais duas chaves douradas, uma com um símbolo de estrela e a figura da outra chave foi cortada pelo fim da capa. Na parte inferior do livro, está grafado o nome da autora em branco e também o logo da editora da obra em laranja. Além disso, outras fitas acinzentadas percorrem ao redor das escrituras." width="524" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-524x800.png 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-670x1024.png 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-768x1174.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 524px) 85vw, 524px" /><figcaption id="caption-attachment-31373" class="wp-caption-text">“É um santuário para contadores de histórias e guardiões de histórias e amantes de histórias. Eles comem e dormem e sonham cercados por crônicas e memórias e mitos” (Foto: Morro Branco)</figcaption></figure>
<p><b>Erin Morgenstern &#8211; O Mar Sem Estrelas (544 páginas, Morro Branco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.amazon.com.br/mar-sem-estrelas-Erin-Morgenstern/dp/6586015227"><i><span style="font-weight: 400;">O Mar Sem Estrelas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Zachary Ezra Rawlings sobe as escadarias revestidas por neve da universidade, até reencontrar a comodidade das prateleiras de livros da biblioteca. Antes das aulas do ano letivo começarem, Zachary permanecia no campus essencialmente para ler, encontrar novas histórias e as deixarem tomar conta de seu pensamento no decorrer dos dias gélidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rotina literária de Zachary muda drasticamente, após o jovem encontrar um episódio de sua infância, na qual manteve em segredo por anos, narrado nas escrituras de um livro desmemoriado na biblioteca da universidade. Contaminado pela incompreensão e pelo desejo de saber mais, o protagonista percorre um caminho desconexo para desvendar como o seu passado pode estar ligado com os contos descritos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Doces Dores</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com o <a href="https://www.momentumsaga.com/2021/06/resenha-o-mar-sem-estrelas-de-erin-morgenstern.html">universo utópico</a> de seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama do livro é uma incógnita, um mistério que merece ser acompanhado com atenção. A riqueza de elementos e de complexidade trazidos por Erin Morgenstern, é superior ao de determinados livros no <a href="https://quindim.com.br/blog/literatura-fantastica/">gênero da fantasia</a>. Compondo livros dentro de livros, narrativas sobre acólitos guardiões de histórias e amores atemporais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mar Sem Estrelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma dedicatória escrita com graciosidade para a literatura. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31378" aria-describedby="caption-attachment-31378" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31378" class="wp-caption-text">O primeiro volume da coleção de livros foi adaptado às telas em uma série pela Amazon Prime Video (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginie Despentes &#8211; A Vida de Vernon Subutex &#8211; Volume I (336 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São em ruas cinzentas de uma cidade mutilada de suas tradições, afligida pelo novo porém sempre presente espectro do capitalismo globalizado, que Vernon Subutex, o protagonista da série de romances </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932492/a-vida-de-vernon-subutex-volume-1"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida de Vernon Subutex</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">vagueia à procura de um lugar para fumar cigarros, beber compulsivamente, dormir sem precisar gastar em quartos de hotel e não largar a memória do que um dia já foi. A cidade é Paris e Subutex é um desempregado com muitos contatos – oriundos de quando era dono de uma famosa loja de discos de vinil –, que transparecem na prosa caleidoscópica, </span><i><span style="font-weight: 400;">rockeira</span></i><span style="font-weight: 400;"> e frenética da pensadora Virginie Despentes. O trabalho teórico da escritora – sempre </span><a href="https://impressoesdemaria.com.br/2021/10/o-feminismo-punk-de-virginie-despentes-em-teoria-king-kong/"><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reaça e político – não deixa de estar presente em seus personagens: em sua maioria, quase todos desprezíveis. Por eles, Despentes desenvolve uma crítica generalizada à </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/ilusoes-perdidas"><span style="font-weight: 400;">sociedade francesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, assombrada pelo desemprego estrutural e pelo envelhecimento de uma geração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora, cuja prosa – desde o arrebatador e autoficcional </span><a href="https://n-1edicoes.myportfolio.com/teoria-king-kong"><i><span style="font-weight: 400;">Teoria King-Kong</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">é tomada de agressividade, humor e crueza, que aqui se dilacera em inúmeras personagens em suas mais absurdas diferenças. De ex-atrizes pornô, </span><i><span style="font-weight: 400;">groupies </span></i><span style="font-weight: 400;">recuperadas de obsessões e homens transgênero garotos propaganda de lojas de cigarros eletrônicos a pais de família recuperados da cocaína, </span><i><span style="font-weight: 400;">rockstars </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma geração e</span><i><span style="font-weight: 400;"> hackers </span></i><span style="font-weight: 400;">lésbicas; todos unem-se em saudosa rebeldia ou em uma deliciosa antipatia a suas próprias vidas. Acompanhando a trajetória de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2018/may/02/vernon-subutex-1-by-virginie-despentes-review"><span style="font-weight: 400;">Subutex</span></a><span style="font-weight: 400;"> por diferentes lentes, os capítulos parecem estar contaminados pela quantidade de drogas utilizadas pelos artistas presentes nas músicas citadas na narrativa e pelo seu protagonista, que parece ser um arquétipo complexo, à Despentes, do que toda a geração da música </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">resumiu: um paradoxo entre a liberdade total e um iminente moralismo que apenas o envelhecimento é capaz de proporcionar. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31374" aria-describedby="caption-attachment-31374" style="width: 586px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1-586x800.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do livro Crush. Fotografia em preto e branco que enquadra a parte inferior do rosto de um homem - do nariz para baixo - com a boca semi aberta contra as costas da sua mão. No canto superior esquerdo, o nome da editora; à direita - abaixo da boca na imagem - o nome do autor e os créditos do prefácio para Louise Glück; na parte inferior da imagem, o título do livro." width="586" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1-586x800.jpg 586w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1.jpg 733w" sizes="auto, (max-width: 586px) 85vw, 586px" /><figcaption id="caption-attachment-31374" class="wp-caption-text">Crush é a obra de estreia de Richard Siken, o que não o impede de compartilhar as suas vulnerabilidades mais cruas com o leitor (Foto: Yale University Press)</figcaption></figure>
<p><b>Richard Siken &#8211; Crush (62 páginas, Yale University Press)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Crush-Louise-Glueck/dp/0300107897"><i><span style="font-weight: 400;">Crush</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, selecionado como o vencedor do prêmio Yale Series of Younger Poets de 2004, é uma coleção de poesias do poeta americano Richard Siken. Nele, Siken explora emoções humanas complexas e conflitantes, principalmente em torno da obsessão, pânico e culpa que acompanham o amor em um mundo em que a sua sexualidade representa perigo. Sua poesia advém muito de suas experiências pessoais enquanto homem gay. O livro comenta, de modo poderoso e confessional,  a dualidade desse amor que é uma sina e uma salvação ao mesmo tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O autor desenvolve um estilo distinto conforme escreve sobre situações cotidianas para articular em seu texto sentimentos abstratos. O autor domina a construção de cenas que o leitor pode visualizar enquanto lê, tornando a leitura uma experiência imersiva. Ele sabe traduzir com sinceridade as ansiedades da natureza humana, de modo que conforta quem lê. Os sentimentos são familiares, mesmo que as cenas não sejam. Ao expressar seus desejos e impulsos mais íntimos, <a href="https://tinhouse.com/the-doubling-of-self-an-interview-with-richard-siken/">Siken</a> faz o leitor se sentir tão exposto quanto ele. É esse elemento que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Crush</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão brutal e gentil, simultaneamente.</span><b> &#8211; Giovanna Freisinger </b></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>David Grossman gargalha até doer a barriga em A Vida Brinca Muito Comigo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 17:56:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Sabe aquela pessoa que, quando está calma, os trovões de tempestade podem ser ouvidos ao longe? Que tem o prazer de encher os teus pulmões, mas também sufocá-los? Ela é a perfeita personificação da vida em seu estado mais bruto. Alguns a conhecem precocemente, outros, no tempo certo, e há ainda aqueles que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-vida-brinca-muito-comigo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "David Grossman gargalha até doer a barriga em A Vida Brinca Muito Comigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29483" aria-describedby="caption-attachment-29483" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29483 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29483" class="wp-caption-text">O Persona também pode esboçar um riso frente ao pranto da vida graças a parceria com a editora Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe aquela pessoa que, quando está calma, os trovões de tempestade podem ser ouvidos ao longe? Que tem o prazer de encher os teus pulmões, mas também sufocá-los? Ela é a perfeita personificação da vida em seu estado mais bruto. Alguns a conhecem precocemente, outros, no tempo certo, e há ainda aqueles que preferem ignorar a sua face áspera e se resumem a dizer “</span><i><span style="font-weight: 400;">ah, ela é brincalhona assim mesmo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na trama de </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/david-grossman-mede-o-poder-das-escolhas-em-a-vida-brinca-muito-comigo/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W6wDqqJ3Xpk"><span style="font-weight: 400;">David Grossman</span></a><span style="font-weight: 400;">, três gerações de mulheres procuram digerir as consequências do encontro fúnebre com a origem de tudo.</span></p>
<p><span id="more-29477"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada no Brasil em Maio de 2022, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/"><b>Persona</b></a><span style="font-weight: 400;"> teve a oportunidade de ler a obra através da parceria com a editora </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212118/a-vida-brinca-muito-comigo"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nela, Grossman faz jus ao título e escreve como se estivesse passando pela situação junto de suas personagens; por isso, provoca no leitor uma dor de barriga inconfundível, que somente pode ser causada após uma gargalhada longa, volumosa e motivada pela angústia. Afinal, a narrativa ambientada entre o passado de destruição deixado pelo ditador da antiga Iugoslávia, J</span><span style="font-weight: 400;">osip Broz Tito, e o presente ainda assombrado pelos fantasmas da época, denota que </span><span style="font-weight: 400;">faltam motivos para mostrar os dentes.</span></p>
<figure id="attachment_29478" aria-describedby="caption-attachment-29478" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29478 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1.jpeg" alt="Fotografia em preto e branco de Eva Panić-Nahir, Radosav ‘Rade’ Panić e a filha, Tiana. Na imagem, o casal aparece sorridente com a criança no colo de Eva. A câmera captura os dois da cintura para cima e ambos vestem uma camiseta social de botões e manga curta. Ao fundo, o cenário é um chão de terra e árvores." width="768" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-29478" class="wp-caption-text">Eva Panić-Nahir foi símbolo da violência e repressão imposta pelo governo Tito (Foto: Acervo Creative Commons)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Avó, mãe e filha compõem o núcleo principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja partida e equilíbrio é Vera, mesmo com o ponto de vista recaindo em grande parte nos olhos da neta </span><span style="font-weight: 400;">Guili</span><span style="font-weight: 400;">. A construção da progenitora no livro reflete a realidade vivida por </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/aug/27/more-than-i-love-my-life-by-david-grossman-review-a-true-tale-of-survival"><span style="font-weight: 400;">Eva Panić-Nahir</span></a><span style="font-weight: 400;">, com quem David Grossman nutriu uma amizade de duas décadas. Após sua morte, o autor resolveu contar sua história com a ajuda de lápis, papel e um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MLRkxbMKW9c"><span style="font-weight: 400;">teor de ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Judia, Eva se casou com o soldado sérvio Milo</span><span style="font-weight: 400;">š</span><span style="font-weight: 400;"> e, da união, nasceu Nina. No entanto, os ventos da Segunda Guerra Mundial não demoraram para chegar e desolar o futuro que viam pela frente. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">De repente uma ideia torta e pungente: ela é uma lápide. Um monumento a Nina. Puseram-na lá por causa de Nina. Porque Nina foi jogada na rua. E assim todo passageiro dos navios de luxo verá e saberá qual é o castigo para uma pessoa como ela, como Vera, para uma mulher que amou demais.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um paralelo com</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Escolha de Sofia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1979), de William Styron, Vera decidiu não delatar o marido falecido para a UDBA (Departamento de Segurança do Estado) e, assim, deixou Nina para trás ao encarar o campo de prisioneiros da ilha Goli Otok. O escritor nascido em Jerusalém é esperto e delimita o fato como o </span><a href="https://www.haaretz.com/2003-07-10/ty-article/evas-choice/0000017f-e2aa-d568-ad7f-f3ebf1730000"><span style="font-weight: 400;">estopim</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a falta de maturidade da filha e da neta, ambas estagnadas em um século passado pelos efeitos de tal evento. Se Eva Panić-Nahir cometeu um erro, esse foi </span><a href="https://www.lacittavegetale.org/2020/02/24/una-piantina-mi-aiuto-a-sopravvivere-la-vita-di-eva-panic-nahir-narrata-da-david-grosmann/"><span style="font-weight: 400;">amar em excesso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na mesma balança, a personagem inspirada pela sua história é uma das mulheres mais apaixonadas já desenvolvidas na Arte.</span></p>
<figure id="attachment_29480" aria-describedby="caption-attachment-29480" style="width: 936px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29480 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2.jpeg" alt="Fotografia do autor David Grossman. Ele é um homem branco de cabelos claros e olhos escuros. A câmera o captura a partir do torso. Grossman veste um terno preto sobre uma camiseta social de botões azulada e usa um óculos de grau de armação em tons escuros. Ao fundo, o cenário é uma enorme parede azulada." width="936" height="623" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2.jpeg 936w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2-768x511.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29480" class="wp-caption-text">O escritor possui, ao todo, 12 obras publicadas pelo Grupo Companhia das Letras no Brasil (Foto: Gonzalo Fuentes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase engasgado com a sua própria linguagem, David Grossman carrega o peso do seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bAovlHEdxUg"><span style="font-weight: 400;">estilo pacifista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tira sarro da circunstância ríspida da união entre as suas personagens e a vida. Para isso, ele felizmente conta com </span><span style="font-weight: 400;">Guili, que atravessa a mãe e a avó em busca de curar os </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/david-grossman-explora-a-narrativa-do-trauma-em-a-vida-brinca-muito-comigo/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> das gerações: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Perdão por de repente adotar aqui a terceira pessoa, mas a primeira dói demais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Elegantemente, ele </span><span style="font-weight: 400;">mistura a técnica do Cinema com a da Literatura e</span><span style="font-weight: 400;"> basicamente registra a elaboração de um documentário que, no imaginário do livro, não sai do papel</span><span style="font-weight: 400;">, cujo sentido de todo o seu esforço permaneceu intacto com a tradução de Paulo Geiger. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Eu trato de ficar diante dela numa postura de corpo impaciente. Esta mulher vai me deixar adolescente para sempre, ou pelo menos uma menininha de três anos, por toda a vida.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens de Grossman parecem ter vida própria. Nina, agindo pelo reflexo de ter sido abandonada por Vera, repete o ato que a consumiu de aflição com </span><span style="font-weight: 400;">Guili, ao sumir de sua vida ao lado do </span><span style="font-weight: 400;">grande amor de infância, Rafi. Em contrapartida, ele, diretor cinematográfico sem sucesso, transmitiu para a filha o amor pela área e pelo papel de continuísta. O </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/um-livro-por-semana/a-vida-brinca-muito-comigo-conta-uma-assombrosa-historia-real-baseada-em-silencios-e-cicatrizes/"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> desliza um pouco quando posiciona os dois no controle da direção no ápice de <em>Life Plays With Me</em>, enquanto a trama surpreendentemente revela a gradual perda de memória de Nina e o desejo de gravar a descoberta da sua verdadeira </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NnPeW0dzSM"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Terra. </span></p>
<figure id="attachment_29479" aria-describedby="caption-attachment-29479" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29479 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpg" alt="Fotografia da ilha Goli Otok, localizada na Croácia e que serviu de prisão aos opositores do governo Tito durante a expansão da Iugoslávia. Na imagem, a ilha apresenta as suas rochas brancas e a falta do verde da natureza nos cumes de suas montanhas. O cenário é rodeado pela imensidão do mar e do céu azul." width="1140" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-800x404.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1024x517.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-768x388.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29479" class="wp-caption-text">A ilha Goli Otok, usada como prisão política para os opositores ao regime iugoslavo, está atualmente desativada (Foto: Pierre Kosmidis)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Imponente e trágica em meio ao mar azul, a ilha </span><a href="https://www.natgeo.pt/historia/veja-as-arrepiantes-ruinas-de-uma-prisao-que-ja-foi-conhecida-como-o-inferno-na-terra"><span style="font-weight: 400;">Goli Otok</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde Vera passou anos presa, é descrita com uma sensibilidade excepcional. Desde os galpões com centenas de mulheres, passando pelas rochas afiadas até o cume da montanha onde ela permaneceu sob o sol para proteger a planta de uma oficial da Iugoslávia de Tito, o cenário pode ser visto com nitidez pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ntJ27VgwTDI"><span style="font-weight: 400;">leitor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os incontáveis dias de trabalho forçado milagrosamente se confundem com a figura resiliente da avó no presente da obra, afinal, “‘</span><i><span style="font-weight: 400;">de modo geral’, Vera diz baixinho, consigo mesma, ‘a vida brinca muito comigo.’</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">David Grossman traz o relato singular de três mulheres fadadas a se chocarem com a face áspera da vida. Quando se despede de toda a sua </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/entrevistas/literatura-israelense/narrar-para-curar-feridas"><span style="font-weight: 400;">pompa artística</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver o momento com suas personagens, ele leva o leitor pela mão para uma jornada com um fundo de realidade que dialoga com a humanidade desde o início dos tempos: a vida é imprevisível. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nq7CzmzeGQU&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixa outra alternativa a não ser a de gargalhar até doer a barriga das circunstâncias impostas pelo simples ato de respirar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de grandes reviravoltas, pois a sua natureza brutal foi o suficiente para se fazer rir de felicidade e de dor.</span></p>
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		<title>No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 15:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori &#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221; Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28137" aria-describedby="caption-attachment-28137" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png" class="size-full wp-image-28137" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28137" class="wp-caption-text">O livro Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, leitura do Clube do Livro do Persona em Maio, publicado pela editora Companhia das Letras, não é sobre garotas de programa, mas sim sobre relações interpessoais e suas tensões (Foto: Companhia das Letras/ Arte: Bruno Alvarenga)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p>&#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221;</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. Uísque caubói, também raivoso, em um copo plástico. Escuta um homem, que nem conhece direito, narrar seus encontros com putas. Mulheres sem nomes</span><span style="font-weight: 400">, pois são tantas que, no fim, se juntam até se tornarem um único ser com várias cabeças e braços. Rasura. Na verdade, são as estórias que se juntam incessantemente até formarem, gota a gota, gigantes estruturas, como aquelas pedras, em cavernas. Gota a gota. Rígidas. Estalagmites. Que prendem, nos espaços vazios e ocos, o que realmente se quer dizer. E não foi dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">E é isso – o que não foi dito –&nbsp; que mais pulsa na escrita visceral de Elvira Vigna no brutal </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535927399/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</a></i></span><span style="font-weight: 400"> (2016), um de seus últimos livros publicados </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/muito-a-dizer/">em vida</a></span><span style="font-weight: 400">. Em uma crueza avassaladora, que partilha de um humor </span><span style="font-weight: 400"><i>blasé</i></span><span style="font-weight: 400"> e de uma catártica raiva feminina, a</span><span style="font-weight: 400"> autora não traz suas discussões necessariamente na superfície de seu enredo e no desenrolar de suas personagens, mas sim em uma psicologia que está atrás dos eventos narrativos – localizada no que realmente move os acontecimentos – </span><span style="font-weight: 400">criando uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1853553-elvira-vigna-rasga-ferocidade-em-romance.shtml">dualidade</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca do que se diz mas, não necessariamente, é o que </span><span style="font-weight: 400"><i>quer</i></span><span style="font-weight: 400"> ser dito. Nessa narrativa, a única verdade está naquilo que é engolido pela língua e reside no escuro. Na ausência. No negativo.</span></p>
<p><span id="more-28106"></span></p>
<figure id="attachment_28107" aria-describedby="caption-attachment-28107" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg" class="size-full wp-image-28107" alt="foto em preto e branco. A escritora Elvira Vigna, vestindo uma jaqueta escura, um colete preto e uma camisa branca, posa quase que em perfil, com a cabeça levemente levantada para o canto superior esquerdo. Seus cabelos, grisalhos, estão soltos" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28107" class="wp-caption-text">A incômoda e gutural escrita da autora se envereda em uma narrativa de embates entre as tensões da insurgência da emancipação feminina com a misoginia das tradições masculinas (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Tradutora, artista plástica, escritora e jornalista, Elvira Vigna prova-se, em um rápido olhar biográfico, uma transeunte entre as mais diversas maneiras de construção da expressão. </span><span style="font-weight: 400">Formada em Literatura pela Universidade de Nancy, na França, e mestre em Teoria da Significação pela</span><span style="font-weight: 400"> Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a carioca é vencedora, por sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://eraoutravez.blogfolha.uol.com.br/2018/12/15/livros-infantis-mostram-a-literatura-transgressora-de-elvira-vigna/">Literatura infantojuvenil</a></span><span style="font-weight: 400">, do Prêmio Jabuti e, por seus romances, do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.itaucultural.org.br/conheca-os-vencedores-do-oceanos-premio-de-literatura-em-lingua-portuguesa#:~:text=O%20primeiro%20colocado,artista%20Regina%20Silveira.">prêmio Oceanos</a></span><span style="font-weight: 400">. Em sua releitura dos contos de Franz Kafka, ilustrada por seus próprios desenhos e destinada ao público jovem, teve publicado postumamente </span><span style="font-weight: 400"><i>Kafkianas </i></span><span style="font-weight: 400">(2018)</span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400">que levou o prêmio da Biblioteca Nacional, em 2019.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">&#8220;Eu não penso em impactos. Eu faço uma linha.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Pagina/Um-Escritor-na-Biblioteca-Elvira-Vigna#:~:text=Prefiro%20romances.%20N%C3%A3o,fa%C3%A7o%20uma%20linha.">prosa de fôlego</a></span><span style="font-weight: 400">, a autora abandona o romance convencional com um fluxo de escrita que, nesse livro, beira o que seria uma epopeia com ecos </span><span style="font-weight: 400"><i>beckettianos</i></span><span style="font-weight: 400">, negando uma temporalidade única de eventos. Com uma estrutura </span><span style="font-weight: 400">anárquica, em que os parágrafos são desmembrados em uma leitura crua e cheia de contrastes, o leitor vai se deparar, no primeiro momento, com algo que parece mais um amontoado de mantras, com frases desprovidas de pleno sentido e que flutuam nos blocos do texto. T</span><span style="font-weight: 400">udo em seu universo literário deve se misturar para uma compreensão de suas longas significações, que exigem um papel ativo de montagem de quem as lê. Não se esmiúça a Literatura de Vigna, só é possível entendê-la por suas totalidades.</span></p>
<p><figure id="attachment_28108" aria-describedby="caption-attachment-28108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-1.jpg" class="wp-image-28108" alt="a escritora Elvira Vigna olha, em um retrato em preto e branco, à câmera. Com os cabelos soltos, um pouco acima da altura dos ombros, ela usa um vestido preto de gola aberta." width="800" height="1146"><figcaption id="caption-attachment-28108" class="wp-caption-text">Nas histórias de Elvira Vigna, como afirmado pela própria, ‘‘(&#8230;) tudo é real. Eu não invento uma vírgula’’ [Foto: Renato Parada]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">Nesse texto, essa é uma linha que tece inúmeros enfrentamentos que, em suas tramas, vão deixando espaços vazios, os quais justamente fazem a narradora construir essa estória. Nos ares do que se pensa ser o fim dos anos 80 e início da década de 90, ela, sem nome, é uma </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> desempregada que se encontra, em um prédio de uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="http://elvira.vigna.com.br/vigna-e-as-vaginas-alienigenas/#:~:text=Elvira%20Vigna%20(2011,neg%C3%B3cios%20da%20editora%3A">editora beirando a falência</a></span><span style="font-weight: 400">, com João, </span><span style="font-weight: 400">um ex-funcionário da Xerox </span><span style="font-weight: 400">responsável pela informatização dos sistemas da empresa. Nesses encontros, ele discorre, no que quase são confissões, atravessadas por diversas digressões, sobre seus encontros com prostitutas, enquanto, no silêncio, o qual sua ouvinte mais se fixa, lida com a separação de sua mulher, Lola. No entanto, o que move esse homem a contar essas histórias é um mistério.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez, em primeiro lugar, o reconhecimento, na aparência da narradora, de uma falta de feminilidade que seria cúmplice de sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/acida-e-sulfurica/">masculinidade exibicionista</a></span><span style="font-weight: 400"> e de seu orgulho em contornar o que, no sexo com prostitutas, seria uma simples relação de trabalho, algo </span><span style="font-weight: 400"><i>significativo. </i></span><span style="font-weight: 400">Mas, na monotonia desses falatórios, a narradora, entediada, dá largada a um jogo de preencher as lacunas dessas histórias com as mais mirabolantes teorias que, nunca realmente expostas para João, são uma maneira silenciosa, compartilhada apenas com o leitor, de contestação e de, essencialmente, tirar o sarro. Nessa ironia, tudo que ela pretende é desmobilizá-lo enquanto sujeito que controla a narrativa desses encontros e desses mundos.</span></p>
<figure id="attachment_28109" aria-describedby="caption-attachment-28109" style="width: 583px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg" class="size-full wp-image-28109" alt="um desenho em preto e branco, retratando uma pessoa, com uma toalha amarrada na cintura, olhando, pela janela, uma cidade, com seus prédios" width="583" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg 583w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4-557x800.jpg 557w" sizes="auto, (max-width: 583px) 85vw, 583px" /><figcaption id="caption-attachment-28109" class="wp-caption-text">A corporeidade, o estranho e o avesso atravessam a expressão de Vigna mesmo em seus desenhos, como nas ilustrações de Kafkianas (Foto: Elvira Vigna)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Lola, Mariana, Lurien. As outras personagens que a </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> posiciona em seu entendimento logo são tiradas de uma planicidade para serem preenchidas de humanidade. Desde a desorganização da figura submissa de Lola até quando presencia o desmontar íntimo e brutal de Mariana, sua colega de quarto e trabalhadora do sexo, ela acessa toda a subjetividade negada pelo homem que tanto escuta. No exercício dessa história, no ressoar de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-em-lingua-francesa/a-solidao-da-escrita">Marguerite Duras</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://elvira.vigna.com.br/suplemento-pernambuco-3/#:~:text=Seus%20personagens%20e,da%20mesma%20diretora).">Sofia Coppola</a></span><span style="font-weight: 400">, e </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.letras.mus.br/pj-harvey/17590/traducao.html">PJ Harvey</a></span><span style="font-weight: 400">, se desafia até mesmo a Literatura, na qual as prostitutas sempre ocuparam um imaginário exoticizado e atravessado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/?utm_source=ig_web_copy_link">olhares masculinos</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca de suas trajetórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Esse livro conta, na montagem de seu infindável palimpsesto, trajetórias de personagens sem rumo, distantes de suas casas, descendo e subindo </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.gazetasp.com.br/noticias/memoria-a-historia-da-augusta-uma-das-ruas-mais-famosas-de-sao-paulo/1091906/">ruas augustas</a></span><span style="font-weight: 400">. Homens cheios de si que, em suas idas aos bares e baladas, querem o escuro dos asfaltos e recebem as lufadas das luzes coloridas da cidade. Nas mãos em cinturas de mulheres que limitam seus movimentos, por segurança, encontram o poder de serem si mesmos, mesmo imaginando, naquele momento, serem outros.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Como se estivéssemos em palimpsesto de putas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/azQFN4LCqjM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Envoltos nos braços das trabalhadoras do sexo, João e seus amigos, mesmo que tentem esconder, estão desesperados. Nas trepadas, com seus </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://artebrasileiros.com.br/cultura/ira-de-vigna/">vergonhosos silêncios</a></span><span style="font-weight: 400">, falam muito mais do que nos relatos egocêntricos que tanto proclamam. No universo de </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</i></span><span style="font-weight: 400">, que também é o mesmo que existe fora das duzentas e poucas páginas do livro, figuras como João querem transgressões. Anseiam pela chance de, em uma noite, conseguir ocupar outro mundo que não seja a pacata vida cotidiana que eles mesmos impõem, em seus falatórios sobre a tradição, à moral e, claro, os bons costumes.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Toda essa caça pelo profano, pelo escuro, pela sarjeta, pelo seio que não é o de sua mãe e nem o de sua mulher, mas sim do corpo que carrega opressões de toda a História, é, no fim, uma busca pelo divino. Como dito em alto e bom tom, pela poeta </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/O-obsceno-sim-de-Hilda-Hilst">Hilda Hilst</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><i>‘‘a natureza do obsceno é a vontade de converter’’</i></span><span style="font-weight: 400">. Nas voltas dessas empreitadas, esses homens querem seus espaços de segurança e moralidade, numa nostalgia da santidade suscitada por seus encontros. Tanto que, no fim, </span><span style="font-weight: 400"><i>“há algo de Jesus Cristo em toda prostituta”</i></span><span style="font-weight: 400">, como colocado pela escritora e ativista travesti </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://buzzfeed.com.br/post/dando-o-truque-pra-falar-de-sexo">Amara Moira</a></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hilda Hilst TV Cultura" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/5yeFhO4G2OQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Para a narradora é claro: esses homens não conhecem </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://s2.glbimg.com/HpnOaX3Qn1I-_cX0IqAN2ofkHXQ=/0x0:2250x1497/1008x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/9/e/gMGZXtQPGlWONZsHQZXA/000-19e36c.jpg">Courbet</a></span><span style="font-weight: 400">. </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.pariscityvision.com/pt/paris/museus-de-paris/museu-de-orsay/origem-do-mundo">Não sabem as origens desses mundos</a></span><span style="font-weight: 400"> que tanto pensam dominar. Pois, em </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, </i></span><span style="font-weight: 400">quem monta o mundo é o afago de uma puta. É a manutenção do lar por uma esposa. É a escuta rebelde, cheia de atrito, de uma jovem em um escritório quase abandonado em um prédio na Rua Marquês de Olinda, no Botafogo. Tudo que o patriarcado assume como seus feitos só existe pois essas mulheres, que, nessa discursividade masculina, são todas as mesmas, estão submetidas a uma compulsória escuta. Mas, em um ponto dessa narrativa, construído em um gigante </span><span style="font-weight: 400"><i>crescendo,</i></span><span style="font-weight: 400"> um som surdo toma os ouvidos. E as mulheres gritam. É onde a história termina. Mas não acaba.</span></p>
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		<title>6 diretoras para apreciar no Dia do Cinema Brasileiro</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 23:00:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para marcar a data em um ano tão simbólico como 2022, o Persona se juntou à ACI Faac para homenagear as mulheres que fizeram, fazem e farão a História do Cinema brasileiro.  Em um Brasil que ainda vende suas salas de cinema para blockbusters estadunidenses e faz de tudo menos proteger seu próprio Cinema &#8211; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/6-diretoras-para-apreciar-no-dia-do-cinema-brasileiro-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "6 diretoras para apreciar no Dia do Cinema Brasileiro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Para marcar a data em um ano tão simbólico como 2022, o Persona se juntou à ACI Faac para homenagear as mulheres que fizeram, fazem e farão a História do Cinema brasileiro. </span></em></p>
<p><figure id="attachment_27948" aria-describedby="caption-attachment-27948" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27948" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/capa-wordpress-dia-do-cinema-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27948" class="wp-caption-text">Entre tantos nomes importantes para o cinema nacional, selecionamos diretoras que contemplam as diversidades do Brasil de ontem, hoje e amanhã [Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara (Persona) e Laís Yokota (ACI Faac)/Texto de Abertura: Letícia Ramalho (ACI Faac) e Vitória Lopes Gomez (Persona)]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil que ainda vende suas salas de cinema para </span><a href="https://www.exibidor.com.br/clipping/link.php?u=aHR0cHM6Ly9vZ2xvYm8uZ2xvYm8uY29tL2N1bHR1cmEvZmlsbWVzL25vdGljaWEvMjAyMi8wNS9kb3V0b3ItZXN0cmFuaG8tZXN0cmVpYS1lbS1xdWFzZS03MHBlcmNlbnQtZG9zLWNpbmVtYXMtYnJhc2lsZWlyb3MtZS1tZWRpZGEtcHJvdmlzb3JpYS1wZXJkZS1tZXRhZGUtZGFzLXNhbGFzLmdodG1s"><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidenses</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz de tudo </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/07/19/regular-o-streaming-nao-e-apenas-sobre-o-dinheiro.htm"><span style="font-weight: 400;">menos proteger</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu próprio Cinema &#8211; e seus </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/12/atraso-e-boicote-medida-provisoria-sofreu-ataques-antes-da-estreia.htm"><span style="font-weight: 400;">próprios cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, os artistas sempre impuseram resistência. A situação das mulheres na Sétima Arte ao redor do mundo, porém, não destoa tanto do que vemos hoje: a </span><a href="https://entretenimento.r7.com/prisma/keila-jimenez/cinema-nacional-exclui-mulheres-negras-diz-estudo-da-ancine-29082019"><span style="font-weight: 400;">invisibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda as condena ao esquecimento e ao segundo lugar de profissionais homens &#8211; que cá entre nós, também </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-05-16/kleber-mendonca-filho-os-estados-unidos-tiveram-sorte-com-trump-em-comparacao-a-bolsonaro.html"><span style="font-weight: 400;">não estão em um lugar muito melhor</span></a><span style="font-weight: 400;"> por aqui. Mas parando para pensar… de cabeça, quantas diretoras mulheres você consegue citar? No Dia do Cinema Brasileiro, tomamos esse momento para refletirmos: </span><a href="https://antigo.ancine.gov.br/pt-br/sala-imprensa/noticias/ancine-publica-informe-sobre-diversidade-de-g-nero-e-ra-no-cinema-em-2016"><span style="font-weight: 400;">quem são</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cineastas que construíram e continuam construindo a trajetória do Cinema no país?</span></p>
<p><span id="more-27912"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quase um século, Cléo de Verberena inaugura essa história, como a primeira </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2018/03/31/mulheres-cineastas-comentam-a-importancia-de-mais-mulheres-na-direcao"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem se tem conhecimento a dirigir um longa-metragem no Brasil, em 1931. Avançando quase meia década no tempo, Helena Solberg, nos anos 60, e Adélia Sampaio, nos 70, </span><a href="https://cbnmaringa.com.br/noticia/brasil-tem-nova-safra-de-cineastas"><span style="font-weight: 400;">continuaram abrindo portas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se tornaram &#8211; mesmo depois de tanto tempo em relação à primeira &#8211; pioneiras. Ambas marcaram o Cinema Novo em suas últimas gerações e foram uma das poucas (talvez </span><a href="https://agenciauva.net/2018/08/05/helena-solberg-releva-que-desconhecia-ser-a-unica-mulher-do-cinema-novo/"><span style="font-weight: 400;">únicas</span></a><span style="font-weight: 400;">) representantes mulheres do movimento brasileiro. Precursoras também, Ana Carolina e Suzana Amaral: com temáticas diferentes, ambas usaram o meio cinematográfico para discutir o </span><a href="https://www.aicinema.com.br/mulheres-no-audiovisual-uma-reflexao/"><span style="font-weight: 400;">lugar da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> na sociedade. Entre os longas mais famosos das duas, a primeira dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) e a segunda, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985), além de curtas-metragens e documentários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://medium.com/guiamariafirmina/5-filmes-de-diretoras-negras-brasileiras-para-conhecer-1f7318b38c1f"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das mulheres, porém, não se limitava à sua presença no Cinema. Diretoras como Tereza Trautman e Lúcia Murat levaram a luta &#8211; política em sua essência &#8211; à frente de suas claquetes, abordando temas sociais em tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/medusa-critica/"><span style="font-weight: 400;">contestatório</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lúcia, inclusive, continua na ativa: seu longa de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Que Bom Te Ver Viva</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989), misturava histórias de resistência às suas memórias da prisão na ditadura; seu último trabalho até agora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Praça Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), ainda discorre sobre a violência brasileira. Mais recentemente, </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-anita-rocha-da-silveira/"><span style="font-weight: 400;">cineastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Maria Augusta Ramos, com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Processo </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018), Anna Muylaert, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), e Petra Costa, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Democracia em Vertigem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), tomaram o jogo político para si, em documentários pertinentes ao Brasil atual.</span></p>
<figure id="attachment_27913" aria-describedby="caption-attachment-27913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena.jpg" alt="Fotografia da cineasta Helena Ignez. A imagem captura apenas o seu rosto e é e preto e branco. Ela está de frente, é uma mulher branca, de cabelos loiros ondulados e soltos, e tem uma franja fina sobre a testa. Helena usa uma maquiagem escura ao redor dos olhos e de seu lábio inferior escorre um líquido preto." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/helena-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27913" class="wp-caption-text">A atriz e cineasta Helena Ignez, que foi esposa de Rogério Sganzerla, comandou curtas-metragens autorais e foi uma importante força criativa nos filmes do diretor, apesar de nunca ter sido oficialmente creditada (Foto: Belair Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras, preferem retratar o seu ponto de diferentes formas. Viviane Ferreira (</span><i><span style="font-weight: 400;">O dia de Jerusa</span></i><span style="font-weight: 400;">), Laís Bodanzky (</span><i><span style="font-weight: 400;">Bicho de Sete Cabeças</span></i><span style="font-weight: 400;">) Juliana Rojas (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i><span style="font-weight: 400;">), Gabriela Amaral Almeida (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Animal Cordial</span></i><span style="font-weight: 400;">), Grace Passô (</span><i><span style="font-weight: 400;">República</span></i><span style="font-weight: 400;">), Eliane Caffé (</span><i><span style="font-weight: 400;">Era o Hotel Cambridge</span></i><span style="font-weight: 400;">), Larissa Fulana de Tal (</span><i><span style="font-weight: 400;">Cinzas</span></i><span style="font-weight: 400;">), Caru Alves de Souza (</span><i><span style="font-weight: 400;">De Menor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/maya-da-rin-um-pais-serio-teria-um-ministerio-so-para-politicas-indigenas/"><span style="font-weight: 400;">Maya Da-Rin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Febre</span></i><span style="font-weight: 400;">) são apenas alguns dos nomes que, na ativa, levam um subtexto crítico da realidade atual às suas produções. E o tom, infelizmente, não poderia ser menos acertado: a</span><span style="font-weight: 400;">tualmente, o Cinema nacional está em fase de recuperação depois do baque pandêmico e dos desmontes que o governo Bolsonaro permitiu aos projetos de incentivo à cultura, como novas regras de adesão ao financiamento pela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/06/02/o-que-e-a-lei-rouanet.htm"><span style="font-weight: 400;">Lei Rouanet</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2019/08/entenda-como-o-cinema-brasileiro-vem-sendo-financiado-ate-agora.shtml"><span style="font-weight: 400;">pesquisa da Agência Nacional do Cinema (Ancine)</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2019, 167 filmes brasileiros chegaram às telas de cinema, o que correspondeu a 37% das obras exibidas, e apenas 13,6% de todos os ingressos vendidos. Os longas-metragem de produção nacional mais assistidos naquele ano foram </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Mãe é Uma Peça 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada a Perder 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe &#8211; A Estrela do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">  e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Minha Vida em Marte</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo este último o único com direção feminina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, podemos observar que os filmes que chegam ao circuito de exibição popular, além de não serem preferência do público brasileiro, são em sua grande maioria </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">dirigidos por homens</span></a><span style="font-weight: 400;">. Portanto, neste Dia do Cinema Brasileiro, cabe lembrar e destacar as mulheres que estiveram e ainda estão na linha de frente na luta pela valorização do Cinema nacional, sobretudo aquelas que não receberam a devida valorização. Seja no terror, no drama, no pseudodocumentário ou na ficção, o Cinema brasileiro resiste e <a href="https://exame.com/casual/mulheres-na-direcao-elas-bateram-recorde-nos-sets-de-filmagem-em-2020/">as cineastas também</a>. Em 2022, o Persona e a ACI Faac se juntaram em uma parceria inédita para homenagear as cineastas que fazem parte da História do audiovisual brasileiro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_27914" aria-describedby="caption-attachment-27914" style="width: 351px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/cleo-de-verberena.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Cleo de Verberena. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros curtos e ondulados. Ela é fotografada da altura do peito para cima. Cleo usa um vestido de mangas longas e gola v estampado e também escuro. Seu pescoço e pulso estão cobertos de joias. Sua mão esquerda está apoiada no ombro direito. Ela está usando maquiagem escura ao redor dos olhos, batom também escuro e suas sobrancelhas são finas, arqueadas e marcadas." width="351" height="478" /><figcaption id="caption-attachment-27914" class="wp-caption-text">Dentre as influências da primeira diretora do Brasil, estão o ator, produtor e diretor Fred Niblo e a atriz vencedora do Oscar Greta Garbo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Cleo de Verberena </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, a primeira: Cleo de Verberena, nome artístico de Jacyra Martins da Silveira, foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4qXUipA0k4A"><span style="font-weight: 400;">a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> mulher a dirigir um filme no Brasil. O feito veio através do título </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bibJUB0GYo"><i><span style="font-weight: 400;">O Mystério do Dominó Preto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que em 1931 colocou o país junto do resto da América Latina em suas primeiras produções cinematográficas assinadas por diretoras, um movimento iniciado na década de 10 na Argentina e impulsionado pelas tendências modernistas e de desenvolvimento cultural, ideias todas muito bem recebidos pelo nosso continente a partir dos anos 20.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o sentido carregado do termo “</span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">” ainda é pouco para definir a visão de Cleo, que almejava explorar a direção audiovisual muito antes de estar diante de uma câmera pela primeira vez. Ainda adolescente, a cineasta nascida em 1909 na cidade de Amparo, no interior de São Paulo, deixou seu seio familiar para desbravar a capital, sempre inóspita aos novatos e especialmente hostil às jovens repletas de aspirações. Depois de ascender como atriz de teatro, ela vende tudo o que tem para realizar </span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/cleo-de-verberena/"><span style="font-weight: 400;">o seu grande sonho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fazer história no Cinema brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa em questão é totalmente centrado em Verberena e </span><a href="https://mulheresdeluta.com.br/cleo-de-verberna/"><span style="font-weight: 400;">seu talento</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora, roteirista, produtora e atriz, trazendo sua assinatura em todas as esferas de criação. Mesmo sendo o marco inicial de uma trajetória longeva findada com o seu falecimento em 1972, quando Cleo tinha 68 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mystério do Dominó Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único filme que ela dirigiu, pois a sua segunda produção (</span><i><span style="font-weight: 400;">Canção do Destino</span></i><span style="font-weight: 400;">, iniciada logo depois da primeira, ainda em 1931) não foi concluída. O seu projeto de vida, no entanto, foi continuado por todas as diretoras que vamos conhecer abaixo, seguindo vivo até hoje, pelo trabalho das mulheres que se inspiram pela ousadia de Verberena ao reivindicar o Cinema como </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2020/03/no-brasil-20-dos-filmes-sao-dirigidos-apenas-por-mulheres.html"><span style="font-weight: 400;">a sua Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27915" aria-describedby="caption-attachment-27915" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina.jpg" alt="Fotografia de Ana Carolina num set de gravação. A imagem mostra a cineasta sentada, atrás de uma câmera que manipula. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros ondulados e curtos, e olha para a direita, fora da imagem. Ana Carolina veste uma calça jeans azul e uma blusa azul, e apoia o rosto com a mão esquerda. Sua expressão é séria e pensativa. Ao fundo, existe um campo esverdeado e muitas pessoas ao seu redor." width="1200" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/ana-carolina-768x499.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27915" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes mais importantes não só para a história das mulheres no Cinema brasileiro como também para a história do Cinema documental no país, Ana Carolina foi a homenageada da 27ª edição do </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, o maior festival de Cinema de não-ficção do mundo </span></i>(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Carolina</b><span style="font-weight: 400;"> por </span><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é o trabalho de mulheres no Cinema brasileiro, o nome daquela cujo olhar sempre prestou atenção na </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">experiência feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> do nosso país é um dos mais sobressalentes. Ana Carolina Teixeira Soares precisou de apenas os seus dois primeiros nomes e o que havia essencialmente dentro de si para deixar sua marca na produção cinematográfica brasileira. É que sua linguagem audiovisual é ancorada pelo olhar crítico para a questão de gênero, perfeitamente visível em sua trilogia mais apreciada, composta por </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.85bbe54e-6730-4caa-a675-c26bf1242082?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.51cae7fd-146c-475f-b618-0f5eff6b78cb?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><a href="https://www.primevideo.com/dp/amzn1.dv.gti.2da45d6c-f98c-4dbb-9174-a15e5fc5b6c7?autoplay=1&amp;ref_=atv_cf_strg_wb"><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987), cujo fio narrativo é o acompanhar das vivências femininas ao longo das etapas da vida (infância, adolescência e maturidade, respectivamente).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para chegar em sua identidade ímpar, carregada de valor visual e riqueza intertextual, a paulistana nascida em 1945 começou trabalhando com nada mais nada menos do que a quintessência da Sétima Arte: </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/memoria-documentario/ana-carolina"><span style="font-weight: 400;">o gênero documental</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavra-dor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1967), ela se envolve com Cinema pela primeira vez, depois de passar pelas faculdades de Medicina e Ciências Sociais, como co-diretora e roteirista de Paulo Rufino. Então, em 1974 ela dirigiu seu primeiro longa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YOrCGHwToFY"><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aos 20 anos da morte do ex-presidente, para encerrar a primeira fase de sua carreira e mergulhar na ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá foi que a carreira de Ana Carolina deslanchou com apreço internacional: em 1978 ela participou do júri do Festival de Berlim, e depois estreou com seu filme de 1982 no Festival de Cannes. Com foco para a vida familiar e análises sociais da vida privada, ela recorre aos artifícios inteligentes do humor e da hipérbole e mergulha no psicológico de seus personagens, a fama de “</span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">a mais autoral cineasta brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">” é mais do que justa para a primeira mulher que reproduziu a vastidão da mulher brasileira numa tela de Cinema.</span></p>
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<figure id="attachment_27916" aria-describedby="caption-attachment-27916" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio.jpg" alt="Foto de Adélia Sampaio. Em frente a um fundo desfocado, vemos Adélia Sampaio do peito para cima. Ela é uma mulher negra, de cabelos grisalhos curtos e encaracolados, aparentando cerca de 70 anos. Ela usa óculos de grau marrom e quadrado, veste um paletó preto e um lenço vermelho no pescoço e tem seus braços levantados, com as mãos fazendo um gesto como se enquadrasse algo." width="1170" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/2-adelia-sampaio-768x425.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27916" class="wp-caption-text">Como forma de democratizar e difundir suas produções, Adélia Sampaio disponibilizou algumas de suas obras em seu canal do YouTube (Foto: Criadoras Negras RS)</figcaption></figure>
<p><b>Adélia Sampaio </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O cinema é elitista. Chega uma preta, filha de empregada doméstica e quer fazer filmes? Claro que foi difícil.</span></i><span style="font-weight: 400;">” “Difícil” sequer dá conta de definir o início da trajetória de </span><a href="https://catarinas.info/adelia-sampaio-e-o-pioneirismo-cinematografico-de-amor-maldito/"><span style="font-weight: 400;">Adélia Sampaio</span></a><span style="font-weight: 400;">: quando criança, a futura cineasta mudou de cidade e foi separada da mãe à força, junto da irmã. Aos 18 anos, sofreu um grave ataque e perdas às vésperas do golpe militar de 1964, e, mais velha, viu o marido ser injustamente acusado e tornar-se um preso político durante a ditadura. Quase 20 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">mudou seu caminho. Apesar dos empecilhos para ser lançado, como todo filme à frente do seu tempo, o primeiro e único longa-metragem de Adélia até então a </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/adelia-sampaio-a-primeira-mulher-negra-a-dirigir-um-longa-metragem-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">eternizou na história</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo do filme, de 1984, trata a relação romântica de duas mulheres. Quando uma delas comete suicídio, a outra é acusada e julgada como a principal suspeita da morte. Já nos anos 80, a diretora levou a discussão da homofobia às telas, em uma obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GwbENSgRzr8"><span style="font-weight: 400;">revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto por seu conteúdo quanto pelos responsáveis pela sua concepção. Como qualquer produção transgressora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">foi recusado pela Embrafilme, produtora estatal brasileira, até mesmo depois de convites para exibição em festivais de Cinema no exterior. Resistindo, o </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCVcvsoqRG6qC09VU-KV5rCw"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado através de um sistema de cooperação entre os profissionais envolvidos e, para receber atenção do público, teve que ceder à propaganda das Pornochanchadas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, por mais revolucionários e transgressores que tenham sido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BSlu-PRHPhs"><span style="font-weight: 400;">Adélia Sampaio</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Maldito</span></i><span style="font-weight: 400;">, só começou a ganhar o devido reconhecimento recentemente, após anos de </span><a href="https://mulhernocinema.com/para-ler/conheca-adelia-sampaio-diretora-negra-que-marcou-o-cinema-nacional/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, apagamento e invisibildade. A cineasta trabalhou em outras áreas do Cinema desde o lançamento do filme e dirigiu documentários e curtas-metragens, mas passou um tempo afastada e </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/primeira-negra-dirigir-um-longa-no-brasil-adelia-sampaio-volta-ao-cinema-22201730"><span style="font-weight: 400;">retornou</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Sétima Arte há pouco tempo. Em 2017, lançou seu </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/de-volta-a-direcao-adelia-sampaio-estreia-novo-filme-no-festival-de-curtas-de-sp/"><span style="font-weight: 400;">curta</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> O Mundo de Dentro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e foi redescoberta. Desde então, Adélia é homenageada em eventos e festivais pela sua carreira e obra, inclusive na Mostra Lugar de Mulher É no Cinema, é frequentemente convidada para falar sobre sua trajetória e sobre sua influência como cineasta negra, e, quase 40 anos depois, é finalmente reconhecida como uma referência do Cinema brasileiro.</span></p>
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<figure id="attachment_27917" aria-describedby="caption-attachment-27917" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tizuka-yamasaki.jpg" alt="Fotografia da diretora Tizuka Yamasaki em set de direção. Ela é uma mulher de ascendência japonesa, com cabelos lisos escuros que estão na altura o ombro. Ela veste uma regata preta e óculos laranja. Tizuka esta atrás de uma câmera, falando com alguém enquanto gesticula suas orientações. Ela está virada para o lado direito da imagem." width="640" height="419" /><figcaption id="caption-attachment-27917" class="wp-caption-text">Em 2000, Tizuka Yamasaki recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, uma homenagem do Governo para pessoas e instituições que se destacam em trabalhos prestados à cultura brasileira (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Tizuka Yamasaki </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha e neta de imigrantes japoneses, </span><a href="https://www.instagram.com/yamasakitizuka/"><span style="font-weight: 400;">Tizuka Yamasaki</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre sentiu um bloqueio cultural entre ela e o país em que nasceu. Foi apenas em 1980, quando escreveu e dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaijin &#8211; Os Caminhos da Liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a cineasta conseguiu exercitar sua Arte e se entender com sua identidade. O filme, premiado com o grande louro no Festival de Gramado e dono de uma menção honrosa em Cannes, trata das dificuldades de imigrantes japoneses em uma fazenda de café no início do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaijin</span></i><span style="font-weight: 400;">, Yamasaki cursava Arquitetura na Universidade de Brasília. Quando a faculdade fechou, ela decidiu estudar Cinema na UFF. O resultado foi um encontro com Nelson Pereira dos Santos, com quem trabalhou na função de continuísta e fotógrafa em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amuleto de Ogum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Quatro anos mais tarde, </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/mulheres-no-cinema-tizuka-yamasaki"><span style="font-weight: 400;">fundou a produtora CPC</span></a><span style="font-weight: 400;">, que bancou obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Bar Esperança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Hugo Carvana), </span><i><span style="font-weight: 400;">Rio Babilônia </span></i><span style="font-weight: 400;">(Neville De Almeida) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Idade da Terra</span></i><span style="font-weight: 400;"> (último filme de Glauber Rocha). Em 83, comandou </span><i><span style="font-weight: 400;">Parahyba Mulher Macho</span></i><span style="font-weight: 400;">, retratando a vida da poetisa feminista Anaíde Beneriz. No ano seguinte, uniu ficção e documentário na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Patriamada</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que se mescla à História por ter sido captado em meio aos protestos das Diretas Já. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 89 e 90, pulou para as telinhas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga do Japão</span></i><span style="font-weight: 400;">, novela precursora em borrar a linha entre a TV e o Cinema. E foi a partir da década de noventa que Yamasaki passou a comandar obras voltadas para o público infantil, com destaque para</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lua de Cristal</span></i><span style="font-weight: 400;">, estreia de Xuxa no meio cinematográfico. Seja estudando as relações dos imigrantes em um Brasil em ebulição, seja emprestando sua visão para a Rainha dos Baixinhos brilhar entre mágicas, a obra e a Arte de Tizuka Yamasaki, hoje no auge de seus 73 anos, permanecem relevantes e dignas de celebração, por mais que </span><a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2021/09/21/algo-transformador-cineasta-tizuka-yamasaki-fala-da-experiencia-de-filmar-obra-sobre-o-misticismo-da-amazonia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">seu currículo recente</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostre uma ou outra produção televisiva, longe do reconhecimento e da adoração que são suas por direito. </span></p>
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<figure id="attachment_27918" aria-describedby="caption-attachment-27918" style="width: 1632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27918" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano.jpg" alt=" Selfie tirada pela cineasta Larissa Ye&#96;padiho Duarte Tukano, mulher indígena do povo Tukano. Ela olha diretamente para câmera e sorri sem mostrar os dentes enquanto segura uma câmera fotográfica. Ela veste uma camiseta na cor cinza e está numa paisagem com o Rio Negro desfocado." width="1632" height="1224" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano.jpg 1632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/larissa-tukano-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27918" class="wp-caption-text">Em 2027, Larissa Ye`padiho Duarte Tukano, diretora indígena do Alto Rio Negro, participou do sexto festival de cinema indígena, Cine Kurumin, com seu primeiro curta-metragem, Wehsé Darasé &#8211; Trabalho da Roça (Foto: Larissa Ye`padiho Duarte Tukano)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Ye’padiho Duarte Tukano </b><span style="font-weight: 400;">por</span><b> Letícia Ramalho</b></p>
<p><a href="https://www.itaucultural.org.br/conheca-cineastas-indigenas"><span style="font-weight: 400;">Larissa Ye`padiho Duarte Tukano</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma mulher indígena do povo Tukano, da região do Alto do Rio Negro, perto de São Gabriel da Cachoeira, a cidade com maior concentração de indígenas do Brasil, localizada do Amazonas. Sendo seu pai uma liderança do povo Tukano, Larissa cresceu no meio das discussões e lutas para que a terra no Alto Rio Negro fosse área protegida demarcada, dessa forma, ela diz que amadureceu conhecendo os mundos e sendo ensinada a não desistir de sua cultura indígena para viver uma não-indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de suas obras, Larissa busca trazer </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4M20IeXz-fc"><span style="font-weight: 400;">reflexões</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito das mudanças culturais, esquecimentos e absorções que os jovens indígenas estão sofrendo em contato com as cidades. Filma em destaque as mulheres porque, de acordo com sua experiência, as mulheres indígenas sofrem as opressões e violências das relações machistas nas aldeias, porém dentro das casas, elas dominam e direcionam os homens com seus conhecimentos e sabedorias. A jovem se dedica a resgatar e valorizar a cultura de roça, a pintura e a arte Tukano, bem como a língua nativa de seu povo, que está presente na narração de seu primeiro trabalho audiovisual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta começou sua atuação na área por volta de 2015, depois de participar da Oficina de Audiovisual pera Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, promovida pela Foirn. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3iIkVrYMMH4"><i><span style="font-weight: 400;">Wehsé Darasé &#8211; Trabalho da Roça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi seu primeiro documentário. O curta-metragem, lançado em 2016, apresenta a vida cotidiana de sua família, em especial a relação das mulheres mais velhas com as mais novas em torno do trabalho na roça, que exige atravessar rios e a mata densa da floresta amazônica e uma jornada de trabalho intenso para colheita, descasque, ralação, entre outras etapas para o preparo da maneva, também conhecida como mandioca.</span><i><span style="font-weight: 400;"> &#8220;Quando eu filmei o trabalho da roça, eu não estava só filmando o espaço físico, entende? A maneva, a terra, a senhora. É toda cosmologia envolvida dentro desse filme&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, relatou a diretora para o Itaú Cultural.</span></p>
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<figure id="attachment_27919" aria-describedby="caption-attachment-27919" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine.jpg" alt="Fotografia da cineasta Julia Katharine recebendo o Prêmio Helena Ignez. A imagem a mostra à direita, na frente de uma projeção do prêmio. Julia é uma mulher branca, de cabelos lisos castanhos, e usa roupas pretas. Ela segura o prêmio com as mãos e sorri levemente para frente. " width="1000" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine-800x407.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/julia-katherine-768x391.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27919" class="wp-caption-text">Em 2018, Julia Katharine foi a primeira mulher trans a receber o prêmio Helena Ignez, entregue anualmente pela Mostra de Cinema de Tiradentes com o objetivo de destacar o trabalho das mulheres no Cinema brasileiro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Julia Katherine </b><span style="font-weight: 400;">por </span><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início da história das mulheres no Cinema brasileiro, quase 100 anos se passaram até que as nossas telas recebessem o primeiro filme assinado por uma </span><a href="https://mulhernocinema.com/videos/julia-katharine-escolhe-5-filmes-com-representatividade-trans/"><span style="font-weight: 400;">diretora trans</span></a><span style="font-weight: 400;">. O marco se deu com Julia Katharine e o curta </span><a href="https://deliriumnerd.com/2019/01/27/julia-katharine-entrevista-curta-tea-for-two-mostra-de-tiradentes/"><i><span style="font-weight: 400;">Tea For Two</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou no nosso circuito comercial em fevereiro de 2019 apresentando uma história semi-autobiográfica com foco para um relacionamento entre duas mulheres. Antes, ela protagonizou e roteirizou</span> <a href="http://mulhernocinema.com/videos/veja-julia-katharine-no-trailer-de-lembro-mais-dos-corvos/"><i><span style="font-weight: 400;">Lembro Mais dos Corvos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de seu amigo de longa data Gustavo Vinagre, o que inaugurou oficialmente sua carreira no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência só confirmou a aspiração que a cineasta sempre teve em seu coração. O primeiro envolvimento da paulistana </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/entrevistas_depoimentos/visualiza/223/Julia-Katharine"><span style="font-weight: 400;">autodidata</span></a><span style="font-weight: 400;"> nascida em 1977 com o Cinema foi uma figuração em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Crime Delicado</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006, de Beto Brant). Então, idas e vindas a levaram até para fora do Brasil antes de definitivamente realizar um filme seu, por incentivo do seu círculo de amizades e com o apoio de editais de incentivo à Cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse, aliás, é o aspecto que Julia mais destaca quando perguntada em entrevistas sobre temas relacionados à representatividade e a presença das mulheres trans na produção audiovisual brasileira. De frente com a produção do seu primeiro longa-metragem, ela </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/02/21/julia-katharine-primeira-cineasta-trans-brasileira-a-entrar-no-circuito-comercial"><span style="font-weight: 400;">não deixa ninguém desistir</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">É o momento de resistir, de seguir em frente e de buscar novas formas de fazer cinema. Criarmos redes de apoio, de acolhimento, para que a gente possa ajudar umas às outras a suportar (&#8230;)</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>As Mulheres do Grammy 2022</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Apr 2022 22:34:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Onde estamos depois de tantas mudanças para contemplar as mulheres no lugar de reconhecimento mais importante da Música mundial? Uma seleção de 12 nomes para entender o passado, o presente e o futuro das mulheres no Grammy Se a edição de 2022 da premiação mais importante da Música mundial apresenta um cenário interessante para as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-do-grammy-2022-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Mulheres do Grammy 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Onde estamos depois de tantas mudanças para contemplar as mulheres no lugar de reconhecimento mais importante da Música mundial? Uma seleção de 12 nomes para entender o passado, o presente e o futuro das mulheres no Grammy</span></i></p>
<figure id="attachment_27188" aria-describedby="caption-attachment-27188" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27188 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa-wordpress.jpg" alt="Arte retangular. O fundo é lilás. No lado esquerdo, existe uma foto de Nathy Peluso. Ela é uma jovem branca, de cabelos castanhos presos, e usa uma franjinha sobre a testa. Nathy veste uma blusinha branca de alças e uma jaqueta preta por cima. Do lado esquerdo dela, existe uma foto de Olivia Rodrigo. Ela é uma jovem de cabelos castanhos longos e usa um vestido lilás. Ao lado dela, existe uma foto de H.E.R.. Ela é uma jove negra, de cabelos longos ondulados e pretos, e usa um vestido cor de vinho e óculos transparentes roxos. Por fim, no lado direito da imagem, existe uma foto de Arooj Aftab. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos escuros curtos, e está usando uma jaqueta prateada. " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27188" class="wp-caption-text">O Persona preparou uma seleção de 12 artistas que se destacaram nas indicações do Grammy 2022, que se revela com uma temporada complexa para o avanço das mulheres na Música (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a edição de 2022 da premiação mais importante da Música mundial apresenta <a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-metade-dos-artistas-indicados-a-album-do-ano-sao-mulheres/">um cenário interessante</a> para as mulheres, é como o resultado árduo de uma longa caminhada. Em 2019, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> inaugurou um marco para as artistas reconhecidas pela Academia de Gravação sediada na Califórnia: vindo de um </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/01/28/lorde-grammy-direito/"><span style="font-weight: 400;">controverso 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde era possível </span><a href="https://portalpopline.com.br/grammy-2018-dominado-por-homens-veja-mulheres-lideres-de-indicacoes/"><span style="font-weight: 400;">contar nos dedos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma mão as artistas consideradas para as 4 categorias principais da premiação, assim como as dos gêneros de mais destaque, como </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, a premiação se envergonhou de seu conservadorismo e atraso em se adaptar ao novo ambiente musical. Para trabalhar a situação, </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/26/grammy-anuncia-mudancas-em-sua-premiacao-para-melhorar-na-diversidade.htm"><span style="font-weight: 400;">a premiação mudou</span></a><span style="font-weight: 400;"> sua forma de reconhecer “o melhor da Música”, ampliando o número de indicados em suas categorias centrais (o chamado ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Big 4</span></i><span style="font-weight: 400;">’: Álbum do Ano, Gravação do Ano, Canção do Ano e Artista Revelação) e instaurando comitês específicos para acompanhar as nomeações nichadas.</span></p>
<p><span id="more-27156"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O reflexo das mudanças foi positivo: na edição de três anos atrás, a premiação honrou Cardi B como </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/gente,cardi-b-e-a-primeira-mulher-a-ganhar-grammy-de-melhor-album-de-rap-e-dedica-a-mac-miller,70002716463"><span style="font-weight: 400;">a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> a vencer um gramofone de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, e entregou o título de Álbum do Ano para </span><a href="https://web.portalsucesso.com.br/home/conheca-kacey-musgraves-a-grande-vencedora-do-grammy-2019"><span style="font-weight: 400;">a artista </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de maior destaque na atualidade, figura marcante também no que diz respeito à representatividade feminina no gênero predominantemente masculino. E como a mais indicada da temporada, Brandi Carlile fez o título ser destinado a uma mulher assumidamente lésbica e aprofundou seu compromisso e pioneirismo com os acessos da comunidade LGBTQIAP+.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em 2020, foi a vez de Billie Eilish fazer história aos 18 anos com seu amargo disco de estreia, que não precisou das produções grandiosas da Academia para quebrar recordes e consolidar uma nova identidade para </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-01-27/aos-18-billie-eilish-faz-historia-no-grammy-com-disco-gravado-em-casa.html"><span style="font-weight: 400;">o futuro da Indústria da Música</span></a><span style="font-weight: 400;">. E do ano passado, nasceram dois marcos: Taylor Swift se tornou a primeira mulher a vencer a principal categoria da premiação por três vezes, em três décadas diferentes e em três gêneros musicais distintos; e </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/15/beyonce-faz-historia-e-se-torna-a-artista-mulher-mais-premiada-do-grammy.htm"><span style="font-weight: 400;">Beyoncé</span></a><span style="font-weight: 400;"> se fez recordista, como a mulher mais premiada da história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27159" aria-describedby="caption-attachment-27159" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27159 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cardi-b-2019.jpg" alt="Fotografia de Cardi B em sua vitória no Grammy 2019. A artista é uma mulher negra, e está sorrindo, posicionada no lado direito da imagem, inclinada para o lado esquerdo. Ela tem os cabelos lisos escuros, penteados para trás em efeito molhado. Cardi está segurando um gramofone de ouro nas mãos, cobertas por luvas brancas, e usa um vestido da mesma cor. Atrás dela, existe a decoração eletrônica do palco, num tom de roxo azulado. À sua frente, existe um microfone pequeno preto." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cardi-b-2019.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cardi-b-2019-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cardi-b-2019-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cardi-b-2019-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27159" class="wp-caption-text">E se o avanço das mulheres é celebrado, a predominância de artistas brancos ainda é um ponto a ser superado pela Academia de Gravação (Foto: <i><span style="font-weight: 400;">Robyn Beck/AFP</span></i>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, em 2022, que considerou como elegíveis à premiação as obras lançadas entre 1/09/2020 e 30/09/2021, o cenário é um pouco mais complexo. De um lado, a tendência de 2019 segue colocando como aposta mais certeira </span><a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-metade-dos-artistas-indicados-a-album-do-ano-sao-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">a vitória de mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas quatro categorias principais (e para te ajudar no bolão, o nome da vez é o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sucessora natural de </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">). De outro, os avanços do passado não se mantêm nas nomeações nichadas, com destaque para as de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, cujas artistas foram lembradas apenas pelos seus </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">e não pelas suas obras completas, o que desconsiderou, por exemplo, </span><a href="https://pitchfork.com/news/little-simz-performs-introvert-and-woman-at-brit-awards-2022-watch/"><span style="font-weight: 400;">Little Simz</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um dos melhores álbuns de 2021.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, gênero que não costuma sofrer com a presença predominante masculina, a competição foi difícil. O impacto do terceiro disco de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que já é uma das figuras </span><a href="https://www.portalitpop.com/2018/01/o-boicote-de-lorde-no-grammy.html"><span style="font-weight: 400;">mais injustiçadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> há quase 10 anos -, passou completamente despercebido pelos votantes. A dona das paradas </span><a href="https://personaunesp.com.br/positions-ariana-grande-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Grande</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou restrita às nomeações nichadas, e a queridinha da Academia </span><a href="https://personaunesp.com.br/evermore-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi lembrada com uma indicação de consolação à categoria principal. Já a veterana </span><a href="https://personaunesp.com.br/love-for-sale-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dedicou seu 2021 ao Cinema, esteve ao lado de Tony Bennett no último disco de sua carreira, trabalho que os levou a 5 indicações, incluindo Álbum e Gravação do Ano.</span></p>
<figure id="attachment_27160" aria-describedby="caption-attachment-27160" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27160 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021.jpg" alt="Fotografia de Beyoncé em sua vitória no Grammy 2021. A artista é uma mulher negra, de cabelos loiros dourados armados. Ela está do lado esquerdo da foto, sorrindo enquanto fala e segura um gramofone de ouro. Beyoncé usa um vestido preto de mangas longas e luvas da mesma cor, com um desenho nas unhas de tom de dourado. O fundo é roxo chapado. À frente dela, existe um microfone preto pequeno." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/beyonce-2021-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27160" class="wp-caption-text">A ausência da loirinha em 2022 dói, mas é o menor dos problemas diante de uma seleção que tem dificuldade em reconhecer o pop de artistas negras (Foto: Cliff Lipson/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema maior foi no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. De um 2021 com 50% de indicadas mulheres, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio para um 2022 sem *nenhuma* roqueira nomeada em nenhuma das 3 categorias destinadas ao gênero, que já tem </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/11/24/indicados-rock-grammy-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência aos novatos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dirá às mulheres. E falta de opção é o que não foi: </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/07/16/willow-resenha-lately-i-feel-everything/"><span style="font-weight: 400;">WILLOW</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilhou no topo das paradas musicais com sua referência ao </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/plastic-hearts-critica/"><span style="font-weight: 400;">Miley Cyrus</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregou o melhor disco de sua carreira homenageando as guitarras dos anos 70 e 80, e a vencedora </span><a href="https://www.grammy.com/artists/brittany-howard/3375"><span style="font-weight: 400;">Brittany Howard</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderia, mais uma vez, acrescentar canções maravilhosas à seleção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a ala do alternativo manteve os avanços. A maioria feminina no ano passado foi expandida para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> tornando-se unânime na categoria até mesmo em trabalhos coletivos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Shore</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Fleet Foxes, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Japanese Breakfast. A última, inclusive, chegou ao páreo do disputado título de Artista Revelação, graças à liderança magistral de </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde compete com sua dupla parceira de categoria, </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/tag/arlo-parks/"><span style="font-weight: 400;">Arlo Parks</span></a><span style="font-weight: 400;">, por sua estreia brilhante em </span><i><span style="font-weight: 400;">Collapsed In Sunbeams</span></i><span style="font-weight: 400;">. Completando as honras do meio que celebrou Fiona Apple, ao lado de Phoebe Bridgers e Brittany Howard no ano passado, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Daddy’s Home </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">If I Can’t Love, I Want Power</span></i><span style="font-weight: 400;">, que poderiam muito bem levar os nomes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/daddys-home-critica/"><span style="font-weight: 400;">St. Vincent</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/if-i-cant-have-love-i-want-power-critica/"><span style="font-weight: 400;">Halsey</span></a><span style="font-weight: 400;"> para mais indicações.</span></p>
<figure id="attachment_27178" aria-describedby="caption-attachment-27178" style="width: 1132px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27178 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/brittany-e1648932204581.jpg" alt="Fotografia de Brittany Howard em sua apresentação no Grammy 2021. A artista é uma mulher negra, de cabelos crespos castanhos, e aparece sozinha na imagem. Ela está ao centro da imagem, de frente, usando um vestido preto de mangas bufantes e um óculos de sol marrom redondo. Com a mão direita, ela segura o microfone, e com a mão esquerda, ela faz um sinal de número um." width="1132" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/brittany-e1648932204581.jpg 1132w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/brittany-e1648932204581-800x441.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/brittany-e1648932204581-1024x564.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/brittany-e1648932204581-768x423.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27178" class="wp-caption-text">Na dobradinha rock e alternativo que também brilhou a obra de Brittany Howard em 2021, Lucy Dacus e seu Home Video fizeram falta em 2022 (Foto: VEVO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O gênero mais frequentado pelas mulheres também deixou um gostinho de quero mais para a seleção de 2022. Sem entregar o devido reconhecimento para a obra mais recente de </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-tinashe-333/"><span style="font-weight: 400;">Tinashe</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Academia colocou (devidamente) </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-jazmine-sullivan-heaux-tales/"><span style="font-weight: 400;">Jazmine Sullivan</span></a><span style="font-weight: 400;"> como maior destaque <em>R&amp;B</em> ano, mas ainda restringiu o disco, que poderia perfeitamente figurar dentre os nomeados para Álbum do Ano, em Melhor Canção, Performance e Álbum do gênero</span><span style="font-weight: 400;">. A única que conseguiu ir além foi </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/resenha-ctrl-sza/"><span style="font-weight: 400;">SZA</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mesmo sem um disco para promover, chegou às categorias de Gravação e Canção do Ano junto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/planet-her-critica/"><span style="font-weight: 400;">Doja Cat </span></a><span style="font-weight: 400;">pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">hit Kiss Me More</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto isso, o título de uma das veteranas favoritas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> ostentado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/keys-alicia-keys-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alicia Keys</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi o suficiente para que a premiação notasse a grandiosidade de seu projeto de 2021, figurando nessa temporada apenas pela sua colaboração com Brandi Carlile.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando o triste </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> das esnobadas do ano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2020/"><span style="font-weight: 400;">Rina Sawayama</span></a><span style="font-weight: 400;"> não conseguiu seu almejado lugar dentre as consideradas para Artista Revelação, e a maravilhosa estreia da já premiada Yebba não recebeu a atenção devida dos votantes de 2022. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lana-del-rey/"><span style="font-weight: 400;">Lana Del Rey</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das artistas mais aclamadas dos últimos anos, ainda sonha com o próprio gramofone, mas sequer poderá chegar perto de um esse ano. E o prêmio de maior vacilo de da temporada vai para a forma como a Academia agiu com </span><a href="https://personaunesp.com.br/star-crossed-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kacey Musgraves</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo nome saiu do lugar de maior prestígio da premiação para se envolver nas tradicionais polêmicas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a impediu de concorrer nas categorias de seu gênero pelas avaliações conservadoras do seu último disco, alocado como </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não como </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27162" aria-describedby="caption-attachment-27162" style="width: 811px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/alicia-2002.jpg" alt="Fotografia de Alicia Keys em sua vitória no Grammy 2021. A artista é uma mulher negra, de cabelos castanhos trançados. Ela aparece ao centro da imagem, de frente, discursando. Alicia usa um vestido vermelho de mangas amplas e um corpete preto por cima. A mão direita está levantada, com o punho fechado, e a esquerda segura um gramofone de ouro. Atrás dela, existe um fundo decorativo de cor salmão." width="811" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/alicia-2002.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/alicia-2002-800x592.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/alicia-2002-768x568.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27162" class="wp-caption-text">Com 20 anos de carreira e 8 álbuns, Alicia Keys acumula 30 indicações e 15 vitórias no Grammy, sendo a primeira vez por sua estrondosa estreia na edição de 2002 (Foto: Mike Blake/Reuters)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já nas categorias reservadas à Música latina, os problemas continuam. </span><a href="https://personaunesp.com.br/revelacion-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a única mulher considerada para o prêmio de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, dentre muitos méritos indiscutíveis, o principal deles é: seu berço estadunidense. Na dificuldade de ocupar o lugar que é delas por direito, as </span><i><span style="font-weight: 400;">chicas</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontram outros espaços, como a ala de Melhor Álbum Latino de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Alternativo, onde a argentina </span><a href="https://personaunesp.com.br/calambre-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nathy Peluso</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou com seu disco de estreia, e Melhor Álbum de Música Urbana, que nomeou a diva do </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i> <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/04/05/karol-g-ser-a-maior-diva-do-reggaeton-nao-e-o-bastante-a-bichota-quer-mais-que-isso-em-novo-album.ghtml"><span style="font-weight: 400;">KAROL G</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a raiz colombiana de </span><a href="https://personaunesp.com.br/sin-miedo-del-amor-y-otros-demonios-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kali Uchis</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alcance do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se amplia nas categorias de </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/grammy-muda-world-music-categoria"><span style="font-weight: 400;">Música Global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que passaram por uma reformulação recente a fim de se tornarem mais inclusivas, plurais e representativas. Lá, o destaque do ano é todo de </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-arooj-aftab-vulture-prince/"><span style="font-weight: 400;">Arooj Aftab</span></a><span style="font-weight: 400;">, detentora de uma experiência de mais de 15 anos na Indústria musical americana, que só agora foi notada pela Academia. O vetor do reconhecimento foi o magnífico terceiro disco da artista, que criou a oportunidade de ter o seu nome considerado para o título de Artista Revelação de 2022, sendo a primeira vez em que uma artista paquistanesa chega na premiação estadunidense.</span></p>
<figure id="attachment_27163" aria-describedby="caption-attachment-27163" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27163 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019.jpg" alt="Fotografia de Claudia Brant no Grammy 2019. A artista está ao centro, de frente, mas olha para fora da foto. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos presos atrás da cabeça. Ela usa um vestido vermelho e brincos de argolas grossas douradas. Em sua mão direita, ela segura um gramofone dourado, à frene de seu corpo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/claudia-brant-2019-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27163" class="wp-caption-text">A última mulher a vencer o Grammy de Melhor Álbum Latino de Pop foi Claudia Brant, no maravilhoso ano de 2019 (Foto: Reuters/Mario Anzuoni)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, não há nada mais justo do que exaltar, reconhecer e visibilizar as histórias, carreiras e obras dessas artistas, que enfrentaram muitos obstáculos para chegar até aqui. Por isso, o Persona selecionou os 12 nomes mais importantes do ano para entender </span><a href="https://followthecolours.com.br/cooltura/indicados-album-do-ano-grammy-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">o passado, presente e futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> da música feminina mundial. Abaixo, você conhece Arlo Parks, Arooj Aftab, Billie Eilish, Brandi Carlile, Doja Cat, H.E.R., Kali Uchis, KAROL G, Nathy Peluso, Olivia Rodrigo, Saweetie e Yebba &#8211; </span><b>As Mulheres do Grammy 2022</b><b><i>.</i></b></p>
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<figure id="attachment_27164" aria-describedby="caption-attachment-27164" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27164 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arlo-parks.jpg" alt="Foto da cantora Arlo Parks em uma apresentação. Ela está olhando em direção à câmera, segurando um microfone preto, que está preso em um pedestal, na sua mão direita. Arlo é uma mulher negra, de cabelos crespos em tom ruivo, num comprimento bem ralo. Ela usa um brinco prata pendurado em sua orelha esquerda, colares no pescoço, e veste uma camisa e jaqueta em tom escuro, com estampa branca por cima." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arlo-parks.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arlo-parks-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arlo-parks-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arlo-parks-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27164" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Uma das melhores revelações musicais de 2021, Arlo Parks foi reconhecida como tal no Grammy 2022, onde também foi lembrada pela categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa (Foto: </span></i>Phoebe Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Arlo Parks </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem antes de triunfar em 2022 e apresentar ao mundo sua poesia musicada em seu primeiro disco, Arlo Parks já era uma das mais importantes promessas para </span><a href="https://www.bbc.co.uk/programmes/articles/16c3TBvgDFVJ2KTxWHzYvJh/bbc-sound-of-2020-meet-the-introducing-artists-on-the-longlist"><span style="font-weight: 400;">o futuro da Música britânica</span></a><span style="font-weight: 400;">. E assim foi: em janeiro de 2021, quando, apenas aos 20 anos, realizou sua estreia musical refletindo sobre amadurecimento </span><a href="https://www.wmagazine.com/story/arlo-parks-hurt-new-album-interview/"><span style="font-weight: 400;">amor, vida e amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas melodias solares de </span><i><span style="font-weight: 400;">Collapsed In Sunbeams,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela tirou elogios de artistas consolidadas como Lily Allen e Phoebe Bridgers, e encontrou um apoio especial de quem entende como ninguém o que significa ser uma jovem artista em ascensão, que, posteriormente, seria sua companhia entre as categorias principais do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, sendo apadrinhada por ninguém mais ninguém menos do que </span><a href="https://www.heraldscotland.com/news/19022660.arlo-parks-billie-eilish-michelle-obama-lily-allen-fans/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, por trás de uma das melhores revelações musicais de 2021, existe </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/01/20/arts/music/arlo-parks.html"><span style="font-weight: 400;">a personalidade branda e introspectiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Anaïs Oluwatoyin Estelle Marinho. Nascida em Londres, no dia 9 de agosto de 2000, a artista que popularmente atende pelo seu pseudônimo teve uma infância prodígio e uma adolescência solitária. De ascendência nigeriana e francesa, o inglês foi a última língua que ela se preocupou em aprender, o que não prejudicou, de forma alguma, sua familiaridade e identificação com (teoricamente) seu idioma materno, de onde surgem algumas de suas maiores referências dentro das suas </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-aos-19-anos-arlo-parks-e-a-nova-aposta-da-musica-britanica/"><span style="font-weight: 400;">expressões artísticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> favoritas: Sylvia Plath, Otis Redding e Jacques Brel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, aos 14 anos, Parks iniciou sua trajetória como musicista e poeta, aprendendo a tocar guitarra e escrevendo suas primeiras letras. Em 2018, ela começou a tentar a sorte pelas rádios até chamar a atenção do produtor Ali Raymond, que logo promoveu seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nYRGfdq0so4"><i><span style="font-weight: 400;">Cola</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Para suceder seus dois primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">EPs,</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/3rbmTsfJugRoFghKELgGUe?si=bGns0GUWQJerTek1sM_2LQ"><i><span style="font-weight: 400;">Super Sad Generation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/3XKYPIKMJfJLVUz68XIwSF?si=b9jhLC91Ttu1cDWG0SpaJw"><i><span style="font-weight: 400;">Sophie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ambos de 2019), seu disco de estreia era planejado para o primeiro trimestre de 2020, mas os planos da artista foram adiados em um ano devido à pandemia de covid-19. Ao longo daquele ano, então, ela lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Eugene</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Dog</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentando um </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> com traços de </span><i><span style="font-weight: 400;">bedroom pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em composições </span><a href="https://shifter.sapo.pt/2021/01/arlo-parks-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">delicadamente sinceras</span></a><span style="font-weight: 400;">, a combinação perfeita para os contextos de isolamento. Quando a identidade musical de Arlo Parks foi perfeitamente expressa através de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Collapsed In Sunbeans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não restou outra alternativa ao mundo se não permitir-se desabar em seus raios de sol. </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27165" aria-describedby="caption-attachment-27165" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27165 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu.jpg" alt="Foto em preto e branco da cantora Arooj Aftab em uma apresentação. Ela está no canto esquerdo da imagem, de perfil, cantando com um microfone, que está preso em pedestal, bem próximo a sua boca. Arooj é uma mulher de traços árabes e cabelos lisos compridos. Ela usa uma roupa de mangas compridas, com detalhes nas mangas. " width="1600" height="1068" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arroj-aftab-soichiro-suizu-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27165" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Na primeira vez em que é reconhecida pelo Grammy, Arooj Aftab concorre ao disputado título de Artista Revelação, sendo considerada também para o prêmio de Melhor Performance de Música Global por Mohabbat, single de seu disco mais recente (Foto: S</span></i>oichiro Suizu)</figcaption></figure>
<p><b>Arooj Aftab </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Música de Arooj Aftab sempre pareceu </span><a href="https://gov-civil-beja.pt/get-know-arooj-aftab"><span style="font-weight: 400;">um tesouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> prestes a ser descoberto. Fiel na missão de referenciar suas influências modernas com sua tradição musical original do sul da Ásia, primeiro, em </span><a href="https://open.spotify.com/album/1NAirccLvSolVSRuDNQ61R?si=eu8EE8aeTCSXFy5m0s372A"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Under Water</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), ela estreou com uma alquimia de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o </span><i><span style="font-weight: 400;">qawwali</span></i><span style="font-weight: 400;">, para depois transformar o ambiente ao seu redor com os sintetizadores combinados ao lirismo </span><i><span style="font-weight: 400;">urdu</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://open.spotify.com/album/6X8Gj8VvfnpzyJFkK9ZWGl?si=7MoHEcq0QhK6QgkuyVKvSQ"><i><span style="font-weight: 400;">Siren Islands</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018). O caminho dos dois primeiros discos parecia preparar a artista para o que impactaria sua música nos anos seguintes, que, agora, quando encontrada pelo público </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, está justamente num contexto emocional completamente diferente da vibração misteriosa convidativa que imperava em seus discos anteriores. Em seu terceiro álbum, ela está no terreno hostil de quem procura processar um momento de profunda dor, em sua caminhada pelo luto que a levou até </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O produto, no entanto, não poderia ser diferente, já que surge de uma artista cujas vivências são </span><a href="https://15questions.net/interview/fifteen-questions-interview-arooj-aftab/page-2/"><span style="font-weight: 400;">tão vastas</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto a riqueza de seu trabalho. Arooj Aftab cresceu em Riad, capital da Arábia Saudita, e por lá viveu até seus 10 anos, quando retornou à cidade natal de seus pais, anteriormente expatriados de Lahore, no Paquistão. Almejando viver da Música desde a adolescência, ela foi aceita para estudar no Berklee College of Music e se mudou para Boston, nos Estados Unidos. Depois da formatura em uma das universidades artísticas mais respeitadas do mundo, iniciou sua carreira como engenheira de áudio e produtora musical em Nova Iorque, se mesclando à cena do </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/mar/24/my-music-is-singular-to-me-arooj-aftab-the-brightest-new-star-at-this-years-grammys"><span style="font-weight: 400;">novo </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e da música alternativa da cidade durante os últimos 15 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nenhum elemento externo à Arooj Aftab parece ser suficiente para ancorar uma interpretação de </span><a href="https://open.spotify.com/album/6HrBTi1F76h7mJuQDHEijH?si=9l3wHr6iSVOkj9ihGyCMOg"><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra mais recente da artista é dedicada ao seu irmão mais novo, falecido recentemente no seu país natal, que passava por uma onda violenta de conflitos e depois precisou lutar para lidar com a pandemia de covid-19. Assim, ela toma como centro o </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/arooj-aftab-vulture-prince/"><i><span style="font-weight: 400;">ghazal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gênero sul asiático que recebe pulsões existenciais e declamações de poesia para formar as sete canções completamente únicas do disco. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Faço parte desta indústria há tanto tempo que </span></i><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-12-06/arooj-aftab-grammy-nominee"><i><span style="font-weight: 400;">não mereço mais ser vista como diferente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, ela diz em entrevista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Los Angeles Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, quando a instituição mais importante da Música ocidental finalmente parou para reconhecer Arooj Aftab, percebeu que sua música é </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/18/988483619/arooj-aftabs-newest-album-finds-light-in-dark-times"><span style="font-weight: 400;">radicalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito mais familiar do que boa parte das canções que costumeiramente preenchem o seu palco. </span></p>
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<figure id="attachment_27185" aria-describedby="caption-attachment-27185" style="width: 4176px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27185" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/billiee.webp" alt="Foto de Billie Eilish cantando. Nela, a cantora está segurando um microfone na mão esquerda, próximo a sua boca. Billie é uma mulher branca, de cabelos pretos, mas a raiz pintada na cor verde neon. Ela veste um a blusa bege de mangas compridas e tem unhas compridas com esmalte verde." width="4176" height="2784" /><figcaption id="caption-attachment-27185" class="wp-caption-text">Já somando 7 gramofones dourados em sua prateleira, Billie Eilish conquistou mais 7 indicações no Grammy 2022 (Foto: Pinterest )</figcaption></figure>
<p><b>Billie Eilish </b>por <strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se vamos falar da ascensão de jovens artistas, Billie Eilish já se tornou </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2022/03/billie-eilish-e-1-artista-nascida-nos-anos-2000-ganhar-oscar.html"><span style="font-weight: 400;">referência no assunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que carrega em sua essência. Nascida em 18 de dezembro de 2001, na cidade de Los Angeles, a californiana começou a desenvolver sua musicalidade aos 11 anos, compondo suas primeiras letras ao lado do irmão mais velho, Finneas O’Connell, que já criava suas próprias canções junto a banda que possuía. Em 2016, a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=viimfQi_pUw"><i><span style="font-weight: 400;">Ocean Eyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi tomando o redor do globo terrestre de forma silenciosa. Pronto, foi o suficiente para que o nome de Billie passasse a ser para sempre lembrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando tinha apenas 15 anos, revelou o seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://genius.com/albums/Billie-eilish/Dont-smile-at-me"><i><span style="font-weight: 400;">dont smile at me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com faixas que até hoje continuam memoráveis. Não saindo de cena até então, o disco </span><a href="https://personaunesp.com.br/when-we-all-fall-asleep-where-do-we-go-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WHEN WE ALL FALL ASLEEP WHERE DO WE GO?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi o que fez com que Eilish mostrasse à indústria musical para que veio, estreando no topo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></i><span style="font-weight: 400;">. A partir disso, a tenra idade da cantora também se tornou o sinônimo de seu sucesso, em que ela virou a primeira artista nascida nos anos 2000 a ter um álbum número 1 nos Estados Unidos. Em 2019, foi nomeada para </span><a href="https://www.grammy.com/artists/billie-eilish/251741"><span style="font-weight: 400;">6 Grammys</span></a><span style="font-weight: 400;">, já aos 17 anos, também conquistando o título de </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-01-27/aos-18-billie-eilish-faz-historia-no-grammy-com-disco-gravado-em-casa.html#:~:text=Antes%20de%20arrasar%20no%20Grammy,apresentou%20na%20cerim%C3%B4nia%20com%2018."><span style="font-weight: 400;">artista mais jovem a ser indicada nas quatro principais categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação, e, após a cerimônia, também somou o de vencedora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2020, com o início da pandemia de covid-19, a promissora turnê do disco teve que ser interrompida, mas não foi o suficiente para que Billie Eilish se recolhesse de vez. Nesse período, com um documentário lançado, chegou o tempo de revelar ao mundo o primordial </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Happier Than Ever</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, a jovem californiana faz não apenas jus a todo o seu triunfo, mas exalta a preciosidade de sua juventude junto a ele. E, se já não o havia feito anteriormente, crava de vez a marca como uma das artistas mais grandiosas de sua geração. </span></p>
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<figure id="attachment_27168" aria-describedby="caption-attachment-27168" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27168 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/chris-wood.png" alt="Foto em preto e branco da cantora Brandi Carlile. Ela está em um palco, tocando um violão que está preso ao seu corpo, a frente de seu colo. Brandi é uma mulher branca, de cabelos lisos na altura dos ombros. Ela veste uma camisa e jaqueta na mesma cor com detalhes, e uma calça escura. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/chris-wood.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/chris-wood-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/chris-wood-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/chris-wood-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27168" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Com uma indicação a Canção do Ano e duas a Gravação do Ano, Brandi Carlile só não apareceu mais vezes nas categorias principais do Grammy 2022 por conta da data de lançamento do seu disco, que ficou de fora da elegibilidade da temporada </span></i>(Foto: Chris Wood)</figcaption></figure>
<p><b>Brandi Carlile </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2019 foi histórico para o avanço de artistas mulheres em gêneros predominantemente masculinos. Na mesma noite em que </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/gente,cardi-b-e-a-primeira-mulher-a-ganhar-grammy-de-melhor-album-de-rap-e-dedica-a-mac-miller,70002716463"><span style="font-weight: 400;">Cardi B</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornava a primeira mulher a vencer a categoria de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://web.portalsucesso.com.br/home/conheca-kacey-musgraves-a-grande-vencedora-do-grammy-2019"><span style="font-weight: 400;">Kacey Musgraves</span></a><span style="font-weight: 400;"> consolidava sua importância no </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o Álbum do Ano, e Brandi Carlile chegava com toda a sua versatilidade musical carregando o título de mulher </span><a href="https://www.papelpop.com/2019/02/maior-indicada-do-grammy-2019-brandi-carlile-ja-venceu-tres-premios/#:~:text=L%C3%A9sbica%20e%20m%C3%A3e%20da%20pequena,concorre%20a%20seis%20pr%C3%AAmios!!!"><span style="font-weight: 400;">mais indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> da temporada. Três anos depois, no entanto, o cenário é um pouco diferente: nenhuma artista foi nomeada para seguir os avanços no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://personaunesp.com.br/star-crossed-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o marco de Carlile fez o que pôde para emplacar o seu nome no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É que seu disco mais recente, </span><a href="https://open.spotify.com/album/5mIT7iw9w64DMP2vxP9L1f?si=0a8ca00a02fb4bcb"><i><span style="font-weight: 400;">In These Silent Days</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fugiu à regra das submissões da temporada, sendo lançado em uma data posterior à limite de </span><a href="https://tracklist.com.br/grammy-2022/117935"><span style="font-weight: 400;">elegibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o prêmio. Restou, então, aproveitar os </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> previamente lançados. Nesse sentido, Brandi não foi esquecida, aparecendo em três categorias diferentes com a mesma música (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tOpWqWK0q4U"><i><span style="font-weight: 400;">Right On Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e duas vezes entre as nomeações para Canção do Ano (com a primeira citada e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_yU1x-p_OdY"><i><span style="font-weight: 400;">A Beautiful Noise</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com </span><a href="https://personaunesp.com.br/keys-alicia-keys-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alicia Keys</span></a><span style="font-weight: 400;">) &#8211; mais uma vez, a única a realizar tal feito na temporada. A Academia ainda encontrou espaço para uma nomeação a Melhor Performance de Raízes Americanas por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hmdBm3GYJks"><i><span style="font-weight: 400;">Same Devil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e se não fossem os pesares, ainda leríamos o seu nome entre muitas outras nomeações da vez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto de seus inquestionáveis méritos musicais, que vão do </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, o feito é reflexo do impacto cultural que Carlile tem na como </span><a href="https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/a-historia-incrivel-de-brandi-carlile"><span style="font-weight: 400;">mulher lésbica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assumida desde a juventude em que aprendeu a tocar e começou a compor, a experiência de Brandi num mundo hostil começou por volta de seus 20 anos, e sua maturidade apenas aprofundou o seu compromisso com a comunidade LGBTQIAP+. Redefinindo gêneros e inaugurando espaços desde sua </span><a href="https://open.spotify.com/album/2NdmuraIk63vprGfnnr3rD?si=ScL9JIqHTjW116rXPH_bZA"><span style="font-weight: 400;">estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> no disco autointitulado de 2005 até o seu penúltimo </span><a href="https://open.spotify.com/album/2wDKBKgco7u3V1IWEK5V8l?si=FXw5Q_SYRjCr0g1ID9g9aA"><span style="font-weight: 400;">mais aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela chega em seu sétimo álbum de estúdio, conservando todo o respeito que lutou para conquistar ao longo dos seus quase 20 anos de carreira. </span></p>
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<figure id="attachment_27181" aria-describedby="caption-attachment-27181" style="width: 1548px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27181" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dojacat.webp" alt="Foto da cantora Doja Cat em uma apresentação. Ela está sentada com as pernas abertas em uma cadeira, a parte de frente do corpo e os braços apoiados nas costas da cadeira. Doja é uma mulher de traços mestiços, ela está com os cabelos ruivos, curtos e cacheados. Ela veste um vestido curto cheio de pedras em tom prateado, e meia calça arrastão." width="1548" height="1024" /><figcaption id="caption-attachment-27181" class="wp-caption-text">Uma das principais indicadas na edição deste ano, Doja Cat está em 8 categorias do Grammy 2022 (Foto: Kevin Winter)</figcaption></figure>
<p><b>Doja Cat </b>por <b><strong>Vitória Silva</strong></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é o momento! Amala Ratna Zandile Dlamini nasceu no ano de 1995, na cidade de Los Angeles, fruto de origens judias e sul-africanas por parte de seus pais. Com uma infância agitada e constantes mudanças de moradia, aos 8 anos de idade, se mudou com sua mãe e irmão para uma comuna nas montanhas de Santa Mônica, onde praticou o hinduísmo por 4 anos. De volta para a Califórnia, a jovem era alvo de um racismo severo por conta de sua origem mestiça, o que a levou a se afastar cada vez mais da escola, que abandonou de vez aos 16 anos, fato que ela também atribui às suas lutas contra o TDAH. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova e conturbada realidade, Doja passou a se dedicar a navegar na</span><i><span style="font-weight: 400;"> internet </span></i><span style="font-weight: 400;">em busca de elementos sonoros para compor suas primeiras músicas. Nesse deslumbrante universo, lançou, ao final de 2012, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8LJsMUkxIWY"><i><span style="font-weight: 400;">So High</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que chamou a atenção do produtor musical Yeti Beats e, mais tarde, a levaria a assinar com a Kemosabe Record. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de estreia, intitulado </span><a href="https://genius.com/albums/Doja-cat/Purrr-ep"><i><span style="font-weight: 400;">Purrr!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresentou as raízes da<em> rapper</em> no</span><i><span style="font-weight: 400;"> R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o restante do mundo. Após essa derrocada, ela passou por uma fase de bloqueio criativo, o que a levou a até mesmo recusar aparecer no </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gBRi6aZJGj4"><i><span style="font-weight: 400;">bellyache</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da jovem Billie Eilish, em 2017. Sem receber muita atenção de sua gravadora, e também envolvida em questões pessoais, acabou se afastando do meio musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta ao cenário, em 2018, Doja Cat lançou diferentes faixas, entre elas o sucesso </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZRHHOttkM1A"><i><span style="font-weight: 400;">Candy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que a levou a entrar pela primeira vez na parada da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Hot 100</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seu primeiro álbum de estúdio, intitulado </span><a href="https://genius.com/albums/Doja-cat/Amala"><i><span style="font-weight: 400;">Amala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, veio no mesmo ano. Mas foi só com o </span><a href="https://genius.com/albums/Doja-cat/Hot-pink"><i><span style="font-weight: 400;">Hot Pink</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que a cantora definitivamente subiu as escadarias do sucesso, e não saiu de nossos ouvidos até então. A máquina de </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> movimentada por Doja já virou a dona de praticamente tudo que viraliza nas redes sociais, com títulos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pok8H_KF1FA"><i><span style="font-weight: 400;">Say So</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YIALlhlyqO4"><i><span style="font-weight: 400;">Juicy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XEJLuJyxLDE"><i><span style="font-weight: 400;">Like That</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Colecionando grandes parcerias com outras artistas femininas, Doja Cat sabe oscilar muito bem entre sua identidade como </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> e diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, que são o que a tornam única no meio artístico. Após 3 indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021 e dominar o mundo que conhecemos, ela precisou criar uma nova dimensão espacial para sua musicalidade, com o incomparável </span><a href="https://personaunesp.com.br/planet-her-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Planet Her</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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<figure id="attachment_27180" aria-describedby="caption-attachment-27180" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27180" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-800x600.jpg" alt="Foto da cantora H.E.R. em uma apresentação. Ela está sorrindo, com uma guitarra transparente amarrada em seu corpo, a frente de seu colo. H.E.R. é uma mulher negra, de cabelos pretos ondulados e compridos. Ela veste um conjunto de uma blusa de mangas compridas e calça com pedras em tom lilás; também uma um óculos escuro." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her-1200x900.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/her.jpg 1861w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27180" class="wp-caption-text">Ascendendo na premiação ao longo dos anos, H.E.R. conquistou 8 indicações ao Grammy 2022 (Foto: MTV)</figcaption></figure>
<p><b>H.E.R. </b>por <b><strong>Vitória Silva</strong></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de mãe filipina e pai afro-americano, Gabriella Wilson é um fenômeno desde sua infância. Nascida em 1997 na cidade de Vallejo, brilhou os olhos do público pela primeira vez aos 12 anos de idade, quando performou Alicia Keys no piano no programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Today Show</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, pouco depois, competiu em um concurso da Radio Disney. Dois anos mais tarde, ela assinou um contrato com a Sony e lançou sua música de estreia, intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7R2Ig6FmJUU"><i><span style="font-weight: 400;">Something To Prove</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ainda utilizava seu nome verdadeiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para separar sua identidade pessoal da artística, Gabriella se autodenominou como H.E.R., que é um acrônimo para Having Everything Revealed (“Tendo Tudo Revelado” em tradução livre). De acordo com a própria, a escolha de se apresentar de forma misteriosa seria uma metáfora de sua existência. Após assinar com a </span><i><span style="font-weight: 400;">RCA Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2016, a cantora lançou seus primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">EPs</span></i><span style="font-weight: 400;">, movimentando a cena do <em>R&amp;B</em> desde então. Em 2019, conquistou seus primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo álbum </span><a href="https://genius.com/albums/Her/H-e-r"><i><span style="font-weight: 400;">H.E.R.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e tornou-se </span><a href="https://www.grammy.com/artists/her/243298"><span style="font-weight: 400;">figurinha carimbada da premiação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua musicalidade sempre foi símbolo de luta, em que, em 2020, lançou a faixa</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E-1Bf_XWaPE"><i><span style="font-weight: 400;">I Can’t Breathe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com referência à frase dita por George Floyd antes de morrer brutalmente, e conquistou o gramofone dourado de Canção do Ano por ela, em 2021. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provando essa máxima, no mesmo ano foi a vez de dar as caras no <em>Oscar</em>, em que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Casa-dos-Famosos/noticia/2022/04/her-diz-que-seu-oscar-e-peca-central-de-sua-mesa-de-jantar.html"><span style="font-weight: 400;">levou para casa a estatueta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Canção Original por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=exJq2NrAwdc"><i><span style="font-weight: 400;">Fight For You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte da trilha sonora de Judas e o Messias Negro. Mais recentemente, com </span><a href="https://genius.com/albums/Her/Back-of-my-mind"><i><span style="font-weight: 400;">Back Of My Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assegurou ainda mais o seu talento perante a indústria musical, totalizando 8 indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, incluindo a de Álbum do Ano. H.E.R. pode ainda não ter alçado a popularização completa no meio, mas precisamos aguardar para podermos descobrir tudo o que ela ainda tem a nos revelar. </span></p>
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<figure id="attachment_27182" aria-describedby="caption-attachment-27182" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27182" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kaliuchis.webp" alt="Foto da cantora Kali Uchis em uma apresentação. Ela está com o corpo curvado, enquanto segura um microfone em sua mão direita, ao lado do quadril. Kali é uma mulher branca, de traços colombianos, ela tem cabelos escuros, que estão presos em uma longa trança. Ela veste um macacão preto decotado, com as costas abertas, e pedras brilhantes." width="1600" height="1067" /><figcaption id="caption-attachment-27182" class="wp-caption-text">A definição de artista subestimada, Kali Uchis foi indicada a apenas uma categoria no Grammy 2022, de Melhor Álbum de Música Urbana (Foto: Radio Rutgers)</figcaption></figure>
<p><b>Kali Uchis </b>por <b><strong>Vitória Silva</strong></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Karly-Marina Loaiza nasceu em 17 de julho de 1994 em Alexandria, Virgínia. Com pais de origem colombiana, desde cedo já oscilava entre as realidades dos dois países. De volta aos Estados Unidos, foi na escola que Kali deu seus primeiros passos no meio musical, onde participou de uma banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2012, lançou sua primeira <em>mixtape</em>, intitulada </span><i><span style="font-weight: 400;">Drunken Babe</span></i><span style="font-weight: 400;">, já mostrando sua afinidade pela mistura de diferentes gêneros musicais. A faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=teFFijPbqK4"><i><span style="font-weight: 400;">What They Say </span></i></a><span style="font-weight: 400;">chamou a atenção do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Snoop Dogg, com quem colaborou na música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s498Sw-dVn0"><i><span style="font-weight: 400;">On Edge</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> viria em 2015, </span><a href="https://genius.com/albums/Kali-uchis/Por-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Por Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que passou pela mão de produtores como Tyler, the Creator e Diplo. Nesse mesmo período, conquistou seu primeiro sucesso na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uQFVqltOXRg"><span style="font-weight: 400;">parceria com Daniel Caesar</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lhe rendeu sua primeira </span><a href="https://www.grammy.com/artists/kali-uchis/188816"><span style="font-weight: 400;">indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As parcerias sempre foram importantes degraus para Kali Uchis, que atuou em faixas de nomes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-W20dfeNCmI"><span style="font-weight: 400;">Gorillaz</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KDUOLz9ZL2g"><span style="font-weight: 400;">Jorja Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bgP2vqgl934"><span style="font-weight: 400;">Mac Miller</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aos poucos, foi configurando seu rosto para o mundo, e seu primeiro álbum,</span> <a href="https://genius.com/albums/Kali-uchis/Isolation"><i><span style="font-weight: 400;">Isolation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, veio em 2018, seguido de uma grande aclamação da crítica. Mas se hoje a cantora é conhecida mundialmente da maneira que é, grande parte do mérito se deve a </span><a href="https://personaunesp.com.br/sin-miedo-del-amor-y-otros-demonios-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 18 de novembro de 2020, que teve a faixa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bn_p95HbHoQ"><em>telepatía</em></a> no topo das paradas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, conquistou seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">, na categoria de Melhor Gravação de Dança, pela faixa</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=02KzxLGcNJg"><i><span style="font-weight: 400;">10%</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de KAYTRANADA. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não hesitar em mostrar suas raízes latinas em sua obra, esse lado de Kali ainda é muito ignorado na indústria, em que é completamente deixada de lado em categorias do gênero nas premiações, não sendo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/grammy-latino-2021-anitta-kali-uchis-e-mais-sao-esnobados-pela-premiacao-lista/"><span style="font-weight: 400;">nem lembrada no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas um dos indícios que mostra que ainda falta muito para que o meio musical tenha a devida consideração pelo talento e grandiosidade de Kali Uchis.</span></p>
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<figure id="attachment_27169" aria-describedby="caption-attachment-27169" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27169 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g.jpg" alt="Foto da cantora KAROL G em uma apresentação. Ela está sorrindo em um palco, em frente a um fundo preto, com o rosto levemente virado para a sua direita, enquanto segura um microfone na mão direita, encostado em sua coxa. KAROL G é uma mulher branca de traços colombianos, ela tem cabelo azul claro liso, na altura dos ombros. Ela usa duas argolas grandes nas orelhas, uma camiseta preta um pouco acima do umbigo, que está com a palavra &quot;bichota&quot; escrita, em fonte na cor prata brilhante; usa calça de couro preta com detalhes, braceletes em seus pulsos e possui tatuagens nos dois braços. " width="2000" height="1270" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/karol-g-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27169" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">A maior diva do reggaeton aparece pela primeira vez no Grammy em 2022, com uma indicação a Melhor Álbum de Música Urbana </span></i>(Foto: Paras Griffin/Getty Images)</figcaption></figure>
<p><b>KAROL G</b> por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> se depara com </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/04/05/karol-g-ser-a-maior-diva-do-reggaeton-nao-e-o-bastante-a-bichota-quer-mais-que-isso-em-novo-album.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a maior diva do </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O título é a melhor forma de apresentar KAROL G, que ascendeu em um ambiente musical predominantemente masculino </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-latin/karol-g-interview-new-album-ocean-2019-833565/"><span style="font-weight: 400;">renovando a imagem do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> latino para o mundo. Livre em letras sobre experiências femininas com a sexualidade, trabalho, vida amorosa e tudo mais que aparecer no caminho da compositora de 31 anos, </span><a href="https://www.papermag.com/karol-g-google-pixel-4-2641249859.html?rebelltitem=38#rebelltitem38"><span style="font-weight: 400;">a contribuição</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Carolina Giraldo Navarro para a música latinoamericana é simplesmente impossível de ser compreendida pela premiação estadunidense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos à história: nascida e criada em Medellín, capital da Colômbia, a artista iniciou sua carreira ainda adolescente, no </span><i><span style="font-weight: 400;">The X Factor</span></i><span style="font-weight: 400;"> colombiano, quando tinha apenas 14 anos. Sua breve aparição no programa foi o suficiente para chamar a atenção da indústria musical local, logo assinando seus primeiros contratos e entrando no círculo de grandes nomes da Música latina, como J Balvin. Ao longo dos anos seguintes, ela trabalhou em músicas esporádicas, até viajar para os Estados Unidos a fim de encontrar novas oportunidades &#8211; mas acabou, na verdade, topando com mais </span><a href="https://www.vice.com/en/article/j5wj44/karol-g-is-bigger-than-reggaeton"><span style="font-weight: 400;">preconceito</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ser uma mulher almejando trabalhar com </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">. KAROL G permaneceu lutando pelo seu trabalho até 2014, quando finalmente assinou com uma gravadora que teve coragem de assumir os seus projetos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, ela estourou em uma colaboração com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4NNRy_Wz16k"><span style="font-weight: 400;">Bad Bunny</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se transformou no primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu álbum de estreia, </span><a href="https://open.spotify.com/album/12nlJpvrOd7tTOaCxB1UeR?si=TT04aDbrRLSjmqJD563Y4A"><i><span style="font-weight: 400;">Unstoppable</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017). Em 2018, ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Artista Revelação. Em 2019, consolidou seu lugar no </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lado do precursor do gênero mundo afora, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0VR3dfZf9Yg"><span style="font-weight: 400;">Daddy Yankee</span></a><span style="font-weight: 400;">, preparando o lançamento de seu segundo disco, </span><a href="https://open.spotify.com/album/4i5b4YWuMtneUSvQPONwzK?si=vIeyinidTKawptS2uLNu7w"><i><span style="font-weight: 400;">Ocean</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Com uma nova estética, ela se juntou à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tbneQDc2H3I"><span style="font-weight: 400;">Nicki Minaj</span></a><span style="font-weight: 400;"> para </span><i><span style="font-weight: 400;">Tusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se transformou em um de seus maiores </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e preparou o caminho para </span><a href="https://open.spotify.com/album/5CS8E6JVACItYto4OOJoPW?si=AcRr5YFtS6uNb2h9TO8pQQ"><i><span style="font-weight: 400;">KG0516</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), lançado como o projeto mais ambicioso &#8211; e igualmente bem-sucedido &#8211; de sua carreira. Tudo isso para dizer que a passagem de KAROL G pelo mundo </span><a href="https://www.vice.com/en/article/j5wj44/karol-g-is-bigger-than-reggaeton"><span style="font-weight: 400;">está só começando</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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<figure id="attachment_27170" aria-describedby="caption-attachment-27170" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27170 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy.jpg" alt="Foto da cantora Nathy Peluso em uma apresentação. Em um fundo em tom roxo, ela está levemente virada de perfil para a sua direita, segurando o pedestal com um microfone preto a sua frente. Nathy Peluso é uma mulher branca de traços latinos, com cabelos castanhos lisos e compridos. Ela veste uma roupa verde de mangas compridas com os ombros vazados e um decote aberto. Suas unhas são compridas e estão com esmalte avermelhado;" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/nathy-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27170" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Ela é uma força da natureza: guarde o nome de Nathy Peluso, que aparece dentre os indicados a Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo no Grammy 2022 pelo seu disco de estreia </span></i>(Foto: B. RAMON)</figcaption></figure>
<p><b>Nathy Peluso </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 2022 marca a ascensão de uma das </span><a href="https://www.mondosonoro.com/entrevistas/nathy-peluso/"><span style="font-weight: 400;">artistas mais interessantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da atualidade. Nathy Peluso, cantora, compositora, produtora e escritora argentina, está só em seu primeiro disco e já virou a cena musical da América Latina de cabeça para baixo. Depois de estrear de forma independente através da </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> intitulada </span><a href="https://open.spotify.com/album/7iuGQ0MTUur0HleAhXJizz?si=WECdsQiIRP6Xn1Z-6HAnXg"><i><span style="font-weight: 400;">Esmeralda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2017, ela se colocou no radar da crítica pela sua originalidade e criatividade artística em gêneros comerciais como </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dois anos depois, em seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/album/0wJRHjnCyxwKkeY2zFRMUQ?si=xvIOIPugRMCy9ka__xS4GA"><i><span style="font-weight: 400;">La  Sandunguera</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a graça era contornar o </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> numa estética ainda mais lapidada, o que acabou por definir o </span><a href="https://www.citynightsdisco.co.uk/fusion-genre-taking-world-music/#:~:text=In%20fact%2C%20much%20of%20the,we%20call%20it%20a%20fusion."><span style="font-weight: 400;">gênero de fusão</span></a><span style="font-weight: 400;"> como sua principal linguagem musical.     </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Influenciada por uma variedade de artistas, que vão dos clássicos Ella Fitzgerald, Ray Charles e Nina Simone até os mais importantes da música sul-americana, como João Gilberto, Ray Barretto e Atahualpa Yupanqui, ela começou a se apresentar em hotéis e restaurantes depois de migrar com a família para a Espanha em 2005. Depois de se formar em Comunicação Visual, e Artes Visuais e Dança na Europa, passou pela Literatura com o lançamento de </span><a href="https://www.planetadelibros.com/libro-deja-que-te-combata/291853"><i><span style="font-weight: 400;">Deja Que te Combata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2019, mas o foco mesmo foi engatar no ramo musical e não parar mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, para o seu primeiro disco, em 2021, ela não buscou nada além dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/calambre-critica/"><span style="font-weight: 400;">maiores paradoxos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sonoros e líricos para finalizar o seu primeiro ato na Música. O choque provocado pelo som da jovem de 26 anos foi tamanho que </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; cãibra, numa tradução direta e literal do espanhol &#8211; levou a estreante até o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1461849795375640581"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre os indicados a Melhor Artista Revelação e Melhor Canção Alternativa pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=O8BLUzAxNmQ"><i><span style="font-weight: 400;">BUENOS AIRES</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Por fim, seu primeiro disco entrou para consideração ao prêmio de Melhor Álbum Latino de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Alternativo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">2022. Não se engane pelo novo rosto: experiência e vontade de ir além é o que Natalia Beatriz Dora Peluso tem de sobra.</span></p>
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<figure id="attachment_27183" aria-describedby="caption-attachment-27183" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27183" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/olivia-800x533.jpeg" alt="Foto da cantora Olivia Rodrigo performando em um show. Ela está com o corpo inclinado para frente, e segura um microfone preto na mão direita, próximo a sua boca. Olivia é uma jovem branca, com traços filipinos, ela usa um cropped preto de mangas compridas com os ombros vazados, calça jeans com um cinto preto. Seu cabelo é castanho escuro, liso e longo, e está preto em duas marias-chiquinhas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/olivia-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/olivia-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/olivia-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/olivia.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27183" class="wp-caption-text">Estreando na premiação, Olivia Rodrigo conquistou 7 indicações ao Grammy 2022, incluindo as de Álbum e Canção do Ano (Foto: Nit)</figcaption></figure>
<p><b>Olivia Rodrigo</b> por <strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nominável rostinho da geração Z. Em tão pouco tempo, Olivia Rodrigo já conseguiu subverter por completo qualquer expectativa que o público possa ter de uma artista adolescente, ainda mais criada na velha e conhecida escola da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Iniciada nos programas de televisão infanto-juvenis, a jovem estadunidense da cidade de Murrieta começou a ganhar o mundo recentemente com o seu papel como Nini em </span><a href="https://personaunesp.com.br/high-school-musical-the-musical-the-series-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical: The Musical: The Series</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; quer representação melhor para a adolescência da geração 2000? Nos bastidores do seriado, nasceu seu namoro com o galã Joshua Bassett, que, mais tarde, culminou em um coração partido. Daí Rodrigo tirou todo o combustível para o nascimento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se aos 20 anos Billie Eilish já deixou os delírios da adolescência de lado para encarar a vida adulta, Olivia ainda se depara com toda a efusão de sentimentos capaz de ser sentida por uma jovem no abismo dos 18 anos de idade. Seu disco de estreia se tornou hinário para todo o restante do mundo, que, junto com os desabafos da artista, foi capaz de retornar à doce confusão sentimental que caracteriza o ápice da juventude. Com isso, Rodrigo ilustrou sua carreira iniciante não apenas pela coleção de <em>hits</em> que já acumula, mas pela ousadia de não precisar se provar mais madura do que é, nos presenteando com seu </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/olivia-rodrig-filme-disney-trailer"><span style="font-weight: 400;">doce clichê adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado de tudo isso está estampado na principal premiação do meio musical. Olivia Rodrigo é a <a href="https://www.grammy.com/artists/Olivia-Rodrigo/38411">grande aposta das categorias principais do prêmio</a>, incluindo a sempre bem disputada Álbum do Ano. O passado pode ter sido azedo para a jovem de origens filipinas, mas o futuro parece ser mais doce do que ela é capaz de imaginar.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27171" aria-describedby="caption-attachment-27171" style="width: 1400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27171 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson.png" alt="Foto da cantora Saweetie. Ela está em um palco, em frente de uma tela projetando um desenho, segurando um microfone preto em sua mão direita, que está com o braço dobrado, enquanto o braço esquerdo está esticado segurando o pedestal do microfone. Saweetie é uma mulher negra, de cabelos loiros, lisos e um pouco acima dos ombros. Ela veste uma segunda pele na cor preta, com um top e calça preta com acabamento metálico e uma estampa de oncinha ao redor da cintura; usa uma argola dourada grande na orelha e vários colares dourados ao redor do pescoço." width="1400" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson-800x641.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson-1024x820.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson-768x615.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Gilles-Mingasson-1200x961.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27171" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Em uma das poucas citações de artistas mulheres nas categorias de rap do Grammy 2022, Saweetie é indicada em Melhor Canção junto de Doja Cat </span></i>(Foto: Gilles Mingasson)</figcaption></figure>
<p><b>Saweetie </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrela de Saweetie brilha tão forte que </span><a href="https://www.grammy.com/news/saweetie-pretty-bitch-music-best-friend-interview-video-2022-grammys-meet-first-time-nominee"><span style="font-weight: 400;">a promessa do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nem precisou apresentar um disco ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> para figurar dentre os indicados de 2022. Para convencer os votantes de que merecia um lugar dentre os nomeados a Artista Revelação, bastou sua presença contundente entre os nomes mais badalados do momento e nos frequentes </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bombando desde 2018 com seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wji4b2jjYOk"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista mostrou ser muito mais do que um nome das paradas de sucesso com os </span><i><span style="font-weight: 400;">EPs</span></i><span style="font-weight: 400;"> que sucederam a sua estreia grandiosa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/saweetie-high-maintenance-ep/#:~:text=At%20only%2022%20minutes%2C%20High,effective%20introduction%20to%20her%20strengths."><i><span style="font-weight: 400;">High Maintenance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) definiu as ambições da artista e acompanhou a fundação de sua própria gravadora, e, depois, </span><a href="https://open.spotify.com/album/7mdpibDh6Sec6o6zItcSEH?si=qn3h5qfTS4OJhQqYWj11SQ"><i><span style="font-weight: 400;">ICY</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) cravou seu nome nas tabelas musicais. Mas desde os 13 anos a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> nascida Diamonté Quiava Valentin Harper se aventura nas composições. O gosto artístico e criativo a levou até a conclusão de seu Bacharelado em Artes na Universidade do Sul da Califórnia, antes de concentrar sua dedicação no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela começou nas redes sociais, publicando suas rimas em seu perfil do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">. Foi lá que nasceu a ideia inicial do seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">: a partir do ritmo de </span><a href="https://www.whosampled.com/sample/536765/Saweetie-ICY-GRL-Khia-My-Neck,-My-Back-(Lick-It)/"><i><span style="font-weight: 400;">My Neck, My Back (Lick It)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Khia, Saweetie criou a melodia de </span><i><span style="font-weight: 400;">ICY GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;">, canção lançada no </span><i><span style="font-weight: 400;">SoundCloud, </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2017, que viralizou na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de completar 30 anos e realizar sua estreia oficial, Saweetie acumula colaborações com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Mw-N1r2Jj0"><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7JigFZ-iZQ"><span style="font-weight: 400;">Jhené Aiko</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_xJUCsyMQes"><span style="font-weight: 400;">Doja Cat</span></a><span style="font-weight: 400;">, com quem divide uma de suas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 por </span><i><span style="font-weight: 400;">Best Friend</span></i><span style="font-weight: 400;">, na única presença feminina na categoria de Melhor Canção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> já integra a </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu álbum de estreia, </span><a href="https://genius.com/a/everything-we-know-about-saweetie-s-debut-album-pretty-bitch-music-artwork-release-date-features-producers-tracklist"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Bitch Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos lançamentos mais aguardados do ano, que mantém também a promessa de garantir sua presença na premiação de 2023. </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_27172" aria-describedby="caption-attachment-27172" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27172 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/yebba-spotify.png" alt="Foto da cantora Yebba em um estúdio. Ela está cantando em frente ao microfone do estúdio, com o corpo virado para a esquerda. Ao fundo, é possível ver uma mesa com um abajur ligado. Yebba é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros ondulados e compridos. Ela veste uma blusa de mangas compridas em tom jeans." width="1200" height="744" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/yebba-spotify.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/yebba-spotify-800x496.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/yebba-spotify-1024x635.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/yebba-spotify-768x476.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27172" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">No Grammy 2022, a estreia magnífica de Yebba foi lembrada apenas na categoria de Melhor Engenharia de Álbum Não Clássico; quem perde é a premiação, que poderia ter um dos melhores discos de 2021 enriquecendo as categorias principais e a dos diversos gêneros contemplados pela artista </span></i>(Foto: Spotify)</figcaption></figure>
<p><b>Yebba </b>por <strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Yebba veio a estampar um disco autoral só em 2021, mas, muito antes disso, já era conhecido pelo universo musical e no </span><a href="https://www.grammy.com/artists/yebba/243615"><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> de vencedores</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A artista é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aBMGvHHkr9Y"><span style="font-weight: 400;">um prodígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> declarado há pelo menos cinco anos, construindo seu caminho na Música junto de veteranos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2F9pL06IC8k"><span style="font-weight: 400;">PJ Morton</span></a><span style="font-weight: 400;"> (com quem dividiu um gramofone em 2019), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FQT1gVMUmdw"><span style="font-weight: 400;">Mark Ronson</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/5ZX1X9Rl4zbx1Wwyn3idVD?si=bb6e5a225e8d41be"><span style="font-weight: 400;">Sam Smith</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.facebook.com/snl/videos/chance-the-rapper-same-drugs/10154776123166303/"><span style="font-weight: 400;">Chance The Rapper</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wGyh_53ecgg"><span style="font-weight: 400;">Ed Sheeran</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que encheu os olhos da indústria foi a sua preciosa versatilidade experiente, que compreende desde as suas interpretações, definidas pelo seu timbre marcante e muito bem referenciado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">gospel</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, até as suas composições, que expressam letras muito bem trabalhadas pela sua profundidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E não era para menos. Nascida e criada numa igreja protestante de Memphis, Abbey Smith aprendeu a cantar com a comunidade pastoreada pelo pai, e nunca se distanciou da música, até viralizar com uma apresentação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RXwE1G7_U9M"><i><span style="font-weight: 400;">My Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no canal do projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sofar Sounds</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2016. O </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> atraiu os holofotes e a prometeu uma carreira profissional, mas, apenas algumas semanas depois, sua mãe faleceu por suicídio. O momento pediu a reclusão de Yebba e aguçou ainda mais a sua necessidade de </span><a href="https://www.glamour.com/story/get-to-know-yebba"><span style="font-weight: 400;">refúgio na música</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se tornou também uma forma de homenagear a sua figura materna. Primeiro através do nome artístico, que nasceu de um apelido carinhoso criado pela sua mãe desde sua infância, e depois, dedicando o seu nome para batizar o seu primeiro disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dawn</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o conjunto da obra não poderia ser mais significativo. Somando a sua experiência a de colaboradores como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><span style="font-weight: 400;">Questlove</span></a><span style="font-weight: 400;">, A$AP Rocky, KAYTRANADA, Smino e James Francies, ela transformou sua dor íntima numa das melhores obras musicais do último ano, que foi envolvida também numa campanha promovida pela artista para conscientização sobre </span><a href="https://www.npr.org/transcripts/1033700723"><span style="font-weight: 400;">saúde mental</span></a><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 não tomou parte do belíssimo trabalho como deveria, deixando-o de fora das categorias principais e dos gêneros contemplados por </span><a href="https://open.spotify.com/album/3CogjJSvRqbIQuNJVR2JcP?si=00fd9d2fb1d141cd"><i><span style="font-weight: 400;">Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lembrando da artista apenas para Melhor Engenharia de Álbum Não-Clássico e em suas magistrais interpretações, que aparecem mais uma vez dentre as nomeadas à Melhor Performance de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> Tradicional. Que não sejamos iguais a eles, então: cada segundo sob o </span><i><span style="font-weight: 400;">amanhecer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Yebba deve ser apreciado.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: As Mulheres do Grammy 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1d8twy4Jqftbx6ZIsvV5Qv?si=47a5d38bd1694fc5&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>As mulheres de Amy Sherman-Palladino</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 23:40:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia Vitória Silva Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-de-amy-sherman-palladino-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As mulheres de Amy Sherman-Palladino"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Criadora de Gilmore Girls e The Marvelous Mrs. Maisel, Amy Sherman-Palladino deu um novo olhar para as mulheres na Comédia</span></i></p>
<figure id="attachment_27054" aria-describedby="caption-attachment-27054" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27054 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg" alt="Arte com fundo preto. Nela, estão 3 mulheres, com uma margem rosa em volta de suas silhuetas, simulando um recorte. À esquerda, está Lauren Graham, que interpreta Lorelai em Gilmore Girls. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos e compridos, ela veste uma camiseta branca e jaqueta preta. Ao centro, está a roteirista Amy Sherman-Palladino. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos presos em coque baixo; ela usa um chapéu preto em sua cabeça, uma blusa com um terno preto e segura duas estatuetas do Emmy, uma em cada mão. À direita, está Rachel Brosnahan, que interpreta Midge Maisel. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros curtos. Ela veste um chapéu no tom amarelo, óculos escuros e um vestido com listras claras." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-11.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27054" class="wp-caption-text">Aos 56 anos, a roteirista já fez história como a primeira pessoa a levar o Emmy na categoria de Roteiro e Direção em Série de Comédia (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cidade de Stars Hollow, fundada em 1779. Uma jovem mulher senta-se em uma mesa na cafeteria do Luke, após implorar para o mesmo por mais uma xícara de café, que ele responde com um olhar zangado &#8211; enquanto pega mais café para ela. Um cara flerta com ela e é rapidamente driblado por seu sarcasmo, e com a jogada de que ela está esperando alguém. Esse alguém entra pela porta, é a sua filha, Rory, chateada porque perdeu seu </span><i><span style="font-weight: 400;">CD </span></i><span style="font-weight: 400;">da Macy Gray e </span><i><span style="font-weight: 400;">“precisa de cafeína”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é essa mesma rotina que você vai observar pelos próximos 153 episódios de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes sucessos da Televisão norte-americana nos anos 2000, o seriado surgiu da curiosa mente de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0792371/"><span style="font-weight: 400;">Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascida no dia 17 de janeiro de 1966, em Los Angeles, filha do comediante Don Sherman e de Maybin Hewes, seus primeiros passos no meio artístico vieram &#8211; acredite ou não &#8211; por meio da dança. Treinada no balé clássico, e com possibilidade até de estrelar o musical </span><a href="https://personaunesp.com.br/cats-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cats</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a californiana não pensou duas vezes quando precisou largar sua carreira para integrar a equipe de roteiro da série </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0094540/"><i><span style="font-weight: 400;">Roseanne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A partir disso, começou a trilhar seus primeiros passos no que se tornaria uma longa caminhada na comédia.</span></p>
<p><span id="more-27051"></span></p>
<figure id="attachment_27055" aria-describedby="caption-attachment-27055" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg" alt="" width="800" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-1024x627.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12-768x470.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-12.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27055" class="wp-caption-text">Amy Sherman-Palladino disse que foi “mais ou menos” criada como judia (Foto: El País)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela integrou a equipe do programa para escrever sua terceira temporada, que foi ao ar em 1990, e saiu em 1994, após a sexta. A partir disso, continuou participando de diversos outros seriados, colecionando uma série de sucessos e fracassos, com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0259787/"><i><span style="font-weight: 400;">Love and Marriage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118420/?ref_=nm_flmg_prd_8"><i><span style="font-weight: 400;">Over the Top</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0118506/?ref_=nm_flmg_prd_7"><i><span style="font-weight: 400;">Veronica’s Closet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Como tentativa final para finalmente poder criar uma obra própria, Amy apresentou a ideia de criar uma série sobre mãe e filha, mas em que </span><i><span style="font-weight: 400;">“elas são mais como melhores amigas”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pronto, foi o golpe fatal para conseguir comprar todos os executivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, as ruas e casas da </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/23-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">fictícia cidadezinha de Stars Hollow</span></a><span style="font-weight: 400;"> passaram a ser construídas. Como centro da narrativa de sua estreia, estavam as garotas Gilmore: Lorelai (Lauren Graham) e sua filha Rory (Alexis Bledel). Explorar a boa relação entre mãe e filha já é acolhedor por si só, quem dirá em uma cidadezinha onde tudo e todos parecem ser extremamente acolhedores. Em meio aos caricatos habitantes e a rotina extremamente peculiar do município, Sherman-Palladino ergueu o cenário do que seria o grande </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">ato de sua carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, como estrela principal, a personagem que se tornaria um dos maiores ícones da comédia televisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lorelai Gilmore é uma mulher vinda de uma família da alta sociedade, e viveu um dos principais imprevistos que qualquer jovem garota é ensinada a temer: a gravidez na adolescência. Diante da repulsa da família, ela fugiu para a pacata cidade para criar sua filha, também Lorelai &#8211; apelidada no seriado como Rory, é claro. E sua grande motivação em vida é criá-la para que ela não cometa os mesmos erros provenientes de sua própria  rebeldia. O desenrolar da primeira temporada se dá na tentativa de reatar laços com seus pais, Richard (Edward Herrmann) e Emily (Kelly Bishop), com o objetivo de que eles pudessem pagar pelos estudos da neta.</span></p>
<figure id="attachment_27056" aria-describedby="caption-attachment-27056" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.webp" alt="" width="2000" height="1360" /><figcaption id="caption-attachment-27056" class="wp-caption-text">Apesar de fictícia, Stars Hollow é baseada na cidade Washington Depot, localizada no estado de Connecticut (Foto: Vogue)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que sob um plano de fundo de drama familiar, o que move os episódios da trama é o tradicional cotidiano de tomar café no </span><i><span style="font-weight: 400;">Luke’s</span></i><span style="font-weight: 400;">, ir nas reuniões da cidade, observar as polêmicas do Taylor (Michael Winters) com os habitantes, e por aí vai. O pilar que sustenta tudo isso é a relação entre Rory e Lorelai, que viria a constituir o que seria o âmago da comédia de Amy Sherman-Palladino: a rapidez. Com um</span><i><span style="font-weight: 400;"> timing</span></i><span style="font-weight: 400;"> cômico extremamente apurado, a roteirista e também produtora-executiva do seriado constrói </span><a href="https://gilmoregirls.com.br/o-segredo-do-sucesso-de-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">diálogos extremamente velozes</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre mãe e filha, repletos de tiradas e dezenas e dezenas (e dezenas) de </span><a href="https://www.vogue.com/article/gilmore-girls-netflix-pop-culture-quotes"><span style="font-weight: 400;">referências à cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornando a dinâmica entre as duas fascinante por si só. A simplicidade com que são incorporadas as dosagens de alusões a filmes e seriados da época faz com que, caso não entenda a que o diálogo se refere, o problema com certeza é você. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso é ancorado na figura da atraente Lorelai. Uma mulher sensual, no auge da beleza dos seus 30 anos, mas que jamais assume essas características como o seu principal atrativo, já que ele se encontraria em nada mais, nada menos, que o sarcasmo. E é nessa personalidade que Sherman-Palladino originaria um dos atos mais subversivos que os anos 2000 poderiam trazer, ao centrar todos os holofotes da comicidade de sua produção em uma mulher. Se atualmente já é difícil associar personagens femininas como grandes figuronas da Comédia, imagine o cenário há 20 anos. </span></p>
<figure id="attachment_27057" aria-describedby="caption-attachment-27057" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-11.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27057" class="wp-caption-text">Devido aos apressados diálogos entre os personagens da série, um roteiro de Gilmore Girls costumava ter o dobro de páginas quando comparado ao de outras produções de mesma duração (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as luzes brilham para Lorelai, talvez o oposto ocorra com Rory. Por mais que complete perfeitamente a sagacidade de sua mãe, a irreverência da mesma com certeza não é uma característica herdada. Mas a sina da personagem talvez seja as condições completamente utópicas da vida em que foi criada. Rory é a filha, a neta e a namorada perfeita. A criança prodígio, capaz de conquistar tudo que estivesse ao seu alcance apenas por sua inteligência e dedicação. E, mesmo assim, ela consegue tomar as piores decisões possíveis a todo momento. Daí outro grande ato que Amy Sherman-Palladino viria criar:  rompendo com idealismos aos quais as “boas garotas” sempre foram condicionadas, ela origina uma personagem que é uma verdadeira divisora de opiniões. Nas grandes expectativas que a envolvem, Rory erra incessante e irritantemente, mas não erramos todas nós? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fale pela rapidez cômica, mas o grande dom da roteirista está, com certeza, na construção de </span><a href="https://www.buzzfeed.com/danicreahan/ranking-amy-sherman-palladinos-fast-talking-women"><span style="font-weight: 400;">suas personagens femininas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vamos tratar não apenas de Rory e Lorelai, mas também de Emily, Lane (Keiko Agena), Paris (Liza Weil), Sookie (Melissa McCarthy) Miss Patty (Liz Torres), Babette (Sally Struthers)&#8230; Todas as mulheres que em seu próprio espectro constituem as personalidades mais interessantes de qualquer momento que entram em cena. E os homens? São facilmente ocultados e deixados para escanteio, geralmente servindo apenas de apoio romântico e no que podem fazer de melhor no universo Sherman-Palladino: serem bonitões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem eles acabam sendo reduzidos apenas ao seu aspecto galanteador na narrativa, muito menos a uma imagem sexualizada. Mesmo priorizando o desenvolvimento de figuras femininas, e muitas vezes utilizando os personagens masculinos apenas para fins muito específicos, a roteirista ainda consegue dar um </span><a href="https://valkirias.com.br/relacionamentos-amorosos-em-gilmore-girls/"><span style="font-weight: 400;">devida profundidade a esses componentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais do que pais, namorados ou amigos, eles têm uma importância significativa a favor do desenvolvimento das personagens mulheres, e nunca o contrário. Como exemplo disso, temos Richard, Jess (</span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Milo Ventimiglia</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Luke (Scott Patterson), que, mesmo oscilando em alguns momentos na vida das protagonistas, sempre surgem com participações necessárias para o seu amadurecimento pessoal ou em pontos decisivos de suas trajetórias. </span></p>
<figure id="attachment_27061" aria-describedby="caption-attachment-27061" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg" alt="" width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1536x1020.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1-1200x797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-8-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27061" class="wp-caption-text">Mostrando o teor quase autobiográfico de suas produções, a personagem Lane é baseada na melhor amiga de Amy, Helen Pai, tanto que o nome da banda Hep Alien é o dela embaralhado (Foto: The WB)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após seu grande ato televisivo, que se encerrou em uma </span><a href="https://snews.pro/pt/p/gilmore-girls-por-que-amy-sherman-palladino-deixou-o-programa-apos-a-6-temporada-15257382"><span style="font-weight: 400;">sexta temporada extremamente anti-climática</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amy Sherman-Palladino deu origem ao seu novo seriado, em 2008, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Retorno de Jezebel James</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um fracasso completo, que foi cancelado 10 dias após sua estreia e três episódios irem ao ar. Alguns anos depois de continuar na geladeira, em 2012, lançou um novo título: </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt2006848/"><i><span style="font-weight: 400;">Bunheads</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Novamente reciclando aspectos de sua vida pessoal, a trama centrava-se na história de uma ex-bailarina no fim de sua carreira, que acaba se mudando para uma pequena cidade. Apesar de ter conseguido finalizar uma temporada completa, a série não foi renovada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando parecia estar imersa no próprio fracasso, Amy decidiu fugir de sua tendência de focar em tramas da contemporaneidade e retornou para o passado, mais especificamente aos anos 50. É assim que surgiu o que seria a grande consagração de sua carreira, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Fugindo por completo das pequenas cidades fictícias, sua nova obra é ambientada na antiga Nova York. Ao centro dela, está Miriam “Midge” Maisel (Rachel Brosnahan), uma dona de casa que decide ingressar no ramo da comédia </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> após se divorciar do marido. Quase uma antepassada das Gilmore, Sherman-Palladino ganha de vez a sua licença poética para constituir uma personagem extremamente desbocada e que foge dos costumes da época. </span></p>
<figure id="attachment_27059" aria-describedby="caption-attachment-27059" style="width: 1499px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27059" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-6.webp" alt="" width="1499" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27059" class="wp-caption-text">Antes de interpretar o papel de sua carreira, Alex Borstein já havia participado de Gilmore Girls como as personagens Drella e Miss Celine, e ela também foi casada com Jackson Douglas, intérprete de Jackson (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fascínio da narrativa já é de esperar, pela continuidade dos diálogos extremamente ritmados e com o sarcasmo e ironia balanceados na medida certa. Além de, é claro, o ambiente totalmente familiar, nos levando a rotina dos Weissman, uma família judaica da classe alta. Mas para não se banhar no mesmo mar que lhe rendeu o seu último e único sucesso até então, a roteirista decide traçar críticas mais profundas à estrutura patriarcal da época, e que tem seus significativos respingos até os dias atuais. Retratar uma das primeiras mulheres a ingressar no ramo da Comédia já é simbólico por si só, mas além das injustiças que Midge sofre em sua carreira apenas por ser mulher, há também a repulsa de seus pais diante de seu novo trabalho, os padrões estéticos a que ela estava aprisionada e a conduta materna que paira sobre a própria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, Sherman-Palladino consegue subverter por completo os papéis femininos ainda retratados no meio televisivo, mesmo que em tempos mais recentes. Isso tudo sem precisar mergulhar em dramas densos e que busquem escancarar o sofrimento que as mulheres estão condenadas &#8211; o qual não precisamos ir muito longe para encontrar no mundo real &#8211; apenas para conseguir chocar e, assim, de fato, gerar algum tipo de reflexão no público. Os méritos da produção são incontáveis, e foram o que levaram a produtora a fazer história no principal prêmio da Televisão americana, como a primeira mulher, e também primeira artista no geral, a </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/amy-sherman-palladino-e-a-1a-mulher-a-ganhar-emmy-de-roteiro-e-direcao-de-comedia/"><span style="font-weight: 400;">levar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Roteiro e Direção em série de comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2018. Um triunfo que apenas reflete sua tamanha importância no meio, ainda mais levando em consideração que seu seriado mais popular nunca havia dado as caras na premiação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/tv/por-que-as-gilmore-girls-perduram,6d4971cd36aa2c12bc81b0122d3417747kc7zf9r.html"><span style="font-weight: 400;">relevância de Amy Sherman-Palladino</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a figura das mulheres na Televisão é tremenda, mas também cabe uma importante reflexão sobre quem são essas protagonistas que ela está retratando na tela, que, no caso, são sempre brancas. Já é nítido que a autora se reflete nas personagens que escreve, basta observar a semelhança com Midge, ambas de família judaica e com um gosto peculiar por chapéus extravagantes. No entanto, dos poucos personagens não-brancos que traz para suas narrativas, nenhum deles recebe uma devida profundidade em suas histórias pessoais. A exemplo temos Lane, que só surge na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> para servir de apoio a amiga Rory, e ganha um desenrolar de sua história pessoal apenas quando é conveniente, mas que perde a mão por completo na reta final da série &#8211; justiça por Lane Kim!</span></p>
<figure id="attachment_27060" aria-describedby="caption-attachment-27060" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27060" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7.webp" alt="" width="2560" height="1710" /><figcaption id="caption-attachment-27060" class="wp-caption-text">Já em sua quarta temporada, The Marvelous Mrs. Maisel é a verdadeira glória de Amy Sherman-Palladino, com a série tendo conquistado <a href="https://www.emmys.com/shows/marvelous-mrs-maisel">20 Emmys ao todo</a> (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O único personagem negro da série também tem a sua participação beirando a superficialidade e as suas tiradas icônicas, diferente de Sookie, que encontra-se no mesmo círculo social de Lorelai. Michel Gerard (Yanic Truesdale) foi, inclusive, alvo de questionamentos diante da </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/comedy/gilmore-girls-a-year-in-the-life-made-a-major-change-to-a-fan-favourite-character/"><span style="font-weight: 400;">representatividade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que o programa nunca trouxe à tona personagens abertamente gays, o que não é um peso carregado apenas pela sua criadora, que queria que a cozinheira do hotel fosse lésbica mas teve a ideia negada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">The WB</span></i><span style="font-weight: 400;"> na época. Essa falta total de abordagem diante da questão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou piada mais tarde, no </span><i><span style="font-weight: 400;">revival Gilmore Girls: Um Ano para Recordar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que Taylor Doose reclama da falta de membros da comunidade para participarem da parada do orgulho do município: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não há gays o suficiente em Stars Hollow!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo para sua produção mais recente, as questões raciais e também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">acabam sendo mais abordadas na figura de Shy Baldwin (LeRoy McClain) ao longo da terceira temporada. Agora, no quarto ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cota de personagens racializados fica nas costas de Mei (Stephanie Hsu), se é que vamos conseguir observar algo mais profundo que os negócios de sua misteriosa família &#8211;</span><i><span style="font-weight: 400;"> afinal, eles são sua família?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Por outro lado, a representatividade LGBTQIA+ ainda apresenta uma certa relutância em ser de fato declarada em componentes da trama como, por exemplo, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/make-susie-gay-you-cowards-on-the-marvelous-mrs-maisels-lesbian-problem-443802/"><span style="font-weight: 400;">rabugenta Susie</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alex Borstein). Em meio às inúmeras críticas diretas sobre a sexualidade da mesma, a principal fica no fato de que, se todos os personagens heterossexuais têm obrigatoriamente interesses amorosos, por que ela também não pode ter sequer uma menção em torno do assunto?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Críticas e elogios a parte, uma coisa é fato: o caminho iniciado por Amy Sherman-Palladino a mais de 20 anos atrás foi essencial para que, hoje, outras mulheres desbocadas pudessem vir para a superfície com maior facilidade, como é o caso da magnífica (e qualquer outro adjetivo que possa fazer jus a sua grandiosidade) </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Phoebe Waller-Bridge. Não foi primordial só apenas na produção da Comédia, mas também pelo feito de poder encorajar uma legião de jovens mulheres a entenderem que, acima de qualquer artifício estético, o sarcasmo pode sim ser sua principal forma de defesa. </span></p>
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		<title>Minha força não é bruta: as mulheres da Semana de 22</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 23:23:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan e Vitória Silva Quando falamos na Semana de Arte Moderna de 1922, há um retrato muito nítido na memória brasileira sobre quem eram as figuras envolvidas nesse importante capítulo de nossa história. Nele estão presentes nomes como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, e mais uma porção de personalidades masculinas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Minha força não é bruta: as mulheres da Semana de 22"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26116" aria-describedby="caption-attachment-26116" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26116 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-800x420.jpg" alt="Foto retangular de fundo cor gelo e textura. Na parte central superior lê-se “MULHERES NO CENTENÁRIO DA SEMANA DE ARTE MODERNA”. Centenário e as letras S e A estão em azul, o restante está em preto. Na parte inferior está a montagem de seis mulheres da semana de arte moderna, elas estão enfileiradas e as fotos estão em preto e branco. Todas as imagens são de busto. Da esquerda para a direita, as mulheres retratadas na imagem são: Patrícia Galvão, Guiomar Novaes, Regina Gomide Graz, Tarsila do Amaral, Zita Aida e Anita Mafaltti. No canto inferior direito está a logo do Persona com a cor da íris estilizada em azul." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26116" class="wp-caption-text">Destaques femininos do Modernismo, da esquerda para a direita: Patrícia Galvão (Pagu), Guiomar Novaes, Regina Gomide Graz, Tarsila do Amaral, Zina Aita e Anita Malfatti (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan e Vitória Silva</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um retrato muito nítido na memória brasileira sobre quem eram as figuras envolvidas nesse importante capítulo de nossa história. Nele estão presentes nomes como Oswald de Andrade, </span><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Manuel Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mário de Andrade, e mais uma porção de personalidades masculinas. Ao se tratar da parcela feminina, o primeiro nome que deve surgir com certeza é a popular Tarsila do Amaral, mas ela sequer esteve presente no evento. Durante os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, a pintora se encontrava do outro lado do oceano, na cidade de Paris. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas esse apagamento não se justifica pela ausência completa de mulheres entre as artistas, longe disso. Na década de 20, as mulheres brasileiras ainda não tinham conquistado o direito de votar, trabalhar sem a autorização do marido, ter conta bancária ou até mesmo a guarda dos filhos. Direitos esses que viriam, pelo menos, dez anos depois (e contando). Com um papel meramente restringindo a ser </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Cultura/noticia/2022/02/alem-de-tarsila-e-anita-conheca-mulheres-da-semana-de-arte-moderna-de-1922.html"><i><span style="font-weight: 400;">bela, recatada e do lar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quem imaginaria participar de um movimento artístico que impactaria não somente em esferas culturais como também políticas? Foram poucas que tiveram não somente a audácia, mas uma condição social e econômica para tal. </span></p>
<p><span id="more-26108"></span></p>
<figure id="attachment_26109" aria-describedby="caption-attachment-26109" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/9-obra-anita.jpg" alt="Pintura da artista Anita Malfatti. Nela, vemos uma mulher negra, com cabelos presos em um coque baixo e vestindo uma roupa branca de mangas curtas. Ela carrega uma bacia com frutas como abacaxi, banana e laranjas. Ao fundo, é possível ver uma paisagem rural. " width="500" height="371" /><figcaption id="caption-attachment-26109" class="wp-caption-text">Obra Tropical, de Anita Malfatti, uma das primeiras pinturas modernas com um tema brasileiro (Foto: Romulo Fialdini)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anita Malfatti, Zina Aita, Guiomar Novaes e Regina Gomide Graz são as únicas das quais se tem registro de terem presenciado a Semana de 22 de alguma forma. A primeira delas é mais lembrada pelas duras reações que recebeu durante sua carreira do que seus feitos no movimento modernista. Enquanto as demais nem mesmo costumam ser citadas por seus importantes feitos antes e depois do evento. E, se vamos falar de esquecimento, por que não lembrar daquelas que sequer são condicionadas a esse posto? No livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Invenções da Mulher Moderna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor Paulo Herkenhoff </span><a href="https://www.artequeacontece.com.br/6-artistas-mulheres-que-marcaram-o-modernismo-brasileiro-antes-e-depois-da-semana-de-22/"><span style="font-weight: 400;">resgata a trajetória de artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que contribuíram para o Modernismo direta ou indiretamente, antes ou depois da Semana. Entre elas, há nomes como Antonieta Santos Feio, Maria Pardos, </span><a href="http://www.dezenovevinte.net/bios/bio_nva.htm"><span style="font-weight: 400;">Nicolina Vaz de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, Julieta de França, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51761063"><span style="font-weight: 400;">Abigail de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.guiadasartes.com.br/georgina-de-albuquerque/biografia"><span style="font-weight: 400;">Georgina de Albuquerque</span></a><span style="font-weight: 400;">. Distantes da efervescência da capital paulista, desenvolveram um trabalho artístico que quebrava paradigmas da época e, de certa forma, respingou nos caminhos do Modernismo Brasileiro. </span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Se fizermos um </span><a href="https://vogue.globo.com/moda/noticia/2022/02/vogue-celebra-100-anos-da-semana-de-22-com-capa-obra-pintada-por-elian-almeida.html"><span style="font-weight: 400;">recorte racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, a representatividade no movimento é ainda mais reduzida, ou até mesmo nula, considerando um país com uma abolição da escravatura recente, e que não determinou a introdução da população negra na sociedade. Dessa forma, falar no centenário da Semana de Arte Moderna é também repensar os papéis que eram condicionados à população da época. Além de resgatar e imortalizar a obra daquelas que fugiram por completo da condição que lhes foi imposta, em um período que homens poderiam se profissionalizar como artistas, enquanto as mulheres deviam restringir suas práticas artísticas às limitações de seus lares, como um simples passatempo. É preciso corrigir a história das artistas à frente de seu tempo, que causaram um alvoroço na sociedade brasileira de 22. </span></p>
<figure id="attachment_26111" aria-describedby="caption-attachment-26111" style="width: 725px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26111" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-725x800.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Anita Malfatti. Anita era uma mulher branca, de cabelos escuros e curtos. Ela está com o rosto um pouco inclinado e usa um brinco em sua orelha. " width="725" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-725x800.jpg 725w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-928x1024.jpg 928w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-768x847.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita.jpg 940w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26111" class="wp-caption-text">A artista nasceu com uma deficiência congênita no braço direito que, mesmo após um procedimento cirúrgico, nunca recuperou totalmente os movimentos (Foto: Domínio Público)</figcaption></figure>
<p><b>Anita Malfatti (1889-1964)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 1889 vinha ao mundo a mulher que ganharia o título de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/anita-malfatti/"><span style="font-weight: 400;">primeira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filha de imigrante italiano e de uma pintora norte-americana, Anita Malfatti nasceu na cidade de São Paulo. Seu gosto pela arte foi muito influenciado por sua mãe, nutrindo desde cedo o sonho de estudar em Paris. Em 1910, embarcou na sua trajetória como artista ao se mudar para Berlim, em um período marcante da arte moderna alemã. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua passagem pelo país germânico e, posteriormente, pelos Estados Unidos, foi um fator importante para a construção de sua identidade. No ambiente europeu, Anita conviveu com pintores renomados e foi apresentada ao trabalho de famosos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-van-gogh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Van Gogh</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto, em Nova York, vivenciou a eclosão de movimentos de vanguarda como o expressionismo de Homer Boss. De volta ao Brasil, em 1914, realizou sua primeira exposição com obras de sua autoria e, em meados de 1917, a segunda. A feição tímida de Anita não correspondia a </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8938/anita-malfatti/obras?p=2&amp;gclid=CjwKCAiAgbiQBhAHEiwAuQ6BkniNZBS1PlPHU9F8cFfDmDXSoprjW46TJ0PUysOUkyVDnKBsYvlVwRoCd5EQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">ousadia e irreverência de suas pinturas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rejeitavam o academicismo a partir do uso de deformidades e cores marcantes. Incompreendida pelo público da época, sua arte foi alvo de duras críticas, até mesmo pelos seus familiares, chegando a perder o apoio financeiro de seu padrinho. A mais severa e marcante de todas veio do escritor </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/arte-de-manicomio-o-inusitado-conflito-entre-monteiro-lobato-e-anita-malfatti.phtml"><span style="font-weight: 400;">Monteiro Lobato</span></a><span style="font-weight: 400;">, em dezembro de 1917, que publicou um artigo no jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de S. Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerca das obras da artista com o título “</span><i><span style="font-weight: 400;">Paranóia ou Mistificação?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alvo de fortes reações da elite conservadora, muitas das obras de Malfatti foram devolvidas ou quase destruídas, provocando o isolamento da própria do meio artístico. Por outro lado, a represália também culminou na manifestação de outros artistas em defesa da jovem, como Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Emiliano Di Cavalcanti. No ano de 1919, iniciou estudos com o pintor acadêmico </span><a href="https://www.guiadasartes.com.br/pedro-alexandrino-borges/obras-e-biografia"><span style="font-weight: 400;">Pedro Alexandrino Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também passou a frequentar o ateliê do alemão </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/george-fischer-elpons"><span style="font-weight: 400;">George Fischer Elpons</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, onde conheceu Tarsila do Amaral. Unida aos seus recentes amigos e apoiadores, passam a atuar como o que ficaria conhecido por </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/grupo-dos-cinco"><span style="font-weight: 400;">Grupo dos Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que teria um importante papel na Semana de Arte Moderna de 1922.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_26114" aria-describedby="caption-attachment-26114" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-800x450.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Tarsila do Amaral. Tarsila era uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos; eles estão presos em um coque baixo. Ela usa um par de brincos compridos em suas orelhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26114" class="wp-caption-text">Suas pinturas mais famosas são: o Abaporu, Urutu, Antropofagia e Sol Poente (Foto: Tarsila do Amaral Licenciamentos)</figcaption></figure>
<p><b>Tarsila do Amaral (1886-1973)</b></p>
<p><a href="https://tarsiladoamaral.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Tarsila</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores referências artísticas do país e uma das principais pintoras da Arte brasileira moderna. Nascida em 1886, mudou-se para Europa em 1920 e cursou a Academia Julians e o ateliê do retratista de moda Émile Renard. Por esse motivo, suas pinturas eram fortemente influenciadas por aquilo que estava sendo produzido de mais atual na Europa na época, e com suas habilidade unia os ideais modernistas à brasilidade. No entanto, as pinturas de Tarsila, expostas no </span><a href="https://citaliarestauro.com/o-que-foi-o-salon-d-automne/"><span style="font-weight: 400;">Salão dos Artistas Franceses</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1922, ainda não revelavam toda a importância que a artista teria na construção do Modernismo brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pintora não participou ativamente da Semana de Arte Moderna, mas seu retorno ao Brasil, ainda em 1922, foi decisivo tanto em sua carreira como para o rumo ao qual o movimento seguiria. Chegando à terra das palmeiras, Tarsila se liga ao </span><a href="https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/06/revista-klaxon-formacao-uma-identidade-nacional"><span style="font-weight: 400;">Grupo Klaxon</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contava com nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Sérgio Buarque de Holanda. Posteriormente, ela se une a Anita Malfatti, Mário e Oswald de Andrade e Menotti del Picchia para formar o </span><a href="https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/06/revista-klaxon-formacao-uma-identidade-nacional"><span style="font-weight: 400;">Grupo dos Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que seria o grande responsável pelo referencial ideológico e artístico da Semana de 22. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1926, Tarsila do Amaral se casa com Oswald de Andrade, e dois anos depois, a artista pinta um quadro para </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/estilo/tarsilinha-do-amaral-tarsila-foi-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo-e-muito-corajosa/"><span style="font-weight: 400;">presentear o marido</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra era nada mais nada menos do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Abaporu</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, emocionando Oswald, o inspira a escrever o </span><a href="https://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto Antropófago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo assim, um dos quadros mais importantes do Brasil e marco inicial de sua fase antropofágica. Juntos, o casal influenciou de forma incisiva a Literatura e as Artes Plásticas por meio de suas peças e da defesa do Modernismo. E, apesar de não ter participado da Semana, Tarsila é considerada a primeira pessoa que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_26113" aria-describedby="caption-attachment-26113" style="width: 766px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/12-foto-guiomar.png" alt="Foto em preto e branco da artista Guiomar Novaes. Guiomar era uma mulher branca, de cabelos escuros e curtos. Ela está com a cabeça apoiada em sua mão esquerda, e veste uma blusa escura de mangas compridas, usa um colar de pérolas em seu pescoço e um par de brincos em suas orelhas." width="766" height="514" /><figcaption id="caption-attachment-26113" class="wp-caption-text">Com carreira consolidada no exterior, ficou conhecida pelas suas interpretações das obras de Chopin e Schumann (Foto: APR)</figcaption></figure>
<p><b>Guiomar Novaes (1894-1979)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulher prodígio, Guiomar Novaes nasceu em São João da Boa Vista (SP) e foi na cidade de Campinas (SP), com apenas quatro anos, que começou a tocar piano, incentivada pela mãe e reproduzindo o que as irmãs mais velhas tocavam. Foi ainda menina que demonstrou seu talento nato para a Música, compondo uma valsinha que recebeu o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jardim de infância</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua partitura foi, em 1903, publicada na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">O Malho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessa mesma época, a garota estava morando junto com a família em São Paulo, e por acaso do destino, ela era vizinha do escritor Monteiro Lobato, servindo de inspiração para a criação da personagem Narizinho, do </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Sítio do Picapau Amarelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 1922, a pianista foi uma das mais importantes da Semana de Arte Moderna. Em sua apresentação no Theatro Municipal de São Paulo durante o segundo dia do evento, interpretou as obras </span><a href="http://institutopianobrasileiro.com.br/years/index/1922"><i><span style="font-weight: 400;">Au jardin du vieux serail (Andrinople)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de</span> <span style="font-weight: 400;">E. R. Blanchet, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WlbWoN-Vdh4&amp;ab_channel=InstitutoPianoBrasileiro-IPB"><i><span style="font-weight: 400;">O ginete do pierrozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (esse integrava a coletânea </span><i><span style="font-weight: 400;">Carnaval das crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Villa-Lobos), e </span><i><span style="font-weight: 400;">La Soirée dans grenade</span></i><span style="font-weight: 400;">, das</span> <span style="font-weight: 400;">Estampes, </span><a href="https://classicosdosclassicos.mus.br/compositores/claude-debussy/"><span style="font-weight: 400;">Debussy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Minstrels. Ovacionada pela fulgurosa plateia, executou </span><i><span style="font-weight: 400;">L’Arlequin</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Vallon. Neste mesmo ano, firmou matrimônio com o arquiteto e compositor Octávio Pinto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da Semana de 22, Guiomar Novaes passou a incluir em suas apresentações as obras de Villa-Lobos, tornando-se importante divulgadora dele nos Estados Unidos. Em 30 de agosto de 1955, por decreto do então Presidente da República, o sucessor de Getúlio Vargas, Café Filho, foi condecorada com a Ordem Nacional do Mérito, juntamente a </span><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Heitor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ary Barroso. A valorização veio pelo sentido de universalidade dado à música brasileira, projetando-a no exterior. Sua última apresentação pública ocorreu em 15 de julho de 1973, no Festival Internacional de Música de Campos do Jordão. Em 1977, foi criada, na cidade natal da pianista, a </span><a href="http://amigosdaarte.org.br/programas-e-equipamentos/semana-guiomar-novaes-3/"><span style="font-weight: 400;">Semana Guiomar Novaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, importante evento cultural que ocorre anualmente, até hoje. </span></p>
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<figure id="attachment_26112" aria-describedby="caption-attachment-26112" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26112" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/14-obra-zina.jpg" alt="Pintura A Sombra, da artista Zina Aita. No quadro, é possível ver ilustrações que parecem ser de 6 figuras masculinas. Todos estão em meio a uma via, com o corpo inclinado para baixo, em que é possível ver sua sombra se formando logo atrás. " width="630" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-26112" class="wp-caption-text">Pouco se sabe ou se conhece sobre a obra de Zina, em função da falta de pesquisas e dificuldade em localizar suas produções (Foto: Romulo Fialdini)</figcaption></figure>
<p><b>Zina Aita (1900-1967)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fugindo um pouco do centrismo do estado de São Paulo, Tereza Aita, conhecida como Zina, nasceu na cidade de Belo Horizonte, em 1900. Filha de empresários italianos imigrados, em 1914, transfere-se com a família para a Itália, passando a frequentar a Accademia di Belle Arti di Firenze e estudar com </span><a href="https://www.brasilnaitalia.net/2021/11/ceramica-italiana-galileo-chini.html"><span style="font-weight: 400;">Galileo Chini</span></a><span style="font-weight: 400;">, referência na área da pintura e da cerâmica. Sua ligação com o artista serve como grande influência para o desenvolvimento de seu estilo mais “decorativista”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta ao Brasil, em 1918, a mineira passa a conviver com nomes importantes do Modernismo, como Mário de Andrade e Anita Malfatti. Na atmosfera modernista da capital paulista, ela também começa a contribuir com ilustrações para a </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,a-imprensa-alternativa-espalhou-o-modernismo-para-alem-de-sao-paulo,70003974203"><span style="font-weight: 400;">revista-símbolo do movimento na época</span></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Klaxon</span></i><span style="font-weight: 400;">. Passeando por tendências impressionistas, Zina expõe sua primeira mostra individual em Belo Horizonte no início de 1920. Em função disso, é considerada precursora do Modernismo em Minas Gerais, e as reações ao seu trabalho evidenciam o fardo de carregar esse título. Na imprensa, foi declarado que Zina utilizava “cores bizarras” para “ferir a vista do público”, passando a ser para Belo Horizonte o mesmo que Malfatti foi para São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco depois, participa da Semana de 22, exibindo oito telas e diversas impressões. Em 1924, ela se muda definitivamente para a Itália, onde passa a dirigir uma fábrica de cerâmica, largando as telas para dedicar-se às artes industriais. O destino escolhido por Zina, tanto no quesito da localidade quanto de seu estilo artístico, foi um fator motivador para o seu apagamento na história, em função das </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-60381328?at_custom4=2586C656-8E6A-11EC-890C-B20C933C408C&amp;at_custom1=%5Bpost+type%5D&amp;at_campaign=64&amp;at_medium=custom7&amp;at_custom2=twitter&amp;at_custom3=BBC+Brasil"><span style="font-weight: 400;">concepções da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, que restringiam artistas ligadas à decoração em um outro aspecto, não sendo de fato reconhecida no meio modernista. Essa mesma imposição afetaria a lembrança da vida e obra de Regina Gomide Graz.</span></p>
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<figure id="attachment_26110" aria-describedby="caption-attachment-26110" style="width: 308px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26110" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/regina.jpg" alt="Retrato da artista Regina Gomide Graz, pintado por seu irmão, Antonio Gomide. Nele, vemos uma mulher com o rosto inclinado para a esquerda. Ela é branca, com cabelos castanhos escuros e curtos, e veste uma blusa rosa com gola branca. " width="308" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-26110" class="wp-caption-text">A opção de Regina pela arte têxtil tinha um papel ainda mais revolucionário, de moldar uma nova dimensão estética para além dos quadros (Foto: Sérgio Guerini)</figcaption></figure>
<p><b>Regina Gomide Graz (1897-1973)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre todas as mulheres deixadas de lado pela memória histórica, a passagem de Regina Gomide Graz pela Semana de 22 é a que passa mais despercebida, sem ser ao menos totalmente comprovada. Nascida no ano de 1897, na cidade de Itapetininga, Regina era irmã do pintor </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/antonio-gomide"><span style="font-weight: 400;">Antonio Gomide</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esposa do pintor </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/john-graz"><span style="font-weight: 400;">John Graz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Passou parte de sua juventude na cidade de Genebra, onde estudou na École des Beaux Arts e conviveu com a ascensão de movimentos modernistas, como o </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/vanguardas-europeias.htm"><span style="font-weight: 400;">Cubismo e o Dadaísmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa parte de sua vivência seria determinante para que iniciasse seus trabalhos como artista com elementos do movimento </span><a href="https://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/art-deco/"><i><span style="font-weight: 400;">Art Deco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, após estudos dedicados sobre tapeçaria e áreas afins, âmbito em que se destacou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 20, juntamente com seu futuro marido e o poeta Oswald de Andrade, Regina passa a se inserir na vida intelectual da cidade de São Paulo, fato que lhe trouxe a oportunidade de participar e expor seu trabalho na Semana de Arte Moderna de 1922. Regina Gomide Graz foi a </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/como-foi-a-participacao-das-mulheres-na-semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">introdutora das artes decorativas modernas no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, teve uma obra marcada por um </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> abstrato expressado por meio de formas geométricas, e realizou trabalhos que também conversavam com vanguardas artísticas, por fim se envolvendo, é claro, com o Modernismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há de se questionar (e muito) o apagão da trajetória da artista. Na História da Arte, seu nome vem muito associado aos outros dois pintores de sua família, muitas vezes intitulados como </span><i><span style="font-weight: 400;">tríade de artistas-decoradores</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o protagonismo de sua obra voltada para a produção têxtil é jogado para escanteio, sendo necessária a presença de uma figura masculina para que o trabalho de Regina Gomide Graz seja minimamente lembrado. </span></p>
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<figure id="attachment_26115" aria-describedby="caption-attachment-26115" style="width: 699px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/17-pagu.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Patrícia Galvão. Patrícia era uma mulher branca, com cabelos ondulados e volumosos. Ela usa maquiagem forte em seus olhos e um batom escuro na boca. " width="699" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-26115" class="wp-caption-text">Sua obra mais famosa, Parque Industrial, foi escrita sobre o pseudônimo de Mara Lobo (Foto: Agir)</figcaption></figure>
<p><b>Patrícia Galvão (Pagu) [1910-1962]</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0n5M6RF0lDE&amp;ab_channel=ManfredPoroca"><span style="font-weight: 400;">Indignada no palanque</span></a><span style="font-weight: 400;">, Pagu é um dos maiores símbolos de mulher libertária e encarou como ninguém os ecos do movimento modernista. A pequena Patrícia tinha apenas 11 anos quando o Theatro Municipal em São Paulo abriu as portas para que os artistas criticassem a cultura tradicional. Jornalista, mulher precursora, militante política e incentivadora cultural, ela se junta aos grupos em 1929, se tornando musa modernista do </span><a href="https://www.todamateria.com.br/movimento-antropofagico/"><span style="font-weight: 400;">Movimento Antropofágico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pagu era movida por ideais como a justiça social e a transformação da pessoa por meio da arte e da cultura. Suas colunas de jornal tratavam de política, literatura e teatro, fazendo também o trabalho de divulgar autores desconhecidos no Brasil e alguns no restante do mundo. Em suas críticas sobre o cotidiano social foi visionária, com olhar sensível e antecipatório. Em sua obra mais famosa, </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/11/23/A-import%C3%A2ncia-de-%E2%80%98Parque-Industrial%E2%80%99-85-anos-depois"><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1933), falou sobre a industrialização brasileira do século XX, e acima disso, denunciou as condições humilhantes e precárias das operárias paulistanas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não reconhecer Pagu como referência dos desdobramentos do movimento modernista. Dona de muitos pseudônimos por conta da censura sofrida, casou-se, em 1930, com Oswald de Andrade, e, ao lado dele, passou a militar no Partido Comunista, logo se tornando a primeira presa política da história do Brasil, após participar de uma greve de estivadores. </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/pagu-primeira-presa-politica-brasil.htm"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Galvão foi presa 23 vezes ao longo da vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mundo não mudou muito depois de Pagu, suas obras ainda fazem sentido no contexto histórico atual do Brasil, e suas lutas frenéticas ainda são travadas diariamente por milhares de mulheres ao redor do mundo.</span></p>
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		<title>Yuni!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:01:56 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24482" aria-describedby="caption-attachment-24482" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24482" class="wp-caption-text">O drama adolescente da cineasta Kamila Andini é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e a aposta da Indonésia para representar o país no Oscar 2022 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou o mesmo sentimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2021, de onde saiu com uma recepção muito positiva e agraciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Platform Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reconhece filmes com </span><i><span style="font-weight: 400;">“alto mérito artístico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que também apresentam</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma forte visão de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os aplausos para o trabalho da diretora indonésia são mais do que dignos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles raros dramas adolescentes que sabe encontrar o lugar perfeito entre a irreverência e a seriedade, que aqui, cria uma ilustração da forma como as </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/11/10/o-que-esta-por-tras-da-historia-de-que-menina-amadurece-mais-cedo.htm"><span style="font-weight: 400;">normas sociais do patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> interferem na vida de meninas que são empurradas em direção ao amadurecimento precoce. Impulsionado pela ousadia e sensibilidade de sua protagonista, o filme de </span><a href="https://www.mpa-apac.org/2020/06/the-many-lives-of-indonesian-director-kamila-andini/"><span style="font-weight: 400;">Kamila Andini</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa como cenário um dos lugares mais religiosos do país que possui a maior população islâmica do mundo, para assim tocar em questões de gênero, sexualidade e amadurecimento numa obra que vai além das narrativas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> hegemônicas do eixo Estados Unidos-Europa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Andini, quem também assina o sucesso do filme é </span><a href="https://www.instagram.com/arawindak/"><span style="font-weight: 400;">Arawinda Kirana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a genialidade que dá vida à Yuni. A personagem está no último ano da escola (que tenta implementar testes de virgindade obrigatórios e proibir expressões musicais por ser algo fora da conformidade dos ensinamentos islâmicos), e sob a tutela da avó (ou do abraço aconchegante porém conservador de Nazla Thoyib) enquanto os pais trabalham na distante capital Jakarta. Ela é considerada uma das melhores alunas da turma e também vista como uma das melhores pretendentes da cidade, vivendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1TgZHJgUCQ"><span style="font-weight: 400;">o auge de sua adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio a profundos dilemas que surgem dessa interseção de costumes tradicionais e aspirações modernas.</span></p>
<figure id="attachment_24483" aria-describedby="caption-attachment-24483" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24483" class="wp-caption-text">O prêmio que Yuni recebeu no Festival de Toronto já agraciou obras como Jackie, de Pablo Larraín em 2016, e Martin Eden, Pietro Marcello em 2019 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Kamila Andini e </span><a href="https://twitter.com/primarus"><span style="font-weight: 400;">Prima Rusdi</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge de nada, e a vibrância de Kirana se choca com incertezas que Yuni encontra em todos os cantos. Primeiro, o pressuposto da universidade existe desde que suas notas e seu estado civil permaneçam como estão, pois só assim ela terá a chance de conquistar uma bolsa universitária e viver sua liberdade e autonomia. No entanto, ela tem um pé atrás com a questão do casamento, já que </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/julho-indonesia-casamentos-e-suas-tradicoes-290859645"><span style="font-weight: 400;">os mitos locais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizem que se uma jovem rejeitar dois pedidos, será praticamente impossível ela encontrar um marido depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída da personagem é manter todas as opções em aberto, e o filme concentra seu desenrolar na corrida de Yuni em direção ao seu sonho universitário antes que a terceira proposta de casamento destrua os rumos de sua vida. Na escola, a única dificuldade dela é encaixar sua mente lógica nos sentimentos aflorados pela Literatura, disciplina ministrada por Sr. Damar (</span><a href="https://www.instagram.com/dimsad77/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dimas Aditya</span></a><span style="font-weight: 400;">), o professor que é sua paixão secreta. Então, ela conta com a ajuda do tímido Yoga (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/kevin-ardilova"><span style="font-weight: 400;">Kevin Ardilova</span></a><span style="font-weight: 400;">), que direciona o encanto que tem por Yuni na poesia. A narrativa cheia de personalidade de Andini sabe usar clichês, e a paixão inicialmente unilateral floresce em algo muito mais significativo.</span></p>
<figure id="attachment_24484" aria-describedby="caption-attachment-24484" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24484" class="wp-caption-text">O filme é dedicado à memória do mestre da poesia indonésia Sapardi Djoko Damono (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o prêmio de Toronto bem notou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho de arte. Parcialmente inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hujan Bulan Juni </span></i><span style="font-weight: 400;">(conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A June Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">, “chuva de junho”, numa tradução literal), o precioso poema de amor do reverenciado indonésio </span><a href="https://www.poemhunter.com/sapardi-djoko-damono/"><span style="font-weight: 400;">Sapardi Djoko Damono</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kamila Andini cria reviravoltas trazendo a poesia para o filme, tanto na forma quanto no conteúdo, tanto objetiva quanto subjetivamente. O movimento só funciona graças à vastidão emocional, verossimilhança e simpatia que Arawinda Kirana cria para a protagonista, mesmo nos momentos em que Yuni mergulha nos momentos contraditórios orientados pela confusão sentimental da juventude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio roteiro brinca com noções estéticas, significados culturais e hábitos da adolescência com sua protagonista </span><a href="https://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolismo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">obcecada por roxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe que quando uma coisa roxa some, você deve ter roubado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, implora a diretora da escola para que Yuni deixe seus “maus” comportamentos influenciados pelas suas manias “bobas”). A cor costumeiramente associada ao poder, sabedoria e espiritualidade é amplamente conhecida na Indonésia como o tom que representa e consola as viúvas enlutadas, o que satiricamente muda os olhares direcionados à Yuni quando ela é vista dirigindo sua moto púrpura ou ostentando mechas lilases no cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Teoh Gay Hian, por sua vez, é muito bem orientada para reparar nos detalhes, e a composição de Budi Riyanto Karung sabe exatamente o que precisa expressar. Seja quando o grupo de amigas de Yuni chora pela </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/cortei-meus-pulsos-porque-nao-tinha-opcao-o-drama-das-meninas-obrigadas-a-se-casar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pressão do casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> compulsório no cenário do quarto adolescente, ou quando a protagonista explode um momento de caos emocional jogando todas as quinquilharias roxas potencialmente furtadas para fora do seu armário, ou quando todas as garotas estão apenas conversando sem rodeios sobre o que envolve </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/como-os-adolescentes-lidam-com-sexo-e-identidade-de-genero/?gclid=CjwKCAjwiY6MBhBqEiwARFSCPlU9Lg3T89XAray90KAbay2Wm7CQceCWzg6TKXgcJlR0zbzC0b-EFhoC1zkQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">o mundo delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> naquele momento, tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para construir uma única mensagem que sua criadora identificou lá no início.</span></p>
<figure id="attachment_24485" aria-describedby="caption-attachment-24485" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg" alt="" width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24485" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta foi com o aclamado The Mirror Never Lies, em 2011, que a colocou no radar mundial como um dos nomes mais promissores do Cinema do sudeste asiático (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema recorrente do </span><a href="https://valkirias.com.br/greta-gerwig-lady-bird-frances-ha/"><span style="font-weight: 400;">Cinema feito por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos anos, que reflete sobre a nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os nossos </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">caminhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contextos de persistência do patriarcalismo,  encontra aqui um naturalismo gracioso, despreocupado, convincente e sem julgamentos. Podemos não saber exatamente o que queremos, mas </span><a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2021-women-directors-meet-kamila-andini-yuni/"><span style="font-weight: 400;">sabemos exatamente o que não queremos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando o filme de Kamila Andini desenha isso diante dos nossos olhos através da jornada de sua protagonista, é a hora da maior exclamação de todas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni!</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apenas <em>Yuni!</em></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="YUNI Trailer | TIFF 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s1TgZHJgUCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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