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	<title>Arquivos Interview &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Interview &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Persona Entrevista: Gabeu</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 21:16:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje Raquel Dutra e Vitor Evangelista Dono de um dos Melhores Discos de 2021, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do queernejo. Como parte do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-gabeu/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Gabeu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><span style="font-weight: 400"><i>Nome por trás do fabuloso e singular AGROPOC, o cantor fala sobre as origens de sua Música, parcerias dos sonhos e o papel do sertanejo no mundo de hoje</i></span></p>
<figure id="attachment_28084" aria-describedby="caption-attachment-28084" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg" class="size-full wp-image-28084" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_gabeu_wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28084" class="wp-caption-text">Em mais um conteúdo especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Persona recebe o cantor Gabeu, em nossa primeira entrevista no campo da Música (Foto: Gabeu/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Dono de um dos </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/">Melhores Discos de 2021</a></span><span style="font-weight: 400">, Gabeu tomou conta do ano passado no cenário do </span><span style="font-weight: 400"><i>queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">. Como parte do Especial do Mês do Orgulho, o </span><span style="font-weight: 400"><strong>Persona</strong></span><span style="font-weight: 400"> retoma o quadro de </span><span style="font-weight: 400"><strong>entrevistas</strong></span><span style="font-weight: 400"> e inaugura a editoria de conversas musicais para receber a estrela em ascensão, em um papo que viaja de suas raízes no gênero musical até as mais diversas influências que fizeram de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, seu trabalho de estreia, um dos destaques musicais mais instigantes e criativos da cena atual.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-28071"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma</i></span><span style="font-weight: 400">”, começa Gabeu, que conversa conosco sorridente, frente a um cenário composto pelo saudoso vinil do </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400">, um cavalo de brinquedo que serviu de companheiro na composição visual do disco e uma máscara com estampa de vaquinha malhada. Filho do cantor Solimões, ele sempre encontrou no </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/05/gabeu-filho-de-solimoes-sobre-sertanejo-para-lgbtq-acabei-alcancando-um-publico-tradicional.html">sertanejo a base de toda sua formação</a></span><span style="font-weight: 400">, mas o trajeto até o gênero em que hoje triunfa não foi tão simples quanto pode-se pensar.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Seja frequentando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">do pai ao lado de Rio Negro ou mesmo ouvindo canções em casa, o jovem artista sempre se sentiu deslocado ali, e demorou a aceitar que poderia trabalhar na mesma linha que cresceu consumindo, incrementando-a com a expressividade e a bagagem que ele, como homem gay, carrega. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Então, isso é uma coisa muito recente</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele define, sobre a ideia de entender que o sertanejo, um local carregado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/sertanejo-ainda-naturaliza-o-machismo-apesar-do-feminejo-aponta-pesquisa">padrões de gênero</a></span><span style="font-weight: 400">, masculinidade e heteronormatividade, poderia também ser um espaço de atuação seu.</span></p>
<figure id="attachment_28073" aria-describedby="caption-attachment-28073" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg" class="size-full wp-image-28073" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. Ele está duplicado na imagem, aparecendo do lado esquerdo e do lado direito. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A sua primeira figura, à esquerda, está de lado, usando uma máscara de strass sobre o rosto, do qual se pode ver apenas os olhos. Já a figura do lado direito está segurando um chicote preto. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28073" class="wp-caption-text">“Ah, por quanto tempo mais vamos amar no escuro?/A noite é ousadia e o dia é turvo/&#8217;Cê&#8217; puxa as minhas rédeas e eu obedeço” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Como foi o seu caminho até a Música? Você teve contato pessoal com o meio desde criança? Sempre quis ser músico? Ou foi uma vontade que só surgiu depois?</b></p>
<p><b>Gabeu: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu sempre tive a certeza de que eu queria fazer Música de alguma forma. Acho que uma das coisas que eu mais brinquei na minha infância era de pegar o microfonezinho lá e ficar horas e horas fazendo show, então eu sabia que de alguma forma a Música ia estar presente na minha vida, seja como um hobby ou como uma coisa mais profissional.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Mas eu acho que essa coisa também de ter o meu pai como a principal referência, sendo ele um cantor sertanejo, e ocupando esse lugar de um homem hétero, coisas que eu não me identificava muito, foi decisivo para eu tentar explorar outras coisas e achar durante um tempo que a Música não era realmente uma possibilidade profissional pra mim. Porque eu pensava, ‘ah, eu não quero fazer sertanejo, porque eu acho que não tem nada a ver’, mas a Música pop que eu gosto, a Música pop gringa, também não é uma coisa que rola muito no Brasil, na época, quando eu era criança, não era uma coisa muito expressiva, aí depois que veio </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/anitta-chega-ao-top-1-do-ranking-global-do-spotify-com-envolver.ghtml">a Anitta</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/04/17/pabllo-vittar-faz-historia-no-coachella-como-primeira-drag-queen-a-se-apresentar-em-festival.ghtml">a Pabllo</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, aí eu falei ‘hum, acho que existe uma possibilidade’.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Então quando eu comecei a pensar de fato em me profissionalizar e me lançar como cantor, ainda não era assim com o queernejo. Eu até cheguei a entrar no estúdio, gravei uma música popzinha, mas que hoje eu escuto e falo ‘nada a ver, ainda bem que eu realmente fui por outro caminho, porque não ia rolar’. Mas passei por esses processos, de pensar ‘vou me lançar como cantor, mas vai ser pop? Será que eu tento fazer alguma coisa sertaneja?’. Então eu fiquei meio nessa, durante muito tempo, pensando e pensando pra de fato chegar nessa ideia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Gabeu - Amor Rural (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0U-CxqgzCPU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/37GyZOnB6BprszwHjI2y8F?si=1a36985e5eb34c64">Amor Rural</a></i></span><span style="font-weight: 400">, sua faixa de estreia, foi lançada há apenas 3 anos, provando que essa jornada está apenas no início. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu fui crescendo, fui passando por esse processo de descoberta da sexualidade, fui, enfim, me encontrando em outros rolês, me encontrando num rolê mais de Música pop, num rolê LGBTQIA+ e fui me desprendendo, me desprendendo desse universo sertanejo</i></span><span style="font-weight: 400">”.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Na adolescência, Gabeu chegou a renegar esse espaço: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tive um tempo de parar um pouco de ir nos shows do meu pai e agora, um pouquinho antes de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu venho fazendo esse processo de fazer as pazes com as minhas raízes e olhar com um pouquinho mais de carinho, de ver o quê desses lugares, desses ambientes, dessa musicalidade, eu consigo aproveitar, transformar e fazer com que faça sentido pra mim</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">É uma coisa que ele ainda está entendendo, toda essa ideia de se apropriar de um gênero que antes ele não se via representado, “</span><span style="font-weight: 400"><i>e eu acho que isso é gostoso também, de eu não ter uma resposta pronta</i></span><span style="font-weight: 400">”. Considerando estar em um período fértil de criatividade, Gabeu enxerga com otimismo esse “</span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.metropoles.com/colunas/leo-dias/saiba-o-que-e-queernejo-o-sertanejo-feito-para-o-publico-lgbtqia">início do queernejo</a></i></span><span style="font-weight: 400">”, com as ideias borbulhando e a Música tomando vida nesse processo criativo aflorado.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28074" aria-describedby="caption-attachment-28074" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28074" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC.. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada, calça jeans azul clara, cinto preto de fivela prateada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está de frente, montado em um cavalo de cabo de vassoura. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-3.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28074" class="wp-caption-text">Além de cantar Cowboy da Banda Uó, Gabeu também regravou outro sucesso com a palavra no título: Cowboy Fora da Lei, de Raul Seixas (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Repleto de misturas, o trabalho musical de Gabeu se inspira em artistas como a </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.whatelsemag.com/banda-uo-legado-pop/">Banda Uó</a></span><span style="font-weight: 400">, precursores na arte de incorporar o </span><span style="font-weight: 400"><i>queer </i></span><span style="font-weight: 400">à estética nacional. Além disso, o repertório de </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC</i></span><span style="font-weight: 400"> conta com canções narrando casos amorosos para lá de específicos e chamativos (caso de </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://open.spotify.com/track/5QaR2ij3qs08IFpiosMwhE?si=9e2c329741484e7a">Esconde-Esconde</a></i></span><span style="font-weight: 400">). Quanto ao processo de composição, o cantor revela que percebeu que estava explorando a criação de histórias, portanto, os relatos não necessariamente aconteceram em sua vida.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Admitindo ter ouvido muita Música caipira, onde os intérpretes não viviam o que colocavam nas letras, ele destaca a ideia de “</span><span style="font-weight: 400"><i>adotar um eu-lírico, um personagem, e cantar como se fosse aquele personagem</i></span><span style="font-weight: 400">”. Nenhuma novidade para quem tem aproximação e formação formal em Teatro e o Cinema: “</span><span style="font-weight: 400"><i>é uma coisa até meio teatral, porque eu gosto muito. Então, em </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/track/2ai3faoOrIHffFE5Q13skt?si=8dbb21321a4c4403">Bandoleiro e Atacante</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, por exemplo, não, eu nunca roubei banco com um cowboy, nunca tive um sugar daddy</i></span><span style="font-weight: 400">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Sugar Daddy (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PZVaOifIHAM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>No disco, você traz em Cowboy um cover da Banda Uó, que foram artistas muito marcantes para a cena nacional, levando uma roupagem queer para sonoridades tipicamente brasileiras. Você os considera uma inspiração para a criação do AGROPOC?</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400"><i>“Obviamente eles são uma referência muito grande, e eu acho que não só pra mim, mas eu acho que pra todos esses artistas pop LGBTs, que estão aí sabe, fazendo sucesso hoje. Eu acho que a Banda Uó é uma das principais inspirações, eu considero que todos esses artistas de hoje são os filhos da Banda Uó, porque é isso, eles foram muito pioneiros mesmo nessa coisa de misturar o pop com uma estética diferente, com coisas regionais, eles brincavam muito com os gêneros no geral, tem uma música deles sertaneja, </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2cBwOf_Uww">Cowboy</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, eles brincavam com tecnobrega, forró, enfim, várias coisas que eles exploravam. Então eu considero muito eles uma referência, e eu escolhi </i></span><span style="font-weight: 400">Cowboy </span><span style="font-weight: 400"><i>porque, enfim, era a faixa sertaneja deles, é uma das faixas que eu mais ouvi da carreira deles.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Quando eu descobri eu fiquei maravilhado, eu nunca tinha sentido aquilo, eu acho que foi o primeiro sinal de vida do queernejo de fato ali, sabe? Porque é isso, dois caras gays, uma mulher trans, fazendo Música sertaneja, se eu não me engano eles são do Goiás, então eles têm essa raiz também, por mais que eles não trabalharam isso durante toda a carreira, eles carregam isso também. Então, sabe, muitas coisas que me fazem olhar pra eles e falar ‘faz sentido essa música estar no meu repertório’. É uma música que eu cantava nos meus shows antes de pensar no álbum, e aí no meio desse processo de produção do álbum eu falei ‘ah, acho que ela cabe muito bem aqui no meio dessas faixas’, e aí eu regravei e coloquei, e a galera super curtiu, super achou que fez sentido também”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_28075" aria-describedby="caption-attachment-28075" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg" class="size-full wp-image-28075" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. Ele está sentado na frente de muitas garrafas de vidro vazias e seu rosto está repleto de marcas de beijo. Ele apoia o rosto com a mão esquerda e tem uma expressão de tristeza. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28075" class="wp-caption-text">“Eu tô nesse processo de descoberta do que eu posso fazer e do que eu quero fazer dentro da Música sertaneja, que é um gênero e um lugar social também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Os diálogos com outras obras do universo </span><span style="font-weight: 400"><i>pop</i></span><span style="font-weight: 400"> não param por aí, já que ele também viveu a experiência de viajar pela sua capacidade de criação em plena </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.band.uol.com.br/entretenimento/de-taylor-swift-a-marcelo-d2-oito-artistas-que-lancaram-albuns-durante-o-isolamento-16320119">pandemia</a></span><span style="font-weight: 400">. Agora, no entanto, o momento é de viver a sua música junto do seu público, que desde maio vem mantendo encontros com Gabeu em cima do palco: “</span><span style="font-weight: 400"><i>eu tô vivendo esse momento de sair de casa pela primeira vez pra cantar o álbum, encontrar as pessoas e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/p/CdqyIEIj9uD/">ver as pessoas cantando as músicas</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, e ter essa troca, das pessoas virem até mim e falarem que elas acharam do álbum, qual a faixa favorita delas, o que elas sentiram, como o álbum foi importante pra elas na pandemia&#8230; eu ouvi muito isso.</i></span><span style="font-weight: 400">”&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em época de celebrações essencialmente ligadas à cultura caipira, ele vivencia tudo o que sonhou para o disco, planos que, assim como todo o resto do mundo, foram paralisados pela crise sanitária advinda do covid-19: “</span><span style="font-weight: 400"><i>Sinceramente, foi uma loucura lançar o álbum na pandemia. Produzir ele foi muito gostoso, mas eu tinha muitos planos grandes pra ele, obviamente não contando com a pandemia. Era pra ele sair no comecinho de 2020, e aí veio todo esse desastre, enfim, e aí agora reencontrar as pessoas e ter essa troca com elas é muito, muito, muito gratificante e me faz lembrar de como foi importante pra mim produzir e mergulhar nesse universo de fato e ter realmente a coragem de não abandonar a ideia do queernejo</i></span><span style="font-weight: 400">.”</span></p>
<figure id="attachment_28076" aria-describedby="caption-attachment-28076" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg" class="size-full wp-image-28076" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, camisa de franjas alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado direito. Ele acende com um isqueiro algo que imita um charuto de dinheiro. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28076" class="wp-caption-text">As composições sagazes são a marca registrada de Gabeu desde o seu single de estreia, o espertinho Amor Rural (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">O carinho pelo gênero que está no centro do seu seio familiar reluz no olhar de Gabeu quando ele avalia os ônus e os bônus de construir o seu lugar em um espaço que inicialmente lhe era hostil. Agora, ao ver um aspecto tão importante para a formação da sua identidade </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/musica/sertaneja/2022/05/30/sertaneja,286521/cpi-do-sertanejo-entenda-porque-shows-estao-sendo-cancelados.shtml">na boca da mídia</a></span><span style="font-weight: 400"> por conta das recentes denúncias de superfaturamento em </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">sertanejos pelas cidades do Brasil, a sua voz representativa, crítica e reflexiva não se desvia das polêmicas.&nbsp;</span></p>
<p><b>Nesse momento em que o sertanejo passa por uma série de investigações e denúncias, como você, que tem tanto carinho, identificação e proximidade com o meio, mas também esse olhar mais crítico, se relaciona e encara essas problematizações?&nbsp;</b></p>
<p><b>G: </b><span style="font-weight: 400">“</span><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que muitas coisas dentro do meio sertanejo nunca foram questionadas, em relação à qualquer tipo de pauta, à qualquer tipo de discussão mais séria e mais profunda, em relação à representatividade, à política, ao cenário que a gente está vivendo hoje. Eu acho que as pessoas não se aprofundam em muitas coisas nesse meio, e eu acho que o que tá rolando agora talvez seja um sinal para que a gente comece a debater alguns assuntos importantes no meio, como essa coisa mais contratual, mais financeira, bem polêmica que tá rolando, mas também de pautas identitárias, que é uma coisa que a gente vem reiterando no queernejo, vem tentando trazer as discussões, e não só em relação à comunidade LGBTQIA+</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>No ano retrasado, a gente fez o </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.instagram.com/fivelafest/">Fivela Fest</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, o Festival de Queernejo, que rolou on-line também, e a gente propôs várias mesas de debate, sobre masculinidade tóxica no sertanejo, sobre negritude no sertanejo. E fazendo essa pesquisa, de ir mais a fundo no sertanejo raiz, a gente consegue encontrar mais cantores e artistas negros lá nos anos 20 e 30 do que hoje, então é uma coisa a se discutir também. Eu dou esses exemplos mais pra falar sobre isso: que o mercado sertanejo não gosta de se aprofundar em discussões, eles gostam muito de ficar na superficialidade, eles têm muito medo de se comprometer, têm muito rabo preso com várias questões políticas. Enfim, eu acho que o queernejo está aqui também pra questionar esse tipo de coisa.”</i></span></p>
<p><figure id="attachment_28077" aria-describedby="caption-attachment-28077" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28077" width="800" height="800" alt="Fotografia de divulgação de Gabeu para o disco AGROPOC. O artista é um jovem branco, e usa um chapéu de cowboy marrom, que ele segura à frente de seu rosto, camisa alaranjada e maquiagem preta delineando os olhos em formato gateado. A imagem é um close de seu rosto, que está inclinado para o lado esquerdo. Ele faz um sinal de silêncio com o dedo indicador na frente dos lábios. O fundo da imagem é dourado claro cintilante." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-8.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28077" class="wp-caption-text">“É uma ideia que me passou pela cabeça em alguns momentos [desistir do sertanejo], lá no começo, quando eu lancei Amor Rual e Sugar Daddy, por várias inseguranças, várias coisas internas aqui também” (Foto: Gabeu)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">A mesma ponderação é expressa quando ele fala sobre a sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/03/solimoes-comenta-foto-do-filho-com-namorado-e-cai-nas-gracas-da-web.htm">família</a></span><span style="font-weight: 400">, que foi assunto na mídia em 2018 por conta dos comentários carinhosos que o pai Solimões deixava nas publicações de Gabeu nas redes sociais. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Chamou muita atenção o fato de um pai ter uma boa relação com seu filho gay. Aquilo me deixou muito feliz pela repercussão, mas também, ao mesmo tempo, eu fiquei refletindo sobre isso, porque se chamou tanta atenção é porque de fato é uma coisa muito incomum. E aí eu parei pra pensar e voltar atrás no momento que eu me assumi, pra minha família, pro meu pai, pra minha mãe, pra minha irmã e eu fiquei lembrando de como foi.”</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sobre esse </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/10/filho-de-solimoes-sobre-reacao-do-pai-ao-revelar-homossexualidade-sempre-me-apoiou.html">momento delicado</a></span><span style="font-weight: 400">, ele compartilha que foi tranquilo de forma externa e conflituoso de forma interna, mas que o pai foi a primeira pessoa da família a saber: “</span><span style="font-weight: 400"><i>A reação dele foi muito natural, ele tava meio sem saber o que dizer, mas ele teve uma preocupação de demonstrar acolhimento. E foi a mesma coisa com a minha mãe, a minha irmã, depois de um tempinho que eu contei pro meu pai”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os conflitos geracionais, no entanto, não deixaram de aparecer no meio da aceitação familiar. “</span><span style="font-weight: 400"><i>Às vezes rola uns embates de geração mesmo, de não entender o porquê de ficar sempre reiterando a sexualidade, a identidade de gênero, de estar sempre falando sobre isso, de estar sempre levantando essa bandeira</i></span><span style="font-weight: 400">”, ele compartilha, reforçando o carinho e acolhimento que encontrou dentro de casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gabeu - Cowboy Fora da Lei (Video Performance)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/95OG3B_efl0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Quais são os seus discos favoritos da vida? Um brasileiro e um internacional?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Dois? Ai meu Deus. Só 2 é difícil. Bom, esse aqui tá bem aqui do meu lado, é o </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-10-anos/">Born This Way</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Gaga. Pra mim é o maior disco da História, tipo pra mim realmente é uma obra de arte. Eu gosto muito de um álbum recente que é um cantor country gay, estadunidense ou canadense se eu não me engano, ele chama Orville Peck, e ele lançou nesse ano, chama </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2hCcPHWTbvF81CiXPUrM6I?si=j8rkcxTGRLGMFdk-t6szdA">Bronco</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, e é um álbum muito, muito, muito bom, tipo muito countryzão raiz que eu me identifico muito. E brasileiros assim eu gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/2VdGX4c99Au3aGtR1HJAIm?si=W86XGKNiQqSC0_4f9VeS1A">Rito de Passá</a></span><span style="font-weight: 400"><i>, da MC Tha, sou muito, muito fã da MC Tha, gosto muito do </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://open.spotify.com/album/1ly3ZOMmBJdbx94pftr70g?si=REf9kOypRviOACrGE9bhgA">Simulacre</a></span><span style="font-weight: 400"><i> da Potyguara Bardo e, ah, enfim, eu poderia listar dez milhões de álbuns aqui. A gente pode depois fazer uma entrevista só de álbuns, só pra falar de álbuns dos outros”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Nós também acompanhamos o Orville Peck, e quando alguém comenta que está ‘ouvindo um CD de um cowboy LGBTQIA+’ a primeira reação é perguntar se é o Gabeu. E esses dias você compartilhou que estava ouvindo uma música dele.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Nossa é impressionante, quando eu descobri o Orville Peck eu fiquei embasbacado, eu fiquei tipo, não só pela figura dele, pela representatividade que ele traz pro country, que eu acho que a Música country também enfrenta muitas coisas como o sertanejo, num lugar parecido ali, mas pela estética dele, eu acho ele incrível, maravilhoso. [&#8230;] Tem uma cena country queer lá na América do Norte, na Europa também tem uma galera. Enfim, será que vem aí uma carreira internacional?”</i></span></p>
<figure id="attachment_28078" aria-describedby="caption-attachment-28078" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28078" width="800" height="800" alt="Contracapa do disco AGROPOC de Gabeu. A imagem apresenta a lista de faixas do disco sob um fundo dourado claro, em fonte cursiva de cor branca. No lado superior direito, existe o desenho de um chapéu de cowboy, também imitando um traço feito à mão e em branco." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-7.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28078" class="wp-caption-text">Ao lado de nomes como Reddy Allor e Bemti, AGROPOC conta histórias de amores escondidos, riquezas avantajadas e até um assalto perigoso (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>E tem algum filme ou série que você queira recomendar? Pode ser algo que tenha te inspirado na criação do disco.</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Olha, eu sou uma pessoa que não assiste muitos filmes e muitas séries, eu sou meio preguiçoso pra isso, e o que eu assisto geralmente não tem muito a ver com o que eu tenho feito na Música e se eu falar </i></span><span style="font-weight: 400"><a href="https://medium.com/cinecr%C3%ADtica/a-iconicidade-de-brokeback-mountain-na-hist%C3%B3ria-lgbt-do-cinema-4619ab8d6c93">O Segredo de Brokeback Mountain</a></span><span style="font-weight: 400"><i> vai ser muito clichê eu acho, mas é um filme que eu amo muito e já até fizeram um edit um dia de </i></span><span style="font-weight: 400">Amor Rural </span><span style="font-weight: 400"><i>com as cenas do filme, eu achei uma gracinha, se bem que aquele filme é muito triste. Mas, deixa eu pensar, eu gosto muito dos </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.museumazzaropi.org.br/filmes/">filmes do Mazzaropi</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>, os filmes antigos do Mazzaropi, por conta do meu pai.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Obviamente tem muitas coisas questionáveis hoje em dia, tem coisas muito machistas, muito homofóbicas, mas eu acho que é aquilo tipo, eu assisto algumas coisas hoje em dia do Mazzaropi e eu tento pincelar as coisas que me seriam úteis, para minha carreira e que são inspiradoras pra mim, sabe. Então os números musicais dos filmes eu gosto muito, quando ele canta, e o tom de comédia, o tom dramático também, porque ele vai do drama ao cômico, ele ia do drama ao cômico rápido e de uma forma que eu achava que era interessante. Enfim, não é um filme específico, mas é a filmografia toda do Mazzaropi. [..] Eu tô numa vibe de produções sul-coreanas da </i></span><span style="font-weight: 400">Netflix</span><span style="font-weight: 400"><i>, eu tenho assistido umas coisas interessantes. Assisti uma que chama </i></span><span style="font-weight: 400">Profecia do Inferno</span><span style="font-weight: 400"><i>, que eu amei muito. E tem outra que se chama</i></span><span style="font-weight: 400"> Juvenile Justice</span><span style="font-weight: 400"><i>, muito legal. Recomendo”</i></span><span style="font-weight: 400">. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E agora de volta à Música, se você pudesse escolher algum artista para trabalhar junto, quem seria?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Um só? Uma coisa mais atual, mais do momento, eu gostaria muito de um dia fazer uma colaboração com a </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/gloria-groove-celebra-sucesso-caminhada-para-contratos-milionarios-furei-bolha-rv1-1-25428832.html">Gloria Groove</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i>. Acho que ela é o momento e ela é uma artista que consegue explorar bem vários gêneros musicais, eu acho que ela canta muito bem pop, acho que ela explora muito bem o funk e o rap. Acho que ela poderia fazer uma coisa meio sertanejinha. Ela fez né, </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://portalpopline.com.br/show-dos-famosos-gloria-groove-faz-novo-cover-marilia-mendonca-bastidores/">ela cantou Marília Mendonça</a></i></span><span style="font-weight: 400"><i> lá no programa, ela fez o cover de Marília Mendonça, e foi muito bom, ela canta muito bem, acho que ela cantando uma música sertaneja seria muito interessante. Comigo então, nossa senhora”</i></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<figure id="attachment_28079" aria-describedby="caption-attachment-28079" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg" class="size-medium wp-image-28079" width="800" height="800" alt="Fotografia de Gabeu no clipe de Bailão. O artista é um jovem branco, que usa uma roupa de brilhos vermelhos e chapéu de cowboy na mesmo estilização. Ele tem maquiagem preta nos olhos e adesivos vermelhos brilhantes no centro do rosto, e usa colares e brincos brilhantes. Gabeu está olhando para cima, fora da imagem, levemente inclinado para o lado direito. Seu rosto é sutilmente iluminado e a imagem tem efeito de prisma." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gabeu-4.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28079" class="wp-caption-text">Quem é esse menino de vermelho? É o Gabeu no clipe de Bailão! (Foto: Gabeu)</figcaption></figure>
<p><b>Agora que o disco foi lançado como o primeiro passo da sua consolidação como artista de queernejo, quais são suas expectativas para o futuro?</b></p>
<p><b>G:</b> <span style="font-weight: 400"><i>“Em primeiro lugar, eu quero muito dar continuidade nisso que a gente começou mês passado com os shows. Eu quero muito fazer show, eu preciso estar em cima do palco, eu preciso subir e </i></span><span style="font-weight: 400"><i><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">cantar o </a></i></span><span style="font-weight: 400"><a href="http://musicainstantanea.com.br/critica-gabeu-agropoc/#:~:text=S%C3%A3o%20fragmentos%20instrumentais%20e%20po%C3%A9ticos,Batid%C3%A3o%20Tropical%20(2021)%2C%20de">AGROPOC</a></span><span style="font-weight: 400"><i> pra galera e ter essa troca com o público. Eu tô muito nesse estágio, então essa é a primeira coisa que eu penso quando as pessoas me perguntam o que eu quero pro futuro: fazer shows. Obviamente, eu tô sempre compondo, tô sempre tendo muitas ideias de próximas músicas, de próximos lançamentos, de próximos discos… Eu já tenho ideia para 10 discos diferentes na minha cabeça, que eu só preciso colocar no papel direitinho, porque às vezes vira uma bagunça.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu tenho planos também de começar a produzir algumas coisas novas, entrar em estúdio. Eu amo muito a energia de estúdio também, gosto muito de estar dentro do estúdio, de trocar experiências com quem tá produzindo comigo, de estar ali, enfim, pensando a música, pensando arranjos, essa é uma coisa que me dá realmente muito prazer, então eu quero muito voltar pro estúdio logo pra produzir coisa nova. Com isso tudo, eu quero também que muitas pessoas, mais e mais pessoas, se identifiquem com o queernejo, e eu gostaria muito de ver mais artistas surgindo, novos artistas queer fazendo sertanejo, pra cena crescer.&nbsp;</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Eu acho que isso é importante porque a gente ainda é uma cena muito pequena se comparada aos outros gêneros musicais que tão rolando. Então, acho que quanto mais artista tiver mais fortalecimento a gente vai ter, e mais as pessoas de fora vão começar a levar a sério, porque uma coisa que eu vejo é que muita gente não leva a sério, encara como uma coisa engraçada, uma piadinha, enfim, uma galera LGBT querendo fazer graça, sei lá. Então eu gostaria que isso acontecesse, que a gente crescesse cada vez mais”</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<hr>
<p><span style="font-weight: 400">Pouco menos de um ano depois de lançar o disco, Gabeu está viajando, cantando e realizando os </span><span style="font-weight: 400"><i>shows </i></span><span style="font-weight: 400">da </span><span style="font-weight: 400"><i>AGROPOC Tour</i></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AGROPOC" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4WRJS8GKvCdoPpKgZUltBU?si=A5DWu6A_QaWcBBa3a4PWFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Persona Entrevista: Jonas Bak</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 18:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor de Madeira e Água conta como foi filmar em dois continentes e ter a própria mãe como protagonista João Batista Signorelli Entre filmes premiados em Cannes e pré-candidatos ao Oscar, a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo trouxe uma grande amostra do Cinema mundial em 2021. Em meio a tantos lançamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-jonas-bak/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Jonas Bak"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">O diretor de Madeira e Água conta como foi filmar em dois continentes e ter a própria mãe como protagonista</span></i></p>
<figure id="attachment_25348" aria-describedby="caption-attachment-25348" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25348 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-wp.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto &quot;PERSONA ENTREVISTA&quot; na vertical, repetidas vezes. No centro, foi adicionada uma foto em preto e branco do diretor Jonas Bak. No lado direito, foi adicionada uma imagem do poster de seu filme, Madeira e Água, e acima, foi adicionado seu nome, &quot;jonas bak&quot;." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25348" class="wp-caption-text">Jonas Bak é o segundo entrevistado pelo Persona na cobertura da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo  (Foto: Jonas Bak/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre filmes </span><a href="https://www.vulture.com/2021/07/cannes-2021-list-of-winners-palme-dor-grand-prix-more.html"><span style="font-weight: 400;">premiados em Cannes</span></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://estacaonerd.com/confira-a-lista-com-os-candidatos-a-categoria-de-melhor-filme-internacional-no-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">pré-candidatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo trouxe uma grande amostra do Cinema mundial em 2021. Em meio a tantos lançamentos badalados que ainda vão dar muito o que falar, também surgiram muitas pérolas escondidas que também foram dignas de atenção, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Madeira e Água</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">certamente é uma delas. Contando a história de uma mãe que busca se encontrar com seu filho distante, o diretor alemão Jonas Bak levou seu filme de Berlim para festivais no mundo todo, e vem agora ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> contar como foi a produção de seu primeiro longa-metragem. </span></p>
<p><span id="more-25347"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De estudante de Cinema na Escócia a cinegrafista e diretor </span><i><span style="font-weight: 400;">freelancer </span></i><span style="font-weight: 400;">em projetos comerciais, Jonas abandonou os trabalhos em Londres para se mudar para Hong Kong com sua parceira, que viria a se tornar também sua produtora. Lá foi onde a ideia para o longa surgiu pela primeira vez, e, influenciado por sua experiência distante de sua família e da Alemanha, seu país de origem, ele focou em escrevê-lo por mais de dois anos. </span></p>
<figure id="attachment_25350" aria-describedby="caption-attachment-25350" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25350 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-2.jpg" alt="Foto dos bastidores de Madeira e Água. A imagem mostra Anke Bak, uma mulher alemã branca de meia idade, cabelo branco, usando um vestido de cores claras, sentada em uma cadeira. À sua direita, atrás de uma escrivaninha, está sentado um homem de meia idade chinês de camisa branca, escrevendo. À direita deles, há três pessoas de uma equipe de filmagem em torno de uma câmera. Todos se encontram em um pequeno cubículo  de três paredes, nas quais há diversos quadros e cartazes com inscrições em chinês. " width="3024" height="2644" /><figcaption id="caption-attachment-25350" class="wp-caption-text">“Se ela concordasse em fazer o filme, eu poderia reconectar com ela e fazer algo com ela, também para ela” (Foto: Jonas Bak)</figcaption></figure>
<p><b>Quais foram as suas principais influências ao construir essa história? </b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu diria que minhas referências principais foram mesmo minha própria história, a história da minha mãe e das pessoas (&#8230;), os lugares à minha volta, Hong Kong, meus sonhos, minhas alegrias e medos, talvez mais meus medos que minhas alegrias, e apenas a vida eu acho, a realidade se quiser chamar assim. (&#8230;) Mais do que dizer: ‘Eu copiei o estilo de </span></i><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2016/07/seis-filmes-para-entender-a-carreira-de-abbas-kiarostami-6376625.html"><i><span style="font-weight: 400;">Kiarostami</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> ou </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/dias-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tsai Ming Liang</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">…’. Há muitos paralelos aí, e eles são definitivamente diretores que eu admiro, e que, talvez, eu penso, influenciaram meu trabalho, moldaram como eu vejo filmes, como eu abordo o visual, e como eu vejo a vida. (&#8230;) Se você quiser algumas referências fílmicas, Kiarostami, Tsai Ming-Liang, </span></i><a href="https://www.nowehoryzonty.pl/artykul.do?lang=en&amp;id=2631"><i><span style="font-weight: 400;">Angela Schanelec</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">… Eu acho que essas pessoas me influenciaram muito. Wong Kar-Wai talvez, quando eu estava em Hong Kong.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de um homem jovem que está longe de casa e um pouco perdido na vida e na cidade grande lhe veio naturalmente. Desse ponto de partida, Jonas olhou para trás, para sua mãe, e com isso veio a preocupação de que ela, viúva, vivendo por conta própria e próxima da aposentadoria, estivesse se sentindo sozinha. Contar essa história de um filho pródigo a partir da perspectiva da mãe acabou tornando sua proposta muito mais interessante, além da possibilidade de, caso ela aceitasse o papel, de fazer algo com ela, e de reaproximar-se com ela.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Sua mãe sempre foi sua primeira opção para o papel? Como foi trabalhar com ela?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">Eu acho que vi e procurei outras atrizes, mas eu tive um jeito legal de meio que provocar a minha família (risos) em fazer isso, dizendo que nós íamos fazer um pequeno filme. Começou como um documentário familiar e, discretamente, eu fui construindo a partir daí. (&#8230;) Se eu me lembro, ela nunca disso não no início, então ela estava sempre aberta para isso. Foi difícil, talvez, encontrar um jeito de trabalharmos juntos, de resolver essa questão da atuação… Bem, nós encontramos um caminho, e eu penso que ela foi definitivamente minha primeira opção. </span></i></p>
<figure id="attachment_25352" aria-describedby="caption-attachment-25352" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-scaled.jpg" alt="Cena dos bastidores de Madeira e Água. A imagem mostra Anke Bak, uma mulher branca de pele avermelhada, cabelo branco com um vestido largo marrom, cercada por equipamentos de gravação e iluminação, além de um homem branco de barba e braços tatuados vestindo uma camiseta preta, e Jonas Bak, um homem branco  com camiseta amarela. Atrás dela, vemos uma grande janela mostrando vários prédios da cidade de Hong Kong. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25352" class="wp-caption-text">“Ela não se assustava com o que a vida jogava nela, ela apenas esperava ter força” (Foto: Jonas Bak)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jonas diz não ter realizado o filme com a intenção de aproximar-se mais da ficção ou do Cinema documental. Sua maior intenção era fazer do filme algo verdadeiro e honesto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É real, apesar de não ser documentário”, </span></i><span style="font-weight: 400;">diz o diretor, que trabalhou com atores não profissionais, ao mesmo tempo que usou o roteiro que escreveu apenas como uma base para orientar as gravações. Com uma equipe reduzida, todos viveram a história como uma pequena família, e a experiência se tornou uma jornada para todos eles.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Na maior parte das cenas do filme você trabalhou com uma alta distância focal da lente, de modo que as cenas tiveram uma grande profundidade de campo, e com tudo parecendo mais próximo. Como você chegou a este visual para o filme?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Foi, talvez, a ideia de que, a tensão e o drama estão fora dos limites do frame. No filme, nós estamos bastante próximos da mãe e nós sentimos um pouco a densidade e a estreiteza das ruas de Hong Kong, (&#8230;) essa sensação de peso como uma experiência sensorial da cidade. Ao mesmo tempo, foi uma aproximação um tanto fotográfica. (&#8230;) Eu também não queria apenas capturar a imagem da minha mãe e estar próximo dela, eu também queria dar para a audiência mais do que isso, é um pouco de generosidade também, mostrar mais da cidade. (&#8230;) Como você disse, nunca há profundidade de campo rasa, de modo que as coisas ficariam desfocadas no fundo. Era importante mostrar tudo, e tudo era parte da história. A aproximação fotográfica que eu acabei de mencionar, a sensação fotográfica era para capturar isso bem rigorosamente no enquadramento, para que ele ficasse como tirar uma foto, é como algo nostálgico, você quer congelar o momento. (&#8230;) Na Alemanha foi como congelar memórias antigas, em Hong Kong, foi congelar esse momento bastante especial, mas também dar mais espaço para ele.”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Há essa bela fala próximo ao final do filme em que sua mãe diz que ela não reza para pedir a Deus que mude as coisas, mas para que ela seja forte o suficiente para lidar com qualquer coisa que viesse a acontecer. De onde veio essa ideia?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“A ideia foi de ter essas duas personagens falando sobre as similaridades espirituais entre o ocidente e o oriente. A cartomante e o templo taoísta versus a fé cristã dela, e elas encontram alguma espécie de base semelhante, algo para realmente falar sobre. Eu apenas perguntei para minha mãe: ‘Você reza? Você ainda reza?’, pois eu sabia que ela rezava quando eu era mais jovem. Ela disse algo similar ao que está no filme, basicamente que ela não se assustava com o que a vida jogava nela, ela apenas esperava ter força, e ela pedia por força.  Eu acho que foi uma linda fala. (&#8230;)  Foi uma fala difícil de entregar, e nós ensaiamos muito essa cena porque, como você disse, ela se destaca no filme, e poderia facilmente ficar brega. (&#8230;) Eu tive que fazer um figurante entrar no trem no meio na fala, para que não parecesse artificial, montada. (&#8230;) Foi uma fala verdadeira que veio do coração dela.”</span></i></p>
<figure id="attachment_25354" aria-describedby="caption-attachment-25354" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-scaled.jpg" alt="Imagem dos bastidores de Madeira e Água. A imagem mostra uma cama cheia de rolos de filmes 16mm espalhados organizadamente. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25354" class="wp-caption-text">O filme foi gravado em 16mm (Foto: Jonas Bak)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anke Bak, a mãe do diretor, assistiu ao filme com público apenas uma vez em Berlim, mas não quis subir ao palco. Sempre recusando os convites para ir a festivais, ela diz já ter</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">passado para frente com esse filme</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mas a relação dela com o filme não parece ser unicamente negativa: durante o processo de edição, Jonas mostrou alguns cortes do filme para ela, e foi a versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DDCND48UNEE"><i><span style="font-weight: 400;">New Space Music</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Brian Eno, que enfatizava um sentimento meditativo e de calma, que rendeu uma reação positiva, deixando-a bastante feliz. A composição de Brian Eno permaneceu na trilha sonora.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como você escolheu essa música específica?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu tentei muitas coisas com o compositor. Tentei, talvez, intelectualizar a música para entender o que funcionava, porquê e onde, e experimentar muito. Algumas vezes estávamos felizes, outras não. (&#8230;)  O processo de edição foi muito longo e um tanto assustador porque nós não sabíamos se haveria um público para o filme com o covid. Com todos nós trancados, eu estava tentando tantas coisas diferentes e não estava nunca satisfeito, e eu ouvia muita música desse tipo, apenas para mim mesmo, e para me sentir melhor também. Eu estava ouvindo a música e ela me fez sentir tantas coisas. Eu a conhecia de antes, quando era mais jovem, (&#8230;) ela me fazia sentir que eu fazia parte de tudo, e tudo estava bem. E isso era como a experiência da mãe. (&#8230;) </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Então eu apenas coloquei a música nessa ou naquela cena, e, obviamente, o apego emocional ajudou a elevar, e algumas pessoas disseram que elevou demais, e que eu não precisava realmente da música. Para mim, exatamente pelas coisas terem conectado, funcionou, e eu mantive e mostrei para o compositor pedindo-o para fazer algo similar. Mas ele disse: ‘eu não consigo, não sei como ele criou esses doces sons metálicos’. Ele disse que não sabia como ele fez nos anos 90 com instrumentos analógicos, e nós apenas a mantivemos. Nós não podíamos mostrar esse filme em um festival sem os direitos autorais, e Brian Eno e seu empresário estavam felizes em cedê-los para festivais. (&#8230;) Mas ficou um pouco mais complicado quando foi sobre os direitos de distribuição, e (&#8230;) a produtora teve que negociar um pouco porque eles entenderam que era um projeto difícil, pessoal, e não esperavam que estaria vendendo. Eu, pessoalmente, não esperava esse tipo de sucesso com o filme. Eu esperava passar em alguns cinemas ou festivais, mas daí nós conseguimos uma distribuição nos Estados Unidos, e nós realmente tivemos que pedir (&#8230;) os direitos para tudo, (&#8230;) mas ainda bem que tudo deu certo.”</span></i></p>
<figure id="attachment_25356" aria-describedby="caption-attachment-25356" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25356 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-scaled.jpg" alt="Foto dos bastidores de Madeira e Água. A imagem mostra o diretor Jonas Bak, um homem branco, loiro, vestindo uma camiseta branca e shorts preto, fazendo um gesto para um grupo de pessoas de origem chinesa vestindo camisetas amarelas. Eles se encontram em um parque, com árvores ao fundo. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25356" class="wp-caption-text">Bak gravou em locações e com pessoas comuns, não atores (Foto: Jonas Bak)</figcaption></figure>
<p><b>Como foi a recepção do filme no Festival de Berlim?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Berlin foi majoritariamente digital, e houveram exibições ao ar livre em junho depois do lockdown. Eu já estive na Berlinale antes, é um dos meus festivais favoritos, e foi um pouco amargo estar neste grande festival para ter apenas uma exibição em junho, que não é o período para a Berlinale mais. (&#8230;) Eu vivi muito no exterior, então eu não sei muito sobre a indústria cinematográfica alemã, mas as críticas foram mistas no início, e então ficaram um pouco melhores. O sucesso veio, talvez, internacionalmente, as críticas estão muito positivas, então, pensando um pouco, é mais um filme internacional, e na Alemanha é um pouco mais difícil para esse tipo de filme vender, nós não temos um distribuidor aqui, por exemplo. Mas eu não poderia pedir mais.&#8221;</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse escolher três pessoas, vivas ou mortas para trabalhar em um filme, quem você escolheria e porquê?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu escolheria Fred Keleman, (&#8230;) Ele é o diretor de fotografia do Béla Tarr, e simplesmente mudou totalmente minha perspectiva sobre o que é Cinema. Eu acredito que os filmes do </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KYBCNTzQ31c"><i><span style="font-weight: 400;">Béla Tarr</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e também do Fred Keleman estão em seu próprio nível, são muito mais complexos, talvez uma arte elevada, não sei se esse é o melhor termo, mas são algo a mais. Deixe-me pensar quem mais… (risos) (&#8230;) Marilyn Monroe… Marlene Dietrich… Klaus Kinsky. Ele é um ator alemão que trabalhava muito com Werner Herzog. É um absoluto maluco que dá 200% em tudo o que faz. (&#8230;) Eu adoraria não apenas trabalhar com ele, mas estar por perto de uma pessoa assim, porque eu sinto que não há mais muitas pessoas assim. Dedicado, mas também escandalosamente louco e inspirador, é maior que a vida. Klaus Kinski, Marilyn Monroe e Fred Kelemen. (risos)”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E se você pudesse levar três filmes para uma ilha deserta, quais seriam e porque?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZEOL2FcPr1U&amp;"><i><span style="font-weight: 400;">Freedom</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2000), de Sharunas Bartas, porque se passa no deserto e é sobre sobrevivência no deserto, e é o tipo de filme que eu gosto. (&#8230;) Eu estou tentando lembrar um filme que me fez sentir muito bem… </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SuVYp7RmnII"><i><span style="font-weight: 400;">Sleep Has Her House</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2017) de Scott Barley, é apenas sobre sensações naturais, é um filme muito sensorial, é como eu descrevi a música de Brian Eno, me faz sentir parte de tudo.  Vamos lá, uma comédia de Hollywood… </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YN7pcEa83dU"><i><span style="font-weight: 400;">Boogie Nights</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (1998).”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Você já assistiu algum filme brasileiro? Se sim, qual o seu favorito?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Sim, mas faz tempo… Eu não vejo tantos filmes, mas há esse épico, (&#8230;) </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2002)? Sim, eu vi esse e foi muito tocante. Eu vi um documentário sobre um terrorista em um ônibus.”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R07HeDJ6MFA"><b>Ônibus 174</b></a><b>. </b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Sim. E quando eu puder ir pra São Paulo verei muitos outros (risos). (&#8230;)”</span></i></p>
<figure id="attachment_25357" aria-describedby="caption-attachment-25357" style="width: 2268px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6.jpg" alt="Foto dos bastidores de Madeira e Água. A foto mostra um ambiente fechado com algumas pessoas em torno de uma balcão, com uma luz azulada, e a silhueta de um homem com uma câmera em primeiro plano. " width="2268" height="1726" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6.jpg 2268w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-800x609.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-1024x779.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-768x584.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-1536x1169.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-2048x1559.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jonas-bak-6-1200x913.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25357" class="wp-caption-text">O filme foi exibido na seção Perspectivas do Cinema Alemão, no Festival de Berlim 2021 (Foto: Jonas Bak)</figcaption></figure>
<p><b>Quais são os seus próximos passos após Madeira e Água?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estou trabalhando em uma sequência de algum modo. Estou finalizando o roteiro e iniciando a pré-produção. Ela basicamente conta a história do filho, e é uma história de amor psicológica. Ele está com uma garota de Hong Kong e ambos estão vivendo uma crise de saúde mental, estão travados com o seu relacionamento e também com suas perspectivas, em Hong Kong. Então eles estão reconstruindo a vida e o amor deles. (&#8230;) É sobre alienação cultural e se o amor consegue sobreviver a isso, é sobre precisar de um sentimento de lar, e se é possível viver sua vida no estrangeiro. (&#8230;)”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E eu ouvi que você estava planejando uma trilogia?</b></p>
<p><b>Jonas: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Sim, mas eu tenho que voltar um pouco atrás e não me precipitar muito, (&#8230;) precisamos primeiro ver. Está bom para um segundo filme por enquanto. Também depende se conseguimos voltar para Hong Kong, isso é possível, mas com quarentena e tudo mais o quão fácil ou difícil seria fazer o filme. O interesse de financiamento existe. Então sim, eu tenho uma ideia para uma trilogia. É basicamente uma trilogia de heróis, os heróis da minha vida. Primeiro minha mãe, segundo minha parceira, (&#8230;) e então meu pai. O último filme seria uma espécie de história de fantasma sobre o pai que eu nunca tive. É uma ideia vaga, um passo de cada vez.” </span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Madeira e Água</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo exibido em festivais mundo afora, mas ainda não tem previsão de estreia comercial no Brasil.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Wood and Water | Official Trailer | Berlinale 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/B-1km5xtvRQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Persona Entrevista: Aline Bei</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 20:40:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Aline Bei]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A autora comenta sobre as inspirações para seu livro mais recente, Pequena Coreografia do Adeus, parte da parceria do Persona com a Cia das Letras Caroline Campos Fiz essa entrevista ainda em julho, há longos cinco meses – que mais parecem cinco anos. Cercada pelos horrores da pandemia e a esperança da vacina, encontrei na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Aline Bei"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">A autora comenta sobre as inspirações para seu livro mais recente, Pequena Coreografia do Adeus, parte da parceria do Persona com a Cia das Letras</span></i></p>
<figure id="attachment_25104" aria-describedby="caption-attachment-25104" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/aline-bei-wordpress.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. No canto esquerdo foi adicionado 4 faixas com as palavras &quot;persona entrevista&quot; nas cores pretas e brancas, posicionadas na vertical. No topo foi adicionado o texto &quot;aline bei&quot; em letras pretas, e mais abaixo há a foto da autora de mesmo nome em preto e branco. Ela é uma mulher branca jovem. Ela veste uma camisa preta e usa cabelo em coque no topo da cabeça. Seu cabelos são castanho escuro. Atrás dela foi adicionada a capa de seu livro Pequena coreografia do adeus." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/aline-bei-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/aline-bei-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/aline-bei-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25104" class="wp-caption-text">O Persona entrevista, pela primeira vez, um nome da Literatura depois de diversas conversas com cineastas do Brasil e do mundo (Foto: Companhia das Letras/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fiz essa entrevista ainda em julho, há longos cinco meses – que mais parecem cinco anos. Cercada pelos horrores da pandemia e a esperança da vacina, encontrei na leitura de </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-11/aline-bei-faz-do-abandono-uma-danca-poetica-em-pequena-coreografia-do-adeus.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus </span></i></a><span style="font-weight: 400;">uma forma de desabrochar velhos traumas e olhar para dentro de mim com o mesmo carinho que era capaz de olhar para Júlia, protagonista dessa criação de Aline Bei. Não esperava encontrar o que encontrei – palavras flutuando pelas páginas como pensamentos perdidos, te convidando a preencher esses espaços com sua própria e pesada bagagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quem diria que a artista por trás de um dos maiores lançamentos literários de 2021 não só elogiaria </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><span style="font-weight: 400;">minha emocionada resenha</span></a><span style="font-weight: 400;"> como também toparia fazer parte de mais uma edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><b>Persona Entrevista</b></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma conversa no fim da tarde de uma terça-feira, Aline me contou sobre a infância com a leitura, a rotina movimentada pós-lançamento e as várias faces de suas protagonistas femininas. Com alguns meses angustiantes de atraso (2021 não foi fácil para ninguém), você pode conferir esse bate-papo especial para conhecer melhor a figura por trás dessa dança tão (des)amorosa.</span></p>
<p><span id="more-25099"></span></p>
<figure id="attachment_25101" aria-describedby="caption-attachment-25101" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25101 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Aline-Bei-768x512-1.jpg" alt="A imagem retangular é uma foto de Aline Bei, uma mulher branca, jovem, de cabelos pretos e com luzes loiras, lisos e longos até a altura do peito. Podemos vê-la do peito para cima enquanto está atrás de uma mesa de madeira fazendo anotações em um caderno. Ela usa uma camiseta branca com decote e vemos um copo de água à sua frente. No lado esquerdo e à frente há um panfleto que está desfocado. Ao fundo vemos um banner vermelho com escritos da “Livraria da Vila” em branco." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-25101" class="wp-caption-text">“Eu vivo muito meus personagens. Também fui atriz, então acabo convocando muito meu corpo pra escrever e sendo habitada por elas, aí tenho que dar esse tempo para que elas saiam de mim.” (Foto: Aline Bei)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não sei se tenho mais uma história para contar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Foi assim que a paulistana Aline Bei se sentiu logo depois de lançar seu estrondoso livro de estreia, </span><a href="https://lunetas.com.br/o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Atravessada por um sentimento de devastação após finalizar seu primeiro romance e com público recém-chegado que suplicava por uma nova obra, a autora de voz suave e fala calma conta que primeiro foi necessário acolher o medo de não possuir uma segunda narrativa para, então, começar a trabalhar nela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E trabalho foi o que não faltou, já que sua filha mais nova, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;">, levou quatro anos de estudos para chegar a sua versão final. No meio do caminho, Aline cruzou com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/parceria-cia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e iniciou um processo de reescrita da versão entregue. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Como eu vim do Teatro, já gostava muito desse processo coletivo e sentia bastante saudade dessa troca escrevendo, porque tem esse processo mais solitário quando a gente escreve. Mas é muito bom poder compartilhar com as pessoas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, relembra a escritora a respeito da parceria com suas editoras, Camila Berto e Stéphanie Roque.</span></p>
<figure id="attachment_25102" aria-describedby="caption-attachment-25102" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25102 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/entrevista_com_aline_bei.jpg" alt=" A imagem retangular é uma foto de Aline Bei, uma mulher branca, jovem, de cabelos pretos, lisos e curtos até a altura do ombro. Ela possui um rosto magro e está sorrindo, enquanto segura uma estatueta com as duas mãos. Ela usa um vestido preto com a manga apenas no lado direito do corpo e pode ser vista da cintura para cima. De fundo vemos uma parede com riscos azuis claros e ao seu lado esquerdo há um logo semelhante a uma folha com o escrito “Prêmio São Paulo de Literatura 2018”." width="750" height="391" /><figcaption id="caption-attachment-25102" class="wp-caption-text">No Prêmio São Paulo de Literatura 2018, Aline ganhou na categoria Melhor Livro do Ano – Estreantes com menos de 40 anos, com &#8220;O peso do pássaro morto&#8221;, publicado pela Editora Nós (Foto: Prêmio São Paulo de Literatura)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Aline carinhosamente se refere, conhecemos Júlia Terra, uma jovem escritora sufocada pelo abandono, pela falta de afeto e pela solidão de uma família destroçada – Vera amava demais, Sérgio amava de menos. Para chegar nessa complexa e dolorosa relação, Bei navegou pelo tortuoso mar da psicanálise até entender a importância dos primeiros anos da vida de uma pessoa e o peso que os familiares exercem sobre ela. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foi bacana investigar esse divórcio, essa separação, pelos olhos de uma criança. Muito mais interessante dentro da minha linguagem do que pelos olhos de um casal”</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta a paulistana, também citando o trabalho da coreógrafa alemã <a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/conheca-pina-bausch-a-bailarina-que-revolucionou-a-danca-contemporanea/">Pina Bausch</a> como inspiração performática para a diagramação de seu livro, característica extremamente marcante no trabalho de Bei.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma destreza textual impressionante e uma protagonista demolida, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/como-aline-bei-virou-autora-best-seller-vendendo-seus-livros-no-instagram.shtml">Aline Bei</a> exala, naturalmente, a sensibilidade que sua própria obra transparece. Quando a entrevista foi realizada, a autora contou que sua Júlia ainda era muito presente em seus pensamentos, mas já estava assumindo o lugar de uma personagem construída, e não em construção. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O </span></i><span style="font-weight: 400;">Pequena </span><i><span style="font-weight: 400;">foi publicado quase um ano depois que eu entreguei, então eu consegui me distanciar da protagonista de uma forma criativa. É algo que eu criei, ainda está fresco, mas já consigo habitar outros personagens, porque ela está em uma trajetória de passado”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, no momento em que comenta a relação entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Pássaro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bei ressalta o fato de Júlia carregar uma individualidade difícil de ser comparada com a sua protagonista anterior, que carrega muitas mulheres em um corpo que tem o verbo </span><i><span style="font-weight: 400;">perder </span></i><span style="font-weight: 400;">como força-motriz. Já com a experiência de dois livros na carreira, a autora entende a personagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pássaro</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma criação menos profunda, muito relacionada à variedade de ações que pendem ao longo de sua vida. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Com a Júlia, eu entrei em uma existência de fato, talvez por ela ter nome e sobrenome. É uma personagem em que a história do livro está muito vinculada a ela, mais até do que a protagonista do </span></i><span style="font-weight: 400;">Pássaro</span><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta Aline, reforçando que a imersão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena </span></i><span style="font-weight: 400;">foi, sem dúvidas, muito maior.</span></p>
<figure id="attachment_25103" aria-describedby="caption-attachment-25103" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25103 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/174043240_492688358529844_8252483124258714936_n-650x800.jpg" alt="A imagem retangular é uma foto de Aline Bei, uma mulher branca, jovem, de cabelos pretos, lisos e presos. Ela possui um rosto magro e está sorrindo, enquanto segura seu livro Pequena Coreografia do Adeus com a mão esquerda. Ela está ligeiramente curvada para a esquerda e pode ser vista do peito para cima, enquanto usa um colete rosa de um material plastificado." width="650" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/174043240_492688358529844_8252483124258714936_n-650x800.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/174043240_492688358529844_8252483124258714936_n-832x1024.jpg 832w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/174043240_492688358529844_8252483124258714936_n-768x945.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/174043240_492688358529844_8252483124258714936_n.jpg 924w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25103" class="wp-caption-text">O nome da viúva Argentina veio de uma viagem especial que Bei fez para Buenos Aires, uma cidade com ruas tão largas quanto a dimensão íntima de sua personagem (Foto: <a href="https://www.instagram.com/alinebei/?hl=pt-br">Instagram/Aline Bei</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seria possível, então, depois das <a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2021/05/saiba-tudo-sobre-o-novo-romance-de-aline-bei-autora-do-premiado-livro-o-peso-do-passaro-morto.html">282 páginas de </a></span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;">, imaginar um futuro para a jovem Júlia Manjuba Terra? Segundo Aline, sim. Para não cercar a própria imaginação nem fechar a trajetória de sua personagem, a autora de muitos textos curtos fecha seu segundo romance já convidando o leitor a pensar no futuro que deseja. Mesmo assim, após o longo período de convívio entre criadora e criatura, Aline vislumbra Júlia como uma espécie muito especial de escritora – daquelas que </span><i><span style="font-weight: 400;">“vem de dentro para fora”</span></i><span style="font-weight: 400;">, do jeitinho que podemos caracterizar a própria Bei. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, com uma nova perspectiva de afeto, uma nova realidade e uma nova coreografia, a história de Júlia é de começos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria falar sobre o começo de uma trajetória de uma artista brilhante. Não exatamente tão bom quanto o futuro, já que, às vezes, o começo necessita de muita coragem para seguir adiante”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, se tratando de Aline Bei, a escritora, atriz e poeta que iniciou a viagem pelas páginas dos livros ainda vivendo a ingenuidade da infância, a  tal <a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/ensaio/a-nova-danca-de-aline-bei">“trajetória de uma artista brilhante”</a> só está começando.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">que o Artista não é quem explode por dentro, isso pode acontecer com toda e qualquer pessoa; só é Artista quem Entrega </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">a explosão </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">aos pés do público</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">com ritmo, poesia, beleza</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">ainda que ele esteja dançando um crime.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">(Pequena coreografia do adeus, p. 130)</span></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Como sua persona de atriz se transpõe na sua Literatura?</b></p>
<p><b>Aline: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sinto esse corpo sempre muito presente na criação. Até sou um tipo de escritora que não pode trabalhar em lugares públicos, porque eu acho que sou expressiva demais criando – faço sons, não chego a levantar nem nada, mas é algo que fica bem físico. E me toma bastante nesse sentido obsessivo que eu tinha também com o personagem, de ficar tentando entender a trajetória, porque entender, também quando a gente lê uma peça, é uma parte do que aconteceu, é uma parte daquele personagem. A gente escreve o recorte de algumas coisas, mas tem tantas coisas que a gente não diz e vão ficando na gente como uma possibilidade do que aconteceu, e eu acho que fico muito imersa em tudo isso, sabe, na atmosfera. Como se eu tivesse preenchida de Júlia para escrever uma parte da vida dela, mas tem muito mais. Então eu fico com esse ‘muito mais’ depois que eu termino o trabalho e continuo vivendo com os personagens, tentando encontrar a voz dela dentro da minha voz. E pode ser agora não a voz física, a fisicalidade da atriz, mas essa voz da Literatura, encontrando a voz da Júlia dentro da minha dicção literária. É muito parecido com o exercício de atriz.”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Consegue escolher 3 livros e 3 autores favoritos?</b></p>
<p><b>Aline: </b><i><span style="font-weight: 400;">“A Obscena Senhora D, da Hilda Hilst, estaria com certeza no meu </span></i><span style="font-weight: 400;">top</span><i><span style="font-weight: 400;">. Da Clarice, que também sou muito fã, eu fico muito em dúvida entre <a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/">A Paixão segundo G.H.</a> ou A Hora da Estrela, mas acho que vou de A Hora da Estrela. E Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar. São três livros que me acompanham muito, e eles três </span></i><span style="font-weight: 400;">[autores]</span><i><span style="font-weight: 400;"> são muito queridos aqui no meu altar. Eu também gosto muito dos poetas – Fernando Pessoa, Herberto Helder –, mas sou também sou bastante atravessada pelas minhas novas descobertas, como o James Baldwin, a <a href="https://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/">Bernardine Evaristo</a>, o <a href="https://personaunesp.com.br/milan-kundera-critica/">Milan Kundera</a>. Estou sempre lendo, então acho que esse altar está sempre se renovando.”</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse escrever uma história com algum personagem que já existe, qual e como seria?</b></p>
<p><b>Aline: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Pra mim é muito difícil. Eu sou uma grande leitora, eu amo ler, mas eu sempre me envolvo com os livros que eu leio de uma forma leitora. Eu gostaria de escrever os livros que eu escrevo, porque eu acho que é o que eu quero fazer, sabe. Então, eu não escolheria um personagem de Machado, de Clarice, que eu amo, para continuar, porque eu não continuaria. Eles que fazem o que eles fazem, eu faço o que eu faço e quero cada vez mais me identificar e aprofundar o que eu faço. Então, eu acho que vou escolher uma própria personagem pro meu estudo, que seria a viúva Argentina, que eu sinto que é uma personagem que me interessa muito, que eu admiro, e que tem uma trajetória que fica delineada no livro, mas que a gente não tem tanto contato. E eu a aprofundaria com certeza. É uma personagem que me levaria para um romance também.”</span></i></p>
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		<title>Persona Entrevista: César Cabral</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2021 22:36:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje João Batista Signorelli Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de stop-motion no Brasil, Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente foi um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-cesar-cabral/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: César Cabral"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente conta de seu trabalho com a obra do cartunista Angeli, e explica porque o punk permanece relevante até hoje</span></i></p>
<figure id="attachment_24862" aria-describedby="caption-attachment-24862" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista com César Cabral. À esquerda, o nome do quadro está na vertical em quatro linhas, duas brancas e pretas. No centro, há uma fotografia recortada em preto e branco de César, um homem branco que tem por volta de 50 anos, que usa uma camisa social preta. À direita, há o poster do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente, e, em cima, o nome do diretor em preto." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-persona-entrevista-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24862" class="wp-caption-text">O Persona entrevista César Cabral, diretor da premiada animação em stop-motion Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente (Foto: Vitrine Filmes/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raro exemplar de longa-metragem realizado com a técnica de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos grandes destaques da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, chegando ao Brasil já com um prêmio em mãos, da Mostra Contraponto do Festival de Cinema de Animação Annecy. O Persona </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><span style="font-weight: 400;">assistiu ao filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muito prazer retoma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">quadro de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conversar com o diretor César Cabral, que também é sócio-fundador da </span><a href="http://www.coalafilmes.com.br/Home.aspx"><span style="font-weight: 400;">Coala Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora paulistana focada em produzir animações em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion. </span></i></p>
<p><span id="more-24852"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de explorar a obra do cartunista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IbSL_7Gms2Y&amp;"><span style="font-weight: 400;">Angeli</span></a><span style="font-weight: 400;"> em vários de seus projetos, antes de fundar uma produtora de animação, e antes mesmo de receber o seu diploma em Cinema pela Universidade de São Paulo, Cabral estudou Física por cerca de três anos. Foi o tempo que levou para perceber que não era aquilo que queria levar como trabalho e  profissão, o que o fez largar aquela graduação e prestar para o curso de Cinema (atualmente chamado de Audiovisual), onde teve aula com excelentes professores e grandes nomes como </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/jean-claude-bernardet-um-critico-contra-estetica-da-miseria/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/visoes-em-cena/"><span style="font-weight: 400;">Ismail Xavier</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda sem recursos digitais, César Cabral iniciou seu primeiro experimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">com um rolinho de película que recebera da faculdade para um exercício de filmagem. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como as coisas dão voltas: eu lia muito histórias em quadrinhos, gostava muito de desenhar, mas nunca imaginava trabalhar diretamente com (&#8230;) o universo da animação.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Da animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira, dois curtas marcaram e influenciaram o seu trabalho: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTj_oR4QamU"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein Punk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v0NgsfkvLVE&amp;t=4s"><i><span style="font-weight: 400;">Garota das Telas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos realizados por Cao Hamburger e Eliane Fonseca. </span><i><span style="font-weight: 400;">“‘Se eles fizeram isso lá nos anos 80’, eu pensava assim &#8211; a ingenuidade &#8211; ‘eu consigo fazer isso nos anos 90’”</span></i> <span style="font-weight: 400;">relembra o diretor. Procurando pessoas que gostavam de modelar, ele acabou conhecendo Olyntho Tahara, seu futuro sócio na produtora Coala Filmes. Já nesse primeiro exercício que se tornou um ‘curtinha’, César começou a explorar o mundo dos quadrinhos da </span><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/30326"><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que lia em sua adolescência, criando um duelo de faroeste entre os palhaços mudos, criação da cartunista </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laerte-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Laerte</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CWa94lHrUij/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Coala Filmes (@coalafilmes_)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o final do curso, ele já começou a ir atrás de trabalhos em publicidade, onde, prestando serviços de assistência em produtoras, encontrava espaço para a construção de maquetes, cenários, bonecos, ou até mesmo animação. Foi um período para aprender e descobrir como fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma área que não tem mercado e poucos profissionais atuantes. Entre 2004 e 2005, começou a se desenvolver a Coala Filmes, onde escreveu o projeto para o curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kChPtNfGQGI"><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O Dossiê é o início do que virou o Bob Cuspe de certa maneira.” </span></i><span style="font-weight: 400;">E foi ali que César Cabral enveredou para o audiovisual, se afastando da publicidade e acompanhando a alavancada que a ANCINE iniciava naquele momento. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foi um período que o fundo setorial entra e começa a fomentar toda a produção audiovisual, acabou possibilitando que a gente fizesse séries e o longa. A gente vai fazer um segundo mas… estamos no primeiro” </span></i><span style="font-weight: 400;">sinaliza o diretor, já gerando a expectativa para uma sequência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando referências que vão dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">americanos que cresceu assistindo, aos lançamentos que acompanhou nos cinemas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s7EdQ4FqbhY"><i><span style="font-weight: 400;">Pulp Fiction</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além de clássicos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">que via na Cinemateca na época da faculdade, César Cabral recheou </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de homenagens de forma consciente e inconsciente. Se citações a filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oR_e9y-bka0&amp;"><i><span style="font-weight: 400;">2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S014oGZiSdI"><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são mais explícitas, o diretor se surpreendeu ao re-assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9eZgEKjYJqA"><i><span style="font-weight: 400;">Poltergeist &#8211; O Fenômeno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e descobrir um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=03lup3cS6GY"><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">travelling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em um corredor muito igual ao que fez na cena em que Angeli se aproxima de uma porta para encontrar Laerte. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado como essa coisa inconsciente que a gente vai construindo na nossa cabeça &#8211; o nosso repertório (&#8230;) &#8211; fica, e acaba saindo de um modo natural, sem um planejamento óbvio.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro contato real com o cartunista Angeli foi no mundo da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi essencial para a formação do diretor ao trazer muito material não apenas de quadrinhos, mas de Música, Cultura e variedades, em um mundo onde a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda não existia. Quando foi realizar o curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou em contato com o Angeli, que de início relutou, pois havia matado a personagem em suas tiras para justamente não precisar mais falar sobre ela, mas que ao final acabou topando. A partir de entrevistas com Angeli e outras pessoas, César Cabral realizou o curta animado documental, e temendo uma reação negativa do artista ao mexer com sua obra, foi surpreendido por uma reação positiva.</span></p>
<figure id="attachment_24853" aria-describedby="caption-attachment-24853" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg" alt="Foto de sessão do filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente. A imagem mostra em plano médio o diretor César Cabral, um homem branco de cabelos grisalhos, usando máscara e uma camisa preta, diante de um microfone em um suporte. Ele tem antebraços assimétricamente estendidos para frente, e as mãos abertas. Atrás, em desfoque, vemos uma parte da tela, mostrando um desenho do artista Ziraldo, de uma pessoa branca de roupa azul deitada de bruços sobre estrelas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24853" class="wp-caption-text">O diretor introduzindo o público ao filme na sessão no vão do Masp, realizada durante a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto se aprofundava ainda mais no mundo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiclete com Banana </span></i><span style="font-weight: 400;">na série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qwkojuafGZg"><i><span style="font-weight: 400;">Angeli &#8211; The Killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzida para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Angeli comentou com Cabral que sempre achou que o Bob Cuspe renderia um longa. E ali foi lançada  a sementinha do que viria a se tornar o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Pensar num longa-metragem de certa maneira é uma loucura (&#8230;) parece uma coisa impossível de acontecer.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Gravando uma série de entrevistas com Angeli, César foi se aprofundando em seu processo criativo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Angeli, como a gente sabe, é famoso por ser o Angeli em crise, né? (&#8230;) É um cara que nunca para no trabalho, ele quer ir à frente. (&#8230;) o processo criativo dele vem muito disso, de não se estabelecer com algo que já tá definido. (&#8230;) E de certa maneira, ele agora, com 60 anos, ‘tá’ nesse lugar de procurar e tentar encontrar um novo caminho pro trabalho dele.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de partida da narrativa principal do filme veio do próprio Angeli, que tinha esboçado uma morte do Bob Cuspe devorado por mini </span><a href="https://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elton Johns</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele é meio que um símbolo do pop, do glitter, que de certa forma é o oposto à postura punk. Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? É o pop devorando ele, fisicamente ou metaforicamente.” </span></i><span style="font-weight: 400;">A partir dessa ideia, a equipe desenvolveu um mundo pós-apocalíptico dentro da cabeça do Angeli, onde o Bob Cuspe, ao perceber que seu criador está desenhando sua morte, vai atrás dele para enfrentá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos desafios da produção foi transpor o traço do lápis no papel em duas dimensões dos desenhos consagrados de Angeli, e transportá-lo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> tridimensional, e nesse empreitada, César destaca o trabalho do diretor de arte Daniel Bruson, que também trabalhou no curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre a técnica utilizada, ele destaca como sendo a que mais se aproxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois há o espaço físico do estúdio, a maquete que é o cenário, o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem, e os bonecos que são os atores do filme. A única diferença seria a captura quadro a quadro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não tem um ‘gravando’, tem ‘vamo lá, rodando o plano’, e esse plano vai levar dez, vinte horas pra ser produzido’</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. O ritmo da produção, realizada em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IBV-SeeOCwc&amp;"><span style="font-weight: 400;">6 </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de filmagem, era de três/quatro segundos por dia, por </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de filmagem.</span></p>
<figure id="attachment_24854" aria-describedby="caption-attachment-24854" style="width: 1918px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg" alt="Cena da animação Bob Cuspe Nós não gostamos de gente. A imagem mostra 9 pequenos Elton Johns monstruosos alinhados, todos brancos, de máscaras nos olhos de diversas cores, bocas circulares com dentes pontudos, e roupas coloridas cheias de glitter. Eles se encontram no topo de uma ladeira de cimento com pichações. " width="1918" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3.jpg 1918w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24854" class="wp-caption-text">Então o que melhor mata um punk? Qual é a pior morte que um punk pode ter? (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro desafio foi construir uma estrutura para a produção do filme, com espaço físico e profissionais. A falta de um mercado consolidado de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil e no mundo fez com que houvesse um forte trabalho de formação na produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde as pessoas aprenderam a fazer coisas como construir os bonecos, manipular a sua estrutura interna, e como animá-los. Da pequena produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dossiê Rê Bordosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que César Cabral animou sozinho com uma equipe bastante reduzida, ao longa de 90 minutos, a produção da animação tornou-se bastante complexa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“No stop-motion as coisas andam meio em paralelo, é tudo meio escalonado, sabe? A gente tá animando no set, mas a equipe já tá pós-produzindo o que foi animado. E a equipe de pré-produção já tá preparando o próximo cenário (&#8230;). Então é tudo muito amarradinho pra funcionar.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comentando a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico.shtml"><span style="font-weight: 400;">situação atual</span></a><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual no Brasil e o que diria para alguém que está se introduzindo na área do audiovisual, com enfoque em animação, César chama a atenção para o momento difícil que o audiovisual tem passado com o governo atual, mas também destaca produções que vêm acontecendo apoiadas por canais de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e TV, sem depender de um incentivo governamental. Ressalta também os desafios de fazer Animação, o que a princípio pode parecer algo maravilhoso, “</span><i><span style="font-weight: 400;">bonitinho</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas que exige muito trabalho e dedicação, para muitas vezes apresentar um resultado final muito pequeno. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um processo muito custoso. Ao mesmo tempo, é muito gratificante.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">César destaca a preocupação em atingir um público mais amplo com o longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não queria fazer um filme fechado só pro cara de 40, 50 anos que lia Chiclete com Banana. Então a gente foi tentando não ser didático, mas deixar palatável para que a pessoa entre e conheça quem é o Angeli (&#8230;) e esse universo dele. (&#8230;) Claro que é difícil a gente saber o limiar pra não passar a mão e fazer um filme que fica muito explicativo, mas tivemos um cuidado.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Foi quando o longa estreou no Festival de Annecy que ele recebeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback </span></i><span style="font-weight: 400;">de alguém de fora, que o fez saber que o filme havia dado certo. Foi de uma estudante vietnamita da Escola Gobelins, a maior escola de animação da França, que escreveu um texto para o diretor, que trocando ideia com ela, e vendo que tinha entendido a narrativa e quem é o Angeli, percebeu que o projeto tinha realmente dado certo.</span></p>
<figure id="attachment_24856" aria-describedby="caption-attachment-24856" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg" alt="A foto tirada antes da sessão de Bob Cuspe no vão do Masp mostra em plano médio o diretor César, o diretor do filme, um homem branco de cabelos grisalhos, vestindo máscara azul escura e camisa preta, e olhando para a câmera. Ao fundo vemos diversas cadeiras viradas para uma tela mais atrás. " width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24856" class="wp-caption-text">O primeiro longa de César Cabral no universo de Angeli certamente não será o único: “A gente vai fazer um segundo&#8230;” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Você tem alguma tira favorita do Bob Cuspe?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem uma muito boa em que o Bob Cuspe ‘tá’ no meio do cinema, e que ninguém ‘tá’ perto dele, sabe? Acho que o Bob Cuspe &#8211; Nós Não Gostamos de Gente, representa um pouco essa imagem, porque as pessoas ficam meio com medo da figura dele na cena. (&#8230;) O Bob Cuspe não é um personagem que fala muito, ele vai lá e cospe, dá porrada nas pessoas, no sentido não-físico, mas tá sempre ali peitando, é muito boa”.</span></i></p>
<p><b>Se você pudesse escolher três pessoas para trabalhar em um filme, vivas ou mortas, quem você escolheria e por quê?</b></p>
<p><b>César: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Pergunta difícil essa hein&#8230;. Tim Burton é um cara que eu gosto muito, o universo que ele cria, pensando com foco em animação. (&#8230;) Gosto muito do Wes Anderson também, como diretor e com a aproximação com a animação que ele tá cada vez mais. É um cara que vem do live, e tem um universo muito particular na forma de filmar. Pô, quem mais? Acho que uma delas seria o Angeli mesmo, que eu me aproximei e que eu acho que de certa forma era uma grande referência sempre na minha formação, então eu acho que uma eu consegui assim que seria trabalhar com o universo dele. Gosto muito do Crumb também, que seria um deus desse universo underground dos quadrinhos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>E se você pudesse levar três filmes para uma ilha deserta, quais seriam?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou falar dos filmes que eu gostava e gosto muito ainda. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i89oN8v7RdY"><i><span style="font-weight: 400;">Os Incompreendidos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto muito do Truffaut, vi muitas vezes&#8230; Claro que meu trabalho não tem nada a ver com ele, com esse universo do Truffaut, mas é um filme de formação. Falei do </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vayksn4Y93A"><i><span style="font-weight: 400;">Cães de Aluguel</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, gosto muito de Pulp Fiction mas gosto muito de Cães de Aluguel, se fosse pra colocar um filme do Tarantino (&#8230;), </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dfeUzm6KF4g"><i><span style="font-weight: 400;">Clube da Luta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu gosto também. Gosto bastante. Mas falando sem pensar muito assim, certamente teriam outros tantos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><b>Você tem algum filme nacional favorito?</b></p>
<p><b>César:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tenho, alguns… Mas um que eu gosto muito é </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SDs62rXX9Wo&amp;t=3727s"><i><span style="font-weight: 400;">Bangue-Bangue</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, do Andrea Tonacci. Eu acho o filme foda demais. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5d1C2sMbYNo"><i><span style="font-weight: 400;">O Bandido da Luz Vermelha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> do Sganzerla também é outro filme que pra mim marcou muito, inclusive o próprio Dossiê Rê Bordosa bebe muito naquela construção de investigação de uma certa maneira jornalística, uma rádio que faz esse jornalismo espreme-sai-sangue, (&#8230;) o Dossiê é muito construído dessa forma, e veio muito do próprio Bandido da Luz Vermelha”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24857" aria-describedby="caption-attachment-24857" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg" alt="A foto mostra a sessão do filme Bob Cuspe no vão do MASP. À esquerda vemos o público disposto em cadeiras, à direita vemos a tela, com uma cena do filme. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cesar-cabral-5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24857" class="wp-caption-text">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje.” (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando ao fim da entrevista, o diretor falou sobre o espírito </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bob Cuspe</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua relevância hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A gente não quer falar só de um mundinho fechado que foi passado. Eu acho que o filme é pro jovem de hoje. A gente fala de punk, mas o punk é em um sentido amplo. O punk é uma postura do jovem perante esse mundo, perante o mundo que virá. A gente está sempre em um embate, o jovem tem esse papel de não aceitar esse mundo estabelecido. Se ali é o punk, talvez o punk hoje é essa postura que permanece. De certa forma, é universal. Estou muito feliz com o resultado, que é muito gratificante mesmo.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E para a alegria daqueles que perderam as sessões do longa na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme estreou nos cinemas no dia 11 de novembro, levando sua postura </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">para várias capitais do país, e permanece em cartaz até a publicação desta entrevista. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bastidores de BOB CUSPE - NÓS NÃO GOSTAMOS DE GENTE" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IBV-SeeOCwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Persona Entrevista: Lírio Ferreira</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 16:31:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cineasta discorre sobre o impacto do sertão na sua filmografia e o lançamento de seu novo filme, Acqua Movie, protagonizado por Alessandra Negrini Caroline Campos Foi durante o governo de Fernando Collor que, em 1990, a Embrafilme, principal órgão de financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta. O resultado não demorou para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-lirio-ferreira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lírio Ferreira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Cineasta discorre sobre o impacto do sertão na sua filmografia e o lançamento de seu novo filme, Acqua Movie, protagonizado por Alessandra Negrini</span></i></p>
<figure id="attachment_21726" aria-describedby="caption-attachment-21726" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21726 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/lirio-entrevista-wordpress.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista com Lírio Ferreira. À esquerda, o nome do quadro está na vertical em quatro linhas, duas brancas e pretas. No centro, há uma imagem em preto e branco de Lírio, um homem branco de 50 anos, que usa uma camiseta preta. À direita, há o poster do filme Acqua Movie, e, em cima, o nome do diretor em preto." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/lirio-entrevista-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/lirio-entrevista-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/lirio-entrevista-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21726" class="wp-caption-text">O último entrevistado do quadro de bate-papos do Persona foi o cineasta Felipe M. Guerra (Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi durante o governo de Fernando Collor que, em 1990, a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/o-papel-da-embrafilme-nos-anos-de-chumbo"><span style="font-weight: 400;">Embrafilme</span></a><span style="font-weight: 400;">, principal órgão de financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta. O resultado não demorou para chegar e, sem incentivos fiscais, </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3742/cinema-da-retomada"><span style="font-weight: 400;">o Cinema brasileiro foi quase totalmente eliminado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na época, quando cerca de apenas 3 longas-metragens chegavam às telas por ano. Com uma reestruturação gradual através de novas fontes de recursos, como a Lei de Incentivo à Cultura, em 1991, e a Lei do Audiovisual, em 1993, a produção cinematográfica nacional foi recuperando o fôlego e, hoje, chamamos essa fase regenerativa de </span><a href="https://culturadoria.com.br/cinco-filmes-para-entender-o-cinema-da-retomada/"><span style="font-weight: 400;">Cinema de Retomada</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre 1995 e 2002.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas para que toda essa história? Hoje, o </span><b>Persona Entrevista</b><span style="font-weight: 400;"> traz </span><a href="https://www.rnp.br/noticias/cinemas-em-rede-exibe-o-longa-baile-perfumado-simbolo-de-resistencia-e-retomada-do-cinema"><span style="font-weight: 400;">um dos cineastas </span></a><span style="font-weight: 400;">que participaram dessa avalanche de novos filmes sedentos por vida. Ao lado de Paulo Caldas, Lírio Ferreira dirigiu o primeiro filme pernambucano em quase 20 anos sem produções no estado. </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70117/baile-perfumado"><i><span style="font-weight: 400;">Baile Perfumado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1996, traz um </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/09/27/20-anos-de-%E2%80%98Baile-Perfumado%E2%80%99-o-filme-em-que-Lampi%C3%A3o-e-o-manguebeat-se-encontram"><span style="font-weight: 400;">Lampião </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa influenciada pelo </span><a href="http://memorialdademocracia.com.br/page/bronca-social/estilos/manguebeat"><i><span style="font-weight: 400;">manguebeat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, recriando as fotografias de Benjamin Abrahão do cangaceiro e seu bando. 25 anos depois, sob a sombra de um outro aniquilador cultural na presidência, Lírio comenta sobre a estreia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/acqua-movie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em meio à pandemia e a importância da resistência artística durante o desgoverno Bolsonaro.</span></p>
<p><span id="more-21645"></span></p>
<figure id="attachment_21654" aria-describedby="caption-attachment-21654" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21654 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706.jpg" alt="Foto do diretor Lírio Ferreira. Ele está de perfil, olhando pela lente de uma câmera de filmagem em um tripé. Lírio é um homem branco de 50 anos, com cabelos grisalhos e ralos. Ele usa uma camiseta branca e um chale por cima." width="1772" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/AcquaMovie_300118_©FredJordao_3706-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21654" class="wp-caption-text">O diretor afirma que o Cinema Pernambucano de sua geração nasceu em um ambiente acadêmico; Lírio, por sua vez, é formado em Jornalismo (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sertão sempre foi protagonista na filmografia de Lírio Ferreira. Além de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S8TNbZNhfSQ"><i><span style="font-weight: 400;">Baile Perfumado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=geOfXi-yAPM"><i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2005, também visitou as paisagens semiáridas de Pernambuco para acompanhar Guilherme Weber em uma narrativa de</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘excesso de informação e falta d’água’</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, em 2021, Ferreira estabelece uma </span><i><span style="font-weight: 400;">“extensão kardecista”</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos acontecimentos que dirigiu 16 anos atrás com </span><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i><span style="font-weight: 400;">, que</span> <span style="font-weight: 400;">chegou aos cinemas em junho retratando a influência da água de transposição do rio São Francisco na secura sertaneja. O longa traz Weber de volta no papel de Jonas, mas o protagonismo fica a cargo de Alessandra Negrini e Antonio Haddad. </span></p>
<p><b>Por que você quis revisitar Árido Movie depois de 16 anos?</b></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“O </span></i><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67309/arido-movie"><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que eu tenho muito carinho na minha vida. Representa muito um momento da minha vida, tenho muitas memórias afetivas do filme. Eu acho que nunca mais vou fazer um filme, na minha concepção, tão belo e tão imperfeito. Não imaginava revisita-lo assim naturalmente, mas aí uma vez o acaso me colocou no sertão. Eu me esbarrei com as obras de transposição do rio São Francisco e tive um alumbramento que algumas portas eu poderia revisitar ali. Pensei, a princípio, em uma coisa mais normal, que seria uma continuação clássica, porque eu vi aquelas obras de transposição e eu percebi uma certa utopia, uma possível utopia da água que, no </span></i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span><i><span style="font-weight: 400;">, era uma coisa meio ‘excesso de informação falta d&#8217;água’ e, de repente, tinha isso ali; uma esperança de água que fosse inatingível, mas estava ali e eu me senti no impulso de revisitar.” </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A princípio, deu uma coisa clássica mesmo, mas com o tratamento, com a pesquisa, com a entrada dos roteiristas, o Marcelo Gomes, o Paulo Caldas, as provocações, as pesquisas em campo, o filme acabou passando a ser uma extensão. Mudou o foco, acho que a água trouxe o personagem feminino da Alessandra pro filme, a maternidade do Antonio, que virou um </span></i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span><i><span style="font-weight: 400;"> da barriga final da Giulia Gam em </span></i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span><i><span style="font-weight: 400;">, e acabou virando, ao invés de uma continuação mais cartesiana, mais clássica, acabou virando uma extensão mais kardecista, mais espiritual, em que os personagens estariam ali em essência e alma, mas não necessariamente os mesmos atores e os mesmos nomes de personagem. ‘É e não é, mas está sendo’, como diria Celso Martinez.”</span></i></p>
<figure id="attachment_21652" aria-describedby="caption-attachment-21652" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21652 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/arido-movie.jpg" alt="Foto do filme Árido Movie. Os personagens, uma mulher e dois homens, todos brancos, estão sentados dentro de um carro aberto. Atrás, é possível ver uma igreja verde escrita ASSEMBLEIA DE DEUS / CONV. ABREU E LIMA." width="1024" height="663" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/arido-movie.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/arido-movie-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/arido-movie-768x497.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21652" class="wp-caption-text">Árido Movie foi exibido no Festival de Veneza (Foto: Europa Filmes)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O sertão tem aquele tempo dele”</span></i></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Acqua</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou a ser filmado em São Paulo e, depois, viajou diretamente para as cidades de Salgueiro, uma das pontas do </span><a href="https://apublica.org/2017/10/os-lados-do-poligono-da-maconha/"><span style="font-weight: 400;">Polígono da Maconha</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">onde se produz a melhor maconha da América Latina</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor –, Cabrobó, Belém de São Francisco e Santa Maria da Boa Vista. Lírio reforça que filmar em estradas, ainda mais no sertão, é um desafio e tanto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não é um lugar muito confortável, digamos assim. Um lugar muito quente, um sol muito forte, a natureza é muito presente, muito selvagem, inóspita, muito agressiva até certo ponto, né, muito inseto e enfim”</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta Ferreira, que também agradece à equipe e ao elenco por o ajudarem a enfrentar o desafio. No entanto, para o cineasta, não há nada que simbolize mais o Cinema brasileiro do que a região. </span></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“E por mais que o sertão tenha essa primeira imagem que você tem né, a primeira imagem mais seca, mais árida, mais inóspita, essa coisa toda que se tem, eu quando vou ao sertão me bate de uma maneira diferente. Na verdade, eu meio que subverto essa história, porque eu sempre acho o sertão extremamente fértil, acho o sertão extremamente poético, eu acho o sertão extremamente solidário. O sertão é um povo, a geografia, me encanta de uma maneira e me toca de uma maneira muito especial, e o tempo no sertão passa de uma forma muito diferente. O tempo das pessoas, o tempo da paisagem, então é o que você falou mesmo, é contemplar, é ligar a câmera e esperar o momento certo que vai aparecer e tentar criar uma </span></i><a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2017/06/o-que-e-essa-tal-de-mise-en-scene.html"><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, uma dramaturgia no meio desse cenário simbólico, cenário que é o mais simbólico e mais profundo do Cinema brasileiro.”</span></i></p>
<figure id="attachment_21653" aria-describedby="caption-attachment-21653" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21653 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6.jpg" alt="Foto de Lírio Ferreira. O diretor está no canto direito da imagem, projetado parcialmente na foto. O foco está nele, desfocando todo o resto. De fundo, é possível ver o cenário de um enterro, com um caixão e muitas flores." width="1772" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/©BarbaraCunha-1-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21653" class="wp-caption-text">Lírio foi assistente de Paulo Caldas e Cláudio Assis antes de assumir a direção pela primeira vez (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">a personagem de Negrini</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma documentarista engajada na defesa dos direitos dos povos indígenas. Quando se aventura com o filho em uma viagem até Nova Rocha, interior de Pernambuco, se depara com a violência com que essas comunidades são tratadas, principalmente pela quadrilha de Múcio, prefeito da cidade interpretado por Augusto Madeira. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A gente joga aquela trajetória ali e é um território que eu acho muito bacana de você trazer isso para dar uma visibilidade a essas nações indígenas do Nordeste. Todo mundo tem essa ideia da Amazônia, do Xingu, mas temos nações indígenas fortes e históricas no Nordeste. Então, acho que o filme traz um pouco da questão da briga pela terra que ainda existe, até hoje é secular, tanto com os agricultores quanto com povos indígenas e dá visibilidade nessas nações importantíssimas na construção daquele pedaço”</span></i><span style="font-weight: 400;">, rebate Lírio. </span><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou com a participação do povo Truká e do povo Pankararu.</span></p>
<p><b>Você explora o sertão em boa parte da sua filmografia. O que mudou desde </b><b><i>Baile Perfumado</i></b><b>, lá em 1996? O que mudou, não só no sertão, mas na sua própria visão desse cenário?</b></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“No sertão o tempo é diferente, né. Não muda muito. Dá pra perceber que quando eu fui filmar lá pela primeira vez, eu tinha o cabelo preto até aqui, a barba era feita, não tinha óculos, etc e tal. O tempo foi passando, o sertão muda em um tempo diferente do meu, ainda bem. O sertão ainda tem as mesmas contradições, os mesmos paradoxos que tinha naquela coisa do </span></i><span style="font-weight: 400;">Árido Movie</span><i><span style="font-weight: 400;">. Chegou a modernidade, a </span></i><span style="font-weight: 400;">internet</span><i><span style="font-weight: 400;">, a fibra óptica, o celular, mas a água não chega. Tem esse conflito ainda. Enquanto isso, a minha barba ficou branca, os cabelos não estão tão… [risos] já foram pintados também, mas o sertão tem aquele tempo dele. Um segredo, um enigma muito forte, mas muita poesia. Uma coisa é sempre ter respeito por aquele lugar. Eu me sinto muito bem, e tento me conectar com esse tempo que é diferente do meu, mas que se move. Ele não tá parado não. Ele pode estar se movendo no tempo dele, mas ele está em movimento. Sempre em constante mudança.”</span></i></p>
<figure id="attachment_21646" aria-describedby="caption-attachment-21646" style="width: 993px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21646 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/993-621-abra__o__o_ator_duda_mamberti___ajudante_e_equipamento_de_filmagem_.jpg" alt="Foto de Baile Perfumado. À esquerda, podemos ver Duda Mamberti, vestido com roupas beges típicas do cangaço e segurando uma câmera na mão. À esquerda e um pouco para trás, Luiz Carlos Vasconcelos está caracterizado como Lampião, usando roupas beges, chapéu e um lenço azul no pescoço." width="993" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/993-621-abra__o__o_ator_duda_mamberti___ajudante_e_equipamento_de_filmagem_.jpg 993w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/993-621-abra__o__o_ator_duda_mamberti___ajudante_e_equipamento_de_filmagem_-800x499.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/993-621-abra__o__o_ator_duda_mamberti___ajudante_e_equipamento_de_filmagem_-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21646" class="wp-caption-text">Em Baile Perfumado, Lampião foi interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos e Benjamin Abrahão por Duda Mamberti (Foto: Riofilme)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Primeiro veio o verme, depois o vírus”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar sobre Cultura em 2021 sem mencionar </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/bolsonaro-ensina-como-se-monta-o-desmonte-de-uma-politica-cultural/"><span style="font-weight: 400;">Jair Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">. O presidente tem como plano de governo, desde que assumiu o cargo em 2019, o </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-13/oab-ingressa-com-acao-contra-governo-bolsonaro-por-desmonte-da-cultura-no-pais.html"><span style="font-weight: 400;">desmonte do setor</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mesmo que a </span><a href="https://telepadi.folha.uol.com.br/alvo-de-r-225-milhoes-por-ano-industria-audiovisual-lanca-manifesto-em-defesa-setor/"><span style="font-weight: 400;">indústria audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileira seja </span><a href="https://www.linkedin.com/pulse/setor-de-audiovisual-j%C3%A1-%C3%A9-quinta-maior-atividade-pa%C3%ADs/?originalSubdomain=pt"><span style="font-weight: 400;">a quinta maior atividade econômica</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país, responsável por mais de 330 mil empregos. Para Lírio, Bolsonaro não consegue conversar nem conviver com o que o contradiz. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele não consegue entender, ele só consegue exterminar. (&#8230;) Mas eis que burro e tapado do jeito que ele é, não sabe que a gente tem uma coisa que é a resistência. A gente é muito mais forte do que isso, é ele que é passageiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ressalta o diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E em meio a tanta imparcialidade, a tão pouco posicionamento de artistas e </span><i><span style="font-weight: 400;">influencers</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lírio é certeiro ao afirmar: </span><i><span style="font-weight: 400;">“estar em cima do muro é estar do outro lado do muro”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma pandemia que já acumula mais de 500 mil mortos, onde </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/06/24/especialistas-dizem-que-ate-400-mil-vidas-poderiam-ter-sido-poupadas.htm"><span style="font-weight: 400;">400 mil</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderiam ter sido salvos pela resposta de um </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mail</span></i><span style="font-weight: 400;">, o silêncio diz muito, seja ele em vida ou em morte. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É muito dificil, hoje em dia, você dialogar com uma pessoa que é adepta à tortura, que o maior ídolo do cara é um torturador. (&#8230;) A gente tá vivendo essa dupla onda, né. Primeiro veio o verme, depois o vírus. Então, lançar filme é resistir”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos cinemas – que era para ter acontecido ano passado – durante o isolamento só se deu por conta das obrigações e compromissos legais que o filme possui e que, se ignorados, podem tornar a distribuidora e produtora inadimplentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A gente tem plena consciência de que o filme não vai gerar aglomeração. Quem tiver com condição e segurança total, assiste. Quem não, fica em casa com mais segurança e espera o filme passar no </span></i><span style="font-weight: 400;">streaming</span><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, explica o cineasta, já que, para o longa poder chegar aos serviços de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele precisa, antes, ter sido lançado nas telonas.</span></p>
<p><b>Como </b><b><i>Acqua Movie</i></b><b>, então, se relaciona com o Brasil atual, mudando da paisagem  semiárida para um sertão que jorra água?</b></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Quando eu tive esse alumbramento, por assim dizer, a gente ainda tava no meio daquele paraíso, numa sequência de governos que tinham uma visão mais progressista, mais humanista. E, de certa maneira, bem ou mal, queria consertar algumas coisas na construção dessa sociedade brasileira, que é muito errada, muito equivocada e mal feita. (&#8230;) O roteiro foi feito em 2016 e a gente filmou em 2017. Existia só uma leve ameaça, mas jamais passaria na minha cabeça que aquela ameaça que pairava no ar viria a se concretizar. Era uma coisa folclórica, um louquinho ali que tinha seus 10% de pessoas que acreditavam naquele discurso equivocado e não passaria disso. E o filme foi filmado e montado e foi quando o personagem, essa </span></i><span style="font-weight: 400;">persona </span><i><span style="font-weight: 400;">que infelizmente assumiu o país, foi  crescendo, mas o filme ficou pronto antes da eleição dele.”</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Mas aí a gente percebe, na verdade, que aquilo tudo, apesar da gente ter tido esse sopro de esperança em algumas propostas, sempre existiu no Brasil, né. Ou tava debaixo do tapete ou tava adormecido, mas tava ali. E quando você tem esse fascismo, essa falta de humanidade, toda essa perversidade que é o momento que a gente tá vivendo, agora sobretudo em um contexto de pandemia, a gente vê que tava tudo ali. (&#8230;) Então, acho que o filme, infelizmente, conversa ainda com essa situação que a gente tá vivendo hoje e com outras camadas também, como a briga pela terra, uma terra que pertenceu àquelas nações indígenas daquele território sagrado onde a gente filma, que é na região do São Francisco. (&#8230;) E aí a gente traz tudo isso que infelizmente ainda é atual e contemporâneo e o Cinema, meu Cinema, que eu acredito, que eu exercito, vem pra denunciar e pra contextualizar essas desigualdades e essas infelicidades que ainda permeiam nossos caminhos.”</span></i></p>
<figure id="attachment_21651" aria-describedby="caption-attachment-21651" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21651 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672.jpg" alt="Foto de Acqua Movie. Alessandra Negrini e Antonio Haddad estão sentados no tronco de uma árvore, de costas para a foto. Eles olham na direção de um rio, o céu está bem iluminada e azul com nuvens. Ao lado direito, há uma grande árvore." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/99672-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21651" class="wp-caption-text">Alessandra Negrini em Acqua Movie funciona como uma recriação da personagem de Giulia Gam em Árido Movie (Foto: Chá Cinematográfico)</figcaption></figure>
<p><b>Se você pudesse citar três filmes e três diretores nacionais, quais seriam?</b></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eita… que coisa! Fica difícil. Vou tentar botar assim que talvez um represente vários, por exemplo. Eu tenho uma admiração muito grande por </span></i><a href="https://culturadoria.com.br/cinco-filmes-cinema-novo/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Novo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, então vários eu poderia citar aqui, mas uma pessoa que tá ali presente, que eu trabalhei e tenho um carinho muito grande, eu cito Ruy Guerra, </span></i><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/golpe-militar-ruy-guerra/"><span style="font-weight: 400;">Os Fuzis</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. Um filme seminal. Acho Ruy Guerra um diretor, como diria meu amigo Cláudio Assis, do caralho. Ele tem 90 anos com um espírito jovem absurdo nos filmes deles. Seria o primeiro. Ali da minha geração&#8230; caramba, como é que eu posso fazer isso? Vou falar de um e o outro vai ficar chateado, né, mas enfim…&#8221;</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Vou citar </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/la-planta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Beto Brant</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, um amigo querido de geração, que faz um Cinema que eu adoro e aprendeu na mesma época que eu. A gente foi sócio no </span></i><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/sangue-azul/"><span style="font-weight: 400;">Sangue Azul</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, e [escolho] </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq140817.htm"><span style="font-weight: 400;">Os Matadores</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, que é o filme da minha geração que eu gosto muito e representa todos esses – Paulo Caldas, Cláudio Assis, Marcelo Gomes, Heitor Lacerda, Natara Ney, Renata Pinheiro. E dos jovens, eu vou falar que assisti um filme que não consegui assistir no cinema, também teve esses problemas de lançamento, o filme da Maya Da-Rin, </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/02/filme-a-febre-nos-faz-mergulhar-em-brasil-que-dificilmente-alcancamos.shtml"><span style="font-weight: 400;">A Febre</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. Um filme fantástico, incrível. Conheci ela há um tempão atrás e realmente achei o filme formidável, incrível, com um olhar super sensível e novo. Me penou no bom sentido. Então seriam três pessoas, assim cada uma numa geração, representando.”</span></i></p>
<p><b>Quais são seus próximos planos?</b></p>
<p><b>Lírio: </b><i><span style="font-weight: 400;">“É poder sair na rua sem máscara, abraçar o povo, brincar carnaval, dar beijo de boca, fazer um monte de coisa louca, esse seria meu próximo desejo. Mas é </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/09/14/lirio-ferreira-sauda-em-filme-o-prazer-de-cafi-em-fazer-amigos-e-capas-de-discos.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">o filme do Cafi</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> mesmo que eu tô fazendo com Natara Ney. É o filme de um fotógrafo pernambucano, maravilhoso, amigo, querido, e fotógrafo de várias capas de disco e vários momentos. Cafi fotografou muita gente e é um documentário que eu venho dirigindo com Natara que tá quase pronto e, quando a gente tiver outra possibilidade, a gente vai tá junto de novo.”</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Acqua Movie </span></i><span style="font-weight: 400;">passou pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, pelo Festival do Rio e pela Mostra Ecofalante de Cinema.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Felipe M. Guerra</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2021 18:49:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor comenta sobre a reedição de seu clássico do cinema amador para o Fantaspoa XVII e da realidade dos cineastas independentes no Brasil Caroline Campos A 17ª edição do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, que ocorreu no último mês de abril, rendeu o acesso a muitas obras internacionais até então inéditas no Brasil. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-felipe-m-guerra/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Felipe M. Guerra"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretor comenta sobre a reedição de seu clássico do cinema amador para o Fantaspoa XVII e da realidade dos cineastas independentes no Brasil</span></i></p>
<figure id="attachment_20543" aria-describedby="caption-attachment-20543" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20543 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrevista-felipe-wordpress.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista. À esquerda, as palavras PERSONA ENTREVISTA estão contínuas em quatro linhas brancas e brancas. O cineasta Felipe M. Guerra está no centro da arte, em preto e branco no fundo vermelho. Ao seu lado, o poster do filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado, com FELIPE M GUERRA em preto acima." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrevista-felipe-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrevista-felipe-wordpress-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrevista-felipe-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20543" class="wp-caption-text">Depois de nomes como Lemohang Jeremiah Mosese e Moara Passoni, o Persona Entrevista volta para um bate-papo com o cineasta independente Felipe M. Guerra (Foto: Necrófilos Produções Artísticas/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A 17ª edição do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, que ocorreu no último mês de abril, rendeu o acesso a muitas obras internacionais até então inéditas no Brasil. Depois da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">cobertura do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, o quadro de entrevistas do </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">retorna para conversar com </span><a href="https://felipemguerra.medium.com/"><span style="font-weight: 400;">Felipe M. Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor de um dos filmes mais comentados do evento: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cjTT6faL5L4"><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No aniversário de 20 anos do longa, Guerra, também jornalista, conta um pouco sobre seu processo de criação e a recepção do público durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i><span style="font-weight: 400;">, que marca a primeira vez que o filme foi disponibilizado </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sem restrições. Simpático, o gaúcho ainda comenta sobre a relação do Cinema com as novas tecnologias e o papel da arte independente. Sentiu saudade do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><b>Persona Entrevista</b></a><span style="font-weight: 400;">? Então, acompanhe abaixo o papo que tivemos com o responsável por um dos maiores mitos do cinema amador.</span></p>
<p><span id="more-20522"></span></p>
<figure id="attachment_20527" aria-describedby="caption-attachment-20527" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1_57kuOjt0Ls3Nc4L1YiEbzA.jpeg" alt="Felipe Guerra é um homem branco de 41 anos. Ele está no centro da imagem, segurando uma placa como se tivesse sendo preso, em que podemos ler CURTA CIRCUITO 17 EDIÇÃO. Ele usa uma camisa preta e a imagem é preta e branca." width="748" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1_57kuOjt0Ls3Nc4L1YiEbzA.jpeg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1_57kuOjt0Ls3Nc4L1YiEbzA-300x292.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20527" class="wp-caption-text">Felipe brinca que o único dinheiro com Cinema que conseguiu na vida foi com a venda de seu filme Deodato Holocaust em Blu-ray na Europa (Foto: Acervo Curta Circuito)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;"> é fruto de outra era tecnológica. Felipe, com seus 30 anos de carreira e 41 de vida, lembra das dificuldades de se produzir cinema independente no mundo analógico, decorrentes da baixa qualidade de imagem, som e dos processos mirabolantes de edição e montagem de um filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tudo era um pouquinho mais difícil, mas, ao mesmo tempo, mais desafiador. (&#8230;) Naquela época, para se gostar de Cinema, tinha que gostar muito”</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o cineasta, relembrando das videolocadoras e comparando com a facilidade dos dias de hoje, onde um filme pode ser disponibilizado em diversas plataformas e difundido pelo Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por cima, quando o então presidente </span><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/collor-extingue-embrafilme-10159189"><span style="font-weight: 400;">Fernando Collor extinguiu a Embrafilme</span></a><span style="font-weight: 400;">, fazer Cinema virou coisa de rico. Felipe e outros interessados em realizar seus próprios filmes precisavam se virar com o que estava disponível, como a câmera </span><i><span style="font-weight: 400;">VHS</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Para você querer fazer filme com VHS, você precisava gostar muito de Cinema e não ter dinheiro algum”</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta o gaúcho, que então resolveu juntar os amigos e dar vida às suas obras. Além do </span><i><span style="font-weight: 400;">VHS</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor já filmou em câmeras digitais, semiamadoras e, por enquanto, só falta o 4K. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nunca consegui ficar rico nem ir para a Globo fazer novela, mas me diverti muito nesses quase 30 anos de produção independente”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Felipe Guerra e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa </span></i><span style="font-weight: 400;">não é de agora. O gaúcho já estreou muitos de seus filmes no Festival e possui obras produzidas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa Produções</span></i><span style="font-weight: 400;">. A amizade rendeu a ideia de reeditar seu longa </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/criticas/2013/11/canibais-solidao-2006-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Canibais &amp; Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que comemora 15 anos em 2021. No entanto, o vigésimo aniversário de </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado</span></i><span style="font-weight: 400;"> falou mais alto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu ofereci para eles e eles ficaram fascinados, já que o Fantaspoa nem existia quando o filme foi lançado em 2001”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta Guerra.</span></p>
<figure id="attachment_20526" aria-describedby="caption-attachment-20526" style="width: 1038px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20526 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Ez1ewHaXIAQzrOR.jpeg" alt="Cena do filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado. Um assassino segurando um machado olha por dentro de uma porta, na ddireção de um jovem que está mexendo no computador." width="1038" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Ez1ewHaXIAQzrOR.jpeg 1038w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Ez1ewHaXIAQzrOR-300x222.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Ez1ewHaXIAQzrOR-1024x758.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Ez1ewHaXIAQzrOR-768x568.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20526" class="wp-caption-text">Entrei em Pânico&#8230; teve que se transformar da sua criação para cá: por conta de direitos autorais, muitas músicas precisaram ser substituídas (Foto: Necrófilos Produções Artísticas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, Felipe lembra que, para vender suas fitas, era necessário enviá-las por correio. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu tive muita sorte. Apesar do filme ter sido feito nessas condições difíceis, a mídia em geral se interessou por ele, tanto pelo título quanto por ter sido feito em uma cidadezinha do interior”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na época, Carlos Barbosa, localizada no Rio Grande do Sul, contava com cerca de apenas 15 mil habitantes. O filme se tornou uma pauta ambulante, fruto do imaginário popular e, logo, era uma das obras independentes mais conhecidas do Brasil &#8211; e menos vistas, já que o público não possuía acesso sem a compra da fita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a repercussão gigantesca de </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2020/05/felipe-m-guerra-entrevista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que o custou R$ 250,00, Felipe confidencia que não gostava muito de sua produção. Agora, por conta do carinho da nova geração pela obra após o </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele aprecia um pouco mais seu terror-comédia gaúcho. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foi realmente inesperado. Eu jurava que o filme ia ser uma piada de mau-gosto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, zomba o diretor, que se diz emocionado com o burburinho e conta que respondeu resenha por resenha na página do </span><i><span style="font-weight: 400;">Letterboxd</span></i><span style="font-weight: 400;"> da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a reedição do longa de 2001, que ganhou o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Redux</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitos minutos do original foram cortados. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O filme original era horrível. (&#8230;) Quando eu percebo, o filme tá com 70 minutos já e nem começou a morrer gente. Aí eu acelerei o restante, então nossa, era muito ruim aquilo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/espanto/entrevista-felipe-m-guerra/"><span style="font-weight: 400;">Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> no meio de risadas, mas afirma que redescobriu sua obra depois desses vinte anos, relembrando cenas que foram retiradas e esquecidas na memória. Para Felipe, sua versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Redux</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um quê de redenção, com um ritmo melhor depois da edição no computador e muita nostalgia em assistir seus amigos e família tão novinhos.</span></p>
<figure id="attachment_20525" aria-describedby="caption-attachment-20525" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20525 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5.jpg" alt="Imagem promocional do filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado. O assassino, com uma máscara branca esticada e roupa com capuz preto, está apoiado e segura uma faca com a mão esquerda e a cabeça de um boneco com a mão direita. Ao fundo, as paredes laranjas estampam CARLOS BARBOSA." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/entrei-em-panico-ao-saber-o-que-voces-fizeram-na-sexta-feira-13-do-verao-passado_-_XVII_Festival_Internacional_de_Cinema_Fantastico_de_Porto_Alegre_-_FANTASPOA_2021_5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20525" class="wp-caption-text">O sangue da produção variava entre suco de groselha com Coca-Cola e tinta de carimbo, utilizada sem contar aos atores (Foto: Necrófilo Produções Artísticas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois que surgiu a franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90, Felipe e seus amigos, acostumados com a violência dos </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2019/10/o-que-e-slasher.html"><i><span style="font-weight: 400;">slashers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da década anterior, ficaram frustrados com o fato de haver pouco sangue na obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Entrei em Pânico… surgiu dessa ideia: vamos brincar com Pânico, mas pegando esse espírito dos slashers dos anos 80”</span></i><span style="font-weight: 400;">. As referências são muitas, como o próprio vilão abrasileirado Geison, que homenageia </span><a href="https://darkside.blog.br/10-curiosidades-matadoras-sobre-jason-voorhees-e-sexta-feira-13/"><span style="font-weight: 400;">Jason Voorhees</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o hilário </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Olá, Cinthia”</span></i><span style="font-weight: 400;"> no começo da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do reconhecimento pela paródia de 2001, Guerra, que tem </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/6-filmes-para-conhecer-robert-rodriguez-amigo-de-tarantino-e-diretor-de-sharkboy-e-lavagirl-lista/"><span style="font-weight: 400;">Robert Rodriguez </span></a><span style="font-weight: 400;">como guru, é responsável por uma filmografia variada e criativa. Uma de suas estrelas é a avó de 90 anos, Dona Oldina do Monte, que protagoniza o documentário curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Cnycp9mBSU"><i><span style="font-weight: 400;">Dona Oldina &#8211; A Fernanda Montenegro Trash</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://vimeo.com/253031128"><i><span style="font-weight: 400;">Dona Oldina Vai às Compras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta mais recente do cineasta. Como uma vovó </span><i><span style="font-weight: 400;">fazedora </span></i><span style="font-weight: 400;">de tricô foi parar atuando nos filmes </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/melhores-filmes-trash-167903/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do neto? Felipe conta que, em 1995, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Quatrilho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Fábio Barreto, filmou algumas cenas na região onde a família morava, e Dona Oldina acabou conseguindo uma palinha como figurante. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Ela já era uma estrela da Globo quando eu comecei a trabalhar com ela, mas foi contaminada por esse vício quando eu comecei a fazer meus próprios filmes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, revela o diretor, com muito afeto pela avó. Dona Oldina sempre comenta que participar das aventuras nas telas a salvou da depressão, depois que o marido, avô de Felipe, morreu. Extremamente carismática na frente de uma câmera, Oldina ganhou uma sobrevida com os filmes e topa tudo pelo Cinema, inclusive possui um papel exclusivo em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?fbclid=IwAR3qcFfEuixYqze5AUxwVUEPyu7mf4bxKW-6Nz5_Cgw7SdGix06q00MfHKQ&amp;v=Mt33hQWaUec&amp;feature=youtu.be"><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico… parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20523" aria-describedby="caption-attachment-20523" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20523 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40.png" alt="Cena do curta Dona Oldina Vai Às Compras. Dona Oldina está no centro da imagem, da região do peito para cima. Ela é uma senhora branca de 90 anos com cabelos na região do ombro, tam´bem brancos. Ela usa um suéter bege e uma blusa gola alta roxa. Ela olha para cima." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-40-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20523" class="wp-caption-text">Dona Oldina foi apelidada como “A Fernanda Montenegro dos pobres” (Foto: Necrófilos Produções Artísticas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando a própria filmografia, </span><a href="https://filmow.com/felipe-m-guerra-a150009/"><span style="font-weight: 400;">Felipe M. Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta o processo criativo por trás de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Fn5p2JPVuo"><i><span style="font-weight: 400;">Blanket</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta de 2014 com apenas 3 minutos. Ao lado da então namorada, atual esposa, Daniela, o gaúcho filmou sua obra em apenas meia hora no corredor sombrio do hotel em que estava hospedado. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto de citar o Blanket como um exemplo de que não há mais desculpas para você não fazer filme. (&#8230;) Se não ficar bom, você não gastou dinheiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reforça o diretor, incentivando, sempre, o Cinema feito em casa &#8211; ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;">, a mensagem de que</span><i><span style="font-weight: 400;"> “fazer os próprios filmes é divertido”</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece na tela logo antes dos créditos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, a produção de filmes de terror no Brasil é escassa e, muitas vezes, mal recebida. Com um público difícil, Felipe afirma que prefere fazer a mescla com a comédia, em um terror mais satírico a fim de atingir uma parcela maior. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sempre quis chegar num público maior, não só fãs de terror, mas filmes que minha mãe pudesse assistir, por exemplo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O objetivo, na visão do diretor, é conseguir se divertir, mesmo com um susto ou outro, já que o espectador brasileiro ainda possui muito preconceito com o próprio Cinema no geral. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tem público que acha muito esquisito ver gente falar português em filme de terror, e esse argumento é tolice, porque depois essa pessoa vai assistir o estrangeiro dublado”</span></i><span style="font-weight: 400;">, rebate Guerra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A situação ainda se agrava pela dificuldade de produzir e conseguir retorno pelas obras. Para o diretor, o principal problema hoje é como monetizar as produções, já que, com o fim iminente da mídia física, é mais complicado gerar algum dinheiro de filmes autofinanciados, até porque não se consegue colocá-los em plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O amor ao Cinema vai até certo ponto, mas, depois que você gastou um monte do seu dinheiro nisso, já não dá mais”</span></i><span style="font-weight: 400;">, lamenta. Felipe vê muitos amigos e realizadores independentes desistindo da carreira, pois, além de não conseguirem incentivo dos raros editais que são disponibilizados, também não conseguem vender as obras. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Uma hora você tem que pagar suas contas”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20524" aria-describedby="caption-attachment-20524" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20524 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45.png" alt="Cena do curta Blanket. No fim de um corredor de paredes brancas, vemos uma figura em pé com um lençol branco cobrindo o corpo todo, parado de frente ao corredor. Nas paredes, vemos extintores de incêndio e kits de segurança." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-45-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20524" class="wp-caption-text">Felipe Guerra pagava seus filmes com o salário no Jornalismo, e hoje faz freelas para site internacionais (Foto: Necrófilos Produções Artísticas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tristeza, Felipe lamenta pelo tratamento indiferente que </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa204021/jose-mojica-marins"><span style="font-weight: 400;">José Mojica Marins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/morre-o-cineasta-jose-mojica-marins-o-ze-do-caixao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Zé do Caixão</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebeu durante a vida. O Rei do Terror no Brasil, que ganhava dinheiro em bingos, só passou a ser reconhecido quando foi notado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">estrangeiro</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“As pessoas lembravam dele como uma piada. Ele se tornou uma figura folclórica, mesmo sendo o cara que </span></i><a href="https://falauniversidades.com.br/legado-macabro-o-que-ze-do-caixao-deixou/"><i><span style="font-weight: 400;">introduziu o terror no Brasil</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Um pioneiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirma o cineasta, retomando as obras que passaram pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SJv66w4hPDU"><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Rodrigo Aragão, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XnSyO4VKBt0"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Minutos Além do Infinito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do japonês Junta Yamaguchi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando a conversa, </span><a href="https://filmesparadoidos.blogspot.com/"><span style="font-weight: 400;">Felipe M. Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfatiza que o papel do cinema independente é contar as histórias ignoradas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pelos cinemas de </span><i><span style="font-weight: 400;">shopping</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu fico me perguntando ‘como é que esse filme não estourou?’, mas ele não chega a um público maior”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta o diretor, afirmando que gosta e acompanha produções </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i><span style="font-weight: 400;"> também, mas só encontra a originalidade no cinema independente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Hoje, com a internet, o céu é o limite. Você tem um mundo de coisas para ver”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em decorrência do sucesso de público, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficou disponível por mais uma semana após o encerramento do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus três filmes de terror favoritos?</b></p>
<p><b>Felipe:</b><i><span style="font-weight: 400;"> “Nossa, que pergunta difícil! (risos) Então vamos fazer assim, três filmes que eu gosto muito, tô sempre revendo e acho que todo ser humano deveria ver. O filme que me fez gostar de cinema de horror: Um Lobisomem Americano em Londres [1981]. É o modelo que eu sigo para meus filmes, ele é super terror quando tem que ser e é engraçado quando não precisa ser assustador. (&#8230;) Foi o primeiro filme de horror que eu vi quando era criança e me marcou muito. Depois, O Massacre da Serra Elétrica [1974], porque provavelmente foi uma das vezes que o cinema foi mais sujo, mais bárbaro, violento. No filme original, parece tudo verdade, que as pessoas tão morrendo mesmo. Parece um documentário. (&#8230;) E, para mim, o filme de terror perfeito O Enigma de Outro Mundo [1982], do John Carpenter. É um filme sobre isolamento, paranóia e tá super atual. Os efeitos, todos práticos, são muito bons, você assiste hoje e não diz que é um filme de 82. Esses três [filmes] são obrigatórios”. </span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E três cineastas?</b></p>
<p><b>Felipe: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Os meus três preferidos de todos os tempos são: [Quentin] Tarantino, gosto muito da maneira como ele resgata esses filmes antigos e faz muita gente mais novinha procurar sobre eles. Acho um serviço ao Cinema isso que ele faz (&#8230;); John Landis, porque é um cara que, pra mim, melhor soube dosar essa coisa do horror e da comédia. Pode procurar tudo dele porque ele é um diretor que só tem filme bom; e o terceiro, eu até diria que é meu preferido, é o Jesús Franco, um diretor alternativo, e ele fez mais de 200 filmes na vida dele. Um cara que fazia cinco, seis filmes por ano. Tem muita coisa péssima e muita coisa genial. Gosto tanto que é o nome do nosso gato. (risos) Ele me inspirou muito. Gosto dessa coisa de ser criativo e reciclar seu próprio material”. </span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus projetos futuros?</b></p>
<p><b>Felipe: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Gostei muito da experiência, então quero reeditar o Canibais &amp; Solidão. Eu tenho documentários para editar, coisa que eu filmei no Fantaspoa. Um documentário sobre o Roger Corman, que eu mencionei. Também um documentário sobre mulheres realizadoras do cinema de horror, que a gente filmou em quatro anos a fio, com todas as mulheres que vinham ao Fantaspoa, a gente entrevistava. Então tem muito material, e estamos até pensando em transformar em uma série. Mas, filmar filmes novos eu não tenho planos pra tão cedo, por conta das dificuldades, envolve dinheiro, meus atores familiares e amigos estão desistindo dessa vida, porque perceberam que não vão ficar famosos. Mas uma coisa que eu queria fazer e, quem sabe, faça, é Entrei em Pânico parte 3. Seria um fechamento em ciclo, o primeiro foi filmado em vídeo, o segundo em vídeo digital e o terceiro eu queria fazer em full HD, porque ia mostrar todas as etapas do cinema independente brasileiro. Eu realmente queria fazer pela piada (&#8230;) Não sei se vou conseguir fazer, mas seria divertido”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para acessar as obras de Felipe M. Guerra, clique </span><a href="https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=3063353190370296&amp;id=179211905451120"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2020 21:28:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de “Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição” comenta sobre o filme dentro da sua geração e relembra o trabalho com Mary Twala Caroline Campos Fechando definitivamente a cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o Persona apresenta hoje uma conversa com o simpaticíssimo Lemohang Jeremiah Mosese, que conta um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de “Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição” comenta sobre o filme dentro da sua geração e relembra o trabalho com Mary Twala</span></i></p>
<figure id="attachment_17243" aria-describedby="caption-attachment-17243" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17243 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17243" class="wp-caption-text">O Persona recebe Lemohang Mosese, que brilhou com seu filme na Mostra SP (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando definitivamente a cobertura da 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, o Persona apresenta hoje uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/">conversa</a> com o simpaticíssimo Lemohang Jeremiah Mosese, que conta um pouco sobre como enxerga seu trabalho de cineasta e a importância da unificação entre as pessoas como força política.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável pelo magnífico </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">que discute a perda e o luto no processo de resistência, o diretor lesotiano ainda relembra seu trabalho com a falecida Mary Twala e revela os motivos pelo qual espera ansioso pela nova geração ainda não nascida. </span></p>
<p><span id="more-17230"></span></p>
<figure id="attachment_17231" aria-describedby="caption-attachment-17231" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17231 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl.jpg" alt="Lemohang, um homem negro de 40 anos, discursa em um palanque com dois microfones próximos ao rosto e podemos vê-lo apenas do peito para cima. Ele usa um paletó preto e um chapéu preto. Ele tem cabelos curtos, barba e bigode. " width="600" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-17231" class="wp-caption-text">Lemohang Jeremiah Mosese também esteve presente no Festival de Berlim de 2019 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A caminhada para chegar até a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição,</span></i><span style="font-weight: 400;"> melhor filme exibido no festival paulistano,</span> <span style="font-weight: 400;">foi longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esse filme representa todo conflito que eu tive e tenho desde a minha adolescência”</span></i><span style="font-weight: 400;">, revela Lemohang Jeremiah Mosese. Para ele, questões como espiritualidade, os tempos em que vivemos, a morte e o sofrimento no mundo sempre o perturbaram e o fizeram refletir. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não estou interessado em respostas. Estou interessado em perguntas”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título extenso e elaborado da obra parte do interesse do cineasta em se afastar da imposição de significados e tornar tudo mais abstrato.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu gosto da ideia de um material tão abstrato que as pessoas conseguem interpretar de diferentes formas, sem respostas certas ou erradas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comentou Mosese, já que seu filme anterior </span><i><span style="font-weight: 400;">Mother, I am Suffocating. This is My Last Film About You </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Mãe, Eu Estou Sufocando. Esse É Meu Último Filme Sobre Você</span></i><span style="font-weight: 400;">, em tradução livre) também conta com um grande número de palavras. O lesotiano destacou que, para ele, suas ideias e o que elas significam não importam. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não sou nada. O trabalho está além de nós, além de minhas pequenas ideias”</span></i><span style="font-weight: 400;">, enfatiza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O foco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;"> está em Mantoa, uma viúva que, mesmo passando por um dolorido processo de luto, decide lutar pela sua vila que será alagada pelo governo. Mary Twala Mhlongo, que interpreta poderosamente a protagonista, foi mais uma vítima de 2020, nos deixando em julho aos seus 80 anos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ela [Mary] era inacreditável, uma linda alma. Sou feliz e honrado em ter trabalhado com ela”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> declara o cineasta enquanto relembra o processo de trabalhar com Mary, que sempre se permitia ir mais fundo em sua interpretação. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você não finge algo a ver com a morte, você não consegue. (&#8230;) Só pode vir de um sentimento verdadeiro em saber o que é perda e o que é luto”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_17232" aria-describedby="caption-attachment-17232" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1.jpg" alt="Cena do filme Isso Não É um Enterro, É uma Ressureição, vemos a viúva Mantoa, uma senhora negra de 80 anos, sentada em sua capa usando um longo vestida marrom com renda preta na região da gola. Em sua cama, está um lençol vermelho e as paredes são azuis, assim como a cortina que a cerca." width="2048" height="1153" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17232" class="wp-caption-text">A esplêndida Mary Twala já era uma veterana do cinema sul-africano (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A narração de Jerry Mofokeng, o tocador de lesiba que zomba dos personagens durante o longa, também foi levantada por Mosese, que afirma ser uma de suas partes preferidas do filme.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu pretendia escrever sobre essa zombaria, como se ele estivesse tirando sarro dos vivos. (&#8230;) Eu costumava escrever poesia, uma muito ruim por sinal, então escrever esse monólogos me faz retomá-las e traz o que sinto no momento”</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando se trata desse </span><i><span style="font-weight: 400;">momento</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual, Lemohang não poupa críticas à situação política do mundo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Brasil, Estados Unidos, Lesoto. Estamos sob a liderança dos idiotas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, desdenha o lesotiano, que acredita não ser possível separar a natureza do ser humano da política, mesmo se não receber o rótulo de “ativista”. Levando em consideração o ato de resistir, que participa ativamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, </span></i><span style="font-weight: 400;">o cineasta afirma que não pretendia fazer um filme político, mas, visto que ele é um produto de seu tempo, todos se tornam ativistas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou um produto desse caos, dessa tragédia, então tudo que resulta disso eu acredito que seja resistência. Esses tempos pedem resistência”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre sua geração, Mosese é pessimista. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acredito que nós falhamos. Não há esperança para ela, e eu espero a geração que ainda vai nascer. Nós somos corrompidos e não vemos mais beleza, porque estamos acostumados com o errado, com a morte”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> lamenta. Talvez seja esse o motivo para o rosto marcante de uma criança ser o foco do final de sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_17234" aria-describedby="caption-attachment-17234" style="width: 767px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17234 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43.jpg" alt="Lemohang, um homem negro de 40 anos, está de braços cruzados em um ambiente como uma sala. Ao fundo, vemos diversos quadros com pessoas fotografadas, como Albert Einstein. Ele usa um moletom preto, brincos redondos nas duas orelhas e uma touca vermelha na cabeça. Ele tem um bigode fino e preto e um piercing no septo." width="767" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43.jpg 767w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-17234" class="wp-caption-text">Um dos filmes que Mosese levaria para uma ilha deserta seria &#8220;A Paixão de Joana d&#8217;Arc&#8221;, dirigido por Carl Theodor Dreyer (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando a conversa, Lemohang Jeremiah Mosese ainda comenta sobre o Brasil e arrisca um português.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu nunca fui ao Brasil, mas na minha cabeça eu já estive aí antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. Sobre seu filme preferido, Mosese afirma que não conhece muito da filmografia brasileira, mas gosta muito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Glauber Rocha. <em>“Assisti Bacurau no Mubi também, foi uma viagem divertida”.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que você escolheu o formato 3:4 para o filme?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“É porque eu estava evitando a beleza, muita beleza. Meu país é um lugar muito bonito e poderia cair na classificação de um filme pitoresco. (risos) Eu queria focar na beleza como um personagem”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse trabalhar com três pessoas, mortas ou vivas, quem seriam?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Nietzsche, James Baldwin e… eu gostaria de trabalhar com João Batista, mas na noite antes dele ser decapitado”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de </b><b><i>Isso Não É um Enterro</i></b><b>?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Estou escrevendo alguns filmes. Meu novo trabalho também tem um narrador. (&#8230;) Estou trabalhando em exibições de vídeo, uma será aqui em um museu de Berlim e a outra em colaboração com o festival de Roterdã”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o escolhido pelo Lesoto para concorrer a uma vaga no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Bahman Tavoosi</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2020 19:42:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Bahman Tavoosi]]></category>
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		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de “Os Nomes das Flores” detalha a importância da memória e do legado da arte e ainda revela o segredo da sopa da professora Caroline Campos e Vitor Evangelista Como é que um diretor nascido no Irã e atual residente do Canadá acabou estreando na ficção fazendo um filme em espanhol na Bolívia? Bahman &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-bahman-tavoosi/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Bahman Tavoosi"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de “Os Nomes das Flores” detalha a importância da memória e do legado da arte e ainda revela o segredo da sopa da professora</span></i></p>
<figure id="attachment_17186" aria-describedby="caption-attachment-17186" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17186 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bahman-wordpress.jpg" alt="Arte vermelha retangular. No canto superior direito, há o nome do entrevistado, Bahman Tavoosi. A foto dele está na parte inferior central da arte e ele é um homem iraniano, com cabelo curto e barba. Ele está vestindo uma jaqueta de couro e está com a mão no queixo e a fotografia está em preto e branco. Ao lado direito dele, o pôster de seu filme, Os Nomes das Flores, que mostra uma senhora de idade em tom desbotado, e flores ao redor dela. Do lado esquerdo da imagem, foi adicionado o texto &quot;Persona Entrevista&quot; várias vezes, de forma perpendicular à orientação da imagem." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bahman-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bahman-wordpress-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bahman-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17186" class="wp-caption-text">O Persona recebe o iraniano-canadense Bahman Tavoosi, responsável pelo tocante Os Nomes das Flores, presente na Mostra de SP (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é que um diretor nascido no Irã e atual residente do Canadá acabou estreando na ficção fazendo um filme em espanhol na Bolívia? Bahman Tavoosi, o tal cineasta, esbanja talento e versatilidade. Ainda na leva de entrevistas provindas da 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, Tavoosi é o foco do texto de hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Realizador do estupendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Nomes das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme sensível que usa a figura de Che Guevara para debater legado e memória, Bahman </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">conversou com o Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre as influências que angariou ao longo de sua jornada na área, além de revelar, com exclusividade, qual o sabor da quase mítica sopa que Che provou antes de sua morte.</span></p>
<p><span id="more-17176"></span></p>
<figure id="attachment_17177" aria-describedby="caption-attachment-17177" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17177 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-2.jpg" alt="Bahman, um homem iraniano de 30 anos, está em frente à duas bandeiras, uma delas é da Bolívia. Ele fala num palanque com o microfone próximo a seu rosto. Ele tem cabelos pretos curtos e barba e bigode pretos, veste jeans e uma jaqueta preta" width="960" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-2.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-2-300x266.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/1-2-768x680.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17177" class="wp-caption-text">Os Nomes das Flores foi a estreia de Bahman Tavoosi dirigindo um longa de ficção (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Bahman Tavoosi viu a foto de um já sem vida Che Guevara, o diretor não teve dúvidas da força daquele momento e daquela imagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Era a figura do séc. XX que eu gostaria de abordar, aprender mais e encontrar um jeito de contar sua história”</span></i><span style="font-weight: 400;">, explica o cineasta que, alguns anos depois, viajou a Santa Cruz de La Sierra, cidade boliviana onde Che foi morto, para iniciar seu projeto. O filme, que alegoriza a morte do líder político, vai muito além de uma cinebiografia comum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o foco de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-nomes-das-flores-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Nomes das Flores</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é o guerrilheiro revolucionário em si, mas a professora, interpretada por Barbara Flores, que lhe ofereceu um prato de sopa no fim de sua vida. Deixamos de lado o Che como indivíduo para entendermos, na verdade, o seu legado. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você não vê a figura do homem nem ouve seu nome muitas vezes, e isso é, de certa forma, uma mudança de abordagem para contar uma história que já foi contada muitas vezes antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o que conta Tavoosi, que quis a garantia de que sua narrativa fosse para uma direção completamente diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barbara Flores carrega todo o poder histórico e emocional que envolve o filme, e para Bahman, foi uma decisão difícil ter uma protagonista com uma idade tão avançada &#8211; foi, inclusive, a primeira vez que Flores atuou. A intérprete da professora, que é uma vendedora de produtos no mercado, não foi a única novata, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">“99% do elenco eram não-atores”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Bahman não é novo no ramo de trabalhar com profissionais sem a experiência da indústria, considerando que ele já havia tido essa prática nos seus anos de cinema iraniano. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando você mistura não-atores com atores profissionais para manter a consistência e harmonia, tudo se torna mais complicado”, </span></i><span style="font-weight: 400;">ele continua</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_17178" aria-describedby="caption-attachment-17178" style="width: 1431px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17178 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2.jpg" alt="Bahman, careca e de barba e bigode preto, está sentado num banco próximo a duas bandeiras, ele usa jaqueta verde e segura o celular nas mãos, em cima do colo" width="1431" height="996" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2.jpg 1431w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2-300x209.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2-1024x713.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2-768x535.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/2-2-1200x835.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17178" class="wp-caption-text">O diretor, além de trabalhar com cinema, tem formação na área do jornalismo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Los Nombres de las Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original, foi rodado na Bolívia, no mesmo vilarejo onde Che morreu e teve seu legado celebrado. Bahman foi enfático no local de onde queria contar sua história: </span><i><span style="font-weight: 400;">“não tinha como contar a história em qualquer outro lugar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele define, </span><i><span style="font-weight: 400;">“tinha que ser na Bolívia”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas as gravações não vieram sem percalços, visto que, por ter seu escritório em Montreal, o financiamento teria de vir do país sul-americano, e, então, a logística foi um tanto desordenada.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Como cineastas, nós encaramos esses desafios se acreditamos no projeto, eles se tornam parte da jornada”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a jornada de criação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Nomes das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem desde a infância do diretor, que enxerga na mãe, a quem o filme é dedicado, uma força para manter-se apaixonado por seus projetos e concluí-los. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Minha mãe me inspirou a permanecer devoto à protagonista”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, junto da professora, a sopa ocupa boa parte do foco narrativo da história. Quando perguntado se já provou o alimento, o diretor se divertiu: </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu gosto dessa pergunta, ninguém nunca me perguntou isso antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, começou, antes de confirmar que já teve o prazer de tomar a sopa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A professora de verdade, Julia Cortez, é amiga próxima de Bahman. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Toda vez que vou visitá-la, ela é generosa o suficiente para me oferecer vinho”, </span></i><span style="font-weight: 400;">ele confidencia. Na última vez que a visitou, o diretor fez a mesma pergunta:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “posso provar a sopa que você fez para o Che Guevara?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele provou a tal sopa de maní, que nada mais é do que uma sopa de amendoim, muito típica da região boliviana. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ela cozinhou e eu tomei, e ela me disse que é a mesma sopa que Che tomou tanto anos atrás”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_17179" aria-describedby="caption-attachment-17179" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17179 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2.jpg" alt="Bahman é um homem de cerca de 30 anos, iraniano de pele clara, tem barba e bigode pretos e usa um boné preto com NY branco estampado, ele veste um moletom cinza" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17179" class="wp-caption-text">“É mais sobre o legado de Che Guevara, do que sobre ele como indivíduo”, delimitou Bahman na hora de contar a história do filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Se você pudesse escolher 3 pessoas para trabalhar junto em um filme, vivas ou mortas, quem seria e por quê?</b></p>
<p><b>Bahman:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Essas são perguntas difíceis. Eu não posso escolher um indivíduo específico, diretores de fotografia, diretores de arte e assim em diante. Por alguma razão minha mente não funciona assim, eu penso no cinema como um todo, a história por completo, seu futuro, seu presente e seu passado. Tendo sido educado da maneira que fui, é muito difícil apontar um único indivíduo. Meus amigos costumam ficar bravos comigo, do tipo: ‘vai lá, liste 10 ou 100 filmes que você gosta’. E para mim é muito desafiador fazer isso”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Você tem um filme brasileiro favorito?</b></p>
<p><b>Bahman: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Eu vi Cidade de Deus, que acaba por ser dirigido pelo mesmo diretor de Dois Papas. Eu assisti alguns dos filmes brasileiros dos anos 70 e 80, mas eu teria que procurar os nomes. Essa foi uma verdadeira iniciação visual ao Brasil para mim, antes que eu assistisse a qualquer outra coisa”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse levar 3 filmes para uma ilha e assisti-los várias vezes, quais seriam e por quê?</b></p>
<p><b>Bahman: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Bresson estaria lá, poderia ser A Grande Testemunha, poderia ser O Batedor de Carteiras. Eu tenho uma conexão muito pessoal com Bresson, e os filmes que eu levaria para uma ilha e ficaria isolado pelo resto da vida seriam com os quais eu tenho uma conexão pessoal, não apenas por curiosidade profissional. Então, Bresson estaria nesse meio, Antonioni também poderia. Do meu país de origem, Abbas Kiarostami estaria no meio deles. No fim das contas, seriam 3 filmes com os quais eu nutro uma conexão pessoal e humana”.</span></i></p>
<figure id="attachment_17180" aria-describedby="caption-attachment-17180" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17180 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1.jpg" alt="Cena do filme Os Nomes das Flores, vemos a professora Julia, uma mulher bem idosa e com uma cobertura preta na cabeça, olhando pela janela de sua casa. As paredes são de pedra e o vidro é emoldurado por madeira" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17180" class="wp-caption-text">Os Nomes das Flores é calcado no silêncio e na ternura, podendo ser considerado um dos filmes mais sensíveis do ano (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de </b><b><i>Os Nomes das Flores</i></b><b>?</b></p>
<p><b>Bahman: </b><i><span style="font-weight: 400;">“No momento estou trabalhando, ou investigando, algumas ideias para alguns filmes, e normalmente é um processo bagunçado. Pelo fato do meu escritório ser em Montreal, mas eu estou sempre viajando por causa de diferentes projetos. Toma mais tempo que um projeto comum para eu escolher uma ideia final, continuar nela e desenvolvê-la”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Nós associamos muito a figura de Júlia com nossas avós e o que elas representam. O que você acha dessa associação?</b></p>
<p><b>Bahman:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Essa é uma qualidade de Barbara Flores. Ela representa todas as avós, ela tem uma forte presença de avó e uma beleza e um poder muito femininos nela”. </span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> Os Nomes das Flores </span></i><span style="font-weight: 400;">segue sendo exibido em festivais.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
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		<title>Persona Entrevista: Dani Rosenberg</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 22:51:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[A Morte do Cinema e do Meu Pai Também]]></category>
		<category><![CDATA[Dani Rosenberg]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[João Batista Signorelli]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de &#8220;A Morte do Cinema e do Meu Pai Também&#8221; destrincha o caráter biográfico da obra João Batista Signorelli  Dando continuidade à série de entrevistas realizadas pelo Persona durante a cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o entrevistado da vez é o diretor israelense Dani Rosenberg. Rodando festivais ao redor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-dani-rosenberg/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Dani Rosenberg"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Diretor de &#8220;A Morte do Cinema e do Meu Pai Também&#8221; destrincha o caráter biográfico da obra</em></p>
<figure id="attachment_17008" aria-describedby="caption-attachment-17008" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO.jpg" alt="Arte vermelha retangular. No canto superior direito, há o nome do entrevistado, Dani Rosenberg. A foto dele está na parte inferior central da arte e ele é um homem branco, com cabelo curto e barba. Ele está vestindo uma jaqueta jeans e a fotografia está em preto e branco. Ao lado direito dele, o pôster de seu filme, A Morte do Cinema e do Meu Pai Também, que mostra dois homens no chão, um está deitado e outro sentado, olhando para ele. Do lado esquerdo da imagem, foi adicionado o texto &quot;Persona Entrevista&quot; várias vezes, de forma perpendicular à orientação da imagem." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17008" class="wp-caption-text">O Persona entrevista Dani Rosenberg, diretor e roteirista de A Morte do Cinema e do Meu Pai Também (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando continuidade à </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">série de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> realizadas pelo Persona durante a cobertura da 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o entrevistado da vez é o diretor israelense Dani Rosenberg. Rodando festivais ao redor do mundo com seu seu segundo longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-morte-do-cinema-e-do-meu-pai-tambem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do meu Pai também</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e inclusive marcando presença na </span><a href="http://www.cannes2020.festival-cannes.com/?lang=en"><span style="font-weight: 400;">Seleção Oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Cannes, o diretor compartilhou um pouco do seu processo de criação, que mistura documentário e realidade para construir um relato pessoal sobre perda e memória familiar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor narrou sua trajetória desde sua graduação na </span><i><span style="font-weight: 400;">Jerusalem Film School</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando pela produção e circulação de seu filme, chegando às dificuldades criativas decorrentes do momento atual de pandemia. De maneira muito simpática e empolgada, ele se abriu para falar tanto sobre as questões familiares pessoais retratadas no filme, quanto sobre sua paixão e influências no cinema. </span></p>
<p><span id="more-16989"></span></p>
<figure id="attachment_16998" aria-describedby="caption-attachment-16998" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014.jpg" alt="Cena dos bastidores do filme. 5 pessoas brancas estão reunidas, e no canto direito da foto está a câmera. " width="1265" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-300x181.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-1200x726.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16998" class="wp-caption-text">A narrativa passou por diversas transformações até que adquirisse sua forma final (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo se formado há aproximadamente 10 anos na faculdade, além de curtas, Dani realizou duas séries de TV.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “A televisão estava no seu pico com a chegada da HBO e da Netflix um pouco depois. Todos diziam que a televisão era o futuro, e eu queria fazer parte do futuro.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ainda assim, não tardou muito para que ele descobrisse que sua ambição era outra: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Depois de um tempo, eu entendi que o cinema estava no meu coração, então eu voltei para fazer este filme [A Morte do Cinema e do meu Pai também]”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma narrativa metalinguística que transforma em ficção suas experiências pessoais, Dani conta como ao longo do processo de produção, ele foi encontrando a história que queria contar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele foi feito em camadas, e os fatos ocorreram de modo bem parecido ao que é visto no filme.” </span></i><span style="font-weight: 400;">O roteiro foi escrito para seu pai que estava com câncer e poucos meses de vida pela frente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu pai viveria o protagonista junto com a minha própria família. (&#8230;) seria sobre esse homem que tenta salvar sua família de uma guerra contra o Irã”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Nós filmamos por alguns dias até que meu pai caiu, ele estava doente e com dor, então paramos a gravação” </span></i><span style="font-weight: 400;">relata o diretor. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Depois eu parei a filmagem, eu tentei filmá-lo com a câmera que já tínhamos, mas ele não quis como você vê no filme.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Após o falecimento do pai, ele tentou novamente fazer o filme com outro protagonista, mas não via mais sentido em produzir o filme sem o pai. </span></p>
<figure id="attachment_16999" aria-describedby="caption-attachment-16999" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015.jpg" alt="5 pessoas estão reunidas às margens do oceano, uma delas está mais afastada à esquerda, o mar é azul e o céu é azul mais claro" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16999" class="wp-caption-text">“Para o protagonista, enquanto o cinema estivesse vivo, o seu pai estaria vivo, essa era ideia por trás do título” (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da dificuldade de prosseguir com uma história, e talvez influenciado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/charlie-kaufman/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Kaufman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Adaptação (2002),</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua reconhecida fonte de inspiração, Dani resolveu transformar suas próprias dificuldades em contar uma história em história. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Então eu reescrevi o roteiro do rascunho, contando o que havia acontecido: seria sobre um filho que tenta fazer um filme com o pai adoecido, ao mesmo tempo que lida com o relacionamento com sua esposa que está para ter um filho.”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Perguntado sobre o processo de transformar suas próprias experiências em ficção, ele responde que mas também criou situações que ele havia imaginado com o seu pai, mas que não ocorreram realmente. É o caso da cena em que os dois encenam o assassinato de um primeiro ministro, em um momento de aproximação entre pai e filho.</span><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não tinha proximidade com o meu pai, então foi algo bom de se criar.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Além disso, também conta que tentou entender o lado e dar voz à personagem que representava a sua ex-esposa, e lhe dar voz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluído o filme, ele não sentiu como se o filme estivesse completo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava do filme, parecia um círculo sem centro</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, conta. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Então eu entendi que esse centro eram as imagens reais que eu gravei com o meu pai”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Passando a colaborar com a editora veterana Nili Ferrer, que trabalhou no vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Valsa com Bashir, </span></i><span style="font-weight: 400;">eles trabalharam com o material durante um ano para encontrar o equilíbrio entre documentário e ficção. </span></p>
<figure id="attachment_17000" aria-describedby="caption-attachment-17000" style="width: 1590px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17000" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012.jpg" alt="Cena de arquivo: imagem quadrada, tom sépia quente e um casal de idoso está na mesa da cozinha, ele usa camiseta preta e óculos, e tem cabelos brancos, ela veste camiseta clara e tem cabelo preto" width="1590" height="1062" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012.jpg 1590w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17000" class="wp-caption-text">Em meio a uma narrativa fragmentada, Dani Rosenberg adiciona trechos de curtas metragens rodados por ele mesmo quando era mais jovem (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre a distribuição e a exibição do longa em festivais, ele lamenta nunca ter visto o filme com uma audiência, que teve exibições virtuais em festivais, e até chegou a ter algumas projeções em salas de cinema. Ele comenta a situação atual dos cinemas fechados em meio à pandemia: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando eu dei o título ‘A Morte do Cinema’ não era isso que eu estava esperando”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">brinca. Ao mesmo tempo, Dani Rosenberg também se mostra empolgado em dialogar com o público do mundo todo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se tornou sua única conexão com a audiência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando referências do </span><a href="https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/A-poesia-no-cinema-do-Ira/59/46263"><span style="font-weight: 400;">Cinema Iraniano</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Abbas Kiarostami e Samira Makhmalbaf, além de mestres europeus como Pier Paolo Pasolini, Dani não pretende parar com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também. </span></i><span style="font-weight: 400;">Ele já conseguiu dinheiro e tem o roteiro pronto para seu próximo projeto. Porém, diante da pandemia, sente que o texto precisa de um novo norte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um roteiro bem fechado, mas eu sinto que atualmente não há muito sentido em narrativas fechadas pois não parecem haver respostas, não há uma conclusão”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também </span></i><span style="font-weight: 400;">está sendo exibido em festivais ao redor do mundo. </span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Jonathan Cuartas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2020 21:36:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de “Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir” conta as influências do filme vampiresco e revela sua paixão pelos Irmãos Coen (e pelo Adam Sandler) Vitor Evangelista Ainda no recém-nascido quadro de entrevistas do Persona, dessa vez a conversa é internacional. Jonathan Cuartas vive em Miami, se formou na faculdade de cinema em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-jonathan-cuartas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Jonathan Cuartas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Diretor de “Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir” conta as influências do filme vampiresco e revela sua paixão pelos Irmãos Coen (e pelo Adam Sandler)</span></em></p>
<figure id="attachment_16886" aria-describedby="caption-attachment-16886" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16886 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/jonathan-arte-texto.jpg" alt="Arte vermelha retangular. No canto superior direito, há o nome do entrevistado, Jonathan Cuartas. A foto dele está na parte inferior central da arte e ele é um homem branco, com cabelo curto na altura da orelha e barba. Ele está vestindo uma blusa preta e a fotografia está em preto e branco. Ao lado direito dele, o poster de seu filme, Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir, que mostra um homem e uma mulher divididos por uma faixa avermelhada. Do lado esquerdo da imagem, foi adicionado o texto &quot;Persona Entrevista&quot; várias vezes, de forma perpendicular à orientação da imagem." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/jonathan-arte-texto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/jonathan-arte-texto-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/jonathan-arte-texto-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16886" class="wp-caption-text">O Persona entrevista o diretor Jonathan Cuartas, responsável pelo sensível e visceral Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no recém-nascido </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">quadro de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona, dessa vez a conversa é internacional. Jonathan Cuartas vive em Miami, se formou na faculdade de cinema em 2016 e </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o seu filme de estreia. Exibido na 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e ovacionado por esse que vos escreve, o longa abre uma porção de debates sobre doença, vulnerabilidade e sobre o amor familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jovem cineasta bateu um papo honesto conosco e abriu o próprio coração, contando a sensibilidade de sua criação e o que ele almejava no primeiro trabalho em longa metragem. Como de praxe, ao fim do texto temos um bate-bola mais descontraído, e Jonathan até revela seu time dos sonhos para trabalhar futuramente no cinema.</span></p>
<p><span id="more-16868"></span></p>
<figure id="attachment_16869" aria-describedby="caption-attachment-16869" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16869 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258.jpg" alt="Fotografia dos bastidores do filme. Cerca de 25 pessoas posam para a foto, sorrindo, eles estão reunidos, alguns estão sentados no sofá e os demais estão ou sentados no chão na frente do sofá ou de pé atrás do sofá." width="1600" height="1068" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5258-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16869" class="wp-caption-text">“Eu queria deixar claro desde o começo de que ele é um vampiro e que precisa de sangue, mas ao mesmo tempo gostaria de manter fundamentado, manter-me verdadeiro ao tema da doença, por isso não existem presas e ninguém fala a palavra vampiro.” (Foto: Jonathan Cuartas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Da tragédia, a arte pode florescer. A primeira coisa que Jonathan Cuartas identifica quando pensa nas inspirações para </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-coracao-so-ira-bater-se-voce-pedir-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acaba por ser um momento de extrema tristeza.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Veio da morte da minha avó”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele começa. Ela faleceu quatro anos atrás, no mesmo ano que o jovem cineasta se formou na faculdade de cinema. O ponto de partida para a criação do roteiro, também assinado por ele, foi a ideia de exploração da linha tênue entre</span><i><span style="font-weight: 400;"> “a tensão e o amor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua avó já estava doente por algum tempo antes de partir. Jonathan conta, também, que no lado paterno da família houve essa tensão que acabou servindo como motor do filme.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Meu pai tem 5 irmãos e 4 irmãs, então tinham várias pessoas discutindo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi aí que ele enxergou o centro do drama que viria a se tornar um conto vampiresco de três irmãos em busca de sobrevivência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se engana quem pensa que o processo bruto de criação e lapidação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir </span></i><span style="font-weight: 400;">foi rápido, </span><i><span style="font-weight: 400;">“demorou uns 2 anos para escrever o roteiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o que conta o diretor. Na verdade, o produto de uma hora e meia é a versão longa do curta-metragem que serviu de conclusão de curso de Jonathan. A versão de 22 minutos é batizada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kuru</span></i><span style="font-weight: 400;">, e compartilha o enredo e os personagens do longa. O elenco, todavia, é outro.</span></p>
<figure id="attachment_16870" aria-describedby="caption-attachment-16870" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16870 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-scaled.jpg" alt="O ator Patrick e o diretor Jonathan, dois homens brancos, de barba e na casa dos trinta anos, estão sentado numa mesa, nenhum deles olha para a câmera." width="2560" height="1613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-300x189.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-1024x645.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-768x484.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-1536x968.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-2048x1291.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_17432313-1200x756.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16870" class="wp-caption-text">Atualmente, Jonathan integra o comitê da faculdade que seleciona os filmes que serão produzidos (Foto: Jonathan Cuartas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sair da faculdade direto para exibições internacionais foi algo surreal para Jonathan, que ainda se sente como um estudante de cinema. Ele e seu irmão Michael Cuartas, cinematógrafo do filme, realizaram outro curta no intervalo da graduação e do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://vimeo.com/jonathancuartas"><i><span style="font-weight: 400;">The Horse and the Stag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018, não liga para o baixo orçamento na hora de agonizar seu espectador. Recheado de horrores distantes da câmera, a obra demonstra uma destreza do realizador na hora de mesclar o terror ao drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E esse parece ser seu lema ou, ao menos, um preceito seguido à risca. Existe uma porção de exemplos de obras recentes que souberam usar do horror como algo mais que uma simples caixa de susto ou sangue. Jonathan cita </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa (2015)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário (2018)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como filmes que não hesitaram em contar histórias humanas envelopadas no terror. Quando falamos de seu próprio trabalho, claramente um filme de vampiro, ele se orgulha: </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu queria explorar o </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/sol-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">vampirismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> como uma doença”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Ao invés de Béla Lugosi e Bram Stoker, que é muito romântico, essa criatura poderosa, com luxúria às mulheres e também muito monstruosos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o que aponta. Thomas, o tal </span><a href="https://personaunesp.com.br/what-we-do-in-the-shadows-critica/"><span style="font-weight: 400;">vampiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme,</span><i><span style="font-weight: 400;"> “está doente demais para se alimentar e depende de sua família para fazê-lo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca nomeia a criatura, e para isso Jonathan faz o retorno à ideia da doença e da fragilidade, fatores primordiais na inspiração da mortalidade.</span></p>
<figure id="attachment_16871" aria-describedby="caption-attachment-16871" style="width: 1349px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16871 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242.jpg" alt="Foto em preto e branco, Jonathan o diretor do filme está ao lado de Michael, o diretor de fotografia. Michael segura a câmera e os dois estão olhando para um pequeno visor no topo da câmera. Os dois são brancos, Jonathan veste um moletom da Adidas e sorri, enquanto Michael, também um homem branco, olha concentrado para o visor, ele usa um boné." width="1349" height="1354" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242-1020x1024.jpg 1020w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242-768x771.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IMG_5242-1200x1204.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16871" class="wp-caption-text">A escolha de representar 3 irmãos no filme não foi aleatória, já que Jonathan tem dois irmãos, todavia ele transformou um deles em Jessie, para explorar as complexidades da personagem feminina (Foto: Jonathan Cuartas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um título gigantesco desse, o filme fica na cabeça de quem entra em contato com ele, mesmo antes de ser assistido. </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma letra emprestada da canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ANHXSwIDdPs"><i><span style="font-weight: 400;">I Am Controlled By Your Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Helene Smith. A ideia do nome veio do produtor Kenny Riches.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu sou péssimo com títulos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, confidenciou Jonathan, </span><i><span style="font-weight: 400;">“‘The Horse and the Stag’, o que isso tem a ver com a história?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele brinca, se referenciado ao curta que realizou em 2018. Kenny sugeriu que eles usassem uma música, uma canção de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul </span></i><span style="font-weight: 400;">que foi gravada em Miami, mesma cidade onde o colombiano-americano nasceu e foi criado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, enquanto liam a letra deram de cara com o trecho</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To’</span></i><span style="font-weight: 400;">, e</span><i><span style="font-weight: 400;"> “meio que coube”</span></i><span style="font-weight: 400;">, conta Cuartas.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Não só literalmente, pois tem a ver com vida e dar vida a alguém, mas também tematicamente, é sobre amor e a maneira como a codependência limita relacionamentos, especialmente laços familiares”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fora isso, o diretor acredita que filmes de festival necessitam de títulos </span><i><span style="font-weight: 400;">“bem pronunciados, para serem lembrados”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E o nome</span><i><span style="font-weight: 400;"> Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir</span></i><span style="font-weight: 400;"> fica com a gente.</span></p>
<figure id="attachment_16872" aria-describedby="caption-attachment-16872" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16872 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-scaled.jpg" alt="O diretor Jonathan segura a câmera, olhando para o que ela filma. Ele está ao lado de um homem mais velho e grisalho, eles parecem estar num estacionamento, com carros ao fundo e um visor vermelho na entrada de algum estabelecimento no fundo. " width="2560" height="1626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-300x191.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-2048x1301.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/img20200419_18154794-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16872" class="wp-caption-text">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir foi filmado em Utah (Foto: Jonathan Cuartas)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse escolher 3 pessoas para trabalhar junto em um filme, vivas ou mortas, quem seria e por quê?</b></p>
<p><b>Jonathan:</b><i><span style="font-weight: 400;"> “Steve Buscemi, ele está no topo da lista de atores com quem eu gostaria de trabalhar. E Frances McDormand, os dois colaboraram bastante com os Irmãos Coen. Talvez escolheria um diretor, por mais que eu dirija, apenas para segui-lo, para estar em um de seus sets, Ingmar Bergman”.<br />
</span></i></p>
<p><b>Você tem um filme brasileiro favorito?</b></p>
<p><b>Jonathan:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Vai parecer muito clichê, mas Cidade de Deus. Na faculdade de cinema nós vimos ele como parte da grade curricular, eles nos ensinam diferentes filmes de uma série de países. Teve outro que eu assisti no Miami Film Festival, Divino Amor, é incrível pois também é um filme de gênero mas de uma maneira muito interessante”.<br />
</span></i></p>
<p><b>Se você pudesse levar 3 filmes para uma ilha e assisti-los várias vezes, quais seriam e por quê?</b></p>
<p><b>Jonathan:</b><i><span style="font-weight: 400;"> “Onde os Fracos Não Têm Vez, eu assistiria esse filme sempre. Na faculdade nós vimos e aprendemos onde posicionar a câmera, como construir atmosfera. Se bem que ele pode ser um pouco intenso para se ver numa ilha sozinho, mas eu escolheria Embriagados de Amor, para contrabalancear. É um filme muito divertido, eu amo o papel do Adam Sandler nele e a maneira com que ele explora vagamente espécies de distúrbios mentais, um tipo de personagem exilado, e também tem a relação de irmãos, ele tem 7 irmãs.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E o último, talvez um filme mais antigo, Os Olhos Sem Rosto, da França. Ele é muito bom, é um filme de terror belamente realizado, e outra das minhas influências. Eu acredito que é um filme lindo, especialmente para o período que se passa e para o período que foi feito, ele vai além de seu tempo”.<br />
</span></i></p>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir?</b></p>
<p><b>Jonathan:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Agora vou escrever meu próximo roteiro. Tem sido um pouco lento mas eu tenho algumas ideias, ano que vem já espero ter um rascunho para o próximo projeto. Eu quero fazer algo no mesmo universo, então ainda terror e drama, eu quero que seja mais assustador e o título pode ser um pouco menor. Gostaria de explorar mais da cultura colombiana, talvez seja um filme em espanhol, ou uma parcela dela será, talvez se passe em Miami, também”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por enquanto, </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-coracao-so-ira-bater-se-voce-pedir-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir </span></i></a><span style="font-weight: 400;">está rodando o mundo por festivais de cinema. </span></p>
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