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	<title>Arquivos Identidade &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 21:14:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Freire de Moraes “Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.” Nas primeiras páginas de Sobre a terra somos belos por um instante, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31358" aria-describedby="caption-attachment-31358" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31358" class="wp-caption-text">A estreia de Ocean Vuong na prosa, após a aclamada reunião de poemas Céu noturno crivado de balas, é um complexo testemunho autobiográfico escolhido pelo Clube do Livro do Persona (Foto: Rocco/Arte: Francisco Tigre)</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Freire de Moraes</strong></p>
<blockquote><p>“<i>Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.</i>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se refazer, se ver e perdoar por meio da alteridade de uma comunicação ao mesmo tempo concreta e hipotética. Através do resgate analítico da memória e da apresentação do ambiente, Vuong, chamado de Cachorrinho pela avó, escreve cartas para sua mãe, analfabeta funcional, revisitando episódios da infância no Vietnã e de sua adolescência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colonialismo, maternidade, identidade, sexualidade, violência e luto são os pilares do livro, cujos episódios de trauma rememorados traçam um caminho linear para o entendimento da história de três gerações da </span><a href="https://amp.theguardian.com/books/2017/oct/03/ocean-vuong-forward-prize-vietnam-war-saigon-night-sky-with-exit-wounds"><span style="font-weight: 400;">família do escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e as complexidades recalcadas de pessoas estruturadas em meio à guerra, ao preconceito, ao refúgio e à vulnerabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelas memórias quando criança em um Vietnã desestabilizado pela guerra, Cachorrinho – a maneira que Vuong também se retrata em sua escrita – inicia o romance relembrando das primeiras vezes em que sua </span><a href="https://www.anothermag.com/fashion-beauty/14347/bjork-ocean-vuong-in-conversation-another-magazine-aw22"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violenta com ele. No acesso à infância, o escritor lembra alguns momentos em que ensina a matriarca a escrever, reproduzindo o que aprendeu naquele dia no jardim de infância. Esse é o momento em que a vulnerabilidade de quem o cria é escancarada para ele e que percebe que possui o que ela precisa para resolver esse problema. De uma forma sutil e perturbadora, esse episódio demonstra a maneira que o autor consegue colocar os dois se olhando do mesmo lugar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é uma mãe, Mãe. Você também é um monstro. Mas eu também sou – e é por isso que eu não posso me afastar de você. E é por isso que eu peguei a mais solitária criação de deus e te coloquei dentro dela.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_31354" aria-describedby="caption-attachment-31354" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-31354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp" alt="Na foto, duas mulheres e uma criança estão sentadas em um banco de madeira. As mulheres ficam nos cantos, enquanto o bebê no meio. Estão dentro de uma casa, ao fundo, aparece o vulto de outra mulher, do lado de fora do cômodo. Atrás, percebe-se uma janela, uma porta e roupas penduradas. No primeiro plano, uma mulher, ao canto esquerdo, está sentada ao lado de uma criança pequena. Sua pele é amarela, seus cabelos pretos estão presos. Ela veste um macacão branco, com estampa de flores azuis. Está descalça e sorri fixadamente à câmera. Assim como a criança ao seu lado, que também tem cabelos e olhos pretos. Veste uma camiseta branca com uma gola laranja e estampada com desenhos, que está enfiada dentro de um shorts roxo claro. Ao lado da criança, à direita, uma outra mulher, de cabelo curto e preto, na altura do pescoço e com uma franja cortada, também sorri à foto. Ela usa uma blusa rosa clara e uma calça branca. Está de pernas cruzadas." width="401" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp 559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602.webp 600w" sizes="(max-width: 401px) 85vw, 401px" /><figcaption id="caption-attachment-31354" class="wp-caption-text">A foto que ilustra a edição estadunidense de Céu noturno crivado de balas retrata o autor com dois anos, ao lado de sua mãe e sua tia no campo de refugiados nas Filipinas (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando pela situação de </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando criança, em um paralelo sensível com o nascimento e morte de sua avó – entre o Vietnã e Estado Unidos –, a narrativa se torna mais política e identitária. A partir do momento que Cachorrinho conta a história das mulheres que o criaram, frutos de um estupro de guerra, nada segue sem que pautas sociais sejam colocadas de forma explícita, no entanto, nunca deixando com que a </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/como-alguem-pode-ser-uma-sensacao"><span style="font-weight: 400;">poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> fique em segundo plano. Assim, Vuong cria uma atmosfera sólida de questionamento, ao mesmo tempo que deixa claro as complexidades subjetivas geradas a partir desses contextos, e quão decisivas são essas condições para que ele seja ele mesmo, a mãe seja a mãe e o país seja o país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando aos Estados Unidos, na casa de seu pai com quem nunca conviveu, o escritor tem um espaço para descobrir e explorar sua sexualidade (atualmente se identifica como uma pessoa </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queer</span></a><span style="font-weight: 400;">). No livro, Vuong relata suas primeiras experiências com um homem pobre como ele, porém branco: Trevor, a única pessoa com quem ele realmente desenvolve uma relação além de sua mãe e avó. De uma forma totalmente analítica, o escritor apresenta todas as fases dessa relação, passando pelo estranhamento, o escatológico, as drogas, o entendimento, a identidade, o amor e a morte. Cachorrinho pôde conhecer a vulnerabilidade e a violência do amor e de uma relação que requer um entendimento político, social, subjetivo e identitário que não foi apresentado a nenhum dos dois, tornando tudo mais difícil e mais intenso na mesma medida.</span></p>
<figure id="attachment_31355" aria-describedby="caption-attachment-31355" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp" alt=" Sob o fundo de um arbusto flores vermelhas, o autor, criança, é segurado no colo por sua mãe, que tem seu cabelo cacheado cortado curto e usa uma camisa manga longa vermelha, com uma estampa preta na frente. A criança usa uma camiseta polo branca com listras azuis claras e escuras, e uma parte de baixo azulada. Segura um coelho de pelúcia branco, com detalhes lilases." width="800" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1024x746.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-768x560.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1536x1119.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-2048x1492.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1200x875.webp 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31355" class="wp-caption-text">Quando sua mãe faleceu de complicações de um câncer de mama, Vuong demonstrou seu luto nas redes sociais: ‘‘(&#8230;) você me ensinou que nossa dor não é nosso destino – mas nossa razão.’’ (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da memória nas passagens da infância no meio da narrativa linear da história do Cachorrinho é o traço mais analítico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a Terra Somos Belos por um Instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ocean Vuong usa a </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2023/jun/03/ocean-vuong-i-dont-believe-writer-should-just-keep-writing-as-long-as-theyre-alive-time-is-a-mother-paperback"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta de articulação e busca, narrando sempre em primeira pessoa e, diretamente com a sua mãe, faz com que o objetivo de suas cartas nunca seja esquecido: dizer que se é. As coisas mais duras são lembradas de um jeito poético e grotesco, e quase sempre seguidas de uma imagem que bate de frente com a beleza apresentada de forma visual pela escrita. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Uma vez você me perguntou o que é ser um escritor. Então vamos lá. Sete dos meus amigos estão mortos. Quatro de overdose.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Cachorrinho tem acesso ao </span><a href="https://talkeasypod.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significado social</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua existência a partir do momento em que começa a reunir os episódios traumáticos de sua vida e colocá-los em uma posição de questionamento: ser um homem vietnamita refugiado, queer, adicto e pobre nos Estados Unidos </span><a href="https://gayletter.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significa algo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso,as pessoas em volta dele fazem parte desse significado e a escrita tem o papel de síntese de sua própria vida. É como se, caso não fosse um escritor, Vuong jamais poderia contar quem é a ninguém, nem mesmo a sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ocean Vuong Shares His Advice for Aspiring Writers | Louisiana Channel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mG7JpAg1mrw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca pela </span><a href="https://www.gq.com/story/ocean-vuong-interview"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca acaba, mas toma um outro caráter. Depois que Cachorrinho entende sua existência, quem sua mãe e sua avó foram, e quem seu novo país abriga, o fluxo se torna outro e assume uma calma assustada de quem sabe que seu lugar está predefinido. Então, a subjetividade assume, mais que nunca, o papel de resgate do que nunca foi dado e uma possibilidade de se reconhecer no mundo. A escrita é o que salva: é o que salvou Cachorrinho de sua relação com sua mãe, que termina o livro rindo enquanto se lembra. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Porque o pôr do sol, assim como a sobrevivência, existe apenas à beira de seu desaparecimento. Para ser belo, você primeiro precisa ser visto, mas ser visto sempre permite que você seja caçado.”</span></i></p></blockquote>
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		<title>Adriana Calcanhotto viaja pelo mundo Errante</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Aug 2023 15:02:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Viajar sem rumo, conhecer um novo lugar a cada mês, ser um cidadão do mundo. Com sete passaportes completos e dezenas de vistos, Adriana Calcanhotto nos traz uma experiência nômade no universo da Música Popular Brasileira em seu décimo terceiro álbum, Errante. Pode parecer contraditório, mas, apesar do título e da temática, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/errante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Adriana Calcanhotto viaja pelo mundo Errante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31331" aria-describedby="caption-attachment-31331" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-800x800.png" alt="Capa do álbum Errante, de Adriana Calcanhotto. A foto da cantora em um modelo 3:4 está no centro da imagem, em volta vemos carimbos de vistos de vários países e na parte inferior o nome da artista e o nome do álbum grafado em letras características de documentos." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-1.png 1008w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31331" class="wp-caption-text">A capa do novo disco de Adriana Calcanhotto tem fotos de seus próprios vistos (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajar sem rumo, conhecer um novo lugar a cada mês, ser um cidadão do mundo. Com sete passaportes completos e dezenas de vistos, Adriana Calcanhotto nos traz uma </span><a href="https://youtu.be/qH5lNaez3D4"><span style="font-weight: 400;">experiência nômade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no universo da Música Popular Brasileira em seu décimo terceiro álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Errante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pode parecer contraditório, mas, apesar do título e da temática, se há algo que Calcanhotto sabe é onde quer chegar e, especialmente, de onde veio.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Errante</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi concebido no olho do furacão que foi a pandemia de Covid-19, mais especificamente em 2021, sendo, segundo a própria compositora, o projeto com o tempo de produção mais longo de sua carreira. O </span><a href="https://youtu.be/oncdbUPPWws"><span style="font-weight: 400;">isolamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> transformou o pensamento da cantora sobre si mesma e sobre as escolhas que a levaram a errar; não no sentido de cometer erros, mas, na origem latina da palavra, de vaguear literal e metaforicamente.</span></p>
<figure id="attachment_31332" aria-describedby="caption-attachment-31332" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31332" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-2.jpg" alt="A artista está no centro da imagem observando as cortinas brancas, está sorrindo, ela veste uma camisa branca e tem uma tatuagem de uma estrela de Davi no pulso direito" width="720" height="405" /><figcaption id="caption-attachment-31332" class="wp-caption-text">Adriana Calcanhotto se aventura por suas ancestralidades (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto de celebração do fim da pandemia está muito presente nas faixas </span><a href="https://open.spotify.com/track/2Dgi7gylL71pI98O1Ms0ty"><i><span style="font-weight: 400;">Levou para o Samba a Minha Fantasia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/1Bw3TETMk779uSThKnURGZ"><i><span style="font-weight: 400;">Era Isso o Amor?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primeira tem algo de teatral com a harmonia da percussão somada ao som do violão que realça o frescor do último respiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9R-YyEt1TTA"><span style="font-weight: 400;">carnaval</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes da pandemia. Já a segunda descreve um amor ardente que também nos faz entrar em combustão em termos de musicalidade e calor, já que suas pitadas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1IvPKyTjP6o"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enunciam uma paixão cálida que apenas uma poeta como Calcanhotto poderia descrever antes da pandemia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros focos do álbum são identidade, pertencimento e história própria, pelo qual a  artista descreve seu ponto de partida da jornada, valorizando todas as suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RE4zp68074E"><span style="font-weight: 400;">ancestralidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, como sua ascendência judaica </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/03/luto-e-doenca-cronica-alegria-e-escolha-diz-adriana-calcanhotto-que-lanca-o-disco-errante.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sefardita</span></a><span style="font-weight: 400;">, recém-descoberta. O ritmo que desacelera ao “</span><a href="https://open.spotify.com/track/3qxP5xZkupdZ5rqYSpWir7"><i><span style="font-weight: 400;">cruzar desertos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” e acelera ao nos levar ao “</span><i><span style="font-weight: 400;">mundo da lua</span></i><span style="font-weight: 400;">” – onde habita uma mente tão criativa – traz conforto, porém, na insegurança da artista em se ver “</span><i><span style="font-weight: 400;">impostora</span></i><span style="font-weight: 400;">” em tudo que faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um jardim, o clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Larga Tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> embala quem ouve em um samba reconfortante, que também remete às raízes da cantora, mas com um eu lírico que agora pede o desapego. </span><a href="https://open.spotify.com/album/4vuhEACTlSTCxAp3JGLvxA"><i><span style="font-weight: 400;">Horário de Verão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> carrega um certo aconchego de uma lareira e um chá quente numa tarde fria, que gera grande contradição ao título. Talvez a ausência do excedente da luz do dia propiciada pela estação seja o que mais se encaixe nas notas delicadas da música, uma das mais sentimentais do disco.</span></p>
<figure id="attachment_31333" aria-describedby="caption-attachment-31333" style="width: 768px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31333" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-3.png" alt="A artista está flutuando numa piscina azul, de vestido, olhando fixamente para a câmera." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31333" class="wp-caption-text">A cantora é influenciada por diversos ritmos e estilos musicais da América Latina (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuando no tópico de identidade, poucas vezes Adriana Calcanhotto foi tão pessoal quanto em </span><a href="https://open.spotify.com/track/6BwUbS6ePcusWZKY9kVUCS"><i><span style="font-weight: 400;">Quem Te Disse?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">na qual novamente ela referencia sua origem sefardita para falar de rejeição e do feminino. Todas as  características da canção são artifício para perguntar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem te disse que o amor vê</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">diferenças</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Se com mais de 30 anos de carreira o etarismo poderia se tornar um um obstáculo, como  cita na composição – “</span><i><span style="font-weight: 400;">mesmo se eu fosse moça</span></i><span style="font-weight: 400;">” –, a música ainda flui em melancolia quando nos lembra que a sociedade inferioriza as mulheres e cria exigências artificiais que, mesmo cumpridas, nunca são suficientes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://open.spotify.com/track/6qrToav5HQ21Aiv3b8pJdP"><i><span style="font-weight: 400;">Lovely</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem ao exterior que a artista bem conhece e já conquistou. Desde 2006, quando ganhou o primeiro de seus </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/especiais/mpb/adriana-calcanhotto-curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">cinco </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Latinos com o disco infantil </span><i><span style="font-weight: 400;">Adriana Partimpim</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela vem sendo reconhecida como uma das grandes expoentes da música do Brasil para o mundo. A faixa mergulha em um ritmo de bossa nova sutil e discreto, que suavemente ajuda o ouvinte a viajar também no tempo em sua sonoridade tridimensional.</span></p>
<figure id="attachment_31334" aria-describedby="caption-attachment-31334" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-800x450.png" alt="Adriana Calcanhotto mastiga uma margarida no clipe de Era Isso O Amor?" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/errante-4.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31334" class="wp-caption-text">O estilo de vida nômade está no subtexto de todas as canções (Foto: Modern Recordings)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As melodias melancólicas que se inserem no projeto ecoam um tom triste de despedida e que, junto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Horário de Verão</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Quem te Disse?</span></i><span style="font-weight: 400;">, contrastam do resto do obra, que tem um soar mais alegre e positivo. A presença dessas canções, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Reticências, </span></i><span style="font-weight: 400;">enriquecem o álbum de forma a nos preparar para o encerramento dessa viagem, assim como instauram seu propósito. A reflexão sobre o caminho percorrido por quem escolhe uma vida sem âncoras, descobre que “</span><a href="https://open.spotify.com/track/028fUHwA3labzRBzyqd0jh"><i><span style="font-weight: 400;">deixar a solidão sozinha e caminhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” é um ato de coragem libertador que revela que ser errante não é sinônimo de solidão. No entanto, ficar estacionado num mesmo lugar por muito tempo, sim.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/4h9DeRWdFh68oTL0hegCnd"><i><span style="font-weight: 400;">Nômade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> finaliza sua jornada musical no lugar onde todo o espírito do álbum vive. Seu ritmo constrói a ideia de um balançar de passos, conquistando essa sensação com os mais variados instrumentos, desde o coquinho ao trombone. Como entoado pela sua autora, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">casa é corpo</span></i><span style="font-weight: 400;">” porque é móvel, sendo a única coisa que todos temos e que todos carregamos. E por versos como esses, a obra de Adriana Calcanhotto fica mais rica a cada sílaba que ela profere, como se fosse algo involuntário, de sua própria natureza – tal como ser uma das maiores cantoras brasileiras vivas. </span></p>
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		<title>Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. Luca Guadagnino, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017)  e na série &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30569" aria-describedby="caption-attachment-30569" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão em pé nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="750" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-30569" class="wp-caption-text">Ovacionado pelo público no Festival de Veneza, Até os Ossos rendeu ao cineasta italiano Luca Guadagnino o prêmio Leão de Prata de Melhor Diretor e a estatueta de Melhor Atriz Revelação para Taylor Russell (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPBXobWTTFA"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)  e na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) &#8211; , retorna às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem que une gêneros clássicos do Cinema, para conduzir o romance entre dois canibais marginalizados pela sociedade em busca de pertencimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o romance de Camille DeAngelis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bones And All </span></i><span style="font-weight: 400;">segue a trajetória de Maren Yearly (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rltla_yRxKw"><span style="font-weight: 400;">Taylor Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), jovem recém abandonada pelo pai após um incidente em uma festa do pijama. Frank (André Holland), desolado pelo resultado desse acontecimento e perdido sobre o que fazer, decide fugir, deixando a filha apenas com uma fita cassete, compondo gravações pertinentes sobre uma particularidade natural da garota. A jovem, diferente de outros indivíduos, dispõe da incessante necessidade de provar carne humana.</span></p>
<p><span id="more-30565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se encontrar sozinha, ausente de respostas e lidando com seus instintos, Maren então percorre um caminho sinuoso em busca de outro vínculo familiar, como o de sua mãe Janelle (Chloe Sevigny). Em meio à nova realidade e euforia, ela esbarra com outras personalidades que guardam a mesma circunstância conflituosa, como o intrigante Lee (Timothée Chalamet), sujeito com o qual se identifica de imediato. Isso, não somente por compartilharem desse impulso </span><a href="https://letterboxd.com/journal/all-consuming-romance-bones-and-all/"><span style="font-weight: 400;">canibal</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também por ambos vivenciarem uma luta por identidade, tentando desesperadamente encontrar seu lugar no mundo.</span></p>
<figure id="attachment_30568" aria-describedby="caption-attachment-30568" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma jaqueta marrom com franjas e detalhes brancos. Lee está sentado em uma das mesas de uma lanchonete e segurando uma xícara branca de café." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30568" class="wp-caption-text">Visceral e apaixonante, Até os Ossos explora as múltiplas indagações do amadurecimento (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distante do verão italiano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o meio-oeste norte americano em meados da década de 1980. Compondo fotografias inteiramente interioranas, o retrato de Arseni Khachaturan divaga pela vegetação rochosa dos apalaches, interligando breves cidades daquela região, com suas mercadorias e eventos locais, sem a intensa agitação das grandes metrópoles. Enquanto Lee e Maren adentram na excursão em busca de Janelle, é visível o amadurecimento e comprometimento dos jovens ao longo da trama, além do crescimento afetivo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão entre os dois protagonistas é marcada, sobretudo, pela trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, na qual a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=plSbcQqgqSQ"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia os avanços do relacionamento entre os dois conforme entra em cena. Mas notoriamente, a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre dois canibais que se apaixonaram não poderia ser bem arquitetada em tela, com a atenção e a delicadeza necessária, sem a atuação excepcional de atores que compreendessem a fundo esse cenário, algo que foi ministrado brilhantemente por Russell e Chalamet. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee é um arruaceiro, distante de seguir um sistema social e exercendo suas próprias leis para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3b6flNEM4"><span style="font-weight: 400;">sobreviver</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um personagem quase amorfo, ele apropria-se de elementos de suas vítimas e os toma como seus, integrando-os em sua personalidade plural. Contrário a isso, em virtude de sua situação fugitiva, Maren contém um estilo desconfiado e observador, que não sabe quais pessoas são suscetíveis para se aproximar, tanto por preocupação pela sua segurança, quanto para poder ajudá-la em seu propósito. Apesar de constituírem particularidades distintas, os dois jovens à margem da sociedade partilham da mesma ansiedade de se encontrar no olhar de outra pessoa e de fazer parte de algo que foi retirado deles de alguma forma.</span></p>
<figure id="attachment_30567" aria-describedby="caption-attachment-30567" style="width: 4000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30567 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta com mangas compridas na cor branca e uma calça jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma jaqueta marrom. Ambos estão ao ar livre, encostados em um tronco de árvore." width="4000" height="2666" /><figcaption id="caption-attachment-30567" class="wp-caption-text">A divulgação da obra entra na nova onda de produções que tratam sobre a mesma temática do canibalismo, como a série Dahmer: Um Canibal Americano, da Netflix, e o O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando o horror e os ápices disformes do </span><a href="https://darkside.blog.br/filmes-sobre-canibalismo/"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela, o personagem de Mark Rylance, Sully, expele desde sua roupagem até os trejeitos tudo que há de mais esdrúxulo em todo o filme. Em gênese, Sully incorpora um tremor memorável durante sua aparição, enquadrando uma personalidade nauseante, complexa e cheia de camadas. Sendo, provavelmente, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">eater</span></i><span style="font-weight: 400;">” mais velho encontrado por Maren, ele representa um modelo de como o canibalismo pode afligir uma pessoa a longo prazo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra como a solidão é presente entre os antropófagos, levando cada indivíduo a viver da forma que dá, procurando preencher todos os vãos da solitude e desejando sistematicamente o vínculo com outras pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guadagnino, diferente dos demais cineastas que já abordaram a antropofagia em seus filmes &#8211; como o desconcertante </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Canibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), dirigido por Ruggero Deodato, e o prestigiado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr3OavheNu0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2001), de Ridley Scott -, opta por capturar particularmente a intensidade da tentação que move os “comedores” a realizarem o ato, ao invés da selvageria. Obviamente, a visceralidade está presente no cenário, mas não é a única em cena. O diretor, em um olhar poético sobre a trama, por vezes afasta, com muita sensatez, a brutalidade da câmera, para que a violência não domine por completo o longa-metragem, ocasionando extremos ou desconversando quando a narrativa regressa novamente para o lado mais sensível e romântico do casal.</span></p>
<figure id="attachment_30566" aria-describedby="caption-attachment-30566" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta e bermuda bege. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma regata e um shorts bege. Ambos estão ao ar livre, encostados em uma rocha, perto de um riacho." width="1024" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-800x470.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-768x451.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30566" class="wp-caption-text">Maren e Lee compartilham um momento transformador e significativo em meio à realidade que assombra a jornada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é paraíso e Inferno na mesma proporção. Uma brincadeira imersiva entre os padrões clássicos, uma carta de amor para os amantes apaixonados e um balde de sangue para os adoradores de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marcante do início ao fim, inteirando uma narrativa tanto desesperançada quanto acolhedora, o filme dança ao passo de uma só nota. Um memorial do arrebatamento da juventude e dos direcionamentos que nos levam a sermos quem somos, e as consequências disso. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/">Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 20:33:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O que parece ser unânime em relação a Alejandro González Iñárritu é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29204" aria-describedby="caption-attachment-29204" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29204" class="wp-caption-text">O longa foi exibido no Festival de Veneza e teve uma pré-estreia presencial no Brasil, na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que parece ser unânime em relação a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/inarritu-encara-seus-criticos-e-alfineta-os-eua-em-bardo-destaque-da-mostra-de-sp.shtml">Alejandro González Iñárritu</a></span><span style="font-weight: 400;"> é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/bardo-or-false-chronicle-of-a-handful-of-truths-review-alejandro-gonzalez-inarritu-1235355356/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> parece ser o meio termo entre essas duas situações. Com uma trama que se propõe a traçar a história de um renomado jornalista e documentarista mexicano, Silverio Gama (Daniel Giménez Cacho) – personagem marcado por uma profunda crise existencial –, o longa integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns elementos presentes no filme são marcas de Iñárritu (as mesmas marcas que o fizeram vencer o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor dois anos consecutivos, por </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/bardo-netflix-inarritu/">Birdman, ou a Inesperada Virtude da Ignorância</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2014] e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://pixelnerd.com.br/10-curiosidades-sobre-o-filme-o-regresso/">O Regresso</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2015]): a câmera lenta e espaçada que passa por todos os cantos, quase nunca estacionada em um só lugar; o fluxo verborrágico do protagonista que se mistura às pequenas tramas narrativas que ele próprio descreve; o </span><span style="font-weight: 400;"><i>nonsense</i></span><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se mostra apenas uma realidade vista de longe, interpolada pela criatividade da memória; e, principalmente, a representação da consciência do personagem principal.</span></p>
<figure id="attachment_29205" aria-describedby="caption-attachment-29205" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg" alt="" width="2235" height="1257" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29205" class="wp-caption-text">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades foi lançado oficialmente em 17 de novembro de 2022, mas só entrará no catálogo da Netflix em 16 de dezembro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o título do filme diz tudo o que se precisa saber. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;">” é o termo tibetano para o lugar entre a vida, a morte e o renascimento, presente no texto sagrado do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2022/05/como-entender-a-expansao-da-consciencia-mediada-por-psicodelicos.shtml">Livro Tibetano dos Mortos</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O resto fica a cargo da composição narrativa do roteiro de Iñárritu e Nicolás Giacobone, roteirista argentino responsável pela trama de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;">. Essa informação também é de se atentar, visto que, em muitos aspectos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;"> 2”, cujos elementos se assemelham em muitos níveis, inclusive sob a perspectiva de um protagonista artista (no longa de 2014, um ator em decadência; no filme de 2022, um documentarista no auge), que não sabe qual caminho seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-bardo-pelicula-gonzalez-inarritu/">Daniel Giménez Cacho</a></span><span style="font-weight: 400;">, que integrou o elenco de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/23/siberia-review-abel-ferrara-willem-dafoe">Siberia</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2020), de Abel Ferrara – filme que aborda igualmente o limiar entre vida e morte (o “bardo”) –, que dá vida ao protagonista menos caótico da filmografia de Iñárritu. Na trama, há 20 anos, ele foi um apresentador de TV, mas se afastou desse papel quando percebeu que estava vendendo uma versão comercial da realidade. Ele queria falar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>algumas verdades</i></span><span style="font-weight: 400;">”, as quais tornaram-se cada vez mais difíceis de serem ditas num México que se curvou aos efeitos nocivos de uma mídia violenta. Silverio Gama consegue realizar seu desejo e se transforma em um repórter de renome em Los Angeles. Ainda assim, a obra não se propõe a ser uma odisséia de sua redenção (como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman </i></span><span style="font-weight: 400;">é, por exemplo), e Iñárritu mistura realidade e ficção, acenando às interpretações de que as duas, na verdade, podem ser a mesma coisa – tudo depende do ponto de vista do observador. Na prática, o personagem percebe que a realidade, por si só, é pura ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29203" aria-describedby="caption-attachment-29203" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29203" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Vanity Fair, <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/09/awards-insider-alejandro-g-inarritu-interview-about-bardo-reviews">Alejandro G. Iñárritu</a> disse que “é uma pena que Bardo tenha sido incompreendido” (Foto: Jason LaVeris)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma temporada premiada com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Regresso</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpolada pelo curta-metragem </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://youtu.be/zF-focK30WE">Carne y arena</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2017) – resultado de um projeto de realidade virtual que recebeu um </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> Especial da Academia –, o novo projeto do diretor não conseguiu os mesmos feitos. Após as primeiras exibições, o longa</span> <span style="font-weight: 400;">(que chega em breve aos cinemas brasileiros) teve um mau desempenho. Tentando remediar o que parece inevitável, o diretor cortou quase 30 minutos de filme, além de gerar uma reedição de diversas outras partes – é essa versão reeditada que integrou a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chega à </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de dezembro, numa nova estratégia de distribuição da empresa, que o lançará primeiro nos cinemas. Ainda assim, o longa totaliza praticamente três horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é interessante perceber como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crónica de unas Cuantas Verdades </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/inarritu-meu-filme-bardo-e-incerto-muito-desconfortavel-e-pode-ser-irritante/">antecipa as próprias críticas</a></span><span style="font-weight: 400;"> que recebeu. Em uma das sequências do filme, durante a festa em homenagem à Silvério, ele entra num embate com Luis (Francisco Rubio), um ex-colega que se tornou uma estrela do sensacionalismo na televisão mexicana. Luis ataca Silverio por sua auto-indulgência e pretensão, acusando-o de se autoproclamar “artista” para os norte-americanos, esquecendo, assim, suas origens. Como resposta, o protagonista profere um discurso sobre a hipocrisia de uma mídia que sacrifica integridade e decência pelo altar das críticas e curtidas nas redes sociais. De alguma forma, Iñárritu esperava que seu filme fosse condenado por aquilo que atacou.</span></p>
<figure id="attachment_29202" aria-describedby="caption-attachment-29202" style="width: 2034px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp" alt="" width="2034" height="1046" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp 2034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-800x411.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1024x527.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-768x395.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1536x790.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1200x617.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29202" class="wp-caption-text">Nicolás Giacobone, que levou o Oscar de Melhor Roteiro por Birdman, repete a parceria com Alejandro Iñárritu em Bardo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena, na qual Gama discute com o filho – o adolescente Lorenzo (Íker Sánchez Solano) –, questões sobre o colonialismo e a relação Estados Unidos — México surgem de forma visceral. Durante o embate entre os dois, o filho defende os ianques e elenca todas as “virtudes tecnológicas” de um país regido pelo dinheiro, ainda que o pai tente jogar luz na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2022/10/alejandro-gonzalez-inarritu-cada-pais-e-formado-por-varias-narrativas.ghtml">memória histórica do país</a></span><span style="font-weight: 400;"> latino-americano, argumentando acerca das tradições mexicanas. O curioso é, para além do debate, perceber como esse diálogo foi construído no roteiro: Lorenzo começa, lentamente, a inserir palavras em inglês durante o confronto, enquanto Silverio permanece falando o espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim da discussão, Lorenzo está falando totalmente em inglês, sinalizando para a colonização do próprio garoto na conversa. Como consequência, o pai grita: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fale espanhol, estamos no México</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Segundos depois, o próprio Silverio está redigindo um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_56dnQF4NNI&amp;t=92s&amp;ab_channel=Oscars">discurso do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> que irá receber nos Estados Unidos – o inimigo que, agora, lhe concede reconhecimento. Parte da crise existencial dele surge daí, no que também parece uma autocrítica do próprio Alejandro G. Iñárritu: depois de uma história marcada por questões nacionalistas, elencando elementos de seu próprio crescimento e país de origem nas concepções artísticas, o reconhecimento se consolida, somente, após passar pelo crivo da Academia norte-americana – e, pior: depois de aceitar tudo isso. Como Silverio diz em uma das cenas, &#8220;</span><span style="font-weight: 400;"><i>o sucesso tem sido meu maior fracasso&#8221;</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29206" aria-describedby="caption-attachment-29206" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29206" class="wp-caption-text">Iñárritu demorou 5 anos para finalizar Bardo; o filme ainda traz as atrizes Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid no elenco (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do México no </span><span style="font-weight: 400;"><em>Oscar</em></span><span style="font-weight: 400;"> 2023, o filme tem um enredo que parece uma mensagem do próprio diretor a ele mesmo, uma autocrítica expandida com um personagem que em muito poderia ser um alter ego. Além de ter consciência do baixo envolvimento que o grande público deve ter com a obra, o diretor também disse em entrevista que incluiu “</span><span style="font-weight: 400;"><i>alguns pensamentos que eu tenho comigo mesmo</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Ele sabe que o </span><span style="font-weight: 400;"><i>establishment</i></span><span style="font-weight: 400;"> estadunidense passou a enxergá-lo como uma fraude, um indivíduo pretensioso que ninguém entende como entrou para a História com dois </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;">’s seguidos (algo que não acontecia na categoria desde 1950). Talvez por isso o roteiro avance para o caricatural em diversos momentos, ao mesmo tempo em que dá piscadelas de que tudo não passa de um grande sonho </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q29iibXXiOs&amp;ab_channel=Radiohead-Topic">no limbo</a></span><span style="font-weight: 400;"> da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, e talvez de forma cíclica, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa em que Iñárritu retorna ao cenário mexicano, depois de sua elogiada estreia com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/amores-brutos-alejandro-g-inarritu-critica/">Amores Brutos</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2000). De qualquer forma, trata-se de uma produção cinematográfica que é, em muitos aspectos, psicodélica, e por isso soa desigual. O que em algumas produções seria o seu maior feito, aqui fica confuso, e a ausência de distinção entre memória, verdade, mentira, realidade e ficção coloca tudo numa “cama de gato”. Existem trechos que apelam para o drama e outros para o surrealismo, cuja ligação não é forte o suficiente para sustentar essas mudanças bruscas. Mesmo que autorizadas pelo subconsciente de Silverio Gama, as variações só acenam para o enlouquecedor, e o final, propriamente, não parece finalizar nada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BARDO, False Chronicle of a Handful of Truths | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lCQimQfDuTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nós somos os escolhidos de Jon Batiste</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:57:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Nem Olivia Rodrigo, nem Billie Eilish, nem Lil Nas X e nem Justin Bieber. A noite de 3 de abril de 2022 foi de Jon Batiste. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o jazzista de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jon-batiste-we-are-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nós somos os escolhidos de Jon Batiste"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27467" aria-describedby="caption-attachment-27467" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-1.webp" alt="Capa do CD WE ARE, de Jon Batiste. Imagem quadrada e colorida com fundo vermelho. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos e cavanhaque, vestindo um sobretudo vermelho e amerelo. Ele está de pé, olhando para frente. No canto inferior direito, escrito em inglês em uma fonte pequena, lê-se “dedicado aos sonhadores, profetas, contadores de histórias e verdades que se recusam a nos deixar cair totalmente na loucura”" width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27467" class="wp-caption-text">Depois de anos de <a href="https://g1.globo.com/musica/grammy/2017/noticia/adele-quebra-grammy-apos-elogiar-beyonce-e-fas-comparam-atitude-com-filme-meninas-malvadas.ghtml">esnobadas absurdas</a>, a justiça foi feita: com o fascinante projeto WE ARE, Jon Batiste é o 11º artista negro a conquistar o Grammy de Álbum do Ano em 64 anos (Foto: Verve Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Nas X</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/justin-bieber-justice-critica/"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/04/04/grammy-2022-silk-sonic-jon-batiste-e-olivia-rodrigo-sao-os-grandes-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noite</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 3 de abril de 2022 foi de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jon-batiste/"><span style="font-weight: 400;">Jon Batiste</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><span style="font-weight: 400;">de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar como o maior vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, saindo da cerimônia com 5 dos 11 gramofones que concorria, incluindo o cobiçado Álbum do Ano, categoria mais importante do evento. O trabalho contemplado foi </span><a href="https://open.spotify.com/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=7HUGaeWzTaKa3JEIk3PCnQ"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu aclamado oitavo álbum de estúdio. E, apesar de competir com grandes nomes, não há outra conclusão ao mergulhar no projeto: o prêmio só poderia ser dele.</span></p>
<p><span id="more-27466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele dia também marcou não apenas a primeira vez que Jon Batiste ganhou um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">em toda a sua notável carreira, como também a primeira vez que um </span><a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-conheca-os-artistas-negros-vencedores-da-premiacao/"><span style="font-weight: 400;">artista negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> levou o prêmio de Álbum do Ano em absurdos 14 anos. No entanto, apesar de ter se tornado foco dos holofotes ao assinar as composições e arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, animação da Pixar vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021 – que também lhe proporcionou um gramofone neste ano –, sua contribuição à Música é bem mais longa. Jon é um dos principais expoentes da carente cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txdUE10OopA"><span style="font-weight: 400;">motivado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por sua família, que já tinha longa tradição no gênero, e por vozes como Duke Ellington e Nina Simone. Além disso, lidera a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AaqPpTY3jyg"><span style="font-weight: 400;">Stay Human</span></a><span style="font-weight: 400;">, banda que desde 2015 é residente no programa americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The Late Show with Stephen Colbert</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27468" aria-describedby="caption-attachment-27468" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada durante cerimônia do Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, vestindo uma camisa preta com lantejoulas pratas, em frente a um painel branco posando para uma foto enquanto sorri. Nos braços, ele segura cinco troféus no formato de gramofones." width="1200" height="812" /><figcaption id="caption-attachment-27468" class="wp-caption-text">O último homem negro a levar o prêmio máximo da noite do Grammy foi Herbie Hancock na cerimônia de 2008; já a última mulher foi Lauryn Hill em 1999 (Foto: Patrick T. Fallon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Música de Jon Batiste está longe de um simples </span><i><span style="font-weight: 400;">throwback</span></i><span style="font-weight: 400;"> saudosista a um gênero que há muito tempo perdeu espaço nas rádios. É uma busca por modernizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ressignificá-lo para nossas sensibilidades contemporâneas, levando a essência do improviso, da não-linearidade e da autoestima para um novo contexto, em que tais virtudes mostram-se </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">cada vez mais necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa descrição poderia muito bem definir </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de certa forma, torna mais palatável a sonoridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> para nossos ouvidos de 2022, através da mescla com elementos musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, em um esforço inverso ao que fazia Kendrick Lamar em 2015 com seu apoteótico </span><a href="https://personaunesp.com.br/kendrick-lamar-venceu/"><i><span style="font-weight: 400;">To Pimp a Butterfly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com sua caracterização musical complexa, o álbum foi levado às </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j5a42MwoYsw"><span style="font-weight: 400;">categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, não é exagero algum dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu mais puro estado. Não só as marcas registradas de seus antigos trabalhos se mantém – das harmonias do seu majestoso piano ao seu timbre de voz vigoroso e áspero – como também a imprevisibilidade sonora proporciona uma experiência única e inesperada a cada canção, ainda que todas sempre carreguem a mesma identidade artística inconfundível de Jon.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ao passo que faixas como </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-tell-the-truth-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-cry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraçam completamente a estética retrô e a raíz musical do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-i-need-you-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-freedom-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apresentam como músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> apimentadas por arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, em contraste com os </span><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e baterias sintéticas que infestam suas melodias, </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-boy-hood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://genius.com/Jon-batiste-whatchutalkinbout-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WHATCHUTALKINBOUT</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exploram a veia </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jon. Na segunda, o cantor entrega suas rimas com muita agilidade em cima de um frenético instrumental de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ZTYgq4EoRo"><span style="font-weight: 400;">fortemente inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Kendrick, ainda sendo surpreendida por uma trilha em </span><i><span style="font-weight: 400;">16-bit </span></i><span style="font-weight: 400;">na sua segunda metade – o que, de alguma forma, continua coerente com a proposta do disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - I NEED YOU" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AXT00sWwuTQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, Jon Batiste constrói uma sonoridade moderna, ao mesmo tempo que universal e atemporal – e isso vai além da simples experimentação musical. Para ele, unir diferentes facetas da música negra é colocar em contato gerações distintas e, assim, reconectar-se com sua ancestralidade. Jon entende que, para uma cultura que é diariamente apagada, não se pode esquecer suas origens. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sempre me esforcei para mostrar que os gêneros estão todos ligados, assim como as pessoas em todas as nossas linhagens estão ligadas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi o que ele afirmou, </span><a href="https://noticias.plu7.com/115415/internacional/jon-batiste-em-suas-11-indicacoes-para-o-grammy-im-so-over-the-moon/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> após as nomeações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. E esse posicionamento aponta para outro aspecto importante na obra do cantor: seu vínculo com a militância e o ativismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado politicamente no berço graças a seu avô, que era presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Nova Orleans, esse aspecto da vida de Jon Batiste sempre esteve atrelado à Música. Principalmente em 2020, quando fervilhavam os protestos do movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">assassinato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de George Floyd, onde o cantor foi uma peça ativa e engajada. E não somente, trouxe a música para dentro das manifestações, utilizando-a como instrumento político de mobilização e conscientização. </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-we-are-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mais tarde se tornaria faixa-título do projeto, foi composta nesse cenário e, mais tarde, nomeou uma série de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/24/arts/music/jon-batiste-jazz-protests.html"><span style="font-weight: 400;">protestos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele organizou em junho daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, começam a se desvendar alguns dos principais temas do nomeado disco do ano. Jon Batiste entende como ninguém o poder transformativo da Música em elevar as angústias da vida e ressignificá-las em regozijo e liberdade. A faixa-título, especialmente, encapsula uma essência coletiva pujante, incorporando elementos de gospel em típicas melodias de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o coro é quem </span><a href="https://www.nytimes.com/roomfordebate/2014/06/25/has-capitalism-become-incompatible-with-christianity/too-many-black-churches-preach-the-gospel-of-greed"><span style="font-weight: 400;">toma conta</span></a><span style="font-weight: 400;">. A participação da família de Jon e da banda de marcha de sua antiga escola reforça ainda mais esse ímpeto, juntamente a uma letra que enaltece o poder popular e a capacidade das massas de mudar o mundo. No pico do refrão, o pianista refere-se diretamente aos seus ouvintes e atesta: </span><a href="https://genius.com/22716773"><i><span style="font-weight: 400;">“Nós somos os escolhidos”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas nós, juntos, podemos transformar a sociedade em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27469" aria-describedby="caption-attachment-27469" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Fotografia retirada durante um concerto de protesto de Jon Batiste. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos, vestindo uma camiseta branca e calça bege, tocando um piano colorido em uma praça à céu aberto, em frente a uma multidão de outras pessoas. Ele se curva sobre o piano, enquanto um microfone preso a um pedestal encontra-se acima da sua cabeça." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27469" class="wp-caption-text">Durante o ano de 2020, Batiste recuperou a música negra de seu apagamento étnico e provou de uma vez por todas: jazz é música de protesto (Foto: Hiroko Masuike)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, como produto de seu próprio tempo, é uma obra naturalmente relevante. A narrativa de todas as faixas, em algum aspecto, aborda o ativismo e o nosso papel no mundo enquanto </span><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/direitos-humanos-2/o-papel-do-ativismo-e-dar-voz-as-pessoas-invisiveis-diz"><span style="font-weight: 400;">agentes da mudança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o que torna sua mensagem de fato ímpar é como Jon Batiste nunca se compromete com respostas. Ele se insere no centro desse cenário, se une a nós e coloca-se como porta-voz de sua geração, sem nunca apagar as nuances e sobretons que atravessam a subjetividade individual de cada um – inclusive dele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i><span style="font-weight: 400;"> – faixa que ganhou dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Roots</span></i><span style="font-weight: 400;"> – manifesta um eu-lírico desolado, que não consegue ver soluções para os problemas do mundo, assumindo que os culpados por todas essas mazelas jamais serão responsabilizados e tudo o que nos resta é o choro; </span><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i><span style="font-weight: 400;">, em oposição direta, encontra no amor e na presença do outro a </span><a href="https://www.vulture.com/article/jon-batiste-interview-grammy-nominations.html"><span style="font-weight: 400;">motivação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para continuar de pé dia após dia. Jon Batiste coloca as duas condições em contraste, mas sem nunca cair em um maniqueísmo banal, entendendo o valor da esperança, sem ignorar a função da tristeza como um sentimento válido e parte do processo de superação. Afinal, apenas se alcança a luz após passar pela escuridão.</span></p>
<figure id="attachment_27470" aria-describedby="caption-attachment-27470" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-4.webp" alt="Fotografia retirada durante apresentação do cantor Jon Batiste no Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, que veste um terno prateado e sapatos pretos, segurando um microfone sobre a boca enquanto canta eufórico, com os olhos fechados, e curva suas costas para trás. Ao lado dele, outros três dançarinos vestindo ternos azuis fazem poses. Ao fundo, uma banda vestindo roupas rosas toca uma música." width="2000" height="1333" /><figcaption id="caption-attachment-27470" class="wp-caption-text">Jon Batiste levou as cores e o entusiasmo de FREEDOM para dentro do Grammy 2022, em uma performance contagiante que agitou uma cerimônia que, até aquele momento, permanecia morna (Foto: Matt Winkelmeyer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não quer dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> não trate de temas pessoais de Jon Batiste. Na verdade, grande parte do disco traça o processo de amadurecimento do artista e como sua autopercepção o ajudou a encontrar seu lugar dentro de sua comunidade. Não por acaso, as faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-adulthood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">ADULTHOOD</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se sucedem na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com auxílio da inigualável voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pp2mRJ6-Q9k"><span style="font-weight: 400;">PJ Morton</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos desde as pequenas alegrias da infância simples e inocente de Nova Orleans, até o frio na barriga da transição para a vida adulta, quando ele se mudou para Nova Iorque sozinho, com 17 anos, para estudar Música em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PoTKFjj2Ghs"><span style="font-weight: 400;">Juilliard</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por todo esse trecho do álbum, permeiam as mesmas questões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem sou eu?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">“em que espaço eu pertenço?</span></i><span style="font-weight: 400;">” Por fim, Jon Batiste encontra o respaldo e suporte que precisava observando o passado: seja nos conselhos do seu pai, que ecoam com muito carinho pelas nostálgicas memórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no tributo aos diversos criadores negros que moldaram sua personalidade e hoje são grandes inspirações para sua obra em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-show-me-the-way-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SHOW ME THE WAY</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Jon compreende que, para que pudesse trilhar livremente seu caminho, muitos pavimentaram a estrada antes. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> guarda um imenso respeito por todas essas figuras, tanto familiares quanto culturais, e confessa recorrer a elas ao encarar o céu: </span><i><span style="font-weight: 400;">“quando olho para as estrelas, sei exatamente quem nós somos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente do peso das pautas que rodeiam a produção do disco, ou dos temas delicados que ele não deixa de discorrer, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um projeto otimista e colorido, em todos os sentidos. Jon Batiste se diverte como nunca, brincando com vocais e harmonias como se estivesse em uma montanha-russa viva. No clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3YHVC1DcHmo"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que desbancou o favorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">MONTERO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no prêmio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6swmTBVI83k"><span style="font-weight: 400;">Melhor Videoclipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Batiste leva o conceito de liberdade para o domínio do corpo e traz a dança enquanto símbolo máximo da autonomia como resistência. Isso, é claro, ao mesmo tempo que veste figurinos cintilantes e remexe junto a todos os moradores de um subúrbio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - FREEDOM" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3YHVC1DcHmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, isto é importante dizer, o videoclipe dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C6MOKXm8x50"><span style="font-weight: 400;">Alan Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz questão de mostrar que já existia cor naquele universo. O papel de Jon naquele momento é catalisar esse sentimento puro de alegria através da sua Música. Ao contrário de uma posição messiânica, sua obra se empodera pelo espírito coletivo inerente à humanidade, </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">levando esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um ano doloroso e lúgubre, onde praticamente não havia espaço para a êxtase. O que Jon Batiste constata em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-sing-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SING</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – a síntese emocional perfeita para o fechamento do projeto – é que, em um mundo onde somos oprimidos, não só física mas também mentalmente, explorados à exaustão até que não tenhamos tempo nem para cuidar de nós mesmos, nosso coro em uníssono é a resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que este é o álbum mais importante de 2021, com ou sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vitória de Jon Batiste, sem sombra de dúvidas, visa amplificar o acesso de grupos minoritários às categorias principais. É uma ação afirmativa deliberada da Academia, que, todavia, continua sendo composta pelos mesmos homens brancos, que apagaram a influência cultural dos mesmos criadores negros no passado. Entra ano, sai ano, os artistas mais disruptivos da Música continuam </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/03/esnobado-pelo-grammy-the-weeknd-faz-historia-na-musica-pop-ckm3ueh3a00430198ujh23l2c.html"><span style="font-weight: 400;">fazendo história</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto ignorados por uma premiação que permanece </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JlniLFuzjf8"><span style="font-weight: 400;">irrelevante como sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho formidável e pivotal para os nossos tempos, e acreditar que somente uma réplica em ouro de um gramofone poderia legitimá-lo é um crime imperdoável.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: WE ARE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=Fdrdh4F5TFCEjVWLquTW5Q&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Um brinde às batalhas internas e memórias da juventude em 15 anos de Skins UK</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2022 17:11:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro A juventude é a fase da intensidade. De dramas, sensações, desejos e sonhos. Nela, as amizades são eternas, os amores são infinitos num dia, efêmeros no outro, e os problemas são o fim do mundo. É a fase da rebeldia e das descobertas. Há 15 anos, Skins (UK), ou Juventude à Flor da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/skins-uk-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um brinde às batalhas internas e memórias da juventude em 15 anos de Skins UK"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27334" aria-describedby="caption-attachment-27334" style="width: 968px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27334 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra quatro personagens principais da primeira temporada, da cintura para cima. Eles estão sentados, próximos da câmera, e todos são jovens. Da esquerda para a direita: Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Ele está sorrindo, usa uma camiseta cinza sobre uma blusa branca de mangas compridas e segura um jarro de vidro, que contém um líquido laranja, em uma das mãos. Ao seu lado está Sid, interpretado por Mike Bailey, um jovem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e usa uma camiseta azul. Ao seu lado está Maxxie, interpretado por Mitch Hewer. Mitch é um homem branco, de pele bronzeada, olhos azuis, rosto fino e cabelos loiros e lisos, com uma franja que cai sobre os olhos. Ele usa um moletom branco com listras. Por último, está Tony, interpretado por Nicholas Hoult. Ele é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos. Ele usa uma blusa preta de frio, com as mangas arregaçadas." width="968" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2.jpg 968w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27334" class="wp-caption-text"><a href="https://youtu.be/YyMi_itzgFs">Oh baby, baby, it’s a wild world</a> (Oh baby, baby, é um mundo selvagem) (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é a fase da intensidade. De dramas, sensações, desejos e sonhos. Nela, as amizades são eternas, os amores são infinitos num dia, efêmeros no outro, e os problemas são o fim do mundo. É a fase da rebeldia e das descobertas. </span><a href="https://www.nytimes.com/2008/08/17/arts/television/17roch.html"><span style="font-weight: 400;">Há 15 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins (UK)</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Juventude à Flor da Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">, explorou tudo isso de forma intimista, sob perspectivas de distintos jovens ingleses que tinham uma coisa em comum: a consciência de que crescer não é fácil, mas que amizades, família e empatia tornam o processo menos cruel.</span></p>
<p><span id="more-27333"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Skins (UK)</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série britânica de drama adolescente lançada em 2007 no canal inglês</span><i><span style="font-weight: 400;"> E4</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Brasil, ela foi transmitida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">VH1, MTV</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Multishow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, atualmente, se encontra disponível na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criada por </span><a href="https://www.radiotimes.com/tv/drama/bryan-elsley-rules-out-a-return-for-skins-as-the-show-celebrates-its-10th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">Bryan Elsley e seu filho Jamie Brittain</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas 7 temporadas apresentam três gerações de grupos de amigos. Cada um deles com características únicas, personalidades, desafios e problemas diários para lidar. O grupo de roteiristas para os episódios também era de jovens, e </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">Elsey dizia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">“é tudo sobre a escrita. [&#8230;] Nosso objetivo é deixar nossa audiência saber que eles não estão sozinhos”.</span></i></p>
<figure id="attachment_27335" aria-describedby="caption-attachment-27335" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27335 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra cinco personagens principais da primeira temporada, da cintura para cima. Eles são jovens e estão formando um semicírculo, próximos uns dos outros. Todos olham para baixo e para o centro do grupo, em direção às mãos de Chris, um deles. Eles estão em uma festa, com vestidos e trajes coloridos. Da esquerda para a direita: Jal é interpretada por Larissa Wilson. Larissa é uma mulher negra, de cabelos escuros e lisos. Ela está com um vestido rosa e apoia uma das mãos em Chris. Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Ele está com um terno preto, um fone de ouvido apoiado no pescoço e encara suas mãos com surpresa. Ao seu lado está Michelle, interpretada por April Pearson. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos, cacheados e curtos, que estão presos no alto da cabeça. Ela usa um vestido roxo e olha para sua direita, com uma expressão de surpresa. Ao seu lado está Sid, interpretado por Mike Bailey, um jovem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e está sem camisa. Na ponta direita do grupo está Anwar, interpretado por Dev Patel. Dev tem traços indianos e pele e olhos escuros. Seu cabelo é curto e também escuro." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27335" class="wp-caption-text">Revisitar a série após mais de uma década permite um mergulho na estética dos anos 2000 (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Meu filho havia acabado de largar a faculdade, então ele se uniu ao time de roteiristas, junto de todos os membros do seu flat estudantil&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">diz Elsey</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o surgimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">. Brittain sugeriu que o pai criasse uma série sobre adolescentes, mas uma que realmente significasse algo. Escrita e atuada, de fato, por jovens, </span><a href="https://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">diferentemente de outras produções do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, atendendo a seu pedido, o diretor encaminhou a ideia ao canal </span><i><span style="font-weight: 400;">E4</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a abraçou e deu andamento ao projeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por se tratar de uma obra escrita por e para jovens, lançada nos anos 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/olhar-em-serie/primeira-temporada-skins-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">rompia com qualquer conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao tratar dos mais diversos assuntos sem pudor ou moderação. Problemas familiares, doenças mentais, sexualidade, questões de gênero, abusos de substâncias, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo a morte e o luto eram evidenciados pelos personagens em tela, revelando atitudes destrutivas e situações delicadas – muito antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/elite-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) surgirem. </span></p>
<figure id="attachment_27336" aria-describedby="caption-attachment-27336" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27336 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A foto mostra o personagem Chris sentado em sua cama, encostado na cabeceira, e sentada à sua frente, na beirada da cama, está Cassie. Chris é interpretado por Joe Dempsie, um homem branco, de cabelos castanhos-claros, lisos e médios. Sua expressão é angustiada, ele está sem camisa e de olhos fechados. Cassie, por sua vez, é uma mulher branca, de cabelos loiros, ondulados e médios. Ela usa uma camiseta branca e está conversando com Chris. No fundo, é possível ver pôsteres colados na parede do quarto e um armário baixo, de madeira. A câmera mostra alguns remédios em primeiro-plano, desfocados. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27336" class="wp-caption-text">O triste destino de Chris Miles (<a href="https://www.tatlerasia.com/culture/entertainment/joe-dempsie-pieces-of-her-interview">Joe Dempsie</a>) impactou uma geração de jovens que o viam como um personagem autêntico, espontâneo e muito querido (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os temas da série nunca foram leves, mas contrastavam com seus personagens verdadeiros, cômicos, divertidos, imaturos e ingênuos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não me ocorreu que Skins era sombria, mas é claro que era. Eu assumi que se você está fazendo um drama, tem que incluir coisas obscuras, ainda que também tenha muita luz em Skins”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/may/28/how-we-made-skins-channel-4-bryan-elsley-jamie-brittain"><span style="font-weight: 400;">disse Jamie Brittain para o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada episódio é </span><a href="https://portalskinsbrasil.wordpress.com/2016/01/10/relembrando-skins-episodio-1-tony/"><span style="font-weight: 400;">focado em um indivíduo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do grupo principal de amigos, evidenciando seus problemas pessoais, desafios e paixões. Eles podiam ser desajustados, populares, novatos ou veteranos, mas todos tinham demônios próprios e histórias para contar. Essas narrativas e personalidades tão variadas muitas vezes rompiam com estereótipos da adolescência na TV, tornando inevitável a identificação com um ou mais deles, além da sensação de </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2021/09/sex-education-e-mais-por-que-as-series-adolescentes-estao-fazendo-sucesso-entre-os-adultos-cktotuzr700az013bxs0anwf8.html"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> na trama.</span></p>
<figure id="attachment_27337" aria-describedby="caption-attachment-27337" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27337 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra o busto de dois personagens encostados em uma parede verde, lado a lado. À esquerda está Tony, personagem de Nicholas Hoult. Nicholas é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos, com uma franja acima dos olhos. Ele usa uma camiseta cinza e um casaco verde. À sua direita está Sid, interpretado por Mike Bailey. Mike é um homem branco. Ele tem cabelos lisos e escuros, que vão até a altura dos ombros. Usa um gorro preto sobre a cabeça e óculos retangulares. Ele tem um rosto fino, um nariz pontudo e usa uma camiseta preta e, por cima, um casaco cinza. Ambos estão sérios e mantêm os olhares perdidos em pontos fixos. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27337" class="wp-caption-text">Focada na perspectiva íntima e emotiva dos desafios de seus protagonistas, Skins é um grande exemplo de um <a href="https://www.masterclass.com/articles/coming-of-age-movies#a-brief-history-of-comingofage-movies">Coming-of-age</a>, obras cuja temática é o amadurecimento de personagens jovens (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começou com Tony (</span><a href="https://spinoff.com.br/the-great-nicholas-hoult-fala-sobre-o-seu-papel-de-antagonista-na-serie/"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">), um garoto manipulador e popular que tenta ajudar seu melhor amigo Sid (Mike Bailey), cujos problemas de autoestima não permitem que ele perca a virgindade. Sid secretamente tem uma queda por Michelle (April Pearson), namorada de Tony, enquanto é o </span><i><span style="font-weight: 400;">crush </span></i><span style="font-weight: 400;">de Cassie (</span><a href="https://www.omelete.com.br/game-thrones/game-of-thrones/game-of-thrones-hannah-murray-encerra-filmagens-da-oitava-temporada"><span style="font-weight: 400;">Hannah Murray</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma garota excêntrica que enfrenta distúrbios alimentares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completam o grupo: o carismático – e viciado nas mais diversas substâncias – Chris, a musicista Jal (Larissa Wilson), os melhores amigos Maxxie (Mitch Hewer) e Anwar (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-lenda-do-cavaleiro-verde-critica/"><span style="font-weight: 400;">Dev Patel</span></a><span style="font-weight: 400;">), e a irmã mais nova de Tony, Effy (</span><a href="https://www.hqzona.com.br/2020/01/11/spin-out-traz-performance-incrivel-de-kaya-scodelario-e-trata-sobre-problemas-serios/"><span style="font-weight: 400;">Kaya Scodelario</span></a><span style="font-weight: 400;">). Suas tramas funcionam isoladamente, mas também se entrelaçam e permitem interações agradáveis de acompanhar ao longo das duas primeiras temporadas, as quais são ocupadas pela primeira geração de personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grupo introduziu o formato e a essência da série, e seu elenco se tornou icônico e marcante, sendo por vezes lembrado como </span><a href="https://www.hey-randomgirl.com.br/2019/10/reassistindo-skins-analise-primeira-geracao.html"><span style="font-weight: 400;">favorito pelos fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo assim, a série retornou em uma terceira e quarta temporadas, com novos enredos e personagens tão interessantes e envolventes quanto seus antecessores.</span></p>
<figure id="attachment_27338" aria-describedby="caption-attachment-27338" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27338 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca no rosto de Tony, personagem de Nicholas Hoult. Nicholas é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos castanhos, com uma franja acima dos olhos. Ele está conversando com alguém e na imagem há uma legenda do que ele está dizendo: “Sometimes I think I’m crazy cause I see things so differently than everyone else”." width="1280" height="546" data-wp-editing="1" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-800x341.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-1024x437.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-768x328.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-5-1-1200x512.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27338" class="wp-caption-text">“As vezes acho que sou louco, porque vejo as coisas tão diferentemente de todas as outras pessoas” (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Do elenco original, apenas Effy continua presente no segundo grupo. Não mais como a retraída garota da primeira temporada, agora ela é a líder rebelde no meio de um triângulo amoroso &#8211; afinal, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">séries </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">adoram um triângulo amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas outras pontas estão o desajustado Cook (</span><a href="https://www.miguelbarbieri.com.br/post/aguas-do-norte-globoplay-critica"><span style="font-weight: 400;">Jack O&#8217;Connell</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Freddie (</span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2021/04/tem-astros-de-game-of-thrones-e-da-marvel-conheca-o-elenco-de-sombra-e-ossos"><span style="font-weight: 400;">Luke Pasqualino</span></a><span style="font-weight: 400;">, muito antes da sua participação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sombra-e-ossos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sombra e Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), atormentado por transtornos familiares. Naomi (Lily Loveless) ganha destaque com sua busca por autoconhecimento, personalidade forte, e seu romance com Emily (Kathryn Prescott), que é um dos pontos principais da temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além delas, Thomas (Merveille Lukeba), Pandora (Lisa Backwell), Katie (Megan Prescott) e JJ (Ollie Barbieri) fazem parte da nova fase, com temáticas que </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">alternam entre o trágico e o cômico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A instabilidade é uma constante. Todos estão sujeitos a falhas e acertos, e os jovens permeiam entre a busca por diversão e amor, e as infelicidades no meio familiar, escolar ou emocional.</span></p>
<figure id="attachment_27339" aria-describedby="caption-attachment-27339" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27339 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca no busto de Effy, personagem de Kaya Scodelario. Kaya é uma jovem branca, de cabelos castanhos, lisos e longos. Ela tem um rosto fino, nariz pontudo, olhos azuis e está sorrindo, de leve. Ela usa uma camiseta cinza e segura um cigarro em uma das mãos." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-6-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27339" class="wp-caption-text">Antes mesmo de se tornar um rosto famoso em Hollywood, Kaya Scodelario dava vida à rebelde Effy, que se tornou símbolo da série por anos (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda muitos </span><a href="https://apaixonadosporseries.com.br/series/review-skins-4x07-effy/"><span style="font-weight: 400;">distúrbios psicológicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e revela seus densos efeitos, assim como a recorrência às drogas e demais atitudes danosas à saúde. Muitos personagens enfrentam uma jornada semelhante a de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/euphoria-zendaya-rue"><span style="font-weight: 400;">Rue Bennet</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) em </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois alguns chegam ao fundo do poço, ascendem, com a ajuda certa, e se encontram novamente. Outros têm destinos caóticos e funestos, partindo o coração do espectador com seus declínios desastrosos ou encontros com um acaso letal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente, seus temas podem ser pesados e desencadear gatilhos, por isso </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-149051/"><span style="font-weight: 400;">a série não é indicada para pessoas </span></a><span style="font-weight: 400;">que se encontram vulneráveis. Ainda assim, ela consegue sempre contextualizar essas abordagens. Mesmo os momentos mais obscuros não existem sem motivo ou sem propósito, mantendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> firme à mensagem que deseja passar. Ainda que a faça de maneira fúnebre e exorbitante, seus personagens são humanos, lidam com altos e baixos, e buscam desenvolvimento, redenção e crescimento.</span></p>
<figure id="attachment_27340" aria-describedby="caption-attachment-27340" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27340 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem foca, em primeiro plano, no rosto de Freddie, personagem de Luke Pasqualino. Luke é um homem branco, de cabelos escuros e lisos e jogados para o lado, com uma franja acima dos olhos, também escuros. Atrás dele, em segundo plano e desfocados, há um casal conversando sentado em uma escada." width="1280" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-800x240.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-1024x307.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-768x230.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-7-1200x360.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27340" class="wp-caption-text">Skins ensina a importância de ser empático ao compreender que cada indivíduo está enfrentando as próprias batalhas (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Prudente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabia misturar e equilibrar os arcos dramáticos de cada um dos jovens com suas boas doses de humor ácido e sarcástico. Essa característica também pode ser evidenciada na recente –  e também inglesa – </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que a produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">aborde seus temas sensíveis com maior </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-critica/"><span style="font-weight: 400;">cautela e leveza</span></a><span style="font-weight: 400;">, pendendo mais para o humor do que para o drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa diferença, contudo, não torna a criação de Elsley e Brittain inferior, e sequer diminui a importância de sua abordagem. Muito pelo contrário, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">é extremamente intensa e reproduz toda a fragilidade, </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">urgência e complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa fase da vida que é a </span><a href="https://www.aficionados.com.br/series-adolescentes-netflix/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela explora as camadas de cada indivíduo, suas qualidades, defeitos, fraquezas e virtudes, permitindo que o telespectador adentre pensamentos e perspectivas de forma sensível. Sua representação é instável, oscilante e profunda, assim como a vivência da juventude, reforçando, assim, a identidade e o espírito da série.</span></p>
<figure id="attachment_27341" aria-describedby="caption-attachment-27341" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8.png" alt=" Fotografia da série Skins. A imagem foca no busto de Michelle, personagem de April Pearson. April é uma mulher branca, de cabelos castanhos, cacheados e médios. Ela tem um nariz pontudo, olhos azuis, franja e uma sobrancelha fina. Seu rosto é pontudo e ela usa uma blusa azul. Ela está conversando com um homem que aparece em primeiro plano, de costas. Ele tem cabelos escuros e lisos e usa uma camisa social branca. Na foto, há uma legenda para o que ela está dizendo, em inglês: “Stuff happens. You get over it”." width="1280" height="719" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-8-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27341" class="wp-caption-text">“Coisas acontecem. Você vai superar” (Foto: E4 )</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ainda conduz uma imersão em uma Inglaterra dos anos 2000 e, mesmo para quem não era adolescente, de fato, em 2007, a série transmite a </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/netflix-series-nostalgicas/"><span style="font-weight: 400;">sensação de nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seja nas relações entre os amigos e suas rotinas &#8211; em um período menos dominado pela tecnologia -, nos figurinos, </span><a href="https://youtu.be/YyMi_itzgFs"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou nas enérgicas cenas de festas. Até as naturais e espontâneas interações banais entre os personagens transbordam as telas e permitem identificação e afinidade do público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar com jovens têm seus desafios e exige normas específicas. Uma grande crítica feita, não apenas a esta série, como a outras criações da época, é a falta de cuidado e proteção a adolescentes, assim como ao uso de suas imagens. Afinal, a identificação dos telespectadores também se dá pela representatividade, aceitação, e pelo rompimento de padrões estéticos, tão presentes nas ficções. April Pearson, que interpretou Michelle nas primeiras temporadas, e Laya Lewis, que deu vida a Liv nas últimas, </span><a href="https://metro.co.uk/2021/05/22/skins-april-pearson-and-laya-lewis-on-not-feeling-protected-during-sex-scenes-14626419/"><span style="font-weight: 400;">declararam recentemente</span></a><span style="font-weight: 400;"> a pressão para que o elenco feminino se encaixasse em um </span><a href="http://www.usp.br/aun/antigo/exibir.php?id=6340"><span style="font-weight: 400;">padrão de beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; essa que envolvia dietas restritivas e coerção psicológica.</span></p>
<figure id="attachment_27344" aria-describedby="caption-attachment-27344" style="width: 1392px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27344 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra o busto de dois personagens sentados lado a lado, conversando. Em primeiro plano, há um terceiro garoto, de costas. Em segundo plano, e à esquerda está Posh, personagem de Daniel Kaluuya. Daniel é um homem negro, de cabelo raspado, que usa um boné cinza de aba reta e uma camisa de baseball branca. Ele está rindo. Ao seu lado, à direita, está Maxxie, personagem de Mitch Hewer. Mitch é um homem branco, de olhos azuis, rosto fino e cabelos loiros e lisos, com uma franja que cai sobre os olhos. Ele usa uma camiseta branca com listras. Sobre a imagem, está escrito “Skins meant a f*ck-load to me as an experience”, fala de Daniel Kaluuya em entrevista." width="1392" height="884" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9.png 1392w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-800x508.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-1024x650.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-768x488.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-9-1200x762.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27344" class="wp-caption-text">“Skins significou pra car*lho para mim, como experiência” <a href="https://www.nme.com/features/daniel-kaluuya-interview-get-out-queen-and-slim-2605806">declarou o vencedor do Oscar, Daniel Kaluuya</a> (<a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/">Corra!</a>), que atuou na primeira temporada e, posteriormente, escreveu roteiros da série (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pearson e Lewis também criticaram a ausência de instruções e acompanhamentos durante cenas de sexo com </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/coreografo-do-sexo-o-que-faz-um-coordenador-de-intimidade-em-hollywood-28420"><span style="font-weight: 400;">coreógrafos de intimidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, função essencial para que atores sintam-se seguros e confortáveis nas cenas gravadas. As declarações foram dadas durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">de Pearson </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><a href="https://www.areyoumichellefromskins.co.uk/"><i><span style="font-weight: 400;">Are you Michelle, from Skins?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que ela diz que se sentia muito jovem e desprotegida. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O fato de que hoje em dia você tem um coordenador de intimidade, que é uma norma como parte de gravar cenas de nudez e cenas íntimas… Isso simplesmente não existia&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, completa a atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 2018 essa profissão se tornou fundamental em cena. É um cargo essencialmente feminino e ganhou força após o </span><a href="https://veja.abril.com.br/videos/veja-explica/voce-sabe-o-que-e-o-movimento-metoo-veja-explica/"><span style="font-weight: 400;">movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que diversas mulheres do meio artístico relataram casos de abusos, assédios e desconfortos enquanto trabalhavam. Algumas ações tomadas por essas coordenadoras incluem esvaziar o </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> em cenas íntimas, garantir que atores e atrizes possam se despir com privacidade e receber orientações técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_27342" aria-describedby="caption-attachment-27342" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27342 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10.jpg" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra os personagens Grace e Rich em primeiro plano, da cintura para cima. Grace é interpretada por Jessica Sula. Jessica é uma mulher negra, de cabelos cacheados, escuros e longos. Ela está de lado, virada para Rich e sua expressão é de confusão. Ela usa uma jaqueta jeans azul escura e carrega uma bolsa no ombro. Rich, à sua direita, é interpretado por Alexander Arnold. Ele é um homem branco, de cabelos lisos e castanhos que vão até seus ombros. Ele usa uma jaqueta de couro preta, tem fones apoiados no pescoço e está com uma expressão incomodada, com o olhar vidrado no chão e braços cruzados. Eles estão na rua, durante o dia. Atrás deles estão duas garotas desfocadas, em segundo plano." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-10-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27342" class="wp-caption-text">Mesmo que tenha sido apresentado apenas na quinta temporada, Rich (Alexander Arnold) tornou-se um dos personagens favoritos dos fãs da série (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira e última geração &#8211; que domina a quinta e sexta temporadas &#8211; é a </span><a href="http://www.boxpop.com.br/skins-a-delicada-3a-geracao/"><span style="font-weight: 400;">menos querida pela maioria dos fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela apresenta forte subjetivismo, angústia e drama amoroso, sem trazer de volta nenhum personagem já existente no universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo atores completamente novos. Aqui, destacam-se Mini (Freya Mavor), que rompe com o estereótipo da garota popular e mimada, e Alo (</span><a href="https://www.urgesite.com.br/2021/07/27/critica-um-classico-filme-de-terror-a-classic-horror-story/"><span style="font-weight: 400;">Will Merrick</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seu melhor amigo Rich, cujo visual </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">contrasta com a doce e graciosa Grace (</span><a href="https://br.ign.com/panic-amazon/89787/feature/panic-entrevista-elenco-serie-amazon-prime-video"><span style="font-weight: 400;">Jessica Sula</span></a><span style="font-weight: 400;">), por quem ele se apaixona. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também a novata e controversa Franky (Dakota Blue Richards), o caótico Matty (</span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/noticias/sebastian-de-souza-se-junta-a-elle-fanning-e-nicholas-hoult-no-elenco-de-the-great"><span style="font-weight: 400;">Sebastian de Souza</span></a><span style="font-weight: 400;">), Nick (</span><a href="https://ew.com/article/2015/02/05/reign-sean-teale/"><span style="font-weight: 400;">Sean Teale</span></a><span style="font-weight: 400;">) e a já citada Liv, interpretada por Lewis. A geração ainda apresentou o antagonista Luke, vivido por </span><a href="https://www.rollingstone.co.uk/tv/going-to-extremes-joe-cole-on-physical-acting-and-reluctant-fame-10425/"><span style="font-weight: 400;">Joe Cole</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/peaky-blinders-finale-81-minutos"><i><span style="font-weight: 400;">Peaky Blinders</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Por mais que a quinta temporada tenha um foco maior em discussões sobre sexualidade, conflitos entre amigos e família, e seja conhecida por ser mais tranquila e branda, sua sucessora conseguiu finalizar o legado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">com drama intenso. O casal Rich e Grace se consagrou como um dos mais sinceros e queridos da série, e o gosto amargo no fim se dá pelo desejo de um final feliz que não se estendeu a todos os amigos do grupo.</span></p>
<figure id="attachment_27345" aria-describedby="caption-attachment-27345" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27345 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11.png" alt="Fotografia da série Skins. A imagem mostra os personagens Mini e Alo, de mãos dadas. Alo está em primeiro plano, à esquerda, sentado em uma cadeira, e aparece com seu corpo estendido para trás, esticando seu braço esquerdo e olhando na mesma direção. Alo é interpretado por Will Merrick, um homem branco, ruivo, com cabelos curtos e ondulados. Ele está com uma camisa roxa de botões, sem mangas. Ele está olhando para a direção de Mini, que está em segundo plano, atrás dele e à direita. Ela está sentada em uma carteira escolar. Mini é interpretada por Freya Mavor. Freya é uma mulher branca, de cabelos loiros, cacheados e longos, que estão presos por um elástico e colocados de lado. Ela tem um rosto redondo e está usando uma blusa de frio azul clara. Ela segura a mão de Alo e o encara com uma expressão séria." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-11-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27345" class="wp-caption-text">Skins era repleta de amizades improváveis e relações críveis e doces (Foto: E4)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios especiais que marcam a sétima temporada da série, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins Redux,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram o futuro de Effy, Cassie e Cook, e são intitulados “</span><i><span style="font-weight: 400;">Fire</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pure</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">Rise</span></i><span style="font-weight: 400;">”, respectivamente. De início, eles tiveram aproximadamente duas horas de duração cada um. Agora, adaptados ao formato da série, todos se encontram no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">divididos entre parte 1 e 2. </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou o público e também as críticas, estando entre as favoritas de muitos, até os dias atuais. Contudo, foi durante as primeiras temporadas que ela venceu o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/bafta-2021-serie-sobre-racismo-lidera-indicacoes-ao-oscar-da-tv-britanica-56386"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melhor Série Dramática</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2008 e de </span><a href="https://www.bafta.org/television/awards/radio-time-audience-award-2016"><i><span style="font-weight: 400;">Audiência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2009.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas outras produções com foco no </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age,</span></i><span style="font-weight: 400;"> assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;">, desabrocharam a fim de continuar gerando representatividade para jovens no meio audiovisual. São esses, filmes e séries que abordam desafios e vivências de jovens prestes a encararem a vida adulta, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012) nos cinemas e, </span><a href="https://personaunesp.com.br/atypical-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atypical</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), </span><a href="https://personaunesp.com.br/young-royals-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Young Royals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca…</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Anne With an E</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) e as já citadas </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de muitas outras, que estão dominando os </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obras como essas ajudam jovens a crescerem conscientes de que não estão sozinhos e de que mais adolescentes enfrentam problemas similares aos seus. </span><i><span style="font-weight: 400;">Skins</span></i><span style="font-weight: 400;"> também demonstra como as trajetórias humanas são marcadas por fases passageiras e que, por mais assustador que alguns momentos possam parecer, eles não duram para sempre. No final das contas, a mensagem da série inglesa, após seus 15 anos, mantém-se a mesma: a vida é feita de inconstâncias e montanhas-russas, não só de momentos alegres ou tristes, e sim da mistura entre ambos. É isso que permite as memórias inesquecíveis, mas também o amadurecimento.</span></p>
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		<title>A Pior Pessoa do Mundo não é o que parece</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 15:08:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Em julho de 2021, uma personagem singular chamou a atenção no meio das estreladas atuações da 74ª edição do Festival de Cannes. A seleção de atrizes consideradas para o prêmio de interpretação feminina do maior festival de Cinema do mundo era composta por nomes como o de Agathe Rousselle, a força motriz do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Pior Pessoa do Mundo não é o que parece"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26818" aria-describedby="caption-attachment-26818" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie ocupa o lado esquerdo da imagem e olha para o lado direito. Ela veste um blazer preto em cima de uma blusa preta. Julie tem lágrimas nos olhos. Ao fundo, existe um céu azul com nuvens, e é o final de uma tarde. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26818" class="wp-caption-text">Depois de uma estreia premiada no Festival de Cannes 2021, A Pior Pessoa do Mundo chega em 2022 com duas indicações ao Oscar, nas categorias de Filme Internacional e Roteiro Original (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em julho de 2021, uma personagem singular chamou a atenção no meio das estreladas atuações da </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRkYiBwBqpj/"><span style="font-weight: 400;">74ª edição do Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">. A seleção de atrizes consideradas para o prêmio de interpretação feminina do maior festival de Cinema do mundo era composta por nomes como o de Agathe Rousselle, a força motriz do grandioso vencedor da </span><a href="https://personaunesp.com.br/titane-critica/"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tilda Swinton, a detentora de boa parte do </span><a href="https://personaunesp.com.br/memoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">prestígio do Júri</span></a><span style="font-weight: 400;"> presidido por Spike Lee, e Marion Cotillard, a protagonista da </span><a href="https://personaunesp.com.br/annette-critica/"><span style="font-weight: 400;">direção favorita</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos votantes do último ano. Mas quem terminou o dia 17/07/2021 premiada ante suas veteranas foi Renate Reinsve. Não era para menos, afinal. Ela é </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26817"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A hipérbole instigante denomina a personagem apenas de forma inicial e teórica, já que o filme de </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/joachim-trier-cinema-of-intimacy"><span style="font-weight: 400;">Joachim Trier</span></a><span style="font-weight: 400;"> não acontece como se seu protagonismo realmente fosse da figura invocada pelo seu título. Julie não cometeu nenhum crime hediondo, apenas vive a imperdoável consequência de não se encontrar no mundo do século 21. De faculdade em faculdade, emprego em emprego, relacionamento em relacionamento, a representante da </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">procura saciar aquele faminto vazio de quem ainda não entendeu o que realmente alimenta a sua existência. Assim, sem mais nem menos, a figura central de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se estabelece bem longe de sua própria apresentação, como o vetor dessa história ordinária narrada em esquetes, que organizam 12 capítulos, um prólogo e um epílogo de 4 anos da vida da personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo do título, então, se torna uma questão tão importante quanto o desenrolar da história de Julie. Para o bem e para o mal, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Worst Person in the World </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Verdens verste menneske</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) une seus questionamentos e suas respostas num tom de desafio que prende seu público do início ao fim. Durante seus 128 minutos, a produção norueguesa parece apreciar sua própria invocação de uma imagem negativa para si mesma, irresistível de tão genuinamente exagerada. E dentre todos os efeitos criados pela direção de Trier e seu roteiro dividido com </span><a href="https://www.screendaily.com/features/the-worst-person-in-the-world-duo-joachim-trier-and-eskil-vogt-on-their-writing-partnership-we-talk-more-about-life/5168478.article"><span style="font-weight: 400;">Eskil Vogt</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais forte é a completa despreocupação em atender às expectativas que ele mesmo criou para </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26819" aria-describedby="caption-attachment-26819" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26819" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie está ao centro da imagem, usa uma camisa branca e sua expressão é neutra, olhando para fora da imagem. Ela está sentada à mesa, e existe um bolo de aniversário cortado à sua frente, com velas de 30 anos. Julie está com as mãos sobre o bolo, pegando uma das frutas que decoram sua superfície. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26819" class="wp-caption-text">O filme é a última parte da chamada trilogia Oslo de Joachim Trier, a série de filmes em que o diretor reflete sobre a vida metropolitana contemporânea (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em concordância com a estrutura que o próprio filme escolheu para se construir, o seu entendimento parece pedir para ser realizado por partes, como forma de construir uma convergência de aspectos que por vezes são distintos demais uns dos outros. Não que outro caminho além desse fosse possível, considerando os elementos que nos são apresentados em tela: já no início, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> introduz sua protagonista em cortes rápidos e narrados em terceira pessoa, por uma mulher invisível e aparentemente mais velha, dublada por </span><a href="https://www.instagram.com/ine.jansen/"><span style="font-weight: 400;">Ine Jansen</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através deles, </span><a href="https://www.vogue.com/article/the-worst-person-in-the-world-renate-reinsve-interview"><span style="font-weight: 400;">Julie</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mostrada em suas aulas de medicina, como uma aluna exemplar que procura ali algum tipo de validação, depois em suas aulas de psicologia, quando ela decide que precisa estudar algo mais humanamente abstrato, e depois em suas sessões como fotógrafa, quando ela procura um rumo totalmente diferente para sua vida. Em algum lugar no meio disso, ela completa 30 anos, o que, ao invés de definir seus caminhos, acaba por aprofundar a sua crise de identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pedaços de história apresentados por Trier e Vogt seriam ‘apenas’ a força da expressão de uma narrativa </span><a href="https://www.seattletimes.com/entertainment/life-in-chapters-in-the-worst-person-in-the-world/"><span style="font-weight: 400;">essencialmente fragmentada</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas as ideias de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não correspondem aos seus fatos. Para além da estética, a linguagem do filme se mostra descuidada com os sentidos que expressa a partir do momento em que escolhe a forma como vai mostrar Julie para nós. Seus motivos sempre são ironicamente rasos, em função de conferir espaço para revelações que, segundo os criadores da narrativa, são muito mais importantes do que qualquer outra coisa sobre a mulher em crise que estamos conhecendo.</span></p>
<figure id="attachment_26820" aria-describedby="caption-attachment-26820" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26820 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie está ao centro, de perfil, virada para o lado direito, e usa um vestido preto de alças finas. Ela segura um cigarro na mão direita e olha para frente, para fora da imagem. Julie está num terraço e é de dia. Ao fundo, existe a paisagem da cidade de Oslo, mostrando um rio e alguns prédios." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26820" class="wp-caption-text">Na categoria que teve como última vencedora Emerald Fennell e o marco das palavras cortantes de Bela Vingança, a presença do roteiro de The Worst Person in the World faz pouco caso dos avanços conquistados pelas mulheres no Oscar ao longo dos últimos anos (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É que dentre tudo o que acontece nos altos e baixos da vida de Julie, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e prefere destacar, por exemplo, que ela se relacionava sexualmente com um professor da faculdade. Depois, o tempo do filme é utilizado para mostrar que ela também usava seus espaços de trabalho para romances escondidos. Aqui, ainda estamos no início, mas, como prometido, a estrutura episódica segue os percalços da vida de Julie pela ótica da dupla de roteiristas, que nunca consegue de fato encarar a personagem e a história que criou, numa espécie de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z_LND9SqV-g"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> <em>cult</em> &#8211; nem tão &#8211; disfarçado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, entre as idas e vindas e os muitos homens que vão envolver a história da protagonista, a superficialidade narrativa só se agrava: o segredo mais profundo que Julie pode relevar? Também tem a ver com sexo. A sua cena mais celebrada e repercutida? Também se restringe à sua vida amorosa. E quando ela chega em um de seus auges, desencadeado pela publicação e repercussão de um artigo intitulado “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sexo Oral na Era do #MeToo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, Trier não faz nada além de aproveitar sua personagem para bradar suas próprias concepções de gênero e sexo para mulheres num sarcasmo de </span><a href="https://www.dn.pt/vida-e-futuro/um-ano-de-metoo-quem-sao-as-mulheres-que-comecaram-uma-nova-era-9939912.html"><span style="font-weight: 400;">muito mal gosto</span></a><span style="font-weight: 400;">. O impacto disso para Julie e o efeito em sua vida profissional e/ou intelectual? Nada disso é caro ao filme como o seu histórico de relacionamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na monotonia do dia a dia contemporâneo de Julie, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não consegue encontrar nenhum espaço para aprofundar as razões de tamanho deslocamento de sua personagem. Desdenhando &#8211; e vamos chamar assim para não dizer outra coisa &#8211; a substância promissora de seu desenrolar prometido, o texto indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> integra uma temporada não muito boa para os roteiros originais que hoje ocupam o lugar consagrado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021.</span></p>
<figure id="attachment_26822" aria-describedby="caption-attachment-26822" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26822 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-scaled.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie usa um vestido verde escuro e está suspensa no ar, caindo sobre um tapete vermelho. Ela tem expressão assustada." width="2560" height="1311" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-800x410.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-1024x524.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-768x393.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-1536x786.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-2048x1049.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-4-1200x614.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26822" class="wp-caption-text">A Pior Pessoa do Mundo é o segundo filme de Renate Reinsve, atriz que estreou nos cinemas em 2011 com Oslo, August 31st, também de Joachim Trier e segunda parte de sua trilogia (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonismo de Julie é inquestionável, mas o problema é, justamente, seu isolamento do mundo. Ela tem interesses artísticos, sociais, culturais e políticos, mas o filme a mostra como uma mulher desligada do que acontece ao seu redor. Ora, na complexidade dos </span><a href="https://emais.estadao.com.br/blogs/ser-mae/estamos-criando-uma-geracao-de-alienados-afirma-psicologo-do-hc/"><span style="font-weight: 400;">anos 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa poderia muito bem ser a característica dominante da tal pior pessoa do mundo, mas Julie simplesmente não é. E para um filme que tem marcações geracionais tão importantes &#8211; para além do tedioso conflito </span><a href="https://radios.ebc.com.br/tarde-nacional/2021/06/millennials-x-geracao-z-saiba-a-diferenca-entre-mico-x-cringe"><span style="font-weight: 400;">Geração X vs. </span><i><span style="font-weight: 400;">Millennials</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde o diretor insiste em investir &#8211; e valoriza tanto a dimensão material &#8211; num olhar muito válido para a modernidade da cidade de Oslo -, a questão se mostra um defeito de roteiro pouco perceptível, mas imperdoável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de trabalhar sua protagonista, a energia pretensiosa do texto &#8211; indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022, repito &#8211; sacia suas próprias expectativas em momentos óbvios e idealizadamente roteirizados. Desde os clichês que saem da boca de seus homens com teor de sátira mas sem o menor aproveitamento crítico (“</span><i><span style="font-weight: 400;">queria que você pudesse ver o quão maravilhosa você é</span></i><span style="font-weight: 400;">” e variantes), até a ausência de amizades no círculo de Julie, passando pelas demais personagens femininas ironizadas e terminando nos dois relacionamentos heterossexuais que predominam na história, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não disfarça </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-front-row/the-worst-person-in-the-world-is-a-sham-except-for-its-lead-performance"><span style="font-weight: 400;">o desinteresse</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tem pela sua personagem principal e seu potencial perfeitamente identificável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/joachim-trier-renate-reinsve-foi-o-melhor-que-nos-aconteceu-14581107.html"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantém um profundo e devido respeito pela sua personagem. A atriz, nomeada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> depois de premiada pelo festival francês, sabe muito bem que o problema não é com ela.  Para isso, basta observar a expressão naturalmente entediada e eminentemente espontânea de Julie &#8211; e vale lembrar, boa parte de seu tempo é tomado pelos seus relacionamentos. De forma potencialmente metalinguística (desperdiçada pelo desinteresse do roteiro), ela é, como suas próprias palavras a definem, uma </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/04/style/renate-reinsve-worst-person-in-the-world.html"><span style="font-weight: 400;">coadjuvante da própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, confiando à Reinsve o difícil mas gratificante trabalho de viver uma protagonista nesse contexto. </span></p>
<figure id="attachment_26823" aria-describedby="caption-attachment-26823" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26823 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-5.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve, no último banco de um ônibus. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie usa uma blusa cinza e está do lado direito da foto, descansando a cabeça nos ombros de Aksel, interpretado por Anders Danielsen Lie, um homem branco, de cabelos loiros e olhos azuis. Ele está do lado esquerdo, com expressão serena. É um fim de tarde e a imagem é levemente escurecida." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26823" class="wp-caption-text">A dinâmica do relacionamento de Julie e Aksel pode lembrar vagamente a do casal que protagoniza <a href="https://personaunesp.com.br/bergman-island-critica/">Bergman Island</a> &#8211; mas sem ao menos um terço do aprofundamento que Mia Hansen-Løve traz para os seus personagens (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, os momentos mais interessantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> acontecem quando a personagem de Julie ensaia um aprofundamento e autoanálise pessoal, quase sempre motivada por embates que trava com as outras esferas de sua vida. </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/03/movies/the-worst-person-in-the-world-review.html"><span style="font-weight: 400;">O movimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, nunca se completa, e aí, a personagem entra em mais um dos capítulos contaminados pela mesmice &#8211; e sempre permeados por homens. Por falar neles, os personagens masculinos (curiosamente) são interpretações que também procuram elevar o filme quando presos em sua própria mediocridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eivind (</span><a href="https://www.instagram.com/herbertnordrum/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Herbert Nordrum</span></a><span style="font-weight: 400;">), que toma a paixão de Julie a partir da segunda metade do filme, conversa harmoniosamente com a presença magnética da personagem de Reinsve, mas também é vítima do desinteresse de Trier e Vogt. O único minimamente trabalhado é Aksel (</span><a href="https://www.instagram.com/lieande/"><span style="font-weight: 400;">Anders Danielsen Lie</span></a><span style="font-weight: 400;">), um quadrinista pelo menos 10 anos mais velho que a Julie. Como seu principal e primeiro relacionamento, ele já introduz boa parte dos conflitos da personagem, com quem conserva muitas divergências sobre futuro e visões de vida. Sem ser aproveitado para o desenvolvimento da protagonista, ele ainda é presenteado com um fim mais digno que o dela &#8211; e se o próprio filme não explica, </span><a href="https://english.elpais.com/culture/2022-03-17/joachim-trier-the-monogamous-are-the-real-romantic-heroes-of-our-time.html"><span style="font-weight: 400;">as projeções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor sim. </span></p>
<figure id="attachment_26824" aria-describedby="caption-attachment-26824" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26824 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-in-the-world-20212597.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve, no lado esquerdo, através do espelho de um banheiro. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Julie usa um vestido preto de alcinhas e está sorrindo, olhando para o lado inferior direito da foto, de lado. Lá, está Eivind, personagem de Herbert Nordrum. Ele é um homem branco, de cabelos loiros, e usa um terno preto. Ele olha para baixo, e está urinando." width="1200" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-in-the-world-20212597.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-in-the-world-20212597-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-in-the-world-20212597-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-in-the-world-20212597-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26824" class="wp-caption-text">Mas nem todo homem: em 2012, Noah Baumbach enfrentou a mesma empreitada de retratar a vida efervescente de uma jovem mulher com muito sucesso em Frances Ha &#8211; confiando, claro, nas mãos magistrais de Greta Gerwig no roteiro (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco não está sozinho em sua missão, e outros aspectos do filme parecem buscar esse algo além que o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é capaz de entregar. O destaque vai para a </span><a href="https://www.cinematography.world/dp-kasper-tuxen-dff-lenses-a-modern-day-love-story-on-35mm-for-joachim-triers-2021-cannes-contender-the-worst-person-in-the-world/"><span style="font-weight: 400;">cinematografia de Kasper Tuxen</span></a><span style="font-weight: 400;">, que define as duas fases principais de Julie como forma de traçar alguma evolução narrativa. Primeiro, ele trabalha com os focos, manifestando no visual a passagem borrada de Julie no mundo. Depois, quando ela vivencia algumas mudanças na tentativa de assumir uma posição mais ativa em sua vida, as câmeras a acompanham, notando com atenção a sua movimentação entre as pessoas e como ela afeta os elementos ao seu redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas de volta às palavras, nem tudo está perdido. A comédia ácida de Trier é sim capaz de gerar alguns risos genuínos no meio de seus muitos tons errados, e quando ela se direciona para a classe média metropolitana lidando com a pós-modernidade, encontra o sucesso mais notável. Por pouco, no entanto, o pequeno acerto não se transforma em mais um dos erros crassos do filme, quando ele beira a satirização completa de movimentos sociais e ambientais e desenha uma crítica errônea ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SdXBbkwtNG8"><span style="font-weight: 400;">identitarismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir da coadjuvante de </span><a href="https://www.mandy.com/aa/a/maria-grazia-di-meo"><span style="font-weight: 400;">Maria Grazia Di Meo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento, quase insignificante para a narrativa principal (assim como boa parte do resto do filme) mas muito importante para a compreensão do longa, também acaba por resolver uma questão que pode permear as avaliações de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo da história, os seus problemas podem se revelar como exclusivos ao roteiro, já que a direção de Joachim Trier conduz muito bem o resto dos elementos do filme, de maneira geral. Mas nos momentos mais críticos de uma narrativa fundamentalmente reflexiva, o rumo é perdido, novamente, nas </span><a href="https://www.screendaily.com/features/the-worst-person-in-the-world-duo-joachim-trier-and-eskil-vogt-on-their-writing-partnership-we-talk-more-about-life/5168478.article"><span style="font-weight: 400;">próprias concepções</span></a> do diretor<span style="font-weight: 400;">, que atrapalham o crescimento de sua história no mesmo movimento problemático identificado no texto. </span></p>
<figure id="attachment_26825" aria-describedby="caption-attachment-26825" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26825 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/pic-1-1.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos, presos num rabo baixo e usa uma franja sob a testa. Ela aparece ao centro, mas de perfil, virada para o lado direito e olhando para baixo. Ao fundo, existe um pôr do sol nublado em tom de lilás, que ocupa a maior parte da imagem." width="1200" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/pic-1-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/pic-1-1-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/pic-1-1-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/pic-1-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26825" class="wp-caption-text">Na segunda categoria em que é indicado ao Oscar 2022, o filme também ocupa um lugar ingrato, considerando que as seleções para Melhor Filme Internacional dos últimos anos destacaram brilhantes produções realizadas por mulheres sobre os mais diversos temas (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não teria como ser diferente: no meio do filme, Julie desabafa que às vezes “</span><i><span style="font-weight: 400;">só queria sentir as coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">” ao invés de sempre precisar se explicar, justamente num filme que não a olha nos olhos para compreender sua dimensão emocional &#8211; e sequer a justifica. É por isso que quando ela ouve que é</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma pessoa muito boa</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; nos 20 minutos finais, o fracasso narrativo acaba de se consolidar. Afinal, já é óbvio que a ideia invocada pelo título não diz respeito a um juízo de valor grosseiro, mas sim sobre a forma como nos sentimos diante das incertezas e infortúnios da vida. Mas questões importantes para o desenvolvimento dessa perspectiva, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem é Julie, afinal?</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que faz alguém melhor ou pior?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, são atraentes apenas para o título, retiradas do enredo a fim de não perturbar a </span><a href="https://english.elpais.com/culture/2022-03-17/joachim-trier-the-monogamous-are-the-real-romantic-heroes-of-our-time.html"><span style="font-weight: 400;">epopeia autocentrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Trier. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É de se questionar, inclusive, o porque um diretor escolhe justamente </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/oscar-2020-muito-branco-muito-masculino/a-52290543"><span style="font-weight: 400;">a figura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma mulher jovem para protagonizar uma história que invoca “a pior pessoa do mundo” a partir de uma motivação egocêntrica. Aqui está o crime hediondo: moldar uma personagem às próprias convenções para colocá-la como ré de um julgamento moral sem direito à uma defesa justa. Julie continua longe de corresponder ao filme e nós continuamos longe de qualquer conclusão sobre ele ou sobre ela, numa sensação nada bem-vinda à categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, responsável por sempre nos revelar as melhores obras da questionável seleção da Academia.</span></p>
<figure id="attachment_26826" aria-describedby="caption-attachment-26826" style="width: 2003px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26826 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7.jpg" alt="Cena do filme A Pior Pessoa do Mundo. A imagem mostra a personagem principal, Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma mulher branca, de olhos e cabelos castanhos soltos e usa uma franja sob a testa. Julie veste uma camisa preta e está correndo por uma rua, sorrindo. É de dia, e atrás dela existem carros, árvores e outros pedestres." width="2003" height="1382" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7.jpg 2003w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7-800x552.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7-1024x707.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7-768x530.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7-1536x1060.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-worst-person-a-pior-pessoa-do-mundo-7-1200x828.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26826" class="wp-caption-text">Nos momentos finais, a trilha sonora do filme empresta as palavras de Tom Jobim e Elis Regina para testificar a “<a href="https://www.thegoldentake.com/the-worst-person-in-the-world-critica-filmes-cinema/">promessa de vida</a>” que existe no coração de Julie (Foto: MK2 Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória de Julie tem suas conclusões livremente sutis, mas depois de tentar chegar até lá durante quatro anos retratados em duas horas, é evidente que sua </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-026X2005000200007"><span style="font-weight: 400;">autonomia</span></a><span style="font-weight: 400;"> não virá de quem a criou e que sua autopercepção não será desvinculada da visão de seu criador. Assim, também não é difícil de entender porque o filme foi escolhido para a notabilidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao invés de obras que alcançaram o mesmo &#8211; quando não mais &#8211; clamor naquela mesma época de festivais de 2021, seguindo dentre as seleções de melhores filmes do ano até 2022. Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda é a ideia que um homem tem de uma mulher &#8211; e se tem algo que se aproxima verdadeiramente de uma concepção da tal pior pessoa do mundo, é isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Pior Pessoa do Mundo | Trailer legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BNq3BRowSDk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Identidade: quanto vale o pertencimento?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 16:29:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por Passing – traduzido no Brasil como Identidade – com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/identidade-passing-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Identidade: quanto vale o pertencimento?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26407" aria-describedby="caption-attachment-26407" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26407 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparecem os rostos das personagens Irene Redfield, interpretada por Tessa Thompson, e ao seu lado Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga. A fotografia é em preto e branco e as duas estão de perfil, Irene usa um chapéu com tons escuros e Clare usa um com cores claras, ao fundo a comunidade do Harlem aparece embaçada. " width="770" height="578" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26407" class="wp-caption-text">Identidade foi lançado pela Netflix em 2021 e marca a estreia de Rebecca Hall como diretora (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">– traduzido no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade </span></i><span style="font-weight: 400;">– com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro de 2021 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado do quanto a sua própria pele pode ser sufocante em uma sociedade estruturada pelo racismo. O filme é a adaptação audiovisual do </span><a href="http://ovelhamag.com/ultrapassando-os-limites-da-cor/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/negra-que-se-passa-por-branca-move-as-tensoes-do-romance-identidade.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nella Larsen</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é também o trabalho de estreia da atriz </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/30/1059824073/passing-rebecca-hall-film#:~:text=Music%20Of%202021-,'Passing'%20filmmaker%20Rebecca%20Hall%20shares%20the%20personal%20story%20behind%20her,mother%20also%20passed%20as%20white."><span style="font-weight: 400;">Rebecca Hall</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora.</span></p>
<p><span id="more-26406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada na Nova York de 1929, a produção nos coloca entre a dualidade de Irene Redfield (</span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/tessa-thompson-passing-subtext-viva-maude-1235099237/"><span style="font-weight: 400;">Tessa Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Clare Bellew (</span><a href="https://stylecaster.com/ruth-negga-passing/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Negga</span></a><span style="font-weight: 400;">), duas amigas de infância que se reencontram de maneira inesperada em uma parte da cidade dominada pela elite branca. O que Irene não esperava é que esse momento nostálgico vem acompanhado de uma mentira: a amiga tem apagado sua própria identidade e </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/18/internas_opiniao,873201/ancestralidade-africana-e-apropriacao-cultural.shtml"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto finge ser uma mulher branca. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Passing | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/trwq3CNCMkU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais aparente que seja a felicidade de Clare por desviar da discriminação e </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/exclusao-social-do-negro-nao-pode-ser-ignorada-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">exclusão social</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso tira dela o que realmente a faz feliz, sua </span><a href="https://racismoambiental.net.br/2020/04/23/a-cultura-negra-para-alem-da-escravidao/"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto frequenta os melhores hotéis, bebe os champagnes mais caros e faz viagens pelo país, ela vive de modo artificial, e encontrar Irene revela um íntimo misto de esperança e tentação. Deslumbrada com a possibilidade de recuperar o tempo perdido longe das </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-destruicao-do-harlem/"><span style="font-weight: 400;">comunidades negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a se inserir na vida de Irene de forma transgressora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade marcante de Clare é perfeitamente moldada por Ruth Negga, que carrega em cada gesto a singularidade da personagem, sua postura e risada sempre extrovertidas revelam o quanto passar tantos anos vivendo como uma pessoa branca deram a ela uma confiança inabalável. Amparada por uma falsa segurança, ela afirma o que há de audacioso em si na circunstância de ser vista como parte de um privilégio em que a opressão nunca sequer foi uma possibilidade. Irene contraria esse comportamento – ainda que, coragem e confiança fossem características fortes dentro dos </span><a href="https://www.politize.com.br/movimento-negro/"><span style="font-weight: 400;">movimentos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">– quando está em espaços intolerantes, anda com a cabeça baixa e faz gestos suaves e comedidos. Mesmo com a capacidade de se passar como branca, ela transborda um </span><a href="https://revistaperiferias.org/materia/que-se-afaste-o-medo/"><span style="font-weight: 400;">medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tessa Thompson sabe traduzir de maneira impecável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a escolha de uma fotografia (responsabilidade de Eduard Grau) em formato quadrado e em </span><a href="https://screenrant.com/passing-movie-black-white-cinematography-story-why/"><span style="font-weight: 400;">preto e branco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de arte nos leva a uma verdadeira viagem no tempo e, em paralelo, concretiza as sensações de tensão e angústia que permeiam a narrativa. Os tons de cinza, preto e branco conferem aos personagens contrastes únicos e bastante simbólicos, as protagonistas aparecem em tons claros, o que reforça a questão da </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2021/06/a-passabilidade-e-a-politica-de-embranquecimento/"><span style="font-weight: 400;">passabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capacidade de camuflagem dentro da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_26408" aria-describedby="caption-attachment-26408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na fotografia aparecem os personagens Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga, e ao lado direito da imagem o marido, John Bellew, interpretado por Alexander Skarsgård. A cena é em preto e branco, ela aparece com os cabelos soltos e expressa um sorriso, ele está com os cabelos penteados para trás e usa uma barba curta. " width="800" height="519" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2.-768x498.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26408" class="wp-caption-text">O filme foi lançado durante o Festival de Sundance de 2021, e logo na sequência adquirido para distribuição pela Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica da casa da família Redfield no </span><a href="https://amsterdamnews.com/news/2021/11/11/passing-brings-harlem-in-the-20s-to-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Harlem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muda após a chegada de Clare e traz à tona sensações de desconforto em Irene, que aos poucos começa a se incomodar com os sentimentos dos filhos e do marido Brian Redfield (</span><a href="https://www.instyle.com/celebrity/andre-holland-interview-passing-2021"><span style="font-weight: 400;">Andre Holland</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação a amiga. Como a própria Clare diz em um certo ponto do longa, ela faria de tudo para recuperar o que perdeu e isso dá a entender que roubar a vida de Irene para si é uma possibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o enredo deixe a </span><a href="https://www.pondoascartasnamesa.com/post/rivalidade-feminina-quem-ganha-com-isso"><span style="font-weight: 400;">rivalidade feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre elas em foco na história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba desencadeando em suas entrelinhas a interpretação de que a relação delas poderia ser mais que apenas amizade. Os olhares e a inquietação presente nas cenas em que as duas interagem, deixam no ar a possibilidade de uma </span><a href="https://divamag.co.uk/2021/11/12/review-passing-netflix/"><span style="font-weight: 400;">atração romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A hipótese parece ainda mais viável quando em um diálogo com o amigo Hugh (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bill Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">), Irene fala sobre o efeito de curiosidade que Clare causava nas pessoas.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que a palavra passabilidade é sobre a capacidade de se encaixar em uma identidade diferente da originária, tanto o título original quanto o traduzido adquirem um significado ideal para a trama e todas as suas possibilidades. Da vida falsa que Clare leva a todas as camadas que Irene esconde, elas se passam, e misturadas ao preto e branco da tela se encontram em seus tons de cinza em comum. A leitura de terceiros e o que enxergam nas personagens não as faz menos pertencentes à racialidade negra, ainda assim, as coloca em uma posição em que partilham de vivências carregadas de incertezas sobre si mesmas. </span></p>
<figure id="attachment_26409" aria-describedby="caption-attachment-26409" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Identidade. Na imagem aparecem as atrizes Ruth Negga e Tessa Thompson e a diretora Rebecca Hall. As três estão no cenário do café, Ruth é uma mulher negra e veste um vestido rosa e um sobretudo preto, Tessa é uma mulher negra e usa um vestido cinza e um chapéu bege, Rebecca é uma mulher de pele branca e veste um moletom vinho e uma saia preta. É possível ver o microfone e plantas ao fundo da foto. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26409" class="wp-caption-text"><i>Rebecca Hall </i><a href="https://www.rogerebert.com/chazs-blog/passing-director-rebecca-hall-learns-the-truth-of-her-family-history-on-finding-your-roots"><i>contou</i></a><i> que escolheu produzir, escrever e dirigir Identidade por causa de suas raízes afro-americanas (Foto: Netflix)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao racismo, este poucas vezes precisa ser dito em palavras para fazer parte do contexto, com comportamentos de personagens secundários e diálogos rápidos a história revela o quanto a </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/01/internacional/1478010009_616978.html"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos construiu uma vivencia temerária para a população negra. Os espaços ainda inacessíveis para os afrodescendentes e os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160110_eua_segregacao_fn"><span style="font-weight: 400;">bairros</span></a><span style="font-weight: 400;"> habitados exclusivamente por um grupo racial mostram o preconceito como uma parte natural da vida norte-americana. Além disso, brancos dizerem abertamente que odiavam pessoas negras era normalizado, e é algo que o próprio marido de Clare declara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da discriminação, Irene se mostra totalmente alheia ao estado político e social alarmante em que vive, talvez por estar em um estado de apatia em que imagina que o máximo que pode acontecer é ser chamada pela </span><a href="https://www.efigenias.com.br/2010/10/n-word-o-que-e-afinal.html"><i><span style="font-weight: 400;">n-word</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Brian contraria esse comportamento e se mostra muito preocupado com a segurança da família, mas toda vez que tenta contar aos filhos sobre as mortes e torturas, é cortado por Irene e seu ideal de que proteger as crianças é omitir o que acontece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto presente na trama que chama atenção, é a relação da senhora Redfield com a empregada de sua casa. Quase todas as interações entre elas são ordens em cenas que sempre vêm acompanhadas de um serviço doméstico. O foco da filmagem nesses momentos, inconscientemente nos leva a questionar sobre a desigualdade existente dentro das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Zu (Ashley Ware Jenkins) é uma mulher retinta que está em um lugar de menos oportunidades em relação à pessoas negras de pele clara, essa perspectiva evidencia a disparidade inserida nos grupos minoritários e a habitualidade que coloca pessoas mais distantes das camadas dominantes proporcionalmente distantes da ascensão e aceitação social.</span></p>
<figure id="attachment_26410" aria-describedby="caption-attachment-26410" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparece Irene parada em frente a um ônibus, a  fotografia é em preto e branco. A personagem usa um chapéu e uma blusa de manga três quartos em tons claros, usa uma bolsa de mão e um colar de contas e segura sacolas de compras. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26410" class="wp-caption-text">“É fácil para um negro se passar por branco, não tenho certeza se seria simples um branco se passar por negro” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que era esperado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi esnobado pelo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60303561"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: a expectativa era a de que Tessa e Ruth recebessem indicações de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Entretanto, a presença do filme não foi esquecida por outras premiações. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021, recebeu cinco nomeações, assim como apareceu na lista de vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano. No </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Sindicato dos Atores), Negga foi lembrada, assim como no Globo de Ouro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">também apareceu nas listas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, premiação independente mais importante dos EUA, e Negga venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante</span><span style="font-weight: 400;">. Rebecca Hall ainda apareceu na prestigiosa lista do Sindicato dos Diretores, na categoria de Estreante.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandona a ideia de uma narrativa impetuosa e direta e escolhe retratar a temática racial com suavidade, constituindo uma atmosfera que carrega muito de si dentro das entrelinhas e permite uma pluralidade de percepções admirável. Ao ser desenvolvida um momento temporal que ao mesmo tempo nos parece tão distante e – infelizmente – tão próximo, a produção abraça uma reflexão sobre </span><a href="https://cienciahoje.org.br/artigo/a-relacao-entre-branquitude-e-privilegio/"><span style="font-weight: 400;">privilégios</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.politize.com.br/colorismo/"><span style="font-weight: 400;">colorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/a-descoberta-da-negritude/"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a obra cumpre seu propósito de uma maneira muito bem aplicada enquanto passa longe de reconfortante, aliás, é aflita. A ausência de uma abordagem enérgica faz com que, como na vida, não consigamos julgar as atitudes dos personagens de forma extrema ou bem definida, afinal, cada um tem suas razões e não há como simplesmente escancarar o que é certo ou não. Ao fim, entre sobreviver pela metade ou viver inteiro e acompanhado pelo medo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, nenhuma das opções parece contemplar o mínimo de justiça.</span></p>
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		<title>Cineclube Persona – Novembro de 2021</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2021 21:14:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se outubro foi um mês marcado por produções macabras e o clima sombrio e festivo de Halloween, novembro é uma volta à normalidade relativa, com várias obras para apetecer qualquer tipo de gosto. Conforme os grandes lançamentos chegam para começar a campanha para a próxima temporada de premiações, o Persona está aqui para recapitular os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cineclube-persona-novembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cineclube Persona – Novembro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25273" aria-describedby="caption-attachment-25273" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25273 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cineclube-wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cineclube-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cineclube-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cineclube-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25273" class="wp-caption-text">Destaques de Novembro de 2021: 7 Prisioneiros, Arcane, tick, tick&#8230; BOOM! e Eternos (Foto: Reprodução/Arte: Herinque Marinhos/Texto de Abertura: Gabriel Oliveira F. Arruda)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se outubro foi um mês marcado por produções macabras e o clima sombrio e festivo de </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVtG33srVV3/"><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></a><span style="font-weight: 400;">, novembro é uma volta à normalidade relativa, com várias obras para apetecer qualquer tipo de gosto. Conforme os grandes lançamentos chegam para começar a campanha para a próxima temporada de premiações, o Persona está aqui para recapitular os destaques mais importantes do mês no Cinema e na TV através do Cineclube de Novembro.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eternos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">chegou no início do mês para bagunçar a fórmula da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sob a direção íntima e minimalista da vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> Chloé Zhao, o longa introduz no </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma família disfuncional de seres imortais, deuses celestiais zangados e até mesmo um certo </span><a href="https://screenrant.com/eternals-postcredits-blade-movie-mahershala-ali-mcu-future/"><span style="font-weight: 400;">caçador de vampiros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outra família superpoderosa que deu as caras foram os Madrigal, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zRMicKd9IH8"><i><span style="font-weight: 400;">Encanto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a nova animação musical da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> com canções de Lin-Manuel Miranda, que realmente nos encantou com sua narrativa sensível e emocionante. A mente por trás de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também explodiu com o musical </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gOSGZGdp0lI"><i><span style="font-weight: 400;">tick, tick… BOOM!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual ele fez sua estreia na direção cinematográfica, contando a história do compositor </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/11/tick-tick-boom-a-historia-real-de-jonathan-larson"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Larson</span></a><span style="font-weight: 400;">, vivido por um Andrew Garfield estonteante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuando no mundo dos musicais, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lhuGbzQn2mk"><i><span style="font-weight: 400;">Querido Evan Hansen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entregou uma adaptação decente de seu enredo premiado e controverso, mas não fez nada para revisar sua mensagem problemática e seus números estáticos. Por outro lado, </span><a href="https://personaunesp.com.br/annette-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o musical experimental de Leos Carax (que lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRkYiBwBqpj/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">), deu as caras no Brasil por meio da </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> entregando um Adam Driver </span><a href="https://cultmtl.com/2021/08/annette-brings-toxic-masculinity-to-the-musical-rom-com-leos-carax-adam-driver-marion-cotillard-sparks/"><span style="font-weight: 400;">lindo e homicida</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De Cannes, também veio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DW5wOtLSfPs"><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/11/4961797-nao-queria-causar-diz-diretor-de-filme-em-que-freiras-se-masturbam.html"><span style="font-weight: 400;">polêmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Paul Verhoeven que conta sobre o caso de amor lésbico entre duas freiras italianas. E se teve algo que não faltou em novembro, foi </span><a href="https://www.news9live.com/entertainment/hollywood/adam-drivers-virtual-fame-has-transcended-his-films-138617"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;">: o ator estrelou duas produções de Ridley Scott: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sm7vofMwXwg"><i><span style="font-weight: 400;">O Último Duelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um épico medieval sob a perspectiva de uma mulher tentando recuperar sua própria voz, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g1Ud5HJXb50"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta com Lady Gaga claramente à procura de um </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-161401/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por seu sotaque no papel da matriarca da família por trás da luxuosa marca italiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras atuações notáveis em cinebiografias que tivemos esse mês foram Jessica Chastain, carregada de </span><a href="https://epipoca.com.br/atriz-esclarece-polemica-sobre-maquiagem-ter-destruido-sua-pele/"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel da televangelista titular em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMMLRnXPPJk"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Kristen Stewart, no aclamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yS1oP3VaXQA"><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dando sua voz singular à Princesa Diana na fábula do diretor Pablo Larraín. No bem humorado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xzDr_tbL-es"><i><span style="font-weight: 400;">The Electrical Life of Louis Wain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Benedict Cumberbatch interpreta um artista atormentado com seu já característico charme inusitado, enquanto Will Smith dá as caras em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-FrpNB6Lz24"><i><span style="font-weight: 400;">King Richard: Criando Campeãs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado no </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> americano, onde faz o pai e treinador das irmãs Williams.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os maiores lançamentos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, brilhou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5JQuYpBZarc"><i><span style="font-weight: 400;">Alerta Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mais caro já produzido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, responsável por juntar Dwayne “The Rock” Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot em uma trama de roubo formulaica. A comédia romântica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bxfzkbUFlwU"><i><span style="font-weight: 400;">Um Match Surpresa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">veio para romantizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">catfishing</span></i><span style="font-weight: 400;"> e faz pouco além disso, mas o aguardado e sangrento </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=7jIHmsANzgs"><i><span style="font-weight: 400;">Vingança &amp; Castigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revitaliza o gênero e reúne um elenco de peso marcado por nomes como Regina King, Idris Elba e Lakeith Stanfield.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Cinema nacional, não podemos deixar de falar de </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro filme dirigido por Wagner Moura que na verdade estreou em 2019 no Festival de Berlim, onde foi </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/filme-marighella-de-wagner-moura-estreia-sob-aplausos-em-berlim.shtml"><span style="font-weight: 400;">ovacionado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pé. Por conta da pandemia e até mesmo </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/11/08/artigo-exibicao-de-marighella-nos-cinemas-e-uma-vitoria-contra-a-censura-e-deve-ser-celebrada"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele só foi lançado nas salas de cinema brasileiras e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> em novembro deste ano, contando a história dos últimos anos do deputado e ex-guerrilheiro Carlos Marighella (interpretado por Seu Jorge). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também no âmbito das produções brasileiras, o longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mr2vNNe-qk8"><i><span style="font-weight: 400;">7 Prisioneiros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, antes cotado para representar o Brasil na disputa pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, logo se tornou um dos filmes em língua não-inglesa mais vistos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Num suspense brutal que escancara as realidades sociais do trabalho escravo no Brasil, a produção de Alexandre Moratto conta com Rodrigo Santoro e Christian Malheiros em seu elenco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estreia de Halle Berry na </span><a href="https://variety.com/2020/film/news/halle-berry-bruised-directing-toronto-film-festival-1234762255/"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o brutal </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bugSLvZgfh8"><i><span style="font-weight: 400;">Bruised</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> só foi efetivamente lançada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> esse mês, após ter estreado no Festival de Toronto no ano passado. Além dela, Rebecca Hall também faz sua </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/30/1059824073/passing-rebecca-hall-film"><span style="font-weight: 400;">estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás das câmeras com o drama </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=trwq3CNCMkU"><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelado por Tessa Thompson e Ruth Negga, que traz uma das surpresas mais positivas da plataforma este ano. Enquanto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Finch</span></i><span style="font-weight: 400;"> cimenta a </span><a href="https://istoe.com.br/finch-com-tom-hanks-se-torna-filme-mais-assistido-na-apple-tv/"><span style="font-weight: 400;">parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Tom Hanks e </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um longa pós-apocalíptico dirigido por Miguel Sapochnik, conhecido por comandar alguns dos episódios mais badalados de </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dp3Whb77eXc"><i><span style="font-weight: 400;">The Humans</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se faz de base para o novo drama da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, que comove ao revelar a empatia entre as personagens e a audiência, com um elenco encabeçado por Steven Yeun e Beanie Feldstein. Para aqueles que procuravam diversão para a família toda, a adaptação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mT5niq0-D6M"><i><span style="font-weight: 400;">Clifford, o Gigante Cão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> veio para comemorar o espírito natalino em </span><i><span style="font-weight: 400;">grande </span></i><span style="font-weight: 400;">estilo. Da mesma forma, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P0Ze_tGV-RU"><i><span style="font-weight: 400;">Ghostbusters: Mais Além</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ressuscita a franquia clássica do Cinema através da introdução de uma nova geração de caça-fantasmas, dessa vez sob a tutela de Paul Rudd.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto com o lançamento de </span><a href="https://open.spotify.com/album/6kZ42qRrzov54LcAk4onW9?si=48zb4p-QSYG8gwYdi6NOow"><i><span style="font-weight: 400;">Red (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Taylor Swift também fez sua estreia na direção com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tollGa3S0o8"><i><span style="font-weight: 400;">All Too Well: The Short Film</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta inspirado no seu </span><a href="https://tracklist.com.br/jake-gyllenhaal-taylor-swift-all-too-well/121791"><span style="font-weight: 400;">relacionamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ator Jake Gyllenhaal e marcado por mágoas que inspiraram o disco &#8211; e sua regravação. Também tratando de relacionamentos nem tão saudáveis regados por música boa, o britânico Edgar Wright retorna para a direção com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P0SPVsmWT_0"><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma viagem psicodélica e intoxicante por uma das partes mais famosas e sinistras de Londres, explorando o fino véu entre o passado e o presente através da dinâmica entre Thomasin McKenzie e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0S1VY4ya2lJSCxIU1YXS2w?si=wYK0qBgKQCaHiZicjbUWxg"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Manu Gavassi fez sua estreia no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o álbum visual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yh2jBGr-ZK8"><i><span style="font-weight: 400;">GRACINHA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma história fantástica e metalinguística sobre a própria arte. A cantora Adele também deu as caras ao final do mês com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z46lrTdRi6g"><i><span style="font-weight: 400;">Adele One Night Only</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um espetáculo exclusivo que precedeu o lançamento de seu novo disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">30</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora passando para a Televisão, se por um lado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> acertou em cheio com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RAKWlGS-0UY"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel</span></i><span style="font-weight: 400;"> animada do jogo </span><i><span style="font-weight: 400;">League of Legends</span></i><span style="font-weight: 400;"> distribuída em três atos,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NmWFFh-Cfjo"><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marca mais uma das tentativas fracassadas de traduzir </span><i><span style="font-weight: 400;">animes</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i><span style="font-weight: 400;"> exibia todo o potencial de animações com cores e sons vibrantes elevando sua narrativa explosiva, a adaptação da </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2014/12/asteroid-blues-the-lasting-legacy-of-cowboy-bebop/383817/"><span style="font-weight: 400;">obra seminal</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Shinichiro Watanabe peca por seu apego cego à estética do original, entregando uma temporada truncada e não mais regida pelo espírito livre e despreocupado do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">. A tesuda e bem humorada </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Mouth</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seguiu impecável por sua quinta temporada, mas já parece aquecer para o possível final da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas adaptações de quadrinhos da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> terminaram em novembro: ao passo que a estética surrealista de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JO2Uva4aNzY"><i><span style="font-weight: 400;">Patrulha do Destino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">floresceu no </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> após o encerramento do </span><a href="https://nerdist.com/article/dc-universe-is-ending-highs-and-lows/"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exclusivo da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Stargirl </span></i><span style="font-weight: 400;">teve que dar jeito nas mãos da </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/227239-batwoman-ruby-rose-detona-producao-serie-revelacoes-chocantes.htm"><i><span style="font-weight: 400;">CW</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canal responsável pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrowverso</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de plataformas diferentes, ambas as séries conseguiram reforçar suas melhores qualidades em seus novos anos, garantindo renovações para 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, a aguardada </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/225911-fundacao-5-diferencas-fundamentais-entre-serie-livros-asimov.htm"><span style="font-weight: 400;">adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos célebres livros de ficção científica de Isaac Asimov encerrou sua primeira temporada com resultados mistos: embora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pzIccmKU3BE"><i><span style="font-weight: 400;">Fundação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> certamente tenha os visuais para construir as bases de seu mundo organicamente, sua narrativa peca ao falhar com a visão de seu autor. A nova versão do Boneco Assassino surpreendeu e deliciou os fãs de longa data da franquia, em uma sequência comandada por seu criador, Don Mancini, e que respeita o legado </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e disruptivo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1N71bhBfDUE"><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> terminou sua nova temporada premiando sua participante mais nova até hoje. A premiada antologia </span><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> também retornou com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rtipQ3EsGWo"><i><span style="font-weight: 400;">Impeachment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, temporada que focou no escândalo sexual entre o presidente americano Bill Clinton e Monica Lewinsky.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, a </span><b>Editoria do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> chega na 11ª edição do </span><b>Cineclube</b><span style="font-weight: 400;">. Entre os prenúncios de Natal, vislumbres do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 e inspirações musicais no meio audiovisual, te convidamos a pegar o balde de pipoca para voltar ao cinema (seguindo sempre as normas de segurança, claro) e percorrer conosco cada um dos destaques do Cinema e da TV no mês de </span><b>Novembro de 2021</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24799"></span></p>
<h3>Cinema</h3>
<figure id="attachment_25146" aria-describedby="caption-attachment-25146" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci.jpg" alt="Cena do filme Casa Gucci. Mostra Paolo, personagem de Jared Leto, sorrindo. Ele é um homem branco, calvo no topo da cabeça, gordo, tem bigode escuro e usa um terno azul listrado com branco e uma camisa roxa, com as mãos no peito." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gucci-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25146" class="wp-caption-text">A casa? Era alugada (Foto: MGM)</figcaption></figure>
<p><b>Casa Gucci (House of Gucci, Ridley Scott)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim de novembro, Lady Gaga retornou aos cinemas na pele de Patrizia Reggiani, ex-esposa de Maurizio Gucci e quem ordenou seu assassinato. Entre um bafafá massivo da mídia, </span><a href="https://portalpopline.com.br/lady-gaga-diz-que-chegou-a-confundir-a-si-propria-com-personagem-assassina/"><span style="font-weight: 400;">entrevistas para lá de desbocadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um elenco que enche prateleiras de objetos dourados, Ridley Scott </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pGi3Bgn7U5U"><span style="font-weight: 400;">inaugura sua </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O resultado é desmotivado, incerto, apressado e extremamente tedioso. Por duas horas e quarenta, uma trupe imita o mais caricato dos sotaques italianos, faz caras e bocas, chora e não consegue decidir entre ser uma obra sobre a marca, sobre a família ou sobre o crime.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passo que Al Pacino tira de letra a cafonice de Aldo, Adam Driver se mantém incongruente como o quadradão Maurizio. Jeremy Irons não se esforça, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/house-gucci-por-que-jared-leto-se-identifica-com-personagem-paolo-gucci/"><span style="font-weight: 400;">Jared Leto</span></a><span style="font-weight: 400;"> se esforça demais, dando vida a um palhaço de circo sem nuances. Porém, seu humor mal dosado combina com a pegada espalhafatosa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Gucci </span></i><span style="font-weight: 400;">deveria esbanjar. Lady Gaga, sem segurança, encontra brechas para humilhar sua Patrizia, e o filme de Ridley Scott, no fim, não tem nada a dizer. Nadinha mesmo.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24866" aria-describedby="caption-attachment-24866" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24866" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros.jpg" alt="Cena do filme 7 Prisioneiros. Na imagem, por detrás de barras de aço desfocadas, vemos, ao centro, o protagonista de 7 Prisioneiros. Ele é um homem negro, de cabelos pretos curtos, aparentando cerca de 20 anos, encarando a câmera e o vemos em um primeiro plano, dos ombros para cima. Desfocados à esquerda e à direita dele, vemos outros dois homens, também aparentando cerca de 20 anos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cineclube-7-prisioneiros-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24866" class="wp-caption-text">7 Prisioneiros era um dos quinzes filmes inscritos para representar o Brasil no Oscar 2022; o escolhido para a submissão foi Deserto Particular, de Aly Muritiba (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>7 Prisioneiros (Alexandre Moratto)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">7 Prisioneiros</span></i><span style="font-weight: 400;"> acumulou conquistas antes mesmo de chegar à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde, pouco tempo depois de ser incluído no catálogo, logo se tornou o segundo filme de língua não-inglesa </span><a href="https://top10.netflix.com/films-non-english.html"><span style="font-weight: 400;">mais assistido</span></a><span style="font-weight: 400;"> da plataforma. O longa, dirigido por Alexandre Moratto e roteirizado por ele e Thayná Mantesso, estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, teve exibições na 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e foi um dos finalistas à submissão para </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">representar o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022. Estrelado por Christian Malheiros e Rodrigo Santoro, o ‘Original </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">’ mistura o suspense ao drama para denunciar o </span><a href="https://www.conectas.org/noticias/como-a-lei-brasileira-define-o-trabalho-analogo-ao-escravo/"><span style="font-weight: 400;">trabalho análogo à escravidão</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais especificamente em </span><a href="https://jornal.unesp.br/2021/05/06/a-grande-sao-paulo-tem-imigrantes-em-trabalho-analogo-a-escravidao/"><span style="font-weight: 400;">São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o protagonista Mateus (Malheiros) chega à capital com mais outros três amigos, todos recrutados e saídos do interior com a esperança de ganharem a vida na cidade grande. Eles são encaminhados a um ferro velho, onde, sem carteira de trabalho ou contrato assinado, se veem trancafiados pelo empregador, Luca (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HcQhjtEurNg"><span style="font-weight: 400;">Santoro</span></a><span style="font-weight: 400;">). Forçados a trabalharem em troca de alimento e um alojamento precário, os quatro vivem sem condições de higiene básicas, comunicação e sob constantes ameaças, inclusive às suas famílias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os meninos presos e tentando escapar, a produção</span> <span style="font-weight: 400;">adere ao </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/09/7-prisoners-review-netflix-1234662475/"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;"> para apresentar o início da condição desumana e inescapável da escravidão moderna no país. O filme, porém, cresce para além dos abusos dentro do ferro velho e escancara as dinâmicas sociais de um Brasil que perpetua e opera nesse mesmo regime criminoso. Sem perspectiva de fuga, Mateus passa a se aproximar de Luca e, despido de seus valores morais por puro instinto de sobrevivência, reforça a condição que o explorou até então. Com atuações profundas e inquietantes de Christian Malheiros e Rodrigo Santoro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZEy_6NIKq04"><i><span style="font-weight: 400;">7 Prisioneiros</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">expõe os absurdos do &#8211; infelizmente </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-05-17/ambev-e-heineken-sao-autuadas-por-trabalho-escravo-de-imigrantes-venezuelanos-em-sao-paulo.html"><span style="font-weight: 400;">ainda atual</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; trabalho análogo à escravidão por aqui. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24985" aria-describedby="caption-attachment-24985" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-human.jpg" alt="Cena do filme The Humans apresenta dois homens sentados em um sofá. O mais a esquerda é mais velho, branco, calvo, de óculos, está vestindo uma camisa azul escuro e uma calça e segura uma garrafa de cerveja e um copo. O outro é sul coreano, tem cabelos pretos curtos, usa óculos, está vestindo uma camisa clara e uma calça e segura uma garrafa de cerveja." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-human.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-human-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-human-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24985" class="wp-caption-text">The Humans vai te fazer sorrir, chorar e depois sorrir novamente (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>The Humans (Idem, </b><b>Stephen Karam)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Humans</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles filmes em que se é possível sentir o calor humano por meio de sua produção. O novo longa da </span><a href="https://a24films.com/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve a partir de Brigid (Beanie Feldstein) e Richard (</span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">Steven Yeun</span></a><span style="font-weight: 400;">), um casal que acabou de se mudar para um <em>duplex</em> em Chinatown. Antes mesmo de se estabelecerem na casa nova, os pais de Brigid, Erik Blake (</span><a href="https://www.google.com/search?q=Richard+Jenkins&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgFuLVT9c3NMyITzPPSjY1UOLUz9U3MMvJKDHU4vHNL8tMDcl3TC7JL1rEyh-UmZyRWJSi4JWal52ZV7yDlREA_dDVzT8AAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi13ff5gsH0AhVXqpUCHdaBAgIQxA16BAg1EAs"><span style="font-weight: 400;">Richard Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Deirdre Blake (Jayne Houdyshell), já chegam demonstrando insatisfação com a mudança da filha. Essa situação serve como ponto de partida para um desenrolar repleto de situações familiares envolvendo mudanças econômicas, doenças e envelhecimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, carregado de emoções de uma família em fase de mudanças, foi baseado em uma peça homônima, escrita por </span><span style="font-weight: 400;">Stephen Karam</span><span style="font-weight: 400;">, que teve por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Humans</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua estreia como diretor. Apesar de ainda ser iniciante, a película foi bem recebida pela imprensa e teve sua estreia no</span> <a href="https://www.instagram.com/p/CUbBdvQMRqQ/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema Internacional de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> (TIFF)</span><span style="font-weight: 400;">. Com todo seu entrelaçamento de situações reais apresentadas ao telespectador, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Humans </span></i><span style="font-weight: 400;">se constrói com o sentimento de empatia aos problemas dos personagens. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24867" aria-describedby="caption-attachment-24867" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24867" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen.jpg" alt="Cena do filme Querido Evan Hansen. Evan (Ben Platt) está debruçado sobre uma mesa comendo cereal. Ele ocupa a maior parte direita da tela, olhando para sua mãe, Heidi (Juliane Moore), que aparece desfocada de costas na lateral esquerda da tela. Evan é um adolescente caucasiano de cabelos marrons e encaracolados, usando uma camiseta polo listrada azul-clara, uma mochila preta nas costas, segurando uma colher com cereal na mão direita, com seu braço esquerdo engessado se apoiando na mesa. Podemos ver que Heidi é caucasiana e tem cabelos ruivos, usando um uniforme de enfermeira azul-claro. Atrás da mão direita da Evan, vemos um frasco de remédios circular com tampa branca. Atrás dele, fora de foco, o interior da casa deles é iluminado por duas luzes de dois abajures fora de foco, um em cada lado de Evan." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/querido-evan-hansen-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24867" class="wp-caption-text">A tentativa de fazer Ben Platt parecer ter 17 anos só o deixa parecendo ridículo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Querido Evan Hansen (Dear Evan Hansen, Stephen Chbosky)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos depois de se tornar um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/06/1892195-dear-evan-hansen-lidera-tony-awards-com-cinco-estatuetas-veja-lista.shtml"><span style="font-weight: 400;">fenômeno na Broadway</span></a><span style="font-weight: 400;">, o musical </span><i><span style="font-weight: 400;">Querido Evan Hansen</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá as caras no Cinema, cercado de controvérsias por conta de sua </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/critica-querido-evan-hansen-e-musical-que-erra-em-tudo-o-que-propoe"><span style="font-weight: 400;">premissa questionável</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.buzzfeed.com/ryanschocket2/ben-platt-defends-dear-evan-hansen-casting"><span style="font-weight: 400;">escalação de Ben Platt</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel que já lhe rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas que talvez não combine com um adulto de 28 anos. Na trama, Evan Hansen é um colegial atormentado por uma ansiedade social que o impede de se relacionar com outros estudantes, escrevendo cartas afirmativas para si mesmo como um exercício de confiança. Porém, quando uma dessas cartas é encontrada com Connor (Colton Ryan), um jovem que se suicidou recentemente, a família dele se vira para Evan em busca de respostas, dando início a uma perversa e cruel mentira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de elencar adultos em papéis mais novos não é </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/26-atores-adultos-que-se-passaram-por-adolescentes-e-nos-enganaram-perfeitamente"><span style="font-weight: 400;">nem nova</span></a><span style="font-weight: 400;"> nem especialmente problemática, mas geralmente acontece algum esforço para fazer com que esses atores se pareçam com a idade do personagem. No longa de Stephen Chbosky, no entanto, a disparidade etária entre Platt e Hansen só é exacerbada pela direção pesada e brega do cineasta. Como musical, o filme faz bom uso da voz de um elenco talentoso, mas a grande maioria de seus números é realizado de maneiras paradas e pouco inventivas, convencidos de que a atuação exagerada de Platt vai ser suficiente para carregá-los para frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Querido Evan Hansen </span></i><span style="font-weight: 400;">é que, por mais que se apresente como uma narrativa sincera e positiva sobre saúde mental, ela fundamentalmente não respeita nem Connor, a vítima da história, nem o luto que sua família sente por ele, por mais complicado que seja. São meros acessórios na trama que Evan conta para si mesmo, embelezamentos de seus próprios defeitos e o caminho que ele encontra para se redimir. Por mais que o filme se anuncie como um canto de solidariedade àqueles que se sentem isolados e perdidos, ele só evidencia o quão sozinhos nós realmente estamos.</span><b> &#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_25143" aria-describedby="caption-attachment-25143" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25143" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Mostra um casal adulto, branco, sorrindo na varanda de uma casa. Eles usam roupas de frio, com casacos e cachecóis." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tammy-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25143" class="wp-caption-text">Ao contrário de atrizes que abusam do humor para humilhar as figuras reais que interpretam, Jessica Chastain opta por uma bem-vinda e madura dramaticidade (Foto: Fox Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Os Olhos de Tammy Faye (The Eyes of Tammy Faye, Michael Showalter)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando vida à icônica </span><a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1592531-5602,00-TAMMY+BAKKER+EVANGELICA+QUE+MONTOU+IMPERIO+NA+TV+MORRE+AOS.html"><span style="font-weight: 400;">televangelista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornou piada nacional, Jessica Chastain faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> um desfile de seus variados talentos artísticos. Interpretando a mulher por uma porção considerável de vida, indo da ingenuidade dos vinte e poucos até a ruína da terceira idade e envolta numa batida narrativa de ascensão, queda e redenção, a atriz se joga de cabeça e, também no cargo de produtora do filme, faz tudo que a direção omissa de Michael Showalter pede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fundo do palco, brilha Andrew Garfield, expandindo seu estrelado currículo de 2021 (que vai de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rlpm36Vi-3U"><span style="font-weight: 400;">loiro de farmácia</span></a><span style="font-weight: 400;"> gostoso a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gOSGZGdp0lI"><span style="font-weight: 400;">homem de teatro</span></a><span style="font-weight: 400;"> desiludido e talvez </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JfVOs4VSpmA"><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Teia</span></a><span style="font-weight: 400;">). Como o companheiro de Tammy, Jim Bakker, Garfield emula a canastrice do religioso, ao mesmo tempo em que não hesita em subverter as expectativas da Igreja, seja no campo de sua sexualidade, seja em sua índole maculada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Almejando uma merecida indicação ao careca dourado, Jessica Chastain humaniza cada uma das falhas e facetas da mulher que foi motivo de piada para toda a América. Contando com anos de experiência e uma maturidade absurda na hora de lufar vida à personagens “desconfortáveis”, a ruiva </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMMLRnXPPJk"><span style="font-weight: 400;">vai além do caricato</span></a><span style="font-weight: 400;"> (por mais que os quilos de maquiagem e próteses possam afastar o espectador da veracidade da atuação. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_25127" aria-describedby="caption-attachment-25127" style="width: 1799px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer.jpg" alt="Cena do filme Spencer. Dentro do quarto luxuoso de uma princesa da família real britânica, vemos a princesa Diana, uma mulher branca, com cabelo loiro num lindo penteado, usando um vestido dourado com um laço na cintura. Atrás dela, uma mulher mais velha, branca, coloca um colar de pérolas em seu pescoço." width="1799" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer.jpg 1799w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spencer-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25127" class="wp-caption-text">Um dos grandes nomes desta temporada de premiações, Kristen Stewart entrega uma das melhores atuações de sua carreira em Spencer (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><b>Spencer (Idem, Pablo Larraín) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ter que fingir normalidade quando a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-gaga-911-critica/"><span style="font-weight: 400;">saúde mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> está em frangalhos é uma tarefa angustiante, dolorosa e capaz de transformar os compromissos do dia a dia em uma verdadeira prisão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, novo filme de Pablo Larraín, causa grande impacto no espectador ao retratar esse tormento psicológico com tamanha elegância e sensibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos os últimos dias do casamento da </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">princesa Diana</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kristen Stewart) com o príncipe Charles (Jack Farthing). Em meio a rumores de casos e de divórcio, a paz foi imposta para o Natal na casa de campo da Família Real. No evento repleto de comida e bebida, tiro e caça, Diana confronta as regras do rígido jogo de aparências. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é à toa que a atuação de Kristen Stewart em </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer </span></i><span style="font-weight: 400;">é apontada como forte candidata ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua performance retraída e sufocante é a alma do filme e tudo dele está ali para destacá-la ainda mais, desde a direção ao figurino da época. A direção luxuosa de Larraín, com seus </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Travelling#:~:text=Travelling%2C%20na%20terminologia%20de%20cinema,pr%C3%B3prio%20eixo%2C%20sem%20se%20deslocar.&amp;text=Este%20tipo%20de%20equipamento%20(carrinho,tamb%C3%A9m%20%C3%A9%20chamado%20de%20travelling."><i><span style="font-weight: 400;">travellings</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que andam pela casa da monarquia britânica como uma assombração, estabelece um clima inquietante, onde os monstros assustadores fazem parte da realeza. É um filme tão elegante e trágico quanto a personalidade histórica que escolheu retratar. </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
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<figure id="attachment_25276" aria-describedby="caption-attachment-25276" style="width: 1517px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25276" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126.jpeg" alt="Cena do filme tick, tick...BOOM!. A imagem mostra a personagem de Andrew Garfield, um homem branco de cabelos castanhos ondulados bagunçados. Ele é fotografado da cintura para cima e está sorrindo, sem mostrar os dentes, e com os braços abertos, recebendo alguém, para quem ele está olhando, fora da imagem. Ele usa uma camisa xadrez azul escura e um relógio preto no pulso esquerdo. Ele está na frente de uma parede clara com quadros de avisos pendurados e atrás, à direita, existe uma janela que revela a luz do dia." width="1517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126.jpeg 1964w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126-800x422.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126-1024x540.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126-768x405.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126-1536x810.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/tick-tick-6-scaled-e1639157581126-1200x633.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25276" class="wp-caption-text">Olha ele aqui de novo &lt;3 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>tick, tick&#8230; BOOM! (Idem, Lin-Manuel Miranda)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua posição de destaque dentro do ambiente artístico-cultural atual, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/11/entenda-quem-e-lin-manuel-miranda-astro-de-hamilton-agora-queridinho-da-america.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lin-Manuel Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca deixa de destacar </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinebuzzjaviu/lin-manuel-miranda-mostra-o-amor-por-seu-idolo-jonathan-larson-em-tick-tick-boom-cinebuzzindica.phtml"><span style="font-weight: 400;">a influência de Jonathan Larson</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada um dos musicais que o colocaram como </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/06/cinco-cancoes-para-conhecer-a-premiada-trajetoria-de-lin-manuel-miranda-ckpxugzmc00000180xdgi6niu.html"><span style="font-weight: 400;">destaque</span></a><span style="font-weight: 400;"> no gênero do século XXI. O apreço pelo trabalho do compositor nova-iorquino é tamanho que depois de referenciar toda a sua criação no teatro, o levou até sua estreia na direção de Cinema. E dentre todos os filmes nascidos no </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/noticias/2021-e-o-ano-dos-musicais-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">ano dos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">, nada será tão especial como o esperado primeiro longa de Lin, que concretiza uma grande homenagem à vida e obra de Jonathan com um testemunho de sua relevância nos teatros na década de 90.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, destaca-se a própria </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/11/tick-tick-boom-a-historia-real-de-jonathan-larson"><span style="font-weight: 400;">história de vida de Larson</span></a><span style="font-weight: 400;">, digna de ser dramatizada como o próprio já havia notado, ao escrever o musical semi-autobiográfico que leva o mesmo nome do filme de Manuel Miranda. Apresentado pela primeira vez em 2001, </span><i><span style="font-weight: 400;">tick, tick… BOOM!</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi apreciado pelo seu criador, que depois de muito perseguir seu sonho artístico, faleceu em decorrência de uma síndrome de Marfan não diagnosticada em janeiro de 1996, no dia de estreia de seu musical considerado a obra-prima de sua carreira, </span><a href="https://teatroemescala.com/2019/08/22/um-olhar-sobre-jonathan-larson/"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A história do Van Gogh do teatro tinha tudo para ser trágica, mas nas mãos mágicas que dirigiram a adaptação conservando uma identificação ímpar com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z6ueegKXqL8"><span style="font-weight: 400;">a essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Jonathan criou para sua própria narrativa, é transformada num conto profundamente envolvente sobre a pressa e persistência que alguns de nós temos em viver os nossos sonhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sentimento e a genialidade pulsante de Jonathan Larson são encarnados com primor na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BGIc8kb7dAA"><span style="font-weight: 400;">entrega de Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tomado de uma profunda reverência e simpatia pelo personagem que interpreta, transforma o filme numa experiência e vislumbra uma indicação ao </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-161353/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Perfeitamente coordenado por Lin-Manuel Miranda e harmonizado com o elenco brilhante (com destaque para a participação de Vanessa Hudgens, Joshua Henry, Mj Rodriguez, Alexandra Shipp e Robin de Jesús), </span><i><span style="font-weight: 400;">tick, tick… BOOM!</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai tirar o seu fôlego e as suas lágrimas. Em troca, a obra te deixa uma certeza de que, ao entrar em contato com ela, você está </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v3hgz18aGUs"><span style="font-weight: 400;">no lugar certo e na hora certa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_25277" aria-describedby="caption-attachment-25277" style="width: 1184px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagembenedetta.jpg" alt="Cena do filme Benedetta. À direita está uma mulher jovem, branca e loira. Ela veste uma camisola branca. Ela está sentada em uma cadeira preta. Ajoelhada à sua frente há outra mulher. Ela é branca, de cabelos pretos e veste uma camisola branca. Ela está de costas para a câmera. Ao fundo visualizamos, de maneira desfocada, velas e uma parede de concreto." width="1184" height="785" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagembenedetta.jpg 1184w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagembenedetta-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagembenedetta-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagembenedetta-768x509.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25277" class="wp-caption-text">Nem em nome do Pai, nem do Filho, muito menos do Espírito Santo (Foto: Guy Ferrandis)</figcaption></figure>
<p><b>Benedetta (Idem, Paul Verhoeven)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos filmes mais polêmicos de 2021, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DW5wOtLSfPs&amp;ab_channel=IFCFilms"><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é adaptado do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta a história real, passada no século XVII, de uma menina que se muda para o convento ainda criança. O filme acompanha um período da juventude de Benedetta, quando uma outra garota, Bartolomea, é acolhida pelas freiras. A produção não mede esforços para colocar o dedo na ferida da Igreja Católica. Por vezes beirando o satírico, o longa confronta os fiéis e denuncia a máquina de fazer dinheiro por trás da instituição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cercado de prós, </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um dos piores contras possíveis. A produção tem as típicas peças de seu diretor Paul Verhoeven: blasfêmia e </span><a href="https://www.instagram.com/personaunesp/p/CTf99zgB72l/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">conteúdo sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é no forte apelo sexual que Verhoeven se faz intragável. Vendendo seu filme às custas da nudez do corpo feminino, ele faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i><span style="font-weight: 400;"> um prato cheio para a fetichização. A crítica à Igreja é certeira e enclausura o espectador em sua narrativa, mas a que custo? </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_25128" aria-describedby="caption-attachment-25128" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25128 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939.jpg" alt="Cena da animação Oi, Alberto. Duas pessoas em um barco no meio do mar segurando uma rede de pesca. A esquerda, Alberto, uma criatura marinha que tem a pele azul, escamas roxas saindo de sua cabeça, ouvidos e braços, seu olhos são verdes e seus dentes arredondados. Ao seu lado está Massimus, um homem grande, com a pele branca, de bigode e cabelos castanhos, usando uma boina e camiseta bege, ele tem uma tatuagem no braço e no seu ombro está um gato branco e preto." width="1500" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939-800x458.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939-1024x586.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ciao-alberto-1-e1639157694939-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25128" class="wp-caption-text">Os queridinhos de Luca voltam nesse curta de aquecer o coração (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Oi, Alberto (Ciao Alberto, McKenna Harris)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Oi, Alberto</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como anda a vida de Alberto e Massimo em Portorosso depois dos acontecimentos do filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto Giulia e Luca estão na escola. A dupla passa seus dias pescando e vendendo peixes para a cidade, e com a convivência começam a desenvolver mais a relação que foi iniciada no longa. Alberto é uma criança entusiasmada, falante e energética, diferente de Massimo, que é mais reservado e monossilábico, mas a convivência dos dois os ensina a lidarem com novas experiências e serem exatamente o que o outro precisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo curta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito e dirigido por McKenna Harris, é sensível, simples e bonito da mesma forma que seu material base. Tratando de questões importantes de serem abordadas, principalmente sobre relações familiares, de forma leve e sincera, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oi, Alberto</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue o padrão de qualidade de tudo que a <em>Pixar</em> produz. </span><b>&#8211; Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_25144" aria-describedby="caption-attachment-25144" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25144" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/passing.jpg" alt="Cena em preto e branco do filme Identidade. Vemos uma mulher sendo abraçada por um homem, ambos são negros. Ela olha para a frente com expressão de choque e tristeza." width="1200" height="897" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/passing.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/passing-800x598.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/passing-1024x765.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/passing-768x574.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25144" class="wp-caption-text">Roda de oração para que Passing seja lembrado na temporada de premiações (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Identidade (Passing, Rebecca Hall) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas amigas do colegial se reencontram em uma cidade segregada. A protagonista Irene (Tessa Thompson) se surpreende quando percebe que Clare (Ruth Negga), uma mulher negra de pele clara, consegue se “passar” por branca, mantendo até o marido John (Alexander Skarsgard) inconsciente de suas origens e de sua família. Baseando-se na obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Nella Larsen e estreando na direção, a atriz Rebecca Hall escolhe a fotografia em preto e branco para engrandecer sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=trwq3CNCMkU"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sutilezas e desejos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recheado até de um </span><a href="https://divamag.co.uk/2021/11/12/review-passing-netflix/"><span style="font-weight: 400;">subtexto </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">se desenrola no encanto de Irene e seu esposo Brian (Andre Holland) por Clare. Em meio a uma América mais racista que a atual, os personagens que orbitam esse microuniverso optam por omitir suas reais intenções, ao passo que as brilhantes interpretações se saúdam sem pressa. Em um dos melhores originais </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2021, Thompson é sinônimo de confusão e perdição, Holland exprime êxtase, Skarsgard transborda arrogância e Negga, a estrela do conjunto, está nas nuvens. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24986" aria-describedby="caption-attachment-24986" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/louis-wain.jpg" alt="Cena do filme The Electrical Life of Louis Wain apresenta um homem branco de cabelos curtos pintando. Suas ilustrações de formas abstratas em tons predominantes em azul e amarelo ocupam todo o canto direito da imagem, dando a ideia de que o personagem está desenhando na lente da câmera." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/louis-wain.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/louis-wain-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/louis-wain-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24986" class="wp-caption-text">A felicidade é um monte de gatinhos (Foto: Amazon Studios)</figcaption></figure>
<p><b>The Electrical Life of Louis Wain (Idem, </b><b>Will Sharpe)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Electrical Life of Louis Wain </span></i><span style="font-weight: 400;">conta a história fantástica de </span><a href="https://clickmuseus.com.br/as-pinturas-de-gatos-de-louis-wain-a-evolucao-de-uma-possivel-doenca-mental/"><span style="font-weight: 400;">Louis Wain </span></a><span style="font-weight: 400;">(Benedict Cumberbatch)</span><span style="font-weight: 400;">, um homem extremamente criativo, mas com uma vida repleta de infelicidades. Como forma de ajudar a mãe e viúva e suas cinco irmãs, ele começa a vender ilustrações de animais, em especial, de gatos. Suas habilidades com os desenhos são fantásticas, porém a falta de traquejo social o distancia do convívio humano, no entanto, essa situação fria está prestes a mudar com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Emily Richardson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/claire-foy/"><span style="font-weight: 400;">Claire Foy</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, a nova governanta de uma de suas irmãs.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A comédia dramática </span><i><span style="font-weight: 400;">The Electrical Life of Louis Wain</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/nov/27/will-sharpe-interview-landscapers-electrical-louis-wain-flowers-giri-haji"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz de forma leve e descontraída os infortúnios da vida de um artista que nasceu durante o século XIX. Louis Wain ganhou notoriedade pelas suas características peculiares ao desenhar gatos. As ilustrações dos felinos antropomorfizados levaram alguns psiquiatras a acreditarem que o desenhista sofria de esquizofrenia. Mas apesar dessas adversidades, a trama narrada no longa de Sharpe, apresentada com uma direção de fotografia impecável, permite aos telespectadores rir e se emocionar ao mesmo tempo. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24991" aria-describedby="caption-attachment-24991" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-scaled.jpg" alt="Cena do filme Eternos. A imagem mostra um grupo de pessoas andando em um deserto com duas árvores ao fundo e um céu azul acima. Na esquerda há uma menina branca de cabelos loiros curtos, óculos de sol e camisa azul. Atrás dela há um menino branco de cabelos castanhos e jaqueta de couro com as mãos nos bolsos. Mais atrás há um homem de óculos escuros. Ao centro e bem à frente há um homem negro de cabelos pretos baixos, óculos de grau e jaqueta preta abotoada na frente; ele está com a mão direita levantada para controlar um triângulo dourado que paira sobre sua palma. À sua direita há uma mulher asiática de cabelos castanhos, óculos de sol, camiseta branca com camisa xadrez verde por cima e calça jeans. No canto direito há um homem branco de cabelos castanhos, óculos escuros, calça preta e agasalho azul." width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/eternals-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24991" class="wp-caption-text">Entre a aprovação e reprovação da crítica, Eternos faz o que a Marvel nunca fez antes: deixa a ação e a comédia de lado para dar atenção à essência da narrativa (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Eternos (Eternals, Chloé Zhao)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma visão minimalista era exatamente o que </span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eternos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">precisava, mas nós só nos demos conta disso depois que assistimos o trabalho notório de Chloé Zhao. A chegada da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/26/chloe-zhao-vence-oscar-e-marvel-ganha-sua-primeira-diretora-ganhadora-de-oscar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">premiadíssima</span></a><span style="font-weight: 400;"> diretora no meio da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi surpreendente, mas certeiro e à altura de um enredo mais complexo. Além disso, as expectativas foram altíssimas pelo elenco recheado com Angelina Jolie, Salma Hayek, Don Lee, o </span><a href="https://ovicio.com.br/eternos-richard-madden-comenta-sobre-reuniao-de-game-of-thrones-com-kit-harington/amp/"><span style="font-weight: 400;">encontro Stark</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kit Harington e Richard Madden, e é claro, a </span><a href="https://thedirect.com/article/marvel-eternals-harry-styles-eros-starfox-who-questions-faq"><span style="font-weight: 400;">super aparição</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Harry Styles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa fala sobre seres que precedem a nós, aos Vingadores e aos nossos amigos Deuses-loiros-barrigudos. E conversando com a missão emblemática que a humanidade trava desde que o mundo é mundo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eternos</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer te contar quem diabos nos criou, e </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/eternos-expande-o-universo-marvel-com-saga-de-origem-confusa/"><span style="font-weight: 400;">por qual motivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há seres celestiais superiores a nós, comandando a engenhoca que é o universo- literalmente, pois o Ser Supremo que manda em todas as galáxias parece que saiu diretamente do filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R4USssKofw8"><i><span style="font-weight: 400;">Robôs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e baseados em uma única premissa: a vida termina para gerar mais vida. E está tudo bem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso tudo, a comicidade e o jogo de ação realística que é característica da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i> <a href="https://www.vulture.com/article/eternals-movie-review-chloe-zhao-marvel-film.html"><span style="font-weight: 400;">respirou por aparelhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sobreviveu. Quem também apareceu </span><a href="https://www.upressonline.com/2021/11/review-eternals-brings-representation-to-the-marvel-universe/"><span style="font-weight: 400;">foi a inclusão</span></a><span style="font-weight: 400;">, com língua de sinais, beijo gay e tudo mais &#8211; ainda bem. O mais importante é que, entre tantos filmes heroicos, é a primeira vez que ser humano está no centro de tudo, e a nossa história ao longo dos séculos foi olhada com os olhos minuciosos de Zhao para perguntar: entre a beleza e a matança que causamos, temos nós algo de diferente para sermos salvos? </span><b>&#8211; Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_24983" aria-describedby="caption-attachment-24983" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24983 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho.jpg" alt="Cena do filme Noite Passada em Soho. Eloise (Thomasin McKenzie), de olhos arregalados e manchados de maquiagem preta, coloca o braço direito por cima da boca, se inclinando para trás, virada para a esquerda. Eloise é uma mulher caucasiana jovem, de cabelos loiros ressecados e olhos azuis, usando um vestido preto sem mangas. Uma luz vinda da esquerda ilumina seu rosto e seu corpo. Atrás dela, uma cadeira com algumas roupas jogadas em cima é iluminada pela luz que vem da esquerda, assim como parte do piso de madeira, enquanto a parede atrás dela está na penumbra. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24983" class="wp-caption-text">O passado é um prólogo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Noite Passada em Soho (Last Night in Soho, Edgar Wright)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois das corridas eletrizantes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-ritmo-de-fuga-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) e o célebre documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EOUsIYESOpM"><i><span style="font-weight: 400;">The Sparks Brothers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor britânico Edgar Wright volta a nos deslumbrar com seus visuais meticulosos e sua </span><a href="https://open.spotify.com/album/4DzZicbRx0J0zBg3yg7B1p?si=laUMMZ36RWShLOllKg_8lw"><i><span style="font-weight: 400;">playlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estrelado por Thomasin McKenzie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ClV3mHr5Go0"><i><span style="font-weight: 400;">Jojo Rabbit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Anya Taylor-Joy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gambito da Rainha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o novo longa explora as ruas e vielas do famoso bairro londrino sob a perspectiva de uma estudante de Moda capaz de misteriosamente transitar entre o presente e o passado, se rendendo aos prazeres e as monstruosidades da década de 60 enquanto tenta resolver um assassinato obscuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a princípio a trilha sonora evoque uma exaltação à nostalgia, seduzindo tanto Eloise (McKenzie) quanto a audiência com suas cores e canções, não demora para que a verdade comece a sussurrar por entre os vocais de Sandie (Taylor-Joy) e os pesadelos tomem o lugar dos sonhos. Grande parte da obra se sustenta na dualidade estabelecida entre as duas mulheres, justapondo suas experiências e suas assombrações em uma procissão cíclica e ritmada de proporções alucinantes. Mesmo sem que contracenem diretamente, ambas as atrizes dão performances assombrosas e irresistíveis, elevando o roteiro de Wright e Krysty Wilson-Cairns.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, a estrela de qualquer filme de Edgar Wright é sempre a direção. Embora nem todas das técnicas cômicas do cineasta e suas sensibilidades sejam traduzidas perfeitamente para o gênero de Terror, ainda é revigorante ver ele expandindo seu corpo de trabalho, trazendo seus cortes inventivos e misturando-os com as inspirações do </span><a href="https://www.curzon.com/journal/last-night-in-soho-and-its-gory-giallo-influences/"><span style="font-weight: 400;">Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">giallo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma sinfonia psicodélica e infernal entre passado e  futuro, os verdadeiros fantasmas são os que ficam presos entre os dois.</span><b> &#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_25145" aria-describedby="caption-attachment-25145" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25145" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard.jpg" alt="Cena do filme King Richard mostra o corredor interno de um estádio e uma adolescente andando. Ela é negra, tem tranças brancas no cabelo e usa um moletom esportivo claro, levando uma bolsa azul nos ombros." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/richard-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25145" class="wp-caption-text">O filme encontra nas jovens atrizes que interpretam Venus e Serena, Saniyya Sidney e Demi Singleton, duas joias de talento (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>King Richard: Criando Campeãs (King Richard, Reinaldo Marcus Green)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tudo correr como o planejado, Will Smith receberá uma estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Ator por </span><i><span style="font-weight: 400;">King Richard</span></i><span style="font-weight: 400;">. É claro que ainda tem muito chão até o final de março, mas a julgar pelo trabalho do intérprete, fica claro que a cinebiografia do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9MRLMEMhNb0"><span style="font-weight: 400;">pai e treinador das irmãs Williams</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi moldada como veículo de adoração e aclamação para Smith. Na produção, que tem envolvimento criativo de Venus e Serena, além do próprio Will, acompanhamos a juventude das tenistas e todos os obstáculos enfrentados até o início da subida em suas carreiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tal, o diretor Reinaldo Marcus Green entende que a força motriz de </span><i><span style="font-weight: 400;">King Richard</span></i><span style="font-weight: 400;"> está no elenco, e coloca tudo nas costas do protagonista e de Aunjanue Ellis, que vive a mãe Oracene Williams e é, fácil, a melhor atriz coadjuvante do ano. Jon Bernthal aparece com um técnico peculiar e adiciona humor a receita de fracasso, trabalho duro e sucesso. Mas, se tratando da biografia de alguém vivo, o filme toma liberdades, faz omissões e </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2021/11/25/noticias-cinema,281538/king-richard-will-smith-e-detonado-pela-irma-de-venus-e-serena-williams.shtml"><span style="font-weight: 400;">já se provou desagradável</span></a><span style="font-weight: 400;"> para indivíduos ligados ao Richard de verdade. Se isso machucará a caminhada de Will Smith até o palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, só o tempo dirá. Por enquanto, a eloquência e a emoção de </span><i><span style="font-weight: 400;">King Richard</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam por si só. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4wYdZi3tFJ4"><span style="font-weight: 400;">E ainda tem a Beyoncé</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_25278" aria-describedby="caption-attachment-25278" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette.jpg" alt="Cena do filme Annette. Vemos um casal parado em frente a paparazzis que tiram fotos. Ambos são brancos e estão próximos um do outro, prestes a se beijarem. A mulher tem cabelo ruivo comprido, nariz fino e está com um buquê de flores nas mãos. O homem tem cabelo preto na altura do ombro e está usando um capacete de moto com o visor levantado para olhar para a mulher." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemannette-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25278" class="wp-caption-text">No Brasil, Annette é distribuído pela MUBI (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Annette (Idem, Leos Carax)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apaixonante e musical, </span><a href="https://personaunesp.com.br/annette-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é primo próximo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zXvgkkNMi-4&amp;ab_channel=Telecine"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dirigido pelo francês Leos Carax, o filme se deleita em cada uma de suas camadas. A obra é protagoniza </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/adam-driver/"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel do comediante Henry McHenry e Marion Cotillard como a renomada cantora de ópera Ann. Juntos, eles vivem o amor enquanto decolam com suas carreiras profissionais. Mas a vida do casal é completamente mudada com a chegada da filha que batiza o filme.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é um simples musical. Seus elementos visuais em conjunto com as canções criam metáforas que contrastam com toda a história. Quem realmente fica em evidência é o personagem de Adam Driver, que dá fôlego para as mais de duas horas de duração da produção recheada de vicissitudes. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i><span style="font-weight: 400;">, responsável por abrir o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRkYiBwBqpj/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, soa como um grande desabafo de seu diretor. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Podemos começar o espetáculo?”</span></i> <b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_25279" aria-describedby="caption-attachment-25279" style="width: 1506px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well.jpg" alt="" width="1506" height="941" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well.jpg 1506w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/all-too-well-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25279" class="wp-caption-text">Além de basear o curta-metragem, a nova versão de All Too Well também marcou um dos mais importantes feitos de Taylor Swift: contrariando a lógica da indústria musical, a artista alcançou o 1º lugar nas paradas musicais com uma canção de mais de 10 minutos (Foto: YouTube/Taylor Swift)</figcaption></figure>
<p><b>All Too Well: The Short Film (Idem, Taylor Swift)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, você não está no </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;"> errado. Sim, temos Taylor Swift no Cineclube. É que além de abalar mais uma vez as estruturas do mundo da </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Música</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a continuação de seu projeto de regravações, que já é responsável por fuçar os baús da artista e trazer canções que ficaram de fora dos discos na época de seus primeiros lançamentos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5UMCrq-bBCg&amp;list=PLINj2JJM1jxMjrb29kIR5WixKfVeaOaIT"><i><span style="font-weight: 400;">Red (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também levou a artista para o Cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento para Taylor Swift estrear como diretora e a história para construir o primeiro roteiro que ostenta a sua assinatura não poderiam ser melhores: 12 de novembro de 2021 foi quando o mundo conheceu a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/taylor-swift-revela-como-conceito-da-versao-de-10-minutos-de-all-too-well-surgiu-entenda/"><span style="font-weight: 400;">versão completa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção entendida como </span><a href="https://prensa.li/entretenimento/all-too-well-melhor-composicao-de-taylor-swift/"><span style="font-weight: 400;">uma das melhores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de toda a sua respeitada carreira como letrista, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sRxrwjOtIag&amp;list=PLINj2JJM1jxMjrb29kIR5WixKfVeaOaIT&amp;index=33"><i><span style="font-weight: 400;">All Too Well (10 Minute Version) (Taylor’s Version) (From The Vault)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Para acompanhar, a artista elaborou um curta-metragem, que compreende no visual a narrativa intensa que originou sua música tão celebrada, personificada no protagonismo magnético de Sadie Sink (</span><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Dylan O’Brien (</span><i><span style="font-weight: 400;">Teen Wolf </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Maze Runner</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As referências que existiram no imaginário da canção são todas concretizadas. Entre folhas de outono, viagens de carro, sinais vermelhos, vento no cabelo e demais cenas românticas sob a luz da geladeira da cozinha ou no alto da madrugada, o filme parece encapsular a era </span><i><span style="font-weight: 400;">Red</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 15 minutos. Com direito a </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/music-news/taylor-swift-all-too-well-short-film-premiere-1235047255/"><span style="font-weight: 400;">estreias nos cinemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nova Iorque e </span><i><span style="font-weight: 400;">premiere</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> com centenas de milhares de pessoas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tollGa3S0o8"><i><span style="font-weight: 400;">All Too Well: The Short Film</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> só confirma a maior habilidade de Taylor Swift: </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><span style="font-weight: 400;">contar histórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://valkirias.com.br/a-narrativa-introspectiva-das-letras-de-taylor-swift/"><span style="font-weight: 400;">narrativizar sentimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, claro, lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">tudo muito bem</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24987" aria-describedby="caption-attachment-24987" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ultimo-duelo.jpg" alt="Cena do filme O Último Duelo exibe uma mulher branca, com um olhar aflito, de cabelos loiros presos, vestindo uma roupa preta, montada em um cavalo marrom. Aos arredores da imagem há outras pessoas e uma vegetação ao fundo que foram embasadas para focar na mulher ao centro." width="678" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-24987" class="wp-caption-text">O Último Duelo escancara o sexismo medieval (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>O Último Duelo (</b><b>The Last Duel</b><b>, </b><b>Ridley Scott</b><b>)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/idade-media.htm#:~:text=A%20Idade%20M%C3%A9dia%20%C3%A9%20o,Constantinopla%20pelo%20Imp%C3%A9rio%20Turco%2DOtomano."><span style="font-weight: 400;">Idade Média</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um período complexo da história da humanidade. Em um tempo em que as mulheres eram acusadas de bruxaria caso rompessem com os padrões estipulados pela nobreza, Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) acusa Jacques LeGris (Adam Driver), o melhor amigo de seu marido, Jean de Carrouges (Matt Damon), de estupro. O caso vira a França de cabeça para baixo, já que as figuras envolvidas com a história são membros da aristocracia. Após um grande embate, o Parlamento determina que a história se resolva com um embate armado entre os homens, em que apenas um deles sairá vivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama complexa e revoltante de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Duelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por Ridley Scott, foi inspirada em uma história real tenebrosa. A super produção acompanha por diversos ângulos a narrativa apresentada por </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/e-tudo-historia/o-ultimo-duelo-o-caso-real-do-estupro-que-marcou-a-historia-da-franca/"><span style="font-weight: 400;">Marguerite de Carrouges</span></a><span style="font-weight: 400;">, que segue em sua luta incansável pela justiça. A direção fotográfica e a trilha sonora contribuem para a angústia que o diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pretende passar. Ao longo de seu desenrolar, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Duelo </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta diversos altos e baixos, com alguns diálogos longos e exaustivos. No entanto, até mesmo com seus pontos fracos, o longa medieval entrega uma atuação impecável. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24992" aria-describedby="caption-attachment-24992" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24992" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard.jpg" alt="Cena do filme Um Match Surpresa. A imagem mostra uma mulher segurando um celular que mostra a imagem de um homem segurando um cartaz escrito “tchau Natalie”. A mulher é branca de cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, usa um óculos de sol no topo da cabeça, moletom cinza com logo da Nike e sua expressão é de astúcia. Ela segura seu celular com a mão, enquanto outra mão vinda do lado direito da imagem se aproxima para pegá-lo. O fundo é um parque." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/love-hard-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24992" class="wp-caption-text">O filme do diretor Hernán García foi salvo pelo elenco popular, que trazem traços da relação paternal chinesa-americana, e o infalível clima natalino (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Um Match Surpresa (Love Hard, </b><b>Hernán Jiménez García</b><b>)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bxfzkbUFlwU"><i><span style="font-weight: 400;">Um Match Surpresa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos primeiros filmes água com açúcar e de qualidade medíocre que já chegaram na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no esquenta para o Natal. A premissa é a mesma de </span><a href="https://sundial.csun.edu/11135/archive/dressesthoughpredictableisdressedforsuccess/"><i><span style="font-weight: 400;">Vestida Para Casar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que a mulher se sente assombrada pelo fantasma de ficar para titia, mas sem cultivar o romance que nasce naturalmente. Protagonizado por Nina Dobrev, sua personagem Natalie Bauer é uma jornalista que conta sobre seus encontros amorosos fracassados em um </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;">, e fica nesse </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/05/movies/love-hard-review.html"><span style="font-weight: 400;">ciclo vicioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> impulsionada por um chefe nada gente fina, que a quer continuamente vendendo histórias de tragédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natalie acha uma boa ideia viajar até o cara que ela acabou de conhecer por aplicativo de namoro para uma surpresa natalina. Só que ela cai em um </span><i><span style="font-weight: 400;">catfish</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; chocando ninguém &#8211; e </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/11/love-hard-review-netflix-1234677080/"><span style="font-weight: 400;">acaba presa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Josh (Jimmy O. Yang) e </span><a href="https://www.salon.com/2021/11/05/love-hard-review-netflix/"><span style="font-weight: 400;">sua família</span></a><span style="font-weight: 400;"> chinesa-americana. Os alívios cômicos e a crítica para a deturpação de identidade na <em>internet</em> são superficiais. Para piorar, Hernán García passa pano para mentirosos que pescam pessoas <em>on-line</em>, procurando justificativas para romantizar o homem. Mirando em atacar a geração que procura amor na aparência física, ele </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/love-hard-review-1235105525/"><span style="font-weight: 400;">morre na praia</span></a><span style="font-weight: 400;">, acerta na reafirmação da perfeição das mulheres e, irritantemente, nos faz acreditar nisso. </span><b>&#8211; Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_25025" aria-describedby="caption-attachment-25025" style="width: 1466px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884.jpg" alt="" width="1466" height="978" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884.jpg 1466w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marighella-e1547140197884-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25025" class="wp-caption-text">Brilhante, Seu Jorge dá vida ao guerrilheiro comunista Carlos Marighella, assassinado pela ditadura civil-militar em 1969 (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Marighella (Wagner Moura)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abílio Clemente Filho, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Aurora Maria Nascimento Furtado, Péricles Gusmão Régis, Edmur Péricles Camargo, Dinalva Oliveira Teixeira, Hamilton Pereira Damasceno, Helenira Resende de Souza Nazareth, Ichiro Nagami, Issami Nakamura Okano, Lyda Monteiro da Silva, Manoel Aleixo da Silva, Maria Augusta Thomaz, Túlio Roberto Cardoso Quintiliano, Uirassú de Assis Batista, Jane Vanini, Felix Escobar, Catarina Helena Abi-Eçab, Edson Luiz Lima Souto, Zuleika Angel Jones, Vladimir Herzog, Carlos Lamarca, Oswaldo Orlando da Costa, </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/carlos-marighella/"><span style="font-weight: 400;">Carlos Marighella</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, a ditadura civil-militar brasileira deixou, oficialmente, 434 mortos e desaparecidos. Acima, estão alguns poucos nomes que integram essa </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/memorial-mortos-e-desaparecidos/"><span style="font-weight: 400;">lista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para além de assistir e se emocionar com </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repeti-los é reafirmar e </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/mais-de-mil-ossadas-de-vala-aberta-na-ditadura-ainda-aguardam-identifica%C3%A7%C3%A3o/a-54812193"><span style="font-weight: 400;">honrar a memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos combatentes. Para que não aconteça de novo. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b><span style="font-weight: 400;">  </span></p>
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<figure id="attachment_25129" aria-describedby="caption-attachment-25129" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25129" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/encanto-1.jpg" alt="Cena da animação Encanto. Ambiente externo com iluminação natural e um fundo com árvores bastante verdes e casa com telhados terracota. Ao centro, Mirabel, uma mulher colombiana, com cabelos escuros, curtos e encaracolados, óculos redondos, olhos castanhos e um sorriso. Ela está segurando uma cesta com cataventos, chapéus de festa, instrumentos e outros objetos de comemoração. À sua volta estão três crianças moradoras de Encanto." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/encanto-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/encanto-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/encanto-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/encanto-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25129" class="wp-caption-text">Com uma arrecadação de US$ 57,9 milhões, Encanto tem se mantido na liderança das bilheterias americanas (Foto: Walt Disney Studios Motion Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Encanto (Idem, Byron Howard e Jared Bush)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Encanto</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história dos </span><a href="https://entretenimento.r7.com/cinema-e-series/jeniffer-nascimento-e-felipe-araujo-falam-sobre-filme-encanto-sonho-04122021"><span style="font-weight: 400;">Madrigal</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma família da Colômbia que vive em uma casa mágica. Lá, cada um dos moradores tem um dom que é concedido a eles após um milagre muitos anos atrás, exceto Mirabel (</span><a href="https://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Beatriz</span></a><span style="font-weight: 400;">), a única que ainda não descobriu o seu poder. Mas ao perceber mudanças e rachaduras pela casa, a personagem busca a resolução dos problemas para salvar sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, dirigido por Byron Howard e Jared Bush, tem a trilha sonora assinada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lin-Manuel Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz um trabalho impecável em criar e expor os sentimentos de cada um dos personagens e cenas através de músicas maravilhosas que contam uma história a cada número. Mas a trilha é só uma parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">encanto</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filme, que traz com um enredo inovador, personagens diversos e relacionáveis, e uma animação linda e aconchegante. </span><b>&#8211; Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_25282" aria-describedby="caption-attachment-25282" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25282" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford.jpg" alt="Cena do filme Clifford: O Gigante Cão Vermelho. A imagem mostra a personagem de Darby Camp, uma garota branca de cabelos ruivos, em close no seu rosto, de perfil. Ela está encostada numa cama, usando pijamas brancos, e seu rosto está tocando o focinho de um cachorrinho vermelho pequeno, que ela segura à sua frente com as mãos. Ambos estão de olhos fechados." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/clifford-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25282" class="wp-caption-text">Alerta de filme que agrada a família toda (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Clifford: O Gigante Cão Vermelho (Clifford, the Big Red Dog, Walt Becker)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos suspiros de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Clifford: O Gigante Cão Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;"> finalmente foi lançado. A nova versão da </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/criticas/2021/11/critica-clifford-o-gigante-cao-vermelho"><span style="font-weight: 400;">história infantil clássica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Norman Bridwell, que já foi para a TV e para os cinemas entre 2000 e 2006, teve sua estreia atrasada por conta da pandemia, mas agora renovou a simpatia do cãozinho num longa </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ganhar os corações das </span><a href="https://cinepoca.com.br/clifford-o-gigante-cao-vermelho-traz-historia-envolvente-para-adultos-e-criancas/"><span style="font-weight: 400;">crianças da geração alpha</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Walt Becker traz </span><a href="https://www.instagram.com/darbyecamp/"><span style="font-weight: 400;">Darby Camp</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Emily Elizabeth, personagem que logo tem o prazer de conhecer Clifford (David Alan Grier) através de um criador de animais, que promete uma relação direta entre o crescimento do animal e o amor dedicado a ele. O complemento da aventura de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mT5niq0-D6M"><i><span style="font-weight: 400;">Clifford: O Gigante Cão Vermelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o divertido tio Casey (Jack Whitehall), responsável por Emily enquanto sua mãe está fora da cidade, o cenário de uma Nova Iorque, tipicamente caótica para um cachorro nada normal, e o toque delicado em questões importantes de serem introduzidas desde a infância, como </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;"> e respeito às diferenças. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_25281" aria-describedby="caption-attachment-25281" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25281" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho.jpg" alt="Cena do filme Alerta Vermelho. Ao centro vemos Gal Gadot. Uma mulher jovem, branca, de cabelos pretos e levemente ondulados. Ela veste um vestido vermelho e colar, pulseira e anel pratas. Suas mãos estão tocando um ovo grande de ouro. Ela está olhando para a peça. O fundo é desfocado em luzes pretas e amarelas." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemalertavermelho-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25281" class="wp-caption-text">É melhor assistir Alerta Vermelho do que Domingão com Huck (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Alerta Vermelho (Red Notice, Rawson Marshall Thurber)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final do tenebroso 2020, já era possível escutar os burburinhos sobre </span><a href="http://youtube.com/watch?v=3pTXnZw_Xhc"><i><span style="font-weight: 400;">Alerta Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque o filme da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta com nada mais nada menos do que Gal Gadot, The Rock e Ryan Reynolds no elenco principal. Produções que dispõem de protagonistas do alto escalão sempre correm o risco de oferecer roteiros rasos e apenas rostos bonitos, e é exatamente isso que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Red Notice</span></i><span style="font-weight: 400;"> exibe em suas quase duas horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Divertidinho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alerta Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cheio de atuações canastronas e um roteiro sem pé nem cabeça que tenta emplacar um novo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cada cinco minutos de filme. A história sobre os maiores ladrões de Arte procurados pela </span><a href="https://www.novo.justica.gov.br/sua-protecao-2/cooperacao-internacional/atuacao-internacional-2/foros-internacionais/international-criminal-police-organization-interpol"><i><span style="font-weight: 400;">Interpol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sabe que será sucesso de audiência pelos nomes envolvidos. É por conta disso que o filme não se preocupa em não oferecer detalhes técnicos, muito menos se importa com o fato de entregar apenas clichês. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alerta Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sessão da Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;"> para toda família. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_25287" aria-describedby="caption-attachment-25287" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-scaled.jpg" alt="Cena do filme Vingança e Castigo. Na imagem dois homens estão sentados lado a lado em uma mesa de bar antiga. Sentado à esquerda há um homem negro de cabelos castanhos e barba rala, ele veste jaqueta marrom sobre camisa jeans e está olhando para a bebida que está servindo em cima da mesa. À sua direita há um homem negro de mais idade, com chapéu preto, grossos bigodes pretos, vestindo terno preto sobre camisa branca e gravata borboleta roxa, enquanto olha para a mesa e dá um largo sorriso. Em cima da mesa há um vidro laranja tampando uma vela e um chapéu preto repousado mais para o lado. O fundo mostra lustres e uma cortina laranja para outra sala." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/vinganca-e-castigo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25287" class="wp-caption-text">Delroy Lindo é mais um ator fantástico que vive o xerife Bass Reeves (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vingança &amp; Castigo (The Harder They Fall, Jeymes Samuel)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O faroeste da</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> não sai fora da curva no </span><i><span style="font-weight: 400;">Vingança &amp; Castigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jeymes Samuel, muito mais do que isso, o diretor transforma o padrão do gênero em brincadeira de criança. E este não é um simples filme de Velho Oeste, mas sim </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/03/movies/the-harder-they-fall-review.html"><span style="font-weight: 400;">um marco</span></a><span style="font-weight: 400;"> cinematográfico de que pessoas negras estavam presentes nesse cenário histórico &#8211; como a chamada durante os primeiros minutos do longa mesmo diz: </span><i><span style="font-weight: 400;">ainda que seja ficcional, essas pessoas existiram</span></i><span style="font-weight: 400;">. O estereótipo branco dos xerifes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_2PyxzSH1HM"><i><span style="font-weight: 400;">The Ballad of Buster Scruggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cai por terra e vira pó, pisoteado por um elenco negro extraordinário.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de vingança entre duas gangues é contada com muito dinamismo e ação, junto de uma comédia ácida que aparece nos momentos essenciais. Nat Love (Jonatan Majors) </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rufus Buck (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Idris Elba</span></a><span style="font-weight: 400;">) junto de seus companheiros &#8211; que também carregam outros nomes de peso na interpretação, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/"><span style="font-weight: 400;">Regina King</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lakeith Stanfield, Edi Gathegi, Zazie Beetz e até Damon Wayans &#8211; se enfrentam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a trama é 100% protagonizada por pessoas negras, e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/11/vinganca-e-castigo-mostra-que-ha-faroeste-depois-de-clint-eastwood.shtml"><span style="font-weight: 400;">radicaliza o irrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> até entendermos que a realidade é uma imagem construída. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Harder They Fall</span></i><span style="font-weight: 400;">, em seu nome original, mostra a </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/trilha-sonora-14-musicas-presentes-no-filme-vinganca-e-castigo/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a cereja do bolo, um lugar incomum para o gênero. Envolvendo o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma pegada mais </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou batidas mais intensas de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, as músicas do filme lembram que tudo pode ser revolucionário. </span><b>&#8211; Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_25288" aria-describedby="caption-attachment-25288" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised.jpg" alt="Cena do filme Ferida. Vemos Jackie, uma mulher negra lutando MMA dentro de um ringue. Ela está com o olho esquerdo inchado, usa luvas pretas e veste uma camiseta cinza. Seu cabelo é repleto de tranças na altura dos ombros, de cor preta na raiz e amarela nas pontas. No canto esquerdo, vemos a nuca desfocada da mulher negra que Jackie enfrenta." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/bruised-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25288" class="wp-caption-text">Halle Berry precisa superar os próprios limites em seu novo filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ferida (Bruised, Halle Berry)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uuA-dCqF5BQ"><span style="font-weight: 400;">Halle Berry</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez sua estreia na direção em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ferida</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme onde interpreta Jackie Justice, uma antiga lutadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">MMA</span></i><span style="font-weight: 400;"> que agora faz faxinas para conseguir pagar as contas. Quando Manny, seu filho de 6 anos de idade que abandonou, reaparece à sua porta, Jackie decide aproveitar uma última chance de voltar aos ringues e retomar a carreira pelo bem da criança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção agressiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ferida </span></i><span style="font-weight: 400;">parece destacar o sofrimento e a violência no cotidiano da protagonista, mas tem dificuldade em lidar com os temas que surgem ao longo da obra, como a sexualidade de Jackie. O que poderia torná-la mais complexa é introduzido com rapidez e é logo deixado de lado para seguir uma fórmula conhecida dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/"><span style="font-weight: 400;">filmes de luta</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme tenta construir uma história de superação, mas falha ao impedir que conheçamos sua protagonista a fundo. Os únicos momentos em que oferece algo além de dessensibilização são as cenas de Jackie com o filho, onde estabelece uma relação de amor e carinho genuína entre eles. No resto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bruised</span></i><span style="font-weight: 400;"> prefere seguir um modelo já visto em outros filmes do gênero do que explorar suas particularidades. </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
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<figure id="attachment_25280" aria-describedby="caption-attachment-25280" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha.png" alt="Cena do álbum visual GRACINHA, de Manu Gavassi. A imagem mostra Manu, uma mulher branca de cabelos ruivos ondulados presos numa trança, sentada à frente de uma penteadeira antiga, com o corpo de lado, virado para a direita, mas olhando para a câmera. Ela veste um corset branco e está com as mãos apoiadas na bancada, de madeira marrom clara. Na frente dela, existe um espelho cercado por luzes redondas amarelas. Atrás dela, existem quatro pessoas, que também olham para a câmera e usam roupas de espetáculo. Ao fundo, existe uma parede verde água descascada e uma janela de madeira antiga." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/manu-gavassi-gracinha-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25280" class="wp-caption-text">E não é que ela <a href="https://catracalivre.com.br/entretenimento/bbb20-os-memes-da-manu-na-disney-apos-discurso-do-prior-estao-demais/">tá na Disney</a> mesmo? (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>GRACINHA (Manu Gavassi e Gabriel Dietrich)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Manu Gavassi é sempre acompanhado por uma imagem debochada como pessoa pública e rasa enquanto artista. Bom, isso até novembro de 2021. Isso porque o novo projeto da artista não é só uma significativa ruptura com os caminhos que a mesma traçou para a sua carreira até então, como também é uma demonstração do que ela pode fazer quando está mais preocupada com a sinceridade de sua expressão diante do mundo do que em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pQgMMd-OjOs"><span style="font-weight: 400;">fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">gracinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E isso não é eu que estou dizendo, mas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e9TukGGWDCQ"><span style="font-weight: 400;">a própria Manu Gavassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada canto de seu novo disco, que além de encontrar seu lugar de respeito dentro da Música nacional, destaca-se também no cenário artístico brasileiro como um todo com o seu complemento visual. Seguindo a narrativa do álbum, o filme apresenta, através da história musicada de Gracinha (interpretada talentosamente pela própria Manu), reflexões sobre o ofício da Arte e o exercício da liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela também assina o roteiro (que traz um quê de Literatura maravilhoso) e a produção de arte (cuja identidade tem um caráter de inédito vindo de uma artista brasileira, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gb1MWkZbXb0"><span style="font-weight: 400;">esbanja personalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da essência de Manu Gavassi e de suas referências), dividindo a direção com </span><a href="https://www.instagram.com/gabdietrich/"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Dietrich</span></a><span style="font-weight: 400;">. O álbum visual ainda conta com um elenco brilhante (Paulo Miklos, Ícaro Silva, Fábio Porchat, João Cortês e Titi Gagliasso) que destaca a produção musical de Lucas Silveira. Eu tentei explicar, mas é isso: prometo para você que, dessa vez, a </span><a href="https://www.disneyplus.com/pt-br/movies/gracinha/RfIfOngDOnKz"><i><span style="font-weight: 400;">GRACINHA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Manu Gavassi é imperdível. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<h3>TV</h3>
<figure id="attachment_24984" aria-describedby="caption-attachment-24984" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Cowboy Bebop. Os tripulantes da Bebop caminham para frente em um beco iluminado por luzes neon. Da esquerda para a direita: Spike (John Cho), Jet (Mustafa Shakir) e Faye (Daniella Pineda) segurando a coleira de Ein, um cachorro da raça corgi. Spike é um homem asiático de cabelos pretos e bagunçados. Ele usa um terno azul futurista por cima de uma camisa amarelo-clara com a gola levantada e uma gravata preta. Suas mangas estão levantadas e ele está com as mãos nos bolsos. Jet é um homem negro careca de barba preta, usando um macacão cinza sem mangas por cima de uma camiseta vermelho-escura. Seu braço esquerdo é uma prótese futurista e há uma cicatriz cortando verticalmente seu olho direito. Faye é uma mulher latina de cabelos roxo-escuros, usando uma jaqueta de couro marrom por cima de um colete amarelo fechado por um zíper, saia preta e meia calça e botas de cano alto. Ein é um corgi de pelagem caramelo e branca. Jet segura uma bolsa com a mão mecânica e Faye segura a coleira de Ein com sua mão esquerda. As paredes do beco são de tijolos, cortados por cimento e, atrás das personagens, vemos uma porta de vidro vazando uma luz branca. Acima da porta, a ponta de um letreiro de neon rosa ilumina o beco. Do lado direito da cena, uma caçamba de lixo está posta contra a parede do beco." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/cowboy-bebop-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24984" class="wp-caption-text">“O que acontecer, aconteceu” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Cowboy Bebop (</b><b>1ª temporada</b><b>, Netflix)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda tentando emplacar uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/one-piece/one-piece-live-action"><span style="font-weight: 400;">adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">animes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o formato </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocidental, a mais nova aposta (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ghost-in-the-shell-vigilante-do-amanha/"><span style="font-weight: 400;">e vítima</span></a><span style="font-weight: 400;">) de Hollywood não é ninguém menos do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra seminal e influente de Shinichiro Watanabe lançada em 1998. Distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira temporada da nova série segue mais ou menos a linha dos primeiros episódios da animação, narrando as desventuras de um grupo de caçadores de recompensas espaciais que viajam pelo sistema solar à bordo da nave </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, procurando por foragidos e tentando, cada um à sua maneira, escapar de um passado nebuloso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R0BaQa0VNKk"><i><span style="font-weight: 400;">Death Note</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017), a nova tentativa do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> de traduzir animações orientais para </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforça para preservar a iconografia da série original, mesmo quando tal esforço faz pouco ou nenhum sentido. Sim, é legal ver John Cho caracterizado como o relaxado Spike Spiegel, mas acompanhar uma pessoa de carne e osso usando a mesma roupa por 10 episódios só chama mais atenção para o estranhamento entre um formato e outro. As novas interpretações de suas personagens são intrigantes e oferecem potencial, mas a insistência de sua apresentação em manter a estética do original se prova um detrimento ao invés de uma virtude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a </span><a href="https://open.spotify.com/album/1XoE7ZirQ3gjxq8HIzTJU9?si=j7YSQuxSSm6e06zDTvwh8A"><span style="font-weight: 400;">incrível trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> da animação tenha sido preservada graças ao retorno da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZINRNNNRNVE"><span style="font-weight: 400;">compositora Yoko Kanno</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> não mais rege a estrutura de sua execução. Abandonando o formato episódico da animação original, o novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta ao máximo serializar sua narrativa para se adequar ao formato de exibição do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, ligando seus episódios por meio da trama fraquíssima do vilão Vicious (Alex Hassell), que só engata de verdade nos últimos episódios, sem força o suficiente para entregar uma conclusão adequada para a temporada. Não foi dessa vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Space Cowboy.</span></i><b> &#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24988" aria-describedby="caption-attachment-24988" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here.jpg" alt="Cena da série We´re Here apresenta três drag queens andando na rua em um dia ensolarado. A esquerda está uma drag branca, gorda, usando uma peruca loira. O centro da imagem é ocupado por uma drag negra, magra, usando uma peruca castanha. No canto direito está uma drag negra, magra, com uma peruca enrolada castanha. As três vestem um look dourado extremamente elaborado." width="1620" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/we´re-here-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24988" class="wp-caption-text">Elas estão de volta! (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>We&#8217;re Here (2ª temporada, HBO)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma temporada incrível empoderando pessoas em cidades pequenas no interior dos Estados Unidos, Bob The Drag Queen, Shangela e Eureka retornam para mais um longo percurso em </span><i><span style="font-weight: 400;">We&#8217;re Here</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o propósito de recrutar pessoas para participar pela primeira vez de um </span><i><span style="font-weight: 400;">show drag</span></i><span style="font-weight: 400;">, as ex-participantes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/rupauls-drag-race-13a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">RuPaul&#8217;s Drag Race</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ajudam no empoderamento de indívudios LGBTQIA+ que cruzam o caminho das </span><i><span style="font-weight: 400;">queens</span></i><span style="font-weight: 400;">. No meio do percurso, surgem diversos talentos e histórias de superação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa da série se assemelha muito com o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=75rguGiB1QQ"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla, a Rainha do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com três </span><i><span style="font-weight: 400;">drag queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> talentosíssimas que viajam por lugares inóspitos em um ônibus estilizado do tamanho da personalidade das artistas. Após uma temporada, Bob The Drag Queen, Shangela e Eureka retornam com muito mais familiaridade em sua série, o que permite com que as histórias se desdobrem com mais fluidez e emoção. Ao longo de oito episódios, a série transborda  o carisma, a singularidade, a coragem e o talento que a Mama Ru tanto cobra das participantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_25283" aria-describedby="caption-attachment-25283" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25283" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemimpeachment.jpg" alt="Cena da série Impeachment: American Crime Story. À esquerda há uma mulher branca e loira. Ela veste blusa branca, calça preta e um sobretudo bege com traços pretos. Ela usa óculos. Sua mão esquerda está apontando para uma mulher. Essa mulher está à direita da imagem. Ela é branca de cabelos pretos. Usa uma camisa preta e um colar de pérolas brancas. O fundo é uma parede branca desfocada." width="1200" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemimpeachment.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemimpeachment-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemimpeachment-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagemimpeachment-768x435.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25283" class="wp-caption-text">Impeachment: American Crime Story é boa escolha para maratonar enquanto você aguarda um impeachment no Brasil (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><b>Impeachment: American Crime Story (3ª temporada, FX)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1994, Paula Jones abriu um </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historia-america/impeachment-bill-clinton.htm"><span style="font-weight: 400;">processo contra Bill Clinton</span></a><span style="font-weight: 400;"> alegando ter tido sua carreira prejudicada após a recusa de uma proposta sexual. Em novembro de 1996, Bill Clinton foi reeleito presidente dos Estados Unidos. Em 1997, o caso foi arquivado. E, em 1998, após Linda Tripp entregar ao Procurador de Justiça cópias das conversas da estagiária Monica Lewinsky, que comprovava o envolvimento pessoal dela com Clinton, o processo de </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> do presidente foi aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse escândalo foi o tema escolhido para o terceiro ano da primorosa </span><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após uma produção de altíssimo nível exibindo o julgamento de </span><a href="https://manualdohomemmoderno.com.br/filmes-e-series/motivos-para-assistir-american-crime-story-o-povo-contra-o-j-simpson"><span style="font-weight: 400;">O. J. Simpson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma segunda temporada mostrando os dramas do assassinato de </span><a href="https://www.vix.com/pt/series/570093/o-assassinato-de-gianni-versace-o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficcao-na-serie-de-sucesso"><span style="font-weight: 400;">Gianni Versace</span></a><span style="font-weight: 400;">, a antologia com produção executiva de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/ryan-murphy/"><span style="font-weight: 400;">Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói o caso Clinton e Lewinsky, retratando a podridão dos poderosos. Apesar dos episódios durarem em torno de 1 hora cada, as histórias das personagens desenrolaram de maneira rápida, eficaz e não cansativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque para </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-11-01/monica-lewinsky-do-escarnio-planetario-a-lider-ativista.html"><span style="font-weight: 400;">Monica Lewinsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dentro e fora das câmeras. Além de ter sua história protagonizada, ela atua como produtora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Impeachment:</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i><span style="font-weight: 400;">. Lewinsky retratada como completa ingênua através da entrega à atuação de Beanie Feldstein, certamente é a maior vítima dos acontecimentos. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sarah-paulson/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Paulson</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele de Linda Tripp reverbera a série, assim como qualquer produção que ela toca. Edie Falco também é um grande nome a ser citado. Sem muitas cenas nos primeiros episódios, sua Hillary Clinton vem à tona e irretocável para o final, momento de seu maior estrelismo. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24989" aria-describedby="caption-attachment-24989" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Stargirl. Stargirl se reúne com seus aliados para enfrentar uma nova ameaça. Da esquerda para a direita: Shiv (Meg DeLacy), Stargirl (Brec Bassinger) e Pantera (Yvette Monreal). Shiv é uma adolescente asiática com cabelos pretos com mechas brancas. Ela usa um uniforme verde com partes de armadura marrom nos braços e nos ombros, um peitoral verde com um painel brilhante na barriga. Stargirl é uma adolescente caucasiana de cabelos loiros e encaracolados, usando uma máscara azul que cobre a parte superior de seu rosto. Ela usa um uniforme azul com luvas vermelhas, com uma estrela branca grande no peito e estrelas menores indo dos braços às luvas. Ela segura o Bastão Cósmico com ambas as mãos, ameaçando para frente. O Bastão é revestido por energia dourada perto de onde ela o toca. Pantera é uma adolescente latina de cabelos pretos. Ela usa uma máscara de pantera que cobre a parte superior de seu rosto. Ela usa um uniforme escuro sem adereços. Atrás dela, podemos ver uma porta de vidro com um símbolo gravado, mas fora de foco e ilegível. As três encaram a câmera, olhando ameaçadoramente para frente. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/stargirl-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24989" class="wp-caption-text">O inimigo do meu inimigo (Foto: The CW)</figcaption></figure>
<p><b>Stargirl (</b><b>2ª temporada</b><b>, The CW/HBO Max)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma das heranças do finado serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Stargirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> não teve a boa sorte de ter passado para as mãos do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> assim como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kuUFOmvyKo4"><i><span style="font-weight: 400;">Doom Patrol</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6ttU1iKSpdA"><i><span style="font-weight: 400;">Titans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ficando à cargo da </span><i><span style="font-weight: 400;">CW,</span></i><span style="font-weight: 400;"> emissora responsável pelas séries que compõem o chamado <em>Arrowverso</em>, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=toJCsaISMAw"><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/batwoman-ruby-rose-expoe-ambiente-toxico-abusos-e-acidentes-no-set-199340/"><i><span style="font-weight: 400;">Batwoman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da mudança, a série de Greg Berlanti lida bem com o novo ambiente e, mesmo tropeçando um pouco nos primeiros episódios, recupera o fôlego na segunda metade da temporada e constrói um drama emocional maduro e inteligente para seu grupo de jovens heróis (e vilões).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a derrota de Geada (Neil Jackson), Courtney (Brec Bassinger) e o resto da nova </span><span style="font-weight: 400;">Sociedade da Justiça da América</span><span style="font-weight: 400;"> tem de descobrir como manter o equilíbrio entre suas novas identidades secretas e suas vidas civis, deixando os primeiros capítulos do novo arco (</span><i><span style="font-weight: 400;">Summer School</span></i><span style="font-weight: 400;">) um pouco maçantes. O que salva é a </span><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/stargirl-ysa-penarejo-comenta-escalacao"><span style="font-weight: 400;">introdução de Ysa Penarejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Jade, filha do Lanterna Verde original e nova portadora do Anel de Poder, e a </span><a href="https://decider.com/2021/08/17/dcs-stargirl-meg-delacy-spoiler-interview/"><span style="font-weight: 400;">volta de Meg DeLacy</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Shiv, uma das atrizes que mais parece se divertir com seu papel de vilã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a chegada de Eclipso (Nick E. Tarabay), no entanto, mágoas passadas são postas de lado e um inimigo força todos a confrontarem seus piores medos, em episódios carregados de tensão e até mesmo Terror, cimentando a nova fase da produção e sua capacidade de se diversificar. Apesar de não ter o mesmo orçamento de outras adaptações de quadrinhos populares, </span><i><span style="font-weight: 400;">Stargirl</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta naquilo que importa, atingindo em cheio na energia positiva que marcou o primeiro ano da série, mas sem ignorar os negativos de suas personagens.</span><b> &#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_25126" aria-describedby="caption-attachment-25126" style="width: 1915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol.jpg" alt="Cena da série Patrulha do Destino. Vemos quatro pessoas e um robô parados na cozinha de uma mansão. Ao fundo, sentado à mesa, vemos um homem negro com cabeça raspada, um olho cibernético do lado direito e o braço direito metálico. À esquerda, vemos um homem coberto em ataduras, como uma múmia. Ele veste um casaco grosso e usa um óculos preto similar aos usados para natação. À direita, vemos uma mulher branca que veste uma blusa branca e saia, como se tivesse saído de um filme da década de 1950. Em seguida, vemos um robô com olhos vermelhos, vestindo uma jaqueta de couro preta e uma camiseta cinza, e uma mulher branca, mais baixinha e com cabelo preto quase na altura dos ombros, vestindo uma blusa larga e preta. Todos olham, surpresos, para algo fora da imagem." width="1915" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol.jpg 1915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol-800x358.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol-1024x458.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol-768x344.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol-1536x687.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/doom-patrol-1200x537.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25126" class="wp-caption-text">Reconhecer as próprias falhas para conseguir melhorar como pessoa é um tema forte na terceira temporada da série dos heróis da DC (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Patrulha do Destino (Doom Patrol, 3ª temporada, HBO Max)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma segunda temporada que foi encurtada por causa da </span><a href="https://www.syfy.com/syfy-wire/doom-patrol-showrunner-pandemic-cliffhanger-s2-finale"><span style="font-weight: 400;">pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Patrulha do Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">retornou exatamente de onde parou. No novo ano, a equipe dos heróis excêntricos e desajustados da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics </span></i><span style="font-weight: 400;">precisa lidar com seus próprios traumas enquanto enfrentam bizarrices tão inexplicáveis que nem a Liga da Justiça teria coragem de confrontar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doom Patrol </span></i><span style="font-weight: 400;">provou que esta é a melhor série baseada em histórias em quadrinhos em exibição atualmente. As aventuras estão ainda mais doidas, de um jeito que deixaria </span><a href="https://ovicio.com.br/como-grant-morrison-redefiniu-a-patrulha-do-destino/"><span style="font-weight: 400;">Grant Morrison</span></a><span style="font-weight: 400;"> orgulhoso, e o drama de cada um dos membros da equipe emociona bastante. O destaque dado à Rita Farr (April Bowlby) surpreende ao exibir uma ambiguidade moral fascinante, que nunca tinha sido mostrada até então, e a adição de Michelle Gomez ao elenco, no papel de uma viajante no tempo misteriosa, introduz um excelente clima de desconfiança à dinâmica do grupo. O episódio 8, </span><i><span style="font-weight: 400;">Patrulha do Subconsciente</span></i><span style="font-weight: 400;">, é digno de </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Que venham mais temporadas! </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
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<figure id="attachment_25147" aria-describedby="caption-attachment-25147" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25147" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big.jpg" alt="Cena da série Big Mouth, mostra um fantoche marrom do personagem Monstro do Hormônio em um sofá vermelho." width="1500" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/big-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25147" class="wp-caption-text">A maior (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Big Mouth (5ª temporada, Netflix)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ódio é protagonista da 5ª temporada da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ynONJOneEoM"><span style="font-weight: 400;">série mais safada da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No novo ano, os eternos pré-adolescentes precisam lidar com a chegada do Amor, na forma de Walter (Brandon Kyle Goodman), o inseto da paixão que infecta Nick (Nick Kroll) e faz seus sentimentos por Jessi (Jessi Klein) aflorarem. O problema é que a garota tem seu próprio monstro amoroso, Sonya (</span><a href="https://personaunesp.com.br/better-things-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pamela Adlon</span></a><span style="font-weight: 400;">), que cutuca seu coração para a direção de Ali (Ali Wong).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o circo armado, o amor não correspondido vira raiva, desaguando em uma trama repleta de rancor, com direito ao retorno do Mago da Vergonha (David Thewlis). Enquanto isso, Andrew (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sf_1GfMOUws"><span style="font-weight: 400;">John Mulaney</span></a><span style="font-weight: 400;">) lida com seus problemas de aceitação, Jay (Jason Mantzoukas) abandona o relacionamento tóxico que mantinha com Lola (Nick Kroll) e acaba na cama de Matthew (Andrew Rannells). Missy (Ayo Edebiri), por outro lado, alimenta o rancor da cobra Rochelle (Keke Palmer) e preocupa Mona (Thandiwe Newton).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No plano geral, Maury (Nick Kroll) e Connie (Maya Rudolph) não se encontram tão ao centro da narrativa, mas ganham protagonismo no divertido e peculiar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dR1sJc8goMI"><span style="font-weight: 400;">episódio de Natal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com direito a muita metalinguagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Big Mouth</span></i><span style="font-weight: 400;"> já está exalando um ar de encerramento, ainda mais quando o jovem Nick visita o Mundo dos Monstros e sobe o elevador até a sala do chefão, ninguém menos que o próprio Nick Kroll, que aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> e contracena com seu “eu” animado. Madura, sacana, cheia de tesão e com muito a dizer, a Bocona da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">segue irretocável. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_25285" aria-describedby="caption-attachment-25285" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/adele-one-night-only.png" alt="Cena do especial Adele: One Night Only. Duas mulheres sentadas em cadeiras no meio de um jardim rindo. A esquerda, Adele, uma mulher branca de cabelos loiros usa um conjunto de calça e blazer branco. A direita, Oprah, uma mulher negra e cabelos castanhos, usa óculos redondos e um conjunto bege." width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-25285" class="wp-caption-text">Antes do lançamento de seu novo disco, Adele concedeu uma sincera entrevista à Oprah (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Adele One Night Only (Especial Musical, CBS/Globoplay)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">One Night Only</span></i><span style="font-weight: 400;">, Adele caminha por toda a sua trajetória musical e explora clássicos e novidades que compõem a sua carreira, enquanto bate um papo com Oprah Winfrey. Abrindo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Hello</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora mescla músicas de seus primeiros álbuns, trilha sonoras de filmes e do seu mais novo projeto: </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-adele-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">30</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A entrevistadora toca em pontos da </span><a href="https://www.eonline.com/br/photos/33553/os-melhores-momentos-do-especial-de-adele-one-night-only"><span style="font-weight: 400;">jornada de Adele</span></a><span style="font-weight: 400;">, abordando sua perda de peso, as inspirações por trás de cada canção, o divórcio e seu filho Angelo, e os sentimentos da artista transparecem a cada resposta, sendo visível a sinceridade da conversa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A plateia da apresentação é composta por diversos convidados de renome, como Leonardo DiCaprio, Selena Gomez, Tracee Ellis Ross e Lizzo, que vibram e celebram as músicas e comentários da cantora. Ela age com bastante naturalidade, mesmo sendo sua primeira performance de algumas músicas desde o </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-adele-critica/"><span style="font-weight: 400;">lançamento do novo CD</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_25286" aria-describedby="caption-attachment-25286" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-scaled.jpg" alt="Cena da série The Foundation. No canto esquerdo da imagem há uma espaçonave indo em direção a um astro que brilha intensamente em cores vermelhas na parte superior da imagem." width="1600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foundation-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25286" class="wp-caption-text">A série de Goyer está amparada exclusivamente na super potência de seu audiovisual, figurino e maquiagem, pois sua narrativa é um emaranhado de peças soltas (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Foundation (1ª temporada, Apple TV+)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso assistir ao menos os 3 primeiros episódios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Foundation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para entender do que se trata. Somos lançados em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H5CBWy17y70"><span style="font-weight: 400;">cinematografia magnífica</span></a><span style="font-weight: 400;">, de arrancar suspiros, para conhecer um universo completamente diferente com incontáveis planetas e habitantes, mas não é fácil perceber qual história está sendo contada. A nova série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> é baseada nos livros de </span><a href="http://centralpandora.com.br/fundacao-isaac-asimov/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Asimov</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma coleção que é um marco da ficção científica e narra o futuro a partir da perspectiva político-social.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série de David S. Goyer usou </span><a href="https://paginajournal.com/essas-8-coisas-que-todos-devem-saber-sobre-a-serie-foundation-antes-de-comecar/"><span style="font-weight: 400;">apenas a premissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Asimov para criar sua narrativa &#8211; e isso é o que mais revoltou os fãs. Ambas contam a história de um Império galáctico de 12 mil anos de idade, governado por uma tríplice de clones &#8211; é isso aí, você leu direitinho. Cleon teve a brilhante ideia de ter uma dinastia de clones próprios, então, séculos depois, estamos diante de 3 versões suas: uma jovem, outra adulta e a mais velha. Assim, a galáxia de trilhões de habitantes está na mão (ou nas mãos?) de um autocrata, cujo maior inimigo é justamente a ciência, e </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2021/sep/24/foundation-review-apple-tv"><span style="font-weight: 400;">a produção patina</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesse enredo complexo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto lidamos com o desenvolvimento de Cleon (Lee Pace), a série se distancia dos livros na maior parte do tempo, mudando personagens importantes, </span><a href="https://variety.com/2021/tv/reviews/foundation-review-apple-plus-asimov-1235073033/"><span style="font-weight: 400;">inclusive o protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Hari Seldon. Sob a pele do brilhante Jared Harris, Seldon é um matemático que inventou a </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/biografia-de-isaac-asimov/"><span style="font-weight: 400;">psico-história</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma ciência que prevê movimentos da sociedade a partir da psicologia das massas e algumas continhas. Segundo ele, o Império irá cair, e por isso, Cleon precisa que uma parcela da população crie uma Fundação para que a espécie sobreviva. Um audiovisual espetacular e a má construção de </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Cultura/noticia/2021/09/adaptacao-de-fundacao-ganha-mais-personagens-femininos-e-diversidade.html"><span style="font-weight: 400;">suas personagens femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> os acompanham nessa brincadeira que vale a pena assistir &#8211; mas talvez te decepcione. </span><b>&#8211; Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_24990" aria-describedby="caption-attachment-24990" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Arcane. Vi (Hailee Steinfeld) e Cait (Katie Leung) caminham de costas para a câmera, no meio de uma passarela semi-destruída, com pontas de ferro expostas e escombros dos lados. Na frente delas, uma lua vermelha enche a maior parte do fundo, por cima de um céu cor de ferrugem. Um míssil com uma cauda azul surge de cima, cortando a lua simetricamente. Algumas nuvens escuras cruzam o céu e a lua. Vi, a esquerda, é uma mulher caucasiana de cabelo rosa curto, usando uma jaqueta vermelha e uma calça, com uma manopla futurista com um brilho azulado na mão esquerda. Cait, apoiada em Vi, é uma mulher asiática de cabelos longos e azuis, usando um vestido azul. Ela passa seu braço esquerdo ao redor do pescoço de Vi, enquanto Vi segura sua cintura com seu braço direito. Atrás delas, uma manopla igual a de vi está no chão, destruída." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arcane-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24990" class="wp-caption-text">Quando o mundo te transforma numa arma, o que fazer senão disparar? (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Arcane (Arcane: League of Legends, </b><b>1ª temporada, Netflix)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No reino das animações, foi difícil ouvir falar sobre outra coisa esse mês a não ser </span><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i><span style="font-weight: 400;">. A nova produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix,</span></i><span style="font-weight: 400;"> baseada no universo do jogo </span><i><span style="font-weight: 400;">League of Legends, </span></i><a href="https://dotesports.com/league-of-legends/news/riots-arcane-quickly-earns-imdbs-highest-rating-for-a-netflix-original-series"><span style="font-weight: 400;">conquistou elogios</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto de fãs da franquia quanto do público em geral, graças aos seus visuais deslumbrantes, sua atmosfera </span><i><span style="font-weight: 400;">steampunk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas personagens carismáticas, finalmente </span><a href="https://www.theenemy.com.br/pc/arcane-desbanca-round-6-e-assume-topo-de-audiencia-na-netflix"><span style="font-weight: 400;">desbancando </span><i><span style="font-weight: 400;">Round 6</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do primeiro lugar no </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking </span></i><span style="font-weight: 400;">de séries mais vistas na plataforma. Contando com vários dos personagens do jogo, a primeira temporada da série narra a tensão entre Piltover e Zaun, cidades gêmeas marcadas pela desigualdade entre suas classes sociais, encarnada no relacionamento entre as irmãs Vi (Hailee Steinfeld) e Jinx (Ella Purnell).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo em sua abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i><span style="font-weight: 400;"> já encanta com seu uso de cores e sons para contar sua história, num dos exemplos mais impactantes do potencial de animações desde que Miles Morales saltou para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y_CrM0lbB6U"><span style="font-weight: 400;">dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018 (e ambas tiveram um longo </span><a href="https://pursuenews.com/arcane-season-1-took-6-years-to-complete-but-assures-season-2-will-arrive-sooner-riot-games-ceo/"><span style="font-weight: 400;">tempo de desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;">). A mistura entre técnicas <em>2D</em> e<em> 3D</em> forma a base para uma das estéticas mais distintas do ano, marcada por modelos de personagens cartunescos e expressivos e uma iluminação estilizada. A qualidade da atuação de Steinfeld e Purnell como as trágicas irmãs carrega os capítulos, que por vezes sofrem com a quantidade de subtramas políticas apresentadas que não são nem de longe tão engajantes quanto a principal, apesar de apresentarem potencial para a já confirmada segunda temporada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividida em três atos de três episódios, a produção conseguiu manter o interesse da audiência ao longo de quase todo o mês, marcando um sucesso não só para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Riot Games</span></i><span style="font-weight: 400;">, desenvolvedora de </span><i><span style="font-weight: 400;">League of Legends</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao fim de um ano marcado por acusações de </span><a href="https://www.theenemy.com.br/esports/ceo-da-riot-games-esta-sendo-investigado-por-assedio"><span style="font-weight: 400;">assédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/voxel/223234-riot-games-acusada-tentar-calar-funcionarios-sofreram-assedio.htm"><span style="font-weight: 400;">má conduta</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mancharam com razão o nome da companhia e de suas propriedades e que não devem ser esquecidas em meio a ação magistral da série. Embora o segundo ato se enfraqueça por conta de um salto temporal que demora para aterrissar, em sua última semana </span><i><span style="font-weight: 400;">Arcane </span></i><span style="font-weight: 400;">conseguiu reforçar seus melhores elementos em uma final explosão narrativa e estética, que nos deixa ansiando muito mais de seu universo. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_25125" aria-describedby="caption-attachment-25125" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25125" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/chucky.jpg" alt="Cena da série Chucky exibe um menino branco, com cabelo cacheado, carregando um boneco pelos corredores de uma escola. O menino está com uma mochila nas costas e veste um moletom cinza com o zíper aberto. O boneco é branco, sorridente, tem olhos azuis completamente abertos, veste um macacão azul e tem cabelo ruivo longo." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/chucky.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/chucky-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/chucky-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/chucky-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25125" class="wp-caption-text">A série do boneco demoníaco te convida para uma brincadeira sangrenta (Foto: Syfy/USA Network)</figcaption></figure>
<p><b>Chucky (1ª temporada, Syfy/USA Network) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do fracassado </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6HqSAtciV3U"><i><span style="font-weight: 400;">Brinquedo Assassino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2019, o boneco homicida (e muito debochado) voltou, dessa vez numa série com o controle criativo de Don Mancini, criador da franquia. Na trama, depois que o jovem Jake Wheeler (Zachary Arthur) compra um boneco Bonzinho em uma venda de garagem, uma série de terríveis assassinatos começa a acontecer em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Enquanto isso, a chegada de inimigos e aliados do passado de Chucky promete expor as origens do boneco e a verdade por trás de todas as mortes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuando depois dos eventos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Culto de Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série acertou ao dar o controle criativo de volta a Mancini, que entrega uma história de amadurecimento violenta, cômica e muito divertida. A trama ainda abraça a </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/chucky-lgbtqia-representatividade"><span style="font-weight: 400;">essência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da franquia com orgulho, retratando o relacionamento do protagonista com Devon (Björgvin Arnarson) de um jeito tão bonito que é impossível não sorrir ao vê-los juntos. O retorno de personagens conhecidos, como Tiffany (Jennifer Tilly) é mais do que puro </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice </span></i><span style="font-weight: 400;">e evidencia que a mitologia da saga, construída ao longo de mais de 30 anos, ainda tem muito a oferecer. É o evento televisivo do ano. </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
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<figure id="attachment_25284" aria-describedby="caption-attachment-25284" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/beatles-1.jpg" alt="Cena do documentário The Beatles: Get Back. Foto retangular colorida, na qual vemos, da esquerda para a direita, Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison. Os quatro estão sentados, e são homens brancos de cabelos lisos, à altura dos ombros. Paul veste um suéter de cor laranja, e possui barba e cabelos de cor preta. Ringo está sentado em sua bateria de cor amarela, vestindo uma camisa florida de cor rosa, com um cigarro na boca. Ele possui cabelos e bigode loiros. John Lennon está de costas para a câmera, com a cabeça virada para trás. Ele possui cabelos loiros e utiliza um óculos transparente com lentes redondas. George veste uma camisa de cor vermelha. Ele possui bigode e cabelos de cor castanha." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/beatles-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/beatles-1-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/beatles-1-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/beatles-1-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25284" class="wp-caption-text">Com mais de 8 horas de duração, The Beatles: Get Back revela o lado humano do quarteto de Liverpool (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>The Beatles: Get Back (1ª temporada, Disney+)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 1969, os </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbey-road-critica/"><span style="font-weight: 400;">Beatles</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidiram retornar para um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">ao vivo, após terem encerrado suas aparições públicas em 1966. O retorno aclamado deu origem a mais de 50 horas de filmagens e mais de 150 horas de gravação em áudio, cuja organização — revelada ao público mais de cinquenta anos depois — ficou a cargo do diretor neozelandês Peter Jackson, responsável pela adaptação cinematográfica de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando origem a </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-25/get-back-o-documentario-de-peter-jackson-sobre-os-beatles-e-um-acontecimento.html?outputType=amp"><i><span style="font-weight: 400;">The Beatles: Get Back</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora os arquivos tenham chegado prontos ao diretor, a maneira de contar essa história ficou totalmente sob sua responsabilidade. A série soma mais de oito horas, sendo dividida em três partes com mais de duas horas cada (a segunda, por exemplo, tem quase três horas). O documentário funciona como um enorme </span><i><span style="font-weight: 400;">making of</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual enxergamos a mente dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/beatles-please-please-me-album-branco-critica/"><span style="font-weight: 400;">garotos de Liverpool</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalhando e criando novas canções, mas também deixa em evidência que o verdadeiro líder dos Beatles foi </span><a href="https://personaunesp.com.br/paul-mccartney-allianz-sao-paulo-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul McCartney</span></a><span style="font-weight: 400;"> — ele chega atrasado, naturalmente dá ordens a respeito das formas de abordar as canções, estipula o que cada integrante deverá fazer com seu instrumento e decide com os produtores e engenheiros de som a maneira de capturar o áudio durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior virtude de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Auta2lagtw4&amp;ab_channel=WaltDisneyStudios"><i><span style="font-weight: 400;">The Beatles: Get Back</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a apresentação do quarteto sem a aura mística e o pensamento mágico que os cerca na cultura popular — seja pelas falas ácidas e posicionamentos fortes de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/41-anos-sem-john-lennon-relembre-morte-do-ex-beatle-e-quem-foi-o-assassino-mark-chapman-flashback/"><span style="font-weight: 400;">John Lennon</span></a><span style="font-weight: 400;">, frequentemente citados em qualquer menção ao cantor cujo objetivo é pontuar seu ar de guru geracional, seja pelas estranhas </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/oito-mitos-sobre-os-beatles-derrubados-ou-confirmados-pela-serie-get-back/"><span style="font-weight: 400;">teorias de conspiração</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cercam McCartney. Particularmente, essa abordagem parece ser batida, possivelmente um ponto de saturação na cultura. Talvez esse seja o motivo pelo qual o documentário foi recebido com enorme carinho e satisfação por uma parcela do público, ao mesmo tempo em que desanimou aqueles que colocam os integrantes como quatro anjos na Terra. Em </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/serie-sobre-os-beatles-e-uma-obra-prima/"><i><span style="font-weight: 400;">Get Back</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vemos os Beatles como pessoas, como quatro indivíduos que são, invariavelmente, geniais — mas ainda, e profundamente, humanos. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_25290" aria-describedby="caption-attachment-25290" style="width: 1365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25290 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3.jpg" alt="Imagem retangular horizontal. Cena do reality show RuPaul’s Drag Race UK. A imagem mostra três competidoras da temporada, em ordem: Kitty Scott-Claus, Krystal Versace e Ella Vaday. Elas estão desfilando de mãos dadas levantadas no palco da competição, que é iluminado por luzes azuis e rosas. Elas são três drag queens brancas. Kitty está usando uma peruca loira e um vestido dourado com mangas de tule rosa; Krystal está usando uma peruca loira e um macacão dourado e prateado; Ella está usando uma peruca azul e um macacão com ilusão nude, pedras brilhantes e linhas azuis." width="1365" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/uk3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25290" class="wp-caption-text">Três coroas, por favor (Foto: BBC Three)</figcaption></figure>
<p><b>RuPaul’s Drag Race UK (3ª temporada, BBC Three) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race UK</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi impecável. Competidoras talentosíssimas, desafios divertidos, e narrativas deliciosas de se acompanhar. As expectativas altas deixadas por Bimini e Lawrence prepararam o terreno para que o terceiro ano da corrida britânica continuasse a ser mais interessante de acompanhar do que a versão estadunidense, e, bom, não foi bem assim. Finalmente assistimos uma mulher cis competir… Por três episódios. Victoria Scone, assombrada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CbQkUX7shPU"><span style="font-weight: 400;">maldição de Eureka</span></a><span style="font-weight: 400;">, precisou deixar o programa por problemas médicos depois de machucar seu joelho. Pelo menos ela recebeu um convite para a quarta temporada, né? Só se foi atrás das câmeras. No que assistimos, RuPaul deu tchau tchau e nem uma palavra a mais. Vamos rezar para que seja apenas uma estratégia de manter o suspense para o próximo ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Veronica Green, retornante do </span><i><span style="font-weight: 400;">UK2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (que pausou as gravações pela pandemia) depois de ser desclassificada por ter contraído covid-19 quando voltaram ao estúdio, se viu em um cenário bem diferente de sua primeira participação, em que era claramente uma das favoritas. No terceiro episódio, RuPaul não teve piedade e eliminou Green na mesma noite que Scone precisou deixar a competição. Retirar da corrida duas </span><i><span style="font-weight: 400;">queens</span></i><span style="font-weight: 400;"> boas de uma vez só era um presságio da decepção que viria a ser a terceira temporada do </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race UK</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nos episódios seguintes, assistimos performances mornas ou horríveis, com direito a um desafio que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vMR3Be6yg1s"><span style="font-weight: 400;">ninguém ganhou</span></a><span style="font-weight: 400;">, de tão desastroso que foi. Na semana seguinte, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7T9BPOyaqBQ"><i><span style="font-weight: 400;">sashay away</span></i><span style="font-weight: 400;"> duplo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pelos motivos errados, os mil problemas pelo menos serviram entretenimento aos espectadores, além do carisma reluzente das participantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elektra Fence </span><i><span style="font-weight: 400;">lakrou o prikito</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos jurados no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DbNfRyQLDlI"><i><span style="font-weight: 400;">Lip Sync </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sweet Melody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, servindo uma das dublagens mais legais de se assistir em muito tempo. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4xodD75oRIw"><span style="font-weight: 400;">Charity Kase</span></a><span style="font-weight: 400;"> não soube decidir entre ser quem era e quem RuPaul gostaria que ela não fosse, e desperdiçou seu potencial por não entender que as regras em </span><i><span style="font-weight: 400;">Drag Race</span></i><span style="font-weight: 400;"> são diferentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i><span style="font-weight: 400;"> no mundo real. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2cuMX4j-kbU"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Harlett</span></a><span style="font-weight: 400;"> se perdeu dentro de sua própria cabeça, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q1EWX_Fg6JY"><span style="font-weight: 400;">Vanity Milan</span></a><span style="font-weight: 400;"> não conseguiu colocar a mesma energia de seus <em>L</em></span><i><span style="font-weight: 400;">ip Syncs</span></i><span style="font-weight: 400;"> na competição. O </span><i><span style="font-weight: 400;">top 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> salvou a temporada: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y6X54qYNonM"><span style="font-weight: 400;">Kitty Scott-Claus</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma fonte apaixonante de carisma, segurança e </span><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i><span style="font-weight: 400;"> cômico. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LczrSIhCeNI"><span style="font-weight: 400;">Ella Vaday</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez jus a promessa de fazer Veronica Green tremer as pernas, e ficou a milímetros de distância da coroa. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WO2YOlJK9RU"><span style="font-weight: 400;">Krystal Versace é Krystal Versace</span></a><span style="font-weight: 400;">. O final da corrida pode ter deixado ela um pouco cansada, mas RuPaul viu na jovem de 19 anos o que todos nós também vimos: o futuro. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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		<title>Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 15:47:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24765" aria-describedby="caption-attachment-24765" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1.webp" alt="Texto alternativo: Capa do CD “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos três pessoas em frente a um grande rancho, com telhados marrom e pintura branca. O céu é limpo e azul, e eles se apresentam em pé, num gramado verde-escuro. Os três olham para a câmera, com um semblante sério. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca, uma calça azul-escuro e tênis brancos. Ao seu lado, no centro, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e tênis brancos. Por fim, ao lado direito, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Nos pés, ela também usa tênis brancos." width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-24765" class="wp-caption-text">Depois dos magnânimos Pra Doer (2017) e Pra Curar (2018), Tuyo retorna com um projeto extraordinário, cuja ousadia foi contemplada por uma indicação ao Grammy Latino de 2021 [Foto: Tuyo]</figcaption></figure><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio – ou Tuyo, como os conhecemos juntos – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=400s"><span style="font-weight: 400;">encheram sua casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de gente, para não se sentirem sozinhos. Diante disso, </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=4b0ySSZVQoaX9PDMQMoqLw"><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo projeto artístico da banda, imerge na psique de seus integrantes, explorando o instante em que essas pessoas voltam para onde vieram, ou criam seus novos espaços, e o que sobra da gente quando, enfim, estamos sós. </span></p>
<p><span id="more-24764"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma aposta ambiciosa por parte da Tuyo, que distingue-se de qualquer coisa que já fizeram, ainda que continue respirando a personalidade artística que os formaram até o presente. Um projeto </span><a href="https://www.take.net/blog/inovacao/o-que-e-transmidia/"><span style="font-weight: 400;">transmidiático</span></a><span style="font-weight: 400;">, construído no entorno de quase dois anos, e lançado pelo período de pelo menos um semestre. Consistindo em </span><a href="https://open.spotify.com/album/1MDUUXOOqEuB4opvlHISpe?si=1O9Hcp7mT_K6aunCRkKbwQ"><span style="font-weight: 400;">dois álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se unem em uma versão </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=NEKFWWH3QjKX6Ebxpwz2ZA"><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 19 faixas, lançada em conjunto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/tuyo-estreia-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos-serie-documental-musicada/"><span style="font-weight: 400;">série documental</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLR4rrOEEvQHtvdw9twbR40GDkFm4t0mZt"><span style="font-weight: 400;">oito episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicada no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Havia muita história para ser contada, e não é de se surpreender que a banda, que jamais poderia ser reduzida a um nicho musical, chamou a atenção no mundo inteiro. O ápice disso foi em setembro deste ano, quando eles receberam sua </span><a href="https://gshow.globo.com/RPC/noticia/banda-tuyo-comenta-sobre-indicacao-ao-grammy-latino-estamos-no-processo-de-entender-aceitar-e-comemorar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeira indicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><a href="https://open.spotify.com/album/3RAsslo5W29pWGYf3lxLO1?si=GqVJy2XrTIqAwskQxO_rYQ"><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, em Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop </span></i><span style="font-weight: 400;">Contemporâneo em Língua Portuguesa.</span></p>
<figure id="attachment_24766" aria-describedby="caption-attachment-24766" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg" alt="Texto alternativo: Imagem de divulgação do Volume 1 do álbum “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Nela, vemos três pessoas presentes em uma sala fechada, iluminada por uma luz difusa, com vários quadros pela parede e um grande sofá azul no centro. Os três olham para a câmera, sérios. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba por fazer, com cabelos crespos, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, tingidos em loiro. Ele usa brincos prateados nas orelhas, veste uma jaqueta azul-escuro, uma calça azul-escuro e, nos pés, meias brancas de cano longo e um tênis branco. Ele senta na ponta esquerda do sofá, com as pernas cruzadas e as mãos sobre a coxa. Também sentada no sofá, à direita, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados em longas box-braids com mechas da cor bege. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em um botão fechado. Nos pés, ela veste tênis brancos, e apoia seus braços no sofá, o esquerdo no encosto, e o direito no meio do móvel. Por fim, no meio deles, posicionada atrás do sofá, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos raspados tingidos em roxo. Ela veste um blazer azul-escuro, preso em sua cintura por um laço da mesma cor. Ela também usa um top azul-escuro no dorso, e apoia os dois braços sobre o sofá." width="2560" height="1444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1536x866.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-2048x1155.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24766" class="wp-caption-text">Além disso, a Tuyo também angariou uma indicação no Prêmio Multishow 2021 pela música Sonho da Lay, na categoria Canção do Ano, acurada pelo Superjúri do evento (Foto: Juh Almeida)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3J9Ua_FU73Y"><span style="font-weight: 400;">Performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> em eventos estrangeiros, reconhecimento em </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/03/22/arts/music/sxsw-music-festival.html"><span style="font-weight: 400;">grandes veículos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da imprensa internacional, indicações em </span><a href="https://portalpopline.com.br/premio-multishow-confira-a-lista-completa-de-indicados/"><span style="font-weight: 400;">premiações enormes</span></a><span style="font-weight: 400;">; Tuyo já é </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, furou a bolha da cena independente, e agora passa a ocupar espaços que não poderia alcançar antes. Porém, ao mesmo tempo que se </span><a href="https://www.instagram.com/p/CUYkyqFLQl3/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">permitem celebrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> tais conquistas, elas não são fáceis de lidar para os membros da banda. </span><i><span style="font-weight: 400;">“[Eu tenho a impressão que] nenhum de nós, nem os nossos iguais, foram autorizados por alguém”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz Lio, no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que tinha uma parte da cerca que estava aberta, e a gente começou a passar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E isso torna-se evidente quando, por exemplo, percebe-se que, na categoria em que foram indicados no </span><i><span style="font-weight: 400;">Latin Grammy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lio, Lay e Machado são os únicos artistas pretos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a isso, o álbum passa, em várias ocasiões, por um lugar de questionamento e hesitação, do receio que dele surge, na necessidade de confrontar um trajeto ainda inaugural e o seu destino final. Neste caso, trata-se da individualidade, do olhar para dentro, que, para a Tuyo, também é uma vivência muito nova. Usufruir da solidão e do prazer de estar só é um privilégio e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">condição elitizada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, para quem precisa constantemente se preocupar em sobreviver, pouco espaço sobra para pensar sobre o que isso significa. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i> <span style="font-weight: 400;">reflete sobre o momento em que, após muita construção, essa experiência passa a atravessá-los, e como ela os afeta, eles vindo de onde vieram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso, portanto, que um projeto que comenta tanto sobre um processo individual e particular também seja o primeiro que a banda </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">compõe em conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um espaço compartilhado, ao invés de seus discos anteriores, em que as faixas nasciam a partir de construções mais individualizadas. O resultado disso é um processo que nasce de fora para dentro. Uma </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/trio-curitibano-tuyo-lanca-album-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">produção coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que, por fim, se reduz a um estudo íntimo e um mergulho nas singularidades de cada uma das partes que compõem o que conhecemos como Tuyo. Cria-se um processo de desvencilhamento, para que, finalmente, eles possam se reencontrar em seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=769s"><span style="font-weight: 400;">estado cru e pleno</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Abismo (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TI522R3g99I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma ferramenta de enriquecimento desse processo. A série documental apresenta diferentes interpretações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primeiro, sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">conceito geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco e, mais tarde, sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">canções específicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, de jeito algum eles pretendem explicar sua obra e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">restringi-la</span></a><span style="font-weight: 400;"> a apenas uma leitura. Pelo contrário, os três constroem identidades únicas, separadas uns dos outros, e trazem suas perspectivas individuais sobre o trabalho, que se chocam e entram em divergência o tempo todo. E eles estão cientes disso. Não só cientes, como também prezam por essa dissonância. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Tá tudo dito lá, dentro do disco. Mas às vezes as pessoas querem entender os desdobramentos das metáforas, porque hoje parece que não basta a metáfora. Ou talvez ela nunca tenha bastado.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">– Lio</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se comprova na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando, apesar de partirem de uma composição coletiva, várias músicas irão focar em vivências e relatos próprios de cada um dos integrantes. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pg3k_F5m7nA"><i><span style="font-weight: 400;">Vitória Vila Velha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trata sobre a cidade natal de Machado e a saudades que ele guarda daquelas memórias, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ObSzUlXaO5s"><i><span style="font-weight: 400;">O Que Você Diria Agora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comenta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">o ressentimento e a raiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele construiu pelo pai. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aISS_jZXPSs"><i><span style="font-weight: 400;">Pronta Pra Cair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> versam sobre a autoestima da Lay, e como isso reverbera em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=05TLKf0O3LE"><span style="font-weight: 400;">autoimagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, ganhando camadas ainda mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">profundas e multiformes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ITAgOK4Fnz0"><i><span style="font-weight: 400;">O Jeito É Ir Embora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abordam experiências muito pessoais de Lio sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">amor e desvencilhamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, em suas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">variadas formas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24767" aria-describedby="caption-attachment-24767" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do primeiro episódio da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e colorida. Nela, vemos três pessoas em pé, atrás de um carro azul. As três olham seriamente para a câmera. Primeiro, do lado esquerdo, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Ela se apoia no capô do carro pelo cotovelo direito. Do lado dela, no centro, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca e uma calça azul-escuro. Além disso, ele também usa um brinco prateado na orelha direita. Por fim, do lado direito, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e se apoia no capô do carro com sua mão direita. O fundo é o de uma floresta com várias árvores, e o cenário é dia." width="1078" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-768x545.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24767" class="wp-caption-text">As canções em que Machado canta continuam marcando presença, mais memoráveis do que nunca, incluindo a faixa-título do projeto, o ápice emocional do final do disco (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos o trajeto emocional de Tuyo. Porém, o que encontra-se no final dessa estrada? Eles chegam aonde? Para quem foi definido a vida inteira por uma falta de identidade, pelo não-pertencimento, esse lugar não existe. A alternativa, nesse caso, é munir-se dessa designação, ressignificá-la e torná-la tangível. Aqui, Tuyo transforma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">não-lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em conceito, e se apropria dele como uma identidade totalmente nova. Se lhes foi negado o direito de pertencimento, o que restou a eles foi pavimentar essa estrada </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/"><span style="font-weight: 400;">do zero</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Musica/noticia/2021/09/tuyo-acompanhe-o-making-e-relato-exclusivo-do-visual-album-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que está na limiar de inúmeros gêneros do audiovisual. É documentário? É drama? É performance ao vivo? A série não se preocupa em definir isso, e a direção de </span><a href="https://laisdantas.46graus.com/"><span style="font-weight: 400;">Laís Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> brinca o tempo todo com os formatos que dispõe. Ora ela irá usar uma proporção de câmera cinematográfica, com planos longos e contemplativos, ora ela irá explorar uma estética nostálgica de </span><i><span style="font-weight: 400;">videotapes</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas, com as imagens de bastidores. Não há limites criativos para a produção, o que torna assistí-la uma experiência envolvente e nunca monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, a banda procura no passado as inspirações e influências que os moldaram no passado, a fim de compreender o presente e vislumbrar o futuro. Toda a discografia do projeto é uma amálgama das referências que formaram a sonoridade do que é hoje sua música. A Tuyo nunca se limitou pelas restrições de um gênero musical específico. Seja </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou MPB, eles sempre souberam bem como apanhar os melhores elementos de cada estilo e transformá-los em um som novo, mais próximo de como se </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">enxergam</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do que almejam comunicar </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">artisticamente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, misturando </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> com instrumentos acústicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> extrapola esse experimento estético como nunca antes.</span></p>
<figure id="attachment_24768" aria-describedby="caption-attachment-24768" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg" alt="Imagem de bastidores da produção da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Nela, vemos um grupo de cinco pessoas dentro do sótão de madeira no andar de cima de um casarão, durante o dia. Eles se reúnem sentados no chão em roda, com diversos fios e equipamentos musicais no centro. Primeiro, no centro, está Jean. Um homem negro, de cabelos crespos escuros, com as laterais raspadas e volumoso no topo, que veste uma camisa branca. Ele está de costas para a câmera, de maneira que não podemos ver seu rosto, e segura um baixo em mãos. Todos os outros ao seu redor estão virados para a câmera, e riem enquanto olham para ele. Primeiramente, à esquerda da roda, vemos Lucas Romero. Um homem branco, de barba feita, com cabelos curtos tingidos de louro, que veste um suéter azul e uma calça branca. Ele veste óculos de armação redonda no rosto, fones de cabeça nos ouvidos e tem os joelhos apoiados no chão. Depois, seguindo o sentido horário, está Lay. Uma mulher negra de cabelos crespos escuros e raspados. Ela usa dois grandes brincos nas orelhas e um forte batom vermelho nos lábios, vestindo também uma regata branca e uma calça azul-escura. Ela senta no chão, com as duas mãos fechadas e coladas sobre suas coxas. Ao lado dela, também está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados sobre a raíz de seu couro cabeludo. Ela veste um top branco e um grande saia azul-escura, e se senta sobre o chão, enquanto coloca sua mão esquerda sobre a orelha. E, por fim, ao lado de Lio e Jean, fechando a roda, está Luís Fernando Diogo. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos escuros trançados em longos dreads, presos em um coque no topo de sua cabeça. Ele usa fones de cabeça nos ouvidos, vestindo uma blusa branca e calça branca." width="2500" height="1667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24768" class="wp-caption-text">“A ideia da série foi muito pautada nessa questão do espetáculo, de como é que a gente consegue replicar, de alguma forma, um pouco do que sentimos quando tá ao vivo”, diz Lio, a respeito de Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, parece haver um exercício ativo da banda de sair da sua zona de conforto. É o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TbOco3aDRj8"><i><span style="font-weight: 400;">Sonho da Lay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de divulgação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma viagem cinematográfica entre os devaneios emergidos na mente de Lay, refletindo sua inquietude e vontade de desaparecer. A estrutura da faixa é de uma legítima música eletrônica, com uma construção de ambiente minuciosa no verso, para então elevar-se à uma grande catarse instrumental. É uma faixa marcante, com uma identidade própria, totalmente diferente de tudo que a Tuyo já fez, mas que ainda carrega em si a essência do trio. Já entre as referências que citam </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">terem sido</span></a><span style="font-weight: 400;"> cruciais para a concepção do disco, estão </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/legado-marilia-mendonca-deixa-mais-de-300-musicas-projetos-serem-lancados-inspiracao-para-nova-leva-do-feminejo-25274714.html"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/kamasi-washington-e-rara-celebridade-no-jazz-e-refuta-a-ideia-de-crise-do-genero.shtml"><span style="font-weight: 400;">Kamasi</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NB3gWkhLkxM"><span style="font-weight: 400;">The Internet</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/linkin-park/como-hybrid-theory-mudou-apos-a-morte-de-chester-bennington"><span style="font-weight: 400;">Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wRwId2RfmfA"><span style="font-weight: 400;">Kirk Franklin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros artistas que, à primeira vista, jamais poderiam ser fundidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, essas inspirações ultrapassam o plano das ideias e se manifestam nas colaborações vocais, que não eram do feitio da banda em projetos </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde os versos melodiosos e envolventes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WISpREAkEO0"><span style="font-weight: 400;">Luccas Carlos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2014/03/16/interna_diversao_arte,417672/cantor-lenine-conta-ao-correio-em-entrevista-detalhes-sobre-a-vida.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lenine</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://todosnegrosdomundo.com.br/drik-barbosa/"><span style="font-weight: 400;">Drik Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><i><span style="font-weight: 400;">backing vocals</span></i><span style="font-weight: 400;"> leves, mas poderosos de </span><a href="https://culturadoria.com.br/jaloo/"><span style="font-weight: 400;">Jaloo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/sua-alegria-foi-cancelada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lucas Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que também é creditado na </span><a href="https://revistabalaclava.com/lucas-silveira-feliz-divas-pop/"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> do projeto –, e as rimas fortes e contundentes da lenda </span><a href="https://www.bocadaforte.com.br/materias/entrevistas/kamau-respeitar-e-meu-compromisso"><span style="font-weight: 400;">Kamau</span></a><span style="font-weight: 400;">, até os arranjos únicos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0SJ76fOXaPg"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/quem-e-jonathan-ferr-o-pianista-de-madureira-que-quer-tirar-o-elitismo-do-jazz.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Ferr</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shuna (da </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/na-rua-voce-precisa-conquistar-seu-espaco-diz-dupla-youn/"><span style="font-weight: 400;">Yoùn</span></a><span style="font-weight: 400;">) oferecem, nas respectivas faixas que assinam. Todos são pessoas </span><a href="https://www.instagram.com/p/CPHUgTPLu9U/"><span style="font-weight: 400;">abertamente presentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida dos três integrantes, e os auxiliam a pincelar as arestas de sua Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sonho da Lay feat. Luccas Carlos (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TbOco3aDRj8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tuyo também olha para o passado de maneira mais prática. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> versa sobre os trabalhos passados da banda, reinterpretando sua mensagem. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPqKsoTUKkU"><i><span style="font-weight: 400;">Pra Curar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o exemplo mais explícito, recebe o nome do </span><a href="https://open.spotify.com/album/3HjKk0aYQYuMFWDBS40amc"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estúdio do trio. Porém, ao contrário do que se imaginaria, a música se coloca quase como uma sátira de seu antecessor. Se o álbum de 2018 procura encontrar esperança em um ambiente de dor, compreendendo que o caminho para alcançar a cura não é fácil, a canção de 2021 se posiciona em um </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-09/pfizer-pesquisa-revela-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-de-jovens"><span style="font-weight: 400;">contexto catastrófico</span></a><span style="font-weight: 400;">, de completa desilusão, e abraça essa angústia. O refrão, que repete o mantra </span><i><span style="font-weight: 400;">“nenhuma dor é pra curar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, atesta o que Lio afirmou para a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, logo depois do lançamento do primeiro volume: </span><i><span style="font-weight: 400;">“às vezes tem processo que dói e só dói, é dor pela dor mesmo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento de revisitação proposto aqui passa, igualmente, por um território metalinguístico. Em todo episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda apresenta um </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> diferente das músicas do disco, reinterpretadas e rearranjadas. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega com os dois pés na porta, entregando uma versão refrescante das principais faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma estética escancaradamente </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/afrofuturismo"><span style="font-weight: 400;">afrofuturista</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebendo do </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">dance hall </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">EDM</span></i><span style="font-weight: 400;"> no melhor estilo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/grammy-2021-conheca-kaytranada-dj-indicado-na-categoria-artista-revelacao/"><span style="font-weight: 400;">KAYTRANADA</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outros episódios também retomam momentos anteriores da carreira da Tuyo, como no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">sétimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando eles performam as canções inolvidáveis da </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/colunistas/acordes-locais/simonami-e-a-dor-de-uma-cancao-307sx88uiwl0tqwg19sj5aq1a/"><span style="font-weight: 400;">Simonami</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeto musical anterior que Lay, Lio e Machado fizeram parte, ou no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">sexto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o trio interpreta </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de algumas de suas músicas, dando outra cara a elas e uma autenticidade ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compreender o lançamento dividido em dois volumes também é fundamental para assimilar o que aspira o projeto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O primeiro volume está condensando uma demarcação bastante territorial. A gente abre o disco falando de memória, de origem, com ‘Vitória Vila Velha’, cidade natal do Machado. E, seguimos falando sobre retornos, partidas, chegadas, reencontros… o segundo volume concentra um outro aspecto menos pragmático desses ritos contemporâneos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a banda, </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/entrevista-tuyo-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o </span><i><span style="font-weight: 400;">site Nação da Música</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que ambos os volumes se oponham e inclusive se contentem sozinhos, quando se unem, alcançam a proporção exata que esse trabalho pedia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - O Jeito É Ir Embora (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ITAgOK4Fnz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Visto isso, em questão de temática, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é repleto de contrastes. O exemplar mais forte musicalmente são as duas colaborações de Jonathan Ferr no álbum. Ambas finalizam os dois volumes e são essencialmente instrumentais. Ao passo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oBo4kD4VSnQ"><i><span style="font-weight: 400;">Toda Vez Que Eu Chego Em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é de longe a mais longa da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">, introduzindo pacientemente cada um de seus elementos e transmitindo uma energia lúdica e doce, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etGHkE3Ykqg"><i><span style="font-weight: 400;">Pouco Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exala uma sensação constante de claustrofobia. Ela é frenética, urgente, e grita uma necessidade de se libertar, ainda que essas amarras não tenham uma definição clara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa oposição também se manifesta em nível emocional. Ao relatar seu processo agridoce de amadurecimento, a Tuyo não tem medo de expor essas emoções da maneira mais sincera e verdadeira possível, seja em suas boas ou más fases. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RGB5uHXaF-s"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lado de Dentro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compreendem uma perspectiva mais positiva, reafirmando o amor e o autoamor, e entendendo como tal amor molda nossa percepção do outro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TI522R3g99I"><i><span style="font-weight: 400;">Abismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – faixa extra da versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g7TCfhVX_bQ"><i><span style="font-weight: 400;">Fracasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H4LdeC5kbYg"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aceitam a melancolia, se fundem à dor e a assumem como parte de si. O projeto nunca confina esses pontos de vista em ideias superficiais de bem e mal, apenas os entende como sentimentos complexos e parte de um processo que muitas vezes vai muito além da nossa compreensão.</span></p>
<figure id="attachment_24769" aria-describedby="caption-attachment-24769" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg" alt="Imagem retirada do videoclipe da música “O Jeito É Ir Embora”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e preto e branco. Nela, vemos três pessoas rodeando um carro rústico, enquanto olham sérios para a câmera. Primeiro, apoiando seu braço sobre o capô, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos trançados em longas box braids escuras, vestindo um largo macacão e saltos brancos nos pés. Ao seu lado, apoiando um dos braços sobre a porta aberta do carro e o outro sobre o teto, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos curtos tingidos de uma cor clara, vestindo uma camisa de botões com manga curta, uma calça escura e tênis brancos. Por fim, ao lado dela, agachado sobre suas pernas, está Jean. Um homem negro, de barba cheia e cabelos crespos escuros, raspados nas laterais, e com um grande volume no topo, divido ao meio. Ele tem brincos de argola nas orelhas e veste uma camisa branca, uma bermuda clara e tênis brancos nos pés. Além disso, ele ainda usa um moletom escuro preso no seu torso pelas mangas longas, cruzando do seu torso até seu ombro. O cenário é uma rua arborizada, com muros pichados e árvores crescendo sobre o chão de concreto." width="2560" height="1753" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-800x548.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1024x701.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-768x526.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1536x1052.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-2048x1402.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1200x822.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24769" class="wp-caption-text">Diferente do que se esperaria de uma colaboração com Lenine, Fracasso é um R&amp;B denso com retoques de trap, evidenciando também o interesse da banda em tirar seus colaboradores de sua zona de conforto (Foto: Felipe Mazzucatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste nasce não só na ambiguidade do sentir, mas também na necessidade de se diferenciar do outro. Lio aborda isso mais assertivamente no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc"><span style="font-weight: 400;">quarto episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que, não importa o que a gente tava escrevendo, a gente tava falando sobre isso. Sobre a vontade de desenhar na gente um contraste entre nós e o que acontecia ao nosso redor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">O apogeu disso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, provavelmente a peça de maior impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ‘turvo’ do título parece se referir ao momento em que você cria uma dependência tão grande sobre quem te rodeia, que o limite entre o ‘ego’ e o ‘outro’ se confunde, ao ponto de que encontrar o ‘eu’ ali torna-se quase inconcebível. Dessa forma, a faixa – e todo o álbum, em certa medida – retrata o desespero para, nesse cenário, se localizar em si e encontrar autossuficiência.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre várias coisas, e delimitar seus significados é uma tarefa impossível. A própria Tuyo não conseguiu, ainda menos uma crítica como essa. Contudo, no fim das contas, esse é o atestado da grandiosidade do projeto. O trabalho que a banda construiu é mutável, se molda ao prisma de quem ouve e se imortaliza no coração de quem o sente. E isso também afeta a percepção de quem deu vida à obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> narra várias situações em que algum dos três membros tiveram uma epifania sobre o sentido íntimo de uma canção, geralmente despertado por um elemento externo. É o caso de Lay com </span><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0&amp;t=545s"><span style="font-weight: 400;">uma amiga</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a questão da </span><a href="https://claudia.abril.com.br/sua-vida/a-mulher-negra-nao-e-vista-como-um-sujeito-para-ser-amado/"><span style="font-weight: 400;">solidão da mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, alterando completamente a ótica com que ela enxergava a música. E, agora, com essa perspectiva sendo exposta em tela, alterando a nossa também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sem Mentir (Videoclipe Oficial)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/4-ZfX3PvnVM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tópico que sempre foi </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/tuyo-sonho-da-lay-luccas-carlos/"><span style="font-weight: 400;">reforçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela banda, desde o anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi a busca por democratizar a sua linguagem e expressão artística. De tornar acessível temáticas densas e difíceis, sem que elas percam sua dimensão e profundidade. E pode-se dizer que, nesse projeto, ela a alcançou. Desta vez, eles partem de uma premissa resoluta – discutir crise de identidade, e o amadurecimento que vêm com a fase adulta – ao mesmo tempo que é hermética e tridimensional. Não abandona seus floreios e lírica poética, mas sempre trata seus temas com firmeza e ternura. A Tuyo já </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2019/08/conheca-tuyo-banda-curitibana-que-traduz-em-musica-um-manifesto-afrofuturista-pop.html"><span style="font-weight: 400;">conquistou o coração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos ouvidos que passou, e sua mensagem se expandirá cada vez mais e mais, com a validação de uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/grammy-latino-expoe-antigos-dilemas-culturais-entre-brasil-e-seus-vizinhos,3d7ae725e9ce1ae79dfb8891995d8406fkqtg21l.html"><span style="font-weight: 400;">premiação internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – já conhecida pelo </span><a href="https://tracklist.com.br/racismo-xenofobia-grammy/93117"><span style="font-weight: 400;">histórico problemático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas decisões – ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todo modo, pode-se dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura beleza na solidão. Entende que amadurecer implica que certos laços sejam desatados, para que espaços novos sejam abertos. Que é necessária a construção de um espaço particular, para que possamos nos entender como indivíduo único, dotado de autoestima, que se ama e que se basta. Mas também compreende a importância de quem nos acompanha para que esse processo de autoconhecimento ocorra – de quem segura nossas pontas até que possamos levantar voo sozinhos. Para a construção de um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2021/06/01/interna_cultura,1272172/banda-tuyo-transforma-as-dificuldades-de-convivencia-em-disco.shtml"><span style="font-weight: 400;">vínculo saudável</span></a><span style="font-weight: 400;">, distinguir-se do outro é primordial, pois é apenas se encontrando que podemos encontrar a quem nos cerca. E é assim que Lio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=748s"><span style="font-weight: 400;">parafraseia</span></a><span style="font-weight: 400;"> Machado, na frase que sintetiza o núcleo emocional do disco: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acredito que a casa onde a gente chegou foi um no outro”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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