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	<title>Arquivos Guerra &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A 2ª temporada de Hunters aproveita as brechas da liberdade criativa</title>
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		<pubDate>Tue, 09 May 2023 16:19:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Há três anos estreava a dualista primeira temporada de Hunters. Aos que conseguiram terminá-la, hoje podem apreciar o segundo – e maior – ato do enredo, desenvolvido por David Weil, Mark Bianculli, Nikki Toscano e David Rosen, que divide opiniões. Com um exímio elenco, a série traz Al Pacino de volta às telas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hunters-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2ª temporada de Hunters aproveita as brechas da liberdade criativa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30858" aria-describedby="caption-attachment-30858" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-30858 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-800x557.jpg" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Nele estão 4 pessoas. Dois homens e duas mulheres.Estão andando com roupas de gala em um salão ornamental. A esquerda, um homem e uma mulher brancos, vestem um terno vermelho e amarelo e um vestido prateado respectivamente. A direita, um homem branco e uma mulher negra. Vestem um terno vermelho de veludo e um vestido marrom" width="800" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-800x557.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-1024x713.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-768x535.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-1200x836.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2.jpg 1429w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30858" class="wp-caption-text">David Weil, showrunner de Hunters, subiu ao estrelato com a série que o representa pessoalmente por ser neto de sobreviventes do Holocausto (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há três anos estreava a dualista primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos que conseguiram terminá-la, hoje podem apreciar o segundo – e maior – ato do enredo, desenvolvido por David Weil, Mark Bianculli, Nikki Toscano e David Rosen, que divide opiniões. Com um exímio elenco, a série traz Al Pacino de volta às telas, já que seu último papel em uma produção para televisão foi em 2003, em </span><a href="https://www.revistabula.com/56472-angels-in-america-e-o-guia-para-entender-o-atual-conflito-religioso-no-mundo/"><i><span style="font-weight: 400;">Angels in America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, o ator interpreta Meyer Offerman, um líder de caçadores nazistas à procura de fechar as feridas deixadas pela Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<p><span id="more-30857"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longa, lenta e detalhada, a obra constrói personalidades profundas cheias de motivações, histórias e nuances. Porém, apenas na segunda temporada a conexão entre essa profundidade e a narrativa deslumbra seu público. Como acontece em um filme de origem, a morte da avó de Jonah Heidelbaum (Logan Lerman) é o ponto de ignição que incentiva o jovem da primeira geração </span><a href="https://personaunesp.com.br/lista-schindler-mil-nomes-mil-vidas/"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> a procurar o assassino que tirou a única família conhecida por ele. Infelizmente, o desenrolar do roteiro apresenta uma transição gradativa e confusa para relacionar as motivações pessoais à causa maior, mas, aos quarenta e cinco do segundo tempo, as lacunas se complementam esplendorosamente.</span></p>
<figure id="attachment_30859" aria-describedby="caption-attachment-30859" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x360.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Na imagem a peça central é um largo sofá atrás de uma mesa. Nele estão sentadas quatro pessoas, três mulheres e um homem. Ao fundo está um homem debruçado em uma parede de vidros e a frente outro homem em uma poltrona. Todos encaram a frente." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x540.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.png 1210w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30859" class="wp-caption-text">Al Pacino concorreu a Melhor Ator em Série de Drama no Globo de Ouro 2021 pela primeira temporada de Hunters, mas a série não levou nenhum prêmio (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jordan Peele</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série desenvolve elementos que percorrem uma linha tênue entre o encaixe perfeito de peças totalmente diferentes e o completo caos. Assim, ela permanece intacta do começo ao fim, desde a fotografia  saturada, assinada por John Lindley Asc, em referência direta a </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/30119-bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até a ambientação da época, por Toscano e Weil, que, ironicamente, remete aos </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/a-carreira-de-al-pacino-em-dez-filmes,0969a334ed0075ccb3743ad84ae8c0eertdxsv3t.html"><span style="font-weight: 400;">filmes de ação protagonizados por Al Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;"> na década de 1970. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação da série como dualista – ou até multifacetada – não se dá somente por quesitos técnicos. A coexistência do teor reacionário em que a temática ficcional trabalha e a realidade na qual se baseia também é um ingrediente capaz de refletir questões sociais complexas nas quais a arte está inserida. O </span><a href="https://www.theauschwitztours.com/pt/auschwitz-birkenau-memorial-and-museum/"><span style="font-weight: 400;">Museu de Auschwitz</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, criticou a criação de um tabuleiro de xadrez humano representado na obra após o lançamento e popularização do episódio, mencionando que honram as vítimas preservando a precisão factual e inventar um falso jogo não é apenas uma “</span><a href="https://twitter.com/AuschwitzMuseum/status/1231536705624322050"><i><span style="font-weight: 400;">tolice perigosa e uma caricatura, mas também dá boas-vindas aos futuros negacionistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30860 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x463.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. A imagem apresenta um tabuleiro de xadrez gigante, em que suas divisões são a grama alta e a grama cortada. Suas peças são representadas por pessoas reais." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1024x592.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-768x444.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1536x888.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1200x694.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption class="wp-caption-text">Em entrevista a EW, Weil menciona: “Levo incrivelmente a sério esse relacionamento com o público e esse feedback. A segunda temporada é, para mim, uma bela evolução da história de Hunters” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o criador descreva </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> como “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CVDiLY-AJTI"><i><span style="font-weight: 400;">uma carta de amor à sua avó materna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, a polêmica difundida pelo Museu gerou diversas divergências entre o público. Mesmo assim, não é possível negar que a expressão de determinadas cenas e construções – ainda que fictícias – transgride e minimiza diretamente os pilares da resistência construídos pelos sobreviventes do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em memória à identidade judaica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda com as problemáticas bem expressas e válidas, a obra provoca uma imersão desde o começo, sendo possível elaborar um quadro de pistas com todas as conexões e pontos centrais da trama. A série trabalha com reviravoltas constantes e coesas, refletidas em uma cadeia de objetivos. descritos por Joshua Rivera, do </span><a href="https://www.theverge.com/2020/2/19/21143083/hunters-review-jordan-peele-nazi-hunting-show-al-pacino-amazon-prime#:~:text=It%20wants%20to%20be%20a%20harrowing%20remembrance%20of%20the%20suffering%20of%20the%20Holocaust%2C%20a%20satisfying%20revenge%20fantasy%2C%20a%20sensational%20period%20piece%2C%20and%20a%20dark%20comedy."><i><span style="font-weight: 400;">The Verge</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma lembrança angustiante do sofrimento do Holocausto, uma fantasia de vingança satisfatória, uma peça de época sensacional e uma comédia de humor ácido</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Tudo isso é representado e introduzido de um jeito caótico pelo primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção, exibido no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pILCn6VO_RU&amp;ab_channel=NFL"><i><span style="font-weight: 400;">SuperBowl</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30861" aria-describedby="caption-attachment-30861" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x468.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Ao centro está uma mulher negra de cabelos curtos e lisos que encara sua frente com temor. Interpretada pela atriz Jerrika Hinton. A mulher está com um colar curto prateado e camiseta de manga longa. A imagem apresenta apenas a visão de seus ombros à cabeça." width="800" height="468" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x468.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1024x599.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-768x449.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1200x702.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4.png 1349w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30861" class="wp-caption-text">Em Hunters, a agente do FBI Millie Morris (Jerrika Hinton) encontra uma cientista da NASA assassinada, que faz referência às infiltrações nazistas em instituições americanas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temática não se restringe a </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/nazistas-na-nasa-o-real-e-a-ficcao-na-serie-hunters/"><span style="font-weight: 400;">fatos documentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tampouco a ficções distantes e questões reflexivas. Desde o simples fato de existir, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta seguir uma onda de lançamentos de obras históricas que criticam o retrocesso com a recente alta da extrema-direita na mídia, o neofascismo em instituições governamentais e os discursos de ódio. Mas sua referência não é tão bem integrada quanto seus aspectos técnicos e roteiro. Críticas por críticas não promovem reflexão. Além de tudo, sua referenciação histórica é rasa e não desenvolvida, e está entre a lembrança do Holocausto e uma fantasia corajosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por si só, a obra indiscutivelmente apresenta um âmago curioso, imprevisível e ainda instigante. Seja pela produção de Peele, produtor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; pelo elenco hipnotizante com </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lerman</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tiffany Boone, Jennifer Jason Leigh e muitos outros caçando nazistas – o que poderia ter dado errado? -; ou pela estonteante fotografia e direção de câmera. Mas, acima de tudo, pela imprevisibilidade de um roteiro coeso e bem construído.</span></p>
<figure id="attachment_30863" aria-describedby="caption-attachment-30863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-800x440.jpg" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Na imagem a peça central é uma casa de cimento coberta por plantas. Seu telhado é coberto de grama e suas portas e janelas de madeira clara. Ao redor um vasto campo verde e florestas ao fundo. A frente uma passarela de pedras que segue até a rua." width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-800x440.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-1024x564.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-768x423.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-1200x660.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1.jpg 1339w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30863" class="wp-caption-text">A revista Veja realizou uma análise de veracidade e um dos fatos 100% verdadeiros é a infiltração de nazistas em instituições americanas de renome, como a NASA e o FBI<br />(Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O penúltimo episódio da temporada performa tudo aquilo que a produção poderia ser: majestosa, intensa, angustiante e representativa. O grande acerto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi entregue em seu sétimo episódio, </span><a href="https://www.tvfanatic.com/2023/01/hunters-season-2-episode-7-review-the-home/"><i><span style="font-weight: 400;">The Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com performances, cenários e um roteiro de invejar longas-metragens durantes seus hipnotizantes 40 minutos. As referências sutis, em que cada cena aparenta ser milimetricamente pensada, o transformaram em um quebra-cabeças de mil peças, em que mesmo a satisfação provocada por concluí-lo é seguida pela tristeza da imagem formada e da história contada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, o segundo ano se resume a um desenvolvimento inicial clichê, mas capaz de preencher todos os requisitos de uma boa série que reúne a turma na </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/hunters-temporada-final-trailer"><span style="font-weight: 400;">última temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; agora, com um objetivo maior deixando todo seu desenvolvimento cada vez mais imprevisível. Caminhando para seu encerramento programado, a obra não poderia abrir brechas para quaisquer pontas soltas e seu público sabe disso. Se tratando de uma temática de época, cabe ao contemporâneo refletir sobre o que a história pode nos ajudar a prevenir.</span></p>
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		<title>Envolta por traumas, a cura pede Passagem</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 22:27:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Causeway, longa da A24 indicada ao Oscar de 2023, traduz-se como ‘ponte’ para o português. Essa ponte, tanto em significado material quanto metafórico, representa uma contradição que assombra perpetuamente seus personagens: símbolo do elo entre pessoas, fonte de experiências ternas carregadas por toda a vida, ao passo que subordinado ao inevitável erro, catalisador &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/passagem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Envolta por traumas, a cura pede Passagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30144" aria-describedby="caption-attachment-30144" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30144" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-10-1-800x433.jpg" alt="Cena do filme Causeway, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, a personagem Lynsey, interpretada por Jennifer Lawrence, está sentada no banco de um ônibus e olha contemplativa pela janela, com a luz do sol batendo contra seu rosto. Ela é uma mulher branca de cabelos loiros e olhos claros, que veste uma camiseta azul-escura." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-10-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-10-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-10-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-10-1-1536x830.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30144" class="wp-caption-text">A principal aposta da Apple TV+ no Oscar de 2023, Causeway teve uma passagem tímida na premiação e garantiu somente uma indicação (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Causeway</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, traduz-se como ‘ponte’ para o português. Essa ponte, tanto em significado material quanto metafórico, representa uma contradição que assombra perpetuamente seus personagens: símbolo do elo entre pessoas, fonte de experiências ternas carregadas por toda a vida, ao passo que subordinado ao inevitável erro, catalisador de traumas inomináveis e fardos que, da mesma forma, serão lembrados para sempre. Ao mergulhar sob a relação desengonçada de dois indivíduos que, embora quebrados, acham conforto na companhia um do outro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i-iIkeMqXXE&amp;ab_channel=A24"><i><span style="font-weight: 400;">Passagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como foi nomeado no Brasil, imerge no micro para resgatar a raíz e o valor inerente ao afeto humano.</span></p>
<p><span id="more-30143"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de sua estreia elogiosa no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tmGE63DhTwg"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de Toronto em 2022, foi na </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em que o filme recebeu todos os holofotes ao grande público. A plataforma, que estreou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">seis indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022 e fez história ao se tornar o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> a </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><span style="font-weight: 400;">vencer o prêmio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, teve uma aparição modesta nesta edição, sendo citada em somente </span><a href="https://macmagazine.com.br/post/2023/01/24/apple-tv-garante-duas-indicacoes-ao-oscar/"><span style="font-weight: 400;">duas ocasiões</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre elas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Causeway</span></i><span style="font-weight: 400;">, o único longa-metragem do serviço da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;"> a competir neste ano, foi lembrado pela interpretação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-3-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Brian Tyree Henry</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, marcando sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que entre na corrida como azarão, competindo com representantes dos maiores favoritos deste ano, como Brendan Gleeson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Judd Hirsch (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), além do principal cotado para a vitória, Ke Huy Quan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a aparição do ator é uma excelente surpresa para uma das interpretações mais delicadas do ano. Dando apoio à protagonista de Jennifer Lawrence, que retorna às telas depois de seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe Para Cima</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Brian dá base e corpo a uma narrativa única que, em um ano </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><span style="font-weight: 400;">marcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">pirotecnias</span></a><span style="font-weight: 400;">, se ancora </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">no silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30148" aria-describedby="caption-attachment-30148" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30148 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x533.jpg" alt="Cena do filme Causeway, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, o personagem James Aucoin, interpretado por Brian Tyree Henry, senta na mesa de um bar, enquanto segura uma cerveja e olha sério para frente. Ele é um homem negro, de cabelos crespos e barba fechada, que veste uma camiseta verde musgo, com uma camisa florida por fora e uma corrente de outo no pescoço. O cenário é noturno e ele é iluminado pela luz avermelhada do estabelecimento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1024x683.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30148" class="wp-caption-text">Tyree Henry também foi indicado por seu trabalho em Causeway ao Film Independent Spirit Awards de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, seguiremos Lynsey (</span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma militar que servia os Estados Unidos no Afeganistão, até sofrer uma lesão cerebral ao ser atingida por uma explosão em campo, obrigando-a a se afastar do exército. Entretanto, não se engane. Este não é um filme sobre veteranos de guerra ou transtorno de estresse pós-traumático. Apesar de elementos ligeiramente presentes, Lila Neugebauer, que estreia na direção de longas-metragens, realiza esforço ativo para se distinguir da típica </span><a href="http://www.contracampo.com.br/28/benjamincinema.htm"><span style="font-weight: 400;">estetização da guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> de produções do gênero, em benefício de uma perspectiva visceralmente pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a prova cabal disso é como Lynsey mal pode esperar para voltar aos trabalhos. Isso porque, na realidade, os traumas acumulados no cenário de guerra do Oriente Médio não se comparam com as feridas que ela carrega de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jon-batiste-we-are-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nova Orleans</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua cidade natal. Inclusive, a jovem somente se alistou em primeiro lugar para se afastar de sua família, conhecidos ou qualquer coisa que remetesse àquele local. Sabendo que inevitavelmente topará com seu passado, ela estende o quanto pode sua estadia com Sharon (Jayne Houdyshell), até que não possa mais pagar por seus cuidados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como a lesão afetou grande parte de suas capacidades físicas, acompanhamos pacientemente a protagonista reaprendendo as tarefas mais simples: andar, comer, escovar os dentes ou mesmo segurar um copo se tornam um desafio. A fotografia nua de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aWM0UqWbPnQ"><span style="font-weight: 400;">Diego García</span></a><span style="font-weight: 400;"> registra os mínimos detalhes através de planos estáticos e amplos, replicando visualmente a constante apatia que a permeiam. Esse momento espelha toda a </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-reviews/causeway-review-jennifer-lawrence-1234621219/"><span style="font-weight: 400;">trajetória emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lynsey que, depois de tanto tempo se privando de qualquer conexão íntima, terá que descobrir como se relacionar com o outro, do zero.</span></p>
<figure id="attachment_30151" aria-describedby="caption-attachment-30151" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30151 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-800x533.jpg" alt="Imagem de bastidores do filme Causeway, da A24. Nela, a diretora do longa, Lila Neugebauer, conversa com Jennifer Lawrence, intérprete da protagonista Lynsey, enquanto estão sentadas em uma mesa do set. Lila é uma mulher branca de cabelos escuros, que veste uma jaqueta escura com as mangas puxadas e um headphone apoiado no pescoço. Ela se dirige a Jennifer com os braços levantados na altura do peito, como se estivesse lhe passando orientações. Jennifer é uma mulher branca, de cabelos loiros, que veste uma blusa moletom cinza e uma camiseta escura. Ela segura alguns papéis em sua mão, possivelmente o roteiro impresso, e olha atenta para Lila. O cenário é diurno." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-7-2048x1366.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30151" class="wp-caption-text">Antes de apostar no Cinema, Lila Neugebauer tem longa trajetória na TV e já dirigiu episódios de séries como Maid e A Vida Sexual das Universitárias (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao enfim chegarmos a Nova Orleans, entendemos o quão justificável é a apreensão de Lynsey. Crescendo em um lar disfuncional, </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-atriz-maes-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, Gloria (Linda Emond) é negligente e inerte aos desejos da filha, que por consequência se faz distante e não mantém interações além do funcional. Gloria percebe isso, porém, ainda que tente estar presente, nunca consegue deixar o próprio ego para trás. Até ali, seu irmão aparece somente em fotografias antigas, como se não passasse de uma memória dolorida, um fantasma, tanto quanto a própria personagem de Lawrence enquanto vaga sem vida pelos corredores da modesta casa em que cresceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse espaço, uma nova figura surge na vida de Lynsey por meio do evento mais banal. Após levar sua caminhonete danificada para a primeira oficina que aparecesse, ela cruza seu caminho com James (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eternos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Brian Tyree Henry</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos mecânicos do local. A partir disso, observamos essa relação desenvolver-se de uma conversa trivial sobre um carburador quebrado, para uma carona despretensiosa devido ao sol da tarde, para um vínculo que evoca os sentimentos mais primordiais. Vínculo esse que tinha tudo para nunca evoluir daquela interação inicial, mas que, na necessidade mútua de existir além de suas prisões particulares, ambos agarram a oportunidade de, pelo menos por um instante, não estarem mais sozinhos.</span></p>
<figure id="attachment_30153" aria-describedby="caption-attachment-30153" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30153 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-800x533.jpg" alt="Cena do filme Causeway, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, os personagens Lynsey, interpretada por Jennifer Lawrence, e James, interpretado por Brian Tyree Henry, conversam em frente a uma oficina, ao lado de uma caminhonete azul-escura. Jennifer é uma mulher branca, de cabelos loiros, que veste uma camiseta marrom, calças jeans e um tênis de corrida branco. Ela se apoia na porta da caminhonete de braços cruzados. Brian é um homem negro, de cabelos crespos e barba fechada, que veste uma camiseta preta com detalhes em branco nas mangas, calças azul-escuras e botas pretas, além de uma bandana azul e um colar de ouro no pescoço. Ele apoia seu peso na própria perna, com as mãos na cintura. O cenário é um bairro residencial e a cena se passa durante o dia." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-6-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30153" class="wp-caption-text">Além de seu aclamado histórico na televisão, Tyree Henry tem formação no teatro e já chegou a ser indicado ao Tony Awards por Lobby Hero, da Broadway (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito foi dito sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um filme sustentado por seus dois atores principais. Contudo, diferente do que poderia-se prever, não há disputa entre eles. Ao invés de apostar em interpretações mais </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/malcolm-e-marie-critica"><span style="font-weight: 400;">expansivas</span></a><span style="font-weight: 400;">, diálogos </span><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">explosivos e expositivos</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tyree Henry e Lawrence ocupam a tela a partir das maiores frivolidades. Eles incorporam James e Lynsey com tamanha naturalidade, que mostram-se capazes de manifestar todas emoções do universo nas expressões mais sutis. Uma abordagem árdua, porém honesta e, sem dúvidas, mais humana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, ainda que Jennifer Lawrence tenha entregado uma das interpretações </span><a href="https://deadline.com/2022/09/jennifer-lawrence-causeway-very-personal-childhood-trauma-1235109562/"><span style="font-weight: 400;">mais belas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Causeway</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o filme de Brian Tyree Henry. Lila Neugebauer, que é amiga pessoal do ator, abre passagem para que ele possa desmantelar sua barreira entre o público, concatenando-nos a James através da mais pura empatia. Enquanto profissional negro, que sempre abordou seus personagens com uma sensibilidade além do perceptível, Henry encontra espaço para expurgar suas defesas e se vulnerabilizar ao limite. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cheguei a um ponto em que as pessoas vêem a performance, mas chegam cada vez mais perto de ver a mim mesmo. O que é bizarro, mas também sinto que é necessário</span></i><span style="font-weight: 400;">”, comenta, </span><a href="https://variety.com/2023/film/features/causeway-brian-tyree-henry-mental-health-1235472385/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">Variety</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30154" aria-describedby="caption-attachment-30154" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30154 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-5-5-800x451.jpg" alt="Cena do filme Causeway, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, os personagens Lynsey, interpretada por Jennifer Lawrence, e James, interpretado por Brian Tyree Henry, conversam enquanto nadam em uma piscina. Jennifer é uma mulher branca de cabelos loiros, que veste um top preto. Ela fala com Brian e o observa com um olhar sério. Brian é um homem negro, de cabelos crespos e barba fechada, que está sem camisa e usa um colar de ouro no pescoço. Ele olha para Jennifer sério, prestando atenção no que ela diz. O cenário é noturno." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-5-5-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-5-5-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-5-5.jpg 980w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30154" class="wp-caption-text">“Seria bom ter alguém por perto… Tomar café junto de manhã, fumar à noite, fazer o jantar de vez em quando” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É esse processo de permitir-se frágil que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l7NVBYu4-mI&amp;ab_channel=Variety"><span style="font-weight: 400;">norteia </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Lynsey encontra em James – e vice-versa – a lacuna que procurava para preencher seu vazio interior. Se ele guarda um remorso imenso por sentir-se responsável pela morte de seu sobrinho, uma mágoa carregada no corpo e que o faz criar um apego e necessidade de proteção imediata à ex-militar; ela nunca se sentiu digna de amor ou estimada por aqueles ao seu redor e, ao ver-se valorizada depois de tanto tempo, passa a cultivar uma carência profunda ao amigo. Todavia, apesar de desejar essa conexão, a protagonista se recusa a abrir mão da própria casca, seja por medo de não ser aceita, ou para que não seja obrigada a encarar suas feridas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim que o elo entre os dois toma dimensões carnais, ao ponto de que seus traumas não possam ser ignorados, Neugebauer ratifica que a força de seu estudo de personagem está na atenção ao detalhe. Pois não será em um dramático monólogo, ou em uma virada de segundo ato acachapante, que o arco de Lynsey se completará. Será na grandeza das pequenas coisas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Causeway</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduzirá sua mensagem mais potente. É no olhar silencioso entre duas pessoas sedentas por redenção – preenchendo as brechas deixadas pela </span><a href="https://open.spotify.com/album/4p6sYkL9oKMVgPpdJaKwfm?si=fefIydJ4TUmCeVglBm51Fg"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora pontual</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas poderosa de Alex Somers –, que presenciaremos o instante em que, mesmo após ser aprovada para retornar à campo, a protagonista decide </span><a href="https://variety.com/2022/film/festivals/causeway-jennifer-lawrence-tiff-premiere-1235367762/"><span style="font-weight: 400;">enfrentar os demônios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua terra natal e, enfim, abrir passagem para a cura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Causeway — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VojBOTd6Euo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 20:38:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[2022]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes  Nada de Novo no Front é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação Sem Novidade no Front sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29067" aria-describedby="caption-attachment-29067" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No lado direito da imagem, temos um homem branco não identificado, vestindo blusa preta, touca cinza e uma máscara facial branca. Ele está abraçando o ator Felix Kammerer, um homem branco de expressão triste, vestindo um casaco cinza e um capacete preto. Ao fundo, temos algumas estacas e o resto do cenário está desfocado. A cena acontece durante o dia, mas a foto está tratada em preto e branco. " width="1486" height="989" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29067" class="wp-caption-text">Na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a nova versão de Nada de Novo no Front, exibida na seção Perspectiva Internacional, mantém a mensagem anti-guerra do material original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Novidade no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis Milestone, o longa fez tanto sucesso que venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 1931, consagrando-se como a primeira adaptação literária a conquistar essa honraria, bem como a primeira vitória conjunta da categoria principal com o prêmio de Melhor Diretor. Agora, 91 anos depois, o diretor Edward Berger (</span><i><span style="font-weight: 400;">Patrick Melrose</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Your Honor</span></i><span style="font-weight: 400;">), em parceria com a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz uma nova versão de mesmo nome do material base para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibida na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29064"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em 1917, acompanhando o jovem de 17 anos Paul Bäumer (Felix Kammerer), que se alista para lutar no exército alemão sob uma visão idealista da guerra. Chegando na frente de batalha, ele se depara com algo completamente diferente do que esperava, num cenário de caos, mortes e destruição. Logo vamos para 1918, quando Paul e seus amigos continuam lutando, enquanto o oficial Matthias Erzberger (Daniel Bruhl, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rush</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) tenta negociar um armistício com a França. </span></p>
<figure id="attachment_29069" aria-describedby="caption-attachment-29069" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. Ao longo de toda a imagem, temos soldados vestidos de casaco, calças, botas e capacetes todos pretos e cinzas, segurando armas na mão. Na parte de baixo da imagem, podemos ver o cenário de uma trincheira, com escadas de madeira preta e sacos de peso marrom escuro em cima. Ao fundo, podemos ver algumas cercas de madeira preta e vários outros homens correndo na direção à esquerda. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29069" class="wp-caption-text">Co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, Nada de Novo no Front é a submissão alemã para o Oscar de Melhor Filme Internacional, e suas chances estão cotadas como altíssimas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kyv1Yn2CWeo"><span style="font-weight: 400;">primeiros minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de rodagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">chama atenção imageticamente, com um plano aéreo registrando milhares de corpos espalhados por um terreno coberto de lama e cinzas. Essa imagem tão impactante evidencia a visão da obra como um todo de que a guerra é um desperdício da vida humana. A sequência que a sucede na montagem de Sven Budelmann expande ainda mais esse comentário, pois o que vemos são os uniformes dos soldados mortos sendo lavados, costurados e secados para serem vestidos por novos combatentes, representando o quão descartáveis essas pessoas são diante do conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, chamam atenção os </span><a href="https://www.ibc.org/features/behind-the-scenes-all-quiet-on-the-western-front-netflix/9266.article"><span style="font-weight: 400;">elementos técnicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob o comando preciso da câmera de Berger, que situa muito bem o público dentro de tamanho caos bélico. A cinematografia de James Friend se destaca pela natureza fria e a complexidade dos planos de ação, enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Christian M. Goldbeck reproduz perfeitamente o desgaste das trincheiras; os efeitos práticos ressaltam a periculosidade das armas de fogo e a maquiagem de sangue, machucados, membros decepados e sujeira impressiona pela veracidade. No campo mais abstrato da sonoridade, mixagem e edição de som, sob supervisão de </span><span style="font-weight: 400;">Lars Ginzel, Frank Kruse e Viktor Prášilo, </span><span style="font-weight: 400;">bombardeiam os ouvidos do público por todos os lados, enquanto a trilha de Volker Bertelmann usa texturas eletrônicas no meio de uma orquestração dramática comum para realçar a violência iminente. </span></p>
<figure id="attachment_29072" aria-describedby="caption-attachment-29072" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No centro da imagem, temos o ator Felix Kammerer, um homem branco, com o rosto sujo de graxa entre os olhos, vestindo um casaco cinza em cima de uma camisa branca e um capacete preto. Ao fundo, vários homens brancos vestindo também casacos cinzas e capacetes pretos. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29072" class="wp-caption-text">Interpretando o protagonista Paul, Felix Kammerer é uma das poucas âncoras de humanidade no longa de Edward Berger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota-se, portanto, que tudo está no lugar em </span><i><span style="font-weight: 400;">All Quiet on the Western Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(título em inglês da obra, utilizado em sua distribuição internacional), com exceção de uma coisa: a emoção. Isso não se dá por falta de tentativa, pois o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5TrAdMbWKWM"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Berger, Lesley Paterson e Ian Stokell até tenta estabelecer vínculos significativos entre os soldados, mas falha por não diferenciá-los uns dos outros. Suas falas, modos de agir e até mesmo seus nomes se tornam difíceis de se distinguir entre si, o que gera a falta de nuances dramáticas e conflitos humanos e faz a experiência ser cansativa, por mais que os atores se esforcem para capturar as fortes emoções, como o jovem Kammerer na pele do protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a falta de um aprofundamento emocional no longa de Berger não invalide o seu virtuosismo técnico, influencia muito no seu impacto para com o público. É um tipo de erro que não acomete outras histórias como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Resgate do Soldado Ryan </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), de Steven Spielberg, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Até o Último Homem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), de Mel Gibson, pois estas entendem a importância das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LvAIBDGIYE0"><span style="font-weight: 400;">emoções humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para relacionar a audiência com as dores dos personagens assolados pela guerra. No fim das contas, isso só prova que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">precisa justamente daquilo sobre o que ele mais fala: humanidade. </span></p>
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		<title>Status positivo: Perlimps se emancipa em viagem sensorial</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2022 18:45:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Na floresta colorida que preenche com entusiasmo a tela de Perlimps, uma das animações mais aguardadas da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dois agentes secretos duelam por um bem em comum. Do Reino do Sol, Claé (Lorenzo Tarantelli) é uma raposa que insiste em se identificar como lobo, enquanto Bruô &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/perlimps-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Status positivo: Perlimps se emancipa em viagem sensorial"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28972" aria-describedby="caption-attachment-28972" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra uma raposa e um urso crianças no escuro. A raposa laranja segura uma lanterna em direção ao seu rosto, enquanto o urso branco e preto tem luzes saindo de seus olhos, iluminando sua frente." width="1919" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1.jpg 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-800x338.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1536x649.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1200x507.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28972" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Cinema de Animação de Annecy, Perlimps integra a Mostra Brasil e marca o retorno de Alê Abreu à Mostra de SP, em sua 46ª edição (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na floresta colorida que preenche com entusiasmo a tela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das animações mais aguardadas da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, dois agentes secretos duelam por um bem em comum. Do Reino do Sol, Claé (Lorenzo Tarantelli) é uma raposa que insiste em se identificar como lobo, enquanto Bruô (Giulia Benite), nascida no Reino da Lua, representa uma miscelânia selvagem, assumindo a forma de um urso com rabo de leão. À primeira vista inimigos, os bichinhos entendem que apenas com a união será possível derrotar o inimigo invisível.</span></p>
<p><span id="more-28971"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou melhor dizendo, camuflado. Para além das árvores altíssimas que escondem o império verde das flores e folhas, está assentada uma fábrica fedorenta e fumacenta, comandada por gigantes monstruosos e imbatíveis, cada vez mais próximos do coração da Mãe Natureza. Sob a direção, o roteiro, o desenho de produção e a montagem de Alê Abreu, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/perlimps-segura-a-onda-de-ser-herdeiro-de-o-menino-e-o-mundo.shtml"><span style="font-weight: 400;">mundo fantástico e imaginativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme é embasado pelas cores e pelo poder dos sons.</span></p>
<figure id="attachment_28973" aria-describedby="caption-attachment-28973" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-scaled.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra uma floresta colorida e cheia de flores brancas. Vemos 3 animais, uma águia idosa, de bengala apontando para as crianças raposa e lobo, que olham para ela. " width="2560" height="1094" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-800x342.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1024x438.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1536x657.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-2048x876.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1200x513.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28973" class="wp-caption-text">Antes de se chamar Perlimps, a obra tinha o título de Viajantes do Bosque Encantado (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No departamento comandado por </span><a href="https://musicacorporal.wordpress.com/2015/11/30/entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">André Hosoi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e O Grivo, a experimentação proveniente da música é quem orienta os oitenta minutos de rodagem. Complementado a aventura, o texto de Abreu, </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/116999-perlimps-alegoria-a-um-brasil-polarizado.html"><span style="font-weight: 400;">verborrágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e intensamente presente como mapa dos bichinhos, trabalha em harmonia à maneira com que a produção extrapola o uso da luz do sol, a brisa do ar e a refrescância da água. </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps</span></i><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre a técnica da animação </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fazer quem assiste se infiltrar naquela mata sem medo de picada de mosquito ou de pisar em poças de lama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase uma década depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino e o Mundo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sua </span><a href="https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/blog/espaco-de-cinema/post/indicacao-ao-oscar-de-o-menino-e-o-mundo-e-o-ramo-de-animacao-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o cineasta retorna aos já costumeiros traços vívidos e dançantes muito mais centrado e vibrante quanto a história que quer contar e a maneira de fazê-lo. Os pequeninos e folclóricos &#8216;perlimps&#8217; que batizam o longa são o objeto de busca dos protagonistas em favor da liberdade das garras de um futuro desolado pela ganância e pelo capital. Única voz adulta em destaque do elenco, o veterano </span><a href="https://viventeandante.com/perlimps-contara-com-a-participacao-de-stenio-garcia/"><span style="font-weight: 400;">Stênio Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> desempenha o papel do sábio ancião que remexe a cabeça dos protagonistas, clareando suas ideias e some logo na sequência.</span></p>
<figure id="attachment_28974" aria-describedby="caption-attachment-28974" style="width: 1917px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra o urso e a raposa olhando para o horizonte, de costas para a imagem. A imagem tem muitos tons de amarelo e marrom, mostrando uma paisagem fosca e não nítida. " width="1917" height="819" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1.jpg 1917w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-800x342.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1024x437.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1536x656.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1200x513.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28974" class="wp-caption-text">No time de produção, vemos os nomes de Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi e Ernesto Soto Canny, enquanto lembramos da dubladora Giulia Benite pelo papel de Mônica nas obras de Daniel Rezende (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As metáforas para a guerra e o descaso com a natureza e com a vida humana bebem de fontes já consagradas na Sétima Arte, mas o que diverge </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps </span></i><span style="font-weight: 400;">do óbvio é a emancipação que o longa presta ao papel de cair nos clichês. Gotas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OFINQse6xno"><i><span style="font-weight: 400;">Lucas &#8211; Um Intruso no Formigueiro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se misturam ao imaginativo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wHM5r9s5J-k"><i><span style="font-weight: 400;">Arthur e os Minimoys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além da inspiração fantasmagórica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Vivem os Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">assombrar os personagens principais à maneira de se moverem e reagirem ao nefasto mundo do homem. Por vezes distante de uma abordagem mais sisuda sobre os males que infecta e cutuca, o filme de Alê Abreu deixa a marca única de um </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">positivo, veredito repetido com entusiasmo pelas crianças-animais em seus tecnológicos </span><i><span style="font-weight: 400;">walkie-talkies</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Perlimps | Teaser oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fMOL2hvoOVE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Era melhor quando o Amanhecer não chegava</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 20:14:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez De filmes que denunciam e encaram ataques à humanidade de frente a outros que se aprofundam nas consequências sociais e emocionais, os recorrentes conflitos no Leste Europeu acharam na Arte lugar para serem refletidos e relembrados. Amanhecer, coprodução entre Croácia e Itália dirigida por Dalibor Matanic, torce a abordagem dramática em uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amanhecer-zora-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Era melhor quando o Amanhecer não chegava"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24384" aria-describedby="caption-attachment-24384" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Na imagem, em uma paisagem montanhosa com uma gramado baixo e algumas árvores baixas espalhadas, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos lisos na altura do ombro, sem camisa e de calças jeans, sentado em uma cadeira de madeira e virado de costas para a câmera. Ao redor dele, vemos cadeiras de madeira idênticas à qual ele está sentado, caídas espalhadas pela grama." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24384" class="wp-caption-text">Amanhecer se dividiu entre as salas de cinema e as exibições online da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na qual integrou a seção Perspectiva Internacional (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De filmes que denunciam e encaram </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><span style="font-weight: 400;">ataques à humanidade de frente</span></a><span style="font-weight: 400;"> a outros que se aprofundam nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/colmeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">consequências sociais e emocionais</span></a><span style="font-weight: 400;">, os recorrentes conflitos no Leste Europeu acharam na Arte lugar para serem refletidos e relembrados. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer</span></i><span style="font-weight: 400;">, coprodução entre Croácia e Itália dirigida por Dalibor Matanic, torce a abordagem dramática em uma distopia fantasiosa, estreando no Brasil na 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, como parte da seção Perspectiva Internacional. Usando de simbologias, significados ocultos e muito mistério, o longa-metragem exibido no Festival de Karlovy Vary, tradicional do país de origem, imagina possibilidades a partir do passado croata.</span></p>
<p><span id="more-24383"></span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCTsBKyVr8U"><i><span style="font-weight: 400;">Zora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o nome original da produção, se passa em um futuro próximo e em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">cenário isolado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio às montanhas, onde Matija (Kresimir Mikic) vive com sua mulher, Ika (Tihana Lazavic), e os dois filhos do casal. As ameaças constantes do radicalismo e do autoritarismo vigentes na região fazem com que o protagonista, assim como fizeram os seus vizinhos, queira se mudar de lá. Porém, com o relacionamento apático em crise, uma tragédia familiar não solucionada e a mudança de um misterioso homem para o terreno ao lado, os dias tediosos e os planos em andamento de Matija são revirados.</span></p>
<figure id="attachment_24385" aria-describedby="caption-attachment-24385" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-2.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Em uma imagem em primeiro plano, em que os personagens aparecem dos ombros para cima, vemos, do lado esquerdo, um menino branco, de cabelos loiros curtos, vestindo um casaco azul, em desfoque e de costas para a câmera. Do lado direito, vemos um homem branco, de cabelos pretos lisos e despenteados na altura da orelha, barba comprida e grisalha, aparentando cerca de 40 anos, vestindo uma blusa azul e um casaco preto, encarando o menino e segurando o rosto dele com a mão esquerda." width="668" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-24385" class="wp-caption-text">Sol a Pino, filme anterior do diretor Dalibor Matanic, foi exibido na mostra Un Certain Regard de Cannes, onde venceu o Prêmio do Júri (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, a quietude e calmaria de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">são enfatizadas pela fotografia fria e estática de Marco Brdar. Em casa, nas paisagens montanhosas e até no bar local, assistimos ao cotidiano pacato dos protagonistas e o tédio vivido por eles atravessa a tela: é só depois de mais de uma hora de filme que o interesse finalmente desperta. Quando o forasteiro se instala na cidade e o maçante dia a dia de Matija é abalado, o roteiro, também responsabilidade do diretor </span><a href="https://cineuropa.org/es/interview/395564/"><span style="font-weight: 400;">Dalibor Matanic</span></a><span style="font-weight: 400;">, parece começar a engatar, e a curiosidade quanto às ameaças é amplificada pela aura misteriosa e de suspense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recém-chegado compartilha o nome de Matija, se muda para o terreno vizinho e passa a construir uma casa idêntica à dele. Enquanto isso, a família passa por seus próprios conflitos. As crianças, excepcionalmente interpretadas por Lara Vladovic e Maks Kleoncic, tentam não se deixar abalar pela chatice da vida que levam, Ika sofre com a perda de um dos filhos do casal e Matija aparenta só existir ali, sem demonstrar sentimentos, irritações ou qualquer reação que evoque alguma empatia ou solidariedade no espectador. Passar da primeira uma hora de </span><a href="https://www.croatiaweek.com/award-winning-croatian-film-the-dawn-to-premiere-on-hbo/"><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um verdadeiro desafio.</span></p>
<figure id="attachment_24386" aria-describedby="caption-attachment-24386" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Em um cômodo que aparenta ser a sala de uma casa, com uma janela iluminada ao fundo, vemos, ao centro, uma menina branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 10 anos, vestindo um casaco preto e usando fones de ouvido azul, pendurados no pescoço. Atrás dela, em desfoque, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos longos, inclinada para frente." width="2048" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24386" class="wp-caption-text">Segundo o diretor Dalibor Matanic, Amanhecer é o segundo filme da Trilogia do Sol, que começou com seu outro longa, Sol a Pino (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esperança da melhora no ritmo vem quando Matija (forasteiro, não o protagonista) bate à porta de Matija (esse sim o protagonista) e o informa que tomará seu lugar, como homem, marido e pai das crianças. A partir daí, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">finalmente começa, mas não vai muito além. Já ficou claro que o substituto do protagonista, como ele se impõe, faz parte da intimação autoritária e que há um subtexto acerca de religiões ou grupos étnicos, que remetem aos conflitos no </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/guerra-bosnia.htm"><span style="font-weight: 400;">passado da Croácia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Só que as relações não passam da livre interpretação, já que em nenhum momento o filme traça paralelos minimamente mais claros com a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que a grande ameaça inspirada no real precise ser nomeada &#8211; e não é &#8211; mas as simbologias ocultas usadas pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b-UJgKEsLhY"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">uma metáfora específica demais para se sustentar apenas por si só. Nisso, entra outra Matija na história, dessa vez uma fanática religiosa. Com isso, a distopia não necessariamente se apoiaria no radicalismo que atinge a região &#8211; esse que só é identificável porque a sinopse deu a dica -, mas a relação entre os personagens, os mistérios da trama e a tragédia familiar, que aparentemente tem dedo do caçula da família no meio, também não passam de menções e referências misteriosas.</span></p>
<figure id="attachment_24387" aria-describedby="caption-attachment-24387" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4.jpeg" alt="Cena do filme Amanhecer. Sentados lado a lado em um banco e em frente a uma parede de madeira acinzentada, vemos, da cintura para cima, uma menina branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 10 anos, vestindo uma touca preta, um casaco cinza e com fones de ouvidos azuis pendurados no pescoço, à esquerda, e um homem branco, de cabelos pretos lisos na altura da orelha, barba grisalha, aparentando cerca de 40 anos, vestindo um casaco preto, à direita. " width="900" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4.jpeg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4-768x461.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24387" class="wp-caption-text">Três Matijas são Matijas demais (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reviravolta que o longa encara em seu encerramento é talvez a única parte em que uma mensagem possa ser tirada. Na confusão de cores e danças da sequência final, quando a luz do dia finalmente chega, fica claro o caráter completamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mar-infinito-critica/"><span style="font-weight: 400;">metafórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme, que pode querer indicar o conflito entre gerações e ideologias, tão perto, mas tão isolados naquele mesmo território. Apesar de culminar em um fechamento sem precedentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">termina como começou: uma grande alegoria, livre para interpretação, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-inventados-critica/"><span style="font-weight: 400;">aberta demais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conceder </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/"><span style="font-weight: 400;">qualquer resposta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente da vida real, se é que a relação é tão próxima assim, era melhor quando o amanhecer não chegava. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE DAWN Trailer | PÖFF 2020" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qCTsBKyVr8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Capitães de Zaatari não acerta o gol que precisava</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 19:45:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto A conjuntura instável e precária que refugiados no mundo todo se encontram nunca foi tão grave. São um dos grupos mais vulneráveis socialmente, agrupando pais e mães que se sujeitam aos trabalhos mais ímpios para sustentar suas famílias, e uma juventude que não vê perspectiva de um crescimento saudável. Nesse contexto, qual o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitaes-de-zaatari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Capitães de Zaatari não acerta o gol que precisava"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24258" aria-describedby="caption-attachment-24258" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24258" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13.jpg" alt="Imagem retangular, retirada do filme Capitães de Zaatari. O cenário é uma tarde em um acampamento de refugiados, com casebres construídos dos lados da rua de terra. No centro, em foco, vemos um grupo de seis garotos. Primeiro, à esquerda, um garoto usando um boné preto para trás, e vestindo uma camiseta laranja e branca e uma calça preta. Do seu lado esquerdo, está outro garoto, de cabelos raspados, vestindo uma camiseta preta e laranja e uma calça preta. Ele está prestes a cumprimentar um garoto mais alto, que aparenta ser mais velho. Esse é Mahmoud, ele usa um boné de aba curva azul, e veste uma calça preta e uma camiseta azul da seleção de futebol italiana. Mais atrás dele, está outro menino, menor, de cabelo raspado, que usa uma camisa azul e calça preta. Mais à esquerda, está Fawzi, um garoto da mesma altura de Mahmoud, que usa um boné vermelho, uma bermuda azul, e veste uma camiseta branca com detalhes em vermelho, e com a logo da banda Rolling Stones, uma boca mostrando a língua, estampada em seu centro. Por último, do lado esquerdo de Fawzi, está um garoto, que veste uma camisa azul e verde estampada e uma bermuda jeans, enquanto segura uma bola de futebol na mão direita. O grupo de garotos sorriem, conversando entre si." width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24258" class="wp-caption-text">Compondo a Competição Novos Diretores, da 45ª Mostra internacional de Cinema em São Paulo, falta audácia em Capitães de Zaatari (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conjuntura instável e precária que </span><a href="https://medium.com/@laboratoriodejornalismo2017/refugiados-na-contemporaneidade-da4377a3c4fe"><span style="font-weight: 400;">refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo todo se encontram nunca foi tão grave. São um dos grupos mais vulneráveis socialmente, agrupando pais e mães que se sujeitam aos trabalhos mais ímpios para sustentar suas famílias, e uma juventude que não vê perspectiva de um crescimento saudável. Nesse contexto, qual o papel que o esporte exerce? O futebol pode adquirir uma função transformadora e emancipatória para essas pessoas? Questões importantíssimas, mas que nunca são tratadas com a devida atenção por </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário egípcio que é exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24257"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário mostrado é </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2020/04/21/covid-19-refugiados-sirios-se-adaptam-ao-isolamento-em-campos-da-jordania/"><span style="font-weight: 400;">Zaatari</span></a><span style="font-weight: 400;">, o maior campo de refugiados da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56378202"><span style="font-weight: 400;">Guerra da Síria</span></a><span style="font-weight: 400;">, localizado na Jordânia. Circunstância essa que teria de tudo para esmagar as aspirações de qualquer um, mas não para Fawzi e Mahmoud. Os dois garotos, apaixonados por futebol, vêem no esporte uma possibilidade de </span><a href="https://pesquisa-eaesp.fgv.br/publicacoes/pibic/o-futebol-como-porta-de-saida-da-pobreza-analisando-individuos-e-organizacoes"><span style="font-weight: 400;">transformação</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas vidas e na de suas famílias. E esse sonho parece bater-lhes à porta quando uma academia de futebol vai até Zaatari para selecionar jovens jogadores para um torneio internacional em Doha, no Catar, que pode finalmente conceder aos amigos a oportunidade que eles precisavam para emergir no esporte profissionalmente.</span></p>
<figure id="attachment_24259" aria-describedby="caption-attachment-24259" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24259" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme Capitães de Zaatari. Vemos, em foco, do lado esquerdo, o rosto de um menino. Ele tem a pele clara, e cabelos curtos e lisos da cor castanha. Ele está do outro lado da grade de um portão cinza, e ele olha sério, em direção à câmera. O fundo é desfocado, e a cena se passa durante o dia." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24259" class="wp-caption-text">A perspectiva que Capitães de Zaatari traz sobre o futebol, como uma fonte de esperança e um potencial instrumento de ascensão social, é muito próxima da experiência de jogadores profissionais no Brasil (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Captains of Za`atari</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é chamado originalmente, acompanha essencialmente esses dois núcleos: o campo de refugiados e a competição no Catar. O retrato feito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue o cotidiano daquele povo e, assim, os presenciamos travando suas lutas diárias. Vemos o pai de Fawzi, que já não está em sua melhor condição de saúde, sendo impedido de trabalhar fora do assentamento, impossibilitado de ver os seus filhos. Também nos deparamos com as </span><a href="https://www.scielo.br/j/rbepop/a/Xf7yQhXqhY3YyRp9fZZgzwm/?format=pdf&amp;lang=pt"><span style="font-weight: 400;">insalubridades do local</span></a><span style="font-weight: 400;">, as casas mal alocadas, as ruas não asfaltadas e o acesso precário a energia elétrica e </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ansiedade de superar aquele lugar, os garotos decidem sacrificar seus estudos em prol dos treinos, apostando todas as poucas fichas que têm no futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São nessas situações de extrema fragilidade emocional que vemos </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;"> alcançar seu ápice. E, se há algo para ser elogiado no filme de estreia de </span><a href="https://45.mostra.org/diretores/ali-el-arabi"><span style="font-weight: 400;">Ali El Arabi</span></a><span style="font-weight: 400;"> na direção, é como ele retrata a visceralidade do relacionamento de Fawzi e Mahmoud. Sentimos junto a eles a alegria de pisar em um gramado pela primeira vez, e a amargura de ser negado a participar de uma competição que almejava por questões além de seu controle. É esse atrito constante entre conquistas e frustrações que dá o tom do documentário, traduzindo essa sensação agridoce de maneira encantadora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos fortes nessa primeira metade do longa é a fotografia de Mahmoud Bashir. Optando por um esquema de </span><a href="https://medium.com/calebelopes/c%C3%A2mera-na-m%C3%A3o-d451741c21e0"><span style="font-weight: 400;">câmera na mão</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus enquadramentos nunca se fixam. Sempre há algum tipo de perturbação, que tira sua visão cômoda do lugar comum. E esse método ganha um potencial ainda maior quando utilizado para capturar as partidas de futebol. A primeira sequência de bola em Zaatari é excepcional. Bashir cria uma sensação de quase claustrofobia, procurando alguma brecha sobre o campo rodeado pelos 22 meninos, comunicando, também visualmente, a inquietação de Fawzi e Mahmoud em deixar o acampamento para trás.</span></p>
<figure id="attachment_24260" aria-describedby="caption-attachment-24260" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme Capitães de Zaatari. O cenário é o pôr-do-sol de uma estrada de terra. Vemos nas extremidades vários postes elétricos e, no centro, a silhueta de alguns garotos jogando futebol na rua." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24260" class="wp-caption-text">Apesar da sinopse do documentário martelar na ideia de que Fawzi e Mahmoud tomam caminhos diferentes, isso nunca ocorre de fato (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o filme começa a enfraquecer assim que somos transportados para o núcleo de Doha. Essa inventividade que foi demonstrada no campo de areia de Zaatari se perde quando é levada para os gramados sintéticos. Pelas limitações de se registrar um </span><a href="http://qatarnews.com.br/site/?p=558"><span style="font-weight: 400;">torneio</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não concedem a liberdade de movimento de um jogo informal, a câmera se fixa e afasta-se da ação e adrenalina do jogo. A montagem de Menna El Shishini, na tentativa de dinamizar esses </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;">, passa a trabalhar com </span><i><span style="font-weight: 400;">slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, nesse caso, o efeito apenas evidencia o empobrecimento dos registros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma, o núcleo emocional acaba por se dispersar. Na segunda metade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;">, passam a ser priorizadas questões com relevância mínima, como o resultado de um jogo ou o desempenho objetivo na competição, e deixa a amizade dos meninos e a perspectiva da população de Zaatari de escanteio. A discussão complexa a respeito da exclusão e negligência sobre jovens refugiados é esquecida, para focar em discursos motivacionais vazios, que ganham validação por serem protagonizados por grandes nomes do futebol: no caso, </span><a href="https://brasil.elpais.com/icon/2020-08-15/xavi-hernandez-o-futebol-e-um-dos-unicos-esportes-em-que-o-trabalhador-e-insultado-e-inadmissivel.html"><span style="font-weight: 400;">Xavi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://calciopedia.com.br/2016/04/jogadores-david-trezeguet.html"><span style="font-weight: 400;">Trezeguet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesses instantes, o filme parece menos um documentário e mais um comercial da </span><a href="https://esportes.r7.com/acusacoes-de-suborno-na-fifa-geram-mais-suspeitas-sobre-copa-no-qatar-07042020"><span style="font-weight: 400;">FIFA</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente disso, </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/capitaes-de-zaatari"><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exala uma paixão pujante pelo futebol e, mesmo em seus piores momentos, a direção de Ali nunca deixa isso entrar em questionamento. Porém, o seu primeiro longa-metragem perde o impacto que lhe demandava quando não se arrisca e decide manter seu tema central na superficialidade, nunca se aprofundando na </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Entenda-o-papel-do-imperialismo-por-tras-das-tragedias-migratorias"><span style="font-weight: 400;">raiz</span></a><span style="font-weight: 400;"> da problemática que ele relata. Um projeto com potencial gigantesco, mas que se perde em sua falta de ambição.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Captains Of Zaatari, Doc Edge Festival 2021 (Official Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mfxD3EE-CN0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Não há paz em Oslo</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 21:07:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Oslo é a capital na Noruega, além de ser a maior cidade do país. Revelando sua importância, o município é centro cultural, científico, econômico e governamental dos noruegueses. Com um dos maiores custos de vida, mas também um dos melhores lugares para se viver, Oslo é o palco do filme de mesmo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oslo-hbo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há paz em Oslo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22883" aria-describedby="caption-attachment-22883" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22883" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1.jpg" alt="Cena de Oslo. Nela vemos Andrew Scott. Um homem branco, de cabelos lisos e pretos. Ele está sentado, veste um paletó cinza, camisa branca e gravata azul. À direita está o ombro e a cabeça desfocada de outro homem. Ao fundo vemos caixas de plástico. A imagem tem um filtro amarelo." width="1920" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1-800x354.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1-1024x453.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1-768x340.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1-1536x680.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo1-1200x531.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22883" class="wp-caption-text">Lançado em maio, Oslo concorre a duas categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://catracalivre.com.br/viagem-livre/oslo-cidade-que-vai-fazer-voce-se-apaixonar-pela-noruega/"><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a capital na Noruega, além de ser a maior cidade do país. Revelando sua importância, o município é centro cultural, científico, econômico e governamental dos noruegueses. Com um dos maiores custos de vida, mas também um dos melhores lugares para se viver, Oslo é o palco do filme de mesmo nome que traz Mona Juul (Ruth Wilson) e Terje Rød-Larsen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/andrew-scott/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Scott</span></a><span style="font-weight: 400;">) com um heroico casal de diplomatas ajudando nas negociações dos Acordos de Paz em 1993. </span></p>
<p><span id="more-22882"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.politize.com.br/israel-palestina/"><span style="font-weight: 400;">conflito entre judeus e Palestina</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdura há décadas, entretanto foi após a Segunda Guerra Mundial, juntamente com a propagação do antissemitismo, que as divergências se intensificaram. O extermínio dos judeus pelos nazistas, levou muitas famílias a imigrarem para a Palestina, fortalecendo o movimento sionista que se consumou, em 1948, com a criação do Estado de Israel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1993, líderes de Israel e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se reuniram na capital da Noruega para negociar os </span><a href="https://www.cafehistoria.com.br/acordos-de-paz-de-oslo-20-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">Acordos de Paz de Oslo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre muitas tentativas de cessar fogo, o plano apostou em diálogos entre os representantes para, eventualmente, alcançar o resultado esperado. O filme se inicia nesse ponto, toda essa breve introdução é história, e conhecer o básico, ajudará a entender o recorte temporal da trama, escolhido pelo diretor Bartlett Sher, que adaptou a peça teatral de mesmo nome, para as telas da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_22884" aria-describedby="caption-attachment-22884" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2.jpg" alt="Cena do filme Oslo. Na cena, vemos os personagens principais agachados ao lado de um carro cor de creme. Ao fundo, está uma mulher segurando uma criança no colo, e fugindo daquele ambiente. Está de dia e a cena reflete um ar de guerra e caos, com os personagens, dois atores brancos e adultos, aflitos. Ruth Wilson está agachada, veste roupas claras e sapatos marrons Seu cabelo é castanho escuro e na altura dos ombros. Andrew Scott tem cabelos pretos, usa terno cinza e sapatos marrons." width="1800" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2-768x410.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2-1536x819.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo2-1200x640.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22884" class="wp-caption-text">Após contracenarem em His Dark Materials, Andrew Scott e Ruth Wilson se reencontram em Oslo (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de tudo que possa ser imaginado sobre o filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não traz grandes discussões ou brigas entre inimigos mortais, apenas meras trocas de farpas. Pelo ponto de vista de </span><a href="https://personaunesp.com.br/his-dark-materials-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mona</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Terje é que a história se manifesta, diferenciando o telefilme dramático de um documentário. Os diplomatas são construídos de maneira humanizada, com seus cansaços, fraquezas e suas sensibilidades. É o casal que rouba a cena da produção, após verem a olho nu a destruição na </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/faixa-de-gaza.htm"><span style="font-weight: 400;">Faixa de Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tidos como quase-heróis, são eles que organizam os representantes e o local das negociações &#8211; o próprio governo norueguês não sabe na integra todas as movimentações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As negociações acontecem a portas trancadas por sete chaves. O telespectador quase não tem acesso aos diálogos que podem mudar o rumo do conflito, já Mona e Terje tem acesso negado para garantir a neutralidade do Acordo. Nas cenas do ambiente externo, enquanto tudo está sendo encaminhado a passos lentos, a mão da produção pesa para gritarem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre o Oriente Médio. A forte iluminação, extremamente </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/24/por-que-o-filtro-amarelo-usado-nos-filmes-de-hollywood-e-problematico.htm#:~:text=O%20tal%20filtro%20amarelo%20%C3%A9,EUA%2C%20do%20mundo%20em%20desenvolvimento."><span style="font-weight: 400;">amarelada</span></a><span style="font-weight: 400;">, típica de qualquer cenário que fuja da Europa ou dos EUA, faz a vista doer, reiterando a sensação de heroísmo das protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_22885" aria-describedby="caption-attachment-22885" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22885" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3.jpg" alt="Cena de Oslo. Ao centro está Andrew Scott. Ele veste roupa social esverdeada, camisa branca e gravata vermelha. Sua mãos estão juntas. À esquerda está um homem branco, com cabelos e bigode preto. Ele veste roupa social preta, camisa bege e gravata marrom. Na sua mão direita há uma maleta laranja. À direita de Andrew Scott está um homem branco e careca. Ele veste roupa social preta, camisa azul clara e gravata verde. Na sua mão esquerda há uma maleta preta. O fundo é uma parede cheia de livros." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/oslo3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22885" class="wp-caption-text">Por mais um ano, Andrew Scott bate na trave e seu nome não aparece na lista de indicados ao Emmy (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em maio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorre a duas categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;">TV</span><span style="font-weight: 400;">. Ele é mais uma produção para a conta da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, que lidera as indicações desse ano. Caso o filme ganhe, a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua com título de Melhor Telefilme que, até então, está nas mãos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mHNng3hb4co&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Bad Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizada por Hugh Jackman. Mas a pedra no sapato do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser seu concorrente </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, que vem forte na disputa com </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=sylvies+love&amp;ab_channel=AmazonPrimeVideo"><i><span style="font-weight: 400;">Sylvie&#8217;s Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QsNgR-dguhQ&amp;ab_channel=AmazonPrimeVideo"><i><span style="font-weight: 400;">Uncle Frank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria de Melhor Composição Musical em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme ou Especial (Trilha Dramática Original), quem assina a composição da trilha sonora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Jeff Russo e Zoë Keating. O nome de Russo aparece mais uma vez na lista de indicados da mesma, a dobradinha acontece pela trilha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fargo-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fargo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que já lhe rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2017. Na área da produção executiva, quem dá o nome é Marc Platt. Conhecido no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/05/27/adiado-por-causa-da-pandemia-de-coronavirus-tony-awards-sera-apresentado-em-setembro.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Tony Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Evan Hansen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Wicked</span></i><span style="font-weight: 400;">, Platt já faturou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos anos de 2016 e 2018</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Oslo: Trailer Oficial | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PmUgX2hdorg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> peca na tecla que mais bate: a neutralidade. O falso equilíbrio do filme humaniza apenas os seus protagonistas, colocando as demais figuras políticas num cenário descontextualizado. Mesmo com a imponência dos </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2020/01/17/a-guerra-sem-fim-dos-eua-no-oriente-medio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas discussões sendo mostrada, o longa não deixa de ser uma visão ocidental da crise. O subir dos créditos é um dos pontos altos; </span><i><span style="font-weight: 400;">Oslo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se encerra de maneira leviana, trazendo dados e cenas reais dos acontecimentos que precedem o Acordo. Quem dera se o mesmo tivesse sido feito no início.</span></p>
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		<title>Quo Vadis, Aida? e a impotência perante um genocídio</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2021 19:36:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan O que seria das premiações sem os filmes de guerra? Em 1971, Patton venceu a categoria de Melhor Filme do Oscar; em 1994 foi vez do genial A Lista de Schindler levar a estatueta, e em 1999 O Resgate do Soldado Ryan garantiu a indicação no prêmio mais importante da noite; já &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quo Vadis, Aida? e a impotência perante um genocídio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20179" aria-describedby="caption-attachment-20179" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20179 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena do filme Quo Vadis, Aida?. Nela vemos Aida, uma mulher branca, de olhos claros e cabelo castanho curto. Ela veste roupa azul claro e um crachá azul escuro. Ela está olhando fixamente para frente. Na sua frente há grades marrons. O fundo é desfocado em tons de azul." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4240535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20179" class="wp-caption-text">A potente atuação de Jasna Djuricic nos coloca em movimento mesmo assistindo a tela estáticos no candidato da Bósnia ao Oscar 2021 (Foto: Condor Distribution)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Júlia Trevisan</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que seria das premiações sem os filmes de guerra? Em 1971, </span><i><span style="font-weight: 400;">Patton</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu a categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">; em 1994 foi vez do genial </span><a href="https://personaunesp.com.br/lista-schindler-mil-nomes-mil-vidas/"><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> levar a estatueta, e em 1999</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Resgate do Soldado Ryan</span></i><span style="font-weight: 400;"> garantiu a indicação no prêmio mais importante da noite; já em 2018, dois filmes bateram ponto no tapete vermelho: </span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Destino de uma Nação</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2020, o Globo de Ouro até tentou emplacar os soldados de </span><i><span style="font-weight: 400;">1917</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas não ficou nem com cheiro perto do imbatível </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">. No atípico 2021, temos escassez nos filmes de confronto armado, mas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ErLD8P4VUjY"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vem pra cobrir essa lacuna e impactar a quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em fatos reais, a história se passa em </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/em-srebrenica-a-europa-fracassou/a-54133319"><span style="font-weight: 400;">Srebrenica</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma pequena cidade do leste da Bósnia e Herzegovina onde, em 1995, houve um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OppUkVeVd_k"><span style="font-weight: 400;">massacre de civis</span></a><span style="font-weight: 400;">. A produção faz um recorte focado nesse genocídio que ocorreu no município. Não há breve introdução ao assunto, somos colocados no meio da guerra e podemos esperar o pior, com famílias completas se refugiando na base da </span><a href="https://www.politize.com.br/onu-organizacao-das-nacoes-unidas/"><span style="font-weight: 400;">Organização das Nações Unidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, para escapar da ameaça de morte da Sérvia, que militarizava várias regiões do país.</span></p>
<p><span id="more-20178"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A base da ONU construída pelos soldados holandeses é denominada zona segura e quando a cidade é invadida pelo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42079338"><span style="font-weight: 400;">general Ratko Mladic e suas tropas de assassinos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a zona vira refúgio de todo o povo que busca por abrigo. Não há sentimento que melhor defina a experiência desse longa do que angústia. Logo no início, acompanhamos rapidamente uma família precisando sair de sua casa em busca de segurança, momentos depois vemos um mar de gente na espera de adentrar a base, que já está com sua capacidade máxima.</span></p>
<figure id="attachment_20180" aria-describedby="caption-attachment-20180" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20180 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena de Quo Vadis, Aida?. Nela Vemos Aida de costas. Ela veste uma camisa azul. Suas mãos estão na altura da boca. Ela fala com centenas de pessoas que estão ao fundo da foto de forma desfocada." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4201535.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20180" class="wp-caption-text">Estima-se que mais de 8 mil homens foram assassinados no massacre de Srebrenica (Foto: Condor Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem militares correndo por campos de trigo, o pulo do gato que traz o diferencial positivo para </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-6-motivos-para-assistir-quo-vadis-aida-indicado-melhor-filme-estrangeiro/"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a criação de protagonistas fictícios para a dramaticidade da história ganhar um tom mais pessoal. Tradutora da ONU, trabalhando junto com os soldados holandeses, Aida é o coração e peça chave do filme, ela vê de perto a manobra dos sérvios se aproximando e teme um massacre. Aida é muito mais que uma professora que está servindo como tradutora, ela é esposa, com dois filhos jovens, e seu olhar exala a energia de quem, mesmo cansada, tem forças suficientes para fazer o possível e o impossível para proteger sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta da ambientação do longa, diálogos se tornam necessários para construção do roteiro, e não há como se esgueirar da agonia a cada nova conversa. São noites sem dormir por medo e preocupação e o ritmo do enredo não nos faz sentir o tempo passar. O único escape da dura realidade são os cigarros e outras drogas. Mas, infelizmente, a cena que foge a monotonia não funciona tão bem: o sonho chapada de Aida acabou sendo apenas desconexo do contexto por falta de desenvolvimento da trama, que volta a se manter fiel em sua dolorosa premissa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lutando para proteger sua família, Aida insiste para que seu marido seja testemunha das negociações entre holandeses e sérvios. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h8a3edUR4O4"><span style="font-weight: 400;">O protagonismo feminino é indiscutível</span></a><span style="font-weight: 400;">, a óptica constrói um sentimentalismo ainda maior em um drama brutal, vemos as esperanças se esvaindo e vivemos o longa através dos movimentos dela. É durante o encontro com Mladic que fica claro a armação de um grande plano genocida e o angustiante despreparo dos holandeses, que alarmantemente falham em proteger seus civis.</span></p>
<figure id="attachment_20182" aria-describedby="caption-attachment-20182" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20182 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1724752-1.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1.jpg" alt="Cena de Quo Vadis, Aida?. Nela vemos dezenas de bósnios sentados no chão. Na frente a maioria são mulheres. Ao fundo, as pessoas da fotografia estão desfocadas." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1724752-1.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1724752-1.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1724752-1.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1724752-1.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20182" class="wp-caption-text">Kathryne Bomberger lidera desde 2004 a <a href="https://www.bol.uol.com.br/noticias/2020/07/11/massacre-de-srebrenica-pode-ocorrer-em-qualquer-lugar.htm">Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas</a>, identificando os mortos por meio de DNA (Foto: Condor Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marco histórico na Bósnia, a tragédia deixa lembranças em muitos naturais do país, como </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/em-segredo"><span style="font-weight: 400;">Jasmila Zbanic</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;"> que fez o filme para seus conterrâneos. Ela, que já ganhou o Urso de Ouro por sua produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Segredo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), agora concorre a Melhor Filme Internacional. Além do Oscar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença no </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381668141844008960"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; termômetro britânico do tapete vermelho &#8211;</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente nas categorias de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Direção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é a primeira vez que uma produção bósnia chega a premiação. Em 2002, o longa </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/terra-de-ninguem"><i><span style="font-weight: 400;">Terra de Ninguém</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez o queridinho francês </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0LPxU7659D4"><i><span style="font-weight: 400;">O Fabuloso Destino de Amélie Poulain</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">comer poeira, levando a estatueta para o país. Esse ano, a pedra no caminho é o brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Druk &#8211; Mais uma Rodada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que além da categoria Internacional, garantiu uma vaga em Melhor Direção para Thomas Vinterberg. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casamento entre a direção de Jasmila Zbanic e a atuação de Jasna Djuricic é uma sucessão de acertos e merecia mais reconhecimento na premiação, no mínimo aumentando o número de mulheres no páreo de direção em 2021. E quando se trata de filme de guerra, diferente do insosso </span><a href="https://personaunesp.com.br/greyhound-na-mira-do-inimigo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que concorre apenas em Melhor Som -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa o sabor amargo da revolta. O longa entra em sua mente e rouba seus pensamentos em fixação pelo roteiro.</span></p>
<figure id="attachment_20183" aria-describedby="caption-attachment-20183" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20183 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Cena de Quo Vadis, Aida?. À direita temos Aida, uma mulher branca, de olhos claros e cabelo castanho na altura do ombro. Ela veste camisa azul claro. Em suas mãos estão um megafone nas cores branco e vermelho. À esquerda temos um homem branco, com cabelo raspado e de bigode. Ele veste roupa militar." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4107934.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20183" class="wp-caption-text">Com o crescimento do populismo, muitos tentam reescrever a história e negar o massacre; o filme é um grito forte de resistência na era da pós verdade (Foto: Condor Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tradução livre, o nome em latim do filme significa </span><i><span style="font-weight: 400;">Para onde está indo, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;">, e não poderia haver título mais fiel. Em meio a seu serviço, Aida nota o momento em que os soldados perdem o controle sobre o que fazer com a população e com os cidadãos, e começam a recuar na guerra. É desesperador ver toda a corrida da protagonista para defender sua família mas, no fim das contas, não ter poder nenhum, </span><a href="https://www.infoescola.com/historia/genocidio-bosnio/"><span style="font-weight: 400;">os homens já estavam sendo separados das mulheres e crianças, o massacre anunciado e o plano político sendo concluído.</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ano onde realmente aprendemos a valorizar e aplaudir profissionais da saúde, assistimos </span><a href="https://www.msf.org.br/nossa-historia/massacre-em-srebrenica"><span style="font-weight: 400;">a montagem de pronto-socorro em meio a guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo sendo uma situação diferente de genocídios reais, é impossível não se identificar com diálogos sobre os planejamentos feitos para o futuro quando a tragédia terminar, e como estaria o fluxo da vida se tudo estivesse caminhando normalmente. </span><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;"> dói em pontos diferentes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Quo vadis, Aida? - Trailer Legendado (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/y251LyciC_Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera, com um enquadramento sempre focado em seus personagens principais, traz um ar ainda mais rarefeito para a situação claustrofóbica, a produção é brutal sem derramar uma única gota de sangue. Há um corte temporal onde encontramos uma Aida envelhecida e enlutada, com a dor de não ter achado os corpos, uma aflição verdadeira da tragédia marcada pelos cadáveres das vítimas terem sido jogados em valas comuns e depois realocados para esconder as provas do crime. Nunca foi dito às famílias onde seus entes estão enterrados, e até os dias atuais se encontram restos mortais pela Bósnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa sem respirar por longos minutos, que mais parecem horas. Um dos filmes mais pesados da temporada merece ser visto, digerido, pensado e repensado. O massacre de Srebrenica é considerado o </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/em-srebrenica-a-europa-fracassou/a-54133319#:~:text=No%20leste%20deste%20pa%C3%ADs%2C%20na,mil%20meninos%20e%20homens%20mu%C3%A7ulmanos."><span style="font-weight: 400;">pior da Europa</span></a><span style="font-weight: 400;">, depois da Segunda Guerra Mundial. Os comandantes das forças sérvias foram condenados pelos crimes, e o ex-general Ratko Mladic está em prisão perpétua pelo genocídio. A Holanda também foi julgada como culpada parcial por não ter protegido seus civis. Os julgamentos aconteceram nos anos 2000, mostrando o quão frágil e recente é a história do país que ainda não pode sepultar de maneira digna seu povo.</span></p>
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