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	<title>Arquivos Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os dois morrem no final é uma jornada pela linha tênue entre a celebração da vida e aceitação da morte</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 17:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luana Brusiano Imagine receber um recado da Central da Morte informando que, a qualquer momento nas próximas 24 horas, você irá morrer e não há nada que possa ser feito para reverter essa situação. Essa é exatamente a premissa de Os dois morrem no final. Escrita por Adam Silvera, a obra narra o último dia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-dois-morrem-no-final-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os dois morrem no final é uma jornada pela linha tênue entre a celebração da vida e aceitação da morte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33636" aria-describedby="caption-attachment-33636" style="width: 243px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33636" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-9.png" alt="Ilustração da capa do livro Os dois morrem no final. A imagem apresenta dois jovens de costas caminhando lado a lado com mochilas nas costas, sombreados em tons de azul escuro ao lado de uma grade. O chão em que os jovens pisam é branco e possui a sombra dos rapazes. Atrás da grade há prédios pintados em tons de azul escuro iguais aos dos jovens e acima dos prédios há um céu pintado por um azul mais claro. No canto superior direito há uma lua cheia na cor branca. Ao centro da ilustração consta o nome do livro em letras maiúsculas na cor branca, na parte superior do livro o nome do autor com a mesma fonte e cor. Por fim, no canto inferior direito há o logo da editora do livro intrínseca na cor de fundo preta com o nome escrito em branco." width="243" height="378" /><figcaption id="caption-attachment-33636" class="wp-caption-text">O livro Os dois morrem no final está sendo adaptado para uma série audiovisual (Foto: Editora Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Luana Brusiano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine receber um recado da Central da Morte informando que, a qualquer momento nas próximas 24 horas, você irá morrer e não há nada que possa ser feito para reverter essa situação. Essa é exatamente a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrita por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q0eluGNgos8"><span style="font-weight: 400;">Adam Silvera</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra narra o último dia de vida de Mateo Torrez e Rufus Emeterio que, em 5 de Setembro, recebem a infeliz ligação: aquele será o último dia de vida deles. Na tentativa de aproveitar ao máximo seus últimos momentos vivos, os caminhos de Mateo e Rufus se cruzam, levando-os a embarcar em uma jornada para viver uma vida inteira em um único dia.</span></p>
<p><span id="more-33635"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dois jovens decidem criar perfis no aplicativo Último Amigo, com a finalidade de encontrarem um amigo para compartilhar os últimos momentos e, assim, se conhecem. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tN5Fd8NPEx0"><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma obra que prende a atenção já pelo título. A ideia do autor ao nomear o livro com o final da história é genial e gera um impacto significativo no leitor, instigando a curiosidade e despertando certa ansiedade ao acompanhar o desenvolvimento da trama, tendo conhecimento do que vai acontecer com os protagonistas no futuro, mas sem saber como. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer do</span> <a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mateo Torrez e Rufus Emeterio passam por inúmeras experiências, enfrentando medos, inseguranças e desejos que nunca tiveram a oportunidade de realizar. Mateo, que é um garoto tímido e reservado, viveu toda a sua vida temendo as consequências de suas atitudes e, por esse mesmo motivo, se manteve recluso. Já Rufus, é caracterizado por sua personalidade impulsiva e sede por vivenciar experiências novas, mesmo após o trauma de ter perdido sua família em um acidente. Durante suas últimas vivências, os protagonistas criam um forte vínculo e passam a se apoiar e enfrentar tudo juntos.</span></p>
<figure id="attachment_33637" aria-describedby="caption-attachment-33637" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33637" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5.jpg" alt="Foto de Adam Silvera, homem branco de cabelos, barba e olhos castanhos, vestindo uma regata preta e usando um fone de ouvido branco com fio segurando ao lado de seu rosto o livro de sua autoria 0s dois morrem no final." width="828" height="944" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5.jpg 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5-702x800.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5-768x876.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33637" class="wp-caption-text">Adam Silvera afirma que a escrita foi uma forma de lidar com o próprio trauma e reimaginar como a vida poderia ter sido enquanto era adolescente (Foto: @adamsilvera via Instagram)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/ficcao-americana-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, os pontos-chave para o entendimento do livro são as questões existenciais. A analogia com a vida real remete à única certeza que existe: a </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-da-morte-critica/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desse modo, é óbvio que a intenção do autor é abordar o que significa estar vivo, enfatizando a efemeridade da vida e mostrando como cada segundo de existência importa. Contendo trechos e falas que levam a reflexões profundas, a história trata a morte com uma sensibilidade que pode, até mesmo, ser considerada poética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade das personalidades de Mateo Torrez e Rufus Emeterio, e suas camadas mais profundas também são tratadas na obra, uma vez que são completamente opostas e, ainda assim, conseguem fortalecer sua conexão diante do desespero causado pela </span><a href="https://mateusalvadori.com.br/por-que-tememos-o-inevitavel/"><span style="font-weight: 400;">inevitabilidade</span></a> <span style="font-weight: 400;">da morte e pelo fato de que as decisões que tomarem podem afetar o tempo que lhes resta. Com uma amizade que resulta em momentos emocionantes entre os jovens, é gradativamente desenvolvido um sentimento romântico entre os dois, que surge de maneira sútil e muito natural. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O medo da morte é o cerne para o desenvolvimento do livro. A incerteza do desconhecido e, até mesmo, a faísca de esperança de que a ligação efetuada pela </span><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/06/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-universo-de-os-dois-morrem-no-final/"><span style="font-weight: 400;">Central da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderia ser um engano, aflige os protagonistas e se manifesta ao longo de toda a narrativa. A busca pela aceitação da morte e a coragem de confrontar a imortalidade unem esses personagens em sua luta contra o tempo. Adam Silvera explora o medo e as profundezas do psicológico humano, oferecendo uma perspectiva sensível e emocionante acerca da vulnerabilidade humana.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Passei anos vivendo com segurança para garantir uma vida mais longa e veja onde isso me levou. Estou na linha de chegada, mas nunca participei da corrida.”</span></i></p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Os dois morrem no final (2017)</p>
</blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma poderosa viagem através da exploração dos limites de Mateo e Rufus. Com uma narrativa melancólica e impactante que ressoa para além das páginas, o livro desperta a atenção dos leitores para a importância de cultuar a vida e colecionar momentos, bem como o laço da amizade e os desejos nunca antes atendidos. Adam Silvera não apenas traz uma reflexão sobre a efemeridade da existência, mas também aborda com grande sensibilidade  a descoberta da sexualidade dos personagens da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer,</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de uma jornada de </span><a href="https://www.psicologosberrini.com.br/blog/por-que-o-autoconhecimento-e-importante-para-a-sua-vida/"><span style="font-weight: 400;">autoconhecimento</span></a> <span style="font-weight: 400;">e aceitação. </span></p>
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		<title>Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 13:33:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, Croma Kid é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por Pablo Chea e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/croma-kid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31820" aria-describedby="caption-attachment-31820" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco coberto por um pano verde com dois furos em seus olhos castanhos e abertos. Parte de suas sobrancelhas aparecem nas formas ovais. Ao fundo uma parede verde como chroma key de um estúdio." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31820" class="wp-caption-text">Croma Kid esteve na 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo e também na seção Bright Future do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por </span><a href="https://www.pablochea.com/work"><span style="font-weight: 400;">Pablo Chea</span></a><span style="font-weight: 400;"> e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra de Cinema Internacional em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as suas rebeldias e pensamentos inquietantes sobre sua família, que o envergonha por sua veia artística e televisiva.</span></p>
<p><span id="more-31819"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, nem todos herdamos vocações familiares e talentos natos, mas como um ponto fora da curva, o sangue da família Chea tem mostrado predisposição para a </span><a href="https://arteref.com/cinema/a-setima-arte-por-que-o-cinema-tem-este-nome/"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do filho de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/claudio-chea"><span style="font-weight: 400;">Claudio Chea</span></a><span style="font-weight: 400;">, também cineasta e diretor de fotografia, soa como uma </span><a href="https://youtu.be/K4atVMlc2fc"><span style="font-weight: 400;">ficção biográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> impressionantemente construída para um primeiro trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em seu início de carreira, a temática fantástica, a ambientação de época e a metalinguagem não pareceram um desafio para Chea como diretor e também roteirista, junto a Israel Cárdenas. Nos sentimos realmente dentro de seu universo nostálgico, distantes de amadorismos e furos de roteiro ou cenografia, como acontece até em grandes produções, como </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/fas-apontam-copo-de-cafe-do-starbucks-em-cena-de-game-of-thrones/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Solo Fernández - MAGIA (Video Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1KgTI64zXd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de um espaço </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">fantástico e saturado da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, a interpretação do elenco é, sem dúvida, um ponto alto do longa. Bosco Cárdenas transmite as emoções e os conflitos do protagonista em meio à transição da infância para a adolescência de uma forma muito singular. Sem exageros ou muitos esforços, o que podemos quase chamar de performance contida é, na verdade, muito natural para um jovem ator. E sua família &#8211; que facilmente acreditaríamos ser sua realmente &#8211; é um catalisador de empenho e expressividade precisos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jaime Pina, que interpreta o avô Lito, parceiro e mentor de Emi em suas aventuras atrás das câmeras, nos deixa à vontade e quase alheios ao mundo adulto e conflituoso em que seus pais foram designados para representar. Enquanto isso, responsável por se preocupar e colocar os pés de todos no chão, Nashla Bogaert, que interpreta Daniela, mãe coerente, rígida, amorosa e ao mesmo tempo tão sonhadora quanto todos, equilibra a </span><a href="https://www.blog.365filmes.com.br/2016/11/os-8-filmes-latino-americanos-mais-premiados.html"><span style="font-weight: 400;">narrativa familiar latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e maravilhosa que move a trama.</span></p>
<figure id="attachment_31822" aria-describedby="caption-attachment-31822" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco de cabelos lisos médios na altura de sua orelha. Ele está sentado em uma mesa de escritório enquanto segura um telefone fixo na mão. A ambientação é repleta de aparelhos antigos datados de 1990, como computadores com monitores de tubo, porta-lápis em formato de cubo mágico e uma luminária amarelada. Ao fundo está uma prateleira azul repleta de livros, fitas e brinquedos antigos." width="1376" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-800x296.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1024x379.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1200x444.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31822" class="wp-caption-text">A primeira produção de Pablo Chea, na verdade, foi um curta chamado Cumplebomba que fez com 11 anos com a câmera que seus pais o deram de aniversário (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, o ditado que diz ser melhor pecar pelo excesso que pela falta nunca fez tanto sentido. Em seus 92 minutos, toda magia do clímax e conclusão do longa estão presentes em um segundo ato. Já com a pipoca no fim, nos acostumamos com a rotina conturbada da família sem apelar para um emprego infeliz e desmotivador à Arte. Até que nos deparamos com o pior dos cenários: um clichê muito bem-vindo, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> adolescente de </span><i><span style="font-weight: 400;">16 Desejos</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NV7PBRBcxu0"><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e todos os outros filmes que mostram que não vale a pena pular etapas da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, dessa vez, de uma maneira menos cômica, caricata e infantil. Em que podemos, de fato, nos imaginar como o personagem principal. Essa representação pode estar atribuída principalmente às origens dos produtores e sua autenticidade em reproduzir a realidade de países latinos. Longe de comprometimentos imperialistas aos sucessos da Academia, a obra também se encaixaria muito bem na seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_31821" aria-describedby="caption-attachment-31821" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg" alt="Cena do filme Croma Kid. Na imagem está uma família se abraçando em frente a uma parede verde de um estúdio de televisão. A família está se abraçando, um homem idoso está a esquerda com um terno preto, a direita está uma mulher adulta de óculos escuros e cachecol, a direita está uma criança com um gorro amarelo cobrindo seus olhos e, por último, a direita está um homem adulto com um chapéu e camisa social marrons. Todos são brancos e estão sorrindo, apenas o idoso olha para sua família enquanto os outros três olham para frente. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31821" class="wp-caption-text">Segundo o diretor, Croma Kid celebra memórias como o laço de uma macrocultura que nos unem em comunidade e como famílias (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A habilidade em criar cenas cotidianas como se realmente tivessem sido gravadas antes da virada do século é notável, considerando ainda a incorporação muito bem feita de efeitos visuais semelhantes aos de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/fas-de-de-volta-para-o-futuro-se-emocionam-com-foto-de-elenco-33-anos-apos-fim-da-trilogia/"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta Para o Futuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras produções do cinema noventista. O </span><i><span style="font-weight: 400;">chroma key</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">glich art &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">na TV dentro da TV &#8211; enriquecem ainda mais a experiência do telespectador como um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> a parte. Sobretudo, os responsáveis pelo som sublinham a importância do áudio na construção da experiência de imersão. Sem mencionar todos os outros pontos positivos do longa, o cenário meticuloso com fitas VHS, </span><i><span style="font-weight: 400;">walkmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pagers</span></i><span style="font-weight: 400;">, discos de vinil e brinquedos mergulham o público na nostalgia e na cultura da época, até para quem não esteve lá.</span></p>
<blockquote><p>Cada instante tem infinitas possibilidades<br />
Acredite ou não em magia<br />
Você tem o poder de mudar sua realidade</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A atenção aos detalhes, assim como a autenticidade dos cenários naturais e urbanos, abraçam os desafios e profundidade daquele período. Muito além de um entretenimento nostálgico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> celebra a memória afetiva e a imaginação infantil. Nos fazendo lembrar a capacidade do Cinema de transformar o cotidiano em algo mágico, transportando-nos para universos que ecoam a visão positiva das </span><a href="https://www.instagram.com/p/CyRhsiMu5DK/?img_index=9"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pequenas centelhas que fazem nossos dias valerem a pena.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Croma Kid – trailer | IFFR 2023" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tjH2-Vo6_s8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A partir do afrofuturismo, Dirty Computer mantém seu impacto político intacto mesmo após 5 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jul 2023 19:44:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Baseado em uma história distópica que transforma aqueles que não se conformam em computadores sujos, Dirty Computer é o terceiro álbum de estúdio da cantora, compositora e atriz Janelle Monáe. Lançado em 2018, a obra-prima não se destaca apenas por sua sonoridade, mas também por sua narrativa visual e conceitual, unidas em um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dirty-computer-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A partir do afrofuturismo, Dirty Computer mantém seu impacto político intacto mesmo após 5 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31246" aria-describedby="caption-attachment-31246" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1.png" alt="Capa do álbum Dirty Computer. Nela está a cantora Janelle Monáe, uma mulher negra de cabelos curtos que veste uma burca feita de joias brilhantes interligadas por correntes. Apenas seus olhos não estão cobertos. A burca é de metal e vazada. Sua pele é iluminada por uma forte luz vermelha enquanto ao fundo está um círculo que se assemelha a um planeta com árvores ao redor de sua cabeça. Este é preenchido por um degradê que vai do vermelho ao amarelo. Ao fundo, tons de azul que se assemelham a nuvens e à esquerda o texto Janelle Monáe - Dirty Computer." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-1-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31246" class="wp-caption-text">Dirty Computer foi anunciado com um trailer, exibido nas sessões do filme Pantera Negra (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em uma história distópica que transforma aqueles que não se conformam em computadores sujos</span><i><span style="font-weight: 400;">, Dirty Computer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o terceiro álbum de estúdio da cantora, compositora e atriz Janelle Monáe. Lançado em 2018, a obra-prima não se destaca apenas por sua sonoridade, mas também por sua narrativa visual e conceitual, unidas em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jdH2Sy-BlNE&amp;ab_channel=JanelleMon%C3%A1e"><span style="font-weight: 400;">audiovisual de 48 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> emocionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o lançamento de seu primeiro álbum, </span><a href="https://oneweekoneband.tumblr.com/post/160782539819/janelle-mon%C3%A1e-cindi-mayweather-and-the-other"><i><span style="font-weight: 400;">The ArchAndroid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2010, Monáe tem sido aclamada pela crítica e pelos fãs por sua originalidade e inovação na Música. Ela mistura elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser conhecida por suas performances energéticas e hipnotizantes, que cativam a audiência em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo. Hoje, ela pode comemorar a realização de um manifesto impactante que comemora cinco anos de existência.</span></p>
<p><span id="more-31245"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 27 de Abril de 2018 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Wondaland Arts Society</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bad Boy Records</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Atlantic Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é, além de tudo, uma continuação de seus primeiros álbuns de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">The ArchAndroid</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Electric Lady</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013), e seu primeiro a não continuar a narrativa de </span><a href="https://digitalcollections.union.edu/s/home/item/5571#?cv="><span style="font-weight: 400;">Cindi Mayweather</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu alter ego. O disco recebeu aclamação universal da crítica logo após o lançamento, foi incluído nos primeiros lugares das listas de </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-lists/50-best-albums-2018-764071/mitski-be-the-cowboy-764127/#:~:text=AD-,13,-Janelle%20Monae%2C%20%E2%80%98Dirty"><span style="font-weight: 400;">Melhores Álbuns de 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Janelle Monáe - Dirty Computer [Trailer]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/A9k89DYdHKQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos cinco anos desde o lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua a inspirar e capacitar, promovendo a individualidade e a não conformidade em uma sociedade que molda padrões rígidos, opressores e vazios. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PaYvlVR_BEc&amp;pp=ygUScHluayBqYW5lbGxlIG1vbmFl"><i><span style="font-weight: 400;">Pynk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um de seus clipes mais notáveis e </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum, Monáe celebra a feminilidade e a sexualidade em um cenário rosa do início ao fim, com as roupas, cenários e adereços todos em diferentes tons &#8211; isso, além de uma coreografia divertida, intimista, corajosa e alegre. Por outro lado, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mTjQq5rMlEY&amp;pp=ygULZGphbmdvIGphbmU%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Django Jane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela reflete a força e a resiliência de maneira mais séria. Em um cenário futurista e tecnológico, as atrizes usam roupas militares e capacetes de combate, enquanto a cantora lidera o grupo com uma performance de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> segura e intensa, que fez até Lady Gaga se levantar de seu acento em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ssAuoqK7LYQ&amp;ab_channel=ETCanada"><span style="font-weight: 400;">performance</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A integração dos clipes do disco é conduzida com maestria através de curtas narrativas que nos apresentam a personagem central da história, o computador </span><a href="https://dailyutahchronicle.com/2022/06/25/janelle-monae-dirty-computer-memory-librarian/"><span style="font-weight: 400;">Jane 57821</span></a><span style="font-weight: 400;">. O enredo é composto por diversas faixas que, de alguma forma, estão relacionadas às memórias que precisam ser apagadas. Através de </span><i><span style="font-weight: 400;">bugs</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dúvidas humanas, somos apresentados aos questionamentos daqueles que deveriam executar a função de apagar essas memórias, mas que se veem confrontados com o conteúdo irreverente das músicas.</span></p>
<figure id="attachment_31247" aria-describedby="caption-attachment-31247" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3.png" alt="Imagem do filme produzido a partir do álbum Dirty Computer. Na imagem, estão as atrizes Tessa Thompson e Janelle Monáe. Janelle está usando um vestido rosa enquanto Tessa está com sua cabeça saindo através dos babados em degradê do vestido. Ambas são mulheres negras, jovens com cabelos cacheados longos. Se assemelhando aos lábios de uma vagina. Ao redor está um deserto" width="1280" height="681" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-800x426.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1024x545.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-768x409.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1200x638.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31247" class="wp-caption-text">Após anos de especulação e participações em clipes, nunca se soube se Janelle Monáe e Tessa Thompson realmente tiveram um relacionamento amoroso (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o toque de Midas, além de sua carreira musical, a ativista multitalentosa também é conhecida por sua participação no filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 2017. Interpretando Teresa, uma mulher que acolhe e apoia o protagonista em uma realidade de violência, solidão e discriminação, assim como Cindi Mayweather e Jane 57821. Em adição a sua carreira na moda, como modelo para a </span><a href="https://youtu.be/pXgubkjXHVo"><i><span style="font-weight: 400;">CoverGirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://youtu.be/WZkQioV2MQk"><i><span style="font-weight: 400;">Ralph Lauren</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora atravessa as convenções sociais misturando elementos que definem moda masculina e feminina, em um visual que é ao mesmo tempo elegante e desafiador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início, as criações de Janelle Monáe transparecem referências claras e bem exploradas. Visualmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer [Emotional Picture] </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; como a artista nomeia seu álbum visual &#8211; segue uma sólida base </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;">, com referências de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Twilight Zone</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sonoramente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Make Me Feel</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma de suas composições mais emocionantes, que conta com a participação de um de seus maiores ídolos, </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/music/news/janelle-monae-prince-new-music-make-me-feel-listen-a8230331.html"><span style="font-weight: 400;">Prince</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes de seu falecimento em 2016. A faixa apresenta um som inspirado no </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1980, com guitarras elétricas e sintetizadores. Monáe constrói uma narrativa rica entre muitas outras inspirações, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/david-bowie/"><span style="font-weight: 400;">David Bowie</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/madonna/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e James Brown.</span></p>
<figure id="attachment_31248" aria-describedby="caption-attachment-31248" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.jpg" alt="Foto promocional da festa pós lançamento do álbum Dirty Computer. Nela está Janelle Monáe, uma mulher negra de baixa estatura que veste calça e camisa social com suspensórios quadriculados. Ao seu redor estão mais cinco mulheres negras com jaquetas de couro. O ambiente é iluminado e colorido. Com luzes refletidas de vários globos de luz. Os tons que prevalecem são o verde, rosa e amarelo. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31248" class="wp-caption-text">Além do álbum, em 2022 Monáe lançou o livro The Memory Librarian: And Other Stories of Dirty Computer, uma coleção de contos de ficção na mesma temática de Dirty Computer (Foto: Bad Boy Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer, </span></i><span style="font-weight: 400;">além de tudo, é uma declaração de amor próprio &#8211; em tempo que a artista se assumiu como pansexual em uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/janelle-monae-frees-herself-629204/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2018 -, e também uma das expressões mais marcantes e revolucionárias do </span><a href="https://blognroll.com.br/primeiro-acorde-bia-viana/janelle-monae-primeiro-acorde/"><span style="font-weight: 400;">afrofuturismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, um movimento cultural que usa o conceito da tecnologia para projetar um futuro do ponto de vista da comunidade negra. A artista também é uma das fundadoras do movimento </span><a href="https://www.femthefuture.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Fem the Future</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que visa capacitar mulheres e minorias na indústria da Música e do entretenimento, e seu legado no mundo hoje pode ser visto para muito além de seu manifesto político de cinco anos atrás.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu não sou o pesadelo da América / Eu sou a americana legal</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com letras poderosas, narrativa visual marcante e sonoridade inovadora, o álbum celebra a individualidade, a diversidade e a resistência. Desde seu lançamento em 2018, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer </span></i><span style="font-weight: 400;">conquistou tanto sucesso e reconhecimento que se tornou um símbolo. Em celebração a diversidade, a criatividade e a rebeldia, a representação de ‘computadores sujos’, o disco é um </span><a href="https://valkirias.com.br/janelle-monae-e-resistencia-e-orgulho-em-dirty-computer/"><span style="font-weight: 400;">manifesto político</span></a><span style="font-weight: 400;"> e artístico que questiona o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e propõe um futuro mais inclusivo e democrático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o trabalho dialoga com o presente, passado e indiscutivelmente com o futuro, apontando para um horizonte de esperança e emancipação. Em defesa ao nosso direito de existir e de expressar quem somos, a amar a nós mesmos e aos outros, mesmo que incomode. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirty Computer </span></i><span style="font-weight: 400;">comprova, mais uma vez, o poder da Arte como ferramenta de promoção de mudanças sociais e políticas, por uma artista que está à altura de uma responsabilidade tão grande.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dirty Computer" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2PjlaxlMunGOUvcRzlTbtE?si=5b0e8ab1e6824b43&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>RRR faz o colonialismo dançar ao som da Revolta, Rebelião e Revolução indiana</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 16:16:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Das raízes do imperialismo inglês, a ocupação, exploração e opressão floresceram em uma árvore de tronco imponente. Neste cenário, a violência permitiu o sequestro da cultura de comunidades nativas, porém, incoerentemente, os frutos venenosos dos caules suculentos alimentaram a Revolta, Rebelião e Revolução indiana que colocou fim ao período conhecido como o “Raj &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rrr-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "RRR faz o colonialismo dançar ao som da Revolta, Rebelião e Revolução indiana"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29901" aria-describedby="caption-attachment-29901" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7.jpg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, o protagonista Komaram Bheem enfrenta um tigre. A câmera captura ambos cara a cara, a partir do busto e da mandíbula, respectivamente. Bheem é um homem indiano de cabelos e olhos escuros, ele aparece todo ensanguentado vestindo apenas um artefato tradicional de seu povoado no pescoço. Tanto Bheem quanto o tigre estão com a boca aberta. O tigre, por sua vez, tem dentes longos e afiados. O animal também está com a pelagem branca, preta e amarela ensanguentada. Ao fundo, o cenário é uma floresta repleta de verde.]" width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29901" class="wp-caption-text">Naatu Naatu concorre ao Oscar 2023 pela estatueta de Melhor Canção Original, feito inédito para um longa indiano (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das raízes do imperialismo inglês, a ocupação, exploração e opressão floresceram em uma árvore de tronco imponente. Neste cenário, a violência permitiu o sequestro da cultura de comunidades nativas, porém, incoerentemente, os frutos venenosos dos caules suculentos alimentaram a </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/pedro-critica/"><span style="font-weight: 400;">indiana</span></a><span style="font-weight: 400;"> que colocou fim ao período conhecido como o “</span><a href="https://www.infoescola.com/historia/imperio-colonial-britanico/"><span style="font-weight: 400;">Raj Britânico</span></a><span style="font-weight: 400;">” na primeira metade do século XX. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da luta pela independência, líderes se tornaram seres mitológicos para o povo e, em 2022, dois deles ganharam as telas do Cinema com </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa </span><a href="http://www.nossocinema.com.br/rrr-revolta-rebeliao-revolucao-tollywood-e-logo-ali-ou-quase/"><i><span style="font-weight: 400;">tollywoodiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dirigido por </span><span style="font-weight: 400;">S. S. Rajamouli não somente </span><span style="font-weight: 400;">surpreendeu pela leitura épica de um evento histórico, como também </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/rrr-musica-indicada-oscar/"><span style="font-weight: 400;">fez história</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao emplacar a indicação de Melhor Canção Original no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, dádiva alcançada pelo feito de </span><a href="https://variety.com/2023/artisans/news/rrr-song-naatu-musical-number-composer-director-1235483148/"><span style="font-weight: 400;">M.M Keeravaani e Chandrabose</span></a><span style="font-weight: 400;"> em colocar o colonialismo para dançar com a eletrizante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OsU0CGZoV8E"><i><span style="font-weight: 400;">Naatu Naatu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29900"></span></p>
<figure id="attachment_29902" aria-describedby="caption-attachment-29902" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3.jpg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, os protagonistas Komaram Bheem e Alluri Sitarama Raju aparecem sorridentes. Eles são homens indianos de cabelos e olhos escuros. A câmera captura ambos a partir do busto. Bheem olha diretamente para Raju que, por sua vez, olha para algo ao seu lado. Bheem veste uma camiseta social de botões na cor azul escuro e está com marcas de ferida e ensanguentado. Raju veste um uniforme militar do exército britânico na cor vermelha, com detalhes e ornamentos predominantemente dourados. Ao fundo, o cenário está desfocado." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29902" class="wp-caption-text">Durante a pré-produção, o nome do filme fez jus as iniciais ‘R’ do diretor e dos dois atores principais (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Divididos entre dois mundos, os </span><a href="https://mixdeseries.com.br/a-historia-real-do-filme-rrr-na-netflix-a-verdade-por-tras/"><span style="font-weight: 400;">libertadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> Komaram Bheem e Alluri Sitarama Raju, </span><span style="font-weight: 400;">ainda que </span><span style="font-weight: 400;">que tenham existido na mesma época, se encontraram pela primeira vez na ficção de</span> <span style="font-weight: 400;">V. Vijayendra Prasad. Através das </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/07/31/interna_cultura,1383456/rrr-o-exageradamente-exagerado-sucesso-que-vem-da-india.shtml"><span style="font-weight: 400;">interpretações vorazes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de N. T. Rama Rao Jr. e Ram Charan, o roteiro mirabolante do diretor Rajamouli conseguiu unir duas figuras destoantes pelo mesmo propósito e, por incrível que pareça, as três horas que eles demoram para descobrir isso passam voando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um lado, um originário da floresta em busca de sua irmã sequestrada pelos membros do alto escalão britânico e, do outro, um indiano defendendo a farda do exército da Inglaterra. Bheem e Raju foram, respectivamente, como água e fogo, fazendo da </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-rrr-revolta-rebeliao-revolucao-voce-nunca-viu-um-filme-como-este-386103/"><span style="font-weight: 400;">união fantástica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos seus elementos em </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> algo que nem mesmo a ciência explicaria. Tamanha audácia refletiu também nos efeitos especiais de Prakash Kotha, nada preocupados com uma aparência realista, mas investidos na </span><a href="https://www.blogdehollywood.com.br/streaming/rrr/"><span style="font-weight: 400;">grandiosidade plástica</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente da utopia de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/a-revolucao-dos-bichos-de-orwell-quem-sao-os-porcos,a01d3c5a64bf8a9c2c88a84145426b00q16fhbge.html"><span style="font-weight: 400;">George Orwell</span></a><span style="font-weight: 400;">, a revolução do longa não foi dos bichos, porém, eles participaram ativamente das cenas que arrancaram o fôlego do público e dos imperialistas. Entre lobos e tigres selvagens, o homem branco foi quem mais ansiou pelo sangue: Ray Stevenson e Alison Doody foram brutais o suficiente como o governador Scott Buxton e Catherine, a esposa fascinada pelo canto da menina Malli (Twinkle Sharma) a ponto de arrancá-la a força de sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RRR | Tiger Fight Scene - Jr NTR Entry | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DDAHHPGcLzo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Dinâmica, a fotografia assinada por </span><a href="https://collider.com/rrr-cinematographer-senthil-kumar-comments/"><span style="font-weight: 400;">K.K. Senthil Kumar</span></a><span style="font-weight: 400;"> atingiu o ápice com o embate entre animal e humano, em especial, quando os colonizadores são devorados durante o belo banquete de uma festa aristocrática. Encarando a Arte como instrumento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a composição audiovisual da obra é sentida como uma ode aos movimentos de independência e ao próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, em entrevista à revista </span><a href="https://ascmag.com/articles/shooting-stars-for-rrr"><i><span style="font-weight: 400;">American Cinematographer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Senthil exprimiu o sentimento evocado por </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando as pessoas vão assistir filmes, elas querem que as estrelas se pareçam com estrelas. Elas querem que o Cinema seja Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em um ano marcado pelo retorno do grande público para filmes que não sejam </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de super-heróis como </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/#:~:text=36%20anos%20ap%C3%B3s%20tirar%20o,mais%20conhecidos%20do%20Cinema%2C%20Maverick."><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção indiana</span> <span style="font-weight: 400;">arrecadou uma das maiores bilheterias da Índia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Donas de parte fundamental da narrativa, as mulheres ditaram o ritmo da montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NSkwSb4Y4EQ"><span style="font-weight: 400;">A. Sreekar Prasad</span></a><span style="font-weight: 400;"> com atuações esplêndidas. Se Twinkle Sharma transmitiu toda a angústia da menina Malli, longe de sua família e presa em um castelo, Olivia Morris deu o ar da graça como Jenny, a única pessoa com alma da família Buxton e interesse amoroso de Komaram Bheem. Personagem destacada, a noiva de Alluri Sitarama Raju, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B_zvL2UHIp_/"><span style="font-weight: 400;">Sita</span></a><span style="font-weight: 400;">, conduziu os minutos finais com a sensibilidade de </span><span style="font-weight: 400;">Alia Bhatt.</span></p>
<figure id="attachment_29903" aria-describedby="caption-attachment-29903" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Komaram Bheem, Sita e Alluri Sitarama Raju unem os braços enquanto dançam. Bheem e Raju são homens indianos de cabelos e olhos escuros e Sita é uma mulher indiana de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos a partir do joelho. Bheem usa uma vestimenta tradicional preta com estampa circular branca e um adorno na cintura também em branco. Sita usa uma na cor rosa com brilhantes. Raju usa outra laranja com a mesma estampa. Ao fundo, o cenário é uma celebração com confetes coloridos.]" width="1600" height="1130" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x565.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1024x723.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-768x542.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1536x1085.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1200x848.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29903" class="wp-caption-text">O trio formado pelos personagens Bheem, Sita e Raju brilhou na sequência de encerramento dançante (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Disponível na </span><a href="https://www.ign.com/articles/why-and-how-you-should-watch-rrr"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> transita pelos diferentes gêneros. Em meio ao drama dos momentos de sofrimento, a ação das sequências de combate e a comédia das entregas pontuais de falas que beiram a sátira, nada se tornou tão característico do filme do que a trilha sonora adornada por coreografias. Por isso, tido principalmente como um musical, o conjunto da obra proporcionou que a sensação de contagia da luta pela independência de seus protagonistas ultrapassasse as telas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixando os seus heróis atirarem no final, a direção de </span><span style="font-weight: 400;">S. S. Rajamouli construiu um rumo atraente para </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, após levar para a Índia um </span><a href="https://www.thehindu.com/entertainment/movies/rrr-naatu-naatu-singer-rahul-sipligunj-reacts-to-golden-globe-win/article66364830.ece"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e arrematar uma indicação ao </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/entenda-como-rrr-se-destaca-nas-trilhas-sonoras-e-vence-ate-gaga-e-rihanna-1.2795950"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma sequência confirmada. Ao som da premiada canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Naatu Naatu</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez o colonialismo dançar, tropeçando em seus próprios pés e provando do veneno que alimentou a sua derrota. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RRR Trailer (Telugu) - NTR, Ram Charan, Ajay Devgn, Alia Bhatt | SS Rajamouli | 25th March 2022" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NgBoMJy386M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>David Grossman gargalha até doer a barriga em A Vida Brinca Muito Comigo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 17:56:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Sabe aquela pessoa que, quando está calma, os trovões de tempestade podem ser ouvidos ao longe? Que tem o prazer de encher os teus pulmões, mas também sufocá-los? Ela é a perfeita personificação da vida em seu estado mais bruto. Alguns a conhecem precocemente, outros, no tempo certo, e há ainda aqueles que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-vida-brinca-muito-comigo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "David Grossman gargalha até doer a barriga em A Vida Brinca Muito Comigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29483" aria-describedby="caption-attachment-29483" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29483 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/AVIDABRINCAMUITOCOMIGO_NATHALIATETZNER_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29483" class="wp-caption-text">O Persona também pode esboçar um riso frente ao pranto da vida graças a parceria com a editora Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe aquela pessoa que, quando está calma, os trovões de tempestade podem ser ouvidos ao longe? Que tem o prazer de encher os teus pulmões, mas também sufocá-los? Ela é a perfeita personificação da vida em seu estado mais bruto. Alguns a conhecem precocemente, outros, no tempo certo, e há ainda aqueles que preferem ignorar a sua face áspera e se resumem a dizer “</span><i><span style="font-weight: 400;">ah, ela é brincalhona assim mesmo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na trama de </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/david-grossman-mede-o-poder-das-escolhas-em-a-vida-brinca-muito-comigo/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W6wDqqJ3Xpk"><span style="font-weight: 400;">David Grossman</span></a><span style="font-weight: 400;">, três gerações de mulheres procuram digerir as consequências do encontro fúnebre com a origem de tudo.</span></p>
<p><span id="more-29477"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada no Brasil em Maio de 2022, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/"><b>Persona</b></a><span style="font-weight: 400;"> teve a oportunidade de ler a obra através da parceria com a editora </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212118/a-vida-brinca-muito-comigo"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nela, Grossman faz jus ao título e escreve como se estivesse passando pela situação junto de suas personagens; por isso, provoca no leitor uma dor de barriga inconfundível, que somente pode ser causada após uma gargalhada longa, volumosa e motivada pela angústia. Afinal, a narrativa ambientada entre o passado de destruição deixado pelo ditador da antiga Iugoslávia, J</span><span style="font-weight: 400;">osip Broz Tito, e o presente ainda assombrado pelos fantasmas da época, denota que </span><span style="font-weight: 400;">faltam motivos para mostrar os dentes.</span></p>
<figure id="attachment_29478" aria-describedby="caption-attachment-29478" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29478 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1.jpeg" alt="Fotografia em preto e branco de Eva Panić-Nahir, Radosav ‘Rade’ Panić e a filha, Tiana. Na imagem, o casal aparece sorridente com a criança no colo de Eva. A câmera captura os dois da cintura para cima e ambos vestem uma camiseta social de botões e manga curta. Ao fundo, o cenário é um chão de terra e árvores." width="768" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-29478" class="wp-caption-text">Eva Panić-Nahir foi símbolo da violência e repressão imposta pelo governo Tito (Foto: Acervo Creative Commons)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Avó, mãe e filha compõem o núcleo principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja partida e equilíbrio é Vera, mesmo com o ponto de vista recaindo em grande parte nos olhos da neta </span><span style="font-weight: 400;">Guili</span><span style="font-weight: 400;">. A construção da progenitora no livro reflete a realidade vivida por </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/aug/27/more-than-i-love-my-life-by-david-grossman-review-a-true-tale-of-survival"><span style="font-weight: 400;">Eva Panić-Nahir</span></a><span style="font-weight: 400;">, com quem David Grossman nutriu uma amizade de duas décadas. Após sua morte, o autor resolveu contar sua história com a ajuda de lápis, papel e um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MLRkxbMKW9c"><span style="font-weight: 400;">teor de ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Judia, Eva se casou com o soldado sérvio Milo</span><span style="font-weight: 400;">š</span><span style="font-weight: 400;"> e, da união, nasceu Nina. No entanto, os ventos da Segunda Guerra Mundial não demoraram para chegar e desolar o futuro que viam pela frente. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">De repente uma ideia torta e pungente: ela é uma lápide. Um monumento a Nina. Puseram-na lá por causa de Nina. Porque Nina foi jogada na rua. E assim todo passageiro dos navios de luxo verá e saberá qual é o castigo para uma pessoa como ela, como Vera, para uma mulher que amou demais.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um paralelo com</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Escolha de Sofia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1979), de William Styron, Vera decidiu não delatar o marido falecido para a UDBA (Departamento de Segurança do Estado) e, assim, deixou Nina para trás ao encarar o campo de prisioneiros da ilha Goli Otok. O escritor nascido em Jerusalém é esperto e delimita o fato como o </span><a href="https://www.haaretz.com/2003-07-10/ty-article/evas-choice/0000017f-e2aa-d568-ad7f-f3ebf1730000"><span style="font-weight: 400;">estopim</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a falta de maturidade da filha e da neta, ambas estagnadas em um século passado pelos efeitos de tal evento. Se Eva Panić-Nahir cometeu um erro, esse foi </span><a href="https://www.lacittavegetale.org/2020/02/24/una-piantina-mi-aiuto-a-sopravvivere-la-vita-di-eva-panic-nahir-narrata-da-david-grosmann/"><span style="font-weight: 400;">amar em excesso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na mesma balança, a personagem inspirada pela sua história é uma das mulheres mais apaixonadas já desenvolvidas na Arte.</span></p>
<figure id="attachment_29480" aria-describedby="caption-attachment-29480" style="width: 936px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29480 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2.jpeg" alt="Fotografia do autor David Grossman. Ele é um homem branco de cabelos claros e olhos escuros. A câmera o captura a partir do torso. Grossman veste um terno preto sobre uma camiseta social de botões azulada e usa um óculos de grau de armação em tons escuros. Ao fundo, o cenário é uma enorme parede azulada." width="936" height="623" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2.jpeg 936w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-2-768x511.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29480" class="wp-caption-text">O escritor possui, ao todo, 12 obras publicadas pelo Grupo Companhia das Letras no Brasil (Foto: Gonzalo Fuentes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase engasgado com a sua própria linguagem, David Grossman carrega o peso do seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bAovlHEdxUg"><span style="font-weight: 400;">estilo pacifista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tira sarro da circunstância ríspida da união entre as suas personagens e a vida. Para isso, ele felizmente conta com </span><span style="font-weight: 400;">Guili, que atravessa a mãe e a avó em busca de curar os </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/david-grossman-explora-a-narrativa-do-trauma-em-a-vida-brinca-muito-comigo/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> das gerações: </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Perdão por de repente adotar aqui a terceira pessoa, mas a primeira dói demais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Elegantemente, ele </span><span style="font-weight: 400;">mistura a técnica do Cinema com a da Literatura e</span><span style="font-weight: 400;"> basicamente registra a elaboração de um documentário que, no imaginário do livro, não sai do papel</span><span style="font-weight: 400;">, cujo sentido de todo o seu esforço permaneceu intacto com a tradução de Paulo Geiger. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Eu trato de ficar diante dela numa postura de corpo impaciente. Esta mulher vai me deixar adolescente para sempre, ou pelo menos uma menininha de três anos, por toda a vida.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens de Grossman parecem ter vida própria. Nina, agindo pelo reflexo de ter sido abandonada por Vera, repete o ato que a consumiu de aflição com </span><span style="font-weight: 400;">Guili, ao sumir de sua vida ao lado do </span><span style="font-weight: 400;">grande amor de infância, Rafi. Em contrapartida, ele, diretor cinematográfico sem sucesso, transmitiu para a filha o amor pela área e pelo papel de continuísta. O </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/um-livro-por-semana/a-vida-brinca-muito-comigo-conta-uma-assombrosa-historia-real-baseada-em-silencios-e-cicatrizes/"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> desliza um pouco quando posiciona os dois no controle da direção no ápice de <em>Life Plays With Me</em>, enquanto a trama surpreendentemente revela a gradual perda de memória de Nina e o desejo de gravar a descoberta da sua verdadeira </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NnPeW0dzSM"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Terra. </span></p>
<figure id="attachment_29479" aria-describedby="caption-attachment-29479" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29479 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpg" alt="Fotografia da ilha Goli Otok, localizada na Croácia e que serviu de prisão aos opositores do governo Tito durante a expansão da Iugoslávia. Na imagem, a ilha apresenta as suas rochas brancas e a falta do verde da natureza nos cumes de suas montanhas. O cenário é rodeado pela imensidão do mar e do céu azul." width="1140" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-800x404.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1024x517.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-768x388.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29479" class="wp-caption-text">A ilha Goli Otok, usada como prisão política para os opositores ao regime iugoslavo, está atualmente desativada (Foto: Pierre Kosmidis)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Imponente e trágica em meio ao mar azul, a ilha </span><a href="https://www.natgeo.pt/historia/veja-as-arrepiantes-ruinas-de-uma-prisao-que-ja-foi-conhecida-como-o-inferno-na-terra"><span style="font-weight: 400;">Goli Otok</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde Vera passou anos presa, é descrita com uma sensibilidade excepcional. Desde os galpões com centenas de mulheres, passando pelas rochas afiadas até o cume da montanha onde ela permaneceu sob o sol para proteger a planta de uma oficial da Iugoslávia de Tito, o cenário pode ser visto com nitidez pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ntJ27VgwTDI"><span style="font-weight: 400;">leitor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os incontáveis dias de trabalho forçado milagrosamente se confundem com a figura resiliente da avó no presente da obra, afinal, “‘</span><i><span style="font-weight: 400;">de modo geral’, Vera diz baixinho, consigo mesma, ‘a vida brinca muito comigo.’</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">David Grossman traz o relato singular de três mulheres fadadas a se chocarem com a face áspera da vida. Quando se despede de toda a sua </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/entrevistas/literatura-israelense/narrar-para-curar-feridas"><span style="font-weight: 400;">pompa artística</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver o momento com suas personagens, ele leva o leitor pela mão para uma jornada com um fundo de realidade que dialoga com a humanidade desde o início dos tempos: a vida é imprevisível. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nq7CzmzeGQU&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixa outra alternativa a não ser a de gargalhar até doer a barriga das circunstâncias impostas pelo simples ato de respirar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Brinca Muito Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de grandes reviravoltas, pois a sua natureza brutal foi o suficiente para se fazer rir de felicidade e de dor.</span></p>
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		<title>Na obra de Roberto Bolaño, a memória é o nosso Amuleto</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 19:45:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Salvador Allende]]></category>
		<category><![CDATA[Sobre o conceito da história]]></category>
		<category><![CDATA[UNAM]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Benjamin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Soube que tinha de resistir. De modo que me sentei nos ladrilhos do banheiro das mulheres e aproveitei os últimos raios de luz para ler mais três poemas de Pedro Garfias, depois fechei o livro, fechei os olhos e disse para mim: Auxilio Lacouture, cidadã do Uruguai, latino-americana, poeta e viajante, resista” (pág. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amuleto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na obra de Roberto Bolaño, a memória é o nosso Amuleto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28960" aria-describedby="caption-attachment-28960" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28960 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/CLUBE_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28960" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Amuleto, de Roberto Bolaño, foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Clube do Livro do Persona</a> em Agosto de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Soube que tinha de resistir. De modo que me sentei nos ladrilhos do banheiro das mulheres e aproveitei os últimos raios de luz para ler mais três poemas de Pedro Garfias, depois fechei o livro, fechei os olhos e disse para mim: Auxilio Lacouture, cidadã do Uruguai, latino-americana, poeta e viajante, resista” </span><span style="font-weight: 400;"><em>(pág. 29)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/inimigos-imaginarios"><span style="font-weight: 400;">Roberto Bolaño</span></a><span style="font-weight: 400;"> é lembrado por dois romances – possivelmente os mais importantes da Literatura na América Latina no final do século XX e início do novo milênio: </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535908749/os-detetives-selvagens"><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998) e </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535916485/2666"><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003). O último – uma espécie de testamento do autor chileno, lançado postumamente e com quase mil páginas – desfez a ideia de que o apocalipse ocorrerá sob sirenes e explosões; na verdade, o fim do mundo já começou, e é tão silencioso quanto os assassinatos constantes e sigilosos dos jovens latino-americanos. Por outro lado, com seu romance de 1998, Bolaño deu vida à aura libertária das revoltas deste lado da América, sob uma perspectiva idealizada que, não obstante, é ela mesma rechaçada no livro. Ainda assim, é em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535913637/amuleto"><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999), lançado entre uma obra e outra, que o autor concentra magistralmente seus temas principais: a poesia, a política e a violência.</span></p>
<p><span id="more-28944"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o pequeno romance (ou novela) tenha saído de um trecho emblemático de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;"> – se trata de uma versão “expandida” de um capítulo do livro –, a obra funciona muito bem de maneira avulsa, pois sua mensagem ressoa na forma política e no cuidado de Bolaño com a linguagem (as repetições e a poesia “proseada”). A protagonista e narradora, Auxilio Lacouture, uma imigrante uruguaia auto-denominada a “</span><i><span style="font-weight: 400;">mãe de todos os poetas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, investiga mentalmente um crime hediondo, que será revelado próximo ao final do romance. Contudo, crimes de vários os tipos perpassam a trama, rememorados por Auxilio no banheiro feminino da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), local onde se esconde após a </span><a href="https://www.esquerda.net/artigo/mexico-o-inicio-do-movimento-estudantil-de-1968/56398"><span style="font-weight: 400;">tomada repentina da universidade pelos militares</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28945" aria-describedby="caption-attachment-28945" style="width: 825px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28945 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1.png" alt="" width="825" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1.png 825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-550x800.png 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-704x1024.png 704w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-1-1-768x1117.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28945" class="wp-caption-text">Nascido em 1953, em Santiago, Bolaño passou sua adolescência no México e retornou ao Chile após a vitória de Salvador Allende, para “ajudar a construir a revolução” (Foto: Alejandro Yofre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em setembro de 1968, durante as semanas que Auxílio se mantém escondida, comendo papel higiênico, o pequeno espaço do banheiro se transforma em um túnel do tempo, no qual a personagem revive seus anos na Cidade do México, lembrando dos poetas </span><a href="http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/espanha/leon_felipe.html"><span style="font-weight: 400;">León Felipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/espanha/pedro_garfias.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Garfias</span></a><span style="font-weight: 400;"> – pelos quais trabalhou como doméstica, de forma voluntária, para ficar mais próxima da poesia –, e também viajando para o futuro, quando conheceu, nos anos 1970, o jovem </span><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-01082019-164843/pt-br.php"><span style="font-weight: 400;">Arturo “Arturito” Belano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o alter-ego do próprio Roberto Bolaño. A forma não-linear com que se lembra dos acontecimentos talvez sintetize o trauma de Lacouture, mas mais do que isso, trata-se de um mecanismo, quase sempre utilizado pelo autor para dar vida a uma realidade fragmentada: a “real” e cotidiana, e a “subjetiva”, memorialística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como o romance antecessor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o conflito do idealismo de uma geração com a realidade latino-americana. A verdade é que o ambiente claustrofóbico do banheiro se transforma, para Auxilio, em uma espécie de </span><a href="https://www.blogletras.com/2019/08/a-descoberta-da-realidade-em-o-aleph-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Aleph</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – do conto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das principais referências do chileno –, em que se pode, paradoxalmente, enxergar o passado, o presente e futuro de uma só vez. Mas mesmo quando seus livros se repetem – sejam em temas ou em enredo, propriamente –, Bolaño nunca deixa de acrescentar novas informações, dando vida a uma espécie de obra infinita. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem sua única explicação em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">A </span></i><span style="font-weight: 400;">[avenida] </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerrero, a essa hora, se parece mais que tudo com um cemitério </span></i><span style="font-weight: 400;">[&#8230;]</span><i><span style="font-weight: 400;">, mas com um cemitério de 2666, um cemitério escondido debaixo de uma pálpebra morta ou ainda não nascida, as aquosidades desapaixonadas de um olho que, por querer esquecer algo, acabou esquecendo tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">” (pág. 65).</span></p>
<figure id="attachment_28947" aria-describedby="caption-attachment-28947" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28947 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio.jpeg" alt="" width="1960" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio.jpeg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-800x543.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1024x695.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1536x1043.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/auxilio-1200x815.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28947" class="wp-caption-text">Alcira Scaffo, a verdadeira Auxilio Lacouture, se tornou uma lenda do movimento estudantil mexicano, após resistir à invasão militar na UNAM (Foto: Arquivo MUAC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O escritor chileno entrelaça fato e ficção de forma natural, sempre carregando uma ampla carga histórica por volta do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> – assim como no capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, Auxilio Lacouture é baseada em uma pessoa real: no histórico ano de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2018/01/04/nos-50-anos-de-1968-relembre-11-fatos-que-abalaram-o-mundo"><span style="font-weight: 400;">1968</span></a><span style="font-weight: 400;">, momento em que o exército mexicano realmente reprimiu manifestantes na Cidade do México, a poetisa </span><a href="https://elpais.com/mexico/2022-06-30/el-laberinto-de-alcira-soust-scaffo.html"><span style="font-weight: 400;">Alcira Soust Scaffo</span></a><span style="font-weight: 400;"> manteve-se escondida no banheiro da UNAM, pós tomada da Cidade Universitária pelos militares. Ela sobreviveu bebendo apenas água da torneira durante os 12 dias que se manteve escondida. Assim como Auxilio, Scaffo foi amiga de León Felipe, e Bolaño a conheceu pessoalmente em 1970.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, a tensão sobre a produção cultural na América Latina domina a narrativa, e, diante dos atos repressivos na trama, são construídas metaficções cujo objetivo é refletir sobre a violência e uma forma </span><a href="https://www.ndbooks.com/book/the-melancholy-of-resistance/"><span style="font-weight: 400;">melancólica de resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">. É nesse sentido que o filósofo </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/sobre-o-conceito-de-historia/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do ensaio </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre o conceito da história </span></i><span style="font-weight: 400;">(1940), ascende como referência. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nunca houve um monumento de cultura que não fosse também um monumento de barbárie</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve Benjamin, visto que os bens culturais são concebidos através da perspectiva do horror.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esta será uma história de terror. Será uma história policial, uma narrativa de série negra e de terror. Mas não parecerá. Não parecerá porque sou eu que conto. Sou eu que falo e por isso não parecerá. Mas no fundo é a história de um crime atroz”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 9).</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Auxilio Lacouture sinaliza para os dois objetivos de sua história, narrada por ela própria, através de um jogo de palavras que não parece coincidência. Enquanto “Auxilio” em espanhol realmente signifique “ajuda”, “Lacouture” tem uma sonoridade parecida com “</span><i><span style="font-weight: 400;">la cultura</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim, seria uma espécie de “pedido de socorro da Cultura”, que se vê ameaçada por forças externas, ao mesmo tempo em que Auxilio luta para não deixar que </span><a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/57667"><span style="font-weight: 400;">ninguém se esqueça</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquele momento histórico. Ainda assim, Bolaño é sempre perspicaz ao deixar pistas de interpretação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se abre com o aviso de que será uma história de terror, cuja afirmação ganha importância, de forma cíclica, ao final, quando – após revelado toda a barbárie – percebemos que nos deixamos levar por essa narradora pouco confiável. Não porque não seja verdadeira – ou que não queira realmente transmitir o ocorrido –, mas porque suas memórias estão em ebulição e, por isso, confusas e delirantes, de modo que a trama “</span><i><span style="font-weight: 400;">não parecerá</span></i><span style="font-weight: 400;">” uma narrativa de terror, mas uma ode à memória histórica e à poesia. O pano de fundo violento é não somente o cenário tenebroso avisado desde o ínicio, mas também é seu aviso final: </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> relembra que esquecer os horrores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva o terror ao esquecimento, deixando à História sua inevitável repetição. Auxilio Lacouture é, sozinha, a única resistência contra as forças fascistas.</span></p>
<figure id="attachment_28948" aria-describedby="caption-attachment-28948" style="width: 747px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28948 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2.png" alt="" width="747" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2.png 747w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2-498x800.png 498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-2-637x1024.png 637w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28948" class="wp-caption-text"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/02/cultura/1504371372_289461.html">Patti Smith</a> considera 2666, de Bolaño, a “primeira obra-prima do século 21” (Foto: Basso Cannarsa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase toda a ficção de Bolaño se preocupa com a vida dos escritores, especialmente dos poetas marginais – seus “poetas-protagonistas” tendem a ser párias empobrecidos, isolados do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> literário. O próprio autor se via antes de tudo como </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/08/poesia-da-pre-historia-de-roberto-bolano-chega-em-edicao-arriscada.shtml"><span style="font-weight: 400;">um poeta</span></a><span style="font-weight: 400;">, e começou a escrever romances e contos porque a poesia “</span><i><span style="font-weight: 400;">não pagava as contas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Não muito diferente do que acontece com a maioria dos ficcionistas, a vida do chileno foi essencialmente sua fonte de inspiração (ele até possuía um cartão impresso com os escritos “</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1012200809.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Poeta e Vagabundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O “Realismo Visceral”, movimento literário que Ulisses Lima e Arturo Belano fazem parte em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;">, é apenas outro nome para o “</span><a href="https://www.revistas.usp.br/clt/article/view/160695"><span style="font-weight: 400;">Infrarrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;">”, criado por Roberto Bolaño e </span><a href="http://confrariadovento.blogspot.com/2014/04/4-poemas-de-mario-santiago-papasquiaro.html"><span style="font-weight: 400;">Mario Santiago Papasquiaro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a quem </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto </span></i><span style="font-weight: 400;">é dedicado – em 1975, na Cidade do México, no qual se negava nomes como </span><a href="https://www.ebiografia.com/octavio_paz/"><span style="font-weight: 400;">Octavio Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/annie-ernaux-escritora-francesa-ganha-premio-nobel-de-literatura-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1990 e condenado por Bolaño por ser o “</span><i><span style="font-weight: 400;">líder do </span></i><span style="font-weight: 400;">establishment </span><i><span style="font-weight: 400;">cultural mexicano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os infrarrealistas atacavam essa ordem ideológica porque, através dela, se criou uma cisão entre a “alta cultura” e a “cultura popular”, mantendo sempre uma diferenciação na qual se classificava a “alta cultura” como única forma autêntica de manifestação artística. Por essa razão, o movimento também se notabilizou por sabotar lançamentos de livros, cerimônias de premiação e atividades literárias gerais de poetas pertencentes a esse mundo da “alta cultura”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pensei: a vaidade da escrita, a vaidade da destruição. Pensei: porque escrevi, resisti. Pensei: porque destruí o escrito vão me descobrir, vão me pegar, vão me violentar, vão me matar. Pensei: ambos os fatos estão relacionados, escrever e destruir, se esconder e ser descoberta. Depois me sentei no trono e fechei os olhos” </span><em><span style="font-weight: 400;">(pág. 125).</span></em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Antecedendo o que seria sua obra máxima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> insere uma protagonista feminina vítima de violência. Tempos depois, em </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mote da história gira em torno do feminicídio na fronteira México-Estados Unidos, cujo assassinato de diversas mulheres em Santa Teresa levanta mistérios. Esses homicídios vêm ocorrendo há anos (o romance se passa na década de 1990), e os culpados – ou culpado – seguem desconhecidos. Santa Teresa é uma versão ficcional de Ciudad Juárez, uma verdadeira cidade fronteiriça mexicana que se tornou notória nesse período pelo grande número de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-38183545"><span style="font-weight: 400;">mulheres assassinadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por vários anos, quase semanalmente, os corpos de mulheres jovens – algumas com 11 ou 12 anos – apareciam no deserto ao redor da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria das vítimas eram trabalhadoras nas maquiladoras da cidade (fábricas de propriedade norte-americana), e muitos corpos sequer foram identificados. Embora várias prisões tenham sido feitas, nunca se estabeleceu um único assassino ou grupo de assassinos que estavam por trás dos crimes. Nos últimos anos de vida, Roberto Bolaño se tornou obcecado pela brutalidade e mistério em torno desses delitos: como algo tão bárbaro e cotidiano pode passar despercebido? Como pode se tornar habitual? Assim, ele começou a trocar correspondências com jornalistas que cobriam ou cobriram casos passados no local, pedindo aspectos específicos dos assassinatos – como os detalhes forenses –, mas também características geográficas da </span><a href="http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI205728-17737,00-JUAREZ+A+CIDADE+QUE+ODEIA+AS+MULHERES.html"><span style="font-weight: 400;">Ciudad Juárez</span></a><span style="font-weight: 400;">, reconstruídas com precisão nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">2666</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa violência, inclusive, está presente no título do próprio romance: trata-se do número da besta duas vezes – uma violência que, após se tornar naturalizada, torna-se maior que o próprio Apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_28950" aria-describedby="caption-attachment-28950" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28950 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3.jpg" alt="" width="1600" height="1096" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-800x548.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-768x526.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1536x1052.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem-3-1200x822.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28950" class="wp-caption-text">Com 2666, Roberto Bolaño se tornou um dos poucos escritores latino-americanos a vencer o National Book Critics Circle Awards (Foto: Anna Oswaldo-Cruz Lehner)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;"> condensa, em pouco mais de 100 páginas, todo o interesse de Roberto Bolaño pela violência. A origem desse ímpeto está relacionada não apenas com sua própria juventude – um jovem pobre do Chile que, se não fosse escritor, seria detetive ou delegado, e que, mesmo após publicar livros, vendia bijuterias para sobreviver –, mas também com sua própria maneira de enxergar a Literatura: uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">vocação perigosa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bolaño analisa que a América Latina é toda constituída pela concepção da violência, em suas diversas facetas, e como ele próprio profere no famoso </span><a href="https://estrelaselvagem.wordpress.com/2010/04/25/discurso-de-caracas-pt-1/"><i><span style="font-weight: 400;">Discurso de Caracas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999), “</span><i><span style="font-weight: 400;">toda a América Latina está semeada com os ossos destes jovens esquecidos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Auxilio, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mãe de todos os poetas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, é também a &#8220;mãe&#8221; da memória histórica do México e do Chile. Esquecer tudo é o maior pesadelo de Lacouture, e embora os gritos de protesto e indignação sejam aquilo que ressoa em sua memória, embora o canto das revoltas seja aquilo que ela e nós mantemos ressoando em nossas cabeças, é esse mesmo som que nos permite recordar; “</span><i><span style="font-weight: 400;">esse canto é o nosso Amuleto</span></i><span style="font-weight: 400;">” (pág. 131).</span></p>
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		<title>A comunidade queer invade sua mente em Sense8</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 22:18:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Vitória Bertotti  Compartilhando as mentes uns dos outros e vivendo experiências de maneira onipresente, a série estadunidense Sense8 inova na ficção e nos mostra que o espaço é apenas um detalhe para se viver inteiramente. Lançada em junho de 2015, a produção trouxe a temática LGBTQIA+ para o mundo do streaming, o que chocou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sense8-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A comunidade queer invade sua mente em Sense8"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28043" aria-describedby="caption-attachment-28043" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5.jpg" alt="Cena da série Sense8. Na imagem, os oito protagonistas da série estão um ao lado do outro se abraçando e com expressões de carinho e felicidade. Todos estão na faixa dos 30 anos. Da esquerda para a direita: Capheus é um homem queniano, negro, é careca e veste uma camiseta cinza de mangas azuis, e está com a cabeça encostada em Nomi. Nomi é uma mulher americana, branca, seu cabelo é loiro na altura abaixo dos ombros e usa um óculos quadrado preto. Acima de Nomi, está Will, que também é americano, branco, está vestindo uma camiseta marrom e tem o cabelo loiro. Ao lado de Nomi está Sun, que é uma mulher coreana, veste uma regata preta de gola alta e com detalhes amarelos, e tem o cabelo preto na altura do queixo. Riley é uma mulher islandesa, veste uma regata que não é possível identificar a cor pois outra pessoa está na frente, e seu cabelo é loiro na altura do pescoço. Abaixo, está Kala, que é uma mulher indiana e está de costas para a foto, podendo ser possível ver apenas seu cabelo preso em um rabo de cavalo e um brinco de várias argolas unidas na orelha. Lito é um homem mexicano, está vestindo uma camiseta de manga curta com estampa militar e seu cabelo é curto e castanho escuro. Por último, Wolfgang é um homem alemão, veste uma camiseta de manga curta cinza e seu cabelo é curto e castanho claro. A iluminação é muito forte e amarelada, eles estão contra a luz. Ao fundo, é possível ver um cemitério vertical, com várias gavetas enfeitadas com guirlandas de flores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-1-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28043" class="wp-caption-text">O apoio e compreensão dos amigos nunca foram tão necessários quanto em Sense8 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Vitória Bertotti</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compartilhando as mentes uns dos outros e vivendo experiências de maneira onipresente, a série estadunidense</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VX-TnKoivR8"> <i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inova na ficção e nos mostra que o espaço é apenas um detalhe para se viver inteiramente. Lançada em junho de 2015, a produção trouxe a temática LGBTQIA+ para o mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que chocou parte do público da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Por essa razão, tantas pessoas se renderam à trama revolucionária dos </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas habilidades de conexão mental.</span></p>
<p><span id="more-28040"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com direção e roteiro das irmãs Lilly e Lana</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/irmas-wachowski-conheca-a-historia-das-criadoras-de-matrix"> <span style="font-weight: 400;">Wachowski</span></a><span style="font-weight: 400;">, já conhecidas pelo seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), as expectativas para a nova produção eram altas, e elas entregaram tudo. A série acompanha Sun, Lito, Nomi, Will, Kala, Wolfgang, Riley e Capheus; oito pessoas de diferentes lugares do mundo que nasceram com uma</span><a href="https://www.revistajovemgeek.com.br/2020/06/explicando-as-conexoes-mentais-em-sense8.html"> <span style="font-weight: 400;">conexão mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e podem sentir as experiências uns dos outros (como se tivessem trocado de lugar) independente de distância ou qualquer outro fator. A descoberta acontece logo no início do primeiro episódio, quando todos têm a mesma visão de uma mulher que não conhecem morrendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeando um enredo nunca antes visto, com a criação de todo um universo ao longo das duas temporadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">é marcada por sua diversidade. Desde a direção das Wachowski – que são mulheres trans -, até as vivências dos protagonistas, a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito bem representada em tela. O relacionamento entre Nomi (</span><a href="https://www.instagram.com/msjamieclayton/"><span style="font-weight: 400;">Jamie Clayton</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Amanita (</span><a href="https://www.instagram.com/freemaofficial/"><span style="font-weight: 400;">Freema Agyeman</span></a><span style="font-weight: 400;">) é muito maduro do início ao fim, com direito a casamento no episódio final. Com muitos elogios sobre sua atuação, Jamie agrega uma importância enorme para a obra ao retratar uma mulher lésbica. Na ficção e na vida real, a atriz é transgênero e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OV94PfAQsc0"><span style="font-weight: 400;">militante</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela causa de gêneros, e por isso foi escolhida à dedo pela produção para dar vida a uma personagem tão </span><a href="https://entretenimento.r7.com/pop/jamie-clayton-de-sense8-se-emociona-ao-falar-de-preconceito-nos-somos-bons-o-suficiente-06102019"><span style="font-weight: 400;">significativa</span></a><span style="font-weight: 400;">; são fatos que só acrescentam na construção da</span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/artigos/2016/06/omg-3-sense8-representatividade-trans-e-o-espectro-da-sexualidade"> <span style="font-weight: 400;">identidade única</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a série incorporou.</span></p>
<figure id="attachment_28044" aria-describedby="caption-attachment-28044" style="width: 1617px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5.jpg" alt="Cena da série na Parada do Orgulho em São Paulo. Na imagem, Lito e Hernando estão se beijando em meio à multidão, em um espaço ao ar livre. Hernando, à esquerda, veste uma camiseta de manga curta e justa preta, com pequenas listras vermelhas, e uma calça branca com cinto preto; usa um óculo preto e seu cabelo é curto, castanho escuro e ondulado. Uma de suas mãos está segurando o cotovelo de lito, e a outra no pescoço dele. Lito veste uma camiseta de manga longa cinza e uma calça preta; seu cabelo é curto e castanho escuro. Suas duas mãos seguram a cintura de Hernando. Ao fundo, estão várias pessoas aplaudindo e com expressões felizes ao ver os dois juntos. Há um telão bem grande à direita transmitindo o beijo dos dois, várias bexigas nas cores do arco-íris espalhadas por toda a imagem e confetes de papel caindo sobre todos." width="1617" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5.jpg 1617w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28044" class="wp-caption-text">O beijo dos atores na Parada do Orgulho de São Paulo em 2016 marcou toda uma geração de fãs da série (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrando na mente dos protagonistas, o vilão Sussurros (Terrence Mann) manipula de maneira cirúrgica &#8211; quase que literalmente, ao tentar fazer lavagens cerebrais no grupo – e brilhante, distorcendo as informações do passado e confundindo todo o sistema sensorial deles. Em meio a bloqueadores de sentidos sintéticos e estratégias internacionais, a trama de caça e fuga envolvendo Whispers e os </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">prendem a atenção do espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma obra que aborda a pluralidade de culturas, já que cada protagonista mora em um país diferente (com exceção dos estadunidenses Nomi e Will), as gravações ocorreram de</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y1rILxgTM5U"> <span style="font-weight: 400;">maneira simultânea</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Índia, Coreia do Sul, México, Londres, Quênia, Estados Unidos e Alemanha. A forma como as relações amorosas e afetivas são retratadas seguindo os diferentes costumes desses lugares têm o poder de impactar o público. Como exemplo, o casamento arranjado da indiana Kala (Tina Desai) e seu desejo de desistir da relação para investir no amor com  Wolfgang (Max Riemelt), o </span><i><span style="font-weight: 400;">sensate </span></i><span style="font-weight: 400;">alemão do grupo.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nessa constante disputa interna sobre seguir o coração ou agir racionalmente, os oito amigos se veem obrigados a cultivar uma relação intrínseca entre corpo e mente. Cada um com seus hábitos e ideais completamente diferentes aprendendo a compartilhar a vida e os sentidos em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=05dB2Bl0E_Q"> <span style="font-weight: 400;">sintonia com o ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cada momento exige. Como esse equilíbrio é extremamente difícil de ser atingido, alguns deles</span> <span style="font-weight: 400;">acabam sofrendo mais, como Riley (Tuppence Middleton), que já apresentava um quadro de depressão e acabou se agravando com as invasões mentais e manipulações do Sussurros, o vilão da trama que também é um </span><i><span style="font-weight: 400;">sensate</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28045" aria-describedby="caption-attachment-28045" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28045 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6.jpg" alt="Cena da série Sense8. Na imagem, Kala está em primeiro plano e, segurando sua mão, ao fundo, seu marido Rajan. Kala usa um traje de casamento tradicional indiano, vermelho, com detalhes transparentes e alguns bordados dourados. Em sua cabeça há um tecido bordado de mesma cor cobrindo seu cabelo, que está preso, e em seu pescoço um colar de flores vermelhas, brancas e amarelas. Ela está com um piercing ligado entre o nariz e a orelha, e um acessório vermelho e dourado em sua testa; sua expressão é de preocupação. Seu marido veste um terno preto, um tecido vermelho igual ao vestido de Kala e também com o mesmo colar de flores. Está com um risco vermelho em sua testa e sua expressão está amena, tranquila. Ao fundo, estão um homem e uma mulher, com trajes formais para casamento e com expressões sérias no rosto. Há também uma espécie de cortina dourada e com detalhes, usada na decoração do ambiente. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-3-6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28045" class="wp-caption-text">Mostrando a tradicional cultura do casamento indiano, Kala e seu marido ainda decidem viver um relacionamento a três com Wolfgang (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Levando em consideração as muitas cenas de ação e luta que a série oferece, os refrescos aparecem e dão brilho nas narrativas pessoais de cada personagem. As Wachowski acertaram em cheio ao trazer Nomi e Amanita como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oycVJgb6kR0"> <span style="font-weight: 400;">casal sáfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma comunidade que era pouco representada nas telas, e nunca de maneira tão sincera quanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nomi é perseguida em vários momentos por seu gênero e sexualidade, mas sua companheira Amanita sempre está</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zDOy0zYiSv8"><span style="font-weight: 400;"> a </span><span style="font-weight: 400;">apoiando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e defendendo independente da ocasião. A conexão delas é o que faz a diferença, mostra a necessidade de equalizar as relações e o apoio que a outra pessoa pode nunca ter tido por conta da discriminação.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A união de Lito (</span><a href="https://www.instagram.com/miguelangelsilvestre/"><span style="font-weight: 400;">Miguel Ángel Silvestre</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Hernando (</span><a href="https://www.instagram.com/ponchohd/"><span style="font-weight: 400;">Alfonso Herrera</span></a><span style="font-weight: 400;">) não fica de fora da conta, e traz o questionamento sobre o que é ser LGBTQIA+</span> <span style="font-weight: 400;">no mundo atual. O casal relata o drama da sexualidade íntima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DR8u1wtTGXs"><span style="font-weight: 400;">exposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira não-consensual e como isso afeta suas carreiras profissionais, principalmente a de Lito, que é ator e perde grandes papéis, mostrando que o preconceito está enraizado em todos os ambientes. É uma luta pessoal conciliar a profissão e o “fardo” atribuído para si depois do escândalo midiático construído sobre seu namoro, tanto que ele desenvolve depressão e negligencia seu trabalho.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de tratar de maneira mais profunda sobre a existência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos pontos mais memoráveis para a maioria do público são as</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IlplwMoITkM"> <span style="font-weight: 400;">cenas sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> abertamente retratadas. Mas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">serve o tabu bem quebrado, o “amorzinho convencional” não foi capaz de agradar as diretoras e logo foram gravadas cenas bem reveladoras de uma</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/para-atores-de-sense8-nu-frontal-masculino-e-orgia-sao-mais-do-que-sexo--14983"> <span style="font-weight: 400;">orgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que os 8 </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilham as sensações uns dos outros simultaneamente.</span></p>
<figure id="attachment_28046" aria-describedby="caption-attachment-28046" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1.png" alt="Cena da série. Na imagem, estão os oito protagonistas e alguns de seus companheiros. Todos estão sem roupa, deitados e apoiados uns nos outros em uma cama ao ar livre, com duas almofadas por perto. Suas expressões são de prazer e tranquilidade e todos os corpos estão se tocando, seja por abraços ou mãos nos ombros. Ao fundo, a vista de uma cidade americana sob uma névoa fraca; a luz que ilumina a imagem é bem forte e faz sombra no lado direito dos personagens. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/imagem-4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28046" class="wp-caption-text">Espantar os conservadores é sinônimo de Sense8 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do tempo de produção, a série foi alvo de muitas injustiças, como o</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-131490/"> <span style="font-weight: 400;">cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a segunda parte, lançada em 2017. Como forma de reconciliação com o público, um</span><a href="http://jornalismojunior.com.br/com-dedicatoria-aos-fas-sense8-prova-que-sim-o-amor-conquista-tudo/"> <span style="font-weight: 400;">episódio final</span></a><span style="font-weight: 400;"> de duas horas foi ao ar em 2018, conseguindo encerrar o ciclo construído pelos personagens ao longo de três anos. Ainda assim, faltou mais consideração para com os fãs que alegam, até hoje, a necessidade de mais temporadas para esclarecer as dúvidas que restaram sobre o destino dos personagens.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil, apesar de não ter nenhum protagonista na obra, foi palco de um dos mais belos episódios de todas as temporadas. Parte do elenco foi à</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DXTAH_Nvx28"> <span style="font-weight: 400;">Parada do Orgulho LGBT</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esbanjaram simpatia e acolhimento com a multidão, os verdadeiros responsáveis pela realização do episódio final após diversos abaixo-assinados em protesto à suspensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cruzando uma linha temporal que transita entre o passado e o presente de maneira levemente confusa, com níveis de consciência que oscilam (tanto dos personagens quanto dos espectadores), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sense8 </span></i><span style="font-weight: 400;">reúne o melhor da ficção e realidade numa mistura que prende o público desde o primeiro minuto de série. Amada por muitos e odiada pelos conservadores, doses exatas de suspense e romance são oferecidas ao longo dos</span><a href="https://www.netflix.com/title/80025744"> <span style="font-weight: 400;">24 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> totais. Mesmo sem mais novidades sobre a trama, milhões de pessoas continuam apaixonando-se pela conexão que os </span><i><span style="font-weight: 400;">sensates </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilham e a mensagem de apoio e</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uuuRXNWwAXU"> <span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todes que transmite.</span></p>
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		<title>Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 20:45:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro Conversas entre amigos, encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_27701" aria-describedby="caption-attachment-27701" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg" alt="Moldura vermelha retangular. No canto superior esquerdo e no canto inferior direito, vemos o logotipo do Persona, o desenho de um olho com um símbolo de play ao centro. Ao centro do retângulo, vemos a capa do livro Conversas entre amigos. A capa tem o fundo verde azulado. Na parte superior central, vemos a palavra &quot;conversas&quot; em uma fonte branca sem serifa, alinhada à esquerda. Abaixo, vemos a palavra &quot;entre&quot; na mesma fonte, alinhada à direita. Abaixo, vemos a palavra &quot;amigos&quot; centralizada. Centralizada na capa, vemos as palavra &quot;Sally Rooney&quot;, na mesma fonte, na cor preta. Na parte inferior da capa, vemos uma mulher branca de cabelos castanhos lisos, de costas, à esquerda. À direita, vemos uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usando óculos rosa, de perfil." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27701" class="wp-caption-text">Lançado em 2017, Conversas entre amigos completa 5 anos no mês de lançamento da série adaptada (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Lopes Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais e de poder das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ho5ja2trqrs&amp;t=265s"><span style="font-weight: 400;">relações interpessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> modernas. Se a irlandesa escreve, essencialmente, sobre pessoas normais vivendo sua realidade &#8211; mesmo que seja uma realidade inventada, somente baseada na vida real da autora ,- essa obra de estreia  mostra que, mesmo antes do fenômeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rooney já mostrava a potência de suas </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/femail/article-10820757/How-Sally-Rooney-31-drew-experiences-growing-rural-Ireland-write-hit-novels.html"><span style="font-weight: 400;">histórias fictícias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27690"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dupla de amigas se apresenta recitando poemas, escritos por Frances. Em um dos eventos, conhecem Melissa, uma escritora e fotógrafa bem-estabelecida, que pretende escrever um perfil sobre as duas jovens. Para isso, as convida a sua casa. Na residência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z1S5bOdJq3U&amp;t=0s"><span style="font-weight: 400;">classe média</span></a><span style="font-weight: 400;"> no centro de Dublin, história vem, história vai e não demora para os pares trocados se conectarem. Com Bobbi e Melissa preenchendo os espaços com suas personalidades, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4OobxWGzjHpUMaQnZmDvTs?si=eabd567c131a49bd"><span style="font-weight: 400;">Frances</span></a><span style="font-weight: 400;"> captura o olhar de Nick, o marido de Melissa, que parece tão perdido ao lado da mulher quanto ela com Bobbi.</span></p>
<figure id="attachment_27691" aria-describedby="caption-attachment-27691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney. Em frente a um fundo desfocado, em que vemos um bosque com folhagens verdes e um tronco de árvore, à esquerda, vemos Rooney ao centro, do tronco para cima. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camisa branca e com o rosto inclinado para a direita." width="800" height="320" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-768x308.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27691" class="wp-caption-text">No Brasil, Conversas entre amigos foi publicado pela Editora Alfaguara, com tradução de Débora Landsberg (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with friends </span></i><span style="font-weight: 400;">(o título original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro livro publicado por Sally Rooney, que estourou com seu lançamento seguinte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse segundo, a força gravitacional que move a narrativa é o (eventual) casal Connell e Marianne. Dos 16 aos 20 e tantos anos, os dois passam da ingênua adolescência à desafiadora vida adulta um na companhia do outro, ora em um relacionamento romântico, ora aprendendo a viver sem ele. Já em </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro e mais recente romance da autora, Alice e Eileen são velhas amigas que se correspondem por </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mail</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com quase 30, o foco das protagonistas já não é o amadurecimento, mas outros, refletidos pelos da própria autora: vida profissional, relações românticas e de amizade menos idealizadas, capitalismo e reflexões acerca até do mercado editorial &#8211; esse, que </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Rooney está inserida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; representam uma fase diferente da qual Connell e Marianne passaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa quase como um meio-termo entre as realidades. Aqui, as protagonistas Frances e Bobbi já deixaram para trás a inocência da adolescência, mas, nos primeiros anos da casa dos vinte, não se estabeleceram o suficiente para se sentirem parte do mundo adulto &#8211; isso, como todo jovem adulto. A autora, porém, não se preocupa em verbalizar os anseios das duas explicitamente &#8211; e, na verdade, não o fez em nenhum de seus livros. Já virou </span><a href="https://lithub.com/sally-rooney-is-the-only-novelist-on-times-list-of-most-influential-people-of-the-year/"><span style="font-weight: 400;">marca registrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rooney deixar o leitor sentir por si mesmo, apresentando somente situações e diálogos tão reais e relacionáveis que não conseguimos fazer diferente de nos imaginarmos no lugar das personagens.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Bobbi disse que não achava que eu tinha uma ‘personalidade verdadeira’, mas declarou que não se tratava de um elogio. De modo geral, eu concordava com a avaliação. A qualquer instante sentia que poderia fazer ou dizer qualquer coisa, e só depois pensar: ah, então sou esse tipo de pessoa&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da moeda de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2022/may/22/sasha-lane-and-alison-oliver-on-conversations-with-friends-sally-rooney"><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, estão Nick e Melissa. O casal é mais velho, cada um com seus 30 e poucos anos, tem um ciclo de amigos e uma casa invejável, são (aparentemente) bem resolvidos, e profissional e financeiramente estáveis. Tudo isso, coisas que as duas não são. Apesar dos mundos diferentes, a conexão das personalidades acaba sendo inevitável no decorrer dos encontros. Assim como Bobbi, Melissa é confiante, o tipo de pessoa que preenche os ambientes em que entra, e sua convicção e força são claras, até intimidadoras. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YWV3GEtWvIw"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelha a Frances: ele, um ator bonito e relativamente famoso, apesar de mediano em sua carreira, serve como um marido troféu, e parece se curvar à presença imponente da esposa &#8211; da mesma forma que a protagonista se sentia em seu antigo relacionamento com a amiga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do jantar da entrevista, o destino parece premeditado, mas nunca previsível. Bobbi, naturalmente, se conecta a Melissa e repele </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5juZNPnXQe1DGrCHlrllPR?si=bb23a7b2582041bf"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais escancarada e sem vergonha que seja, a queda da jovem não vai muito além disso e a relação permanece platônica. Afinal, como Bobbi sempre lembra, ela é casada. Já com Frances e Nick acontece o contrário e a conexão se constrói lentamente, com a culpa pela relação extraconjugal sempre como um empecilho entre os dois. Do ponto inicial de terem em comum somente situações em que ficam deslocados ao mesmo tempo &#8211; além, claro, das companheiras extrovertidas -, os dois passam de meros parceiros de desconforto para descobrirem um no outro uma ligação um tanto mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">profunda e complicada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27692" aria-describedby="caption-attachment-27692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg" alt="Imagem de divulgação da série Conversas entre amigos. A foto foi tirada em uma praia e os protagonistas estão sentados em um rochedo à beira mar. Em cima do rochedo, ao centro, vemos uma mulher branca, loira, de cerca de 35 anos, vestindo um vestido branco, em pé. Ao lado dela, sentada na rocha, vemos uma mulher negra, usando uma bandana, regata, camisa e shorts de praia, aparentando cerca de 25 anos. Ao lado dela, no lado direito da foto, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos, usando um vestido azul e branco, em pé, olhando para o lado. Ao seu lado, vemos um homem loiro, de cerca de 35 anos, usando camisa e shorts azul, sentado apoiado no rochedo." width="800" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1024x726.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1536x1089.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1200x851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27692" class="wp-caption-text">Assim como Pessoas normais, Conversas entre amigos ganhou uma minissérie de 12 episódios adaptada pela Hulu em parceria com a BBC (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que não parece haver muito ao que se apegar nessa nova relação. Quanto mais próximos Nick e Frances se tornam, mas indecifrável ele fica, e a incerteza move o relacionamento. Isso até para o leitor: com a narração da jovem protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa sob o olhar inseguro e acanhado dela. A forma com que vemos os personagens, inclusive, é sob sua visão. </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/2nM48XVy0Vf7TpLtfwLtlD?si=af029c2328504902"><span style="font-weight: 400;">Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a melhor pessoa do mundo à princípio, articulada, faladeira, engraçada, convicta em seus posicionamentos… até discordar das ações de Frances. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rfn1yngeXI0"><span style="font-weight: 400;">Melissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica entre a megera que pisa no marido e a mulher decidida e bem-sucedida que a jovem sonha em ser. Nick, ora é indecifravelmente atraente, um mistério a ser decifrado, ora submisso e indeciso, misterioso só porque não sabe o que quer. De novo, em nenhum momento </span><a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/"><span style="font-weight: 400;">Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> julga seus protagonistas: eles são o que são, cada um com seus motivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Avançando nas 264 páginas do livro, os sentimentos e emoções vêm espontaneamente, conforme os quatro personagens vivem, se relacionam e, bem, conversam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como outras obras de Sally Rooney, usa do subtexto de um relacionamento &#8211; dessa vez, um fora da configuração tradicional &#8211; </span><a href="https://www.monitordooriente.com/20211025-sally-rooney-susan-sarandon-e-milhares-de-outras-estao-do-lado-certo-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">para ir além</span></a><span style="font-weight: 400;">. Motivados pelas ações, percepções e desejos dos protagonistas, o livro discute as dinâmicas de poder dessas conexões, da monogamia à diferença de tratamento entre homens e mulheres em uma relaçãp heterossexual. Também (e, de novo, como em outras obras da irlandesa), os quatro refletem sobre novas possibilidades e dinâmicas de relacionamento, capitalismo, vida profissional, saúde mental, política e classes sociais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ele tinha mais respeito por Melissa do que por mim? Gostava mais dela? Se ambas fôssemos morrer em um edifício em chamas e ele só pudesse salvar uma de nós, será que era óbvio que salvaria Melissa e não eu? Era praticamente diabólico transar com alguém que mais tarde deixaria você morrer queimada&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> peculiar e envolvente, não há espaços para julgamentos, não há lado certo ou errado. Definitivamente, não há moral da história. Os finais de Rooney escancaram o caráter imprevisível das relações humanas, mas também o lado esperançoso. Na tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pqWEiiELzfo"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Débora Landsberg, que trabalhou nos três romances publicados da autora, mantém a melancolia da escrita, assim como a forma direta, objetiva e fluida da irlandesa de escrever. Na estreia de seu estilo, Sally Rooney aprofunda ainda mais seus personagens ao não indicar quem verbaliza cada coisa: os diálogos não recebem pontuação precisa e, mesmo assim, sabemos quem diz o que ao final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 5 anos de idade em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou sua adaptação homônima para TV, que, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve o </span><a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1612706/Sally-Rooney-Normal-People-Conversations-With-Friends"><span style="font-weight: 400;">dedo da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> na concepção. Há meia década, porém, a primeira aparição das duas jovens rebeldes e cheias de idealizações, desconstruindo as aparências do meio adulto ao passo que tentam descobrir seu próprio lugar no mundo, não era uma projeto de comentário social para Sally Rooney. Na verdade, para ela, a situação era mais sobre </span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iIGSMGdgCyQ"><i><span style="font-weight: 400;">observar a textura do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> em que estava habitando”</span></i><span style="font-weight: 400;">, absorvendo-o. E na vida real, sobre a qual ela tanto escreve, realmente não há moral da história. O que há são pessoas como Frances e como Bobbi, como Melissa e como Nick, que navegam seus sentimentos, desejos e as consequências de suas ações. Com sua delicadeza, honestidade e olhar apurado, Rooney simplesmente os capta e coloca em palavras.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Conversations with Friends | Official Trailer | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3lvxQuOvf9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Mapeador de Ausências e a memória como preenchimento do vazio</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2021 15:41:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Nestes dias, caminhei pelos lugares da minha infância como quem passeia num pântano: pisando o chão com as pontas dos pés. Um passo em falso e corria o risco de me afundar em escuros abismos. Eis a minha doença: não me restam lembranças, tenho apenas sonhos. Sou um inventor de esquecimentos.” Na icônica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mapeador de Ausências e a memória como preenchimento do vazio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24300" aria-describedby="caption-attachment-24300" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24300 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP.jpg" alt="Arte da capa do livro O Mapeador de Ausências. Na imagem, há um fundo vermelho, com a capa do livro ao centro da imagem, possuindo uma sombra de cor amarela. Na capa, há o desenho de uma mulher negra com diversos tecidos coloridos. Esses tecidos são de cor vermelha, azul, amarela, branca, rosa e verde. Ao centro, está escrito Mia Couto em fonte de cor branca, com a grafia do próprio autor, e abaixo escrito O Mapeador de ausências, também em fonte de cor branca. Acima do seu nome está o logo da editora Companhia das Letras. Na parte superior esquerda da imagem, há a ilustração de um olho com a íris de cor azul. Na parte inferior direita, está o símbolo do Time de Leitores da editora Companhia das Letras, composto por um círculo de cor azul escrito Grupo companhia das letras em fonte de cor branca, envolto de um círculo branco com os escritos Time de leitores 2021, em fonte de cor azul." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24300" class="wp-caption-text">O Mapeador de Ausências, 11º romance de Mia Couto, traz o autor revisitando o próprio passado em meio aos paradoxos da colonização de Moçambique (Foto: Companhia das Letras/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nestes dias, caminhei pelos lugares da minha infância como quem passeia num pântano: pisando o chão com as pontas dos pés. Um passo em falso e corria o risco de me afundar em escuros abismos. Eis a minha doença: não me restam lembranças, tenho apenas sonhos. Sou um inventor de esquecimentos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na icônica cena de </span><a href="https://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/5326965"><i><span style="font-weight: 400;">Um bonde chamado Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1947), escrita pelo dramaturgo norte-americano </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/peca-discute-opressao-e-machismo-de-personagens-de-um-bonde-chamado-desejo.shtml"><span style="font-weight: 400;">Tennessee Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem Blanche DuBois entoa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não quero realidade. Eu quero magia”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Parece que essa afirmação espelha a carreira literária de Mia Couto, cuja diferença consiste em enxergar na existência toda a magia necessária para encarar a vida. Segundo o próprio escritor, </span><i><span style="font-weight: 400;">“não há somente uma realidade, mas várias”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como fruto da parceria com a editora </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">teve acesso a seu novo romance, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/mia-couto-volta-a-sua-prosa-poetica-em-o-mapeador-de-ausencias.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, participando de um </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1433871654967554048"><span style="font-weight: 400;">evento exclusivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o autor. A obra, publicada no início de setembro de 2021, traz como protagonista Diogo Santiago, poeta e professor universitário na cidade de Maputo, que parte em uma viagem física e metafísica à Beira, sua cidade natal. </span></p>
<p><span id="more-23893"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mistura de reportagem, romance e memórias, o livro carrega a típica voz poética do autor, apresentando a realidade como algo sempre questionável, na qual amigos tornam-se inimigos em uma guerra sem vencedores. Segundo Mia Couto, o livro partiu de uma ideia “</span><i><span style="font-weight: 400;">muito sólida de regresso</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e aborda ao longo das páginas o paradoxo da colonização, questões de homofobia e problemas de infância e identidade. No primeiro capítulo, estamos situados em </span><i><span style="font-weight: 400;">“Beira, 6 de março de 2019”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cidade moçambicana, local em que Couto nasceu e viveu até seus dezoito anos, estava na iminência de um desastre. No dia 15 de março de 2019, o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/20/internacional/1553042239_772596.html"><span style="font-weight: 400;">Ciclone Idai passou pela região</span></a><span style="font-weight: 400;"> e destruiu 90% da cidade, neste que ficou marcado como o maior desastre natural de Moçambique, deixando centenas de mortos e feridos. Através desse marco temporal, Diogo Santiago está, sem saber, correndo contra o tempo para reconstruir a história do seu passado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando me afasto, sinto os seus passos </span><span style="font-weight: 400;">perseguindo-me e, já perto do elevador, a sua voz ecoa no corredor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Chama-se Idai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Quem? — pergunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— O ciclone — responde o porteiro. — Dizem que chega à cidade daqui a pouco mais de uma semana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O homem anuncia o desastre com inesperado entusiasmo. Entendo a sua excitação. Aquele anônimo porteiro era, naquele momento, o mensageiro que Deus escolhera para anunciar o apocalipse.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro mescla passagens em primeira pessoa de Diogo Santiago com excertos de diários da juventude e papéis da repressão política do país. Esses documentos servem para mapear a história de seus antepassados, principalmente de seu pai. Aos que já conhecem os trabalhos do escritor moçambicano, essa característica é muito bem explorada em seu romance de 1992, </span><a href="https://www.todamateria.com.br/terra-sonambula/"><i><span style="font-weight: 400;">Terra Sonâmbula</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual lemos de forma intercalada a travessia do velho Tuahir e do jovem Muidinga — em uma Moçambique despedaçada depois da guerra, e por esse motivo uma </span><i><span style="font-weight: 400;">‘terra sonâmbula’</span></i><span style="font-weight: 400;"> — com as leituras dos cadernos de Kindzu. Novamente, percebemos a visão de Couto sobre as diversas realidades expostas de forma clara em sua própria obra, considerando que esse jogo literário pretende mostrar as diferentes verdades possíveis sobre o mesmo fato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diogo Santiago decide retornar à Beira depois de muitos anos, a conselho de seu médico, que recomenda a viagem para </span><i><span style="font-weight: 400;">“te libertares dos fantasmas da infância”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O personagem vem sofrendo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e insônia, e, segundo o diagnóstico, talvez a viagem pudesse acalmar os motivos que levavam à tristeza e inquietação. Dessa forma, o regresso à cidade natal é também o regresso à infância e as marcas de uma ausência permanente — do pai e dos amigos mortos na ditadura —, cujas lembranças foram dominadas pelo colonialismo, visto que, na época de juventude de Santiago, Moçambique ainda era colônia de Portugal. Talvez uma das obras mais metalinguísticas de Mia Couto, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com o leitor desde o início, deixando o escritor facilmente reconhecível nas falas do personagem, como no trecho em que recebe a documentação sobre seu avô, e sentencia: </span><i><span style="font-weight: 400;">“esses papéis vão fazer parte do meu próximo livro”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_23894" aria-describedby="caption-attachment-23894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23894 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-800x800.jpg" alt="Fotografia do escritor moçambicano Mia Couto. Ele é um homem branco, veste camiseta de cor cinza, possui cabelos e barba grisalha, olhos azuis e utiliza um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. Ele está olhando diretamente para a câmera, com o braço direito apoiado em uma estante de cor marrom, repleta de livros enfileirados." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23894" class="wp-caption-text">Mia Couto é biólogo de formação, mas iniciou sua carreira oficialmente como jornalista; seu primeiro livro, uma coleção de poemas intitulada Raiz de Orvalho, foi publicado em 1983 (Foto: Rafael Arbex)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em decorrência do desastre natural, que destruiu a cidade natal de Couto, a ideia de que a infância poderia ser perdida torna-se presente, e é retratada na obra. Como uma rápida comparação, se pensarmos em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/03/a-peste-de-albert-camus-e-metafora-para-epidemias-e-opressoes.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Peste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Albert Camus, enxergamos a epidemia de cólera como coadjuvante, ou, melhor, como um pano de fundo para a história. Contudo, o romance do moçambicano aponta a catástrofe como uma espécie de personagem, auxiliando no desenrolar da trama — e isso não ocorre por acaso, visto que o autor começou a escrever o livro em 2018, sob a perspectiva da memória e do regresso, e então teve a notícia do Ciclone, que atravessou a obra já iniciada. Tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Peste </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">mantém a alegoria presente, pois ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">a peste</span></i><span style="font-weight: 400;">’ ditada por Camus é uma referência à Europa sitiada por nazistas, enquanto a obra do moçambicano</span> <span style="font-weight: 400;">trata-se da busca pelo passado, através da procura de algo fragmentado e possivelmente inexistente, em um país que também estava sob domínio de um regime ditatorial, sendo essa, justamente, a herança colonial que o fragmentou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a figura central do romance é o pai de Diogo (ou o </span><a href="http://www.fflc.org.mz/index.php/por/Fundacao/Fernando-Leite-Couto"><span style="font-weight: 400;">pai de Couto</span></a><span style="font-weight: 400;">), Adriano Santiago, um jornalista e também poeta, falecido há pouco tempo. Ele se torna inimigo do Estado quando reporta um assassinato em massa cometido pelo regime, que ficou conhecido como </span><a href="https://www.abrilabril.pt/cultura/massacre-de-inhaminga-foi-o-pior-dos-pesadelos"><span style="font-weight: 400;">Massacre de Inhaminga</span></a><span style="font-weight: 400;">. A presença dos ancestrais de Adriano servem como elementos para entender esse personagem misterioso, auxiliando no quebra-cabeças que é o seu passado. Com a própria vida atravessada por repressões políticas — o pai de Mia Couto foi detido pela PIDE, polícia política da ditadura portuguesa —, o escritor constrói por meio de simbologias e metáforas fantasiosas as pegadas desse indivíduo silencioso. Como qualquer reconstrução que parta da memória, essa é uma guerra perdida desde o início, mas nem por isso menos poética. </span></p>
<figure id="attachment_23895" aria-describedby="caption-attachment-23895" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23895" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Fernando Couto, Mário Machungo e Joaquim Chiassano. À esquerda, há a fotografia de Fernando Couto olhando para o seu lado esquerdo. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos penteados para trás. Ele veste camisa branca e utiliza óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. À direita, há uma outra foto em que Mário Machungo está sentado, com Joaquim Chissano sentado à sua esquerda, que está conversando com Fernando Couto, também sentado à esquerda de Joaquim. Mário é um homem negro, possui cabelos pretos e veste camisa xadrez branca e cinza e um casaco de cor cinza. Joaquim é também um homem negro, possui cabelos pretos e um cavanhaque de cor preta. Ele veste uma camisa branca, com listras cinzas, e uma gravata de cor preta com quadrados de cor cinza. Nessa foto, Fernando Couto está com a mesma roupa que a anterior, porém virado à direita e conversando com Joaquim Chissano." width="1170" height="547" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-800x374.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-1024x479.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-768x359.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23895" class="wp-caption-text">Fernando Couto, o pai de Mia, foi uma personalidade influente em Moçambique, atuando como poeta e jornalista; na foto, ele entrevista Mário Machungo e Joaquim Chissano (Foto: Fundação Fernando Leite Couto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido por capítulos intercalados, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">possui pelo menos cinco camadas. A primeira refere-se a Diogo Santiago em 2019, caminhando por uma Moçambique que ainda tentar consolidar seus laços como nação; a segunda são os documentos sobre seu pai, que datam de 1973 e auxiliam na composição do imaginário sobre o passado violento do país, marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/09/02/interna_internacional,1081795/o-caminho-de-mocambique-da-guerra-civil-a-uma-paz-ainda-fragil.shtml"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil</span></a><span style="font-weight: 400;">; a terceira retrata o Ciclone Idai e os seus efeitos imediatos no imaginário social, visto por uma parcela da população como um castigo divino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta história é a da personagem Liana Campos, coadjuvante nessa trama e </span><i><span style="font-weight: 400;">“neta de um fascista”</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo o elo que conecta a documentação dos ancestrais de Santiago com o próprio. A personagem também está tentando resgatar um passado, cujo objetivo é </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrar sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por fim, a quinta camada é a da autoficção, pois, de forma ficcionalizada (como descrito na nota do autor), Couto reconstrói o seu próprio passado, transmitindo nas páginas a falta de seu pai — o nome do livro é uma homenagem a esse </span><i><span style="font-weight: 400;">“personagem ausente”</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, e os traços fantásticos acompanham toda a história, trazendo referências místicas às </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">memórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, às vontades divinas e ao </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14188"><span style="font-weight: 400;">mar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos personagens mais belos construídos na obra é Sandro Santiago, apresentado inicialmente como o primo de Diogo. Ele é um combatente militar e, por ser homossexual, recebe diversas ofensas e violências durante seu período no exército, demonstrando sua enorme complexidade quando tenta entender os </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">motivos da guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para ele, os soldados são </span><i><span style="font-weight: 400;">“apenas o gatilho vivo de mandadores sem rosto”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sandro possui um passado ofuscado, e suas origens são também um mistério até a metade do livro. Mas, o que Diogo Santiago desconfia, e acaba por receber a confirmação, é que ambos eram irmãos de mães diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sandro era do meu sangue. E como não existem parentescos por metade, ele era meu irmão, o meu único irmão.”</span></i></p>
<figure id="attachment_23896" aria-describedby="caption-attachment-23896" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23896 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O Mapeador de Ausências. Na imagem, Há o desenho de uma mulher negra com diversos tecidos coloridos. Esses tecidos são de cor vermelha, azul, amarela, branca, rosa e verde. Ao centro, está escrito Mia Couto em fonte de cor branca, com a grafia do próprio autor, e abaixo escrito O Mapeador de ausências, também em fonte de cor branca. Acima do seu nome está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3.jpg 827w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23896" class="wp-caption-text">A arte da capa faz alusão às diversas camadas no enredo do livro (Foto: Alceu Chiesorin Nunes/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Virginia Santiago, mãe de Diogo e esposa de Adriano, é também memorável. Ela demonstra a força e a inteligência, lidando com maestria com os devaneios do marido, da mesma forma que consegue driblar os questionamentos dos agentes da PIDE. Todavia, através dos trechos do diário de Diogo, vemos a maneira como Virginia foi sendo deixada de lado, e, lentamente, entregue à </span><a href="https://personaunesp.com.br/utopia-da-realidade-horrenda-ainda-nos-restam-50-anos-de-solidao/"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, como é recorrente na obra de Mia Couto, nada é de fato assertivo, apenas sugerido para que nossa imaginação complete o contexto. Apesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">apresentar o protagonista como um ser empático, colocando-se, desde a infância, no lugar dos outros, percebemos sua dificuldade em enxergar através dos olhos do pai, justamente por suas posições machistas e homofóbicas. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Lembras-te de o teu pai proibir que tu e o Sandro dormissem no mesmo quarto?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Não metas o Diogo nesse assunto — apressou-se a</span><span style="font-weight: 400;"> ordenar o meu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Deixa falar, Adriano — proclamou a mãe. — Esse teu pai, que se diz todo moderno, nunca aceitou que o nosso Sandro fosse diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Apenas disse que o rapaz era doente — interrompeu o meu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Doente és tu, Adriano Santiago. E eu estou cansada de ser a tua cura.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo extremamente poderoso em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a enorme facilidade com que o moçambicano constrói diálogos fidedignos e convincentes. Particularmente, um dos problemas em se ler obras literárias é encontrar diálogos rasos e entreguistas, que dizem exatamente aquilo que o autor precisa para prosseguir a história, e não o que caberia na boca do personagem. Como um dos herdeiros mais ricos da obra de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-sertao-veredas-aos-65-anos-obra-segue-repleta-de-enigmas/"><span style="font-weight: 400;">João Guimarães Rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mia Couto estabelece diálogos poéticos e ainda assim verdadeiros, que mantêm a oralidade como o ponto alto de suas obras. </span><a href="https://www.fflch.usp.br/1772"><span style="font-weight: 400;">Segundo o próprio escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus trabalhos são iniciados com a construção dos personagens, e somente depois pensa-se na construção da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na epígrafe do livro, lemos um </span><a href="https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/poemas-poesias/o-que-haikai.htm"><i><span style="font-weight: 400;">haikai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual o autor escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um império/aquela luz que se apaga/ou é um vagalume?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas três sentenças elucidam o percurso de Diogo Santiago, em que qualquer vestígio do passado ganha proporções gigantescas em decorrência do tempo. A magia dos textos literários de Couto é compreender a realidade como algo fantástico, passível de paradoxos e caminhos conflitantes. </span></p>
<p><figure id="attachment_23897" aria-describedby="caption-attachment-23897" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23897" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Mia Couto no ano de 1974. Na foto, Couto está de braços cruzados conversando com outro homem, cercado por outros dois homens brancos e outros dois homens negros. Couto é um homem branco e possui cabelos lisos à altura do ombro. Ele veste uma jaqueta de cor cinza e está utilizando um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. O homem à sua frente é branco, possui cabelos ralos de cor preta e barba de cor preta. Ele veste uma calça branca e uma camisa com bolsos frontais, de cor cinza." width="940" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4-800x727.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4-768x698.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23897" class="wp-caption-text">Como jornalista, Mia Couto (à esquerda) cobriu, em 1974, a viagem de Samora Machel, líder da revolução moçambicana e ex-presidente de Moçambique [Foto: Jornal Expresso]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, agora, vamos supor que chegamos ao final. Que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nZzsXoF7Dzw&amp;ab_channel=CompanhiadasLetras"><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tenha sido resenhado, que todos os elementos pertinentes foram abordados e que você compreendeu os pontos altos deste ambicioso projeto. Como as várias camadas do livro, esse texto também possui diversas interpretações, bem como as diversas realidades possíveis de leitura. Em algumas você leu e gostou, em outras você sequer chegou ao final dele. O importante, de qualquer modo, é saber que o texto estará aqui, e que, principalmente, muitos não chegarão até ele. Fomos construídos através de faltas permanentes, e, ao fechar o livro, só podemos ter a certeza de que todas as ausências se tornam presenças.</span></p>
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		<title>A fantasia de uma Despedida</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 20:09:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Despedida é o toque de imaginação que faltava na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em um feriado de Carnaval, Ana (Anaís Grala Wegner) viaja com a mãe (Patricia Soso) para uma cidadezinha no interior do Sul do Brasil. Mas o tom colorido e animado da data comemorativa é tomado pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/despedida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fantasia de uma Despedida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24454" aria-describedby="caption-attachment-24454" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Despedida. Nela, há o horizonte de um rio, em que é possível uma lua cheia coberta pela metade ao fundo. No centro dela, há um barco com um cachorro à esquerda e uma menina à direita." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24454" class="wp-caption-text">A produção nacional é uma das participantes da seção Mostra Brasil na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Silva</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Despedida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o toque de imaginação que faltava na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Em um feriado de Carnaval, Ana (Anaís Grala Wegner) viaja com a mãe (Patricia Soso) para uma cidadezinha no interior do Sul do Brasil. Mas o tom colorido e animado da data comemorativa é tomado pela frieza e escuridão do luto, ao ter como destino principal o funeral da avó (Ida Celina), que tinha fama de bruxa da cidade. Assim se inicia toda uma aventura por trás do que parecia ser um simples adeus.  </span></p>
<p><span id="more-24455"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o enterro, ambas decidem passar o feriado na cidade, ficando no sítio onde a avó morava, em meio a uma floresta. Reencontro com parentes indesejados, conflitos por herança e outros assuntos típicos de uma ocasião familiar como essa emergem sobre a narrativa, mas estão longe de ser o assunto principal da mesma. Em uma noite, ao ver a figura da avó adentrando a floresta, Ana mergulha em uma experiência fantástica e de descobertas surpreendentes.</span></p>
<figure id="attachment_24453" aria-describedby="caption-attachment-24453" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24453" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Despedida. Nela, a atriz Anaís Grala Wegner, que interpreta Ana, está à esquerda olhando para um ser mágico, que está à direita. Ana é uma menina branca, de cabelos castanhos claros, ela veste uma fantasia. O ser mágico não possui rosto e tem folhas por todo o seu corpo. Ao fundo, vemos a paisagem de uma floresta." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida2-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24453" class="wp-caption-text">Com uma mulher na direção, Despedida também conta com fortes figuras femininas entre seus personagens (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a obra de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes dá origem a uma fábula sobre superação com o olhar curioso de uma criança. Ao procurar pela avó em busca de respostas, a protagonista encontra um mundo de seres mágicos e vilões de contos de fadas, que até podem existir apenas na sua imaginação fértil, mas dão nome a coisas mais do que presentes na realidade de qualquer um. Sem perceber, ela explora um universo já antes desvendado por sua própria mãe, e que é a verdadeira chave que esta precisa para escapar de uma solidão imensurável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com toques de </span><a href="https://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras narrativas fantásticas, os diretores materializam as fases do luto de forma brilhantemente lúdica, ao mesmo tempo que traçam a jornada da nossa heroína para remediar a melancolia da mãe. Entre bonecas falantes, sereias e criaturas assustadoras, Ana encontra em cada etapa uma lição e aprendizado. Isso tudo em meio à criação de cenários com uma estética que nos transporta para aquela realidade, sem nem sequer nos ligarmos que são paisagens comuns nas </span><a href="https://www.jb.com.br/cadernob/cinema/2021/10/1033790-despedida-e-destaque-na-mostra-internacional-de-sao-paulo.html"><span style="font-weight: 400;">cidades de Pelotas e Viamão</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Rio Grande do Sul. </span></p>
<figure id="attachment_24452" aria-describedby="caption-attachment-24452" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24452" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Despedia. Nela, uma mulher está colocando uma máscara de lobo em seu rosto. Ela é negra, possui cabelos crespos no estilo afro e veste uma blusa marrom." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/despedida3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24452" class="wp-caption-text">A dupla de diretores já tinha marcado presença na Mostra de 2020, com o longa Irmã (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho artístico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana’s Farewell </span></i><span style="font-weight: 400;">remete aos finados </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/10-programas-da-tv-cultura-que-marcaram-a-nossa-infancia/"><span style="font-weight: 400;">programas infantis da</span><i><span style="font-weight: 400;"> TV Cultura</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e constroem muito bem essa fantasia tipicamente brasileira. Com um elenco majoritariamente infantil e diálogos de forte aspecto teatral e ensaiado, se engana quem pensa que essa é apenas uma obra infanto juvenil. Mesmo com a delicadeza na construção desse mundo imaginário e lúdico, o filme trata sobre temas complexos e uma reflexão extremamente necessária sobre uma das etapas mais desafiadoras da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, talvez seja um toque mais infantil o que falte na produção de Mazeto e Lopes, para ampliar o horizonte da diversão dessa aventura, em contraponto com a dor e tristeza que a abrange. Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Despedida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo importante de caminhos que merecem ser mais explorados no audiovisual do nosso país. </span></p>
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