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	<title>Arquivos Estante &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2025</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que é o terror? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O horror literário fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2025/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2025"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36090" aria-describedby="caption-attachment-36090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png" alt="Na ilustração, em um fundo roxo com teias de aranha, há uma prateleira branca com 5 livros em tons de laranja. Da esquerda para a direita, há um livro na vertical, em pé, com um olho vermelho, com um play dentro da íris, estampado. O livro está entreaberto. No topo da imagem, no centro, há o mesmo olho. Na direita, há 4 livros, três deitados e um em pé, apoiado nos que estão na horizontal. De baix para cima, está escrito na lombada do primeiro &quot;outubro de 2025&quot;, do segundo &quot;persona&quot; com um troféu do símbolo do olho em dourado no canto esquerdo e no último &quot;estante do&quot;. O livro na vertical possui capa laranja e nada escrito na capa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36090" class="wp-caption-text">Entre passagens de tirar o fôlego e clássicos da literatura de Terror, o Estante de outubro garante aos leitores um Halloween inesquecível (Arte: Maria Fernanda Beneton/Texto de abertura: Bianca Costa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é o </span><a href="https://blog.jamboeditora.com.br/terror-genero-favorito/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É possível que a história de uma página seja mais assustadora que a realidade que nos cerca?</span></p>
<p><span id="more-36085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> está de volta para te fazer roer as unhas. Com o mês do horror terminando, o Persona te convida a entrar no clima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">e se perder em um suspense horripilante, daqueles que prende o fôlego. A literatura de </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/horror-x-terror-qual-a-diferenca?srsltid=AfmBOopwFqgZ-jUrC-fP3JVXD_12jnSGSW4Qyh_20WyuDetJOYOLV6de"><span style="font-weight: 400;">terror e horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um simples susto: é devorar um livro com o coração acelerado, virar a página sem perceber a hora e o desespero para chegar ao final. Desde as primeiras histórias contadas, o medo habita a imaginação humana, mudando de forma a cada século. Já foi castigo, já foi delírio, já foi profecia. Hoje, é o espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://baquaraneurotico.wordpress.com/2018/10/30/uma-breve-historia-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu junto do impulso de narrar. O horror literário sempre refletiu aquilo que o ser humano mais teme enxergar: a si mesmo. O que antes se escondia em florestas e castelos agora vive entre becos úmidos, escritórios silenciosos e janelas que jamais se abrem. O terror moderno dispensa trovões, mas basta o som repetido de um relógio, o arranhar de unhas na madeira, o eco de passos no corredor para acender o pavor. O medo se tornou íntimo, cotidiano, palpável. O monstro, agora, veste a nossa pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas páginas, o horror observa o banal e o devolve distorcido. Uma sombra alongada demais, um reflexo que se move depois de você. Ele revela o que apodrece por baixo da normalidade e lembra que o real é sempre mais estranho do que parece. Há quem diga que o inferno é uma invenção distante, porém Alan Moore e Eddie Campbell o desenharam com bisturis e delírios em </span><a href="https://www.veneta.com.br/shop/do-inferno-305"><i><span style="font-weight: 400;">Do Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Ana Paula Maia o construiu com carne, suor e trabalho em </span><a href="https://www.record.com.br/produto/assim-na-terra-como-embaixo-da-terra/"><i><span style="font-weight: 400;">Assim na Terra como Embaixo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Stephen King o fez explodir de dentro de uma garota que só queria ser aceita em </span><a href="https://n.companhiadasletras.com.br/livro/9788581050362/carrie-a-estranha"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Poe, por sua vez, nos ensinou que às vezes basta um gato, ou uma culpa, para enlouquecer em</span> <a href="https://www.martinclaret.com.br/produtos/o-gato-preto-em-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> E, em algum beco de Londres, Jack ainda caminha, invisível, entre as vozes e a névoa em</span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/rastro-de-sangue-jack-o-estripador/p"> <i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue: Jack, O Estripador.</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do castigo divino ao crime urbano, o terror se reinventa, mas nunca desaparece. Ele muda de máscara, muda de época, muda de tom, e ainda assim continua a mesma coisa: o retrato fiel daquilo que tentamos esconder. É uma lente que amplia o desconforto e um espelho que devolve o rosto deformado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, o Estante de outubro adentra esse espaço entre o real e o delírio: o medo ganha textura, cheiro e voz com as indicações dos nossos redatores. Os próximos parágrafos não prometem consolo, mas garantem companhia e uma leitura atenta, na qual até tirar os olhos das páginas é arriscado demais. Só um aviso antes de começar: se ouvir algum barulho vindo de trás, não olhe. Provavelmente é só o vento. Provavelmente.</span></p>
<hr />
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Alan Moore e Eddie Campbell – Do Inferno (592 páginas, Editora Veneta)</b></p>
<figure id="attachment_36093" aria-describedby="caption-attachment-36093" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa_do_inferno_1410-1.jpg" alt="A capa da história em quadrinhos &quot;Do Inferno&quot; possui um desenho em tons de cinza de uma caixa torácica humana rasgada horizontalmente por quatro faixas de papel vermelho vivo. O título, DO INFERNO, está em letras pretas grandes na primeira faixa vermelha, e os nomes dos autores, ALAN MOORE &amp; EDDIE CAMPBELL, aparecem logo abaixo em letras pretas menores na segunda faixa." width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-36093" class="wp-caption-text">Do Inferno é vencedora de 5 prêmios Eisner e garantiu a seu autor, Alan Moore, 3 anos consecutivos o prêmio de melhor roteirista entre 1995-1997 (Foto: Editora Veneta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“<i>Do Inferno</i>” ocupa os primeiros lugares nas listas dos leitores de Alan Moore, junto a <i>Watchmen</i>, <i>V de Vingança</i>, <i>Monstro do Pântano</i> e tantos outros. Mesmo assim, ao ler a sinopse, é fácil pensar: “O que tem de tão especial em outra versão de Jack, o Estripador?” Talvez o mais interessante esteja no mundo em que a história se passa. E não, não é a ambientação neogótica da Inglaterra vitoriana, com noites soturnas e um preto marcante que persegue o leitor em cada página; ao recuar, a escuridão prepara-se para encarnar figuras igualmente macabras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que há de tão interessante para uma leitura de quase 600 páginas? A resposta está na pergunta que reside na penumbra da obra: “O que é o mal?” Alan Moore apresenta um mal macabro, soturno e encarnado, que também reside nos corações dos que o enxergam e, em certa medida, anseiam encontrá-lo. No deslizar das páginas pretas e brancas, o leitor se pega a todo momento ansioso, desejoso e esperançoso para contemplar as diversas faces daquilo que deveria permanecer sigiloso a todos: nossos desejos mais perversos, escondidos em entranhas escuras, e as diferentes formas de ver um mal radicalmente humano – tão visceral que o ocultamos, dizendo ser próprio apenas do Inferno.</span><b> – Pedro Domênico</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>Ana Paula Maia – </b><b>Assim na Terra como embaixo da Terra (144 páginas, Editora Record)</b></p>
<figure id="attachment_36094" aria-describedby="caption-attachment-36094" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg" alt="A capa do livro Assim na Terra como embaixo da Terra é branca possui a ilustração de um javali em preto, que parte do canto superior direito e ocupa grande parte do retângulo. O título da obra aparece em letras espremidas, ocupando o canto inferior esquerdo ao lado do nome da autora, Ana Paula Maia, no canto inferior direito. Ambos também escritos em preto." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_.jpg 646w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-36094" class="wp-caption-text">Em 2018 a escritora venceu o prêmio São Paulo de Literatura com a obra Assim na Terra como embaixo dela (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Maia é uma escritora brasileira que ganhou destaque na literatura nacional por suas histórias sempre aterrorizantes envolvendo violências e questionamentos, principalmente sobre pautas de negligência social. E nessa narrativa, por meio de uma escrita fluída e cativante, a autora convida o leitor a conhecer o ambiente claustrofóbico de uma colônia penal decadente prestes a ser desativada, e que abriga os criminosos que o Estado buscou esquecer. Lá dentro, os personagens estão sob o comando de um oficial que perdeu a sanidade por conta do isolamento, e o perigo e a aflição os rondam constantemente, além da fuga parecer impossível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de sua escrita,  a autora cria uma experiência na qual a tensão e o desconforto só se agravam com o passar das páginas, e cada descoberta sobre o real intuito da instituição contribui  para prender a atenção do público do início ao fim. Além disso, o texto não dá sossego um segundo sequer, já que a ameaça não cessa e é perceptível que, naquele lugar onde os corpos são privados de sua humanidade, não há salvação ou esperança nem através da suposta liberdade.</span><b> – Luana Corrêa</b></p>
<hr />
<p><b>Stephen King – Carrie, a estranha (208 páginas, Editora Suma)</b></p>
<figure id="attachment_36102" aria-describedby="caption-attachment-36102" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg" alt="A capa do livro Carrie, de Stephen King, tem um fundo rosa-escuro com manchas e gotas de sangue escorrendo. No centro, aparece o rosto de uma garota com olhar sério e traços de sangue no rosto, criando um clima assustador. O nome do autor está escrito em letras grandes e brancas na parte de cima, e o título Carrie aparece em branco na parte de baixo. A imagem passa uma sensação de mistério e terror, combinando com a história do livro." width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-768x1119.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-1055x1536.jpg 1055w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-36102" class="wp-caption-text">A obra de estreia do mestre do terror representa um marco inovador, sendo um dos romances mais impactantes de todos os tempos (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado de forma fragmentada e com tom quase documental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974, combina trechos de jornais e entrevistas para reconstruir a trágica história de Carrie White. Tímida e introvertida, a adolescente é alvo constante de humilhações por parte dos colegas e vive sob a opressão da mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Tudo muda, porém, após um episódio traumático na escola (quando a protagonista tem sua primeira menstruação e é cruelmente ridicularizada pelas outras meninas): ela descobre possuir poderes de telecinesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o bullying e a opressão aumentam, esses poderes crescem junto com a raiva e o desespero dela, culminando em um baile de formatura trágico e inesquecível, que se tornou um dos momentos mais icônicos da literatura e do cinema de terror. O impacto da obra foi tão grande que abriu caminho para uma série de outras adaptações baseadas nas obras de King, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">À Espera de um Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;">, que continuaram a explorar, cada uma à sua maneira, os medos, traumas e conflitos que assombram a condição humana. </span><b>– Nathalia Helen</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36086" aria-describedby="caption-attachment-36086" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Jack-o-estripador-Kerri-Maniscalco.png" alt="Imagem da capa do livro Jack, o Estripador de Kerri Maniscalco. Há um fundo escuro em tons de preto e cinza com nuvens. No centro, há uma mulher branca com vestido vitoriano verde escuro e luvas rendadas pretas, segurando uma adaga prateada. Ela usa um colar com pedra vermelha, tem cabelos castanhos e lábios pintados de vermelho. Na parte inferior, intrínseco ao vestido, aparecem prédios antigos de Londres envoltos em névoa. O título, o nome da série “Rastro de Sangue”, da editora e da autora ocupam a metade inferior da imagem." width="471" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-36086" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Kerri Maniscalco explora um dos mistérios mais sombrios do Século XIX e apresenta uma heroína que desafia o impossível (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Kerri Maniscalco &#8211; Jack, o Estripador (354 páginas, DarkSide Books)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Londres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha Audrey Rose Wadsworth, uma jovem investigadora dedicada à medicina forense. Desafiando a vontade de seu pai e as expectativas da sociedade sobre como uma mulher deveria se portar, ela realiza autópsias no laboratório do tio e, de repente, se envolve em um dos crimes mais brutais que assombram a cidade. Na companhia de Thomas Cresswell, aprendiz de seu tio, Audrey Rose embarca na perigosa investigação na esperança de resolver o caso antes que novas vítimas sejam feitas. Entre ciência forense, suspense psicológico e a constante sensação de perigo, o mistério está cada vez mais perto de ser revelado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jack, o Estripador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro da série e estabelece a construção psicológica e narrativa que se mantém constante ao longo das obras. Com uma ambientação sombria e um </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/130-anos-depois-identidade-de-jack-o-estripador-pode-ter-sido-desevendada.phtml"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> impossível de ser resolvido, o livro explora relações familiares e sociais complexas, motivações sinistras e tragédias arrebatadoras. Ao longo da história, Audrey Rose e Thomas se aventuram em diferentes lugares e cruzam caminho com outras figuras históricas do período, como Príncipe Drácula, Harry Houdini e H. H. Holmes. Além disso, abre espaço para pitadas de um romance fadado pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra mantém um equilíbrio perfeito entre elegância e crueldade. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">corsets</span></i><span style="font-weight: 400;">, festas do chá e um jogo de gato e rato, a narrativa entrelaça o suspense com o cotidiano da época. Embora foque na parte forense, com análises detalhadas de cada procedimento técnico, o livro oferece uma visão única do infame caso </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/true-crime-a-ascensao-do-genero-na-literatura-e-nos-streamings/"><span style="font-weight: 400;">não resolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ilustrações </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> e macabras mergulham o leitor na narrativa, enquanto a atmosfera gótica e os personagens astutos tornam tudo envolvente. Analisar as pistas enquanto tenta adivinhar o assassino antes dos detetives torna a leitura surpreendentemente agradável e cativante. <b>– </b></span><b>Vitória Mendes</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36087" aria-describedby="caption-attachment-36087" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="Foto da capa do livro O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários, de Edgar Allan Poe. O fundo é escuro, com tons de cinza e preto, além de possuir a face de um gato desenhado. No canto superior esquerdo, há a silhueta de um gato preto sentado, e na letra “A” de “Edgar”, do título, surgem traços que imitam bigodes. O nome do autor, “Edgar Allan Poe”, aparece em letras grandes e amarelas no centro da imagem. Abaixo, em letras brancas ornamentadas, lê-se “O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários”. No rodapé, está o logotipo da editora Camelot." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-36087" class="wp-caption-text">O Gato Preto foi publicado em 1843 (Foto: Camelot Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Edgar Allan Poe &#8211; O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários (160 páginas, Camelot Editora)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos contos mais conhecidos de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/serie-a-queda-da-casa-de-usher-para-maratonar-na-netflix-com-poucos-episodios-de-edgar-allan-poe_a410614/1"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e talvez o que melhor define o horror psicológico do autor. A história acompanha um homem comum que, afundado no álcool, começa a maltratar os animais que antes amava, até que sua fúria o leva a um ato irreversível. O que se segue é o peso da culpa e a paranoia de que algo, ou alguém, ainda o observa. Poe não precisa de fantasmas nem de castigos divinos para causar medo, basta a mente humana em colapso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto é uma leitura curta e de ritmo acelerado. Cada ação do narrador tem uma consequência imediata, e o terror surge da frieza com que ele descreve suas próprias atrocidades. </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">O gato</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolo de tudo o que ele tenta esquecer, retorna como a lembrança assombrosa de que a culpa sempre encontra um jeito de ser ouvida. É justamente o fato de haver algo inevitável no percurso do personagem que torna o desfecho tão perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado para quem busca um clássico acessível e envolvente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma porta de entrada perfeita para as obras de Poe e para o </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/um-ano-sem-verao-como-uma-catastrofe-climatica-ajudou-a-dar-origem-a-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX. O cerne está na ideia de que o verdadeiro terror nasce dentro de casa, quando o instinto grita mais alto que a razão e a consciência já não consegue silenciar seus próprios erros. <b>– </b></span><b>Eduardo Dragoneti Ferreira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36088" aria-describedby="caption-attachment-36088" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36088 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png" alt="Foto da capa do livro “Rebecca”, de Daphne du Maurier. O fundo é preto com moldura decorativa fina em linhas brancas. O nome da autora aparece na parte superior, em letras grandes, brancas, com estilo tipográfico ornamentado. Logo abaixo, o título “Rebeca” está escrito em letras grandes e sinuosas, na cor rosa forte. À esquerda, acima do título, há a silhueta de uma mulher de perfil, também em rosa, com cabelos presos em coque. Galhos de árvores secos, em cinza claro, se espalham pelo fundo. Na parte inferior direita, há a ilustração de uma mansão antiga com janelas pequenas e detalhes arquitetônicos góticos, desenhada em cinza. Na base da capa, centralizado, aparece o nome da editora “DarkSide” em letras pequenas brancas." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca.png 589w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-36088" class="wp-caption-text">Um clássico que prova que fantasmas podem ser apenas memórias que não aceitam morrer (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Daphne du Maurier &#8211; Rebecca (448 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora britânica </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/daphne-du-maurier-a-autora-de-rebecca-que-foi-de-hitchcock-a-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Daphne du Maurier</span></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente sabe prender a atenção de seus leitores em suas obras. No romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora cria uma atmosfera tão imersiva que torna difícil se afastar da história. O livro narra a jornada de uma jovem mulher que, após se casar com o misterioso viúvo Maxim de Winter, muda-se para a imponente mansão Manderley. A protagonista se vê rapidamente envolvida pelo fantasma da antiga esposa de Maxim, a lendária Rebecca, cuja presença continua a dominar todos os espaços e silêncios da casa. Nada é dito abertamente, mas tudo parece sussurrar o nome dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Du Maurier constrói uma narrativa onde insegurança, amor e memória se misturam como sombras que se alongam ao entardecer. Há algo de cruel e fascinante em observar a protagonista tentando descobrir quem ela é em meio a tantos vestígios de alguém perfeito demais para existir. O suspense cresce devagar, quase como um desconforto íntimo, e quando percebemos já estamos tão enredados quanto ela. </span><a href="https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/quem-foi-rebecca/"><span style="font-weight: 400;">Manderley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se revela por completo, e talvez seja exatamente essa névoa que torna a experiência tão inesquecível. <b>– </b></span><b> Débora Munhoz</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36089" aria-describedby="caption-attachment-36089" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg" alt="Foto da capa do livro “Ilha do Medo”, de Dennis Lehane. A imagem mostra o rosto de um homem branco em close, com expressão séria e olhar fixo, parcialmente iluminado pela chama de um fósforo que ele segura diante do rosto. Na parte inferior da capa, vê-se uma ilha isolada cercada pelo mar revolto, onde se destaca um grande prédio sombrio, o hospital psiquiátrico que ambienta a história. O título “ILHA DO MEDO” aparece em letras maiúsculas e alaranjadas, com textura metálica e um leve brilho, logo abaixo da imagem da ilha. Acima, em letras pequenas e vermelhas, está a frase “O medo é contagioso.” Na parte inferior, à direita, o logotipo da editora Companhia das Letras é acompanhado da informação “Originalmente publicado como Paciente 67”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-36089" class="wp-caption-text">Um suspense sombrio onde a chama da verdade é tão perigosa quanto a escuridão que a cerca (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Dennis Lehane &#8211; </b><b><i>Ilha do Medo</i></b><b> (352 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ilha-do-medo-20342247"><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é como embarcar em uma viagem sem retorno à mente humana e ao que ela é capaz de esconder. Dennis Lehane constrói um suspense psicológico de tirar o fôlego, daqueles que fazem a gente duvidar até das próprias certezas. Tudo começa quando o agente federal Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são enviados a </span><i><span style="font-weight: 400;">Shutter Island</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma ilha isolada onde funciona um hospital psiquiátrico para criminosos. A missão, de começo, parece simples: investigar o desaparecimento de uma paciente. Mas, à medida que a investigação avança, fica claro que nada ali é o que parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera criada por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000136084/"><span style="font-weight: 400;">Lehane</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante. A cada página, a tensão cresce, e nós, leitores, somos arrastados para o mesmo estado de confusão e paranoia que consome o protagonista. Os detalhes, as falas e os silêncios carregam significados ocultos que só fazem sentido quando tudo se revela. É o tipo de leitura que te faz virar páginas compulsivamente, e ao final, te obriga a repensar tudo o que achava saber. <b>– </b> </span><b>Ryan Rodrigues</b></p>
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		<title>Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 21:08:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir” (pág. 192) Bruno Andrade Com a morte da mãe, Michelle Zauner passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no H Mart, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30601" aria-describedby="caption-attachment-30601" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor amarela e pupila em preto no formato triangular de play. No lado direito dessa logo, está escrito &quot;Clube do Livro do Persona&quot; preenchido por um fundo preto e com letras transparentes que correspondem à cor do fundo branco. Abaixo está escrito “Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias” em letras pretas, sendo &quot;Aos prantos do mercado&quot; em letras amarelas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há uma imagem retangular da capa do livro de fundo vermelho. No topo da capa, de forma centralizada, está escrito o nome da autora &quot;Michelle Zauner&quot; na cor branca e, logo abaixo, uma ilustração de uma sequência de quadrinhos. O primeiro quadrinho mostra uma cesta cheia de mercado, o segundo mostra um vaso de flor, o terceiro mostra uma laranja sendo descascada e o último mostra a preparação de uma refeição com muitos ingredientes postos sobre uma mesa. Na parte inferior da capa, de forma centralizada, está escrito o título do livro &quot;Aos prantos no mercado&quot; em letras amarelas. Ao lado direito da imagem, está escrito &quot;À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi recebe as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da 'esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir'.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas, seguido de &quot;Bruno Andrade&quot; em letras amarelas. No canto inferior há um sombreado amarelo que está iluminando o escrito &quot;Crítica&quot;, também em amarelo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30601" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, com tradução de Ana Ban, Aos prantos no mercado foi a obra debatida no Clube do Livro do Persona em Janeiro de 2023 (Foto: Fósforo/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 192)</span></em></p></blockquote>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a morte da mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar de quando sua matriarca, Chongmi, morreu vitimada por um câncer em 2014, ela pode se lembrar com tranquilidade do gosto que sua mãe tinha para comida: entre o salgado e o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fumegando de quente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que, por algumas razões, definiam sua forma de exercer a maternidade. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Por mais crítica ou cruel que ela pudesse parecer – sempre me forçando a atender a suas expectativas obstinadas –, eu sempre sentia o afeto dela irradiando das merendas que ela preparava para eu levar à escola e das refeições que ela cozinhava para mim bem do jeito que eu gostava&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As peregrinações repletas de tristeza sustentam o primeiro capítulo de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2022 no Brasil pela editora <em>Fósforo</em>, cujo primeiro capítulo é o ensaio homônimo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que se pode imaginar, Zauner decidiu escrever o livro somente depois de ter </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">publicado o ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A repercussão avassaladora do texto na revista foi reproduzida na obra literária, que ficou 14 semanas seguidas nas listas de mais vendidos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para a escritora coreana-americana, artista musical e fundadora da banda Japanese Breakfast, a comida é um portal. Na praça de alimentação do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, Zauner chora ao consumir seu almoço, enquanto percebe que todos estão sentados, comendo em silêncio, porque estão “</span><i><span style="font-weight: 400;">em busca de um pedacinho do nosso lar, de um pedacinho de nós mesmos. Procuramos um gostinho disso nos pedidos de comida que fazemos e nos ingredientes que compramos. Então nos separamos. Levamos as compras para o alojamento da faculdade ou para uma cozinha suburbana e recriamos o prato que não poderia ser preparado sem essa viagem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30598" aria-describedby="caption-attachment-30598" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg" alt="" width="2048" height="1472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1536x1104.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1200x863.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30598" class="wp-caption-text">“O amor dela era mais do que inflexível. Era brutal, com força industrial” (Foto: Michelle Zauner/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner se mudou com a família para Eugene, nos Estados Unidos, quando tinha nove meses de idade. Aos 15 anos, após ver uma apresentação de Karen O – a vocalista do Yeah Yeah Yeahs –, ganhou a primeira guitarra da mãe que, pouco depois, se arrependeu do presente. Mas, mesmo que a Música tenha sido um refúgio para a adolescente deprimida, Zauner foi influenciada textualmente por Joan Didion, Philip Roth, Vladimir Nabokov e pela HQ </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006), de Alison Bechdel, decidindo, então estudar Escrita Criativa na Bryn Mawr College. Na faculdade, escreveu majoritariamente textos de ficção – foi lá, inclusive, que iniciou os primeiros projetos musicais, consolidados em Japanese Breakfast. Aos 25 anos, após concluir a graduação, Zauner viveu ostensivamente sem roteiro, se “</span><i><span style="font-weight: 400;">debatendo com a realidade, vivendo a vida de uma artista sem sucesso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nesse período, Chongmi ficou doente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira publicação musical foi <em>June </em></span><span style="font-weight: 400;">(2013), um disco amador resultado da parceria com Rachel Gagliardi, criado a partir das canções disponibilizadas diariamente no mês de Junho de 2013 em uma página do </span><a href="http://rachelandmichelledojune.tumblr.com"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21629-psychopomp/"><i><span style="font-weight: 400;">Psychopomp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), o primeiro disco de estúdio de Japanese Breakfast e a primeira publicação após a morte de Chongmi, que Zauner enfrenta abertamente a perda da mãe, cujo título tem origem na história mitológica dos psicopompos, que tem a missão de guiar as almas dos mortos para o pós-vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Japanese Breakfast - Everybody Wants To Love You (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KNT7wuqaykc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da vida da mãe, os papéis parecem se inverter. À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi receberá as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da “</span><i><span style="font-weight: 400;">esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Talvez, se ela pudesse carregar a </span><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2022/06/06/magazine/michelle-zauner-interview.html"><span style="font-weight: 400;">dor da mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e realizar o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ritual da filha única</span></i><span style="font-weight: 400;">”, haveria a possibilidade de intermediar uma cura, na expectativa de fazer as pazes com a rebeldia adolescente de uma jovem com anseios desvinculados dos interesses maternos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, o que </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/20/988665726/a-daughter-grieves-her-mom-and-finds-herself-in-crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">esclarece é que os principais momentos de conexão legítima entre Zauner e Chongmi se davam através da comida; principalmente por isso, a tristeza ressurge ao entrar no mercado. A prosa íntima do livro é, ao mesmo tempo, autodepreciativa e atenta, com descrições texturizadas das qualidades estéticas e sentidas dos momentos vividos pela artista. Trata-se de um livro de memórias muito ancorado no ensaio, cujas ligações entre experiências pessoais de luto e identidade ganham corpo em todo o texto. </span></p>
<figure id="attachment_30599" aria-describedby="caption-attachment-30599" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg" alt="" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30599" class="wp-caption-text">“Falei sobre como o amor era uma ação, um instinto, uma reação suscitada por momentos não planejados e pequenos gestos, uma inconveniência a favor de outra pessoa” (Foto: Rebecca Sapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte e a melancolia perpassam toda a obra de Michelle Zauner, talvez resultado da vida fragmentada da artista, dividida entre a ancestralidade sul-coreana e a vivência contemporânea nos Estados Unidos. O sentimento de ausência parece presente em toda a obra – seja pela morte da mãe, propriamente, ou seja na morte simbólica de um tipo de cultura. Não por acaso, suas melhores canções representam estados avançados de autoconsciência, mesmo em faixas que compõem </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), álbum descrito por Zauner como seu projeto “</span><i><span style="font-weight: 400;">mais alegre</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema por </span><a href="https://www.papelpop.com/2023/03/will-sharpe-de-the-white-lotus-vai-dirigir-adaptacao-do-livro-aos-prantos-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com roteiro assinado pela própria Michelle Zauner, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">não é necessariamente um livro difícil de ler, mas uma obra melancólica. No final do livro, Zauner nos conta que decidiu fazer um casamento de última hora em seu próprio quintal, sabendo que sua mãe poderia não viver muito tempo. Parece que, ao compartilhar suas experiências, Michelle Zauner constrói uma ode à memória de Chongmi – e nos permite enxergar sob seus olhos e consciência por algumas páginas.</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 21:17:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.” &#8211; José Saramago Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29544" aria-describedby="caption-attachment-29544" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de amarelo limão. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor amarelo limão. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “As intermitências da morte” ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘novembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29544" class="wp-caption-text">Do autor lusitano José Saramago, As Intermitências da Morte foi a provocação em cores fúnebres do Clube do Livro de Novembro (Foto: Companhia das Letras/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Jamily Rigonatto e Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <em>José Saramago</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do Livro do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> não poderia deixar de se encontrar nos aspectos da existência. Apreciando </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ensina.rtp.pt/artigo/jose-saramago-sobre-as-intermitencias-da-morte/">As Intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> de José Saramago, nossos leitores se colocaram a refletir sobre as linhas que rondam o fim da vida. A escolha do texto foi ainda mais especial porque o literato completaria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/ClCiF9Wr9jk/?igshid=MDJmNzVkMjY=">100 anos</a></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de novembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, somos guiados para um cenário em que a morte deixa de chegar, seja para os homens mais velhos ou para as vítimas de acidentes que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/31/ciencia/1490960180_147265.html">agonizam</a></span><span style="font-weight: 400;"> em camas de hospital. O autor desenrola reflexões sobre como morrer interfere nas noções humanas de livre arbítrio e continuidade. Aqui, a morte ganha ares personificados e, em certo ponto, da narrativa pode ser tocada como alguém de carne e osso – ou melhor, apenas de osso.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as significações, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/06/100618_saramago_polemicas_ir">Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> abre um mundo de possibilidades sem fechar nenhum ciclo, mas expõe o quanto as pessoas podem bambear quando a vida se torna um inconveniente. A proposta audaciosa da obra brinca com o papel da religião na sociedade e usa uma linguagem direta para abrir brechas e possibilidades no íntimo de quem o lê. A morte enquanto protagonista é tão real quanto qualquer ser humano: sente, reage e ama. No fim, resta o começo e como um circuito tudo se repete, já vivemos isso antes.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nossos leitores testemunharam os fins, novembro oferece seus cumprimentos aos começos com a entrega troféus aos destaques da Literatura brasileira: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Jabuti. Na primeira semana do mês, o Prêmio São Paulo, criado em 2008 e concedido pelo Governo do estado, revelou seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cultura.sp.gov.br/confira-os-ganhadores-do-premio-sao-paulo-de-literatura-2022/">vencedores</a></span><span style="font-weight: 400;">. Com dez finalistas nas duas categorias, o troféu de Melhor Romance do Ano de 2021 foi para Antonio Xerxenesky, pela obra </span><span style="font-weight: 400;"><i>Uma tristeza infinita</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">. Rita Carelli levou Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021 por </span><span style="font-weight: 400;"><i>Terrapreta</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Editora 34</i></span><span style="font-weight: 400;">. Em ambas categorias, as escritoras foram a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/09/19/premio-sao-paulo-de-literatura-anuncia-finalistas#:~:text=S%C3%A3o%2020%20obras%20selecionadas%2C%20dez,anunciados%20no%20final%20do%20ano.">maioria</a></span><span style="font-weight: 400;">: na primeira, dos 10 concorrentes, somente três são homens; na segunda, quatro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no Jabuti, as 20 categorias, divididas em quatro Eixos que abarcam a totalidade do processo de produção editorial, tiveram seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/08/premio-jabuti-2022-anuncia-finalistas">finalistas</a></span><span style="font-weight: 400;"> anunciados na segunda semana de Novembro. Aqui &#8211; e aparentemente em 2021 no geral -, o destaque foi para o protagonismo feminino: na categoria Romance Literário, no Eixo Literatura, as cinco concorrentes eram escritoras. Natalia Borges Polesso, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>A extinção das abelhas</i></span><span style="font-weight: 400;">, Andréa Del Fuego, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/">A pediatra</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, Micheliny Verunschk, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/">Aline Bei</a></span><span style="font-weight: 400;">, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequena coreografia do adeus</i></span><span style="font-weight: 400;">, e Tatiana Salem Levy, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vista chinesa</i></span><span style="font-weight: 400;">, disputaram a estatueta &#8211; as cinco também foram concorrentes em Melhor Romance do Ano de 2021 no Prêmio São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a disputa estabelecida, no dia 24 foi a vez da jornalista e apresentadora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/22/adriana-couto-sera-a-mestre-de-cerimonias-do-64-premio-jabuti">Adriana Couto</a></span><span style="font-weight: 400;"> chamar os vencedores ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para receber o troféu em formato de jabuti. O grande destaque da noite foi para Luiza Romão, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/11/25/tambem-guardamos-pedras-aqui-de-luiza-romao-e-eleito-livro-do-ano-no-premio-jabuti-veja-vencedores.ghtml">Também guardamos pedras aqui</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, consagrado como o Livro do Ano de 2021. A obra também conquistou a categoria de Poesia. Em Romance Literário, uma das modalidades de maior destaque na premiação, o nome chamado foi o de Micheliny Verunschk, pelo seu </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1598090208901500930?s=20&amp;t=FYl6BRswuLBOVnQsZhewmw">cerimônia</a></span><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma homenagem à Sueli Carneiro. Com o troféu de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mundonegro.inf.br/sueli-carneiro-recebe-o-trofeu-de-personalidade-literaria-do-ano-no-64o-premio-jabuti/">Personalidade Literária</a></span><span style="font-weight: 400;"> do Prêmio Jabuti 2022, a escritora, filósofa e ativista, uma das maiores representantes do feminismo negro no Brasil, é a primeira fora do eixo Literatura a receber a honraria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As celebrações resolveram se estender e, em clima festivo, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – trouxe diversas personalidades do nicho para conversas acaloradas e conexões ímpares. Em sua 20ª edição, o festival seguiu a linha do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=YmMyMTA2M2Y=">Jabuti</a></span><span style="font-weight: 400;"> e contou com presença feminina em peso. A argentina Camila Sosa Villada esteve presente no evento e participou de uma Mesa sobre questões de gênero. A autora de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">O parque das irmãs magníficas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> trouxe interpretações importantes sobre o cenário do ativismo e os estigmas vinculados às travestis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques entre os convidados foi a francesa Annie Ernaux, autora de</span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">O Acontecimento</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?t=r16Q1xvxNSGHoXwvzXZX9A&amp;s=19">Nobel de Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2022. A escritora, que chama atenção com a ascensão do gênero da autossociobiografia, trouxe reflexões importantes em um bate papo ocorrido depois da exibição do filme </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/">Os Anos do Super 8</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se o jeito transgressor de Annie teve voz no festival, os aspectos subversivos nunca se fazem faltantes no Persona. Agora, veja mais das linhas fora da curva indicadas pela nossa Editoria no Estante do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> e aproveite o fim do ano para se deliciar nos tons vibrantes daqueles que as pintam.</span></p>
<p><span id="more-29496"></span></p>
<hr />
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29527" aria-describedby="caption-attachment-29527" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro As intermitências da morte, de José Saramago. A imagem, de fundo amarelo, contém o texto As intermitências da morte, escrito à mão, em tinta preta. Acima, de forma centralizada, em fonte de cor preta, está escrito José Saramago. Abaixo, de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL.jpg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29527" class="wp-caption-text"><strong>Lançado originalmente em 2005, As intermitências da Morte pode ser lido como um ensaio alegórico sobre a finitude (Foto: Companhia das Letras)</strong></figcaption></figure>
<figure id="attachment_29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;"></figure>
<p><b>José Saramago &#8211; As intermitências da Morte (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"><i>No dia seguinte ninguém morreu</i></span><span style="font-weight: 400;">” – </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930344/as-intermitencias-da-morte-nova-edicao">As intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> se inicia assim: de repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. Nessa primeira parte, os paradoxos e discussões filosóficas acerca da ausência da morte são apresentados e a Morte com M maiúsculo, então, decide suspender suas atividades, como forma de punir as pessoas que a negam. Contudo, para falar da morte, é preciso estar vivo; por isso, aqui, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.euronews.com/2022/11/16/centenario-do-nascimento-de-jose-saramago">José Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> personifica a morte em um ser esquelético, de forma irônica e alegórica, revestindo-se da linguagem para cuidar dos diversos destinos que ela pretende cessar (como a epígrafe de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/investigacoes-filosoficas/">Ludwig Wittgenstein</a></span><span style="font-weight: 400;"> anuncia).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, aquilo que, a princípio, parecia uma bondade, na verdade se revela um pesadelo: o fim da morte não é o mesmo que o fim do sofrimento, e aqueles que se encontram “moribundos” – no limiar entre a vida e a morte, doentes e em um eterno estágio terminal – jamais poderão descansar. É, porém, no sétimo capítulo que a própria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.unicep.edu.br/noticia/as-intermitencias-da-morte-de-jose-saramago-foi-tema-do-clica">Morte encaminha uma carta</a></span><span style="font-weight: 400;"> a uma emissora de televisão, a qual deverá ser lida para comunicar seu retorno, agora que sentiram sua ausência. A partir desse momento, todos que estiverem à beira do falecimento receberão uma carta, comunicando o fim da vida. Porém, no capítulo dez de </span><span style="font-weight: 400;"><i>As intermitências da Morte</i></span><span style="font-weight: 400;">, um postal destinado a um violoncelista retorna ao remetente, e neste momento a morte é, de fato, humanizada. Assim, a história se mistura entre o falso e o verossímil, da forma que somente Saramago sabe fazer.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As intermitências da Morte - Clube do Livro Novembro de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7Ej1GxgTHS2iaohX2A7Uro?si=9fd7e974bf244110&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29535" aria-describedby="caption-attachment-29535" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A capa é uma fotografia em um quadra de tênis de saibro. No centro, vemos uma atleta, de blusa e saia brancas, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, sacando. É possível notar várias bolas de tênis no chão ao seu redor na cor amarela. Na parte inferior da imagem está o título “Carrie Soto” em fonte cursiva e, abaixo, “está de volta” em uma fonte sem serifa na cor amarela. No canto superior direito, há a frase “Da aclamada autora best-seller do New York Times" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29535" class="wp-caption-text">“Vivemos em um mundo onde mulheres excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres” (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta (352 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu último lançamento e nono romance, Taylor Jenkins nos leva a um cenário diferente em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">. Após nos contemplar com o mundo do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">surf</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/">rock</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/">Cinema</a></span><span style="font-weight: 400;">, vivenciamos agora a brilhante história de mais uma mulher que nunca existiu: Carrie Soto, a tenista aposentada de 37 anos que decide voltar às quadras para quebrar seu próprio recorde &#8211; ou melhor, não deixar que ninguém o roube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma jornada difícil e surpreendente, a atleta não facilita para ninguém. Com uma carreira marcada por muita teimosia e determinação, não é fácil gostar de Carrie dentro ou fora das quadras, mas é quase impossível não admirá-la. Atrás de seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://esportecerto.com/descubra-os-principais-torneios-de-tenis-ao-redor-do-mundo/">próximo título</a></span><span style="font-weight: 400;"> e agarrando-se como nunca em seu passado vitorioso, a personagem é obrigada a enfrentar sua maior adversária de todos os tempos: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E mais uma vez, Taylor entrega personagens cativantes e, principalmente, imperfeitos. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">, apesar da evidente necessidade de algumas sessões de terapia e boas férias, não há como largar a mão da maior atleta da história para acompanhá-la em uma trajetória que qualquer </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.usp.br/podcast/minuto-saude-mental-15-perfeccionismo-e-doenca/">perfeccionista</a></span><span style="font-weight: 400;"> irá se identificar. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_29534" aria-describedby="caption-attachment-29534" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte esquerda, vemos uma forma retangular roxa, que se estende por toda a capa e se assemelha a uma porta aberta. Ao centro e na parte direita, vemos um retângulo amarelo. No canto superior direito, dentro do retângulo amarelo, vemos as palavras " width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29534" class="wp-caption-text">“Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo (176 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary Katherine, Constance e Julian moram sozinhos na mansão Blackwood. Isso porque, antes de serem só os três, a grande família morreu envenenada por arsênico, e o trio agora vive isolado da cidade, como párias. Sob o ponto de vista fértil de Merrycat (o apelido da caçula), a autora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://literaturapolicial.com/2019/08/08/9-curiosidades-sobre-shirley-jackson-icone-da-literatura-de-horror/">Shirley Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> torna o cotidiano aparentemente monótono de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> um conto de suspense sob as lentes do Horror.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Aos 18 anos de idade, tendo crescido sem convivência com outras pessoas além da família e vendo sua irmã mais velha, Constance, ser inocentada pelo assassinato dos parentes, Mary vê o mundo quase como uma criança. Seu fluxo de consciência imaginativo, mesclando o que presencia objetivamente a seus intrusos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/09/shirley-jackson-sempre-vivemos-no.html">pensamentos</a></span><span style="font-weight: 400;"> acerca do ambiente, das pessoas que cruzam seu caminho e das suas intenções, fica difícil distinguir o que é real. Para a menina, o enxerido primo Charles, que chega desavisado e bagunça a rotina da casa com sua presença expansiva, é um fantasma. Ou um demônio. Ou os dois. Por detrás dos olhos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NQg-nUoMCBo&amp;feature=emb_title">Merrycat</a></span><span style="font-weight: 400;">, a família Blackwood ganha curiosos contornos de dúvida.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> se aproveita justamente da incerteza. A obra, publicada originalmente em 1962 e com uma nova edição em 2022, pela editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Alfaguara</i></span><span style="font-weight: 400;">, nunca apresenta um fato concreto: desde a inocência de Constance quanto a quem está vivo ou não, o livro atiça para as possibilidades e, deixando o leitor inquieto, se desenvolve a partir da não resolução delas. Dona de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/">outros sucessos</a></span><span style="font-weight: 400;"> e uma das </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/gotico-de-shirley-jackson-e-relancado-e-ganha-adaptacao-para-cinema/">maiores influências do gênero</a></span><span style="font-weight: 400;">, Shirley Jackson é mestre em deixar o Terror vir da imaginação de quem se deixa mergulhar na narrativa. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29505" aria-describedby="caption-attachment-29505" style="width: 673px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg" alt="" width="673" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg 673w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-768x1169.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-1009x1536.jpg 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29505" class="wp-caption-text">Recebido pela parceria da Companhia das Letras com o Persona, o romance de estreia de Caio Fernando Abreu ganha um posfácio assinado por <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05998">Natalia Borges Polesso</a> em sua nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Limite branco (200 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.hildahilst.com.br/portfolio/alcoolicas">É crua a vida</a></span><span style="font-weight: 400;">, e a escrita de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00005">Caio Fernando Abreu</a></span><span style="font-weight: 400;"> irrompe em uma tentativa implacável de capturá-la. Sob a luz do próprio amadurecimento do autor, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212262/limite-branco">Limite branco</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">é atravessado por referências de um leitor assíduo e de um coração, pulsante por toda sua obra, ávido à existência e ao sentir. O romance de estreia do escritor é um registro que ressoa sua própria experiência, mascarada pelo personagem e alter-ego Maurício, com as dores e delicadezas do crescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos intercalados, dois momentos da vida do personagem são enquadrados em estilos distintos; nos pares, a infância é rememorada, na terceira pessoa, com o conforto e um sentimento de caseira interioridade, tecida por poetas como Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. Já nos ímpares, se situa um diário íntimo e visceral da adolescência enquanto um período de extrema sensibilidade, no qual os mais simples e oriundos eventos são estopins a deslumbramentos e assombrações, em que a espiritualidade, o afeto e iminência da descoberta são apanhados por pelas palavras que buscam reproduzir a vivacidade dessas emoções, tal qual uma das escritoras favoritas de Caio, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/2018/11/26/a-sombra-da-palavra/">Clarice Lispector</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De uma noite desesperadora de sono tomada por uma sudorese febril a um atestado da presença de Deus, ao observar a rua de sua janela, reluzente depois da chuva, são variados os aspectos do amadurecimento no livro de Caio Fernando Abreu. Escrito quando tinha apenas 19 anos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Limite branco – </i></span><span style="font-weight: 400;">título escolhido com a ajuda de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literaturaeoutrosblues.com.br/2021/07/umacartacaiofernandoabreuehildahilst.html">amiga</a></span><span style="font-weight: 400;"> Hilda Hilst –</span> <span style="font-weight: 400;">foge do comum de romances de formação, como os trânsitos existenciais de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/autores/j-d-salinger">J.D. Salinger</a></span><span style="font-weight: 400;">, para a construção de uma passagem a vida adulta demarcada</span><span style="font-weight: 400;"> pela delicadeza do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://liberoamericamag.com/2017/10/09/o-roteiro-do-silencio-de-hilda-hilst/">silêncio</a></span><span style="font-weight: 400;"> e pela maneira que são borrados os limites: do entre o eu e mundo – tão estranho! – que o cerca. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29533" aria-describedby="caption-attachment-29533" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg" alt="Arte retangular em tons de azul. No canto superior esquerdo, está escrito “New York Times Bestseller” em letra cursiva e na cor azul claro. No centro, está escrito o nome da autora “Clare Vanderpool” em letra cursiva e na cor bege, e também o título do livro “Em algum lugar nas estrelas” em letra cursiva e na cor branca. Ainda no centro, entre o trecho “Em algum” e o trecho “Lugar nas estrelas”, há uma bússola na cor bege. Centralizado, abaixo do título do livro, há um barco na cor branca. Dentro do barco, há um menino, em pé, de camisa branca, e um menino, sentado segurando um remo, de camisa preta. Por toda a arte, há detalhes na cor azul que representam constelações, tais como: Ursa Maior logo abaixo do título, Orion, Lepus, Columba e Taurus no canto superior direito, e Cetus, Phoenix e Toucan no canto superior esquerdo." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29533" class="wp-caption-text">Em algum lugar nas estrelas entra no seleto nicho literário infantojuvenil que faz crianças rirem e adultos chorarem (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Clare Vanderpool &#8211; Em algum lugar nas estrelas (288 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora estadunidense </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.darksidebooks.com.br/clare-vanderpool/p">Clare Vanderpool</a></span><span style="font-weight: 400;">, ao escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas, </i></span><span style="font-weight: 400;">conquista sua licença poética para reiterar uma valiosa lição na convivência humana: o que importa, no fim, são os amigos que se faz no caminho. A obra se consolida como um marco na literatura infantojuvenil, não só pelo fato de ter sido </span><span style="font-weight: 400;"><i>best-seller </i></span><span style="font-weight: 400;">no </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nytimes.com/books/best-sellers/">New York Times</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, mas por ter sido capaz de sensibilizar diversas camadas sociais, desde o Ensino Fundamental até os CLTs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jack se muda para um internato em Maine, além de lidar com as incertezas a respeito de um ambiente desconhecido, deve encarar as facetas melancólicas da morte da mãe e do distanciamento emocional do pai. Apesar do caos silencioso digno da denominação de solidão, ele encontra um candidato ao título de “amigo”: Early Auden, um menino tão discreto e tímido quanto a solitude de Jack. Os dois percorrem, juntos, um caminho de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literalmenteuai.com.br/resenha-em-algum-lugar-nas-estrelas-clare-vanderpool/#:~:text=Em%20algum%20lugar%20nas%20estrelas%20%C3%A9%20sobre%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de,cidade%2C%20no%20interior%20do%20Kansas.">autodescoberta</a></span><span style="font-weight: 400;"> no qual a fantasia e a criatividade infantis se consagram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Clare Vanderpool expõe com maestria as ramificações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://darkside.blog.br/em-algum-lugar-nas-estrelas-mostra-a-sensibilidade-e-o-talento-de-clare-vanderpool/">infância</a></span><span style="font-weight: 400;"> em uma jornada pautada em identidade, pertencimento e memória. Em outros termos, Jack Baker e Early Auden protagonizam a história cuja desenvoltura reside no contraste entre a simplicidade da escrita e a complexidade do tema. A obra é uma experiência que desperta na criança vontade de procurar aventuras extraordinárias e, no adulto, a vontade de buscar o que ficou para trás. De qualquer forma, ambos objetos de desejo podem ser encontrados </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas. </i></span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29500" aria-describedby="caption-attachment-29500" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg" alt="Capa do livro Sócios no Crime, escrito por Agatha Christie. É uma arte com fundo preto. O nome da autora aparece na parte superior, escrito em letra cursiva. No meio da imagem, dois dados aparecem; um está com o número seis em vermelho, o número três e o número cinco em preto; o outro, está com o número seis também está em vermelho, o número dois e o número quatro em preto. Na parte inferior, o título do livro aparece em letras de forma, em caixa alta." width="606" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-473x800.jpg 473w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-768x1298.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-909x1536.jpg 909w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1211x2048.jpg 1211w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1200x2029.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29500" class="wp-caption-text">Com saudade dos seus tempos de aventura e investigação, Tommy e Tuppence retornam em seu segundo livro para resolver um caso de espionagem (Foto: L&amp;PM)</figcaption></figure>
<p><b>Agatha Christie &#8211; Sócios no Crime (279 páginas, L&amp;PM)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de descobrirem o paradeiro de Jane Finn e a identidade de Mr. Brown – o misterioso </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Adversário Secreto</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">–, Tommy e Tuppence estão de volta em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sócios no Crime</i></span><span style="font-weight: 400;">. A coleção de contos escrita por Agatha Christie, lançada em 1929, continua a história da dupla de investigadores recém-casados, que, a pedido de Mr. Carter, da Inteligência Secreta, assume a direção da agência Os Detetives Brilhantes de Blunt.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as personas</span> <span style="font-weight: 400;">do detetive Theodore Blunt e da secretária srta. Robinson, Tommy e Tuppence começam a investigar pequenos casos, enquanto esperam a aparição do espião N°16, comparsa do real Theodore Blunt, que, por sua vez, foi preso por Mr. Carter e sua equipe. E, ao usar técnicas de outros detetives da literatura policial, como as de Sherlock Holmes e de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/">Hercule Poirot</a></span><span style="font-weight: 400;">, o par de aventureiros tenta responder à pergunta: quem seria o espião Número 16? &#8211; </span><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
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<figure id="attachment_29498" aria-describedby="caption-attachment-29498" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins. Na imagem, há o desenho de três corpos negros dançando, em um fundo de cores cinza, branco e preto. Abaixo, próximo ao centro, está escrito Romance, em fonte de cor preta. À direita, está escrito Via Ápia, em fonte de cor branca com contornos pretos, e Geovani Martins, em fonte de cor preta. Abaixo está o logo da editora Companhia das Letras, em cor preta." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29498" class="wp-caption-text">Recebido na parceria com a editora Companhia das Letras, o primeiro romance de Geovani Martins guarda todos os méritos que o consagraram nos contos em 2018 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia (344 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fenômeno imediato desde que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca">O Sol na Cabeça</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2018) foi publicado e um dos convidados da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.flip.org.br/autores/geovani-martins/">Flip</a></span><span style="font-weight: 400;"> deste ano (dividindo uma mesa com a vencedora do Nobel, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a></span><span style="font-weight: 400;">), Geovani Martins vem de Bangu – bairro suburbano do Rio de Janeiro –, mas também morou na Rocinha e Vidigal (onde vive até hoje), comunidades de favelas na zona sul da cidade. Sua experiência pessoal, indissociável de sua obra, se junta à trama de Washington e Wesley em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia">Via Ápia</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, no qual acompanhamos os personagens na Rocinha do antes, durante e depois da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), entre 2011-2013.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos curtos, ao estilo de Machado de Assis – uma das principais referências de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/11/geovani-martins-lanca-primeiro-romance-na-flip-e-participa-de-mesa-com-a-americana-ladee-hubbard.ghtml">Geovani Martins</a></span><span style="font-weight: 400;"> –, enxergamos perspectivas cruzadas, em que cinco jovens (contando Washington e Wesley) vivenciam primeiras experiências no amor, na amizade, no amadurecimento e na inibição de seus próprios sonhos frente a violência instaurada pelo Estado, numa “guerra às drogas” fracassada desde o início. Ao enviar sua tropa de choque à Rocinha, pelos olhos de Martins, o Estado parece apresentar uma única resposta aos problemas da desigualdade social no Brasil: a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, seguindo a narrativa habilidosa de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Via Ápia</i></span><span style="font-weight: 400;">, na qual os diálogos impulsionam a trama, os impactos da UPP na vida dos moradores resvalam em todos os sonhos. Dividido em três partes, acompanhamos a expectativa da comunidade em relação à invasão; a ruidosa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/rocinha-foi-ultima-ocupacao-de-2011-diz-beltrame.html">instalação da UPP</a></span><span style="font-weight: 400;">; e a silenciosa partida da polícia e a retomada dos bailes </span><span style="font-weight: 400;"><i>funk </i></span><span style="font-weight: 400;">que “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fazem o chão da favela tremer</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Criador de diálogos impecáveis e verossímeis, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/a-literatura-e-uma-arma-afirma-o-escritor-geovani-martins-na-flip.shtml">Martins aponta</a></span><span style="font-weight: 400;"> que a resposta dos moradores é e sempre foi outra: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>a vida, sempre ela, nunca a morte</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29506" aria-describedby="caption-attachment-29506" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Gótico Nordestino, do autor Christiano Aguiar. A capa é preta, tem em vermelho o nome do autor no topo e o nome do livro, em branco, abaixo. A ilustração do centro é um círculo que mostra um homem e seu reflexo maligno, montado em animais e segurando armas." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29506" class="wp-caption-text">Gótico Nordestino venceu o Prêmio Clarice Lispector de Contos da Biblioteca Nacional em 2022 (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Christiano Aguiar &#8211; Gótico Nordestino (133 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 9 os brilhantes contos que Christiano Aguiar precisa para situar suas histórias de medo, mistério e morte no interior brasileiro. Afinal, aliado a uma escrita visual e polvorosa, junto da curta duração das tramas, o livro </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/biblioteca-nacional-premia-livros-gotico-nordestino-e-siameses-veja-a-lista.shtml">vencedor do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Contos da Biblioteca Nacional é um prato a ser devorado fumegante, sem espaço para respiros ou breves pausas. De cara, uma pequena travessia entre duas residências é palco de muita tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Onças</i></span><span style="font-weight: 400;">, conto pós-apocalíptico que une a mitologia da epidemia com a fauna nacional, Aguiar coloca na mesa todo seu arsenal literário: emoção se transforma em lamento, que logo se transfigura na surpresa digna de arregalar os olhos e suspender o queixo. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Gótico Nordestino</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o atrativo maior no mar de criatividade do autor e da escassez de narrativas fantasmagóricas e sobrenaturais que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tab.uol.com.br/colunas/lidia-zuin/2022/01/29/horror-a-luz-do-dia-livro-gotico-nordestino-desafia-estereotipos-do-genero.htm">fogem de clichês</a></span><span style="font-weight: 400;"> ou mazelas narrativas.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29532" aria-describedby="caption-attachment-29532" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29532" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Modernismos 1922-2022. A imagem é composta por uma arte que tem um conjunto de números 22 sobrepostos. Os tons vão de rosa a lilás e vermelho a laranja. Ao centro, o nome do livro está grafado em preto. No canto superior esquerdo, está o nome da organizadora. No canto inferior direito, está o logo da editora." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29532" class="wp-caption-text">O centenário da Semana de Arte Moderna também foi lembrado aqui no Persona, através de uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna-no-persona/">série especial</a> que reflete sobre o legado de 1922 na Arte e na Cultura brasileira (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Gênese Andrade (Org.) &#8211; Modernismos 1922 &#8211; 2022 (896 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história do Brasil, poucos eventos são tão culturalmente divisores quanto a Semana de Arte Moderna. Tanto em sua relevância como marco artístico-cultural quanto nas controvérsias sobre o seu caráter disruptivo, o evento de 1922, bem como suas origens e desdobramentos, já são temas constantes no ambiente de discussões do país, mas ocupam </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/podcasts/repertorio-451-mhz/a-semana-de-22-posta-em-questao">um lugar especial</a></span><span style="font-weight: 400;"> em seu centenário, conforme bem identifica </span><span style="font-weight: 400;"><i>Modernismos 1922 &#8211; 2022</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A publicação especial da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;"> para os 100 anos da Semana de 22 é mestre em identificar </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212408/modernismos-1922-2022">as vértices</a></span><span style="font-weight: 400;"> do debate sobre o movimento no país, cujo início oficial é atribuído à série de apresentações, debates, exposições e movimentações que aconteceram na capital de São Paulo entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. São 29 ensaios inéditos, assinados por 29 autores diferentes, que analisam o desenrolar desses 100 anos com direção de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/um-ano-para-repensar-a-semana-de-22/">Gênese Andrade</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de se organizar a partir da experiência de uma das principais referências sobre o tema da atualidade, o livro traz as contribuições de nomes consagrados no ramo do estudo da História e Cultura brasileiras, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2022/11/nossa-historiografia-e-colonial-masculina-e-sudestina-diz-lilia-schwarcz-na-flip.ghtml">Lilia Schwarcz</a></span><span style="font-weight: 400;">, José Miguel Wisnik, Walnice Nogueira Galvão e Regina Teixeira de Barros. Os temas abarcam as representações raciais, locais e de gênero e os discursos políticos, sociais e estéticos das Artes Visuais, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Música</a></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/">Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> e da Arquitetura modernista, olhando para cem anos atrás a fim de compreender cem anos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">à frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_29503" aria-describedby="caption-attachment-29503" style="width: 711px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg" alt="Capa do livro Não há silêncio que não termine da autora Ingrid Betancourt. Na imagem, o fundo é composto por tons de verde que variam na forma de um enorme borrão distorcido. Ao centro, o nome da escritora aparece em letras grandes e vermelhas. Um pouco abaixo, está o título do livro na cor preta. Já na parte inferior, há o subtítulo “Meus anos de cativeiro na selva colombiana” marcado em preto. Por último, o logo da editora Companhia das Letras." width="711" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29503" class="wp-caption-text">Ingrid Betancourt tentou concorrer à presidência da Colômbia <a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2022/05/17/ingrid-betancourt-volta-a-concorrer-a-presidencia-na-colombia.htm">novamente</a> em 2022, mas acabou desistindo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ingrid Betancourt &#8211; Não há silêncio que não termine (556 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, a então candidata à presidência </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/world/2010/sep/18/ingrid-betancourt-i-still-have-nightmares">Ingrid Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;"> era sequestrada pelas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://americasquarterly.org/article/interview-ingrid-betancourt-on-colombia-farc-peace/">FARC</a></span><span style="font-weight: 400;">, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Presa em cativeiro durante seis anos, o seu início promissor na política se desfez, porém, os tormentos vividos na selva colombiana foram registrados na história através do livro </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535917383/nao-ha-silencio-que-nao-termine">Não há silêncio que não termine</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, publicação que selou a relevância internacional do acontecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escrita em primeira pessoa, a autora transporta o leitor para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.npr.org/2010/09/25/130108179/ingrid-betancourts-six-years-in-the-jungle">ambiente inóspito</a></span><span style="font-weight: 400;"> da lama atraente e das folhas sufocantes que a fizeram refém. </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/05/20/ingrid-betancourt-deixa-e-coalizao-de-centro-e-se-candidata-a-presidencia-da-colombia.ghtml">Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;">, habituada com a presença de referências culturais no seu convívio familiar, escolheu um trecho do poema </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para todos</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Pablo Neruda para compor o título e trouxe o dom das palavras de </span><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez para o seu estilo.</span> <b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29508" aria-describedby="caption-attachment-29508" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Céu noturno crivado de balas, do autor Ocean Vuong. Na imagem, o fundo é cinza e há um homem nu sentado de lado no chão, curvado para frente, abraçando suas pernas e apoiando sua cabeça nos joelhos. Há galhos de folhas saindo de suas costas e de seus pés." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-768x1182.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-998x1536.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-1200x1846.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1.jpg 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29508" class="wp-caption-text">Em Céu noturno crivado de balas, Vuong consegue fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras (Foto: <span style="font-weight: 400;"><i>Â</i></span>yiné)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong  &#8211; Céu noturno crivado de balas (227 páginas, Âyiné)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos. Esse foi o tempo em que o poeta vietnamita </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.oceanvuong.com/about">Ocean Vuong</a></span><span style="font-weight: 400;"> passou em seu país de origem antes de migrar para os Estados Unidos com sua mãe e avó – a única família que tinha. Nascido em um país do qual não se lembra, com um pai que nunca chegou a conhecer e fazendo perguntas que nunca poderiam ser respondidas, ele fez o que a maioria de nós faríamos: criou seu passado e parte dessa criação está materializada em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Céu noturno crivado de balas</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trinta e cinco poemas que compõem a obra se dividem em dois grandes temas: a guerra do Vietnã e o amor, e como a guerra e o amor se encontram em diversos pontos. Vuong possui uma capacidade incrível de criar imagens e fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras; escrevendo sobre a batalha, a família ou sobre o sexo, todas as suas composições contêm a aura da perda causada pela violência, pelos mal-entedidos ou pelo simples correr das folhas do calendário. Ao transitar por diversos campos simbólicos, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ayine.com.br/catalogo/ceu-noturno-crivado-de-balas/">Céu noturno crivado de balas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> oferece múltiplas possibilidades de leitura, tratando-se de um processo constante e infinito de elaboração que parte justamente de uma ressignificação da linguagem. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29502" aria-describedby="caption-attachment-29502" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Rota 66 A História da Polícia Que Matava. Na imagem há um policial da divisão ROTA com os braços cruzados e o símbolo da corporação em destaque no ombro direito. A imagem está em preto e branco e o título e subtítulo estão na parte superior direita." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1.jpg 1582w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29502" class="wp-caption-text">Caco Barcellos choca e emociona com a descrição da violência policial (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Caco Barcellos &#8211; Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata (352 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata</i></span><span style="font-weight: 400;"> liga inúmeros assassinatos cometidos pela Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), divisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2022/10/21/caso-que-da-nome-a-rota-66-livro-de-caco-barcellos-foi-escandalo-em-1975-com-execucao-de-jovens-de-classe-alta-de-sao-paulo.ghtml">escândalo de 1975</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela execução de três jovens de classe alta. O caso é investigado a fundo pelo jornalista Caco Barcellos, que descobre um grupo de matadores agindo com o aparente aval da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ganhou o prêmio da categoria Reportagem do Prêmio Jabuti de 1993 e foi adaptado para uma série pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Globoplay </i></span><span style="font-weight: 400;">em 2022. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.record.com.br/produto/rota-66/">Rota 66</a></i></span><span style="font-weight: 400;">  é envolvente a ponto de nos fazer criar uma sensação de cumplicidade com os participantes da trama e choca com a descrição das arbitrariedades cometidas pelos agentes de segurança e pela total falta de confiança entre esses servidores e a população. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29536" aria-describedby="caption-attachment-29536" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Vê se cresce, Eve Brown.Na imagem há a ilustração de uma garota negra de estatura média, ela tem tranças lilás até a cintura e veste uma calça jeans azul clara com uma camiseta verde e um tênis branco. Ao seu lado há a figura de um homem branco de cabelos curtos loiros, ele veste uma calça preta e uma camisa social branca. O fundo é azul e atrás dos personagens tem uma trilha de notas musicais. Na parte superior está escrito em roxo “Da mesma autora de Acorda pra vida, Chloe Brown”. Na porção central aparece o título da obra em roxo e branco. No espaço inferior central aparece o nome da autora em letras brancas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29536" class="wp-caption-text">Recebido do Persona na parceria com a Companhia das Letras, Vê se cresce, Eve Brown é o terceiro livro da trilogia Irmãs Brown (Foto: Companhia das Letras/Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Talia Hibbert &#8211; Vê se cresce, Eve Brown (296 páginas, Paralela/Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eve é a caçula das três </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788584392780/ve-se-cresce-eve-brown-sucesso-no-tiktok">irmãs Brown</a></span><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem a presença de um furacão: imprevisível e capaz de derrubar tudo. Pelo menos é isso que seus pais veêm quando, depois de inúmeras tentativas de definir um rumo para sua vida, a moça não consegue se encontrar em nada – talvez ela nem quisesse isso. Assim, a única opção da mulher de tranças lilás é ir atrás de estabilidade, como prova de que os julgamentos a seu respeito estão errados. É assim que Eve Brown entra de cabeça em uma aventura na qual o autoconhecimento é o destino e nós somos os acompanhantes, carregando sorrisos tímidos no canto da boca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro – traduzido no Brasil por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://comoeuescrevo.com/ligia-azevedo/">Lígia Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> – explora mais do que as nuances de um clichê adorável ao expor o protagonismo autista e se desviar de muitos estigmas. A leitura é fluida e aconchegante, fazendo com que conheçamos aspectos diferentes da representatividade, enquanto nos apaixonamos pelo enredo cativante. No destino de Eve, há muito mais que algumas pombas brancas voando para o lugar errado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto de Talia Hibbert ainda ganha espaço para trabalhar o clássico dos romances juvenis com um </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo-critica/">enemies to lovers</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> extremamente carismático. Ver a protagonista bagunçada e o metódico Jacob Wayne se encontrando nas diferenças abre portas para encarar divergências com outros olhos. Se </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vê se cresce, Eve Brown</i></span><span style="font-weight: 400;"> gostaria que sua personagem fosse um pouco mais madura, isso não só acontece com excelência como também nos engrandece junto dela.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 12:51:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221; &#8211; Silvina Ocampo O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29340" aria-describedby="caption-attachment-29340" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29340" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas foi a aventura do Clube do Livro em Outubro de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221;</span></i></p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Silvina Ocampo</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do ano se aproxima e o Clube do Livro não deixou a peteca cair. Se as </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><span style="font-weight: 400;">relações humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> já permearam mais debates do que conseguimos contar em uma mão, a escolha do mês remexeu a abordagem do tema e desafiou os leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, leitura selecionada para Outubro, tem as relações amorosas como ponto central da maioria de seus 44 </span><a href="https://personaunesp.com.br/homens-sem-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de duração. O livro de Silvina Ocampo, porém, leva o absurdo a sério e o extrapola para explorar os tais relacionamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2022 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, a coletânea de curtas histórias é tão surpreendente quanto é chocante. Ora </span><a href="https://valkirias.com.br/silvina-ocampo/"><span style="font-weight: 400;">sombria</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora cômica, Ocampo invade o costumeiro com o extraordinário e o inesperado. Na subjetividade de deixar seus pontos emaranhados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">situações peculiares</span></a><span style="font-weight: 400;">, escondidos sob o véu da interpretação de cada leitor, a escritora argentina rende material para teorias e debates através da lente do realismo mágico e da </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/borges-bioy-casares-e-silvina-ocampo-elencam-o-melhor-da-literatura-fantastica/"><span style="font-weight: 400;">literatura fantástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando sua testemunha a apenas um passo de descobrir o que não pretende desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra, selecionada graças a parceria do </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Outubro talvez tenha sido o mês da antecipação no campo literário. Anunciada como convidada da Festa Literária Internacional de Paraty &#8211; tema garantido no próximo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, a francesa Annie Ernaux recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela “coragem e acuidade clínica com que descobre as raízes, os distanciamentos e as restrições coletivas da memória pessoal”. Uma das favoritas ao prêmio, Ernaux se tornou apenas a 17ª mulher a vencer a honraria, de 119 ganhadores desde 1901. Após a vitória, ela </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/quem-e-annie-ernaux-ganhadora-donobel-de-literatura-entenda-importancia-da-obra-da-escritora.ghtml"><span style="font-weight: 400;">destacou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deve poder testemunhar &#8220;uma forma de equidade, justiça, em relação ao mundo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mente por trás de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Les Armoires Vides </span></i><span style="font-weight: 400;">(1974), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Anos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) &#8211; esse último, experienciado pelo Clube do Livro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Julho</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, foi honrada pela forma com que mescla suas experiências de vida a temas de interesse coletivo, cunhado como “autosociobiografia”. Na primeira obra, por exemplo, a escritora reflete sobre </span><a href="https://grabois.org.br/2022/10/06/annie-ernaux-um-nobel-para-a-literatura-de-esquerda/"><span style="font-weight: 400;">classes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma inconstante França ao passo que narra seu próprio cotidiano no empreendimento da família no interior do país. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> simples e direta, “cristalina”, de Ernaux também pode ser mencionada com um dos motivos do envolvimento arrebatador de seus textos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do âmbito global ao nacional, a antecipação se estendeu ao Prêmio Jabuti: um dos maiores reconhecimentos da Literatura e do mercado editorial brasileiro revelou seus </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/25/premio-jabuti-divulga-finalistas-de-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">finalistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última semana do mês. Dentre os </span><a href="https://www.premiojabuti.com.br/noticias/confira-os-10-finalistas-de-todas-as-categorias-do-61%C2%BA-pr%C3%AAmio-jabuti/"><span style="font-weight: 400;">10 concorrentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada categoria, divididas nos eixos de Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, a de Romance Literário se destacou. Com 8 dos 10 nomes que chegaram ao corte final sendo autoras mulheres, a lista dos 5 indicados ao troféu foi ainda mais positivo. Mas isso é tema para o próximo mês. Dentre as menções, Natalia Borges Polesso concorreu pela terceira vez (a segunda na categoria), agora com </span><i><span style="font-weight: 400;">A extinção das abelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Andréa del Fuego, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A pediatra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambas conhecidas do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">também integraram a lista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1593016930440708098?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">língua portuguesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo, o Prêmio Camões 2022 laureou o ensaísta e poeta Silviano Santiago. Autor dos ensaios </span><i><span style="font-weight: 400;">O entre-lugar do discurso latino-americano</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O cosmopolitismo do pobre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As raízes e o labirinto da América Latina</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor mineiro levou seis vezes o Prêmio Jabuti e o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Agora, soma o Camões a sua estante, pelo conjunto de sua obra. Dentre os cotados do Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/24/silviano-santiago-vence-premio-camoes-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Santiago</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o 14º brasileiro a fazer parte da curta lista de vencedores; em 2021, quem recebeu a honraria foi Paulina Chiziane, de Moçambique.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre reconhecimentos e antecipações, o Clube do Livro segue atento aos próximos destaques vindos do Jabuti e aos </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/com-autores-engajados-flip-2022-apostou-na-pluralidade-de-vozes/"><span style="font-weight: 400;">debates fundamentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> suscitados na </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/flip-radicaliza-proposta-de-diversificar-convidados-e-editoras-fora-do-eixo.shtml"><span style="font-weight: 400;">Flip 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pautarão a Literatura pelos próximos meses. Enquanto isso, é a Editoria do Persona quem indica as leituras do final do ano.</span></p>
<p><span id="more-29308"></span></p>
<hr />
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29321" aria-describedby="caption-attachment-29321" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29321 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg" alt="Capa do livro As convidadas, de Silvina Ocampo. Na imagem colorida, há o desenho de uma mulher amarela em que, no lugar do rosto, há um buraco de cor azul com uma escada de cor vermelha na qual uma outra mulher amarela, vestindo blusa verde e calça azul, está subindo. Na parte superior, de forma centralizada, está escrito Silvina Ocampo, em fonte de cor preta, e abaixo As convidadas, em fonte de cor branca. À esquerda, há cinco círculos azuis, nos quais os dois primeiros representam um nascer do sol, o terceiro apresenta uma mão branca pegando o que seria a representação do sol, e o quarto e o quinto uma boca comendo esse mesmo sol. À direita, de forma vertical, está o logo da editora Companhia das Letras, em cor branca. O fundo da imagem é vermelho." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29321" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas reúne 44 contos curtos que mesclam horror e humor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Silvina Ocampo &#8211; As convidadas (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora historicamente sua fama tenha sido ofuscada de forma injusta por Adolfo Bioy Casares (seu marido) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> (seu amigo) – dois autores que, além de próximos familiarmente, fizeram parte do mesmo movimento literário em Buenos Aires –, em diversos momentos Silvina Ocampo redige trabalhos plenamente superiores aos dos dois. Ao contrário dos seus contemporâneos – que utilizavam a fantasia em um ambiente totalmente imaginado, por vezes universos paralelos –, Ocampo infecta o doméstico com o estranho, sendo a precursora de algumas das autoras de maior renome na atualidade (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/carmen-maria-machado-explora-limites-do-metoo-em-livro-sobre-relacao-abusiva.shtml"><span style="font-weight: 400;">Carmen Maria Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2021/04/mariana-enriquez-investiga-chagas-espirituais-e-familiares-em-novo-livro.shtml"><span style="font-weight: 400;">Mariana Enriquez</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://elpais.com/argentina/2022-11-17/samanta-schweblin-gana-el-national-book-award-de-traduccion-por-siete-casas-vacias.html"><span style="font-weight: 400;">Samanta Schweblin</span></a><span style="font-weight: 400;"> são apenas alguns exemplos). Mas, no que se convencionou chamar de “Literatura Fantástica”, Silvina Ocampo é um nome imprescindível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez menos visceral que </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932607/a-furia"><i><span style="font-weight: 400;">A fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1982) – em que os sonhos são convertidos em pesadelos e dão espaço ao cenário de Terror –, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/silvina-ocampo-em-as-convidadas-comprova-imaginacao-exuberante.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado emblemático por sua maturidade estilística, mesmo que ainda atravessado por elementos insólitos e perturbadores. Originalmente publicado em 1961, este é o segundo livro da autora argentina lançado no Brasil pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, e reúne 44 contos breves nos quais fantasmas emergem de fotos, crianças surdas-mudas criam asas e voam, cujo absurdo surge para acabar com a monotonia dos dias cotidianos (talvez uma maneira de dizer que a rotina é repleta de casos fantásticos). Contudo, a graça de ler seus contos está na composição: existem sempre duas histórias sendo contadas, a de fato escrita e a não-escrita, nas entrelinhas. O clímax é quando essas duas linhas narrativas colidem – mas </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/silvina-ocampo-narra-a-perda-da-ingenuidade-em-as-convidadas/"><span style="font-weight: 400;">Silvina Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre adia esse acontecimento.</span></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29322" aria-describedby="caption-attachment-29322" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29322 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro O idiota, de Fiódor Dostoiévski. Na imagem, há um fundo azul com a ilustração da sombra de um homem jovem. Há um retângulo vermelho sobre seus olhos. Abaixo, há uma linha branca com os escritos Penguin Companhia em fonte de cor preta, e o desenho de um pinguim ao centro. Mais abaixo, há uma faixa preta, com os escritos Clássicos em fonte de cor branca, Fiódor Dostoiévski em fonte de cor laranja e O idiota abaixo, em fonte de cor branca." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-768x1181.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-999x1536.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1332x2048.jpg 1332w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1200x1845.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-scaled.jpg 1665w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29322" class="wp-caption-text">Com uma nova tradução diretamente do russo 20 anos depois da primeira lançada no país, O idiota é um retrato de alienação (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Fiódor Dostoiévski &#8211; O idiota (944 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tido como um dos principais romances da chamada “fase de ouro” de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02809"><span style="font-weight: 400;">Fiódor Dostoiévski</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crime e castigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1866), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os demônios </span></i><span style="font-weight: 400;">(1871) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os irmãos Karamazov</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1880) –, </span><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1869) ressurge no Brasil sob nova tradução de Rubens Figueiredo. Recebido pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> através da parceria com a editora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro traz como protagonista o príncipe Míchkin – uma alegoria dos ideais cristãos –, como forma de se contrapor às concepções niilistas dominantes no período, que foram bem retratadas em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932324/pais-e-filhos"><i><span style="font-weight: 400;">Pais e filhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) de Turgueniev ou no Raskólnikov, personagem mais famoso de Dostóievski.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em parte romance de ideias, em parte romance de costumes, a obra mais autobiográfica do autor russo traz a trama de um jovem de 26 anos que acaba de retornar a São Petersburgo após permanecer vários anos em um sanatório na Suíça, para tratar sua epilepsia. O tema central de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582852392/o-idiota"><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parece ser a problemática do indivíduo “puro”, superior, que acaba, numa sociedade com valores corrompidos, sendo visto como um idiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma como Dostoiévski, enquanto pensador político, coloca sempre a sua última esperança numa regeneração vinda do seio da comunidade popular, Míchkin é, por assim dizer, um herói – uma mescla de Jesus Cristo e Dom Quixote –, cuja compaixão sem limites se choca com o desregramento mundano de Rogójin e a “beleza enlouquecedora” de Nastácia Filíppovna. Sua bondade e o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/11/dostoievski-e-flaubert-implodiram-o-narrador-tradicional-e-criaram-o-romance-moderno.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacto da sua sinceridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> revela ao leitor, de forma trágica, que sob um mundo obcecado por dinheiro, poder e conquistas materiais, o sanatório acaba sendo o único lugar para uma figura divina. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29323" aria-describedby="caption-attachment-29323" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29323 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Hiroshima. Sob um fundo azul escuro, do lado esquerdo, na vertical e de baixo para cima, vemos as palavras &quot;JOHN&quot; E &quot;HERSEY&quot; em uma fonte sem serifa, em caixa alta, na cor verde. As duas palavras são cortadas pela palavra &quot;HIROSHIMA&quot;, escrita na horizontal no centro da capa, em uma fonte serifada em vermelho. Acima de &quot;Hiroshima&quot;, vemos o trecho &quot;A mais importante reportagem do se´culo XX: um retrato de seis sobreviventes da bomba atômica, um ano depois da explosão e quarenta anos mais tarde&quot; em uma fonte branca. Do lado inferior direito, vemos o logo da Companhia das Letras." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29323" class="wp-caption-text">Com uma nova edição em 2002, publicada pela Companhia das Letras, o jornalismo literário de Hiroshima fez de John Hersey um dos precursores do New Journalism (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b> John Hersey &#8211; Hiroshima (176 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas um ano depois da primeira bomba atômica lançada pelos Estados Unidos deixar cerca de 70 mil mortos em Hiroshima, em 1945, John Hersey publica o </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/1946/08/31/hiroshima"><span style="font-weight: 400;">artigo homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> à cidade japonesa no conceituado </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">. A matéria reconstituia o momento exato da explosão sob o ponto de vista de pessoas que a experienciaram. Pensado para ser veiculado em três partes, tamanho foi o sucesso do texto que os então editores da revista decidiram publicá-lo na íntegra, o que tomou todo o espaço daquela edição semanal. Após quarenta anos, Hersey retornou à cidade e completou </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo se tornou um livro, publicado no Brasil pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2002. Na obra dividida em cinco partes, seis </span><i><span style="font-weight: 400;">hibakushas</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como eram chamados os sobreviventes da bomba atômica &#8211; dão nome, sobrenome e endereço às consequências do ataque à Hiroshima. O autor e jornalista estadunidense </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/john-hersey-the-writer-who-let-hiroshima-speak-for-itself"><span style="font-weight: 400;">serve mais como mediador</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que como contador da história e se afasta da estrutura do jornalismo para dar voz aos seus personagens: as divisões abordam o que os seis faziam antes da explosão; no momento exato da tragédia; no dia seguinte, com início da investigação e as primeiras notícias sobre o que havia acontecido; semanas após o ataque, com as pessoas dando os primeiros passos para seguir em frente; e quatro décadas depois do ocorrido, para acompanhar como os sobreviventes seguiram ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com sua </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/04/29/john-hersey-and-the-art-of-fact"><span style="font-weight: 400;">bagagem como repórter</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também como escritor de não-ficção, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer em 1945, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima </span></i><span style="font-weight: 400;">John Hersey uniu Literatura e Jornalismo em uma das obras precursoras do </span><i><span style="font-weight: 400;">New Journalism</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="http://www.blog44.ca/kaiar/2021/12/06/herseys-new-journalism-style-is-the-reason-hiroshima-is-so-powerful/"><span style="font-weight: 400;">linguagem descritiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tocante &#8211; na versão brasileira, mérito da tradução de Hildegard Feist -, cheia de adjetivos e estruturada de forma semelhante a um romance é também permeada pelas boas práticas profissionais do autor, com uma apuração profunda e um trabalho cuidadoso junto às fontes, e potencializou o jornalismo para contar a história intimamente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29325" aria-describedby="caption-attachment-29325" style="width: 562px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29325 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg" alt="Capa do livro A guerra que salvou a minha vida da autora Kimberly Brubaker. A arte de capa se assemelha a um diário coberto por retalhos e botões onde ao meio se encontra um desenho de uma garota, posicionada de costas, que vislumbra um cenário de destruição à sua frente. As cores do livro são terrosas e variam entre o roxo, o marrom e o azul. No canto inferior direito, há um retângulo na cor azul claro com as escritas dos nomes da autora, da obra e da editora, respectivamente em preto, branco e preto." width="562" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg 562w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1-552x800.jpg 552w" sizes="auto, (max-width: 562px) 85vw, 562px" /><figcaption id="caption-attachment-29325" class="wp-caption-text">A sequência, A guerra que me ensinou a viver, chegou às prateleiras brasileiras em 2018 (Foto: Editora Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Kimberly Bradley &#8211; A guerra que salvou a minha vida (240 páginas, Editora Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado no cenário de destruição da Segunda Guerra Mundial, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A guerra que salvou a minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a visão fictícia de Ada, uma garota de apenas 10 anos, sobre um dos maiores acontecimentos históricos do século passado. Publicado há cinco anos no Brasil, o enredo da autora de obras infanto-juvenis, </span><a href="https://www.coisasdemineira.com/2018/02/entrevista-com-kimberly-bradley-autora/"><span style="font-weight: 400;">Kimberly Bradley</span></a><span style="font-weight: 400;">, traça um desenvolvimento de personagem incomum para a categoria, por se tratar da junção entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX8BJAFiF-c"><span style="font-weight: 400;">caos e inocência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Wall Street Journal</span></i><span style="font-weight: 400;"> afirma ser “Dolorosamente adorável”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letras.biblioteca.ufrj.br/a-guerra-que-salvou-a-minha-vida-the-war-that-save-my-life-de-kimberly-brubaker-bradley/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se constrói como um diário, os bombardeios a Londres se assemelham à trincheira interna da protagonista, habituada aos maus tratos e à prisão imposta por sua própria mãe, que nunca a deixou sair de casa. Caminhando pela linha tênue que divide a realidade cruel e a idealização de fatos nada fantasiosos, Bradley consegue captar toda a atenção para a sua escrita, ao mesmo tempo que revela uma diversidade de sentimentos para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">leitor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner </b></p>
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<figure id="attachment_29330" aria-describedby="caption-attachment-29330" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29330 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg" alt="" width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-1061x1536.jpg 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1.jpg 1769w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29330" class="wp-caption-text">A autora Saidiya Hartman dialogou acerca das experiências negras na América com a historiadora Rita Segato e a pensadora Djamila Ribeiro, na edição comemorativa de 20 anos da Flip (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Saidiya Hartman &#8211; Vidas rebeldes, belos experimentos (432 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca de firmar as memórias e experiências de pessoas pretas nas consequências da diáspora negra pelas Américas, a professora e autora estadunidense </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/saidiya-hartman/"><span style="font-weight: 400;">Saidiya Hartman</span></a><span style="font-weight: 400;"> constituiu um método próprio de reescrever essas tortuosas trajetórias. </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/vidas-rebeldes/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes, belos experimentos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a sua tentativa bem sucedida de historicizar narrativas queer, femininas e negras de liberdade no norte americano depois da abolição da escravatura. Utilizando de sua metodologia de ‘</span><a href="https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/vidas-rebeldes-belos-experimentos-e-um-livro-provocador-e-necessario/#:~:text=escrita%2C%20chamado%20de%20%E2%80%9C-,f%C3%A1bula%20cr%C3%ADtica,-%E2%80%9D.%20Em%20suma%2C%20%C3%A9"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">’</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Hartman realiza uma montagem de </span><a href="https://thecreativeindependent.com/people/saidiya-hartman-on-working-with-archives/"><span style="font-weight: 400;">arquivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. F</span><span style="font-weight: 400;">otografias, documentos judiciais e recortes de jornais buscam por uma junção de histórias referentes a inúmeras pessoas dos cinturões negros da Filadéfia e de Nova York, traçar a revolucionária rebeldia das biografias de mulheres pretas no início do século XX. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da História da sobrevida da escravidão nos centros urbanos estadunidenses – contada a partir de corredores de moradas coletivas, escadas escuras e becos hostis –, à integração de nomes conhecidos, como Billie Holiday e </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/conto-futurista-do-seculo-19-discute-pensamento-negro/"><span style="font-weight: 400;">W.E.B Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/na-flip-saidiya-hartman-defende-continuidade-de-politicas-antirracistas.shtml#:~:text=%22Eu%20usei%20da%20especula%C3%A7%C3%A3o%20e%20da%20imagina%C3%A7%C3%A3o%20para%20conseguir%20contar%20essas%20hist%C3%B3rias%20imposs%C3%ADveis.%20E%20fiz%20isso%20atrav%C3%A9s%20de%20uma%20fabula%C3%A7%C3%A3o%20capaz%20de%20esticar%20os%20limites%20dos%20documentos%20existentes.%22"><span style="font-weight: 400;">relatos especulativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro fazem jus ao que movia essas vivências experimentais de sexualidade e gênero em um ambiente projetado, em sua ordem social e trabalhista, a ser uma continuidade do espaço das plantations sulistas. Na análise de fotografias – majoritariamente feitas por homens brancos –, Hartman procura rasgar a superfície falsamente imparcial da ciência e da etnografia com o intuito de ecoar a sinfonia de violências acometidas por detrás do momento fotográfico; imaginando o que faziam de suas vidas, como vieram parar ali e quais seriam os seus caminhos de vingança, subversão e reiteração de seus próprios corpos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">nos ecos de um exercício transgressivo de escrita histórica feito anteriormente por </span><a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/215293"><span style="font-weight: 400;">Toni Morrison</span></a><span style="font-weight: 400;">, procura pelo protagonismo de prostitutas, sapatonas, anônimas e andarilhas; </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/as-cidades-e-as-coisas/a-recusa-da-condicao-subalterna"><span style="font-weight: 400;">mulheres que escapavam</span></a><span style="font-weight: 400;"> do olhar fotográfico, etnográfico e científico que as tornariam subalternas. A não-ficção de Saidiya Hartman é uma linha de fuga que engrandece a </span><a href="https://www.moma.org/audio/playlist/298/4088#:~:text=I%20think%20that%20artistic%20practice%20becomes%20the%20exercise%20of%20imagining%20beauty%20and%20what%20it%20might%20make%20possible%20in%20the%20world."><span style="font-weight: 400;">beleza dos vestígios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma cartografia dos atos íntimos, que transformaram os mais despercebidos espaços em laboratórios de liberdade. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29338" aria-describedby="caption-attachment-29338" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29338 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro Violeta de Isabel Allende. Na imagem, há o desenho de uma mulher branca de cabelos curtos castanhos e olhos verdes, ela está virada de perfil para a esquerda. Ao fundo, há a cor amarela sólida com ramos verdes e três rosas brancas. O nome da autora está centralizado em letras de forma branca, logo abaixo há o nome do livro em letras amarelas. Na porção inferior está o logo da editora." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1.jpg 1726w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29338" class="wp-caption-text">Violeta é, na voz de uma mulher apaixonada, um texto capaz de ser alvo do amor do leitor (Foto: Bertrand Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Isabel Allende &#8211; Violeta (322 páginas, Bertrand Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora chilena Isabel Allende escolhe nos mostrar a protagonista a partir das palavras que ela escreve em uma carta destinada ao amor de sua vida. O título, traduzido no Brasil por Ivone Benedetti, narra a história da personagem passando por diversos momentos históricos que mudaram os caminhos da sociedade. Violeta nasceu durante a ascensão da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46358947"><span style="font-weight: 400;">Gripe Espanhola</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1920, e sua morte escolheu chegar em um momento tão dramático quanto: a pandemia de Covid- 19 em 2020. A protagonista nasceu em uma família tradicional católica, mas se mostra um contraponto moldado pela perseverança, coragem e senso de justiça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto passeia pelas facetas da própria vida, Violeta nos internaliza a personagens e experiências únicas que se passam em um lugar genérico – como se tivesse sido feito unicamente para abarcar os fascínios de seus 100 anos de vida. Apesar de não poder ser nomeado, vivem nesse país todas as verdades da sociedade, tendo destaque a luta pelos direitos das mulheres. Entre tantas multiplicidades sinceras, o texto é uma experiência única e apaixonante. Nas palavras de uma mulher que ama, </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/10106117/"><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos compartilha em intimidade todos os segredos do mundo. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_29329" aria-describedby="caption-attachment-29329" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29329 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg" alt="Capa do livro Jantar Secreto. No centro da capa há um prato branco como se estivesse sendo visto de cima, em cima dele há o título do livro (em preto) e o nome do autor (em vermelho). Na beirada do prato, há a marca em sangue de três dedos e algumas gotas abaixo do prato. O fundo da imagem é branco e, no centro da parte inferior está o nome da editora. " width="678" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-768x1159.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-1018x1536.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1.jpg 1023w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29329" class="wp-caption-text">Com Jantar Secreto, Raphael Montes forma um exército de vegetarianos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raphael Montes &#8211; Jantar Secreto (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem entra em um restaurante que serve carne de gaivota porque tinha provado e gostado alguns anos antes. Ao finalizar a refeição, vai para casa e se suicida. Por que isso aconteceu? Esse é o enigma responsável pelo desenrolar da história incrível que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tratando-se de uma obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;">, é</span> <span style="font-weight: 400;">simples deduzir que o livro é imensamente inteligente, não falhando em explorar as diversas facetas do ser humano, seus limites de ética, sua ganância e hipocrisia.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro pode não ter sido baseado em fatos reais, mas não deixa abordar algo que poderia acontecer a qualquer momento. O autor descreve o cenário de crise do Rio de Janeiro e a facilidade de instalar um sistema de corrupção em uma sociedade que é naturalmente desonesta, desigual e manipulável. É uma história de muitas camadas, com uma crítica social escancarada e personagens extremamente complexos. Para quem gosta de narrativas surpreendentes, com muitas reviravoltas</span> <span style="font-weight: 400;">e altos níveis de emoção, esse é o livro certo. Uma boa leitura e muito cuidado para não ser manipulado pela Equipe Carne de Gaivota. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29326" aria-describedby="caption-attachment-29326" style="width: 483px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29326 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/confeitaria-escalafobetica-1.jpg" alt="Capa do livro Confeitaria Escalafobética apresenta o rosto da autora, uma mulher branca, de cabelos pretos compridos divididos para a esquerda e franja, usando um batom vermelho vivo e um chapéu branco com faixa vermelha cortado na frente e expõe que seu interior é de bolo. O fundo é um azul claro esverdeado, com Raíza Costa e sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim escrito em rosa e branco no topo e Confeitaria Escalafobética, em dourado, na parte inferior." width="483" height="634" /><figcaption id="caption-attachment-29326" class="wp-caption-text">Com um trabalho singular, Raíza Costa ensina o passo a passo de diversas sobremesas em Confeitaria Escalafobética (Foto: Senac)</figcaption></figure>
<p><b>Raíza Costa &#8211; Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim (378 páginas, Senac)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adicione uma xícara de singularidade. Depois acrescente duas colheres de relatos pessoais. Misture com um trabalho gráfico deslumbrante e leve em fogo médio até infusionar. Assim que levantar fervura, o ganhador do </span><a href="https://www.cookbookfair.com/"><span style="font-weight: 400;">prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Gourmand</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Livro de Confeitaria estará pronto. Em síntese, tudo isso resume o que é a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim</span></i><span style="font-weight: 400;">, de autoria da artista visual e chef confeiteira, Raíza Costa.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro contempla inúmeras receitas com o passo a passo descrito minuciosamente para quem não domina técnicas de gastronomia ou busca se aprimorar nelas. Somado a isso, o design gráfico da peça e o quadro </span><i><span style="font-weight: 400;">Errar é Humano</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentado por Lancelote, o cachorro de Raíza, contribuem para a compreensão do leitor e imersão no </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/raiza-costa-tokstok-maternidade-comida-politica/"><span style="font-weight: 400;">universo lúdico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora. Antes de explicar os preparos de uma sobremesa, a escritora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz um relato pessoal, que demonstra seu lado afetivo com o mundo gastronômico.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra objetifica os trabalhos audiovisuais de Raíza, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha da Cocada</span></i><span style="font-weight: 400;">, no </span><i><span style="font-weight: 400;">GNT</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Doulce Delight</span></i><span style="font-weight: 400;">, o primeiro canal </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> dedicado exclusivamente a confeitaria. No livro, a autora apresenta algumas receitas originais e outras clássicas, como o famoso </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=1wSquygtVzE"><span style="font-weight: 400;">bolo molhadão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria-prima</span></i><span style="font-weight: 400;"> ensina os aspirantes a confeiteiros a produzir queijo mascarpone, açúcar perolado, corantes naturais, entre outros tantos produtos utilizados na feitura dos doces, mas não tão fáceis de se encontrar nos mercados. &#8211; </span><b>Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_29327" aria-describedby="caption-attachment-29327" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29327 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Era uma Vez em Hollywood. Uma capa branca que tem os escritos &quot;Era uma vez em Hollywood&quot; com Hollywood sublinhado e &quot;Quentin Tarantino&quot; escrito embaixo. Acima do título há escrito &quot;O novo livro baseado no filme&quot;. Embaixo, há três fotos, dos personagens de Margot Robbie, uma mulher loira que veste moletom preto e saia branca. Ela está sentada em uma cadeira com os pés descalços apoiados em outro. Ao lado, o personagem de Brad Pitt. Um homem branco e loiro que veste uma camisa florida amarela e um óculos escuro. Ele está em um carro com a mão esquerda para fora. Abaixo dele, o personagem de Leonardo Dicaprio, um homem branco que veste chapéu branco, camisa branca e jaqueta de couro." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1.jpg 1653w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29327" class="wp-caption-text">Obra é uma das poucas que fez o caminho inverso das adaptações (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Quentin Tarantino &#8211; Era Uma Vez Em Hollywood (559 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo de chegar em seu </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159443/"><span style="font-weight: 400;">derradeiro 10° filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, Quentin Tarantino começa a expandir sua área de atuação para além do Cinema. Claro que, depois de nove filmes e anos na indústria, seria difícil se desvencilhar dela tão rápido assim, por isso, sua primeira incursão na literatura é uma novelização de sua última produção, de mesmo nome. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez Em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma expansão do interessantíssimo cenário já explorado em tela, seguindo a história de Cliff Both, Sharon Tate e Rick Dalton, tendo como ponto de partida a decadência de Dalton na Los Angeles de 1969 que nos foi apresentada em 2019.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Servindo como uma versão mais aprofundada do roteiro, o livro tem o ritmo único que só Tarantino consegue ditar, além de ótimas pegadas de humor. É interessante notar como, aqui, o autor também consegue transformar ainda mais a própria Los Angeles em um personagem, explorando a influência dela em suas figuras, desde os principais até os hippies esquisitões que ficaram de lado no audiovisual. É uma leitura bem menos caótica que suas obras no Cinema, mas que compensa ao constantemente referenciar a Sétima Arte e a TV. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais que um roteiro comercializado, é uma extensa carta de amor à indústria. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_29337" aria-describedby="caption-attachment-29337" style="width: 641px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29337 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg" alt="Capa da história em quadrinhos Senhor Milagre mostra um homem que veste uma fantasia amarela e vermelha da cabeça aos pés, com uma capa verde nas costas. Ele olha para a frente com os olhos brancos abertos e a boca semiaberta, tenso. Ao seu redor, vários cabos metálicos prendem seu corpo, tornando quase impossível que consiga escapar. Atrás dele, vemos uma cortina vermelha e, em primeiro plano, vemos algumas cabeças na audiência, ansiosos para ver se o artista de fuga conseguirá escapar dessa vez. " width="641" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg 641w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-501x800.jpg 501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-768x1227.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-961x1536.jpg 961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1.jpg 1602w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29337" class="wp-caption-text">A HQ levou o Eisner de Melhor Minissérie em 2019 (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Tom King &amp; Mitch Gerads &#8211; Senhor Milagre Vol. 1 e 2 (Panini, 308 páginas) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sobreviver aos deveres de uma divindade, às mil e uma tarefas da paternidade e ainda lidar com uma saúde mental em frangalhos? É a partir dessa premissa que o roteirista </span><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/watchmen-tom-king-rorschach"><span style="font-weight: 400;">Tom King</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhado da arte de Mitch Gerads, faz um excelente estudo de personagem focado no Senhor Milagre, o artista de fuga criado originalmente pelo fenomenal Jack Kirby, ao longo das 12 edições homônimas ao protagonista, que foram condensadas em 2 edições publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie escrita por King consegue lidar com o trauma geracional carregado por seu personagem-título com grande empatia, conciliando esse tema tão sensível com humor e um romance de aquecer o coração. A arte de Gerads presta uma bela homenagem ao trabalho de </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/as-10-maiores-criacoes-de-jack-kirby-o-rei-dos-quadrinhos"><span style="font-weight: 400;">Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda faz um excelente uso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">glitches</span></i><span style="font-weight: 400;"> para mostrar quão deteriorada está a saúde mental de Scott Free. Emotiva, épica e bem-humorada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores obras publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao longo dos últimos anos. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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