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	<title>Arquivos Distopia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Geopolítica do Ódio em Pluto</title>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2024 14:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Flora Vieira Pluto, anime distribuído pela Netflix e produzido pelo Studio M2, é a adaptação do mangá homônimo escrito e ilustrado por Naoki Urasawa, mangaká responsável também por outros sucessos, como Monster e 20th Century Boys. O mangá e sua adaptação escolhem recontar The Greatest Robot On Earth, uma das várias histórias de Astro Boy, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pluto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Geopolítica do Ódio em Pluto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33351" aria-describedby="caption-attachment-33351" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-800x450.png" alt="Na imagem, Astro Boy, ou Atom, como é chamado na série. Foi retirada diretamente da animação, na qual o personagem Atom veste uma capa de chuva amarela e carrega consigo uma mochila vermelha nas costas; ele está encapuzado, mas tem seu rosto à mostra: é branco, possui cabelo preto e olhos castanhos. Atrás dele, um cenário desfocado do que parecem ser árvores e o céu." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-2.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33351" class="wp-caption-text">Em Pluto, os personagens de Tezuka são redesenhados e reimaginados (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Flora Vieira</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pluto, </span></i><span style="font-weight: 400;">anime distribuído pela Netflix e produzido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio M2</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a adaptação do mangá homônimo escrito e ilustrado por Naoki Urasawa, mangaká responsável também por outros sucessos, como </span><a href="https://www.omelete.com.br/anime-manga/tudo-sobre-monster-anime-netflix"><i><span style="font-weight: 400;">Monster</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">20th Century Boys</span></i><span style="font-weight: 400;">. O mangá e sua adaptação escolhem recontar </span><i><span style="font-weight: 400;">The Greatest Robot On Earth</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das várias histórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Astro Boy</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita e publicada pelo lendário </span><a href="https://tezukaosamu.net/en/other/112.html"><span style="font-weight: 400;">Osamu Tezuka</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1965. No anime, nós acompanhamos Gesicht, um robô detetive que passa a investigar assassinatos de robôs e cientistas que, de alguma forma, estão interligados a um conflito geopolítico global ocorrido anos antes.</span></p>
<p><span id="more-33350"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto</span></i><span style="font-weight: 400;">, é interessante entender a obra que ele adapta. Na história de Tezuka, os sete robôs com a tecnologia mais avançada do mundo são caçados um a um por Pluto, um robô criado por um sultão, que o cria para que ele se torne o Rei dos Robôs e seja decretado superior aos outros. A história de Urasawa, escrita </span><a href="https://ovicio.com.br/pluto-manga-sera-republicado-no-brasil-em-dezembro/"><span style="font-weight: 400;">entre 2003 e 2009</span></a><span style="font-weight: 400;">, acolhe a base da história original e constrói uma trama mais complexa, explorando de forma ainda mais profunda os temas já pincelados pela obra. Outra mudança importante é a de protagonismo: enquanto na história da década de 1960 ele é de Astro Boy, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">ele é do robô detetive.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A alteração de personagem principal permite a Naoki Urasawa o desenvolvimento de uma trama de mistério, que evolui conforme acompanhamos o desenrolar da investigação, em conjunto com os dilemas pessoais do protagonista e visões estranhas que o perturbam. Enquanto </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/filmes-e-series/pluto-como-o-anime-da-netflix-se-conecta-a-astro-boy-1.3263786"><i><span style="font-weight: 400;">The Greatest Robot On Earth</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tem maior foco nas lutas e na ideia clássica de derrotar o vilão principal, as oito horas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto </span></i><span style="font-weight: 400;">permitem que a série trabalhe mais com as nuances e pormenores daquele universo, em que robôs têm direitos quase que equivalentes aos dos seres humanos, sentem emoções e são tão capazes de atrocidades quanto nós.</span></p>
<figure id="attachment_33352" aria-describedby="caption-attachment-33352" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1-800x565.jpg" alt="Na imagem, Mont Blanc observa os robôs mortos por ele e seus companheiros no 39º Conflito da Ásia Central.  Foi retirada do mangá de Pluto em preto e branco, em que, numa perspectiva panorâmica, é possível ver vários robôs enfileirados e destruídos num chão de aparência desértica. No canto inferior esquerdo da imagem, um robô, maior e mais forte que os do chão, usando uma capa, está sentado de costas, observando o ambiente, acompanhado de um homem que veste um colete à prova de balas." width="800" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1-800x565.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1-1024x724.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1-768x543.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33352" class="wp-caption-text">O mangá de Pluto foi produzido na esteira de outras obras em homenagem ao personagem Astro Boy (Foto: Shogakukan Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra mudança relevante se deve ao contexto histórico de publicação do mangá. Naquele momento, acontecia no Oriente Médio a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/os-eua-guerra-ao-terror.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Guerra ao Terror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, promovida pelos Estados Unidos em resposta aos ataques do 11 de setembro de 2001: acusado falsamente de possuir armas nucleares, o Iraque foi sumariamente atacado pelo país, que buscava por mais influência e controle na região. Na história de Urasawa, a Pérsia, comandada pelo ditador Darius XIV, é acusada pelos Estados Unidos da Trácia de possuir um robô super-inteligente de destruição em massa, o que leva ao 39º Conflito da Ásia Central, um massacre do povo persa perpetrado por robôs, incluindo os sete mais fortes e inteligentes do mundo, com a exceção do pacifista Épsilon.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio dos sete robôs somos apresentados à humanidade que os cerca. Cada um deles tem características específicas que os definem, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mGg6vFqzg7k"><span style="font-weight: 400;">Gesicht</span></a><span style="font-weight: 400;">, o robô alemão, que é explorado no trabalho e sofre com consequências equivalentes às de um </span><i><span style="font-weight: 400;">burnout</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro exemplo é Atom, o robô japonês (o </span><i><span style="font-weight: 400;">Astro Boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> da história original), que tem a inteligência artificial mais avançada daquele universo e lida com a complexidade das suas emoções. Épsilon, o robô australiano e um dos mais interessantes da obra, cuida de órfãos do 39º Conflito, em seu próprio orfanato. Todos eles são alvos de Pluto, movido por vingança – porque participaram ativamente no genocídio persa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A similaridade entre inteligências artificiais e seres humanos não é um algo novo da </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/artigos/literatura/os-cem-anos-do-robo"><span style="font-weight: 400;">ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, trabalhado antes mesmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Robô</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1950), escrito por Isaac Asimov. Tampouco são novidades no gênero temas como o ciclo de ódio ou a natureza violenta da humanidade. O que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto</span></i><span style="font-weight: 400;"> único, e diferente também da obra original, é a forma com que esses assuntos se entrelaçam e o quanto os dilemas de cada um dos personagens se conecta com a história, permitindo um olhar por vezes frio, mas contemplativo e profundo sobre a verdadeira origem do ódio e como é possível lidar com ele de forma mais saudável em busca da paz. A série é delicada e terna em mostrar, na perspectiva dos robôs, essa possibilidade, enquanto os seres humanos da narrativa são muitas vezes mais desprovidos, ironicamente, de humanidade. </span></p>
<figure id="attachment_33353" aria-describedby="caption-attachment-33353" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-1-800x450.jpg" alt="Na imagem, Gesicht e sua esposa observam seu filho caminhar pela primeira vez. Foi retirada diretamente da animação. Nela, observamos, do lado esquerdo, um pequeno robô de aparência inacabada, com seu corpo metálico à mostra e um braço faltante. Do lado direito, os personagens Gesicht e sua esposa, com os braços levantados, esperam pelo pequeno. Gesicht é branco e tem cabelos curtos e loiros, veste uma camisa branca, gravata azul e calça social marrom, enquanto sua esposa, posicionada atrás dele, também branca de cabelos castanhos, veste um casaco rosa e uma camiseta preta, acompanhados de uma saia de tom marrom claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33353" class="wp-caption-text">Pluto foi anunciado em 2017 e ficou pelo menos seis anos em desenvolvimento (Foto:Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto </span></i><span style="font-weight: 400;">triunfa na apresentação dos detalhes e na construção de mundo, seus dois episódios finais apresentam muitos problemas de ritmo: não há tempo suficiente para desatar os nós importantes da trama. Decisões são tomadas de forma muito abrupta e sem explicação, principalmente envolvendo um personagem apresentado pouco antes do fim da história, o robô ursinho de pelúcia </span><a href="https://ovicio.com.br/entenda-o-final-de-pluto-anime-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Teddy Roosevelt</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> que torna as coisas mais confusas e mais clichês.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, BORA, um dos elementos centrais que circunda a trama até o seu </span><span style="font-weight: 400;">final</span><span style="font-weight: 400;">, é a perfeita representação do ódio acumulado e gerado pelo genocídio, e a decisão de fazê-lo tentar algo maior, em vez da destruição dos Estados Unidos da Trácia, por exemplo, é metaforicamente inteligente e interessante porque não cede ao erro de transformar o país em vítima no final da história. A única responsável e também vítima do ciclo do ódio é a própria humanidade, e ainda mais irônico é que o seu salvador seja justamente um robô, que renunciou ao ódio e se sacrificou para que o ser humano não fosse destruído.</span></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/pluto-conheca-o-manga-que-reinventa-o-mundo-de-astro-boy"><i><span style="font-weight: 400;">Pluto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é plural, complexo e, muitas vezes, óbvio em seus subtextos, mas isso não é um problema. Personagens cativantes, animação lindíssima e subtramas de fazer chorar são a especialidade dessa história, que constrói uma distopia quase perfeita, capaz de te fazer pensar por semanas nas injustiças e fragilidades do mundo real. Na ficção, somos salvos por robôs. Aqui, a humanidade tem o desafio de se salvar, antes que essas injustiças matem ainda mais inocentes em nome do poder de poucos e do sofrimento de muitos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluto </span></i><span style="font-weight: 400;">é, afinal, um ensaio sobre o fracasso da humanidade em salvar a si mesma.</span></p>
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		<title>Após 10 anos, Jogos Vorazes &#8211; Em Chamas ainda deixa nossos corações incendiados</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Nov 2023 20:53:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fábio Gabriel Souza Sorriem, fiquem eretos. Vocês estão no ar &#8211; Effie Trinket Após 10 anos do lançamento, é interessante analisar um filme que se mantém tão atual se comparado com a realidade geopolítica do mundo. Jogos Vorazes &#8211; Em Chamas acontece no país distópico e totalitário de Panem, onde 12 distritos são governados com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 10 anos, Jogos Vorazes &#8211; Em Chamas ainda deixa nossos corações incendiados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31849" aria-describedby="caption-attachment-31849" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2.png" alt="Cena do filme Jogos Vorazes - Em Chamas. A imagem é uma fotografia de Katniss e Peeta. Ao lado esquerdo está Katniss, uma mulher branca, de rosto arredondado e cabelos e olhos verdes olhando para o lado. A mulher está vestindo um vestido laranja e preto, que aparenta estar em chamas. No lado esquerdo da fotografia está Peeta, um homem branco de cabelos loiros vestido com uma bata laranja e preta que aparenta estar em chamas." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-31849" class="wp-caption-text">Talvez a sorte não esteja tão a favor assim de Katniss (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Fábio Gabriel Souza</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Sorriem, fiquem eretos. Vocês estão no ar</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Effie Trinket</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 10 anos do lançamento, é interessante analisar um filme que se mantém tão atual se comparado com a realidade geopolítica do mundo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes &#8211;</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> acontece no país distópico e totalitário de </span><a href="https://jogosvorazes.fandom.com/wiki/Panem"><span style="font-weight: 400;">Panem</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde 12 distritos são governados com mãos de ferro pela Capital. Após uma guerra devastadora, conhecida como Dias Sombrios, os Jogos Vorazes foram instituídos como punição, em que uma garota e um garoto de cada distrito lutariam até a morte em uma arena, sobrevivendo apenas o mais forte.</span></p>
<p><span id="more-31844"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa inicia com um ritmo mais lento e introspectivo, quase exatamente onde terminou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">primeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tal dinâmica demonstra a existência de uma grande confusão na cabeça de Katniss (Jennifer Lawrence), que, após os traumas sofridos na 74° edição do evento, tenta se recuperar antes da Turnê da Vitória. O que ela não esperava era enfrentar as consequências dos seus atos e se encontrar em um intrincado jogo político ditado pelo presidente Snow, interpretado brilhantemente por Donald Sutherland. A trama entra em um ritmo mais acelerado com o início da turnê, na qual a personagem principal e Peeta (Josh Hutcherson) voltam a interpretar os amantes desafortunados do Distrito 12.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Essa viagem não acaba quando volta para casa. Você nunca desce desse trem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Haymitch Abernaty</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo a isso, ainda existe o forçado e sem sal romance da garota em chamas com o revoltado e egoísta Gale (Liam Hemsworth), que não convence e existe apenas para mostrar o quanto a protagonista não sabe o que está fazendo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece quando se anuncia a 75° edição dos Jogos e o 3° </span><a href="https://jogosvorazes.fandom.com/wiki/Massacre_Quatern%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">Massacre Quaternário</span></a><span style="font-weight: 400;">: Katniss voltaria para a Arena e novamente fica sob custódia da Capital.</span></p>
<figure id="attachment_31846" aria-describedby="caption-attachment-31846" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31846" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Jogos Vorazes - Em Chamas. Na fotografia existem 3 pessoas em cima de um palco. Na parte esquerda está Peeta, um homem branco de cabelos loiros, usando uma camiseta de botão cinza, uma calça jeans e botas marrons. Ao centro está Effie, uma mulher branca, usando cabelos loiros com adereços de borboletas alaranjadas, vestido acima dos joelhos com estampas de borboletas alaranjadas e saltos pretos. No canto esquerdo está Katniss, usando um macacão azul escuro, cinto marrom e botas marrons escuras. Katniss e Peeta estão com os bracos esquerdos levantados, com o dedo mínimo e o polegar unidos, enquanto os outros estão esticados." width="1920" height="1221" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-800x509.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-1024x651.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-1536x977.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-1200x763.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31846" class="wp-caption-text">Durante o tenso momento da colheita, Effie usa um extravagante vestido com 10 mil borboletas pintadas a mão (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa dirigido por Francis Lawrence, diretor também de</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/agua-para-elefantes-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Água Para Elefantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011), trabalha muito bem a intimidade dos atores com a câmera. Os momentos de tensão, por exemplo, são muito bem feitos e passam ao telespectador um constante recado de que nada está bem e que a qualquer momento irá piorar. Isso acontece durante todo o desenrolar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas alguns momentos são mais marcantes, como no encontro entre a protagonista e o ditador instantes antes do início da grande viagem por Panem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia, desenvolvida por </span><a href="https://www.jowillems.com/"><span style="font-weight: 400;">Jo Willems</span></a><span style="font-weight: 400;">, é outro ponto de destaque. Com o dobro de orçamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado são imagens belíssimas que complementam o brilhante trabalho do diretor em passar mensagens com a câmera. Ora com </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">intimistas e melancólicos, ora com sequências revoltantes que despertam ódio e stress, a produção é sem sombra de dúvidas uma obra-prima contemporânea.</span></p>
<figure id="attachment_31848" aria-describedby="caption-attachment-31848" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5.jpg" alt="Cena do filme Jogos Vorazes - Em Chamas. A fotografia mostra o por do sol com tons alaranjados e vermelhos em uma praia. No centro da imagem está a silhueta de Peeta ajoelhado na água. Katniss está curvada em sua direção enquanto segura um arco." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31848" class="wp-caption-text">O amarelo do pôr do sol é a cor favorita de Peeta Mellark (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a fidelidade extrema da produção para com o </span><a href="https://www.livrosefuxicos.com/2012/05/resenha-em-chamas-jogos-vorazes-2.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> escrito por Suzanne Collins, que agradou e muito os fãs, por vezes atrapalha a dinâmica da adaptação. As cenas idênticas ao romance quebram o ritmo da narrativa em algumas situações, interferindo na experiência imersiva da proposta cinematográfica. Além disso, sendo o segundo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas </span></i><span style="font-weight: 400;">não possui início e nem final, o que, a depender dos olhos de quem vê, pode ser um ponto negativo. Começando logo após o primeiro longa da franquia e terminando exatamente onde começa o terceiro, os desavisados podem ter um problema para entender a trajetória dos amantes e de toda Panem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda durante a sequência podemos acompanhar o amadurecimento de Jennifer Lawrence enquanto intérprete de Katniss Everdeen. A atriz consegue transparecer claramente todos os sentimentos conflituosos sentidos pela personagem. Quanto ao elenco principal, o que se vê é um show de atuação entregue por atores de peso, como Elizabeth Banks, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Lenny Kravitz e Donald Sutherland, que dão vida com primazia a personagens complexos e profundos construídos por </span><a href="https://www.suzannecollinsbooks.com/"><span style="font-weight: 400;">Collins</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A imagem de Effie Trinket (Banks) é essencial para se entender a profunda complexidade da sociedade distópica retratada. A escolta do Distrito 12 é uma pessoa deslumbrada com os jogos, mas que, no decorrer da trama, começa a perceber a verdadeira realidade em que está inserida. Representando todo o fetichismo, futilidade e manipulação que a população da Capital sofre, Effie nos apresenta ao resultado do </span><a href="https://www.todoestudo.com.br/historia/pao-e-circo"><span style="font-weight: 400;">Pão e Circo</span></a><span style="font-weight: 400;"> proposto pelo governo de Panem.</span></p>
<figure id="attachment_31850" aria-describedby="caption-attachment-31850" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Jogos Vorazes - Em Chamas. Na fotografia existem três pessoas brancas caminhando e em seguida subindo uma escadaria. Na parte direita está Peeta, um homem branco de cabelos loiros, usando camisas e calças pretas por baixo de um terno prateado. Ao centro está Effie, uma mulher branca, usando cabelos prateados, usando um vestido acima dos joelhos e sem mangas feito com penas cinzas. A mulher também usa pulseiras no dos pulsos da mesma cor. No canto esquerdo está Katniss, usando um vestido longo e justo feito de penas pretas, com ombreiras feitas de bordados em formato de penas vermelhas." width="900" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-5.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-5-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-5-768x444.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31850" class="wp-caption-text">A última parada da Turnê da Vitória é no palácio presidencial e, com tanto luxo e extravagância, podemos entender o porquê de Effie ser deslumbrada (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente, assim como no primeiro filme, Peeta representa a grande oposição a Katniss e o complemento perfeito para toda a voracidade e revolta internalizada da protagonista. Sendo um grande orador, o personagem consegue transformar em palavras belas e convincentes a dura realidade em que estão inseridos, inflamando os telespectadores e patrocinadores da </span><a href="https://jogosvorazes.fandom.com/wiki/A_Capital#:~:text=A%20Capital%20de%20Panem%20%C3%A9,s%C3%A3o%20organizados%20e%20celebrados%20l%C3%A1."><span style="font-weight: 400;">Capital</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, no grande simbolismo do Massacre cada um usa a arma que têm, e o padeiro sabe muito bem usar as suas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os novos rostos transformam a dinâmica da trama, nos inserindo ainda mais nesse universo distópico e mostrando um pouco sobre a realidade vivida em cada distrito. Com atuações excepcionais e envolventes, Finnick Odair (</span><a href="https://www.instagram.com/mrsamclaflin/"><span style="font-weight: 400;">Sam Clafin</span></a><span style="font-weight: 400;">) propõe uma sensualidade fortemente presente na figura dos tributos, mas que faltou nos jogos anteriores, e Johanna Mason (Jena Malone) traz toda a revolta que Katniss e a população periférica dos distritos não conseguem colocar para fora.</span></p>
<figure id="attachment_31847" aria-describedby="caption-attachment-31847" style="width: 1422px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Jogos Vorazes - Em Chamas. A fotografia possui um fundo desfocado. No centro está Finnick, um homem branco com rosto angulado, loiro e de olhos verdes. Ele está usando um macacão justo preto e com mangas com um degradê que na parte superior, próximo aos ombros, é branca e na parte inferior, próximo às mãos, é preta. O macacão é repleto de bolinhas. O homem está com o braço esquerdo levantado mostrando um bracelete dourado. No canto esquerdo da imagem está um braço com mangas pretas apontando uma flecha para ele." width="1422" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3.jpg 1422w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31847" class="wp-caption-text">Ainda bem que Katniss era aliada de Finnick, se não ele estaria morto (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes &#8211; Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um sucesso de público, sendo a </span><a href="https://exame.com/casual/as-10-maiores-bilheterias-do-cinema-em-2013-1/"><span style="font-weight: 400;">5° maior bilheteria de 2013</span></a><span style="font-weight: 400;"> e muito bem recebido pela crítica, com altos índices de aprovação. Mesmo após 10 anos, o longa ainda provoca grandes reflexões no telespectador quanto ao capitalismo e a </span><a href="https://www.politize.com.br/hannah-arendt-banalidade-do-mal/"><span style="font-weight: 400;">banalização do mal</span></a><span style="font-weight: 400;"> (aspectos fortemente criticados na franquia), além de problematizações sobre a sociedade contemporânea. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser considerado um excelente segundo capítulo e esse é um dos motivos da grande expectativa para o quinto filme da franquia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zw3QtH64Fxc"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A adaptação da mais recente obra de Collins chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de novembro, pouco depois do aniversário da irmã, e promete continuar emocionando a legião de fãs conquistada pelas quatro primeiras adaptações e trilogia de livros.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jogos Vorazes - Em Chamas (Trailer Oficial Legendado)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8kAC_E0H5nc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A 2ª temporada de Alice in Borderland bagunça o baralho e guarda uma carta na manga</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 20:47:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa Inspirada no mangá de mesmo nome, Alice in Borderland retorna ainda mais brutal em sua 2ª temporada. Dirigida por Shinsuke Sato, a trama persegue os protagonistas Ryōhei Arisu (Kento Yamazaki) e Yuzuha Usagi (Tao Tsuchiya) em uma Tóquio apocalíptica e repleta de jogos mortais, criados a partir dos naipes de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alice-in-borderland-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2ª temporada de Alice in Borderland bagunça o baralho e guarda uma carta na manga"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30538" aria-describedby="caption-attachment-30538" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30538" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x534.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Ann Rizuna, Hikari Kuina, Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu estão escondidos em meio a uma batalha contra o Rei de Espadas. Rizoma, Kuina e Usagi são mulheres asiáticas de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos agachados. Ann Rizoma veste uma camiseta de botões sem mangas na cor branca e shorts e botas na cor preta. Ela segura uma pistola. Hikari Kuina veste um sutiã azul, um colar, uma calça jeans azul com cinto e tênis na cor branca. Yuzuha Usagi veste uma regata de cor vermelha com legging e tênis na cor preta. Ryōhei Arisu veste uma camiseta branca, calça jeans azul e tênis na cor branca. Ele segura uma arma. O cenário é um estabelecimento acometido pela passagem do tempo e o avanço da natureza verde." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30538" class="wp-caption-text">Em poucas horas de lançamento, a 2ª temporada de Alice in Borderland alcançou o topo do Top 10 da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no mangá de mesmo nome, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N5JnA6AVF-E"><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retorna ainda mais brutal em sua 2</span><span style="font-weight: 400;">ª temporada</span><span style="font-weight: 400;">. Dirigida por Shinsuke Sato, a trama persegue os protagonistas </span><span style="font-weight: 400;">Ryōhei </span><span style="font-weight: 400;">Arisu (Kento Yamazaki) e </span><span style="font-weight: 400;">Yuzuha</span><span style="font-weight: 400;"> Usagi (Tao Tsuchiya) em uma Tóquio apocalíptica e repleta de jogos mortais, criados a partir dos naipes de Reis e Rainhas de um jogo de mesa. A criatividade para executar a sequência dos desafios é surpreendente, além de muito fiel à obra original, agregando valor sentimental para os fãs que acompanham a saga dessa </span><a href="https://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/"><span style="font-weight: 400;">Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> distópica. Sem medo de jogar com quem assiste, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">bagunça o baralho e guarda uma carta na manga. </span></p>
<p><span id="more-30537"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WZCxI1qv310"><span style="font-weight: 400;">2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, ano em que a produção do estúdio japonês </span><em><span style="font-weight: 400;">Robot Communications Inc.</span></em> <span style="font-weight: 400;">foi lançada, o público enxergou um grupo de personagens extremamente imaturos, confusos e perdidos, ao final de 2022, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_SfW7EUNrJs"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionado pela vivência em meio ao caos desse universo distópico se tornou perceptível. No ápice da violência física e emocional do enredo, as atuações do elenco florescem como nunca antes visto e a assinatura caricata quase inata da Televisão asiática traz uma incoerente harmonia com a composição cinematográfica de Taro Kawazu.</span></p>
<figure id="attachment_30539" aria-describedby="caption-attachment-30539" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30539" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x518.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, o Rei de Paus parece conversar com Ryōhei Arisu. Rei de Paus é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. O Rei de Paus está com uma das mãos em um tótem e a outra apoiada no ombro de Arisu que, por sua vez, fecha um dos punhos enquanto olha para o Rei. Ambos usam uma pulseira tecnológica na cor preta em um dos pulsos. O Rei de Paus está pelado e Arisu veste uma camiseta de botões e manga longa na cor branca. A câmera captura os dois a partir da cintura. Ao fundo, o cenário é composto por um céu limpo e containers em diferentes cores." width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-800x518.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1024x663.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-768x497.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1536x995.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1-1200x777.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-1.jpeg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30539" class="wp-caption-text">O Rei de Paus fez história nas redes sociais (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda sequência de produções originais, a comparação entre os diferentes formatos é inevitável, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i><span style="font-weight: 400;"> já está acostumada com suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=737PIqSI9w4"><span style="font-weight: 400;">adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mangá para o anime e do anime para a série. Se nos quadrinhos japoneses as ilustrações adotam linhas cruas, o plano bidimensional da animação permite uma continuidade excepcional e, por fim, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n_pEQTHJGZs"><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue parcialmente unir tais qualidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, tratando-se da transição de uma temporada para outra, o seriado trabalhou muito bem as mudanças, que conseguem ser perceptíveis e sofisticadas ao mesmo tempo. Em 2022, o roteiro flui com maior agilidade graças ao desenvolvimento do enredo, enquanto o tom adquire uma obscuridade que parece querer acabar com qualquer esperança de um final feliz. Os </span><a href="https://rolltoreview.com/six-games-that-belong-in-alice-in-borderland/"><span style="font-weight: 400;">jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantiveram seu respeito pelos naipes, porém todos se tornaram mais psicológicos, moralistas e suscetíveis à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2WZSiHMx7PM"><span style="font-weight: 400;">manipulação do coração</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo fato de se tratar da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BBeU75YSCnQ"><span style="font-weight: 400;">segunda e última temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> finalmente procura revelar a estrutura detrás desse mundo nefasto e desconhecido tanto pelos aprisionados na destruição quanto por quem assiste no conforto do sofá de casa. Uma das </span><a href="https://youtu.be/aBOmmhbodgc"><span style="font-weight: 400;">principais surpresas</span></a><span style="font-weight: 400;"> descobertas pelo protagonista Arisu é a diferenciação entre pessoas como ele, meros jogadores, e os criadores dos jogos, representantes dos naipes e classificados como cidadãos da cidade de Tóquio.</span></p>
<figure id="attachment_30540" aria-describedby="caption-attachment-30540" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30540 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-800x450.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, os protagonistas Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu olham espantados para o Rei de Espadas enquanto tocam em um ferido pelos disparos. A câmera os captura a partir da cintura. Usagi é uma mulher asiática de cabelos e olhos escuros. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma regata na cor amarela e uma calça na cor branca. Ele veste uma camiseta de botões de mangas longas na cor branca. Ao fundo, há um carro de tom amarelado e o cenário em volta é a cidade de Tóquio, acometida pelo avanço do tempo e da natureza." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30540" class="wp-caption-text">Os atores Kento e Tao já dividiram as telas em outras produções, o que ajudou na conexão do casal (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis pela agonia das personagens e pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TClUSiKGsKw"><span style="font-weight: 400;">satisfação dos espectadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, os jogos brutais são, desta vez, exclusivamente elaborados pelos reis e rainhas do baralho, o que significa que as mortes nunca foram tão sangrentas, repugnantes e, ainda, constantes. Afinal, a presença do mercenário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Yh-iuiShQqQ"><span style="font-weight: 400;">Rei de Espadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> atirando a quase todo minuto chega a ser traumatizante até para quem está do outro lado da tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance entre Arisu e Usagi começa a ser desenvolvido ainda na primeira temporada, de um jeito costumeiro dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GY9WKtOFsAo"><span style="font-weight: 400;">dramas asiáticos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, com muita sutileza e atenção aos pequenos detalhes, como respirações pesadas ao conversar, longos olhares e um bom jogo de câmera. Porém, é na continuação que esse </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4W0bLeGmGVA"><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se desenvolve, carregado de dúvidas e cumplicidade que beiram um amor adolescente, entregando momentos sensíveis mesmo em um universo tão mortal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O manejo dessas duas sensações é muito bem feito pela direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-1FCzIGp_No"><span style="font-weight: 400;">Shinsuke Sato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelo roteiro escrito junto a Yoshiki Watabe e Yasuko Kuramitsu, que conseguem colocar delicadeza e choque na mesma obra, sem que uma machuque a outra. A cena em que o casal se banha em águas termais no meio de destroços e são surpreendidos por elefantes é o exemplo de um </span><a href="https://sobresagas.com.br/alice-in-borderland-2a-temporada-atendeu-as-expectativas/"><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> bem feito: mesmo em um ambiente desfavorável para que o amor aconteça, o menos esperado se revela cativante.</span></p>
<figure id="attachment_30541" aria-describedby="caption-attachment-30541" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30541 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x449.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, o coadjuvante Shuntarō Chishiya parece contemplar algumas reflexões. A câmera o captura a partir dos ombros. Ele é um homem asiático de cabelos claros longos e olhos escuros. Chishiya veste um moletom com capuz na cor branca e, em seu pescoço está localizado um dispositivo eletrônico e tecnológico que se assemelha a uma coleira de metal." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30541" class="wp-caption-text">Odiado por alguns, amado por outros, Chishiya contém a dose exata de antipatia e carisma que conquistou o público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Derivado do mangá do artista Haro Aso, a produção audiovisual é fiel às características dos quadrinhos, seja no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7windkG7SmI"><span style="font-weight: 400;">comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> das personagens ou nas cenas dramatizadas. </span><span style="font-weight: 400;">Shuntarō </span><span style="font-weight: 400;">Chishiya (</span><span style="font-weight: 400;">Nijirō Murakami),</span><span style="font-weight: 400;"> um dos coadjuvantes, exala a personalidade de anti-herói costumeira de alguns animes: silencioso, observador e insensível, de um jeito </span><a href="https://collider.com/alice-in-borderland-season-2-chishiya/"><span style="font-weight: 400;">atrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que chega a ser justificável; tal qual Itachi Uchiha, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Naruto</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, é interessante ver a forma que a adaptação se desvencilhou do exibicionismo sexual recorrente desse gênero. Mesmo que o uso de biquínis e shorts por </span><a href="https://www.heart.co.uk/showbiz/tv-movies/hikari-alice-in-borderland-actress/"><span style="font-weight: 400;">Hikari </span><span style="font-weight: 400;">Kuina</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Aya Asahina)</span><span style="font-weight: 400;"> e Ann </span><span style="font-weight: 400;">Rizuna (Ayaka Miyoshi)</span><span style="font-weight: 400;"> ainda seja incoerente para a narrativa, não se equipara à </span><a href="https://jornalismojunior.com.br/o-fanservice-do-mundo-otaku-sexualiza-as-personagens-femininas/"><span style="font-weight: 400;">sexualização corriqueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos desenhos asiáticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em evidência na 2</span><span style="font-weight: 400;">ª temporada, os distintos passados dos criadores dos jogos, os fatídicos cidadãos de Tóquio, trazem profundidade para os oito episódios</span><span style="font-weight: 400;"> inéditos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice in Borderland</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que os jogos sejam divididos em </span><a href="https://www.folhavitoria.com.br/entretenimento/noticia/12/2022/alice-in-borderland-o-que-significa-os-naipes-do-baralho"><span style="font-weight: 400;">naipes</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos quais as Espadas significam a exigência </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/tFoTxRLUAmU"><span style="font-weight: 400;">física</span></a><span style="font-weight: 400;">, Paus necessita da união em equipe e Ouros clame por inteligência, todos parecem ter em comum a carga emocional de uma partida de Copas.</span></p>
<figure id="attachment_30542" aria-describedby="caption-attachment-30542" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x533.jpeg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, a Rainha de Copas olha fixamente para Yuzuha Usagi e Ryōhei Arisu. Porém, a câmera somente captura ela e a partir do busto. A Rainha é uma mulher asiática de cabelos longos e pretos em franja. Os seus olhos são escuros. Ela veste um vestido sem mangas na cor preta com detalhes de flores em branco. Também usa luvas pretas que vão até metade do braço. No seu pescoço está pendurado um colar de cristais. Ao fundo, o cenário é um jardim florido em verde e branco. Ela está sentada em uma cadeira branca." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30542" class="wp-caption-text">Riisa Naka entregou muita tortura psicológica como a Rainha de Copas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em especial, o terceiro e sexto capítulos atingem o primor da sensibilidade do </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/alice-in-borderland-referencias-alice-no-pais-das-maravilhas.html"><span style="font-weight: 400;">audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Neles, o imponente e confiante Rei de Paus se revela um vocalista movido pelo laço com os amigos de sua banda e, igualmente a flor-da-pele, o Rei de Ouros ensina sobre o valor da vida para Chishiya, finalmente se </span><a href="https://streamingsbrasil.com/alice-in-borderland-os-segredos-do-final-da-2a-temporada-explicados/"><span style="font-weight: 400;">libertando</span></a><span style="font-weight: 400;"> de erros nostálgicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não recomendada para menores de 16 anos, a série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em cena enormes explosões, ferimentos expostos e embates grotescos pela </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/hEbciwbw8oI"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Frente a este desafio, a equipe de caracterização e maquiagem faz um trabalho surpreendente ao conseguir trajar o realismo com fidelidade; afinal, são muitas as </span><a href="https://feededigno.com.br/serie/alice-in-borderland-quem-sao-os-personagens-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nasceram após horas na cadeira do camarim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, o irritante e completamente desfigurado após a primeira temporada, </span><span style="font-weight: 400;">Suguru Niragi </span><span style="font-weight: 400;">(Dori Sakurada), </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/257327-alice-in-borderland-relembre-aconteceu-2-temporada.htm"><span style="font-weight: 400;">renasce</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fogo e está de volta para provocar o nojo e o ódio. Já </span><span style="font-weight: 400;">Morizono Aguni (Sho Aoyagi), também retorna com rancor em excesso, mas acompanhado de </span><span style="font-weight: 400;">Heiya (Yuri Tsunematsu), a </span><a href="https://www.cbr.com/alice-in-borderland-season-2-manga-differences/"><span style="font-weight: 400;">jovem arqueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que precisou ter a perna amputada e a quem ele protege com todo o seu coração de gigante.</span></p>
<figure id="attachment_30543" aria-describedby="caption-attachment-30543" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-800x398.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Kōdai Tatta, Suguru Niragi, Hikari Kuina, Ryōhei Arisu e Yuzuha Usagi se encaram em meio ao cenário de um jogo. Tatta, Niragi e Arisu são homens asiáticos de cabelos e olhos escuros. Já Kuina e Usagi são mulheres asiáticas de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos em pé, exceto Kōdai Tatta que está agachado. Tatta veste camiseta, bermuda e boné em tons azuis. Surugu Niragi veste uma manta de estampa que cobre seus ferimentos. Hikari Kuina veste um sutiã azul, um colar, uma calça jeans azul com cinto e tênis na cor branca. Ryōhei Arisu veste uma camiseta branca, calça jeans azul e tênis na cor branca. Yuzuha Usagi veste uma regata de cor vermelha com legging e tênis na cor preta. Ele segura uma arma. O cenário é composto por um céu azulado e repleto de containers de diversas cores." width="800" height="398" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-800x398.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1536x763.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1-1200x596.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30543" class="wp-caption-text">A caracterização da série se destacou por valorizar os elementos visuais do mangá (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividindo opiniões e separando os espectadores em fãs</span> <span style="font-weight: 400;">e haters, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fwBh_e8EbI4"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente de tudo que foi mostrado ao longo de duas temporadas, não tem nada de mirabolante, deixando uma série que percorreu um caminho cheio de plot twists, com um final comum até demais. O que pode parecer um problema, acaba sendo o preço pela </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/-1vl2qqTUmE"><span style="font-weight: 400;">fidelidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da adaptação ao final do mangá, que o mantém idêntico ao produzido por Aso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto das referências mais óbvias a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o jogo de críquete, as rosas brancas e a risadinha cínica da Rainha de Copas aumentam a animosidade para as últimas cenas que levam a atriz Riisa Naka ao melhor de sua atuação. Além de Arisu, a Rainha de Copas é a referência mais óbvia ao clássico de Lewis Carroll: manipuladora e bem humorada, a vilã consegue ser a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DY3eHVpbxQE"><span style="font-weight: 400;">favorita</span></a><span style="font-weight: 400;"> de muitos.</span></p>
<figure id="attachment_30544" aria-describedby="caption-attachment-30544" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-7.jpg" alt="Cena da série Alice in Borderland. Na imagem, Ryōhei Arisu observa Yuzuha Usagi, desfocada pela câmera que captura ele a partir da cintura e ela a partir do busto. Arisu é um homem asiático de cabelos e olhos escuros. Usagi é uma mulher de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camisa cinza simples e um curativo no rosto. Ela veste uma camiseta branca simples e se apoia em uma muleta. Ao fundo, o cenário é o refeitório extremamente branco de um hospital." width="640" height="357" /><figcaption id="caption-attachment-30544" class="wp-caption-text">No Brasil, o mangá de Alice in Borderland chega em breve às prateleiras pela editora JBC (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Vida, vida, vida, que seja do jeito que for</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Inesperadamente, a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FbhQ-1-9NBo"><i><span style="font-weight: 400;">Maravida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Gonzaguinha poderia facilmente ser a inspiração para as salas de jogos dessa temporada. Adicionando aprofundamentos morais baseados em suas trajetórias antes dos jogos, os reis, valetes e rainhas carregam algo em comum: os questionamentos sobre o valor da vida. Mesmo que </span><a href="https://mixdeseries.com.br/alice-in-borderland-jogadores-voltam-ao-mundo-real-na-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">rodeados pela morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a vivência de cada um carrega significados profundos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sutilmente mostrado na primeira temporada com o exemplo de Chapeleiro e Aguni, os ideais sobre ela são reforçados por cada representante de jogo; carregando suas próprias peculiaridades, mas com a mesma intenção, mostrar o quão </span><a href="https://www.netflix.com/title/80200575"><span style="font-weight: 400;">preciosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o quanto precisa-se de </span><a href="https://br.ign.com/alice-in-borderland/105734/feature/alice-in-borderland-kento-yamazaki-revela-momento-que-mais-se-divertiu-nas-filmagens-assista-a-entre"><span style="font-weight: 400;">fidelidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesmo para conhecer sua jornada, dando a Arisu a lição mais valiosa da temporada. E quanto a você, já descobriu sua própria razão de viver?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alice in Borderland: Temporada 2 | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XCaPoypSH9E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>A morte é corporativa em Plano 75</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 21:19:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/plano-75-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A morte é corporativa em Plano 75"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29118" aria-describedby="caption-attachment-29118" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29118" class="wp-caption-text">Com uma menção especial do prêmio Camera d&#8217;Or na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, Plano 75 integrou a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma recompensa de 100 mil ienes pelo sacrifício, que podem ser gastos livremente com o objetivo de fornecer o necessário para um “último desejo”. Esse é o enredo de </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/plan-75-review-1235403356/"><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<em>Plan 75</em>), a distopia necropolítica dirigida e roteirizada por </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/artist/chie-hayakawa-4"><span style="font-weight: 400;">Chie Hayakawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29117"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do Japão na corrida pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme tem poucos diálogos e longos silêncios, nos quais se revela de forma pungente a maneira a qual os mais velhos têm sido esquecidos em governos neoliberais e suas políticas “jovens”. Em uma das cenas, Michi (Chieko Baisho), uma idosa demitida de seu emprego como camareira de hotel, questiona, ao utilizar um computador compartilhado, o porquê ele não está funcionando. Ao chegar para “ajudá-la”, a funcionária mais jovem, com apenas alguns cliques, diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo funcionando normalmente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e dá as costas. Sem explicações, Michi pergunta-se: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que estava errado</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Nessa cena, Hayakawa sintetiza toda a força por trás da história: vistos como párias e pesos nessa sociedade distópica – que, como toda distopia, guarda muitas similaridades com a realidade –, não há tempo ou interesse para explicar qualquer mudança social. O ritmo é, simplesmente, outro.</span></p>
<figure id="attachment_29119" aria-describedby="caption-attachment-29119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29119" class="wp-caption-text">Produzido no Japão, França, Filipinas e Catar, o longa também foi exibido nos festivais de Toronto e Karlovy Vary (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com respostas sempre hostis aos seus pedidos de ajuda, a personagem entrega-se totalmente à solidão. Sem conseguir encontrar outro emprego, a idosa é seduzida pelo Plano 75, o projeto governamental que recebe pessoas a partir de 75 anos para o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/09/13/jean-luc-godard-recorreu-ao-suicidio-assistido-diz-jornal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">suícidio assistido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o “sucesso” do programa, em pouco tempo idosos de 65 anos também começam a ser aceitos. O roteiro permite entender que, uma vez instaurada, a política de mortes é cada vez mais abrangente, visando conquistar toda a sociedade mais pobre, independentemente da idade. O que se torna evidente na trama de Michi é que ela precisa, na verdade, de companhia e amizade, mas o governo oferece ainda mais isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão cortante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i> <span style="font-weight: 400;">concentra-se nas necropolíticas </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">neoliberais</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a morte e a vida tornam-se, elas próprias, objetos de mercadoria e privatização. Com inscrições apenas presencialmente e via telefone, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana – já que os idosos encontram dificuldades em inscrições pelo computador –, o projeto revela uma cultura mobilizada em empurrar corporativamente a morte aos indivíduos mais pobres, visto que esse esforço para atender suas solicitações de encerramento da vida não chega nem perto das integrações tecnológicas promovidas pelo Estado.</span></p>
<figure id="attachment_29120" aria-describedby="caption-attachment-29120" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg" alt="" width="990" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29120" class="wp-caption-text">Plano 75 é o primeiro longa-metragem da japonesa Chie Hayakawa (Foto: Julie Sebadelha/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necropolítica também foi explorada recentemente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/tokyo-vice-segunda-temporada-hbo-max"><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022), série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Max </span></i><span style="font-weight: 400;">baseada no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535918472/toquio-proibida"><i><span style="font-weight: 400;">Tóquio Proibida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), do jornalista investigativo Jake Adelstein. O que parece ser uma diferença nas duas obras na verdade aponta para uma realidade incômoda entre elas. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata da investigação acerca dos suicídios de idosos nas ruas da capital do Japão, e a ligação dessas mortes com a Yakuza (a fim de proteger a família, os idosos se matam para pagar, com o seguro de vida, as dívidas que a máfia construiu com os juros, descobrindo-se posteriormente que, pelo valor pago, o seguro de vida desses idosos sempre foi o foco dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsters</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta para as políticas públicas que têm o mesmo objetivo da máfia japonesa: exterminar os idosos, cujo movimento compartilha de forma similar obter os mesmos fins econômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso grande parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> consiste na representação da frieza dos sistemas corporativistas. Chie Hayakawa evita o sentimentalismo no roteiro, e reflete as personagens como simples </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">corpos em dominação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há outras duas histórias paralelas às de Michi: a de Hiromi (Hayato Isomura), um funcionário do programa que oficializa os contratos com os idosos e se vê atingido pessoalmente quando seu tio inscreve-se no Plano 75 – alimentando sua autoconsciência de que o abandonou quando chegou à vida adulta –, e Maria (Stefanie Arianne), uma imigrante filipina que trabalha efetivamente no necrotério dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29121" aria-describedby="caption-attachment-29121" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29121" class="wp-caption-text">Embora Plano 75 pareça ser sobre o envelhecimento, na verdade alerta para a importância da comunidade (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é a relação entre Michi e Yoko (Yuumi Kawai), uma das telefonistas de atendimento ao programa, que estabelece a possível moral do longa de 105 minutos. Preservando um diálogo constante com Yoko, visto que as telefonistas mantém o contato frequente com os interessados até a consolidação das mortes, Michi – sem filhos ou parentes, e que encontra sua única amiga, também idosa, morta na cozinha de casa – sugere que as duas se conheçam pessoalmente. Ela é informada que clientes e funcionários não têm permissão para isso, na tentativa de evitar que se </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">apeguem emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou, pior, que os idosos mudem de ideia sobre a eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da resistência, próximo ao fim do filme, Yoko, que sempre foi uma ouvinte disposta a realmente escutar as infinitas histórias de Michi, se encontra com ela. Michi entrega todo o dinheiro que recebeu, e diz que esse foi seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">último desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os encontros hiper controlados e cronometrados entre a idosa e a representante normalmente impassível do Estado e da própria morte – que, sob o contexto do filme, são a mesma coisa – dão lugar a uma felicidade genuína, embora pouco duradoura. Alertando para a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-a-palma-de-ouro-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">importância da comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mais do que para as políticas de extermínio dos governos –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que, a despeito de Michi desistir da eutanásia ou não, sempre será tarde demais para ela; todas as coisas não ditas entre gerações, agora, foram institucionalizadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="‘Plan 75’: first trailer for Japanese Cannes Un Certain Regard title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/12tjqwfuzDg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O fantasma da gentrificação assombra Distopia</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 17:43:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português Distopia (2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/distopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantasma da gentrificação assombra Distopia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28884" aria-describedby="caption-attachment-28884" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg" alt="Cena do documentário Distopia. A foto é uma captura de um dos trechos do filme Distopia. Quatro prédios amarelos — parte do conjunto habitacional do bairro do Aleixo — estão sendo demolidos. O prédio da direita cai em meio a fumaça, abaixo se encontram outras habitações e um terreno verde." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28884" class="wp-caption-text">O documentário chega à Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo carregando o prêmio HBO Portugal para Melhor Filme da Competição Portuguesa no DocLisboa International Film Festival 2021 (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/distopia"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme introduz o fantasma da </span><a href="https://jornaleconomico.pt/noticias/o-processo-de-gentrificacao-em-curso-nas-cidades-e-periferias-de-lisboa-e-porto-264850"><span style="font-weight: 400;">gentrificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o motor dos desterramentos e demolições que atravessam a cidade do Porto, em um retrato de treze anos da vida dos bairros de Bacelo, Aleixo e Fontainhas. Dirigido por Tiago Afonso, a forma documental encontra sua força ao direcionar a câmera tanto aos sujeitos atravessados por essa desterritorialização quanto aos espaços e ruínas, o que constitui uma espécie de anti-documento nessa condição de filmar o que está na iminência de não mais existir.</span></p>
<p><span id="more-28883"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa audiovisual de emergência, na qual o imediatismo da filmagem é evidenciado por um gesto que, em um primeiro momento, quase não é cinematográfico. É mais uma construção de um álibi aos processos de injustiça vivenciados pelas pessoas, tanto as hostis quanto as receptivas às lentes de Afonso. O primeiro capítulo é pontuado em 2007, enquanto o espectador acompanha uma comunidade cigana, habitante das barracas da Rua do Bacelo, em suas tentativas de </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2007/03/27/criticas-a-actuacao-da-camara-do-porto-no-bacelo/"><span style="font-weight: 400;">resistência ao despejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de articulação com o poder público, personalizado pela figura de Rui Rio, o Presidente da Câmara Municipal do Porto na época. O diretor intercede nas discussões — em defesa da ocupação —, além de traçar uma tentativa de reinstalação da experiência pública de comunidade, sob a ótica da comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_28885" aria-describedby="caption-attachment-28885" style="width: 1608px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28885" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg" alt="Cena do filme Distopia. Ao fundo, as barracas no bairro do Bacelo, onde encontram-se pedaços de madeira empilhados e, à direita, um trailer branco. Em um pedaço de madeira branco, uma lona vermelha está jogada, enquanto uma bandeira está amarrotada e enrolada, suspensa no ar." width="1608" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg 1608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1200x806.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28885" class="wp-caption-text">No documentário de Afonso, a cidade do Porto é atravessada pela especulação imobiliária desenfreada e pelo silenciamento das tradições locais (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, os furtivos registros não eram feitos com o intuito de uma unidade narrativa, sendo ligados posteriormente pela brutal espinha dorsal que é a constância dessas violências. Talvez fosse possível compor um longa-metragem interminável, no qual ainda residiria o </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2021/11/26/urgencia-resignacao-e-magoa-uma-conversa-com-tiago-afonso-sobre-a-distopia-que-dedicou-ao-porto/"><span style="font-weight: 400;">ativismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fazer Cinema na luta para evitar que lares e histórias fossem despossuídas. Tanto que as gravações nos conjuntos habitacionais do Aleixo e na Feira da Vandoma, em Fontainhas, inicialmente pareciam ser paralelas. No entanto, logo se revelaram tangentes pelo mesmo futuro: a aniquilação de qualquer alternativa de </span><a href="https://observador.pt/especiais/distopia-durante-13-anos-tiago-afonso-filmou-o-porto-que-desapareceu-quando-os-bairros-ficaram-vazios/"><span style="font-weight: 400;">vivência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> em prol do modelo capitalista de cidade funcionalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os treze anos encapsulados em 62 minutos instigam, para além de um atestado da permanência dos movimentos de desalojamento, uma reflexão sobre a permanência desses lugares e dessas personagens na memória coletiva. Esse esforço se expressa no exercício de Afonso de colocar as crianças moradoras do Aleixo detrás das câmeras, tornando-as diretoras, em um exercício de descrição de suas colegas frente às câmeras. Essa é uma das tentativas de dar voz à materialidade dos afetos e da infância, perdida pela destruição de inúmeras moradas sob o pretexto de </span><a href="https://www.publico.pt/2022/01/21/p3/fotogaleria/aleixo-foram-torres-ficou-consumo-407396"><span style="font-weight: 400;">sanitização social</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente ao tráfico de drogas, além de, claro, deixar o terreno pronto a projetos arquitetônicos de luxo. </span></p>
<figure id="attachment_28886" aria-describedby="caption-attachment-28886" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28886" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg" alt="Cena do filme distopia. Embaixo de um viaduto, no primeiro plano da imagem, duas mulheres ciganas estão lado a lado. A da esquerda olha para cima, a algo distante da câmera. Usa uma blusa alaranjada, um cordão dourado no pescoço. Seus cabelos são negros e presos em um rabo de cavalo. Ao seu lado, a outra mulher olha para baixo, com uma jaqueta fechada cinza, estampada de estrelas. Seus cabelos negros estão presos em um coque. Ao fundo, um pedaço de escassa vegetação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28886" class="wp-caption-text">O aburguesamento da cidade é um personagem oculto – porém onisciente – sobre histórias que refletem a modificação dos tecidos sociais urbanos (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De 2007 a 2021, </span><a href="https://vimeo.com/646630124?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=31954675"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma teoria de gentrificação que renega prédios modernizados e apáticos, escolhendo desenvolver a experiência através da voz daqueles que foram mutilados por seus efeitos. Além do passeio temporal, subjetivo e geográfico</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o título português é também um perambular estético sobre a transformação das fontes visuais e sonoras que estruturam os retratos de despossessão das comunidades de suas habitações e de suas práticas de sociabilidade. O objeto do olhar é variado: ratos mortos, destroços, multidões e barracos improvisados tomam a tela. Embaixo de viadutos, com caixas de som e olhares distantes, se rememoram as (re)existências de outros modos de viver em outros ritmos. Memórias essas de quando se era possível existir em um espaço com liberdade; onde reinava a brincadeira de crianças contra a crueza de uma cidade que não mais é um direito, mas sim um </span><a href="https://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/distopia-de-tiago-afonso-mostra-gentrificacao-da-cidade-no-porto-post-doc"><span style="font-weight: 400;">decreto de expulsão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2022 15:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que Medida Provisória, primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27678" aria-describedby="caption-attachment-27678" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27678" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. A foto exibe dois atores negros com olhares atentos em um ambiente noturno, cena de um momento de tensão do filme. À esquerda aparece o personagem Antônio, interpretado pelo ator Alfred Enoch. Ele é um rapaz alto, com cerca de 1,90 de altura, usa barba e cavanhaque e está encapuzado com uma jaqueta preta. Ao lado esquerdo da imagem temos o personagem André, interpretado pelo ator Seu Jorge. Ele é um pouco menor que Antônio, usa bigode e cavanhaque, carrega um colar por cima de uma jaqueta preta. Diferente de Antônio, André não veste um capuz. " width="800" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-27678" class="wp-caption-text">Conduzido por uma direção inédita e uma trilha sonora composta por nomes como Elza Soares, Rincon Sapiência, Baco Exu do Blues, Cartola e Liniker, Medida Provisória chega aos cinemas quebrando paradigmas, emocionando e alarmando para um futuro não tão distante (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro longa dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma tragicomédia, que aborda o que há de pior em nosso jeitinho brasileiro de mascarar problemas profundos dos porões racistas e cordiais, nos quais Gilberto Freyre de maneira dualista e polêmica tanto criticou em </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-39-encontro/gt/gt28/9704-casa-grande-e-senzala-e-o-mito-da-democracia-racial/file"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Grande e Senzala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27677"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se procurarmos no dicionário jurídico, uma </span><a href="https://www.politize.com.br/medida-provisoria/"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória (MP)</span></a><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma ação emergencial que tem uma força representativa de lei, sem necessariamente a aprovação do Poder Legislativo. Ela só entrará como lei oficial da nação a partir de uma posterior votação na Câmara; e é justamente através desse artifício de poder, sem a consulta daqueles que serão impactados, que a narrativa apresenta, na ficção, a decisão do governo brasileiro em deportar todas as pessoas consideradas negras, ou como o próprio filme cita, </span><i><span style="font-weight: 400;">“pessoas de melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, para o continente africano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de trazer essa história para as telonas surgiu do próprio Lázaro Ramos, mas o diretor admite que o roteiro foi inspirado, em grande parte, numa adaptação da peça teatral</span> <a href="https://www.researchgate.net/publication/270404417_Back_to_the_roots_-_Namibia_Nao_de_Aldri_Anunciacao"><i><span style="font-weight: 400;">Namíbia Não!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra escrita por Aldri Anunciação (que também é roteirista do filme) e dirigida por Lázaro. Na peça, André é um advogado que entra com um processo contra o Estado Brasileiro pelo tempo de escravidão e ganha uma indenização bizarra: passagem só de ida para Namíbia. Apesar de sofrer algumas alterações, sobretudo no que diz respeito ao elenco, a película representou fielmente a essência bizarra e espetacular da peça.</span></p>
<figure id="attachment_27679" aria-describedby="caption-attachment-27679" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27679" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-MP.png" alt="Foto do ator Lázaro Ramos. Ele é um homem negro, barbudo, de estatura média. Ele aparece de camisa branca e boné azul e branco. Na imagem, Lázaro aparece atrás de uma tela que faz parte dos equipamentos de filmagem. Ao fundo, em segundo plano, uma mulher negra que usa óculos e que, provavelmente trabalha junto à equipe, aparece conversando com um rapaz de boné." width="800" height="533" /><figcaption id="caption-attachment-27679" class="wp-caption-text">Em seu primeiro trabalho como diretor de Cinema, Lázaro Ramos admitiu em entrevista ao Podpah que a princípio não tinha nenhuma pretensão de comandar Medida Provisória, pois o artista considera que seu maior trunfo está na arte da atuação (Foto: GQ Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto por um núcleo de estrelas nacionais e internacionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com 77 atores e atrizes negros, se destacando assim como a produção cinematográfica com maior representatividade negra da história do Cinema nacional. Além disso, a equipe técnica dos bastidores também é predominantemente preta. No time principal, nomes como Alfred Enoch (Antonio), Taís Araújo (Capitú), Seu Jorge (André), Aldri Anunciação (Ivan), Adriana Esteves (Isabel) e Renata Sorrah (Dona Izildinha) protagonizam o longa-metragem. Há também diversas participações especiais, como é o caso de figuras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tia Má e Luis Miranda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Basicamente, podemos dividir o enredo em três partes: cômica, trágica e dramática, em uma narrativa que prende a atenção do espectador do início ao fim. Seja pelos absurdos, como também pelo apego sentimental aos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba nos colocando como torcida da resistência de Antônio e André. No filme, ambos são irmãos inseparáveis que protestam contra todas as terríveis </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/historia-real-que-inspirou-olhos-que-condenam-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">ações estatais racistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas apesar de serem indivíduos combativos, suas personalidades diferem bastante, o que traz maior sinergia para as cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso a abordagem crítica de Lázaro apontasse apenas uma perspectiva de narrativa dramática, o filme por si só já seria digno de boas avaliações. No entanto, impressiona positivamente a maneira como a narrativa consegue alarmar assuntos sérios e importantes, de um jeito leve e descontraído. Essa mescla é feita à perfeição, já que instiga a refletir a respeito de uma autocrítica coletiva, sem desrespeitar causas tão relevantes, quanto a questão do </span><a href="https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/o-que-e-racismo-estrutural/"><span style="font-weight: 400;">racismo estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27680" aria-describedby="caption-attachment-27680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-MP.png" alt="Foto dos bastidores do filme Medida Provisória. Antônio, Capitu (Taís Araújo) e André se divertem em um bar. A imagem ilustra uma mesa cheia de canecas de chopp e alguns petiscos. O casal Antônio e Capitu está abraçado e sentado, enquanto André está de pé, se curvando para conversar com o casal," width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27680" class="wp-caption-text">Os olhares desse trio nesta cena dizem muito a respeito da conexão dos atores nas gravações, chave fundamental para o sucesso de qualquer filmagem (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>A terrível semelhança entre ficção e realidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">explora temáticas sensíveis de nossa cruel e preconceituosa contemporaneidade. É válido destacar, porém, que o filme não denuncia exclusivamente as mazelas do racismo estrutural, já que o roteiro também aponta características ligadas aos demais estigmas e comportamentos preocupantes. A exemplo disso podem ser citados os obstáculos enfrentados pela personagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-femininas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Capitu (Taís Araújo)</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma mulher negra, médica de um hospital particular, a mesma tem de lidar com diversos preconceitos que, assim como a questão racial, também estão enraizados em nossa sociedade. Outro ponto se dá pelas semelhanças envolvendo as duas antagonistas brancas da narrativa: Isabel (Adriana Esteves) e Dona Izildinha (Renata Sorrah). Enquanto Isabel inferniza a vida daqueles que são considerados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Izildinha busca a todo momento se sentir útil e notável para as pessoas (da maneira errada, é claro).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Isabel quanto Izildinha representam o perfil de indivíduos que têm o prazer em constranger outrem. São pessoas ressentidas e preocupadas com o mal estar alheio que, ao depositarem todo o seu ódio em terceiros, tentam mascarar os assuntos pessoais mal resolvidos. Isabel possui uma </span><a href="https://blogbr.clear.sale/contas-falsas#:~:text=Para%20as%20plataformas%20de%20m%C3%ADdias,em%20preju%C3%ADzos%20financeiros%20e%20psicol%C3%B3gicos."><span style="font-weight: 400;">conta </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde expõe amarguradamente comentários racistas. Ao mesmo tempo, a personagem se vê refém de si mesma quando passa a ser desprezada e ignorada por seu chefe e por seu assessor. Já Izildinha não vê sua família há anos, algo que diz bastante sobre o seu </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015"><span style="font-weight: 400;">comportamento repugnante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27681" aria-describedby="caption-attachment-27681" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Capitu (Taís Araújo) está centralizada à frente de uma multidão que a observa com olhares desconfiados e surpresos. Ela veste uma regata branca e uma saia de estampa. Ao seu lado esquerdo, há dois soldados com trajes pretos (um deles porta uma metralhadora). À direita, Isabel (Adriana Esteves) aparece com um paletó executivo roxo. Capitu está com uma expressão facial de angústia e forte emoção." width="800" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-27681" class="wp-caption-text">As expressões faciais dessa cena são autoexplicativas e ricas em detalhes (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais esdrúxula que seja a Medida Provisória que intitula o filme, ela infelizmente não está tão longe de nossa realidade. Com um Estado que </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/crise-na-ancine-impede-que-centenas-de-novos-filmes-sejam-lancados/"><span style="font-weight: 400;">ameaça e boicota</span></a><span style="font-weight: 400;"> o campo da Cultura, que incentiva a prática violenta das polícias, reprime movimentos sociais e legitima ataques de ódio e mentira, sobretudo pelas redes sociais, certamente um futuro semelhante ao da ficção se torna um risco cada vez mais iminente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, felizmente ainda prevalece uma esperança em meio ao caos. Antes mesmo de sua estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicada a diversos</span><a href="https://gshow.globo.com/Famosos/noticia/lazaro-ramos-ganha-seu-primeiro-premio-internacional-com-medida-provisoria.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> prêmios internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Saiu vencedor do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Ator; foi o Melhor Roteiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Indie do </span></i><span style="font-weight: 400;">Memphis Film Festival; e ainda campeão do Prêmio Manuel Barba, do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva. Diante dessa maravilhosa repercussão, é possível enxergar com bons olhos o impacto de milhares de pessoas que prestigiam o Cinema nacional.</span></p>
<figure id="attachment_27682" aria-describedby="caption-attachment-27682" style="width: 716px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-5-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Os atores Aldri Anunciação e Diva Guimarães aparecem juntos em um dos momentos mais marcantes do filme. O enquadramento da imagem reflete uma luz potente emergindo em um ambiente escuro. Diva é uma senhora idosa negra, na casa de seus 80 anos, com cabelo crespo grisalho. Ela veste uma camisa amrela tom mostarda e usa colar.Aldri é um homem negro, na casa de seus 45 anos, com cabelo dread. Ele veste um colete verde escuro. Aldri é mais alto que Diva e leva uma tatuagem no pescoço." width="716" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27682" class="wp-caption-text">É como diz o poeta Jorge Aragão: “E quando pisar no terreiro, procure primeiro saber quem eu sou, respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou” (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender melhor sobre as propostas críticas dessa obra, nada melhor do que interpretar as falas de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/medida-provisoria-filme-racismo-tais-araujo-lazaro-ramos-alfred-enoch/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito do contexto com o qual ela se insere: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos falando de um filme que foi baseado em uma peça de teatro escrita em 2011. O roteiro foi escrito em 2015 com o propósito de alertar sobre problemas e questões que a gente não gostaria que acontecesse. Depois disso, várias delas aconteceram. É um sinal de que não podemos calar debates importantes para a gente melhorar enquanto sociedade e comunidade”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grito de alerta, mas também de </span><a href="https://mundonegro.inf.br/lazaro-ramos-explica-a-presenca-de-dona-diva-em-medida-provisoria-um-simbolo-de-potencia/"><span style="font-weight: 400;">esperança </span></a><span style="font-weight: 400;">em meio ao caos. Não podemos desconsiderar que se trata de uma dramatização surgida num momento de rivalidades, disputas eleitorais e todo chorume desse desgoverno que flerta com situações antes consideradas impensáveis (no pior sentido da palavra). Nada é mais mirabolante que uma bela dramatização que escracha nossa condição. Os problemas são apresentados de maneira confortavelmente incômoda. É rir de si mesmo, sabendo os defeitos que precisam ser superados, sobretudo em momentos de transição. É daí que vem a esperança.</span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Anita Rocha da Silveira</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 20:42:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretora de Medusa relembra o processo de produção do filme e comenta sobre a experiência no Festival de Cannes Caroline Campos e Vitor Evangelista Em formato híbrido, a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo possibilitou oportunidades de ouro para a equipe do Persona. Entre cabines de imprensa de filmes com sonho de reconhecimento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-anita-rocha-da-silveira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Anita Rocha da Silveira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretora de Medusa relembra o processo de produção do filme e comenta sobre a experiência no Festival de Cannes</span></i></p>
<figure id="attachment_25478" aria-describedby="caption-attachment-25478" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25478 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto &quot;PERSONA ENTREVISTA&quot; na vertical, repetidas vezes. No centro, foi adicionada uma foto em preto e branco da diretora Anita Rocha da Silveira. No lado direito, foi adicionada uma imagem do poster de seu filme, Medusa, e acima, foi adicionado seu nome, &quot;anita rocha da silveira&quot;." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/medusa-wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25478" class="wp-caption-text">Finalizando os trabalhos de cobertura da 45ª Mostra de Cinema em São Paulo, o Persona Entrevista recebe Anita Rocha da Silveira, diretora de Medusa (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em formato híbrido, a 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo possibilitou oportunidades de ouro para a equipe do Persona. Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">cabines de imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de filmes com sonho de reconhecimento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">e um esperado </span><a href="https://www.instagram.com/p/CV6droXMAnS/"><span style="font-weight: 400;">encontro presencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos membros da Editoria, tivemos a oportunidade de não apenas conferir a </span><a href="https://personaunesp.com.br/medusa-critica/"><span style="font-weight: 400;">vibração descomunal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como também de entrevistar sua realizadora, a majestosa diretora </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12057-cineasta-anita-rocha-da-silveira-volta-a-cannes-com-longa-sobre-violencia-nas-relacoes-entre-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-25459"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrando a história de Mariana, uma jovem que se rebela frente a um ambiente conservador e tóxico marcado pelo extremismo religioso, o segundo longa da carioca se pauta na revolta e na reverência às figuras femininas que povoam os quatro cantos da tela. O roteiro começou a ser escrito em 2016, conta Anita, iluminada pelo sol do fim de tarde. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Toda essa onda conservadora que ocasionou na eleição dele, já tava tudo desenhado lá”</span></i><span style="font-weight: 400;">, confidencia, referindo-se ao presidente e às consequências do </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">processo de </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Dilma Rousseff que vêm se acumulando nos últimos anos.</span></p>
<figure id="attachment_25460" aria-describedby="caption-attachment-25460" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25460 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. À frente já uma piscina azul claro e logo acima e no centro várias mulheres estão sentadas observando uma mulher loira sentada no centro com um dos pés mergulhados na piscina. De fundo há uma casa branca com muitas plantas ao redor." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4XJqBWEA-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25460" class="wp-caption-text">O roteiro começou a ser escrito em 2016, mas o processo só acabou na hora das filmagens: “a história é a mesma desde 2017”, confirma Anita (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia primária era desenvolver a relação do conceito de bela, recatada e do lar, com o sentimento de submissão pelo qual as mulheres religiosas, nesse caso neopentecostais, se viam inseridas. </span><a href="https://claudia.abril.com.br/noticias/anita-rocha-da-silveira-e-forca-feminina-dentro-do-ambiente-sexista-do-cinema-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Anita queria cutucar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o ideal de </span><i><span style="font-weight: 400;">“um certo modelo de mulher submissa ao homem como algo positivo, algo a ser seguido”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas tudo começou um pouco antes do processo de escrita, em 2015, quando leu uma história de um grupo de meninas que se juntaram para bater em uma colega por conta de fotos vulgares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, a diretora acabou se deparando também com o </span><a href="https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/cabeca-de-medusa-caravaggio/#:~:text=Conta%20a%20lenda%20que%20Medusa,um%20artif%C3%ADcio%20para%20engan%C3%A1%2Dla.&amp;text=Caravaggio%20pintou%20duas%20vers%C3%B5es%20da,presumivelmente%2C%20em%201597%2F8."><span style="font-weight: 400;">mito da Medusa</span></a><span style="font-weight: 400;">, figura mitológica amaldiçoada por Atena depois de se deitar com Poseidon – em algumas versões, ser estuprada pelo deus dos mares –, eternizada a viver com cobras no lugar de cabelo e transformando em pedra qualquer um que ousasse cruzar olhares consigo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Fiz o filme para falar do machismo estrutural, como ele é parte da sociedade e como ele é projetado em todos nós de alguma maneira”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> resgata Anita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre Medusa e Mariana, a letra M vira constante nesse conto moderno de terror. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É o M de Mulher, né? Como se cada uma fosse uma parte, onde uma se reflete na outra. E no final passa a mensagem de uma certa união feminina, como se todas fossem parte de um todo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a diretora, revelando sua inspiração em </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/539999/critica-suspiria-1977-a-estetica-do-medo/"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Dario Argento, que envolve uma complexa relação entre mulheres e alguns trocadilhos com a letra S.</span></p>
<figure id="attachment_25461" aria-describedby="caption-attachment-25461" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25461 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1024x1024.jpeg" alt="A imagem quadrada é uma foto da diretora Anita Rocha da Silveira. Centralizada, Anita é uma mulher branca, jovem, magra, de cabelos curtos e penteados. Ela está com um grande sorriso no rosto, possui sobrancelhas finas e um rosto longo. Ela segura com sua mão direita um caderno e pode ser vista da cintura para cima, enquanto usa uma camiseta preta. Ao fundo vemos um set de filmagens com outros integrantes da direção." width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1536x1536.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-2048x2048.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/IMdi-VQU-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25461" class="wp-caption-text">Anita já é nome conhecido entre cineastas brasileiros de Terror (Foto: Anita Rocha da Silveira)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E como se tornou costume nas entrevistas que detalham os </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-rian-cordova-e-leonardo-menezes/"><span style="font-weight: 400;">processos criativos do Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, a questão de financiamento e verba não foi fácil na concepção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com dinheiro reduzido, a equipe resolveu prosseguir mesmo assim, rodando todo o longa em apenas 28 dias. A resposta imediata veio em uma cidadezinha francesa que atende por Cannes e respira Arte todo meio de ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retorno para o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/07/medusa-unico-brasileiro-a-competir-em-cannes-afronta-o-extremismo-evangelico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi também o momento de entrar em uma sala de cinema, sentar na poltrona e ser fisgado pela catarse coletiva. Para isso, a equipe precisou ficar em quarentena por duas semanas, mas tudo valeu a pena, de acordo com Anita, que sorria ao detalhar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ln4KwaPYocQ"><span style="font-weight: 400;">aclamação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no antigo continente. Depois de lá, o longa foi prestigiado no Festival de Toronto, fez uma passagem exclusiva com direito a ingressos esgotados na Mostra de São Paulo e, agora, está fincando sua máscara branca no </span><a href="http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/medusa"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando tocamos na tecla do </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/filmes-sobre-futuros-distopicos"><span style="font-weight: 400;">ar distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora prefere definir sua criação como ambientada em um universo paralelo, porque tem muitos exageros óbvios, mas baseados no mundo real. As falas ditas pelo personagem de Thiago Fragoso são todas retiradas de sermões existentes e disponíveis em vídeos na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Consciente de como transmitir sua mensagem, a diretora define que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa num lugar isolado, mas que reflete o Brasil como um todo.</span></p>
<figure id="attachment_25462" aria-describedby="caption-attachment-25462" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25462 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. Centralizado à direita há uma mulher com uma roupa toda branca e uma máscara branca que mostra apenas seus olhos. Ela está coberta por uma luz vermelha e está num lugar escuro e com muitas folhas." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/swAo3zuA-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25462" class="wp-caption-text">“Prefiro dizer que é um filme situado num universo paralelo, mas que se passa atualmente” (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu filme de estreia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MskWriChuXs"><i><span style="font-weight: 400;">Mate-Me Por Favor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Anita optou por inundar a </span><a href="https://macabra.tv/diretoras-macabras-o-luto-e-a-morte-pelo-olhar-de-anita-rocha-da-silveira/"><span style="font-weight: 400;">conclusão em melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e quase repetiu a fórmula na produção de 2021. No esboço inicial, o final era pessimista, mas a realidade brasileira </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-16/inacao-e-desinformacao-do-governo-bolsonaro-agravam-a-pandemia-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">se tornou tão sombria</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela quis fazer algo positivo. Quando evoca uma libertação física e emocional das mulheres protagonistas, o filme sublinha a imagem de Medusa no imaginário popular, uma figura berrante, que dá um grito de raiva e não de medo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Para mim, é um final de mudança, de transformação. Como despertar e liberar tudo aquilo que está reprimindo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela complementa. A cicatriz é elemento de transformação, não de vergonha ou prisão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">bebe das mais </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/03/07/pais-terrivelmente-evangelico-e-projeto-de-poder-ou-preconceito-da-elite.htm"><span style="font-weight: 400;">pútridas águas</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa tal realidade. Assistindo ao avanço neopentecostal para dentro das entranhas da política brasileira, movimento responsável por grande parte do diálogo com a atual onda conservadora, a cineasta ressalta o quão perigoso essa relação íntima pode vir a ser. O problema, segundo Anita, está em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/extremismo-evangelico-e-perigoso-e-potencializa-violencias-historicas-diz-pastor.shtml"><span style="font-weight: 400;">interpretar a Bíblia</span></a><span style="font-weight: 400;"> a seu bel prazer, de uma maneira machista, homofóbica e que leva apenas o ódio ao diferente. Se a nossa libertação vier assim como nos momentos conclusivos de Michele e as Preciosas, só nos resta esperar pelos créditos finais.</span></p>
<figure id="attachment_25463" aria-describedby="caption-attachment-25463" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25463 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-scaled.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Medusa. Ao centro vemos duas mulheres mais ao fundo da foto, sendo parcialmente cobertas por um matagal. À esquerda há uma mulher branca, loiro e de cabelos longos e encaracolados, ela está com uma feição amedrontada e abraça sua amiga à direita, uma mulher negra, de cabelos pretos, enrolados e longos, que também possui uma feição preocupada e com medo. Ao fundo vemos uma floresta enquanto está de noite." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-2048x1363.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/FSm1bG_Q-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25463" class="wp-caption-text">Melissa, de Bruna Linzmeyer, se torna a Medusa amaldiçoada por suas iguais (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse escolher 3 mulheres para trabalhar junto em um filme, vivas ou mortas, quem seriam e por quê?</b></p>
<p><b>Anita:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Vou ter que parar para pensar agora. A Madonna, por que não? Se pode sonhar alto, por que não a Madonna? Que está aí inovando desde sempre. Quem mais? A primeira que me veio à mente foi a Madonna. Adoraria trabalhar um dia com a Fernanda Montenegro, que eu acho uma grande atriz. E com a Viola Davis, sonhei alto, hein”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse adaptar outro mito histórico, qual seria?</b></p>
<p><b>Anita:</b> <i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Não sei agora (risos), acho que vou por outro caminho”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de Medusa?</b></p>
<p><b>Anita:</b><i><span style="font-weight: 400;"> “Estou começando a desenvolver dois projetos ao mesmo tempo, mas muito embrionários. Um já mais caro, então acho que na situação atual do Brasil, que os lançamentos são quase inexistentes para o Cinema, seria complicado. Eu comecei a desenvolver um outro, mas de momento eu estou, enfim, tentando me estabilizar como diretora, alguns outros trabalhos como diretora, porque até então eu tenho trabalhado mais como roteirista e agora, com o segundo longa, vou também tentar conseguir trabalhos em séries e pros outros, dirigindo, porque a minha paixão está mesmo no set. Enquanto isso estou desenvolvendo esses dois projetos, mas o financiamento é complicado no Brasil e, para mim, ter liberdade criativa é algo essencial. Daqui a pouco eu vou escolher qual dos dois eu vou tocar, mas eu sou uma pessoa que não consigo fazer mais de um projeto ao mesmo tempo não. Só faço um de cada vez”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de passar por Cannes, Toronto e pela Mostra de SP, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa </span></i><span style="font-weight: 400;">está em exibição no Festival do Rio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MEDUSA (Anita Rocha da Silveira, Brazil, 2021)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RsVrK5WM4rY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Era melhor quando o Amanhecer não chegava</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 20:14:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez De filmes que denunciam e encaram ataques à humanidade de frente a outros que se aprofundam nas consequências sociais e emocionais, os recorrentes conflitos no Leste Europeu acharam na Arte lugar para serem refletidos e relembrados. Amanhecer, coprodução entre Croácia e Itália dirigida por Dalibor Matanic, torce a abordagem dramática em uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amanhecer-zora-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Era melhor quando o Amanhecer não chegava"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24384" aria-describedby="caption-attachment-24384" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Na imagem, em uma paisagem montanhosa com uma gramado baixo e algumas árvores baixas espalhadas, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos lisos na altura do ombro, sem camisa e de calças jeans, sentado em uma cadeira de madeira e virado de costas para a câmera. Ao redor dele, vemos cadeiras de madeira idênticas à qual ele está sentado, caídas espalhadas pela grama." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24384" class="wp-caption-text">Amanhecer se dividiu entre as salas de cinema e as exibições online da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na qual integrou a seção Perspectiva Internacional (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De filmes que denunciam e encaram </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><span style="font-weight: 400;">ataques à humanidade de frente</span></a><span style="font-weight: 400;"> a outros que se aprofundam nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/colmeia-critica/"><span style="font-weight: 400;">consequências sociais e emocionais</span></a><span style="font-weight: 400;">, os recorrentes conflitos no Leste Europeu acharam na Arte lugar para serem refletidos e relembrados. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer</span></i><span style="font-weight: 400;">, coprodução entre Croácia e Itália dirigida por Dalibor Matanic, torce a abordagem dramática em uma distopia fantasiosa, estreando no Brasil na 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, como parte da seção Perspectiva Internacional. Usando de simbologias, significados ocultos e muito mistério, o longa-metragem exibido no Festival de Karlovy Vary, tradicional do país de origem, imagina possibilidades a partir do passado croata.</span></p>
<p><span id="more-24383"></span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCTsBKyVr8U"><i><span style="font-weight: 400;">Zora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o nome original da produção, se passa em um futuro próximo e em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/"><span style="font-weight: 400;">cenário isolado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio às montanhas, onde Matija (Kresimir Mikic) vive com sua mulher, Ika (Tihana Lazavic), e os dois filhos do casal. As ameaças constantes do radicalismo e do autoritarismo vigentes na região fazem com que o protagonista, assim como fizeram os seus vizinhos, queira se mudar de lá. Porém, com o relacionamento apático em crise, uma tragédia familiar não solucionada e a mudança de um misterioso homem para o terreno ao lado, os dias tediosos e os planos em andamento de Matija são revirados.</span></p>
<figure id="attachment_24385" aria-describedby="caption-attachment-24385" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-2.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Em uma imagem em primeiro plano, em que os personagens aparecem dos ombros para cima, vemos, do lado esquerdo, um menino branco, de cabelos loiros curtos, vestindo um casaco azul, em desfoque e de costas para a câmera. Do lado direito, vemos um homem branco, de cabelos pretos lisos e despenteados na altura da orelha, barba comprida e grisalha, aparentando cerca de 40 anos, vestindo uma blusa azul e um casaco preto, encarando o menino e segurando o rosto dele com a mão esquerda." width="668" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-24385" class="wp-caption-text">Sol a Pino, filme anterior do diretor Dalibor Matanic, foi exibido na mostra Un Certain Regard de Cannes, onde venceu o Prêmio do Júri (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, a quietude e calmaria de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">são enfatizadas pela fotografia fria e estática de Marco Brdar. Em casa, nas paisagens montanhosas e até no bar local, assistimos ao cotidiano pacato dos protagonistas e o tédio vivido por eles atravessa a tela: é só depois de mais de uma hora de filme que o interesse finalmente desperta. Quando o forasteiro se instala na cidade e o maçante dia a dia de Matija é abalado, o roteiro, também responsabilidade do diretor </span><a href="https://cineuropa.org/es/interview/395564/"><span style="font-weight: 400;">Dalibor Matanic</span></a><span style="font-weight: 400;">, parece começar a engatar, e a curiosidade quanto às ameaças é amplificada pela aura misteriosa e de suspense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recém-chegado compartilha o nome de Matija, se muda para o terreno vizinho e passa a construir uma casa idêntica à dele. Enquanto isso, a família passa por seus próprios conflitos. As crianças, excepcionalmente interpretadas por Lara Vladovic e Maks Kleoncic, tentam não se deixar abalar pela chatice da vida que levam, Ika sofre com a perda de um dos filhos do casal e Matija aparenta só existir ali, sem demonstrar sentimentos, irritações ou qualquer reação que evoque alguma empatia ou solidariedade no espectador. Passar da primeira uma hora de </span><a href="https://www.croatiaweek.com/award-winning-croatian-film-the-dawn-to-premiere-on-hbo/"><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um verdadeiro desafio.</span></p>
<figure id="attachment_24386" aria-describedby="caption-attachment-24386" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3.jpg" alt="Cena do filme Amanhecer. Em um cômodo que aparenta ser a sala de uma casa, com uma janela iluminada ao fundo, vemos, ao centro, uma menina branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 10 anos, vestindo um casaco preto e usando fones de ouvido azul, pendurados no pescoço. Atrás dela, em desfoque, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos longos, inclinada para frente." width="2048" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-3-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24386" class="wp-caption-text">Segundo o diretor Dalibor Matanic, Amanhecer é o segundo filme da Trilogia do Sol, que começou com seu outro longa, Sol a Pino (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esperança da melhora no ritmo vem quando Matija (forasteiro, não o protagonista) bate à porta de Matija (esse sim o protagonista) e o informa que tomará seu lugar, como homem, marido e pai das crianças. A partir daí, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">finalmente começa, mas não vai muito além. Já ficou claro que o substituto do protagonista, como ele se impõe, faz parte da intimação autoritária e que há um subtexto acerca de religiões ou grupos étnicos, que remetem aos conflitos no </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/guerra-bosnia.htm"><span style="font-weight: 400;">passado da Croácia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Só que as relações não passam da livre interpretação, já que em nenhum momento o filme traça paralelos minimamente mais claros com a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que a grande ameaça inspirada no real precise ser nomeada &#8211; e não é &#8211; mas as simbologias ocultas usadas pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b-UJgKEsLhY"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">uma metáfora específica demais para se sustentar apenas por si só. Nisso, entra outra Matija na história, dessa vez uma fanática religiosa. Com isso, a distopia não necessariamente se apoiaria no radicalismo que atinge a região &#8211; esse que só é identificável porque a sinopse deu a dica -, mas a relação entre os personagens, os mistérios da trama e a tragédia familiar, que aparentemente tem dedo do caçula da família no meio, também não passam de menções e referências misteriosas.</span></p>
<figure id="attachment_24387" aria-describedby="caption-attachment-24387" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4.jpeg" alt="Cena do filme Amanhecer. Sentados lado a lado em um banco e em frente a uma parede de madeira acinzentada, vemos, da cintura para cima, uma menina branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 10 anos, vestindo uma touca preta, um casaco cinza e com fones de ouvidos azuis pendurados no pescoço, à esquerda, e um homem branco, de cabelos pretos lisos na altura da orelha, barba grisalha, aparentando cerca de 40 anos, vestindo um casaco preto, à direita. " width="900" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4.jpeg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/zora-4-768x461.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24387" class="wp-caption-text">Três Matijas são Matijas demais (Foto: Kinorama)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reviravolta que o longa encara em seu encerramento é talvez a única parte em que uma mensagem possa ser tirada. Na confusão de cores e danças da sequência final, quando a luz do dia finalmente chega, fica claro o caráter completamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mar-infinito-critica/"><span style="font-weight: 400;">metafórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme, que pode querer indicar o conflito entre gerações e ideologias, tão perto, mas tão isolados naquele mesmo território. Apesar de culminar em um fechamento sem precedentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer </span></i><span style="font-weight: 400;">termina como começou: uma grande alegoria, livre para interpretação, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-inventados-critica/"><span style="font-weight: 400;">aberta demais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conceder </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-heroi-asghar-farhadi-critica/"><span style="font-weight: 400;">qualquer resposta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente da vida real, se é que a relação é tão próxima assim, era melhor quando o amanhecer não chegava. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE DAWN Trailer | PÖFF 2020" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qCTsBKyVr8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O outro lado do Mar Infinito atormenta uma geração</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 20:21:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Submerso nas águas de uma piscina qualquer, Pedro Miguel (Nuno Nolasco) abre os olhos e enxerga um azul sem fim. A vastidão do desconhecido é iluminada por feixes de luzes brilhantes vindas de um mundo acima do seu, enquanto as bolhas de seu oxigênio flutuam ao redor e ele só está ali, existindo. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mar-infinito-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O outro lado do Mar Infinito atormenta uma geração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24225" aria-describedby="caption-attachment-24225" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24225 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3.jpg" alt="Cena do filme Mar Infinito. Na imagem, o personagem Miguel está debaixo d’água e conectado por um aparelho de oxigênio que sai do lado esquerdo da imagem. Ele é um homem branco de cabelos castanhos, está sem camisa e com o corpo e braços flutuando sozinhos, virado de lado. A máscara de oxigênio está presa no alto e lados de sua cabeça" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24225" class="wp-caption-text">Jorge Quintela fotografa um jovem abandonado pela própria espécie através de lentes precisamente calmas, na produção que integra a Competição Novos Diretores na 45ª Mostra Internacional de São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submerso nas águas de uma piscina qualquer, Pedro Miguel (Nuno Nolasco) abre os olhos e enxerga um azul sem fim. A vastidão do desconhecido é iluminada por feixes de luzes brilhantes vindas de um mundo acima do seu, enquanto as bolhas de seu oxigênio flutuam ao redor e ele só está ali, existindo. Não há como imaginar que esse momento é mais uma tentativa do protagonista em enfrentar sua aquafobia, mas sim que o mesmo estaria tão intrinsecamente conectado com a premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=61QkMbIVBcg&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">Mar Infinito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa estreou na Competição Novos Diretores na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo como um filme de ficção intergalático em que um jovem luta por um lugar com a humanidade fora do planeta, mas é, na verdade, a solidão de uma geração sem rumo, afogada por uma incerteza esmagadora.</span></p>
<p><span id="more-24223"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/carlos-amaral"><span style="font-weight: 400;">Carlos Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido pelo curta </span><a href="https://vimeo.com/69633406"><i><span style="font-weight: 400;">Longe do Éden</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A sua produção portuguesa transformou o baixo orçamento, que nunca alcançaria um audiovisual mediano de viagem pelo universo, em uma reflexão sobre a parcela da sociedade que é deixada de fora quando os </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/inovacao/noticia/2021/09/15/spacex-de-elon-musk-faz-1o-voo-orbital-com-civis-no-espaco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ricos aventureiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidem saltar para fora do planeta Terra. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Sea</span></i><span style="font-weight: 400;">, Pedro Miguel tenta </span><i><span style="font-weight: 400;">hackear</span></i><span style="font-weight: 400;"> o sistema que o reprovou por fobia de água, para, assim, poder embarcar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Proxima Centauri </span></i><span style="font-weight: 400;">e se juntar à colonização de um astro desconhecido. Sua rotina monótona mostra um mundo completamente habitável e saudável, mas abandonado, e os humanos que ficaram vivem em um ciclo de desesperança e melancolia. Depois de tantos meses frustrado, o protagonista conhece Eva (Maria Leite) e, compartilhando um desgaste existencial, a jovem se torna a única motivação para continuar.</span></p>
<figure id="attachment_24224" aria-describedby="caption-attachment-24224" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3.jpg" alt="Cena do filme Mar Infinito. Na imagem, Miguel e Eva estão abraçados em pé, em um trecho de areia em meio ao mar. Miguel está à esquerda, é um homem branco com cabelos castanhos enrolados e bigode e veste um macacão bege. Eva está à direita virada de lado, com os braços em volta de Miguel e a cabeça encostada em seu ombro. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho curto, e veste macacão bege." width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24224" class="wp-caption-text">A propaganda do programa Proxima Centauri utiliza a frase “Você é o futuro” e, mesmo assim, os jovens não foram escolhidos para fazer parte (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhado de uma trilha sonora prazerosa e esporádica, o filme desenha uma obra de solidão completa. O casal não desiste de alcançar o futuro na </span><i><span style="font-weight: 400;">Proxima Centauri</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, no ritmo deles, assistimos o mundo numa paleta de tons azuis e violetas, com personagens mais velhos enfurnados em buracos abandonados e afirmando que suas existências foram descartadas. Persistindo, o casal descobre-se a si próprio e ao outro, como, por exemplo, quando Eva ensina Miguel a nadar e ele a ensina a andar de bicicleta, conhecimentos simples que pertencem à infância. Isso mostra a proporção do sentimento de abandono que ambos apresentam, uma contrapartida com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-chegada-extraterrestres/"><span style="font-weight: 400;">filmes futuristas famosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Eva é consistida na pura adição de frases narrativas sobre o peso existencial, todas clichês, e, ainda assim, dolorosas ao peito. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Às vezes sinto que já fomos embora e estamos a caminho, flutuando no espaço enquanto sonhamos com a vida no destino” </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma das falas na voz deleitável de </span><a href="https://www.vogue.pt/maria-leite-entrevista"><span style="font-weight: 400;">Maria Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> que são um soco no estômago, pois exemplifica como a </span><a href="https://www.businessinsider.com/millennials-mental-health-burnout-lonely-depressed-money-stress"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece se encontrar: andando num infinito espaço-tempo, sem a certeza de, se ao cruzar a ponte, encontrará alguma vida.  Em conjunto com isso, Miguel entende que eles são descartáveis; os escolhidos possuem seu lugar, mas há futuro para eles?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após os jovens conseguirem embarcar no programa, o longa mostra o seu tom mais reflexivo e confuso. O casal entra em um sono induzido debaixo d’água até chegar ao destino prometido, mas quando acordam Miguel está sozinho. Ele segue seu caminho em uma terra lamacenta, se mantendo com a promessa de procurar Eva </span><i><span style="font-weight: 400;">“depois do mar infinito”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua realidade mistura-se ao devaneio. Não sabemos se toda a trajetória realmente aconteceu, ou se Eva é a voz na mente de Miguel que o compele a não desistir em um futuro que mais se assemelha a um pesadelo. Assim, com uma estética visual perfeita e um tom calmo demais que anda e não chega em lugar algum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar Infinito</span></i><span style="font-weight: 400;"> pauta na </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/mar-infinito"><span style="font-weight: 400;">Mostra de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o temor paralisante em ver o mundo avançando, mas tudo o que se enxerga do lado de cá é um horizonte aguado, sem esperança de alcançar terra firme. É como se estivéssemos submersos, assistindo o resto do mundo num azul infinito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MAR INFINITO de Carlos Amaral (2021) – trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/61QkMbIVBcg?start=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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