Feito na América: um episódio de Narcos lançado no cinema

http://cdn.cinepop.com.br/2017/06/feitonaamerica_5.jpg

Heloísa Manduca

Na última quinta-feira, dia 14, foi lançado nos cinemas brasileiros o filme Feito na América, longa dirigido por Doug Liman (“No Limite do Amanhã”, 2014). O destaque imediato do filme é ter o galã Tom Cruise no elenco novamente. Desta vez, ele aparece de uma forma mais descontraída e engraçada, que fazem sua atuação ser longe de ser problemática – ao contrário do enredo proposto pelo filme.

Feito na América é uma adaptação baseada na história real de Barry Seal, porém mais parece uma extensão da série Narcos, que possui uma originalidade e identidade próprias.

O contexto é a década de 1970 e 1980, auge da Guerra Fria no Caribe e a explosão do narcotráfico. Barry Seal (Tom Cruise), um piloto da companhia aérea TWA abandona seu trabalho para poder servir ao mesmo tempo à CIA e ao cartel de Medellín, comandado por Pablo Escobar.

https://bloximages.newyork1.vip.townnews.com/theadvocate.com/content/tncms/assets/v3/editorial/f/41/f4154fae-4c86-11e7-82ec-a728de5a69f1/5939b04ae3cf5.image.jpg
O verdadeiro Barry Seal  (Crédito: The Advocade)

Sua tarefa é basicamente fazer o transporte de cocaína, armas e pacotes ‘misteriosos’ em troca de uma generosa recompensa em dinheiro vivo. Conforme a história se desenrola, mais o cartel cresce e maior fica a demanda pelos serviços de Barry. Consequentemente, a fortuna começa a aumentar e sua vida e a de sua família correm perigo.

Com esse enredo, é fácil traçar os paralelos entre o filme e a série Narcos. O filme traz um olhar diferente do narcotráfico colombiano. Nele, é possível acompanhar mais de perto como eram feitas as distribuições das drogas pela via aérea. Além de Barry, outros três pilotos eram responsáveis por essa missão, vertente esta que não é mostrado na série latino-americana.

Em segundo ponto, é possível perceber uma edição extremamente semelhante. Há um narrador no fundo do filme para poder situar o telespectador tanto na história quanto na passagem do tempo. Trechos verídicos de vídeos são inseridos.

Pronunciamento de presidentes, cenas do cartel e do transporte são alguns exemplos. A trilha sonora é mesclada com músicas latinas que também trazem à tona todo o gingado dos episódios do seriado. Até parece que a equipe de edição foi a mesma para ambos os trabalhos.

p
Pablo chamando pro racha

Como se não bastasse, ainda é possível comparar a história de Barry com a do personagem Jorge Salcedo, interpretado por Matias Varela. Salcedo viveu como chefe de segurança do cartel de Cali e foi retratado na terceira temporada de Narcos.

Pode parecer loucura, porém tanto Barry quanto Salcedo eram responsáveis por diferentes partes da segurança dos cartéis. Seal pilotava o avião e assegurava que a carga chegasse até os destinatários. Jorge dirigia carros e precisava despistar qualquer ameaça que fosse oferecido para os chefes do Cali.

Salcedo, o chefe de Segurança.

Ambos tinham família, esposa e filhos, e estavam dispostos a fazerem mudanças de cidades e casas para poderem despistar qualquer risco de morte. Por fim, eles tiveram ligação com a Agência Antidrogas Norte-americana (DEA), combinando planos para poderem agir contra os cartéis. Essas semelhanças fazem Feito na América não ter um gran finale e torna natural que o espectador presuma e acerte o que irá acontecer.

Em geral, os amantes de Narcos podem matar um pouco da saudade assistindo a Feito na América. Apesar de não haver grandes novidades na história, o longa oferece cerca de duas horas de ótima produção. Traz cenas agitadas e não deixa o espectador perder o ritmo ou ficar entediado na poltrona.

Deixe uma resposta