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	<title>Arquivos Política &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Semente do Fruto Sagrado planta um bom roteiro em solo fértil</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 00:10:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Frondosas e firmes, as figueiras são vistas em todo o mundo como uma representação da longevidade. Com frutos adocicados e nutritivos, os figos, remete a aconchego, segurança e estabilidade. No islamismo, um juramento é amplamente conhecido pelos seguidores da religião “pelo figo e pela azeitona”, um simbolismo da importância de respeitar o sagrado. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-semente-do-fruto-sagrado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Semente do Fruto Sagrado planta um bom roteiro em solo fértil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34879" aria-describedby="caption-attachment-34879" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34879" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34879" class="wp-caption-text">Longa-metragem alemão, A Semente do Fruto Sagrado concorre a Melhor Filme Estrangeiro na 97ª edição do Oscar (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><strong>Jamily Rigonatto</strong></p>
<p>Frondosas e firmes, as figueiras são vistas em todo o mundo como uma representação da longevidade. Com frutos adocicados e nutritivos, os figos, remete a aconchego, segurança e estabilidade. No islamismo, um juramento é amplamente conhecido pelos seguidores da religião <em>“pelo figo e pela azeitona”</em>, um simbolismo da importância de respeitar o sagrado. Esse elemento estimado por diversos povos está presente no título de um dos concorrentes a Melhor Filme Estrangeiro do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2025/"><em>Oscar 2025</em></a>, mas, ao contrário do esperado, <em>A Semente do Fruto Sagrado</em> mostra que a colheita nem sempre é boa.</p>
<p><span id="more-34878"></span></p>
<p>Contando a história de uma família Iraniana de classe média alta, o longa-metragem expõe um desencontro no pensamento geracional. Com Iman (<a href="https://www.vulture.com/article/mohammad-rasoulof-on-making-seed-of-the-sacred-fig-in-secret.html">Missagh Zareh</a>), o patriarca do núcleo familiar, sendo promovido a investigador e tendo que assinar processos cuja punição são penas de morte, a pacata vida da mãe Najmeh (Soheila Golestani) e das filhas Sana (Setareh Maleki) e Rezvan (Mahsa Rostami) ganha um tom de reviravolta.</p>
<p>Ao contrário do que a sinopse sugere, a narrativa de T<em>he Seed of the Sacred Fig</em> – nome original da produção – é surpreendentemente convidativa. Longe de ser mais um filme sobre relações de parentesco desgastadas pelo dia a dia, a obra escolhe retratar como as divergências religiosas, políticas e morais podem gerar violência dentro de uma casa. Além da escolha de roteiro ousada assinada por <a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/648080-mohammad-rasoulof-o-cineasta-iraniano-mais-odiado-e-perseguido-pelo-seu-governo">Mohammad Rasoulof</a>, destaca-se a maneira que é conduzida, prendendo o telespectador que fica permanente tenso à espera do desenrolar dos acontecimentos.</p>
<figure id="attachment_34880" aria-describedby="caption-attachment-34880" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34880" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmeira2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34880" class="wp-caption-text">O diretor de A Semente do Fruto Sagrado Mohamed Rasoulouf passou meses preso no Irã e atualmente está exilado na Alemanha (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a promoção de Iman no trabalho passa a inserir certo afastamento na rotina da família, até o ponto em que o sumiço da arma de autodefesa do homem dentro da própria residência cede o último fio de confiança entre eles. A partir desse momento, as <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63429830">mulheres</a> da casa recebem um tratamento adverso, sem poder reivindicarem ou expressarem as suas vontades. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">As filhas são jovens que passam por um momento de transição e, entre toda a violência policial que fere os responsáveis pelas manifestações contra o regime de traços ditatoriais vigente no Irã, estão adquirindo pensamento libertários próprios e querem se expressar de uma maneira distinta, inclusive tirando o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgrjrgqkjkyo">Hijab</a> – vestimenta obrigatória para o gênero feminino na República do Irã. No entanto, são tolhidas dessas ideias pelo pai, que reaje de uma maneira cada vez menos flexível. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A grande sacada do longa-metragem é a forma de guiar a progressão dos eventos. No início, a família simpática cativa quem está assistindo, de forma a criar certa empatia entre o nós e o eles. Assim, o desvio de comportamento de Iman vem como um elemento inesperado capaz de assustar o mais desconfiado dos telespectadores. Um grande feito da atuação de Zareh, que transmite cada passo da perda de seus princípios e ideais sobre a integridade da vida. </span></p>
<figure id="attachment_34881" aria-describedby="caption-attachment-34881" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/filmes_18296_the-seed-of-the-sacred-fig-91af3d-easy-resize.com_.jpg" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34881" class="wp-caption-text">A atuação das jovens irmãs é um dos pontos positivos de A Semente do Fruto Sagrado (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mudanças sociais e políticas impactantes vêm de elementos encarados pelo conservadorismo como rebeldia. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Semente do Fruto Sagrado</span></i><span style="font-weight: 400;"> isso não é diferente, mas mostra o quanto a rigidez moral é violenta de um lado só: o que prega a paz religiosa. O concorrente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na corrida do <em>Oscar</em> pode não ter uma carga dramática tão sensível quanto, mas se mostra um dos enredos mais completos do jardim de filmes internacionais dos últimos anos. Entre força política e desesperança, o longa-metragem prova que ignorar a subversão da juventude é andar para trás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar na maior premiação do Cinema, vale lembrar que a disputa não é só contra o título brasileiro, mas também com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota da Agulha,</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/flow-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o polêmico </span><i><span style="font-weight: 400;">Emilia Perez</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Globo de Ouro desse ano, a obra foi indicada na mesma categoria, além de ter recebido o prêmio especial do júri no Festival de Cannes em 2024, se tornando um nome com grandes possibilidades de projeção no mercado dos prêmios cinematográficos.  </span></p>
<figure id="attachment_34883" aria-describedby="caption-attachment-34883" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34883" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/A-Semente-do-Fruto-Sagrado_Mares-Filmes-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34883" class="wp-caption-text">Segundo a ONU, de setembro a novembro de 2022 mais de 14 mil pessoas foram presas nos protestos do Irã (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a obra é gráfica e cruel, usando a <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2023/10/5136402-ira-jovem-agredida-pela-policia-da-moralidade-tem-morte-cerebral.html">violência</a> como um elemento nem um pouco censurado. Alguns vídeos apresentados na televisão ou nos celulares das jovens irmãs são, inclusive, cenas reais das manifestações que ocorreram no país. Essa visão criativa tira pontos da sensibilidade, os colocando em massa no tom de denúncia. Algo que não desagrada, mas deixa o público com uma sensação de impotência desoladora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto a ser destacado é a fotografia, dirigida por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm9170537/?ref_=ttfc_fc_cr"><span style="font-weight: 400;">Pooyan Aghababaei</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, em partes, consegue ter enquadramentos precisos em expressões faciais e movimentos essenciais para a leitura da narrativa. No entanto, por vezes, parece um pouco amadora, deixando a estética em segundo plano e a pouca modulação cênica bastante evidente. Não é o tipo de prejuízo irremediável, mas quando se pensa no que é avaliado pela Academia, pode pesar. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><span style="font-weight: 400;">Necessário, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6LZrWCBzEOc"><em>A Semente do Fruto Sagrado</em></a> tem irreverência na dose certa e uma sequência que mistura elementos dramáticos, suspense e realidade com uma destreza admirável. Longe das disputas por uma certa estatueta dourada, o filme merece a atenção de públicos de todo o mundo. Lembrar que diversas pessoas são torturadas e presas por quererem sua independência de pensamento, comportamento e direcionamento política alerta: nem toda semente germina para alimentar, em alguns casos, ela suga o que há de bom no solo e cai como uma praga<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE SEED OF THE SACRED FIG - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/A3P53zHCPJU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Fechando com coroa de ouro, The Crown nos dá adeus após seis temporadas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 14:41:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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<figure id="attachment_34724" aria-describedby="caption-attachment-34724" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/unnamed.png" alt="Cena de The Crown, na imagem, a rainha elizabeth aparece de perfil. Ela é uma mulher branca de cabelos grizalhos curtos e enrolados, seus olhos são azuis. O fundo é sólido e preto. " width="735" height="354" /><figcaption id="caption-attachment-34724" class="wp-caption-text">The Crown, série histórica sobre o reinado de Rainha Elizabeth II, chega ao fim depois de seis temporadas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Zamai</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em Novembro de 2016, </span><a href="https://youtu.be/dFZC-_T_irA?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, chegou ao fim depois de seis temporadas mostrando a vida por trás dos portões do Palácio de Buckingham. Criada por Peter Morgan, que já produziu outros trabalhos sobre a </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-109086/"><span style="font-weight: 400;">monarquia inglesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o drama focado na Rainha Elizabeth II retrata os acontecimentos desde 1940, quando, para o bem ou para o mal, Elizabeth Alexandra Mary se tornou rainha após a súbita morte de seu pai. Desde então, o seriado passou pelo casamento da então princesa com o príncipe Philip, a vida conturbada de sua irmã Margareth, o nascimento e crescimento de seus filhos e netos, as preocupações com os primeiros ministros, e, no final, a polêmica morte da princesa Diana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do que fez nas outras temporadas, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> dividiu o lançamento em duas partes: </span><a href="https://youtu.be/cCn9nxVtuOc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">a primeira,</span></a><span style="font-weight: 400;"> com quatro episódios focados nos acontecimentos de antes, durante e depois da morte de Lady Di, foi lançada em Novembro de 2023. Já </span><a href="https://youtu.be/b40ZxFyzG7g?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">a segunda parte,</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seis episódios, mostra o fechamento do arco de alguns personagens da família real – inclusive o da própria Rainha – até o início da década 2000, e estreou em Dezembro de 2023.  </span></p>
<p><span id="more-34723"></span></p>
<figure id="attachment_34733" aria-describedby="caption-attachment-34733" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34733" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-2.jpeg" alt="" width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34733" class="wp-caption-text">Finalizando histórias de outros personagens, Rainha Elizabeth II ficou de lado na última temporada de The Crown (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando uma técnica já utilizada anteriormente durante a produção, a temporada começou com uma visão telespectadora da morte da princesa Diana. Um homem parisiense desconhecido pelo público, passeia com seu cachorro e vê a </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/05/17/acidente-em-perseguicao-por-paparazzi-relembre-como-foi-a-morte-de-diana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">forte batida de carro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que aconteceu no dia 31 de Agosto de 1997, no Túnel da Praça de l’Alma, em Paris. Porém, há um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, ao longo dos próximos episódios, assistimos à pré-morte de Lady Di (Elizabeth Debicki). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma performance brilhante que lhe rendeu um </span><a href="https://cinepop.com.br/globo-de-ouro-2024-elizabeth-debicki-leva-o-premio-de-melhor-atriz-coadjuvante-em-serie-por-the-crown-463952/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz Coadjuvante e um </span><a href="https://cinepop.com.br/critics-choice-awards-2024-confira-a-lista-de-vencedores-da-premiacao-465513/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na mesma categoria, Elizabeth Debicki incorporou cada detalhe da princesa. Seja na caracterização, quase sempre fidedigna, ou na personalidade, a atriz australiana conseguiu mostrar os trejeitos que Diana demonstrava ao público: o jeito tímido de falar, o costume de abaixar a cabeça, o olhar como de uma criança querendo algo, além da forma de movimentar as pernas e braços específicos de Lady Di. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da boa atuação de Debicki, o roteiro de Peter Morgan deixou a desejar em algumas cenas da atriz. Utilizando ações e diálogos desnecessários, é como se a produção quisesse se aproveitar da paixão do público pela ‘</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-como-diana-ficou-conhecida-como-a-princesa-do-povo/"><span style="font-weight: 400;">Princesa do Povo</span></a><span style="font-weight: 400;">’ para explorar seu uso sempre que possível, tornando a personagem protagonista de uma história que não deveria ser focada apenas nela. Esse fator fica visível na relação com Dodi Al-Fayed (Khalid Abdalla), quando mostra acontecimentos que, por mais parecidos que sejam com a realidade, ocuparam tempo de tela que poderia ser utilizado em outros arcos. </span></p>
<figure id="attachment_34731" aria-describedby="caption-attachment-34731" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34731" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3-800x518.jpg" alt="" width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3-1024x663.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3-768x498.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3-1200x778.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-3.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34731" class="wp-caption-text">Diana na Austrália em 1983, quando recebeu o apelido de ‘Princesa do Povo’ (Foto: Jayne Fincher)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além desse desperdício, outro erro da temporada foi colocar Mohamed Al-Fayed (Salim Daw) ou </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2023/09/01/morre-mohamed-al-fayed-o-empresario-egipcio-menosprezado-pela-elite-inglesa.htm"><span style="font-weight: 400;">Moumou</span></a><span style="font-weight: 400;">, forma que Diana o chamava, como o vilão da história trágica da princesa, mesmo que sutilmente. A intenção do personagem, conforme mostrado na série, era fazer Lady Di se apaixonar por Dodi, para que, futuramente, se casassem e ele finalmente conseguisse a tão sonhada cidadania inglesa, negada pelo governo anteriormente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, apesar de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/the-crown-pesquisadora-rebate-diana"><span style="font-weight: 400;">Annie Sulzberger</span></a><span style="font-weight: 400;">, chefe de pesquisa da série, ter dito que as diferenças entre o real e o ficcional seriam intencionais e feitas para se desviar da história, essa mudança pode ter prejudicado a imagem do seriado, que, nas temporadas anteriores, mostrava os fatos históricos junto com momentos ficcionais, mas não afetava a imagem de nenhum personagem. Esta, no entanto, vilaniza os Al-Fayed, colocando-lhes a culpa por algo nunca provado e, com a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mohamed-al-fayed-ex-proprietario-do-harrods-e-pai-de-namorado-de-lady-morre-aos-94-anos-em-londres/#:~:text=Al%2DFayed%20morreu%20em%202023,feitos%20e%20por%20suas%20controv%C3%A9rsias."><span style="font-weight: 400;">morte recente de Mohamed</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem possibilidade de defesa. </span></p>
<figure id="attachment_34732" aria-describedby="caption-attachment-34732" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-4-800x451.jpg" alt="" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-4-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-4-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-4.jpg 980w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34732" class="wp-caption-text">Diana passou seu último feriado no iate da família Al-Fayed, em 1997 (Foto: Stephane Cardinale)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Two Photographs</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa falha aconteceu novamente quando, agora, como um casal, Diana e Dodi foram flagrados aos beijos em um iate em Sardenha pelo fotógrafo Mario Brenna. Registros esses que, supostamente, Al-Fayed teria ajudado a acontecerem, ao divulgar o local onde o casal estava e pagar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzi</span></i><span style="font-weight: 400;"> tirar. Entretanto, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2023/11/paparazzo-que-fez-1a-foto-da-princesa-diana-beijando-dodi-comenta-cena-em-the-crown.shtml"><span style="font-weight: 400;">em entrevista, Brenna</span></a><span style="font-weight: 400;"> disse que estava na cidade por outros famosos e que encontrar o casal foi um “</span><i><span style="font-weight: 400;">grande golpe de sorte</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda neste episódio, a Fotografia, assinada pelo brasileiro Adriano Goldman, </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cummi82qmZr/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">indicado ao Emmy</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a direção de Christian Schwochow</span> <span style="font-weight: 400;">se destacam. Intercalando entre o fotógrafo de Diana e Dodi, e um segundo, mais velho, sempre presente em acontecimentos da família real, a série trouxe bastidores da vida dos dois e a diferença do trabalho dentro da mesma profissão. O primeiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzi</span></i><span style="font-weight: 400;">, usado em uma tentativa de revelar segredos. </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2023/11/19/the-crown-duncan-muir-existe/"><span style="font-weight: 400;">O segundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado por Charles (Dominic West) para fotografar ele e os filhos em Balmoral, em uma tentativa de apaziguar esses mesmos segredos. Mais uma vez, as figurinistas Amy e Sidonie Roberts, e demais funcionários por trás da série brilharam, pois Charles, William (Rufus Kampa) e Harry (Fflyn Edwards) estavam idênticos à foto original, com as mesmas poses, principalmente William. </span></p>
<figure id="attachment_34730" aria-describedby="caption-attachment-34730" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-5.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-5.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-5-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34730" class="wp-caption-text">Comparação entre a foto real e a produzida pela Netflix (Foto: Town &amp; Country Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para finalizar a primeira parte, um episódio tenso é minuciosamente elaborado. Apesar de o público já saber o </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/o-que-e-fato-na-versao-de-the-crown-dos-ultimos-dias-de-diana"><span style="font-weight: 400;">trágico destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> da princesa Diana, a série conseguiu trazer uma certa esperança de que os acontecimentos seriam diferentes e o acidente não aconteceria. A produção, novamente, nos deixa com a sensação de que, caso Mohamed não tivesse feito ou falado algo, talvez Lady Di estaria viva. Se não tivesse convidado Diana e Dodi para passarem as férias no iate, se não tivesse pressionado o filho para namorar com ela, se não tivesse chamado o paparazzi, se não tivesse chantageado em relação ao casamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma conversa profunda, o casal saiu pelos fundos do hotel, em um carro dirigido por Henri Paul, que havia consumido álcool. A combinação do motorista bêbado e a alta velocidade do carro para fugir do </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzi</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez com que o veículo se chocasse em um dos pilares do túnel da Ponte de l’Alma, voltando ao começo da temporada, quando um homem aleatório vê a cena e liga para socorristas, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/05/17/acidente-em-perseguicao-por-paparazzi-relembre-como-foi-a-morte-de-diana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">finalizando a história</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Diana e Dodi, de uma forma que, apesar de triste, foi realista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na segunda leva de episódios, o foco deixa de ser Diana e volta a ser a família real. Assumindo um lado mais cinematográfico, que não estava presente nas temporadas anteriores,</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Crown </span></i><span style="font-weight: 400;">traz aparições fantasmagóricas de Lady Di, em conversa com Charles, seu ex-marido, que, talvez exageradamente, mostra-se triste e arrependido por ter ajudado a trazer infelicidade para sua vida. A sensação que a cena traz é de uma bajulação, um ‘puxa-saquismo’, em termos populares, por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em relação ao </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/sob-nova-coroacao-os-primeiros-desafios-do-rei-charles-iii"><span style="font-weight: 400;">agora Rei Charles</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_34729" aria-describedby="caption-attachment-34729" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-6-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-6.jpg 888w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34729" class="wp-caption-text">Charles, Rei desde 2022, se casou em 2005 com Camilla após a morte de Diana (Foto: Adrian Dennis)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tristeza excessiva de Charles se mostra até contraditória em partes, pois ao longo do seriado, quando não brigava com ela para defender sua relação com Camilla Parker-Bowles (Olivia Williams), </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/camilla-parker-bowles-conheca-a-ex-amante-de-charles-que-se-tornou-rainha-consorte/#:~:text=Charles%20e%20Camilla%20se%20conheceram,CNN%20Brasil%20no%20seu%20WhatsApp!"><span style="font-weight: 400;">amante</span></a><span style="font-weight: 400;"> com quem mantinha uma relação desde antes de Diana, demonstrava superioridade e incômodo com o fato de ser  adorada  pelo público. O mesmo acontece com Mohamed e Dodi: o pai também tem uma visão fantasmagórica e os dois conversam sobre arrependimentos que tiveram um com o outro, além de como se amavam, apesar das brigas. Essas aparições seriam muito bem vistas e agregadas à série caso esse lado mais cinematográfico tivesse sido adotado anteriormente, durante as outras temporadas. A mudança inesperada causou estranheza no público, que estava acostumado apenas com fatos reais e pequenas mudanças entre a realidade e a ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto enfrentava uma reação negativa do público por não dizer nada a respeito dos acontecimentos, a Rainha também tem uma visão de Diana, que a pede para acabar com a sensação que a população tinha de que a princesa e a família real eram inimigas. Para isso, Imelda Staunton faz uma perfeita atuação em um </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/the-crown-veja-como-foi-o-verdadeiro-discurso-de-elizabeth-ii-apos-a-morte-da-princesa-diana.phtml"><span style="font-weight: 400;">discurso televisivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no qual presta uma homenagem à falecida nora. Estando visualmente idêntica à Elizabeth, Imelda conseguiu passar exatamente a mesma frieza que a verdadeira Rainha. Essa talvez tenha sido uma das cenas mais bem produzidas da sexta temporada, tanto em relação ao figurino, quanto ao cenário e a interpretação de Imelda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do exemplo já citado anteriormente da vilanização dos Al-Fayed, sutilmente  culpando-os pela morte de Diana e sendo desrespeitoso com o acontecimento, outra característica marcante foi a falta de interesse em explorar mais o príncipe Harry, interpretado por Luther Ford, que, aliás, não se parece fisicamente com o caçula da princesa em nada, a não ser pelo cabelo ruivo. Na segunda parte, nos poucos momentos em que ele aparece, é sempre com a personalidade de garoto-problema, que, apesar do envolvimento em uma polêmica com uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2005/01/050113_harrycg"><span style="font-weight: 400;">fantasia nazista</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca se mostrou, ao menos não na mídia e durante os anos apresentados na série, como um rebelde. </span></p>
<figure id="attachment_34728" aria-describedby="caption-attachment-34728" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34728" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-7-800x665.jpg" alt="" width="800" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-7-800x665.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-7-768x638.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-7.jpg 888w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34728" class="wp-caption-text">Polêmica fantasia com símbolo nazista de Príncipe Harry foi destaque nos jornais em 2005 (Foto: The Sun)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Harry passa quase despercebido, sem dizer ao telespectador como sua vida seguiu, como foi sua escola ou seu luto pela mãe; seu irmão William foi um dos focos na segunda parte do final. Ed McVey agiu como se conhecesse William por sua vida toda: além da semelhança física, o ator performou brilhantemente. Um de seus destaques foi no primeiro episódio focado nele, </span><i><span style="font-weight: 400;">Willsmania,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma cena na qual discute com o pai, príncipe Charles, e o acusa de ter causado a morte de sua mãe. Vemos o personagem ser comparado à Diana, sua timidez em relação às multidões e milhares de fãs, e, protagonizando com a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2005/01/050113_harrycg"><span style="font-weight: 400;">estreante Meg Bellamy</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel de Kate Middleton, o começo da história do casal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de estar iniciando como atriz, Meg Bellamy fez uma boa atuação, mas o roteiro não facilitou o bom entendimento de sua história. Mesmo trazendo novamente a situação de vilões, dessa vez, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> acertou. Mostrar que a mãe da Kate, Carole (Eve Best) arquitetou todo o relacionamento de William e a filha, faz parecer que é mentira, quando, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/12/16/carole-middleton-sogra-principe-william.htm"><span style="font-weight: 400;">de acordo com biógrafos da família real</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso de fato aconteceu. Porém, em alguns momentos, o roteiro ficou confuso, com a jovem se revoltando com a matriarca por planejar tudo em alguns momentos, e, em outros, parecer concordar e seguir o plano. Além da situação ter ficado confusa, a série não explorou todo o conteúdo que William e Kate poderiam ter entregado, como o primeiro encontro com a rainha e um melhor desenvolvimento da relação dos dois. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os primeiro ministros apresentados ao longo das temporadas, tivemos o último, </span><a href="https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$tony-blair"><span style="font-weight: 400;">Tony Blair</span></a><span style="font-weight: 400;">, do Partido Trabalhista, interpretado por Bertie Carvel, que fez parte da vida da Rainha de 1997 a 2007 e foi o primeiro a fazer Elizabeth se questionar sobre sua popularidade, modernidade e futuro na monarquia. Por ser o único que afetou a Rainha desta forma, a ponto de ser chamado de Rei Tony pelo público, poderia ter sido mais bem explorado, principalmente sua relação com o público e com o governo dos Estados Unidos, fato bem importante na história mundial.  </span></p>
<figure id="attachment_34727" aria-describedby="caption-attachment-34727" style="width: 511px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34727" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8-511x800.jpg" alt="" width="511" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8-511x800.jpg 511w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8-655x1024.jpg 655w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8-768x1201.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8-982x1536.jpg 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-8.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 511px) 85vw, 511px" /><figcaption id="caption-attachment-34727" class="wp-caption-text">Tony Blair foi o Primeiro-Ministro Inglês de 1997 a 2007 (Foto: Adrian Dennis)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em mais um fechamento de arcos, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez um episódio diferente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ritz</span></i><span style="font-weight: 400;">, focado na Princesa Margaret, que já teve seu foco nas primeiras temporadas quando ainda era interpretada pela brilhante Vanessa Kirby. De volta a 1945, no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-onde-e-por-que-e-comemorado-o-dia-da-vitoria-sobre-a-alemanha-nazista/"><span style="font-weight: 400;">Dia da Vitória na Europa</span></a><span style="font-weight: 400;">, as jovens Elizabeth e Margaret (Viola Prettejohn e Beau Gadsden, respectivamente) são apresentadas aos telespectadores, e vivem uma noite especial no Hotel Ritz, mostrando um lado de Lilibeth que ninguém conhece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclando momentos desse acontecimento e de Margaret no começo da década de 2000, a série traz um dos episódios em que o público cria uma empatia e um carinho especial por um personagem. Com a intenção de cativar o público da mesma forma que Vanessa Kirby fez anteriormente, Lesley Manville faz uma ótima interpretação da Princesa Margaret para representar seus últimos anos de vida. O roteiro, escrito por Meriel Sheibani-Clare e Peter Morgan, junto à direção de Alex Gabassi, torna esse episódio o melhor da temporada: a conclusão da história de uma personagem tão querida e admirada pelo público, com </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua infância que não haviam sido mostrados antes, além da certeza da amizade que Margaret e Elizabeth tinham. Ao fim do episódio, descobrimos que a </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/como-foram-os-ultimos-dias-da-princesa-margaret-irma-de-rainha-elizabeth"><span style="font-weight: 400;">princesa morreu durante o sono</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2002. </span></p>
<figure id="attachment_34726" aria-describedby="caption-attachment-34726" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-9-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-9-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-9-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-9.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34726" class="wp-caption-text">Princesa Margaret, em agosto de 2001, menos de um ano antes de falecer (Foto: Anwar Hussein)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois, a Rainha-Mãe, também Elizabeth, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft3103200220.htm"><span style="font-weight: 400;">morreu aos 101 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é só aí que a série volta a focar no principal: a própria Rainha Elizabeth. Com a perda de duas das pessoas mais próximas a ela,  é forçada a pensar na </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/09/08/operacao-london-bridge-o-que-acontece-apos-a-morte-da-rainha-elizabeth-ii.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Operação London Bridge</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua morte. Quando lhe cai a consciência da idade avançada que possui junto à popularidade de seu primeiro ministro, a Rainha tem uma conversa com suas versões mais novas trazendo o retorno das atrizes Olivia Colman, que interpretou a Rainha nas terceira e quarta temporadas, e Claire Foy, que esteve nas duas primeiras temporadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença das duas versões de Elizabeth aconselhando a mais velha foi uma ideia brilhante, que relembrou o telespectador os tempos que o programa já viveu, das histórias já concluídas e das que iriam se concluir. Durante a conversa, a Rainha fala para si mesma que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Monarquia é algo que você é, não que você faz</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e desiste da ideia de entregar a Coroa à Charles, que </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-casamento-de-principe-charles-e-camilla-parker-bowles.phtml"><span style="font-weight: 400;">se casou com Camilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> no episódio final. Mesmo com o mundo inteiro a olhando, a Rainha sabe que, no fim das contas, quem a ajuda é ela mesma, pois só ela sabe o que viveu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, em uma cena brilhantemente dirigida por Stephen Daldry, a Rainha de Imelda imagina seu funeral, com seu caixão e suas duas versões presentes ao seu lado. Apesar de não mencionar diretamente </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/09/08/rainha-elizabeth-ii-morre-aos-96-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a morte da Rainha Elizabeth II</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu em 2022, esse final nos deixa com a sensação de que aquilo foi uma homenagem, por mais sucinta e singela que seja. Uma homenagem para todas as versões da Rainha: Elizabeth II, Imelda Staunton, Olivia Colman e Claire Foy. E aos telespectadores, por terem acompanhado desde o início e terem sentido, mesmo que de longe, o peso da Coroa inglesa. </span></p>
<figure id="attachment_34725" aria-describedby="caption-attachment-34725" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-10.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-10.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/imagem-10-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34725" class="wp-caption-text">Olivia Colman, Imelda Staunton e Claire Foy interpretaram as três versões da Rainha Elizabeth II (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O final não foi tão espetacular quanto o esperado, se comparado às outras temporadas, principalmente, as duas primeiras. Por ser o desfecho definitivo, poderia ter passado brevemente pela conclusão da história de demais personagens quase não mencionados durante a série: os filhos de Elizabeth (Anne, Andrew e Edward). Mas, com as boas atuações de todo o elenco, com destaque para Elizabeth Debicki, Ed Vey e Lesley Manville, e o fechamento devido de personagens importantes e agradáveis ao público, </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80025678"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cumpriu seu papel de forma incrível e provou que, quando o destino convoca, até os monarcas devem comparecer. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>No Céu da Pátria Nesse Instante tem desfecho nublado para o Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Oct 2024 17:17:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Selecionado no Festival de Brasília e no Festival do Rio, No Céu da Pátria Nesse Instante é um documentário dirigido por Sandra Kogut que também faz parte da seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme narra as eleições presidenciais de 2022 que culminam nos ataques de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-ceu-da-patria-nesse-instante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No Céu da Pátria Nesse Instante tem desfecho nublado para o Brasil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34215" aria-describedby="caption-attachment-34215" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-800x431.png" alt="Cena do filme No Céu da Pátria Nesse InstanteNa imagem, um homem dirige uma moto, enquanto uma mulher com um colete escrito Justiça Eleitoral nas costas está na garupa. Eles estão de costas e na frente deles, em desfoque, há uma caminhonete com pessoas em cima que vestem camisetas verdes e amarelas, uniformes da seleção de futebol brasileira e usam bandeiras do país. Há também motos com pessoas que vestem o mesmo tipo de roupa. Também é possível ver casas no horizonte. A mulher e o homem estão na faixa dos 40 anos. " width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34215" class="wp-caption-text">O longa foi selecionado para a 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Ocean Films)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Selecionado no Festival de Brasília e no Festival do Rio, </span><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário dirigido por Sandra Kogut que também faz parte da seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme narra as eleições presidenciais de 2022 que culminam nos ataques de </span><a href="https://jornal.usp.br/artigos/o-que-foi-o-8-de-janeiro/"><span style="font-weight: 400;">8 de Janeiro de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Em entrevista para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lq4HsbD6xIk"><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora diz que começou o projeto no final de 2021. O ato dos apoiadores de Bolsonaro é o calcanhar de Aquiles não só da democracia, mas da produção também.</span></p>
<p><span id="more-34214"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com duração aproximada de 105 minutos, pelo menos 90 minutos são dedicados ao período de Agosto e Dezembro de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes/2022/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, tornando bem raso as impressões à respeito dos ataques, que parecem ser o foco do filme. A abertura são imagens do 8 de Janeiro, mas que só voltam a aparecer no final, prejudicando as ideias porque a partir da montagem e narrativa, nota-se que Kogut quer expressar uma ode à democracia e a felicidade de um Brasil livre de Bolsonaro, no entanto, no meio do caminho, uma ideia oposta colocou em xeque essas convicções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessa falta de profundidade acerca do ocorrido, </span><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue dar a volta por cima e fixar duas mensagens polarizadas, assim como está sendo a realidade brasileira. A penúltima cena é um dos personagens eleitores de Bolsonaro duvidando da legitimidade da urna eleitoral e afirmando que ele e a diretora vivem em países diferentes, pois recebem informações contraditórias. Enquanto isso, o último </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os créditos são bailados pela música </span><a href="https://youtu.be/gilUNUWcCc0?si=6OIIPecw6RD0TMfe"><i><span style="font-weight: 400;">Tá Na Hora do Jair Já Ir Embora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, comemorando a vitória de Lula e da democracia; apesar de uma significativa quantidade de pessoas mergulhadas em desinformação e manipulação, a esquerda venceu.</span></p>
<figure id="attachment_34216" aria-describedby="caption-attachment-34216" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34216" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-800x333.png" alt="Cena do filme No Céu da Pátria Nesse InstanteNa imagem, muitas pessoas vestindo bandeira do Brasil e verde e amarelo estão em volta do exército brasileiro, que tenta impedir o avanço das pessoas. Elas estão filmando com o celular e levantando as mãos. O exército está em pouca quantidade e se protege com escudos." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34216" class="wp-caption-text">‘Patriotas’ vandalizaram prédios públicos (Foto: Ocean Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande truque da diretora, seja em prol da narrativa ou para efeito de humor, é criar paralelos e rimas visuais. A construção dessa ideia de um Brasil dividido, vem aparecendo desde o começo, com um personagem que vende toalhas de Lula e Bolsonaro. Apesar de ser eleitor deste, ele não se importa de vender produtos da oposição, afinal “</span><i><span style="font-weight: 400;">aqui é CNPJ</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2024/10/filme-de-sandra-kogut-sobre-eleicoes-e-selecionado-para-maior-festival-de-docs-do-mundo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, não poupa o público de saber sua posição política, ela está contra Bolsonaro e a favor de Lula. Enquanto os eleitores de Lula e os mesários são filmados por vários pontos de vista, o outro lado é guiado por apenas uma família. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O filme se concentra nas mulheres e como elas foram protagonistas nesse evento, seja na campanha contra o ex-presidente, na denúncia de boca de urna ou trabalhando como mesárias e instruindo a população a saber votar. Há algumas cenas de comparação, que vem seguida da outra, mostrando a reação dos eleitores durante a contagem de votos e logo após o resultado. A direita se apoiando em Deus, fazendo uma roda de oração e a esquerda alegre, rindo e cantando. Sandra Kogut é bem corajosa e não fica em cima do muro, não há espaço para </span><a href="https://catarinas.info/fabiana-moraes-e-a-pauta-como-arma-de-combate-ao-fascismo-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">objetividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e neutralidade quando o assunto é política e Cinema.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um bom documentário, mas com ausência de uma conclusão melhor. Kogut não é protagonista e a câmera tem uma posição muito forte de impessoalidade, o que deixa essa Arte subjetiva é a montagem e escolha de narrativa. Não é um ponto ruim, porém, um confronto mais direto com a filmagem ou até mesmo relatos da equipe sobre a dificuldade de realizar o projeto, principalmente quando no meio do caminho acontece o </span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/democracia/se-triunfasse-o-golpe-de-8-de-janeiro-de-2023-nao-haveria-o-6-de-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">8 de Janeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem dúvidas, tornaria a experiência mais estimulante e melhor. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="No Céu da Pátria Nesse Instante - Teaser" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v8J8vzob3BQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Do amor à política, a importância da memória é infinita para Maite Alberdi</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 21:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em Agente Duplo (2020), a diretora Maite Alberdi deixou clara a sua metodologia: partir de um objeto de estudo do cotidiano para refletir sobre temas mais profundos. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário naquele ano, em que perdeu para o inferior Professor Polvo, o longa acompanhava Sérgio, um senhor viúvo que era incumbido &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-memoria-infinita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do amor à política, a importância da memória é infinita para Maite Alberdi"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32544" aria-describedby="caption-attachment-32544" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-6-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32544" class="wp-caption-text">O longa venceu como Melhor Filme Ibero Americano no Goya Awards, considerado o principal prêmio do Cinema espanhol (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/agente-duplo-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Agente Duplo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), a diretora Maite Alberdi deixou clara a sua metodologia: partir de um objeto de estudo do cotidiano para refletir sobre temas mais profundos. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Documentário</span> <span style="font-weight: 400;">naquele ano, em que perdeu para o inferior </span><a href="https://personaunesp.com.br/professor-polvo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Professor Polvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa acompanhava Sérgio, um senhor viúvo que era incumbido da missão de se infiltrar em um lar de idosos para investigar uma denúncia de maus tratos. No desenrolar dos acontecimentos, observamos ele se afeiçoar progressivamente aos hóspedes do local, ao compartilhar com eles seus sentimentos de solidão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, Alberdi retorna ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Memória Infinita</span></i><span style="font-weight: 400;">, também indicado na categoria de Melhor Documentário. O método continua o mesmo, mas o objeto de estudo é bem menos pitoresco que o anterior. Trata-se do casal chileno Augusto Góngora e Paulina Urrutia. Ele foi jornalista, cineasta e apresentador da Televisão Nacional do Chile, a única rede televisiva estatal do país. Ela é uma atriz de renome, cuja influência a levou ao cargo de ministra da cultura da ex-presidente Michelle Bachelet, durante o seu primeiro mandato, entre 2006 e 2010. Ainda que tivessem enorme reconhecimento popular, ambos enfrentaram, em sua vida privada, um triste dilema: o mal de Alzheimer, com o qual Augusto foi diagnosticado em 2014. </span></p>
<p><span id="more-32543"></span></p>
<figure id="attachment_32546" aria-describedby="caption-attachment-32546" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-5-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32546" class="wp-caption-text">Além do Oscar de Melhor Documentário, o Chile marcou presença em Melhor Fotografia com O Conde de Pablo Larraín, que, curiosamente, também é produtor de A Memória Infinita (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5de3Uy9Vcg"><span style="font-weight: 400;">Alberdi</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escolha de filmar a rotina de um casal em uma situação tão delicada torna-se uma oportunidade para refletir sobre a importância da memória, em um contexto de amor e política. Por isso, a diretora não a desperdiça, mantendo-se longe da espetacularização e fixando seu olhar em uma posição observadora e passiva, mas não necessariamente distante. Através do</span><i><span style="font-weight: 400;"> close</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua câmera valoriza a intimidade entre os dois, como em pequenos gestos de cuidado. Um dos exemplos mais marcantes é ver Paulina dando banho no marido e acariciando seu rosto, uma imagem belíssima que estampa um dos principais </span><a href="http://www.impawards.com/intl/misc/2023/la_memoria_infinita.html"><span style="font-weight: 400;">pôsteres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de divulgação do documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma linha, temos as conversas particulares entre eles, que emocionam desde os minutos iniciais, quando vemos Augusto acordar levemente esquecido de sua identidade e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LxTgZRPZ5Rs&amp;pp=ygUPcGF1bGluYSB1cnJ1dGlh"><span style="font-weight: 400;">Paulina</span></a><span style="font-weight: 400;"> explicando-a para ele, com paciência e empatia. Curiosamente, é o marido quem recorda o passado para a esposa mais à frente na rodagem, quando relembra o dia em que se conheceram, de forma feliz, mas também melancólica. Nessa situação, fica evidente a necessidade de se verbalizar todos os sentimentos, dúvidas, questionamentos e, claro, memórias, enquanto ainda há tempo.  </span></p>
<figure id="attachment_32545" aria-describedby="caption-attachment-32545" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32545" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-7-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32545" class="wp-caption-text">“Nesse país, é como se os mortos não pudessem morrer”, afirmou Augusto em entrevista com o cineasta Raúl Ruiz, fazendo referência aos cadáveres sumidos dos desaparecidos políticos (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necessidade, por sua vez, reverbera nas imagens de arquivo que Alberdi aproveita em sua narrativa, construída em conjunto com a montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s6Ge7TBk41U&amp;pp=ygURY2Fyb2xpbmEgc2lyYXF5YW4%3D"><span style="font-weight: 400;">Carolina Siraqyan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dos registros caseiros em VHS das viagens e festas do casal aos trechos extraídos de entrevistas e reportagens de Augusto, o longa articula uma visão da memória como um elemento fundamental para todas as pessoas e, por consequência, também para o Chile, pois, nas palavras do jornalista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">sem memória, não há identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase pertence ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Chile: La Memoria Prohibida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1989), escrito pelo próprio, em colaboração com outros autores, e que é lido por Paulina para ele em um ponto-chave da rodagem. Tendo vivido os anos de repressão e ditadura militar de Augusto Pinochet e, nesse meio tempo, reunido relatos para a obra, é notável que Augusto guarda cicatrizes desse período, assim como seu país. Em uma das cenas mais tocantes do documentário, vemos ele chorar ao se lembrar dos assassinatos da época, em especial o do sociólogo </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/permalink/40026"><span style="font-weight: 400;">José Manuel Parada</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja cabeça degolada foi exposta publicamente para aterrorizar a população. </span></p>
<figure id="attachment_32547" aria-describedby="caption-attachment-32547" style="width: 1924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5.png" alt="" width="1924" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5.png 1924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-5-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32547" class="wp-caption-text">O longa chegou a aparecer na pré-lista para ser a indicação oficial do Chile ao Oscar de Melhor Filme Internacional, mas perdeu para Los Colonos (Foto: MTV Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em geral, a memória aqui acaba exercendo diferentes funções. Na política, impede um país de se esquecer dos horrores que viveu na mão do totalitarismo. No amor, mantêm acesa a chama de relacionamentos como o de Augusto e Paulina, com anos de cumplicidade e afeto. Em um campo da subjetividade, como o da autoafirmação, nos lembra das nossas identidades. E, no contexto específico do lançamento do documentário, serviu infelizmente como uma despedida, pois Augusto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4H0bHUKnFtc&amp;pp=ygUrYXVndXN0byBnb25nb3JhIHNpbiBtZW1vcmlhIG5vIGhhIGlkZW50aWRhZA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">faleceu</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano passado, aos 71 anos de idade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na forma de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Memória Infinita</span></i><span style="font-weight: 400;">, os últimos registros de sua vida tornaram-se, portanto, um ato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zL3URH5QMk8&amp;pp=ygUcYSBtZW3Ds3JpYSBpbmZpbml0YSBjcsOtdGljYQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> por si só. É provável que Maite Alberdi não via tamanha ironia do destino, desde que filmou um homem se afeiçoando a um lugar que se infiltrou para desmascarar, como em seu trabalho anterior. No entanto, é certo de que ela estava segura em capturar uma história de lembranças, seja dos esforços de uma esposa em fazer o marido lembrar-se de quem é, ou de um jornalista disposto a lembrar seu país de fazer o mesmo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Eternal Memory - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v-hxO7_oEZw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Andor traz uma seriedade revolucionária para Star Wars</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2023 01:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira  A julgar pelo desempenho de seus contemporâneos, a chegada de Andor (2023) era esperada com um certo receio, já que Star Wars não estava em seu melhor momento em termos de crítica. Desde os malabarismos de roteiro de A Ascensão Skywalker, não havia grande expectativa com a franquia. A série Obi-Wan Kenobi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/andor-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Andor traz uma seriedade revolucionária para Star Wars"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31538" aria-describedby="caption-attachment-31538" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31538 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6.jpg" alt="Cena da série Andor. A cena se passa em um vão entre alas de uma prisão que forma um abismo, entre elas há três passarelas cobertas, uma mais próxima e outras duas mais distantes, nas laterais existem janelas de vidro e detalhes em neon, no interior das passarelas há iluminação. É possível ver pessoas caminhando dentro delas, são todos homens, eles andam em fila na mesma direção e usam uniformes da cadeia, um macacão branco com detalhes laranja, todos estão descalços" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31538" class="wp-caption-text">Andor é uma obra que explora a revolução e a anti-opressão, e foi indicada a oito categorias no Emmy (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A julgar pelo desempenho de seus contemporâneos, a chegada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) era esperada com um certo receio, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> não estava em seu melhor momento em termos de crítica. Desde os malabarismos de roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ascensão Skywalker</span></i><span style="font-weight: 400;">, não havia grande expectativa com a franquia. A série </span><i><span style="font-weight: 400;">Obi-Wan Kenobi</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), sua precedente imediata, também não sustentou boas opiniões. Porém, não se pode negar a existência de verdadeiras joias no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/star-wars-visions-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Visions</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produtos que parecem ter experimentado mais carinho de seus diretores e roteiristas do que apenas um apetite comercial.</span></p>
<p><span id="more-31532"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;">, a história aborda as origens de Cassian Andor (Diego Luna), deuteragonista do filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One: Uma História Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), quando o conhecemos como um agente secreto da aliança rebelde. No longa, ele tem o objetivo de desvendar os segredos da terrível arma de destruição em massa do Império Galático, a Estrela da Morte. Cassian é uma pessoa marginalizada pela galáxia muito antes de se envolver em qualquer batalha: como um refugiado do planeta Kenari, ele leva uma vida problemática em Ferrix, um planeta industrial completamente dominado por uma gigantesca corporação, ao lado de sua tutora e mentora Maarva (Fiona Shaw).</span></p>
<figure id="attachment_31534" aria-describedby="caption-attachment-31534" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Cassian, ainda criança (Antônio Viña) está de costas no centro inferior da imagem, ele tem a pele clara e o cabelo preto, está vestindo um casaco amarelo e calças curtas brancas. Ele está observando uma enorme escavação de mineração que forma um vale de montanhas com degraus de rocha formados pela escavação e um céu cinzento" width="1536" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31534" class="wp-caption-text">Cassian foi uma criança órfã em um planeta de mineração antes de ser adotado por Maarva (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sempre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> pretendeu ser uma obra divertida e de certa forma não ambiciosa demais. George Lucas, criador da saga, já </span><a href="https://www.polygon.com/2017/4/13/15288998/george-lucas-star-wars-celebration"><span style="font-weight: 400;">declarou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que esse universo nunca abandonaria o público infantojuvenil. No entanto, também é verdade que a política foi fundamental para o desenvolvimento</span> <span style="font-weight: 400;">da franquia: em meados dos anos 1970, a Guerra Fria pairava sob </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, por mais que se tentasse escapar por meio de ficções científicas e filmes de fantasia e aventura, o campo gravitacional das tensões geopolíticas atraia para si qualquer produção. Cabia aos autores apenas a decisão de propagandear em prol da hegemonia americana ou expressar um ponto de vista crítico ao intervencionismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança </span></i><span style="font-weight: 400;">(1977),</span> <span style="font-weight: 400;">o filme inicial da saga, Lucas já deixava claro que a ideia de um pequeno grupo de rebeldes </span><a href="https://www.amc.com/blogs/george-lucas-reveals-how-star-wars-was-influenced-by-the-vietnam-war--1005548"><span style="font-weight: 400;">derrotando</span></a><span style="font-weight: 400;"> um império de força militar descomunal ressoava os resultados da guerra do Vietnã. A franquia ainda foi mais longe durante as </span><i><span style="font-weight: 400;">prequels</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1990 que, por muitas vezes, serviram de alegoria para a derrota da democracia em países como a Alemanha dos anos 1930.</span></p>
<figure id="attachment_31537" aria-describedby="caption-attachment-31537" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.jpg" alt=" Cena da série Andor. A imagem soldados imperiais, homens brancos em uniformes pretos, eles tem óculos de proteção sobre seus capacetes também pretos. Estão formando uma barreira de escudos transparentes, atrás deles há mais soldados e um oficial, um homem branco de casaco preto e quepe da mesma cor." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31537" class="wp-caption-text">Opressão é tema principal da série, que representa de forma séria e precisa (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente madura. Sua relação com conceitos políticos extravasa a mera metáfora e a transforma em reflexão filosófica. Nisso, a frase de Karis Nemik (Alex Lawther) &#8211; “</span><i><span style="font-weight: 400;">O ritmo da repressão supera nossa capacidade de entendê-la</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; faz jus ao modo de representar a opressão do regime imperial, como um sistema vivo que busca destruir a oposição para sobreviver e, ao mesmo tempo, se reproduzir em corações e mentes &#8211; “</span><i><span style="font-weight: 400;">sistemas mudam ou morrem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além disso, os antagonistas da série não são um simples exército genérico. O </span><a href="https://www.starwars.com/databank/imperial-security-bureau"><span style="font-weight: 400;">ISB</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a organização de inteligência e espionagem do Império, representada pela astuta Dedra Meero (Denise Gough), que não utiliza só força bruta como também estratégias traiçoeiras em um jogo de ‘gato e rato’ com os rebeldes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rebelião, por sua vez, é profundamente analisada pelos motivos que levaram os personagens a abandonar suas vidas comuns, que variam da filosofia política, ou os que lutam por um familiar ou um amigo. A humanização de todos os personagens é um ponto-chave na minissérie, com suas </span><a href="https://www.disney.com.br/novidades/as-5-curiosidades-sobre-maarva-a-mae-de-cassian-andor-interpretada-por-fiona-shaw#:~:text=Maarva%20%C3%A9%20membro%20das%20Filhas,poder%20nas%20m%C3%A3os%20do%20Imp%C3%A9rio."><span style="font-weight: 400;">relações familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> e comunidades servindo de ponte para o desenvolvimento da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31533" aria-describedby="caption-attachment-31533" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Dedra Meero (Denise Gough), uma mulher branca, de cabelo loiro, olhos verdes e uma expressão séria, usa um casaco branco e um quepe preto, está no centro da imagem, à sua esquerda e a sua direita se encontram Stormtroopers de elite, em uniforme totalmente preto, ombreiras e capacetes que cobrem os rostos." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31533" class="wp-caption-text">Dedra Meero não segue nenhum dogma enquanto caça os rebeldes (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> são extremamente precisas, com </span><a href="https://www.disney.com.br/novidades/andy-serkis-retorna-a-star-wars-em-andor"><span style="font-weight: 400;">Andy Serkis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/andor-star-wars-entrevista-genevieve-oreilly-mon-mothma/"><span style="font-weight: 400;">Genevieve O’ Reilly</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destacando em seus papéis. Ele é o prisioneiro relutante Kino Loy, um homem que a pressão e o trauma fizeram se tornar em um quase colaborador do Império. Já ela é Mon Mothma, a principal financiadora e líder da aliança rebelde, que precisa sacrificar muito de sua vida política e pessoal. A personagem é apresentada como uma senadora desde à República e que, agora, nos tempos sombrios, já cansada de ser ignorada ao protestar pelos meios oficiais, está disposta a muita coisa para se livrar da opressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras atuações fundamentais são as de Stellan Skarsgård, que interpreta Luthen Rael, um rebelde que leva uma vida dupla como um vendedor de antiguidades. O ator entrega para o público </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-3RCme2zZRY"><span style="font-weight: 400;">discursos</span></a><span style="font-weight: 400;"> fortes e grande ambiguidade moral à medida que muitas de suas ações abrem mão de valores éticos pelo bem da causa maior.</span></p>
<figure id="attachment_31535" aria-describedby="caption-attachment-31535" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Kino Loy, (Andy Serkis), ele é um homem branco de idade avançada, rugas no rosto e cabelos grisalhos. Ele discursa em um microfone, ele está emocionado e usa um uniforme da prisão, branco com faixas laranjas nos ombros" width="950" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1.jpg 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31535" class="wp-caption-text">Kino Loy é um dos personagens mais complexos da série; suas decisões afetam os rumos dos protagonistas bem como de toda a galáxia (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca um </span><a href="https://www.omelete.com.br/star-wars/andor-sem-jedi"><span style="font-weight: 400;">realismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> extraordinário e, para isso, o foco da produção desvia dos grandes </span><a href="https://margofilmes.com.br/set-piece/"><i><span style="font-weight: 400;">set pieces</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e foca em detalhes que não são muito explorados no Cinema. O que as pessoas desta galáxia comem? Como se relacionam com seu emprego? Sua família? Essas são perguntas que se respondem não só com o roteiro de Tony Gilroy e </span><span style="font-weight: 400;">Stephen Schiff</span><span style="font-weight: 400;">, mas também com a direção de nomes como Benjamin Caron, </span><span style="font-weight: 400;">Toby Haynes e Susanna White,</span><span style="font-weight: 400;"> que preenche essas lacunas, usando o próprio cenário em que circulam os personagens. Frequentemente os vemos comendo, bebendo e trabalhando, pormenores que ajudam na imersão em um universo cheio de seres e conceitos alheios à nossa realidade.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda neste aspecto, a equipe de direção de arte e a </span><a href="http://youtube.com/watch?v=6VNL2NdYvFQ"><span style="font-weight: 400;">cinematografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;">Damián García</span><span style="font-weight: 400;"> também se aproveitam muito da perspectiva, uma vez que até as menores naves espaciais são grandes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d1ZScaSW2Ww"><span style="font-weight: 400;">ameaças </span></a><span style="font-weight: 400;">quando se está ‘à pé’. Na série, os planetas e a própria galáxia se mostram incomensuráveis perto das pessoas que os habitam, algo demonstrado em um roteiro que &#8211; fora alguns mundos muito importantes para o contexto político como Coruscant &#8211; cria novos lugares, se distanciando dos </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservices </span></i><span style="font-weight: 400;">de outras séries recentes.</span></p>
<figure id="attachment_31536" aria-describedby="caption-attachment-31536" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Aparecem os personagens Syril Karn (Kyle Soller), um homem branco de cabelos castanhos, vestido de uma camisa azul e um colete cinza e sua mãe Eedy Karn (Kathryn Hunter), uma mulher branca e idosa de colete laranja e uma camisa amarela. Eles estão de frente um para o outro, tendo uma refeição em um apartamento, na mesa entre eles há uma fruteira com frutas e pães e uma jarra de leite azul" width="780" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1.jpg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31536" class="wp-caption-text">As cenas de Andor sabem ser intimistas e realistas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, a primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi indicada ao prêmio de Melhor Série de Drama no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023. A força dos </span><a href="https://oglobo.globo.com/tudo-sobre/streaming/noticia/2023/07/12/emmy-2023-veja-a-lista-completa-de-indicados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">concorrentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é enorme: entre eles estão a multi-indicada </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">além das também gigantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa do Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar do seriado não ser o favorito e talvez nem estar entre as mais plausíveis campeãs, ela conquistou esse lugar com um bom nível de qualidade e esmero que torna sua indicação muito mais que merecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série garantiu ainda outras sete </span><a href="https://www.emmys.com/shows/andor"><span style="font-weight: 400;">indicações</span></a><span style="font-weight: 400;">, como as técnicas Música de Abertura, para o compositor Nicholas Britell, Melhor Edição de Som para o episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">O olho</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Efeitos Visuais em Temporada ou Filme. Benjamin Caron concorre na categoria Melhor Direção em Série de Drama pelo 12º e último episódio da temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rix Road</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também levou Damián García a disputar Melhor Cinematografia e Nicholas Britell a ser indicado por Melhor Composição Musical. O roteiro do capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Só uma saída</span></i><span style="font-weight: 400;">, de responsabilidade de Beau Willimon, concorre como Melhor Roteiro em Série de Drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As indicações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando combinadas à </span><i><span style="font-weight: 400;">Obi-Wan Kenobi</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">somam mais de 20 menções para o universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">só este ano. Isto mostra que a franquia, mesmo veterana tanto no Cinema, quanto na TV e agora no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CxOrBy1u864/?img_index=1"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ainda é capaz de produzir histórias interessantes que podem ir da clássica aventura ao drama. Não importa por quantos gêneros passe, dos mais diversos possíveis, a saga continua sem perder sua essência e seu espírito de desbravamento do novo.</span></p>
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		<title>Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 21:14:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Freire de Moraes “Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.” Nas primeiras páginas de Sobre a terra somos belos por um instante, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31358" aria-describedby="caption-attachment-31358" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31358" class="wp-caption-text">A estreia de Ocean Vuong na prosa, após a aclamada reunião de poemas Céu noturno crivado de balas, é um complexo testemunho autobiográfico escolhido pelo Clube do Livro do Persona (Foto: Rocco/Arte: Francisco Tigre)</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Freire de Moraes</strong></p>
<blockquote><p>“<i>Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.</i>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se refazer, se ver e perdoar por meio da alteridade de uma comunicação ao mesmo tempo concreta e hipotética. Através do resgate analítico da memória e da apresentação do ambiente, Vuong, chamado de Cachorrinho pela avó, escreve cartas para sua mãe, analfabeta funcional, revisitando episódios da infância no Vietnã e de sua adolescência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colonialismo, maternidade, identidade, sexualidade, violência e luto são os pilares do livro, cujos episódios de trauma rememorados traçam um caminho linear para o entendimento da história de três gerações da </span><a href="https://amp.theguardian.com/books/2017/oct/03/ocean-vuong-forward-prize-vietnam-war-saigon-night-sky-with-exit-wounds"><span style="font-weight: 400;">família do escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e as complexidades recalcadas de pessoas estruturadas em meio à guerra, ao preconceito, ao refúgio e à vulnerabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelas memórias quando criança em um Vietnã desestabilizado pela guerra, Cachorrinho – a maneira que Vuong também se retrata em sua escrita – inicia o romance relembrando das primeiras vezes em que sua </span><a href="https://www.anothermag.com/fashion-beauty/14347/bjork-ocean-vuong-in-conversation-another-magazine-aw22"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violenta com ele. No acesso à infância, o escritor lembra alguns momentos em que ensina a matriarca a escrever, reproduzindo o que aprendeu naquele dia no jardim de infância. Esse é o momento em que a vulnerabilidade de quem o cria é escancarada para ele e que percebe que possui o que ela precisa para resolver esse problema. De uma forma sutil e perturbadora, esse episódio demonstra a maneira que o autor consegue colocar os dois se olhando do mesmo lugar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é uma mãe, Mãe. Você também é um monstro. Mas eu também sou – e é por isso que eu não posso me afastar de você. E é por isso que eu peguei a mais solitária criação de deus e te coloquei dentro dela.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_31354" aria-describedby="caption-attachment-31354" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp" alt="Na foto, duas mulheres e uma criança estão sentadas em um banco de madeira. As mulheres ficam nos cantos, enquanto o bebê no meio. Estão dentro de uma casa, ao fundo, aparece o vulto de outra mulher, do lado de fora do cômodo. Atrás, percebe-se uma janela, uma porta e roupas penduradas. No primeiro plano, uma mulher, ao canto esquerdo, está sentada ao lado de uma criança pequena. Sua pele é amarela, seus cabelos pretos estão presos. Ela veste um macacão branco, com estampa de flores azuis. Está descalça e sorri fixadamente à câmera. Assim como a criança ao seu lado, que também tem cabelos e olhos pretos. Veste uma camiseta branca com uma gola laranja e estampada com desenhos, que está enfiada dentro de um shorts roxo claro. Ao lado da criança, à direita, uma outra mulher, de cabelo curto e preto, na altura do pescoço e com uma franja cortada, também sorri à foto. Ela usa uma blusa rosa clara e uma calça branca. Está de pernas cruzadas." width="401" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp 559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602.webp 600w" sizes="auto, (max-width: 401px) 85vw, 401px" /><figcaption id="caption-attachment-31354" class="wp-caption-text">A foto que ilustra a edição estadunidense de Céu noturno crivado de balas retrata o autor com dois anos, ao lado de sua mãe e sua tia no campo de refugiados nas Filipinas (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando pela situação de </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando criança, em um paralelo sensível com o nascimento e morte de sua avó – entre o Vietnã e Estado Unidos –, a narrativa se torna mais política e identitária. A partir do momento que Cachorrinho conta a história das mulheres que o criaram, frutos de um estupro de guerra, nada segue sem que pautas sociais sejam colocadas de forma explícita, no entanto, nunca deixando com que a </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/como-alguem-pode-ser-uma-sensacao"><span style="font-weight: 400;">poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> fique em segundo plano. Assim, Vuong cria uma atmosfera sólida de questionamento, ao mesmo tempo que deixa claro as complexidades subjetivas geradas a partir desses contextos, e quão decisivas são essas condições para que ele seja ele mesmo, a mãe seja a mãe e o país seja o país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando aos Estados Unidos, na casa de seu pai com quem nunca conviveu, o escritor tem um espaço para descobrir e explorar sua sexualidade (atualmente se identifica como uma pessoa </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queer</span></a><span style="font-weight: 400;">). No livro, Vuong relata suas primeiras experiências com um homem pobre como ele, porém branco: Trevor, a única pessoa com quem ele realmente desenvolve uma relação além de sua mãe e avó. De uma forma totalmente analítica, o escritor apresenta todas as fases dessa relação, passando pelo estranhamento, o escatológico, as drogas, o entendimento, a identidade, o amor e a morte. Cachorrinho pôde conhecer a vulnerabilidade e a violência do amor e de uma relação que requer um entendimento político, social, subjetivo e identitário que não foi apresentado a nenhum dos dois, tornando tudo mais difícil e mais intenso na mesma medida.</span></p>
<figure id="attachment_31355" aria-describedby="caption-attachment-31355" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp" alt=" Sob o fundo de um arbusto flores vermelhas, o autor, criança, é segurado no colo por sua mãe, que tem seu cabelo cacheado cortado curto e usa uma camisa manga longa vermelha, com uma estampa preta na frente. A criança usa uma camiseta polo branca com listras azuis claras e escuras, e uma parte de baixo azulada. Segura um coelho de pelúcia branco, com detalhes lilases." width="800" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1024x746.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-768x560.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1536x1119.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-2048x1492.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1200x875.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31355" class="wp-caption-text">Quando sua mãe faleceu de complicações de um câncer de mama, Vuong demonstrou seu luto nas redes sociais: ‘‘(&#8230;) você me ensinou que nossa dor não é nosso destino – mas nossa razão.’’ (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da memória nas passagens da infância no meio da narrativa linear da história do Cachorrinho é o traço mais analítico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a Terra Somos Belos por um Instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ocean Vuong usa a </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2023/jun/03/ocean-vuong-i-dont-believe-writer-should-just-keep-writing-as-long-as-theyre-alive-time-is-a-mother-paperback"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta de articulação e busca, narrando sempre em primeira pessoa e, diretamente com a sua mãe, faz com que o objetivo de suas cartas nunca seja esquecido: dizer que se é. As coisas mais duras são lembradas de um jeito poético e grotesco, e quase sempre seguidas de uma imagem que bate de frente com a beleza apresentada de forma visual pela escrita. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Uma vez você me perguntou o que é ser um escritor. Então vamos lá. Sete dos meus amigos estão mortos. Quatro de overdose.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Cachorrinho tem acesso ao </span><a href="https://talkeasypod.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significado social</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua existência a partir do momento em que começa a reunir os episódios traumáticos de sua vida e colocá-los em uma posição de questionamento: ser um homem vietnamita refugiado, queer, adicto e pobre nos Estados Unidos </span><a href="https://gayletter.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significa algo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso,as pessoas em volta dele fazem parte desse significado e a escrita tem o papel de síntese de sua própria vida. É como se, caso não fosse um escritor, Vuong jamais poderia contar quem é a ninguém, nem mesmo a sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ocean Vuong Shares His Advice for Aspiring Writers | Louisiana Channel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mG7JpAg1mrw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca pela </span><a href="https://www.gq.com/story/ocean-vuong-interview"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca acaba, mas toma um outro caráter. Depois que Cachorrinho entende sua existência, quem sua mãe e sua avó foram, e quem seu novo país abriga, o fluxo se torna outro e assume uma calma assustada de quem sabe que seu lugar está predefinido. Então, a subjetividade assume, mais que nunca, o papel de resgate do que nunca foi dado e uma possibilidade de se reconhecer no mundo. A escrita é o que salva: é o que salvou Cachorrinho de sua relação com sua mãe, que termina o livro rindo enquanto se lembra. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Porque o pôr do sol, assim como a sobrevivência, existe apenas à beira de seu desaparecimento. Para ser belo, você primeiro precisa ser visto, mas ser visto sempre permite que você seja caçado.”</span></i></p></blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/">Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Holy Spider cai em sua própria teia</title>
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		<pubDate>Mon, 08 May 2023 16:21:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Pinheiro “Estarei de volta quando você acordar&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de Holy Spider, a qual elucida tudo o que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Holy Spider cai em sua própria teia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30853" aria-describedby="caption-attachment-30853" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. Mulher caído ao chão com apenas sua mão e tronco à mostra no take do filme, foco central em sua mão derrubada - tudo acima de um tapete estampado" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30853" class="wp-caption-text">“Cada homem encontrará o que deseja evitar” Imam Ali &#8211; Nahj Al-Balagha &#8211; Sermão 149. (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Pinheiro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Estarei de volta quando você acordar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iPkE7VT8SOY"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual elucida tudo o que o filme pretende contar durante sua exibição. Nela, uma prostituta iraniana caminha pela cidade de Mashhad enfrentando olhares mal-intencionados e buscando refúgio em drogas para escapar da realidade assombrosa a qual é condenada a viver. </span></p>
<p><span id="more-30849"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À espera de dinheiro em uma viela escura, a personagem é convocada a prestar serviço e surpreende o telespectador quando é sequestrada e, depois, enforcada pelo seu próprio lenço &#8211; ato extremamente simbólico para a construção do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> longos de agonia explícita, a mulher havia caído na teia de assassinatos do “matador de aranhas”, caso real que o diretor Ali Abassi faz releitura nesse longa-metragem destaque no Festival de </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cannes/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pré-selecionado ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e aclamado por grandes premiações de Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> promove a representação essencial da orientalidade para o mundo &#8211; pouco valorizada nas academias cinematográficas historicamente </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">xenofóbicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a obra não resume-se a isso e expõe em detalhe a realidade do Irã. Em análise geral, a proposta do filme demonstra e examina o baque entre a estrutura social política religiosa no País e os atos revoltosos que lutam pela aplicação efetiva dos Direitos Humanos no local. </span></p>
<figure id="attachment_30850" aria-describedby="caption-attachment-30850" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg" alt="A fotografia retrata certo centro urbano iraniano em que está sendo realizada uma manifestação popular. O fundo está desfocado e ao ponto médio apresenta-se apenas o recorte superior da cabeça de uma mulher e suas mãos levantadas, essas que carregam uma imagem de Jina Mahsa Amini. É dia durante o mutuado protesto, os manifestantes usam roupas de frio e suas expressões não são possíveis de serem visualizadas devido ao desfoque da câmera" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30850" class="wp-caption-text">Uma mensagem ao Irã é deixada no epitáfio de Amini: &#8220;Querida Jina, você não está morta. Seu nome será um símbolo&#8221; (Foto: Ozan Kose)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.dw.com/pt-br/a-hist%C3%B3ria-de-jina-mahsa-amini-o-rosto-dos-protestos-no-ir%C3%A3/a-64003741"><span style="font-weight: 400;">Jina Mahsa Amini</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua injusta morte produziram um paralelo significante da realidade para a narrativa fílmica: a jovem foi assassinada pela Polícia Militar sem motivo aparente &#8211; considerada infligidora da lei devido à exposição mínima de seu cabelo publicamente. O evento repercutiu e paralisou as ruas do país inteiro dada a tirania militar e a supremacia religiosa que tirou sua vida em Setembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ali Abassi lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu segundo longa-metragem, em Maio do mesmo ano, poucos meses antes do caso de Amini, o que confirma o retrato sangrento do diretor acerca da vida no Irã. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A ideia do filme acabou se misturando com a realidade da sociedade. Se você está falando sobre o apartheid contra as mulheres, isso acontece há muito tempo, e não é um sistema sustentável [..], uma hora, ia explodir</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/diversao/entre-telas/filmes/diretor-de-holy-spider-vai-de-misogino-a-feminista-em-poucos-meses,3e41e5057313782140d438652e145fbdjvemcyaf.html"><span style="font-weight: 400;">Abassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece.</span></p>
<figure id="attachment_30851" aria-describedby="caption-attachment-30851" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. No centro encontram-se a protagonista Arezoo Rahimi, de burca preta longa, e seu parceiro de trabalho, de terno cinzento e uma maleta de couro nas mãos, lado a lado, rodeados de políticos e da família de Saee Hanaei. Cada um que integra a cena está vestido formalmente e olham em direções diferentes com faces sérias. Localizados em um tribunal, em que a parede atrás da protagonista é azul com uma pintura geométrica direcionada ao chão, uma faixa de azul mais escura" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30851" class="wp-caption-text">“Matador de aranhas” foi um apelido dado ao real assassino pelo modo que os crimes eram realizados: estrangulamento com os lenços das próprias vítimas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanaei (Mehdi Bajestani), um </span><i><span style="font-weight: 400;">serial-killer, </span></i><span style="font-weight: 400;">juntamente com Arezoo Rahimi (Zar Amir Ebrahimi), uma jornalista estudando os assassinatos cometidos por ele, estrelam esse terror psicológico inspirado na história real de um dos criminosos mais temidos do Irã entre os anos de 2000 e 2001. Hanei &#8211; nome fictício atribuído a </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/internacional/preso-no-ira-assassino-de-19-prostitutas/"><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanali</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo filme &#8211; mata prostitutas porque as vê como “indignas à sociedade”. Ele acredita fazer uma limpeza social ao retirar “pecadoras” das ruas, trazê-las para sua casa e enforcá-las até a morte. Enquanto isso, Rahimi &#8211; personagem criada para auxiliar no desenvolvimento da história &#8211; chega à Mashhad para investigar a massa de homicídios semelhantes que estavam acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assemelhar a obra a um caso real acarreta na responsabilidade de expor a realidade via linguagem audiovisual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider </span></i><span style="font-weight: 400;">apropria-se grandemente de sua fotografia, realizada por Nadim Carlsen, para simbolizar suas temáticas. Pouca iluminação e tons esverdeados ou azuis aludem às próprias luzes da noite na cidade &#8211; seu cenário principal &#8211; e motiva o medo e a aflição na audiência. Essas características são propositalmente postas para se assemelharem aos filmes </span><a href="https://7marte.com/2019/09/o-que-e-filme-noir.html"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">conhecidos pelos seus jogos de iluminação, enquadramentos inusitados e cenários urbanos criminais.</span></p>
<figure id="attachment_30855" aria-describedby="caption-attachment-30855" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. À esquerda, no fundo desfocado, encontra-se um carro e caixas que estão iluminados por uma luz verde. A localização é a rua vazia e escura, nela está a atriz Zar Amir Ebrahimi - à direita da imagem - interpretando Arezoo Rahimi quando liga em um telefone público, retratada em certa cena da obra cinematográfica, seu rosto é de surpresa e está vestindo uma burca preta com uma jaqueta da mesma cor sobreposta" width="1200" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30855" class="wp-caption-text">Ali Abbasi também foi responsável pela direção dos dois últimos episódios de The Last of Us (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abassi tece sua cinematografia com focos frequentes nos rostos do elenco, a fim de demonstrar claramente os sentimentos dos personagens diante das desconfortáveis situações em que atuam. Tal técnica, por exemplo, submete o público a enxergar verdadeiramente as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60780061"><span style="font-weight: 400;">prostitutas</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentadas, com o objetivo de humanizá-las, empatia esquecida por grande parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação dos artistas foi explorada profundamente como peça essencial na qualidade do filme, o que resultou em elogios por parte dos críticos. Uma atuação medíocre tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> detestável à plateia: por possuir uma narrativa cruel, performances ruins tornariam a obra uma piada de mau gosto ou em uma produção sem nexo e vazia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os atores, Zar Amir Ebrahimi, intérprete de Rahimi, foi destaque em sua categoria. Não por menos, ela recebeu uma indicação à Melhor Atriz no Festival de Cannes e no Prêmio Robert da Academia de Cinema Irlandês. Neste último, levou o troféu para casa. O talento e duro esforço da atriz foram realçados pela vivência pessoal, da qual ela soube utilizar como ferramenta para representar seu emblemático papel. A artista fugiu do Irã no começo de sua carreira após ter conteúdo íntimo vazado. Com medo de ser proibida de trabalhar ou até presa, ela </span><a href="https://istoe.com.br/atriz-zar-amir-ebrahimi/"><span style="font-weight: 400;">escapa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do País e contrapõe a imagem idealizada da mulher iraniana, experiência próxima à de sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_30854" aria-describedby="caption-attachment-30854" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg" alt="Cena do filme Holy Spider. Em uma moto, está Saeed, interpretado por Mehdi Bajestani, e uma mulher de burca, esta tem seu rosto encostado aos ombros dele durante a viagem, então não é possível ver seu rosto claramente. O homem usa uma jaqueta cinza e uma camisa social por baixo, não tem expressões, está sério. Durante a noite, os dois estão em uma avenida escura e as luzes da cidade refletem na câmera como pontos iluminados, o tom da imagem é quente esverdeado, assim como o restante do filme. A posição de filmagem mostra apenas diante a cintura para cima dos atores, estão de lado para o público e bem centralizados" width="1500" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30854" class="wp-caption-text">“Meu tipo de Cinema é aquele que expõe as coisas” rebate Abassi diante críticas às mortes gráficas do filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A aranha, contudo, cai em sua própria armadilha: a crítica que o roteiro &#8211; escrito por Ali Abassi e Afshin Kamran &#8211; propõe para o machismo estrutural iraniano é camuflada pela violência gráfica e protagonização do assassino, ocasionando em um desenvolvimento insuficiente que o eixo </span><a href="https://midianinja.org/news/mulheres-denunciam-feminicidio-em-protesto-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ter no </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;">. A hipocrisia se sobrepõe ao que é originalmente proposto. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> são apresentadas superficialmente, como acontece com a própria co-protagonista, Arezoo Rahimi, cujas tramas foram abandonadas durante o longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos levantados pela equipe de roteiristas são válidos e bem postos, mas não evoluem posteriormente. A relação de trabalho entre a jornalista e um agente local que estava na investigação serve como exemplo disso. O homem a assedia ao prometer ajudá-la em seu caso fora do horário de expediente. Então, comete </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/politica/blog-do-fausto-macedo/slutshaming-dois-crimes-em-um-ato-so/?type=post"><i><span style="font-weight: 400;">slutshamming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> às custas de uma denúncia feita por ela no cargo anterior, em que sofreu outro abuso de autoridade. Apesar de contar uma situação comum e de abordagem necessária &#8211; ainda mais no Irã, onde tais temas são completamente omitidos -, a cena apenas é lançada como se para preencher uma pauta temática sobre feminismo, sem retomada futura. Isso se repete em vários eventos e ocasiões durante o filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de criação não teve o intuito de transmitir uma mensagem sobre a situação de gênero no País, mas sua preocupação geral soa como uma exposição panorâmica das problemáticas sociais e religiosas. Com isso, a obra prefigura uma abordagem esvaziada da trama principal: um caso de assassinato em massa de prostitutas pelo machismo sacro do Estado iraniano. Ali Abbasi, aliás, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/01/19/interna_cultura,1446455/amp.html"><span style="font-weight: 400;">admite</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estar centrado no ponto de vista feminino, já que ele acredita ser uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">história com muitas camadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><figure id="attachment_30852" aria-describedby="caption-attachment-30852" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg" alt="Texto alternativo: cena do filme Holy Spider. Essa, foi narrada no parágrafo 12 da matéria, Saee Hanaei tem seu rosto coberto pela grade de segurança perolada do templo religioso que está, apenas seu olho é nítido na imagem. A iluminação é esverdeada com um tom vermelho de luz apenas no olhar do ator" width="1500" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30852" class="wp-caption-text">&#8220;[&#8230;] Os assassinatos em si não têm nada de especial, há certa banalidade neles. Mas o que está no entorno do assassino e o respeito que ele inspirou, isso, sim, é fascinante&#8221; (Foto: MUBI)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o longa-metragem sucede em outros objetivos, como a perspectiva sobre </span><a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/56441/56441_5.PDF"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, família e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51048426"><span style="font-weight: 400;">política</span></a><span style="font-weight: 400;">, exibidos com uma linguagem visual chocante. O fechamento demonstra em precisão tais aspectos, já que metáforas são muito bem utilizadas durante a situação final do protagonista Saee Hanaei: a arma de crime da qual abatia suas “presas” é utilizada contra o “predador”. Porém, a simbologia já está presente anteriormente dentro da cinematografia. Em certa cena, grades de segurança em um templo aparentam ser de uma cadeia, devido ao enquadramento fotográfico, o que revela uma interpretação de aprisionamento mental que a devoção pode causar, além do sentido literal de um criminoso pertencer ao presídio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em face de problemáticas e sucessos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocupa um espaço importante no Cinema internacional, mas que poderia reproduzir com mais apreço a mulher iraniana por meio do desenvolvimento das personagens e seus merecidos enfoques. O inconveniente da produção não é a crueza retratada durante os dias no Irã, característica intrigante do diretor em seus filmes, mas sim o esquecimento do caso real que relata e seu profundo transtorno societário implícito. Esse, do qual o sexo feminino sofre regularmente e é de conhecimento geral no País. </span></p>
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		<title>Nós somos os escolhidos de Jon Batiste</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:57:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Nem Olivia Rodrigo, nem Billie Eilish, nem Lil Nas X e nem Justin Bieber. A noite de 3 de abril de 2022 foi de Jon Batiste. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o jazzista de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jon-batiste-we-are-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nós somos os escolhidos de Jon Batiste"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27467" aria-describedby="caption-attachment-27467" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-1.webp" alt="Capa do CD WE ARE, de Jon Batiste. Imagem quadrada e colorida com fundo vermelho. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos e cavanhaque, vestindo um sobretudo vermelho e amerelo. Ele está de pé, olhando para frente. No canto inferior direito, escrito em inglês em uma fonte pequena, lê-se “dedicado aos sonhadores, profetas, contadores de histórias e verdades que se recusam a nos deixar cair totalmente na loucura”" width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27467" class="wp-caption-text">Depois de anos de <a href="https://g1.globo.com/musica/grammy/2017/noticia/adele-quebra-grammy-apos-elogiar-beyonce-e-fas-comparam-atitude-com-filme-meninas-malvadas.ghtml">esnobadas absurdas</a>, a justiça foi feita: com o fascinante projeto WE ARE, Jon Batiste é o 11º artista negro a conquistar o Grammy de Álbum do Ano em 64 anos (Foto: Verve Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Nas X</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/justin-bieber-justice-critica/"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/04/04/grammy-2022-silk-sonic-jon-batiste-e-olivia-rodrigo-sao-os-grandes-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noite</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 3 de abril de 2022 foi de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jon-batiste/"><span style="font-weight: 400;">Jon Batiste</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><span style="font-weight: 400;">de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar como o maior vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, saindo da cerimônia com 5 dos 11 gramofones que concorria, incluindo o cobiçado Álbum do Ano, categoria mais importante do evento. O trabalho contemplado foi </span><a href="https://open.spotify.com/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=7HUGaeWzTaKa3JEIk3PCnQ"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu aclamado oitavo álbum de estúdio. E, apesar de competir com grandes nomes, não há outra conclusão ao mergulhar no projeto: o prêmio só poderia ser dele.</span></p>
<p><span id="more-27466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele dia também marcou não apenas a primeira vez que Jon Batiste ganhou um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">em toda a sua notável carreira, como também a primeira vez que um </span><a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-conheca-os-artistas-negros-vencedores-da-premiacao/"><span style="font-weight: 400;">artista negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> levou o prêmio de Álbum do Ano em absurdos 14 anos. No entanto, apesar de ter se tornado foco dos holofotes ao assinar as composições e arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, animação da Pixar vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021 – que também lhe proporcionou um gramofone neste ano –, sua contribuição à Música é bem mais longa. Jon é um dos principais expoentes da carente cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txdUE10OopA"><span style="font-weight: 400;">motivado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por sua família, que já tinha longa tradição no gênero, e por vozes como Duke Ellington e Nina Simone. Além disso, lidera a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AaqPpTY3jyg"><span style="font-weight: 400;">Stay Human</span></a><span style="font-weight: 400;">, banda que desde 2015 é residente no programa americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The Late Show with Stephen Colbert</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27468" aria-describedby="caption-attachment-27468" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada durante cerimônia do Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, vestindo uma camisa preta com lantejoulas pratas, em frente a um painel branco posando para uma foto enquanto sorri. Nos braços, ele segura cinco troféus no formato de gramofones." width="1200" height="812" /><figcaption id="caption-attachment-27468" class="wp-caption-text">O último homem negro a levar o prêmio máximo da noite do Grammy foi Herbie Hancock na cerimônia de 2008; já a última mulher foi Lauryn Hill em 1999 (Foto: Patrick T. Fallon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Música de Jon Batiste está longe de um simples </span><i><span style="font-weight: 400;">throwback</span></i><span style="font-weight: 400;"> saudosista a um gênero que há muito tempo perdeu espaço nas rádios. É uma busca por modernizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ressignificá-lo para nossas sensibilidades contemporâneas, levando a essência do improviso, da não-linearidade e da autoestima para um novo contexto, em que tais virtudes mostram-se </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">cada vez mais necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa descrição poderia muito bem definir </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de certa forma, torna mais palatável a sonoridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> para nossos ouvidos de 2022, através da mescla com elementos musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, em um esforço inverso ao que fazia Kendrick Lamar em 2015 com seu apoteótico </span><a href="https://personaunesp.com.br/kendrick-lamar-venceu/"><i><span style="font-weight: 400;">To Pimp a Butterfly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com sua caracterização musical complexa, o álbum foi levado às </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j5a42MwoYsw"><span style="font-weight: 400;">categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, não é exagero algum dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu mais puro estado. Não só as marcas registradas de seus antigos trabalhos se mantém – das harmonias do seu majestoso piano ao seu timbre de voz vigoroso e áspero – como também a imprevisibilidade sonora proporciona uma experiência única e inesperada a cada canção, ainda que todas sempre carreguem a mesma identidade artística inconfundível de Jon.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ao passo que faixas como </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-tell-the-truth-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-cry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraçam completamente a estética retrô e a raíz musical do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-i-need-you-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-freedom-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apresentam como músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> apimentadas por arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, em contraste com os </span><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e baterias sintéticas que infestam suas melodias, </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-boy-hood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://genius.com/Jon-batiste-whatchutalkinbout-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WHATCHUTALKINBOUT</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exploram a veia </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jon. Na segunda, o cantor entrega suas rimas com muita agilidade em cima de um frenético instrumental de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ZTYgq4EoRo"><span style="font-weight: 400;">fortemente inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Kendrick, ainda sendo surpreendida por uma trilha em </span><i><span style="font-weight: 400;">16-bit </span></i><span style="font-weight: 400;">na sua segunda metade – o que, de alguma forma, continua coerente com a proposta do disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - I NEED YOU" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AXT00sWwuTQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, Jon Batiste constrói uma sonoridade moderna, ao mesmo tempo que universal e atemporal – e isso vai além da simples experimentação musical. Para ele, unir diferentes facetas da música negra é colocar em contato gerações distintas e, assim, reconectar-se com sua ancestralidade. Jon entende que, para uma cultura que é diariamente apagada, não se pode esquecer suas origens. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sempre me esforcei para mostrar que os gêneros estão todos ligados, assim como as pessoas em todas as nossas linhagens estão ligadas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi o que ele afirmou, </span><a href="https://noticias.plu7.com/115415/internacional/jon-batiste-em-suas-11-indicacoes-para-o-grammy-im-so-over-the-moon/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> após as nomeações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. E esse posicionamento aponta para outro aspecto importante na obra do cantor: seu vínculo com a militância e o ativismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado politicamente no berço graças a seu avô, que era presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Nova Orleans, esse aspecto da vida de Jon Batiste sempre esteve atrelado à Música. Principalmente em 2020, quando fervilhavam os protestos do movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">assassinato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de George Floyd, onde o cantor foi uma peça ativa e engajada. E não somente, trouxe a música para dentro das manifestações, utilizando-a como instrumento político de mobilização e conscientização. </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-we-are-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mais tarde se tornaria faixa-título do projeto, foi composta nesse cenário e, mais tarde, nomeou uma série de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/24/arts/music/jon-batiste-jazz-protests.html"><span style="font-weight: 400;">protestos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele organizou em junho daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, começam a se desvendar alguns dos principais temas do nomeado disco do ano. Jon Batiste entende como ninguém o poder transformativo da Música em elevar as angústias da vida e ressignificá-las em regozijo e liberdade. A faixa-título, especialmente, encapsula uma essência coletiva pujante, incorporando elementos de gospel em típicas melodias de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o coro é quem </span><a href="https://www.nytimes.com/roomfordebate/2014/06/25/has-capitalism-become-incompatible-with-christianity/too-many-black-churches-preach-the-gospel-of-greed"><span style="font-weight: 400;">toma conta</span></a><span style="font-weight: 400;">. A participação da família de Jon e da banda de marcha de sua antiga escola reforça ainda mais esse ímpeto, juntamente a uma letra que enaltece o poder popular e a capacidade das massas de mudar o mundo. No pico do refrão, o pianista refere-se diretamente aos seus ouvintes e atesta: </span><a href="https://genius.com/22716773"><i><span style="font-weight: 400;">“Nós somos os escolhidos”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas nós, juntos, podemos transformar a sociedade em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27469" aria-describedby="caption-attachment-27469" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Fotografia retirada durante um concerto de protesto de Jon Batiste. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos, vestindo uma camiseta branca e calça bege, tocando um piano colorido em uma praça à céu aberto, em frente a uma multidão de outras pessoas. Ele se curva sobre o piano, enquanto um microfone preso a um pedestal encontra-se acima da sua cabeça." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27469" class="wp-caption-text">Durante o ano de 2020, Batiste recuperou a música negra de seu apagamento étnico e provou de uma vez por todas: jazz é música de protesto (Foto: Hiroko Masuike)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, como produto de seu próprio tempo, é uma obra naturalmente relevante. A narrativa de todas as faixas, em algum aspecto, aborda o ativismo e o nosso papel no mundo enquanto </span><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/direitos-humanos-2/o-papel-do-ativismo-e-dar-voz-as-pessoas-invisiveis-diz"><span style="font-weight: 400;">agentes da mudança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o que torna sua mensagem de fato ímpar é como Jon Batiste nunca se compromete com respostas. Ele se insere no centro desse cenário, se une a nós e coloca-se como porta-voz de sua geração, sem nunca apagar as nuances e sobretons que atravessam a subjetividade individual de cada um – inclusive dele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i><span style="font-weight: 400;"> – faixa que ganhou dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Roots</span></i><span style="font-weight: 400;"> – manifesta um eu-lírico desolado, que não consegue ver soluções para os problemas do mundo, assumindo que os culpados por todas essas mazelas jamais serão responsabilizados e tudo o que nos resta é o choro; </span><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i><span style="font-weight: 400;">, em oposição direta, encontra no amor e na presença do outro a </span><a href="https://www.vulture.com/article/jon-batiste-interview-grammy-nominations.html"><span style="font-weight: 400;">motivação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para continuar de pé dia após dia. Jon Batiste coloca as duas condições em contraste, mas sem nunca cair em um maniqueísmo banal, entendendo o valor da esperança, sem ignorar a função da tristeza como um sentimento válido e parte do processo de superação. Afinal, apenas se alcança a luz após passar pela escuridão.</span></p>
<figure id="attachment_27470" aria-describedby="caption-attachment-27470" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-4.webp" alt="Fotografia retirada durante apresentação do cantor Jon Batiste no Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, que veste um terno prateado e sapatos pretos, segurando um microfone sobre a boca enquanto canta eufórico, com os olhos fechados, e curva suas costas para trás. Ao lado dele, outros três dançarinos vestindo ternos azuis fazem poses. Ao fundo, uma banda vestindo roupas rosas toca uma música." width="2000" height="1333" /><figcaption id="caption-attachment-27470" class="wp-caption-text">Jon Batiste levou as cores e o entusiasmo de FREEDOM para dentro do Grammy 2022, em uma performance contagiante que agitou uma cerimônia que, até aquele momento, permanecia morna (Foto: Matt Winkelmeyer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não quer dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> não trate de temas pessoais de Jon Batiste. Na verdade, grande parte do disco traça o processo de amadurecimento do artista e como sua autopercepção o ajudou a encontrar seu lugar dentro de sua comunidade. Não por acaso, as faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-adulthood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">ADULTHOOD</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se sucedem na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com auxílio da inigualável voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pp2mRJ6-Q9k"><span style="font-weight: 400;">PJ Morton</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos desde as pequenas alegrias da infância simples e inocente de Nova Orleans, até o frio na barriga da transição para a vida adulta, quando ele se mudou para Nova Iorque sozinho, com 17 anos, para estudar Música em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PoTKFjj2Ghs"><span style="font-weight: 400;">Juilliard</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por todo esse trecho do álbum, permeiam as mesmas questões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem sou eu?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">“em que espaço eu pertenço?</span></i><span style="font-weight: 400;">” Por fim, Jon Batiste encontra o respaldo e suporte que precisava observando o passado: seja nos conselhos do seu pai, que ecoam com muito carinho pelas nostálgicas memórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no tributo aos diversos criadores negros que moldaram sua personalidade e hoje são grandes inspirações para sua obra em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-show-me-the-way-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SHOW ME THE WAY</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Jon compreende que, para que pudesse trilhar livremente seu caminho, muitos pavimentaram a estrada antes. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> guarda um imenso respeito por todas essas figuras, tanto familiares quanto culturais, e confessa recorrer a elas ao encarar o céu: </span><i><span style="font-weight: 400;">“quando olho para as estrelas, sei exatamente quem nós somos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente do peso das pautas que rodeiam a produção do disco, ou dos temas delicados que ele não deixa de discorrer, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um projeto otimista e colorido, em todos os sentidos. Jon Batiste se diverte como nunca, brincando com vocais e harmonias como se estivesse em uma montanha-russa viva. No clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3YHVC1DcHmo"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que desbancou o favorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">MONTERO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no prêmio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6swmTBVI83k"><span style="font-weight: 400;">Melhor Videoclipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Batiste leva o conceito de liberdade para o domínio do corpo e traz a dança enquanto símbolo máximo da autonomia como resistência. Isso, é claro, ao mesmo tempo que veste figurinos cintilantes e remexe junto a todos os moradores de um subúrbio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - FREEDOM" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3YHVC1DcHmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, isto é importante dizer, o videoclipe dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C6MOKXm8x50"><span style="font-weight: 400;">Alan Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz questão de mostrar que já existia cor naquele universo. O papel de Jon naquele momento é catalisar esse sentimento puro de alegria através da sua Música. Ao contrário de uma posição messiânica, sua obra se empodera pelo espírito coletivo inerente à humanidade, </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">levando esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um ano doloroso e lúgubre, onde praticamente não havia espaço para a êxtase. O que Jon Batiste constata em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-sing-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SING</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – a síntese emocional perfeita para o fechamento do projeto – é que, em um mundo onde somos oprimidos, não só física mas também mentalmente, explorados à exaustão até que não tenhamos tempo nem para cuidar de nós mesmos, nosso coro em uníssono é a resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que este é o álbum mais importante de 2021, com ou sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vitória de Jon Batiste, sem sombra de dúvidas, visa amplificar o acesso de grupos minoritários às categorias principais. É uma ação afirmativa deliberada da Academia, que, todavia, continua sendo composta pelos mesmos homens brancos, que apagaram a influência cultural dos mesmos criadores negros no passado. Entra ano, sai ano, os artistas mais disruptivos da Música continuam </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/03/esnobado-pelo-grammy-the-weeknd-faz-historia-na-musica-pop-ckm3ueh3a00430198ujh23l2c.html"><span style="font-weight: 400;">fazendo história</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto ignorados por uma premiação que permanece </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JlniLFuzjf8"><span style="font-weight: 400;">irrelevante como sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho formidável e pivotal para os nossos tempos, e acreditar que somente uma réplica em ouro de um gramofone poderia legitimá-lo é um crime imperdoável.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: WE ARE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=Fdrdh4F5TFCEjVWLquTW5Q&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 16:48:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”, indaga Julián Fuks no prefácio de Jamais o fogo nunca, livro da chilena Diamela Eltit traduzido por ele. “Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, conclui. Essas são as cartas postas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25341" aria-describedby="caption-attachment-25341" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25341" class="wp-caption-text">Durante as 172 páginas de Jamais o fogo nunca, a escritora Diamela Eltit destrincha os paradoxos da militância política durante a Ditadura chilena (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, indaga </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;"> no prefácio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro da chilena </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/violencia-permeia-novo-romance-da-chilena-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit</span></a><span style="font-weight: 400;"> traduzido por ele. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, </span></i><span style="font-weight: 400;">conclui. Essas são as cartas postas à mesa: Eltit não tem interesse em responder nenhuma das questões levantadas ao longo do romance, considerado seu trabalho principal; no entanto, o leitor encontrará uma espécie de distopia do século XXI, narrada de forma íntima, na qual há o aceno constante ao esquecimento em que são jogados aqueles que lutaram em favor da democracia, deixados à deriva.</span></p>
<p><span id="more-25340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2017, com o lançamento oficial no Chile em 2007, </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marcou a chegada das obras de Diamela Eltit no país, com um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983. O título do livro surge do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do peruano </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jamais o fogo nunca/Fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O trecho, que também é a epígrafe da obra de Eltit, serve como uma das possíveis chaves de interpretação que o romance possibilita, a considerar o caráter de denúncia que lemos nos versos de Vallejo e durante todo o trabalho de Eltit, acenando desesperadamente para a desumanização que alguns indivíduos promovem, transformando-se em carrascos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, entramos em contato com um casal de ex-militantes políticos durante a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55958337"><span style="font-weight: 400;">Ditadura de Pinochet</span></a><span style="font-weight: 400;">, subjugados dentro de um quarto onde as questões impostas pela vida política, que tanto exigiu de ambos, são colocadas em xeque. Existem ressonâncias </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/entenda-como-beckett-e-seus-personagens-em-situacoes-limite-sintetizam-a-era-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">beckettianas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espaço claustrofóbico do quarto, nas quais a narradora-protagonista examina o presente colapsado, compartilhado com seu marido, através dos olhos do absurdo, sendo esse homem um paradoxal líder militante libertário, porém extremamente autoritário. O engajamento político dos dois custa a vida do filho – e não somente –, o qual, em virtude do estilo de vida clandestina, morre no cômodo em que a narradora agora rememora seu passado.</span></p>
<p><figure id="attachment_25344" aria-describedby="caption-attachment-25344" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg" alt="Foto retangular colorida da escritora chilena Diamela Eltit. Na imagem, Eltit está com as duas mãos no bolso da calça, encostada em uma porta de madeira. Ela é uma mulher branca, com cabelos lisos curtos e grisalhos, veste uma camiseta roxa e um colar de cor cinza. Ao fundo há um banco de madeira, com duas almofadas floridas de cor preta e cinza, respectivamente, e uma janela com detalhes de madeira, na qual pode-se ver algumas árvores." width="1300" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25344" class="wp-caption-text">Diamela Eltit já ganhou diversos prêmios literários de renome, cujo mais recente foi o da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), recebido em 2021 [Foto: Diario Pagina Siete]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit nasceu em 1949 em Santiago, e obteve formação em Letras na Universidade do Chile, iniciando sua carreira como professora em escolas públicas. Desde 2007, dá aulas de Escrita Criativa na </span><i><span style="font-weight: 400;">New York University</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/desilusao-politica-e-amorosa-se-mesclam-em-livro-de-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Eltit disse em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elaborou a história do romance após visualizar a militância como um símbolo do pertencimento. Além desse aspecto, a escritora motivou-se a dar voz à mulher militante, </span><i><span style="font-weight: 400;">“que ficou fora do protagonismo durante esses anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao apresentar o marido da protagonista como um ser desprezível, monossilábico e violento, Eltit aponta para uma característica assustadora dos regimes repressivos: a totalidade violenta da Ditadura engloba inclusive aqueles que seriam suas alternativas, suas chances de libertação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro apresenta, talvez por uma escolha estética, personagens principais (a narradora e o marido) sem nome, cuja ausência coloca os corpos no centro do debate. Essa característica cria um diálogo com a política de desaparecimentos recorrentes nas Ditaduras, mesmo que de forma subjetiva. Desse modo, os corpos do romance estão desaparecidos, pois a falta de nome evidencia uma possível falta de identidade dessas pessoas. Sabe-se, porém, que o livro acontece em uma espécie de futuro pós-ditadura, no qual a protagonista segue como um espectro, viajando entre passado e presente, mas ainda, por alguma razão, vivendo enclausurada. Ela assume, assim, a posição de vigilante de seu marido – algo que só vamos entender o porquê próximo ao final do livro.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha caído, apreendida como um animal selvagem ou um animal de circo, em plena via pública, cercada e capturada. Depois você cairia. Uma soma implacável, a célula completa: os dez. Sobrevivemos sete. Três mortos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos entre ficção e memória também estão interligados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo em vista que Eltit constrói, através da oralidade, uma paisagem cerebral na qual o leitor tende a assimilar a clandestinidade do casal e o aprisionamento do quarto como uma evocação da claustrofobia de se viver em um regime ditatorial. Nesse aspecto, existem similaridades com os trabalhos de </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/contracapa/a-importancia-da-historia-nos-romances-de-w-g-sebald/"><span style="font-weight: 400;">W.G. Sebald</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor alemão conhecido por sua prosa prolixa e construção literária que embaça e mistura ficção com a não-ficção, abordando temas como a relação entre as vítimas da Segunda Guerra e do Holocausto – os mortos e seus parentes que sobreviveram – e a iminente dificuldade de se abordar a tragédia de nossos antepassados (o que, no fim, é também a nossa própria tragédia). Todavia, a premissa que norteia os trabalhos de Eltit e Sebald poderia ser a mesma: memória é ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem literária da escritora dialoga com seu próprio passado, pois ela foi uma das fundadoras do </span><a href="http://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-article-3342.html"><i><span style="font-weight: 400;">Colectivo Acciones De Arte</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(CADA), grupo artístico criado em 1979 para lutar em favor da preservação da cultura, em plena Ditadura chilena. O coletivo propunha ideias de intervenção artística no espaço urbano, destruindo, assim, o conceito de ‘sala de arte’ – todo o espaço público deveria se transformar em uma sala de arte. Esse dado biográfico acena para a abordagem dos corpos ao longo do romance – às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, visto que há uma ideia de intervenção artística de forma visceral na vida cotidiana, transformando, assim, o objeto artístico em uma potente arma contra a repressão.</span></p>
<figure id="attachment_25345" aria-describedby="caption-attachment-25345" style="width: 1125px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg" alt="Foto retangular em preto e branco, na qual vemos, da esquerda para a direita, Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells. Os cinco são pessoas brancas, e estão sentados em degraus. Juan veste uma camisa cinza de manga longa, utiliza barba de cor preta e possui cabelos lisos de cor preta. Lotty possui cabelos grandes pretos, veste camiseta branca e calça de cor cinza, e está com as duas mãos unidas. Raul está sentado com os braços cruzados, vestindo calça preta e camisa de manga longa branca. Ele possui poucos cabelos e uma barba grande de cor preta. Diamela está com os dois braços cruzados à frente de suas pernas. Ela veste uma calça preta e camiseta preta, e possui cabelos lisos curtos, de cor preta. Por fim, Fernando veste calça cinza, camiseta cinza, porém mais escura, e possui cabelos pretos e um bigode de cor preta." width="1125" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg 1125w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-768x546.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25345" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita estão Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells; juntos, formavam o CADA (Foto: Paz Errázuriz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a virada do milênio foi marcada por especulações sobre como os computadores e a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">seriam o futuro, e como poderiam controlar o planeta. Assim, o corpo humano estendeu-se (ou diluiu-se) em </span><i><span style="font-weight: 400;">bits </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">bytes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em representações virtuais e alegações. Talvez por isso haja o esquecimento daqueles que lutaram pela democracia, visto que não há memória coletiva capaz de sobrepor a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">grandiloquência individualista</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionada pelas redes. Vale lembrar que o livro foi publicado em 2007, e não por acaso trata-se de um romance que, mesmo transitando entre os tempos, se passa no pós-horror ditatorial. Desde o início se trata de uma lembrança.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">foge das convenções naturais sobre o romance, sendo uma obra questionadora e desafiante do ponto de vista formal, mas profundamente original. Com um panorama histórico, social e político que ainda marca todos nós latino-americanos, o livro mostra o poder – seja político e social (Ditadura), seja físico (marido) – não apenas como um exercício executado por aqueles que o assumem, mas também como uma ordem capaz de deixar marcas profundas nos indivíduos – como as cicatrizes em um corpo.</span></p>
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