<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Panini &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/panini/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/panini/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 07 Mar 2022 21:32:38 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Panini &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/panini/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[A Esperança]]></category>
		<category><![CDATA[Aline Bei]]></category>
		<category><![CDATA[Alison Bechdel]]></category>
		<category><![CDATA[Ática]]></category>
		<category><![CDATA[Ayra Mori]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Maria de Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Christina Lamb]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Coração de Tinta]]></category>
		<category><![CDATA[Cornelia Funke]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona Fevereiro de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Eu Sou Malala - A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã]]></category>
		<category><![CDATA[Fevereiro de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Fun home: Uma tragicomédia em família]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gatti]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens Titãs: Ravena]]></category>
		<category><![CDATA[Kami Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Luxúria]]></category>
		<category><![CDATA[Lygia Fagundes Telles]]></category>
		<category><![CDATA[Malala Yousafzai]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Zogheib]]></category>
		<category><![CDATA[Meninos de Zinco]]></category>
		<category><![CDATA[Mês da Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Pequena coreografia do adeus]]></category>
		<category><![CDATA[Quarto de despejo]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Raven Leilani]]></category>
		<category><![CDATA[Rocco]]></category>
		<category><![CDATA[Seguinte]]></category>
		<category><![CDATA[Suzanne Collins]]></category>
		<category><![CDATA[Svetlana Aleksiévitch]]></category>
		<category><![CDATA[Todavia]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26347</guid>

					<description><![CDATA[<p>Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as autoras que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/">Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="(max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/">Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26347</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona – Novembro de 2021</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 22:17:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Aleph]]></category>
		<category><![CDATA[Ali Hazelwood]]></category>
		<category><![CDATA[Annie Wu]]></category>
		<category><![CDATA[Berkley]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Evaristo]]></category>
		<category><![CDATA[David Aja]]></category>
		<category><![CDATA[Diamela Eltit]]></category>
		<category><![CDATA[Dias na Birmânia]]></category>
		<category><![CDATA[Duna]]></category>
		<category><![CDATA[Erguei bem alto a viga carpinteiros & Seymour: Uma introdução]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona Novembro 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Herbert]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gatti]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Oliveira F. Arruda]]></category>
		<category><![CDATA[Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste]]></category>
		<category><![CDATA[George Orwell]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de leves enganos e parecenças]]></category>
		<category><![CDATA[J.D. Salinger]]></category>
		<category><![CDATA[Jamais o fogo nunca]]></category>
		<category><![CDATA[Javier Pulido]]></category>
		<category><![CDATA[Leite Derramado]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Malê]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Fraction]]></category>
		<category><![CDATA[Novembro 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Os sete maridos de Evelyn Hugo]]></category>
		<category><![CDATA[Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Paralela]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Taylor Jenkins Reid]]></category>
		<category><![CDATA[The Love Hypothesis]]></category>
		<category><![CDATA[Todavia]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25075</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Imaginava o Paraíso tendo uma biblioteca por modelo.” &#8211; Jorge Luis Borges Mais um mês de 2021 chega ao fim, e, como de costume, junto dele as coberturas mensais do Persona. Para iniciar os nossos registros de novembro,  damos sequência a uma novidade que nasceu quase nos últimos momentos do ano: o Estante do Persona.  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Novembro de 2021"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/">Estante do Persona – Novembro de 2021</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25112" aria-describedby="caption-attachment-25112" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25112 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25112" class="wp-caption-text">Na segunda edição da Estante do Persona, o Clube do Livro discutiu a obra Jamais o fogo nunca, da escritora chilena Diamela Eltit (Foto: Reprodução/Arte: Vitória Vulcano/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Imaginava o Paraíso tendo uma biblioteca por modelo.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Jorge Luis Borges</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais um mês de 2021 chega ao fim, e, como de costume, junto dele as coberturas mensais do Persona. Para iniciar os nossos registros de novembro,  damos sequência a uma novidade que nasceu quase nos últimos momentos do ano: o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outubro, criamos o nosso </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de obras escolhidas através de sugestões. Ao final do mês, o Clube reúne-se para montar uma lista de indicações literárias e preencher a sua Estante aqui no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de criar uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">com canções que remetem à obra em questão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, em novembro realizamos a segunda leitura do Clube do Livro: </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), da chilena Diamela Eltit, que, no fim do mês, recebeu o prêmio da </span><a href="https://istoe.com.br/fil-comeca-no-mexico-com-premio-para-diamela-eltit-e-homenagem-a-almudena-grandes/"><span style="font-weight: 400;">Feira Internacional do Livro de Guadalajara</span></a><span style="font-weight: 400;"> (FIL). O livro é narrado por uma mulher, cujo principal dado biográfico é ter sido sobrevivente da Ditadura chilena, vivendo, mesmo após o fim do regime, sob o aspecto claustrofóbico da clandestinidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos dias ainda marcaram a entrega do </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1464377751025205248"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais importante da </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileira. No mês que traz o </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/11/20/dia-da-consciencia-negra-cidades-registram-atos-antirracistas-neste-20-de-novembro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Dia da Consciência Negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, a premiação </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/11/premio-jabuti-2021-consagra-jeferson-tenorio-e-coroa-infantil-sobre-brumadinho.shtml"><span style="font-weight: 400;">consagrou Jeferson Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;">, concedendo a ele o troféu na categoria Romance Literário — um dos mais prestigiosos da premiação — pelo excelente </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14705"><i><span style="font-weight: 400;">O Avesso da Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aborda questões de racismo através dos olhos de um jovem negro ao reimaginar a vida do pai, um professor morto devido à violência policial. O romance desbancou </span><a href="https://personaunesp.com.br/solucao-de-dois-estados-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solução de Dois Estados</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/diario-da-queda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michel Laub</span></a><span style="font-weight: 400;">, visto como um dos favoritos ao prêmio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria Livro do Ano, quem ficou com o Jabuti foi </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2021/11/26/premio-jabuti-2021-sagatrissuinorana-e-livro-do-ano-confira-vencedores.html"><i><span style="font-weight: 400;">Sagatrissuinorana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro infantojuvenil de João Luiz Guimarães e Nelson Cruz, publicado pela editora independente </span><i><span style="font-weight: 400;">ÔZé</span></i><span style="font-weight: 400;">. O enredo adapta a história clássica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Porquinhos </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma linguagem que lembra </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/grande-sertao-veredas-resumo-da-obra-de-guimaraes-rosa/"><i><span style="font-weight: 400;">Grande Sertão: Veredas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do mineiro João Guimarães Rosa, e gera um conto para falar sobre as tragédias que ocorreram em </span><a href="https://www.politize.com.br/barragem-de-rejeitos/"><span style="font-weight: 400;">Mariana e Brumadinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos desastres ocasionados pelo rompimento de Barragens em Minas Gerais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Não Ficção, o livro-reportagem </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-24/os-bolsonaro-sempre-foram-os-representantes-ideologicos-dos-grupos-milicianos.html"><i><span style="font-weight: 400;">A República das Milícias</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> do jornalista Bruno Paes Manso, foi laureado na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. A obra traça um paralelo entre a ascensão das milícias no Rio de Janeiro e a consolidação da família Bolsonaro na política, fazendo um recorte temporal que vai dos anos 1960 — com o surgimento dos esquadrões da morte no Rio — até o assassinato da vereadora carioca </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/caso-marielle-tr%C3%AAs-anos-de-um-crime-que-chocou-o-brasil/a-56866451"><span style="font-weight: 400;">Marielle Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2018. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria Ciências, a bióloga </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/05/livro-mostra-como-ciencia-tao-discutida-hoje-esta-no-dia-a-dia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Natalia Pasternak</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o jornalista Carlos Orsi saíram vitoriosos com o livro</span> <a href="https://www.editoracontexto.com.br/produto/ciencia-no-cotidiano-viva-a-razao-abaixo-a-ignorancia/2788127"><i><span style="font-weight: 400;">Ciência no cotidiano: Viva a razão. Abaixo a ignorância!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra de divulgação científica que, entre outros temas, aborda e desmistifica a falácia de que vacinas causam autismo. </span><span style="font-weight: 400;">A Personalidade Literária de 2021 — honraria entregue desde a criação da premiação — foi Ignácio de Loyola Brandão, escritor araraquarense cinco vezes vencedor do Prêmio Jabuti, e autor de obras de destaque, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero </span></i><span style="font-weight: 400;">(1974) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Verás País Nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981). Em janeiro deste ano, Brandão recebeu o título de </span><a href="https://www2.unesp.br/portal#!/noticia/36277/serei-sempre-grato-a-unesp-diz-ignacio-de-loyola-brandao"><span style="font-weight: 400;">Doutor </span><i><span style="font-weight: 400;">Honoris Causa</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela Unesp</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se você procura por mais indicações literárias está no lugar certo. Além de acompanhar o ambiente literário neste mês de novembro, a Editoria do Persona também selecionou algumas outras obras para acompanhar Diamela Eltit e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;"> na segunda edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso você pode conferir logo abaixo.  </span></p>
<p><span id="more-25075"></span></p>
<h2></h2>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_25065" aria-describedby="caption-attachment-25065" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25065" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-534x800.jpg" alt="Capa do livro Jamais o Fogo Nunca, de Diamela Eltit. Na imagem, há um fundo branco com letras que formam a frase Jamais o fogo nunca embaralhadas e espalhadas de maneira disforme. Essas letras são de cor roxa. Na parte lateral direita, está escrito Jamais o fogo nunca, em fonte de cor roxa. À esquerda, está escrito diamela eltit, também em fonte de cor roxa. Abaixo de diamela eltit, está escrito tradução e prefácio de Julián Fuks, em fonte de cor roxa." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca.jpg 866w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-25065" class="wp-caption-text">Jamais o fogo nunca é o primeiro livro da chilena Diamela Eltit traduzido no Brasil (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Diamela Eltit &#8211; Jamais o fogo nunca (172 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo uma das principais autoras da Literatura chilena contemporânea, Diamela Eltit demonstra em suas obras uma enorme força social, e revela, por meio de sua voz poética, paradoxos da militância política. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro livro publicado no Brasil, em 2017 — um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983 —, lemos esboços de conversas e momentos entre uma mulher e o marido, militantes ávidos contra a Ditadura de Pinochet, enclausurados dentro de um quarto onde relembram e colocam em xeque tudo o que foi vivido durante o período. Narrado pela mulher, o livro apresenta o passado como uma assombração, em um espaço claustrofóbico que só é quebrado com a invasão da morte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do livro vem do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do poeta peruano </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124&amp;busca=poemas%20humanos"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual lemos:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Jamais o fogo nunca/fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse trecho é também a epígrafe da obra, e serve como um ponto de partida para entendê-la. Há na produção um forte apreço pelos corpos — característica que perpassa toda a carreira de Eltit, visto com ênfase em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/forcas-especiais/"><i><span style="font-weight: 400;">Forças especiais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), seu mais recente livro publicado por aqui —, às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o romance. A recusa — e a proibição do marido — em sair de casa evidencia a desistência da utopia, motivo pelo qual ambos lutavam juntos nos anos de repressão política. Além disso, o caráter revelatório do romance aponta para as contradições escancaradas nas atitudes do próprio, um homem que lutava pela liberdade política mas era um repressor violento dentro da casa — a melhor simbologia da totalidade assombrosa da Ditadura, evidente até mesmo nos que seriam suas portas de saída.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">também aponta para um dado emblemático: a Democracia não se lembra daqueles que lutaram por ela. Essa é uma das características que parecem servir de mote a diversas cenas do romance, visto que a ideia de anular o individual para o bem coletivo foi invertida nas sociedades contemporâneas. O livro funciona como uma distopia do século XXI, na qual nós, latino-americanos, estamos sempre assombrados pelo passado da Ditadura Militar, ao passo que somos carregados por um </span><i><span style="font-weight: 400;">“fogo morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Brasil, Diamela Eltit possui quatro obras publicadas: </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Forças especiais</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução do também escritor </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançadas pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Relicário</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://e-galaxia.com.br/produto/a-maquina-pinochet-e-outros-ensaios/"><i><span style="font-weight: 400;">A máquina Pinochet e outros ensaios</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), disponível somente em </span><i><span style="font-weight: 400;">e-book </span></i><span style="font-weight: 400;">através da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">e-Galáxia</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Pedro Meira Monteiro; e </span><a href="https://ims.com.br/publicacao/o-infarto-da-alma-paz-errazuriz-diamela-eltit/"><i><span style="font-weight: 400;">O Infarto da alma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), feito em parceria com a fotógrafa </span><a href="https://www.sp-arte.com/editorial/entrevista-com-paz-errazuriz/"><span style="font-weight: 400;">Paz Errázuriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">IMS</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de Livia Deorsola. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Apoio minha mão adormecida na parede e não sinto nada. Já não sinto absolutamente nada.”</span></i></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Jamais o fogo nunca - Clube do Livro Novembro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/5tmUJWDu1GOWavKeSEW7oW?si=2005c11df2894ac1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_25067" aria-describedby="caption-attachment-25067" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-557x800.jpg" alt="A capa é bege e mostra o desenho de um monstro em forma de minhoca saindo do deserto. A parte de cima do seu corpo tem um buraco, sua boca, com dentes pontiagudos. Abaixo dele, vemos montes de areia e várias silhuetas pretas olhando o monstro. Na parte de cima da capa, em letras brancas, lemos o nome do autor, Frank Herbert. No meio da capa, logo na cara do monstro, também em fonte branca, lemos Duna" width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-25067" class="wp-caption-text">Que calor, que sede! (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Frank Herbert &#8211; Duna (680 páginas, Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definir a complexidade e o alcance de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">em apenas um par de parágrafos é uma tarefa que nem o Barão Harkonnen merece enfrentar. A obra de Frank Herbert foi publicada em 1965, quando a ficção científica de Isaac Asimov olhava para um </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-fundacao-de-isaac-asimov-1951/"><span style="font-weight: 400;">futuro robótico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e metálico, enquanto o desértico planeta Arrakis, por outro lado, buscava uma visão menos computadorizada do amanhã. Os dróides dão espaço para a ecologia, a religião e a política. Na trama, primeiro livro de uma longeva coleção, o jovem Paul Atreides vê seu mundo virar de ponta-cabeça quando o pai, o Duque Leto, é ordenado a comandar Duna, um planeta que em nada se assemelha com a terra natal da família real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa fina premissa, as quase setecentas páginas se enroscam em reviravoltas políticas, amores capciosos e uma execução e visão de mundo avançadas para a mente de um norte-americano nos anos sessenta. Ágil, empoeirado, extremamente envolvente e envelopado por um glossário que deixa os cabelos em pé, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">se beneficia do caráter disruptivo de sua narrativa linear, mas não presa ao cotidiano. Entre um capítulo e outro, Herbert faz questão de viajar anos pelo tempo, sem ao menos avisar o leitor que o protagonista até então magrinho e confiante agora era um homem resiliente e altivo. Acompanhado da cuidadosa e apaixonada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dnBpZuSUISQ"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Denis Villeneuve, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">de Frank Herbert (traduzido para cá por Maria do Carmo Zanini) tem tudo para continuar sua jornada atemporal de sucesso e aclamação. Mas esteja avisado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">é tão seco, que dá sede. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_25072" aria-describedby="caption-attachment-25072" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25072 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-557x800.jpg" alt="Capa do livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. A imagem tem uma foto com um filtro verde água de uma mulher usando um vestido longo brilhante , com um colar de pérolas e pulseiras no braço direito. É possível ver apenas sua silhueta e a parte da boca para cima do seu rosto. Sob seu corpo, está escrito Os sete maridos de Evelyn Hugo em letra cursiva na cor rosa." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-25072" class="wp-caption-text">Taylor Jenkins Reid também é autora de Daisy Jones &amp; The Six e Amor(es) Verdadeiro(s) [Foto: Paralela]</figcaption></figure><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (360 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode soar um pouco batido ser mais uma das milhares de pessoas a falar de O</span><i><span style="font-weight: 400;">s Sete Maridos de Evelyn Hugo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que todo dia tem uma porção considerável de </span><i><span style="font-weight: 400;">tweets</span></i><span style="font-weight: 400;"> com comentários dedicados ao livro (e o famoso vestido verde da protagonista). Mas a obra de Taylor Jenkins Reid merece mesmo todos os holofotes que tem ganhado nos últimos meses. A autora, que já se mostrou </span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/"><span style="font-weight: 400;">craque em criar celebridades inexistentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe um romance viciante do início ao fim, percorrendo os bastidores mais perversos da vida do </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evelyn Hugo é um dos nomes mais marcantes de Hollywood. Prestes a completar 80 anos de idade, a atriz <em>Oscarizada</em> decide que quer lançar uma biografia sobre sua vida e carreira, e curiosamente escolhe a jornalista Monique Grant para ser a autora da obra. A partir dessa premissa, o livro revisita a história da super estrela desde seus primórdios, percorrendo todos os percalços necessários para se tornar uma figura renomada, em paralelo com cada um de seus casamentos. Entre esses obstáculos, a repressão de suas origens latinas, sua fisionomia e até mesmo sua sexualidade para deixar seu nome cravado na calçada da fama. Em uma escrita que estampa um caráter quase documental, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Maridos de Evelyn Hugo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma das ficções mais verdadeiras que poderíamos ter. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25073" aria-describedby="caption-attachment-25073" style="width: 527px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-527x800.jpg" alt="Capa do livro Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour — Uma introdução. Na imagem, há um fundo verde com uma borda de cor branca. Ao centro, há uma letra S de cor preta com detalhes em cor branca e cinza. Acima da letra S, está escrito Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour — Uma introdução, em fonte de cor preta. Abaixo do S, está escrito J. D. Salinger, também em fonte de cor preta." width="527" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1.jpg 1620w" sizes="auto, (max-width: 527px) 85vw, 527px" /><figcaption id="caption-attachment-25073" class="wp-caption-text">Com tradução de Caetano Galindo, Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução fecha a cortina da carreira literária de Salinger, sendo esse seu último livro publicado em vida, e, até os dias atuais, sua última obra inédita (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>J.D. Salinger &#8211; Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução (184 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final dos anos 1940, precisamente em 1948, o nome de um ex-veterano da </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><span style="font-weight: 400;">Segunda Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos poucos sobreviventes norte-americanos do </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/20/album/1558364074_276724.html"><span style="font-weight: 400;">Desembarque da Normandia</span></a><span style="font-weight: 400;">, apareceu pela primeira vez na renomada revista </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto que dava início a uma das carreiras literárias mais brilhantes de todos os tempos – apesar de sua curta extensão, considerando que o autor publicou apenas um romance (mas foi </span><i><span style="font-weight: 400;">“o” </span></i><span style="font-weight: 400;">romance), e sagrou-se através de novelas e contos – se chamava </span><a href="https://img.travessa.com.br/capitulo/TODAVIA/NOVE_HISTORIAS-9786580309436.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Um dia perfeito para peixes banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O nome do autor? Jerome David Salinger, ou, como ficou conhecido, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J. D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto apresenta Seymour Glass, irmão mais velho de uma família de mentes geniais; é uma figura icônica, misteriosa e profundamente comprometida em entender o mundo. Ao longo da carreira de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/02/jogos-de-linguagem-de-salinger-tornam-infernal-o-trabalho-do-tradutor.shtml"><span style="font-weight: 400;">Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, a disfuncional </span><a href="https://revistapolen.com/a-familia-glass/"><span style="font-weight: 400;">família Glass</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi sendo traçada, e, à tangente, Seymour (morto desde sua aparição) transformou-se em um guru, a referência silenciosa para os irmãos – ele era </span><i><span style="font-weight: 400;">“o imbatível”</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo Buddy Glass. Não ironicamente, a carreira de Salinger foi se solidificando junto a consolidação do nome de Seymour, sendo esse um de seus personagens mais geniais. A última obra publicada por Jerome – antes de cessar suas publicações e iniciar a reclusão que durou até o fim de sua vida, em 2010 – foi </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/erguei-bem-alto-a-viga-carpinteiros-seymour-uma-introducao"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1963). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É engraçado enxergar que, desde o surgimento de Seymour, tentamos entender sua mente e o que levou a fazer o que fez, mas, somente 15 anos depois, Salinger apresentará um livro para contar, propriamente, a história do personagem, mesmo que narrada pelo irmão. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução</span></i><span style="font-weight: 400;"> temos duas novelas, ambas narradas por Buddy, o escritor da família e alter ego de </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2020/12/07/montando-o-quebra-cabeca-de-j.-d.-salinger"><span style="font-weight: 400;">Jerome Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, acompanhamos a cerimônia de casamento frustrada entre Seymour e Muriel, na qual Buddy Glass se vê enroscado com a família da noiva, enquanto a segunda apresenta um esforço genuíno em reconstruir a mente desse personagem ausente, através de memórias e fragmentos que ele deixou para trás. O livro todo é o clímax da história da família, considerando, ainda, que essa cerimônia inusitada de casamento foi pincelada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Um dia perfeito para peixes banana</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra encerra com maestria – e de forma cíclica – a carreira literária de Salinger, e representa o fracasso que pode ser a reconstrução do passado, à medida que a tentativa, mesmo no escuro, já demonstra uma vitória. </span><b>&#8211;</b> <b>Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25071" aria-describedby="caption-attachment-25071" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro The Love Hypothesis, da autora Ali Hazelwood. Na alto da capa, centralizado em letras rosas, o título do livro, sob fundo azul, com “The Love” em letras cursivas e “Hypothesis” em uma fonte formal. Abaixo dele, uma ilustração de Olive (à direita) agarrando o jaleco de Adam (à esquerda) e puxando-o para um beijo. Olive é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos presos num coque bagunçado, usando um jaleco branco com um crachá visível na gola esquerda. Adam é um homem caucasiano, mais alto que Olive, tem cabelos pretos até os ombros e usa um jaleco azul bebê por cima de uma camiseta rosa. Enquanto Olive está de olhos fechados, Adam está com os dele arregalados de surpresa. Atrás deles, uma série de frascos e vidros de laboratório com líquidos rosa sob uma bancada de trabalho azul, com o nome da autora no canto inferior direito em letras azuis-escuras e maiúsculas." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-25071" class="wp-caption-text">Os melhores clichês do gênero, organizados da maneira mais refrescante possível (Foto: Berkley)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Hazelwood &#8211; The Love Hypothesis (383 páginas, Berkley)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma coisa fica clara assim que começamos a ler </span><i><span style="font-weight: 400;">The Love Hypothesis</span></i><span style="font-weight: 400;">: Ali Hazelwood não se envergonha nem um pouco das origens de seu livro. O fato da obra ter nascido como uma </span><a href="https://collider.com/the-love-hypothesis-ali-hazelwood-interview/"><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é celebrado desde sua capa (ilustrada pela paraguaia </span><a href="https://twitter.com/lilithsaur"><span style="font-weight: 400;">@lilithsaur</span></a><span style="font-weight: 400;">), que evoca a semelhança dos atores dos filmes, até os agradecimentos, em que a autora ressalta a importância do apoio da comunidade para que a obra se tornasse um livro publicado. Na trama, a candidata a PhD Olive busca convencer sua melhor amiga de que está em uma relação romântica, e acaba tascando um belo de um beijo no Dr. Adam Carlsen, um professor linha-dura odiado pela maioria dos estudantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">campus</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance de estreia da autora não é nada menos do que um triunfo, tanto em gênero como em prosa. A caracterização romântica de suas personagens principais proposta dentro de um relacionamento falso (um dos clichês mais deliciosos do gênero) é primorosa, e não desperdiça nenhum momento entre as duas, forçando-as em situações cada vez mais comprometedoras, mas sem nunca tomar por garantido nenhuma das personagens secundárias ou a importância delas para a trama principal. Com a promessa de ser publicado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Arqueiro</span></i> <a href="https://impagine.online/the-love-hypothesis-entrevista-exclusiva-com-ali-hazelwood/"><span style="font-weight: 400;">no Brasil em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Love Hypothesis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um romance de peso e conteúdo que vai muito além de suas humildes origens. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25068" aria-describedby="caption-attachment-25068" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25068" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gavia-arqueira.jpg" alt="Capa do livro Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste. A capa tem o fundo branco. No canto superior esquerdo, vemos a frase “Gavião Arqueiro do Matt Fraction é seu melhor trabalho até agora - PopMatters.com” em preto. Abaixo, vemos o logo da série de quadrinhos “gaviã arqueira”, que consiste nas duas palavras escritas em uma fonte preta, com setas nas extremidades das letras “g”, “v” e “i”, e um ponto vermelho, como se fosse um alvo, dentro do primeiro “a”. Na parte superior direita e em toda a extensão da capa, vemos ilustrações em tons de laranja. À esquerda, vemos a silhueta alaranjada de uma mulher com uma máscara e segurando uma arma. Ao lado dela, vemos a silhueta alaranjada de uma outra mulher, usando óculos que refletem palmeiras. À direita, vemos a silhueta alaranjada de um homem usando um casaco e uma gravata preta. Na parte inferior da capa, vemos as silhuetas brancas de palmeiras. Espalhados por toda a capa, vemos círculos imitando alvos, em tons de amarelo, laranja e em branco." width="500" height="769" /><figcaption id="caption-attachment-25068" class="wp-caption-text">Gaviã Arqueira: Vingadora do Oeste acompanha a personagem Kate Bishop antes de ela entrar para o Jovens Vingadores (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Wu, David Aja, Javier Pulido e Matt Fraction &#8211; Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste (120 páginas, Panini)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hawkeye</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">! A série </span><a href="https://variety.com/shop/hawkeye-marvel-comic-book-1235063311/"><span style="font-weight: 400;">inspirada nos quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Gavião Arqueiro foi a responsável por introduzir Kate Bishop ao </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, antes de chegar ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Gaviã Arqueira já viveu outras aventuras. No livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste</span></i><span style="font-weight: 400;">, a personagem não só já está devidamente aclimatada ao mundo heroico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, como também </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/hawkeye-origem-relacao-kate-bishop-clint-barton-quadrinhos.html"><span style="font-weight: 400;">está familiarizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e de saco cheio &#8211; de Clint Barton. E é procurando tirar férias dele e das turbulências da vida em Nova York que a arqueira, seu cachorro e seu arco e flecha viajam para Los Angeles… só que nem lá ela vai conseguir escapar dos problemas de ser uma heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito por Matt Fraction, com as capas feitas por Javier Pulido e David Aja, o livro em quadrinhos reúne as edições 14, 16, 18 e 20 da série </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/gaviao-arqueiro-como-uma-hq-sem-historia-virou-fenomeno-e-foi-parar-no-mcu/"><i><span style="font-weight: 400;">Hawkeye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Logo de cara, as ilustrações de Annie Wu são um atrativo por si só: cheias de cores, com desenhos bem dispostos, repletos de detalhes e perspectivas, e um </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">moderno, que combina com a protagonista, o visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira </span></i><span style="font-weight: 400;">é deslumbrante. Mas as ilustrações não são tudo e, graças a </span><a href="https://www.aficionados.com.br/kate-bishop-a-gavia-arqueira-jovens-vingadores/"><span style="font-weight: 400;">Kate Bishop</span></a><span style="font-weight: 400;">, a narrativa também dá certo: seguindo as aventuras da heroína, nos aproximamos dela e conhecemos mais da sua personalidade generosa e corajosa, e também engraçada, despojada, irreverente e rebelde. Seja ajudando o casal vizinho a conseguir flores para um casamento, seja protegendo Los Angeles da Madame Máscara, a divertida </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra porque, muito antes de ter de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/gaviao-arqueiro-diferencas-kate-bishop.html"><span style="font-weight: 400;">se encaixar ao universo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, já se considerava “</span><i><span style="font-weight: 400;">praticamente uma Vingadora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25066" aria-describedby="caption-attachment-25066" style="width: 447px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Dias-na-Birmania-1.jpg" alt="Capa do livro Dias na Birmânia uma mulher no centro em branco e preto de costas levemente abaixada, com uma lança na mão direita, vestindo uma camiseta branca, um shorts e um chapéu. Na parte inferior há uma figura que lembra um barco. O fundo da cena é uma estampa distorcida de um céu azul com uma nuvem. No ponto superior está escrito George Orwell em branco e no canto esquerdo está escrito na diagonal Dias na Birmânia em vermelho. Todos esses elementos na capa remetem a uma colagem." width="447" height="686" /><figcaption id="caption-attachment-25066" class="wp-caption-text">George Orwell disseca o racismo estrutural em Dias na Birmânia (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>George Orwell &#8211; Dias na Birmânia (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mundo é repleto de culturas bem diferente da nossa e a Literatura nos permite viajar para conhecer essas civilizações tão discrepantes do nosso cotidiano. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;">, o primeiro romance de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/06/8-fatos-sobre-george-orwell-autor-de-revolucao-dos-bichos-e-1984.html"><span style="font-weight: 400;">George Orwell</span></a>, <span style="font-weight: 400;">publicado em 1934, o leitor é transportado para um país asiático longínquo em meados do século XX. Nesse universo somos apresentados a John Flory, um inglês que reside na Birmânia em um período em que o país era uma colônia britânica. Orwell escancara o racismo nefasto do ambiente com os privilégios de Flory por não ser nativo do lugar, porém é mal visto por outros estrangeiros devido a sua amizade com os birmaneses. Os dias na Birmânia eram inóspitos até a chegada de Elizabeth, uma jovem superficial que despertou a comunidade local de sua rotina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> já acorda o leitor para uma visão crítica sobre o colonialismo e o racismo estrutural. Orwell apresenta, logo em sua primeira obra literária, a sua análise majestosa sobre regimes autoritários, que futuramente o levou a escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa do primeiro romance do autor segue um ritmo angustiante com a autodesvalorização dos birmaneses cada vez mais acentuada e a depreciação de John Flory aumentando conforme o desenrolar da trama. A história contada por Orwell mostra um passado de um povo oprimido que reside em um país hoje conhecido como </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-11-16/junta-militar-de-mianmar-acusa-aung-san-suu-kyi-de-fraude-nas-eleicoes-de-2020.html"><span style="font-weight: 400;">Myanmar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mais revoltante de se debruçar sobre a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é pensar que a realidade dessa civilização ainda é a opressão. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25070" aria-describedby="caption-attachment-25070" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25070" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-551x800.jpg" alt="Capa do livro Leite Derramado. A imagem tem fundo laranja. No canto superior direito, está escrito o nome do autor em cor preta e fonte em caixa alta. Ao centro, alinhado à esquerda, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta branca. Embaixo do título do livro, ocupando o quadrante inferior esquerdo da capa, existe um trecho do livro escrito em fonte serifada, também em branco, num tamanho menor, comum da parte interior dos livros." width="551" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-551x800.jpg 551w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-706x1024.jpg 706w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-768x1115.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1058x1536.jpg 1058w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1411x2048.jpg 1411w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1200x1741.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1.jpg 1764w" sizes="auto, (max-width: 551px) 85vw, 551px" /><figcaption id="caption-attachment-25070" class="wp-caption-text">Lançado em março de 2009, Leite Derramado expõe a capacidade analítica de Chico Buarque numa saga familiar decadente (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Buarque &#8211; Leite Derramado (195 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de novembro foi para acompanhar a premiação mais importante da Literatura Brasileira e apreciar a obra político-histórica de Diamela Eltit em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">. Então, nada melhor do que relembrar também o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/824984-leia-trecho-de-leite-derramado-vencedor-como-melhor-ficcao-do-52-premio-jabuti.shtml"><span style="font-weight: 400;">Livro do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> eleito pelo Prêmio Jabuti em 2010, que se encarrega de retratar a história do Brasil durante os nossos últimos dois séculos pelas palavras sublimes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tkaXxXXKVI"><i><span style="font-weight: 400;">Leite Derramado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor tece uma narrativa ampla sobre a formação da sociedade e da política brasileira a partir das memórias de Eulálio, que está em seu leito de morte, desatando um monólogo nada confiável para quem quiser ouvir. O protagonista, membro de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kd06GcqnwZQ"><span style="font-weight: 400;">decadente família tradicional carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">, dedica seus últimos dias ao registro oral de sua linhagem, que se inicia com ancestrais portugueses, continua com barões do Império e senadores da Primeira República, e se encerra com agentes criminosos do Rio de Janeiro atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como a consagrada escritora chilena, o aclamado letrista brasileiro faz uso de uma linguagem exímia do romance moderno, repleta de digressões livres e fechada na expressão da primeira pessoa. No entanto, ao contrário da carga dramática e psicológica da Literatura de Diamela Eltit, Chico Buarque é curto e grosso em suas análises, criadas a partir da perspectiva de um de seus </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1848/1/Chico%20Buarque%20e%20a%20malandragem.pdf"><span style="font-weight: 400;">exímios malandros</span></a><span style="font-weight: 400;">. E este, por sua vez, nunca chora o tal do leite derramado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25069" aria-describedby="caption-attachment-25069" style="width: 539px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-539x800.jpg" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-1200x1779.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1.jpg 1255w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-25069" class="wp-caption-text">“Escrevo o que me falam, o que capto de muitas vivências: escrevivências” (Foto: Malê)</figcaption></figure>
<p><b>Conceição Evaristo &#8211; Histórias de leves enganos e parecenças (112 páginas, Malê)</b></p>
<p><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/conceicao-evaristo.htm"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores escritoras que esse país tem a honra de possuir. Mineira, poetisa, romancista e contista, Conceição venceu o Prêmio Jabuti em 2015, por uma de suas obras mais famosas: </span><a href="https://deliriumnerd.com/2021/03/10/olhos-dagua-conceicao-evaristo-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">Olhos d&#8217;água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E foi homenageada pelo mesmo em 2019, como Personalidade Literária do Ano. Negra e de origem pobre, seus fortes versos ressoam a dura realidade vivenciada por ela, denunciando a marginalização social e opressões de gênero. Seus livros transmitem aquilo que Conceição carrega em seu interior: arte, cultura, sabedoria e beleza.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Histórias de leves enganos e parecenças</span></i><span style="font-weight: 400;">, sexta obra da autora, reúne doze contos e uma novela que dão voz a meninas, mulheres, mães e avós. Aqui, a prática de </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/09/07/conceicao-evaristo-frases-poderosas-em-entrevista-no-roda-viva.htm"><span style="font-weight: 400;">escrevivências</span></a>,<span style="font-weight: 400;"> mais uma vez, domina o lirismo poético de Conceição Evaristo, que transcreve histórias vindas de pessoas que têm a fala sufocada pela sociedade racista e intolerante. </span><i><span style="font-weight: 400;">A moça de vestido amarelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos grandes destaques do livro, fala sobre o sagrado afrodescente de maneira sutil e ao mesmo tempo potente, carregando muita graça e sabedoria. Com o sagrado em voga, contos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa Senhora das luminescências</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Fios de ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> impulsionam a oralidade feminina e a tradição de matriz africana. Retratando o cotidiano pela voz do oprimido, Conceição Evaristo faz Arte. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/">Estante do Persona – Novembro de 2021</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25075</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
