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	<title>Arquivos Morte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 40 anos, King quase enterrou O Cemitério &#8211; e que bom que isso não aconteceu</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 17:11:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: violência explícita, morte e luto Marcela Lavorato O Cemitério plantado por Stephen King colhe frutos há 40 anos. O motivo é simples: o livro é uma descrição minuciosa dos sentimentos humanos em torno de um fato que não nos é explicado, mas que esperamos vir inevitavelmente ao longo da vida &#8211; a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 40 anos, King quase enterrou O Cemitério &#8211; e que bom que isso não aconteceu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Alerta de gatilho: violência explícita, morte e luto</p>
<figure id="attachment_31825" aria-describedby="caption-attachment-31825" style="width: 452px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31825" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/o-cemiterio-capa.jpg" alt="Capa do livro O Cemitério. A capa tem um fundo que na parte posterior tem lápides e na parte inferior tem um gato felpudo com coloração preta e reflexos brancos, está com os olhos brancos. Na parte superior, tem os dizeres &quot;Stephen King&quot; em branco. Já embaixo, há o título do livro &quot;O Cemitério&quot; e o logo da Editora Suma em vermelhos. A letra &quot;c&quot; de cemitério lembra o rabo de um gato." width="452" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31825" class="wp-caption-text">O Cemitério é a personificação da morte em todos os sentidos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;"> plantado por Stephen King colhe frutos há 40 anos. O motivo é simples: o livro é uma descrição minuciosa dos sentimentos humanos em torno de um fato que não nos é explicado, mas que esperamos vir inevitavelmente ao longo da vida &#8211; a morte. Na verdade, a morte não é algo simples, mas percorre a base do natural e do orgânico, algo que já nascemos com ela, pois sabemos que um dia irá acontecer, mas nunca esperamos ser tão cedo. A narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HJWFsZ_YUc4&amp;pp=ygUMcGV0IHNlbWV0YXJ5"><i><span style="font-weight: 400;">Pet Sematary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; título original -, portanto, abre portas para tramas brutas e reais que fazem o leitor experimentar todos os sentidos ao ler essa obra-prima do terror.</span></p>
<p><span id="more-31824"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo, em sua grande maioria, ocorre no </span><a href="https://stephenking.com/the-author/"><span style="font-weight: 400;">Maine</span></a><span style="font-weight: 400;">, estado localizado no extremo nordeste dos Estados Unidos. A história se inicia a partir da mudança de Louis com a sua família &#8211; Rachel, a esposa, Ellie e Gage, os filhos, e Winston Churchill, o gato de Ellie &#8211; para a cidade de Ludlow, na qual o protagonista consegue um emprego de médico na Universidade do Maine. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O começo já apresenta uma narrativa densa por causa dos acontecimentos que surgem a partir da chegada à nova residência. Perda de chaves, choros de cansaço e estresse, picada de abelha, machucado no joelho: tudo isso antes mesmo de entrar na casa. Nesse momento, é sentido, na atmosfera da narração que o local não quer os novos moradores lá. A partir daí, é que se desenvolve a história entre Louis Creed e Judson Crandall, um senhor de 80 anos que vive do outro lado da rodovia. É através dessa amizade que o livro percorre a sua </span><a href="https://alemdolivro.com/2019/06/02/resenha-de-o-cemiterio-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">trama tenebrosa</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31828" aria-describedby="caption-attachment-31828" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1.jpg" alt="A imagem é uma ilustração do artista Robert Sammelin. O desenho é feito em tons que variam do roxo ao preto. A ilustração mostra Stephen King enterrando (ou desenterrando) algo. O observador tem a perspectiva de estar dentro do buraco. King tem o cabelo curto, usa óculos, veste uma blusa do Ramones e uma jaqueta e utiliza uma pá. Ao fundo, percebe-se que King está em um cemitério: há floresta, um portão ao seu fundo e três cruzes feitas de madeira. Há um ponto mais claro ao fundo para dar o aspecto de perspectiva. As placas descrevem os animais falecidos: “Smucky, o Gato - Ele era obediente” “Biffer, um ótimo farejador” e “Trixie - atropelada na estrada”." width="1920" height="1290" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1200x806.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31828" class="wp-caption-text">O Cemitério tem alguns elementos relacionados com histórias que realmente aconteceram com o autor (Ilustração: Robert Sammelin)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;">, no decorrer da parte um, é mais lento e demorado para apresentar as consequências dos atos de Louis ao longo da narrativa. Porém, já na parte dois e três, toma um ritmo frenético. São diversos acontecimentos ao mesmo tempo, transparecendo a ideia de que o leitor tem que saber dos fatos custe o que custar. Com essa premissa, Stephen King é primoroso com as palavras e nos remete muito ao </span><a href="https://machado.mec.gov.br/"><span style="font-weight: 400;">conceito machadiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> do descritivismo. Descrição é o que não falta no livro &#8211; traduzido por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/Busca?autor=05319"><span style="font-weight: 400;">Mário Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e lançado pela Editora Suma &#8211; e é nela que está impregnada o que o escritor quer passar através da escrita. Seja em cenas de comemoração ou violência, a imaginação floresce por meio dos detalhes que nunca são demais &#8211; ou até são, em certos momentos &#8211; para o clima da história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer do livro, depois do primeiro encontro de Louis e Jud, o convívio cresce e, entre uma cerveja e outra, a cumplicidade aumenta. Jud é um senhor que viveu sua vida inteira naquele lugar e, portanto, sabe muito bem o que acontece na cidade. Todo esse </span><a href="https://stephenking.com/works/novel/pet-sematary.html"><span style="font-weight: 400;">conhecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> é passado para Louis, ele querendo ou não. A narrativa que inicia a história sobrenatural da trama é um cemitério, ou melhor, um ‘simitério’ de bichos, localizado em uma trilha dentro de seu terreno. O local é a representação da curiosidade materializada nesse </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">cenário nebuloso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em torno dali, há uma passagem obstruída para algum lugar e que se mantém inacessível até um fato importante para o encaminhamento da história.</span></p>
<figure id="attachment_31827" aria-describedby="caption-attachment-31827" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/stephen-king.jpg" alt=" Cena do filme Cemitério Maldito. Stephen King é um homem branco, de cabelos castanhos com corte médio e está com os braços levantados. Em uma das mãos tem um livro, possivelmente uma bíblia. Utiliza óculos. Está vestido com uma roupa de padre preta e com um colarinho branco. No fundo, é possível ver que está em um cemitério. Ele está vestido dessa forma por causa da sua participação no filme de 1989." width="656" height="431" /><figcaption id="caption-attachment-31827" class="wp-caption-text">Stephen King interpretou o padre na versão de 1989 de Cemitério Maldito (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da escrita errada da palavra </span><a href="https://www.leitoraviciada.com/2019/06/o-verdadeiro-cemiterio-de-bichos-stephen-king.html?m=1"><span style="font-weight: 400;">cemitério</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter um motivo maior do que ser somente um singelo erro. O engano chega a ser irônico: parece que está lá para sempre lembrar do cemitério e no que há além dele. A partir dessa concepção, a narrativa caminha para culminar ao ponto de Louis conhecer realmente o que há do outro lado. Esse momento é bastante significativo para entender o porquê somente Crandall e Creed sabiam desse ponto. A partir disso, é o momento no qual Jud leva o médico para o outro lado do </span><a href="https://isabelaboscov.com/2019/05/09/cemiterio-maldito/"><span style="font-weight: 400;">‘simitério’ dos bichos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e alguma coisa chamava-os para desfrutar as terras de lá. Ao decorrer do bosque, algo que transcende o real está inserido no ambiente e a euforia cresce durante a passagem da floresta até a chegada a um outro cemitério, da comunidade indígena micmac. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto interessante é que havia uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-61252440"><span style="font-weight: 400;">espiral</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenhada no chão rochoso. O símbolo vai contra a premissa da vida &#8211; que tem um começo e um fim. Na obra, ela se baseia em algo interminável e vicioso, assim como Jud contou a Louis sobre o cemitério, como Stanny B. contou para Jud e como o pai de Stanny B. contou a ele. É um ciclo inquebrável. E é através desses simbolismos que o livro vai sendo construído.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a história, Creed é percorrido por diversos momentos que o alerta para não atravessar a fronteira do cemitério, desde o aviso que recebeu do universitário que morreu no seu primeiro dia de trabalho até o sonho muito vívido em que o </span><a href="https://youtu.be/lfgpDipPAKQ?si=E9v-j8ZZPv8f3pFs"><span style="font-weight: 400;">morto</span></a><span style="font-weight: 400;"> o alertava de não passar por aquelas madeiras. O território, além de estar impedido de entrar, é um lugar que deve ser respeitado e o descumprimento dessa ordem afetaria a sua família. Mesmo assim, ele não se importou, seguiu em frente e fez o que não podia. A partir dessa tomada de decisão, a loucura se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_31826" aria-describedby="caption-attachment-31826" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/gif-o-cemiterio.gif" alt="O GIF é um vídeo rápido que transita entre imagens. Na primeira imagem, há um fundo verde e preto com um cemitério de fundo, com escritas &quot;Pet Sematary&quot; e com um homem e um gato. Na transição da imagem, some o cemitério e os outros componentes da imagem anterior e aparece um gato preto com textura e relevos feitos na cor verde. Os olhos do gato também são verdes." width="740" height="981" /><figcaption id="caption-attachment-31826" class="wp-caption-text">“Você arranjou a coisa, ela é sua, e mais cedo ou mais tarde acaba voltando às suas mãos, Louis Creed pensou.” (GIF: Dan Mumford)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento do cemitério dos bichos serviu de amadurecimento para alguns ou de loucura para outros. Ellie entendeu que seu amado gato poderia morrer em qualquer dia e teria que lidar com o </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/como-explicar-a-morte-para-as-criancas/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, Creed, que conhece um lugar além do natural, sabe muito bem do controle que precisa ter para não sofrer uma dominação (que vai acontecer, em algum momento). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da </span><a href="https://stephenking.com.br/ficcao/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem sofrerá inúmeras intercorrências que o deixarão entre a racionalidade e a insanidade. O ponto é que o personagem se deixa levar pelo poder daquele lugar e perde o controle de si mesmo e da realidade. O aviso foi dado, mas ele o descumpriu. E esse é o momento no qual a compaixão do leitor é bastante estimulada para fluir entre os seus próprios dilemas sobre as consequências das ações tomadas.</span></p>
<figure id="attachment_31829" aria-describedby="caption-attachment-31829" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31829" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3.jpg" alt=" A imagem é em preto e branco e tem um fundo branco com Stephen King centralizado ao meio. King é um homem branco, em torno dos seus 60 anos na foto, tem um cabelo médio, usa óculos e uma camiseta preta. Está sorrindo com o queixo um pouco inclinado para a esquerda da imagem. " width="1200" height="647" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31829" class="wp-caption-text">King escreveu O Cemitério entre Fevereiro de 1979 e Dezembro de 1982 (Foto: François Sechet)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo construído por King é atemporal e está longe de ser algo datado. Todas as narrativas ali transpostas tratam de algo humano, carnal e não importa a época na qual foi escrito, as sensações transpassam a linha do tempo. Seja uma leitura feita em 1983 ou em 2083, aquele que lê terá a mesma angústia. Esse fato torna o livro ao mesmo tempo simples e complexo, e Stephen King traduz sentimentos em palavras &#8211; tão cruas &#8211; que é preciso em alguns momentos se dar uma pausa. Isso é tão grandioso que demonstra o quão profundo é o desenvolvimento das diversas histórias ali criadas. Assim,  é possível entender o impacto no mundo do terror até nos dias de hoje e que reverberam, principalmente no audiovisual. Mesmo as últimas adaptações não serem do agrado do público &#8211; por diversos motivos -, é importante relembrar que mais uma adaptação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qQXtnlzko3o"><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, no desenrolar da história, King discorre sobre questões que são pertinentes até atualmente, mesmo que não as explore muito. Uma delas é o caso do </span><a href="https://br.usembassy.gov/pt/povos-indigenas-do-brasil-e-dos-eua-trocam-experiencias-sobre-protecao-territorial/"><span style="font-weight: 400;">território indígena</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos micmacs, os quais, na narrativa, estão reivindicando suas terras contra o Estado. A apropriação desses lugares pelo Governo reflete na atualidade e de como a colonização tem como resultado o genocídio dos povos originários, suas culturas e seus ideais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério </span></i><span style="font-weight: 400;">celebra seus 40 anos com muitos triunfos e se consagra com uma história repleta de morte, sangue, luto, raiva, desespero, angústia e cemitérios, transmitindo tudo isso da forma mais magistral: atiçando a curiosidade do leitor e fazendo com que continue a experiência, mesmo esta sendo a mais mórbida possível. Stephen King, que só releu a obra </span><a href="https://ew.com/movies/2019/03/29/pet-sematary-stephen-king-interview/"><span style="font-weight: 400;">depois de 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ela quase não foi publicada por ser muito tenebrosa), mostra que a sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">fonte de criação</span></a><span style="font-weight: 400;"> é algo que sempre se mostrou original e não se encontra por aí com facilidade. </span></p>
<blockquote><p>O solo do coração de um homem é mais empedernido, Louis — murmurou o moribundo. — Um homem planta o que pode&#8230; E cuida do que plantou. Louis, ele pensou, nada ouvindo de forma consciente depois do próprio nome. Oh, meu Deus, ele me chamou pelo nome.</p></blockquote>
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		<title>Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Wed, 03 May 2023 22:46:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 13 e 23 de abril, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30837" aria-describedby="caption-attachment-30837" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30837" class="wp-caption-text">Na 28ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o Persona acompanhou os filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens (Foto: Hans Gunter Flieg/Acervo Instituto Moreira Salles/É Tudo Verdade/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 13 e 23 de abril, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões Especiais virtuais, exibindo nas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">Itaú Cultural Play e Sesc Digital sete dos nove filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e dois longas da Mostra Foco Latino-Americano (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beleza Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jasmín Mara Lópeza, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Hot Club de Montevideo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Maximiliano Contenti).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 72 títulos de 34 países, o festival – fundado em 1996 por </span><a href="https://www.amazon.com.br/Cinema-Real-Cole%C3%A7%C3%A3o-Port%C3%A1til-26/dp/8540506475/ref=sr_1_2?qid=1682964097&amp;refinements=p_27%3AAmir+Labaki&amp;s=books&amp;sr=1-2"><span style="font-weight: 400;">Amir Labaki </span></a><span style="font-weight: 400;">– homenageou dois grandes cineastas na sua 28ª edição: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/curtas-de-humberto-mauro-deslumbram-pelo-talento-do-velho-cineasta.shtml"><span style="font-weight: 400;">Humberto Mauro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897–1983), “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos inventores do Brasil cinematográfico</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">impõe-se quando o próprio país e logo seu Cinema enfrentam nova reconstrução</span></i><span style="font-weight: 400;">”, exibindo dez de seus filmes e dois documentários; e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/pelo-contrario/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Luc Godard</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1930–2022), com a apresentação dos oito episódios da sua série documental </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/historias-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">História(s) do Cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987-1998),</span><span style="font-weight: 400;"> considerada a obra-prima da última parte de sua carreira, cujo conteúdo foi constantemente retrabalhado pelo autor e cuja produção durou cerca de dez anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alcance do É Tudo Verdade, o maior festival de Documentários do mundo, é reconhecido pela</span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"> <span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que classifica diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas-Metragens para apreciação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do próximo ano. </span><span style="font-weight: 400;">Longe das sessões presenciais, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> assistiu à distância os curtas-metragens brasileiros disponíveis no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dos sete filmes da Competição Brasileira de Curtas exibidos remotamente, quatro tiveram sua estreia mundial no <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/e-tudo-verdade-exibe-serie-celebre-de-godard-e-filmes-sobre-guerra-da-ucrania.shtml">É Tudo Verdade</a>, que também expôs, apenas presencialmente, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50869-Ferro%60s-bar"><i><span style="font-weight: 400;">Ferro’s Bar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;"> (Menção Honrosa na categoria)</span><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aline A. Assis, Fernanda Elias, Nayla Guerra e Rita Quadros, e </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50465-O-Materialismo-Historico-da-Flecha-contra-o-Relogio"><i><span style="font-weight: 400;">O Materialismo Histórico da Flecha Contra o Relógio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Carlos Adriano.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi – A Árvore do Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ter sua estreia mundial no É Tudo Verdade, foi o grande vencedor da Competição Brasileira de Curtas-Metragens, recebendo também o Prêmio Mistika. Produzido em parceria da </span><i><span style="font-weight: 400;">ARUAC Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a Hutukara Associação Yanomami, o curta do cineasta yanomami aborda o conhecimento de seu povo sobre os sonhos, com a participação e narração da liderança indígena e xamã, </span><a href="https://ea.fflch.usp.br/autor/davi-kopenawa"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A luta yanomami vai continuar até o fim</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse Ɨramari.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você fica com a curadoria do <strong>Persona </strong>feita por </span><b>Bruno Andrade</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Enzo Caramori</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Guilherme Veiga</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Jamily Rigonatto</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Nathalia Tetzner</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitória Gomez</b>, que deixam su<span style="font-weight: 400;">as impressões </span><span style="font-weight: 400;">sobre <strong>Os curtas brasileiros do </strong></span><strong>28º Festival É Tudo Verdade</strong><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30777"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_30786" aria-describedby="caption-attachment-30786" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/images.jpeg" alt="Cena do documentário Mãri hi - A Árvore do Sonho. Na imagem, duas mulheres indígenas de cabelos e olhos escuros parecem observar algo no céu. Uma delas segura uma criança no colo. A luz do Sol ainda está iluminando a paisagem. Ao fundo, o cenário é a aldeia onde vivem." width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-30786" class="wp-caption-text">“Vamos compartilhar este pensamento para juntos ficarmos mais sábios”, diz Davi Kopenawa Yanomami (Foto: ARUAC Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho (Morzaniel Ɨramari, 17’, 2023)</b></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrenta na pele os efeitos nocivos da exploração do garimpo desde os seus primeiros anos de vida. No Cinema, ele encontrou uma forma de registrar a história de seu povo, atravessada pela constante luta por direitos. Com o curta-documentário </span><a href="https://www.google.com/amp/s/www.estadao.com.br/amp/cultura/p-de-pop/morzaniel-iramari-filma-a-luta-yanomami/%3ftype=post"><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  o primeiro yanomami a se tornar diretor foi selecionado para o Festival </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que venceu a categoria de Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens. A obra trata da relação mística entre os moradores da &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">terra-floresta</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e a semente de árvore que concede os sonhos ao mundo de todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de um olhar intimista e da narração precisa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5byN3rhbZKs"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ɨramari não pretende explicar o linguajar característico ou as tradições cultivadas pela sua cultura, mas sim fazer o público experienciar algo único. Em meio ao clima monótono, é a composição sensível de alguém que vivencia tal realidade que transforma a atmosfera do filme em algo </span><a href="https://sumauma.com/os-xamas-sonham-e-falam-que-a-floresta-esta-chorando-porque-esta-destruida/"><span style="font-weight: 400;">brutalmente mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao passo em que Kopenawa escreve em seu caderno e os desenhos das crianças yanomami colorem a tela, a conclusão caminha para um tema um tanto quanto universal, afinal, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">com árvore do sonho nós sonhamos longe”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30782" aria-describedby="caption-attachment-30782" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30782 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png" alt="" width="886" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-800x565.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-768x543.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30782" class="wp-caption-text">No curta de cinco minutos, vemos imagens de Jean-Claude Bernardet durante seu tratamento de câncer, que ganha tons assombrosos e desesperançosos (Foto: Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet)</figcaption></figure>
<p><b>Cama Vazia (Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet, 5’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pior que eu tenho pavor da velhice</span></i><span style="font-weight: 400;">” – </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia </span></i><span style="font-weight: 400;">se inicia com um áudio em fundo preto; trata-se da voz de Sônia Silk, a personagem interpretada por Helena Ignez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Copacabana Mon Amour </span></i><span style="font-weight: 400;">(1970), de <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15983/rogerio-sganzerla">Rogério Sganzerla</a>. O Cinema marginal de Sganzerla, marcado principalmente pela ironia, emerge como referência no curta de 5 minutos dirigido por Fábio Rogério e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/jean-claude-bernardet-fala-de-aids-e-de-cancer-em-livro-sem-meias-palavras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhando um homem idoso – o próprio Bernardet – em tratamento de uma doença que nunca é explicitada, enxergamos o que poderia ser sua aparente decomposição social, visto que, no pequeno filme, essa desintegração não é apenas corporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Montado como uma sequência de fotografias, não demora para percebermos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a documentação do tratamento contra o câncer de Jean-Claude Bernardet, também exposto por ele no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210480/o-corpo-critico"><i><span style="font-weight: 400;">O Corpo Crítico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), em que aborda a “</span><i><span style="font-weight: 400;">faceta robótica</span></i><span style="font-weight: 400;">” dos médicos e enfermeiros durante a terapia. É essa característica desoladora que mais fica em evidência no curta-metragem, pois sua narração compreende que seu &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">corpo octogenário, aidético e canceroso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como ele mesmo descreve, é apenas um mecanismo, uma possibilidade de lucro e uma máquina que carrega o câncer, que preocupa mais os médicos do “</span><i><span style="font-weight: 400;">que o portador do tumor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No curta, o desencanto da obra é, também, um desencanto do próprio autor – negando-se a dar seguimento ao processo terapêutico –, que liga sua condição ao capitalismo e constrói, junto a Fábio Rogério, um ensaio sobre a morte na pós-modernidade. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30796" aria-describedby="caption-attachment-30796" style="width: 959px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png" alt="" width="959" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30796" class="wp-caption-text">A expulsão dos habitantes do Morro Castello são registradas pela lente de Guilherme dos Santos, em arquivos recentemente recuperados por instituições da memória brasileira e revisitados por França (Foto: Instituto Moreira Salles/Rio Memórias)</figcaption></figure>
<p><b>BAMBAMBÃ (Andréa França, 12’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tradicional do exercício da prática do Cinema de Arquivo a segmentação de imagens de </span><a href="https://brapci.inf.br/index.php/res/v/203561"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em seus míseros detalhes para descobrir, assim, algo que transpareça a realidade de um coletivo. Em</span> <a href="https://ims.com.br/filme/no-intenso-agora/"><i><span style="font-weight: 400;">No Intenso Agora</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2017)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor João Moreira Salles olha a uma babá que fica no último plano de um filme familiar para entender as condições de classe da sociedade carioca; já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OyThQGBZFMI"><i><span style="font-weight: 400;">BAMBAMBÃ</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Andréa França faz uma compilação de uma categoria específica de imagens – as das mudanças urbanas que atravessaram a metrópole no início do século – como uma tentativa de orientar o olhar do espectador ao seu tema de estudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Patrícia Machado na pesquisa, a diretora do curta, também </span><a href="http://www.pos.com.puc-rio.br/br/texto/259/curta-produzido-por-professoras-do-ppgcom-e-selecionado-para-o-festival-e-tudo-verdade"><span style="font-weight: 400;">professora</span></a><span style="font-weight: 400;"> universitária, mistura a teoria histórico-sociológica ao estudo do momento estético das imagens fotográficas e do panorama cultural da época. Assim, os movimentos gentrificadores como o &#8220;</span><a href="https://ims.com.br/exposicao/moderna-pelo-avesso_ims-paulista/"><span style="font-weight: 400;">bota-abaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; e o início da favelização do Rio de Janeiro são diretamente relacionados ao plano civilizatório de uma modernidade brasileira – que culmina nas tantas </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/17/excludente-elitista-e-patriarcal-pesquisadora-amplia-olhar-critico-sobre-semana-de-22"><span style="font-weight: 400;">contradições</span></a><span style="font-weight: 400;"> que envolvem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte de 22</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, tudo através da análise da natureza das fotografias da época: registros amadores, por homens da elite, de uma sociedade tradicional em desaparecimento. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_30834" aria-describedby="caption-attachment-30834" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30834" class="wp-caption-text">A construção da barragem do Norte dividiu os povos indígenas locais em 10 aldeias diferentes (Foto: Calêndula Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ (Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá, 25’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A barragem Norte de José Boiteux é a maior obra de contenção de cheias no Brasil. A inauguração, em 1972, deu oportunidades de trabalho a imigrantes e reduziu as inundações no Vale do Itajaí. Do outro lado, porém, desde então alaga boa parte das terras Laklãnõ/Xokleng. Os povos indígenas do local, em Santa Catarina, são mais antigos que qualquer construção ou processo social de imigração e, ainda assim, vêem sua cultura ser </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/02/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-impacta-indigenas-brasileiros.htm"><span style="font-weight: 400;">diluída</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do idioma às escolas evacuadas por condições precárias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX1giw-b62g"><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">remonta a história dos povos ali situados, com focos sensíveis e atentos a quem fez parte de sua construção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da visão de seus próprios integrantes que o curta-metragem documental reconstrói os Laklãnõ/Xokleng: um pastor indígena que prega a fé evangélica em sua língua nativa para que esta continue viva; uma </span><a href="https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2019/11/13/alunos-se-reunem-com-primeira-indigena-de-formacao-arqueologica-do-pais/"><span style="font-weight: 400;">arqueóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, Walderes Coctá Priprá (uma das diretoras da obra), discute como o preconceito do povo branco estereotipa os indígenas para minimizá-los de seus direitos: um poeta recita as consequências da instalação da barragem para os moradores locais: “</span><i><span style="font-weight: 400;">de uma utilidade imensa, mas também prejudicial</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com um trabalho de som que imerge na natureza e no cotidiano local, e uma escuta sincera a quem expõe sua verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu o Prêmio Canal Brasil de Curtas do festival, e </span><span style="font-weight: 400;">mostra o impacto e importância do Marco Temporal no país. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30781" aria-describedby="caption-attachment-30781" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30781 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png" alt="" width="1288" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-800x388.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1024x496.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-768x372.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1200x581.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30781" class="wp-caption-text">Com Retratos de Piratininga, André Manfrim reflete sobre as narrativas presentes nos monumentos de São Paulo (Foto: Filmes de Taipa)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos de Piratininga (André Manfrim, 17’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, a queima da estátua de Borba Gato, na Zona Sul de São Paulo, reacendeu o debate sobre a memória colonial amplamente resguardada na História da Arte. Rapidamente rechaçado por líderes conservadores e pela polícia, o ato apontou para apenas uma faceta da memória conservada nos espaços públicos. Fato é que o tipo de história que se quer contar – ou lembrar – também diz respeito ao tipo de sociedade que se quer criar. Borba Gato, líder bandeirante, foi apenas um dos homenageados pelas ruas da capital: no centro velho de São Paulo – região onde se encontra a Praça da Sé –, estão as estátuas do jesuíta José de Anchieta, Apóstolo Paulo (que dá nome a cidade) e Tibiriçá, indígena que se converteu ao cristianismo.</span> <span style="font-weight: 400;">O diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE&amp;ab_channel=piquebandeirafilmes"><span style="font-weight: 400;">André Manfrim</span></a><span style="font-weight: 400;"> parte desses monumentos para tentar enxergar o que eles nos dizem sobre o passado e, principalmente, sobre o presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com narração de André Abujamra, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51504-Retratos-de-Piratininga"><i><span style="font-weight: 400;">Retratos de Piratininga</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um filme lento, visivelmente artesanal, com caráter quase didático. Através de pesquisa sobre as obras filmadas, o curta-metragem cria um diálogo entre as imagens gravadas e a voz de Abujamra, que nos confidencia os segredos guardados pelos monumentos. Há, portanto, um filme ensaio, que parte da análise e reflexão sobre a memória preservada após a colonização – memória essa, muitas vezes, romantizada nas Artes. Trata-se de um curta que desmonta as narrativas da formação da cidade de São Paulo, que integram nosso imaginário e que, nos meandros da História, se revelam marcadas pela fé e pela violência. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30802" aria-describedby="caption-attachment-30802" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30802 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg" alt="Cena do curta-metragem Todavia Sinto. Na imagem, a protagonista olha o seu reflexo em um espelho. Ela é uma mulher negra de cabelos crespos presos e segura o espelho entre as pernas." width="1024" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30802" class="wp-caption-text">Poético e doloroso, Todavia Sinto, co-produzido na Espanha e em Cuba, ganhou o Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual, para Melhor Montagem no Festival É Tudo Verdade de 2023 (Foto: EICTV)</figcaption></figure>
<p><b>Todavia Sinto (Evelyn Santos, 9’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando o positivo chega? Qual é o peso de uma decisão? Alguém é capaz de verdadeiramente entender? Sob a direção de Evelyn Santos, o concorrente da Competição Brasileira de Curta-Metragem na 28ª edição do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2023"><span style="font-weight: 400;">Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia Sinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, não se compromete a responder, mas fomentar as perguntas que afogam uma pessoa quando a gravidez se torna uma realidade. Debaixo das águas turbulentas de emoções tão singulares, a produção mostra o ar se esvaindo de um corpo que perde sua individualização sem deixar de estar completamente sozinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as imagens misturando o movimento agressivo das ondas e os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalhistas da construção da imagem da mulher grávida, assistir o curta é uma experiência brilhante e extremamente sufocante. Enquanto escutamos as perguntas e opiniões de quem está fora da anatomia que carrega o feto, as escolhas parecem cada vez mais pessoais e tomadas por uma dor intransferível, inserida no telespectador como a laceração de uma faca afiada. Seja na escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">abortar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou seguir a gestação, os olhares externos jamais deixariam de expor seus pensamentos próprios e, por mais que tentem, compreender plenamente é uma tarefa impossível. Em um oceano de complexidades, nada é capaz de dividir a verdade vivente na humanidade de quem, todavia, sente. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30787" aria-describedby="caption-attachment-30787" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30787 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg" alt="Cena do curta-documental Aos Mortos, Um Lugar para Habitar. Nela vemos um arquivo pessoal que mostra Sandra Maria Costa Barbosa, personagem central da obra. Sandra era uma mulher branca, de meia idade, de cabelos castanhos e olhos pretos. A imagem, que por ser de arquivo, emula a estética de um VHS, dá um close em Sandra, que devido ao sol, olha para o lado com os olhos cerrados. Ao fundo, vemos uma praia." width="1920" height="1228" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-800x512.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1024x655.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-768x491.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1536x982.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1200x768.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30787" class="wp-caption-text">O curta é a tentativa mais singela e certeira de dar rosto aos números (Foto: Orla Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Aos Mortos, Um Lugar para Habitar (Victor Costa Lopes, 7’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de garantir que os mortos não causarão desordem é, não apenas enterrá-los, mas enterrar também seus restos, os seus destroços. Arquivos são uma parte desses restos e destroços</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com a frase do filósofo camaronês </span><a href="https://www.politize.com.br/necropolitica-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Achille Mbembe</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor cearense Victor Costa Lopes, se ambienta a partir do relatório base da CPI da pandemia, que teve início ainda em 2021, um dos anos de pico da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais que um minuto de silêncio, o curta é uma invocação de sete minutos à memória de Sandra Maria Costa Barbosa, uma das mais de 700 mil vítimas da covid-19 aqui no Brasil. Por mais que pareça pessoal, a produção é consciente ao florescer um sentimento único a cada um de nós, que, de uma forma ou de outra, fomos afetados não só pela pandemia mas também pelo descaso do governo Bolsonaro, fazendo que a Sandra e suas lembranças se transmutem em diferentes faces.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a memória é a última coisa de nossos entes que permanece viva em nós, mas </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51539-Aos-Mortos--um-Lugar-para-Habitar"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, devido a uma condução criminosa da pandemia, tudo que a precede nos foi tirado. Desde um diagnóstico preciso, um enterro honroso e até mesmo um tratamento confortável e digno para algo que podia ou não ser iminente. Os mortos? Foram escorraçados, e o único lugar seguro para habitar foi a nossa memória. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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		<title>Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 21:08:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir” (pág. 192) Bruno Andrade Com a morte da mãe, Michelle Zauner passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no H Mart, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30601" aria-describedby="caption-attachment-30601" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor amarela e pupila em preto no formato triangular de play. No lado direito dessa logo, está escrito &quot;Clube do Livro do Persona&quot; preenchido por um fundo preto e com letras transparentes que correspondem à cor do fundo branco. Abaixo está escrito “Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias” em letras pretas, sendo &quot;Aos prantos do mercado&quot; em letras amarelas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há uma imagem retangular da capa do livro de fundo vermelho. No topo da capa, de forma centralizada, está escrito o nome da autora &quot;Michelle Zauner&quot; na cor branca e, logo abaixo, uma ilustração de uma sequência de quadrinhos. O primeiro quadrinho mostra uma cesta cheia de mercado, o segundo mostra um vaso de flor, o terceiro mostra uma laranja sendo descascada e o último mostra a preparação de uma refeição com muitos ingredientes postos sobre uma mesa. Na parte inferior da capa, de forma centralizada, está escrito o título do livro &quot;Aos prantos no mercado&quot; em letras amarelas. Ao lado direito da imagem, está escrito &quot;À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi recebe as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da 'esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir'.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas, seguido de &quot;Bruno Andrade&quot; em letras amarelas. No canto inferior há um sombreado amarelo que está iluminando o escrito &quot;Crítica&quot;, também em amarelo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30601" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, com tradução de Ana Ban, Aos prantos no mercado foi a obra debatida no Clube do Livro do Persona em Janeiro de 2023 (Foto: Fósforo/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 192)</span></em></p></blockquote>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a morte da mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar de quando sua matriarca, Chongmi, morreu vitimada por um câncer em 2014, ela pode se lembrar com tranquilidade do gosto que sua mãe tinha para comida: entre o salgado e o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fumegando de quente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que, por algumas razões, definiam sua forma de exercer a maternidade. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Por mais crítica ou cruel que ela pudesse parecer – sempre me forçando a atender a suas expectativas obstinadas –, eu sempre sentia o afeto dela irradiando das merendas que ela preparava para eu levar à escola e das refeições que ela cozinhava para mim bem do jeito que eu gostava&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As peregrinações repletas de tristeza sustentam o primeiro capítulo de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2022 no Brasil pela editora <em>Fósforo</em>, cujo primeiro capítulo é o ensaio homônimo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que se pode imaginar, Zauner decidiu escrever o livro somente depois de ter </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">publicado o ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A repercussão avassaladora do texto na revista foi reproduzida na obra literária, que ficou 14 semanas seguidas nas listas de mais vendidos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para a escritora coreana-americana, artista musical e fundadora da banda Japanese Breakfast, a comida é um portal. Na praça de alimentação do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, Zauner chora ao consumir seu almoço, enquanto percebe que todos estão sentados, comendo em silêncio, porque estão “</span><i><span style="font-weight: 400;">em busca de um pedacinho do nosso lar, de um pedacinho de nós mesmos. Procuramos um gostinho disso nos pedidos de comida que fazemos e nos ingredientes que compramos. Então nos separamos. Levamos as compras para o alojamento da faculdade ou para uma cozinha suburbana e recriamos o prato que não poderia ser preparado sem essa viagem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30598" aria-describedby="caption-attachment-30598" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg" alt="" width="2048" height="1472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1536x1104.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1200x863.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30598" class="wp-caption-text">“O amor dela era mais do que inflexível. Era brutal, com força industrial” (Foto: Michelle Zauner/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner se mudou com a família para Eugene, nos Estados Unidos, quando tinha nove meses de idade. Aos 15 anos, após ver uma apresentação de Karen O – a vocalista do Yeah Yeah Yeahs –, ganhou a primeira guitarra da mãe que, pouco depois, se arrependeu do presente. Mas, mesmo que a Música tenha sido um refúgio para a adolescente deprimida, Zauner foi influenciada textualmente por Joan Didion, Philip Roth, Vladimir Nabokov e pela HQ </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006), de Alison Bechdel, decidindo, então estudar Escrita Criativa na Bryn Mawr College. Na faculdade, escreveu majoritariamente textos de ficção – foi lá, inclusive, que iniciou os primeiros projetos musicais, consolidados em Japanese Breakfast. Aos 25 anos, após concluir a graduação, Zauner viveu ostensivamente sem roteiro, se “</span><i><span style="font-weight: 400;">debatendo com a realidade, vivendo a vida de uma artista sem sucesso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nesse período, Chongmi ficou doente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira publicação musical foi <em>June </em></span><span style="font-weight: 400;">(2013), um disco amador resultado da parceria com Rachel Gagliardi, criado a partir das canções disponibilizadas diariamente no mês de Junho de 2013 em uma página do </span><a href="http://rachelandmichelledojune.tumblr.com"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21629-psychopomp/"><i><span style="font-weight: 400;">Psychopomp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), o primeiro disco de estúdio de Japanese Breakfast e a primeira publicação após a morte de Chongmi, que Zauner enfrenta abertamente a perda da mãe, cujo título tem origem na história mitológica dos psicopompos, que tem a missão de guiar as almas dos mortos para o pós-vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Japanese Breakfast - Everybody Wants To Love You (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KNT7wuqaykc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da vida da mãe, os papéis parecem se inverter. À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi receberá as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da “</span><i><span style="font-weight: 400;">esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Talvez, se ela pudesse carregar a </span><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2022/06/06/magazine/michelle-zauner-interview.html"><span style="font-weight: 400;">dor da mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e realizar o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ritual da filha única</span></i><span style="font-weight: 400;">”, haveria a possibilidade de intermediar uma cura, na expectativa de fazer as pazes com a rebeldia adolescente de uma jovem com anseios desvinculados dos interesses maternos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, o que </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/20/988665726/a-daughter-grieves-her-mom-and-finds-herself-in-crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">esclarece é que os principais momentos de conexão legítima entre Zauner e Chongmi se davam através da comida; principalmente por isso, a tristeza ressurge ao entrar no mercado. A prosa íntima do livro é, ao mesmo tempo, autodepreciativa e atenta, com descrições texturizadas das qualidades estéticas e sentidas dos momentos vividos pela artista. Trata-se de um livro de memórias muito ancorado no ensaio, cujas ligações entre experiências pessoais de luto e identidade ganham corpo em todo o texto. </span></p>
<figure id="attachment_30599" aria-describedby="caption-attachment-30599" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg" alt="" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30599" class="wp-caption-text">“Falei sobre como o amor era uma ação, um instinto, uma reação suscitada por momentos não planejados e pequenos gestos, uma inconveniência a favor de outra pessoa” (Foto: Rebecca Sapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte e a melancolia perpassam toda a obra de Michelle Zauner, talvez resultado da vida fragmentada da artista, dividida entre a ancestralidade sul-coreana e a vivência contemporânea nos Estados Unidos. O sentimento de ausência parece presente em toda a obra – seja pela morte da mãe, propriamente, ou seja na morte simbólica de um tipo de cultura. Não por acaso, suas melhores canções representam estados avançados de autoconsciência, mesmo em faixas que compõem </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), álbum descrito por Zauner como seu projeto “</span><i><span style="font-weight: 400;">mais alegre</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema por </span><a href="https://www.papelpop.com/2023/03/will-sharpe-de-the-white-lotus-vai-dirigir-adaptacao-do-livro-aos-prantos-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com roteiro assinado pela própria Michelle Zauner, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">não é necessariamente um livro difícil de ler, mas uma obra melancólica. No final do livro, Zauner nos conta que decidiu fazer um casamento de última hora em seu próprio quintal, sabendo que sua mãe poderia não viver muito tempo. Parece que, ao compartilhar suas experiências, Michelle Zauner constrói uma ode à memória de Chongmi – e nos permite enxergar sob seus olhos e consciência por algumas páginas.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/">Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 18:11:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Por muito tempo, o Cinema retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30528" aria-describedby="caption-attachment-30528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30528 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está o protagonista, Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Ao fundo há uma cachoeira. A imagem é azulada e se passa a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30528" class="wp-caption-text">Apresentado no Festival de Cannes em 2018 e vencedor do Prêmio Especial do Júri, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos dá protagonismo ao povo Krahô (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, o </span><a href="https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/a-figura-do-indigena-no-cinema-de-objeto-a-sujeito-das-telas/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018). O filme, gravado na Aldeia da Pedra Branca em Tocantins, é um registro contemplativo e profundo dos Krahô e sua grandeza espiritual, e integrou a Mostra </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><span style="font-weight: 400;">Sesc Bauru</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30526"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, somos guiados por Inhãc </span><a href="https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2015/09/povo-kraho-mantem-grande-parte-da-cultura-preservada-no-tocantins.html"><span style="font-weight: 400;">Krahô</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Henrique Inhãc Krahô), que acaba de perder o pai e enfrenta um dilema sobre despedida e futuro. Vitimado pelo próprio sentir, ele acaba saindo da linha definida pela obrigação e passando por uma jornada em busca da cura. Como filho mais velho, é seu dever realizar a festa de fim de luto do patriarca e permitir que a alma se encaminhe para a Aldeia dos Mortos; no entanto, os sentimentos do jovem contrariam os caminhos da própria ancestralidade e dos costumes tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_30529" aria-describedby="caption-attachment-30529" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30529 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros e está vestindo uma camiseta bege. O personagem está na caçamba de um carro e ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30529" class="wp-caption-text">Messora faz trabalhos de registro na Aldeia da Pedra Branca desde 2009, e Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é seu primeiro trabalho de direção (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter um roteiro – também escrito pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iveKAVD2xpA"><span style="font-weight: 400;">diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">especial é a forma como a narrativa mistura o mundo ficcional e documental. Enquanto somos levados pela jornada do protagonista, também acompanhamos o ritmo natural da vida na Aldeia da Pedra Branca. As cenas carregam consigo uma autonomia gerada pela própria existência das pessoas naquele espaço. As plantações, casas, ritos e brincadeiras são honestas e em nenhum momento parecem invadidas pela filmagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ponto tem muito a ver com a forma escolhida por Renné no </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/diretores-falam-sobre-desafios-de-chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinegrafia. Captadas por uma só câmera ao longo de nove meses, as imagens não são apressadas e carregam um ar de observação. O formato nos coloca em um papel literal de telespectadores; não nos é e nem deve ser permitido interferir no que acontece na aldeia. Assim, a natureza e o envolvimento espiritual dos indivíduos com aquele universo são retratados com respeito e fidelidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natureza essa que poderia muito bem ser classificada como uma personagem. Entre pássaros e vegetação, a fauna e a flora representam grande parte dos componentes da produção. A cultura de </span><a href="https://akatu.org.br/povos-indigenas-muito-mais-que-guardioes-das-florestas/"><span style="font-weight: 400;">plantação familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outras questões do gênero se mostram essenciais, mesmo que os diálogos não se pautem nisso. Em um aspecto geral, a conversação quase sempre é secundária e deixa o primordial para o imagético.</span></p>
<figure id="attachment_30530" aria-describedby="caption-attachment-30530" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30530 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Kôtô e Tepto. Ela é uma mulher indígena de cabelos lisos pretos longos. Ele é uma criança indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Os dois estão na caçamba de um caminhão. Ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1024" height="613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-768x460.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30530" class="wp-caption-text">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ganhou força no cenário internacional com o nome de The Dead and The Others (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Inhãc, a morte também representa um novo início. Com o devido adeus, ele deve se tornar Pajé. O título não o agrada e essa insatisfação gera sintomas físicos, a ponto de serem sentidos como uma doença. Em sua percepção, é possível fugir disso, mesmo com essas dores indo muito além do plano físico. Nessa movimentação, acontece a mudança de cenário da </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4172"><span style="font-weight: 400;">aldeia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo urbano, o racismo da população e a indiferença do Estado em relação aos indígenas ficam escancarados. A busca por ajuda não é levada a sério e o despreparo dos </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/212610"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para receber um Krahô causam um incômodo ímpar. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganham um tom muito diferente do que tinham até então, dando lugar a uma violência velada. Ainda assim, os autores do desprezo não ganham destaque e seus rostos nunca aparecem com clareza, como se a branquitude fosse apagada pela própria hostilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da tentativa, a fuga é falha e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vence a corrida contra Inhãc, que retorna para casa. A cantoria, esperada por todo o longa-metragem, se concretiza e olhar não pode mais se direcionar ao passado. Ao não conseguir deixar o apego pelo pai em páginas anteriores, o jovem não tem escolha a não ser se encaminhar para a Aldeia dos Mortos. O destino se mostra implacável e escapar das forças guias não é uma escolha.</span></p>
<figure id="attachment_30527" aria-describedby="caption-attachment-30527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Inhac, Kôtô e Tepto. Os três estão deitados no chão, Inhac é o único acordado e encara o céu. A imagem é escura e se passa à noite." width="1920" height="1151" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30527" class="wp-caption-text">O elenco de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é formado por indígenas Krahô e o filme é uma coprodução luso brasileira (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme trata de muitos assuntos, partindo do universo da espiritualidade e chegando até a influência branca na vivência indígena. Entre a dor da perda e os </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/6521"><span style="font-weight: 400;">fantasmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixados pela colonização, os que da terra são pioneiros performam a pluralidade em suas muitas significações. Talvez a produção não agrade todos os públicos, mas é inegavelmente um tesouro do Audiovisual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo onde a importância da </span><a href="https://cimi.org.br/terras-indigenas/demarcacao/"><span style="font-weight: 400;">demarcação</span></a><span style="font-weight: 400;"> territorial é negada e os povos nativos são despersonalizados, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma uma resistência que nunca perdeu força e tem suas raízes firmadas em espaços além dos carnais. Sob os pingos de chuva, a cantoria nunca pôde ser silenciada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WeZp8_BX0Jk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>8 mortes e 1 narrativa: Gato de Botas 2 traça as nuances de entender sobre a vida e a morte</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 16:39:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dante Zapparoli Uma narrativa a qual ouvimos desde os filmes de velho oeste é a de que lutar contra a Morte é algo impossível. Em Gato de Botas 2: O Último Pedido vemos mais uma faceta de um herói, que era considerado imortal e invencível, cair ao inevitável fim: o medo de sua história acabar. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gato-de-botas-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "8 mortes e 1 narrativa: Gato de Botas 2 traça as nuances de entender sobre a vida e a morte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30295" aria-describedby="caption-attachment-30295" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/01.png" alt="Cena do filme Gato de Botas 2. Na imagem vemos dois personagens, um sendo um lobo branco cartunizado com olhos vermelhos e um capuz preto, a qual é a Morte. Enquanto, ao seu lado, encontramos um gato com chapéu preto de pena amarela, uma capa preta, pelos ruivos e olhos verdes. O Gato segura um copo de leite nas mãos e ambos estão conversando de forma próxima." width="512" height="256" /><figcaption id="caption-attachment-30295" class="wp-caption-text">Como qualquer boa história, tudo começa em um taverna (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><b>Dante Zapparoli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma narrativa a qual ouvimos desde os filmes de velho oeste é a de que lutar contra a Morte é algo impossível. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido </span></i><span style="font-weight: 400;">vemos mais uma faceta de um </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/genero-epico.htm"><span style="font-weight: 400;">herói</span></a><span style="font-weight: 400;">, que era considerado imortal e invencível, cair ao inevitável fim: o medo de sua história acabar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 12 anos desde sua </span><a href="https://youtu.be/1esRrwrmWzA"><span style="font-weight: 400;">primeira produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Gato de Botas volta a ativa com mais uma aventura </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> para as telas de cinema. A nova obra abre com uma estrela cadente que caiu na Terra e, segundo lendas, realizaria o desejo de quem a encontrasse. A narrativa se torna importante ao decorrer da história, pois é a motivação de sete personagens diferentes: o próprio Gato de Botas, Kitty Pata Mansa, Cachinhos Dourados e os Três Ursos, e João Trombeta.</span></p>
<p><span id="more-30292"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma parecida com os outros filmes que englobam o universo em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa &#8211; iniciado com a franquia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> há 22 anos &#8211; o humor envolvendo situações mágicas e personagens que saíram direto de contos de fada permanece forte. Isso é perceptível com os enredos que envolvem a Cachinhos Dourado ou a maioria dos itens mágicos colecionados por João Trombeta &#8211; os quais incluem o sapatinho da </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela</span></i><span style="font-weight: 400;">, biscoitinhos mágicos providos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas </span></i><span style="font-weight: 400;">e o Grilo, que é a consciência presente nas histórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá um passo a mais e se aprofunda em questões psicológicas e emocionais que esses personagens tão encantados trazem consigo.</span></p>
<figure id="attachment_30294" aria-describedby="caption-attachment-30294" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30294 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/02.png" alt="Cena do filme Gato de Botas 2. O fundo possui, majoritariamente, a cor vermelha e nele estão dois personagens: o lobo branco segurando duas foices, enquanto ataca o segundo personagem, que é o gato laranja. A expressão do lobo é de felicidade, enquanto o gato parece assustado e caindo. " width="512" height="256" /><figcaption id="caption-attachment-30294" class="wp-caption-text">A figura de uma real ameaça para um mundo colorido de contos de fadas faz com que haja um choque aos espectadores (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Gato, personagem que dá nome a obra, começa o filme no que ele considerava sua melhor forma: forte e invicto, segundo a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9fCBrOlpLkE"><span style="font-weight: 400;">música de abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da peça. No entanto, após sua morte súbita ao tocar do sino da igreja que foi destruído em sua aventura, ele descobre que, de suas nove vidas de gato, só lhe resta uma. Todas as outras foram gastas de formas irresponsáveis pelo protagonista &#8211; fosse caindo, bêbado, de uma prédio alto ou morrendo ao ganhar em um jogo de cartas contra cachorros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização não o incomoda muito, até encontrar com a Morte em pessoa no bar de Del Mar. O personagem se apresenta como um </span><a href="https://ovicio.com.br/gato-de-botas-2-diretor-explica-tom-assustador-do-lobo/"><span style="font-weight: 400;">lobo branco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de olhos vermelhos, que anda encapuzado e com duas foices como arma. De início, Gato tenta desafiá-lo a um duelo. Não é surpresa que ele perde e, pela primeira vez em sua vida, sente medo ao perceber que não é inabalável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Morte, dublada originalmente por </span><a href="https://youtube.com/shorts/aB7h9HnIpy0?feature=share"><span style="font-weight: 400;">Wagner Moura</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem um papel forte nessa história, já que é a percepção da nossa efemeridade que faz Gato sair de sua jornada de aventuras &#8211; e, com o decorrer do filme, retornar para o último ato de conseguir restaurar suas nove vidas e voltar a ser como antes. Durante a trama, podemos acompanhar as dificuldades e os empecilhos que o felino possui ao tentar se esquivar dos avanços do lobo, mostrando a humanidade que Gato parece tentar esconder.</span></p>
<figure id="attachment_30296" aria-describedby="caption-attachment-30296" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/03.png" alt="Cena do filme Gato de Botas 2. A imagem apresenta uma cena que segue a respectiva descrição: uma menina branca, de olhos e cabelos claros, segurando um pôster de procurado que se refere ao Gato de Botas. Em seguida, está o gato com luvas e meias azuis bebê, além de uma grande barba, sendo segurado por um urso de pelagem castanha, que possui uma boina rosa." width="512" height="216" /><figcaption id="caption-attachment-30296" class="wp-caption-text">Assuntos como relações familiares, luto e superação após momentos traumáticos são temas abordados de diferentes formas durante os 100 minutos da obra (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é apenas do medo da morte que as motivações dos personagens giram em torno. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta mais três grupos interessados pelo poder que esse item mágico pode oferecê-los: Kitty Pata Mansa,que também fez parte do primeiro filme, </span><a href="https://recreio.uol.com.br/noticias/entretenimento/gato-de-botas-2-qual-a-historia-do-conto-de-cachinhos-dourados.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cachinhos Dourados e os Três Ursos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://avancegames.com.br/joaozao-trombeta-quem-e-e-tudo-sobre-a-historia-do-vilao-de-gato-de-botas-2/"><span style="font-weight: 400;">João Trombeta</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo este parte de uma canção de ninar estadunidense. Cada qual possui interesses divergentes, mas têm o mesmo objetivo e visão: com a estrela mágica, eles poderão resolver o que os aflige e serem felizes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas, que passou por um período de aposentadoria entre a quebra de tempo do seu primeiro encontro com a Morte e o anúncio da procura pela estrela cadente, volta para ação de forma conjunta com Perrito,</span> <span style="font-weight: 400;">um cachorro que sonha em ser um cão de serviço, e Kitty Pata Mansa, o qual compartilha </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-gato-de-botas/"><span style="font-weight: 400;">uma história e um passado complicados</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nessa jornada, ele e a audiência percebem como é difícil superar traumas e confiar em pessoas à sua volta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um recurso interessante usado para contribuir com a narrativa é a mudança do mapa até a estrela: toda vez que troca a pessoa que segura o objeto, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lecxy2bFsNY"><span style="font-weight: 400;">mundo ao redor muda junto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pelo que se pode perceber quanto a essa dinâmica, o guia reflete as dificuldades de chegar até o desejo de quem o segura: o do Gato mostra várias situações voltadas para a morte, como a Caverna das Almas Penadas, o de Kitty, apresenta cenários de abandono e solidão, e o da Cachinhos retrata terras de nostalgia. Todos esses problemas são voltados para o que os personagens sentem e têm dificuldades de externalizar.</span></p>
<figure id="attachment_30297" aria-describedby="caption-attachment-30297" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30297" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/04.png" alt="Cena do filme Gato de Botas 2. Fundo com tons rosa pastel, aparentando ser no meio de uma árvore. Na cena está o Gato de Botas, que possui pelagem ruiva e olhos verdes, além de mais uma gata, de pelagem frajola, usando um chapéu grande e com uma pena amarela na sua ponta. O gato laranja olha desconfiado para a gata frajola, mas não parece desconfortável." width="512" height="211" /><figcaption id="caption-attachment-30297" class="wp-caption-text">O Gato aprende que são coisas simples que fazem uma vida valer mais do que nove (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma apresentação interessante do conceito de “</span><a href="http://www.cafeinaliteraria.com.br/2013/11/03/show-dont-tell-dialogos/"><i><span style="font-weight: 400;">show, don’t tell</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, já que isso faz com que o espectador possa ter consciência de alguns pontos que a narrativa irá percorrer, antes mesmo deles serem apresentados. Essas complicações e objetivos são o que fazem com que a jornada deixe de ser apenas uma aventura como as outras e se transforme em algo mais catártico. Apenas um dos personagens não possui impedimento de chegar até a estrela, sendo ele </span><a href="https://thenexus.one/por-que-o-mapa-de-1-personagem-era-tao-facil-em-gato-de-botas-2/"><span style="font-weight: 400;">Perrito</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois suas metas e ambições não estão focadas em algo que poderia ser resolvido magicamente: ele já sabia o que queria e como tentaria conseguir, diferentemente dos outros personagens em busca de respostas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que fez a obra conquistar seu público, no entanto, foram as representações quanto à saúde mental. Gato chega a passar por alguns episódios de crises de pânico durante o filme &#8211; este sendo causado pelos seus encontros com a Morte e o pensamento de que sua vida efêmera logo acabará pelas mãos do lobo &#8211; e, em todas as apresentações dessa situação, nenhuma piada é feita. Isso se difere de representações como </span><i><span style="font-weight: 400;">Velma </span></i><span style="font-weight: 400;">(2023) ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Ultimato</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), ao não os limitarem a movimentos violentos ou sexuais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção sabe retratar bem questões como lidar com trauma, luto e o sentimento de ser deixado só, enquanto aquece o espectador com seus desfechos que representam lutas difíceis demais de serem enfrentadas sozinhas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido</span></i><span style="font-weight: 400;"> abre bem o cenário de 2023 e se torna um bom concorrente frente a os outros filmes da categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-animacao/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/marcel-the-shell-with-shoes-on-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marcel the Shell with Shoes On</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-fera-do-mar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Fera do Mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30293" aria-describedby="caption-attachment-30293" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/05.png" alt="Tons escuros demonstram que é noite na cena apresentada. Nela está localizado o gato laranja, de costas para um tronco grande de árvore, um chapéu preto com uma pena amarela está do lado esquerdo do personagem, enquanto ao seu lado direito está um cachorro de porte pequeno, que olha preocupado para o gato. O Gato de Botas não aparenta estar bem, já que nessa cena o mesmo passa por um episódio de pânico." width="512" height="256" /><figcaption id="caption-attachment-30293" class="wp-caption-text">A forma como episódios de estresse, ansiedade, pânico e luto são apresentados no filme trazem uma maior aproximação e empatia do público ao anti-herói (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria em que compete na premiação da Academia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2002, como o primeiro vencedor, que no mesmo ano também havia sido indicado para Melhor Roteiro Adaptado. A empresa </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ganha um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> desde 2005, com o filme </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-55129/"><i><span style="font-weight: 400;">Wallace &amp; Gromit &#8211; A Batalha dos Vegetais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e não possui indicação desde 2015, com </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-181290/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Treinar o Seu Dragão 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Então, a volta para a premiação</span> <span style="font-weight: 400;">com a continuação de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato de Botas 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz uma nova esperança para o estúdio de animação, como um forte candidato.</span></p>
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		<title>Em Ruído Branco, o mundo real é uma simulação</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2023 14:27:08 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29572" aria-describedby="caption-attachment-29572" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29572" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29572" class="wp-caption-text">Em parceria com a A24, Ruído Branco estreou no Festival de Veneza e chegou à Netflix no penúltimo dia de 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Consumista” já foi a palavra de ordem de uma geração que, em um passo ousado, julgava os relativos perigos de uma sociedade descontrolada – talvez como consequência direta da mudança social dos anos 1960, cuja virada cultural permanente se estabeleceu e desembocou no mal-estar das décadas seguintes. Mas o fato é que o julgamento parecia resfriar-se em um sólido cenário teórico, e ironicamente se perpetuava, muitas vezes, por aqueles que o apontavam. O consumo estava em toda parte. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.indiewire.com/2022/08/white-noise-movie-review-netflix-noah-baumbach-1234755914/">Ruído Branco</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, adaptação dirigida por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://about.netflix.com/pt_br/news/academy-award-nominated-filmmaker-noah-baumbach-signs-exclusive-partnership">Noah Baumbach</a></span><span style="font-weight: 400;"> do clássico homônimo de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788585095109/ruido-branco">Don DeLillo</a></span><span style="font-weight: 400;"> publicado em 1985, outras facetas do consumo – para além da alienação – ganham espaço: o entretenimento vulgar, o delírio e a paranoia.</span></p>
<p><span id="more-29568"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>White Noise </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) traz a dependência televisiva logo no título. Originalmente, DeLillo pretendia chamar o livro de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Panasonic</i></span><span style="font-weight: 400;">, mas a empresa vetou a utilização do nome. Mantendo a ideia de fazer alusão à TV, o autor cunhou “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;">”, expressão técnica para o que se convencionou a chamar de “</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-40679798">chiado na televisão</a></span><span style="font-weight: 400;">”, a imagem obstruída pelo som agonizante da falta de sinal. Todavia, na trama, o ruído branco pode muito bem ser, de forma alegórica, o medo da morte, que paira pela vida das personagens silenciosamente, obstruindo suas consciências. Seguindo a história do protagonista Jack Gladney (Adam Driver), tanto o livro como o filme traçam um paralelo quase perfeito entre o consumismo e o medo da morte.</span></p>
<p><figure id="attachment_29570" aria-describedby="caption-attachment-29570" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29570" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29570" class="wp-caption-text">“Por que pensamos que essas coisas já aconteceram? É simples. Elas já aconteceram mesmo, em nossas mentes” (DeLILLO, 2017, p. 189)¹ [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O personagem principal, pai dos jovens </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/livros/erguei-bem-alto-a-viga-carpinteiros-seymour-uma-introducao">salingeranamente</a></span><span style="font-weight: 400;"> inteligentes Heinrich (Sam Nivola), Steffie (May Nivola), Wilder (Dean/Henry Moore) e padrasto de Denise (Raffey Cassidy), é também professor de “hitlerologia”</span> <span style="font-weight: 400;">– disciplina criada por ele na fictícia universidade College-on-the-Hill para se debruçar sobre a aura de Hitler –, vivendo sob o cerco de campanhas publicitárias e aprendendo às escondidas a língua alemã para um colóquio. Ele vê sua vida alterar-se significativamente com a chegada de uma nuvem tóxica, em decorrência de um acidente industrial próximo a sua residência. Diferente do livro, porém – e por razões razoáveis –, o longa tem sua primeira parte mais acelerada que as demais (embora o poder de síntese do diretor seja surpreendente, o filme ainda totaliza mais de duas horas de duração).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pelas implicações que um novo formato pede, e mesmo mantendo-se fiel à trama, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco </i></span><span style="font-weight: 400;">não tem o mesmo peso que o romance – mas não se trata, aqui, da velha dicotomia livro-é-melhor-que-o-filme. Baumbach, que além da direção, assina o roteiro adaptado, opta por não retratar alguns momentos da história original. Na obra literária de 1985, a filha mais jovem de Gladney participa de uma simulação do governo, na qual situações de vazamentos tóxicos são treinados por civis e policiais, aumentando o ar conspiratório de que tudo, na verdade, pode ser um truque estatal para manter a sociedade funcionando pelo medo. Mesmo que a cena não ocorra no longa, a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.shmoop.com/study-guides/literature/white-noise/analysis/simuvac-short-for-simulated-evacuation">SIMUVAC</a></span><span style="font-weight: 400;">, órgão ficcional do Estado cuja abreviação significa “evacuação simulada”, aparece na segunda parte do filme.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;"><em>“</em></span><span style="font-weight: 400;">Murray diz que somos criaturas frágeis cercadas por um mundo de fatos hostis. Os fatos ameaçam a nossa felicidade e segurança. Quanto mais nos aprofundamos na natureza das coisas, mais frouxa a nossa estrutura nos parece. O processo da família visa ao isolamento em relação ao mundo exterior</span><span style="font-weight: 400;"><em>”</em></span><em> <span style="font-weight: 400;">(DeLILLO, 2017, p. 102).¹</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de cortar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>o celeiro mais fotografado da América</i></span><span style="font-weight: 400;">”, o cineasta também decidiu ocultar Vernon Dickey, pai de Babette (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://cinepop.com.br/greta-gerwig-diretora-de-barbie-e-lady-bird-vai-comandar-um-novo-filme-pela-netflix-383431/?amp">Greta Gerwig</a></span><span style="font-weight: 400;">), que na obra original é o responsável por entregar a pequena pistola ao protagonista, utilizada no clímax da história. No estilo conservador armamentista, esse personagem o presenteia com os dizeres “</span><span style="font-weight: 400;"><i>existem dois tipos de pessoas no mundo: as que morrem e as que matam</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ausente no longa, a cena e a fala são inseridas na boca de Murray Siskind (Don Cheadle), o eloquente amigo de Jack que pesquisa sobre a televisão e cobiça repetir seu feito e iniciar os “</span><span style="font-weight: 400;"><i>estudos sobre Elvis</i></span><span style="font-weight: 400;">” na universidade. Mas, à medida que o roteiro avança, percebe-se que o foco são os </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/">costumes contemporâneos</a></span><span style="font-weight: 400;"> – mesmo retratando a sociedade norte-americana dos anos 1980 –, tomando isso como um norte, enquanto alguns vícios esquisitos, como o delírio coletivo pela violência ou a inexplicável dificuldade em lidar com a realidade, são representados pela visão do protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_29574" aria-describedby="caption-attachment-29574" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29574" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29574" class="wp-caption-text">Duas vezes indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, Noah Baumbach disse que White Noise é seu projeto “mais diferente”, sendo esse o primeiro longa que dirige com roteiro adaptado (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência da trama remonta à clara afeição que o cineasta mantém em relação ao livro. Em obras anteriores, Baumbach retratou grupos disfuncionais em suas falsidades, que, comumente, rompem no limiar entre o falso moralismo e o mal-estar – como em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/">História de um Casamento</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2019)</span><span style="font-weight: 400;"><i>,</i></span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/os-meyerowitz-familia-nao-se-escolhe-critica">Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zaZhnD69vl0&amp;ab_channel=TrailersTeasersClips">A Lula e a Baleia</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2005). Nesse aspecto, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> não está tão longe do campo que o autor estadunidense domina, visto que segue uma família particularmente diferente, na qual todos são demasiadamente autoconscientes, principalmente os filhos. A adaptação ainda é “</span><span style="font-weight: 400;"><i>mais diferente</i></span><span style="font-weight: 400;">” que os longas anteriores, como o próprio </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.indiewire.com/2022/09/noah-baumbach-interview-white-noise-1234768260/">diretor declarou</a></span><span style="font-weight: 400;">, porque preocupa-se principalmente com uma atmosfera paranoica e espetacularizada da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, em diversos momentos o filme deixa pontas soltas que são explicadas apenas no livro. Há uma enorme complexidade na tentativa de reduzir as dezenas de frases impactantes de Don DeLillo em cenas rápidas, e Baumbach tenta sintetizá-las nos diálogos. Apesar disso, principalmente </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/a42396264/white-noise-ending-explained/">no final</a></span><span style="font-weight: 400;">, é praticamente impossível entendê-lo em sua totalidade sem ter lido a obra original. Mesmo que permaneça na Comédia Dramática – inclusive com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pitchfork.com/news/andre-3000-joins-noah-baumbach-new-white-noise-film-adaptation-for-netflix/">André 3000</a></span><span style="font-weight: 400;"> integrando o elenco –, seu mote sustenta-se em assuntos existencialistas e filosóficos, que idealmente devem ser transmitidos ao espectador sem exigir conhecimento prévio. Por reivindicar implicitamente a pesquisa, é um filme que dificilmente consegue o consenso.</span></p>
<p><figure id="attachment_29575" aria-describedby="caption-attachment-29575" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29575" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/4-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29575" class="wp-caption-text">“O supermercado está cheio de velhos que parecem perdidos no meio de tantas mercadorias de cores vivas” (DeLILLO, 2017, p. 207)¹ [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O enredo ecoa a discussão </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/">pós-moderna</a></span><span style="font-weight: 400;"> do espetáculo, que massivamente afasta os indivíduos da compreensão de “fim”. Na verdade, o consumo desenfreado – por vezes imperceptível a nós – é apenas uma reação ritualística ao medo ancestral da morte; é o preenchimento material da ausência completa de sentido. Não por acaso o supermercado ascende na trama como um espaço transcendental: é um cenário repleto de marcas, cujo zumbido ínfimo das luzes claras dos refrigeradores ressoa em nossos ouvidos junto às músicas do ambiente, que servem, basicamente, para afastar a frieza dos nossos pensamentos. Ao mesmo tempo que a morte “de verdade” é distanciada pelo entretenimento, a própria realidade é ela mesma assassinada, ampliando a estranha sensação de não pertencimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paradoxalmente, enxergar o mundo em sua extensão é remetê-lo à noção de compreensão humana. Por isso, ao trazer sua complexidade ao espectro de nossos sentidos, nos esforçamos para alcançar a distância correta entre o que somos e o que pensamos ser – tudo ganha um ar de familiaridade. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scielo.br/j/raeel/a/XLCG9KDtPBPK8YSqmk6bDrq/?lang=pt">Jean Baudrillard</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve, a interconexão entre o consumo e a vida cotidiana deixa de ser questionada pelos indivíduos, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>praticamente inconscientes, na vida de todo dia, da realidade tecnológica dos objetos</i></span><span style="font-weight: 400;">”.² No mundo onde a simulação é gerada por um real sem origem nem realidade – chamado pelo filósofo de “</span><span style="font-weight: 400;"><i>hiper-real</i></span><span style="font-weight: 400;">”³ –, os objetos multiplicam-se ao infinito, pois precisam preencher uma “</span><span style="font-weight: 400;"><i>realidade ausente</i></span><span style="font-weight: 400;">”. O consumo e a solidão são inseparáveis.</span></p>
<figure id="attachment_29576" aria-describedby="caption-attachment-29576" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-735x1024.jpg" alt="" width="735" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-735x1024.jpg 735w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-574x800.jpg 574w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1-768x1070.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/5.1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29576" class="wp-caption-text">Don DeLillo é um dos poucos autores contemporâneos a revestir a aura do romancista como visionário (Foto: Joyce Ravid)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> teve três tentativas fracassadas de adaptação, antes da finalizada por Noah Baumbach. Desde os anos 1990, James L. Brooks (</span><span style="font-weight: 400;"><i>Laços de Ternura</i></span><span style="font-weight: 400;">, 1983), Barry Sonnenfeld (</span><span style="font-weight: 400;"><i>MIB &#8211; Homens de Preto</i></span><span style="font-weight: 400;">, 1997) e Michael Almereyda (</span><span style="font-weight: 400;"><i>Hamlet</i></span><span style="font-weight: 400;">, 2000) tentaram a empreitada, mas abandonaram o projeto. Seguindo a linhagem dos “</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/culture/article/systems-novel-future-of-fiction">romances de sistema</a></span><span style="font-weight: 400;">” – que se preocupam principalmente com o desenvolvimento dos mecanismos de poder sobre os personagens –, o livro e o estilo de Don DeLillo (extremamente sugestivo e, por vezes, até mesmo minimalista) dificultam qualquer roteiro cinematográfico, que precisa “mostrar” ao espectador situações que não são explicadas – e nem precisam ser – na Literatura. Esse tom sugestivo abre janela às interpretações “distópicas”, algo que, acertadamente, o diretor não explora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, mesmo que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535903768/cosmopolis">Cosmópolis</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2003) tenha sido adaptado de forma interessante por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/">David Cronenberg</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2012 (com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Robert Pattinson</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal), </span><span style="font-weight: 400;"><i>White Noise</i></span><span style="font-weight: 400;"> tem um peso ainda maior: trata-se – ao lado de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571648838/submundo?idtag=9574a89e-f004-4536-99a9-de5691cab400&amp;gclid=Cj0KCQiAzeSdBhC4ARIsACj36uHe8wZ1zYJCf8r5meKiZxYF6taTvnMPbYYVlYfJ3x2oZeQ1ylp3H1waAt3jEALw_wcB">Submundo</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1997) – da obra fundamental do autor, um clássico da Literatura norte-americana analisado em universidades e vencedor do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nationalbook.org/books/white-noise/">National Book Awards</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, cujo impacto foi tão grande que projetou DeLillo como um dos melhores observadores da vida no capitalismo tardio. A simples trama do livro já parte de uma premissa complexa: a existência é indistinguível da “imitação” da realidade e do espetáculo das relações sociais.</span></p>
<figure id="attachment_29569" aria-describedby="caption-attachment-29569" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159.jpg" alt="" width="1920" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1536x630.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/6-e1673640103159-1200x492.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29569" class="wp-caption-text">Repetindo os movimentos de História de um Casamento, o diretor deixa em primeiro plano, durante o clímax, a cabeça do interlocutor, no que pode acenar para a perspectiva de integrar outra consciência (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora existam comparações, também é interessante observar que </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco </i></span><span style="font-weight: 400;">não é o novo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/">Não Olhe para Cima</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2021) – e isso é bom, para Baumbach. É sempre importante entender as dificuldades na adaptação de uma obra cinematográfica cujo roteiro surge de um livro clássico, mas, diferente do filme de Adam McKay, mesmo que algumas pontas permaneçam soltas, o texto original fornece um material impecável de discussão, que se sustenta nas atuações e permanece distante do debate conformista. É nesse ambiente que Adam Driver ascende como o grande destaque de atuação, segurando as nuances entre Comédia e Drama com habilidade. Pelo papel de Jack Gladney, Driver concorreu ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.goldenglobes.com/person/adam-driver">Globo de Ouro</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela terceira vez, na categoria de Melhor Ator em Comédia ou Musical, mas perdeu para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/afp/2023/01/10/colin-farrell-ganha-globo-de-ouro-de-melhor-ator-de-musical-ou-comedia.htm">Colin Farrell</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/12/12/phoebe-bridgers-estranho-mundo-jack/">Danny Elfman</a></span><span style="font-weight: 400;">, porém, é apenas curiosa. Misturando elementos da Música Eletrônica com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Clássica</a></span><span style="font-weight: 400;">, ele auxilia na ambientação cultural de um Estados Unidos pós-industrial, a um nível quase distópico. O grande mérito musical fica a cargo da canção original de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/lcd-soundsystem-new-body-rhumba/">LCD Soundsystem</a></span><span style="font-weight: 400;"> – uma faixa </span><span style="font-weight: 400;"><i>dance punk</i></span><span style="font-weight: 400;"> que serve como melodia para a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.nme.com/news/music/watch-the-surreal-lcd-soundsystem-dance-scene-from-netflixs-white-noise-3373481">dança ensaiada</a></span><span style="font-weight: 400;"> dos créditos no fim –, vocalizada pelo líder do grupo, James Murphy, que colaborou com o diretor nas trilhas originais de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwdliqOGTLw&amp;ab_channel=FocusFeatures">Greenberg</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NRUcm9Qw9io&amp;ab_channel=A24">Enquanto Somos Jovens</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014).</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LCD Soundsystem - new body rhumba (from the film White Noise) (Official Audio)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JG17jiPdbb0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma vertiginosa, o longa explora a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">expectativa social pela catástrofe</a></span><span style="font-weight: 400;">. Em alguns trechos, quando o acidente tóxico já ocorreu e dominou o imaginário conspiratório da população, o diretor dá piscadelas no roteiro à recente situação da pandemia de covid-19, jogando luz aos comentários negacionistas que são aplaudidos por Jack Gladney. Na verdade, o coronavírus revitaliza, de maneira incômoda, a obra original, apresentando o desastre como um fenômeno cíclico nas sociedades contemporâneas. O cineasta também se recusa a atualizar a história em seus figurinos e panorama social, mantendo a ambientação original de DeLillo – com todas as conspirações da Guerra Fria às quais o país estava submetido – e apontando para o caráter premonitório da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ânsia de Baumbach em presentear os espectadores com as melhores partes do romance faz com que diversos trechos de desenvolvimento de personagens sejam deixados de lado. Repentinamente, a partir da segunda parte, a trama muda para um cenário que beira o </span><span style="font-weight: 400;"><i>sci-fi</i></span><span style="font-weight: 400;">, e volta a se pacificar próximo ao fim, quando as melhores sequências de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> são protagonizadas por Greta Gerwig e Adam Driver na revelação sobre o “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Dylar</i></span><span style="font-weight: 400;">” e, logo em seguida, no diálogo entre o protagonista e o Sr. Gray (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/minha-irma-critica/">Lars Eidinger</a></span><span style="font-weight: 400;">). A crueza com que Baumbach grava o embate, os tiros e a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/books/don-delillo-the-great-american-novelist-on-paranoia-prescience-and-immortality-20160419-go9mfo.html">paranoia</a></span><span style="font-weight: 400;"> humanizada no papel de Eidinger registra uma perda da capacidade da linguagem para discernir ou até mesmo entender o mundo, que está </span><span style="font-weight: 400;"><i>“repleto de fatos hostis</i></span><span style="font-weight: 400;">” a nós.</span></p>
<p><figure id="attachment_29571" aria-describedby="caption-attachment-29571" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29571" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-738x1024.jpg" alt="" width="738" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-738x1024.jpg 738w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-577x800.jpg 577w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-768x1066.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1107x1536.jpg 1107w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1476x2048.jpg 1476w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL-1200x1665.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/71YrNpT5aJL.jpg 1651w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29571" class="wp-caption-text">“A morte é que torna a vida incompleta” (DeLILLO, 2017, p. 345)¹ [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Talvez preocupado demais em “parecer” a obra original, o longa inevitavelmente cai na armadilha prevista na própria trama. A representação de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ruído Branco</i></span><span style="font-weight: 400;"> torna-se o próprio “</span><span style="font-weight: 400;"><i>celeiro mais fotografado da América</i></span><span style="font-weight: 400;">”, e por isso sua presença é desnecessária, mesmo que frequentemente ganhe importância no livro. O </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/aug/31/white-noise-review-venice-opener-is-a-blackly-comic-blast">filme</a></span><span style="font-weight: 400;"> erra quando acerta demais, tentando emular os sentimentos e a velocidade do próprio romance de 1985 (o que explica a sensação de lentidão ou a estranheza que algumas partes podem causar).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao deixar de lado as potencialidades criativas de um novo formato, a obra convence e se sustenta pela história: há um pavor ecológico, há universitários espetacularizando o ensino (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://cenasdecinema.com/o-guia-pervertido-da-ideologia/">Slavoj Žižek</a></span><span style="font-weight: 400;"> poderia ser um personagem), há negacionismo e há ironia – tudo tão longe e tão perto de nós. No fim, ainda podemos sublimar nossos desejos e ir às compras, enganando a nós mesmos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ruído Branco | Teaser oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ltjepb-zCmc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">¹ DeLILLO, Don. </span><b>Ruído Branco</b><span style="font-weight: 400;">. 2ª ed. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">² BAUDRILLARD, Jean. </span><b>O sistema dos objetos. </b><span style="font-weight: 400;">5ª ed. Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares. São Paulo: Perspectiva, 2015, p. 11.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">³ BAUDRILLARD, Jean. </span><b>Simulacros e simulação.</b><span style="font-weight: 400;"> Tradução de Maria João da Costa Pereira. Lisboa: Relógio d’Água, 1991, p. 8.</span></p>
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		<title>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 20:33:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O que parece ser unânime em relação a Alejandro González Iñárritu é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29204" aria-describedby="caption-attachment-29204" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29204" class="wp-caption-text">O longa foi exibido no Festival de Veneza e teve uma pré-estreia presencial no Brasil, na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que parece ser unânime em relação a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/inarritu-encara-seus-criticos-e-alfineta-os-eua-em-bardo-destaque-da-mostra-de-sp.shtml">Alejandro González Iñárritu</a></span><span style="font-weight: 400;"> é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/bardo-or-false-chronicle-of-a-handful-of-truths-review-alejandro-gonzalez-inarritu-1235355356/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> parece ser o meio termo entre essas duas situações. Com uma trama que se propõe a traçar a história de um renomado jornalista e documentarista mexicano, Silverio Gama (Daniel Giménez Cacho) – personagem marcado por uma profunda crise existencial –, o longa integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns elementos presentes no filme são marcas de Iñárritu (as mesmas marcas que o fizeram vencer o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor dois anos consecutivos, por </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/bardo-netflix-inarritu/">Birdman, ou a Inesperada Virtude da Ignorância</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2014] e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://pixelnerd.com.br/10-curiosidades-sobre-o-filme-o-regresso/">O Regresso</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2015]): a câmera lenta e espaçada que passa por todos os cantos, quase nunca estacionada em um só lugar; o fluxo verborrágico do protagonista que se mistura às pequenas tramas narrativas que ele próprio descreve; o </span><span style="font-weight: 400;"><i>nonsense</i></span><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se mostra apenas uma realidade vista de longe, interpolada pela criatividade da memória; e, principalmente, a representação da consciência do personagem principal.</span></p>
<figure id="attachment_29205" aria-describedby="caption-attachment-29205" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg" alt="" width="2235" height="1257" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29205" class="wp-caption-text">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades foi lançado oficialmente em 17 de novembro de 2022, mas só entrará no catálogo da Netflix em 16 de dezembro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o título do filme diz tudo o que se precisa saber. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;">” é o termo tibetano para o lugar entre a vida, a morte e o renascimento, presente no texto sagrado do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2022/05/como-entender-a-expansao-da-consciencia-mediada-por-psicodelicos.shtml">Livro Tibetano dos Mortos</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O resto fica a cargo da composição narrativa do roteiro de Iñárritu e Nicolás Giacobone, roteirista argentino responsável pela trama de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;">. Essa informação também é de se atentar, visto que, em muitos aspectos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;"> 2”, cujos elementos se assemelham em muitos níveis, inclusive sob a perspectiva de um protagonista artista (no longa de 2014, um ator em decadência; no filme de 2022, um documentarista no auge), que não sabe qual caminho seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-bardo-pelicula-gonzalez-inarritu/">Daniel Giménez Cacho</a></span><span style="font-weight: 400;">, que integrou o elenco de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/23/siberia-review-abel-ferrara-willem-dafoe">Siberia</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2020), de Abel Ferrara – filme que aborda igualmente o limiar entre vida e morte (o “bardo”) –, que dá vida ao protagonista menos caótico da filmografia de Iñárritu. Na trama, há 20 anos, ele foi um apresentador de TV, mas se afastou desse papel quando percebeu que estava vendendo uma versão comercial da realidade. Ele queria falar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>algumas verdades</i></span><span style="font-weight: 400;">”, as quais tornaram-se cada vez mais difíceis de serem ditas num México que se curvou aos efeitos nocivos de uma mídia violenta. Silverio Gama consegue realizar seu desejo e se transforma em um repórter de renome em Los Angeles. Ainda assim, a obra não se propõe a ser uma odisséia de sua redenção (como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman </i></span><span style="font-weight: 400;">é, por exemplo), e Iñárritu mistura realidade e ficção, acenando às interpretações de que as duas, na verdade, podem ser a mesma coisa – tudo depende do ponto de vista do observador. Na prática, o personagem percebe que a realidade, por si só, é pura ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29203" aria-describedby="caption-attachment-29203" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29203" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Vanity Fair, <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/09/awards-insider-alejandro-g-inarritu-interview-about-bardo-reviews">Alejandro G. Iñárritu</a> disse que “é uma pena que Bardo tenha sido incompreendido” (Foto: Jason LaVeris)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma temporada premiada com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Regresso</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpolada pelo curta-metragem </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://youtu.be/zF-focK30WE">Carne y arena</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2017) – resultado de um projeto de realidade virtual que recebeu um </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> Especial da Academia –, o novo projeto do diretor não conseguiu os mesmos feitos. Após as primeiras exibições, o longa</span> <span style="font-weight: 400;">(que chega em breve aos cinemas brasileiros) teve um mau desempenho. Tentando remediar o que parece inevitável, o diretor cortou quase 30 minutos de filme, além de gerar uma reedição de diversas outras partes – é essa versão reeditada que integrou a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chega à </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de dezembro, numa nova estratégia de distribuição da empresa, que o lançará primeiro nos cinemas. Ainda assim, o longa totaliza praticamente três horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é interessante perceber como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crónica de unas Cuantas Verdades </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/inarritu-meu-filme-bardo-e-incerto-muito-desconfortavel-e-pode-ser-irritante/">antecipa as próprias críticas</a></span><span style="font-weight: 400;"> que recebeu. Em uma das sequências do filme, durante a festa em homenagem à Silvério, ele entra num embate com Luis (Francisco Rubio), um ex-colega que se tornou uma estrela do sensacionalismo na televisão mexicana. Luis ataca Silverio por sua auto-indulgência e pretensão, acusando-o de se autoproclamar “artista” para os norte-americanos, esquecendo, assim, suas origens. Como resposta, o protagonista profere um discurso sobre a hipocrisia de uma mídia que sacrifica integridade e decência pelo altar das críticas e curtidas nas redes sociais. De alguma forma, Iñárritu esperava que seu filme fosse condenado por aquilo que atacou.</span></p>
<figure id="attachment_29202" aria-describedby="caption-attachment-29202" style="width: 2034px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp" alt="" width="2034" height="1046" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp 2034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-800x411.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1024x527.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-768x395.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1536x790.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1200x617.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29202" class="wp-caption-text">Nicolás Giacobone, que levou o Oscar de Melhor Roteiro por Birdman, repete a parceria com Alejandro Iñárritu em Bardo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena, na qual Gama discute com o filho – o adolescente Lorenzo (Íker Sánchez Solano) –, questões sobre o colonialismo e a relação Estados Unidos — México surgem de forma visceral. Durante o embate entre os dois, o filho defende os ianques e elenca todas as “virtudes tecnológicas” de um país regido pelo dinheiro, ainda que o pai tente jogar luz na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2022/10/alejandro-gonzalez-inarritu-cada-pais-e-formado-por-varias-narrativas.ghtml">memória histórica do país</a></span><span style="font-weight: 400;"> latino-americano, argumentando acerca das tradições mexicanas. O curioso é, para além do debate, perceber como esse diálogo foi construído no roteiro: Lorenzo começa, lentamente, a inserir palavras em inglês durante o confronto, enquanto Silverio permanece falando o espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim da discussão, Lorenzo está falando totalmente em inglês, sinalizando para a colonização do próprio garoto na conversa. Como consequência, o pai grita: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fale espanhol, estamos no México</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Segundos depois, o próprio Silverio está redigindo um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_56dnQF4NNI&amp;t=92s&amp;ab_channel=Oscars">discurso do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> que irá receber nos Estados Unidos – o inimigo que, agora, lhe concede reconhecimento. Parte da crise existencial dele surge daí, no que também parece uma autocrítica do próprio Alejandro G. Iñárritu: depois de uma história marcada por questões nacionalistas, elencando elementos de seu próprio crescimento e país de origem nas concepções artísticas, o reconhecimento se consolida, somente, após passar pelo crivo da Academia norte-americana – e, pior: depois de aceitar tudo isso. Como Silverio diz em uma das cenas, &#8220;</span><span style="font-weight: 400;"><i>o sucesso tem sido meu maior fracasso&#8221;</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29206" aria-describedby="caption-attachment-29206" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29206" class="wp-caption-text">Iñárritu demorou 5 anos para finalizar Bardo; o filme ainda traz as atrizes Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid no elenco (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do México no </span><span style="font-weight: 400;"><em>Oscar</em></span><span style="font-weight: 400;"> 2023, o filme tem um enredo que parece uma mensagem do próprio diretor a ele mesmo, uma autocrítica expandida com um personagem que em muito poderia ser um alter ego. Além de ter consciência do baixo envolvimento que o grande público deve ter com a obra, o diretor também disse em entrevista que incluiu “</span><span style="font-weight: 400;"><i>alguns pensamentos que eu tenho comigo mesmo</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Ele sabe que o </span><span style="font-weight: 400;"><i>establishment</i></span><span style="font-weight: 400;"> estadunidense passou a enxergá-lo como uma fraude, um indivíduo pretensioso que ninguém entende como entrou para a História com dois </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;">’s seguidos (algo que não acontecia na categoria desde 1950). Talvez por isso o roteiro avance para o caricatural em diversos momentos, ao mesmo tempo em que dá piscadelas de que tudo não passa de um grande sonho </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q29iibXXiOs&amp;ab_channel=Radiohead-Topic">no limbo</a></span><span style="font-weight: 400;"> da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, e talvez de forma cíclica, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa em que Iñárritu retorna ao cenário mexicano, depois de sua elogiada estreia com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/amores-brutos-alejandro-g-inarritu-critica/">Amores Brutos</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2000). De qualquer forma, trata-se de uma produção cinematográfica que é, em muitos aspectos, psicodélica, e por isso soa desigual. O que em algumas produções seria o seu maior feito, aqui fica confuso, e a ausência de distinção entre memória, verdade, mentira, realidade e ficção coloca tudo numa “cama de gato”. Existem trechos que apelam para o drama e outros para o surrealismo, cuja ligação não é forte o suficiente para sustentar essas mudanças bruscas. Mesmo que autorizadas pelo subconsciente de Silverio Gama, as variações só acenam para o enlouquecedor, e o final, propriamente, não parece finalizar nada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BARDO, False Chronicle of a Handful of Truths | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lCQimQfDuTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A morte é corporativa em Plano 75</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 21:19:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/plano-75-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A morte é corporativa em Plano 75"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29118" aria-describedby="caption-attachment-29118" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29118" class="wp-caption-text">Com uma menção especial do prêmio Camera d&#8217;Or na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, Plano 75 integrou a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Japão não muito distante, na tentativa de lidar com o envelhecimento da sociedade e aliviar o sufocamento econômico promovido pela política neoliberal, é criado um programa que encoraja cidadãos idosos a serem voluntários de eutanásia. A política em torno do projeto é simples: encurtar institucionalmente a vida dessas pessoas, oferecendo uma recompensa de 100 mil ienes pelo sacrifício, que podem ser gastos livremente com o objetivo de fornecer o necessário para um “último desejo”. Esse é o enredo de </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/plan-75-review-1235403356/"><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<em>Plan 75</em>), a distopia necropolítica dirigida e roteirizada por </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/artist/chie-hayakawa-4"><span style="font-weight: 400;">Chie Hayakawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29117"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do Japão na corrida pelo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,oscar-2023-filme-marte-um-vai-representar-o-brasil-na-categoria-melhor-longa-internacional,70004142320"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme tem poucos diálogos e longos silêncios, nos quais se revela de forma pungente a maneira a qual os mais velhos têm sido esquecidos em governos neoliberais e suas políticas “jovens”. Em uma das cenas, Michi (Chieko Baisho), uma idosa demitida de seu emprego como camareira de hotel, questiona, ao utilizar um computador compartilhado, o porquê ele não está funcionando. Ao chegar para “ajudá-la”, a funcionária mais jovem, com apenas alguns cliques, diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo funcionando normalmente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e dá as costas. Sem explicações, Michi pergunta-se: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que estava errado</span></i><span style="font-weight: 400;">?”. Nessa cena, Hayakawa sintetiza toda a força por trás da história: vistos como párias e pesos nessa sociedade distópica – que, como toda distopia, guarda muitas similaridades com a realidade –, não há tempo ou interesse para explicar qualquer mudança social. O ritmo é, simplesmente, outro.</span></p>
<figure id="attachment_29119" aria-describedby="caption-attachment-29119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29119" class="wp-caption-text">Produzido no Japão, França, Filipinas e Catar, o longa também foi exibido nos festivais de Toronto e Karlovy Vary (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com respostas sempre hostis aos seus pedidos de ajuda, a personagem entrega-se totalmente à solidão. Sem conseguir encontrar outro emprego, a idosa é seduzida pelo Plano 75, o projeto governamental que recebe pessoas a partir de 75 anos para o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/09/13/jean-luc-godard-recorreu-ao-suicidio-assistido-diz-jornal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">suícidio assistido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o “sucesso” do programa, em pouco tempo idosos de 65 anos também começam a ser aceitos. O roteiro permite entender que, uma vez instaurada, a política de mortes é cada vez mais abrangente, visando conquistar toda a sociedade mais pobre, independentemente da idade. O que se torna evidente na trama de Michi é que ela precisa, na verdade, de companhia e amizade, mas o governo oferece ainda mais isolamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão cortante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i> <span style="font-weight: 400;">concentra-se nas necropolíticas </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">neoliberais</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a morte e a vida tornam-se, elas próprias, objetos de mercadoria e privatização. Com inscrições apenas presencialmente e via telefone, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana – já que os idosos encontram dificuldades em inscrições pelo computador –, o projeto revela uma cultura mobilizada em empurrar corporativamente a morte aos indivíduos mais pobres, visto que esse esforço para atender suas solicitações de encerramento da vida não chega nem perto das integrações tecnológicas promovidas pelo Estado.</span></p>
<figure id="attachment_29120" aria-describedby="caption-attachment-29120" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg" alt="" width="990" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Chie-Hayakawa-2-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29120" class="wp-caption-text">Plano 75 é o primeiro longa-metragem da japonesa Chie Hayakawa (Foto: Julie Sebadelha/AFP)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa necropolítica também foi explorada recentemente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/tokyo-vice-segunda-temporada-hbo-max"><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022), série do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Max </span></i><span style="font-weight: 400;">baseada no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535918472/toquio-proibida"><i><span style="font-weight: 400;">Tóquio Proibida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), do jornalista investigativo Jake Adelstein. O que parece ser uma diferença nas duas obras na verdade aponta para uma realidade incômoda entre elas. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Tokyo Vice</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata da investigação acerca dos suicídios de idosos nas ruas da capital do Japão, e a ligação dessas mortes com a Yakuza (a fim de proteger a família, os idosos se matam para pagar, com o seguro de vida, as dívidas que a máfia construiu com os juros, descobrindo-se posteriormente que, pelo valor pago, o seguro de vida desses idosos sempre foi o foco dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsters</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta para as políticas públicas que têm o mesmo objetivo da máfia japonesa: exterminar os idosos, cujo movimento compartilha de forma similar obter os mesmos fins econômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso grande parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> consiste na representação da frieza dos sistemas corporativistas. Chie Hayakawa evita o sentimentalismo no roteiro, e reflete as personagens como simples </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">corpos em dominação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há outras duas histórias paralelas às de Michi: a de Hiromi (Hayato Isomura), um funcionário do programa que oficializa os contratos com os idosos e se vê atingido pessoalmente quando seu tio inscreve-se no Plano 75 – alimentando sua autoconsciência de que o abandonou quando chegou à vida adulta –, e Maria (Stefanie Arianne), uma imigrante filipina que trabalha efetivamente no necrotério dos idosos.</span></p>
<figure id="attachment_29121" aria-describedby="caption-attachment-29121" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/plan71-54-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29121" class="wp-caption-text">Embora Plano 75 pareça ser sobre o envelhecimento, na verdade alerta para a importância da comunidade (Foto: Loaded Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é a relação entre Michi e Yoko (Yuumi Kawai), uma das telefonistas de atendimento ao programa, que estabelece a possível moral do longa de 105 minutos. Preservando um diálogo constante com Yoko, visto que as telefonistas mantém o contato frequente com os interessados até a consolidação das mortes, Michi – sem filhos ou parentes, e que encontra sua única amiga, também idosa, morta na cozinha de casa – sugere que as duas se conheçam pessoalmente. Ela é informada que clientes e funcionários não têm permissão para isso, na tentativa de evitar que se </span><a href="https://personaunesp.com.br/madeira-e-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">apeguem emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou, pior, que os idosos mudem de ideia sobre a eutanásia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da resistência, próximo ao fim do filme, Yoko, que sempre foi uma ouvinte disposta a realmente escutar as infinitas histórias de Michi, se encontra com ela. Michi entrega todo o dinheiro que recebeu, e diz que esse foi seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">último desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os encontros hiper controlados e cronometrados entre a idosa e a representante normalmente impassível do Estado e da própria morte – que, sob o contexto do filme, são a mesma coisa – dão lugar a uma felicidade genuína, embora pouco duradoura. Alertando para a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/triangle-of-sadness-de-ruben-ostlund-vence-a-palma-de-ouro-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">importância da comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mais do que para as políticas de extermínio dos governos –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano 75</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que, a despeito de Michi desistir da eutanásia ou não, sempre será tarde demais para ela; todas as coisas não ditas entre gerações, agora, foram institucionalizadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="‘Plan 75’: first trailer for Japanese Cannes Un Certain Regard title" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/12tjqwfuzDg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O réquiem de Castlevania</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 16:43:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda É bem possível que estejamos entrando em um período de ouro para as adaptações de videogames na Televisão: embora o Cinema ainda sofra para traduzir narrativas interativas para filmes de duas horas, vemos cada vez mais exemplos de como estruturas serializadas são capazes de realizar essa transição incólumes. Arcane, da Netflix, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/castlevania-4a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O réquiem de Castlevania"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27930" aria-describedby="caption-attachment-27930" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Castlevania. Isaac Adetokumboh M’Cormack) luta com Carmilla (Jaime Murray) em um salão coberto de sangue, enquanto são observados por Criaturas da Noite. Isaac, vindo pela esquerda, é um homem negro, magro e careca, usando robes azuis claros e uma calça azul escura. Carmilla, vindo pela direita, é uma mulher branca e magra, de cabelos longos e brancos e pele pálida, usando um vestido vermelho e saltos dourados. Ela ataca Isaac com uma espada longa e vermelha, que vai de encontro a uma adaga segurada por Isaac com as duas mãos, que também brilha vermelha. Atrás de Isaac, uma Criatura da Noite humanóide o ajuda a segurar a força do impacto. A Criatura possui asas demoníacas e pele branca e pálida, exceto nas pernas e nas asas, que são negras. Em sua cabeça, há chifres curvilíneos que vão para trás, onde sua pele tem um tom rubro e carnoso. Outras criaturas assistem a luta, de costas para grandes janelas que se erguem do chão ao teto e deixam entrever o céu noturno e chuvoso." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27930" class="wp-caption-text">Entre sangue, monstros, vampiros e controvérsias, Castlevania se despede com ferocidade (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem possível que estejamos entrando em um período de ouro para as adaptações de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> na Televisão: embora o Cinema ainda sofra para traduzir narrativas interativas para filmes de duas horas, vemos cada vez mais exemplos de como estruturas serializadas são capazes de realizar essa transição incólumes. </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu transformar a poderosa mitologia de </span><i><span style="font-weight: 400;">League of Legends</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das melhores séries do ano, construindo uma trama emocionante sobre desigualdade e opressão em cima de um jogo de estratégia competitivo, enquanto a versão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://br.bolavip.com/entretenimento/The-Last-of-Us-serie-da-HBO-ganha-primeira-imagem-oficial-com-Pedro-Pascal-e-Bella-Ramsey-20220609-0149.html"><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> promete estar na </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/last-us-series-works-at-hbo-chernobyl-creator-1282707/"><span style="font-weight: 400;">vanguarda da temporada de premiações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, ainda em 2021 tivemos um novo e último capítulo para a série que provavelmente deu início à essa moda. Na quarta temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">, diversos arcos são concluídos e a busca de seus protagonistas para acabar com o mal de uma vez por todas chega ao seu final climático. A adaptação da icônica </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-anos-primeiro-castlevania-transposicao-terror-classico-muita-dificuldade/"><span style="font-weight: 400;">franquia de jogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Konami que empresta parte do nome ao gênero </span><a href="https://www.gameblast.com.br/2015/04/metroidvania-historia-de-um-genero.html"><i><span style="font-weight: 400;">metroidvania</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi desenvolvida pelo estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">Powerhouse</span></i><span style="font-weight: 400;">, que desde então vem provando sua excelência no meio com projetos como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sangue de Zeus </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mestres do Universo: Salvando Eternia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após uma humilde </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-castlevania-netflix/"><span style="font-weight: 400;">primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> com apenas quatro episódios, a trama do seriado rapidamente se expandiu para uma verdadeira saga de poder e mitologia vampírica.</span></p>
<p><span id="more-27929"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora nem sempre tenha seguido a linha dos jogos que a inspiraram e seu próprio criador, o roteirista Warren Ellis, ter admitido </span><a href="https://squared-potato.pt/castlevania-warren-ellis-afirma-nunca-ter-jogado-nenhum-jogo-da-franquia/"><span style="font-weight: 400;">nunca nem tê-los jogado</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série jamais deixou de homenagear seu material original, de pequenas e grandes maneiras, que evidenciam o amor de sua equipe pela obra. Ainda é muito cedo para decidir como é a melhor maneira de adaptar </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> (um meio obrigatoriamente interativo) para o formato audiovisual, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">faz um ótimo argumento para o modelo episódico, tomando liberdades narrativas e visuais, usando as bases de sua estrutura como ponto de partida para contar histórias inteiramente novas.</span></p>
<figure id="attachment_27931" aria-describedby="caption-attachment-27931" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2.png" alt="Cena da segunda temporada de Castlevania. Visão de baixo do castelo de Drácula, composto por torres e pontes finas, de aspecto industrial e gótico. A lua está cheia no céu, e uma dessas torres bloqueia nossa visão dela, presa à estrutura principal por uma passarela ascendente." width="1197" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2.png 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-800x456.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-1024x583.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-2-768x438.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27931" class="wp-caption-text">O castelo semi titular da série é cheio de segredos e intrigas para satisfazer a sede de sangue de seus habitantes (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o </span><i><span style="font-weight: 400;">set-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> perfeito ao final da primeira temporada, o segundo ano logo parte para águas desconhecidas ao apresentar a corte de Drácula (Graham McTavish), composta não só por grandes e temíveis vampiros-generais sedentos pelo sangue da vingança do Conde, mas também por dois humanos, Isaac (Adetokumboh M’Cormack) e Hector (Theo James), que têm suas próprias razões para auxiliarem o projeto de extinção da humanidade. Juntando isso à chegada de Carmilla (Jaime Murray), a misteriosa vampira da Estíria com seus próprios planos para a raça humana, e o núcleo político de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">logo se torna um dos mais engajantes da série, repleto de maquinações e reviravoltas que revelam suas personagens e provém um </span><i><span style="font-weight: 400;">insight</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais profundo sobre seu antagonista principal e suas reais motivações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ano do seriado revolve ao longo de dois eixos que se atraem para um único confronto e, embora o núcleo da corte de Drácula seja o que oferece maior dinamicidade, é na companhia de Trevor (Richard Armitage), Sypha (Alejandra Reynoso) e Alucard (James Callis) que a produção encontra seu verdadeiro coração melancólico. Inicialmente unidos apenas pela necessidade de matar Drácula antes que ele complete sua terrível missão, o trio ganha familiaridade conforme as pilhas de corpos de demônios se acumulam ao seu redor, e essa intimidade se faz mais evidente na maneira coordenada com que lutam nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jwrqNI0Y8Jk"><span style="font-weight: 400;">elaboradas cenas de ação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que em qualquer diálogo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">transforma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MS__posNjK8"><span style="font-weight: 400;">essas cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em expressões visuais macabras dos elos entre seus personagens através da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gi9PfF_h_Mg"><span style="font-weight: 400;">animação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Powerhouse</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, altamente inspirada tanto pela </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/castlevania-faz-referencia-jojos-bizarre-adventure.html"><span style="font-weight: 400;">estética de </span><i><span style="font-weight: 400;">animes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto pelas ilustrações da </span><a href="https://www.desenhoonline.com/site/ayami-kojima-a-ilustradora-que-inovou-o-design-do-game-castlevania/"><span style="font-weight: 400;">artista Ayami Kojima</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão inerentes aos jogos da série quanto suas próprias mecânicas. A série sempre teve uma inclinação para exagerar o efeito para acentuar suas causas, algo que até mesmo explica o porque vemos tão pouco de alegria na vida das personagens antes que elas sejam tiradas de lá; porque precisamos apenas da reação de Drácula à morte de Lisa (Emily Swallow) na primeira temporada para entender a dimensão de seu amor e, consequentemente, de sua perda.</span></p>
<figure id="attachment_27932" aria-describedby="caption-attachment-27932" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Castlevania. Drácula (Graham McTavish) segura a ponta de uma espada apontada para si com os dedos. Drácula é um homem branco e magro, de estatura enorme e cabelos negros e longos, com bigode e cavanhaque. Seus olhos são vermelhos e brilhantes e ele usa uma capa preta com interior vermelho por cima de roupas pretas com detalhes em vermelho e cinza. Suas orelhas são pontudas e sua expressão é impassível. Atrás dele, uma parede de pedras cinzentas é iluminada por uma luz alaranjada que parte do canto direito. Drácula está posicionado à direita e a espada vem da esquerda para a direita." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27932" class="wp-caption-text">Como todo boss final, Drácula não precisa de muito esforço para ridicularizar nossos protagonistas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/uncharted_2022"><span style="font-weight: 400;">tantas outras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de jogos tropeçam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">se sobressai: ao invés de tentar condensar horas de jogabilidade em algumas poucas cenas de exposição, a animação tenta ao máximo expressar a liberdade inerente a um meio interativo por meio da causalidade das ações de suas personagens, se interessando mais em diálogos que construam o aqui e o agora do que o passado imediato. Nas poucas ocasiões que somos submetidos a um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma qualidade quase teatral no texto de fazer evidente sua tragédia antes mesmo que nós tenhamos tempo para processá-la por completo, culminando no final agridoce da temporada, em que, para mal ou para bem, o trio completa sua missão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qMNnU4CwmUc"><span style="font-weight: 400;">conflito de pai e filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Drácula e Alucard amarra esse fim com os laços estabelecidos entre as personagens até então, além de suprir o potencial mítico da história, que faz questão de terminar não com glória, mas com um grito de terror e sofrimento. A beleza da animação contrasta com a brutalidade dos golpes dados e recebidos por cada um dos vampiros, ao ponto que é difícil dizer quem está vencendo ou perdendo. Em uma temporada marcada pela promessa de dar fim ao mal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o bom senso de terminar em um silêncio antecipatório, já que muitas das peças continuam no tabuleiro e o jogo não parece nem um pouco perto de acabar.</span></p>
<p><figure id="attachment_27933" aria-describedby="caption-attachment-27933" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Saint Germain (Bill Nighy) está dentro do Corredor Infinito, uma estrutura tubular e caleidoscópica, composta por cores azuis e rosas circulando ao seu redor. Saint Germain é apenas um vulto no seu centro, com uma capa flutuando atrás de si e jogando sua sombra no chão multicores do Corredor. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27933" class="wp-caption-text">A introdução de Saint Germain (Bill Nighy) e sua busca pelo Corredor Infinito é um dos pontos altos do terceiro ano da produção [Foto: Netflix]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Nesse embalo, tanto a Valáquia quanto a terceira temporada precisam arcar com o </span><a href="https://multiversomais.com/series/castlevania-3-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">vácuo de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixado pelo vampirão, o que não é um trabalho nem um pouco fácil, já que não parece haver falta de loucos tentando trazê-lo de volta a vida por meio de rituais pagãos e misteriosas influências celestiais. Separados de Alucard, Sypha e Trevor começam a explorar seu </span><a href="https://br.ign.com/castlevania-1/94343/news/castlevania-cosplays-de-trevor-e-sypha-sao-a-uniao-em-meio-a-guerra"><span style="font-weight: 400;">jovem romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo que viajam pelas estradas do país matando as Criaturas da Noite remanescentes do exército de Drácula e caindo no meio da intriga entre os monges de um secto radical e o Juiz (Jason Isaacs) do pacato vilarejo de Lindenfeld. Lá, a série tenta injetar alguma nuance na passagem entre o secular e o místico, mas logo volta a concluir aquilo que já sabemos desde o início: o mal é capaz de tomar muitas formas</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alucard, enquanto isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ECnTBg3TABo"><span style="font-weight: 400;">lida com a solidão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu novo endereço, preso entre a imponência terrível do castelo de Drácula e os mistérios enterrados do porão dos Belmont, numa metáfora pouco sutil de sua condição de meio-vampiro, mas que faz um bom trabalho em refletir sua existência partida e tortuosa. O filho do Conde aceita o pedido inusitado de dois estrangeiros para ensiná-los a enfrentar os vampiros que oprimem suas terras e, na busca por se separar da figura maníaca do pai, acaba redescobrindo seus próprios sentimentos sobre a humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a estrela da terceira temporada não é ninguém menos do que </span><a href="https://www.themarysue.com/netflix-castlevania-carmilla-girl-boss-ending/"><span style="font-weight: 400;">Carmilla</span></a><span style="font-weight: 400;">. A rainha da Estíria e seu pequeno Conselho das Irmãs formam o cerne do núcleo político deste capítulo, que se dedica a caracterizar o seu plano ambicioso para assegurar o futuro de sua raça. Muito longe da insanidade do antagonista anterior, Carmilla e suas companheiras têm planos mais elaborados, mas não menos cruéis, baseados em motivações tão compreensíveis quanto as dele. O relacionamento entre Lenore (Jessica Brown Findlay) e Hector é um dos pontos chave da sequência de maquinações que compõem o clímax tríplice da temporada.</span></p>
<figure id="attachment_27934" aria-describedby="caption-attachment-27934" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Lenore (Jessica Brown Findlay) segura uma coleira presa ao pescoço de Hector (Theo James), puxando-o para perto de si com a mão direita, enquanto a esquerda vai para trás de seus cabelos. Lenore é uma mulher caucasiana, magra e pálida, de cabelos ruivos e longos, usando uma capa de pelos brancos por cima de uma roupa azul escura. Hector é um homem caucasiano e magro, de cabelos cinzentos que vão até a altura do ombro, vestido com trapos cinzas, olhando para a mão esquerda de Lenore que passa por baixo de seu cabelo. Barras de ferro enquadram os dois lados da cabeça de Hector, que é puxada para a direita por conta da coleira de couro em seu pescoço." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27934" class="wp-caption-text">Vem meu cachorrinho, a sua dona tá chamando (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em julho de 2020, mais de um ano antes do lançamento da quarta e última temporada da série, um coletivo de mais de 60 mulheres e indivíduos não-binários denominado </span><a href="https://www.somanyofus.com"><i><span style="font-weight: 400;">So Many of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou uma carta aberta acusando o criador Warren Ellis de comportamentos inapropriados, manipulativos e predatórios durante sua carreira, se utilizando de sua influência como escritor para pressioná-las em relacionamentos. À época, ele já havia terminado seu trabalho nos roteiros da quarta temporada, mas a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> eventualmente confirmou que ele não faria parte da </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/sequencia-de-castlevania-e-confirmada-pela-netflix,b65d727e9c216d7a24bbd47f95701f25a3oibkif.html#:~:text=O%20projeto%20est%C3%A1%20em%20desenvolvimento%20e%20ter%C3%A1%20Ritcher%20Belmont%20como%20protagonista&amp;text=A%20Netflix%20anunciou%20nesta%20sexta,protagozinada%20pelo%20personagem%20Richter%20Belmont."><span style="font-weight: 400;">sequência planejada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do roteirista ter </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/warren-ellis-responde-acusacoes-assedio.html"><span style="font-weight: 400;">pedido desculpas</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicamente (tentando convenientemente negar sua própria influência como autor </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">), ele apenas entrou em contato com o coletivo em </span><a href="https://www.somanyofus.com/updates#january-31-2022"><span style="font-weight: 400;">agosto de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> para iniciar o processo de reparação. Após o choque inicial das alegações e suas repercussões na carreira profissional de Ellis, os irmãos Sam e Adam Deats viraram </span><a href="https://butwhythopodcast.com/2021/05/04/interview-the-castlevania-journey-with-sam-and-adam-deats/"><span style="font-weight: 400;">a nova face pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">. Responsáveis, entre outros aspectos, pela direção e produção dos episódios, eles foram a escolha perfeita para ocupar o lugar do roteirista na promoção da quarta temporada, dado </span><a href="https://www.cbr.com/castlevania-directors-sam-adam-deats-interview/"><span style="font-weight: 400;">seu amor pela franquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vezes elogiada por sua caracterização e variedade de personagens femininas bem como a apreciação do </span><a href="https://www.hypable.com/castlevania-review/"><i><span style="font-weight: 400;">female gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aspectos desenvolvidos em muitas áreas de sua produção, a série não é apenas definida por seu roteirista. Ao mesmo tempo, não podemos (ou sequer devemos) separar o artista de sua obra, por mais difícil que seja aceitar a influência que Ellis teve na concepção de seu mundo e de suas personagens. Se tem uma constante em </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a angústia de viver em um mundo traiçoeiro que se volta contra você, de repente e sem aviso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Castlevania Season 4 | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/L7iWXfZzEMc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse clima agridoce, a quarta temporada </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/castlevania/s04"><span style="font-weight: 400;">estreou em março de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mais 10 episódios de violência sangrenta e melancolia gótica, encontrando tantos os heróis quanto os vilões em estado de crise: Trevor e Sypha mal conseguem conter as tentativas de ressuscitar Drácula, ignorantes dos planos cada vez mais impossíveis de Carmilla, auxiliada a contragosto por Hector. Alucard, mais sozinho do que nunca, tenta manter as pessoas longe do castelo enquanto atende um pedido de ajuda urgente. Todos estão exaustos e toda vitória parece apenas atrasar o inevitável num mundo regressando cada vez mais e sem sinal de que vai parar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a linha das temporadas anteriores, a maior força do final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo sua habilidade de tecer tramas e personagens complexas ao redor de umas das outras, trançando seus arcos narrativos para cruzarem no ponto de maior impacto, quando a audiência está preparada e ansiando para o espetáculo de animação que se seguirá. No entanto, nos últimos capítulos do seriado essa insistência em segurar o melhor para o final se prova detrimental para a conclusão de alguns de seus arcos secundários, que chegam ao fim </span><a href="https://www.cbr.com/netflix-castlevania-anime-lenore-death-pointless/"><span style="font-weight: 400;">sem a pompa adequada</span></a><span style="font-weight: 400;"> à qualidade de seus personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora regularmente introduza visuais cativantes e mais alguns personagens marcantes, como a valente humana Greta (Marsha Thomason) e o hilário vampiro londrino Varney (Malcolm McDowell), que complementam as narrativas já estabelecidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i><span style="font-weight: 400;"> foca em retornar às suas origens e ao cerne dos defeitos de seu mundo catastrófico, fechando seu ciclo com familiaridade, apesar de ainda guardar algumas surpresas e revelações em sua reta final. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9VPLigEMObI"><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania: Nocturne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, revelada durante a </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/netflix-divulga-programacao-da-semana-geeked-2022-veja-onde-assistir-217375/"><i><span style="font-weight: 400;">Semana Geeked 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, promete explorar algumas dessas ramificações, agora focando em futuras gerações de vampiros e caçadores de monstros.</span></p>
<figure id="attachment_27935" aria-describedby="caption-attachment-27935" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6.jpg" alt="Cena da quarta temporada de Castlevania. Trevor (Richard Armitage), Alucard (James Callis) e Sypha (Alejandra Reynoso) atacam em formação, da esquerda para a direita. Trevor, mais próximo da câmera, é um homem caucasiano e magro, de cabelos pretos e longos, com uma barba rala e expressão decidida. Ele usa uma camisa branca com gola levantada e podemos ver os detalhes dourados de seu colete preto em seu ombro direito. Alucard, entre Trevor e Sypha, é um homem caucasiano e magro, de cabelos longos e louros e pele pálida, que usa uma capa preta com fundo branco, com a gola baixa. Podemos ver seu peito por baixo da capa, cortado diagonalmente por uma cicatriz que vem do topo direito para baixo. Sypha, mais distante da câmera, é uma mulher caucasiana e magra, de cabelos ruivos e curtos, usando uma túnica azul clara por cima de roupas pretas. Ela estende o braço esquerdo para frente, com o cotovelo dobrado para si. Algumas fagulhas brilham na frente das personagens, que são iluminadas por uma luz alaranjada." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27935" class="wp-caption-text">Amigos que matam demônios juntos, permanecem juntos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">inevitavelmente girar em torno de Drácula e das batalhas e maquinações que irão decidir o futuro de vampiros e humanos, seu melhor personagem se desenvolve muito longe de tudo isso. Isaac, que ao final da segunda temporada havia jurado prosseguir (e até mesmo expandir) a vingança do Conde, parte em uma jornada que, espelhando aquela que Lisa imaginava para seu marido no início da série, irá fundamentalmente mudá-lo. Motivado por seu sofrimento, é difícil para Isaac ver algum futuro para a humanidade que não seja a destruição, e com razão: o personagem nunca deixa de ser moralmente complexo e os grandes acontecimentos que mudam sua perspectiva são sempre diálogos com pessoas tão complexas quanto ele &#8211; e, quase sempre, </span><a href="https://www.themarysue.com/isaac-castlevania-humanity-race/"><span style="font-weight: 400;">pessoas negras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elas mostram a ele que, apesar do mal, ainda há espaço para gentileza e bondade na raça humana, e que não há sentido em querer seguir uma história que não seja a sua. Ao final da terceira temporada, Isaac segue um desses conselhos e confronta um feiticeiro que havia escravizado mentalmente toda a população local para construir uma cidade, usando uma magia que curiosamente toma a forma de uma coroa de espinhos. Enfrentando-o com seu próprio exército de Criaturas da Noite, Isaac é capaz de resistir e quebrar o feitiço, ganhando acesso a um espelho capaz de levá-lo à Estíria e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSOT6jDc8CE"><span style="font-weight: 400;">se vingar da traição de Carmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Hector.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E no que é talvez a jogada mais acirrada do roteiro até então, ele não o faz. Ao invés disso, seu motivo para eliminar Carmilla não é tão diferente do de nossos heróis para matar Drácula. Mais da metade de sua participação na série se dedica a revelar uma condição humana ainda mais profunda que a dor ou a crueldade: a esperança. Quando Hector acha que Isaac está lá para matá-lo, ele facilmente rebate que </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vingança é algo para crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4ZYrODrBsm4"><span style="font-weight: 400;">última cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes da conclusão climática da série, ele nos presenteia com um sorriso sincero e a promessa de que, aconteça o que acontecer, ele irá viver.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Recentemente, comecei a pensar no futuro… o que, para mim, é uma novidade, porque nunca pensei que eu teria um. É assim que nos pegam, Hector. Eles nos convencem de que não há futuro. Só existe um eterno agora, e o melhor que podemos fazer é sobreviver até o amanhecer e fazer tudo de novo. Isso não é jeito de viver. E descobri, com alguma surpresa… que estou interessado em viver.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_27936" aria-describedby="caption-attachment-27936" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7.jpg" alt="Cena da terceira temporada de Castlevania. Isaac (Adetokumboh M’Cormack) está usando uma adaga para quebrar uma coroa de espinhos verde e brilhante em cima de sua cabeça. Isaac é um homem negro, magro e careca, com tatuagens de pontos na metade esquerda de seu rosto ao longo de seu olho e em seu peito. Ele usa uma camisa preta com braçadeiras pretas e podemos ver um cinto vermelho em sua cintura. Atrás dele, vemos o que parece ser uma estante de livros trancada, com janelas grandes ao seu lado. Ele fecha os olhos enquanto estica a coroa com sua adaga, segurada com as duas mãos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/castlevania-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27936" class="wp-caption-text">O arco de Isaac é um exemplo de como desenvolver personagens complexos a partir de ideias simples (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa sobre um mundo violento e cruel, infestado por monstros e abominações de todos os tipos e espécies. Em seu início, achamos que esse mal pode ser eliminado, que podemos combatê-lo e extirpá-lo da terra de uma vez por todas se apenas derrotarmos o próximo chefe, se passarmos para a próxima fase e chegarmos ao final do jogo. Em seus momentos mais derradeiros, a série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pJ09LkQQrZE"><span style="font-weight: 400;">abraça a estrutura típica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se delicia em entregar algumas das sequências mais sangrentas da animação recente. Mas, quando a poeira baixa, apenas isso não é suficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, temos que fazer as pazes com um mundo complexo e volátil se quisermos salvá-lo. O mal se recusa a ficar morto, e algumas pessoas continuamente tem que enterrá-lo, de novo e de novo. As personagens são consumidas por essa repetição maníaca, pelo menos inicialmente, mas logo tem que perceber que também há, de certa forma, paz nela. Em seus últimos momentos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania </span></i><span style="font-weight: 400;">se presta a não se contentar com as soluções simples e deixa as ações de seus heróis e vilões falarem por si só, sem nunca esquecer de nos deixar sentir </span><a href="https://www.gameblast.com.br/2017/07/serie-castlevania-netflix-dracula.html"><span style="font-weight: 400;">empatia por ambos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2022 18:33:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ma Ferreira Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura pop e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, atualmente, uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chucky-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27482" aria-describedby="caption-attachment-27482" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série Chucky. Na imagem há um garoto, Jake, vestido com uma moletom em tom de preto manchado com branco, vestindo uma jaqueta de moletom acinzentada por cima. Em suas costas ele carrega uma mochila preta e atrás dele há a imagem de um corredor desfocado com um garoto branco, loiro, vestindo azul ao seu canto direito. Jake tem uma expressão triste. Ele é um adolescente branco, de cabelos encaracolados e médios. Ele carrega consigo um boneco de cabelos ruivos, olhos azuis, que veste uma blusa listrada em tons de vermelho e azul e veste um macacão jeans, o brinquedo Chucky." width="800" height="453" /><figcaption id="caption-attachment-27482" class="wp-caption-text">O boneco que foi o pesadelo de uma geração volta em sua melhor versão na série presente no catálogo do Syfy (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><b>Ma Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">atualmente, uma série</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já está renovada e sua segunda temporada sai este ano. A história original de Don Mancini foi ressuscitada e aprofundada no seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;">, voltando às origens do assassino </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161081/"><span style="font-weight: 400;">Charles Lee Ray</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando sua trajetória até o que se tornou e seus atuais planos.</span></p>
<p><span id="more-27481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa começa quando Jake Webber (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KKJc-dy5q7U"><span style="font-weight: 400;">Zackary Arthur</span></a><span style="font-weight: 400;">) compra um boneco da linha </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Guys</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma venda de garagem. A partir de então, acompanhamos a vida do garoto, que está imerso em problemas, como diferenças com seu pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, homofobia e a dificuldade em fazer amigos. </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Series-e-filmes/noticia/2021/10/serie-do-brinquedo-assassino-quer-que-gente-torca-para-chucky-pelo-menos-e-o-que-parece.html"><span style="font-weight: 400;">O cenário se torna ótimo para que Chucky</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revele a Jake e tente fazer do adolescente um psicopata, convencendo o mesmo a eliminar de sua vida todos aqueles que lhe fazem mal. Apesar da grande tentação, o menino mantém sua essência, e é então que o inferno em sua rotina começa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o uso de vários </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Charles traçando seu caminho de crimes desde à infância, com diversos personagens que passaram por sua vida e foram extremamente importantes para a narrativa da franquia, como Andy Barclay (</span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/tudo-cinema/por-onde-anda-o-garoto-que-fez-brinquedo-assassino-em-1988/"><span style="font-weight: 400;">Alex Vicent</span></a><span style="font-weight: 400;">), grande inimigo e seu eterno antagonista, e Tiffany Valentine (</span><a href="https://cinepop.com.br/chucky-jennifer-tilly-revela-que-sua-personagem-tera-grande-importancia-na-serie-319418/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Tilly</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu imortal par romântico. Não é necessário </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">ver os filmes para conseguir entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao ter em mente os acontecimentos anteriores a aparição de alguns componentes e caminhos que escolhem, auxilia a trama a fazer mais sentido. Entretanto, cabe notar que o filme </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/11/chucky-serie-enfim-explica-ausencia-de-personagem-em-filmes#:~:text=Chucky%2C%20o%20Brinquedo%20Assassino%2C%20ganhou,essa%20nova%20s%C3%A9rie%20de%20TV."><i><span style="font-weight: 400;">Brinquedo Assassino</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">de 2019</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é considerado canônico neste cenário.</span></p>
<figure id="attachment_27483" aria-describedby="caption-attachment-27483" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta à direita o boneco Chucky sentado com um controle de videogame nas mãos e ao seu lado também segurando um controle uma garotinha, a personagem Caroline. Eles estão sentados no chão feito de um carpete estampado. Ao fundo há uma escadaria. Caroline está vestida com uma roupa de urso e tênis escuro e Chucky com um macacão jeans e blusa com listras em tons de azul e vermelho. Ao fundo de ambos se encontram duas poltronas grandes, o ambiente está escuro, sendo iluminado por luzes laterais e uma luz amarela e vermelha que iluminam o fundo onde se inicia a escadaria." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27483" class="wp-caption-text">Chucky pretende cativar as novas gerações com seu jeito cômico e reviver o sucesso dos slashers (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/pai-de-chucky-don-mancini-transforma-sua-cria-em-arma-contra-homofobia/"><span style="font-weight: 400;">Don Mancini</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador da saga original, conseguiu realizar nesta série o que não lhe foi permitido seguir nos filmes: a visão cômica e ao mesmo tempo profunda sobre a vida de Chucky. Mesmo não participando de continuações da franquia, o roteirista se apropriou dos escritos anteriores para dar vida e sentido ao universo de Charles Lee Ray. O seriado, que vai e volta no tempo, nos deixando migalhas sobre os acontecimentos, conta desde os </span><a href="https://nerdizmo.uai.com.br/os-psicopatas-mais-reais-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">assassinatos que Charles cometeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua infância e adolescência, os seus conhecimentos sobre ritual vodu que o permitiram passar a alma para o brinquedo, até os personagens que o ajudaram ou tentaram impedir seus planos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos também </span><a href="https://epipoca.com.br/andy-garotinho-de-brinquedo-assassino-aparece-adulto-em-novo-episodio-de-chucky/"><span style="font-weight: 400;">Andy Barclay</span></a><span style="font-weight: 400;">, que volta como caçador de Chuckys, e é interpretado por Alex Vincent, mesmo ator que deu vida ao personagem no primeiro filme. Os fãs da franquia se empolgaram com a presença de personagens icônicos da saga representados por seus intérpretes originais, além de verem cenas e discussões atuais levantadas de maneira descontraída, com </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/mortes-bizarras-chuck/"><span style="font-weight: 400;">mortes no estilo característico do brinquedo assassino</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muitos desfechos que os longas não puderam mostrar sendo revelados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse clima nostálgico, a primeira temporada conseguiu cativar novos admiradores e entregar o melhor que podia aos seus antigos seguidores. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz ótimas discussões, com críticas à hipocrisia da família tradicional americana, presente, por exemplo, na explanação do contexto familiar da personagem Lexy Cross, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tPVXRfvbds4"><span style="font-weight: 400;">Alyvia Alyn Lind</span></a><span style="font-weight: 400;">. De modo a não se levar a sério, ela também brinca e satiriza as problemáticas, mas defende suas pautas como a autoaceitação, a amizade e discussões acerca do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/csi-vegas-marg-helgenberger"><span style="font-weight: 400;">universo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não podemos esperar menos da </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/chucky-segunda-temporada-confirmada"><span style="font-weight: 400;">próxima temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que mortes bizarras, falas escrachadas do boneco e muita confusão. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chucky | Trailer Oficial Legendado | Star+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gKwpHtUVELw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção apresenta pontos socialmente relevantes, como a divergência de Jake e o pai, que não aceita a sexualidade do mesmo, em que ainda há a descoberta do amor que o garoto sente por um amigo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homofobia, as desavenças que o menino passa e a revolta com as ações do boneco são superados pelos laços de amizade e pela união de forças no combate ao mal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de grande relevância </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-10-19/filho-chucky-nao-binario-queer.html"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conseguiu amadurecer a discussão dessas questões, deixando o humor escrachado de alguns momentos para falar sério. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Don Mancini sempre tentou envolver a narrativa com personagens de diversas sexualidades e com diferentes expressões de gênero, sendo assim, apesar de muitos espectadores não terem se atentado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca apresentou um </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">discurso heteronormativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como algumas produções de terror costumam realizar. Ter um protagonista assumidamente gay e que sofre socialmente com isso, além de ser uma crítica à falsa ideia que se tem de que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49405469"><span style="font-weight: 400;">os EUA aceitam a diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, é também uma forma de mostrar por meio dele, e demais personagens que são do </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/sem-mimimi-ou-lacracao-chucky-sempre-teve-personagens-lgbt-voce-que-nao-viu.phtml"><span style="font-weight: 400;">cenário LGBTQIA+ da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">, que essa diversidade existe, deve ser respeitada e apresentada cada vez mais em grandes produções como esta.</span></p>
<figure id="attachment_27484" aria-describedby="caption-attachment-27484" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta dois garotos, ao fundo deles estão árvores e um céu crepuscular, também há uma torre de ferro azul. A direita está o personagem Devon, um jovem negro, vestindo uma calça e blusa preta e um casaco marrom estilo camuflagem. A esquerda está o personagem Jake, um garoto branco, vestindo uma calça jeans clara, uma blusa cinza e um blusa de manga comprida xadrez branca e azul. Cada um deles está em cima de uma bicicleta, ambas escuras e com a lanterna da frente ligada." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27484" class="wp-caption-text">O romance entre o protagonista Jake e o podcaster Devon se desenvolve em meio aos planos de combate ao boneco (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes questões da franquia é a visão de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é sinônimo de mal. Muitas narrativas de horror, terror e fantasia trazem os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVbkqnqNa0s/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">personagens sombrios e bizarros</span></a><span style="font-weight: 400;"> como sendo pertencentes a comunidade LGBTQIA+, reforçando, assim, estereótipos. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz é romper com essa visão, mostrando que ambos os lados apresentam e aceitam a diversidade. É fascinante perceber como o terror se renova sempre, trazendo críticas de maneira sutil, cômica, irreverente e dialogando com aqueles que conseguem </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">enxergar além das manchas de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto alto da série é a mistura do velho humor de Chucky com as discussões atuais e o retorno dos </span><a href="https://epipoca.com.br/mais-uma-personagem-de-brinquedo-assassino-aparece-em-serie-chucky/"><span style="font-weight: 400;">personagens ícones da saga</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém esse também é seu ponto baixo, pois eles poderiam ser melhores explorados na história e não apresentados apenas como um </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice</span></i><span style="font-weight: 400;">. As figuras aparecem mais envoltas na narrativa nos episódios finais e com soluções rápidas que nos deixam querendo saber mais e como eles estão relacionados aos planos de Chucky. Mas resta-nos esperar que nesta segunda temporada eles retornem mais envolvidos aos acontecimentos e apresentando respostas às nossas dúvidas.</span></p>
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