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	<title>Arquivos Mês da Mulher &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 22:36:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nada é copiado, tudo é herdado  Ana Júlia Trevisan “Quero tanta coisa legal, sabe. Que ela ria muito, que ela não fique pesada nunca” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de Grammys Latino. A progenitora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Nada é copiado, tudo é herdado</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<figure id="attachment_27115" aria-describedby="caption-attachment-27115" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-27115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27115" class="wp-caption-text">Durante seus breves 18 anos de carreira, Elis produziu sete álbuns ao vivo e vinte e um em estúdio (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero tanta coisa legal, sabe. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oX1iftyO21s&amp;t=162s&amp;ab_channel=RodrigoSelis"><i><span style="font-weight: 400;">Que ela ria muito</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, que ela não fique pesada nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1461850009578655752"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A progenitora atacada por proteger sua família, a caçula golpeada por uma trupe ignorante que faz o insano questionamento de “como uma filha pode ser tão parecida com a mãe?”. Aqui o intuito não é comparar, e sim celebrar as duas carreiras meteóricas, construídas por duas mulheres libertárias, inspiradoras, donas da própria produção e que estão eternamente ligadas pelo laço materno.</span></p>
<p><span id="more-27114"></span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha mais velha de dona Ercy e seu Romeu, nasceu no dia 17 de março de 1945, num domingo ensolarado em Porto Alegre. Em casa, passava o dia ao lado do aparelho de rádio que tocava Ângela Maria, Emilinha Borba e Cauby Peixoto. Aos três anos, cantarolava pelos quartos, aos cinco, encantava mãe, avó e vizinhos que ouviam a confiante e indomável voz daquela menininha. Foi no </span><a href="http://www.radionors.jor.br/2013/10/ary-rego-e-o-clube-do-guri-2007-luiz.html"><i><span style="font-weight: 400;">Clube do Guri</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, programa da rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Farroupilha</span></i><span style="font-weight: 400;">, aos 12 anos, que Elis se rendeu de vez à música, munida com o dom que carregava desde o nascimento, arrebatou os ouvidos dos caça-talentos e de todos os gaúchos que acompanhavam a programação. Um ano mais tarde, registrou seu primeiro emprego em carteira de trabalho na rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade Gaúcha</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos 20 anos, ela já era a cantora mais bem paga da época.</span></p>
<figure id="attachment_27116" aria-describedby="caption-attachment-27116" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-27116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg" alt="" width="800" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-1024x788.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-768x591.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27116" class="wp-caption-text">Triste Amor Que Vai Morrer é a única composição assinada por Elis Regina, ela foi registrada na Editora Moderna em 1966 (Foto: Maxim Shemetov)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil nunca mais fora o mesmo após a manhã de </span><a href="https://www.cut.org.br/artigos/ditadura-nao-se-comemora-e-para-lembrar-para-que-nao-volte-a-acontecer-300c"><span style="font-weight: 400;">31 de março de 1964</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do sul, Elis Regina desembarca no Rio de Janeiro com o pai Romeu, 36 mil cruzeiros velhos, alguns endereços e uma carta de recomendação profissional. De Minas Gerais, Mourão Filho marchava de Juiz de Fora à capital carioca para borrar de sangue a história do país no </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Estado que instaurou a ditadura militar. A revolução musical brasileira e a barbárie que matou os filhos da pátria davam os primeiros passos ali, no mesmo dia e no mesmo lugar. O país ficaria marcado para sempre pela glória da voz e pela dor dos cadáveres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas antes de definitivamente se envolver com o momento mais sombrio da história recente do Brasil, Elis deu seus primeiros passos para o estrelato na rua Duvivier, em Copacabana, no quintal da bossa nova e do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o maior número de músicos por metros quadrados: o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44783821"><span style="font-weight: 400;">Beco das Garrafas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O nome vem pela maneira com a qual a vizinhança recebia os artistas, que reconhecendo-os como arruaceiros, disparavam garrafas das janelas em direção àquela juventude insana que estava no beco. Com música e público à beça, foi no lá que começou a lapidação daquela garota de personalidade explosiva que encontrava barreiras para se expressar livremente no repertório que lhe era dado. Entre os encontros proporcionados, um dos mais marcantes na biografia da cantora fica a cargo do coreógrafo norte-americano </span><a href="http://clickondance.com.br/novidades/novidade/8904?p=4"><span style="font-weight: 400;">Lennie Dale</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dale foi um dos grandes responsáveis por instaurar a expressão corporal à música brasileira. Com seu auxílio, a autenticidade de Elis começou a quebrar a casca que a guardava. Sua musicalidade era tamanha que parecia não caber em seu 1,52m, então, a saída era fazer com que seu corpo se permitisse liberar a energia apoteótica ao cantar. Braços para cima e duas hélices formadas, a performance estava feita. Apelidada de Hélice Regina pelos movimentos que fazia durante a apresentação, ela defendeu </span><a href="https://cantodampb.com/arrastao-edu-lobo-e-vinicius-de-moraes/"><i><span style="font-weight: 400;">Arrastão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1965, no </span><a href="https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia-do-brasil/os-festivais-60-resistencia-feita-pela-musica.htm#:~:text=Em%20abril%20de%201965%2C%20ocorreu,Moraes%2C%20interpretada%20por%20Elis%20Regina."><span style="font-weight: 400;">1º Festival da Música Popular Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV</span><i><span style="font-weight: 400;"> Excelsior</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo o concurso com a canção e levando o prêmio de Melhor Intérprete do evento. A maneira frenética de Elis se apresentar quebrou de vez os velhos padrões da tranquila e polida bossa nova, marcando o surgimento do que hoje é conhecido como Música Popular Brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Elis Regina- Arrastão (TV Excelsior, 1965)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/CM9VShnvbnw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocupando mais espaço em cena, o mundo se tornava cada vez menor para a grandeza de Elis Regina. Sua personalidade intensa &#8211; que lhe rendeu o apelido de </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cultura/2014/01/ha-32-anos-o-brasil-perdia-a-cantora-elis-regina"><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; começou a encontrar espaço em canções que se encaixavam perfeitamente em sua voz, reconhecendo a cantora como a dona do instrumento mais potente do Brasil e com interpretação majestosa. Em 1965, Elis Regina passou a apresentar, ao lado do cantor Jair Rodrigues, no programa </span><a href="https://recordtv.r7.com/fala-brasil/videos/o-fino-da-bossa-saiba-como-foi-o-inicio-da-carreira-de-jair-rodrigues-06102018"><i><span style="font-weight: 400;">O Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Walter Silva e transmitido na TV </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo-se no ar até 1967, foram lançados uma série de três discos em parceria, sendo o </span><a href="https://open.spotify.com/album/0oKGsYeWtjIMz703Jsc4lB?si=v6yqUJ7ISFqitRpmG1Zr0Q"><i><span style="font-weight: 400;">Dois na Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro a vender mais de um milhão de cópias</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 1970, se ainda restavam dúvidas, consagrou de uma vez por todas Elis Regina como a maior intérprete do país. Sua voz inigualável, seu carisma exacerbado e seu coração imenso abriram caminho para que outros gigantes da Música Popular Brasileira pudessem exercer a Arte. Amiga sincera, foi Elis que mostrou ao mundo o poder de compositores como Milton Nascimento, Renato Teixeira e </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/01/elis-regina-como-nossos-pais-belchior/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua parceria com Gilberto Gil arrebatou o cantor, não havia como não se envolver a cada estrofe cantada com tanto fervor pela Pimentinha. Ainda na primeira metade dessa década, foi gravado o histórico </span><i><span style="font-weight: 400;">LP </span></i><a href="https://jobim.com.br/elis-regina-e-tom-jobim-conheca-a-historia-dessa-parceria/"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &amp; Tom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que como presente de 10 anos de carreira, colocou Elis para cantar ao lado de um de seus maiores ídolos em um dos álbuns mais importantes da história da Música.</span></p>
<figure id="attachment_27117" aria-describedby="caption-attachment-27117" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg" alt="" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27117" class="wp-caption-text">Em 1964, Tom Jobim taxou Elis Regina como “cantora de churrascaria”, reprovando-a do disco Pobre Menina Rica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O talento e magnitude de Elis a levaram aos quatro cantos do planeta. Foi durante sua temporada na Europa que a cantora escancarou sua opinião oposta à ditadura para uma revista holandesa, ficando assim marcada no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) como inimiga do regime. A artista, que “não abaixava a cabeça para milico” sofreu o golpe mais baixo de todos: com a segurança de seus filhos, seus bem maiores, ameaçada, a artista foi obrigada pelos militares a cantar o Hino Nacional nas Olimpíadas do Exército. Cravada como traidora da pátria e enterrada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-cemiterio-dos-mortos-vivos-conheca-os-quadrinhos-que-enterravam-figuras-durante-a-ditadura.phtml"><span style="font-weight: 400;">cemitério de Henfil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina transformou a dor em combustível e seu repertório passou a ser totalmente engajado como oposição à ditadura, transformando a cantora em uma das principais vozes da resistência social comandada pela classe artística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos álbuns homônimos aos que se transformaram em grandes espetáculos, do grito de força em </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao choro afinado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg&amp;ab_channel=ninne"><i><span style="font-weight: 400;">Atrás da Porta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em cada trabalho Elis Regina entregava uma cantora completa, despida e que não vivia pra cantar, mas cantava para viver. Fundadora da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina moldou o formato de se apresentar música, afinal, ela não compunha, mas usava de sua voz para dar vida aos sentimentos escritos no papel por outras pessoas. É com a força e vitalidade de sua expressão que nasce seus dois maiores e mais importantes </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 257 apresentações e público de 280 mil pessoas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que teve a direção cênica de Myriam Muniz e a direção musical de Cesar Camargo Mariano, companheiro de palco e de vida de Elis &#8211; contava destemidamente a trajetória da artista com elementos teatrais circenses e um repertório de 42 músicas. Trazendo uma metáfora em seu título, o álbum destaca </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0N7CIOOxNqk&amp;ab_channel=ElisRegina-Topic"><span style="font-weight: 400;">canções contestatórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a interpretação agressiva denuncia a falta de liberdade com o </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5"><span style="font-weight: 400;">Ato Institucional nº 5</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua inquietude chega ao ápice em 1978, e rompendo com a atmosfera colorida do antecessor, a cantora equilibra técnica e emoção em <i>Transversal do Tempo</i>, um espetáculo político, pesado e grandioso, que reverberava a angústia coletiva causada pelos Anos de Chumbo.</span></p>
<figure id="attachment_27118" aria-describedby="caption-attachment-27118" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27118" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-819x1024.png 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-768x960.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27118" class="wp-caption-text">Elis teve três filhos: João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita (Foto: Arquivo Elis Regina)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos encontros que ilustram a imensidão da artista, o mais famoso se dá com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1976, a Santa Rita de Sampa foi presa, grávida de seu filho mais velho e desamparada. De gêneros distintos da música, Rita &#8211; rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e Elis &#8211; musa mor da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; mal se cumprimentavam nos bastidores até que o carcereiro falou:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Oh, Ovelha Negra, tem uma cantora famosa aí que está rodando a baiana, dizendo que vai chamar a imprensa. Ela quer te ver. Aí o delegado mandou te chamar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo em seguida, Elis Regina, a poderosa, entra em cena, de mãos dadas com João Marcelo, seu filho mais velho, e exigindo auxílio médico e comida à Rita.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso as duas viraram amigas, vizinhas na Cantareira, companheiras de luta política contra a repressão da época e parceiras musicais com Elis gravando canções de Rita. A amizade das duas rendeu a brincadeira de serem </span><a href="https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4269017436533554&amp;id=660182837417050&amp;m_entstream_source=timeline"><span style="font-weight: 400;">colegas de internato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os apelidos carinhosos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Maria Elis e Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disso, vem o nome da caçula de Elis Regina. Maria Rita Camargo Mariano nasceu no dia 9 de setembro de 1977, no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com a filha no colo, Elis sorria e cantava, as gargalhadas da artista com sua menininha nos braços domavam a ala hospitalar. Maria trouxe a graça e a leveza que havia sido roubada de Elis por pertencer a um mundo dominado por homens que lhe cobrava imposição dobrada. Toda feminilidade da cantora, aguçada pelo nascimento de sua filha, desabrocha no disco <i>Essa Mulher</i>.</span></p>
<figure id="attachment_27119" aria-describedby="caption-attachment-27119" style="width: 646px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27119" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png" alt="" width="646" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png 646w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-827x1024.png 827w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-768x951.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750.png 968w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27119" class="wp-caption-text">Doce de Pimenta, a canção que melhor representa Elis, foi composta por Rita Lee como forma de presentear a amiga (Foto: Paulo Kawall)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1979, Elis Regina gravou o disco mais arrebatador de sua carreira e, por infortúnio do destino, o último. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2xYd1q-qN8U&amp;ab_channel=UniversalMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é repleto de técnica vocal, postura, brilho e sofisticação. Em contraponto ao martírio e rancor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco de 79 traz a imagem de mulher feminina que a sociedade esperava, mas com a desenvoltura de escolha de um repertório que denunciava as carências e a sensibilidade da artista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolve </span><span style="font-weight: 400;">pela trama ousada, entretanto não perde a característica política de Elis. Foi nesse disco que a cantora eternizou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6kVBqefGcf4&amp;ab_channel=milllon"><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino da anistia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três anos depois, na manhã do dia 19 de janeiro de 1982, a morte de Elis Regina provocou uma ferida que demoraria para se estancar. Mãe, mulher, artista e militante, a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos; dona do maior legado da Música brasileira e eterna inspiração de Milton Nascimento, autoconsciente de seu tamanho, amante das canções e crente na bondade do ser humano. Elis desistiu de desenvolver sua carreira internacional na Europa por saudades do país e, principalmente, dos filhos. Enquanto o Brasil perdia um ídolo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DqnXJCZ0-VU&amp;ab_channel=ReplayHD"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita perdia a mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27137" aria-describedby="caption-attachment-27137" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-694x1024.png 694w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x1132.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.png 980w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-27137" class="wp-caption-text">Elis foi velada no Teatro Bandeirantes, palco que a acolheu inúmeras vezes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma alma tão grandiosa como a de Elis jamais deixaria sua pátria órfã. Seu talento foi herdado &#8211; e aqui cabe um destaque à palavra herdado, ou seja, vital e não escolhido &#8211;  por Maria Rita, que muito nova teve que lidar com a ausência materna e com a ingrata tarefa de ter o mesmo dom da mãe. Mas é em meio a pressão de seguir o ofício de sua protetora que Maria reafirma a herança genética. A caçula de Elis ouviu desde cedo que </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=661179708639929"><i><span style="font-weight: 400;">tinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> o dever de cantar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o caminho mais fácil nunca foi opção. A beleza da arte de Maria Rita desabrocha da necessidade de cantar, assim como era com a sua mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter a figura materna presente e carinhosa em seus quatro anos juntas, ser filha de Elis Regina foi o oposto do que deveria. E não por causa da presença do  amor que transcende a vida, mas por conta de urubus que rivalizaram ao jogarem as duas no coliseu para brigarem com leões. A mídia tornou o cantar de Maria mais difícil e criou o pior dos cenários, interferindo na relação mãe e filha da qual ela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/01/19/maria-rita-desabafa-sobre-comparacoes-com-elis-regina-estou-cansada.htm"><span style="font-weight: 400;">não tem recordações</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo peso do trauma. Vinte anos depois, o resultado é a resistência do amor que soterra a rivalidade.</span></p>
<figure id="attachment_27120" aria-describedby="caption-attachment-27120" style="width: 654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg" alt="" width="654" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg 654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-837x1024.jpg 837w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-768x940.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27120" class="wp-caption-text">A primeira vez que Maria Rita pisou no palco foi em 6 de maio de 2002 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria Rita se formou em Comunicação Social na Universidade de Nova Iorque, e aluna exemplar que foi, também ganhou bolsa para concluir a cadeira de Estudos Latino Americanos. De volta ao Brasil, ela foi trabalhar com produção musical, e mais tarde &#8211; após noites de insônia -, sentiu que era o momento certo de usar a voz como instrumento para compor trilhas sonoras de vidas. Então, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xJP_rj7yXOs&amp;ab_channel=CanalBrasil"><span style="font-weight: 400;">começou a cantar</span></a><span style="font-weight: 400;"> profissionalmente aos 24 anos, autodidata, abria a boca e pronto. Sua evolução musical foi instintiva, mas a virginiana não dispensou o estudo para formalizar sua bagagem com o auxílio da preparadora vocal Maria Alvim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Maria Rita se preparou para subir ao palco do Chico Pinheiro, ali ela tomava a dolorosa decisão em favor de sua </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/gente/noticia/2021/10/maria-rita-cantar-e-sobrevivencia-nao-e-para-ser-famosa-nao-e-para-ser-a-filha-da-elis-ckuhjdas4004a017fe1lzumep.html"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e naquele lugar ela se despedia da mãe novamente. A cantora precisou &#8211; e conseguiu! &#8211; mostrar ao mundo que não é boa por ser filha de Elis Regina, mas que  é boa por si mesma, apesar de sofrer a dor solitária da ausência materna. Explorada por programas sensacionalistas que lutam em compará-la com Elis mesmo sobre a alegação de não ter lembranças da mãe, Maria se provou dona de uma voz soberana e com um domínio técnico, lidando com elegância a cada falácia, mesmo sem o colo material da figura mais importante de sua vida.</span></p>
<figure id="attachment_27121" aria-describedby="caption-attachment-27121" style="width: 687px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27121" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg" alt="" width="687" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg 687w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-879x1024.jpg 879w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-768x895.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27121" class="wp-caption-text">Maria Rita foi a primeira mulher a ganhar o Grammy Latino na categoria de Melhor Artista Revelação, e hoje, é recordista da premiação (Foto: Grammy Latino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/54724_ensaio-maria-rita-24-12-2004.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;">, autointitulado, foi lançado em setembro de 2003 e vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo. O DVD, que chegou às prateleiras meses depois, atingiu a marca de 2º DVD mais vendido de 2003 no Brasil, atrás apenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Beatles Anthology</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de público e de crítica, o álbum foi Disco de Platina Triplo e DVD de Diamante em solos brasileiros, e em Portugal, CD de Platina. Primeira vez pisando no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino </span></i><span style="font-weight: 400;">Maria Rita venceu as categorias Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, Melhor Canção em Língua Portuguesa (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Revelação do Ano &#8211; sendo até hoje a </span><a href="https://musica.uol.com.br/especiais/2004/09/02/ult1541u65.jhtm"><span style="font-weight: 400;">única brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ter vencido a categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atuante em um cenário musical que contou com a evolução da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, o</span> <a href="https://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Segundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Maria Rita teve sua pré-venda feita em lojas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">juntamente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S9VGw9yn-mc&amp;ab_channel=WarnerMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Caminho das Águas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Rodrigo Maranhão) sendo vendido em formato digital. O efeito do lançamento foi o congestionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao alto número de </span><i><span style="font-weight: 400;">downloads</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todos queriam ter a brilhante voz de Maria em seu computador, e o Brasil já estava inteiramente imerso nas graças da paulistana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2007, Maria Rita encontrou seu lugar de maior pertencimento na Música. Seu terceiro trabalho, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EoBlVR8ND6Q&amp;ab_channel=MeuSambaBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pediu respeito para que pudesse entrar pelas portas do gênero mais popular do Brasil. A cantora foi </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/12/04/maria-rita-conta-como-arlindo-cruz-lhe-deu-1-samba-minha-referencia.htm"><span style="font-weight: 400;">apadrinhada por Arlindo Cruz</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com sua inerente entrega levou o samba às principais capitais do país e fora dele, em cidades como Londres, Espanha, Portugal e Japão. Seu </span><span style="font-weight: 400;">cuidadoso trabalho também lhe rendeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode, e um espaço especial na lista de 10 discos mais vendidos daquele ano. A despedida da turnê foi uma das mais difíceis da carreira, pois marcava o encerramento de algo desafiador e grandioso na mesma medida. Foram oito músicos no palco, projeções, troca de figurino e cenários que eternizaram </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;"> na discografia da cantora e na Música.</span></p>
<figure id="attachment_27122" aria-describedby="caption-attachment-27122" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27122" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27122" class="wp-caption-text">Na época de Elis não havia Grammy Latino, é o trabalho de Maria Rita que leva a Pimentinha aos holofotes do gramofone (Foto: Fundição Progresso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses anos, Maria Rita dominou a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, se encontrou no samba, provou que é uma cantora autêntica apesar do título ‘filha de’, fez turnês nacionais e internacionais, emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, venceu grandes prêmios, conquistou discos de platina e marcou seu nome para sempre na Música brasileira por conta de seu incontestável talento. E, após lidar com cada pedra que insistia em aparecer em seu sinuoso caminho, chegou a aguardada hora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CsiH25p_rAk&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><span style="font-weight: 400;">mergulhar no repertório de Elis</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ano era 2012, e na vida de Maria duas datas se chocavam: 10 anos de carreira e 30 anos de saudades materna. A celebração à Elis Regina se pronunciava monumentalmente, e ninguém melhor que sua caçula para dominar sua obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nomeada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viva Elis</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homenagem se deu através de cinco</span><i><span style="font-weight: 400;"> shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos no primeiro semestre de 2012. Sucesso absoluto, o projeto ganhou o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir </span></i><span style="font-weight: 400;">e tornou-se CD, DVD e turnê.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7pGqf-RGDJE&amp;ab_channel=GrupoN%C3%B3sTV"><span style="font-weight: 400;"> reencontro entre mãe e filha</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foram forçadas a se separarem para garantir a sobrevivência, diante da indústria insistente em rotular as relações mais pessoais. Ao longo das 28 faixas, Maria Rita não falava ao público que poderia cantar o mesmo que sua mãe, ela trouxe Elis de volta ao seu cotidiano, às novas gerações e a levou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Grávida e de branco em cima do palco, Maria fez o que faz de melhor, tomou cada canção para si e as interpretou de maneira singular. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Quiser Falar</span></i> <em>C</em><i><span style="font-weight: 400;">om Deus,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cantora regurgita o maior dos sentimentos, se emocionando ao ver seu mundo e de Elis colidirem ao declarar <i>“tenho que subir aos céus sem cordas para segurar</i>”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maria Rita - Essa Mulher" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/im9LX7ybggM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Missão cumprida! Maria pôde retornar ao samba. Antecedido por uma breve turnê com o </span><i><span style="font-weight: 400;">show voz:piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos, considerado um dos 10 melhores de 2014 pelo jornal americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://curitibacult.com.br/coracao-a-batucar-de-maria-rita-tras-um-samba-com-muita-personalidade/"><i><span style="font-weight: 400;">Coração a Batucar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um dos álbuns mais importantes da carreira da artista. Produzido pela própria cantora, com arranjos de Jota Moraes, o disco foi gravado num formato que transportava a sonoridade para uma roda de samba. No ano seguinte, a escola de samba Vai-Vai homenageou sua mãe com o enredo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QCfHloOwK6E&amp;ab_channel=RadarRecordsOficial"><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis: A Fábula de Uma Voz na Transversal do Temp</span></i><span style="font-weight: 400;">o</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Rita, na comissão de frente, emocionou a avenida carregando o desfile da escola campeã do carnaval de 2015.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o pé fincado na Lapa, a cantora estreou </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/critica-amor-musica-o-triunfo-da-maria-rita-interprete-22316266"><i><span style="font-weight: 400;">Amor e Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 3 de março de 2018. Agora absorta em sua espiritualidade, Maria apresentou um trabalho intenso com roteiro sincero e político em suas entrelinhas. Diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a cantora pedia licença à velha guarda, o disco de 2018 é a plena catarse da intérprete como sambista. As músicas escolhidas para integrarem o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> abocanham sua paixão pela Arte e a consciência de sua função social. A apoteose rítmica foi sequenciada em seu soberano </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba da Maria</span></i><span style="font-weight: 400;"> que mantém a promessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">todo </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KEfwnAg_7C8&amp;ab_channel=J%C3%A9ssicaRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">show tem que continuar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 1980 Elis fez ecoar o pedido de anistia aos presos políticos através de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i><span style="font-weight: 400;">, em março de 2018 Maria Rita cantou a mesma com a mão em punho em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> onde o Brasil se encontrava estraçalhado pela morte de Marielle Franco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8fVm0kM3a4c&amp;ab_channel=CanalGNT"><span style="font-weight: 400;">Dois crimes impunes</span></a><span style="font-weight: 400;">, duas vozes conscientes e o mesmo hino denunciando o choro de nossa pátria mãe gentil. O Brasil continua </span><i><span style="font-weight: 400;">sendo governado por gorilas, sem querer ofender os gorilas, é claro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27123" aria-describedby="caption-attachment-27123" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27123 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27123" class="wp-caption-text">A extensão vocal de Elis Regina era meio-soprano, a de Maria Rita é contralto (Foto: Sérgio Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primoroso é que Maria Rita fez o seu trabalho, se consagrou por conta própria. De Elis ficou a saudade e a honra de ser filha. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/maria-rita-elis-regina-de-todos-mas-mae-minha-25359366"><span style="font-weight: 400;">Dois legados</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintos e inegavelmente importantes para suas respectivas gerações. Maria Rita não precisa chegar aos pés de Elis, a carreira de Maria Rita não começa onde Elis parou e sim, elas se parecem, mas estranho seria se Maria Rita fosse parecida com outra cantora. Dos 40 anos sem Elis Regina, 20 deles são menos amargos graças à unânime potência vocal de Maria Rita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cultura</span></i><span style="font-weight: 400;"> no especial de 75 anos de sua mãe, Maria Rita disse que se pudesse presentear sua mãe daria à ela </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=519523908982428"><span style="font-weight: 400;">o palco</span></a><span style="font-weight: 400;">. E aqui, me permito usar a primeira pessoa singular para te dar uma notícia: você conseguiu! Cada noite que você subiu ao palco para revisitar a obra de Elis, cada vez que você abaixa a cabeça e se concentra para cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis</span></i><span style="font-weight: 400;"> à capela, você a presenteia com o palco sem perder sua própria enormidade, riso e leveza que aquela mãe amorosa tanto desejou.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6igE1HoGBkSrzKgcMCbMqM?si=197d2f59561748bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em O peso do pássaro morto, a perda é a grande protagonista</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2022 17:32:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto &#8220;–claro, – respondi entendendo que o tempo sempre leva as nossas coisas preferidas no mundo e nos esquece aqui olhando pra vida sem elas&#8221; Quantas vezes na vida é preciso deixar parte de nós ir? E quantas vezes isso acontece até que não reste nada? Em O peso do pássaro morto, Aline Bei &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-peso-do-passaro-morto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em O peso do pássaro morto, a perda é a grande protagonista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26736" aria-describedby="caption-attachment-26736" style="width: 709px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26736 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-709x1024.jpg" alt="Capa do livro O peso do pássaro morto. Na imagem, um fundo roxo carrega o título da obra como se as palavras estivessem apoiadas em fios elétricos pretos. No canto superior direito está grafado o nome da autora em branco, já no canto inferior esquerdo é marcada a logo da editora. Ainda há nos extremos da capa os números: 8, 17, 18, 28, 37, 48, 49, 50, 52." width="709" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-768x1109.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1200x1733.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1.jpg 1595w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26736" class="wp-caption-text">O peso do pássaro morto, publicado pela Editora Nós em 2018, é a obra de estreia de Aline Bei (Foto: Editora Nós)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;–claro, – respondi<br />
</span><span style="font-weight: 400;">entendendo que o tempo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">sempre leva<br />
</span><span style="font-weight: 400;">as nossas coisas preferidas no mundo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">e nos esquece aqui<br />
</span><span style="font-weight: 400;">olhando pra vida<br />
</span><span style="font-weight: 400;">sem elas&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantas vezes na vida é preciso deixar parte de nós ir? E quantas vezes isso acontece até que não reste nada? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto, </span></i><span style="font-weight: 400;">Aline Bei nos convida para integrar essas perguntas em sua poética questionadora, que desde o lançamento do livro em 2018, compõe o ar encantador habitante da crueldade. Em um retrato versado pelo gosto amargo de perder, a autora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua sem saída</span></i><span style="font-weight: 400;"> apoia-se em palavras duras e sinceras para explorar o ato de se despedir, com toda sua naturalidade devastadora. </span></p>
<p><span id="more-26735"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado pela Editora </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2021/08/13/interna_pensar,1295420/virginia-woolf-leia-entrevista-com-editora-brasileira-de-ensaios-e-diarios.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nós</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o texto traz uma história comovente na qual a piedade fica por conta do leitor. Com uma escrita proseada e absolutamente fluida, somos  guiados pelos caminhos de uma vida marcada pela morte de flores secas, depois de abandonadas. Através de sua protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos coloca para viajarem sonhos sem asas, dos quais a chance de voar para longe de uma grande gaiola atulhada de frustrações foi roubada pelo tempo. </span></p>
<figure id="attachment_26737" aria-describedby="caption-attachment-26737" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.2.jpg" alt="Na imagem a autora Aline Bei. Aline é uma mulher branca de cabelos claros, veste uma roupa de tom quase branco com os ombros à mostra. Ela segura o livro O peso do pássaro morto próximo ao seu rosto. Ao fundo um painel vermelho e o logo da editora constituem o cenário. " width="740" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-26737" class="wp-caption-text">O peso do pássaro morto foi o vencedor do prêmio São Paulo de Literatura de 2018, na categoria Melhor Romance de Autor Estreante com Menos de 40 anos (Foto: Aline Bei)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentada em primeira pessoa, a personagem de </span><a href="https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Noticia/Entrevista-Aline-Bei#:~:text=Na%20entrevista%20a%20seguir%2C%20Aline,O%20Peso%20do%20P%C3%A1ssaro%20Morto."><span style="font-weight: 400;">Bei</span></a><span style="font-weight: 400;"> não precisa revelar seu nome para nos ser tão íntima a ponto de conhecermos o mais silencioso de dentro dela. Sua urgência vive na narrativa que tem para contar. Em capítulos intitulados pelas idades em que conheceu o incontrolável ato de morrer – seja de forma literal ou na abstração –, ela desabrocha em vocábulos o tom angustiante existente em suas decepções, fracassos e traumas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das fases do livro, a </span><a href="https://blogs.plural.jor.br/entre-mulheres/uma-entrevista-com-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> amadurece, e o que eram palavras de uma criança curiosa e cheia de perguntas carregadas de inocência, dá lugar para uma voz embargada e desesperançosa. A mudança na escolha lexical, no entusiasmo e na estrutura das frases a cada acontecimento significativo, cria uma atmosfera na qual o livro envelhece e se machuca junto de sua protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe conduzir a oralidade de maneira única, e é fácil esquecer que </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> se trata de uma leitura, pois assim, o som emitido pela protagonista se solidifica. Desta forma, os vários anos parecem se condensar em um espaço pequeno, mas totalmente completo por complexidade e sentimento. As 165 páginas construtoras da dor da anônima voam tão rápido quanto os pássaros deveriam ter feito.  </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;voltei pra casa chamando mãe,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">– cadê o seu luís?<br />
</span><span style="font-weight: 400;">ela não tinha me contado nada porque achou que era muita morte pra eu saber de uma vez só.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A</span><span style="font-weight: 400;"> menina que aos 8 encontra o significado da </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/a-dificuldade-de-falar-sobre-a-morte/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fim da vida, a de 17 que encontra a morte no fim do controle de si mesma, e a de 18 que encontra a morte no começo da vida segue perdendo seus pedaços até os 52 anos. Todas as versões se cruzam para formar uma sobrevivente, e no piloto automático resiste uma mulher que, de tanto perder, abdicou do seu direito de sentir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em algum ponto de </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ser dá lugar ao existir, e os gostos, as vontades e os desejos da personagem são ofuscados por acontecimentos. A pergunta deixa de ser “</span><i><span style="font-weight: 400;">quem?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e se torna “</span><i><span style="font-weight: 400;">quando?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">onde?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Calada por um medo e vergonha que não eram seus, mas passaram a morar em seu âmago </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/16/luto-e-dor-invisiveis-como-o-estupro-afeta-a-saude-mental-das-vitimas.htm"><span style="font-weight: 400;">à força</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela se esconde e passa a desconhecer o amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com o filho é uma dos maiores conflitos abrigados pela mente da personagem, já que alguém vindo de seu sangue, na teoria da </span><a href="https://sul21.com.br/noticias/geral/2017/05/outro-lado-da-maternidade-estereotipos-expectativas-e-mitos-sao-barreiras-para-maes/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> idealizada pela sociedade, é o amor mais verdadeiro e incodicional da vida de uma mulher. Entretanto, aqui ele representa um estranho com o qual se compartilha o mesmo teto. Por trás das barreiras, há feridas tão profundas que são incapazes de esconder a extensão do desespero. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;meu filho<br />
</span><span style="font-weight: 400;">arrumou 1 Estilingue não sei onde.<br />
</span><span style="font-weight: 400;">da janela do quarto<br />
</span><span style="font-weight: 400;">o lucas e os amigos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">bolaram um plano de matar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">passarinhos,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">eles gostam de ver<br />
</span><span style="font-weight: 400;">brutalmente interrompido<br />
</span><span style="font-weight: 400;">algo delicado que estava em<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Movimento&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> está intrinsecamente ligado às </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/aline-bei-faz-da-literatura-um-instrumento-a-servico-das-mulheres.shtml"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao movimento dos corpos femininos transformados em objetos públicos para o mundo se sentir no direito de  moldar. Em suas entrelinhas, o livro guarda a alusão a tudo que as mãos de uma mulher tem de soltar enquanto a alma carrega um peso latente e agressivo determinado pela trivialidade de ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com simplicidade e brutalidade, o texto expõe os resultados dolorosos de cortes que continuam ardendo depois de estancar o sangue. Cada parte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EJ2TSnZjpYg"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> revela como uma pessoa pode deixar se ser inteira cedo demais de uma forma cativante e aflitiva. Assim, perder não é sobre um objeto desaparecido. É sobre vida, ingenuidade, pureza, confiança e tudo que representa a fé, sumindo como o pássaro que é acertado pela pedra de um estilingue.</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as autoras que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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