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	<title>Arquivos Festival de Berlim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O fantástico enquadramento do vazio: A pretensão do Cinema minimalista em A Mensageira</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Gomes e Arthur Caires O cinema latino-americano possui uma longa tradição em buscar o fantástico nas frestas do cotidiano. Obras como Suçuarana (2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, exemplificam como o insólito – ali manifestado pela relação de comunidade que ronda o pragmatismo da paisagem industrial – pode aprofundar o peso da realidade. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-fantastico-enquadramento-do-vazio-a-pretensao-do-cinema-minimalista-em-a-mensageira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantástico enquadramento do vazio: A pretensão do Cinema minimalista em A Mensageira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37091" aria-describedby="caption-attachment-37091" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-800x433.jpg" alt="Cena de A Mensageira. Em primeiro plano há as mãos e parte do rosto de Myriam segurando o celular e fotografando a cena. No centro, Anika sorri e aponta para uma placa que exibe a ilustração de um cachorro com auréola e os dizeres &quot;El Cielo - Cementerio de mascotas a 300 mt&quot; com uma seta para a esquerda. " width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-3.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37091" class="wp-caption-text">O longa aborda, às vezes de forma irônica, o uso da capacidade médium de uma criança para obtenção de dinheiro (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Gomes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema latino-americano possui uma longa tradição em buscar o fantástico nas frestas do cotidiano. Obras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/"><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, exemplificam como o insólito – ali manifestado pela relação de comunidade que ronda o pragmatismo da paisagem industrial – pode aprofundar o peso da realidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), o diretor argentino Iván Fund tenta capturar essa mesma força ao nos apresentar Anika (Anika Bootz), uma jovem do interior com o dom de traduzir os pensamentos da fauna local, do luto de um ouriço à jornada solitária de uma capivara. </span></p>
<p><span id="more-37089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/02/22/o-ultimo-azul-vence-o-premio-silver-bear-no-festival-de-berlim.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Urso de Prata</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Júri no Festival de Berlim, o diretor usou o espaço para celebrar o cinema argentino e expressar a sua opinião quanto ao atual contexto de seu país, especialmente no que diz respeito à produção cultural. Nada incomum para o festival, que é reconhecido como um dos eventos do meio mais sócio e politicamente engajados – pelo menos até as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/02/18/mais-de-80-artistas-criticam-festival-de-berlim-por-silencio-sobre-genocidio-em-gaza/"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvendo a edição de 2026.</span></p>
<figure id="attachment_37090" aria-describedby="caption-attachment-37090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-800x422.jpg" alt="Fotografia em preto e branco. Uma menina de cabelos curtos vista de costas, em pé em um campo de mato alto. Ela está de frente para uma capivara. Ao fundo, um horizonte com céu nublado." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1536x811.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1-1200x633.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37090" class="wp-caption-text">O encontro entre Anika e a fauna local traz a premissa de realismo animista que acaba esvaziada pela repetição narrativa (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se estrutura como um </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de amadurecimento que abraça o naturalismo com toques de fantasia. Em A Mensageira, acompanhamos a garota e seus tutores, interpretados por Mara Bestelli e Marcelo Subiotto, cruzando a zona rural da Argentina, fazendo paradas estratégicas em locais como cemitérios de animais para vender os serviços da jovem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal, cuja natureza da relação com Anika é incerta no início, traz à memória os pais da muito amada </span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=matilda+persona+unesp&amp;ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996), uma comparação que não vai muito além da aparência física e das capacidades sobrenaturais de ambas as protagonistas. Isso porque, constrói-se uma narrativa centrada no cotidiano, com um estilo documentarista, cuja proposta não envolve se aprofundar nas possíveis tramas que poderiam surgir dessa relação peculiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, essa investigação sobre a exploração soa como uma tese do diretor. </span><a href="https://www.batimes.com.ar/news/culture/a-girl-who-talks-to-animals-ivan-funds-work-in-san-sebastian.phtml#:~:text=Argentina%20experiencing%20'an%20extreme%20situation,bonds%2C%E2%80%9D%20the%20director%20explains."><span style="font-weight: 400;">Fund</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um currículo que já carrega o peso da mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Un Certain Regard </span></i><span style="font-weight: 400;">em Cannes, propõe uma reflexão dura sob uma embalagem meramente poética. A fotografia de Gustavo Schiaffino, capturada em um preto e branco contemplativo, cria uma atmosfera propositalmente lenta e meditativa, buscando extrair beleza da aridez da estrada e dos rostos exaustos de seus protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_37092" aria-describedby="caption-attachment-37092" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x433.jpg" alt="Cena do filme A Mensageira Myriam, uma mulher branca de cabelos loiros cacheados, está de perfil, com os braços cruzados, olhando para a paisagem. Ela usa uma camisa clara aberta no colo e brincos grandes. A expressão dela é séria." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37092" class="wp-caption-text">Apesar da seriedade habitual, a personagem de Bastelli sempre se mostra calorosa em relação a Anika (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos são escassos e o silêncio é construído pelos elementos citados, mas também pela trilha sonora (Mauro Morelos) perfeitamente elaborada para o enredo. Em um determinado momento, a personagem de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/mara-bestelli"><span style="font-weight: 400;">Bastelli</span></a><span style="font-weight: 400;"> fala para um dos clientes que é preciso genuinamente escutar o que Anika – e os animais – têm a dizer. Assim, o debate sobrenatural está para os tutores de </span><i><span style="font-weight: 400;">pets, </span></i><span style="font-weight: 400;">assim como a música está para o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha do diretor quanto ao desenrolar do roteiro pode causar estranheza, uma vez que ao escutar sobre o filme, o público possa se preparar para uma história sobre abuso e maus tratos, ou mesmo sobre </span><a href="https://crid.fmrp.usp.br/noticias/charlatanismo-por-que-ainda-nos-encantamos-com-respostas-simples-demais/"><span style="font-weight: 400;">charlatanismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar do fato de adultos se aproveitarem financeiramente de uma pessoa vulnerável e dependente, afastada da escola e da sociedade, ainda que para falar animais, seja um tipo de abuso por si só.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio da trama, o reduzido grupo de personagens faz uma visita a um hospital psiquiátrico, onde a filha de Myriam está internada – o que dá a entender que Anika seria sua neta. Nesse momento, a mais velha deixa que a criança se encontre com a mãe, mas se recusa a fazê-lo, como se aquilo fosse doloroso demais, enquanto Roger (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/marcelo-subiotto"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Subiotto</span></a><span style="font-weight: 400;">) apresenta um olhar compreensivo, no entanto, distante. Momentos como esse revelam a potência das atuações do trio como um todo, para além da jovem Anika, que é destaque do início ao fim.</span></p>
<figure id="attachment_37093" aria-describedby="caption-attachment-37093" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-800x422.jpg" alt="Fotografia em preto e branco. Close do perfil do rosto de uma menina com cabelos lisos e curtos. Ela olha de forma pensativa, com semblante sério, através da janela de um veículo. A luz natural ilumina parte do seu rosto." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1536x811.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2-1200x633.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37093" class="wp-caption-text">Os belos enquadramentos de Iván Fund reforçam uma atmosfera meditativa que, aos poucos, dá lugar à inércia (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a intenção e a execução, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i><span style="font-weight: 400;"> esbarra nas próprias ambições estéticas. O filme parece refém de </span><a href="https://complemento.veja.abril.com.br/entretenimento/a-formula-do-oscar/#:~:text=A%20f%C3%B3rmula%20do%20Oscar%20%7C%20VEJA.com"><span style="font-weight: 400;">fórmulas de prestígio</span></a><span style="font-weight: 400;">, priorizando a contemplação vazia em detrimento da narrativa. Após estabelecer seu intrigante ponto de partida, a obra sofre de uma inércia paralisante. Não há um fio condutor que costure as cenas ou ofereça um senso de progressão dramática; o que temos na tela assemelha-se a um ‘não-filme’, uma sucessão de belas imagens desprovidas de movimento, urgência ou conflito real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A redundância logo se torna o maior inimigo da produção. O roteiro, assinado por Fund e Martín Felipe Castagnet, entrega a sua mensagem sobre a corrupção da inocência logo nos primeiros atos, porém insiste em mastigá-la repetidas vezes ao longo da projeção, subestimando o espectador. A sutileza que o tema exigia é frequentemente atropelada por escolhas bruscas e silêncios vazios, uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/"><span style="font-weight: 400;">pretensão poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> que soa forçada.</span></p>
<p><a href="https://www.berlinale.de/en/2025/programme/202504623.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Mensageira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aborda diversas temáticas delicadas, das quais é de se esperar algum posicionamento. Assim, é provável que a opção pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">carpe diem</span></i><span style="font-weight: 400;"> acima de tudo, possa não agradar a todos os públicos. A sutileza da obra não deixa de ter qualidades, no entanto, as discussões mereciam mais densidade ou até menos ambiguidade. Assim como os tutores da protagonista, Iván Fund tenta extrair lucro – aqui, de ordem intelectual e emocional – de um milagre inicial, entregando ao público uma obra que é belíssima de se observar, mas impossível de se sentir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Mensageira | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/CRq0J34YW38?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Qual o preço de Uma Vida de Ouro?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:01:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, trabalhe enquanto eles dormem. Com a proliferação dos coachs tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/uma-vida-de-ouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual o preço de Uma Vida de Ouro?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31791" aria-describedby="caption-attachment-31791" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um adolescente negro de cabelo crespo curto. Ele veste uma camiseta preta com detalhes laranja nas mangas e na gola, uma bermuda laranja e uma sandália melissa branca. Ele está de costas, sentado em um morro e apreciando a vista do garimpo na paisagem árida" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31791" class="wp-caption-text">A obra integrou a competição Novos Diretores na 47ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, </span><a href="https://www.terra.com.br/nos/opiniao/lua-andrade/nao-tem-pobreza-que-resista-a-14-horas-de-trabalho-primo,fe7526d12118c573aeade0b3d3713465p6f61hjg.html"><span style="font-weight: 400;">trabalhe</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto eles dormem. Com a proliferação dos </span><i><span style="font-weight: 400;">coachs</span></i><span style="font-weight: 400;"> tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica o homem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, nas palestras e nos </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele é lindo, mas também demonstra como uma certa parcela está totalmente descolada e alheia à sociedade da qual faz parte e das mazelas que ela carrega. É a partir desse cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"> de Cinema em São Paulo</a>, busca traçar um estudo de como a busca por uma vida melhor funciona na prática em uma região devastada pela miséria.</span></p>
<p><span id="more-31788"></span></p>
<figure id="attachment_31792" aria-describedby="caption-attachment-31792" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31792" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Missa e Dramane, duas crianças africanas, com 12 e 13 anos, respectivamente. Missa está ao centro e veste uma camiseta amarela da Juventus, time italiano, e uma bermuda na cor goiaba. Dramane está à esquerda da imagem e veste uma camiseta branca com furos e uma bermuda jeans. Ele está carregando uma carroça improvisada com sacos." width="1380" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31792" class="wp-caption-text">O documentário fez sua estreia em circuitos no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra conta a história Rasmané, um jovem de 16 anos que trabalha no </span><a href="https://minesactu.info/en/2023/08/14/burkina-faso-securing-artisanal-mining-sites-remains-a-challenge/"><span style="font-weight: 400;">garimpo artesanal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da região de Bantara, em Burkina Faso. A produção é capitaneada por Boubacar Sangaré, diretor natural do Mali que aqui estreia em longa-metragens tratando de algo que lhe é muito próximo. Além de cineasta, Boubacar também é formado em Direito e, por mais que essas duas profissões muitas das vezes não conversem entre si, fica nítido como ele advoga por uma causa e desenha seu argumento com as câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rasmané tem a idade perfeita para estrelar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém o longa faz questão de exaltar, retratando sua vida no campo de mineração, que parte importante de sua vida foi usurpada, ou sequer lhe foi dado o direito de vivê-la. O adolescente age, fala, se porta e tem o comportamento de alguém que há décadas está calejado pela jornada de trabalho, mas que, numa representação nada fantasiosa de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-curioso-caso-de-benjamin-button"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Button</span></a><span style="font-weight: 400;">, está em um corpo de criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa filmagem é feita de forma muito passiva. O mensageiro não vai até a câmera explicitar a crítica como já estamos acostumados em documentários. Pelo contrário, usando do </span><a href="https://www.zoommagazine.com.br/cinema-direto-x-cinema-verdade/"><span style="font-weight: 400;">Cinema direto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, através da fotografia de Isso Emmanuel Bationo, nos coloca como intrusos se esgueirando por aquela vida, como moscas que pairam pelo local. Desse modo, a narrativa diminui completamente o ritmo e nos coloca para contemplar a situação, seja nos planos tortos e não convencionais para retratar as pessoas, ou nos planos abertos para exaltar a paisagem que de tão inóspita, se torna bonita. E só quando também desaceleramos, que conseguimos pensar e captar a mensagem sem qualquer direcionamento da produção, deixando seus personagens puramente humanos, em um ambiente que a humanidade não tem peso e valor nenhum.</span></p>
<figure id="attachment_31790" aria-describedby="caption-attachment-31790" style="width: 1061px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um jovem negro de cabelo curto. Ele veste uma regata cinza com estampa de losangos e uma calça cinza clara. Ele está em uma espécie de buraco no chão, deitado sobre os corpos de seus companheiros de mina. A luz da lua está sobre seu rosto e ele fuma um cigarro olhando para cima" width="1061" height="597" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31790" class="wp-caption-text">Em um mundo desvirtuado, a desvirtuação de Rasmané parece até natural (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha criativa incomoda até certo ponto e nos coloca no limiar de sempre pensar que aquilo, na verdade, é uma ficção sobre algo que ocorre no território africano, como foi </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/312056/capitao-phillips-2013-tom-hanks-em-sua-melhor-forma/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Phillips</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-beasts-of-no-nation/"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De fato a obra instiga tal dúvida ao máximo, principalmente com as tomadas extremamente bem filmadas nas incursões embaixo da terra, que conseguem transmitir todo o sufocamento da situação, sem abrir mão de uma composição muito bem elaborada. Porém, toda a jornada guiada pelo documentário tem uma recompensa no final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante grande parte da produção, se assume que ela seguiu uma abordagem para contar a história. No entanto, a parte final serve para subverter a própria obra e trazer uma nova ótica para si. Se antes ela optava por não se envolver com seus personagens, agora está mais próxima do que nunca – e é aqui que percebemos que todo o cuidado e primor do documentário não era resultado somente do talento da produção, mas sim por conta de Sangaré também ter sido um adolescente do garimpo no passado. Se antes, o foco era falar com adolescentes da região de Bantara, especialmente Rasmané, que tiveram sua juventude transviada pelo ouro, agora ele conversa com cada um de nós, que precisou vender um pedaço de sua alma para um sistema.</span></p>
<figure id="attachment_31789" aria-describedby="caption-attachment-31789" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela vemos Rasmané, um adolescente negro. Ele veste uma regata cinza com estampas de losango, e uma calça cinza. Ele está de costas em pé, e com as mãos na cintura enquanto observa as pilhas do garimpo." width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31789" class="wp-caption-text">Boubacar Sangaré tem na sua formação em Direito uma especialização em Direito cinematográfico, o que faz com que sua principal luta seja na estruturação jurídica do mercado audiovisual da África Ocidental (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g6Gkt4vX0xE&amp;ab_channel=CapacitaCursosOnline"><span style="font-weight: 400;">Gonzaguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> já dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">fica com a pureza e a resposta das crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">” e é através das respostas delas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> evidencia que, nesse planeta perdido e assolado por (e pela falta de) dinheiro, algumas coisas brilham mais e tem a pureza mais valorizada do que a própria infância. Porém, o documentário não perde tempo remoendo culpa, pois o mundo cão é implacável e há sempre mais coisas para se preocupar, há sempre alguém para nos apontar o dedo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a obra conscientemente opta por apontar a câmera, sem julgamentos e sem indução, como se fosse o espelho mais nítido de uma parcela que nunca sequer teve um holofote para si. A produção é um zoom que alcança a alma e, através do microcosmo de seu documentado, consegue discutir um macro que importa a todos: o viver. E na pureza da criança que sabe que nem tudo que reluz é ouro, que entendemos que a vida, apesar dos seus contratempos, é cruelmente bonita.</span></p>
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		<title>A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 21:12:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de A Sobrevivência da Bondade propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31782" aria-describedby="caption-attachment-31782" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. Na cena, que se passa durante o dia, podemos ver, ao fundo, uma estrutura de tijolos, que aparenta ser uma casa abandonada. Em um primeiro plano, ao centro, vemos uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e castanhos claros, vestindo uma camisa xadrez bege com listras pretas. Ela encara algo a direita da imagem, que não podemos ver." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31782" class="wp-caption-text">Presente no Festival de Cannes, Veneza e Berlim, A Sobrevivência da Bondade também integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. Conseguindo milagrosamente escapar depois de dias, ela cruza a paisagem árida em busca de salvação, para encontrar ainda mais barbárie na civilização. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse busca por recomeços, mas, a cada novo cenário apresentado, essa ideia parece mais distante. BlackWoman &#8211; como a protagonista é chamada nos créditos finais, uma vez que o longa-metragem praticamente não tem diálogos &#8211; cruza campos arenosos sem sinal de vida, cidades abandonadas por uma suposta guerra e trilhas em </span><a href="https://www.smh.com.au/culture/movies/apocalypse-meets-astonishing-beauty-in-rolf-de-heer-s-latest-work-20230503-p5d571.html"><span style="font-weight: 400;">ambientes hostis</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o inimigo caminhando poucos metros à frente. A mulher não tem outro objetivo senão a sobrevivência e, para o espectador, o tom é contemplativo. O que estaria acontecendo ali? E, acima de tudo, o que isso significa?</span></p>
<p><span id="more-31780"></span></p>
<figure id="attachment_31784" aria-describedby="caption-attachment-31784" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena é a paisagem de um deserto, em um plano aberto. Ao longe, à esquerda, vemos uma pequena gaiola com duas rodas. Ao lado direito, vemos, ao longe, uma mulher andando na direção oposta." width="1417" height="796" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31784" class="wp-caption-text">O diretor Rolf de Heer não é novato na Mostra de São Paulo: os longas-metragens Bad Boy Bubby (1993) e Dez Canoas (2006) também chegaram ao Brasil pelo evento (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">dispensa a bondade em questão. Desde o início, no entanto, o diretor </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que já teve passagens vitoriosas pelo Festival de Veneza e Cannes) explicita uma aura fabulesca e fantasiosa que acompanhará os eventos dali em diante. Abrindo o trabalho com uma cena em que corpos mortos por pessoas mascaradas se revela, na verdade, a decoração de um bolo em algum tipo de comemoração, o desenrolar já anuncia que não será explicativo, mas interpretativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proximidade do real, inclusive, fica a cargo de quem assiste. Enquanto vagueia pela </span><a href="https://nit.com.au/20-04-2023/5674/emerging-indigenous-film-crew-help-create-rolf-de-heers-film-the-survival-of-kindness"><span style="font-weight: 400;">diversa paisagem australiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, fotografada belamente por Maxx Corkindale para enfatizar a solidão e a hostilidade do cenário, BlackWoman se depara com tragédias e sofrimento humano, sem escolha a não ser seguir em frente. Se o retratado ali é uma alegoria para a realidade, a sobrevivência se mostra mais importante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao finalmente se deparar com uma cidade, a personagem troca as ameaças da natureza pela ameaça do homem. Em uma situação em que ela tem de pintar o rosto com tinta para se passar por uma pessoa branca por debaixo da máscara de gás e poder andar pelas ruas </span><a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><span style="font-weight: 400;">sem ser capturada</span></a><span style="font-weight: 400;">, o refúgio se mostra em duas crianças igualmente excluídas da parcela social considerada aceitável ali. O objetivo deles, novamente, recai em se manter vivos, uma vez que mudar a realidade parece impossível.</span></p>
<figure id="attachment_31783" aria-describedby="caption-attachment-31783" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena se passa em um local escuro, iluminado apenas pela luz de uma vela, que está ao centro. Ao lado esquerdo da vela, vemos, em um primeiro plano, a silhueta de um menino de costas, deitado de bruços no chão. Ao centro, vemos, de frente, uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e vestindo um sobretudo, de bruços no chão, segurando a vela. À direita, vemos a silhueta de uma menina de costas, de bruços deitada no chão." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31783" class="wp-caption-text">Gravado na pandemia, A Sobrevivência da Bondade retrata uma doença contagiosa que determina quem vive e quem morre, podendo ser uma alegoria ampla para a nossa realidade (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longas-metragens anteriores do holandês naturalizado australiano </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/apr/22/rolf-de-heer-on-his-radical-new-film-it-made-no-sense-to-make-it-with-old-middle-class-codgers"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> já haviam o consolidado como um diretor autoral e de abordagens experimentais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Survival of Kindness</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele parece propor mais uma reflexão do que uma narrativa fechada e com significados consolidados. Ao passo que BlackWoman caminha e transpassa desafios, ela encontra novos e, cada vez mais, se aproxima de situações sem humanidade e aparentemente sem saída.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao racismo, à escravidão moderna e a um vírus contagioso (ao qual somente as pessoas brancas mascaradas têm direito à proteção), de Heer cria situações que podem servir de alegoria à realidade. Sem denotar um recorte temporal ou uma contextualização que ancore o filme no mundo em que vivemos, as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/11/04/israel-ataca-comboio-de-ambulancias-e-escola-estou-horrorizado-diz-secretario-geral-da-onu"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;"> abordadas ali são paralelas ao que lemos no noticiário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo disso é a própria BlackWoman. Interpretada pela estreante </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/feb/17/the-survival-of-kindness-actor-mwajemi-hussein-rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Mwajemi Hussein</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz congolesa que escapou de seu país em meio a um conflito civil e passou por um campo de refugiados na Tanzânia até conseguir abrigo na Austrália, a personagem enfrenta as provações em seu caminho como quem não tem escolha a não ser perseverar. A produção não traduz seus poucos diálogos &#8211; presentes nos raros momentos em que ela não está sozinha -, mas palavras não são necessárias para mostrar a determinação e a resiliência da caminhada, cheias de emoção a cada gesto ou passo dado.</span></p>
<figure id="attachment_31781" aria-describedby="caption-attachment-31781" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31781" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade.  A cena se passa durante o dia em uma paisagem verde, com vegetação rasteira e rochas no chão. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher negra do busto para cima. Ela veste um chapéu de caubói marrom, um pano preto sobre a boca e o nariz e um sobretudo cinza, e segura a corda amarrada em uma menina. A menina está ao lado direito. Ela é uma jovem indiana, aparentando cerca de 15 anos, com cabelos castanhos longos e lisos, vestindo uma camiseta bege rasgada e coberta com uma manta azul. Ela tem ferimentos vermelhos em todo o rosto e está sendo amarrada pela mulher à esquerda." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31781" class="wp-caption-text">Além de Hussein, os jovens irmãos Deepthi e Darsan Sharma integram o elenco (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, porém, a mensagem se amplifica &#8211; ou cai por terra. Sem mudar a mesma realidade que a colocou em uma jaula para morrer no deserto, </span><a href="https://www.abc.net.au/listen/programs/afternoons/rolf-de-heer/102289006"><span style="font-weight: 400;">BlackWoman</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para o local de onde veio, abandonando os resquícios de luta que passaram pelo seu caminho. Talvez a batalha seja continuar viva ou, ainda, apenas ceder. Talvez a fábula seja conformista, apenas um mero retrato de uma realidade em que não há como vencer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As possibilidades da trajetória se revelaram piores do que a morte. Não há sentido em lutar se não houver como vencer? </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">recusa o que seu próprio título propõe e escancara um mundo de violências &#8211; e, se houver um significado por trás de todas elas, cabe ao espectador decidir. Ainda que o ritmo não seja arrastado, a sensação final é que uma hora e meia se estendem, em golpes duros de absorver. Porque, se a bondade existe, ela não sobreviveu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Official Trailer | The Survival of Kindness" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YEh_rH8HM54?start=5&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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		<title>Se se sentir sozinho, Fale Comigo</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Aug 2023 18:13:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Vivendo na linha tênue entre mainstream e marginal, o Cinema de Horror encontrou terreno fértil no público nos últimos anos. A A24 é um dos exemplos de produtora e distribuidora independente que, dando liberdade criativa para seus realizadores, lançou sucessos instigantes à audiência e à crítica, e pareceu reacender uma chama que sempre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fale-comigo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Se se sentir sozinho, Fale Comigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31318" aria-describedby="caption-attachment-31318" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31318" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo-3.jpg" alt="" width="924" height="387" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo-3.jpg 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo-3-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31318" class="wp-caption-text">Fale Comigo estreou no Festival de Sundance de 2023, onde foi adquirido pela A24 para ser distribuído nos Estados Unidos, e passou pelo Festival de Berlim (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo na linha tênue entre </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">e marginal, o Cinema de Horror encontrou terreno fértil no público nos últimos anos. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um dos exemplos de produtora e distribuidora independente que, dando liberdade criativa para seus realizadores, lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/marcel-the-shell-with-shoes-on-critica/"><span style="font-weight: 400;">sucessos instigantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> à audiência e à crítica, e pareceu reacender uma chama que sempre existiu no gênero, geralmente renegada ao lado B. Assim, a produtora assumiu um papel relevante em catapultar ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">estrelato</span></a><span style="font-weight: 400;"> obras discretas sob o seu merecido selo de qualidade. Foi o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;">: chegando aos cinemas mundiais já sob o título de “</span><a href="https://variety.com/2023/film/news/peter-jackson-praises-talk-to-me-best-horror-movie-1235696154/"><span style="font-weight: 400;">melhor terror de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">”, o longa de estreia dos irmãos RackaRacka saiu da Austrália para ganhar o mundo mostrando tudo que o Horror sempre teve a oferecer.</span></p>
<p><span id="more-31316"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Mia (Sophie Wilde), que se aproximou da melhor amiga Jade (Alexandra Jensen) após a morte da mãe, busca uma distração para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma festa de adolescentes do subúrbio, elas descobrem um ritual envolvendo uma mão embalsamada que supostamente invocaria espíritos e permitiria a possessão. Os jovens usam e abusam da prática como lazer &#8211; e para se provar uns aos outros -, até que as regras do rito são quebradas.</span></p>
<figure id="attachment_31322" aria-describedby="caption-attachment-31322" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1-1536x1025.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31322" class="wp-caption-text">No Brasil, Talk To Me chegou aos cinemas pela Diamond Films (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores RackaRacka, também conhecidos pelos nomes de batismo Danny e Michael Phillippou, logo indicam o que está acontecendo naquela garagem de casa do subúrbio australiano: adolescentes são idiotas e tomam decisões imbecis &#8211; e, como exemplificou </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o contexto de uma festa é ainda mais perigoso. O princípio é algo que permeia o terror há décadas e é quase unânime comprar que, sim, jovens são estúpidos e as piores situações acontecerão se depender deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Talk To Me </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original), o buraco é mais embaixo. O roteiro de Danny Philippou, Bill Hinzman e Daley Pearson escolhe aprofundar a situação de Mia. A protagonista perdeu sua mãe há um ano e, desde então, não sabe exatamente a causa para isso, já que seu pai não revela o que realmente aconteceu. Desconfiada, afastada da família e se sentindo sozinha, a personagem é o alvo perfeito para o que acontece em frente a mão embalsamada: </span><a href="https://personaunesp.com.br/scream-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens</span></a><span style="font-weight: 400;"> acendem uma vela para abrir a porta para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">além</span></a><span style="font-weight: 400;">, seguram o objeto, entoam “fale comigo” para invocarem os espíritos e “eu te deixo entrar” para serem possuídos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possessão é controlada, a princípio. Seguindo a regra dos filmes de Horror com um objeto sobrenatural, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EqO-Az95qRo&amp;pp=ygUNb3VpamEgdHJhaWxlcg%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Ouija</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWf6mu03QNM&amp;pp=ygUadmVyZGFkZSBvdSBkZXNhZmlvIHRyYWlsZXI%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Verdade ou Desafio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os Phillippou criam uma mitologia própria para o ato, que pouco faz sentido e, como toda boa obra do gênero, foi repassada da maneira mais tosca e divertida possível &#8211; um conhecido de um conhecido falou e ninguém nunca ousou discordar. Aqui, as exigências são simples e basta não deixar o espírito no corpo por mais de 90 segundos e apagar a vela no final. Como é de se esperar, na vez de Mia, é tudo isso que não acontece.</span></p>
<figure id="attachment_31321" aria-describedby="caption-attachment-31321" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-1024x686.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-2-1536x1029.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31321" class="wp-caption-text">Um dos aspectos que os irmãos RackaRacka não abriram mão foi o sotaque australiano: eles queriam um filme que os representasse até no jeito de falar, mesmo que isso não fosse comercial (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A previsibilidade acaba aí, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Talk To Me </span></i><span style="font-weight: 400;">traz uma nova roupagem às histórias de possessão. Primeiro, nada de um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre como o objeto se tornou amaldiçoado. Segundo, sob hipótese alguma adolescentes em uma festa discutirão algo relacionado a religiosidade &#8211; em que mundo real isso aconteceria? Os Phillippou fogem da obviedade de discutir dilemas místicos do porquê aquilo os aflige e do </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><span style="font-weight: 400;">didatismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da situação, encarando as coisas pelo que elas são: apenas um bando de jovens aceitando participar de um desafio perigoso na frente de câmeras e </span><i><span style="font-weight: 400;">lives </span></i><span style="font-weight: 400;">alheias para não serem taxados de frouxos. Afinal, todos querem pertencer e se sentir acolhidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, invocar espíritos e permiti-los tomar conta do corpo, mesmo que por 90 segundos, é consensual e funciona como um droga recreativa. E como toda droga, vicia os personagens e os faz querer ir além. Eles sequer lembram que é possível conversar com os possessores sem deixá-los entrar e o imediatismo e a impulsividade típicos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomam conta do elenco, composto quase inteiramente por jovens. Com a exceção da mãe de Jade e Riley, interpretada calorosamente pela veterana Miranda Otto, e do ausente pai de Mia, vivido por Marcus Johnson, os adultos nunca estão por perto e, quando estão, não escutam o que os mais novos têm a dizer. Não é de se estranhar que a brincadeira tenha ido tão longe.</span></p>
<figure id="attachment_31326" aria-describedby="caption-attachment-31326" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31326" class="wp-caption-text">Os diretores escolheram que o objeto embalsamado fosse uma mão justamente pela simbologia de conexão que os jovens tanto anseiam (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que deixar tudo na mão de adolescentes é um tanto arriscado. Quem vai resolver tudo quando o terceiro ato estiver caminhando para a conclusão? Logo de início, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara o quanto os </span><a href="https://www.youtube.com/@Therackaracka"><span style="font-weight: 400;">RackaRacka</span></a><span style="font-weight: 400;"> aproveitaram da </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">liberdade criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles, que chegaram a recusar uma proposta de financiamento de um grande estúdio para não terem que limitar suas ideias, abusam do que aprenderam no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube </span></i><span style="font-weight: 400;">e constroem uma narrativa dinâmica, que equilibra momentos de tensão à profundidade do roteiro &#8211; frequentemente unindo os dois. É quase automático lembrar que Mia é uma pilha de desconfiança e dúvida, que fará de tudo para sentir e acreditar em algo &#8211; ainda que esse algo venha de uma voz do além.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente porque a introdução já vendeu brilhantemente o conceito mais básico do Horror &#8211; jovens são estúpidos! -, a produção equilibra os atos para dar espaço ao luto e ao sentimento de pertencimento que moram na protagonista. Mesmo quando a linha narrativa é desvendada, as </span><a href="https://letterboxd.com/journal/terrifying-twos-talk-to-me-racka-racka-michael-danny-philippou/"><span style="font-weight: 400;">escolhas dos diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de continuar a empurrando aos extremos, sem seguir fórmulas de </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscare</span></i><span style="font-weight: 400;">, dilemas morais sobre como resolver a situação ou saídas heróicas, mostra uma personalidade que se recusa a aceitar o óbvio, mas sempre procura pelo inesperado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="FALE COMIGO | Trailer Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/yyKTCyePxZA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do que se acompanha, o que se vê também eleva os méritos dos realizadores. Seja para contornar a falta de orçamento ou por uma escolha estilística, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">abusa dos visuais práticos para criar uma identidade marcante entre as inúmeras possibilidades do Horror. A exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5n9v35xgRpw&amp;pp=ygUmYSBtb3J0ZSBkbyBkZW1vbmlvIGEgYXNjZW5zw6NvIHRyYWlsZXI%3D"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, mesmo com um orçamento menos modesto, optou pela praticidade e conseguiu carimbar cenas na mente do espectador, será difícil esquecer das sequências em que os adolescentes recebem os invasores em seus corpos (dirigidas livremente e aos gritos pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6gi0mJvq8S0&amp;pp=ygULcmFja2EgcmFja2E%3D"><span style="font-weight: 400;">irmãos Phillippou</span></a><span style="font-weight: 400;">) ou das que Riley está longe de si.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o departamento de maquiagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Talk To Me </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra </span><a href="https://www.rogerebert.com/interviews/talk-to-me-interview"><span style="font-weight: 400;">a que veio</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI </span></i><span style="font-weight: 400;">não faria melhor nem se tentasse. No entanto, os principais aliados do roteiro e da direção são os próprios atores. Apesar de não ganharem um aprofundamento mínimo, dando a sensação de que são praticamente descartáveis, o grupo de jovens que empurra o longa para frente só o faz pela veracidade com que interpretam personagens com idades semelhantes às deles mesmos.</span></p>
<figure id="attachment_31319" aria-describedby="caption-attachment-31319" style="width: 798px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31319" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo.png" alt="" width="798" height="457" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo.png 798w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/fale-comigo-768x440.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31319" class="wp-caption-text">Zoe Terakes é não-binárie e, mesmo que o nenhum subtexto de identidade ou sexualidade seja explorado em Talk To Me, o filme foi impedido de ser exibido no Kuwait (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto </span><a href="https://www.instagram.com/p/CvlaNm4PF8U/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Zoe Terakes</span></a><span style="font-weight: 400;">, intérprete de Hayley, é rebelde (aparentemente) sem causa, Alexandra Jensen vive uma Jade tão sem sal que poderia ser uma típica adolescente de 16 anos com problemas tão importantes como beijar o namorado. Ainda assim, as performances sabem se dosar e crescem para além das personalidades iniciais quando o pior começa a acontecer, assumindo um desespero palpável. Já Joe Bird, na pele de Riley, o irmão mais novo e pré-adolescente de Jade, mescla entre a inocência e a bizarrice, em uma escalada impensável proporcionada pelo roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o grande nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><a href="https://www.russh.com/talk-to-me-sophie-wilde-zoe-terakes-interview/"><span style="font-weight: 400;">Sophie Wilde</span></a><span style="font-weight: 400;">. A menina dos olhos de Danny e Michael Phillippou não deixa espaço para competição no protagonismo da obra e dá uma nova carga dramática e psicológica a toda cena que participa. É na pele da atriz que Mia vira uma personagem identificável, mesmo quando repreensível. A empatia evocada é mérito da própria intérprete, que clama por conexão, respostas ou apenas algum alento em meio à dor a cada novo “</span><a href="https://olhardigital.com.br/2023/08/16/cinema-e-streaming/pouco-susto-e-muita-tensao-veja-o-que-esperar-de-fale-comigo-a24/"><span style="font-weight: 400;">fale comigo</span></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_31320" aria-describedby="caption-attachment-31320" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31320" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-1024x686.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Fale-Comigo_Diamond-Films-3-1536x1029.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31320" class="wp-caption-text">A sequência de Fale Comigo foi confirmada pela A24 e deve ser uma prequela sobre o caso anterior da mão amaldiçoada (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Escancarando elementos do Horror que já pipocaram em algumas </span><a href="https://republicadomedo.com.br/a-blumhouse-e-a-nova-forma-de-fazer-horror/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;">, o trunfo de Michael e Danny Phillippou é sabê-los incorporar em uma história envolvente, uma visão aterrorizante e marcante em uma condução que não deixa o espectador piscar os olhos. Sobretudo, surpreende ao dar um novo ponto de vista a um subgênero consolidado, o deixando na mão de jovens enlutados, sozinhos e desesperados por afeto, atenção ou um breve momento fora de si. Com uma </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CvsH2MRNXfy/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">história fechada</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fale Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">também se aproveita das pontas soltas que provoca &#8211;  afinal, o didatismo não é o ponto forte dos diretores e cabe ao público pensar por si mesmo. Em caso de dúvidas, basta segurar a mão, acender a vela e entoar “fale comigo” mais uma vez.</span></p>
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		<title>A Menina Silenciosa tem muito a dizer</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:04:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Nos anos 80, em uma região campestre e isolada no mapa da Irlanda, uma garotinha responde aos estímulos mundanos com o silêncio. Ela não é incapaz de dialogar, nem decisivamente conformada a ponto de abrir mão das palavras, mas veste a capa da invisibilidade como tática de sobrevivência em uma casa apática e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Menina Silenciosa tem muito a dizer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29841" aria-describedby="caption-attachment-29841" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de olhos azuis e cabelos castanhos, lisos e longos. Ela usa um vestido amarelo listrado, com gola branca, e está em um carro. Ela olha para o lado esquerdo, onde se encontra a janela do veículo. Ao fundo, uma estrada de concreto." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29841" class="wp-caption-text">Unindo estreias na direção, no roteiro e no elenco, The Quiet Girl foi lançado no 72° Festival Internacional de Cinema de Berlim e chegou ao Brasil pelo <a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/">Festival do Rio</a>, em Outubro de 2022 (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos anos 80, em uma região campestre e isolada no mapa da </span><a href="https://mobdica.com/cine/sing-street-mostra-a-irlanda-dos-anos-80-e-o-rock-como-valvula-de-escape/"><span style="font-weight: 400;">Irlanda</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma garotinha responde aos estímulos mundanos com o silêncio. Ela não é incapaz de dialogar, nem decisivamente conformada a ponto de abrir mão das palavras, mas veste a capa da invisibilidade como </span><a href="https://www.sevendaysvt.com/vermont/silence-has-power-in-the-oscar-nominated-irish-language-drama-the-quiet-girl/Content?oid=37598580"><span style="font-weight: 400;">tática de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma casa apática e disfuncional. Essa é a premissa direta, dolorida e nada despretensiosa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LGWyqty2m-A"><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme inspirado no conto </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/30/books/review/claire-keegan-foster.html"><i><span style="font-weight: 400;">Foster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Claire Keegan, e dono de uma única e poderosa indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-29840"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de estreia de </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/film/i-am-12-i-don-t-know-what-my-career-will-be-catherine-clinch-star-of-an-cailin-ciuin-1.4806229"><span style="font-weight: 400;">Catherine Clinch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se move por uma eterna digestão sensorial. Na pele de Cáit, nome símbolo da pureza e riqueza em potencial, a atriz incorpora a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">inocência e curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> tipicamente infantis, que são abaladas todos os dias por várias faces da negligência, ora da escola ou daquele lar, ora de seus próprios pais e irmãos. Sem mascarar a dinâmica injustificável do abandono, as escolhas da produção de </span><a href="https://www.screendaily.com/features/stars-of-tomorrow-2022-cleona-ni-chrualaoi-producer/5171999.article"><span style="font-weight: 400;">Cleona Ní Chrualaoí</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre o esconderijo nas plantações do quintal e as fugas do recreio, costuram o sofrimento de sua protagonista ao dos familiares, presos em um ciclo de pesares e pobreza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da quinta gravidez da mãe, Cáit é enviada para morar com parentes distantes e, até então, desconhecidos. A </span><a href="http://cineplot.com.br/a-menina-silenciosa-2022-de-colm-bairead/"><span style="font-weight: 400;">transição de atos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece sob os mesmos faróis que guiam a grandiosidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título no Brasil) durante seus 94 minutos: os olhos atentos e profundos de Clinch, que capturam o cerne das mudanças manifestando as opiniões roubadas de sua boca. E, quando essas orbes azuis finalmente descobrem a realidade do </span><a href="https://www.zankyou.pt/p/as-7-historias-de-amor-no-mundo-do-cinema-com-maior-impacto"><span style="font-weight: 400;">afeto</span></a><span style="font-weight: 400;">, não há como voltar atrás.</span></p>
<figure id="attachment_29844" aria-describedby="caption-attachment-29844" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, no lado esquerdo, há uma menina branca de cabelos castanhos, lisos e longos. Ela usa vestido amarelo comprido até os joelhos e sandálias marrons. Ela está com as mãos cruzadas à frente do corpo e parada em frente a um carro amarelo, que tem uma das portas traseiras aberta. No lado direito, diante da garota, há uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque. Ela veste camisa rosa de botões e calça marrom, além de abrir um sorriso. Ao fundo, uma estrada de pedregulhos e um jardim verde." width="2000" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29844" class="wp-caption-text">O longa venceu sete prêmios no Irish Film &amp; Television Awards 2022, cerimônia mais ilustre de seu país de origem, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Amistosos e repletos de camadas, Eibhlín (</span><a href="https://www.wlrfm.com/news/carrie-crowley-says-an-cailin-ciuin-gave-people-confidence-speaking-irish-288583"><span style="font-weight: 400;">Carrie Crowley</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Seán Cinnsealach (</span><a href="https://www.independent.ie/entertainment/theatre-arts/an-cailin-ciuins-andrew-bennett-on-going-from-a-quiet-rural-childhood-to-a-party-hard-life-in-dublin-as-young-actor-41965070.html"><span style="font-weight: 400;">Andrew Bennett</span></a><span style="font-weight: 400;">) coordenam a guinada narrativa na vida da garota, mostrando a força embutida nos gestos mais corriqueiros. Com o carinho espelhado pela presença constante do casal, Cáit se acostuma a tomar banhos quentes, compartilhar a cozinha sorrindo levemente e transformar sua quietude, antes refém do medo, em um traço de identidade em desenvolvimento. Aos poucos, os não-ditos &#8211; que preenchem igualmente a </span><a href="https://lwlies.com/reviews/the-quiet-girl/"><span style="font-weight: 400;">memória enlutada</span></a><span style="font-weight: 400;"> do novo lar &#8211; desenlaçam traumas para recondicionar os horizontes esperançosos da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado por </span><a href="https://popcornpodcast.com/features/the-quiet-girl-colm-bairead-interview"><span style="font-weight: 400;">Colm Bairéad</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, aqui, comanda o primeiro longa-metragem de sua carreira, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o poder especial de criar pontes entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">suavidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">potência</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo porque seu primor criativo é encontrar energia na simplicidade dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XP-bO2CHJek"><span style="font-weight: 400;">momentos encenados</span></a><span style="font-weight: 400;">. Premiado e consolidado no universo dos curtas, o cineasta se desenvolve muito bem em uma história estendida que se batiza na dicotomia do amor: sentimento tão complexo quanto trivial, se sabemos lidar com ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto emotivo cresce, em paralelo ao ritmo lento e delicado da obra, pela conexão de elementos técnicos que quase cheiram à ternura. Panoramicamente imersiva e caseira, a fotografia de Kate McCullough (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) acompanha a maneira de Cáit se relacionar com cada mínimo fator vital que deveria ser belo e colorido por natureza, porém, só alcança </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/global/claire-keegan-the-quiet-girl-kate-mccullough-1235437713/"><span style="font-weight: 400;">luz literal</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a nítida evolução da personagem. A trilha sonora de Stephen Rennicks (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-quarto-de-jack-ha-mundo-atras-parede/"><i><span style="font-weight: 400;">O Quarto de Jack</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também não apequena a experiência, climatizando da tempestuosidade à doçura deixadas no caminho.</span></p>
<p><figure id="attachment_29843" aria-describedby="caption-attachment-29843" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29843" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1.jpg" alt=" Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de cabelos castanhos presos em uma trança. Ela veste blusa branca de gola alta e está retratada de perfil, do pescoço para cima. Ao fundo, uma paisagem verde e um céu azul desfocados. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29843" class="wp-caption-text">“O filme inteiro realmente descansa nos ombros dela. [&#8230;] Ela tinha essa habilidade ou esse tipo de entendimento”, comentou Bairéad sobre a atuação de Catherine Clinch, em entrevista ao Deadline (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Edificado por uma série de pioneirismos, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe alcance e impacto inéditos ao Cinema irlandês. A obra nasceu em </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2022/programme/202204521.html"><i><span style="font-weight: 400;">Berlinale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme pelo Júri </span><i><span style="font-weight: 400;">Generation Kplus </span></i><span style="font-weight: 400;">2022. Meses depois, se tornou a </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><span style="font-weight: 400;">maior bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> já vista para um longa-metragem confeccionado na </span><a href="https://www.screendaily.com/news/how-the-quiet-girl-an-cailin-ciuin-became-the-highest-grossing-irish-language-film-of-all-time/5175289.article"><span style="font-weight: 400;">língua hibérnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ganhar exibições em circuitos especializados da Coreia do Sul, Austrália, Inglaterra e dos Estados Unidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Declarado Melhor Filme Estrangeiro no </span><i><span style="font-weight: 400;">London Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 e indicado a dois prêmios do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa chega à 95ª edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> alargando seu currículo histórico. Essa é a primeira vez que a Irlanda consegue emplacar um representante na lista de nomeações a Melhor Filme Internacional, enfrentando produções da Alemanha, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlNWImeXzsQ"><span style="font-weight: 400;">Bélgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BfBH_YhCcAc"><span style="font-weight: 400;">Polônia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a vitória na competição seja projetada para o estrondoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a campanha do país europeu na premiação nunca esteve em holofotes melhores. Em um movimento carinhosamente apelidado de “</span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2023-02-14/ireland-oscar-nominations-staggering-count"><span style="font-weight: 400;">onda verde</span></a><span style="font-weight: 400;">”, a terra dos duendes concorre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em outras nove categorias e está nas raízes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">, novato na disputa pela estatueta de Melhor Ator.</span></p>
<figure id="attachment_29842" aria-describedby="caption-attachment-29842" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de cabelos castanhos, lisos e longos, que usa tiara e vestido amarelos. Ela está abraçada a um homem de cabelos curtos e grisalhos, o qual está virado de costas para a imagem. Ele usa casaco preto e retribui o gesto. Ao fundo, um céu azul e uma paisagem verde desfocados." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29842" class="wp-caption-text">As definições de “pai” foram brilhantemente atualizadas (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro e fora de si, o filme de Bairéad é sobre construção afetiva e, acima de tudo, sobre como a ternura é </span><a href="https://collider.com/oscars-nominations-2023-the-quiet-girl/"><span style="font-weight: 400;">revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amor tem diferentes linguagens, ultrapassa convenções e aprende a significar por si mesmo. A cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa mostra que não precisa de muito para emocionar com o reconhecimento de suas sutis, rotineiras e belíssimas expressões de humanidade. No fim, as palavras se apequenam, o sol paira sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4oIiLnMv0vQ"><span style="font-weight: 400;">um tremendo abraço</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, nas entrelinhas do pertencimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz sua prosa sentimental romper qualquer silêncio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Quiet Girl - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/LGWyqty2m-A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alcarràs de Carla Simón | Tráiler español | Avalon" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XacARMle0ZY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 18:22:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga  Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as sete, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28902" aria-describedby="caption-attachment-28902" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28902 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, vemos os três integrantes que compõem o coletivo artístico-culinário. Ao centro temos o personagem Billy interpretado por Asa Butterfield, um jovem branco de cabelos pretos com uma grande franja. Ele usa uma jaqueta jeans, camiseta vinho e calça jeans. Sua cabeça está arqueada e sua boca levemente aberta. Mais atrás, dos lados direito e esquerdo, temos duas mulheres, a da direita, loira e a da esquerda, de cabelo castanho cor de mel. As duas estão de costas, fazem movimentos com as mãos na altura do rosto e vestem uma espécie de vestido fúnebre na cor preta. Ao fundo, há uma parede que reflete uma luz azul." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28902" class="wp-caption-text">O filme chega em terras brasileiras através da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes/"><span style="font-weight: 400;">sete</span></a><span style="font-weight: 400;">, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito em um restaurante três estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Michelin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pela agonia que é experimentar algum ingrediente exótico. São essas experiências que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;">, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e Hungria, em cartaz na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e que estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cgc1Di6MEkf/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, busca instigar.</span></p>
<p><span id="more-28901"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigida pela nova sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">bizarro inglês, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/peter-strickland"><span style="font-weight: 400;">Peter Strickland</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra presta homenagens, em uma espécie de miscelânea, ao Cinema, Teatro e Gastronomia. O longa segue a história de um coletivo artístico-culinário em seu período de ensaios e apresentações, pelo olhar de um escritor, encarregado de documentar o processo. A premissa, por si só, já é um antro de bizarrices, sendo muito difícil sequer contemplar esse conceito. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue, e muito bem, escalonar suas ideias ao máximo.</span></p>
<figure id="attachment_28903" aria-describedby="caption-attachment-28903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28903 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle, uma mulher branca de meia idade e de cabelos castanhos cor de mel. Ela está nua e aparece somente do ombro para cima, completamente ensanguentada. Ela segura um microfone contra sua testa e ao fundo, há uma plateia observando." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28903" class="wp-caption-text">A curta carreira do diretor já é marcada pelo horror presente em seus filmes (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obsessão artística sempre foi uma tônica do Cinema, a exemplos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/cisne-negro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7kPKVxuz6k&amp;ab_channel=20thCenturyStudiosBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">[2014]. E essas obras sempre flertaram &#8211; umas mais, outras bem menos &#8211; entre o suspense e o horror. Como o pano de fundo do longa de Strickland já tendo uma aura perturbadora para chamar de sua, a escrita tem maior liberdade para destrinchar essa obsessão, o que é muito beneficiada também pelo caráter de experimentação que o Teatro naturalmente tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o idealizador consegue sair do arroz e feijão desse subgênero, traçando uma discussão sobre a Arte através da própria Arte, além de passear por outros entraves como o patriarcado e a exposição, tudo isso de forma muito consciente, engrossando o caldo de seu assunto-órbita que é a gastronomia. Aliás, é muito interessante como a obra usa esse fio condutor da comida para te conquistar pela barriga &#8211; só que, nesse caso, através de sequenciais socos no estômago.</span></p>
<figure id="attachment_28904" aria-describedby="caption-attachment-28904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28904 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle. Ela está vestindo uma camisola branca e aparece somente do ombro para cima, com a cara posicionada na direita, numa espécie de close da câmera. Ela segura um liquidificador com a mão esquerda e a tampa dele com a direita. Ele está aberto e vazando um líquido branco. Ao fundo, uma parede que reflete uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28904" class="wp-caption-text">O tempo todo, o filme sabe trabalhar a agonia no telespectador (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito bem aproveitado pelo longa seus diferentes aspectos e a forma como eles são inseridos na narrativa. A fotografia, pelas lentes de </span><a href="https://www.instagram.com/sidsidell/"><span style="font-weight: 400;">Tim Sidell</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sabe usar muito bem da parte documental, centralizando e aproximando em uma quase simetria os personagens que conduzem o estudo. Já a parte teatral dá uma outra ótica para o filme, com planos mais abertos que enfatizam a inserção dos personagens no cenário e exaltam o jogo de luzes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no Teatro, a produção usa muito bem o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som, de autoria de Tim Harrison. Durante os ensaios, a inserção de sons sob a improvisação dos personagens ajuda no processo de imersão do espectador. Já durante as apresentações, relembrando as </span><i><span style="font-weight: 400;">jam sessions</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos grupos mais progressivos e </span><a href="https://timba.nics.unicamp.br/engsom/index.php/leituras-e-ponteiros/historia-da-musica-ocidental/musica-experimental/"><span style="font-weight: 400;">experimentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século passado, as </span><i><span style="font-weight: 400;">pick-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> plugadas nos mais diferentes tipos de comida criam uma atmosfera única, que amplifica ainda mais a estranheza da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28905" aria-describedby="caption-attachment-28905" style="width: 1880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28905 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, temos a personagem Elle di Elle. Ela aparece do tronco para cima usando um vestido preto. Ela está encarando uma pessoa e em sua mão direita, além de um anel de pedra, está segurando um cigarro pela metade. Ao fundo, uma prateleira com potes de vidro que contém temperos." width="1880" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg 1880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1024x531.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-768x398.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1536x796.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1200x622.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28905" class="wp-caption-text">A entrega do elenco é primordial para a criação de mundo da história (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de maior destaque do filme, além do roteiro, sem dúvidas é o elenco. A liberdade que a escrita dá permite que os atores consigam espremer ao máximo todo o suco de sua atuação. Contidos na hora que precisam ser e extremamente expansivos quando lhes é exigido tal expansividade, as atuações funcionam tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHraElR_v60&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como separadas. Fatma Mohammed, musa de Strickland com quem já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vestido Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Duque de Burgundy</span></i><span style="font-weight: 400;">, rouba os holofotes para si e preenche todo o longa na difícil tarefa metalinguística de interpretar uma atriz. Já Asa Butterfield (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gwendoline Christie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Ariane Labed (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Makis Papadimitriou entregam atuações concisas e bem trabalhadas, que vão crescendo de acordo com o desenrolar da obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez não seja o melhor feito de Peter Strickland, mas sem dúvidas é a mais sensorial de sua carreira. Como um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> de festival, o longa sabe chocar, a exemplo da cena do exame de colonoscopia feito em público, ou a performance a princípio envolvendo excrementos que serviria de prato cheio para a máquina de disseminação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> fake news</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/30/padre-kelmon-peca-macaquinhos.htm"><span style="font-weight: 400;">direita conservadora brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é interessante notar como o diretor não usa o choque somente pelo choque, mas sim para desenvolver uma reflexão sobre o limite da Arte e o uso dessa impressionabilidade na mesma, enquanto o próprio filme é uma peça artística. Como qualquer comida, o longa talvez não seja para todos os paladares e muito menos para todos os estômagos, mas, ainda assim, tem um alto valor, seja ele nutritivo ou como experiência.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flux Gourmet - Official Trailer | HD | IFC Midnight" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oHraElR_v60?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Wagner Moura faz de Marighella uma experiência coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 16:36:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 52 anos se passaram desde que Carlos Marighella foi alvejado por tiros em uma emboscada, dentro de um carro na Alameda Casa Branca, em São Paulo. O momento, marcado para sempre nos livros de História como mais um dos massacres políticos e sociais da Ditadura Militar, agora é transposto às telas da ficção, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marighella-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Wagner Moura faz de Marighella uma experiência coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24928" aria-describedby="caption-attachment-24928" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Seu Jorge, um homem negro e adulto, com o filho no colo, uma criança que usa camisa branca e se abraça ao pescoço do pai. A cena é de dia e ao fundo vemos árvores e carros." width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24928" class="wp-caption-text">A coletiva de imprensa de Marighella ocorreu no Cine Marquise, na Avenida Paulista, à duas quadras de distância do local onde o Guerrilheiro foi assassinado em 1969 (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">52 anos se passaram desde que </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/11/04/marighella-historia-quem-foi.htm"><span style="font-weight: 400;">Carlos Marighella</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi alvejado por tiros em uma emboscada, dentro de um carro na Alameda Casa Branca, em São Paulo. O momento, marcado para sempre nos livros de História como mais um dos massacres políticos e sociais da Ditadura Militar, agora é transposto às telas da ficção, na dolorosa constatação de que o Brasil de 1969 dialoga com eloquência e pesar com o país de 2021. </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">, cinebiografia do </span><a href="https://traduagindo.com/2021/05/08/entrevista-com-carlos-marighella/"><span style="font-weight: 400;">Guerrilheiro que Incendiou o Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aposta no Cinema de ação e revolta para, em meio ao banho de sangue e lágrimas, exprimir esperança.</span></p>
<p><span id="more-24927"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A árdua tarefa de transformar a vida e a morte de Carlos Marighella em Arte não é recente. Na verdade, a ideia surgiu em 2013, como revelou o diretor Wagner Moura no evento de pré-estreia que aconteceu em São Paulo, no Cine Marquise da Avenida Paulista, no fim de outubro. Quando entrou em contato com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BsmGBsfrVEU"><span style="font-weight: 400;">livro de Mário Magalhães</span></a><span style="font-weight: 400;">, a decisão de ter alguém de esquerda e baiano no comando da produção pareceu uma combinação mágica para o ator, que sempre teve vontade de assumir o posto da direção, mas achou que o faria com uma obra menor, focada em poucos personagens e em uma história mais simples.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E simples não é nem de longe sinônimo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">. A publicação de Magalhães se estende por centenas e centenas de páginas, mas o recorte de Moura foi astuto o bastante para entender o recado. Ele queria, a princípio, devolver ao imaginário popular essa figura que foi amaldiçoada, e, fascinado por histórias de revolta, encontrou nesse filme o veículo ideal para unir o útil ao agradável. É certo que sua escolha inicial para viver o protagonista acabou não indo para frente e, após a saída de Mano Brown, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Os1zJQALz8"><span style="font-weight: 400;">poeta lutador</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não fazia concessões, chegou Seu Jorge.</span></p>
<figure id="attachment_24929" aria-describedby="caption-attachment-24929" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra o protagonista Seu Jorge usando terno e sentado, olhando para a frente com a cara fechada. Ele é um homem adulto, de pele negra e cabelos pretos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24929" class="wp-caption-text">O filme dilui os posicionamentos comunistas de Carlos Marighella, pintando uma imagem mais forte de patriota e nacionalista do militante (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também presente na coletiva, o artista não poupou elogios ao trabalho do diretor e foi muito sincero na hora de colocar em palavras o que atuar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">significava para sua própria jornada de reconexão com o Brasil, país pelo qual é apaixonado e se encontrava distante. Esse fogo de ardência é sentido em cada uma de suas preciosas e carregadas cenas. Quando banha seu filho Carlinhos no mar, numa construção que brinca com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">batismo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Seu Jorge já anuncia que as próximas duas horas e quarenta serão constituídas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f8tXFV_bkPU"><span style="font-weight: 400;">fortes emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se divide em duas. Mesclando momentos em 1964, após a instauração do golpe apoiado pelos EUA, e em 1968, logo depois de Marighella cofundar a Ação Libertadora Nacional (ALN). Dessa forma, a direção de Moura, em conjunto ao roteiro escrito por ele e </span><a href="https://vimeo.com/225578736"><span style="font-weight: 400;">Felipe Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, se priva de perpassar cada momento da criação e amadurecimento do protagonista, dando fôlego e tempo de tela para os dilemas de um Marighella envelhecendo, além de manejar com destreza o desenvolvimento de alguns coadjuvantes. Em 64, Seu Jorge é eufórico e a preocupação de revolta floresce por seus expressivos olhos. A maior qualidade dessa atuação, entretanto, se reserva aos momentos de calmaria, quando o ator abaixa a guarda.</span></p>
<figure id="attachment_24930" aria-describedby="caption-attachment-24930" style="width: 1046px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Seu Jorge em foco, de lado, e Humberto Carrão, branco e de barba preta. ao fundo desfocado." width="1046" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres.jpg 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-800x488.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-1024x625.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-768x468.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24930" class="wp-caption-text">Wagner Moura ilumina a figura da Religião e a importância dos freis dominicanos na luta contra a Ditadura Militar, ressaltando a coragem dos homens e a crueldade a que foram submetidos (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para viver um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/seu-jorge-diz-que-ataques-a-marighella-sao-racistas-e-pais-nao-sabe-lidar-com-isso.shtml"><span style="font-weight: 400;">homem negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pele clara, a escalação de Seu Jorge causou um rebuliço na mídia, visto que o ator tem a pele retinta. Na exibição para a imprensa, Wagner Moura detalhou o processo de </span><i><span style="font-weight: 400;">casting</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que o objetivo era</span><i><span style="font-weight: 400;"> “empretecer”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Marighella, neto de escravos sudaneses e filho de uma mãe nascida no ano da abolição. A </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/como-homem-negro-de-50-anos-tenho-questoes-diz-seu-jorge-interprete-de-marighella-pixinguinha-no-cinema-25255500"><span style="font-weight: 400;">questão racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> era intrínseca à vivência e a luta do baiano, e enquanto a produção enfatiza esse ponto de tensão, ela acaba também diluindo outra de suas características de formação: o </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/carlos-marighella/"><span style="font-weight: 400;">comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais que o roteiro deixe de escanteio os ideais do protagonista, quem conhece a História tem noção de sua posição marxista-leninista, e dos objetivos do combate à Ditadura Militar. Além da busca por igualdade e justiça, a ALN enxergava a necessidade da luta armada como caminho para a instalação de um governo popular revolucionário no Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No contraste, </span><a href="https://www.omelete.com.br/especiais/entrevista-bruno-gagliasso-marighella/"><span style="font-weight: 400;">Bruno Gagliasso</span></a><span style="font-weight: 400;"> encarna a escória do mundo na figura de Lúcio, policial que vai à caça dos militantes e guerrilheiros. O personagem, embora tenha outro nome, é a representação de </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-ditadura/delegado-fleury/"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Fleury</span></a><span style="font-weight: 400;">, delegado responsável por arquitetar a morte de Marighella. Quando perguntado na coletiva de que maneira deu nuances ao mal absoluto, o global revelou a dificuldade de se preparar para o papel. Pai de crianças negras, ele interpreta um racista e fascista desmedido, raivoso e violento. Gagliasso não opta pelo óbvio quando vocifera cada uma das ofensas cuspidas em tela, ele abraça o lado político da empreitada, contornando sua atuação ao redor da denúncia e do imediatismo do </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2021/10/19/bolsonaro-nega-ter-culpa-pela-crise-ache-um-cara-melhor.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24931" aria-describedby="caption-attachment-24931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro.jpeg" alt="Cena noturna do filme Marighella, mostra vários homens com armas apontadas para um mesmo lugar, atirando." width="2560" height="1404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-800x439.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1024x562.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-768x421.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1536x842.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-2048x1123.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1200x658.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24931" class="wp-caption-text">Embora demore a mostrar em tela as torturas da Ditadura, quando o filme dedica uma longa sequência ao momento, ele não poupa o teor da brutalidade e da violência (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/01/14/marighella-nao-e-caso-isolado-cultura-esta-sob-censura-diz-wagner-moura.htm"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atingiu o filme não foi acaso do destino. Como efeito cascata, Wagner Moura insistiu em catalogar esse bolsão de caos político entre os anos 13 e 21, desde as </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2018/06/manifestacoes-de-junho-de-2013-completam-cinco-anos-o-que-mudou.html"><span style="font-weight: 400;">Manifestações de Junho</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Golpe de 2016</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a eleição de Bolsonaro dois anos mais tarde, até chegar ao hoje, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-16/inacao-e-desinformacao-do-governo-bolsonaro-agravam-a-pandemia-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">pandêmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, enclausurado, natimorto. Quando subiu ao poder, o presidente não demorou a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/em-ofensiva-contra-ancine-bolsonaro-corta-43-de-fundo-do-audiovisual.shtml"><span style="font-weight: 400;">cortar verbas da Cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a Ancine, agência responsável pela retomada e pela frutífera colheita do </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-lirio-ferreira/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional pós-anos 90</span></a><span style="font-weight: 400;">, acabou inerte, dormente, sangrando. </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">estreou em 2019, no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/02/15/wagner-moura-lanca-marighella-no-festival-de-berlim-e-posa-com-placa-de-marielle-franco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas só pôde prestigiar uma exibição na terra que o concebeu dois anos depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A projeção no Cine Marquise foi a segunda coletiva do longa, depois daquela inaugural na </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/14/marighella-e-aplaudido-pelo-publico-em-1-exibicao-no-festival-de-berlim.htm"><span style="font-weight: 400;">Alemanha</span></a><span style="font-weight: 400;">. A produtora Andrea Barata Ribeiro foi enfática quando detalhou os percalços enfrentados pelo filme, desde pedidos negados pela Ancine (em um momento onde Bolsonaro enfatizava que </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/19/se-nao-puder-ter-filtro-nos-extinguiremos-a-ancine-diz-bolsonaro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filtraria o que achasse necessário</span></a><span style="font-weight: 400;">) até a dificuldade de entrar em cartaz. Ano passado, a ideia era um lançamento no Dia da Consciência Negra, que acabou não ocorrendo. Esse ano, eles conseguiram chegar em Novembro, mês simbólico para tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">significa. </span></p>
<figure id="attachment_24932" aria-describedby="caption-attachment-24932" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cinco.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Adriana Esteves sentada e olhando para a janela. Ela é branca, tem cabelos escuros e é iluminada pela luz do sol que entra pela janela." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-24932" class="wp-caption-text">Adriana Esteves teve o prazer de visitar a dona Clara da vida real e relatou que a presença de Marighella na residência da mulher é gigantesca: “a impressão é que ele vai tocar a campainha” (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ser uma ficção que coloca lentes dramáticas na jornada dos guerrilheiros, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">precisava funcionar como filme. Por mais que nem todos os acontecimentos tenham de fato acontecido, Wagner Moura enfatiza que eles são plausíveis para aqueles personagens. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DCFttf8ZgfY"><span style="font-weight: 400;">Maria Marighella</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz e neta de Carlos, é quem simboliza na carne esse elo forte com a realidade. Ela interpreta sua própria avó Elza, a mãe de seu pai, e faz da pequena presença na rodagem um dos corações pulsantes da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua contraparte, e espécie de irmã de alma, é Clara, personagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i33O69m4Ci0"><span style="font-weight: 400;">Adriana Esteves</span></a><span style="font-weight: 400;">, esposa de Marighella. A atriz, que assistiu ao longa pela primeira vez apenas dois dias antes da exibição na Avenida Paulista, tinha emoção no olhar quando ressaltou o poder do amor de um filme como esse, o poder de empatia e de esperança manufaturado pela visão do diretor. O exemplo mais claro fica perto da conclusão, quando depois de morto, Marighella tem sua foto exibida em uma redação de jornal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá, Carlinhos e sua mãe se chocam com o terror da realidade. Na hora em que Moura parece que cortará para o preto e dará por encerrada a experiência de quase 3 horas, o diretor, então aliado à montagem de Lucas Gonzaga, nos transporta para a residência de Clara. Esteves, aflita e absorta, quase que sentindo o momento sem ao menos ter a confirmação do assassinato, abraça o espectador. Ela sofre, chora, se conecta à personagem de Maria Marighella sem a necessidade de compartilhar o espaço físico. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LQeqMMI1m9M"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa decisão de Moura é sentida em segundo plano, correndo pelas beiradas. </span></p>
<figure id="attachment_24933" aria-describedby="caption-attachment-24933" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra de perfil o ator Bruno Gagliasso urinando na parede. Está de dia e a câmera mostra apenas seu rosto e ombros, mas seus olhos miram o chão. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24933" class="wp-caption-text">No exercício de entregar o filme para as comunidades da qual Marighella fez parte, o longa teve exibições especiais na companhia da Coalizão Negra Por Direitos, além de uma pré-estreia na Bahia, terra natal do protagonista (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste de gerações entre Marighella e os companheiros de luta pode parecer desencaixado à princípio, mas é uma deliberação proposital. Com a Arte acostumada a representar seus militantes jovens demais, o filme coloca esse homem de cinquenta anos para liderar uma galera que mal chegou aos trinta. O </span><a href="https://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969), como bem relembra Maria Marighella em sua fala sobre a importância da juventude, dá “funções” a cada um dos grupos, dos artistas, aos estudantes e aos cidadãos “comuns”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colocar em cena Seu Jorge ao lado de nomes como Humberto Carrão, Bella Camero e Jorge Paz serve para mostrar que essas pessoas tinham vidas, sonhos felizes, trabalhos ordinários e muito a perder. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/humberto-carrao-nao-sei-jogar-jogo-das-celebridades-nem-quero-1-24209398"><span style="font-weight: 400;">Carrão</span></a><span style="font-weight: 400;">, escondido por uma barba espessa e uma camada de suor que o camufla em cena, vive pela euforia do grito e da rebelião. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HRGyhfZCXGU"><span style="font-weight: 400;">Camero</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a sensatez aliada ao fogo da inquietação, e </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/ator-da-periferia-do-df-supera-dificuldades-e-e-destaque-em-marighella"><span style="font-weight: 400;">Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o coadjuvante mais importante do longa, cultiva o medo do amanhã pela família e a destreza do hoje pela verdade e pela justiça. Quando o filme poda cada uma de suas raízes, o sentimento de amargor é sinônimo de melancolia, mas nunca de derrota.</span></p>
<figure id="attachment_24934" aria-describedby="caption-attachment-24934" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra o ator Humberto Carrão com um jornal na mão e fumando na calçada. Ele é branco, tem barbas e cabelos volumosos e escuros e usa uma camisa estampada marrom com o botão de cima aberto." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24934" class="wp-caption-text">Embora tenha sido exibido ao mesmo tempo em que rolava a 45ª Mostra de SP, Wagner Moura disse que o filme “foi evitado” pela organização do Festival, que prezava por longas inéditos em sua programação (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência coletiva que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">aflora mora no debate, na troca de ideias e na propagação do senso de luta. Não cabe apontar o que o filme “adaptou corretamente” a história ou julgar as liberdades tomadas pela Sétima Arte. Tendo como objetivo primário funcionar dentro do gênero da ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">não pinta seu protagonista como herói demais, ou vilão de menos. Seu Jorge dá vida a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fd8oX1u8gRA"><span style="font-weight: 400;">homem repleto de falhas e sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que encontrava na agitação e na manifestação a única maneira de pregar seus ideais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.instagram.com/p/CSSlAR6rKGT/"><span style="font-weight: 400;">Cinema no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, como em qualquer outro lugar do mundo, vem munido de ideologias e comentários sociais. Mas, se quem assiste acredita que a luta pelos direitos sociais, a igualdade, o antifascismo e o </span><a href="https://www.ecycle.com.br/antirracista/"><span style="font-weight: 400;">antirracismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> são “manobras de esquerda” ou “posições radicais de doutrinação”, o problema não está dentro das quase três horas de realização cinematográfica. </span></p>
<figure id="attachment_24935" aria-describedby="caption-attachment-24935" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/oito.jpg" alt="Cena do filme Marighella. A foto em preto e branco mostra Seu Jorge em pé e olhando para o lado, usando camisa branca." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-24935" class="wp-caption-text">Recentemente, o <a href="https://istoe.com.br/193279_A+FARSA+NA+MORTE+DE+MARIGHELLA+/">fotógrafo Sérgio Jorge</a> realizou uma encenação da pose real de Marighella assassinado no veículo, mostrando uma versão diferente da veiculada pelos militares (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos depois de dar vida a um </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><span style="font-weight: 400;">Capitão Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornou bandeira de uma direita autoritária e violenta e a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LxuIhjvhePA"><span style="font-weight: 400;">Pablo Escobar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que caia facilmente na visão norte-americana de gato e rato, hoje Wagner Moura realiza um Cinema de ação com significado e mensagem mais delimitados. Ele não faria um filme deste calibre e com essa pegada se não fosse orgânico ao material base, como ressaltou na coletiva, definindo a obra como um híbrido de gêneros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Extrapolando o meio-termo entre o surreal e o mundano, o filme ensurdece pelo desenho de som altíssimo e que valoriza cada caixinha da sala de cinema. Mas o absurdo tempo do corte final enfraquece uma obra que poderia chegar ao mesmo lugar (ou até a um patamar elevado) com muitos minutos a menos. Como diretor de primeira viagem, Wagner Moura faz o primordial aqui: </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/marighella-ja-filme-brasileiro-mais-assistido-em-2021-apos-quatro-dias-nos-cinemas-25265660"><span style="font-weight: 400;">coloca o filme na boca do povo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se estica para além do telão branco e se senta ao lado do espectador, plantando dúvidas, opiniões e fomentando o que o Cinema sempre se prestou a fazer, mudar perspectivas e criar sensações. </span></p>
<figure id="attachment_24936" aria-describedby="caption-attachment-24936" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove.png" alt="Foto da coletiva de imprensa, mostra os atores, produtores e roteiristas posando para a foto, reunidos e todos de máscara" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24936" class="wp-caption-text">A coletiva de Marighella aconteceu dia 29 de outubro, no Cine Marquise da Avenida Paulista, com a presença do elenco, produtora, roteiristas e do diretor do filme (Foto: <a href="https://almapreta.com/sessao/cultura/marighella-estreia-nos-cinemas-um-filme-sobre-esperanca-diz-wagner-moura">Alma Preta</a>)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">é barulhento, essencialmente violento e tem em sua formação uma mensagem de motim que, sem problemas ou empecilhos, conversa com o Brasil governado por Bolsonaro mas gerido pelo caos. Vai incomodar, </span><a href="https://portalpopline.com.br/imdb-identifica-mutirao-notas-baixas-marighella/"><span style="font-weight: 400;">vai ser incomodado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sinaliza uma marca para o Cinema “popular”, já carregada por produções sem o mesmo alcance ou interesse da audiência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para efeito de comparação, no mesmo mês em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">preencheu suas cerca de trezentas salas, </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/potente-e-necessario-cabeca-de-nego-estreia-nos-cinemas-nesta-quinta-1.2558528"><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que também lida com questões raciais em um Brasil ebulindo, mal chegou a compor notas de rodapé. A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/marighella-cena-pos-creditos"><span style="font-weight: 400;">cena pós-créditos</span></a><span style="font-weight: 400;">, nascida de um improviso do elenco, é o clímax da paixão dos realizadores. Tomando de solavanco o hino nacional, há muito nos surrupiado, os atores colocam para fora o sentimento de nacionalismo apagado quando o assunto é comunismo, o bicho-papão do século XXI. Os guerrilheiros amavam o Brasil, Carlos Marighella amava o Brasil, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/wagner-moura-esclarece-cena-pos-credito-de-marighella.phtml"><span style="font-weight: 400;">Wagner Moura ama o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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