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	<title>Arquivos Darkside &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.” Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29669" aria-describedby="caption-attachment-29669" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29669 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg" alt="Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29669" class="wp-caption-text">Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/12/corpo-da-escritora-nelida-pinon-e-sepultado-no-rio-de-janeiro-clc9g0z4c002m01cmeyxkijb1.html"><span style="font-weight: 400;">sepultamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Mausoléu da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A maior escritora viva do país</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/nelida-pinon-era-a-maior-escritora-viva-do-brasil-diz-presidente-da-abl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a </span><a href="https://odia.ig.com.br/opiniao/2023/01/6552432-nelida-pinon-uma-mulher-uma-obra-um-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/morre-nelida-pinon.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Piñon</span></a><span style="font-weight: 400;"> já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. </span><a href="https://blariss.medium.com/a-casa-da-paix%C3%A3o-e-o-empoderamento-da-mulher-frente-ao-patriarcado-3840c4400436"><span style="font-weight: 400;">Na obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">linguagem</a>, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, o romance </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tebas-meu-cora%C3%A7%C3%A3o-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555875658/ref=d_pd_sbs_sccl_1_2/141-8632924-8900261?pd_rd_w=L8mZk&amp;content-id=amzn1.sym.f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_p=f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_r=JB3JCZ6CDGS4C1NBDME9&amp;pd_rd_wg=zZB5E&amp;pd_rd_r=8c16dd5b-86fb-4a92-a5da-516b00913bc5&amp;pd_rd_i=6555875658&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tebas do meu coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A república dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1984, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/fotos-escritora-nelida-pinon-morreu-aos-85-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nélida</span></a><span style="font-weight: 400;"> novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas <a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/">contradições de seus personagens</a>, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">A república</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance sobre a </span><a href="https://www.revistabula.com/58193-a-cadeira-de-nelida-pinon/"><span style="font-weight: 400;">postura transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/academica-nelida-pinon-sera-sepultada-no-mausoleu-da-abl"><span style="font-weight: 400;">ABL</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março &#8211; esperançosamente, passando para uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/heloisa-buarque-de-hollanda-e-favorita-para-substituir-nelida-pinon-na-academia-brasileira-de-letras,576e075d2285f882cdd6a6b442166b4061z3s2n5.html"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no</span><b> Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29643"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<hr />
<figure id="attachment_29656" aria-describedby="caption-attachment-29656" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29656 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg" alt="" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1200x1843.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1.jpg 1617w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29656" class="wp-caption-text">Vozes do Deserto é considerado peça chave na Literatura de Nélida Piñon (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Nélida Piñon &#8211; Vozes do Deserto (400 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2004 e vencedor do prêmio Jabuti de 2005 nas categorias de Melhor Romance e Livro do Ano, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vozes-do-deserto-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555872977/ref=asc_df_6555872977/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379726091008&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13271059152579916061&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001725&amp;hvtargid=pla-1521435263197&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nélida Piñon, retoma, como um mito, uma das mais célebres histórias da Literatura: </span><i><span style="font-weight: 400;">As mil e uma noites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para salvar as futuras jovens das garras do poderoso Califa – que, inconformado pela traição da antiga esposa, casa-se todos os dias com uma jovem do reino para matá-la após a noite de núpcias –, Sherazade decide se casar com esse ser “desprezível”, prendendo-o através de suas histórias, determinada que o fim de sua imaginação e liberdade jamais seriam controladas por alguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma interessante, o romance mostra o domínio narrativo de Piñon ao evocar o cuidado na escolha das palavras, em que apodera-se da história original apenas como pretexto para narrar a situação da mulher no mundo contemporâneo. Dessa maneira, através da protagonista feminina mais famosa da Literatura universal, a intenção é elucidar e propulsionar seu protagonismo, bem como a importância do papel da fantasia na vida humana, criando uma linda metáfora sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29653" aria-describedby="caption-attachment-29653" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29653 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png" alt="Capa do livro Retalhos. Na imagem estão as ilustrações de Craig Thompson e Raina. Ele é um garoto branco de cabelos pretos lisos, está vestindo um casaco longo cinza, calças roxas e tênis preto. Ela é uma garota branca de cabelos loiros, está vestindo um casaco azul marinho, calças marrom e tênis preto e branco. Os dois estão de frente um para o outro. Ao fundo, há uma colcha de retalhos laranja. A parte superior da capa abriga o nome do autor e do livro." width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-558x800.png 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-768x1101.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1.png 800w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29653" class="wp-caption-text">Retalhos acumula três prêmios Harvey e foi a vencedora do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos em 2005 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Craig Thompson &#8211; Retalhos (592 páginas, Quadrinhos na Cia) </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Retalhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> – traduzida no Brasil por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02664"><span style="font-weight: 400;">Érico Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – é a autobiografia do autor e ilustrador Craig Thompson. Na história, o leitor embarca em uma viagem pelas partes mais íntimas e singulares do protagonista de maneira sensível e avassaladora. Entre os traços em preto e branco, a vivência do personagem em Wisconsin, nos Estados Unidos, é explorada a partir das relações que o marcaram ao longo da vida. As peças se desmontam na criação rígida e na opressão familiar, no afastamento com o irmão, na convivência dentro da escola, na religião e até em um relacionamento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no primeiro amor que as cenas se tornam um pouco mais doces, com Raina – a garota que poderia ser um antônimo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UlISIohRwaE"><span style="font-weight: 400;">Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o personagem se permite ousar e se desamarrar de certos nós. O relato é um misto doloroso de como a existência pode ser cruel e ao mesmo tempo deixar tantos aprendizados. Ao fim, todos os retalhos – sejam rasgados ou imaculados – formam o que há de mais singular no mundo: o próprio ser. &#8211;</span><b> Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29657" aria-describedby="caption-attachment-29657" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29657 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg" alt="Capa do livro até os ossos." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-568x800.jpg 568w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-768x1081.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-1091x1536.jpg 1091w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1.jpg 1819w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29657" class="wp-caption-text">Bones &amp; All venceu o Alex Award de 2016, prêmio que reconhece produções literárias para jovens adultos (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Camille DeAngelis &#8211; Até os ossos (296 páginas, Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maren quer ser uma adolescente normal com um vida igualmente comum, mas não consegue desviar de seus instintos canibais. Quando é abandonada pela mãe e decide rumar ao norte do país para, sozinha, encontrar o pai, conhece Lee, um jovem com quem divide semelhanças. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2015 e que rendeu uma adaptação cinematográfica homônima dirigida por Luca Guadagnino, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canibal de Camille DeAngelis mergulha nas camadas mais profundas da mente de Maren e vai além do horror para pincelar os anseios mais genéricos e universais de jovens adultos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anseios esses que nada têm a ver com o canibalismo. Apesar do fator efetivamente mover a narrativa, levando Maren e Lee </span><a href="https://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">de uma ponta a outra</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e chamar a atenção para a produção como um todo (ambas a literária e a cinematográfica), os peculiares hábitos alimentares dos dois servem mais como um subtexto. Juntos, o casal desvenda a solidão, amor e </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, avalia o futuro e a ética versus necessidade do que fazem, enquanto embarcam em uma aventura na caminhonete de Lee. Para eles, há futuro que não seja fugindo de cidade em cidade ou estão condenados a sobrevivência por se renderem aos seus instintos? Como qualquer jovem adulto, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511683/ate-os-ossos"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua, sem chegar a uma resposta definitiva. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_29661" aria-describedby="caption-attachment-29661" style="width: 379px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/a-morte-e-um-dia-1-1.jpg" alt="[A imagem é a capa do livro A morte é um dia que vale a pena viver. O fundo da capa é branco, e no topo está escrito em preto o nome da autora Ana Claudia Quintana Arantes. Abaixo há a ilustração de galhos floridos, os galhos são marrons e as flores tem tons avermelhados e rosados. Mais abaixo há o título do livro escrito em rosa. E por fim, em letra preta, menor e mais discreta que o título, há a frase “E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida" width="379" height="569" /><figcaption id="caption-attachment-29661" class="wp-caption-text">Em sua estreia no universo literário, Ana Claudia Quintana Arantes entrega uma obra reflexiva e difícil de engolir (Foto: Sextante)</figcaption></figure><b>Ana Claudia Quintana Arantes &#8211; A morte é um dia que vale a pena viver (192 páginas, Sextante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A morte é um dia que vale a pena viver</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem narra a história é uma médica especializada em </span><a href="https://www.casadocuidar.org.br/cuidados-paliativos/?gclid=Cj0KCQiAt66eBhCnARIsAKf3ZNEYG0XuQe-A-cUDnc58zYwa7qWt5s7SPUM3lMLm0oK3FitHMbQ1r0EaApaKEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">cuidados paliativos</span></a><span style="font-weight: 400;">: Ana Claudia Quintana Arantes traz parte de sua jornada profissional em busca de uma reflexão sobre a morte e o medo que a cerca. Em uma sociedade que vê o óbito como fim absoluto, a profissional explicita as dificuldades que sofreu até se encontrar em sua individualidade &#8211; lidar com o falecimento nunca foi algo fácil, mas, na profissão escolhida, que outra opção ela tinha?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprender a enxergar a vida &#8211; ou a sua antítese &#8211; com outros olhos foi o caminho que Ana preferiu seguir. Contando suas vivências pessoais e profissionais, a doutora mostra o quão importante é a valorização da morte, o direito do indivíduo de partir com dignidade e a minimização do sofrimento de quem vai e de quem fica com a dor da despedida. A forma com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs"><span style="font-weight: 400;">Ana</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata do assunto, ainda considerado um tabu, é admirável &#8211; compartilhando casos de alguns pacientes, o objetivo principal é concluído: causar ponderação sobre o que ainda aflige grande parte da população e a busca pelo propósito de vida de cada um. Tomara que, quando acabar de ler, veja o fim de seu ciclo na Terra de uma forma diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29660" aria-describedby="caption-attachment-29660" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg" alt="Capa do livro Os Bons Companheiros. Nela temos uma divisão de vermelho e branco, sendo vermelho a parte superior e branco a inferior. Na parte superior, há a dianteira de um Opala desenhado na cor branca, com os detalhes da dianteira em preto. Em cada extremidade do carro, há uma linha pontilhada preta. Acima do carro, um card azul claro com alguns desenhos na borda e no seu interior está escrito “Nicholas Pileggi”. Abaixo dele, os dizeres “MADE IN D.A.R.K”. Passa pelo card, como se fosse uma borda do livro, uma linha dourada. Na parte inferior, vemos uma pá desenhada na cor preta e logo abaixo dela o título “GoodFellas” e abaixo dele em letras menores, a tradução “OS BONS COMPANHEIROS”. Na parte inferior da capa, lemos “DARKSIDE” sublinhado" width="606" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1-559x800.jpg 559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29660" class="wp-caption-text">Martin Scorsese, diretor da premiada adaptação, considera a obra um clássico moderno de True Crime (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Nicholas Pileggi &#8211; Os Bons Companheiros (271 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplamente conhecido </span><a href="https://darkside.blog.br/os-bons-companheiros-por-dentro-da-mente-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a versão literária de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros </span></i><span style="font-weight: 400;">também nasceu um clássico. Nela, acompanhamos a história de Henry Hill, um jovem garoto americano com descendência italiana e irlandesa que começa a fazer parte do dia a dia de uma máfia de seu bairro. Após 3 décadas convivendo com a família Lucchese, uma das cinco famílias que comandavam Nova York no século passado, Hill é preso por tráfico e entra no Programa Federal de Proteção à Testemunha, onde decide contar sua vivência para o jornalista Nicholas Pileggi, conhecido pelo seu trabalho cobrindo o mundo do crime organizado e da máfia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é um retrato extremamente fiel das máfias que dominaram os Estados Unidos no século XX. Além de abdicar de todo o glamour característico desses grupos, a narrativa é contada pelo ponto de vista de alguém vindo de fora, que aos poucos subiu nos negócios da família e conhece todos seus meandros e corrupções. Extremamente brutal e visceral, o livro passeia pela violência, loucura, golpes, roubos e relações familiares de maneira fascinante e instigante, quase que nos inserindo e nos tornando parte da </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/familia-lucchese-desde-sempre-uma-das-familias-mais-influentes-da-cosa-nostra/#:~:text=A%20fam%C3%ADlia%20foi%20fundada%20em,recepta%C3%A7%C3%A3o%20e%20assassinato%20de%20aluguel."><span style="font-weight: 400;">família Lucchese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;</b> <b>Guilherme Veiga</b></p>
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<p><figure id="attachment_29663" aria-describedby="caption-attachment-29663" style="width: 328px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Orgulho-e-Preconceito-1-1.jpg" alt="[Capa do livro Orgulho e Preconceito. Ao centro da imagem é possível ver o título do livro em preto; ao seu redor há uma moldura antiga, dourada e oval. No canto inferior direito há a figura de um homem em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa cor de rosa; no canto superior esquerdo há a figura de uma mulher em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa branca. No canto superior direito há um pedaço de um castelo antigo, com uma caligrafia também antiga por cima. No meio superior está o nome da autora em preto, e no inferior o nome da editora em amarelo escuro. O fundo da capa é azul, mas é possível ver ilustrações que imitam colagens em branco, bege, preto, rosa e dourado." width="328" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29663" class="wp-caption-text">Orgulho e Preconceito retrata dois corações que superam obstáculos criados por eles mesmos (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure><b>Jane Austen &#8211;  Orgulho e Preconceito (421 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura inglesa e o favorito de muitos &#8211; não por acaso, o livro, apesar de escrito no século XIX, é bastante visionário em algumas de suas pautas. A história foca principalmente em Elizabeth Bennet, uma das muitas filhas de uma família pobre, que sofre pressão da sociedade por já ter passado da idade casadoura. Lizzie é um exemplo e uma heroína para as mulheres e meninas da época porque em nenhum momento se obriga a acatar as regras patriarcais se submetendo a um homem e casando contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mulher encontra seu interesse romântico ao longo da história: Senhor Darcy, um homem muito rico que também se interessa por ela. Os dois passam pelos seus próprios desafios pessoais para lidarem com seus sentimentos. Lizzie precisa passar por cima de seu orgulho para aceitar se relacionar e Darcy, superar seu preconceito para se juntar a uma companheira que vem de uma família pobre. Eles são diferentes, mas ao mesmo tempo similares e se complementam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai muito além de uma história de amor, é a narrativa de dois personagens que se esforçaram para sair de suas zonas de conforto e crescer como pessoas sem abandonar seus ideais. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_29662" aria-describedby="caption-attachment-29662" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg" alt="Capa do livro A Droga da Obediência. Na arte, o plano de fundo é laranja para que as informações se destaquem o máximo possível. Na parte superior, o nome do autor Pedro Bandeira está escrito em letras garrafais na cor azul clara. No centro, o nome da série de lançamentos juvenis Os Karas também está escrita em letras garrafais, mas em cores pretas sobre um vetor branco. Na parte inferior, o nome do livro A Droga da Obediência está escrito na cor laranja, mas contornado de modo a se diferenciar do fundo. Por último, está posicionado o nome e o logo colorido da editora Moderna." width="585" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1-549x800.jpg 549w" sizes="auto, (max-width: 585px) 85vw, 585px" /><figcaption id="caption-attachment-29662" class="wp-caption-text">Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido da história do Brasil (Foto: Moderna)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Bandeira &#8211; A Droga da Obediência (192 páginas, Moderna)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem livros que são eternamente marcados pela presença praticamente obrigatória na grade escolar e, na maioria das vezes, o que é uma tentativa de introduzir a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4903079-apos-polemica-de-felipe-neto-como-abordar-literatura-classica-na-escola.html"><span style="font-weight: 400;">literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano dos </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/22/noticia-e-mais,159551/entrevista-com-pedro-bandeira-jovens-me-provam-que-e-gostoso-viver.shtml"><span style="font-weight: 400;">jovens estudantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba se transformando na experiência nada agradável de se esforçar somente em busca de um boletim mediano. Contrariando o senso comum, </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/16/noticia-e-mais,159357/pedro-bandeira-comemora-30-anos-de-a-droga-da-obediencia.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Pedro Bandeira é aquela narrativa que encanta de primeira e te faz acreditar que todas as outras podem ser tão divertidamente viciosas como ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1984, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue os protagonistas na aventura de impedir o Doutor Q.I, vilão que deseja dominar o mundo com uma droga que causa a obediência. Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magri compõem o grupo que é “</span><i><span style="font-weight: 400;">o avesso dos coroas, o contrário dos caretas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Rebelde com o papel e o lápis na mão, </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/pedro-bandeira-faz-80-anos-veja-5-livros-do-escritor-para-matar-a-saudade-da-infancia/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um clássico em meio as seis obras que fazem parte da coletânea investigativa </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/08/28/herois-da-literatura-jovem-os-karas-crescem-e-encaretam-em-novo-livro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Karas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29664" aria-describedby="caption-attachment-29664" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29664 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainhas da noite, do autor Chico Felitti. A capa mostra a foto de uma mulher branca, sentada no banco de trás de um carro, usando uma blusa vermelha. Em fonte branca, lê-se Rainhas da noite: As travestis que tinham São Paulo a seus pés e Chico Felitti. Ao lado, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29664" class="wp-caption-text">Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan protagonizam a obra de Chico Felitti (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Felitti &#8211; Rainhas da noite (256 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se dedicou à confecção de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2020/04/13/resenha-livro-ricardo-e-vania/"><i><span style="font-weight: 400;">Ricardo e Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chico Felitti mergulhou no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da São Paulo de décadas atrás. A maturidade e o extenso material na manga fazem com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas da noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegue aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pedigree </span></i><span style="font-weight: 400;">do dono do </span><a href="https://open.spotify.com/show/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV"><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">mais badalado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano passado (também interessado em cavucar as minúcias de uma cidade em ebulição e seus residentes). As protagonistas da vez são três mulheres de pose e poder: acompanhando as jornadas e o amadurecimento de Jacqueline, Andréa e Cristiane, o leitor embarca nas sensações de um mundo passado, mas em demasia presente no cotidiano do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplificando a voz de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/expressao/livro-rainhas-da-noite-travestis-chico-felitti/"><span style="font-weight: 400;">mulheres trans e travestis</span></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiras e verdadeiras ícones da comunidade LGBTQIA+, o livro investiga, suscita questões e problematiza o ecossistema da prostituição e dos jogos de poder da cidade que insiste em nunca dormir e virar o rosto para a parcela mais marginalizada de sua sociedade. Emocionante, elucidativo, grandioso, complexo e humano, o livro de Felitti, que </span><a href="https://gay.blog.br/anais-da-historia/entrevista-chico-felitti-fala-sobre-seu-novo-audiobook-rainhas-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">nasceu como</span><i><span style="font-weight: 400;"> audiobook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na voz de Renata Carvalho, ressuscita os sonhos e os amores dessas e de tantas outras figuras, apagadas à força, mas que, em trabalhos de memória e amor como este, aos poucos retornam aos lugares de direito. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29655" aria-describedby="caption-attachment-29655" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29655 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Dia Um." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29655" class="wp-caption-text">Recebido pelo Persona na parceria com a editora Companhia das Letras, Dia Um é o primeiro romance do poeta Thiago Camelo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Thiago Camelo &#8211; Dia Um (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele de costas, a porta batendo – essa é a última imagem que você tem de seu irmão”</span></i><span style="font-weight: 400;">, escreve </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/thiago-camelo-recusa-pecha-de-autoficcao-em-novo-livro-sobre-suicidio-do-seu-irmao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Thiago Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211067/dia-um"><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, narrado em segunda pessoa, “você” é parte fundamental da história. Entender os motivos que levaram o irmão mais velho do protagonista a pular de um apart-hotel em Copacabana, desvendar as memórias e a tentativa de superação são essenciais neste que é o primeiro romance de Camelo. Com força e linguagem fascinantes – em parte porque o autor é também poeta –, a obra mantém o impacto da primeira à última passagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de utilizar a voz em segunda pessoa aponta para dois caminhos: 1) rememorar e entender o que levou o irmão a se suicidar, voltando ao passado; 2) desmembrar a vida fraturada daqueles que permanecerem. “Você”, levado pelo narrador a uma viagem no tempo, é a única pessoa presente em ambos os cenários. Porém, o narrador é também um indivíduo em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os relatos pouco confiáveis – como se pode sempre esperar na ficção – aludem a sua própria condição, agravada na morte do parente próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As “memórias ficcionais” dessas páginas em muitos aspectos lembram as narradas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma Introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que acompanhamos Buddy Glass tentando desvendar o sucídio do irmão genial, Seymour. A grande ponte entre essas obras, porém, é que ambos constroem uma narrativa na qual o protagonista parte em uma busca errática desde sua origem, tentando dar voz a uma consciência alheia. Dessa forma, o pulo do irmão mais velho é contrastado pela inflexão do irmão mais novo, que relembra a vida solar e os momentos gloriosos que compartilharam, nos fazendo contemplar aqueles segundos eternos por páginas a fio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma viagem pelo luto e pela depressão, narrados com delicadeza e paixão, na qual tudo se transforma em metáfora. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 21:17:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.” &#8211; José Saramago Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Novembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29544" aria-describedby="caption-attachment-29544" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de amarelo limão. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor amarelo limão. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “As intermitências da morte” ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘novembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29544" class="wp-caption-text">Do autor lusitano José Saramago, As Intermitências da Morte foi a provocação em cores fúnebres do Clube do Livro de Novembro (Foto: Companhia das Letras/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Jamily Rigonatto e Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <em>José Saramago</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as festividades de final de ano quase batendo em nossas portas, o Clube do Livro do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> não poderia deixar de se encontrar nos aspectos da existência. Apreciando </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ensina.rtp.pt/artigo/jose-saramago-sobre-as-intermitencias-da-morte/">As Intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> de José Saramago, nossos leitores se colocaram a refletir sobre as linhas que rondam o fim da vida. A escolha do texto foi ainda mais especial porque o literato completaria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/ClCiF9Wr9jk/?igshid=MDJmNzVkMjY=">100 anos</a></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de novembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, somos guiados para um cenário em que a morte deixa de chegar, seja para os homens mais velhos ou para as vítimas de acidentes que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/31/ciencia/1490960180_147265.html">agonizam</a></span><span style="font-weight: 400;"> em camas de hospital. O autor desenrola reflexões sobre como morrer interfere nas noções humanas de livre arbítrio e continuidade. Aqui, a morte ganha ares personificados e, em certo ponto, da narrativa pode ser tocada como alguém de carne e osso – ou melhor, apenas de osso.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as significações, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/06/100618_saramago_polemicas_ir">Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> abre um mundo de possibilidades sem fechar nenhum ciclo, mas expõe o quanto as pessoas podem bambear quando a vida se torna um inconveniente. A proposta audaciosa da obra brinca com o papel da religião na sociedade e usa uma linguagem direta para abrir brechas e possibilidades no íntimo de quem o lê. A morte enquanto protagonista é tão real quanto qualquer ser humano: sente, reage e ama. No fim, resta o começo e como um circuito tudo se repete, já vivemos isso antes.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nossos leitores testemunharam os fins, novembro oferece seus cumprimentos aos começos com a entrega troféus aos destaques da Literatura brasileira: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Jabuti. Na primeira semana do mês, o Prêmio São Paulo, criado em 2008 e concedido pelo Governo do estado, revelou seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cultura.sp.gov.br/confira-os-ganhadores-do-premio-sao-paulo-de-literatura-2022/">vencedores</a></span><span style="font-weight: 400;">. Com dez finalistas nas duas categorias, o troféu de Melhor Romance do Ano de 2021 foi para Antonio Xerxenesky, pela obra </span><span style="font-weight: 400;"><i>Uma tristeza infinita</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">. Rita Carelli levou Melhor Romance de Estreia do Ano de 2021 por </span><span style="font-weight: 400;"><i>Terrapreta</i></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Editora 34</i></span><span style="font-weight: 400;">. Em ambas categorias, as escritoras foram a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/09/19/premio-sao-paulo-de-literatura-anuncia-finalistas#:~:text=S%C3%A3o%2020%20obras%20selecionadas%2C%20dez,anunciados%20no%20final%20do%20ano.">maioria</a></span><span style="font-weight: 400;">: na primeira, dos 10 concorrentes, somente três são homens; na segunda, quatro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no Jabuti, as 20 categorias, divididas em quatro Eixos que abarcam a totalidade do processo de produção editorial, tiveram seus </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/08/premio-jabuti-2022-anuncia-finalistas">finalistas</a></span><span style="font-weight: 400;"> anunciados na segunda semana de Novembro. Aqui &#8211; e aparentemente em 2021 no geral -, o destaque foi para o protagonismo feminino: na categoria Romance Literário, no Eixo Literatura, as cinco concorrentes eram escritoras. Natalia Borges Polesso, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>A extinção das abelhas</i></span><span style="font-weight: 400;">, Andréa Del Fuego, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/">A pediatra</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, Micheliny Verunschk, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/">Aline Bei</a></span><span style="font-weight: 400;">, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequena coreografia do adeus</i></span><span style="font-weight: 400;">, e Tatiana Salem Levy, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vista chinesa</i></span><span style="font-weight: 400;">, disputaram a estatueta &#8211; as cinco também foram concorrentes em Melhor Romance do Ano de 2021 no Prêmio São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a disputa estabelecida, no dia 24 foi a vez da jornalista e apresentadora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/11/22/adriana-couto-sera-a-mestre-de-cerimonias-do-64-premio-jabuti">Adriana Couto</a></span><span style="font-weight: 400;"> chamar os vencedores ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para receber o troféu em formato de jabuti. O grande destaque da noite foi para Luiza Romão, com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/11/25/tambem-guardamos-pedras-aqui-de-luiza-romao-e-eleito-livro-do-ano-no-premio-jabuti-veja-vencedores.ghtml">Também guardamos pedras aqui</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, consagrado como o Livro do Ano de 2021. A obra também conquistou a categoria de Poesia. Em Romance Literário, uma das modalidades de maior destaque na premiação, o nome chamado foi o de Micheliny Verunschk, pelo seu </span><span style="font-weight: 400;"><i>O som do rugido da onça</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1598090208901500930?s=20&amp;t=FYl6BRswuLBOVnQsZhewmw">cerimônia</a></span><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma homenagem à Sueli Carneiro. Com o troféu de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mundonegro.inf.br/sueli-carneiro-recebe-o-trofeu-de-personalidade-literaria-do-ano-no-64o-premio-jabuti/">Personalidade Literária</a></span><span style="font-weight: 400;"> do Prêmio Jabuti 2022, a escritora, filósofa e ativista, uma das maiores representantes do feminismo negro no Brasil, é a primeira fora do eixo Literatura a receber a honraria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As celebrações resolveram se estender e, em clima festivo, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – trouxe diversas personalidades do nicho para conversas acaloradas e conexões ímpares. Em sua 20ª edição, o festival seguiu a linha do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=YmMyMTA2M2Y=">Jabuti</a></span><span style="font-weight: 400;"> e contou com presença feminina em peso. A argentina Camila Sosa Villada esteve presente no evento e participou de uma Mesa sobre questões de gênero. A autora de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">O parque das irmãs magníficas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> trouxe interpretações importantes sobre o cenário do ativismo e os estigmas vinculados às travestis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques entre os convidados foi a francesa Annie Ernaux, autora de</span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">O Acontecimento</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?t=r16Q1xvxNSGHoXwvzXZX9A&amp;s=19">Nobel de Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> em 2022. A escritora, que chama atenção com a ascensão do gênero da autossociobiografia, trouxe reflexões importantes em um bate papo ocorrido depois da exibição do filme </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/">Os Anos do Super 8</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se o jeito transgressor de Annie teve voz no festival, os aspectos subversivos nunca se fazem faltantes no Persona. Agora, veja mais das linhas fora da curva indicadas pela nossa Editoria no Estante do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> e aproveite o fim do ano para se deliciar nos tons vibrantes daqueles que as pintam.</span></p>
<p><span id="more-29496"></span></p>
<hr />
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29527" aria-describedby="caption-attachment-29527" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro As intermitências da morte, de José Saramago. A imagem, de fundo amarelo, contém o texto As intermitências da morte, escrito à mão, em tinta preta. Acima, de forma centralizada, em fonte de cor preta, está escrito José Saramago. Abaixo, de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71mJqFs-MpL.jpg 1668w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29527" class="wp-caption-text"><strong>Lançado originalmente em 2005, As intermitências da Morte pode ser lido como um ensaio alegórico sobre a finitude (Foto: Companhia das Letras)</strong></figcaption></figure>
<figure id="attachment_29527" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;"></figure>
<p><b>José Saramago &#8211; As intermitências da Morte (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"><i>No dia seguinte ninguém morreu</i></span><span style="font-weight: 400;">” – </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930344/as-intermitencias-da-morte-nova-edicao">As intermitências da Morte</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> se inicia assim: de repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. Nessa primeira parte, os paradoxos e discussões filosóficas acerca da ausência da morte são apresentados e a Morte com M maiúsculo, então, decide suspender suas atividades, como forma de punir as pessoas que a negam. Contudo, para falar da morte, é preciso estar vivo; por isso, aqui, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.euronews.com/2022/11/16/centenario-do-nascimento-de-jose-saramago">José Saramago</a></span><span style="font-weight: 400;"> personifica a morte em um ser esquelético, de forma irônica e alegórica, revestindo-se da linguagem para cuidar dos diversos destinos que ela pretende cessar (como a epígrafe de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/investigacoes-filosoficas/">Ludwig Wittgenstein</a></span><span style="font-weight: 400;"> anuncia).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, aquilo que, a princípio, parecia uma bondade, na verdade se revela um pesadelo: o fim da morte não é o mesmo que o fim do sofrimento, e aqueles que se encontram “moribundos” – no limiar entre a vida e a morte, doentes e em um eterno estágio terminal – jamais poderão descansar. É, porém, no sétimo capítulo que a própria </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.unicep.edu.br/noticia/as-intermitencias-da-morte-de-jose-saramago-foi-tema-do-clica">Morte encaminha uma carta</a></span><span style="font-weight: 400;"> a uma emissora de televisão, a qual deverá ser lida para comunicar seu retorno, agora que sentiram sua ausência. A partir desse momento, todos que estiverem à beira do falecimento receberão uma carta, comunicando o fim da vida. Porém, no capítulo dez de </span><span style="font-weight: 400;"><i>As intermitências da Morte</i></span><span style="font-weight: 400;">, um postal destinado a um violoncelista retorna ao remetente, e neste momento a morte é, de fato, humanizada. Assim, a história se mistura entre o falso e o verossímil, da forma que somente Saramago sabe fazer.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As intermitências da Morte - Clube do Livro Novembro de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7Ej1GxgTHS2iaohX2A7Uro?si=9fd7e974bf244110&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29535" aria-describedby="caption-attachment-29535" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A capa é uma fotografia em um quadra de tênis de saibro. No centro, vemos uma atleta, de blusa e saia brancas, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, sacando. É possível notar várias bolas de tênis no chão ao seu redor na cor amarela. Na parte inferior da imagem está o título “Carrie Soto” em fonte cursiva e, abaixo, “está de volta” em uma fonte sem serifa na cor amarela. No canto superior direito, há a frase “Da aclamada autora best-seller do New York Times" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29535" class="wp-caption-text">“Vivemos em um mundo onde mulheres excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres” (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta (352 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu último lançamento e nono romance, Taylor Jenkins nos leva a um cenário diferente em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">. Após nos contemplar com o mundo do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">surf</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/">rock</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/">Cinema</a></span><span style="font-weight: 400;">, vivenciamos agora a brilhante história de mais uma mulher que nunca existiu: Carrie Soto, a tenista aposentada de 37 anos que decide voltar às quadras para quebrar seu próprio recorde &#8211; ou melhor, não deixar que ninguém o roube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma jornada difícil e surpreendente, a atleta não facilita para ninguém. Com uma carreira marcada por muita teimosia e determinação, não é fácil gostar de Carrie dentro ou fora das quadras, mas é quase impossível não admirá-la. Atrás de seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://esportecerto.com/descubra-os-principais-torneios-de-tenis-ao-redor-do-mundo/">próximo título</a></span><span style="font-weight: 400;"> e agarrando-se como nunca em seu passado vitorioso, a personagem é obrigada a enfrentar sua maior adversária de todos os tempos: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E mais uma vez, Taylor entrega personagens cativantes e, principalmente, imperfeitos. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Carrie Soto Está de Volta</i></span><span style="font-weight: 400;">, apesar da evidente necessidade de algumas sessões de terapia e boas férias, não há como largar a mão da maior atleta da história para acompanhá-la em uma trajetória que qualquer </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.usp.br/podcast/minuto-saude-mental-15-perfeccionismo-e-doenca/">perfeccionista</a></span><span style="font-weight: 400;"> irá se identificar. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29534" aria-describedby="caption-attachment-29534" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte esquerda, vemos uma forma retangular roxa, que se estende por toda a capa e se assemelha a uma porta aberta. Ao centro e na parte direita, vemos um retângulo amarelo. No canto superior direito, dentro do retângulo amarelo, vemos as palavras " width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29534" class="wp-caption-text">“Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo (176 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary Katherine, Constance e Julian moram sozinhos na mansão Blackwood. Isso porque, antes de serem só os três, a grande família morreu envenenada por arsênico, e o trio agora vive isolado da cidade, como párias. Sob o ponto de vista fértil de Merrycat (o apelido da caçula), a autora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://literaturapolicial.com/2019/08/08/9-curiosidades-sobre-shirley-jackson-icone-da-literatura-de-horror/">Shirley Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> torna o cotidiano aparentemente monótono de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> um conto de suspense sob as lentes do Horror.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Aos 18 anos de idade, tendo crescido sem convivência com outras pessoas além da família e vendo sua irmã mais velha, Constance, ser inocentada pelo assassinato dos parentes, Mary vê o mundo quase como uma criança. Seu fluxo de consciência imaginativo, mesclando o que presencia objetivamente a seus intrusos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/09/shirley-jackson-sempre-vivemos-no.html">pensamentos</a></span><span style="font-weight: 400;"> acerca do ambiente, das pessoas que cruzam seu caminho e das suas intenções, fica difícil distinguir o que é real. Para a menina, o enxerido primo Charles, que chega desavisado e bagunça a rotina da casa com sua presença expansiva, é um fantasma. Ou um demônio. Ou os dois. Por detrás dos olhos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NQg-nUoMCBo&amp;feature=emb_title">Merrycat</a></span><span style="font-weight: 400;">, a família Blackwood ganha curiosos contornos de dúvida.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sempre vivemos no castelo</i></span><span style="font-weight: 400;"> se aproveita justamente da incerteza. A obra, publicada originalmente em 1962 e com uma nova edição em 2022, pela editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Alfaguara</i></span><span style="font-weight: 400;">, nunca apresenta um fato concreto: desde a inocência de Constance quanto a quem está vivo ou não, o livro atiça para as possibilidades e, deixando o leitor inquieto, se desenvolve a partir da não resolução delas. Dona de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/">outros sucessos</a></span><span style="font-weight: 400;"> e uma das </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/gotico-de-shirley-jackson-e-relancado-e-ganha-adaptacao-para-cinema/">maiores influências do gênero</a></span><span style="font-weight: 400;">, Shirley Jackson é mestre em deixar o Terror vir da imaginação de quem se deixa mergulhar na narrativa. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29505" aria-describedby="caption-attachment-29505" style="width: 673px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg" alt="" width="673" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-673x1024.jpg 673w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-526x800.jpg 526w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-768x1169.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1-1009x1536.jpg 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/limite1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29505" class="wp-caption-text">Recebido pela parceria da Companhia das Letras com o Persona, o romance de estreia de Caio Fernando Abreu ganha um posfácio assinado por <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05998">Natalia Borges Polesso</a> em sua nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Limite branco (200 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.hildahilst.com.br/portfolio/alcoolicas">É crua a vida</a></span><span style="font-weight: 400;">, e a escrita de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00005">Caio Fernando Abreu</a></span><span style="font-weight: 400;"> irrompe em uma tentativa implacável de capturá-la. Sob a luz do próprio amadurecimento do autor, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212262/limite-branco">Limite branco</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">é atravessado por referências de um leitor assíduo e de um coração, pulsante por toda sua obra, ávido à existência e ao sentir. O romance de estreia do escritor é um registro que ressoa sua própria experiência, mascarada pelo personagem e alter-ego Maurício, com as dores e delicadezas do crescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos intercalados, dois momentos da vida do personagem são enquadrados em estilos distintos; nos pares, a infância é rememorada, na terceira pessoa, com o conforto e um sentimento de caseira interioridade, tecida por poetas como Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. Já nos ímpares, se situa um diário íntimo e visceral da adolescência enquanto um período de extrema sensibilidade, no qual os mais simples e oriundos eventos são estopins a deslumbramentos e assombrações, em que a espiritualidade, o afeto e iminência da descoberta são apanhados por pelas palavras que buscam reproduzir a vivacidade dessas emoções, tal qual uma das escritoras favoritas de Caio, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/2018/11/26/a-sombra-da-palavra/">Clarice Lispector</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De uma noite desesperadora de sono tomada por uma sudorese febril a um atestado da presença de Deus, ao observar a rua de sua janela, reluzente depois da chuva, são variados os aspectos do amadurecimento no livro de Caio Fernando Abreu. Escrito quando tinha apenas 19 anos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Limite branco – </i></span><span style="font-weight: 400;">título escolhido com a ajuda de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literaturaeoutrosblues.com.br/2021/07/umacartacaiofernandoabreuehildahilst.html">amiga</a></span><span style="font-weight: 400;"> Hilda Hilst –</span> <span style="font-weight: 400;">foge do comum de romances de formação, como os trânsitos existenciais de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://todavialivros.com.br/autores/j-d-salinger">J.D. Salinger</a></span><span style="font-weight: 400;">, para a construção de uma passagem a vida adulta demarcada</span><span style="font-weight: 400;"> pela delicadeza do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://liberoamericamag.com/2017/10/09/o-roteiro-do-silencio-de-hilda-hilst/">silêncio</a></span><span style="font-weight: 400;"> e pela maneira que são borrados os limites: do entre o eu e mundo – tão estranho! – que o cerca. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29533" aria-describedby="caption-attachment-29533" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg" alt="Arte retangular em tons de azul. No canto superior esquerdo, está escrito “New York Times Bestseller” em letra cursiva e na cor azul claro. No centro, está escrito o nome da autora “Clare Vanderpool” em letra cursiva e na cor bege, e também o título do livro “Em algum lugar nas estrelas” em letra cursiva e na cor branca. Ainda no centro, entre o trecho “Em algum” e o trecho “Lugar nas estrelas”, há uma bússola na cor bege. Centralizado, abaixo do título do livro, há um barco na cor branca. Dentro do barco, há um menino, em pé, de camisa branca, e um menino, sentado segurando um remo, de camisa preta. Por toda a arte, há detalhes na cor azul que representam constelações, tais como: Ursa Maior logo abaixo do título, Orion, Lepus, Columba e Taurus no canto superior direito, e Cetus, Phoenix e Toucan no canto superior esquerdo." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Clare-Vanderpool-Em-Algum-Lugar-das-Estrelas.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29533" class="wp-caption-text">Em algum lugar nas estrelas entra no seleto nicho literário infantojuvenil que faz crianças rirem e adultos chorarem (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Clare Vanderpool &#8211; Em algum lugar nas estrelas (288 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora estadunidense </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.darksidebooks.com.br/clare-vanderpool/p">Clare Vanderpool</a></span><span style="font-weight: 400;">, ao escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas, </i></span><span style="font-weight: 400;">conquista sua licença poética para reiterar uma valiosa lição na convivência humana: o que importa, no fim, são os amigos que se faz no caminho. A obra se consolida como um marco na literatura infantojuvenil, não só pelo fato de ter sido </span><span style="font-weight: 400;"><i>best-seller </i></span><span style="font-weight: 400;">no </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.nytimes.com/books/best-sellers/">New York Times</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, mas por ter sido capaz de sensibilizar diversas camadas sociais, desde o Ensino Fundamental até os CLTs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jack se muda para um internato em Maine, além de lidar com as incertezas a respeito de um ambiente desconhecido, deve encarar as facetas melancólicas da morte da mãe e do distanciamento emocional do pai. Apesar do caos silencioso digno da denominação de solidão, ele encontra um candidato ao título de “amigo”: Early Auden, um menino tão discreto e tímido quanto a solitude de Jack. Os dois percorrem, juntos, um caminho de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.literalmenteuai.com.br/resenha-em-algum-lugar-nas-estrelas-clare-vanderpool/#:~:text=Em%20algum%20lugar%20nas%20estrelas%20%C3%A9%20sobre%20a%20constru%C3%A7%C3%A3o%20de,cidade%2C%20no%20interior%20do%20Kansas.">autodescoberta</a></span><span style="font-weight: 400;"> no qual a fantasia e a criatividade infantis se consagram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Clare Vanderpool expõe com maestria as ramificações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://darkside.blog.br/em-algum-lugar-nas-estrelas-mostra-a-sensibilidade-e-o-talento-de-clare-vanderpool/">infância</a></span><span style="font-weight: 400;"> em uma jornada pautada em identidade, pertencimento e memória. Em outros termos, Jack Baker e Early Auden protagonizam a história cuja desenvoltura reside no contraste entre a simplicidade da escrita e a complexidade do tema. A obra é uma experiência que desperta na criança vontade de procurar aventuras extraordinárias e, no adulto, a vontade de buscar o que ficou para trás. De qualquer forma, ambos objetos de desejo podem ser encontrados </span><span style="font-weight: 400;"><i>Em algum lugar nas estrelas. </i></span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29500" aria-describedby="caption-attachment-29500" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg" alt="Capa do livro Sócios no Crime, escrito por Agatha Christie. É uma arte com fundo preto. O nome da autora aparece na parte superior, escrito em letra cursiva. No meio da imagem, dois dados aparecem; um está com o número seis em vermelho, o número três e o número cinco em preto; o outro, está com o número seis também está em vermelho, o número dois e o número quatro em preto. Na parte inferior, o título do livro aparece em letras de forma, em caixa alta." width="606" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-606x1024.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-473x800.jpg 473w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-768x1298.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-909x1536.jpg 909w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1211x2048.jpg 1211w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1-1200x2029.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Socios-no-Crime-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29500" class="wp-caption-text">Com saudade dos seus tempos de aventura e investigação, Tommy e Tuppence retornam em seu segundo livro para resolver um caso de espionagem (Foto: L&amp;PM)</figcaption></figure>
<p><b>Agatha Christie &#8211; Sócios no Crime (279 páginas, L&amp;PM)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de descobrirem o paradeiro de Jane Finn e a identidade de Mr. Brown – o misterioso </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/">Adversário Secreto</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">–, Tommy e Tuppence estão de volta em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sócios no Crime</i></span><span style="font-weight: 400;">. A coleção de contos escrita por Agatha Christie, lançada em 1929, continua a história da dupla de investigadores recém-casados, que, a pedido de Mr. Carter, da Inteligência Secreta, assume a direção da agência Os Detetives Brilhantes de Blunt.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as personas</span> <span style="font-weight: 400;">do detetive Theodore Blunt e da secretária srta. Robinson, Tommy e Tuppence começam a investigar pequenos casos, enquanto esperam a aparição do espião N°16, comparsa do real Theodore Blunt, que, por sua vez, foi preso por Mr. Carter e sua equipe. E, ao usar técnicas de outros detetives da literatura policial, como as de Sherlock Holmes e de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-critica/">Hercule Poirot</a></span><span style="font-weight: 400;">, o par de aventureiros tenta responder à pergunta: quem seria o espião Número 16? &#8211; </span><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
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<figure id="attachment_29498" aria-describedby="caption-attachment-29498" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins. Na imagem, há o desenho de três corpos negros dançando, em um fundo de cores cinza, branco e preto. Abaixo, próximo ao centro, está escrito Romance, em fonte de cor preta. À direita, está escrito Via Ápia, em fonte de cor branca com contornos pretos, e Geovani Martins, em fonte de cor preta. Abaixo está o logo da editora Companhia das Letras, em cor preta." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/via-apia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29498" class="wp-caption-text">Recebido na parceria com a editora Companhia das Letras, o primeiro romance de Geovani Martins guarda todos os méritos que o consagraram nos contos em 2018 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia (344 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fenômeno imediato desde que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca">O Sol na Cabeça</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2018) foi publicado e um dos convidados da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.flip.org.br/autores/geovani-martins/">Flip</a></span><span style="font-weight: 400;"> deste ano (dividindo uma mesa com a vencedora do Nobel, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a></span><span style="font-weight: 400;">), Geovani Martins vem de Bangu – bairro suburbano do Rio de Janeiro –, mas também morou na Rocinha e Vidigal (onde vive até hoje), comunidades de favelas na zona sul da cidade. Sua experiência pessoal, indissociável de sua obra, se junta à trama de Washington e Wesley em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia">Via Ápia</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, no qual acompanhamos os personagens na Rocinha do antes, durante e depois da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), entre 2011-2013.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em capítulos curtos, ao estilo de Machado de Assis – uma das principais referências de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/11/geovani-martins-lanca-primeiro-romance-na-flip-e-participa-de-mesa-com-a-americana-ladee-hubbard.ghtml">Geovani Martins</a></span><span style="font-weight: 400;"> –, enxergamos perspectivas cruzadas, em que cinco jovens (contando Washington e Wesley) vivenciam primeiras experiências no amor, na amizade, no amadurecimento e na inibição de seus próprios sonhos frente a violência instaurada pelo Estado, numa “guerra às drogas” fracassada desde o início. Ao enviar sua tropa de choque à Rocinha, pelos olhos de Martins, o Estado parece apresentar uma única resposta aos problemas da desigualdade social no Brasil: a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, seguindo a narrativa habilidosa de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Via Ápia</i></span><span style="font-weight: 400;">, na qual os diálogos impulsionam a trama, os impactos da UPP na vida dos moradores resvalam em todos os sonhos. Dividido em três partes, acompanhamos a expectativa da comunidade em relação à invasão; a ruidosa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/rocinha-foi-ultima-ocupacao-de-2011-diz-beltrame.html">instalação da UPP</a></span><span style="font-weight: 400;">; e a silenciosa partida da polícia e a retomada dos bailes </span><span style="font-weight: 400;"><i>funk </i></span><span style="font-weight: 400;">que “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fazem o chão da favela tremer</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Criador de diálogos impecáveis e verossímeis, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/a-literatura-e-uma-arma-afirma-o-escritor-geovani-martins-na-flip.shtml">Martins aponta</a></span><span style="font-weight: 400;"> que a resposta dos moradores é e sempre foi outra: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>a vida, sempre ela, nunca a morte</i></span><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29506" aria-describedby="caption-attachment-29506" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Gótico Nordestino, do autor Christiano Aguiar. A capa é preta, tem em vermelho o nome do autor no topo e o nome do livro, em branco, abaixo. A ilustração do centro é um círculo que mostra um homem e seu reflexo maligno, montado em animais e segurando armas." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/gotico-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29506" class="wp-caption-text">Gótico Nordestino venceu o Prêmio Clarice Lispector de Contos da Biblioteca Nacional em 2022 (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Christiano Aguiar &#8211; Gótico Nordestino (133 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 9 os brilhantes contos que Christiano Aguiar precisa para situar suas histórias de medo, mistério e morte no interior brasileiro. Afinal, aliado a uma escrita visual e polvorosa, junto da curta duração das tramas, o livro </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/biblioteca-nacional-premia-livros-gotico-nordestino-e-siameses-veja-a-lista.shtml">vencedor do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Contos da Biblioteca Nacional é um prato a ser devorado fumegante, sem espaço para respiros ou breves pausas. De cara, uma pequena travessia entre duas residências é palco de muita tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Onças</i></span><span style="font-weight: 400;">, conto pós-apocalíptico que une a mitologia da epidemia com a fauna nacional, Aguiar coloca na mesa todo seu arsenal literário: emoção se transforma em lamento, que logo se transfigura na surpresa digna de arregalar os olhos e suspender o queixo. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Gótico Nordestino</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o atrativo maior no mar de criatividade do autor e da escassez de narrativas fantasmagóricas e sobrenaturais que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tab.uol.com.br/colunas/lidia-zuin/2022/01/29/horror-a-luz-do-dia-livro-gotico-nordestino-desafia-estereotipos-do-genero.htm">fogem de clichês</a></span><span style="font-weight: 400;"> ou mazelas narrativas.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29532" aria-describedby="caption-attachment-29532" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29532" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Modernismos 1922-2022. A imagem é composta por uma arte que tem um conjunto de números 22 sobrepostos. Os tons vão de rosa a lilás e vermelho a laranja. Ao centro, o nome do livro está grafado em preto. No canto superior esquerdo, está o nome da organizadora. No canto inferior direito, está o logo da editora." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71QxrvMNb2L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29532" class="wp-caption-text">O centenário da Semana de Arte Moderna também foi lembrado aqui no Persona, através de uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna-no-persona/">série especial</a> que reflete sobre o legado de 1922 na Arte e na Cultura brasileira (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Gênese Andrade (Org.) &#8211; Modernismos 1922 &#8211; 2022 (896 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história do Brasil, poucos eventos são tão culturalmente divisores quanto a Semana de Arte Moderna. Tanto em sua relevância como marco artístico-cultural quanto nas controvérsias sobre o seu caráter disruptivo, o evento de 1922, bem como suas origens e desdobramentos, já são temas constantes no ambiente de discussões do país, mas ocupam </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/podcasts/repertorio-451-mhz/a-semana-de-22-posta-em-questao">um lugar especial</a></span><span style="font-weight: 400;"> em seu centenário, conforme bem identifica </span><span style="font-weight: 400;"><i>Modernismos 1922 &#8211; 2022</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A publicação especial da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;"> para os 100 anos da Semana de 22 é mestre em identificar </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212408/modernismos-1922-2022">as vértices</a></span><span style="font-weight: 400;"> do debate sobre o movimento no país, cujo início oficial é atribuído à série de apresentações, debates, exposições e movimentações que aconteceram na capital de São Paulo entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. São 29 ensaios inéditos, assinados por 29 autores diferentes, que analisam o desenrolar desses 100 anos com direção de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/um-ano-para-repensar-a-semana-de-22/">Gênese Andrade</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de se organizar a partir da experiência de uma das principais referências sobre o tema da atualidade, o livro traz as contribuições de nomes consagrados no ramo do estudo da História e Cultura brasileiras, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2022/11/nossa-historiografia-e-colonial-masculina-e-sudestina-diz-lilia-schwarcz-na-flip.ghtml">Lilia Schwarcz</a></span><span style="font-weight: 400;">, José Miguel Wisnik, Walnice Nogueira Galvão e Regina Teixeira de Barros. Os temas abarcam as representações raciais, locais e de gênero e os discursos políticos, sociais e estéticos das Artes Visuais, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">Música</a></span><span style="font-weight: 400;">, da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/">Literatura</a></span><span style="font-weight: 400;"> e da Arquitetura modernista, olhando para cem anos atrás a fim de compreender cem anos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">à frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_29503" aria-describedby="caption-attachment-29503" style="width: 711px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg" alt="Capa do livro Não há silêncio que não termine da autora Ingrid Betancourt. Na imagem, o fundo é composto por tons de verde que variam na forma de um enorme borrão distorcido. Ao centro, o nome da escritora aparece em letras grandes e vermelhas. Um pouco abaixo, está o título do livro na cor preta. Já na parte inferior, há o subtítulo “Meus anos de cativeiro na selva colombiana” marcado em preto. Por último, o logo da editora Companhia das Letras." width="711" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Nao-ha-silencio-que-nao-termine-1.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29503" class="wp-caption-text">Ingrid Betancourt tentou concorrer à presidência da Colômbia <a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2022/05/17/ingrid-betancourt-volta-a-concorrer-a-presidencia-na-colombia.htm">novamente</a> em 2022, mas acabou desistindo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ingrid Betancourt &#8211; Não há silêncio que não termine (556 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, a então candidata à presidência </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.theguardian.com/world/2010/sep/18/ingrid-betancourt-i-still-have-nightmares">Ingrid Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;"> era sequestrada pelas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://americasquarterly.org/article/interview-ingrid-betancourt-on-colombia-farc-peace/">FARC</a></span><span style="font-weight: 400;">, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Presa em cativeiro durante seis anos, o seu início promissor na política se desfez, porém, os tormentos vividos na selva colombiana foram registrados na história através do livro </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535917383/nao-ha-silencio-que-nao-termine">Não há silêncio que não termine</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, publicação que selou a relevância internacional do acontecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escrita em primeira pessoa, a autora transporta o leitor para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.npr.org/2010/09/25/130108179/ingrid-betancourts-six-years-in-the-jungle">ambiente inóspito</a></span><span style="font-weight: 400;"> da lama atraente e das folhas sufocantes que a fizeram refém. </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/05/20/ingrid-betancourt-deixa-e-coalizao-de-centro-e-se-candidata-a-presidencia-da-colombia.ghtml">Betancourt</a></span><span style="font-weight: 400;">, habituada com a presença de referências culturais no seu convívio familiar, escolheu um trecho do poema </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para todos</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Pablo Neruda para compor o título e trouxe o dom das palavras de </span><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez para o seu estilo.</span> <b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29508" aria-describedby="caption-attachment-29508" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Céu noturno crivado de balas, do autor Ocean Vuong. Na imagem, o fundo é cinza e há um homem nu sentado de lado no chão, curvado para frente, abraçando suas pernas e apoiando sua cabeça nos joelhos. Há galhos de folhas saindo de suas costas e de seus pés." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-768x1182.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-998x1536.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1-1200x1846.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ceu-noturno-crivado-de-balas-1.jpg 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29508" class="wp-caption-text">Em Céu noturno crivado de balas, Vuong consegue fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras (Foto: <span style="font-weight: 400;"><i>Â</i></span>yiné)</figcaption></figure>
<p><b>Ocean Vuong  &#8211; Céu noturno crivado de balas (227 páginas, Âyiné)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos. Esse foi o tempo em que o poeta vietnamita </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.oceanvuong.com/about">Ocean Vuong</a></span><span style="font-weight: 400;"> passou em seu país de origem antes de migrar para os Estados Unidos com sua mãe e avó – a única família que tinha. Nascido em um país do qual não se lembra, com um pai que nunca chegou a conhecer e fazendo perguntas que nunca poderiam ser respondidas, ele fez o que a maioria de nós faríamos: criou seu passado e parte dessa criação está materializada em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Céu noturno crivado de balas</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trinta e cinco poemas que compõem a obra se dividem em dois grandes temas: a guerra do Vietnã e o amor, e como a guerra e o amor se encontram em diversos pontos. Vuong possui uma capacidade incrível de criar imagens e fazer com que os silêncios de seus versos falem com a mesma força de suas palavras; escrevendo sobre a batalha, a família ou sobre o sexo, todas as suas composições contêm a aura da perda causada pela violência, pelos mal-entedidos ou pelo simples correr das folhas do calendário. Ao transitar por diversos campos simbólicos, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://ayine.com.br/catalogo/ceu-noturno-crivado-de-balas/">Céu noturno crivado de balas</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> oferece múltiplas possibilidades de leitura, tratando-se de um processo constante e infinito de elaboração que parte justamente de uma ressignificação da linguagem. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29502" aria-describedby="caption-attachment-29502" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Rota 66 A História da Polícia Que Matava. Na imagem há um policial da divisão ROTA com os braços cruzados e o símbolo da corporação em destaque no ombro direito. A imagem está em preto e branco e o título e subtítulo estão na parte superior direita." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/rota-66-1.jpg 1582w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29502" class="wp-caption-text">Caco Barcellos choca e emociona com a descrição da violência policial (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Caco Barcellos &#8211; Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata (352 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Rota 66 &#8211; A História da Polícia Que Mata</i></span><span style="font-weight: 400;"> liga inúmeros assassinatos cometidos pela Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), divisão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2022/10/21/caso-que-da-nome-a-rota-66-livro-de-caco-barcellos-foi-escandalo-em-1975-com-execucao-de-jovens-de-classe-alta-de-sao-paulo.ghtml">escândalo de 1975</a></span><span style="font-weight: 400;"> pela execução de três jovens de classe alta. O caso é investigado a fundo pelo jornalista Caco Barcellos, que descobre um grupo de matadores agindo com o aparente aval da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ganhou o prêmio da categoria Reportagem do Prêmio Jabuti de 1993 e foi adaptado para uma série pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Globoplay </i></span><span style="font-weight: 400;">em 2022. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.record.com.br/produto/rota-66/">Rota 66</a></i></span><span style="font-weight: 400;">  é envolvente a ponto de nos fazer criar uma sensação de cumplicidade com os participantes da trama e choca com a descrição das arbitrariedades cometidas pelos agentes de segurança e pela total falta de confiança entre esses servidores e a população. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29536" aria-describedby="caption-attachment-29536" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-29536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Vê se cresce, Eve Brown.Na imagem há a ilustração de uma garota negra de estatura média, ela tem tranças lilás até a cintura e veste uma calça jeans azul clara com uma camiseta verde e um tênis branco. Ao seu lado há a figura de um homem branco de cabelos curtos loiros, ele veste uma calça preta e uma camisa social branca. O fundo é azul e atrás dos personagens tem uma trilha de notas musicais. Na parte superior está escrito em roxo “Da mesma autora de Acorda pra vida, Chloe Brown”. Na porção central aparece o título da obra em roxo e branco. No espaço inferior central aparece o nome da autora em letras brancas." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71uPm09LJ1L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29536" class="wp-caption-text">Recebido do Persona na parceria com a Companhia das Letras, Vê se cresce, Eve Brown é o terceiro livro da trilogia Irmãs Brown (Foto: Companhia das Letras/Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Talia Hibbert &#8211; Vê se cresce, Eve Brown (296 páginas, Paralela/Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eve é a caçula das três </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788584392780/ve-se-cresce-eve-brown-sucesso-no-tiktok">irmãs Brown</a></span><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem a presença de um furacão: imprevisível e capaz de derrubar tudo. Pelo menos é isso que seus pais veêm quando, depois de inúmeras tentativas de definir um rumo para sua vida, a moça não consegue se encontrar em nada – talvez ela nem quisesse isso. Assim, a única opção da mulher de tranças lilás é ir atrás de estabilidade, como prova de que os julgamentos a seu respeito estão errados. É assim que Eve Brown entra de cabeça em uma aventura na qual o autoconhecimento é o destino e nós somos os acompanhantes, carregando sorrisos tímidos no canto da boca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro – traduzido no Brasil por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://comoeuescrevo.com/ligia-azevedo/">Lígia Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> – explora mais do que as nuances de um clichê adorável ao expor o protagonismo autista e se desviar de muitos estigmas. A leitura é fluida e aconchegante, fazendo com que conheçamos aspectos diferentes da representatividade, enquanto nos apaixonamos pelo enredo cativante. No destino de Eve, há muito mais que algumas pombas brancas voando para o lugar errado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto de Talia Hibbert ainda ganha espaço para trabalhar o clássico dos romances juvenis com um </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo-critica/">enemies to lovers</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> extremamente carismático. Ver a protagonista bagunçada e o metódico Jacob Wayne se encontrando nas diferenças abre portas para encarar divergências com outros olhos. Se </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vê se cresce, Eve Brown</i></span><span style="font-weight: 400;"> gostaria que sua personagem fosse um pouco mais madura, isso não só acontece com excelência como também nos engrandece junto dela.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 23:23:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”. É assim que Vitorianas Macabras, coletânea de contos de autoras de suspense &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27110" aria-describedby="caption-attachment-27110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27110 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg" alt="A imagem é uma colagem de imagens em preto e branco contornadas por rosa, em frente a um fundo preto. A foto da esquerda é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um casaco. A foto do meio é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, usando uma coroa de rainha, jóias no pescoço e um traje de rainha. A foto da direita é uma mulher branca, de cerca de 30 anos, vestindo um vestido de manga longa preto, e com uma coruja branca apoiada sob seu ombro esquerdo." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27110" class="wp-caption-text">Vitorianas Macabras foi publicado pela Darkside Books em 2020, e é o primeiro de três livros do selo Macabra (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, coletânea de contos de autoras de suspense e terror da era vitoriana,</span> <span style="font-weight: 400;">lembra de suas inspirações. Em uma época marcada pelo fantasmagórico e pelo mórbido, pela precariedade da qualidade de vida e por uma predileção pelo macabro, as escritoras representaram o “</span><i><span style="font-weight: 400;">entusiasmo pelo </span></i><a href="https://gizmodo.uol.com.br/ciencia-falsa-salva-vidas-londres-vitoriana/"><i><span style="font-weight: 400;">progresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, com contribuições marcantes para a época, desde a literatura até a luta pela emancipação feminina, inclusive com o movimento sufragista.</span></p>
<p><span id="more-27101"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">, a organização e a tradução de Marcia Heloisa é peça chave para nos levar de volta aos assombros e às peculiaridades da Era Vitoriana. Em uma introdução, também dela, a apresentadora fornece o panorama necessário para contextualizar a época e nos lembra do porquê devemos exaltar as autoras, destaques em um período &#8211; e em um </span><a href="https://www.nacabeceira.com.br/2020/10/monster-she-wrote.html"><span style="font-weight: 400;">gênero literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; marcados pela </span><a href="https://www.ultius.com/ultius-blog/entry/the-7-most-epic-literary-writers-of-the-victorian-era.html"><span style="font-weight: 400;">presença masculina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como ela justifica, o volume busca reparar uma injustiça histórica, dando visibilidade às mulheres que “</span><i><span style="font-weight: 400;">desafiaram convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Então, Heloisa nos faz mergulhar na antologia de contos de Horror das treze escritoras escolhidas.</span></p>
<figure id="attachment_27102" aria-describedby="caption-attachment-27102" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27102 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg" alt="Na foto, em frente a uma cortina vermelha, vemos um livro vermelho, ao centro. A capa do livro tem o desenho contornado de uma mulher em preto, cobras e uma cabra preta, e letras brancas estilizadas. Ao redor do livro, na parte direita e esquerda da imagem, vemos fotografias impressas em preto e branco, mostrando retratos pintados de mulheres." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27102" class="wp-caption-text">Como em outras obras da editora Darkside, as ilustrações e a diagramação do livro são um show à parte (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>A Rainha Vitória e sua Era Vitoriana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá o nome a uma das eras mais </span><a href="https://macabra.tv/13-filmes-assustadores-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">famosas do meio cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a Rainha Vitória. A quinta da linha de sucessão, era improvável que a candidata a monarca de fato vestisse a coroa, mas seu tio, o Rei, apesar de ter tido filhos, nunca foi oficialmente casado e não possuía herdeiros legítimos. Assim, ela, que perdeu o pai quando ainda era bebê, assumiu o trono da Inglaterra aos 18 anos, rodeada de homens desconhecidos por ela e sem o devido preparo para seu novo posto. Antes, a mãe de Vitória até chegou a tentar prepará-la para ocupar o cargo, com uma criação rigorosa pautada pelo Sistema de Kensington, um conjunto de regras para educá-la. O que aconteceu, porém, foi que a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/personagens/rainha-vitoria.html"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu vigiada e isolada pela maior parte de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, após uma sucessão de governantes homens e com uma </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/04/familia-real-rainha-vitoria-monarquia-britanica-era-vitoriana-reino-unido"><span style="font-weight: 400;">monarquia enfraquecida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Rainha Vitória começou seu reinado em 1837. Rapidamente, ela se casou com o príncipe Albert, que morreu subitamente de febre tifóide não muitos anos depois. Ela, profundamente apaixonada e previamente marcada pelas perdas em sua vida, mergulhou no luto pelo resto de seus dias, levando a Inglaterra junto dela. Foi nessa época e contexto que o país viu sua curiosidade e </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-weird-and-wonderful-world-of-victorian-entertainment/"><span style="font-weight: 400;">predileção pelo macabro</span></a><span style="font-weight: 400;"> aflorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a morte do marido, a Rainha passou a vestir preto o tempo todo e seguiu com seus rituais de luto. Vitória mantinha os funcionários do palácio agindo como se Albert ainda estivesse vivo, diariamente levando água e sua bengala ao antigo cômodo do príncipe, e mandava pintar e pendurar quadros com o retrato dele. Mas a atmosfera sinistra ia além das paredes do castelo: nas ruas da Inglaterra, a obsessão pela morte, o culto aos falecidos e a curiosidade pelo além tornava o país assombroso. Assim, apesar de por definição compreender somente os anos em que esteve no poder, a Era Vitoriana transpassou o período de reinado da Rainha, de 1837 a 1901, mas ficou marcado por seu hábitos e </span><a href="https://darkside.blog.br/o-fascinio-da-era-vitoriana-pelo-macabro/"><span style="font-weight: 400;">características destacáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ressoam até hoje no imaginário popular.</span></p>
<figure id="attachment_27103" aria-describedby="caption-attachment-27103" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg" alt="Retrato em preto e branco da Rainha Vitória. Em frente a uma sala de um palácio, ao centro, vemos a Rainha Vitória de perfil, sentada sob uma cadeira posando. Rainha Vitória é uma mulher branca, de cabelos escuros lisos, presos por um véu branco, aparentando cerca de 40 anos, usando brincos e colares de pérolas, e vestindo um traje de Rainha, um vestido de manga longa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27103" class="wp-caption-text">No Reinado de Vitória, a colonização britânica e industrialização prosperaram até sua morte, em 1901 com 81 anos (Retrato: Alexandre Bassano)</figcaption></figure>
<p><b>A Era Vitoriana nas ruas da Inglaterra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não bastasse sua monarca mergulhada em uma aura fantasmagórica própria, a população da Inglaterra teve outros incentivos para embarcar na sombria Era Vitoriana. Em uma onda de espiritualismo, os médiuns, cartomantes e pessoas que supostamente encarnavam mortos viram um </span><a href="https://www.cultura930.com.br/freak-show-um-entretenimento-na-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">cenário propício</span></a><span style="font-weight: 400;"> para prosperarem, inclusive dentro do palácio real. Nisso, os fenômenos paranormais também se juntaram à lista de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2016/apr/30/penny-dreadfuls-victorian-equivalent-video-games-kate-summerscale-wicked-boy"><span style="font-weight: 400;">interesses dos ingleses:</span></a><span style="font-weight: 400;"> gabinetes de curiosidade, com artefatos assombrados em exposição, demonstrações mesméricas, casas de crueldades, </span><a href="https://the-line-up.com/freak-show-peculiar-attraction-victorian-era"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sessões de espiritismo e reencarnação faziam sucesso no país, onde que os cidadãos alimentavam a curiosidade pelo bizarro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As precárias condições de vida justificavam o fascínio inglês pela morte. </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/em-1892-pandemia-matou-neto-da-rainha-vitoria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Epidemias</span></a><span style="font-weight: 400;">, acidentes, falta de assistência médica, péssimas condições sanitárias e de higiene contribuíram para que a expectativa média de vida de um homem não passasse dos 45 anos. Mulheres e crianças sequer chegavam a isso. O cenário era tão </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-surprising-history-of-victorian-dog-shows/"><span style="font-weight: 400;">deplorável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/misterios/114891-o-grande-fedor-de-1858-que-quase-intoxicou-londres.htm"><span style="font-weight: 400;">Grande Fedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Rio Tâmisa virou um evento, com um dos rios mais famosos do país virando um esgoto a céu aberto &#8211; inclusive, em uma </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/retrato-falado-jack-o-estripador-o-pai-dos-serial-killers/"><span style="font-weight: 400;">leva de crimes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na época, até corpos decapitados chegaram a boiar por lá. A morte rondava a Inglaterra.</span></p>
<figure id="attachment_27104" aria-describedby="caption-attachment-27104" style="width: 425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a.png" alt="Quadrinho em preto e branco da Era Vitoriana. Na parte superior, vemos a frase “Boys murder their murder” e “Revolting crime at plaistow-shocking details” em fontes pretas serifadas. Abaixo, vemos a página divida em 6 quadrinhos, 3 na parte superior e 3 na parte inferior. O primeiro quadrinho mostra um menino esfaqueando uma mulher em cima de uma cama, em um quarto. O segundo quadrinho, redondo, mostra um homem parado em pé em frente a uma casa. O terceiro quadrinho mostra uma mulher inclinada sobre dois meninos em uma mesa. Nos quadrinhos de baixo, o primeiro mostra duas mulheres observando uma terceira mulher morta deitada em uma cama. O segundo quadrinho mostra dois meninos de terno em um tribunal de julgamento. O terceiro quadrinho mostra dois meninos de cabeça baixa ao lado de um homem, aparentemente um guarda." width="425" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-27104" class="wp-caption-text">Além dos freak shows e penny dreadfuls, entretenimentos da época, a sociedade vitoriana também frequentava casas de ópio, que apareceram em outras obras do período &#8211; personagens como Sherlock Holmes e Dorian Gray já passaram por nesses lugares (Foto: The British Library)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O corpo humano também era tópico de interesse dos ingleses da época. Nem as insalubres condições de higiene e vida impediram os cidadãos da Era Vitoriana de realizarem experimentos e atingirem avanços na ciência. O fascínio era tamanho que ladrões de covas e gangues que sequestravam pessoas para roubar órgãos se tornaram comuns, alguns até ganhando fama, como os </span><a href="https://www.geriwalton.com/the-london-burkers-body-snatchers-of-the-1830s/"><span style="font-weight: 400;">London Burkers</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hospitais psiquiátricos &#8211; na época, chamados de hospícios &#8211; e </span><a href="https://www.viator.com/pt-BR/tours/London/The-Madness-and-Marvels-of-Victorian-London-with-Highgate-Cemetery/d737-62043P5"><span style="font-weight: 400;">cemitérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> também se popularizaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das estranhezas que cativavam os vitorianos, a Era não foi só conservadorismo e repressão, mas um período propício para descobertas e progresso no campo da Ciência, da Literatura, das Artes e das reivindicações sociais. O movimento sufragista é um exemplo de pauta em alta na época, inclusive com autoras e outras personalidades conhecidas somando à luta. As características daqueles 74 anos de reinado também marcaram a produção literária, com o gênero do Horror, as influências góticas e a popularização dos </span><a href="https://www.estantediagonal.com.br/2020/10/o-que-foram-as-penny-dreadfuls.html"><i><span style="font-weight: 400;">penny dreadfuls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os contos e histórias marcadas pela violência e pelo aumento dos </span><a href="https://www.bbc.com/news/uk-england-berkshire-39330793#:~:text=%22Baby%20farming%22%20was%20a%20practice,get%20rid%22%20of%20their%20baby."><span style="font-weight: 400;">crimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, e 13 das importantes expoentes dessas influências foram homenageadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Este volume busca reparar uma injustiça histórica, trazendo para os leitores brasileiros um pouco da vida e obra de treze mulheres que prestaram uma contribuição extraordinária à literatura. Mulheres que desafiaram as convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos”</span></i></p></blockquote>
<p><b>As Vitorianas Macabras</b></p>
<p><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/10/vitorianas-macabras.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz jus ao seu nome e, com a devida contextualização, foca nelas: as mulheres da Era Vitoriana movidas pelo medo. Por mais que tenham sido negligenciadas no decorrer da história, as escritoras deixaram sua marca na Literatura de gênero da Era, em produções que serviram de inspiração e pairam sobre nosso imaginário da época até hoje. No livro, Marcia Heloisa organiza uma coletânea (antologia, como ela chama) de contos de cada autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 13, de 13 escritoras diferentes. Entre líderes do movimento sufragista e donas de casa que só receberam seu reconhecimento muito tempo depois do que mereciam, cada uma se destaca com seu próprio estilo, tema, ritmo de escrita e narrativa. Ao final, o único elemento em comum entre as mulheres vitorianas é o Horror. E reforçando a proposta da obra, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">lembrar as personalidades femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram a Era Vitoriana, cabe aqui citar seus nomes, um por um.</span></p>
<p><b>Charlotte Riddell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de escritora de mais de 50 livros, foi proprietária e editora da </span><i><span style="font-weight: 400;">St. James’s Magazine</span></i><span style="font-weight: 400;">, importante revista literária da época. Riddell foi uma das poucas que conseguiu viver de seu trabalho como autora e ser reconhecida em vida. Na obra, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Porta Sinistra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1882, acompanha um rapaz recém-desempregado investigando o </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma porta que não para fechada em uma mansão mal-assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27105" aria-describedby="caption-attachment-27105" style="width: 486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27105 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png" alt="Foto de um livro aberto. O livro tem páginas pretas. Na parte esquerda do livro aberto, vemos uma moldura vermelha, com um retrato de uma mulher dentro. Na página direita do livro aberto, vemos, na parte superior central, as palavras “vitorianas macabras” em caixa alta, em uma fonte branca, com o logo, um M vermelho, entre as palavras. Logo abaixo, vemos as palavras &quot;Charlotte Riddell” em uma fonte em vermelho, em caixa alta. Abaixo, vemos palavras em uma letra cursiva, em branco. Ao centro, vemos as palavras “A EDITORA”, em uma fonte em vermelho e caixa alta. Abaixo, vemos os número 1832-1906 em vermelho. Na parte inferior, vemos um bloco de texto em uma fonte em branco." width="486" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png 486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 486px) 85vw, 486px" /><figcaption id="caption-attachment-27105" class="wp-caption-text">&#8220;Vitorianas Macabras comprova que o sangue é cor-de-rosa. Os contos aqui reunidos oferecem uma oportunidade única de descobrir que as histórias de medo sempre foram coisa de mulher.&#8221; &#8211; Gabriela Amaral (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa Baldwin</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário da sua antecessora no livro, Louisa Baldwin veio de uma família ligada aos negócios do Rei, e seu casamento, assim como o de suas três irmãs, foram destaque na história dela. Pelo menos no que dizem as biografias, já que a autora escreveu diversos poemas, romances e uma coletânea de </span><a href="https://darkside.blog.br/conheca-5-autoras-macabras-que-desafiaram-as-regras-de-seu-tempo/"><span style="font-weight: 400;">contos de horror</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a obra escolhida para representá-la foi o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério do Elevador</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1895, um dos mais curtos e mais envolventes de toda a coletânea da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Edith Nesbit</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ter escrito mais de 60 livros infantis, contos de horror, romances e poemas, foi co-fundadora de um movimento socialista londrino, precursor do Partido Trabalhista. Foi politicamente engajada, frequentando círculos sociais e literários da época, e tornou-se professora convidada da Escola de Economia e Ciência Política em Londres. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, é homenageada com a inclusão de seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortos em Mármore</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, que mistura o terror sobrenatural ao suspense psicológico.</span></p>
<p><b>Violet Hunt</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de personalidades famosas da pintura e da literatura da época, Violet Hunt cresceu em um universo artístico. Foi autora de romances e contos, membro da Liga Sufragista de Autoras e Clube Internacional de Escritores PEN, além de ter participado do movimento sufragista. Se manteve em atividade até morrer e, no livro, tem sua participação com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Prece</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1911, em que a protagonista revive um falecido e reforça o fascínio da </span><a href="https://www.gestaoeducacional.com.br/era-vitoriana-o-que-foi/#:~:text=A%20classe%20m%C3%A9dia%20vitoriana,o%20auge%20da%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Industrial."><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela morte e pelo que existe além.</span></p>
<figure id="attachment_27107" aria-describedby="caption-attachment-27107" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27107 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “LOUISA BALDWIN” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27107" class="wp-caption-text">Amelia B. Edwards publicou seu primeiro poema aos sete anos; sua obra O Coche Fantasma permanece um dos contos mais clássicos de terror até hoje (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Amelia B. Edwards</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lista de cargos de Amelia B. Edwards é longa: escritora, jornalista, pesquisadora e egiptologista. Ao contrário de outras autoras da antologia, que tiveram de conseguir reconhecimento por suas obras como forma de ganharem independência, o sucesso das obras de Edwards a incentivou a deixar a Inglaterra e partir em execuções, se dedicando a relatá-las em outras produções, além de contribuições ao estudo do Egito. Ela foi declaradamente feminista e, muito politizada, foi vice-presidente de uma sociedade sufragista. Amelia B. Edwards também é uma das ícones da </span><a href="https://morningstaronline.co.uk/article/amelia-edwards-lesbian-and-egyptologist"><span style="font-weight: 400;">história LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa: viveu por anos com sua companheira e as duas foram enterradas juntas, em um cemitério considerado patrimônio histórico LGBT no país. Na obra, participa com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Coche Fantasma</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1864.</span></p>
<p><b>Charlotte Bronte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrenome de Charlotte é famoso o suficiente para dispensar grandes apresentações: a autora foi uma das irmãs Bronte, as três grandes escritoras da Era Vitoriana. Junto de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emily-bronte-a-curiosa-vida-da-autora-de-o-morro-dos-ventos-uivantes/"><span style="font-weight: 400;">Emily</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Anne, financiaram a publicação de uma coletânea de poemas, com pseudônimos masculinos, e a partir daí, conseguiram publicar seus próprios trabalhos. A escrita de Charlotte, inclusive, foi elogiada pela Rainha Vitória. Em três páginas, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Napoleão e o Espectro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser cômico e sombrio, ao mesmo tempo.</span></p>
<p><b>Elizabeth Gaskell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romancista, contista e biógrafa, teve trabalhos publicados e reconhecidos ainda em vida, como o romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Mary Barton</span></i><span style="font-weight: 400;">, artigos e a biografia da família Bronte, por ser melhor amiga de Charlotte. Sua casa virou um museu dedicado a sua vida e obra, e, em </span><a href="https://darkside.blog.br/a-macabra-filmes-e-a-darkside-books-apresentam-vitorianas-macabras/"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Velha Ama</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1852, aborda o terror psicológico com uma ama recordando acontecimentos sinistros de sua juventude em uma mansão assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27108" aria-describedby="caption-attachment-27108" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bronte.jpg" alt="A imagem é uma pintura. A pintura retrata três mulheres brancas e jovens, lado a lado. À esquerda, vemos, do peito para cima, uma mulher de cabelos castanhos presos, usando um vestido verde e um laço rosa. Ao centro, em pé, vemos uma mulher de cabelos castanhos curtos usando um vestido lilás. À direita, sentada, vemos, da cintura para cima, uma mulher de cabelos loiros usando um vestido bege e um laço azul." width="620" height="356" /><figcaption id="caption-attachment-27108" class="wp-caption-text">Na imagem, as irmãs Bronte: Anne, Emily e Charlotte (Pintura: Edwin Landseer)</figcaption></figure>
<p><b>Mary Elizabeth Brandon</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez a de maior reconhecimento literário na época, Mary Elizabeth Brandon publicou mais de 80 livros e um deles, </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Lady_Audley's_Secret"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Lady Audley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o sucesso, ela conquistou a devida fama e independência financeira para seguir com suas publicações. Posteriormente, a obra foi adaptada para o rádio, para o cinema e para os palcos, alavancando ainda mais o alcance de Brandon na sociedade vitoriana. No livro, seu conto de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sombra da Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1879. abusa do terror psicológico.</span></p>
<p><b>Margareth Oliphant</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do restante das personalidades da coletânea, Margareth Oliphant, autora de romances, contos, artigos, ensaios, biografias e críticas literárias, só dedicou-se a seu trabalho de escritora após a morte de seu marido, como uma forma de sustentar os filhos. Casou-se novamente, com um editor de uma prestigiada revista literária da época, e continuou produzindo sem descanso até sua morte. Segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a crítica moderna afirma que, se pudesse trabalhar menos e criar mais, Margareth teria sido um dos bastiões da Literatura britânica</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No livro, seu conto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=B1b7p5mtX78"><i><span style="font-weight: 400;">A Janela da Biblioteca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1896, uma jovem de férias na casa de sua família na Escócia descobre um nefasto segredo e uma janela para o desconhecido.</span></p>
<p><b>Rhoda Broughton</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrinha de um </span><a href="https://www.tor.com/2022/03/30/completely-natural-explanations-j-sheridan-le-fanus-carmilla-part-4/"><span style="font-weight: 400;">grande escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época, Rhoda Broughton teve apoio do tio no início da carreira e publicou dois romances na sua prestigiada revista literária. A partir daí, caiu no gosto do público e se tornou uma autora popular no século XIX, com seu romances e contos inventivos e sensacionalista sobre personagens femininas que desafiavam o decoro vitoriana. A coletânea conta que sua popularidade foi tamanha que outros escritores famosos no período, como Oscar Wilde e Lewis Caroll, se sentiram intimidados por ela, e há boatos de que Margareth Oliphant a repudiava por sua ousadia nas histórias. Trabalhou incansavelmente até sua morte e, na antologia, aparece com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1868.</span></p>
<figure id="attachment_27109" aria-describedby="caption-attachment-27109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27109 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher de perfil, vestindo um terno e olhando para fora de uma janela. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “VERNON LEE” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27109" class="wp-caption-text">A peça teatral Satanás, o Devastador, em oposição à Primeira Guerra Mundial, é considerada uma obra-prima vanguardista de Vernon Lee (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>H.D. Everett</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente das colegas com que divide as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, H.D. Everett permaneceu um mistério por boa parte de sua vida. Começou a escrever somente após os 44 anos e publicou seus primeiros livros sob um pseudônimo masculino, o de Theo Douglas. Sua identidade só foi revelada em 1910, pouco mais de uma década antes de morrer, e caiu no esquecimento com o passar dos anos. Suas obras e sua escrita, porém, foram elogiadas por escritores famosos da Literatura de Horror, com suas histórias que mesclam terror e ficção científica, combinando temas vitorianos a toques modernos do início do século XX. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Morta</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1920, conto com que marca presença no livro, pode-se notar os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/de-jane-eyre-crimes-vitorianos-e-mais-6-obras-surpreendentes-sobre-era-vitoriana.phtml"><span style="font-weight: 400;">elementos comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua literatura em uma narrativa cheia de terror espiritual, com um viúvo assombrado por sua falecida mulher.</span></p>
<p><b>Vernon Lee</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vernon Lee fez tudo e desafiou tudo. Escritora, dramaturga e ensaísta, ela publicou mais de 50 livros, entre contos, romances, peças e ensaios, e se tornou notável por suas histórias de horror. Ela também ficou famosa por suas contribuições aos estudos de Filosofia e Estética, e por sua luta política &#8211; como uma ávida pacifista e antimilitarista, se opôs à Primeira Guerra Mundial e escreveu uma trilogia teatral de protesto. </span><a href="https://www.theparisreview.org/blog/2018/04/03/between-me-and-my-real-self-on-vernon-lee/"><span style="font-weight: 400;">Ela</span></a><span style="font-weight: 400;"> também desafiou os costumes da sociedade vitoriana: lésbica, assumia e vivia seu relacionamentos às claras, tendo permanecido com sua companheira até a morte, e se vestia em trajes tipicamente masculinos em provocação. No livro, participa com </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Dure</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, um dos contos mais longos, envolventes e poéticos da coletânea, sobre um jovem historiador que se apaixona por uma jovem italiana morta há séculos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Somos herdeiros das transformações e contradições vitorianas, adotamos e aperfeiçoamos seus avanços científicos e tecnológicos, exaltamos suas descobertas, apreciamos suas expressões artísticas, reverenciamos suas figuras ilustres</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><b>May Sinclair</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última, mas não menos importante, das macabras vitorianas lembradas na antologia de contos, May Sinclair foi romancista, contista, poeta, tradutora e crítica literária, com mais de 23 romances e dezenas de outras produções publicadas. Cedo na vida, ela teve de largar seus estudos para cuidar da mãe e dos irmãos, e se tornou autodidata. Ganhou destaque na Liga Sufragista das Autoras e também contribuiu com a psicanálise, em uma sociedade de pesquisa sobre fenômenos psíquicos e paranormais. Suas histórias de terror psicológico e tramas sobrenaturais foram chamativas e, no livro, entra com o conto </span><a href="https://www.stuckinabook.com/uncanny-stories-may-sinclair/"><i><span style="font-weight: 400;">Onde o fogo não se apaga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1923.</span></p>
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		<title>Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2020 18:56:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e Raphael Montes escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. Bom dia, Verônica, o resultado final, foi lançado pela Darkside Books em 2016, quando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16035" aria-describedby="caption-attachment-16035" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg" alt="" width="1620" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16035" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Bom dia, Verônica, Tainá Müller fará mais duas séries policiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-vilarejo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado final, foi lançado pela </span><a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, quando seus autores ainda se</span> <a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,estado-revela-quem-e-a-dupla-que-escreveu-bom-dia-veronica,70002990216"><span style="font-weight: 400;">escondiam sob o pseudônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Andrea Killmore. Identidades reveladas, não demorou muito para conseguirmos uma adaptação – e ela chegou em outubro de 2020, pelas mãos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-16034"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de Verônica se transformou completamente depois que seu pai, o delegado Júlio Torres, foi descoberto envolvido em um esquema de corrupção e, na hora de sua captura, foi baleado junto com sua esposa. A escrivã carrega nos pulsos o efeito que esse evento causou, mesmo que, na surdina, seu pai tenha sobrevivido – em estado vegetativo. Desde então, Verônica, que é interpretada por Tainá Müller na série, passa seus dias protocolando documentos e todas as burocracias que Wilson Carvana, delegado titular e amigo íntimo de seu pai, a pede. Frustrada com o cargo, não demora muito para nossa (anti?) heroína se deparar com um caso que a arrasta para o submundo das escórias de São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_16036" aria-describedby="caption-attachment-16036" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16036" class="wp-caption-text">Wilson Carvana é interpretado pelo experiente Antonio Grassi (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estopim ocorre logo no início da obra. Marta Campos surge na delegacia aos prantos para falar com o delegado titular. Depois de ser desacreditada e ignorada, deixando claro a ineficiência do Estado em lidar com mulheres violentadas, Marta comete suicídio bem na frente de Verônica, que resolve tomar o caso para si, com ou sem aval de seu chefe. E é logo nesse momento que visualizamos a sede de justiça da protagonista no combate ao tratamento hostil que essas vítimas são obrigadas a encarar no momento da denúncia. Mesmo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se perca em suas próprias escolhas narrativas, ambas as Verônicas – do livro e da série – tomam para si a necessidade de vingar os casos que cruzam o seu caminho, na mesma moeda em que são cometidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com o decorrer da trama, entram em cena Janete e seu marido, Tenente Coronel Cláudio Brandão. No livro, Janete é a única que divide a narrativa com Verônica, e não seria por menos – Brandão é um </span><a href="http://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tirado direto das produções </span><a href="https://exitoina.uol.com.br/noticias/cinema/ted-bundy-a-irresistivel-face-do-mal-e-outros-filmes-baseados-em-assassinos.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Depois que sua mulher atrai com propostas de emprego garotas jovens que acabaram de chegar na rodoviária, todas vindas do Norte do país, Brandão as leva para um </span><i><span style="font-weight: 400;">bunker </span></i><span style="font-weight: 400;">no meio da Serra da Cantareira e as tortura enquanto são penduradas por ganchos direto na pele. Janete ouve tudo com uma grande caixa de madeira em sua cabeça, que só tem buracos na direção dos ouvidos. O arco do casal é o mais envolvente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, abrindo feridas gigantescas na memória brasileira – um país </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/03/08/no-brasil-uma-mulher-e-morta-a-cada-duas-horas-vitima-da-violencia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">onde</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada duas horas, uma mulher é morta vítima de violência.</span></p>
<figure id="attachment_16037" aria-describedby="caption-attachment-16037" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg" alt="" width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16037" class="wp-caption-text">Janete se torna uma prisioneira dentro da própria casa, da própria vida (Foto: SUZANNA TIERIE/NETFLIX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Camila Morgado foi a escolhida para dar vida a Janete na adaptação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por  Izabel Jaguaribe, Rog de Souza e José Henrique Fonseca. A submissão e o medo da esposa, que é constantemente agredida e humilhada, está em cada olhar de esguelha ou postura curvada que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j8R_iNq-hTc"><span style="font-weight: 400;">Morgado</span></a><span style="font-weight: 400;"> imprimi em tela, gerando a empatia e o desespero do espectador – ou, de forma mais íntima, da espectadora. Janete é mais uma vítima de uma sociedade machista, com um marido que a afastou de sua família e de qualquer fonte de confiança para quem ela poderia denunciar. Não é surpresa que a mulher veja Verônica como um porto seguro, repleta da paciência e sensibilidade necessárias para lidar com uma situação desse nível de perigo.</span></p>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/eduardo-moscovis-o-machismo-e-cruel-e-doloroso/"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Moscovis</span></a><span style="font-weight: 400;"> divide as cenas com Morgado, interpretando o sádico Brandão. Sua crueldade é impressionante, e cada vez que Moscovis entra em cena, a tensão o acompanha intrinsecamente. Não há como relaxar com Brandão ao seu lado. Todo diálogo com Janete vira um jogo entre gato e rato – ele a encurrala, oprimi, diminui. A calma assustadora e controlada que cerca Brandão foi um desafio difícil para o ator, que não podia extravasar em decorrência do espectro comedido e covarde do personagem, que mal sobe o tom de voz ameaçador que dirige a esposa.</span></p>
<figure id="attachment_16039" aria-describedby="caption-attachment-16039" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16039" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg" alt="" width="1400" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16039" class="wp-caption-text">A Caixa que assombra todos os pesadelos de Janete (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É com essa figura imponente da Polícia Militar que Verônica resolve bater de frente. No entanto, durante a leitura da obra, podemos ver uma policial que está mais preocupada em concluir o caso sozinha do que salvar Janete, de fato. A atitude irresponsável e egocêntrica da Verônica literária em diversas situações coloca ainda mais em risco a vida de quem ela tenta proteger a todo custo. Tainá Müller com certeza deu mais carisma para a personagem, mas a mudança foi brusca, como se para transformar a protagonista em uma versão mais “limpa” do que era, mais atrativa para os espectadores. Na adaptação, Verônica tem um bom relacionamento com a família, rejeita as investidas de companheiros de trabalho e preza, acima de tudo, pela segurança das vítimas que conhece. Atitudes que a escrivã do livro está muito longe de ter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As obras dialogam bem entre si, com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/fefito/2020/10/05/bom-dia-veronica-conheca-as-diferencas-entre-o-livro-e-a-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">mudanças</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontuais que excluíram arcos toscos e mal trabalhados. Nas páginas, Gregório, o golpista do </span><i><span style="font-weight: 400;">site Amor Ideal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um adepto da necrofilia – fato que, de início, causa grande impacto no leitor, mas, no fim, só serve para certas escolhas serem mais fáceis e convenientes para Verônica. Colocar um assunto tão desconfortável e incômodo, sabendo que mulheres não alcançam a paz nem depois de mortas, e, depois, descartá-lo de maneira extremamente pobre sem muitas consequências é uma atitude curiosa de Casoy e Montes, ambos escritores já reconhecidos quando se trata de literatura policial e de terror.</span></p>
<figure id="attachment_16040" aria-describedby="caption-attachment-16040" style="width: 1016px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16040" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg" alt="" width="1016" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-298x300.jpg 298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-768x774.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16040" class="wp-caption-text">A capa original do livro, com foco nos passarinhos de Brandão (Foto: DarksideBooks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelos méritos do roteiro, a necrofilia foi removida e a história de Gregório deixada um pouco de escanteio, com um final semelhante, mas muito mais satisfatório e inteligente. A própria trama que envolve o esquema de corrupção de diversas fontes de poder não existe no livro, mas foi uma adição bem sacada à série, que garantiu que o final dos oito episódios fosse muito mais condizente do que o final das 256 páginas. Por outro lado, Anita, interpretada pela belíssima e competente Elisa Volpatto, destoa um pouco desse lado positivo. Criada para a série, parece que a personagem só foi adicionada para, constantemente, fazer oposição a Verônica, sendo uma antagonista sem nenhuma faceta além da aparente maldade e falta de comprometimento com seu cargo de delegada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora escolhida para a trajetória da escrivã não poderia ter sido melhor. Se em </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/a-musica-serve-para-denunciar-para-gritar/"><i><span style="font-weight: 400;">Maria da Vila Matilde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino contra o feminicídio, Elza Soares afirma que </span><i><span style="font-weight: 400;">cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, Verônica está determinada a marcar esse arrependimento em seus demônios. As músicas complementam cada final de episódio, desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça-Dinossauro</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional dos Titãs, até a romântica </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, do mestre </span><a href="http://personaunesp.com.br/belchior-quarenta-anos-alucinacao/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. As faixas contam histórias em parceria com os grandes momentos que elas entoam. </span></p>
<figure id="attachment_16043" aria-describedby="caption-attachment-16043" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16043" class="wp-caption-text">Montes e Casoy na delegacia da série, ambos participaram da criação da adaptação (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada da série ainda não foi confirmada, mas, devido à grande aceitação do público, podemos esperar que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">dê uma chance para fortalecer as produções nacionais, visto que Ilana Casoy e Raphael Montes já confirmaram uma sequência para o livro. Acompanharemos uma Verônica loira e justiceira lidando com seus inimigos do próprio jeito, independente do sangue derramado. Se a continuação é necessária, cabe a cada um a resposta. Mas o cenário policial brasileiro é, com certeza, um bom palco para tramas mirabolantes de ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os ferrenhos defensores que acreditam que o livro é sempre melhor que sua adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova o contrário. Apesar de ser uma obra literária rica, o formato de série conseguiu deixar a narrativa mais interessante com suas mudanças e minimizar os defeitos marcantes que estão presentes em suas páginas. A violência contra a mulher é um problema de todos e deve ser combatida enfaticamente. Se você está ou conheça alguém que esteja nessa situação, denuncie. Não se cale, porque, mesmo na ficção, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/10/10/janete-te-deixou-com-raiva-em-bom-dia-veronica-entao-voce-nao-entendeu.htm"><span style="font-weight: 400;">Janete</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é um caso isolado. </span><a href="https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-e-buscar-ajuda-a-vitimas-de-violencia-contra-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Disque 180</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>HEX triunfa sobre a atemporalidade do ser humano</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2020 20:36:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos “Isto é o quanto basta para as pessoas mergulharem na insanidade: uma noite a sós consigo mesmas e o que mais temem.” Desde que o primeiro homem condenou a primeira mulher por bruxaria, as bruxas são personagens constantes nas histórias de terror e seus mitos apavoram crianças há gerações. As mulheres condenadas por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "HEX triunfa sobre a atemporalidade do ser humano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14517" aria-describedby="caption-attachment-14517" style="width: 1046px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1.png" alt="" width="1046" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1.png 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-300x149.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1024x509.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-768x382.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14517" class="wp-caption-text">A vertiginosa capa de HEX, em tons de verde neon, preto e branco (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Isto é o quanto basta para as pessoas<br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;">mergulharem na insanidade: uma noite a sós<br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;">consigo mesmas e o que mais temem.”<br />
</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que o primeiro homem condenou a primeira mulher por bruxaria, as bruxas são personagens constantes nas histórias de terror e seus mitos apavoram crianças há gerações. As mulheres condenadas por serem, supostamente, seguidoras de Satã e assassinas de bebês eram queimadas, afogadas ou enforcadas ao som de aplausos e vivas, mas juravam vingança a seus inquisidores enquanto suas almas deixavam o corpo já apodrecido. Mais recentemente, a História nos mostrou que as verdadeiras bruxas não eram tão más assim, mas o estigma continua a existir.</span></p>
<p><span id="more-14516"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, e se uma delas, depois de sua execução, continuasse rondando, corpóreamente, os descendentes de seus assassinos? É isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra escrita pelo holandês </span><a href="https://www.oldeheuvelt.com/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Olde Heuvelt</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos propõe: Katherine van Wyler, condenada à fogueira em 1664, vaga acorrentada e com olhos e boca costurados pela cidade de Black Spring há quase 350 anos, e quem se aproxima dela é acometido por seu sussurro de morte. Publicado no Brasil em 2018 pela </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e traduzido por Fábio Fernandes, </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu elogios de grandes nomes como Stephen King e George R. R. Martin pela sua originalidade e tensão ao longo de toda a trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para acompanhar os passos da chamada “</span><i><span style="font-weight: 400;">bruxa de Black Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os habitantes de Black Spring criam uma agência de controle, a HEX, com câmeras de vigilância pela cidade, figurantes para afugentar Forasteiros e até um aplicativo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">HEXapp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mostra o último local em que a bruxa esteve &#8211; tudo para manter em segredo a tão antiga maldição. Rondam boatos de que até a Casa Branca sabe do que se passa no lugar, mas tudo é enterrado à sete palmos do chão, para evitar o pânico generalizado envolvendo essa pacata cidade dos Estados Unidos. Katherine faz percursos padronizados, aparece em casas no meio da noite e assusta animais e crianças. No entanto, a bruxa não se aproxima, nada faz. Apenas observa à distância, desafiando qualquer um a chegar perto e ouvir seus sussurros &#8211; após isso, a morte é inevitável.</span></p>
<figure id="attachment_14518" aria-describedby="caption-attachment-14518" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2.jpg" alt="" width="700" height="466" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14518" class="wp-caption-text">O holandês Thomas Olde Heuvelt (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De longe, a bruxa é a personagem mais interessante na história. Caracterizada como uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">bomba-relógio paranormal</span></i><span style="font-weight: 400;">”, todos acreditam que ela está lá por vingança e nada mais. A curiosidade a respeito da história de Katherine movimenta quase toda a primeira parte do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">#APEDREJAMENTO</span></i><span style="font-weight: 400;">, e cada capítulo deixa o leitor esperando uma quebra nos seus movimentos ou um ataque fora do comum. Katherine foi morta sob acusação de ter trazido o filho de volta à vida através da adoração ao Diabo, mas ninguém nunca soube se o acontecimento era verídico ou mais uma invenção dos religiosos da colônia holandesa, na época chamada de New Beeck. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o protagonismo da obra não pertence só à errante: a família Grant, moradores de Black Spring, tem um relacionamento harmônico até os primeiros impactos da narrativa. Steve, pai de Tyler e Matt e casado com Jocelyn, é um professor embebido por senso de justiça e por um amor mais que especial por seu filho mais velho, Tyler. A relação dos dois é o cerne da parte dois,</span><i><span style="font-weight: 400;"> #MORTE</span></i><span style="font-weight: 400;">, e seu desenvolvimento vai ficando cada vez mais gritante, furioso, intenso. E aí que está a perfeição na escrita de Olde Heuvelt &#8211; seus personagens têm lados extremos, recebendo do leitor momentos de julgamento e momentos de compaixão. Afinal, toda a vida na cidade é pautada em esconder e aprender a conviver com uma bruxa acorrentada, sem nunca poder ir embora por conta da maldição. Todos vivem em estado de fúria crepitante, mas contida, contra si mesmos e contra onde moram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Black Spring é como uma entidade atemporal que parece não ter avançado no tempo. O autor fez um trabalho magnífico em mostrar como, no final das contas, o pódio de vilão não pertence exclusivamente à Katherine, já que os moradores continuam julgando, apedrejando e linchando qualquer um que estremeça a paz tão frágil de suas vidas, da mesma forma violenta que seus ancestrais fizeram em 1664. A temência a Deus só perde para a temência à Katherine, e Black Spring pode ser vista como a grande personagem desiludida e aterrorizada da obra. A cada capítulo, experimentamos altos e baixos, arrepios no pescoço e uma pausinha para respirar e absorver os fatos recém-descobertos.</span></p>
<figure id="attachment_14519" aria-describedby="caption-attachment-14519" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3.jpeg" alt="" width="1280" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-300x240.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1024x819.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-768x614.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1200x960.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14519" class="wp-caption-text">Katherine van Wyler em ilustração na contra-capa (Foto: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto forte do livro é a utilização de tecnologia. Vivendo no século XXI, o melhor jeito de manter algo em rastreio é por meio de um aplicativo. Assim, todos sabem por onde Katherine anda, mesmo que seja proibido fotografar ou filmá-la. Esse último leva a uma consequência ainda mais interessante: a inconformidade da juventude. Os adolescentes da nova geração não toleram o fato de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua liberdade de expressão serem restringidas. Eles querem mudança, e é isso que buscam durante a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que o medo aumenta e se espalha, a cidade vai ruindo aos poucos, caminhando em direção a autodestruição decorrente de seu fanatismo. E, novamente, somos agraciados por um clímax caótico, que nos deixa excitados e confusos. Tudo, de repente, desmorona, e somos levados a um espaço de pessoas desesperadas enfrentando sua própria natureza selvagem. Famílias, vizinhos, a comunidade em si &#8211; ninguém mais se reconhece. Há apenas o medo (o nosso incluído). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, com suas 368 páginas, </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa aterrorizados &#8211; mais com nós mesmos do que com historinhas de bruxas e espíritos. A loucura humana é explorada em todas as suas fases, e o leitor enlouquece junto. O ser humano realmente mudou através dos séculos? Ou apenas esconde sua verdadeira índole: um interior de pura histeria? Thomas Olde Heuvelt e Katherine van Wyler podem nos esclarecer um pouco. </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/hex-por-thomas-olde-heuvelt/p"><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em sua catarse, reforça: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foram vocês que as queimaram. Agora, queimarão &#8211; uns aos outros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_14520" aria-describedby="caption-attachment-14520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpeg" alt="" width="1000" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-300x240.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-768x614.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14520" class="wp-caption-text">Um cartaz que podia estar facilmente nas imediações da floresta de Black Rock (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dica: Se estiver passando por Black Spring, dê uma olhada na cidade. Visite o festival de Halloween e veja a queima da Mulher de Palha, mas volte para a casa. Faça uma trilha pelo Monte Misery e veja o Hudson lá do alto. Mas cuidado com o anoitecer, florestas são perigosas. E lembre-se: não provoque a bruxa de Black Rock.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/">HEX triunfa sobre a atemporalidade do ser humano</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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