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	<title>Arquivos Abuso &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Os M’s de Maid: maternidade, machismo e meritocracia</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 15:22:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa Retratando um cenário particular que reflete as diferentes realidades da maternidade, Maid exibe com fidelidade o machismo e a falta de oportunidade vivenciada por mães que sofrem com algum tipo de violência. A minissérie original da Netflix estreou arrebatando emoções e nos obrigando a preparar os lencinhos. Jovem, Alex (Margaret &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os M’s de Maid: maternidade, machismo e meritocracia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24910" aria-describedby="caption-attachment-24910" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem Alex e Maddy passeiam por uma floresta. A mãe branca e de cabelo preto veste um colete de tom roxo escuro por cima de uma blusa de manga comprida no tom azul escuro. Ela também usa um gorro azul enquanto carrega a sua filha no ombro. A criança tem a pele branca e o cabelo loiro, ela veste uma jaqueta cinza com estampa infantil acompanhada de um suéter amarelo mostarda" width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-11-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24910" class="wp-caption-text">Em entrevista, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hDMPqh310dQ">Margaret Qualley</a> falou sobre como foi importante passar tempo com Riley além do momento das gravações, para que conseguissem capturar uma essência mais autêntica como mãe e filha (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner e Thuani Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratando um cenário particular que reflete as diferentes realidades da </span><a href="https://maesqueescrevem.com.br/maternidade-acesso-a-educacao-e-a-falacia-da-meritocracia-por-nayara-ferreira/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe com fidelidade o machismo e a falta de oportunidade vivenciada por mães que sofrem com algum tipo de violência. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M4nrGje_pyc"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou arrebatando emoções e nos obrigando a preparar os lencinhos. Jovem, Alex (Margaret Qualley) larga os estudos e o sonho de ser escritora para cuidar da filha Maddy (Rylea Nevaeh Whittet), mal sabendo que no futuro, o conjunto de registros realizados durante o seu trabalho como faxineira a salvariam. </span></p>
<p><span id="more-24909"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid: Hard Work, Low Pay and a Mother&#8217;s Will to Survive</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que conta a história da adolescência e maternidade de Stephanie Land</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o drama conta com a direção de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/shameless-boss-john-wells-sets-maid-dramedy-at-netflix-1256579/"><span style="font-weight: 400;">John Wells</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtor da aclamada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/shameless-11a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shameless</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A estreia foi bem recebida pelo público, ficando vários dias entre </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2021/11/14/maid-supera-o-gambito-da-rainha-mais-assistida/"><span style="font-weight: 400;">as mais assistidas no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. O seriado aborda as vivências de Stephanie de forma muito sensível e verdadeira, contendo cenas extremamente sentimentais e subjetivas, daquelas em que o público pode sentir o que o personagem sente, criando uma espécie de aproximação e intimidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao som da música predileta de Maddy, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vaN01VLYSQ"><i><span style="font-weight: 400;">Shoop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do grupo Salt-N-Pepa, Alex e sua filha dirigem sem rumo para longe do </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">conturbado no meio da floresta. Graças ao roteiro de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/10/criadora-de-maid-ajuda-grupos-de-apoio-a-mulheres-apos-serie"><span style="font-weight: 400;">Molly Smith Metzler</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de não conseguir tirar o refrão viciante da cabeça, a audiência também se solidariza com as personagens logo no início da trama. Fato que acaba sendo ótimo e terrível ao mesmo tempo: cada reviravolta do enredo é sentida como um soco no estômago por quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_24913" aria-describedby="caption-attachment-24913" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24913 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem Alex olha distraidamente para sua frente. Alex tem a pele branca, seus cabelos estão amarrados e são ondulados e de tons castanho escuro, veste blusa cinza e moleton azul escuro e brinco pequeno azul. Ao fundo, uma estante com vários produtos de limpeza e um aspirador de pó." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3481694-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24913" class="wp-caption-text">A história de Alex é similar a de muitas mulheres brasileiras; no canal do YouTube da Netflix, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_R9Zs4-c_bw">Stephanie Land lê comentários do Twitter</a> de outras jovens que saíram de relacionamentos abusivos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte dos episódios é dedicada a exibir as dificuldades financeiras enfrentadas por Alex, que foge de um relacionamento aprisionador que a privou de seu dinheiro e trabalho. Assim, ela recorre aos auxílios do governo, mas eles vem com toneladas de burocracia, criando uma sensação de inferioridade que a faz em certos momentos viver situações irreais onde é humilhada. Como, por exemplo, quando imagina estar sendo chamada de desempregada fracassada e inútil. Fato que se torna um ponto a menos para a </span><a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html"><span style="font-weight: 400;">meritocracia</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que ela precisa e realmente merece ajuda para ter uma vida melhor, mas as condições para conseguir são tão adversas que tornam a ajuda governamental despreparada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esbanjando histórias reais, a criação conta com a atuação de Margaret Qualley e Andie MacDowell (Paula), como mãe e filha. </span><span style="font-weight: 400;">Além de dividirem a tela, elas </span><a href="https://osegredo.com.br/atrizes-da-serie-maid-tambem-sao-mae-e-filha-na-vida-real-esse-foi-seu-primeiro-trabalho-juntas/]"><span style="font-weight: 400;">compartilham dos mesmos genes talentosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, extraindo o melhor da intimidade familiar para as cenas em que contracenam</span><span style="font-weight: 400;">, por mais que vivam em pé de guerra devido a leviandade de Paula e as exigências de Alex para colocá-la na linha, mas esses podem ser considerados os menores problemas. Paula vive em constante negação sobre a violência psicológica e financeira que a consome, sempre se envolvendo em relacionamentos infundados com homens que sem real interesse nela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma decisão criativa assustadora, a tomada de consciência sobre o ciclo de abuso vivido por Alex ocorre com a narrativa de um ladrão que realmente existe, o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/10/maid-a-historia-real-e-o-que-aconteceu-com-o-ladrao-billy"><span style="font-weight: 400;">Billy Pé Descalço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para satisfazer o roteiro, o roubo de salgadinhos e a relação conturbada com a mãe definem o adolescente na minissérie. Obcecada em entender os cadeados e a coleção nazista do casarão que limpava, a nossa protagonista passa por um processo de identificação com Billy. Trancada no sótão do ladrão é que ela recupera a memória de se esconder nos armários da cozinha enquanto seu pai agredia a sua mãe.</span></p>
<figure id="attachment_24914" aria-describedby="caption-attachment-24914" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12.jpg" alt="Cena da série Maid, na imagem estão Alex e Paula, Alex interpretada por Margaret Qualley e Paula, interpretada por Andie MacDowell. Alex tem a pele branca, seus cabelos estão amarrados e são ondulados e de tons castanho escuro, veste suéter verde bandeira. Paula tem a pele branca, seus cabelos são cacheados, longos e estão amarrados e de tons grisalhos, veste uma bata de hospital, a imagem não mostra calças. Alex está de costas para a câmera, já Paula alimenta um sorriso aberto mas tentando passar um olhar de tranquilidade. Ao fundo, ambas estão em um quarto de hospital." width="900" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-12-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24914" class="wp-caption-text">A cumplicidade nos olhos de Paula parece genuína quando colocada em imagens, mas ao ver a cena, percebesse uma mulher confusa e emocionalmente ferida, partindo corações na esperança que ela se encontre outra vez (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em projetos que abordam o ponto de vista feminino da sociedade, é de extrema importância saber se por trás das câmeras existe </span><a href="https://mulhernocinema.com/numeros/estudo-programas-produzidos-por-mulheres-empregam-mais-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem assina a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><i><span style="font-weight: 400;">LuckyChap Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;">, empresa comandada pela atriz </span><a href="https://margotrobbie.com.br/margot-robbie-conversa-com-o-wsj-sobre-a-nova-serie-da-netflix-maid/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que tem como foco obras desenvolvidas por mulheres. Não por acaso, a minissérie usufrui do mesmo recurso visual presente nos filmes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M2LMRXkAZSY"><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2020)</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mesma equipe.</span> <span style="font-weight: 400;">Essa predileção utilizada funciona como um espelhamento de tela, mas dos pensamentos de Alex. Sempre que complicações financeiras surgem, os números de sua conta bancária ou os cálculos de seus custos aparecem na tela, aumentando ou diminuindo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Alex e Paula, a trama conta com outras vítimas de violência doméstica, como Danielle (Aimee Carrero), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=halfuvOMGoo"><span style="font-weight: 400;">moradora do apartamento 23</span></a><span style="font-weight: 400;"> da casa de acolhimento. Sendo sua terceira vez no abrigo, ela já conhece a burocracia e ajuda Alex a sair do fundo do poço, mostrando a jovem que precisa revidar os estigmas negativos que a sociedade e a justiça impõe às mulheres principalmente as que decidem se rebelar, taxadas como loucas, mentirosas e mães despreparadas. Denise, interpretada por BJ Harrison, é outra peça fundamental para deixar o coração do público ainda mais frágil. As conversas extremamente necessárias que ela tem com Alex servem tanto para a reflexão da protagonista quanto do espectador, acrescendo uma dose a mais de humanidade e carinho.</span></p>
<figure id="attachment_24915" aria-describedby="caption-attachment-24915" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-4.gif" alt="Gif de Alex e Maddy em um quarto infantil de tons pastéis. A mãe branca e de cabelo preto veste um colete azul por cima de um moletom cinza. Ela carrega e gira a sua filha, uma criança branca e de cabelo loiro. Maddy veste uma blusa de manga comprida cinza enquanto sorri no colo de Alex." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-24915" class="wp-caption-text">Apesar de ser ambientada nos Estados Unidos, Maid foi gravada na <a href="https://technewsbrasil.com.br/onde-maid-da-netflix-foi-filmada/">Colúmbia Britânica</a>, uma província canadense (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega a ser difícil apontar defeitos na produção devido a extrema qualidade do produto, mas alguns pontos valem ser destacados: a atuação de Nick Robinson como Sean, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hDMPqh310dQ"><span style="font-weight: 400;">totalmente diferenciada de tudo que já vimos do ator</span></a><span style="font-weight: 400;">, acostumado a  trabalhar com papéis mais jovens, colegiais e com um quê de bom moço, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de Robinson, Andie MacDowell demonstrou relutância para aceitar o papel pois via Paula como uma personagem muito desafiadora. Ainda que inesperados, ambos surpreendem em suas performances, mostrando um novo leque de possibilidades artísticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na emocionante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_nzgQcH0Vyc"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, a jovem mãe finalmente caminha com a sua filha até o topo de uma montanha em Missoula, cidade em que ela voltará a estudar para se tornar uma escritora. No ponto mais alto, há um M gigantesco que Alex atribui o seu significado a Maddy e esse novo mundo que será todo dela. Para nós telespectadores, a décima terceira letra do alfabeto nomeia aspectos essenciais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maid</span></i><span style="font-weight: 400;">: a maternidade, o </span><a href="https://www.folhape.com.br/colunistas/uma-serie-de-coisas/enredo-de-maid-destaca-ciclo-de-violencia-domestica-em-geracoes/27659/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a meritocracia.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: This Is Paper Jackets" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/41EFpdLgoVJoyDr0qSZcFR?si=9efaedf04a944a3b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 18:30:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia de Figueredo Dona de um talento singular e autêntico, a rapper Azzy lança um novo EP chamado Rímel. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.  Uma das principais faixas de Rímel &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24827" aria-describedby="caption-attachment-24827" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24827 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rimel-azzy-e1637794251495.jpg" alt="Capa do EP Rímel, de Azzy. A imagem mostra uma fotografia da artista de ponta cabeça, ao lado de um espelho que mostra seu rosto. A imagem é estilizada em tons de vermelho, laranja e amarelo. Azzy é uma jovem negra de pele clara, tem cabelos alisados escuros e olha para o lado esquerdo da imagem, de perfil, com expressão séria. No canto superior esquerdo, está o nome do EP em amarelo numa fonte de letra de forma, e num tamanho menor, em cima e colorido de branco, está o nome da artista. " width="600" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-24827" class="wp-caption-text">“De São Gonçalo para o mundo, você não queria, mas eu vinguei”: na música São Gonçalo, Azzy fala sobre a sua trajetória dentro do rap nacional (Foto: Azzy)</figcaption></figure>
<p><b>Livia de Figueredo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um talento singular e autêntico, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Azzy lança um novo </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><a href="https://open.spotify.com/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Rímel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o</span> <span style="font-weight: 400;">trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-24826"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais faixas de <em>Rímel</em> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">São Gonçalo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que explana grande parte da sua trajetória. A vida da artista foi marcada por um amadurecimento compulsório, visto que, aos 12 anos de idade, Isabela Oliveira foi violentada sexualmente por um parente. Sem saídas e sem o apoio familiar, ela saiu de casa para não ser mais submetida a tamanha </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, sozinha e na ausência de um apoio psicológico e financeiro, o tráfico de drogas foi a solução que a Azzy encontrou para sua própria sobrevivência. No </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b75bN7NHod0"><i><span style="font-weight: 400;">Podpah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> relata como foi ter que traficar até conseguir uma mínima condição de vida, para assim sair do crime e poder se dedicar à Música, que sempre foi sua paixão.</span></p>
<figure id="attachment_24828" aria-describedby="caption-attachment-24828" style="width: 1242px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24828 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem de Azzy em entrevista ao podcast Podpah. Ao centro, existe uma mesa de madeira, onde Azzy está do lado esquerdo, usando uma blusa de moletom rosa e calça jeans azul. Do outro lado, estão dois entrevistadores. Todos tem microfones à sua frente e atrás da mesa existe uma TV que mostra o logo do podcast. A TV está presa numa parede cinza clara. " width="1242" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg 1242w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-800x694.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1024x888.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-768x666.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1200x1041.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24828" class="wp-caption-text">&#8220;A gente fala e ninguém ouve. A gente grita e ninguém ouve. A gente pede socorro e ninguém escuta&#8221;: frase de Azzy no podcast Podpah (Foto: Gabriel Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Azzy é semelhante a vivência de milhares de meninas que são violentadas sexualmente, e por consequência de uma sociedade que possui em sua conjuntura raízes discriminatórias e sexistas são invisibilizadas, e ainda tem todos os seus direitos negligenciados pela família e pelo Estado. Nesse cenário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">extrema violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma válvula de escape que surge como um grito de resistência é se expressar através da Arte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> participava de batalhas de rimas no estado do Rio de Janeiro. Todavia, nem dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde pessoas negras e periféricas conseguem ganhar voz para escancarar uma realidade de estigma que sofrem, a</span> <span style="font-weight: 400;">mulher encontra seu espaço. Esse foi o preconceito que Azzy vivenciou na própria pele, quando o seu trabalho era desmerecido por conta do seu gênero, e em suas letras, ela denuncia o machismo dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">“Até entendo vocês odiarem uma mina rimar melhor do que vocês”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse quadro persistente de preconceito e pouca</span> <a href="https://rapforte.com/7582/"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Azzy, com apenas 20 anos, teve seu rosto estampado em um telão da</span><i><span style="font-weight: 400;"> Times Square, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos lugares mais conhecidos no mundo. A</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das brasileiras que compõem o quadro de artistas do projeto </span><a href="https://open.spotify.com/genre/equal-page"><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem como objetivo promover a equidade de gêneros. O destaque foi para a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eJupDZRIWq4"><i><span style="font-weight: 400;">Robocop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que deixa explícita a mensagem sobre a liberdade feminina em <em>Rímel</em>. Outros artistas, como Anitta, Luan Santana, Iza e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mc-dricka-acompanha-critica/"><span style="font-weight: 400;">MC Dricka</span></a><span style="font-weight: 400;"> colaboram com o </span><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, é inegável que a presença de Azzy é essencial para a diversidade cultural, visto que ainda há entraves para a figura feminina dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24829" aria-describedby="caption-attachment-24829" style="width: 831px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24829 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg" alt="Imagem de um painel na Times Square, em Nova Iorque, que mostra Azzy como o rosto da campanha EQUAL do Spotify. A imagem é vertical e mostra vários prédios espelhados ao fundo. Ao centro, está o painel que estampa uma fotografia de Azzy." width="831" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg 831w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-649x800.jpg 649w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-768x946.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-1200x1478.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1.jpg 1242w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24829" class="wp-caption-text">“Posso dizer, como Isabela e como Azzy, o quão grandioso é estar representando tantas mulheres. Estar na Times não é só sobre mim, é sobre todas nós que sonhamos com o pódio.” (Foto: Afonso Caravaggio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse reconhecimento internacional fez a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">se transformar numa inspiração para milhões de meninas e mulheres, que hoje podem ver o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma oportunidade de se expressar.</span> <span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> <em>Rímel </em>conta com uma participação de uma artista emblemática do gênero musical: </span><a href="https://www.google.com.br/amp/s/escutaqueebom.com/cynthialuz/amp/"><span style="font-weight: 400;">Cynthia Luz</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BNrOqTGK2HA"><i><span style="font-weight: 400;">Luzes de Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Na música, a dupla  deixa claro o recado de que as minas são livres para serem, fazerem e ocuparem tudo o que desejam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, Azzy coleciona na sua carreira participações nacionalmente reconhecidas, como no </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=poesia+ac%C3%BAstica"><i><span style="font-weight: 400;">Poesia Acústica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde ela colaborou em três edições que tiveram mais de 650 milhões de acessos. Além disso, os dois milhões de seguidores que a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquistou em sua conta pessoal do </span><a href="https://www.instagram.com/azzyoriginxl/?hl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> confirmam o inquestionável: Azzy é um fenômeno, contribuindo para a representatividade do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional e feminino, que infelizmente ainda hoje encontram obstáculos como a falta de investimento e o machismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, com a figura de mulheres como Azzy, a passos pequenos outras meninas e mulheres periféricas são inspiradas a procurar uma realidade diferente da que é oferecida pela sociedade, como os abusos, violências e negligência dos mais diversos setores sociais. E finalmente, podemos nos ver como merecedoras de ocupar todos os espaços, inclusive como dignas a  atingir o pódio através de uma música que surge como um grito das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Rímel" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?si=sfFJK-bsSwyfZLlfAU8yJw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 20:30:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da Lua Azul e na trama narrativa de Lua Azul, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24253" aria-describedby="caption-attachment-24253" style="width: 1852px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24253" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra uma jovem em primeiro plano, de costas e posicionada à esquerda. Ela é branca, tem cabelos lisos castanhos presos numa trança, e olha para frente. À frente dela, existe uma mesa onde uma família faz uma refeição. O lugar é alto e tem vista para montanhas." width="1852" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png 1852w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-800x303.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1024x388.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-768x291.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1536x582.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1200x455.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24253" class="wp-caption-text">Carregado de uma indigesta fábula sobre relações de poder permeadas por questões de gênero, Lua Azul compõe a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da </span><a href="https://www.ips-planetarium.org/page/a_hiscock1999"><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na trama narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama traz para a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, depois de sair com o prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2021, é um fenômeno em todos os sentidos. </span></p>
<p><span id="more-24252"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa do filme também faz jus à complexidade proposta por </span><a href="https://www.instagram.com/alina.al.grigore/"><span style="font-weight: 400;">Alina Grigore</span></a><span style="font-weight: 400;">, que nos apresenta “a jornada emocional de uma jovem que caminha rumo a um processo de desumanização”. Ela é Irina (Ioana Chitu) e vive na zona rural da Romênia trabalhando no negócio de sua família, que é responsável pela sua criação e a de sua irmã Victoria (Ioana Ilinca Neacsu) na ausência dos pais divorciados. Sustentando o núcleo poderoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, as garotas vivem de forma quase dupla quando fora do ambiente familiar, marcado por dinâmicas abusivas, e sonham com uma vida independente na capital, como forma de fugir daquele contexto de muitas </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme diz a que veio logo no primeiro contato que estabelece com o outro lado da tela, num choque assustador que se cria ao ver Irina sendo acordada com gritos autoritários, broncas e ordens violentas. De forma apática e indigesta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> já dissipa qualquer suavidade romântica que seu título possa sugerir para se estabelecer como um drama de ação, no sentido amplo do termo. Durante seus 90 minutos, as pessoas sempre estarão conversando (leia-se gritando), andando (leia-se correndo) e/ou trabalhando (leia-se brigando), e nas mãos de Alina, essa construção cotidiana é mais do que o necessário para criar uma fábula sobre relações familiares, de </span><a href="https://revistas.ufpr.br/diver/article/download/34041/21201"><span style="font-weight: 400;">poder e de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24255" aria-describedby="caption-attachment-24255" style="width: 1682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra o rosto de uma jovem branca em close. Ela tem cabelos lisos castanhos e usa uma franja e blusa preta de gola alta. Ela olha para o lado direito da imagem, com desconfiança." width="1682" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg 1682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24255" class="wp-caption-text">Repleta de significado para as civilizações que olhavam para o céu em busca de compreender a Terra, a Lua Azul é definida pela astronomia como o fenômeno que permite a ocorrência de duas luas cheias num mesmo ciclo lunar (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenrola seguindo o que já conhecemos do Cinema romeno: </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">rejeitando caminhos fáceis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><span style="font-weight: 400;">valendo-se de muita ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;">. E no recorte de gênero muito bem proposto pela diretora, o filme só ganha mais relevância: através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crai Nou</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alina Grigore é a segunda mulher a vencer o Concha de Ouro, prêmio máximo do Festival de San Sebastián, sucedendo a georgiana Dea Kulumbegashvili, que venceu a honraria em 2020 com </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/88426-beginning-a-impressionante-e-avassaladora-estreia-de-dea-kulumbegashvili.html"><i><span style="font-weight: 400;">Beggining</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de protagonizarem o marco histórico e o futuro do Cinema do Leste Europeu, as duas diretoras também estão de mãos dadas quando o assunto é tomar como objeto de estudo o contexto de opressão que envolve jovens mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando os homens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparecem em cena, a narrativa de Alina é potencializada, num movimento em que a diretora parece conscientemente usá-los para fortalecer a sua crítica. Na presença do primeiro núcleo masculino, que é protagonizado por Liviu (Mircea Postelnicu), um primo da protagonista que trabalha de forma mais próxima à dela no hotel da família, o filme reflete sobre como </span><a href="https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/5436#:~:text=Este%20sistema%20organiza%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es,massa%20(Engels%2C%202007)."><span style="font-weight: 400;">as noções de amor e afeto são distorcidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relações doentias fundamentadas no patriarcado. Depois, o roteiro, também de Grigore, desenvolve as consequências disso fora do contexto familiar, quando Irina suspeita ter sido </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">abusada sexualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa festa, e acaba envolvendo-se emocionalmente com o seu possível agressor, que existe no olhar esperto de Tudor (Emil Mandanac).</span></p>
<p><figure id="attachment_24254" aria-describedby="caption-attachment-24254" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png" alt="Cena do filme Lua Azul mostra uma família fazendo uma refeição em volta de uma mesa branca e farta." width="1916" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-800x299.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1024x383.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-768x287.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1536x574.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1200x448.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24254" class="wp-caption-text">Antes de estrear na direção com Lua Azul, Alina Grigone fez-se conhecida por suas atuações em Aurora (2010), Best Intentions (2011) e Ilegitimo (2016) [Foto: Patra Spanou]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tudo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é orientado pelo olhar de Alina Grigone, que sabe tratar a violência explícita e a implícita com a mesma maestria. Fora do plano da conceituação, o filme não precisa de nada além dos </span><a href="https://www.tjdft.jus.br/informacoes/infancia-e-juventude/noticias-e-destaques/2021/maio/fique-atento-aos-sinais-de-maus-tratos-infantojuvenis-1"><span style="font-weight: 400;">silêncios amargos e omissões amedrontadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista para nos apresentar os seus sentimentos, que diante da atmosfera explosiva, insensível e direta de todo o resto &#8211; muito bem capturada pela câmera atribulada de Adrian Paduretu -, coloca a personagem para existir dentro da narrativa em uma outra vibração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso impulso é querer acreditar que uma hora tudo vai fazer sentido, mas como a própria sinopse avisa, trata-se de um processo de desumanização. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, fenômenos sociais e naturais são colocados no mesmo patamar de regência das leis da natureza, e infelizmente, Alina Grigore identifica que </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1339/1/A%20influ%C3%AAncia%20da%20estrutura%20patriarcal%20na%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20emancipa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20na%20sociedade%20contempor%C3%A2nea.pdf"><span style="font-weight: 400;">a sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como se fosse parte delas. Como, então, se libertar de um ciclo de violência que nos cerca por todos os lados debaixo do céu?</span> <span style="font-weight: 400;">Diante da reincidência deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não sabe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BLUE MOON / CRAI NOU by Alina Grigore - TRAILER (EN subt.)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nFojUjO6XXg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 16:56:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Se em 2009 Garota Infernal foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como Terror cult feminista à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, Garota Infernal é um estudo de caso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/garota-infernal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24203" aria-describedby="caption-attachment-24203" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela se olha no espelho de um armário azul marinho, típico dos colégios estadunidenses. O espelho é arredondado com strass prata e rosa em sua volta. Na lateral superior esquerda e na lateral inferior direita do espelho estão colados dois adesivos de desenhos orgânicos, também em rosa. Não se vê nada na cena além da vista do rosto de Jennifer refletido no espelho e o fundo azul marinho do armário." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24203" class="wp-caption-text">Fracasso comercial, Garota Infernal pouco a pouco se restabeleceu como terror cult feminista (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 2009 </span><a href="https://youtu.be/C8azftM5puI"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como </span><a href="https://www.vox.com/culture/2018/10/31/18037996/jennifers-body-flop-cult-classic-feminist-horror"><span style="font-weight: 400;">Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um estudo de caso sobre como um roteiro perspicaz, um enquadramento subversivo da câmera e personagens autoconscientes são capazes de transfigurar o olhar masculino predominante no gênero, pondo em foco a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVTmHYPrAAc/?utm_medium=share_sheet"><span style="font-weight: 400;">perspectiva feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto às violações do corpo através de Jennifer e, </span><span style="font-weight: 400;">bem, “</span><a href="https://www.npr.org/2021/09/16/1037893623/olivia-rodrigo-jennifers-body-good-4-u-teenage-girls-anger"><i><span style="font-weight: 400;">O inferno é uma garota adolescente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span id="more-24202"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o sucesso do encantador </span><a href="https://youtu.be/K0SKf0K3bxg"><i><span style="font-weight: 400;">Juno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro filme de Cody que lhe rendeu uma vitória no </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/redescobrindo-garota-infernal"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">, um misto de expectativa e incerteza pairava acima do próximo projeto da roteirista – seria talento ou sorte de principiante? Assim, concedida total liberdade criativa pelos grandes estúdios, Cody decidiu abraçar suas ideias mais perversas ao escrever um horror pastiche que centralizasse personagens mulheres, explorasse amizades femininas e, principalmente, que fosse sobre uma garota canibal comedora de homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, historicamente, o </span><a href="https://judao.com.br/explorando-o-exploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">exploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">carrega consigo uma </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2009/nov/02/jennifers-body-feminist-exploitation"><span style="font-weight: 400;">má reputação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, sobretudo nas décadas de 1950 à 1970, o papel das mulheres se reduzia basicamente ao prazer de sua dor, </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurizado </span></i><span style="font-weight: 400;">pelo</span> <a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (termo conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês). E se o gênero por si só já é definido</span><span style="font-weight: 400;"> como “lixo”, um filme cuja narrativa concentra-se na transformação de uma garota popular em demônio que se alimenta especificamente de homens – além de ser encabeçado por uma equipe de mulheres –, certamente seria um desafio comercial na época.</span></p>
<figure id="attachment_24204" aria-describedby="caption-attachment-24204" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela está nua, nadando em um lago. As águas do lago refletem a luz do fim da tarde, num tom azul escuro. As partes não refletidas da água estão em tom preto. No enquadramento da cena, Jennifer está centralizada encarando a câmera. Ao seu redor só é possível ver o lago." width="1920" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-800x437.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1024x559.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-768x419.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1536x838.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1200x655.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24204" class="wp-caption-text">Assim como Jennifer Check, Megan Fox sentia-se violada, traçando paralelos entre o rito satânico do filme à indústria cinematográfica (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassou os limites do véu que separa arquétipos igualmente condenatórios da “lésbica frígida” à “burra promíscua”, inaugurando um debate quanto à </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/por-que-megan-fox-acredita-que-garota-infernal-esta-frente-do-tempo/"><span style="font-weight: 400;">misoginia internalizada em Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jennifer Check (Megan Fox) não é casta, inocente e muito menos é modelo de feminismo, pelo contrário, ela é rude, egoísta e maldosa. Ela está longe de ser a vítima perfeita e, acertadamente, isso não importa no filme. Cody não entrega ao público uma mocinha fácil de se torcer, porém, em momento algum sugere que mesmo alguém tão desprezível como Jennifer mereça passar pelas agonias que passou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jennifer acaba sozinha dentro de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, rodeada por desconhecidos, o tom de inevitabilidade é indigesto. Ao finalmente se dar conta do que está por vir, não há mais nada que a personagem possa fazer. Ela se desespera, questiona e fracassadamente implora por piedade à banda </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre que, em busca do triunfo </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Maroon 5, é capaz de sacrificá-la em dois segundos. Todavia, a cena, carregada de efeitos visuais alucinantes, traz o ponto de vista de Jennifer, de como ela se sente no momento. A visão dos assassinos não importa e Cody nos estende sua lente, nos encorajando a entender e respeitar Jennifer. Não há fetichização em seu sofrimento e, aqui, a </span><a href="https://www.facebook.com/diasdecinefilia/posts/2650699001682110/"><span style="font-weight: 400;">escrita sensível de Cody</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilha. Por não ser virgem, o sacrifício dá errado e agora, súcubo, Jennifer inicia uma série de matanças em </span><i><span style="font-weight: 400;">Devil’s Kettle</span></i><span style="font-weight: 400;"> que estremece a relação com sua melhor amiga Needy (Amanda Seyfried).</span></p>
<figure id="attachment_24205" aria-describedby="caption-attachment-24205" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. No enquadramento, ela está centralizada, sorrindo e encarando a câmera com um olhar obsessivo. Ela está com o rosto encardido de sujeira, maquiagem borrada e sangue na boca. Ela veste uma jaqueta branca, também suja e manchada de sangue, e argolas médias em prata. É noite e não há luz no fundo. O fundo é a casa da amiga de Jennifer, Needy, completamente escura." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24205" class="wp-caption-text">O corpo grotesco de Jennifer foi um dos artifícios utilizados por Diablo Cody e Karyn Kusama para negar o male gaze (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os paralelos com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas abusivas de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">parecem ser óbvias. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi produzido na era do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/06/movimento-metoo-gera-417-acusacoes-de-assedio-em-empresas-diz-consultoria.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e muita coisa mudou em 10 anos. Se esses debates de gênero e violência sexual – infelizmente atemporais –, ganharam repercussão em 2019, no ano de 2009 pouco se discutia a questão. Revelando em entrevistas as próprias </span><a href="https://youtu.be/u2JLRtWlq0o"><span style="font-weight: 400;">experiências pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Fox chegou a comparar o sacrifício de Jennifer ao da própria carreira: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentia que estava sendo sacrificada por seus ganhos, quase sem nenhuma preocupação com meu bem-estar físico. [&#8230;] O que quer que eles precisassem fazer de mim ou me colocar, eles fariam</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de fato, escalada como estrela do filme, a </span><a href="https://www.indiewire.com/2018/12/karyn-kusama-jennifers-body-marketing-misogynistic-1202026860/"><span style="font-weight: 400;">estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se voltou à hiperssexualização do corpo de Fox. O estigma de que o terror não agrada garotas definiu o público alvo de maneira equivocada e </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi vendido para garotos adolescentes como um filme totalmente diferente do que realmente era. A divulgação consistiu apenas no apelo sexual quase pornográfico de Fox, voltado exclusivamente ao </span><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i><span style="font-weight: 400;"> – justamente o que Cody e Kusama propunham negar. Não há nudez explícita, Jennifer parece estar doente na metade do filme e o </span><a href="https://macabra.tv/o-medo-da-carne-nos-filmes-de-horror-corporal/"><i><span style="font-weight: 400;">horror corporal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é a melhor definição de </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;">. O desastre foi fatal.</span></p>
<figure id="attachment_24206" aria-describedby="caption-attachment-24206" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Amanda Seyfried é uma mulher branca de cabelos loiros longos. Ela usa óculos, regata lilás e calça preta. Megan Fox é uma mulher branca de cabelos pretos longos. Ela veste uma blusa branca com manga média cinza escuro, shorts e meias listradas em cinza, branco e vermelho. Ambas estão conversando em cima de uma cama com lençol bege e coberta estampada em tons alaranjados queimados. A cama está centralizada no enquadramento, assim como as personagens. Acima da cama está uma janela com cortina de voil, onde é possível ver que é noite. À frente da janela está pendurada um pisca-pisca de luz amarelada. O fundo da imagem é um quarto. As laterais do quarto possuem forro chanfrado em branco, paredes com papel de parede floral em dourado e vermelho e cabeceiras verdes cheias de objetos. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24206" class="wp-caption-text">Needy, a amiga nerd devota, Jennifer, a garota demônio mais cobiçada da escola (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhando em atrair o público feminino e decepcionando o masculino, a reprovação foi consensual. Tanto a crítica especializada quanto o público, ambos compostos majoritariamente por homens cis, héteros e brancos, repudiou o filme. As </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/09/megan-fox-jennifers-body-feminist-1234589224/"><span style="font-weight: 400;">avaliações eram negativas, até misóginas</span></a><span style="font-weight: 400;">, numa época em que artistas como Megan Fox, Salma Hayek e Angelina Jolie, por exemplo, eram tratadas explicitamente como </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/megan-fox-critica-machismo-em-hollywood-me-viam-como-um-casco-vazio-60767"><span style="font-weight: 400;">mercadorias sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, vistas mais como um rosto bonito do que atrizes talentosas. Para mais, com o advento da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs </span></i><span style="font-weight: 400;">de fofoca, perseguição de </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ataque à Fox foi intensificado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberbullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, culminando na sua reclusão, junto com a de Cody, que desencadeou problemas psicológicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas para além do legado injusto que o filme suportou por efeito das circunstâncias externas que o envolveram, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre a </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/vida-de-menina-5-filmes-sobre-juventude-estrelados-dirigidos-e-escritos-por-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">perda da inocência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e novas descobertas. O sacrifício de Jennifer pode ter ressuscitado-a, mas seu antigo eu foi morto, sepultado. Ela não é mais a mesma, ela se sente vazia. A amizade platônica entre Jennifer e Needy (tradução de </span><i><span style="font-weight: 400;">“carente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o astucioso apelido é derivado de Anita) é um dos indicativos centrais desse amadurecimento. Logo, ainda que a relação entre as melhores amigas tenha sido sempre nociva, é somente quando Jennifer se torna demônio que Needy finalmente se dá conta da ambiguidade dessa “amizade”.</span></p>
<figure id="attachment_24207" aria-describedby="caption-attachment-24207" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24207" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Elas estão frente a frente prestes a se beijar. Só é possível ver o recorte dos narizes às bocas das personagens. Elas são refletidas por uma meia-luz em tom quente alaranjado. O fundo, que contorna o perfil das personagens, é totalmente preto." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24207" class="wp-caption-text">A cena de beijo entre Needy e Jennifer foi desconfortável para as ambas atrizes, que temiam a fetichização dela (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, Needy olha para Jennifer com admiração. Ela deixa o namorado para seguir a amiga assim que lhe é ordenado e a tensão entre ambas é inquestionável, crescendo gradativamente até o estopim do subtexto sexual insinuado na narrativa, quando as amigas se beijam. A cena não dura mais de um minuto e traz à tona a confusão de Needy sobre seus sentimentos reprimidos. O </span><a href="https://gizmodo.com/the-real-horror-of-jennifers-body-toxic-friends-5361181"><span style="font-weight: 400;">relacionamento codependente</span></a><span style="font-weight: 400;"> delas é claramente mais intenso do que simples amizade, oscilando num complicado espectro que varia entre as melhores e piores sensações do amor e ódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a </span><a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/24822"><span style="font-weight: 400;">leitura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sobre o relacionamento delas não propõe, nem ao menos tenta, ser exemplo de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1666-parte-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">representação sáfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> positiva. Ao invés disso, Cody explora a maneira como, instruídas a competir pelo pouco espaço disponível, as alianças femininas são corrompidas pelo patriarcado, ainda que reluzam sinais de paixão. Por fim, o inimigo se torna outras garotas, não o sistema em si. O brilho do olho de Needy ao olhar Jennifer, antes cintilante, agora se apaga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisitando a obra com olhos contemporâneos, é inegável que </span><i><span style="font-weight: 400;">Jennifer’s Body</span></i><span style="font-weight: 400;"> reivindicou a estrutura primária do </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/11/19/uma-reflexao-sobre-rape-revenge-e-falso-feminismo/"><i><span style="font-weight: 400;">rape-revenge</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por protagonistas que não se limitam aos arquétipos habituais do Terror – a vítima é cruel, a mocinha se corrompe. A cereja do bolo é o ar </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">nostálgico que remete um universo passado com filtro de cores saturadas no qual pessoas usavam o </span><i><span style="font-weight: 400;">MySpace </span></i><span style="font-weight: 400;">e penduravam pôsteres de bandas </span><i><span style="font-weight: 400;">emo </span></i><span style="font-weight: 400;">nos quartos. Sem qualquer moralização, o filme traça metáforas ácidas sobre o trauma, onde o patriarcado é tão vil quanto o monstro demoníaco enjaulado dentro de uma adolescente canibal. E, infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> provou na pele o poder do sistema, questionando: quem tem medo de Jennifer Check?</span></p>
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		<title>O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 17:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alberto Borges Ao sentar para assistir O Homem Invisível de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será mais um filme de Terror com perseguição, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-invisivel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem Invisível: quando a ficção encontra a realidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24166" aria-describedby="caption-attachment-24166" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-reproducao.png" alt="Cena do filme O Homem Invisível. A personagem Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está de lado num box de banheiro, enquanto no segundo plano o foco está na mão do Homem Invisível marcada no vidro do box embaçado." width="700" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-24166" class="wp-caption-text">Assim como no mundo real, O Homem Invisível muitas vezes só existe na cabeça das mulheres (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Alberto Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao sentar para assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Leigh Whannell, você pode até imaginar que será </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais um filme de Terror com perseguição</span></a><span style="font-weight: 400;">, mortes e muito sangue. Porém, a produção, lançada em 2020, tem camadas muito mais profundas do que as que passam no imaginário do público enquanto estão entretidos durante as mais de duas horas de sequências de ação. Baseado no livro de mesmo nome de Herbert George Wells, lançado em 1897, e na primeira versão do filme de 1933, dirigido por James Whale, a trama se prende na visão da personagem principal, Cecília (Elisabeth Moss), que logo no início do filme mostra qual é seu principal objetivo e seu maior inimigo: </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-o-homem-invisivel-161140/"><span style="font-weight: 400;">fugir daquele que se deita ao seu lado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24165"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O drama e a tensão dos primeiros minutos da produção são cativantes e fazem o público ficar sem fôlego, com direito a uma fuga da protagonista que causa temor do início ao fim. O longa não aborda a relação do casal antes de Cecília fugir, o que deixaria o roteiro mais rico e profundo para o espectador entender de onde vieram todos os traumas e a insana obsessão do homem pela figura da mulher. Tudo funciona bem, mesmo sem essa apresentação inicial ou </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o filme. Contudo, a experiência seria diferente com essa adaptação do diretor. </span></p>
<figure id="attachment_24167" aria-describedby="caption-attachment-24167" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-divulgacao-Universal-Pictures.jpg" alt=" Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, está usando uma camisola na frente de um espelho enquanto olha para trás com uma expressão apreensiva." width="700" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-24167" class="wp-caption-text">“Eu tenho alguma experiência com personagens que sofreram abusos de diferentes tipos. Seja físico, emocional, psicológico, sexual, é algo que já interpretei muito. Então trouxe um certo conhecimento ao papel”, disse Moss em entrevista (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os relacionamentos abusivos tem ganhado uma crescente de muita influência nas produções culturais nos últimos tempos, porém a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1X_wmD96LPs&amp;ab_channel=JuCirqueira"><span style="font-weight: 400;">versão literária da obra</span></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nenhuma ligação com o tema, visto que é apenas focada na figura do Homem Invisível e no modelo de ficção assídua, com experimentos de laboratório que o transformaram e o fizeram ter a busca pelo poder. Quanto ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlr75akeAQU&amp;ab_channel=DalenogareCr%C3%ADticas"><span style="font-weight: 400;">filme de 1933</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria incluir o personagem em seu mundo de monstros, o que acabou não acontecendo e culminou no clássico filme de época, na releitura do livro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova adaptação, Elisabeth Moss, já conhecida por seus papéis dramáticos em outras séries e filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaid’s Tale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assume o destaque e conquista o público com sua atuação brilhante no papel, passando todo o sentimento de desespero e desamparo que vive enquanto lida com seus traumas do relacionamento. Estes que, como na vida real, trazem o papel da mulher sendo lunática e com falta de empatia, evidenciando que até mesmo quem está no ciclo social pode chegar a desconfiar de sua condição mental, e, no caso de Cecília, sua irmã, seu amigo e até mesmo os policiais começam a desacreditar de seus relatos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Homem Invisível - Trailer Oficial 2 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEyTTpP_Mdw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>A virada de chave do filme para o Terror</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra carrega na carga emocional da personagem seu ritmo de acontecimentos, como se cada passo de superação dos traumas e da síndrome do pânico adquirida, e representada tão bem por Moss, fosse um impulso para que o terror aumentasse. Assim, ela recebe a notícia de que seu ex-marido se suicidou, de forma trágica, e deixou todo seu patrimônio para ela. Um gancho para que ela se aproximasse novamente de tudo que deixou para trás e ainda trazia más memórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é o gatilho para o desenrolar da narrativa. Adrian (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), o cientista maluco, que sabe se lá como, conseguiu construir uma roupa que o deixa invisível, meio que </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-homem-invisivel-de-h-g-wells/"><span style="font-weight: 400;">difere do livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e começa a rondar todos os passos da ex-esposa, com um clima de suspense que o envolve, pois ninguém sabe onde ele está e qual a sua aparência. Essa evidência é mostrada apenas quando o diretor deixa referências de coisas se mexendo sozinhas, respirações, e claro, uma das cenas mais conhecidas do filme, a das mãos no </span><i><span style="font-weight: 400;">box </span></i><span style="font-weight: 400;">do banheiro. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cheio de sequências hipnotizantes, e uma das maiores é quando Cecília começa a lutar com o vulto em plena cozinha, momento em que quem assiste fica ansioso para ver o desfecho de tudo, até que a personagem consegue se livrar, e confirma suas paranoias. Consciente de que não é apenas uma insanidade, e sim a realidade, ela começa a confrontar seu ex-cônjuge e tomar atitudes para pôr um ponto final em toda a situação aterrorizante.</span></p>
<figure id="attachment_24168" aria-describedby="caption-attachment-24168" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-1-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando uma camisa social, está num quarto escuro e joga uma lata de tinta branca no homem invisível, o que faz com que seu traje apareça." width="650" height="264" /><figcaption id="caption-attachment-24168" class="wp-caption-text">Os momentos de terror do filme são relacionados ao medo de como é a figura do Homem Invisível (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O truque de mestre do roteiro é tornar a vítima culpada. Quando ela decide contar para sua irmã Emilly (Harriet Dyer), em uma jogada de psicopatia, o Homem Invisível mata a ex-cunhada no meio de um restaurante, e o que sobra é Cecília, com uma faca na mão e os olhares de acusação dos demais presentes. Tudo nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> se concentra apenas em Elisabeth Moss, em cortes fechados, tendo que lidar com a situação de estar encenando sozinha em momentos de tensão, mesmo com a presença de toda a equipe, o que deixa o filme angustiante e prende nossa atenção.</span></p>
<p><b>A ligação com o trauma e o final de vingança</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a situação não estivesse pior, a personagem descobre estar grávida, e esse fator surpresa muda tudo na dinâmica do filme, pois agora Adrian não queria mais vê-la sofrer, e sim ter o filho, fruto de uma relação de objetificação e posse. Na continuidade, Cecília é seguida até mesmo na cadeia onde está presa, pela figura do homem que ninguém vê. O roteiro de Leigh Whannell, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-97570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">especialista em filmes de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos apresenta o limite que uma mulher fragilizada e assustada pode chegar para se livrar de um maníaco perseguidor: tirar a própria vida. No entanto, o mesmo roteiro tem como objetivo fazer com que Adrian tenha o medo de perder o seu item mais precioso: ela mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos de ação e efeitos especiais no longa-metragem são convincentes, como a sucessão de ataques aos policiais da figura que ninguém vê.  As mortes foram coreografadas como se os homens estivessem brigando sozinhos, ao nível de não sabermos qual será o próximo movimento do assassino, o que deixa o fator surpresa de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Invisible Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais instigante. </span></p>
<figure id="attachment_24169" aria-describedby="caption-attachment-24169" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/GIF-2-_reproducao_.gif" alt="Cena do filme O Homem Invisível. Cecília (Elisabeth Moss), de cabelos loiros, usando um macacão, rasteja no chão tentando fugir de seu ex-marido enquanto dois policiais tentam segurá-la." width="650" height="271" /><figcaption id="caption-attachment-24169" class="wp-caption-text">A verdade só vem à tona quando outras pessoas sofrem as consequências dos atos da criatura invisível e começam a acreditar na personagem principal (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando todos já sabem a verdade, o que resta, a não ser procurar quem não se pode ver? É aí que a chave vira, e o ditado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“o feitiço virou contra o feiticeiro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa no filme. Cecília faz com que o jogo se inverta, e se rende à quem mais a maltratou, numa atitude desesperada de resolver a situação. Nada mais romântico do que um jantar à luz de velas, sentada frente a frente com quem tentou matá-la várias vezes, concordam? </span></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-homem-invisivel-elizabeth-moss-relacionamentos-abusivos"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz Elisabeth Moss defendeu a visão de analogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre os relacionamentos abusivos.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Ela diz que ele está lá, atacando-a, abusando dela, manipulando-a e todos em volta dizem ‘relaxa, está tudo bem’(&#8230;) Ninguém acredita nela, a analogia é clara”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><span style="font-weight: 400;">No fim, o cientista, que preparou todo seu plano articulado para não ser descoberto e infernizar a vida da mulher, se descuida, deixando com que ela pegue o traje, e inocentemente, o mate, como ele tinha feito com sua irmã, numa constituição de cena que molda para um suicídio, aquele que no começo do filme, ele forjou para segui-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em síntese, a caótica e angustiante distopia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Invisível </span></i><span style="font-weight: 400;">se aproxima de outros clássicos do Terror de perseguição à vítima, tais como </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-238622/criticas/espectadores/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, seu contexto trazido para um drama vivido diariamente no mundo, confere uma sutilidade no tratamento do tema, que poderia ter sido trabalhado de forma mais incisiva, e deixaria o enredo mais verdadeiro, com pés no chão ao abordar a relação do casal principal desde o início. Ao término das duas horas, vem a sensação de um soco no estômago para quem entendeu o recado do filme, ou pior,  já viveu situação parecida.</span></p>
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		<title>O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 20:23:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 1971. Luchino Visconti. Morte em Veneza. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. O Garoto Mais Bonito do Mundo, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, tem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-garoto-mais-bonito-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Garoto Mais Bonito do Mundo é o mais triste também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24148" aria-describedby="caption-attachment-24148" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Em preto e branco, mostra um garoto branco e loiro escondido atrás de uma cadeira de set de gravações. Nas costas da cadeira, está escrito L. Visconti, o nome do diretor. " width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4391-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24148" class="wp-caption-text">Analisando o impacto da fama na vida de uma jovem estrela, o documentário faz parte da Perspectiva Internacional da Mostra de SP (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>1971. Luchino Visconti. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2412199916.htm"><i>Morte em Veneza</i></a>. Björn Andrésen. A receita para o sucesso pode, em adição, conter os mesmos ingredientes de um trauma que se alonga por uma vida inteira. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/02/beleza-de-ator-de-morte-em-veneza-virou-sentenca-para-jovem-mostra-documentario.shtml"><i>O Garoto Mais Bonito do Mundo</i></a>, documentário sueco que integra a Perspectiva Internacional da 45ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, tem em seu cerne a ferida aberta que a fama e o estrelato podem causar nesse alguém ainda em processo de formação.</p>
<p><span id="more-24147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início dos anos 70, o cultuado diretor Luchino Visconti colocou em prática a ideia de dar vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte em Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;">, adaptação da obra de </span><span style="font-weight: 400;">Thomas Mann</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://palavrasdecinema.com/2018/10/30/morte-em-veneza-de-luchino-visconti/"><span style="font-weight: 400;">entraria para a história do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, com abertura e aclamação massiva em Cannes do mesmo ano e vendido em cima da figura angelical de Björn Andrésen, à época com menos de dezesseis anos. 50 anos depois, o mesmo Björn relembra os bastidores da ascensão meteórica de seu rosto e corpo, e como os vestígios de abuso moldaram seu eu de hoje, um homem de sessenta e seis anos, quebrado em todos os sentidos da palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução histórica, com amplo </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-96298/"><span style="font-weight: 400;">uso de imagens de arquivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, situa com maestria o documentário comandando pela dupla Kristina Lindström e Kristian Petri, mas o que o filme tem de base complementar, ele carece de foco estrutural. O que, por ora, joga a favor da obra. Ao salpicar filmagens antigas do menino, intercalando com imagens cruas do velho de hoje, os diretores ganham pela simpatia.</span></p>
<figure id="attachment_24149" aria-describedby="caption-attachment-24149" style="width: 1617px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24149" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra um homem idoso, de cabelos brancos e barba branca, compridos, parado próximo ao mar. Ao fundo, vemos a água azul." width="1617" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World.jpg 1617w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-800x456.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1024x583.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-768x437.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1536x875.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/The-Most-Beautiful-Boy-in-the-World-1200x683.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24149" class="wp-caption-text">O ator é mostrado no set de Midsommar, onde interpretou o papel do idoso que se joga do penhasco em um dos rituais mais brutais do filme de Ari Aster (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não simpatizar com o tal Garoto. Seu olhar ávido e estupefato dos anos setenta entra em conflito com as íris escurecidas e tristes da década de vinte. E muitos são os fatores que fizeram-no cruzar essa ponte da depressão e da falta de cuidado próprio. Como sua namorada exclama nos minutos iniciais, ele mal sai de casa, muito menos recebe ninguém há anos no maltrapilho apartamento e </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/the-most-beautiful-boy-in-the-world-sundance-review/5156424.article"><span style="font-weight: 400;">prefere o silêncio à conversa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmando Andrésen calmo, sozinho e vestido com casacos elegantes e escuros, em contraste com o penteado de Papai Noel nórdico, a cinematografia de Erik Vallsten deita e rola no jogo de imagem e som </span><a href="https://deadline.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-sundance-documentary-1234682836/"><span style="font-weight: 400;">do ontem e do hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. O idoso narra, fora da câmera, como foi a experiência de virar um símbolo sexual, de luxúria e desejo antes mesmo de atingir a maioridade, narrando absurdos, agora enfrentados como dragões medievais, sob o timbre grosso e a presença diminuta do homem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que ponto a </span><a href="http://thefilmexperience.net/blog/2021/1/29/sundance-the-most-beautiful-boy-in-the-world-review.html"><span style="font-weight: 400;">influência de um diretor famoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode massacrar a vida de um jovem ator? Até que ponto a família pode intervir? Björn, órfão desde cedo, não encontrou na avó a proteção que necessitava, seguindo todas as ordens de Luchino Visconti, o diretor que imortalizou o ator. Hoje, aos 66 anos, o Garoto tem a mesma idade que Visconti tinha quando o escalou no século passado. Na pele de Tadzio, o filme nos mostra sua primeira audição, onde teve de tirar a roupa a fim de Visconti poder julgar se aquele era o intérprete ideal.</span></p>
<figure id="attachment_24150" aria-describedby="caption-attachment-24150" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24150" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg" alt="Cena do documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo. Mostra o close no rosto do garoto, branco e louro, que olha para a câmera e sorri. " width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02.jpeg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mostbeautiful02-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24150" class="wp-caption-text">Sensível e extremamente respeitoso com a figura do Garoto, o filme abre debates importantes para o Cinema do século XXI: até quando vamos sexualizar figuras infantis? Qual o limite do inaceitável? (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os moldes eurocêntricos de beleza, cabelos loiros áureos, olhos cinzentos e a pele branca como leite, com bochechas rosadas e um maxilar pontiagudo, venderam o Garoto como o símbolo inalcançável de perfeição. Tão longe do resto dos mundanos, que ele próprio voou perto demais do Sol. A comunidade gay da época, em especial a equipe de produção comandada pelo diretor assumidamente homossexual, era descrita como desejando Björn, comendo-o com os olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visconti assegura que ninguém, de fato, tocou o menino, mas a pressão de ficar seminu num </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravações daquele já foi mais que o bastante para que Björn crescesse </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/01/the-most-beautiful-boy-in-the-world-review-bjorn-andresen-1234611909/"><span style="font-weight: 400;">rodeado de complexos e medos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto é que muitos dos problemas nascidos no processo de virar adulto só são adereçados na terceira idade, e capturados pelo olhar da segura dupla que dirige </span><i><span style="font-weight: 400;">The Most Beautiful Boy in the World</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua predileção pela fuga dos confrontos nas brigas com a namorada preenchem o miolo do filme, que se estende por menos de cem minutos. Sobra espaço para Björn mergulhar no mistério do assassinato da mãe, na sequência mais desoladora da rodagem, onde choramos junto dele. É tarde demais para que os erros sejam desfeitos, mas a existência de longas como esse são fator importante para que a história não se repita. Na era em que os </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-09-11/primeiro-tadzio-depois-dicaprio-agora-chalamet-a-obsessao-de-hollywood-pela-figura-do-lolito.html"><span style="font-weight: 400;">Lolitos são atacados sem pudor</span></a><span style="font-weight: 400;">, respeito ou responsabilidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Garoto Mais Bonito do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> rasga as dores de um arquétipo passado, mas que, independente de quantos penhascos pule em direção à libertação, nunca cicatrizará suas marcas. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Most Beautiful Boy in the World - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RhwlYz3qtwA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Esquiando por temas frios, Slalom sobe ao pódio</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 22:25:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Estamos cada dia mais imersos nas Olimpíadas de Tóquio. A última vez que assistimos aos jogos, eles aconteciam em solo brasileiro, na Cidade Maravilhosa. Um dos grandes destaques do Rio 2016 foi a ginasta Simone Biles, que conquistou quatro medalhas de ouro, batendo recordes. Em 2018, ela revelou ter ser uma das &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/slalom-ate-o-limite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Esquiando por temas frios, Slalom sobe ao pódio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21741" aria-describedby="caption-attachment-21741" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-21741" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-800x335.jpg" alt="Cena do filme Slalom. No canto direito temos Lyz. Uma garota branca de cabelos lisos e pretos. Ela está de lado e veste um uniforme azul. Ela está segurando duas pranchas de esqui. O fundo é uma montanha com neve branca." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-3.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21741" class="wp-caption-text">Presente na seleção do Festival do Rio 2021, Slalom &#8211; Até o Limite retrata o abuso sexual no Esporte (Foto: Jour2fête)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cada dia mais imersos nas Olimpíadas de Tóquio. A última vez que assistimos aos jogos, eles aconteciam em solo brasileiro, na Cidade Maravilhosa. Um dos grandes destaques do Rio 2016 foi a ginasta </span><a href="https://ge.globo.com/ginastica-artistica/abuso-na-ginastica/noticia/traumatizada-com-abuso-sexual-ginasta-simone-biles-afirma-tomar-remedios-para-ansiedade.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Simone Biles</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conquistou quatro medalhas de ouro, batendo recordes. Em 2018, ela revelou ter ser uma das mais de 100 vítimas de abuso sexual cometido pelo ex-médico da Federação de Ginástica dos Estados Unidos, Larry Nassar. É nesse pavoroso mundo onde a realidade se torna o pior pesadelo que é ambientando </span><i><span style="font-weight: 400;">Slalom &#8211; Até o Limite</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Terceiro filme a ser exibido no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa integrou a Seleção Oficial do Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020, e marca com dor e talento a estreia da roteirista e diretora francesa </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/slalom-nos-casos-de-abuso-sexual-a-palavra-comeca-a-se-liberar-agora-explica-charlene-favier/"><span style="font-weight: 400;">Charlène Favier</span></a><span style="font-weight: 400;">. A história da promissora esquiadora que sonha em chegar com seu esporte às Olimpíadas é, em partes, inspirada na própria biografia de sua criadora, que molda a garota com suas experiências pessoais. A atuação de Noée Abita merece, também, todo o destaque, pela coragem e força em encarnar essa personagem e defender seus anseios.</span></p>
<p><span id="more-21740"></span></p>
<figure id="attachment_21742" aria-describedby="caption-attachment-21742" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-21742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-800x450.jpg" alt="Cena do filme Slalom. À esquerda está o treinador. Um homem branco e de cabelos ruivos. À direita está Lyz de costas. O fundo é uma janela que mostra a paisagem de montanhas. Há uma luz vermelha em toda a cena." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21742" class="wp-caption-text">Sem romantizações, a diretora reproduz quão graves e violentos são os casos de abuso (Foto: Charlie Bus Production)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem Lyz, de apenas 15 anos, é uma menina prodígio no esqui, treinada por um ex-talento do esporte, Fred, que se viu obrigado a parar de competir após uma lesão. O treinador julga a garota de estar defasada em relação ao grupo e dá atenção especial a ela por acreditar em seu potencial. Logo no começo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Slalom</span></i><span style="font-weight: 400;"> já incomoda. As cenas nauseantes se tornam duras de assistir pois </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">o instinto &#8211; ou melhor, o medo &#8211; feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz reconhecer em qual momento os atos do treinador deixam de ser apenas seu trabalho e passam a integrar uma sucessão de dominação e controle psicológico.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há maneira sutil para </span><a href="https://ibdfam.org.br/index.php/noticias/7590/10+filmes+para+refletir+sobre+a+viol%C3%AAncia+contra+a+mulher"><span style="font-weight: 400;">retratar a violência de um abuso sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. O roteiro bem construído e apoiado em sua densa dramaticidade nos coloca como telespectadores de uma cadeia de abusos psicológicos. É angustiante todo o início do filme, até entendermos onde a trama vai nos levar. Logo conhecemos Lyz como uma menina solitária, cuja mãe deixou-a sozinha em casa para trabalhar em outra cidade. Os reflexos dessa ausência são marcas assustadoras para compreensão do enredo &#8211; a todo momento queremos salvar a garota dos perigos que a rodeiam de maneira gritante, perigos esses não notados por ela.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Slalom - Até O Limite | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KvtyDtKjgvY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A menina está sozinha na cidade por conta de suas aulas de esqui, e tem em seu treinador uma figura próxima e que acredita nela. A cabeça conturbada de Lyz o vê como </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/17/deportes/1526574323_277181.html"><span style="font-weight: 400;">alguém confiável</span></a><span style="font-weight: 400;">, que investe nela, o primeiro que se interessa e não a deixa desistir dos próprios sonhos, que a acolhe quando está sozinha. Fred (Jérémie Renier), extremamente grosso com Lyz na frente da equipe, adota uma intragável postura mais acolhedora quando ela está sozinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O treinador que exige mais de Lyz do que dos outros alunos por confiança. É essa a ideia que a garota tem. Mas o ambiente do longa não nos permite sermos enganados. Não é como se ele fosse bonzinho desde o começo, as cenas são duras e degradantes, as cores trazem um ar obscuro para a mente doentia de Fred. O típico dos filmes de drama esportivo, a crença na superação, revela seu </span><a href="http://www.espn.com.br/blogs/espnw/765016_rescisao-de-jean-no-sao-paulo-e-um-lembrete-social-e-um-problema-nosso-temos-que-debater"><span style="font-weight: 400;">amargo caráter sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Charlène Favier acerta na medida de cada cena. Usando de um ritmo lento, não somos previamente introduzidos aos personagens. O filme foca mais em partes adicionais do que em </span><i><span style="font-weight: 400;">plots</span></i><span style="font-weight: 400;"> que entregam de cara o desenvolvimento e as respostas para todas as perguntas. É essa construção que nos coloca em um ambiente comum, escancarando cada vez mais como esses </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">atos cruéis</span></a><span style="font-weight: 400;"> beiram a normalidade em nossa sociedade. Entendemos a mente daquela criança que se vê presa a seu abusador.</span></p>
<figure id="attachment_21743" aria-describedby="caption-attachment-21743" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-21743" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4-800x450.jpg" alt="Cena de Slalom. Nela está Lyz. A garota usa um uniforme azul, capacete branco e óculos de proteção. Há também um pano preto em sua boca por conta do frio. O fundo é verde e desfocado. A aparência de Lyz é de assustada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-slalom-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21743" class="wp-caption-text">O longa foi premiado com o Troféu d&#8217;Ornano-Valenti no Festival de Deauville 2020 (Foto: Charlie Bus Production)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas explícitas embrulham o estômago. Todo o segmento do vestiário é necessariamente revoltante &#8211; e desconfie do caráter de quem se sentiu indiferente nos eternos segundos de cena. É incômodo vermos uma criança de 15 anos buscando refúgio nas drogas por não confiar na única pessoa que ela tem por perto. É perturbador ver Lyz vulnerável e tendo apenas a companhia de seu treinador. A sequência de cenas reverbera de forma desesperadora, a câmera fechada nas expressões faciais nos deixa a par da dor daquela garota que ainda é uma criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme segue sua dura realidade até o segundo final, não trazendo respostas ou soluções. A relação de </span><a href="https://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2018/05/01/os-motivos-que-ainda-calam-o-abuso-sexual-no-esporte/"><span style="font-weight: 400;">poder exercido sobre a vida e carreira da vítima</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a violenta dinâmica de dominação, que é o ponto explicativo para o medo da denúncia. É por conta dessa ‘autoridade’ que </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/joanna-maranhao-fala-do-abuso-na-infancia-da-vez-que-tentou-se-matar-e-da-volta-as-piscinas"><span style="font-weight: 400;">Joanna Maranhão</span></a><span style="font-weight: 400;"> só conseguiu trazer o assunto a público aos 21 anos. É também no final que o cuidado e a proteção à criança e ao adolescente ecoam sua importância. Ancorada na certeza da presença da mãe, Lyz consegue dizer seu primeiro “não”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Slalom &#8211; Até o Limite</span></i><span style="font-weight: 400;"> é feito para incomodar e trazer angústia, abrir o olhar do espectador para um assunto tão sério, que beira o comum mas jamais deveria ser normalizado. Não há nada de normal ou inocente em uma menina ficar sozinha com seu treinador em um cômodo, não há nada de normal em um homem cis falando quão lindo o ‘sagrado femino’ parece ser. E nunca, NUNCA!, vai haver algo de normal em um homem tocando nosso corpo sem consentimento. Violência sexual é crime e infelizmente acontece de muitas formas além de uma relação com penetração. </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/violencia-sexual-o-que-e-e-o-que-fazer/"><span style="font-weight: 400;">Denuncie!</span></a></p>
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		<title>A raiva que adoece em Sharp Objects</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2018 23:10:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Estrelada por Amy Adams, a minissérie da HBO adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. Camille é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A raiva que adoece em Sharp Objects"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10656" aria-describedby="caption-attachment-10656" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10656" class="wp-caption-text"><em>A parede florida da residência dos Crellin evoca a alma cuidadosa de Adora, semelhante a Mãe Natureza (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Estrelada por Amy Adams, a minissérie da <em>HBO</em> adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. <span style="font-weight: 400;">Camille é uma mulher marcada por abusos. A começar pela distante relação que construiu com a mãe Adora (Patricia Clarkson, sublime), a perda de sua irmã caçula ainda na infância, os anos marcados pela automutilação e alcoolismo, a personagem de Amy Adams tem problemas em encarar o passado e, principalmente, deixá-lo ir. </span></p>
<p><span id="more-10655"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de Gillian Flynn (<em>Garota Exemplar</em>) adapta seu primeiro livro, lançado lá em 2006, quando o assunto de mulheres problemáticas e com as psiques estudadas e trabalhadas ainda não entrara em voga. A autora já chegou a dizer <a href="https://www.rollingstone.com/tv/tv-features/sharp-objects-finale-recap-gillian-flynn-hbo-713667/">que essa é sua criação que mais lhe causa raiva</a>, tanto pela índole das personagens por ela idealizadas quanto pela força negativa da história aqui contada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o olhar astuto e imersivo de Jean-Marc Vallée (<em><a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">Big Little Lies</a></em>, obra-prima), <em>Sharp Objects</em> dança no limiar de um pós-horror e <em>thriller</em> psicológico mesclado ao relato sujo de uma história de abuso e desafeto. Todas as personagens em cena guardam ressentimento. Todas gostariam de não estar ali. </span><span style="font-weight: 400;">Transitando pela infância de Camille por <em>flashs</em> pontuais e impactantes, a jovem interpretada por Sophie Lilils (de<em> It – A Coisa</em>) cimenta muito bem o arcabouço problemático e ferido que a persona de Adams transmite, já na vida adulta.</span></p>
<figure id="attachment_10657" aria-describedby="caption-attachment-10657" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2.jpg 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10657" class="wp-caption-text"><em>O nome dos episódios fazem referência as palavras que Camille eternizou em seu corpo, com seus objetos cortantes (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto de Adams, no <em>hall</em> das mulheres desagradáveis postas em tela, temos Adora e Amma Crellin. Patricia Clarkson constrói sua Adora internalizando todo o rancor e o desgosto que a personagem sente pela primogênita. Uma mulher silenciosa, ardilosa e que faz de tudo para manter intacta a reputação da cidade de Wind Gap, no Missouri.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amma é a personagem mais interessante do seriado. A atuação de Eliza Scanlen patina entre duas personalidades que a garota oculta, sempre um passo a frente dos outros. Amma representa o meio da linha entre Camille e Adora. Enquanto sua meia-irmã tenta se desvencilhar das raízes da cidadezinha do interior e sua mãe ergue a bandeira do passado, a adolescente busca, ao longo dos oito capítulos, um lugar para se prostrar nisso tudo.</span></p>
<p><figure id="attachment_10658" aria-describedby="caption-attachment-10658" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10658" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10658" class="wp-caption-text"><em>O enredo da série dialoga com o filme Trama Fantasma (2017), representando uma forma de amor que não reconhece limites [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Recheado de silêncios harmoniosos, <em>Sharp Objects</em> faz de sua trilha sonora uma protagonista a parte. Sempre num clima anestesiante, a música da produção alude a tudo que os criadores querem explicitar ali. O barulho é tão problemático quanto a ausência dele. Camille sempre ouvir músicas para fugir da realidade crua de Wind Gap casa perfeitamente com o silêncio ensurdecedor que Adora reina em sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra protagonista oculta em meio as atuações marcantes é a cidade que toma lugar a trama. Conhecida pelo mercado do abatedouro de porcos e pelo clima quente, Wind Gap cresce ao passo que a história progride. Há aqui um ar misterioso, fantástico, quase folclórico, que incomoda, deixa o espectador na ponta da cadeira, esperando o pior. Sempre tomando as atenções para si, a cidade elucida as ações de seus residentes. Todos são daquele modo pelo simples fato de ser. Não há qualquer escapatória.</span></p>
<figure id="attachment_10659" aria-describedby="caption-attachment-10659" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10659" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10659" class="wp-caption-text"><em>Vickery e Willis se frustram sempre um passo atrás do culpado pelas mortes de Ann e Natalie (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando a parcela de personagens deslocados e desconfortáveis, a minissérie apresenta o delegado Bill Vickery (Matt Craven), aparentemente o único policial da cidadezinha, responsável pela investigação da morte das meninas Ann e Natalie. Outro homem da lei que aqui figura é Richard Willis (Chris Messina), vindo do Kansas, que auxilia nas investigações, tem boas cenas junto da protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante ressaltar aqui que o foco do seriado não é a resolução dos casos ou qualquer retrato que demande explicações e motivos. <em>Sharp Objects</em> trabalha sim esses temas, mas toda sua carga criativa se concentra na ascensão e queda de suas mulheres protagonistas. As trocas dúbias de palavras fortes, o envenenamento de suas almas.</span></p>
<figure id="attachment_10660" aria-describedby="caption-attachment-10660" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10660" class="wp-caption-text"><em>Sharp Objects chegará ao Emmy 2019 com forças, principalmente nas categorias de atuação e direção (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os objetos cortantes do título são tão materiais quanto são figurativos, todo diálogo entre mãe e filha machuca até mais que a agulha que Camille leva a tiracolo. O <em>show</em> é pesado e sabe estudar as suas mulheres, deixando aqui um retrato semelhante ao que David Fincher fez em <em>Garota Exemplar</em>, de 2014. Quando dadas as devidas atenções, as mulheres são tão perigosas quanto os homens. </span><span style="font-weight: 400;"><em>Sharp Objects</em> cumpre mais do que promete e finaliza sua trajetória na Televisão sem muitos porquês. Não se esqueça das cenas pós-créditos.</span></p>
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		<title>A desmistificação da verdade em 13 Reasons Why</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2018 22:43:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Calcada em polêmicas e no retrato problemático de transtornos e distúrbios psicológicos: foi assim que 13 Reasons Why veio à tona. Após uma estreia provocativa e um final aparentemente fechado, o seriado retorna para um segundo ano na esperança de contar a versão de cada um dos “porquês” que levaram ao suicídio de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A desmistificação da verdade em 13 Reasons Why"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10240" aria-describedby="caption-attachment-10240" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10240" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-300x169.jpg" alt="" width="816" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1.jpg 2025w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10240" class="wp-caption-text">Segunda temporada da série original Netflix explora ainda mais os traumas dos adolescentes protagonistas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Calcada em polêmicas e no retrato problemático de transtornos e distúrbios psicológicos: foi assim que<em> 13 Reasons Why</em> veio à tona. Após uma estreia provocativa e um final aparentemente fechado, o seriado retorna para um segundo ano na esperança de contar a versão de cada um dos “porquês” que levaram ao suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford).<br />
<span id="more-10237"></span></p>
<p>Mesmo com os <em>trigger-warnings</em> (avisos de “gatilho”, cenas que chocam) prévios aos acontecimentos mais pesados, o público reagiu mal às cenas de abuso sexual e suicídio, que desencadeou na gravação e propagação das sete fitas no <a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why/">primeiro ano</a>. O seriado retorna com os momentos impactantes ainda que, desta vez, o tom aqui remeta a elementos que constroem uma narrativa coesa, e não apenas o choque pelo choque.</p>
<p>O abuso é o tema central da segunda temporada, provavelmente em vista do cenário político-social que permeia Hollywood — as denúncias do <em>Time’s Up</em> e o movimento <a href="http://pt.euronews.com/2018/05/13/-metoo-no-tapete-vermelho-de-cannes">#<em>MeToo</em></a>. O tratamento do tema era lógico neste cenário. Aqui, destaque para a cena de abertura do último episódio: uma colagem de depoimentos de todas as mulheres do <em>show</em>, em que elas relatam experiências de abuso. A série consegue, em uma só cena, mostrar a que veio.</p>
<figure id="attachment_10243" aria-describedby="caption-attachment-10243" style="width: 672px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-300x200.jpg" alt="" width="672" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10243" class="wp-caption-text"><em>A sequência inicial do episódio 13, focada em abuso, é reflexo direto dos movimentos feministas que tomaram conta dos EUA nos últimos meses (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>É interessante o fato de que Hannah deixou de ser a protagonista para dar espaço aos demais, que ainda sentem as consequências de suas fitas, mesmo meses após seu suicídio. A personagem ainda está em cena, mas sua versão dos fatos já não é mais a única apresentada nos treze episódios.</p>
<p>Construída em cima dos depoimentos dos acusados no julgamento que os Baker abriram contra a escola Liberty High, a temporada mescla o presente (sombrio, pintado em tons frios, quase sempre com personagens com hematomas) com <em>flashbacks</em> da época em que Hannah ainda vivia. Revisitando momentos da temporada passada, agora pelo ponto de vista dos companheiros da garota, Hannah é desconstruída, desmistificada. Cada colega revela confissões e segredos de suas relações com a jovem, desmanchando a figura que o público e Clay (Dylan Minnette) conhecia até então.</p>
<figure id="attachment_10245" aria-describedby="caption-attachment-10245" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-300x200.jpg" alt="" width="667" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10245" class="wp-caption-text"><em>O segundo ano da produção bebe de produções como Clube dos Cinco, Skins UK e As Vantagens de Ser Invisível (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Clay continua como ponto central da trama, enquanto Hannah aparece para ele numa dinâmica semelhante a de Patrick Swayze no filme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlZ4OJ6XRSQ"><em>Ghost – Do Outro Lado da Vida</em></a> (1990). A garota aparece para tentar sanar as dúvidas e questionamentos que ele faz a cada depoimento, dando mais e mais camadas à sua personalidade. Clay não aceita ver a idealização quase religiosa e intocável que ele criou de Hannah se desfazer no tribunal. Apesar de ele ganhar boa parcela do tempo de tela, quem realmente rouba a cena e têm jornadas magníficas de evolução são Jessica Davis (Alisha Boe) e Olivia Baker (Kate Walsh).</p>
<p>Ambas mulheres abaladas pela violência e pela impotência em frente a um mundo comandado por Bryce Walkers. Jessica lida com os fantasmas do estupro sofrido por Bryce (Justin Prentice) no ano um, na performance angustiante de Alisha Boe. A adolescente reluta em testemunhar contra o estuprador, com medo de tornar tudo aquilo real novamente. Enquanto isso, Olivia lida com o divórcio, a sede por justiça e a depressão de uma mãe em luto. Uma mãe que se sente culpada pelo suicídio da filha. A atuação de Kate Walsh continua sendo o ponto mais alto da produção de Selena Gomez.</p>
<p>Justin Foley (Brandon Flynn) tem uma trama de redenção bacana, mas aparentemente em vão; Tony (Christian Navarro) protagoniza um dos arcos mais interessantes e satisfatórios da temporada; Alex (Miles Heizer) é o personagem mais afetado e se sustenta na persona de Zach (Ross Butler), este que figura o melhor momento da temporada, ao lado de Hannah.</p>
<figure id="attachment_10247" aria-describedby="caption-attachment-10247" style="width: 723px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-300x200.jpg" alt="" width="723" height="482" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10247" class="wp-caption-text"><em>A trilha sonora afiadíssima figura nomes pop como Troye Sivan, a banda britânica The 1975 e Selena Gomez (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Courtney (Michele Selene) aparece pouco e merecia mais; já Ryan (Tommy Dorfman) aparece o suficiente. E Bryce continua tão desprezível e repugnante quanto antes. É Tyler (Devin Druid) quem mais sofre com o roteiro desordenado. Embora <em>13RW</em> saiba criar ótimos momentos envolvendo grupos de personagens e a catártica porradaria, é nas dinâmicas em duplas e trios que a série triunfa: Tony e o instrutor de boxe, Zach e Alex, Jessica e Nina, Olivia e Clay, Tyler e Cyrus, todas ótimas e fluídas dentro da narrativa principal.</p>
<p>Aliás, a dinâmica entre os dois últimos, <em>a la</em> <a href="https://mundoestranho.abril.com.br/crimes/como-foi-o-massacre-de-columbine/">massacre de Columbine</a> entoada (mentalmente) pelo hit <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SDTZ7iX4vTQ"><em>Pumped Up Kicks</em></a>, começa muito bem mas se perde em meio a construção abrupta de um momento específico do personagem de Tyler. Germinado na <em>finale</em> do primeiro ano e na pressa do ‘choque pelo choque’, da gratuidade de uma cena, o episódio final da segunda temporada perde o fôlego, numa construção falha e que não se sustenta. Faltou maturidade.</p>
<figure id="attachment_10249" aria-describedby="caption-attachment-10249" style="width: 721px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-300x200.jpg" alt="" width="721" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10249" class="wp-caption-text"><em>O portal 13reasonswhy.info foi criado no intuito de auxiliar indivíduos em situação de abuso, em qualquer lugar do mundo (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Impressionam a cinematografia, que aposta no contraste de calor e frio entre os tons, e a câmera ágil e bem colocada para captar ângulos incomuns (mas que enriquecem o roteiro e a edição complicada do seriado). Destaque para a câmera rodeando os protagonistas na cena do baile.</p>
<p><em>13 Reasons Why</em> contextualiza melhor certos momentos e adiciona camadas a todos os envolvidos no drama do ano um, nunca livrando-os da culpa ou relativizando acontecimentos e ações. A série é clara e direta em sua posição de defesa, o que tem-se agora são momentos de reflexão, revelando mãos mais cuidadosas no tratamento de assuntos delicados e que realmente demandam devida atenção.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/">A desmistificação da verdade em 13 Reasons Why</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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